Federaçao russa

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Federaçao russa

  1. 1. GeografiaPaís da Europa Oriental e da Ásia. Também conhecido por Federação Russa, foi o centro políticodo Império Russo (1721 a 1917) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. É banhadopelo oceano Ártico, a norte, pelo oceano Pacífico, a leste, e pelos mares Negro e Cáspio, na suaparte meridional. A Rússia faz fronteira terrestre com a Noruega, a Finlândia, a Polónia, aEstónia, a Letónia, a Lituânia, a Bielorrússia e a Ucrânia, a oeste, e com a Geórgia, o Azerbaijão,o Cazaquistão, a China, a Mongólia e a Coreia do Norte. Tem ainda um pequeno enclave entre aPolónia e a Lituânia que abre para o mar Báltico. A Rússia é o maior país do Mundo, com umcomprimento máximo de 7700 quilómetros e uma largura de 2800 quilómetros, totalizando umaárea de 17 075 200 km2. As principais cidades são Moscovo, a capital, com 11 246 600habitantes (2004), São Petersburgo (4 644 900 hab.), Nizhny Novgorod (1 268 500 hab.),Novosibirsk (1 434 900 hab.), Yekaterinburg (1 300 000 hab.), Samara (1 152 800 hab.), Omsk (1110 700 hab.), Chelyabinsk (1 068 700 hab.), Kazan (1 108 200 hab.), Ufa (1 152 800 hab.),Perm (980 200 hab.) e Rostov (1 112 900 hab.).O território russo pode ser dividido geograficamente em seis regiões: a região de Kola-Carélia,situada no Noroeste da Rússia, caracterizada por planaltos de baixa altitude; a planície Russa,que não é mais do que uma extensão da planície Oriental Europeia; a região dos montes Urais,situada a leste da planície Russa, que é constituída por uma sucessão de planaltos e montanhasde relativa baixa altitude (uma média de 1200 metros), a planície Siberiana Ocidental, que é amaior das regiões russas e contém alguns dos maiores pântanos do Mundo; mais a leste, oplanalto da Sibéria Central, delimitado pelo rio Ienissei (a oeste) e pelo rio Lena (a leste),registando altitudes entre os 300 e os 690 metros; e, finalmente, mais a sul e a leste, a regiãodas altas montanhas, que representa 1/4 do território russo e é constituída por uma sucessão decadeias montanhosas de origem geológica diversificada, destacando-se a zona vulcânica dapenínsula de Kamchatka (na costa do Pacífico), com uma altitude média de 3000 metros, tendocomo ponto mais alto o vulcão Klyuchevskaya (4675 metros).ClimaAs regiões mais setentrionais possuem um clima ártico, caracterizado pelas baixas temperaturasao longo do ano, apenas com os meses de verão a registarem médias positivas. Norilsk eYakutsk, na Sibéria, são considerados os locais habitados mais frios do mundo, comtemperaturas anuais médias de cerca de - 10 ºC. A sul da região ártica, o clima é frio continental,com invernos extremamente rigorosos e verões curtos. Na parte ocidental do país o clima étemperado continental, com invernos rigorosos e verões quentes, e com precipitações maisabundantes.EconomiaA Rússia dispõe, não só de uma enorme quantidade de recursos energéticos (carvão, petróleo,gás natural e hidroenergia) e minerais (cobalto, crómio, cobre, ouro, chumbo, manganésio,níquel, platina, volfrâmio, vanádio e zinco), como também de praticamente todas as matérias-primas requisitadas pela indústria moderna.O setor industrial assenta as suas estruturas edesenvolvimento nas indústrias ligadas ao fabrico de máquinas (turbinas, geradores elétricos,utensílios de construção, automóveis, locomotivas, etc.), de produtos químicos e de roupa ecalçado (existem mesmo cerca de 30 cidades cuja população se dedica, exclusivamente, àindústria têxtil), enquanto a agricultura obtém da produção cerealífera (sobretudo trigo e cevada)a maior parte dos seus rendimentos. Também a silvicultura e a atividade piscatória são degrande importância económica, pois a Rússia não só tem a maior reserva florestal do Mundo,como vê a sua imensa frota pesqueira ter acesso às duas mais importantes áreas de pesca: osoceanos Atlântico e Pacífico. Os principais parceiros comerciais da Rússia são a Alemanha, osEstados Unidos da América, a Itália e a China.Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas,1999), é de 9,8.PopulaçãoTinha, em 2006, 142 893 540 habitantes. As taxas de natalidade e de mortalidade são,
  2. 2. respetivamente, de 9,95%o e 14,65%o. A esperança média de vida é de 67,08 anos. O valor doÍndice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,779 e o valor do Índice de Desenvolvimentoajustado ao Género é de 0,774 (2001). Estima-se que em 2025 a população diminua para 135952 000 habitantes. Os principais grupos étnicos são os russos (82%), os tártaros (4%), osucranianos (3%), os chuvasques (1,2%), os basquires (1%), os bielorrussos (0,8%), osmordovianos (0,7%) e os chechenos (0,6%). As religiões mais representativas são o CristianismoOrtodoxo Russo (16%) e o Islamismo (10%), representando os não religiosos cerca de 72% dapopulação. A língua oficial é o russo.HistóriaSão do século II a. C. os primeiros registos históricos sobre povos habitantes da Rússia (indo-europeus e uralo-altaicos), mas só durante os séculos VIII e IX se estruturou a civilizaçãoancestral da Rússia e da Ucrânia: a civilização Rus, que, do século X ao século XII, foi dirigidapelos príncipes de Kiev.Moscovo, que se tornou uma cidade próspera durante o domínio mongol(século XIII), começou a assumir um papel de liderança das terras russas no século XIV, frutonão só da ligação estabelecida entre os príncipes de Moscovo e a Crimeia e o patriarcado deConstantinopla, como também da sua excelente situação geográfica, que a ligava aos principaisrios navegáveis e às regiões agrícolas e produtoras de peles. No entanto, outros centrosprosperavam, como a Lituânia, Tver e Novgorod, servindo de travão às pretensõesexpansionistas de Moscovo. E só após as conquistas de Novgorod (1478), de Tver (1485) e degrande parte das cidades lituanas (até 1503), é que Moscovo (governada por Ivan III - 1462-1505) conseguiu definitivamente consolidar o seu poder na região.A morte de Vasily III (filho de Ivan III) trouxe consigo um período de instabilidade política, pois oseu filho e sucessor natural, Ivan, tinha apenas três anos na altura da morte de Vasily, dandoorigem, portanto, a um período de governação sob a regência da sua mulher Yelena Glinskaya,que se mostrou incapaz para exercer tais funções. Esta situação só foi eliminada com aemergência social dos boiardos, que lideraram um programa de reformas políticas, de onde sedestaca o restabelecimento da monarquia, na figura do Czar, título atribuído, pela primeira vez, aIvan IV, que viria a ser conhecido por Ivan, o Terrível, graças às suas façanhas militares sobre ospaíses vizinhos. Mas seria só em 1721 que a Rússia assumiria o nome de Império Russo, factoque ocorreu por vontade do czar Pedro, o Grande, que, simultaneamente, recebeu o título deimperador. Aliás, a governação de Pedro I (1689-1725) merece destaque, não só pela medidasupracitada, mas também pelo conjunto de reformas por ele levadas a cabo com o objetivo deocidentalizar a Rússia, ou seja, torná-la num país mais europeu. Estas reformas foram seguidas,quer pela imperatriz Elisabeth (1741-1762), quer pela imperatriz Catarina da Rússia (1762-1796),que anexou à Rússia a Crimeia, a Ucrânia e parte do território polaco.Dois factos marcam a história russa no século XIX: as guerras napoleónicas, que nos primeirosanos desse século impediram Alexandre I (1801-1825) de manter a política iniciada por Pedro I,e a abolição da classe servil por Alexandre II (1855-1881), medida reclamada desde a época deCatarina II e responsável pelo assassinato de Alexandre II. Também o século XX não começa damelhor maneira, pois a Rússia sai derrotada da guerra que manteve com o Japão em 1904-1905. Consequentemente, inúmeras greves e distúrbios populares abalam o império, obrigandoo czar Nicolau II a permitir a criação de um parlamento nacional (Duma), que seria responsávelpela destituição do czar em março de 1917 e pelo estabelecimento de um governo provisóriodemocrático, na sequência do desastre em que se tinha tornado a participação russa na PrimeiraGuerra Mundial (no outono de 1915, a Rússia já tinha perdido mais de um milhão de homens).Contudo, em novembro desse ano, os bolcheviques (socialistas radicais), liderados por Lenine,deram corpo às aspirações soviéticas e tomaram o poder, dando origem a uma guerra civil queterminou em 1920 com a derrota definitiva dos mencheviques (socialistas moderados) e a vitóriados bolcheviques e dos seus ideais comunistas. Daqui ao aparecimento da URSS foi umpequeno passo, que se desenhou a 30 de dezembro de 1922 e se tornou efetivo a 6 de julho de1923. A Rússia passou a ser o centro da URSS, e o Partido Comunista Soviético o seu cérebro.Lenine, que morreu em 1924, teve em Estaline um digno sucessor, pois foi sob o regimeestalinista que a União Soviética se tornou numa potência mundial, graças ao rápido crescimentoindustrial verificado e à coletivização da agricultura. O clímax da governação de Estaline ocorreudurante e após a Segunda Guerra Mundial, já que a URSS desempenhou um papel fundamental
  3. 3. na derrota do nazismo, assumindo-se, posteriormente, como potência administrativa dos paísesde leste e anexando países, como a Estónia. Nikita Khrushchev, que subiu ao poder com a mortede Estaline (1953), delineou a sua atuação pela oposição às políticas norte-americanas e peloabrandamento das restrições sociais, mas acabaria por ser deposto em 1964 por LeonidBrezhnev, que governou a URSS até 1982. A Yuri Andropov (1982-1984) e a KonstantinChernenko (1984-1985) sucedeu Mikhail Gorbachev na presidência da URSS. Gorbacheventraria na história como o responsável pelas políticas de reestruturação (Perestroika) política eeconómica e pela abertura (Glasnost) ao diálogo na sociedade soviética. Estas políticasreformistas minaram o poder monopolista do Partido Comunista na sociedade - facto que estevena origem da tentativa de golpe de estado levada a cabo pelos comunistas nos dias de 19 a 21de agosto de 1991. Só que esta tentativa teve um efeito contrário, tornando irreversível opluralismo e a democratização do sistema político e levando mesmo à dissolução da URSS a 25de dezembro desse ano. Boris Ieltsin, presidente russo eleito em junho de 1991 e líder daoposição ao golpe de estado de agosto desse ano, tornou-se assim o primeiro presidente daFederação Russa, personalizando os desejos de ocidentalização deste país. No entanto, Ieltsindeparou-se, praticamente desde o início, com a oposição dos deputados conservadores russos(constituídos por ex-comunistas e por nacionalistas).Em 1993, Boris Ieltsin propõe a referendo popular uma nova constituição, que lhe atribuíamaiores poderes políticos, dos quais se destaca o poder de propor o Primeiro-Ministro e ogoverno ao Duma e, caso este rejeitasse, o poder de dissolver o Duma. Ieltsin esperava que osresultados do referendo se tornassem num claro sinal de apoio popular às suas políticas, mas osescassos 55% de votos favoráveis à aprovação desta constituição (mais tarde, um relatório queIeltsin ignorou constatava que, na verdade, apenas 46% tinham votado favoravelmente)mostraram a pouca confiança do povo russo nestas medidas.O conflito institucional Ieltsin/Duma tem marcado a vida política da Rússia, graças aospermanentes desafios lançados pelo parlamento, de que são exemplos a moção de censuraaplicada ao governo em outubro de 1993 ou a atribuição de amnistias aos líderes do golpe deestado de 1991, também responsáveis pelos confrontos com a polícia organizados no 1.º demaio de 1993. Espelho deste conflito é o próprio governo, já que, se no início era constituído natotalidade por ministros do partido reformista Russias Choice, a verdade é que, por pressão doscomunistas e dos nacionalistas, Ieltsin foi forçado a fazer constantes remodelaçõesgovernamentais, substituindo os reformistas por membros dos partidos mais conservadores.Entretanto, estala uma crise na Chechénia, república que, apesar de se ter declaradoindependente em 1991 pela voz do seu presidente, Dzhokhar Dudayev, permanecia sob aadministração russa. Esta crise, provocada pelos combates entre o governo independentistachecheno e os partidos pró-Rússia da oposição, levou a que Boris Ieltsin, interessado em manterna Federação Russa aquela república riquíssima em petróleo, mandasse encerrar as fronteirasdaquele território a 10 de dezembro de 1994, dando luz verde à invasão militar russa. Noentanto, a progressão no terreno das tropas russas foi bastante lenta, e mais problemático foiassegurar o controlo de Grozny, a capital da Chechénia. Tal facto veio demonstrar a confusãoinstalada no seio dos comandos militares quanto à oportunidade ou ao proveito inerentes a estainiciativa bélica tomada por Ieltsin, tanto mais que muitas foram as críticas, quer internas, querexternas, dirigidas ao presidente russo. Destaque-se, aliás, a mudança verificada na políticaexterna seguida por Boris Ieltsin, pois, para além de ignorar as críticas que lhe foram dirigidas nasequência da invasão militar da Chechénia, efetuou um discurso bastante crítico às pretensõesda NATO em alargar a sua influência aos países de leste. Este discurso serviu para demonstrar aintenção russa de permanecer como o país dominante naquela região, satisfazendo em parte osopositores internos à ocidentalização da política russa que, simultaneamente, defendiam umaprofundar do papel da Rússia no seio da entretanto criada Comunidade de EstadosIndependentes (CEI). Esta corrente foi perfeitamente demonstrada pelas divergências russasrelativas às tomadas de posição dos países ocidentais, quer durante a Guerra do Golfo, querdurante o conflito na ex-Jugoslávia.A 31 de dezembro de 1999 Boris Ieltsin demitiu-se do cargo de Chefe de Estado, tendorecomendado Vladimir Putin para o lugar, por considerar que era o político ideal para manteruma Rússia unida. Vladimir Putin foi eleito em 2000 e reeleito quatro anos mais tarde.

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