A decadência da humanidade

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É chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários a ter o controle de seu destino e colocar em prática uma governança democrática do mundo. Este é o único meio de sobrevivência da espécie humana e de sustar a decadência da humanidade. Porque não existe nenhum outro meio capaz de construir um mundo no qual cada mulher, cada homem de hoje e de amanhã tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, e nos quais os interesses do planeta e de todas as nações, de todas as formas de vida e das gerações futuras, seriam enfim levados em conta, no qual todas as fontes de crescimento seriam utilizadas de maneira ecologicamente e socialmente durável.

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A decadência da humanidade

  1. 1. 1 A DECADÊNCIA DA HUMANIDADE Fernando Alcoforado* Um observador atento ao que acontece no mundo percebe a decadência vivida pela humanidade. Por maior que seja o avanço científico e tecnológico a cada dia os valores básicos de moral, honra e respeito estão se perdendo em nossa sociedade. Os seres humanos destroem aquilo que constroem, luta com seus semelhantes pelos motivos mais fúteis possíveis e vulgariza-se e se sujeita as piores humilhações em busca do poder e da riqueza. Os seres humanos nascem e crescem se sujeitando às banalidades criadas e aceitas passivamente pela maioria. Talvez estejamos num caminho sem volta, sem recuperação caminhando para um abismo. Os seres humanos construíram e valorizaram um liberalismo capitalista desprezível que destrói e corrompe o homem a cada dia, deixando-o alienado e distante das grandes virtudes morais. Para a maioria é mais simples e prático acompanhar o pensamento tradicional e aceito pela sociedade e julgado como correto e normal, ao invés de desenvolver um pensamento crítico e oposto ao que é imposto como normal e correto. Torna-se cômodo continuar com a vida tranquila e ao mesmo tempo fútil do que se arriscar indo contra a maioria. A verdade é que assim caminha a humanidade. Este é o resultado da maior crise de valores que se vive cada vez mais nos tempos atuais na grande maioria dos países do mundo onde os governantes revelam grande incapacidade para gerirem a situação, podendo mesmo levar á crise de governos e ao surgimento de ditaduras que acabem com as parcas liberdades existentes. Tudo isto acontece no momento atual ao mesmo tempo em que ocorre a crise do sistema capitalista mundial e sua débâcle iminente em que os Estados Unidos podem arrastar consigo toda a Europa e criar mais situações de violência e desigualdade social que se multiplicaram no século atual. Na verdade está-se acelerando o processo de decadência da humanidade que está carecendo urgentemente de uma grande transformação. Só poucos estão atentos e conscientes aos “sinais” dos tempos e difundem a verdade para os que nada sabem sobre os dias difíceis que se aproximam. Que fim terá nosso mundo, nossas vidas, se o mundo de hoje virou um caos ingovernável no qual os seres humanos só pensam em poder e riqueza e destrói a natureza? Pode o homem ser chamado de ser mais inteligente da Terra? Um ser inteligente pregaria a guerra e colocaria em risco seu futuro e dos seus descendentes? É o que fazem hoje com nosso mundo, destroem por dinheiro, matam por riqueza e poder, as vidas já não valem mais nada, nada mais tem valor, tudo isso por poder e riqueza! É vergonhosa a situação a que chegou a humanidade com sua forma de civilização, onde a fome mata todos os dias milhões de pessoas em todo o mundo, a maior parte crianças que não chegam à idade adulta por falta de alimento, enquanto outras comem demais e ficam obesas pelos erros e excessos alimentares como o fazem seus próprios pais. Vivemos em um mundo de contrastes entre luxo e lixo, riqueza material e miséria. É inaceitável viver em um mundo em que, nos últimos 6.000 anos da história da humanidade, houve apenas 292 anos de relativa paz entre os povos. A história do mundo é, em larga medida, uma história de guerras, porque os Estados em que vivemos nasceram de conquistas, guerras civis ou lutas pela independência. Os
  2. 2. 2 registros históricos mais antigos que se conhecem já falam de guerras e lutas. Não é, pois, de causar espanto que agora, na época da colheita de todas as más ações geradas pela humanidade, o número de guerras e revoluções cresça em escala jamais vista, tanto em quantidade como em intensidade. A violência dos conflitos em nossa época não tem paralelo na história. As guerras do século XX foram “guerras totais” contra combatentes e civis sem discriminação. O século XX foi sem dúvida o mais assassino de que temos registro, tanto na escala, frequência e extensão da guerra que o preencheu como também pelo volume único das catástrofes humanas que produziu, desde as maiores fomes da história até o genocídio sistemático. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial o mundo conheceu 160 guerras quando morreram cerca de 7 milhões de soldados e 30 milhões de civis. Todas as "megamortes" ocorridas desde 1914 chegaram a um total de 187 milhões de mortos. As guerras continuam fazendo parte de nosso cotidiano como demonstram o conflito entre Rússia e Ucrânia que deixa evidenciado o propósito das potências ocidentais (Estados Unidos e União Europeia), aliadas da Ucrânia, de enfraquecerem a posição geopolítica da Rússia que busca retomar o papel mundial antes exercido pela ex- União Soviética. A insolúvel questão palestina, que perdura desde o fim da 1ª Guerra Mundial quando as potências vencedoras contribuíram para a ocupação da Palestina pelo povo judeu e facilitaram a criação do Estado de Israel em detrimento do povo palestino, faz com que os povos palestino e judeu vivam em guerra permanente. A intervenção militar recente no Iraque, Afeganistão, Síria e Líbia completam o quadro de conflitos no Oriente Médio. Além dos conflitos acima citados, a humanidade se defronta com mais duas grandes ameaças. Uma delas, de natureza econômica, é representada pela crise geral do sistema capitalista mundial que tende a conduzir a economia mundial à depressão com a falência dos governos, a quebradeira de empresas, o desemprego em massa e até mesmo a eclosão de guerras civis e uma nova conflagração mundial como já ocorreu no século XX com a 1ª e a 2ª Guerra Mundial. Outra ameaça, de natureza ambiental, é representada pelo esgotamento dos recursos naturais do planeta, o crescimento desordenado das cidades e a catastrófica mudança climática global que tende a produzir graves repercussões sobre as atividades econômicas e o agravamento dos problemas sociais da humanidade. Esta situação é coincidente com o fato de os Estados Unidos terem ampliado demais o seu império, ao ponto de não conseguirem mais administrá-lo, como aconteceu com a Espanha no século XVII e o Reino Unido no século XX. A partir de 2001, o governo Bush põe tudo a perder na área fiscal, com crescentes gastos bélicos após o atentado contra as torres gêmeas em Nova Iorque ao promover a invasão do Iraque e do Afeganistão. Pela previsão do Goldman Sachs, a China terá, em 2050, superado os Estados Unidos, com PIB de US$ 45 trilhões, contra os US$ 35 trilhões dos Estados Unidos. É chegada a hora da humanidade se dotar o mais urgentemente possível de instrumentos necessários a ter o controle de seu destino e colocar em prática uma governança democrática do mundo. Este é o único meio de sobrevivência da espécie humana e de sustar a decadência da humanidade. Porque não existe nenhum outro meio capaz de
  3. 3. 3 construir um mundo no qual cada mulher, cada homem de hoje e de amanhã tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres, e nos quais os interesses do planeta e de todas as nações, de todas as formas de vida e das gerações futuras, seriam enfim levados em conta, no qual todas as fontes de crescimento seriam utilizadas de maneira ecologicamente e socialmente durável. Uma governança democrática do mundo não substituiria os governos de cada nação. Seu papel seria o de construir a governabilidade da economia e do meio ambiente global e a manutenção da paz mundial. Por seu intermédio, seria perseguida a defesa dos interesses gerais do planeta. Ela zelaria no sentido de cada Estado respeitar os direitos de cada cidadão do mundo buscando impedir a propagação dos riscos sistêmicos mundiais de natureza econômica e ambiental. Ele evitaria o império de um só e a anarquia de todos. Uma governança com essas características só pode resultar do consenso entre todos os povos e nações do mundo. A governança democrática do mundo poderia surgir de uma guerra ou ser concebido para evitar seu retorno. Esta não seria a primeira vez: isto foi objeto do Concerto das Nações em 1815, da Liga das Nações em 1920 e da Organização das Nações Unidas em 1945 que foram em vão porque a governança mundial não disporia de nenhum meio de tomar decisões nem de colocar em prática sanções contra aqueles que não a respeitem. Esta governança mundial poderia resultar de desastres sistêmicos maiores tais como, crise ecológica extrema, crise econômica de grande amplitude, expansão de uma economia do crime organizado, a queda de um meteorito no planeta e o avanço do movimento terrorista que fariam os governos democráticos do mundo a juntar suas forças. A preservação da paz é a primeira missão de toda nova forma de governança mundial. Amanhã, quem vai governar o mundo? Ninguém, provavelmente, se nada for feito para construir uma governança global. E este é o pior cenário. Nenhum país por mais poderoso que seja não pode controlar a riqueza e os problemas do planeta. Nenhum país quer uma governança mundial. No entanto, as crises econômica, financeira, ecológica, social, política e o desenvolvimento de atividades ilegais e criminosas de hoje mostram a urgência de uma governança mundial. É preciso entender que o mercado mundial não pode funcionar adequadamente sem o Estado de Direito Internacional, que o Estado de Direito Internacional não pode ser aplicado e respeitado sem a presença de uma governança mundial que seja aceito por todos os países a qual só será sustentável se for verdadeiramente democrático. A humanidade tem de entender que tem tudo a ganhar se unindo em torno de uma governança democrática no mundo representativa dos interesses das nações, incluindo a mais poderosa, controlando o mundo em sua totalidade, no tempo e no espaço. A nova ordem mundial a ser edificada deve organizar não apenas as relações entre os homens na face da Terra, mas também suas relações com a natureza. É preciso, portanto, que seja elaborado um contrato social planetário que possibilite o desenvolvimento econômico e social e o uso racional dos recursos da natureza em benefício de toda a humanidade. A edificação de uma nova ordem mundial baseada nesses princípios é urgente. Esse governo vai existir um dia mesmo que aconteça após um gigantesco desastre econômico ou ambiental. É urgente pensar nisso para sustar o processo de em curso de decadência da humanidade.
  4. 4. 4 *Fernando Alcoforado, 74, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.

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