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  1. 1. Educação Sexual- Guia do Professor 2O CORES - Centro de Orientação em Educação e Saúde é uma organização sócio - educa-tiva, sem fins lucrativos. Em funcionamento desde 2006, iniciou suas atividades em escolaspúblicas de Rio Verde (GO) na área de Orientação Familiar. Os horizontes se abriram evários projetos paralelos começaram a ser desenvolvidos em diversos setores educativosda cidade. Hoje, o CORES conta com uma equipe multidisciplinar e atua em instituiçõesde ensino públicas e particulares, centros de assistência social e estabeleceu parcerias com asSecretarias de Educação e Saúde de vários municípios brasileiros. Por 2 anos consecutivos,o CORES recebeu o Prêmio Paulo Freire do Ministério da Saúde em parceria com a APTA,se destacando com os projetos CRESCER e MATERNIDADE/PATERNIDADE, classificadosentre os cinco melhores trabalhos de Educação Preventiva do Brasil.Com o objetivo principal de promover a Educação Sexual em diferentes setores sociais, aorganização desenvolve projetos na área de formação e capacitação de educadores/agenteseducacionais, pesquisas na área de prevenção primária do abuso sexual infanto-juvenil eprodução de materiais pedagógicos, tendo como norteadores os valores éticos como: res-ponsabilidade, autonomia moral, respeito à diversidade e valorização do ser humano.Produção, distribuição e informações:CORES – Centro de Orientação em Educação e SaúdeRua 14 quadra 15 lote 1 – Parque dos Buritis.CEP 75907-340 Rio Verde – GOFone: (64) 3621-5870Cel: (64) 9676-6141www.edusex.com.brAutoria:Caroline Arcari¹Revisão técnica:Fabrício Meyer²1 Pedagoga, pós graduada em Arte-Educação, especialista em Educação Sexual, membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexua-lidade Humana e presidente do CORES. Docente da Faculdade de Pedagogia da FESURV – Universidade de Rio Verde.2 Médico pediatra, vice-presidente do Centro de Orientação em Educação e Saúde, docente da Faculdade de Fisioterapia da FESURV– Universidade de Rio Verde.
  2. 2. 3 Educação Sexual- Guia do Professor Para trabalhar a educação sexual na escola, é importante que toda a equipe pedagógica esteja em sintonia e que o Projeto Político Pedagógico esteja bem formulado e embasado em uma proposta inovadora e dialógica de educação. A Educação Sexual está prevista nos Parâ- metros Curriculares Nacionais. Cabe à escola adequá-la ao currículo e dividir com os pais as expectativas e os objetivos a serem construídos pela filosofia da escola. O trabalho com a educação sexual é uma parceria com a família, que deve ser informada e (por que não?) educada para entender a se- xualidade como um impulso presente em todos os estágios do desenvolvimento humano. O professor, para se tornar um educador sexual, deve trabalhar interiormente as questões sexuais, livrando-se de preconceitos, superando os tabus e informando-se sempre, para ser um bom orientador e formador de valores. Neste livreto, você encontrará algumas orientações básicas sobre o trabalho de orien- tação sexual além de diretrizes práticas e fun- cionais para a ação em sala de aula. Bom trabalho neste ano letivo e mãos à obra!
  3. 3. Educação Sexual- Guia do Professor 4De acordo com a OrganizaçãoMundial de Saúde, a sexualida- Sexualidade Infantilde é uma energia que influencia A sexualidade é uma energia, uma forçapensamentos, sentimentos, vital, um impulso que pode encontrar váriasações e interações e, por isso,influencia também a nossa saú- formas de expressão. Ela está presente desdede física e mental. antes do nascimento, na formação dos órgão genitais, e está em todas as experiências emo- cionais e construções afetivas do ser humano. A sexualidade se apresenta de diferentes formas, transformando-se ao longo dos anos. Não está conectada somente aos órgãos genitais nem tampouco à relação sexual, mas compreende uma série de processos psicológicos e físicos de sensações, sentimentos, trocas afetivas, ne- cessidade de carinho e contato e necessidade de aceitação. Aceitar a criança como um ser sexuado, ou seja, que apresenta esta sexualidade das mais diversas formas é um grande passo para uma educação sexual saudável e consciente. Nas próximas páginas vamos conhecer um pouco mais sobre a sexualidade infantil.
  4. 4. 5 Educação Sexual- Guia do Professor Fase Oral Nessa fase, que compreende a faixa etária de 0 aos 18 meses, aproximadamente, a energia sexual se manifesta pela boca, ou seja, é através da boca que o bebê descobre o mundo e tem seus primeiros contatos afetivos. A alimentação, o contato com o seio da mãe, o sugar, o chorar – as principais manifestações se dão via oral. Na creche: durante  o banho e a troca de fraldas, converse com a criança nomeando e valorizan- do todas as partes do seu corpinho, incluindo os órgãos sexuais (“agora, estou lavando seu pé”, “vamos limpar o bumbum?”, “vamos deixar o pênis bem limpinho!”);  proporcione brincadeiras que estimulem diferentes sensações através do toque: livri- nho de feltro, engatinhar em plástico-bolha, brinquedos de diferentes texturas, móbiles coloridos;  bebê adora colocar tudo na boca. Por o isso brinquedos laváveis, macios, emborracha- dos, sem pontas ou partes soltas são fontes de divertimento e novas descobertas.
  5. 5. Educação Sexual- Guia do Professor 6Fase Anal É a fase seguinte, compreendendo de 1 a3 anos, marcada pelo controle dos esfíncteres,sendo que a maior zona de satisfação é a regiãodo ânus. Esse estágio, de modo geral, represen-ta o início da autonomia da criança. Ela desco-bre que pode controlar o cocô, e experimentasensações de independência, controle, escolhae, principalmente, poder. As primeiras noçõesde higiene começam a ser desenvolvidas. Na escola: deixe  a criança brincar de massinha, tin-ta, argila, massas de receita, terra. São ideais esubstituem a consistência do cocô (que a criançacostuma manipular nesta fase); ensine a criança a nomear todas as partes  do corpo, incluindo seus órgãos sexuais, mesmoque seja com os apelidos aprendidos em casa:piu-piu, perereca, entre outros; atividades  que desenvolvam noções dehigiene, respeito e cuidados com o corpo e con-ceitos simples sobre as diferenças sexuais entremeninos e meninas são ideais nesta fase.
  6. 6. 7 Educação Sexual- Guia do Professor Fase Fálica É a etapa que acontece dos 3 aos 6 anos. A atenção da criança é voltada para os órgãos genitais. É nesta fase que os pequenos começam a descobrir as diferenças entre os sexos. O menino descobre o pênis e suas funções e quer saber porque a menina não tem. A me- nina pensa que o pênis lhe foi cortado. Assim, as curiosidades sexuais surgem. A partir dos 4 anos, aproximadamente, dú- vidas sobre a reprodução começam a aparecer: “de onde vêm os bebês”, “como eu nasci”, e assim por diante. Nesta faixa etária, a identificação com os papéis masculino e feminino são bastante en- fáticas. O Complexo de Édipo, que ocorre aqui, é o nome dado ao desejo (comum e normal) da criança pelo genitor do sexo oposto e uma certa rivalidade com o genitor do mesmo sexo. É a fase em que a menina vira a “namoradinha” do papai, e o menino o “namoradinho” da mamãe. É um processo do desenvolvimento que resulta na definição de papéis, em que há a identificação com o genitor do mesmo sexo: o menino se identifica com o pai, assumindo o
  7. 7. Educação Sexual- Guia do Professor 8papel masculino; e a menina se identifica coma mãe, assumindo o papel feminino. A manipulação dos genitais (masturbação)é muito comum e deve ser tratada com muitorespeito e naturalidade pelos adultos por setratar de um ato de descoberta nesta fase. Na escola:  brinquedos de simulação de papéis sãobastante interessantes para a criança dessa idade(bonecas, ferramentas de trabalho parecidascom as dos pais, maquiagem, etc);  não deixe de responder às perguntassobre questões sexuais que os pequenos fazem.Utilize sempre materiais concretos e atividadeslúdicas para construir conceitos;  esclareça as diferenças sexuais, semmentiras ou preconceitos, através de palavrassimples e sempre valorizando ambos os sexos,pois cada qual tem sua função;  ao final desta fase a criança já devesaber de onde vêm os bebês (relação sexual),como nascem os bebês (parto normal e partocesárea), as diferenças entre o corpo da criançae do adulto (aparecimento dos pêlos, desen-volvimento das mamas), as diferenças entremeninos e meninas.
  8. 8. 9 Educação Sexual- Guia do Professor Fase de Latência Período que ocorre a partir dos 7 anos até os 11, aproximadamente. A libido é transferida dos órgãos genitais para o que chamamos de atividades socialmente aceitas. Desse modo, a criança passa a gastar energias em atividades artísticas, escolares, sociais, esportes e seus in- teresses se deslocam para a aquisição de novos conhecimentos e habilidades. Os vínculos de amizade mostram-se mais fortes e a formação de grupos de identifica- ção (os famosos Clube do Bolinha e Clube da Luluzinha) contribuem para a experimentação da identidade pessoal, sexual e social. A convi- vência em grupo favorece o desenvolvimento da opinião, dos gostos, das regras sociais e da construção da personalidade, além de con- tribuir para a solidificação de sentimentos de auto-estima e segurança. Na escola: as  perguntas sobre questões sexuais se tornam mais complexas e devem ser respon- didas com tranqüilidade;  ao final desta fase, além dos conceitos já descritos na fase fálica, o aluno precisa ter construído saberes sobre as transformações do
  9. 9. Educação Sexual- Guia do Professor 10corpo na puberdade, menstruação, polução noturna,relação sexual responsável, função da camisinha, con-cepção, sentimentos (paixão, amor), doenças sexual-mente transmissíveis;  os palavrões de teor sexual são frequente-mente utilizados pela criança neste período. Expliqueo significado dos termos considerados maliciosos ouagressivos e enfatize os limites e regras sociais referentesà utilização da linguagem.
  10. 10. 11 Educação Sexual- Guia do Professor Fase Genital Tem início juntamente com a puberdade e é marcada pela retomada dos impulsos sexuais. É caracterizada também pelas mudanças físicas, psicológicas e novas descobertas. O adoles- cente perde a identidade infantil e começa a construir e desenvolver, pouco a pouco, a identidade adulta. Na escola:  o trabalho de educação sexual deve começar muito antes dessa fase;  aulas e conversas sobre contracepção, orientação sexual (heterossexualidade/ho- mossexualidade/bissexualidade), gravidez na adolescência, sentimentos, virgindade, pressão do grupo, escolhas afetivas, namoro, “ficar”, auto-estima, valorização do corpo e doenças sexualmente transmissíveis são ideais para esta fase;  materiais concretos e ilustrações são imprescindíveis para essas aulas a fim de cons- truir conhecimentos sólidos e produtivos.
  11. 11. Educação Sexual- Guia do Professor 12 Quadro de interesses e perguntas mais fre- quentes das criançasFaixa Etária Interesses/Perguntas Frequentes experimenta  sensações através da região oral: sugar, mamar, chupar o dedo, levar coisas à boca; 0 a 18 meses reconhece e brinca com o corpo, explorando  as possibilidades; brinca com os genitais durante o banho ou du-  rante a troca de fraldas – descoberta sexual. começa  a descobrir o controle dos esfíncteres (controlar o xixi e o cocô);  percebe as diferenças entre crianças e adul- tos. 18 meses a 3 anos Perguntas frequentes:  Por que o pipi do papai é maior que o meu?  Por que a mamãe tem cabelinho na perere- ca?  que são esses saquinhos? O  Por que a mamãe não tem pipi?  desenvolve curiosidade sobre as diferenças entre meninos e meninas;  descobre que a região genital proporciona prazer;  identifica-se com seu papel sexual (compor- tamento de homem ou de mulher);  começa a questionar sobre a origem dos be- 3 a 6 anos bês. Perguntas frequentes:  De onde eu vim?  De onde vêm os bebês?  Por onde os bebês nascem?  Como os bebês são feitos?  Por que o piu-piu fica duro?
  12. 12. 13 Educação Sexual- Guia do Professor Quadro de interesses e perguntas mais fre- quentes das crianças Faixa Etária Interesses/Perguntas Frequentes  canaliza a energia sexual para outras ativida- des: escola, esporte, dança, etc.  desenvolve pensamento mais abstrato e as curiosidades referentes à sexualidade são mais complexas. Perguntas frequentes:  que é camisinha? O 7 a 10 anos  que é transar? O  que é sexo oral? O  Como se pega AIDS?  Pra que serve a camisinha?  Por que dois homens estão se beijando na novela?  que é “ficar mocinha”? (menstruação) O  começa a ter atração pelo outro, experi- mentando sentimentos de paixão ou amor platônico;  iniciam-se as experiências de relacionamento afetivo: ficar, namorar;  as curiosidades se voltam para as transfor- mações do próprio corpo e para a “primeira vez”. 10 a 12 anos Perguntas frequentes:  A primeira vez dói?  O que é hímen?  Como é a primeira consulta no ginecologis- ta?  Transar durante período menstrual engravi- da?  Masturbação dá espinha?
  13. 13. Educação Sexual- Guia do Professor 14Atenção: não existe uma idadepré-estabelecida para iniciar Vantagens daa educação sexual. Se a sexu- Educação Sexualalidade está presente desdeo nascimento até a morte, a  previne gravidez precoce e doenças sexu-educação sexual deve acon- almente transmissíveis;tecer desde os primeiros anosde vida, acompanhando a  estabelece laços de amizade e confiança,curiosidade da criança. Nunca reafirmando o papel do professor comodevemos deixar para abordar orientador e formador de valores;o assunto somente na adoles-cência!  forma opiniões e desenvolve o senso críti- A educação sexual deve ser co;um processo contínuo em  desenvolve valores éticos como respeito àtodos os níveis escolares. diversidade, auto-estima e responsabilida- de;  diminui a ansiedade e a curiosidade da criança nessas questões, enriquecendo o trabalho em sala de aula;  fornece bases morais sólidas para as futuras escolhas afetivas das crianças;  promove amadurecimento sem traumas, tabus, preconceitos ou medos;  previne o abuso sexual pois fornece conhecimentos para que a criança saiba diferenciar certo e errado, saiba dizer não, além de abrir caminhos para que ela se sinta acolhida para conversar sobre alguma dificuldade que esteja enfrentando.
  14. 14. 15 Educação Sexual- Guia do Professor Dicas para o trabalho em sala de aula  peça para o coordenador da escola elaborar um trabalho com os pais e responsáveis sobre educação sexual, para que a parceria escola-família possa es- tar em harmonia para a realização dos objetivos;  participe de cursos sobre sexualidade humana e trabalhe questões íntimas que estejam atrapalhan- do sua atuação como educador sexual;  as próprias crianças fornecem muitas oportunida- des para iniciar o trabalho de educação sexual. As curiosidades, as perguntas, as manifestações da sexualidade são os melhores recursos e as melhores É importante que as ques- diretrizes sobre o que trabalhar com os peque- tões da criança tenham nos; espaço para serem colo-  nenhum assunto é proibido. Toda curiosidade deve cadas e respondidas com ser respondida com honestidade; clareza e simplicidade, na medida em que esta  um passeio pelos banheiros feminino e masculino curiosidade vai apare- pode ser uma atividade interessante para trabalhar cendo. as diferenças entre os sexos, o respeito à privacida- de e sanar as curiosidades das crianças;  atividades com massinha, para modelar os ór- gãos sexuais, podem ser um quebra-gelo muito interessante, mostrando à criança o quanto cada parte do nosso corpo é natural e merece respeito
  15. 15. Educação Sexual- Guia do Professor 16 e atenção; todos os questionamentos das crianças devem ser respondidos. Se não há possibilidade de resposta imediata, não esqueça de voltar ao assunto e responder posteriormente com honestidade e informações completas; livros de histórias sobre como os bebês são feitos são ótimos recursos ilustrados para que a criança entenda os processos físicos. Toda criança precisa do concreto para construir conceitos; peça para a escola adquirir materiais de educação sexual: modelos anatômicos, família de bonecos sexuados (família colchete) para facilitar a prática pedagógica; se você perceber que algum aluno está com pro- blemas ou sofrendo algum tipo de abuso sexual, converse com o coordenador para que as devidas providências possam ser tomadas a fim de preser- vá-la de qualquer violência e/ou encaminhando a criança a um profissional especializado; todo assunto de educação sexual deve ser aborda- do com o máximo de respeito. Todos os conceitos devem ser construídos baseados em valores e no bom senso.
  16. 16. 17 Educação Sexual- Guia do Professor Metodologia para o trabalho em sala de aula O tema sexualidade pode ser trabalhado: 1. Intencionalmente, ao se elaborar um projeto espe- cífico para o conteúdo; 2. Quando a criança pergunta ou demonstra curiosi- dade sobre a sexualidade; 3. Quando alguma situação de manifestação da se- xualidade (masturbação, jogos infantis, erotização precoce) mostre a necessidade de um trabalho sistemático; 4. Integrado às atividades cotidianas de sala de aula. Metodologia: 1. Adequar as informações à linguagem da criança; 2. Utilizar materiais concretos e figuras para que o aluno assimile a complexidade do assunto; 3. Priorizar o aspecto lúdico (jogos e brincadeiras) nas atividades de educação sexual; 4. Lembrar que nenhum assunto é proibido ou ina- dequado para a criança e nem leva à erotização ou iniciação sexual precoce. Muito pelo contrário: educação sexual correta evita muitos problemas
  17. 17. Educação Sexual- Guia do Professor 18 relacionados ao mau uso da sexualidade: gravi- dez precoce, abuso sexual, doenças sexualmente transmissíveis; 5. Associar as informações à formação do senso crítico e de valores morais tais como o respeito à diversidade, a ética, a responsabilidade, o amor próprio, entre outros; 6. Jamais trabalhar somente o aspecto biológico da sexualidade. A educação sexual pressupõe a construção de valores, a reflexão e a mudança deDicas de filmes, atividades postura perante as questões sexuais;e outros materiais vocêencontra no site:www.edusex.com.br Recursos e atividades: 1. Bonecos sexuados para mostrar a afetividade e os processos biológicos da relação sexual; 2. Fantoches para representar histórias; 3. Desenhos das partes do corpo, recorte e colagem do desenvolvimento do bebê na barriga da mãe; 4. Livros de histórias (sugestões de leitura com os respectivos temas ver página 19); 5. Jogos e brincadeiras; 6. Massa de modelar, para modelar as partes do corpo.
  18. 18. 19 Educação Sexual- Guia do Professor Dicas de Literatura Informação do Livro Tema Ceci tem pipi? Diferenças sexuais, papéis sexuais. Thierry Lenain Relação sexual, concepção, diferenças Editora Companhia das Letrinhas sexuais, papéis sexuais. Coleção Sexo e Sexualidade Homossexualidade, parto, puberda- Cida Lopes de e adolescência, responsabilidade, amor, masturbação, camisinha. Editora Todo Livro Mamãe botou um ovo Relação sexual, concepção, desenvol- Babette Cole vimento do bebê. Editora Ática Ceci quer ter um bebê Thierry Lenain Gravidez, funções da sexualidade Editora Companhia das infantil e adulta. Letrinhas Homem não chora Educação sexual, papéis sexuais, pre- Flávio de Souza conceito. Editora Formato Dr. Cão Cuidados com o corpo, higiene, Babette Cole respeito ao corpo. Editora Ática Por que meninos têm pés grandes e meninas têm pés pequenos? Preconceito, papéis sexuais. Sandra Branco Editora Cortez Mamãe nunca me contou Homossexualidade, preconceitos, Babette Cole diferenças entre os sexos. Editora Ática Maria vai com as outras Auto-estima, respeito à diversidade. Sylvia Orthoff Editora Ática
  19. 19. Educação Sexual- Guia do Professor 20 Masturbação A masturbação é uma prática presente em todos os estágios do desenvolvimento humano. Na infância, está associada à descoberta do corpo e de suas potenciali- dades, aparecendo com mais ou menos intensidade de acordo com o estágio de desenvolvimento psicossexual no qual a criança se encontra. A masturbação não prejudica a saúde física ou psicológica da criança. Muito pelo contrário. Ela desempenha um papel muito importante na forma- ção da auto-estima, afetividade e noção de imagem corporal.Atenção professor: Os maiores problemas relacionados à masturbaçãoconvém verificar se a são desencadeados pela falta de informação dos paiscriança que está ma- e professores, que, através de suas falas, atitudes e jul-nipulando os órgãos gamentos, conduzem a criança a associar masturbaçãogenitais com muita com sentimentos de culpa, angústia, arrependimentofreqüência não está e vergonha.com alguma coceiraou infecção. É muito Tocar os órgãos sexuais e experimentar sensaçõescomum a confusão diferentes e gostosas são atividades que podem ocorrernesses casos. Assim, desde alguns meses de vida e não estão relacionadaso primeiro passo é à satisfação sexual (como ocorre em relação à mastur-encaminhar para uma bação na adolescência e na vida adulta). As atividadesavaliação médica. de manipulação genital na infância apresentam cará- ter lúdico, ou seja, para os pequenos, é um jogo, um
  20. 20. 21 Educação Sexual- Guia do Professor brinquedo, uma curiosidade, uma descoberta. A forma Nas escolas de Educação mais comum de auto-erotismo infantil (outro nome Infantil, são comuns a utilizado para a masturbação) é quando a criança fric- exploração do corpo e ciona os genitais em brinquedos ou objetos (balanço, manipulação dos geni- tais. É necessário que o bichinhos de pelúcia, gangorra, cavalinhos, ponta da adulto tenha consciên- mesa, sofás). cia deste fato, para não É muito importante que os adultos saibam que, agir inadequadamente, embora a masturbação seja uma atividade natural, assustando e ameaçan- ela também requer limites e vigilância para que não do estas crianças. se transforme em uma prática compulsiva ou com- pensatória. Se seu aluno está deixando suas atividades normais e brincadeiras de lado para se masturbar, é possível que ele esteja mostrando que algo está erra- do com ele. A masturbação excessiva sinaliza alguma dificuldade ou frustração da criança e é mais comum nos seguintes casos:  crianças muito sozinhas, podem estar sinalizando a falta de companhia e carinho;  crianças isoladas, com poucas oportunidades de convivência com outros grupos;  crianças entediadas, que não são incentivadas ao gasto de energia com atividades interessantes e lúdicas;  crianças que passam muito tempo em ambientes pequenos, como os apartamentos, sem muito es- paço para atividades mais agitadas;  crianças carentes, que utilizam a masturbação para o consolo;
  21. 21. Educação Sexual- Guia do Professor 22 crianças que possam estar sofrendo algum tipo de violência ou abuso sexual. A escola deve investigar as causas da masturbaçãoexcessiva e agir de acordo com as necessidades dacriança, sempre protegendo-a de qualquer violência econstrangimento. Abaixo, algumas recomendações sobre o que deveser evitado quando a criança se encontra em atividadesmasturbatórias, a fim de não prejudicar o desenvolvi-mento psicológico normal da criança. Atenção: não tire ou bata na mão da criança quando ela está se manipulando; não utilize frases mentirosas para impedir a mastur- bação: “se mexer, o pingulim vai cair” “tira a mão daí, senão cresce cabelo nela” não repreenda a criança, fazendo com que ela sinta vergonha do que fez: “que coisa feia, vá lavar a mão” não faça ameaças. Lembre-se que para ela, tocar os órgãos é apenas uma brincadeira; não chame a atenção da criança em voz alta, evi- tando constrangê-la na frente dos colegas.
  22. 22. 23 Educação Sexual- Guia do Professor Então, o que fazer?  se algum dia você flagrar seu aluno manipulando os órgãos genitais, não faça escândalo e evite jul- gamentos que geram culpa. Proponha mudança de atividade, com discrição;  converse com ele posteriormente, explicando o que é masturbação, que é uma brincadeira gostosa e que não há nada de errado em fazê-lo, mas que na escola, não é lugar para essa brincadeira;  enfatize para a criança que, embora a masturba- ção seja uma atividade natural, ela é um ato de intimidade, privacidade, e deve ser feita em lugar adequado (no quartinho ou banheiro de casa), em um momento em que ela esteja só;  deixe bem claro que você não está bravo com ela, mas que, embora tocar o corpo seja natural, alguns limites precisam ser respeitados.
  23. 23. Educação Sexual- Guia do Professor 24 Jogos sexuais Jogos sexuais entre duas ou mais crianças, exploraçãodo corpo do colega, “brincadeira de médico” costumamacontecer na escola, na maioria das vezes no banheiro e,embora sejam comuns, o professor deve estar sempreatento no que se refere a limites, utilizando o bom sensopara resolver problemas. Depois de explorar o própriocorpo, a atenção infantil se volta para o corpo alheio.Jogos sexuais entre crianças da mesma idade ou idadeaproximada devem ser entendidos como uma descoberta,uma maneira de conhecer o outro, comparar característicasfísicas e também sentir prazer. A atitude do professor perante os jogos sexuais entrecoleguinhas, deve seguir os mesmo princípios descritos nasquestões da masturbação: evitar constrangimentos e repreensões, para que a criança não se sinta culpada; chamar as crianças para mudança de atividade e, poste- riormente, conversar apenas com os alunos envolvidos, explicando que não há nada de errado em descobrir o corpo e ter curiosidades, mas que a escola é um lugar para brincar, estudar, etc. Além disso, o professor deve orientá-los a sanar as curiosidades através de perguntas e questionamentos, mostrando-se à disposição para responder a qualquer dúvida;
  24. 24. 25 Educação Sexual- Guia do Professor  evitar transmitir valores reprovadores, como se a curiosidade fosse algo negativo;  adequar as atividades da sala de aula às curiosidades dos alunos. Um projeto bem elaborado sobre sexu- alidade pode ser trabalhado de maneira lúdica com as crianças. É uma forma eficaz de sanar dúvidas e estabelecer laços de amizade com os alunos;  ficar sempre atento às seguintes situações: jogos sexuais entre criança com idades muito diferentes, brincadeiras que envolvam coação ou violência - a criança pode estar sinalizando através da brinca- deira alguma dificuldade pela qual esteja passando (violência, abuso sexual).
  25. 25. Educação Sexual- Guia do Professor 26 Homossexualidade Ao contrário do que muitos acreditam, a orienta- ção sexual não é uma opção, ou seja, ninguém escolhe ser homossexual. Em relação à homossexualidade, o que ocorre é uma definição, durante o processo da construção da personalidade, da atração física, psicológica e emocio- nal por indivíduos do mesmo sexo. Muitos pesquisado- res afirmam que essa definição já acontece desde muito cedo, na infância ou antes mesmo do nascimento. A grande expectativa em relação ao comportamen- to da criança em função do seu sexo faz com que os adultos atribuam conotações homossexuais às brinca- deiras ou atitudes não convencionais para a noção geral de ser homem ou ser mulher. Achar que menino queCaso a escola perceba brinca de boneca ou tem um jeito mais delicado vai serque o comportamen- homossexual, ou que menina que gosta de brincadeirasto não convencional mais agressivas será lésbica, é um grave julgamento e,da criança possa estar de certa maneira, uma forma de discriminação.sinalizando alguma di- O grande desafio das instituições de ensino éficuldade em casa, as desconstruir o estereótipo preconceituoso em relaçãocondições desse aluno à homossexualidade, promovendo a informação e adevem ser investiga- construção de valores como o respeito à diversidade, dedas, para que ele possa modo que qualquer ação contra homossexuais - piadas,se desenvolver em um comentários, violência psicológica ou física - seja enten-ambiente familiar e dida como violação dos direitos humanos. Desse modo,escolar equilibrados. os valores universais de respeito ao ser humano, do combate ao preconceito e de promoção da paz devem estar acima de qualquer crença ou julgamento.
  26. 26. 27 Educação Sexual- Guia do Professor O professor que suspeitar de abuso sexual deve, juntamente Abuso sexual com a coordenação e direção Investir na educação sexual é o caminho da escola, tomar as devidas principal para a prevenção de qualquer tipo providências para a denúncia. de moléstia sexual infantil. A criança infor- Pode-se solicitar a presença do mada terá mais chances de discernir os limites Conselho Tutelar na escola. do contato adulto e de denunciar o agressor, expondo para os pais ou educador qualquer problema que esteja ocorrendo. O abuso sexual é definido como qualquer conduta sexual com uma criança realizada por adulto ou criança mais velha. Além das carícias nos órgão genitais, penetração vaginal ou anal e contato oral-genital, outras condutas mais “discretas” como mostrar os órgãos genitais à criança, incentivá-la a ver imagens pornográfi- cas ou utilizar a criança para produzir imagens pornográficas também configuram o abuso sexual infantil. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê, no seu artigo 13, que “os casos de sus- peita ou confirmação de maus tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências Denuncie legais”. No artigo 245, o ECA estabelece uma Disque 100 multa de 3 a 20 salários de referência (aplican-
  27. 27. Educação Sexual- Guia do Professor 28 do-se o dobro em caso de reincidência), se “deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo sus- peita ou confirmação de maus tratos contra criança ou adolescente”. Esteja sempre atento ao comportamento da criança, que pode sinalizar, através de sinais e sintomas, abuso sexual:  aversão a determinada pessoa;  mudança de comportamento no relacionamen-Faça o download do mo- to com algum conhecido;delo de denúcia de abuso  apatia, falta de apetite, xixi na cama, sonosexual para escolas no agitado, agressividade;www.edusex.com.br  comportamento sexual anormal (que não cor- responda ao desenvolvimento psicossexual normal);  baixo rendimento escolar;  evidências físicas (dificuldade de caminhar, hemorragia vaginal ou anal, infecções genitais, coceira ou dor na área genital, dificuldades para urinar);  interesse ou conhecimento não usuais sobre questões sexuais, inapropriados para a idade;  brincadeiras sexuais persistentes com amigos, brinquedos ou animais;  masturbação compulsiva;  desenhos feitos pela criança de órgãos genitais, além da sua capacidade etária para percepção do cor- po.
  28. 28. 29 Educação Sexual- Guia do Professor Sites interessantes www.edusex.com.br – site de Educação Sexual para pais e educadores com dicas, informações, ar- tigos e materiais educativos gratuitos para download. www.historiadasexualidade.com – conteúdo in- teressante sobre visão da sexualidade em diferentes períodos históricos, além de curiosidades sobre o surgimento de métodos contraceptivos. http://www.virtual.epm.br/cursos/apresenta- cao/apresentsex.htm - programa online interativo para adolescentes com vídeos, ilustrações e conteúdo bem desenvolvido. www.observatoriodainfancia.com.br - site com informações sobre os direitos da criança e do adoles- cente. Materiais educativos para Edu- cação Sexual www.seminaeducativa.com.br - empresa que co- mercializa modelos anatômicos, bonecos sexuados, car- tilhas e materiais áudio-visuais. Fone: 0 800 552452
  29. 29. www.edusex.com.br

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