UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
Curso de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria
KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA
CANAIS DE DI...
KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MICRO E PEQUENOS
MEIOS DE HOSPEDAGEM NO DESTINO PERIFÉRICO
URUBICI/S...
KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MICRO E PEQUENOS MEIOS DE HOSPEDAGEM
NO DESTINO PERIFÉRICO URUBICI/S...
Dedico este trabalho a minha mãe
Rosali Alves de Oliveira, que sempre
me apoiou em todos os momentos da
minha vida.
AGRADECIMENTOS
A minha mãe Rosali Alves de Oliveira e ao meu pai Carlos Magno da Silva (in
memorian) que foram fundamentai...
Ao meu querido Valdério que esteve presente nos momentos mais críticos do
desenvolvimento deste trabalho e me motivou ao m...
APRESENTAÇÃO
O desenvolvimento desta dissertação de mestrado ocorreu em um momento
muito importante na minha vida pessoal ...
RESUMO
As micro e pequenas empresas tem uma grande importância na geração de
emprego e renda no setor do turismo, principa...
ABSTRACT
Micro and small businesses are of great importance for generating employment and
income in the tourism sector, es...
LISTAS SIGLAS E ABREVIATURAS
ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis
BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento...
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Números e tipos de artigos na literatura internacional sobre MPE em
Turismo ......................
Tabela 27: Cidades de procedência dos clientes....................................................167
Tabela 28: Faixa etá...
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Países com pesquisas sobre MPE em turismo..........................................51
Figura 2:...
Gráfico 6: PIB per capita, e posição de Urubici entre os Municípios do Estado de
Santa Catarina..............................
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................
4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS....................................................116
4.1 Caracterização geral do obj...
5.1 Estrutura de distribuição de micro e pequenos meios de hospedagem no
destino periférico Urubici, SC......................
18
1 INTRODUÇÃO
1.1. Contextualização do tema
As micro e pequenas empresas (MPE) têm constituído um assunto cada vez
mais ...
19
assim, o desenvolvimento econômico local e a competição de mercado (SMITH,
2006a; TINSLEY; LYNCH, 2001).
O desenvolvime...
20
possuírem uma economia marginalizada, que são comumente ligadas a falta de
recursos ou ao declínio de segmentos tradici...
21
um relevo que torna o território diferenciado em relação às outras regiões do Estado
e do país. Na localidade é present...
22
1.3 Justificativa
A escolha do tema, assim como dos objetivos deste estudo, esta de acordo
com o importante trabalho de...
23
atual de distribuição utilizado pelos hoteleiros no destino estudado. Este trabalho virá
em momento propício, pois no m...
24
produzidos em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Também dá-se destaque
para a evolução e o impacto das tecnologia...
25
2 REVISÃO DE LITERATURA
Com o objetivo de referenciar os principais estudos sobre o tema central a ser
pesquisado, este...
26
a Lei 123/061
que trata do “Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de
Pequeno Porte”, que utiliza a receita bru...
27
A existência de um enquadramento específico de micro e pequenas empresas
demonstra as conjunturas empresariais existent...
28
necessidade de que as futuras pesquisas sobre MPE no turismo apresentem uma
analise mais holística. Segundo o estudo, o...
29
2004), têm oferecido uma luz para o entendimento das distinções e características
das MPE no turismo.
A influência dos ...
30
entanto, a literatura mostra que apenas utilizar-se de uma categorização pré-definida
como quantidade de funcionários o...
Gráfico 1: Evolução da publicação de artigos internacionais
Fonte: Elaboração do autor
ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSC...
32
Ano
Artigos
empíricos
Ensaio
teórico
Total
1996 4 1 5
1997 2 - 2
1998 3 1 4
1999 3 - 3
2000 7 - 7
2001 8 - 8
2002 4 1 5...
33
Outro motivo apontado pela falta de um corpo teórico mais aprofundado
decorre da grande variedade de temas abordados, q...
34
Dentre as áreas mais estabelecidas, encontra-se o marketing com uma
participação de 24,5% no total de pesquisas sobre M...
35
2.1.2.1 Empreendedorismo
As pesquisas desenvolvidas sobre empreendedorismo apresentam uma
grande parcela de estudos que...
36
trabalho e a vida pessoal (JAAFAR et al., 2011; LASHLEY; ROWSON, 2010;
MORRISON; TEIXEIRA, 2004; REIJONEN, 2008)
O esti...
37
empreendedores de micro e pequenas empresas das cidades de Jericoacoara
(Ceará), Parnaíba (Piauí) e Barreirinhas (Maran...
38
Subtema Principais contribuições
Relações no trabalho (ALONSO; O’NEILL, 2009; MARTIN, 2012).
Capacitação (AVCIKURT, 200...
39
As principais barreiras que afetam a implantação de programas de
qualificação são relacionadas aos altos custos de trei...
40
Quadro 5: Pesquisas sobre desempenho em MPE de turismo na literatura
internacional
Subtema Principais contribuições
Fat...
41
muitos dos bons operadores assumem naturalmente as atividades de gerenciamento
de desempenho, e não como uma atividade ...
42
Quadro 6: Pesquisas sobre marketing em MPE de turismo na literatura internacional
Subtema Principais contribuições
Tecn...
43
em um destino no Reino Unido. As categorias contemplam desde gestores
inexperientes na utilização de estratégias de mar...
44
A utilização de ferramentas de marketing por MPE revelam que uma grande
quantidade de empresas utiliza estratégias casu...
45
pelas pequenas empresas naquela localidade. A presença de uma forte disputa por
profissionais entre pequenas, médias e ...
46
Subtema Principais contribuições
Estratégia de negócio (ÖZGENER; İRAZ, 2006; SORIANO, 2005).
Relações públicas (MILOHNI...
47
Management) relaciona-se ao fato de haver um orçamento limitado, falta de maior
empenho na gestão do negócio e comunica...
48
Subtemas Principais contribuições
SMITH, 2006b; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011;
THOMAS, 2000).
Sustentabilidade
ambiental
(AL...
49
lado da oferta de produtos e serviços, e o lado da demanda na avaliação das
implicações dessas redes de negócios na Irl...
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC
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Micro and small business is of great importance in the generation of employment and income in the tourism sector, especially in peripheral areas, which face serious challenges in their socioeconomic development. International researches have discussed about these businesses over the last two decades, however it has so far been little explored in the Brazilian distribution channel literature, which has been devoted to analyzing hotel chains in large urban areas. In this context, there is relevance of this research in greater depth in the analysis of marketing practices and distribution of micro and small accommodation in an important winter destination. The main objective of this research is to analyze the distribution channels in micro and small accommodation in Urubici, a peripheral region in south of Brazil. The survey was conducted in the mountainous region of the state of Santa Catarina, known nationally for its winter, but presents very difficult in its socioeconomic development. The study is characterized by having qualitative and quantitative approach. Data collection was conducted through personal interviews with semi-structured script with 19 entrepreneurs, a total of 50 possible. There was a compilation of socio-economic, infrastructural and tourist data that enable classifying Urubici as peripheral destination in the state of Santa Catarina. Results indicate that the sample of accommodation have a simple structure of distribution, with great emphasis on direct sales. It is identified the existence of internal factors relating to the characteristics of the business and external , related to peripheral attributes of Urubici , which directly or indirectly influence the distribution structure of the components of the sample.

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Canais de Distribuição de Micro e Pequenos Meios de Hospedagem no Destino Periférico Urubici/SC

  1. 1. UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ Curso de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MICRO E PEQUENOS MEIOS DE HOSPEDAGEM NO DESTINO PERIFÉRICO URUBICI/SC BALNEÁRIO CAMBORIÚ - SC 2014
  2. 2. KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MICRO E PEQUENOS MEIOS DE HOSPEDAGEM NO DESTINO PERIFÉRICO URUBICI/SC Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Turismo e Hotelaria. Orientadora: Prof. Dra. Sara Joana Gadotti dos Anjos BALNEÁRIO CAMBORIÚ 2014
  3. 3. KLEBER DE OLIVEIRA DA SILVA CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE MICRO E PEQUENOS MEIOS DE HOSPEDAGEM NO DESTINO PERIFÉRICO URUBICI/SC Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do título de Mestre em Turismo e Hotelaria e aprovada pelo programa de Mestrado Acadêmico em Turismo e Hotelaria, da Universidade do Vale do Itajaí, Campus Balneário Camboriú. Área de Concentração: Gestão de empresas de Turismo Aprovada em: 24/ 02/ 2014 BANCA EXAMINADORA _____________________________________________ Profa. Dra. Sara Joana Gadotti dos Anjos (Orientadora) Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) _____________________________________________ Prof. Dr. Carlos Alberto Tomelin Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) _____________________________________________ Profa. Dra. Josildete Pereira de Oliveira Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) ______________________________________________ Profa. Dra. Patrícia Susana Lopes Guerrilha dos Santos Pinto Oom do Valle Universidade do Algarve/ Portugal
  4. 4. Dedico este trabalho a minha mãe Rosali Alves de Oliveira, que sempre me apoiou em todos os momentos da minha vida.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A minha mãe Rosali Alves de Oliveira e ao meu pai Carlos Magno da Silva (in memorian) que foram fundamentais em todos os momentos da minha vida, principalmente no apoio aos meus estudos sem limites. Ao Governo Brasileiro, que em nome da CAPES, me concedeu a bolsa de estudos, sem a qual eu não teria condições de me manter ao longo dos dois anos de duração do mestrado na cidade de Balneário Camboriú. À minha orientadora Sara Joana Gadotti dos Anjos, que acreditou no meu potencial e me proporcionou liberdade criativa, além de sempre colocar uma “pulga atrás da minha orelha” para reflexão e posterior amadurecimento. Ao Guilherme Lohmann, que mesmo com a distância entre Brasil-Austrália foi sempre solicito em ajudar-me desde os primeiros contatos, quando eu era aluno de graduação na ECA-USP no ano de 2010. Todas as conversas por e-mail e skype foram de fundamental importância para me tornar uma pessoa mais crítica, e olhar a complexidade do fenômeno turístico além das fronteiras brasileiras. Aos professores Josildete, Carlos Tomelin e Patrícia Valle pelas contribuições durante a banca de qualificação e defesa. Agradeço a todas as pousadas e hotéis da cidade de Urubici que me atenderam gentilmente durante o processo de coleta de dados. Aos funcionários da Secretaria de Turismo da cidade de Urubici, que ao longo das semanas que estive na cidade, me auxiliaram de forma exemplar, com todas as informações e material que eu necessitava para melhor compreender essa cidade que tanto me encantou. Agradeço ainda a todos os demais professores do programa, que souberam transmitir seus conhecimentos nas mais diversas áreas. As secretárias do mestrado, Márcia e Núbia por estarem sempre dispostas a ajudar e conversar em todos os momentos. A todos os meus amigos do mestrado, que não irei nomear todos aqui, mas que foram fundamentais ao longo desta caminhada. Juntos podemos vivenciar momentos inesquecíveis. Aos meus amigos de São Paulo e de outras partes do Brasil e do mundo, que entenderam que mesmo eu morando distante durante alguns anos, nunca me esqueci de ninguém. E que os reencontros sempre eram mais divertidos! Ao Ricardo Mantuanelli que me acompanhou ao longo do inicio deste projeto, e soube me apoiar e motivar nos momentos mais críticos.
  6. 6. Ao meu querido Valdério que esteve presente nos momentos mais críticos do desenvolvimento deste trabalho e me motivou ao máximo no término desta etapa. Por fim, agradecer a todas as universidades e pessoas individuais, que disponibilizaram na internet em inglês ou português, textos explicativos, vídeos tutoriais, dicas e sugestão de como desenvolver um projeto de pesquisa científica. Sem o acesso livre a essas informações, este trabalho não estaria do jeito que está. O meu mais profundo reconhecimento da importância de dividirmos nosso conhecimento com o mundo!! MUITO OBRIGADO A TODOS!
  7. 7. APRESENTAÇÃO O desenvolvimento desta dissertação de mestrado ocorreu em um momento muito importante na minha vida pessoal e profissional. Desde a época da graduação em Turismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), fui percebendo a minha grande identificação com a área acadêmica no Turismo. A participação em muitos projetos na universidade, os eventos, o intercambio e a iniciação científica me incentivaram a ser uma pessoa mais reflexiva e curiosa em compreender o fenômeno chamado Turismo. No entanto, foi somente durante o estágio em 2010 numa grande multinacional de reservas online de hotéis, que compreendi que adoro pesquisar e que deveria buscar um programa de pós-graduação para colocar isso em prática! Lembro muito bem, como surgiu o tema desta pesquisa de mestrado: Era uma semana comum no escritório no centro de São Paulo. Eu tinha que ligar para uma lista de pousadas na cidade de Parintins no Amazonas para fechar parcerias para divulgação delas no site da empresa. Ligação após ligação, eu recebia várias negativas dos proprietários, que não demonstravam interesse em utilizar a internet para distribuir seus serviços. Essa situação me deixou muito curioso em saber o "por quê?" dessas recusas, e já que muitos deles não utilizavam a internet, então quais eram as estratégias de vendas utilizadas? Tentei pesquisar em vários lugares para compreender melhor sobre o assunto, e na maioria dos casos eu encontrava artigos e textos descrevendo a realidade de redes hoteleiras em grandes cidades. Fui insistente em buscar algo que analisasse pequenas pousadas em regiões que apresentassem baixos índices de desenvolvimento socioeconômico, foi nessa persistência que encontrei o conceito de "destino periférico", que logo inseri no pré- projeto que estava escrevendo para a seleção do Mestrado em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí. A oportunidade que tive de estudar na UNIVALI e morar em uma cidade turística como Balneário Camboriú foi extremamente enriquecedor. Ao longo de dois anos, dediquei muitas horas à pesquisa, orientação, leitura e escrita, que resultaram neste trabalho, que apelido carinhosamente de "filho". Ele acabou saindo maior do que eu imaginava, mas reflete o amor que tenho ao abraçar o Turismo como área de desenvolvimento pessoal. Boa leitura!
  8. 8. RESUMO As micro e pequenas empresas tem uma grande importância na geração de emprego e renda no setor do turismo, principalmente em áreas periféricas, as quais enfrentam grandes desafios no seu desenvolvimento socioeconômico. Esse perfil de empresas tem sido objeto de discussão com maior profundidade desde o início da década de 90 pela comunidade acadêmica internacional, a qual apresenta maior interesse na temática de marketing. No entanto, no que se refere ao assunto canais de distribuição a produção científica brasileira tem se dedicado a analisar redes hoteleiras em grandes centros urbanos em detrimento de pequenos negócios, os quais compõem majoritariamente as empresas no setor do turismo. Neste contexto, verifica-se a relevância desta pesquisa no maior aprofundamento na análise das práticas de comercialização e distribuição de micro e pequenos meios de hospedagem em um importante destino de inverno no Brasil. O objetivo principal do trabalho é analisar os canais de distribuição de micro e pequenos meios de hospedagem no destino periférico Urubici/SC. A pesquisa foi realizada na região serrana do estado de Santa Catarina, destino conhecido nacionalmente por seu clima frio, mas que apresenta limitações como produto competitivo. O estudo caracteriza-se por ter abordagem qualitativa e quantitativa. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas pessoais em profundidade com roteiro semiestruturado com 19 empreendedores, de um total de 50 possíveis. Houve a compilação de dados socioeconômicos, infraestruturais e turísticos oficiais, que permitiram enquadra o município de Urubici, como destino periférico no estado de Santa Catarina.Os principais resultados indicam uma estrutura de distribuição simples, com grande destaque para vendas diretas pelos empreendimentos entrevistados. É identificada a existência de fatores internos relativos às características das empresas e externos, relacionados ao destino periférico Urubici, que influenciam direta ou indiretamente na distribuição dos meios de hospedagem componentes da amostra. Palavras-Chave: turismo; meios de hospedagem; micro e pequenas empresas; canais de distribuição; destinos periféricos.
  9. 9. ABSTRACT Micro and small businesses are of great importance for generating employment and income in the tourism sector, especially in peripheral areas, which face serious challenges to socioeconomic development. This company profile has been the object of in-depth discussions among the international academic community since the start of the 1990s, but the interest has been more in the theme of marketing; however, in relation to the subject, the Brazilian scientific literature has been devoted to analyzing hotel chains in large urban areas, to the detriment of small business, which make up the majority of companies in the tourism sector. In this context, the relevance of this in-depth research is seen in the analysis of marketing practices and distribution of micro and small accommodation establishments in a major winter destination in Brazil. The main objective of this research is to analyze the distribution channels in micro and small accommodation establishments in Urubici/SC, a peripheral region in the south of Brazil. A survey was conducted in the mountainous region of the state of Santa Catarina, known nationally for its cold climate, but which presents difficulties in relation to its socioeconomic development. The study uses qualitative and quantitative approaches. The data collection was conducted through personal interviews with a semi-structured script, which was applied to 19 entrepreneurs out of a total of 50 possible respondents. Socio-economic, infrastructure and tourism data were compiled, classifying Urubici as a peripheral destination in the state of Santa Catarina. The results indicate a simple distribution structure, with a focus on direct sales to the businesses interviewed. The existence was identified of relative factors that are internal to the characteristics of the companies, and external factors relating to the peripheral destination of Urubici, which directly or indirectly influence the distribution structure of the accommodation establishments included in the sample. Keywords: tourism; accommodation; micro and small business; distribution channels; peripheral destination.
  10. 10. LISTAS SIGLAS E ABREVIATURAS ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento COMTUR – Conselho Municipal de Turismo DEINFRA - Departamento Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina EC- Comissão Europeia EMBRATUR- Empresa Brasileira de Turismo EPAGRI - Empresa de Pesquisa e Extensão Rural de Santa Catarina FECOMÉRCIO - Federação dos Comerciários de Santa Catarina FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDEB: Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IDH- Índice de Desenvolvimento Humano IFDM- Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal INFRAERO - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária MPE – Micro e Pequena Empresa MTUR- Ministério do Turismo OMT- Organização Mundial do Turismo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento POUSERRA - Associação de Pousadas de Urubici SANTUR - Santa Cataria S/A SDR - Secretaria Regional de Desenvolvimento SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEPLAN - Secretaria do Estado de Coordenação Geral e Planejamento de Santa Catarina SPG - Secretaria de Estado e Planejamento de Santa Catarina TIC’s – Tecnologias da Comunicação e Informação UH’s – Unidades Habitacionais UNIVALI – Universidade do Vale do Itajaí WTTC- World Travel & Tourism Council
  11. 11. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Números e tipos de artigos na literatura internacional sobre MPE em Turismo ....................................................................................................31 Tabela 2: Temas dos artigos publicados no exterior.................................................33 Tabela 3: Definições de MPE utilizadas pelos artigos internacionais........................50 Tabela 4: Setores objetos de estudo.........................................................................53 Tabela 5: Números e tipos de artigos na literatura brasileira sobre MPE em Turismo .................................................................................................................55 Tabela 6: Temas dos artigos publicados no Brasil....................................................55 Tabela 7: Definições de MPE utilizadas pelos artigos brasileiros..............................58 Tabela 8: Setores objetos de estudo.........................................................................59 Tabela 9: Número de unidades habitacionais (UH’s) por quantidade de meios de hospedagem em Urubici.........................................................................106 Tabela 10: Indicadores de abastecimento de água em Urubici, em 2010...............119 Tabela 11: Indicadores municipais de saneamento básico em Urubici, em 2010 ...119 Tabela 12: Índice FIRJAN de desenvolvimento municipal (IFDM) ..........................120 Tabela 13: Evolução populacional de Urubici (milhares e %) .................................121 Tabela 14: Estrutura populacional – Urubici – Censo 2010 ....................................122 Tabela 15: Índices de educação - Urubici e média estadual...................................123 Tabela 16: Participação dos setores econômicos no valor adicionado bruto (VAB) em % - Urubici – Período de 2006 a 2008....................................................124 Tabela 17: Número de empresas estabelecidas em Urubici classificadas por porte e participação relativa – 2011....................................................................125 Tabela 18: Número de empregos gerados em Urubici, segundo o porte e participação relativa – 2011....................................................................126 Tabela 19: Salário de ocupação médio, segundo Urubici, Região Serrana, Santa Catarina e Brasil - 2011..........................................................................127 Tabela 20: Número de empregados segundo os setores econômicos – Urubici – 2007 a 2010 ...........................................................................................128 Tabela 21: Fontes de receitas em milhões de R$ em Urubici, no período de 2006 a 2009 .......................................................................................................130 Tabela 22: Receita orçamentária per capita de Urubici, Região Serrana e Santa Catarina, no período de 2006 a 2009.....................................................131 Tabela 23: Características dos meios de hospedagem investigados (n=19) ..........141 Tabela 24: Número de funcionários contratados e membros da família por meio de hospedagem (n=19) ...............................................................................143 Tabela 25: Características gerais dos respondentes ..............................................158 Tabela 26: Perfil dos clientes dos meios de hospedagem investigados..................165
  12. 12. Tabela 27: Cidades de procedência dos clientes....................................................167 Tabela 28: Faixa etária dos clientes dos meios de hospedagem............................168 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Definições de micro e pequenas empresas no Brasil...............................26 Quadro 2: Características de pequenas empresas no turismo..................................28 Quadro 3: Pesquisas sobre empreendedorismo em MPE de turismo na literatura internacional.............................................................................................35 Quadro 4: Pesquisas sobre recursos humanos em MPE de turismo na literatura internacional.............................................................................................37 Quadro 5: Pesquisas sobre desempenho em MPE de turismo na literatura internacional.............................................................................................40 Quadro 6: Pesquisas sobre marketing em MPE de turismo na literatura internacional .................................................................................................................42 Quadro 7: Pesquisas sobre influências em MPE de turismo na literatura internacional .................................................................................................................44 Quadro 8: Pesquisas sobre gestão empresarial em MPE de turismo na literatura internacional.............................................................................................45 Quadro 9: Pesquisas variadas sobre MPE de turismo na literatura internacional.....47 Quadro 10: Literatura brasileira sobre MPE no turismo ............................................56 Quadro 11: Centro e periferia - Principais diferenças................................................62 Quadro 12: Destinos turísticos periféricos: consequências positivas e negativas em relação às pequenas empresas................................................................72 Quadro 13: Protocolo de pesquisa resumido: caracterização do destino periférico 108 Quadro 14: Protocolo de pesquisa resumido: caracterização dos meios de hospedagem do destino e estratégias de distribuição............................109 Quadro 15: Protocolo de pesquisa resumido: estratégias de distribuição utilizadas pelos meios de hospedagem..................................................................111 Quadro 16: Distância rodoviária do município em relação aos aeroportos catarinenses ...........................................................................................118 Quadro 17: IDH- Municipal – Urubici.......................................................................121 Quadro 18: Distribuição das entrevistas por motivação ..........................................160 Quadro 19: Canais diretos e indiretos utilizados para divulgar seus serviços para clientes ...................................................................................................174 Quadro 20: Procedência das reservas nos meios de hospedagens investigados...176 Quadro 21: Fatores internos e externos que influenciam a estrutura de distribuição dos meios de hospedagem investigados................................................202
  13. 13. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Países com pesquisas sobre MPE em turismo..........................................51 Figura 2: Áreas tradicionais de fluxo turístico e intensificação de novas rotas..........65 Figura 3: Canais de distribuição no turismo ..............................................................79 Figura 4: Canais de distribuição para atrações turísticas culturais em Rotorua e Wellington, Nova Zelândia – Principais segmentos de mercado................91 Figura 5: Dimensões chave para o estudo dos canais de distribuição no turismo em regiões periféricas ......................................................................................94 Figura 6: Etapa 1: Levantamento das informações.................................................103 Figura 7: Total de referências levantadas e consultadas ........................................104 Figura 8: Estrutura de análise das variáveis relacionadas a estrutura de distribuição dos micro e pequenos meios de hospedagem .........................................112 Figura 9: Estradas que fazem ligação com a cidade de Urubici..............................117 Figura 10: Pirâmide etária – Urubici – Censo 2010.................................................122 Figura 11: Vista Panorâmica da Pedra Furada .......................................................135 Figura 12: Estrada que corta a Serra do Corvo Branco ..........................................136 Figura 13: Cascata véu de noiva.............................................................................136 Figura 14: Número de citações de acordo com os motivos de participação em associações..............................................................................................146 Figura 15: Número de citações de acordo de acordo com os motivos de não participarem de associações ....................................................................148 Figura 16: Categorização das motivações empreendedoras dos entrevistados .....160 Figura 17: Cidades de procedência dos clientes.....................................................167 Figura 18: Estrutura de distribuição dos meios de hospedagem entrevistados em relação aos segmentos de clientes nacionais e internacionais ................197 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Evolução da publicação de artigos internacionais sobre MPE no Turismo (1990- 2013).............................................................................................31 Gráfico 2: Evolução da publicação de artigos brasileiros sobre MPE no Turismo (2004- 2013).............................................................................................54 Gráfico 3: Número de ocorrências policiais em Urubici, no período de 2008 a 2012 ...............................................................................................................123 Gráfico 4: Índice FIRJAN de desenvolvimento municipal (IFDM) Urubici - 2005 a 2010 .......................................................................................................129 Gráfico 5: Produto Interno Bruto, e posição de Urubici entre os Municípios do Estado de Santa Catarina...................................................................................131
  14. 14. Gráfico 6: PIB per capita, e posição de Urubici entre os Municípios do Estado de Santa Catarina........................................................................................132 Gráfico 7: Movimento estimado de turistas brasileiros em Urubici..........................137 Gráfico 8: Movimento estimado de turistas brasileiros no Estado de Santa Catarina ...............................................................................................................138 Gráfico 9: Participação em associações no setor do turismo..................................145 Gráfico 10: Principais dificuldades que os meios de hospedagem da amostra enfrentam em Urubici .............................................................................152 Gráfico 11: Perfil dos clientes dos meios de hospedagem investigados (%) ..........165 Gráfico 12: Relação entre idade dos entrevistados e a utilização de site oficial .....181 Gráfico 13: Relação entre idade dos entrevistados e a utilização de redes socais.183
  15. 15. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................18 1.1. Contextualização do tema..............................................................................18 1.2 Objetivos .........................................................................................................21 1.2.1 Objetivo geral ............................................................................................21 1.2.2 Objetivos específicos ................................................................................21 1.3 Justificativa......................................................................................................22 1.4. Estrutura do trabalho......................................................................................23 2 REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................25 2.1. Micro e pequenas empresas no turismo .......................................................25 2.1.1 Conceito de micro e pequena empresa.....................................................25 2.1.2 Evolução da literatura internacional sobre MPE no turismo......................30 2.1.2.1 Empreendedorismo.............................................................................35 2.1.2.2 Recursos humanos.............................................................................37 2.1.2.3 Desempenho de MPE.........................................................................39 2.1.2.4 Marketing............................................................................................41 2.1.2.5 Influências em MPE............................................................................44 2.1.2.6 Gestão empresarial.............................................................................45 2.1.2.7 Temas variados ..................................................................................47 2.1.3 Evolução da literatura brasileira sobre MPE no turismo............................54 2.2 Destinos periféricos no turismo.......................................................................60 2.2.1 Conceito de centro e periferia no turismo..................................................60 2.2.2 Pequenas empresas em destinos periféricos............................................71 2.3 Canais de distribuição no turismo ...................................................................76 2.3.1 Conceito de canais de distribuição no turismo..........................................76 2.3.2 Impacto das tecnologias da comunicação e informação na distribuição no turismo .......................................................................................81 2.3.3 Produção científica sobre canais de distribuição no turismo.....................84 2.3.4 Distribuição de MPE em destinos periféricos............................................93 3. METODOLOGIA .................................................................................................101 3.1 Abordagem e caracterização da pesquisa ....................................................101 3.2 Etapa 1: Levantamento das informações......................................................101 3.3 Etapa 2: População, amostra e instrumento da pesquisa .............................105 3.3.1 População e amostra ..............................................................................105 3.3.2 Instrumento da pesquisa.........................................................................107 3.4 Etapa 3: Técnica de coleta, análise e interpretação dos dados ....................112
  16. 16. 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS....................................................116 4.1 Caracterização geral do objeto de estudo: destino periférico Urubici ...........116 4.1.1 Aspectos geográficos e infraestrutura.....................................................116 4.1.2 Aspectos sociais......................................................................................119 4.1.3 Aspectos econômicos .............................................................................123 4.1.4 Aspectos turísticos ..................................................................................133 4.2 Caracterização dos meios de hospedagem pertencentes à amostra............140 4.2.1 Recursos humanos .................................................................................142 4.2.2 Redes e cooperação ...............................................................................144 4.2.3 Tecnologias da comunicação e informação ............................................148 4.2.4 Relação com o destino periférico ............................................................151 4.3 Caracterização dos gestores entrevistados ..................................................157 4.3.1 Motivações dos empreendedores ...........................................................159 4.3.1.1Econômica.........................................................................................161 4.3.1.2 Estilo de vida.....................................................................................162 4.3.2 Importância financeira do negócio...........................................................164 4.4 Estrutura de distribuição dos meios de hospedagem pertencentes à amostra ............................................................................................................................164 4.4.1 Perfil e fluxo de clientes ..........................................................................165 4.4.1.1 Alta temporada..................................................................................169 4.4.1.2 Baixa temporada...............................................................................171 4.4.1.3 Dias úteis, finais de semana e feriados ............................................172 4.4.2 Canais diretos e indiretos de distribuição................................................173 4.4.2.1 Canais diretos de distribuição ..............................................................178 4.4.2.1.1 Anúncios em jornais, revistas e outdoors ......................................178 4.4.2.1.2 Folhetos distribuídos em diferentes locais .....................................180 4.4.2.1.3 Site oficial ......................................................................................180 4.4.2.1.4 Site de parceiros............................................................................182 4.4.2.1.5 Redes sociais.................................................................................182 4.4.2.1.6 Boca a boca...................................................................................183 4.4.2.2 Canais indiretos de distribuição ...........................................................184 4.4.2.2.1 Agência tradicional e operadores de turismo.................................185 4.4.2.2.2 Agências de viagens online ...........................................................188 4.4.2.2.3 Compras coletivas .........................................................................190 4.4.2.2.4 Organizadores de excursões .........................................................191 5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS.....................................................................193
  17. 17. 5.1 Estrutura de distribuição de micro e pequenos meios de hospedagem no destino periférico Urubici, SC..............................................................................193 5.2 Recomendações aos empreendedores e ao destino Urubici........................203 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................206 REFERÊNCIAS.......................................................................................................209 APÊNDICE A – Roteiro de entrevistas....................................................................233 APÊNDICE B – Carta de apresentação da pesquisa..............................................238 APÊNDICE C – Termo de consentimento livre e esclarecido .................................239 APÊNDICE D – Protocolo da pesquisa – Caracterização do destino periférico......240 APÊNDICE E – Protocolo da pesquisa – Caracterização dos meios de hospedagem do destino ......................................................................................242 APÊNDICE F – Protocolo da pesquisa – Caracterização dos canais de distribuição .......................................................................................................246 APÊNDICE G- Mapa mental – Literatura internacional sobre micro e pequenas empresas .......................................................................................250 APÊNDICE H – Mapa mental – Literatura brasileira sobre Micro e Pequenas Empresas.......................................................................................251 APÊNDICE I – Mapa mental – Literatura sobre destinos periféricos.......................252 APÊNDICE J – Mapa mental – Literatura internacional sobre canais de distribuição .......................................................................................................253 APÊNDICE K – Mapa mental – Literatura brasileira sobre canais de distribuição ..254 ANEXO A – Lista consolidada de meios de hospedagem de Urubici......................255 ANEXO B - Ranking das Secretarias de Desenvolvimento Regionais (SDR) conforme seu PIB per capita – Estado de Santa Catarina – 2008 .......................257
  18. 18. 18 1 INTRODUÇÃO 1.1. Contextualização do tema As micro e pequenas empresas (MPE) têm constituído um assunto cada vez mais frequente nos debates em diferentes esferas da sociedade no Brasil. Esse protagonismo tem aumentado devido a criação do Ministério das Micro e Pequenas Empresas em março de 2013 e o maior fortalecimento e desenvolvimento do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em todos os estados brasileiros. A regulamentação das MPE no país é recente, sendo um marco a promulgação da Lei Complementar nº 123/06, que institui o “Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte” (BRASIL, 2006), que confere um tratamento diferenciado aos pequenos negócios, na busca de dar a eles condições mais justas de competição no mercado. Após esse fato, surgiram muitas iniciativas públicas e privadas a favor dessas empresas. No setor do turismo, por exemplo, se destaca o programa “Pequenos & Notáveis”, uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e o SEBRAE em 2011, que visou aumentar a qualificação e competitividade de pequenos meios de hospedagem em diversas regiões do Brasil. As pequenas empresas são importantes agentes na transformação política e socioeconômica de uma nação (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010). Os números podem justificar a atenção especial dada às MPE, pois cerca de 99% do total de empresas em atividades no Brasil são classificadas como de micro ou pequeno porte. Elas empregam formalmente 51,6% dos brasileiros e têm participação em torno de 40% da massa salarial nacional e 12,7% do PIB do país (SEBRAE, 2012). No setor do turismo, as estatísticas mais recentes apontam que as MPE representam aproximadamente 97,2% do total de empresas do setor no Brasil (IBGE, 2007), sendo que o segmento de meios de hospedagem é formado em 90% por micro e pequenas empresas (EMBRATUR, 2006). A importância atribuída às MPE está na sua ramificação em diferentes localidades, principalmente nos destinos mais afastados de grandes centros urbanos. Elas contribuem para a geração de empregos, especialmente em tempos de recessão, além de incentivar na inovação e no empreendedorismo, fomentando
  19. 19. 19 assim, o desenvolvimento econômico local e a competição de mercado (SMITH, 2006a; TINSLEY; LYNCH, 2001). O desenvolvimento das MPE no turismo tem sido acompanhado com maior atenção pela comunidade científica internacional e brasileira ao longo das últimas duas décadas. No entanto, importantes revisões teóricas atestam que as pesquisas sobre este tema não tem se desenvolvido aos passos da importância do assunto para o setor. Ainda persiste um engajamento limitado por parte da comunidade científica em empreender estudos sobre MPE em comparação com outros temas mais recorrentes no turismo (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; PAGE; FORER; LAWTON, 1999; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). A literatura sobre MPE no turismo revela algumas características especificas que as diferenciam de seus homólogos de maior porte. Contudo ainda permanece a necessidade de maior aprofundamento teórico sobre as especificidades dos setores e a relação com as características das diferentes localidades estudadas. Isso possibilitaria uma maior conexão entre os resultados empíricos e teóricos existentes, que ofereceriam subsídios mais aprofundados para o debate quanto à conceituação das MPE no turismo (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). O tema de marketing é o que possui maior número de trabalhos na literatura internacional. Muitos deles discutem a influencia que o avanço do desenvolvimento tecnológico proporcionou, principalmente, aos meios de hospedagem, tornando-os mais independentes no processo de distribuição de seu produto. Porém a literatura aponta que o uso de estratégias de distribuição e captação de clientes varia conforme as características do empreendimento e da localidade. A grande maioria das pesquisas sobre MPE e canais de distribuição analisa a realidade de grandes centros urbanos, em detrimento de regiões periféricas, que se caracterizam por serem áreas mais rurais com baixos indicadores socioeconômicos, que representam grandes desafios para a sobrevivência das empresas nessas localidades. É comum às regiões periféricas a forte sazonalidade, o baixo fluxo de informações e estrutura empresarial pouco inovativa (IOANNIDES; PETERSEN, 2003). Esses locais também apresentam restritas perspectivas de emprego e baixas remunerações, o que dificulta atrair profissionais qualificados (LOVELOCK; BOYD, 2006). Outra característica destacada pela literatura é o fato de áreas periféricas
  20. 20. 20 possuírem uma economia marginalizada, que são comumente ligadas a falta de recursos ou ao declínio de segmentos tradicionais como agricultura, pesca ou extrativismo. Em muitos casos o turismo representa uma das poucas alternativas econômicas possíveis de reverter esse estágio de declínio e incentivar a entrada de investimentos e recursos externos, além da promoção do empreendedorismo e da geração de emprego no local (BROWN; HALL, 2000). O estado de Santa Catarina se destaca no turismo nacional como o sexto maior receptor de visitantes no país (BRASIL, 2012). A oferta turística do estado é diversificada apresentando produtos ligados ao seu litoral, região interiorana, gastronomia, negócios, festas e cultura, que atraem anualmente um fluxo composto por 95% de turistas nacionais e 5% de origem internacional, destacando-se os visitantes do próprio estado, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo e internacional da Argentina (WTTC, 2009). O estado de Santa Catarina conta com três regiões consideradas pelo Ministério do Turismo como destinos indutores do turismo, além das localidades de sol e praia, caracterizadas por Florianópolis e Balneário Camboriú, a região serrana representada pela cidade de São Joaquim também é uma das localidades escolhidas (BRASIL, 2013). Dentre essas três regiões prioritárias para o desenvolvimento do turismo no estado de Santa Catarina, a Serra Catarinense é a que se enquadra como região periférica. Nela encontra-se a Secretaria Regional de Desenvolvimento de São Joaquim (SDR), que além de apresentar o maior número de municípios com os mais baixos índices socioeconômicos do estado, também possui atributos comuns a destinos periféricos como natureza intacta, belas paisagens e estilo tradicional. A SDR- São Joaquim compreende as cidades de Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, São Joaquim, Urubici e Urupema, que apresentam infraestrutura deficiente, além de baixos níveis de vitalidade econômica, com atividades fortemente ligadas à agropecuária e, em menor escala, ao comércio local. Os fortes problemas socioeconômicos desta região suscitaram ao longo da última década a elaboração de projetos de planejamento do desenvolvimento da localidade elaborados por diversas entidades (PNUD, 2004; SANTA CATARINA, 2013; UNIVALI, 2009), todos eles destacam a atividade turística como importante impulsionadora econômica da SDR- São Joaquim. Isso porque a região apresenta forte vocação turística devido ao seu ambiente rural e belezas naturais ímpares, com
  21. 21. 21 um relevo que torna o território diferenciado em relação às outras regiões do Estado e do país. Na localidade é presente as quatro estações bem definidas, e o seu ponto alto é o frio do inverno, podendo ocasionalmente ocorrer um raro fenômeno em país tropical, a neve. Dentre as cidades que compõe a Serra Catarinense, Urubici é a que possui o maior número de atrativos turísticos e maior quantidade de estabelecimentos de hospedagem, por isso a escolha do local como objeto de estudo desta pesquisa. Esse contexto faz emergir uma série de perguntas: Quais as práticas de distribuição utilizadas pelos meios de hospedagem da cidade? As características do porte das empresas e perfil dos empreendedores influenciam na escolha desses canais? Os aspectos de perifericidade da cidade de Urubici impactam nas empresas? O conjunto desses questionamentos fez surgir a pergunta que guia a investigação: Como a estrutura de distribuição em micro e pequenos meios de hospedagem no destino periférico de Urubici está constituída? 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Analisar os canais de distribuição de micro e pequenos meios de hospedagem no destino periférico de Urubici/SC. 1.2.2 Objetivos específicos 1) Identificar as características do destino periférico; 2) Caracterizar os meios de hospedagem no destino periférico Urubici; 3) Delimitar as estratégias de distribuição utilizadas pelos meios de hospedagem; 4) Analisar os principais fatores do ambiente interno e externo das empresas, que influenciam a estrutura de canais de distribuição.
  22. 22. 22 1.3 Justificativa A escolha do tema, assim como dos objetivos deste estudo, esta de acordo com o importante trabalho de Thomas, Shaw e Page (2011), que destacam a necessidade de quebra de um paradigma nas pesquisas sobre MPE no turismo. Os autores argumentam que as empresas devem deixar de serem vistas de forma isolada, e sim como parte de um contexto mais amplo. Essa afirmação complementa-se com o exposto por Stuart, Pearce e Weaver (2005), que apontam que os atributos regionais possuem impacto em uma análise mais eficiente dos canais de distribuição de um setor. Principalmente, devido às escolhas das empresas serem fortemente influenciadas por fatores relacionados às limitações causadas pelo seu porte e características do negócio, assim como pela localidade na qual ela está inserida. Embora as tendências atuais de políticas públicas estejam cada vez mais a favor de pequenas empresas, muito ainda permanece desconhecido sobre o tema, principalmente envolvendo destinos periféricos, que segundo Morrison e Conway (2007) são mercados economicamente restritos, com forte sazonalidade e com potencial de crescimento limitado, o que influencia em um desempenho de rentabilidade marginal de suas empresas. A literatura brasileira sobre canais de distribuição é composta, em sua maioria, por estudos que enfocam grandes cadeias hoteleiras em centros urbanos (ZAGHENI; LUNA, 2011). Por isso o conhecimento da estrutura de distribuição de pequenos meios de hospedagem em um destino periférico de inverno no Brasil, contribuirá para o enriquecimento da discussão sobre o tema na comunidade científica brasileira, além de servir de referência para projetos de iniciativa do poder público e privado. É muito comum que altos investimentos sejam direcionados para a promoção de empresas ou destinos turísticos sem uma eficaz estratégia de distribuição (WILLIAMS; PALMER, 1999). Nesse sentido, para que ocorra um efetivo aumento de turistas deve-se dar maior atenção na implantação de canais de distribuição direcionados aos segmentos dispostos a visitar os locais (STUART; PEARCE; WEAVER, 2005). O resultado servirá de subsídio para políticas públicas e profissionalização do setor de meios de hospedagem, fomentando uma visão mais ampla do processo
  23. 23. 23 atual de distribuição utilizado pelos hoteleiros no destino estudado. Este trabalho virá em momento propício, pois no mês de junho de 2013 foi oficializada a entrega do plano de turismo mais recente, junto com o anúncio de um pacote de projetos para o desenvolvimento do turismo na cidade de Urubici no período de 2013 a 2023. Dentre as obras e ações anunciadas destacam-se a construção de um receptivo turístico de visitantes no Parque Nacional de São Joaquim; portal turístico; a reforma da secretaria de turismo; cursos de capacitação; e implantação de placas de sinalização na cidade (DC, 2013). Pela perspectiva acadêmica, este estudo contribui para a pesquisa sobre canais de distribuição de um modo mais abrangente, por meio da ampla análise do estado da arte sobre MPE e pelo pioneirismo ao abordar na literatura brasileira em turismo o conceito de destino periférico, cuja utilização já é amplamente difundida no exterior. Dessa forma, a investigação apresenta-se como relevante, tanto na perspectiva acadêmica quanto na profissional. 1.4. Estrutura do trabalho A estrutura deste trabalho é constituída por seis capítulos, além das referências consultadas e dos apêndices e anexos. O primeiro capítulo apresenta a introdução do tema em estudo, através de sua contextualização, e por meio do problema de pesquisa, dos objetivos, da justificativa e da estrutura do trabalho. No capítulo dois consta a revisão de literatura, dividida em três subcapítulos sendo que o primeiro aborda tanto a complexidade que envolve as micro e pequenas empresas no turismo, como as definições de MPE no Brasil e no exterior, além do impacto deste porte de empresas no ambiente socioeconômico e do setor do turismo. Neste sentido discute-se o avanço da produção científica ao longo das décadas de 1990 e 2000, referenciando os principais trabalhos brasileiros e internacionais sobre o tema. Em seguida, nesse mesmo capítulo dois são destacados os trabalhos que abordam o tema destinos periféricos no turismo, com referência à conceituação deste tema e sua relação com o turismo. A partir da literatura existente são discutidas as principais características econômicas, sociais, ambientais e turísticas de áreas periféricas, com enfoque final nas influências desses destinos nas MPE. Os canais de distribuição é o tema que encerra esse segundo capítulo com a discussão das definições de distribuição existentes, assim como os trabalhos
  24. 24. 24 produzidos em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Também dá-se destaque para a evolução e o impacto das tecnologias da comunicação e informação no processo de distribuição e captação de clientes no turismo. O capítulo três aborda a metodologia da pesquisa, que indica a abordagem do estudo, os procedimentos de levantamento de informações, bem como o processo de coleta, análise e interpretação dos dados. O quarto capítulo apresenta os dados coletados, com destaque para a caracterização da cidade de Urubici como destino periférico no estado de Santa Catarina, e as particularidades dos empreendedores, meios de hospedagens e estrutura de distribuição da amostra desta pesquisa. No quinto capítulo ocorre a discussão dos dados levantados na coleta de dados em relação com a revisão de literatura, apresentando assim, semelhanças e diferenças entre as pesquisas realizadas. Também é apresentado sugestões e recomendações que podem interessar aos meios de hospedagem participantes da amostra desse estudo, assim como para o poder público. O sexto e último capítulo focaliza as considerações finais, com destaque para as principais contribuições desta pesquisa e sugestões de novos temas para futuros estudos.
  25. 25. 25 2 REVISÃO DE LITERATURA Com o objetivo de referenciar os principais estudos sobre o tema central a ser pesquisado, este capítulo é estruturado em três partes. Inicialmente aborda-se o tema micro e pequenas empresas no turismo (MPE), apresentando a reflexão atual sobre a conceituação de MPE, o estado da arte sobre o assunto na literatura internacional e brasileira com ênfase nos estudos considerados mais relevantes. Em seguida serão apresentados os trabalhos que discutem os conceitos e as características de destinos periféricos no turismo, além de sua relação com as MPE. O capítulo finaliza com as principais pesquisas sobre canais de distribuição no turismo, destacando o impacto das tecnologias da comunicação e informação, e a discussão envolvendo os canais de distribuição em MPE em destinos periféricos. 2.1. Micro e pequenas empresas no turismo 2.1.1 Conceito de micro e pequena empresa Não existe uma definição internacional que seja aceita em comum acordo do que sejam micro e pequenas empresas (MPE). Verifica-se que os países adotam diferentes critérios, que variam conforme o número de funcionários, receita anual, capital de giro entre outros. Essas especificidades alteram-se de acordo com a finalidade de sua utilização, que pode originar-se de interesses específicos como legislação, financiamentos, estudos econômicos e demográficos. A Comissão Europeia, por exemplo, define micro e pequenas empresas pela junção do número de funcionários e a receita anual. Sendo que a primeira deve ter menos de 10 funcionários e contar com uma receita de até 2 milhões de euros, e a segunda ter menos de 50 funcionários e uma receita de 10 milhões de euros (EC, 2003). A Austrália, por outro lado define microempresas, como aquelas que possuem até 4 funcionários, e as de pequeno porte as que possuem até 19 funcionários (AUSTRALIA, 2011). No Brasil, há pelo menos três definições que são utilizadas para delimitar o que são micro e pequenas empresas. A referência mais usada em assuntos legais é
  26. 26. 26 a Lei 123/061 que trata do “Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte”, que utiliza a receita bruta anual para o enquadramento da empresa (BRASIL, 2006). O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) utiliza-se de critério semelhante, porém com valores notavelmente superiores, cabendo à empresa enquadrar-se para que sejam concedidas linhas de financiamento específicas de acordo com seu porte (BNDES, 2012). Dentre os critérios existentes, o que mais se aproxima do usualmente utilizado no exterior e em pesquisas acadêmicas é a definição do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) que enquadra as empresas conforme o número de funcionários. No Brasil esse valor altera-se conforme o segmento da empresa, a qual pode pertencer ao setor industrial & construção civil ou setor de serviços. A utilização deste critério é justificada pelo próprio órgão, como meio mais fácil para obtenção de dados e elaboração de estatísticas (SEBRAE, 2007). As especificações de cada um dos critérios utilizados no Brasil encontram-se no quadro 1, o qual evidencia a diversidade de definições existentes no país. Essas diferenças vêm reforçar a função dos objetivos e interesses específicos de cada instituição e lei, que utilizam de classificação própria, sem grandes conexões entre si. Quadro 1: Definições de micro e pequenas empresas no Brasil Critério Microempresa Pequena empresa Lei 123/06 Receita Bruta Anual Igual ou inferior a R$ 360 mil R$ 360 mil a R$ 3,6 milhões BNDES Receita Bruta Anual Até 2,4 milhões Acima de 2,4 milhões até 16 milhões SEBRAE Indústria e construção Número de funcionários Até 19 20 a 99 SEBRAE Comércio e serviços Número de funcionários Até 09 10 a 49 Fonte: Adaptado de Brasil (2006), BNDES (2012), SEBRAE (2012). 1 No ano de 2011 foi aprovada a lei complementar 139/2011, que institui a figura do “micro empreendedor individual” (MEI), que trata do pequeno empresário que trabalha por conta própria. Para ser um microempreendedor individual, é necessário faturar no máximo até R$ 60.000,00 por ano e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular.
  27. 27. 27 A existência de um enquadramento específico de micro e pequenas empresas demonstra as conjunturas empresariais existentes nos países. Isso de certa forma representa o reconhecimento do tratamento diferenciado entre os portes de empresas, o que acaba refletindo na maioria dos casos, na oferta de prioridades, benefícios e incentivos fiscais para empresas menores. Contudo essa variedade de definições tanto no Brasil quanto no exterior é vista por muitos autores como genéricas, uma vez que elas não evidenciam as especificidades dos diferentes setores econômicos, deixando de conhecer a realidade vivenciada por essas empresas, o que dificulta na proposição de políticas públicas efetivas que atendam aos interesses de cada setor. Outra dificuldade existente é a elaboração de estatísticas confiáveis que mensurem o impacto destas empresas na economia. As diferentes definições também prejudicam na realização de estudos comparativos entre regiões e países (MORRISON; CONWAY, 2007; MORRISON, 1998b; PAGE; FORER; LAWTON, 1999; THOMAS, 2000). É muito comum que pesquisadores adotem definições de órgãos oficiais em seus trabalhos, no entanto Morrison, Carlson e Weber (2010) acreditam que essa simples adoção, não oferecerá uma contribuição significativa para o conhecimento. Os autores defendem que junto a essa escolha deva ser feita uma fundamentação que justifique a utilização dessa classificação. Também devem ser apresentados os contextos socioeconômicos da realidade investigada. Essa opinião entra em acordo com o importante debate da necessidade de analisar a complexidade que envolve as MPE no turismo, as quais segundo Morrison (1998b) e Thomas (2000) precisam ser definidas de um modo mais analítico, que permita inferir sobre suas diferenças em relação às empresas maiores do mesmo setor ou de outros setores econômicos. A década de 1990 é marcada pela existência de alguns estudos que apontam a necessidade de analisar as MPE no turismo em uma categoria distinta dos demais setores econômicos e portes de empresas, porém essas publicações pouco contribuíram para o avanço teórico no tema (PAGE; FORER; LAWTON, 1999). Na década seguinte houve um progresso esporádico de pesquisas, porém com limitadas contribuições teóricas e frágeis relações entre si (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). A visão da evolução da produção científica sobre este tema é muito bem apresentada na revisão teórica de Thomas, Shaw e Page (2011) que expressam a
  28. 28. 28 necessidade de que as futuras pesquisas sobre MPE no turismo apresentem uma analise mais holística. Segundo o estudo, o tema ainda permanece subteorizado, necessitando de uma quebra de paradigma na literatura, que deve deixar de ver essas empresas de forma isolada, e sim como parte de um contexto maior. Nesta perspectiva, o trabalho de Morrison e Conway (2007) merece evidência, já que é um dos poucos estudos que propõe uma lista de características quantitativas e qualitativas consideradas por elas como essenciais para definir uma pequena empresa no turismo. No quadro 2 são apresentadas as variáveis utilizadas pelas autoras, que categorizam as empresas conforme suas informações econômicas, sociais e do setor no qual elas estão inseridas. Quadro 2: Características de pequenas empresas no turismo Quantitativas Qualitativas Número de funcionários e membros da família Orientação do negócio e motivação Instalações físicas e serviços oferecidos Estilo de gestão e estrutura Investimentos financeiros e estatísticos Configuração da propriedade Market Share e nível de operação Orientação e comprometimento com o atendimento Retorno econômico Retorno social Fonte: Morrison e Conway (2007, p. 49) A sugestão destes indicadores mostra a importância de analisar de forma mais analítica as distinções entre MPE e seus homólogos de maior porte. Infelizmente, essa proposta não fomentou discussões e estudos posteriores, permanecendo a necessidade de validação e maior aprofundamento teórico e empírico (THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). Apesar de serem escassos os estudos que analisam de forma mais abrangente o posicionamento de MPE no turismo, trabalhos sobre motivações empreendedoras (ELLIOTT; BOSHOFF, 2007; GOULDING; BAUM; MORRISON, 2004; IOANNIDES; PETERSEN, 2003; LASHLEY; ROWSON, 2010; MORRISON; TEIXEIRA, 2004; MORRISON, 2006; MOTTIAR; TUCKER, 2007) e empresas familiares (GETZ; CARLSEN, 2005; GETZ; PETERSEN, 2005; PETERS; BUHALIS,
  29. 29. 29 2004), têm oferecido uma luz para o entendimento das distinções e características das MPE no turismo. A influência dos valores pessoais dos proprietários na tomada de decisões e gestão do empreendimento, principalmente quando se trata de empresas familiares, tem sido apontada por alguns autores (ATELJEVIC; DOORNE, 2004; ELLIOTT; BOSHOFF, 2007) como a principal diferença entre MPE e grandes empresas no turismo. Um exemplo da influência do estilo de vida na gestão do negócio é mostrado no trabalho de Gouding, Baum e Morrison (2004), que verificam que muitos meios de hospedagem localizados em regiões periféricas da Escócia fechavam durante alguns períodos do ano devido à necessidade de férias e de momentos de descanso de seus proprietários. Isso representa um conflito entre os interesses pessoais dos empreendedores, e dos gestores do destino que buscam atrair turistas durante o ano todo. Empresas que proveem aos seus proprietários um rendimento aceitável aliado ao nível de conforto no desempenho das funções do dia-a-dia tem ganhado destaque na literatura internacional com o termo “lifestyle business”. Essa nomenclatura possui tradução aproximada para o português como “negócios em estilo de vida”, e tem sido empregada para caracterizar empreendedores que não possuem predominância de motivações financeiras na gestão de seu negócio (LASHLEY; ROWSON, 2010). O sucesso para esses proprietários são baseados nos objetivos de qualidade de vida e em seus valores pessoais (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010). Essa realidade de negócio é apresentada por muitos autores como comum no setor do turismo, que possui empreendedores que ao se aposentarem decidem abrir um meio de hospedagem ou restaurante, por exemplo, em busca de uma melhor qualidade de vida, contato com outras pessoas ou uma renda extra (LASHLEY; ROWSON, 2010). A importância das motivações de estilo de vida como forma de distinção das MPE no turismo é reconhecida, porém o assunto requer maior aprofundamento teórico, além de pesquisas empíricas enfocando diferentes setores e realidades no turismo (THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). A heterogeneidade das empresas e de seus proprietários, além das características regionais apresentam desafios na busca por uma definição. No
  30. 30. 30 entanto, a literatura mostra que apenas utilizar-se de uma categorização pré-definida como quantidade de funcionários ou receita anual, é algo limitado, e que não expressa às especificidades das realidades investigadas. Por conta disso, para aprofundar a discussão sobre definições de MPE no turismo, os pesquisadores devem apresentar as realidades estudadas, de modo a oferecer subsídios para uma ampla análise do ambiente interno e externo, nos quais essas empresas estão inseridas. 2.1.2 Evolução da literatura internacional sobre MPE no turismo A pesquisa científica sobre pequenas empresas no turismo não desenvolveu- se aos passos de sua importância para o setor. Ainda persiste um engajamento limitado por parte da comunidade científica em empreender estudos sobre este tema (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; PAGE; FORER; LAWTON, 1999; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). O número de publicações sobre MPE no turismo nas últimas duas décadas apresentou um avanço quantitativo, contudo seu desenvolvimento tem sido mais lento (THOMAS; SHAW; PAGE, 2011), e operando na periferia em comparação com outras temáticas no turismo e hospitalidade (MORRISON; CONWAY, 2007). Ao todo, entre 1990 a 2013, foram identificados 163 artigos publicados em periódicos internacionais na língua inglesa que tratam de forma mais aprofundada o tema MPE no turismo. A evolução da literatura é tímida ao longo da década de 1990, porém com acentuados avanços, seguidos de decréscimos na década de 2000 (gráfico 1).
  31. 31. Gráfico 1: Evolução da publicação de artigos internacionais Fonte: Elaboração do autor ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO Ao longo do período analisado ocorre uma evolução irregular, com aumento no número de publicação em determinados anos acentuadas nos anos posteriores. Por exemplo, em 2011 é o ano crescimento totalizando 19 artigos, porém para 7, e em 2013 volta a subir para15. Os artigos publicados durante o período estabelecido conforme seu caráter empírico ou Estudos empíricos são classificados como aqueles que in dado com análises estatísticas ou qualitativas se a desenvolver ou elaborar um traçar conclusões sobre o fenômeno estudado Tabela 1: Números e tipos de artigos na literatura internacional sobre MPE em Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 Evolução da publicação de artigos internacionais sobre MPE no Turismo (1990- 2013) Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Ao longo do período analisado ocorre uma evolução irregular, com aumento no número de publicação em determinados anos, seguidas de diminuições nos posteriores. Por exemplo, em 2011 é o ano crescimento totalizando 19 artigos, porém em 2012 o número e em 2013 volta a subir para15. publicados durante o período estabelecido seu caráter empírico ou teórico, tabela 1. Estudos empíricos são classificados como aqueles que incluem algum tipo de lises estatísticas ou qualitativas, enquanto ensaios desenvolver ou elaborar uma análise geral de forma mais aprofundada traçar conclusões sobre o fenômeno estudado (VEAL, 2011). Números e tipos de artigos na literatura internacional sobre MPE em Turismo Ano Artigos empíricos Ensaio teórico Total 1990 - - - 1991 - - - 1992 - - - 1993 1 1 2 1994 - 2 2 1995 1 - 1 31 sobre MPE no Turismo a partir das bases de dados consultadas: Ao longo do período analisado ocorre uma evolução irregular, com um grande , seguidas de diminuições nos posteriores. Por exemplo, em 2011 é o ano com maior número de publicações cai foram classificados cluem algum tipo de ensaios teóricos propõem- mais aprofundada visando Números e tipos de artigos na literatura internacional sobre MPE em
  32. 32. 32 Ano Artigos empíricos Ensaio teórico Total 1996 4 1 5 1997 2 - 2 1998 3 1 4 1999 3 - 3 2000 7 - 7 2001 8 - 8 2002 4 1 5 2003 6 - 6 2004 8 1 9 2005 13 3 16 2006 7 1 8 2007 10 2 12 2008 9 1 10 2009 13 1 14 2010 7 1 8 2011 17 2 19 2012 7 - 7 2013 15 - 15 TOTAL 145 18 163 Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Do total de 163 artigos encontrados, 145 são pesquisas empíricas, enquanto apenas 18 são teóricas. Na década de 1990, a publicação de artigos de caráter teórico foi esporádica e dispersa, enquanto que na década seguinte a incidência desses artigos foi mais contínua, apesar do pequeno número. Esse resultado está de acordo com as principais revisões bibliográficas, que apontam que o assunto sobre MPE no turismo ainda permanece subteorizado e com poucas pesquisas que propõe uma abordagem mais holística. A conclusão destes trabalhos é que a literatura é rica em fatos e dados empíricos, porém pobre em teoria (GETZ; CARLSEN, 2005; MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). A falta de dados primários sobre a situação de pequenas empresas no turismo, além da existência de uma literatura fortemente descritiva e baseada em estudos de caso são apontados por Page, Forer e Lawton (1999) como fatores que refletem na falta de desenvolvimento de uma base teórica e empírica mais densa na área. Outro fator limitante destacado é a existência de muitos estudos que se baseiam em dados locais, dificultando assim, que inferências e analises comparativas de maior abrangência sejam feitas.
  33. 33. 33 Outro motivo apontado pela falta de um corpo teórico mais aprofundado decorre da grande variedade de temas abordados, que representam iniciativas muitas vezes isoladas e com poucas pesquisas sobre o assunto (THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). Apesar de algumas áreas apresentarem maiores desenvolvimentos quanto às discussões, Morrison, Carlsen e Weber (2010) afirmam que ainda é necessário um quadro teórico que conecte esses trabalhos, que se apresentam em muitos casos dispersos, necessitando de uma maior consistência quanto as suas afirmações. Em relação aos temas centrais dos artigos internacionais (tabela 2), algumas áreas apresentam maior concentração de pesquisas, enquanto outras possuem um pequeno corpo teórico ou em determinados casos, pesquisas com temáticas em estagio inicial de investigação no turismo. Tabela 2: Temas dos artigos publicados no exterior Tema Nº de Artigos % Competitividade 3 1,8 Desempenho da empresa 15 9,2 Desenvolvimento Econômico 6 3,7 Empreendedorismo 18 11,0 Ensaio Teórico 7 4,3 Estrutura Organizacional 2 1,2 Ética 1 0,6 Gestão Empresarial 11 6,7 Influências na Empresa 10 6,1 Inovação 5 3,1 Internacionalização 1 0,6 Marketing 40 24,5 Políticas Públicas 5 3,1 Recursos Humanos 19 11,7 Redes de Cooperação 8 4,9 Sustentabilidade Ambiental 12 7,4 TOTAL 163 100,0 Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013).
  34. 34. 34 Dentre as áreas mais estabelecidas, encontra-se o marketing com uma participação de 24,5% no total de pesquisas sobre MPE. Em seguida destacam-se pesquisas sobre recursos humanos e empreendedorismo, respectivamente com 11,7% e 11%, e desempenho de pequenas empresas, com 9,2%. Esses temas podem ser classificados como áreas de estudo estabelecidas no turismo, pois se mostram as mais produtivas, com maior envolvimento de pesquisadores, apesar de precisarem de maior incremento teórico (THOMAS; SHAW; PAGE, 2011). Por outro lado, gestão empresarial (6,7%), influências internas e externas às MPE (6,1%), e redes de cooperação (4,9%) representam temas emergentes. Essas são pesquisas limitadas, mas com dados empíricos que podem fomentar o desenvolvimento de novos estudos, que venham a incrementar essas analises. Outros temas receberam um pequeno foco de atenção, entre eles destacam-se: internacionalização (0,6%), ética (0,6%), estrutura organizacional (1,2%) e competitividade (1,8%). Apesar de representarem estudos isolados, eles sugerem a perspectiva do surgimento de áreas de pesquisas em estágio inicial. A seguir são apresentados os quadros de 3 a 11 contendo todos os estudos identificados na pesquisa bibliográfica sobre micro e pequenas empresas no turismo. Os trabalhos foram separados de acordo com seus temas centrais e subtemas. Isso possibilita uma melhor compreensão das principais áreas com pesquisas já realizadas. Também são destacados os estudos considerados mais significativos com os principais debates e contribuições para o melhor entendimento das micro e pequenas empresas no turismo. Apesar da literatura ser apresentada como dispersa e com pouco diálogo entre si (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011), nota-se a existência de algumas relações envolvendo essa variedade de trabalhos. Isso oferece um importante quadro de semelhanças e diferenças, que em conjunto permitem um melhor conhecimento do estado atual da produção científica da área. A seguir serão analisados com mais detalhes os principais temas e os estudos mais relevantes sobre micro e pequenas empresas no turismo.
  35. 35. 35 2.1.2.1 Empreendedorismo As pesquisas desenvolvidas sobre empreendedorismo apresentam uma grande parcela de estudos que buscam analisar as características dos empreendedores de MPE, com destaque para as questões que envolvem suas motivações. Em seguida há uma pequena parcela, que examinam a natureza da atividade empresarial em relação ao crescimento e desenvolvimento do negócio, quadro 3. Quadro 3: Pesquisas sobre empreendedorismo em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Motivações do empreendedor (GETZ; PETERSEN, 2005; GOULDING; BAUM; MORRISON, 2004; LASHLEY; ROWSON, 2010; MORRISON; TEIXEIRA, 2004). Características dos gestores (ABDULLAH; ISHAK; BUSTAMAM, 2011; BOSWORTH; FARRELL, 2011; JAAFAR et al., 2011; MCINTOSH; LYNCH; SWEENEY, 2011; MORRISON, 2006; PETERS et al., 2010; REIJONEN, 2008; SELBY; PETÄJISTÖ; HUHTALA, 2011; SZIVAS, 2001). Características do empreendimento (BRUNNER-SPERDIN; PETERS, 2004; GETZ; CARLSEN, 2005; GLANCEY; PETTIGREW, 1997; ZAPALSKA; BROZIK; RUDD, 2004). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). A literatura sobre empreendedorismo em MPE revela que nem toda empresa é constituída para gerar lucros e crescer. Existe uma grande parcela de proprietários que priorizam os objetivos de estilo de vida, em detrimento das necessidades de ganhos econômicos (MORRISON; TEIXEIRA, 2004). Esses empreendedores costumam ver o seu negócio como uma forma de satisfazer objetivos pessoais e familiares, um modo de conseguir uma renda extra, contato com outras pessoas, ou o simples prazer de ver clientes satisfeitos combinado com um equilíbrio entre o
  36. 36. 36 trabalho e a vida pessoal (JAAFAR et al., 2011; LASHLEY; ROWSON, 2010; MORRISON; TEIXEIRA, 2004; REIJONEN, 2008) O estilo de vida dos proprietários possui um grande impacto no setor do turismo, devido à complexidade que envolve os objetivos pessoais na hora de constituir e administrar um negócio. Esses propósitos podem entrar em conflito com os interesses de entidades públicas e privadas, já que os empreendedores com estilo de vida, por exemplo, tendem a não aspirarem ao crescimento de seu negócio. Muitos preferem continuar com uma estrutura que possibilite ser conduzida com recursos reduzidos sem afetar o seu cotidiano (JAAFAR et al., 2011; SELBY; PETÄJISTÖ; HUHTALA, 2011). Muitas MPE no turismo são, em diferentes níveis, afetadas fortemente por razões pessoais e motivacionais de seus proprietários, assim pode-se notar a existência de segmentos mais predispostos a terem uma influência maior do estilo de vida na gestão do negócio. Uma pesquisa realizada no Canadá e na Dinamarca revela que proprietários de pequenos restaurantes e hotéis estão mais propensos a iniciarem um negócio com uma orientação para o lucro e crescimento da empresa. Por outro lado, “Bed and Breakfast” e comércio de artesanatos demonstram estarem mais associados a busca por um estilo de vida e maior autonomia no negócio (GETZ; PETERSEN, 2005). Uma importante pesquisa que analisou a percepção do sucesso para proprietários de MPE na Finlândia revela que o termo “empreendimento de sucesso”, é apontado pelos entrevistados como sinônimo de qualidade de vida, e não como crescimento econômico da empresa. O sucesso do negócio também é avaliado pelos proprietários conforme o respeito e satisfação dos clientes, o bem- estar pessoal no trabalho e a qualidade do produto. Segundo os entrevistados ter uma vida razoável, mesmo sem crescimento do negócio, constituía numa medida de sucesso (REIJONEN, 2008). As pesquisas sobre as motivações de estilo de vida são originárias predominantemente de países desenvolvidos, o que faz com que sejam necessários estudos que abordem outras realidades, principalmente de países emergentes, de modo a oferecer maiores subsídios de comparação. Nessa perspectiva um importante trabalho brasileiro merece destaque ao demonstrar uma realidade diferente presente em um país em desenvolvimento. Em pesquisa desenvolvida com
  37. 37. 37 empreendedores de micro e pequenas empresas das cidades de Jericoacoara (Ceará), Parnaíba (Piauí) e Barreirinhas (Maranhão) verifica-se que as principais motivações destes empresários são de caráter econômico, sendo que os entrevistados ressaltaram que o principal fator em iniciarem seus negócios é o fato de o turismo ser um negócio lucrativo na localidade (COSTA; NASCIMENTO, 2010). Outra área de estudos no empreendedorismo que tem chamado a atenção dos pesquisadores são as empresas familiares, principalmente devido as suas complexas dimensões humanísticas que afetam a empresa (GETZ; CARLSEN, 2005). Apesar das empresas familiares serem consideradas um símbolo do espírito empreendedor, com forte potencial para contribuir para a vitalidade econômica da localidade. Muitos fatores conspiram contra o crescimento e inovação destes empreendimentos. Dentre eles destacam-se a ambição limitada de carreiras, a junção de relações familiares e empresariais, aspirações quanto a qualidade de vida e a baixa motivação no exercício de atividades comerciais (MORRISON, 2006). A realidade vivenciada por “Homestays” é discutida por Mcintosh, Lynch e Sweeney (2011), que adotam o termo “lares comerciais” para referirem-se a esses meios de hospedagem comuns em países que recebem grande fluxo de intercambistas, como é o caso da Nova Zelândia. Este artigo apresenta uma interessante analise crítica da relação comercial entre os hospedeiros (proprietários) e seu "lar comercial" (homestay), de modo a destacar as influências sociais, econômicas e emocionais em hospedeiros que recebem turistas em sua própria casa. 2.1.2.2 Recursos humanos O tema recursos humanos em MPE de turismo é um dos tópicos com maior número de estudos, que enfocam em sua maior parte na percepção de gestores quanto a qualificação e capacitação de seus funcionários, além de mostrar práticas usuais no recrutamento, gestão e relações no trabalho, quadro 4. Quadro 4: Pesquisas sobre recursos humanos em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Gestão (ÇETINEL; YOLAL; EMEKSIZ, 2009; NOLAN, 2002; PETERS, 2005).
  38. 38. 38 Subtema Principais contribuições Relações no trabalho (ALONSO; O’NEILL, 2009; MARTIN, 2012). Capacitação (AVCIKURT, 2003; BECTON; GRAETZ, 2001; BUTCHER; SPARKS; MCCOLL-KENNEDY, 2009; COLLINS; BUHALIS; PETERS, 2003; HALES; TAMANGANI, 1996; HALES et al., 1996; HUSSEY et al., 2011; JAMESON, 2000; PETERS; BUHALIS, 2004; WILTSHIER, 2007). Recrutamento (DEWHURST; DEWHURST; LIVESEY, 2007; PITTAWAY, 2005). Remuneração (RADIVEN; LUCAS, 1996). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). É apontado nas pesquisas que a grande maioria dos recrutamentos e treinamentos em MPE é feito de modo informal. A área de recursos humanos recebe pouca atenção dos gestores, os quais elegem outras áreas como prioritárias. Isso tem forte influência na contratação de funcionários não adequados, o que resulta em altos níveis de rotatividade na empresa (JAMESON, 2000; MARTIN, 2012; NOLAN, 2002). Em pesquisa desenvolvida na Austrália sobre as atitudes e percepções de gestores de MPE sobre a relevância da implantação de treinamentos de capacitação, verificou-se que a grande maioria dos empreendimentos pesquisados não buscava recursos externos à empresa para qualificar-se, os gestores demonstraram forte resistência em reconhecer a necessidade de maior qualificação para o negócio (BECTON; GRAETZ, 2001). No entanto, um estudo semelhante desenvolvido no mesmo país revela que as pequenas empresas que depositam maior importância no atendimento ao cliente, são as que estão mais dispostas a implementar atividades de treinamento (BUTCHER; SPARKS; MCCOLL-KENNEDY, 2009) O fato das empresas não terem orientação comercial é outro fator que influencia no baixo engajamento em programas de capacitação e treinamentos. As empresas com foco no estilo de vida tem maior dificuldade em perceber a importância de treinamentos e qualificação da empresa (DEWHURST; DEWHURST; LIVESEY, 2007).
  39. 39. 39 As principais barreiras que afetam a implantação de programas de qualificação são relacionadas aos altos custos de treinamentos e inflexibilidades de horário e locais distantes para a realização de capacitações (BECTON; GRAETZ, 2001; COLLINS; BUHALIS; PETERS, 2003). Uma solução apontada para superar a falta de recursos financeiros é a cooperação e colaboração com governo, instituições de ensino e outras empresas que possibilitem o auxílio em melhorias na gestão de recursos humanos (ÇETINEL; YOLAL; EMEKSIZ, 2009). No entanto, são as características dos proprietários/ gestores que são os principais norteadores da melhoria dos recursos humanos da empresa. É de grande importância seu papel na criação de uma congruência entre treinamentos e qualificação de seus funcionários, mesmo que de um modo informal (NOLAN, 2002). O interessante trabalho de Peters (2005) investiga a percepção de estagiários quanto à liderança e capacidade motivacional de gestores de pequenos e médios hotéis na Itália. Os resultados apontam que a satisfação desses jovens estagiários em trabalhar em uma MPE é fortemente influenciada pela autonomia no trabalho, bem como pela satisfação com o estilo de liderança da empresa. Em pesquisa semelhante, Pittaway (2005) enfoca a percepção de proprietários quanto à contratação de profissionais recém-formados. Os resultados sugerem que as MPE não dão grande prioridade em proporcionar um ambiente de aprendizagem e adaptação a esses recém-formados. Os gestores esperam que esses graduados sejam capazes de contribuírem para o negócio imediatamente. Tornar o ambiente mais amigável e flexível são as principais estratégias adotadas por proprietários de restaurantes para combater a grande rotatividade de funcionários universitários em um destino turístico nos Estados Unidos (ALONSO; O’NEILL, 2009). As características de estrutura menor da empresa possibilitam um maior contato dos funcionários com o gestor e o ambiente mais flexível é fator importante na satisfação e manutenção desses funcionários. 2.1.2.3 Desempenho de MPE Em relação aos estudos que buscam desvendar os fatores que afetam o desempenho de MPE, destacam-se aqueles que abordam as percepções dos empreendedores quanto a mensuração dos fatores que caracterizam uma empresa de sucesso, quadro 5.
  40. 40. 40 Quadro 5: Pesquisas sobre desempenho em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Fatores de sucesso (ANGELES MONTORO-SÁNCHEZ; MAS- VERDU; RIBEIRO SORIANO, 2008; AVCIKURT; ALTAY; OGUZHAN ILBAN, 2011; BLACKWOOD; MOWL, 2000; JAAFAR, 2011; LERNER; HABER, 2000). Mensuração de desempenho (BERGIN-SEERS; JAGO, 2007; PHILLIPS; LOUVIERIS, 2005; REICHEL; HABER, 2005). Impactos no desempenho (ABDULLAH; ISHAK; BUSTAMAM, 2012; BARROS; MASCARENHAS, 2005; DOMKE- DAMONTE; LEVSEN, 2002; HABER; REICHEL, 2007; HERNANDEZ-MAESTRO; MUNOZ- GALLEGO; SANTOS-REQUEJO, 2009; SHARMA; SNEED, 2008; VAN ZYL; MATHUR- HELM, 2007). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). As habilidades gerenciais dos proprietários/ gestores possuem grande influência no desempenho da empresa (HABER; REICHEL, 2007; HERNANDEZ- MAESTRO; MUNOZ-GALLEGO; SANTOS-REQUEJO, 2009; LERNER; HABER, 2000). A pesquisa de Blackwood e Mowl (2000) revelam que uma empresa de sucesso é aquela na qual seus empreendedores tem maior controle regular das despesas financeiras por meio de um planejamento prévio. Isso independe se os empreendedores almejam ganhos financeiros, ou focam em um estilo de vida. Seu estudo é desenvolvido com expatriados operando no setor de turismo nos principais resorts da Espanha. Empreendimentos de sucesso utilizam-se naturalmente de diferentes formas de análise de desempenho, combinando variáveis (financeiras e não financeiras) como, por exemplo, a taxa de ocupação e satisfação dos clientes. Uma das descobertas mais interessantes do trabalho de Bergin-Seers e Jago (2007) foi que
  41. 41. 41 muitos dos bons operadores assumem naturalmente as atividades de gerenciamento de desempenho, e não como uma atividade planejada ou de base teórica. As principais barreiras em obter um melhor desempenho de pequenos hotéis na Tanzânia estão na obtenção de capital e financiamento, além de qualificação da mão de obra (SHARMA; SNEED, 2008). Em pesquisa desenvolvida em Israel, Lerner e Haber (2000) verificam que empresas que conseguem financiamentos privados, estão mais propensas a demonstrar uma solidez em seu planejamento e viabilidade econômica. Independentemente do tamanho e idade do empreendimento, aqueles que obtiveram assistência do governo por meio de incubadora apresentam desempenho menor do que os empreendimentos que não obtiveram esse apoio. É apontado pelos autores que a falta de capacidade de gestão é uma das principais barreiras para o sucesso de um empreendimento. O controle das informações do dia-a-dia da empresa é considerado a principal forma de mensuração do desempenho. Phillips e Louvieris (2005) identificaram as melhores práticas de mensuração de desempenho adotadas por dez MPE britânicas, que foram contempladas com alguma premiação regional ou nacional pelo seu desempenho. Os autores sugerem que organizações que desejam desenvolver um eficaz sistema de medição de desempenho devem incorporar a digitalização das informações e dos processos da empresa (desde assuntos financeiros até questões operacionais do dia-a-dia) de modo a possibilitar maior controle das informações que circulam pelo negócio. É destacado que esses processos devem ser vistos de forma integrada e não como informações isoladas. 2.1.2.4 Marketing O marketing é o tema que apresenta o maior número de pesquisas, conforme se observa no quadro 6. A grande maioria enfoca o impacto da utilização de tecnologias da comunicação e informação (TICs) em pequenas empresas. Alguns exploram os fatores que influenciam sua adoção e contribuição para o crescimento e sucesso da empresa.
  42. 42. 42 Quadro 6: Pesquisas sobre marketing em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Tecnologias da informação e comunicação (ANCKAR; WALDEN, 2001; BROWN; KAEWKITIPONG, 2009; BUHALIS, 1993; BUICK, 2003; CHIB; CHEONG, 2011; CROES; TESONE, 2004; HARWOOD, 2011; IRVINE; ANDERSON, 2008; KIM; HAM; MOON, 2012; MPOFU; WATKINS-MATHYS, 2011; MUTCH, 1993, 1995; PARASKEVAS; BUHALIS, 2002; SPENCER; BUHALIS; MOITAL, 2012; WOOD, 2001). E-commerce (CHRISTIAN, 2001; EL-GOHARY, 2012; ELLIOTT; BOSHOFF, 2005, 2007; HILLS; CAIRNCROSS, 2011b; LING; GUO; LIANG, 2011; MBATHA, 2012; MORRISON; KING, 2001). Marketing (geral) (ALTINAY, 2010; BROWNLIE, 1994; COVIELLO; WINKLHOFER; HAMILTON, 2006; FRIEL, 1999; LAW; NG, 2011; MORIARTY et al., 2008, 2009; MORRISON, 1998b; YAMAN; SHAW, 2002). Internet (ELLIOTT; BOSHOFF, 2009; HILLS; CAIRNCROSS, 2011a; HUDSON; GILBERT, 2006; MARTIN, 2004). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Em seu estudo desenvolvido na Jamaica, Spencer, Buhalis e Moital (2012) apresentam uma interessante classificação hierárquica do nível de adoção de TICs pelas MPE neste país. Os resultados revelam que existem proprietários resistentes à adoção de TICs. Eles preferem continuar a utilizar seus métodos tradicionais, como fax e telefone para desempenho das funções de seu negócio. Por outro lado, nota- se a presença de um pequeno número de gestores mais familiarizados às últimas tendências tecnológicas, esse fato é relacionado às características do proprietário, tais como o seu estilo de vida, nível educacional e o interesse na adoção de sistemas tecnológicos. Essa constatação se assemelha ao estudo de Moriarty et al. (2008) que desenvolvem um modelo de enquadramento das características de MPE
  43. 43. 43 em um destino no Reino Unido. As categorias contemplam desde gestores inexperientes na utilização de estratégias de marketing, até aqueles que tinham um alto grau de sofisticação na utilização de diversas ferramentas. Apesar de ser uma pesquisa um pouco antiga devido a constante evolução tecnológica, Paraskevas e Buhalis (2002) apresentam uma interessante análise do ponto de vista dos hoteleiros europeus em relação à utilização de serviços de automação hoteleira. Os resultados apontam que muitos empresários viam a utilização de TICs mais como forma de tornar o trabalho mais eficiente, por meio da economia de tempo e dinheiro, do que uma ferramenta que proporcionasse vantagem competitiva. Porém essa constatação pode variar conforme a localidade, como atesta Irvine e Anderson (2008) que verificam os processos de utilização de TICs por dez pequenas empresas localizadas em áreas rurais periféricas no Reino Unido. Os resultados mostram que esses empreendedores possuem domínio do uso de tecnologias da informação e comunicação como forma de aumentar a competitividade de suas empresas. Todos os entrevistados tinham consciência da importância das TICs, principalmente em destinos periféricos, pois serve como um meio de agregar valor e ganhar vantagem competitiva. Quanto aos fatores que influenciam a adoção de TICS, a literatura revela que as empresas com o maior envolvimento do proprietário/ gerente nas questões de marketing na internet, obtinham resultados mais satisfatórios, do que as que delegavam essa função a outros funcionários sejam eles internos ou externos à empresa (ELLIOTT; BOSHOFF, 2007). Por meio de uma lista de fatores internos e externos que afetam a adoção do e-commerce por MPE no Egito, El-Gohary (2012) desvenda que os fatores mais representativos são as habilidades dos proprietários, a cultura organizacional da empresa, pressões competitivas e influências governamentais. Em pesquisa desenvolvida em Bed and Breakfast no Canadá, Hudson e Gilbert (2006) identificam que proprietários optam por utilizar essas ferramentas como um método de baixo custo para aumentar sua base de clientes, especialmente em mercados no exterior. No entanto, verifica-se que essas empresas não utilizam a internet ao seu pleno aproveitamento. É baixo o emprego de ferramentas de mensuração em seus websites, além de não haver iniciativas visando construir um relacionamento com os clientes, como por meio da solicitação de feedback.
  44. 44. 44 A utilização de ferramentas de marketing por MPE revelam que uma grande quantidade de empresas utiliza estratégias casuais e sem sofisticação, havendo uma forte variação quanto ao nível de práticas de marketing (FRIEL, 1999; MORIARTY et al., 2008). Por conta disso existe a necessidade de um planejamento formal e pesquisas de mercado que embasem melhor a tomada de decisões, as quais são feitas na maioria dos casos de acordo com o "feeling" do próprio proprietário (FRIEL, 1999). O excesso de confiança em relação ao seu conhecimento sobre o mercado, a não disposição em mudar seu estilo próprio de gestão e a falta de interesse em aprender como utilizar novas ferramentas de marketing representam os grandes desafios a serem ultrapassados (MORRISON; KING, 2001). 2.1.2.5 Influências em MPE Os artigos que analisam as influências que afetam o desenvolvimento de micro e pequenas empresas de turismo estão no quadro 7. Esses estudos ressaltam a existência de uma diversidade de fatores que variam desde ineficiências operacionais internas, até questões relacionadas ao ambiente de mercado e apoio governamental. Quadro 7: Pesquisas sobre influências em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Externas (ALONSO; OGLE, 2009; ATELJEVIC; DOORNE, 2004; NEMASETONI; ROGERSON, 2005; WAN; KONG, 2008). Internas (KILIC; OKUMUS, 2005; ZHANG; MORRISON, 2007). Financeira (SHARMA; SNEED; RAVICHANDRAN, 2007; SHARMA; UPNEJA, 2005; WANHILL, 2000). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Ao examinarem o ambiente de negócios para o desenvolvimento de pequenos empreendimentos turísticos em Macau, China. Wan e Kong (2008) verificam que a falta de profissionais qualificados é o principal problema enfrentado
  45. 45. 45 pelas pequenas empresas naquela localidade. A presença de uma forte disputa por profissionais entre pequenas, médias e grandes empresas, evidenciam as dificuldades que empresas de menor porte têm em oferecerem oportunidades de trabalho mais atrativas. As empresas maiores possuem melhores propostas de trabalho, que resultam em larga vantagem na contratação dos melhores profissionais. Um trabalho interessante desenvolvido na Tanzânia, por Sharma e Upneja (2005) analisa o desempenho financeiro de MPE. Os resultados evidenciam que proprietários possuem grandes dificuldades na obtenção de financiamentos, devido a falta de opções que se enquadrem as características do porte da empresa. Os bancos privados do país, também foram indagados sobre o motivo de não oferecerem linhas de financiamento especificas às MPE. Eles ressaltaram que a desconfiança em empresas de menor porte é o principal empecilho na concessão de financiamentos. As instituições financeiras privadas tendem a restringir empréstimos e exigir altas garantias, devido as pequenas empresas oferecerem maior risco financeiro. Nesta situação, o governo tem papel fundamental no apoio necessário para o desenvolvimento dessas empresas, já que elas apresentam fragilidades que as tornam mais suscetíveis ao fracasso (ROGERSON, 2002; WANHILL, 2000). 2.1.2.6 Gestão empresarial Apesar de gestão empresarial ser um tema de grande importância, constata- se que poucas pesquisas buscaram analisar as características de gerenciamento interno de MPE. Dentre os assuntos tratados, o que mais se destaca é a fonte de financiamento utilizado por MPE no turismo (quadro 8). Quadro 8: Pesquisas sobre gestão empresarial em MPE de turismo na literatura internacional Subtema Principais contribuições Financiamento (OZER; YAMAK, 2000; ÖZER, 1996). Práticas de gestão (ATELJEVIC; DOORNE, 2004). Gestão do conhecimento (BUTCHER; SPARKS, 2011; VALTONEN, 2010).
  46. 46. 46 Subtema Principais contribuições Estratégia de negócio (ÖZGENER; İRAZ, 2006; SORIANO, 2005). Relações públicas (MILOHNIĆ, 2006). Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Em um interessante trabalho, Ozer e Yamak (2000) estudam as preferências de fontes de financiamento de MPE na Turquia. É analisada a procedência dos recursos em três momentos: abertura do negócio, durante a operação e planejamento para o futuro. Verifica-se que ao longo dessas três fases, a grande maioria dos empreendimentos utiliza-se de recursos financeiros pessoais, principalmente na abertura do negócio, enquanto ao longo da operação utiliza-se de receita gerada pelo próprio negócio. As opções de financiamentos existentes parecem não ser atrativas para essas empresas, que preferem empregar recursos internos para expansão e melhorias da empresa. Os entrevistados ressaltaram ainda que a criação de condições que permitam uma autossuficiência dos negócios é mais importante do que melhorias nas fontes externas de financiamento. Com resultados semelhantes, o trabalho desenvolvido na Nova Zelândia por Ateljevic e Doorne (2004), mostra que o apoio à desoneração de impostos aplicados a esse porte de empresa tem influência direta na capacidade de investimento dos proprietários, que terão mais recursos para melhorar seus produtos e serviços. Outro fator importante atribuído ao governo está em facilitar o acesso de informações e treinamentos para melhorar a qualificação dos envolvidos na empresa. Quanto às prioridades na obtenção e transferência de conhecimento por gestores/ gerentes de MPE na Austrália. Butcher e Sparks (2011) apontam que as empresas tendem a favorecer meios mais amigáveis e informais, para obtenção e transmissão de conhecimento. São ressaltadas as reuniões com os funcionários, comunicação com associações do setor, revistas, consultores e amigos. Os meios externos formais, como cursos e eventos são menos preferidos, principalmente pela dificuldade de participação (altos custos, horários e locais incompatíveis), sendo assim é dada uma maior importância à essas fontes de dados. Os principais fatores que impedem que MPE localizadas na região da Capadoccia na Turquia implementem ferramentas de CRM (Customer Relationship
  47. 47. 47 Management) relaciona-se ao fato de haver um orçamento limitado, falta de maior empenho na gestão do negócio e comunicação deficiente. É destacado que a comunicação e a distribuição do produto são as principais formas de relacionamento utilizadas pelas empresas pesquisadas (ÖZGENER; İRAZ, 2006). 2.1.2.7 Temas variados O amplo levantamento bibliográfico resultou em uma grande variedade de estudos com temas isolados, com um pequeno número de pesquisas, que atestam a necessidade de maior desenvolvimento (quadro 9). Quadro 9: Pesquisas variadas sobre MPE de turismo na literatura internacional Subtemas Principais contribuições Redes e cooperação (COOP; IVY, 2001; KELLIHER; FOLEY; FRAMPTON, 2009; MORRISON, 1994; MOTTIAR; TUCKER, 2007; PIVCEVIC, 2009; TINSLEY; LYNCH, 2001, 2008). Políticas públicas (NILSSON; PETERSEN; WANHILL, 2005; ROGERSON, 2008, 2009; THOMAS; THOMAS, 2005). Estrutura organizacional (ALONSO; OGLE, 2008; SUNDGAARD; ROSENBERG; JOHNS, 1998). Competitividade (HWANG; LOCKWOOD, 2006; LUCIANI, 1999; MILOHNIĆ; GRŽINIĆ, 2010). Desenvolvimento econômico (ATELJEVIC, 2009; HAMPTON, 2003; PAGE; FORER; LAWTON, 1999; ROGERSON, 2002; SHARMA, 2006; ZHAO, 2009). Inovação (BINDER et al., 2013; CARLISLE et al., 2013; HARRIS et al., 2013; PIKKEMAAT; PETERS, 2005; WALSH; LYNCH; HARRINGTON, 2011). Internacionalização (O’GORMAN; MCTIERNAN, 2000). Ética (UPCHURCH, 1998). Ensaio teórico (MORRISON; CARLSEN; WEBER, 2010; MORRISON; CONWAY, 2007; MORRISON, 1998b; NEMASETONI; ROGERSON, 2005;
  48. 48. 48 Subtemas Principais contribuições SMITH, 2006b; THOMAS; SHAW; PAGE, 2011; THOMAS, 2000). Sustentabilidade ambiental (ALONSO; OGLE, 2010; BERRY; LADKIN, 1997; CHAN, 2011; DEWHURST; THOMAS, 2003; HOROBIN; LONG, 1996; KASIM, 2009; LEGOHEREL et al., 2004; RADWAN; JONES; MINOLI, 2010; TZSCHENTKE; KIRK; LYNCH, 2008; VERNON et al., 2003; WOODLAND; ACOTT, 2007) Fonte: Elaboração do autor a partir das bases de dados consultadas: ScienceDirect, SAGE, Emerald e EBSCO (2013). Como pode ser observado no quadro anterior, é fortemente apontada na literatura sobre MPE no turismo, a importância da formação de redes e alianças estratégicas entre pequenas empresas para aumentar a competitividade do setor. Para melhorar o posicionamento da empresa mais do que copiar os serviços oferecidos pelo concorrente, deve-se incentivar o compartilhamento de experiências por meio de redes, que visem o auxilio da solução de problemas em comum (HWANG; LOCKWOOD, 2006; MORRISON, 1994). Por meio do teste de um programa de aprendizagem em rede que facilita o desenvolvimento de capacidades organizacionais, Kelliher, Foley e Frampton (2009) oferecem uma série de sugestões de como promover um maior engajamento da participação de MPE em treinamentos e capacitações. O programa desenvolvido pelos autores consistia em um conjunto de atividades e funções, tais como a escolha de um profissional para atuar como canal de comunicação entre os membros da rede, o desenvolvimento de uma comunidade na internet, escolha de locais de fácil acesso que possibilitassem um envolvimento mais ativo entre os participantes da rede e os principais responsáveis pela elaboração de políticas públicas. Esse ambiente de aprendizagem apresentado na pesquisa, resultou em um envolvimento mais ativo e substancial entre as empresas participantes na rede. Ao analisarem diferentes empresas que possuem um único proprietário, Mottiar e Tucker (2007) apontam que essa situação é uma forma do empreendedor expandir seu negócio ou diversificá-lo, porém mantendo-o em um porte ainda reduzido. Por meio de dois estudos de caso, os autores analisaram os efeitos no
  49. 49. 49 lado da oferta de produtos e serviços, e o lado da demanda na avaliação das implicações dessas redes de negócios na Irlanda e Turquia. Os resultados apontam que as empresas de um mesmo proprietário tornaram-se negócios dominantes no destino estudado, criando redes de poderes e áreas de influência locais que oferecem barreiras na entrada de novos empreendimentos. Isso provocou um forte impacto na forma de operação do destino, influenciando a experiência do turista, que se vê cercado por opções e recomendações de empresas pertencentes a um mesmo grupo, sem grande espaço para concorrência. Após analisar a literatura internacional existente sobre micro e pequenas empresas no turismo, verifica-se que a maioria dos trabalhos retratam a realidade de países desenvolvidos. Alguns estudos em países emergentes, tais como África do Sul, Turquia e Tanzânia revelam realidades muitas vezes distintas ou muito específicas às características dessas localidades. Rogerson (2002, 2005, 2008, 2009), por exemplo, desenvolveu um importante conjunto de estudos que revelam a realidade de micro e pequenas empresas na África do Sul. Uma importante constatação deste autor é que mesmo após o fim do apartheid2 , pequenas empresas de propriedade de brancos ainda são mais desenvolvidas em comparação com empresas semelhantes pertencentes aos negros. Por conta disso permanece a necessidade de novas pesquisas em países em desenvolvimento, de modo a tornar mais rica a discussão sobre MPE no turismo em diferentes contextos geográficos, socioculturais e econômicos. 2 O apartheid foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes negros foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.

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