O esporte e suas manifestações na atualidade        UM ESPORTE NÃO CONVENCIONAL NO MUNDO ACADÊMICO:      SINGULARIDADES HI...
O esporte e suas manifestações na atualidade                   já que a adrenalina aquecia e a emoção de surfar pela prime...
O esporte e suas manifestações na atualidadecorporal dos estudantes, pela experimentação motora de novas ofertas, desperta...
O esporte e suas manifestações na atualidade2. Singularidades culturais: o feeling do surfe, a paisagem radical           ...
O esporte e suas manifestações na atualidade                 tragados por muitos minutos debaixo dágua, para de repente se...
O esporte e suas manifestações na atualidade3. Singularidades históricas: o deslize sobre as ondas, a paisagem radical    ...
O esporte e suas manifestações na atualidadeindependente do tipo de colonização e que não teve propriamente um início, vis...
O esporte e suas manifestações na atualidade       Até o presente momento a profissão de Educação Física, passados dez ano...
O esporte e suas manifestações na atualidade       A carreira profissional é uma escolha, tal como aquela do indivíduo que...
O esporte e suas manifestações na atualidade       Desta forma este pesquisa teve como objetivo fazer um ensaio sobre as p...
O esporte e suas manifestações na atualidade   em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

O esporte não convencional no currículo de ef - eliane pardo e césar vagheti

3.072 visualizações

Publicada em

O esporte não convencional no currículo de ef - eliane pardo e césar vagheti

Publicada em: Esportes
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.072
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
8
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O esporte não convencional no currículo de ef - eliane pardo e césar vagheti

  1. 1. O esporte e suas manifestações na atualidade UM ESPORTE NÃO CONVENCIONAL NO MUNDO ACADÊMICO: SINGULARIDADES HISTÓRICO-CULTURAIS E POSSIBILIDADES DE INCLUSÃO DO ENSINO DO SURFE NA UNIVERSIDADE César Augusto Otero Vaghetti (Msc./UFPel) & Eliane Ribeiro Pardo (Dra./UFPel)ResumoEsse ensaio analítico apresenta as primeiras reflexões resultantes do trabalho de ensino epesquisa desenvolvido na disciplina Esportes Radicais em meio aquático, do currículo docurso de licenciatura e bacharelado em Educação Física da UFPel. A análise foi sendorealizada na experiência de ministrar a disciplina, e está focada sobre algumas singularidadesemergentes da inclusão dessa prática cultural não convencional no currículo da formaçãouniversitária assinaladas pelos professores da disciplina e autores do ensaio, através deobservações, fotografias, filmagens e depoimentos dos estudantes. As primeiras inferênciasaos dados que temos em mãos resultaram na elaboração do programa da disciplina cujaanálise permite assinalar onde as singularidades das práticas radicais do surfe forçaram áintrodução de novos elementos ao programa. Nessa linha, os autores destacam: a utilização daRevista Fluir como material de consulta, na medida que a bibliografia acadêmica existentesobre o tema ainda é rara; a elaboração não linear de um roteiro de conteúdos para adisciplina; a cumplicidade e a disponibilidade corporal dos estudantes, razão do sucesso dadisciplina em termos do aproveitamento avaliado.1. Inclusões curriculares não convencionais: surfe e Educação Física Na última quarta-feira à tarde a galera da UFPel veio para a praia do Cassino realizar sua segunda aula de surfe e kite. As aulas, ministradas pelo professor César Vaghetti — "Salada", e com apoio dos amigos Pablo Bech e Vico, mais uma vez tiveram o frio como presença constante, mas o pessoal da UFPel não se intimidou e participou o tempo todo dentro dágua, XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  2. 2. O esporte e suas manifestações na atualidade já que a adrenalina aquecia e a emoção de surfar pela primeira vez fazia parte do aprendizado. Neste dia, tinham pessoas que nunca haviam pisado na praia do Cassino e, muito menos, numa prancha de surfe. Por isso mesmo o resultado foi muita alegria e descontração e muitos deles não queriam sair de dentro d água. Após a aula, os aplicados novatos já estavam se programando sobre a próxima vez que iriam vir para a prática. Mahalo! Jornal Agora, sexta-feira, 22/06/2007. Rio Grande, (RS) A Universidade Federal de Pelotas tem no seu rol de optativas oferecidas pelo curso debacharelado em Educação Física a recém criada disciplina (primeiro semestre de 2007)"Esportes Radicais em meio aquático: surfe e Kitesurfe". Organizada a partir das idéias detrânsito disciplinar e de vivência ampliada seu programa contempla conteúdos teóricos epráticos sobre movimento contracultura, fundamentos técnicos e táticos das modalidades,treinamento das capacidades físicas envolvidas, educação ambiental, princípios básicos emmetereologia e oceanografia, aspectos históricos, etnográficos e culturais dos esportesradicais, manuseio dos equipamentos e regras de competição. Ministrada por dois professoresde áreas distintas — Biomecânica e Estudos Culturais —, a disciplina, além de promover oencontro de diferentes perspectivas, através da união das áreas, possibilita um trabalho deparceria entre professores dentro da sala de aula. O conhecimento dos esportes radicais em meio aquático é distribuído em dezesseteencontros de três horas semanais, sendo quatro deles — as saídas de campo — realizados napraia do Cassino, em Rio Grande (aulas de surfe) e na praia do Laranjal, em Pelotas(Kitesurfe). O saber socializado e produzido nas aulas é abordado a partir de um triploaspecto: seu caráter promissor para o futuro profissional de Educação Física (escolinhas,gestão, turismo, treinamento, profissionalização, curso superior, lazer); o forte elementoformador, de caráter transgressor, presente na filosofia radical que sustenta essas práticas —elas encerram um modo singular de estar na vida; de enfrentar desafios, de criar novos valorese novos modos de relação homem/natureza; sua capacidade de ampliação da memória XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  3. 3. O esporte e suas manifestações na atualidadecorporal dos estudantes, pela experimentação motora de novas ofertas, despertando-os para omelhor entendimento dos conhecimentos adquiridos em outras disciplinas. Cercado por regras e limitações, o universo institucional esportivo na maioria dasvezes pauta-se pelos valores numéricos definidos no placar. Entretanto, existem modalidades"esportivas" que fogem deste padrão. Pociello apud Padiglione (1995) aponta a presença deesportes não convencionais no cenário esportivo contemporâneo, que tem comocaracterísticas a individualidade, a ausência de regras e a presença do risco e da aventuradurante a prática. O surfe pode ser incluído neste conjunto de esportes não convencionais,onde a imprevisibilidade do ambiente de prática, caracterizada pelas constantestransformações do oceano e a valorização do perigo, são peculiaridades evidentes. O que torna radical determinado comportamento social como a prática de um esporte,por exemplo, como o surfe? — é a pergunta em torno da qual giram os conteúdosprogramáticos, desenvolvidos no interior de um quadro conceitual micropolítico (Deleuze eGuattari, 1992), onde a formação universitária é vista como um vasto e rico campo deprodução subjetiva. A experiência vivenciada na disciplina é organizada como um campoempírico de modo a permitir aos professores visualizar, diagnosticar, registrar e, finalmente,analisar as diversas maneiras pelas quais as capacidades dos estudantes vão sendoexperimentadas e transformadas no interior do dispositivo. Essa experimentação, orientadafilosoficamente para a constituição estética de Si (Foucault, 1984), irá auxiliar o estudante acompor um estilo próprio de enfrentar seus medos, de construir seus argumentos, suasretóricas, suas performances corporais, suas exposições e disputas no mercado de trabalho efundamentalmente, na vida. O trabalho conjunto vem sendo uma experiência produtiva tanto do ponto de vistadocente quanto discente. Ele rompe também, de certa forma, a prática docente convencional etransforma-se num amplo, complexo e rico campo empírico para novas investigaçõesacadêmicas da área. XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  4. 4. O esporte e suas manifestações na atualidade2. Singularidades culturais: o feeling do surfe, a paisagem radical Já foi dito que ondas são como telas brancas, á espera de linhas traçadas pelo artista... Apesar de tudo, a vida continua em Nias; depois de tsunami; pôr-do-sol em Bawa; chegar ao paraíso é mais difícil do que parece... (Paul Kennedy, jornalista, Revista Fluir, junho/2006, ano 23, número 6, edição 248). O surfe foi introduzido na Califórnia, entre as décadas de 20 e 30, era visto como umesporte marginalizado, que contribuía para a desvalorização da cultura e dos bons conceitos.Os surfistas a partir daí ganharam o sinônimo de marginais, de vagabundos, passaram a não seimportar com qualquer regra estabelecida pela sociedade, criaram seus próprios conceitos evalores. Em 1953, um êxodo de surfistas da Califórnia para o Havaí marcou profundamente ahistória do esporte. Motivados por uma foto encontrada em um jornal, de uma onda de novemetros em uma praia no Havaí, vários surfistas viajaram para o arquipélago havaiano embusca de novas emoções, ou seja, em busca de novas, diferentes e maiores ondas (Peralta2004). Estes comportamentos tem, como pano de fundo o mar, o oceano, um adversário semrosto, selvagem, no qual o indivíduo pode se encontrar consigo mesmo para umautoconhecimento. Essa eterna busca pela onda perfeita marca culturalmente a história do surfe. Ela fazoscilar a existência individual entre a segurança e a vulnerabilidade, o risco e a garantia, oatalho e o caminho traçado, justamente por isso: porque nada é garantido. Escura, isolada, maldosa. Recifes, águas geladas e profundas, ventos noroestes, tempestades do sudeste, correntes estupidamente geladas, focas e elefantes marinhos e coisas ainda mais selvagens que costumam jantar os tais elefantes, como tubarões brancos de 5 metros de comprimento, que ocasionalmente catam um naco de algum surfista distraído. E os animais não são o único risco: é comum ver em Maverick´s surfistas que caem e são XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  5. 5. O esporte e suas manifestações na atualidade tragados por muitos minutos debaixo dágua, para de repente serem encurralados junto às pontiagudas rochas (Revista Fluir) O mar dessa perspectiva é uma reserva selvagem de sentidos. Um mundo, ao mesmotempo propício e perigoso onde o homem, para estar à altura, procura demonstrar coragem,capacidade de adaptabilidade, legitimidade, humildade, jubilação em existir. Na sociedade atual segundo Breton (2007) o indivíduo é constantemente chamado ademonstrar sua legitimidade, onde importa provar em si mesmo o valor da existência.Portanto, o enfrentamento das ondas, no surfe, é, para quem o pratica, não apenas umamaneira de reagir contra uma sociedade protetora, bélica, excludente, mas também um espaçorico de criação de um estilo, forjado no enfrentamento e caracterizado por uma ética resultanteda liberdade de escolhas e de caminhos. — O que é que vale realmente? O que é real pai? — perguntou minha filha, erespondi: "As sensações, as percepções, os amores, os sentimentos, as dores, ou seja, asvivências que formatam chapeiam a nossa alma". Essas são reais. Essas permanecem e sãolevadas por nós para sempre. Essas podem ou não ser levadas por nós para sempre. Essaspodem ou não ser vividas. Depende de cada animal". Assim, a viagem dos surfistas californianos para o Havaí em busca de melhores ondasexemplifica a efervescência, e o feeling desta modalidade: a busca pela aventura, pelodesconhecido, a procura dos limites, o encontro com a condição concreta de não ter volta umavez tomada uma decisão. O surfista é, portanto, um nômade por natureza, não mede esforçospara procurar o que para ele significa não um simples esporte, mas um estado de espírito, umamaneira própria de escolher viver. O surfe preenche totalmente a vida, ás vezes até demais. E transformá-lo em modo devida não dá certo, pois há uma contradição aí. Nunca moraria na praia porque, se morasse nãoteria me tornado médico. Em tudo o que faço tento ser pleno, sou totalmente médico,totalmente pró-reitor, totalmente surfista, totalmente o que for (Revista Fluir). XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  6. 6. O esporte e suas manifestações na atualidade3. Singularidades históricas: o deslize sobre as ondas, a paisagem radical Certamente, mergulhar no surfe para compreender a força transformadora de suafilosofia implica vasculhar na história dessa prática cultural acontecimentos singulares que atornam radical. Um deles, por exemplo, é quanto a sua suposta origem. Existem algumas controvérsiasa respeito do seu nascimento. Alguns relatos apontam seu surgimento entre os antigos reishavaianos, outros afirmam que os peruanos, por várias gerações já cavalgavam nas ondas emseus caballos de totora1. Entretanto a história mais popular é a de que um experientenavegador do século XIX, James Cook, durante uma viagem que fez à Polinésia, ilhaslocalizadas ao sul do oceano Pacífico, observou que o povo local deslizava sobre as ondas. Amaioria dos habitantes daquela região segundo Vaghetti (2003) dependia do mar para a suasobrevivência, desta forma diariamente se atiravam ao mar com seus barcos e quandovoltavam da pesca, deslizavam sobre as ondas para chegar mais rápido a terra firme. Algunspescadores, após retirar a pesca dos barcos, ainda retornavam ao mar somente para brincarsobre as ondas, proporcionando, desta forma uma grande euforia e alegria entre ascivilizações da região. Alguns anos mais tarde CooK, iria observar a mesma manifestação nas ilhas doarquipélago Havaiano e no Peru. Tentando entender como as diferentes culturas são levadasde um local para o outro, o navegador formulou a hipótese de que os antigos povos naPolinésia, através da navegação, teriam levado seus costumes e hábitos para a região do Peru.Entretanto a hipótese não foi aceita, pois as cartas náuticas indicavam que qualquer tentativade se chegar ao oeste da América do Sul seria frustrada, devido às correntes e ventoscaracterísticos, os quais levariam as embarcações para diferentes pontos e nunca para a regiãodo Peru. O navegador percebeu que esta manifestação cultural acontecera também no Peru,1 Antigas canoas feitas de palha utilizadas até hoje para a pesca, no Peru (Leal 1993). XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  7. 7. O esporte e suas manifestações na atualidadeindependente do tipo de colonização e que não teve propriamente um início, visto que estascivilizações já poderiam estar praticando o surfe por muitos anos antes de suas observações. O esporte ganhou popularidade quando um havaiano chamado Duke Paoa KahinuMocoe Kahanamoku, campeão olímpico de natação e que praticava o surfe, divulgou oesporte pelos locais do mundo por onde viajou através dos campeonatos de natação.Atualmente no Havaí acontecem campeonatos de surfe em ondas gigantes somente paracelebrar a memória deste corajoso surfista que apresentou ao mundo a cultura havaiana. A influência da cultura havaiana e polinésia pode ser vista nas camisas floridasvendidas em qualquer loja, da indústria surfe e nos quiosques a beira-mar, comumenteconstruídos, nas praias ao redor do mundo. Em contrapartida o aspecto mais marcante a serassinalado nesse esporte é exatamente o comportamento dos indivíduos que o praticam.Apesar da forte influência dos havaianos é na Califórnia que o surfe ganha uma conotaçãorebelde de contracultura e de estilo de vida. A popularidade do esporte, durante a década de50, incendeia a vida de alguns jovens que motivados pela emoção de deslizar nas ondas, criamum estilo, um modo de viver e mobilizam suas vidas em função do surfe. A devoção a estenovo esporte girava em torno de tudo que se referia à água, desta forma suas vidas foramredirecionadas, objetivando sempre o contato com o mar e a procura de praias e de ondas.Esta nova maneira de viver a vida se opunha aos valores vigentes, nada mais tinha interesse anão ser a eterna procura por ondas. O surfe, portanto não era algo que se fazia, mas algo emque o indivíduo se tornara.4. Singularidades da formação: a praia é minha aula O homem e a natureza sempre mediram suas forças através dos séculos — seja por meio de tempestades, vulcões ou terremotos. Mas até onde vai esta incansável batalha que transforma mortais em heróis, e temidos fenômenos em estudos acadêmicos? (Revista Fluir) XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  8. 8. O esporte e suas manifestações na atualidade Até o presente momento a profissão de Educação Física, passados dez anos de suaregulamentação, não constituiu para seus profissionais um mercado de trabalho legítimo esólido, se comparado ao status social de mercados dos cursos de Engenharia, Medicina ouDireito. O futuro profissional, bacharel em formação, diante desse quadro, por um lado vê-se,de certa forma, perante um futuro incerto, recheado de incertezas e de inseguranças, um futuroainda por fazer e por outro lado, constata que parte das ações necessárias para a mudançadesse estado de coisas encontra-se também nas suas próprias ações perante a profissão queescolheu. O conteúdo trabalhado na disciplina engloba entre outras coisas este paradoxo, o daescolha profissional, da formação e do mercado de trabalho. "As vésperas de completar meus 21 anos, eu não tinha planos a longo prazo. Meu pai um oftalmologista bem sucedido, queria me preparar para cuidar dos olhos dos seus cinco mil clientes. Mas eu estava no auge do meu próprio processo de aprendizado em lidar com mares grandes e situações limites" (Ricardo Bocão, Revista Fluir v19, n10, 2004). A escolha pela profissão de Educação Física, é uma decisão radical, pois o estudanteesta diante de uma grande incerteza do futuro, da mesma forma quando o surfista optou peloprazer do esporte e deixou para trás uma vida garantida, ele assim o fez pelo sentimento doprazer, pois sabia desta maneira ele realmente seria capaz de encontrar-se consigo mesmo. O surfe, influenciador de todas as modalidades esportivas que utilizam pranchas, vemao longo dos anos, ditando regras, modas, costumes e interferindo na cultura dos povos aoredor do mundo. Paralelo a estes acontecimentos o esporte se tornou hoje uma modalidadealtamente competitiva, com um nível técnico elevado, onde os atletas de surfe possuempadrões de condicionamento físico idêntico ao de atletas profissionais de outras modalidades,como maratonistas e nadadores (Lowdon e Lowdon, 1988). Parte considerável do sucessodessa modalidade encontra-se na força criadora de sua filosofia, na beleza estética de suasperformances, geradoras de "belas imagens", na radicalidade de seus embates. XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  9. 9. O esporte e suas manifestações na atualidade A carreira profissional é uma escolha, tal como aquela do indivíduo que opta pordesvendar segredos e mistérios do mar. Desta forma o homem, produtor de sua própriaidentidade, é submetido à aprovação desta sociedade, e para conquistar um lugar no tecidosocial, ele mapeia seus limites, tenta ultrapassá-los, de modo a constituir um estilo diante deuma sociedade massificadora e excessivamente protetora, de modo a justificar sua existência.Quando um estudante faz sua escolha, ele opta pelo prazer de trabalhar com o corpo, pelocorpo e, portanto sabe que no mar das adversidades vai enfrentar dificuldades característicasda profissão. Conforme discursa Costa (2000), o aparecimento de esportes que tem comocaracterísticas o risco e a aventura produzem uma ruptura com as práticas esportivasconvencionais, e desta forma tem uma relação íntima com a sociedade atual, no que se refereá incerteza política, econômica, social e cultural, fazendo o indivíduo perceber o risco e aconviver com ele como o resultado das múltiplas contingências sociais. Seguindo a análise, é possível perguntar ainda quais aspectos é possível destacar naspráticas do surfe que o tornam uma prática esportiva radical no sentido de nos oferecer umexcelente espaço para analisarmos a formação profissional em termos de suas demandas eofertas disciplinares, dos desafios colocados pelo mercado de trabalho ao currículo deformação, das demandas consumidoras produzidas pela Indústria Cultural em torno daspráticas do surfe no mundo inteiro. Um esporte não convencional, forçou a construção de um programa diferente, talvezpela sua diversidade cultural, talvez por ser uma mistura de prática corporal, esporte e arte. Aausência de literatura específica citada por Brasil et al. (2001), sobre os fenômenos do esportecompetição, também forçou a utilização de um material não científico, trabalhado em sala deaula. A revista Fluir, por exemplo, é uma revista que tem como objetivo, divulgar fotos, fazera cobertura de eventos esportivos e, de certo modo, revelar a essência do surfe, o felling,entretanto este tipo de revista, empírica, não científica, possibilitou um imenso trabalho emsala de aula. XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  10. 10. O esporte e suas manifestações na atualidade Desta forma este pesquisa teve como objetivo fazer um ensaio sobre as possibilidadesde ensino, na universidade, de esportes não convencionais, os limites deste universo, que seestendem do próprio esporte competição, possibilitando todo um trabalho relacionado comtreinamento desportivo, passando pelos aspectos culturais que modelam o caráter dosindivíduos até a contextualização histórica desta modalidade. O filhote de golfinho realiza entre várias brincadeiras, o surfe, pois faz parte de seu desenvolvimento motor, enquanto filhote (Spinelli, Nascimento e Yamamoto, 2002).5. Referências Bibliográficas1. BRASIL, F. K., ANDRADE, D. R., OLIVEIRA L. C., RIBEIRO M. A., MATSUDO V. K. R. Freqüência Cardíaca e Tempo de Movimento durante o Surfe Recreacional - Estudo Piloto. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. v.9: p. 65-75; 2001.2. COSTA V. L. M. Esportes de aventura e risco na montanha: um mergulho no imaginário. São Paulo: Manole, 2000.3. LEAL, L. Breve Histórico do Surf. Jornal Noticiondas. Florianópolis, 15 jun. 1993.4. LE BRETON, D. Aqueles que vão para o mar: o risco e o mar. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. v.28, n.3, p.9-19, 2007.5. LOWDON, B. J.; LOWDON, M. Competitive surfing: A dedicated approach. Victoria: Mouvement Publications, 1988.6. PADIGLIONE, V. Diversidad y pluralidad en el escenario desportivo. Educación Fisica y Desportes. v. 41, p. 30-35, 1995.7. PERALTA, S. Riding Giants. (Fime): forever films; 2004.8. SPINELLI, L. H. P., NASCIMENTO, L. F., YAMAMOTO, M. E. Identificação e descrição da brincadeira em uma espécie pouco estudada, o boto cinza (Sotalia fluviatilis), em seu ambiente natural. Estudos de Psicologia. v. 7: p.165-171;2002.9. VAGHETTI, C. A. O. Estudo do tempo de reação simples em surfistas com diferentes níveis de habilidade. Dissertação de mestrado apresentada ao programa de pós-graduação XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS
  11. 11. O esporte e suas manifestações na atualidade em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil, para a obtenção do título de mestre. 2003.cesarvaghetti@hotmail.com XXVI Simpósio Nacional de Educação Física Fórum Olímpico Estadual II Conferência Municipal do Esporte e Lazer 17 a 20 de outubro de 2007 ESEF/UFPEL/PELOTAS/RS

×