Revista Nossa UENF - ano 02 - número 02

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Ano 02 - número 02 - julho/agosto 2009

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Revista Nossa UENF - ano 02 - número 02

  1. 1. Nesta Edição Evento científico reúne três instituições Fermento 03 Na Rota da Ciência 04 na massa Em 16 anos, a Uenf qualificou e titulou cerca de 4 Toda a riqueza da argila 06 mil pessoas, sendo 1,7 mil mestres ou doutores. E não Produtos ambientalmentes corretos se trata de qualquer diploma: segundo o índice IGC 08 do MEC, a Uenf está entre as 15 melhores universida- A inspiração que vem do barro 09 des do Brasil. De que forma esta nova massa crítica estaria influindo nos rumos do desenvolvimento do Sobreviventes da destruição 10 Norte/Noroeste Fluminense? Esta é a questão-chave desta edição. Jovem, com ares de gente grande 12 Por exemplo: com a decadência da cana, a ativida- Energia sem limites 16 de ceramista na Baixada Campista ganhou expressão em produção e em absorção de trabalhadores. Mas Entrevista / Silvério de Paiva Freitas 18 a exploração da argila tem sido desordenada, e os produtos gerados por nossas olarias têm tido pouco Pela melhoria da Educação 20 valor agregado. Como a Universidade poderia ajudar? As pesquisas indicam a importância do levantamento Expediente prévio das áreas a serem exploradas e apontam alter- nativas para a reutilização das cavas ao final da explo- ração. Novos produtos, econômica e ambientalmente Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF recomendados, também estão entre as contribuições dos pesquisadores da Uenf, em parceria com empre- Governador do Estado Diretor do CBB sários e com agências de fomento como a Faperj. Sérgio Cabral Arnoldo Rocha Façanha Também entrevistamos estudantes premiados du- Secretário de Ciência e Tecnologia Diretor do CCT rante o Congresso Fluminense de Iniciação Científi- Alexandre Cardoso Alexandre de Moura Stumbo ca, realizado em junho, com organização conjunta da Uenf, IFF (antigo Cefet Campos) e UFF. Embora ainda Reitor Diretora do CCH jovens e iniciantes na jornada acadêmica, eles já par- Almy Junior Cordeiro de Carvalho Teresa de Jesus Peixoto Faria ticipam de pesquisas de relevância nacional e podem ser vistos como os cientistas do amanhã. Vice-reitor Diretor do CCTA Todo mundo diz que a educação precisa melho- Antonio Abel Gonzalez Carrasquilla Hernán Maldonado Vásquez rar e que um passo fundamental é a qualificação dos professores da rede pública. Pois bem: a Uenf aderiu Equipe Ascom a um esforço proposto pelo MEC e está reservando Fúlvia D’Alessandri e Gustavo Smiderle (jornalistas responsáveis) centenas de vagas em seus cursos de licenciatura, já Felipe Moussallem (projeto gráfico) a partir deste mês de agosto, para qualificar profissio- Alexsandro Cordeiro e Marcus Cunha (diagramação) nais da rede pública do Norte/Noroeste Fluminense. As universidades participantes vão definir os critérios Nilza Franco Portela (técnica de nível superior) de seleção dos candidatos, mas é certo que eles não Elizabeth Cordeiro Silva (auxiliar técnico-administrativo) vão precisar enfrentar o vestibular. Maria da Penha R. OLiveira e Diego M.S. Leandro Na entrevista em formato pingue-pongue, o pró- (estagiários, distribuição) reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Uenf, Silvério de Paiva Freitas, analisa os avanços e os garga- Ascom: (22) 2739-7119 / 0800-025-2004 / uenf@uenf.br los na implementação do diálogo entre o meio acadê- Reitoria: (22) 2739-7003 mico e os demais setores da sociedade regional. Se- gundo Silvério, o meio acadêmico está tentando fazer www.uenf.br a sua parte para construir uma nova sociedade, mas Tiragem: 10 mil exemplares - Distribuição: gratuita e dirigida esta construção é tarefa de todos — inclusive da gente Impresso por: Hansen Graphics Ltda. que faz e que lê a revista NOSSA UENF. Boa leitura! 02
  2. 2. Evento científico reúne três instituições Congresso e Mostra de Pós movimentaram a Uenf no início de junho O maior evento científico da região ficou ain- Iniciação Científica da UFF — o reitor da Uenf, Almy O diretor do Instituto de Ciências da Socie- da maior este ano, com a união das três maio- Junior, disse que a articulação das três instituições dade e Desenvolvimento Regional da UFF, José res instituições de ensino superior de Campos: se constituía “num dos momentos mais ricos da Luís Vianna da Cruz, registrou não apenas a a Universidade Estadual do Norte Fluminense história da Uenf ”. Darcy Ribeiro (Uenf ), a Universidade Federal Ele ressaltou as con- Fluminense (UFF) e o Instituto Federal Flumi- tribuições históricas nense (IFF, antigo Cefet Campos). Juntos, eles da UFF, presente em realizaram, de 01 a 04/06, o Congresso Flumi- Campos há 47 anos, nense de Iniciação Científica e Tecnológica, que sendo pioneira na teve como tema central “Ciência e Religião no implantação de um Terceiro Milênio”. Paralelamente, foi realizada a núcleo distante de 9ª Mostra de Pós-Graduação da Uenf, que discu- sua sede, bem como tiu a temática “Política institucional acadêmica”. do IFF, cuja história Na abertura do evento — que congregou o 14º está chegando ao Encontro de Iniciação Científica da Uenf, o 6º Cir- centenário neste cuito de Iniciação Científica do IFF e a 2ª Jornada de ano de 2009. No alto, abertura do Congresso de Iniciação Científica; acima, sessão de Posters 03
  3. 3. Na rota da ciência convergência entre as instituições públicas, mas também o papel da pesquisa na formação pro- fissional e o desafio da contribuição das univer- sidades para o desenvolvimento regional. José Luís citou particularmente o paradoxo da vinda de grandes investimentos para a região e a pers- pectiva do “desastre social, urbano e ambiental”, que é preciso prevenir ou minorar. Alunos de IC tomam gosto pela pesquisa e A reitora do IFF, Cibele Daher Botelho Mon- teiro, lembrou a tradição da antiga Escola Téc- almejam carreira acadêmica nica Federal de Campos, posteriormente Cefet A participação em projetos de Iniciação 10/07/09, em Feira de Santana (BA). Campos, na área do ensino. Realçou o papel Científica é fundamental para que o aluno de A participação no projeto de pesquisa “Me- mais recente de atuar também na pesquisa e graduação possa decidir melhor o seu futuro. lhoramento de milho pipoca da Uenf e a intera- na extensão, numa experiência de união entre A opinião é compartilhada por alunos que inte- ção com produtores rurais do Norte e Noroeste diferentes níveis de educação. Cibele também gram projetos de pesquisa e foram premiados Fluminense” levou o aluno Cássio Vittorazzi, acentuou a importância da integração entre as durante o 14º Encontro de Iniciação Científica do 9º período de Agronomia, a desejar con- instituições. da Uenf, como Érica da Silva Lopes, do 7º pe- tinuar na área acadêmica após a graduação. Na palestra de abertura da 9.ª Mostra de Pós- ríodo de Engenharia e Ciência dos Materiais, e — Sempre quis fazer agronomia, porque Graduação da Uenf, o pesquisador Wilson Savino, Cássio Vittorazzi, do 9º período de Agronomia. meus pais são produtores rurais. Quero conse- da Fiocruz, falou sobre a importância de uma polí- — A Iniciação Científica nos permite sa- guir agora uma vaga no mestrado em Produção tica continuada de cooperação internacional na for- ber que caminho gostaríamos de seguir: se Vegetal da Uenf e continuar na área de pesquisa mação de jovens imunologistas do terceiro mundo. permanecemos na área acadêmica ou se par- — diz Cássio, que teve a orientação do professor Temperando o relato com histórias pessoais, carre- timos para o mercado de trabalho — diz Éri- Antônio Teixeira do Amaral Junior, do Laborató- gadas de afetividade e humanidade, Savino mostrou ca, que ingressou na Uenf através da reserva rio de Melhoramento Genético Vegetal (LMGV ). como a política governamental de aproximação de vagas para estudantes de escola pública. Caio Antônio Figueiredo de Andrade, que está com a América Latina e a África permitiu, do lado Seu trabalho de pesquisa, intitulado “Carac- concluindo o curso de Ciências Biológicas, também da oferta de financiamento, a realização de muitos terização da cinza da palha de cana-de-açúcar já sabe que continuará atuando como pesquisador. projetos com países dessas duas regiões. com vistas ao emprego como pozolana em ma- Um dos premiados durante o 14º Encontro de Inicia- Em palestra sobre o tema “A religião (e a ir- teriais cimentícios”, teve a orientação do profes- ção Científica da Uenf, Caio já tem projeto de mestra- religão) dos cientistas”, no âmbito do Congresso sor Guilherme Chagas Cordeiro, do Laboratório do e possível orientador na Universidade Federal de Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica, de Engenharia Civil Viçosa (UFV), o profes- o professor Luís Carlos Petry, da PUC-SP, afirmou (Leciv), e foi apre- sor Renato Freire. que a religião não é algo destoante do universo sentado também — Vou pes- científico. Ele lembrou que muitos daqueles que no Encontro quisar no mes- fundamentaram a ciência acreditavam na idéia Nacional sobre trado a fauna de Deus. Na sua opinião, a Academia deve ser Aproveitamen- da Restinga um local de debates e de amplas opiniões e não to de Resíduos de Iquipari, de “caça às bruxas”. Em outras palavras, mesmo na Construção área que é assuntos que hoje são considerados inapropria- (Enarc 2009), forte candida- dos, porque não podem ser adaptados à lógica que ocor- ta a unidade de científica, devem ser debatidos. reu de 8 a pre- — Hoje nós não estamos mais sendo capa- zes de reduzir tudo ao método científico. Estamos numa fase em que precisamos construir uma outra posição, que alguns designam multidisciplinaridade. Esta é uma tarefa do porvir — disse Petry, que pessoalmente não é religioso. Pela Uenf, participaram do evento 343 estudantes de Iniciação Científica e 157 estu- dantes de Pós-Graduação, tanto em apresen- tações orais quanto em pôsteres. 04
  4. 4. servação, mas sobre a qual quase não se tem estudos. Já fiz o inventário de 14 espécies exis- Trabalhos premiados durante Encontro de IC tentes no local — diz Caio, cujo trabalho de Iniciação Científica, orientado pelo professor Carlos Ramon Ruiz Miranda, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA), tem como título o “Aspectos populacionais e comportamentais CBB e a interação com produtores rurais do de Iguana iguana (Squamata: Iguanidae) em “-Glucosidade do intestino médio de Aedes Norte e Noroeste Fluminense” uma área de restauração florestal de uma mata aegypti e sua atividade de agregação de heme”. Cássio Vitorazzi Magda Delorence Lugon Orientador: Antônio Teixeira do Amaral Junior ciliar periodicamente alagada em Porto Rico”. (LMGV ) Orientadora: Marilvia Dansa de Alencar Pe- Na Iniciação Científica, Evelyn de tretski (LQFPP) “Caracterização do processo de rigor mortis Almeida Campos, do 7º período de “Aspectos populacionais e comportamentais de dos músculos Longissimus dorsi e Triceps bra- Ciências Sociais, teve a possibilida- chii de ovinos (Ovis vignei)” Iguana iguana (Squamata: Iguanidae) em uma de de participar de um grande proje- área de restauração florestal de uma mata ciliar Júlio César Cassaro Pinto to de pesquisa, que reúne a Uenf e a periodicamente alagada em Porto Rico” Fábio da Costa Henry (LTA) UFRJ. O objetivo do projeto é desco- Caio Antônio Figueiredo de Andrade brir como se dá o mercado informal Orientador: Carlos Ramon Ruiz-Miranda (LCA) CCT “Desenvolvimento de uma interface de hardware de solo nas favelas das maiores ci- “A matéria orgânica transportada na interface para controle de atuadores e sensores para o Robô dades do Brasil e da América Latina. da Bacia do Rio Paraíba do Sul para a Costa” PAMDA” — Fizemos o levantamento de dados em Phillipe Mota Machado Élisson Michael Orientador: Carlos Eduardo de Rezende (LCA) Orientadora: Sahudy Montenegro González diversas comunidades de Campos, como “Análise da regulação do Promotor Salt, em (LCMAT) Margem da Linha, Baleeira, Lagoa do Vigá- Arhabidopsis thaliana, através de expressão “Caracterização da cinza da palha de cana-de- rio, Vila Tamarindo, Complexo Matadouro/ transiente e transformação estável via Agrobac- açúcar com vistas ao emprego como pozolana Tira Gosto/Goiabal, entre outros — diz Eve- terium tumefaciens”. em materiais cimentícios” lyn, que teve a orientação da professora Te- Fernanda Bueno Barbosa Érica da Silva Lopes resa Peixoto, do Laboratório de Estudo do Orientador: Gonçalo Apolinário de Souza Filho (LBT) Orientador: Guilherme Chagas Cordeiro (Leciv) Espaço Antrópico (Leea) do Centro de Ci- “Comparação imunoquímica e hemorrágica “Estudo de estrutura das ligas de Ti-Nb-Mo com ências do Homem (CCH) da Uenf. O título entre a serpente africana Bitis arietans e a ser- ENE termicamente tratadas” do projeto é “Mercados informais de solo pente brasileira Bothrops atrox” Márcia Almeida Silva e mobilidade residencial Thais Louvain de Souza Orientadora: Lioudmila Aleksandrovna Ma- Orientador: Wilmar Dias da Silva (LBR) tlakhova (Lamav) dos pobres em Campos dos Goytacazes”. CCTA “Técnicas de percepção em jogo fisicamente interativo” “Estabelecimento de minijardins de diferentes Sanya Carvalho dos Santos genótipos de goiabeiras e araçazeiros multi- Orientador: Luis Antônio Rivera Escriba (LC- plicados previamente por sementes ou por MAT) estaquia de ramos herbáceos” “Processamento sísmico 2D com preservação Aluna: Maria Isabela da Costa Terra de amplitude, marinho na Bacia de Pelotas” Orientadora: Cláudia Sales Marinho (LFIT) Matheus Cabral Ribeiro “Expressão desordenada de receptores- Orientador: Luiz Geraldo Loures (Lenep/CCT) de estrógeno (RE-) e receptores de “Estudo de amostras de biodiesel exóticas atra- progesterona (RP) em úteros de vés da técnica de lente térmica” vacas com adenomiose” Luiz Fernando Milleri Sangiorgio Bárbara S. Gonçalves da Silva Orientadora: Maria Priscila Pessanha de Castro (LCFIS) Orientador: Eulógio Queiroz de Car- valho (LSA) CCH “Características da mobilidade residencial dos “Preparação de biocatalisa- pobres nas favelas e do mercado informal urba- dor para obtenção de bio- no na Região Norte Fluminense” diesel pela rota etílica” Evelyn de Almeida Campos Vanessa Vicente Vieira Orientadora: Teresa Peixoto (Leea/CCH) Andrade Orientador: Victor Haber “Religião e juventude: imagens e narrativas de Perez (LTA/Uenf ) lideranças religiosas nas favelas” Natália dos Santos Silveira “Melhoramento de Orientadora: Wânia Amélia Belchior Mesquita milho pipoca da Uenf (Lesce/CCH) 05
  5. 5. Toda a riqueza da argila Pesquisas da Uenf indicam que é necessário implementar nova metodologia para racionalizar exploração e diminuir os custos ambientais Sedimentos trazidos pelo Rio rias situadas na Baixada Campista. de conciliar a atividade econômica Paraíba do Sul há cerca de cinco Um dos pilares da economia local, com a preservação ambiental. mil anos — no período conhecido o extrativismo de argila, no entanto, Estudos feitos pelo Laboratório como pós-regressão marinha — for- produziu um rastro de destruição de Engenharia Civil (Leciv) da Uenf maram os depósitos de argila que na paisagem campista. Hoje, pes- mostram a necessidade de imple- hoje alimentam as cerca de 100 ola- quisadores da Uenf tentam rever- mentar uma nova metodologia de ter este quadro, buscando formas exploração do solo, não mais base- ada no empirismo e na intuição. A exploração de qualquer área, por exemplo, não pode começar sem que se tenha ideia do que será encontrado lá dentro. Isso evita uma situação comum no mu- nicípio: o abandono de jazidas nas quais o material encontra- do não é considerado adequa- do. — As áreas de jazida es- tão ficando cada vez mais valorizadas e também mais escassas, o que exige um planejamento mais apu- rado do uso do solo e da preservação dessas áreas — afirma o professor Jo- nas Alexandre, que co- ordena as pesquisas do Leciv nesta área. Segundo o professor, é importante que sejam fei- 06
  6. 6. Prof. Jonas Alexandre serva que a Uenf de Campos (RCC), na qual os pes- para o setor — diz o professor Jo- tem pesquisado- quisadores da Uenf, em parceria nas Alexandre. res nas áreas agrí- com o Sebrae, prestam informações A instalação do Centro Voca- colas que podem aos ceramistas sobre como melho- cional Tecnológico de Cerâmica da complementar os rar seus produtos para obter o selo Escola Técnica Estadual João Barce- projetos de reuso de qualidade. los Martins também contou com a das cavas de ma- — Outro projeto nosso é a cen- participação dos pesquisadores do neira eficiente. É tral de preparo de massa, que vem Lamav e do Leciv na elaboração da necessário ainda mobilizando os ceramistas. Para grade curricular, especificação de que os produtores isso, é necessário que haja associa- equipamentos e definição do layout possam dispor de tivismo, o que é muito importante dos laboratórios. assistência técnica e de linhas de cré- dito, além de vias Áreas de cana transformadas em jazidas de escoamento. — O reuso das tas prospecções com o intuito de cavas já é uma exigência dos órgãos montar um perfil do solo. Além de ambientais para a obtenção da licen- O aumento das áreas de explo- são consumidas 150 mil toneladas apontar as características da argila ça de exploração das jazidas. A su- ração de argila, em Campos, está di- de argila seca. Isto significa uma para fins cerâmicos, o perfil do solo gestão apresentada é uma alternati- retamente ligado ao declínio da ca- área escavada de 42,8 hectares por também serve para avaliar o seu va que tem por objetivo transformar na-de-açúcar. Diante da dificuldade ano, caso fosse utilizada 100% da possível uso agrícola — uma das al- gradualmente a cultura extrativista em manter a produção, pequenos matéria-prima no processo. ternativas apontadas pelos pesqui- em agrícola. Através de financia- e médios proprietários optaram, — No entanto, a falta de uma sadores para aproveitamento das mentos direcionados (do Estado, nos últimos anos, por arrendar suas metodologia do uso da argila faz cavas após a sua exploração. município ou governo federal), o terras para a exploração de argila. com que o consumo total alcance — As amostras coletadas devem município pode, em curtos perío- O grande problema é que, quan- áreas ainda maiores — diz o pro- ser analisadas em laboratório para dos, suprir necessidades agrícolas do estas voltam para as mãos dos fessor, que iniciou as pesquisas em que sejam conhecidas as proprieda- regionais e destacar-se também no proprietários, na maioria das vezes 1994, quando fazia o seu mestrado des que poderão ser obtidas após a cenário como exportador de deter- encontram-se completamente inviá- na Uenf. queima da argila. O ideal é que isto minadas culturas — afirma. veis para o retorno à agricultura. As olarias de Campos produzem seja feito por um órgão credencia- Algumas ideias dos pesquisa- — Quem arrenda busca solu- cerca de 90 milhões de peças por do ao poder público (estadual ou dores da Uenf já foram colocadas cionar problemas financeiros, mas mês, em sua maioria lajotas para ve- municipal), capaz de desenvolver em prática, como o Laboratório de quando retoma as terras a situação dação e para laje, blocos estruturais, projetos agrícolas de interesse mú- Cerâmica Vermelha (Labcerv) da Fe- é ainda mais grave. Isso ocorre por- tijolos maciços e decorativos. Juntas, tuo — diz o professor. norte/Tecnorte, que tem por objeti- que as escavações são feitas em alta as cerca de 100 olarias situadas no Artigo publicado por Jonas Ale- vo fazer a certificação dos produtos. profundidade, o que acaba invia- município geram aproximadamente xandre e colaboradores mostra um Sua implantação contou com a parti- bilizando o solo para uso agrícola, três mil empregos diretos. exemplo de reuso de áreas escava- cipação de pesquisadores do Leciv e gerando graves problemas sociais — — De uma maneira isolada, ain- das dentro de parâmetros técnicos. do Lamav (Laboratório de Materiais diz o professor Jonas Alexandre. da temos jazidas para muitos anos. No estudo, a reutilização destas ca- Avançados). O coordenador técnico Observações de campo, feitas Mas isso depende da projeção do vas com culturas de milho, feijão e do projeto — que teve um aporte de em nove jazidas, mostraram que as crescimento urbano, agropecuário quiabo apresentou lucratividade. R$ 150 mil do Governo do Estado escavações vão até uma profundi- e industrial do município — diz Jo- Segundo o pesquisador, ainda po- do Rio de Janeiro — foi o professor dade média de três metros, limita- nas Alexandre, cujas pesquisas vêm deriam ser implementadas culturas Carlos Maurício. da geralmente pelo nível do lençol ajudando a caracterizar a argila de que fazem parte das tradições regio- Com o apoio do Sebrae, tam- freático ou por camadas arenosas. Campos, apontando qual a mais nais, como abacaxi e coco. Ele ob- bém foi montada a Rede Cerâmica Segundo o professor, a cada mês adequada a cada peça. 07
  7. 7. Produtos ambientalmente Limo – resíduo do papel corretos Minimizar os impactos am- bientais e, ao mesmo tempo, vezes mais quando era obrigada a despejar o lodo em aterros. gerar produtos mais econômicos. Outra parceria, com a empresa Com este objetivo, o Laboratório ArcellorMital Tubarão, de aço bru- de Materiais Avançados da Uenf to, está viabilizando a pesquisa de (Lamav) vem desenvolvendo pes- outro resíduo industrial: a lama quisas que incorporam resíduos de alto forno, gerada no proces- às peças cerâmicas pro- so siderúrgico. Os pesquisadores duzidas em Campos. Di- da Uenf já chegaram à conclusão versos projetos já contam de que uma incorporação de 5% Resíduo do com a parce- deste resíduo na massa cerâmica papel sendo ria de empre- gera uma economia energética da incorporado à sas e olarias ordem de 20%, sem interferir na argila situadas no qualidade do material. município. — A lama de alto forno tem — Cerca de 10 cerâmicas cerca de 25% a 30% de carbono 08 de Campos já estão incor- e poder calorífico de 2 mil kcal/ porando o lodo que sobra kg. Vamos agora entrar na fase de da produção de papel à testes, mas já há cerâmicas usan- massa de blocos de veda- do este resíduo em Três Rios (RJ) Fotos: Carlos Maurício Fontes Vieira ção (tijolos furados). Rico e nos Estados do Espírito Santo e em celulose, esse material São Paulo — afirma Carlos Maurí- ainda gera economia de cio, lembrando que já foram feitos energia, pois a necessidade estudos para saber os níveis de de lenha é menor — conta emissões de gases poluentes, que o professor Carlos Maurício ficaram dentro dos padrões esta- Fontes Vieira, que coordena belecidos. as pesquisas no Lamav. Em outra linha de pesquisa, Através de uma parceria com a o Lamav vem desenvolvendo um empresa de papel Copapa, de San- produto cerâmico de elevado va- resíduo to Antônio de Pádua (RJ), a lor agregado: o adoquim (bloco de rochas Uenf fez testes para saber a de cerâmica para pavimentação ornamentais viabilidade da utilização do de ruas). O projeto de inovação resíduo misturado à argila. tecnológica tem financiamento da Garantida a qualidade dos produ- Faperj e conta com a coordenação tos, as olarias passaram a receber da Cerâmica Stilbe, de Campos. uma quantia em dinheiro da Co- Os primeiros adoquins deverão papa para fazer a incorporação ser produzidos no segundo semes- do lodo à massa. Segundo Carlos tre deste ano. Por enquanto, está Maurício, a empresa gastava três sendo pesquisada a melhor formu-
  8. 8. A inspiração que barro lação da massa, que deve ter gran- de resistência ao peso do tráfego, tanto leve quanto pesado. Além disso, foi construído um forno do tipo abóbada com capacidade vem do para suportar temperaturas de até A argila que molda os tijolos vas para agricultura e piscicultura; veu fazer o curso para tentar me- 09 1.100ºC. feitos em Campos também vem qualificação de matéria-prima para lhorar suas peças, feitas de bagaço Carlos Maurício também atua ajudando a despertar a veia artís- uso em revestimentos, tijolos e te- de cana. Já a professora Elizabeth como parceiro da Cerâmica Sar- tica de muita gente. Iniciado em lhas; produção e comercialização; Vieira busca um equilíbrio maior dinha, contemplada em edital da 2000, o projeto Caminhos de Barro e novos materiais. com a natureza. Faperj com projeto que tem por começou com a ideia de capacitar — Hoje o projeto Caminhos de — Quando venho aqui, saio objetivo dar uma destinação am- as mulheres dos trabalhadores das Barro treina não só a parte artística muito satisfeita. O curso levanta bientalmente correta ao resíduo da olarias da Baixada Campista. Hoje, quanto a industrial. Além de obje- a autoestima. Acho que é porque serragem de rocha ornamental de muitas delas, além de desenvolver tos artísticos, os alunos aprendem a quando mexemos com o barro nos Santo Antônio de Pádua por meio o artesanato e, a partir dele, garan- produzir garrafas para alambiques, harmonizamos com a terra — diz da incorporação em massa de pla- tir o seu sustento, já atuam como potes para doces, enfeites de ani- Elizabeth, que é formada em Letras queta de revestimento extrudado. multiplicadoras do projeto. versário, entre outros objetos que (Português-Inglês). Também estão sendo estudados É o caso de Vera Lúcia Ribeiro, podem ser comercializados — diz, outros resíduos, como os do cor- que há sete anos fez o curso na Es- acrescentando que, só dentro do te da cinza do bagaço da cana-de- cola de São Sebastião, onde mora, Núcleo do projeto, na Uenf, já fo- açúcar e da lenha do eucalipto, e hoje é multiplicadora do projeto. ram formadas 40 pessoas. Há ainda bem como o chamote (rejeito da Sua prima Eudicéia Cardoso de Al- satélites no distrito de São Sebas- queima dos tijolos). meida faz hoje o curso na Uenf e tião e um outro a ser im- Outra linha de pesquisa do La- conta que já consegue arrecadar plantado em Saturnino mav tem por objetivo desenvolver até um salário mínimo por mês Braga, para atender às revestimento cerâmico prensado com a comercialização de seus pro- comunidades locais. (como grês porcelanato, usado em dutos. A artesã Ivanete piso), um produto de alto valor — Já fiz de tudo um pouco: doce, Maria Neves Fer- agregado. Mas esse tipo de produ- quentinha. Agora faço peças como nandes resol- ção requer um modelo de indús- fruteiras, vasos, bijuterias, que co- tria completamente diferente do mercializo em casa. O trabalho aju- que existe no município. Ele cal- da a tirar os problemas da cabeça. cula que, para a instalação de uma Não tinha experiência nenhuma fábrica de revestimento prensado, com artesanato em argila, mas não seria necessário um investimento foi difícil — conta Eudicéia. de, pelo menos, R$ 20 milhões. Segundo o professor Jonas Ale- — Já há alguns ceramistas inte- xandre, o Caminhos de Barro faz ressados em produzir, em Campos, parte do projeto “Plataforma Ce- pastilhas de revestimento — diz râmica”, do Governo do Estado, Carlos Maurício, acrescentando que visa a incrementar a produção que o município tem condições cerâmica em todo o Estado. Coube favoráveis para este tipo de inves- à Uenf a incumbência de adminis- timento, como facilidade de es- trar as atividades ou projetos que coamento da produção (porto), pudessem auxiliar o polo de Cam- insumo energético (gás) e ainda pos. O projeto, que envolve vários está perto dos grandes mercados laboratórios da Uenf, divide-se nas consumidores. áreas de artesanato; reuso de ca-
  9. 9. Sobreviventes Bugio - Foto de Marcio Marcelo de Morais da destruição Pesquisa da Uenf mostra que a incidência de primatas é maior nos fragmentos da Mata Atlântica que estão em melhor estado de conservação Quanto melhor o estado de con- submetida, a Mata Atlântica abriga seis espé- servação da mata, maior a incidên- cies de primatas nativos em seus remanescen- cia de primatas como o bugio e tes florestais situados no Estado do Rio de o macaco-prego. É o que pôde Janeiro: além do bugio e do macaco-prego, observar a bióloga Roberta alvo da pesquisa, também podem ser encon- Miranda de Araújo em trados o muriqui (Brachyteles arachnoides E. sua pesquisa de mes- Geoffroy, 1806), o sauá (Callicebus persona- trado pelo Programa tus E. Geoffroy, 1812), o mico-leão-dourado de Pós-Graduação (Leontopithecus rosalia Linnaeus, 1766) e em Ecologia e Recur- o sagüi-da-serra-escuro (Callithrix aurita E. sos Naturais da Uenf. Geoffroy, 1812). A pesquisa, concluída — O bugio é a espécie que mais se encon- recentemente, mostra tra ameaçada de extinção, devido à destruição que há maior quantidade de seu habitat. Já o macaco-prego ainda não destas espécies em frag- se encontra ameaçado de extinção, mas vem mentos maiores de mata, sendo alvo de caçadores e comercializado ile- localizados em áreas prote- galmente por traficantes de animais silvestres gidas e em relevos montanho- — afirma Roberta. sos. Segundo a pesquisadora, os resultados Intitulada “Ocorrência e densidade po- evidenciam a importância de se criar novas pulacional de bugio (Alouatta guariba La- unidades de conservação, o que a longo pra- cépède, 1799) e macaco-prego (Cebus nigri- zo poderia contribuir para a manutenção dos tus Erxleben, 1777) em fragmentos de Mata habitats necessários à viabilidade das espé- Atlântica no Rio de Janeiro”, a pesquisa cies. Outra alternativa relevante para a manu- teve a orientação da professora Paula Pro- tenção da biodiversidade ainda presente, de cópio de Oliveira, da Fundação Biodiver- acordo com Roberta, seria o estabelecimento sitas para a Conservação da Biodiversidade, de corredores florestais. e co-orientação do professor Carlos Ramon — Estudos com primatas possuem grande Ruiz-Miranda, do Laboratório de Ciências relevância porque estes mamíferos podem Ambientais (LCA) da Uenf. ser usados como indicadores de conservação Apesar da intensa devastação a que foi de áreas, na criação de unidades de conserva- 10
  10. 10. Pressão antrópica ção e na recuperação de áreas degra- dadas — diz, acrescentando que os re- sultados da pesquisa podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias atinge animais de manejo e conservação das espécies de primatas. As áreas escolhidas para a realiza- ção da pesquisa foram as unidades de conservação estaduais e federais pre- sentes no Estado do Rio de Janeiro, Segundo Roberta, os primatas são vítimas da for- Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São bem como a região da Bacia Hidrográ- te pressão antrópica (provocada pela ação humana) Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, fica do Rio São João, que abrange os da região de baixada. Um exemplo são as queimadas o bugio passa a maior parte do tempo em árvores municípios de Silva Jardim, Casimiro que ocorrem nas fazendas existentes ao redor das de 15 a 20 metros de altura, sendo pouco ativo. Tal de Abreu, Rio Bonito, Cabo Frio e São unidades de conservação que, muitas vezes, invadem inatividade é considerada uma estratégia compor- Pedro da Aldeia. as áreas protegidas. Outra ameaça constante aos re- tamental que evoluiu por ser energeticamente eco- — Não há quase estudos sobre a manescentes florestais da Mata Atlântica fluminense nômica. ecologia do bugio e do macaco-prego. são o desmatamento e a baixa fiscalização florestal. O macaco-prego, que ocorre nas regiões Sul Nosso objetivo foi verificar a ocor- — Hoje as áreas florestais do Estado estão pre- e Sudeste, possui o mais diversificado habitat de rência das espécies em unidades de sentes principalmente em regiões montanhosas, ocorrência entre os primatas neotropicais, utilizan- conservação, bem como relacionar as menos acessíveis, pouco restando nas planícies, do todos os estratos arbóreos, bem como mangue e consequências do processo de frag- margem de rios e lagoas, bem como nos ecossiste- restinga. É onívoro e vive em grupos de cinco a 30 mentação florestal sobre suas popula- mas litorâneos — afirma. indivíduos, sendo capaz de utilizar ferramentas ou ções — afirma. Endêmico da Mata Atlântica do sudeste/sul de estratégias durante o forrageamento. Macaco-Prego _ Foto de Roberta Miranda de Araújo 11
  11. 11. Arte: Marcus Cunha | Uenf Jovem, com ares de gente grande Em 16 anos Uenf formou quase 4 mil profissionais, dos quais 1,7 mil são mestres ou doutores Se as universida- 16 de agosto de 1993, quando foi ministrada a A base desta mudança é a formação de gente des vivessem o tem- primeira aula no atual campus Leonel Brizola, qualificada para fazer a diferença. Desde sua im- po de uma pessoa, a o nascimento da primeira universidade pública plantação, a Uenf já graduou 2.131 profissionais Uenf hoje seria uma ado- regional gerava intensas expectativas. (posição 01/07/09) e titulou 1.717 mestres ou lescente completando — Todos esperavam que 16 anos. E como a vida a Uenf fizesse por Campos e de qualquer indivíduo, pela região o que a Unicamp a existência da Uenf também se origi- teria feito por Campinas — nou de um encontro: de um lado, o mais bem- diz o professor Mário Lopes sucedido movimento popular de Campos nas Machado, um dos líderes do últimas décadas, que colocou na Constituição movimento pró-Uenf, lem- Estadual a previsão de criação da Universidade; brando que naquela ocasião de outro lado, a mente fervilhante de um dos o Norte Fluminense sonhava brasileiros mais ilustres do século XX, o profes- com a retomada do progres- Mário Lopes Machado, líder do movimento sor Darcy Ribeiro, autor do Plano Orientador so de outros tempos. Por pró-UENF da ‘Universidade do Terceiro Milênio’. isso muita gente se pergunta Embora ainda seja uma ‘adolescente’, a Uenf onde estariam hoje, 16 anos já nasceu com jeito de gente grande, com cur- depois, as sementes da trans- sos de graduação, mestrado e doutorado. Aos formação esperada. 12
  12. 12. dação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa car, cerâmica, biodiesel, energias alternativas e do Estado do Rio de Janeiro). Evaldo é o dono petróleo e gás. do negócio, uma pequena empresa no ramo de Novos negócios de base tecnológica também viveiro de mudas, e a Uenf aportou tecnologias estão surgindo da Incubadora Tecnológica de através de três pesquisadores: os professores Campos dos Goytacazes (TEC Campos), criada Alexandre Pio Viana e Ricardo Moreira de Souza em 2006 como consórcio envolvendo várias ins- e a pós-doutoranda Virgínia Silva Carvalho. tituições, capitaneadas pela Uenf e pelo IFF (an- — Este é o modelo de biofábrica em que a tigo Cefet). A TEC Campos já lançou editais nas gente acredita, onde a universidade entra com modalidades de pré-incubação, incubação e em- a tecnologia e o empreendedor com a gestão presa associada — esta, voltada para a inserção de — avalia o reitor da Uenf, Almy Junior. Vários inovação tecnológica em empresas já estabeleci- projetos como este, que associam a capacidade das. Mais recentemente, a Uenf constituiu a Itep científica e tecnológica da Uenf com a iniciati- (Incubadora Tecnológica de Empreendimentos va empresarial, estão sendo desenvolvidos com Populares), que está adotando metodologias tes- apoio financeiro da Faperj. Entre eles estão in- tadas e aprovadas pela COPPE/UFRJ para apoiar tervenções nas áreas de viticultura, cana-de-açú- a economia solidária na região. Milhares de vagas em cursos Almy Junior, reitor da Uenf para o produtor rural doutores (posição em 16/07/09). Para cada mes- A Uenf oferece alguns dos melhores cur- de agricultores, pecuaristas, trabalhadores ru- tre ou doutor há uma dissertação ou tese, fre- sos do Brasil no campo das ciências agrárias rais e até de gente que mora na cidade. A grade quentemente abordando questões de interesse (Agronomia, Medicina Veterinária e Zootec- de cursos privilegia temas de interesse rural, regional. Com gente qualificada, pode-se espe- nia), segundo as avaliações do MEC, mas o como bovinocultura, suinocultura, caprino- rar um setor produtivo mais dinâmico em todas esforço para qualificar o pessoal que lida com cultura, avicultura, agroecologia e agricultura as áreas e um setor público dotado de melhores a terra na região tem ido além disso. Todos orgânica, cana-de-açúcar, plantas medicinais, condições de conceber e implementar políticas os anos, a Universidade oferece mais de 1 mil piscicultura, viticultura, controle de doenças e públicas. Mas conhecimento não basta; é preciso vagas em dezenas de cursos de curta duração pragas na agricultura, reprodução de animais, acioná-lo e colocá-lo em prática. através da Semana do Produtor Rural. Neste entre muitos outros. Para o público mais geral há Um exemplo concreto disto está acontecen- ano, na última semana de julho, o evento che- cursos como “Meio ambiente e saúde pública”, do em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste gou a sua quinta versão, com cerca de 1,2 mil “Reciclagem”, “Fabricação de presunto e de lin- Fluminense, onde acaba de ser implantada a pri- vagas distribuídas entre 62 opções de cursos. guiças”, “A população como agente fiscalizador meira biofábrica do Estado. Uma fábrica desse Durante a Semana do sanitário” e “O prejuízo do abate clandestino”. tipo, que vende mudas de alta qualidade gené- Produtor Rural, o cam- — A Semana do Produtor Rural da Uenf parte tica e livres de doenças, teria sido muito útil no pus da Uenf se torna de uma nova visão da Extensão. Ela proporcio- período de implantação do polo de fruticultura ponto de encontro na um diálogo entre o pesquisador e o ho- do Norte/Noroeste Fluminense, já que a importa- mem do campo, no qual todos podem ção de mudas doentes tem sido apontada como aprender e trocar experiências um dos fatores para que o programa não tenha — diz o coordenador de Ex- deslanchado como se esperava. A biofábrica tensão do CCTA/Uenf, pro- Itamudas é uma iniciativa do empreendedor fessor Fábio Cunha Co- Evaldo Gonçalves Junior, que buscou parce- elho. ria na Uenf para a elaboração do projeto e submissão a um edital de Inovação Tec- nológica da Faperj (Fun- 13
  13. 13. 14 Mais informação, mais cidadania Pedro Cabral | UENF Um movimento suprapartidário e aberto a Após a segunda sessão da todas as colorações ideológicas está ganhando Conferência, foi constituído corpo em Campos com o objetivo de ampliar o um Conselho Implantador controle social sobre o uso do dinheiro público composto por 12 setores da no município. Com a participação de dezenas de sociedade, representados entidades e a coordenação do sociólogo Hamil- por diversos líderes. Com a ton Garcia, professor da Uenf, um projeto de ex- coordenação do professor tensão da Universidade redundou na realização Hamilton, eles serão respon- da I Conferência Local de Controle Social, que sáveis, daqui por diante, pela teve suas duas primeiras etapas realizadas em ampliação das ações de con- 24/06 e 09/07/09. trole social sob a forma de A Conferência é fruto do projeto de extensão grupos de trabalho. “Participação Política e Estado — Implementação Presente à segunda eta- institucional de ações para o controle social dos pa da Conferência, a direto- governos locais”, somado à mobilização do Fó- ra Executiva do Instituto de rum Permanente de Entidades Civis, que envol- Cidadania Fiscal (ICF), Roni ve duas dezenas de instituições e se reúne perio- Enara, estimulou os campis- dicamente na Associação Comercial e Industrial tas a criarem o seu próprio A primeira etapa da Conferência ocorreu em 24/06, no IFF de Campos (Acic). Observatório Social. O ICF é — Desenhado de maneira ampla, o movimen- uma organização dedicada à disseminação de presentatividade possível e conquistem o apoio to não pretende substituir as iniciativas que já ações voltadas para a transparência e a qualida- dos órgãos fiscalizadores oficiais. Também está existem, mas sim articulá-las num espaço comum de da aplicação dos recursos públicos no Brasil. claro que trabalhar em rede, de maneira integra- propício para o agendamento de ações concretas — A experiência acumulada tem mostrado da e padronizada, facilita o processo local e em- visando à ampliação da democracia participativa que é preciso mobilizar a sociedade, de forma presta credibilidade ao trabalho do Observatório no município — explica Hamilton Garcia. que os Observatórios Sociais tenham a maior re- Social de cada cidade, disse Roni Enara. Graduação Pós-Graduação Agronomia Licenciatura em Ciências Mestrado e Doutorado Mestrado Ciência da Computação e Biológicas a Distância Biociências e Biotecnologia Cognição e Linguagem Informática Licenciatura em Física Ciência Animal Engenharia Civil Ciências Naturais Engenharia de Produção Ciências Biológicas Licenciatura em Matemática Ecologia e Recursos Natu- Políticas Sociais Ciências Sociais Licenciatura em Pedagogia rais Engenharia Civil Licenciatura em Química Engenharia de Reservatório Engenharia de Exploração e Licenciatura em Química a e de Exploração Produção de Petróleo Distância Engenharia e Ciência dos Materiais Engenharia de Produção Medicina Veterinária Genética e Melhoramento Engenharia Metalúrgica Zootecnia de Plantas Licenciatura em Biologia Produção Vegetal Sociologia Política
  14. 14. 15 Veja onde está a Uenf A primeira aula da Uenf foi ministrada em Cam- floresta, incluindo estudos sobre primatas (macaco- Biológicas a distância está implantado nos polos pos, aos 16 de agosto de 1993, mas hoje a Univer- prego, mico-leão-dourado) e sobre os efeitos da de Bom Jesus do Itabapoana, Itaocara, Itaperuna, sidade está espalhada por vários cantos do Estado. fragmentação da mata sobre o ecossistema florestal. Macaé, Petrópolis, São Fidélis e São Francisco de No campus de Macaé (RJ), por exemplo, funciona Em Itaocara, Noroeste Fluminense, a Uenf Itabapoana. Já o curso de Licenciatura em Quími- o primeiro curso de graduação em Engenharia do realiza boa parte dos experimentos na área agrí- ca a distância, mais recente, funciona nos polos Petróleo do Brasil e o Programa de Pós-Graduação cola. A Unidade de Apoio à Pesquisa do Centro de Angra dos Reis, Paracambi, Piraí e São Fidélis. em Engenharia de Reservatório e de Exploração. A de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA/ No início deste ano, a Uenf implantou o dou- presença da Uenf em Macaé, que começou com a Uenf ) funciona na Estação Experimental da torado interinstitucional (Dinter) em Produção area do petróleo, em instalações cedidas pelo an- Pesagro-Rio, localizada numa ilha situada no en- Vegetal na Escola Agrotécnica Federal de Ale- tigo Cefet, hoje inclui o Laboratório de Meteorolo- contro do Rio Pomba com o Rio Paraíba do Sul. gre (Eafa), cidade localizada no Sul do Espírito gia e abriga projetos para a implantação de cursos De lá surgiu, por exemplo, a primeira variedade Santo. Os doutorandos são professores da pró- como Engenharia de Meteorologia, Engenharia de milho adaptada às condições do Norte/No- pria Eafa e do Centro de Ciências Agrárias da Energética e Engenharia Ambiental e Sanitária. roeste Fluminense, o híbrido ‘Uenf506-6’. Em Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Tudo isso num campus construído graças ao espí- nível experimental, já é possível obter produ- Na própria cidade de Campos, a Uenf tam- rito público de uma família macaense (família Bren- tividades da ordem de 8,5 mil Kg por hectare. bém está presente na Casa de Cultura Villa Ma- nand), que doou o terreno, e ao apoio da Petrobras Mas é através do Consórcio Cederj — que reú- ria — órgão suplementar dedicado à difusão da na construção, ainda no final da década de 1990. ne as universidades federais e estaduais do Rio de cultura —, na Estação Experimental do Colégio Em Rio das Ostras (RJ), o Laboratório de Ci- Janeiro na oferta de ensino a distância — que a Uni- Agrícola Antônio Sarlo e na Estação Evapotrans- ências Ambientais da Uenf mantém uma unidade versidade se espalha ao longo de todas as regiões pirométrica mantida na sede remota de apoio à pesquisa na Reserva Biológica do Estado. A Uenf foi uma das pioneiras na adesão da Pesagro-Rio, em Guarus. União. No local, que abriga uma estação meteoroló- ao Cederj. O curso de Licenciatura em Ciências gica e uma área laboratorial, pesquisado- res desenvolvem uma série de pesqui- sas sobre a vida animal e vegetal na
  15. 15. Energia sem limites Pesquisas apontam novas possibilidades em biocombustíveis, eliminando o problema da concorrência com a cadeia alimentar Os biocombustíveis vêm sendo apontados nos investimentos e insumos agrícolas, possam co da produção de biodiesel, existe grande inte- como uma alternativa para minimizar os impac- crescer em terras degradadas e ainda captar o resse em estudar o emprego de matérias-primas tos ambientais provocados pelo uso de combus- carbono da atmosfera — diz Perez. não concorrentes com a cadeia alimentar. Neste tíveis fósseis. Mas até que ponto o etanol e o No campo do biodiesel, também já existem processo, os pesquisadores usam biocatalisa- biodiesel são energias realmente limpas? Para o alternativas, como as microalgas e os microor- dores (substâncias que atuam em reações de professor Victor Haber Perez, do Laboratório de ganismos oleaginosos. Particularmente, além de transformação, alterando sua velocidade) consti- Tecnologia de Alimentos (LTA), é preciso levar capturar gases estufa durante seu crescimento e tuídos por células íntegras de microorganismos em conta não só os benefícios pontuais destes metabolismo, as microalgas acumulam até 80% ( Whole cells) produtores de lipase (enzimas que produtos, como toda a sua cadeia produtiva. de sua massa seca em óleo. Já os microorganis- atuam sobre lipídeos) intracelular, imobilizados — Não podemos esquecer os problemas am- mos oleaginosos (Single cell oils-SCO) podem em suportes de diferentes naturezas. bientais gerados pelo uso de agrotóxicos duran- acumular durante seu crescimento entre 20 e — Um grande atrativo no desenvolvimento te o plantio, o lançamento de vinhoto nos rios e 40% de sua massa seca em óleo. desta nova tecnologia é o emprego de biorrea- seu uso inadequado nas culturas, bem como as — Devido à facilidade de produção, do ponto tores assistidos por campos eletromagnéticos queimadas dos canaviais e o desmatamento para de vista tecnológico o emprego de SCO constitui de baixa freqüência e intensidade. O biomagne- a implantação de culturas oleaginosas — afirma, a nossa principal aposta para a produção futura tismo aplicado à Engenharia de Processos é um acrescentando que é necessário desenvolver e de óleo para fins energéticos não concorrentes assunto relativamente recente, que nosso grupo implantar tecnologias ambientalmente corretas com a cadeia alimentar — diz o professor. de pesquisa introduziu no Brasil na década de para se chegar a processos mais limpos. Seu grupo de pesquisa, “Biomagnetismo 1990, mas que na atualidade tem motivado uma Mas a principal crítica à produção de biocom- Aplicado à Engenharia de Processos da Indústria intensa atividade de pesquisa na comunidade bustíveis está ligada à competição com a cadeia de Alimentos”, vem trabalhando no desenvolvi- científica internacional — explica o professor. alimentar humana. Há quem afirme que a pro- mento de processos não convencionais para a Por outro lado, segundo Perez, existe um pre- dução de matéria-prima para os biocombustíveis produção de biocombustíveis. No caso específi- cedente de aplicação do biomagnetismo na pro- acarreta a diminuição da produção de alimen- tos, o que pode contribuir para o encarecimento destes produtos. O milho cultivado nos Estados Unidos e a cana-de-açúcar brasileira, usados na fabricação de etanol, são os produtos mais visa- dos. Mas há formas de superar estes problemas. Uma delas é o etanol obtido a partir de biomassa (resíduos vegetais ou agroindustriais), também conhecido como bioetanol ou biocombustível de segunda geração. Além de não provocar im- pactos ambientais, este tipo de combustível não compete com a cadeia alimentar. Atualmente, o bagaço da cana-de-açúcar tem sido apontado como principal matéria-prima para a produção de bioetanol no Brasil. No entanto, ainda não existe uma tecnologia bem definida para sua im- plantação em escala industrial. — O bagaço de cana-de-açúcar é, sem duvida, uma excelente matéria-prima para a produção de bioetanol. Mas precisamos estudar outras Pesquisador fontes naturais de biomassa, que requeiram me- Victor Haber Perez 16
  16. 16. dução de etanol por fermentação do melaço de a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e pelo município e de alunos da Uenf em todas as cana cujos resultados foram publicados na Bio- Geração de Renda da Prefeitura de Quissamã modalidades de pesquisa e extensão. Dentre os technology Progress em 2007. Agora, a tecnolo- para a implantação do Laboratório de Pesquisa assuntos de pesquisa está o estudo de 22 varie- gia também será empregada na produção de bio- em Bioetanol de Segunda Geração, no Centro dades de cana-de-açúcar da região com o objeti- etanol de segunda geração, especificamente na de Tecnologia de Engenho do município. vo de discriminar aquelas com maior potencial etapa de fermentação, atuando diretamente na — Serão formados recursos humanos em para a produção de bioetanol, assim como o es- fisiologia celular das leveduras. Neste contexto, atividades de pesquisa, através da participação tudo de outras matérias-primas de interesse na trabalho conjunto vem sendo desenvolvido com no projeto de alunos universitários subsidiados região — explica. TESES DEFENDIDAS DE MARÇO A ABRIL DE 2009 BIOCIÊNCIAS E BIOTECNOLOGIA tudo de caso sobre as cooperativas agropecuárias do “Caracterização de rendimento das sementes e do al- Noroeste Fluminense”. bedo do maracujá para aproveitamento industrial e “Caracterização de albuminas 2S de Ricinus communis Mestranda: Renata Faria dos Santos obtenção da farinha da casca e pectina” L. como inibidores de a-amilase e relação estrutura- Orientador: Alcimar das Chagas Ribeiro (Leprod) Mestranda: Eliana Monteiro Soares de Oliveira atividade de suas principais isoformas, Ric c 1 e Ric Orientador: Eder Dutra de Resende (LTA) c 3.” “Avaliação e classificação da qualidade de serviços Doutoranda: Viviane Veiga do Nascimento bancários, segundo a percepção dos clientes” “Efeito da fertilização sobre a fauna do solo e a serra- Orientadora: Olga Lima Tavares Machado (LQFPP) Mestranda: Alline Sardinha Cordeiro Morais pilheira em plantios florestais no Norte Fluminense” Orientador: André Luís Policani Freitas (Leprod) Mestranda: Liliana Parente Ribeiro “Tegumentos de sementes não-hospedeiras como bar- Orientadora: Emanuela da Gama-Rodrigues (LSOL) reiras contra a penetração do bruquídeo Callosobru- GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS chus maculatus: Ênfase no tegumento de sementes de “Fósforo orgânico do solo em sistemas agroflorestais Albizia sp.” “Avaliação pós-colheita visando melhoramento intra- de cacau no Sul da Bahia” Mestranda: Amanda Jardim de Souza populacional de genótipos de maracujazeiro amarelo Doutorando: Francisco Costa Zaia Orientadora: Antônia Elenir Amâncio Oliveira (Passiflora edulis f. flavicarpa) do Programa de Melhora- Orientador: Antônio Carlos da Gama-Rodrigues (LQFPP) mento Genético da UENF” (LSOL) Mestranda: Karine Fernandes Ribas Giovannini “Efeito das diferentes classes texturais na dispersão “Homeostase de Ca2+ e H+ em levedura Saccha- Orientador: Jurandi Gonçalves de Oliveira (LMGV ) romyces cerevisiae: Estresse por altas concentrações do nematóide entomopatogênico Heterorhabditis bau- de Ca2+ e o papel de calcineurina”. “Estresse salino afeta a performace fotossintética dos jardi LPP7 (Rhabditida: Heterorhabditidae)” Doutoranda: Flávia Emenegilda da Silva genótipos CB 47-89 e CB 45-3 de cana-de-açúcar (Sac- Mestranda: Carla Cristina da Silva Pinto Orientador: Lev A. Okorokov (LFBM) charum sp.)” Orientadora: Claudia de Melo Dolinski (LEF) Mestrando: Wellington Ferreira Campos “Evapotranspiração e função de produção da cultura “Caracterização de uma Pirofosfatase Inorgânica So- Orientador: Gonçalo Apolinário de Souza Filho (LBT) lúvel em embriões do carrapato bovino Rhipicephalus do girassol em Campos dos Goytacazes” microplus” “Caracterização de um banco de germoplasma de ma- Mestranda: Laureana Aparecida Coimbra Pelegrini Mestrando: Evenilton Pessoa Costa moeiro para estudo da diversidade genética” Orientadora: Elias Fernandes de Sousa (Leag) Orientador: Carlos Jorge Logullo de Oliveira (LQFPP) Mestranda: Silvana Silva Red Quintal “Qualidade do maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. Orientador: Alexandre Pio Viana (LMGV ) flavicarpa Degener) armazenado sob refrigeração em “Cianobactérias — Organização do banco de cepas e desenvolvimento de métodos de análise de microcis- “Caracterização citológica da espécie silvestre Vascon- condições de atmosfera controlada” tinas” cellea goudotina (Caricaceae)” Mestranda: Francinaide Oliveira da Silva Mestranda: Thays Abreu da Silva Mestranda: Emanuelli Narducci da Silva Orientador: Éder Dutra de Resende (LTA) Orientadora: Denise Saraiva Dagnino (LBT) Orientadora: Telma Nair Santana Pereira (LMGV ) “Desempenho morfoagronômico de linhagens avan- ENGENHARIA CIVIL “Desenvolvimento de Processo de Produção de cepas de Mycobacterium bovis CALMETTE-GUERIN (BCG) çadas de abóbora (Cucurbita moschata) com potencial “Análise Espacial da Variabilidade da Resistência à que expressa fator de virulência de Escherichia coli para o lançamento de novas cultivares” Compressão de um Granito de Campos dos Goytaca- Enteropatogênica (EPEC)”. Mestranda: Graziela da Silva Barbosa zes” Mestranda: Halyka Luzório Franzotti Vasconcellos Orientador: Nilton Rocha Leal (LMGV ) Mestranda: Ana Laura Cassiano Dias Ávila Orientador: Wilmar Dias da Silva (LBR) “Sementes de mamão Carica papaya L.: Estudos mor- Orientador: Aldo Durand Farfán (Leciv) foanatômicos dos componentes genéticos e dos regu- “Aplicação de lógica difusa na avaliação da capacidade ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS ladores do crescimento na germinação de carga de fundações profundas” “Ciclagem de nutrientes na Mata Atlântica de Baixada Doutoranda: Sônia Aparecida dos Santos Mestrando: Bruno Magno Gomes Ramos na APA da Bacia do Rio São João, RJ: Efeito do tama- Orientador: Roberto Ferreira da Silva (LFIT) Orientador: Fernando Saboya Albuquerque Junior nho do fragmento” (Leciv) Doutoranda: Ana Paula da Silva PRODUÇÃO VEGETAL “Desenvolvimento de um equipamento para a avalia- Orientadora: Dora Maria Villela (LCA) “Análise de crescimento, aspectos fisiológicos e nutri- ção da compressibilidade de enrocamentos devido a cionais na produção de vitexina em Passifloraceas em processo de degradação” ENGENHARIA DE PRODUÇÃO função da adubação” Mestranda: Nájla de Oliveira Vicente Carvalho “Organização do trabalho e exclusão social: Um es- Doutoranda: Cristiane Miranda Martins Orientador: Paulo César de Almeida Maia (Leciv) Orientador: Almy Junior Cordeiro de Carvalho (LFIT) 17
  17. 17. ENTREVISTA / SILVÉRIO DE PAIVA FREITAS “Extensão é produção de conhecimento” A Pró-Reitoria de Extensão da Uenf foi criada em 1999 e, de como “um braço assistencial da universidade pública”. Fala ainda so- lá para cá, o número de atividades na área de extensão universitária bre a necessidade de o Brasil colher mais frutos do avanço na produ- teve um grande impulso. Nesta entrevista, o pró-reitor de Extensão da ção científica, responsabilidade que, na sua opinião, não é somente da Uenf, professor Silvério de Paiva Freitas, fala sobre a importância da comunidade científica, mas também da esfera governamental, através Extensão dentro da visão moderna que a concebe como instrumento da implementação de políticas públicas que levem em conta a produ- de intercâmbio entre o saber acadêmico e o saber popular e não mais ção acadêmica. Confira a entrevista: Nossa Uenf: Teoricamente a extensão uni- Nossa Uenf: O senhor poderia fundamentar ciedade, com a efetivação de novas experiências versitária deve estar em pé de igualdade com o essa afirmação? de pesquisa-ação e consequentemente o fortale- ensino e a pesquisa, mas frequentemente isto não Silvério: No aspecto quantitativo, tínhamos 6 cimento do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da ocorre. No caso da Uenf, a ênfase inicial parecia projetos de extensão cadastrados em fins de 2002 Uenf. Enfim, para a Uenf cumprir plenamente a estar na pesquisa e na pós-graduação, e não no e saltamos para 70 projetos cadastrados em 2009. missão para a qual foi criada, inserindo-se com ensino de graduação e muito menos na extensão. Em 2002, não tínhamos sequer implementado a lugar destacado na produção científica brasileira Hoje, 16 anos depois, o senhor diria que houve al- figura do aluno bolsista de extensão, embora já e participando ativamente do desenvolvimento gum progresso na busca de um melhor equilíbrio tivéssemos há muito tempo o bolsista de Inicia- regional, ela tem que continuar trilhando esse para esse conhecido ‘tripé’ do ensino-pesquisa- ção Científica, por exemplo. Hoje temos 100 estu- caminho de valorização da extensão, e deve fazer extensão? dantes bolsistas de extensão — todos necessaria- isso até com mais ênfase do que tem feito. Silvério: Eu não diria ‘algum’, mas sim um mente com excelente rendimento acadêmico — e Nossa Uenf: O senhor não desconhece que enorme progresso. A ênfase na pesquisa e pós- outros 119 profissionais bolsistas na modalidade parte do meio acadêmico tende a en- graduação foi fruto de uma opção deliberada e Universidade Aberta, que foi uma ação pioneira carar o investimento na exten- acertada dos fundadores da Uenf por um mode- da Uenf na área de extensão. Temos ainda 33 são como distorção ou lo com forte densidade científica. Isto era funda- multiplicadores que atuam em projetos desvio de foco... mental para dar consistência a todas as inovações que se transformaram em cartões postais Silvério: Claro propostas pelo modelo, pois de outra forma se da Uenf, como o Projeto em Direitos que não, mas aqui correria o risco — muito comum no nosso país — Humanos, DST AIDS, Arte na Escola, é preciso abrir um de criar novidades que se resumissem à nomen- Caminhos do Barro, Feira Orgânica, parêntese. Grande clatura dos órgãos e instituições. Então, a base ti- Espaço da Ciência, Semana do Produtor parte dessa resis- nha que ser uma forte consistência científica, que Rural, entre tantos outros. No ano passa- tência se baseia se traduziu numa universidade com aproximada- do, a Proex emitiu 4.410 certificados de numa visão supe- mente a mesma quantidade de cursos graduação participação em eventos e neste ano de rada do que seja a e programas de pós-graduação. Se você olhar os 2009 já foram emitidos 3.372 certificados extensão univer- números até hoje, a Universidade formou algo de eventos realizados pelos servidores e sitária. em torno de 1.600 mestres ou doutores e 2 mil discentes da Uenf. graduados. Nossa Uenf: E o que estes números sig- Nossa Uenf: Nós atualizamos esse número nificam? semana passada: até julho deste ano, foram 1.717 Silvério: Eles indicam um esforço na mestres/doutores e 2.131 graduados. realização de programas e/ou projetos Silvério: Pois é, você nota um equilíbrio que individuais ou coletivos, bem como não é comum por aí... de outras atividades que promovam Nossa Uenf: Sim, mas ainda não entramos no a excelência da Universidade e o campo da extensão... fortalecimento das atividades de Silvério: É o que pretendo fazer agora. A Pró- extensão universitária. Com isso, Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários estamos proporcionando inter- (Proex) foi a última a ser institucionalizada, em câmbio entre o saber acadêmico 1999, o que sugere o tal desequilíbrio a que você e o saber popular. Isso nos leva se referiu na primeira pergunta. Mas desde então, à consolidação do processo te- o que nós temos visto é uma forte guinada quanti- órico-prático e à viabilização tativa e qualitativa da Uenf em direção a uma área da relação transformadora de extensão forte e consistente. entre a Universidade e a so- 18

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