Observação
• como elemento construtor e regulador de
sistemas
• por G. Stockinger
Observar, denominar, distinguir
• Observar: denominar um fénomeno e
distinguí-lo, assim, de outros fenômenos
• Simultaneam...
A distinçâo tem dois lados
– Lado Y: a denominação („mulher“)
– Lado X:discriminação („homem nâo!“)
– Um dos lados é sempr...
Observação: elemento regulador?
– Observação tem lugar em:
– Sistemas técnicos (autômatos), Circulo
regulador
– biológicos...
Formas
Observação acontece
– quando sistemas discriminam e reagem a suas
próprias discriminações („discernir“).
– quando p...
Selecionar
– Observar: tres níveis de selecionar
– emoções seletivas: „o volume do ciúme“
– percepção seletiva: „olhando s...
Observar: distorções
– Observadores fornecem descrições
incompletas, distorcidas pelo observador:
– Ele troca facilmente a...
Distingir é uma aventura
– Observadores denominam o mundo com
distinções diferentes, dependendo do ponto de
vista. Isso é ...
O „ponto cego“ (blind spot)
– Cada observação tem seu “ponto cego" (blind
spot): ela não pode ver a si própria. Ela é
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Observaçâo de segunda ordem
– Ao observar o observador, a distinção anterior -
quem observa, quem é observado - entra em
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O medium “sentido“
• O observador utiliza para suas operações
um medium (meio)que coloca um
• „espaço semântico“ criativo ...
Realidade construida
em autopoiesis
• O observador opera no medium "sentido"
que ele mesmo constroi. No decorrer desta
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Autopoiese: aspectos I
• 1. Nãda „existe“, tudo se move (reproduz).
• 2. O processo de (re)produção ocorre num
medium (em ...
Autopoiese: aspectos II
• 4. Operações conectam com operações.
Surge sistema que se delimita, nas suas
operaçôes, do resto...
Autopoiesis e decisâo
– Por causa do seu fechamento operacional e
operação autoreferencial, os sistemas agem em
contato co...
Contato externo: acoplamento
• Ele ocorre em certos pontos onde o sistema
é receptível para irritações
• Um sistema coloca...
Acomplamento estrutural entre
indivíduo e sociedade
• O sistema psícico põe à disposição do
sistema social o seu conjunto ...
Consequências métodicas
• A compreensão clássica do método ...
– ... pressupõe ordem externa ou mundo comum,
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Instância externa eliminada
– Na forma sistémica de validação não há mais
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Diferença entre métodos pré-
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– Na visão pré-construtivista o problema
consistia na descr...
Construtivismo
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objetividade.
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Da Intersubjetividade para a
comunicação I
– Fechamento operacional impede
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– Atores não dispõem de uma...
Da intersubjetividade para a
comunicação II
– Intersubjetividade pressupõe um pré-
entendimento dos parceiros interagentes...
Autocontrole metodológico:
produzir o externo internamente
– Comunicação revela o que intersubjetividade
esconde: o contro...
Observar cientificamente
– Nas ciências, a observação vale como um
método empírico, ao lado do experimento.
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O modelo „buraco-da-fechadura“
– O observador pensa operar fora da área
observada por ele.
– Ele tenta observar os fenômen...
O modelo participativo
– O observador é parte daquilo que ele observa.
– Sua observação não é absoluta, mas relativa ao
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Pesquisa empírica
• Compreensão observadora (do outro)
significa para um observador sistémico ver
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Questionamentos
– Como é que comunicação produz conexões?
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O Observar na visão de Niklas Luhmann

  1. 1. Observação • como elemento construtor e regulador de sistemas • por G. Stockinger
  2. 2. Observar, denominar, distinguir • Observar: denominar um fénomeno e distinguí-lo, assim, de outros fenômenos • Simultaneamente com a distinção se produz uma denominação • Não há denominação sem uma distinção na qual se baseia, e vice-versa • Observar, denominar e distinguir formam um círculo regulador • Observar = forma de distinguir
  3. 3. A distinçâo tem dois lados – Lado Y: a denominação („mulher“) – Lado X:discriminação („homem nâo!“) – Um dos lados é sempre excluido – A distinção usa „homens“ como objetos de discriminação para a denominação de „mulheres“. – Distinguir é cíclico: homens em distinção a mulheres, por sua vez em distinção a homens.
  4. 4. Observação: elemento regulador? – Observação tem lugar em: – Sistemas técnicos (autômatos), Circulo regulador – biológicos (céluas, corpos), metabolismo regulador – neuropsicológicos (cérebros, células), rede neuronal reguladora – psíquicos (consciência), pensamento – sociais (comuncação), sentido regulador
  5. 5. Formas Observação acontece – quando sistemas discriminam e reagem a suas próprias discriminações („discernir“). – quando pensamentos fixam algo e o distinguem de outro pensamento menos fixo („distinguir“) – Social: quando compreensão é produzida por um ato de informação. („compreender“).
  6. 6. Selecionar – Observar: tres níveis de selecionar – emoções seletivas: „o volume do ciúme“ – percepção seletiva: „olhando só aquilo“ – memória seletiva: „poxa, me esqueci!“ – Observadores escolhem interesses em certos aspectos, negligenciando outros. – Esta escolha já é uma pré-seletiva
  7. 7. Observar: distorções – Observadores fornecem descrições incompletas, distorcidas pelo observador: – Ele troca facilmente as medidas do seu julgamento, – Sobrevaloriza primeiras impressões, – Completa lacunas, – Aplana contradições, – Cria ordem e sentido, onde antes nâo existia, – Tudo isso dependendo do seu estar (motivações). – A observação como método sabe disso (?).
  8. 8. Distingir é uma aventura – Observadores denominam o mundo com distinções diferentes, dependendo do ponto de vista. Isso é certo. O certo é isso. – Distinções não são observáveis no momento de sua aplicação. Elas sâo observadas só depois, atravês de outras distinções. – Fazer distinções é sempre uma aventura: sâo feitas de forma ingênua, cega, ignorante. Só depois se sabe o grau de ingenuidade, cegueira e ignorância aplicadas.
  9. 9. O „ponto cego“ (blind spot) – Cada observação tem seu “ponto cego" (blind spot): ela não pode ver a si própria. Ela é ingênua (genuina) – Mas ela pode ser observada com outras observações, elas mesmas com pontos cegos – O observador tem a sua visão de mundo graças à sua cegueira. – "Não me tirem meu ponto cego, por favor!“ – „O maior cego é aquele que nâo quer enxergar“
  10. 10. Observaçâo de segunda ordem – Ao observar o observador, a distinção anterior - quem observa, quem é observado - entra em colapso, e com ele o observador de 1a. Ordem. – Ela é distinta da observaçâo de primeira ordem: ela percebe a si própria como um primeira – o distinguido reentra na distinção atual. re-entry – a „ingenuidade“ está rompida, mas nâo totalmente: sempre há também a primeira enesima vez. („Hoje é a primeira vez que lhes vejo de 4a. vez“)
  11. 11. O medium “sentido“ • O observador utiliza para suas operações um medium (meio)que coloca um • „espaço semântico“ criativo à disposição para suas operações de observação. • Sistemas socias e sistemas de consciência usam para sua autopoises o meio "sentido“ • Eles têm acesso ao mundo apenas por esta via. („Se nâo tiver sentido, nâo interessa“)
  12. 12. Realidade construida em autopoiesis • O observador opera no medium "sentido" que ele mesmo constroi. No decorrer desta construção ele mesmo de distingue dela. • O sistema cria sua propria área de operação que ele denomina de „realidade“ (autopoiesis) • Essa pode-lhe parecer completamente externa, denominando-a de „circunstâncias“ • A observação de 2a. Ordem revela esta construção de um „mundo próprio“
  13. 13. Autopoiese: aspectos I • 1. Nãda „existe“, tudo se move (reproduz). • 2. O processo de (re)produção ocorre num medium (em sistemas sociais: sentido). • 3. Para um sistema se reproduzir, necessita de estruturas ... • ...que fornecem possibilidades de conexão (em sistemas de sentido: expectativas).
  14. 14. Autopoiese: aspectos II • 4. Operações conectam com operações. Surge sistema que se delimita, nas suas operaçôes, do resto do mundo (se diferencia do seu ambiente). • 5. Um sistema autopoiético é autônomo. • Ele trata sua experiência com lingagem operativa própria. • O que vem de fora é transformado para ser compatível como modus operandi do sistema. (p.e. imagens em palavras)
  15. 15. Autopoiesis e decisâo – Por causa do seu fechamento operacional e operação autoreferencial, os sistemas agem em contato consigo próprio. – Eles imaginam um exterior, ignorando que se trata de uma construção interna – A complexidade força os sistemas a agirem seletivamente. – Por isso tomam decisões em situações indefinidas.
  16. 16. Contato externo: acoplamento • Ele ocorre em certos pontos onde o sistema é receptível para irritações • Um sistema coloca a outro sua estrutura à disposiçâo, transformada em uma operação própria do sistema receptor. • A autopoiese precisa da estimulação de fora, traduzida para um código próprio.
  17. 17. Acomplamento estrutural entre indivíduo e sociedade • O sistema psícico põe à disposição do sistema social o seu conjunto de operações e seus resultados; • O sistema social usa esta estrutura sem precisar reproduzir as operações de consciência, próprias ao sistema psíquico. • E vice- versa: o enuncidado (ss) passa a ser o pensado (sp). Um círculo se move.
  18. 18. Consequências métodicas • A compreensão clássica do método ... – ... pressupõe ordem externa ou mundo comum, existente antes de qualquer percepção ou ação. – Assim, a „objetividade“ foi procurada a ser ancorada nalguma instância externa, „destino“, „deusas/deuses“, ou em „terapia/consultoria“. – A teoria sistêmica, a cibernética de 2a. ordem e o construtivismo, ao retirar estas âncoras externas, dispôe de âncoras internas.
  19. 19. Instância externa eliminada – Na forma sistémica de validação não há mais uma instância externa, independente, e não há mais nenhum critério que distinga entre válido ou não, verdadeiros ou não, corretos ou nâo. – Todos os critérios de verdadeiro ou correto ou válido são produzidos relativos ao sistema. Eles ficam dependentes de observação, e por isso ficam contingentes.
  20. 20. Diferença entre métodos pré- construtivistas e construtivistas – Na visão pré-construtivista o problema consistia na descrição a mais exata possível da realidade. – A meta era levar a realidade e sua descrição a uma relação de correspondência. – Para tal, a observação de 1a. ordem é suficiente. – Ela pensa encontrar o mundo imediatamente, ignora portanto o esforço de construção do observador.
  21. 21. Construtivismo – Métodos não construtivistas se esforçam por objetividade. – Métodos construtivisatas colocam em jogo o observador de 2a. ordem. A ação metodológica ganha um dimensão reflexiva. – O observador 2a. ordem vê como é que ele produz seu ponto de vista. – Ele já não pode atribui-lo ao „mundo“, mas à sua própria escolha .
  22. 22. Da Intersubjetividade para a comunicação I – Fechamento operacional impede intersubjetividade. – Atores não dispõem de uma realidade comum e/ou objetiva para classificar seus contatos. – Tal "realidade" tem de ser generada com sistemas de descrição próprios,... – ... sem a garantia que funcionem também em outros sistemas de descrição.
  23. 23. Da intersubjetividade para a comunicação II – Intersubjetividade pressupõe um pré- entendimento dos parceiros interagentes – Comunicação revela as condições precárias deste entendimento (de coisas, processos, argumentos, comportamentos etc.), e as torna assim controláveis metodologicamente. – A comunicação produz sua própria compreensão conectando-se a outras comunicações, no tempo e no espaço.
  24. 24. Autocontrole metodológico: produzir o externo internamente – Comunicação revela o que intersubjetividade esconde: o controle metdológico começa com autocontrole: – O ator/observador tenta "compreender" dados e sinais que o outro produz em palavras e atos. – A interpretação de "irritações" externas se baseia nas suas operações internas – Ele tem de produzir o externo internamente!
  25. 25. Observar cientificamente – Nas ciências, a observação vale como um método empírico, ao lado do experimento. – Há observação aberta e coberta, – participante e não participante, – sistemática e não sistemática, – em situações naturais e artificiais, – autoobservação e observação alheia.
  26. 26. O modelo „buraco-da-fechadura“ – O observador pensa operar fora da área observada por ele. – Ele tenta observar os fenômenos diretamente e imediatamente. – Ele se esforça de minimizar a sua influência em cima do fenômeno, – Ele tenta limpar seu observar de influências "subjetivas", ganhando "objetividade".
  27. 27. O modelo participativo – O observador é parte daquilo que ele observa. – Sua observação não é absoluta, mas relativa ao seu ponto de vista (Einstein); – Suas observações influenciam o observado (Heisenberg); – Suas observações criam o observado (Spencer Brown); – O mundo não é descoberto pelo observador, mas inventado.
  28. 28. Pesquisa empírica • Compreensão observadora (do outro) significa para um observador sistémico ver como um outro sistema maneja a diferença entre sistema e ambiente. – Ele compreende um outro sistema a partir das relações deste com o seu ambiente. – A observação se volta para o processo de comunicação e para as estruturas que o orientam.
  29. 29. Questionamentos – Como é que comunicação produz conexões? – Que é que comunicação faz com o tema? – Como comunicação produz causalidades? – Como comunicação produz problemas? – Como ela resolve problemas? – Como ela se relaciona com pessoas? – Como compreender comunicações à nível supra-indivídual?

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