Pauta da oficina
Tecer e bordar os fios de Ana, Cora e Manoel
Implementadoras: Fátima França e Patrícia Góes
1 – Acolhida
...
Falar sobre a desconstrução do modelo de contos de fadas.
Pedir que os participantes desconstruam e reescrevam um conto
de...
1 - Em que obra Ana Maria Machado começa o livro
em E viveram felizes para sempre? Nesta narrativa
Ana inverte e reverte o...
9 - Fios de Ana
“A literatura é uma das mais antigas e mais duradouras
manifestações do espírito humano”.
Ana Maria Machad...
Para degustar:
Maré Baixa
Onde anda a onda
se a lua rotunda
se acende redonda
se brilha precisa
na calma tão lisa
da pele ...
Fios de Cora
Pedras
Os morros cantam para meus sentidos
A música dos vegetais
Que se movem ao vento
As pedras imóveis me e...
Fios de Ana:
Essas ideias de relacionar à escrita e o tecer, fiar e
bordar já vinham girando havia muito tempo em
meu espí...
Achadouros
Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente
só descobre isso depois de grande. A g...
Fraseador
Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze.
Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais...
Desobjeto
Cora Coralina
O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.
O pente estava próximo de não ser mais ...
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Oficina ensino fundamental II 12 de maio 2015

  1. 1. Pauta da oficina Tecer e bordar os fios de Ana, Cora e Manoel Implementadoras: Fátima França e Patrícia Góes 1 – Acolhida 2 – Convidar os participantes para uma roda onde faremos um Quiz e instalação literária. 3 – Entregar o baú com os livros selecionados dos três autores. Exibir o vídeo: Histórias da unha do pé do dedão do fim do mundo. Fazer roda de apreciação e conversa sobre os materiais oferecidos. A partir do material dado, construir o Perfil dos autores. Quem são? Como retratam em suas obras a sua infância e fatos da vida? A) Eleger palavras para representar os autores. B) Entregar recortes de tecido, canetas de tecido e materiais diversos para colagens. C)Pedir que os participantes representem nos quadrados a (Infância, poesia, memória, obra dos três autores.) Ao término da oficina os participantes deverão tecer uma colcha de retalhos com a história de vida e trechos selecionados dos autores. D)Fazer a representação da memória afetiva da infância dos autores e entrelaçá-las com as memórias pessoais dos participantes. 4 – “História meio ao contrário” (Ana Maria Machado) Ler o trecho inicial da “História meio ao contrário”.
  2. 2. Falar sobre a desconstrução do modelo de contos de fadas. Pedir que os participantes desconstruam e reescrevam um conto de fadas. 5 - Desobjeto Texto Motivador: Desobjeto (Manoel de Barros) A) Ler o poema observar outros objetos e escrever de forma poética outros poemas desconstruindo e ressignificando o objeto escolhido. B) Caixa com objetos diferentes e vídeo “A unha do dedão do pé do fim do mundo”.
  3. 3. 1 - Em que obra Ana Maria Machado começa o livro em E viveram felizes para sempre? Nesta narrativa Ana inverte e reverte o modelo dos contos de fadas 2 - Ana Maria recebeu inúmeros prêmios internacionais em sua trajetória como escritora. Pelo conjunto de sua obra recebeu o que é considerado o Oscar da Literatura e foi concedido também a Lygia Bojunga. 3 - Ana Maria Machado é : Baiana de Salvador? Carioca de Santa Teresa? Mineira de Belo Horizonte? 6 – Além da Literatura, Ana Maria dedicou-se a... 7 - Cite um livro de Ana Maria Machado. 8 - Ana como vários de seus amigos foi presa e partiu para o exílio na Europa onde atuou como professora na Sorbonne. Qual disciplina lecionava?
  4. 4. 9 - Fios de Ana “A literatura é uma das mais antigas e mais duradouras manifestações do espírito humano”. Ana Maria Machado - 1999. 10 - Cite um dos livros infantis da autora. Fios de Manoel “Folhas secas me outonam. (Folhas secas que foram o chão das tardes me transmudaram Para outono? Eu sou meu outono.) Gosto de viajar por palavras do que de trem.” Manoel de Barros 11 - A menina descobre o retrato de sua bisavó, a personagem repensa a própria realidade, encontra sua identidade. Estamos falando do livro...
  5. 5. Para degustar: Maré Baixa Onde anda a onda se a lua rotunda se acende redonda se brilha precisa na calma tão lisa da pele do mar? Em que fenda se finda? Em que rede se enreda? Em que sonda se afunda? Onde trama sua renda De espuma tão fina De puro luar? Ana Maria Machado – Sinais do Mar Fios de Ana “Todo cidadão tem o direito de ter acesso à literatura e de descobrir como partilhar essa herança humana comum”. Ana Maria Machado, 2001.
  6. 6. Fios de Cora Pedras Os morros cantam para meus sentidos A música dos vegetais Que se movem ao vento As pedras imóveis me enviam uma bênção ancestral. Debaixo da minha janela se estende a pedra-mãe Que mãos calejadas e imensas mãos sofridas de escravos a teriam posto ali, para sempre? In Villa Boa de Goyaz Fios de Manoel “Folhas secas me outonam. (Folhas secas que foram o chão das tardes me transmudaram Para outono? Eu sou meu outono.) Gosto de viajar por palavras do que de trem.” Manoel de Barros
  7. 7. Fios de Ana: Essas ideias de relacionar à escrita e o tecer, fiar e bordar já vinham girando havia muito tempo em meu espírito, e não há nada demais nisso. Eu apenas estava tendo consciência de algo já perfeitamente assimilado e registrado por nossa linguagem de todos os dias, criação anônima e coletiva de nossa cultura pelos séculos afora. In Texturas 12 – Ana Maria em seu romance de estreia, “Alice e Ulisses” se vale de personagens e referências da literatura clássica. Ulisses como na Odisseia de Homero que parte para uma arriscada aventura. Alice foi inspirada na personagem de que autor inglês? Isca de leitura: Isca de leitura: Isca de leitura:
  8. 8. Achadouros Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam no seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. Vou meio dementado e enxada às costas a cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos. Hoje encontrei um baú cheio de punhetas. (Barros, Manoel de. Memórias inventadas: as infâncias de Manoel de Barros. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008)
  9. 9. Fraseador Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que eu já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar nem doutor de fazer casa nem doutor de medir terras. Que eu queria era ser fraseador. Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão mais velho perguntou: Mas esse tal de fraseador bota mantimentos em casa? Eu não queria ser doutor, eu só queria ser fraseador. Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não bota mantimentos em casa, nós temos que botar uma enxada na mão desse menino par ele deixar de variar. A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada. (Barros, Manoel. Memórias inventadas: A infância. São Paulo: Planeta, 2003)
  10. 10. Desobjeto Cora Coralina O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente. O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes. Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente tem organismo. O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora feito o pente deram lugar a um esverdeado a musgo. Acho que os bichos do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente perdera a sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e não servia mais nem para pentear macaco. O menino que era esquerdo e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele estado terminal. E o menino deu para imaginar que o pente, naquele estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

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