Estética, identidade visual e design

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Funções da imagem, uso da palavra estética e seu significado e uma reflexão com base no material de Vilém Flusser sobre o significado da palavra design e sua utilização.

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Estética, identidade visual e design

  1. 1. Estética, Identidade Visual e Design
  2. 2. Imagem também se lê? Imagens do design, imagens da arte?
  3. 3. Funções da Imagem Em um olhar panorâmico em direção ao mundo das imagens, poderemos nelas encontrar diversas funções: mágicas, religiosas, políticas, estéticas, informativas, decorativas, persuasivas ou até comerciais. Além da função simbólica, que parece ser inerente à sua condição de imagem, uma ou mais funções podem se realizar em uma mesma imagem.
  4. 4. Funções da Imagem Por exemplo, o que em determinado contexto cultural teve funções religiosas e persuasivas pode, em outro espaço, deixar de tê-las, mesmo que permaneçam outras funções, como a simbólica e a estética. Servem como exemplo as igrejas que são ou que contêm relevantes obras de arte sacra, e que hoje estão transformadas, praticamente, em museus, pois são abertas permanentemente à visitação – e muitas delas cobram ingressos-, já que nelas raramente são oficiados atos litúrgicos.
  5. 5. Funções da Imagem
  6. 6. Funções da Imagem Cartazes de espetáculos, como os que foram criados no início do século por ToulouseLautrec, perderam ao longo do tempo sua função informativa, mas neles ainda restam as funções simbólicas e estética.
  7. 7. Funções da Imagem Outros tipos de imagens podem servir de exemplo para a ocorrência de mudança na função das imagens. É o caso das pranchas de botânica, aquelas dos cartazes escolares ou mesmo as reproduzidas nos livros de ciências, contendo como ilustração de cada planta o desenho do fruto “aberto” e “fechado”, da flor, da folha, da árvore inteira. Muitos exemplares dessa categoria de imagens são comercializados em galerias de arte.
  8. 8. Funções da Imagem Para ampliar ainda mais os exemplos, lembramos das imagens produzidas pelos viajantes europeus que estiveram no Brasil, como Rugendas, Debret ou Eckhout. Eles desenharam a flora, a fauna, os trajes, os costumes, os tipos físicos encontrados na época, com a principal finalidade de mostrar, em terras distantes, como a vida acontecia por aqui. As exposições desses trabalhos têm levado muita gente aos museus onde se realizam. Hoje, são considerados arte.
  9. 9. Funções da Imagem Assim, parece claro que as imagens se prestam para diversas finalidades, que podem ser chamadas de funções, e que essas funções podem se alterar ao longo do tempo. Fica então registrado que o parâmetro da funcionalidade pode contribuir para o estudo da imagem, mesmo não sendo absoluto nem definitivo.
  10. 10. Estética Existem diferentes usos para a palavra estética; pode ser um adjetivo (como no caso da expressão “imagem estética”) ou um substantivo (a Estética, uma área da Filosofia – voltada para a reflexão do belo). Como se observa, estética é uma palavra usada, geralmente, como sinônimo de beleza.
  11. 11. Estética Usos da palavra Estética Quando vemos um texto verbal escrito bem organizado (margens, espaços, parágrafos padronizados e bem definidos) usamos a palavra estética para defini-lo. No Rio Grande do Sul, estética é o Salão de Beleza, ou o Cabeleireiro. Cirurgia estética é aquela destinada a modificar partes do corpo de uma pessoa, buscando, como resultado, que ela atinja determinado padrão de beleza. Se digitarmos no Google a palavra estética vamos perceber que existem vários complementos à ela.
  12. 12. Estética Origem da palavra Estética Derivada do grego; vem da palavra “aisthetikós”, que por sua vez deriva de “aisthanasthai”, e quer dizer perceber, sentir. Estética, como aplicada hoje em dia, foi empregada pela primeira vez pelo filósofo alemão Alexander von Baungarten, no século XVIII, para designar o estudo das sensações ou a teoria da sensibilidade.
  13. 13. Estética de Baumgarten Em síntese, faziam parte da Estética de Baungarten os fenômenos ligados à percepção por meio dos sentidos, referindo-se então a um campo de estudos definido dentro da Filosofia.
  14. 14. Antes de Baungarten Este filósofo só reuniu este conjunto de conhecimentos e os batizou de Estética, pois muito já se pensou e escreveu acerca da natureza e da arte, de suas formas, o conceito de belo e do modo como o ser humano as percebe e as sente. Todos já ouvimos falar de Sócrates, Platão e Aristóteles; neles estão os fundamentos da Estética.
  15. 15. Até mesmo na Pré-História, pode-se supor a existência de um pensamento sobre estética, se nos lembrarmos da produção gráfica das inscrições e das imagens rupestres elaboradas pelo homem préhistórico.
  16. 16. Identidade Visual É o conjunto sistematizado de elementos gráficos que identificam visualmente uma empresa, uma instituição, um produto ou um evento, personalizando-os, tais como um logotipo, um símbolo gráfico, uma tipografia, um conjunto de cores.
  17. 17. Identidade Visual Quando nos referimos a uma empresa e dizemos ‘ela não tem identidade visual’, isso significa que não há elementos visuais capazes de singularizá-la de maneira ordenada, uniforme e forte no mercado.
  18. 18. Identidade Visual Neste caso, estamos nos referindo então a uma identidade visual institucional – tanto porque ela se refere a uma instituição (no caso, uma empresa, e não um indivíduo, por exemplo).
  19. 19. Identidade Visual A identidade visual institucional pode ser, porém, aplicada aos mais diferentes casos: uma exposição, um espetáculo, um produto sazonal, uma campanha institucional (ou seja, uma campanha em prol de alguma causa considerada não lucrativa).
  20. 20. Identidade Visual Quando se trata de uma identidade visual corporativa o trabalho se complexifica: não se espera que uma empresa dure apenas um determinado período.
  21. 21. Identidade Visual A identidade visual corporativa integra a imagem corporativa de uma instituição. A imagem corporativa abarca tudo aquilo que, voluntariamente ou não, vai formando a posição da empresa na sua relação com o público.
  22. 22. Identidade Visual - Missão, Visão e Valores A forma com os funcionários lidam com o público; As estratégias de marketing empregadas; As campanhas publicitárias; A arquitetura; A decoração; A localização de seus pontos de vendas ou serviço; A embalagem de seus produtos; Etc.
  23. 23. Identidade Visual Tudo isso vai formando na mente do público uma determinada imagem, que pode ser positiva ou não para este público – e que pode gerar lucros ou, ao contrário, impedir o crescimento desta empresa. A identidade visual é um dos veículos que geram a imagem corporativa.
  24. 24. Design Em inglês, a palavra design funciona como substantivo e também como verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa, entre outras coisas, “propósito”, “plano”, “intenção”, “meta”, “esquema maligno”, “conspiração”, “forma”, “estrutura básica”, e todos esses e outros significados estão relacionados a “astúcia” e a “fraude”.
  25. 25. Design Na situação de verbo – to design – significa, entre outras coisas, “tramar algo”, “simular”, “projetar”, “esquematizar”, “configurar”, “proceder de modo estratégico”. A palavra é de origem latina e contém em si o termo signum, que significa o mesmo que a palavra alemã Zeichen (“signo”, “desenho”).
  26. 26. Design E tanto signum como Zeichen têm origem comum. Etimologicamente, a palavra design significa algo assim como de-signar (entzeichnen). Como é que a palavra design adquiriu seu significado atual, reconhecido internacionalmente?
  27. 27. Design Segundo o Houaiss: • substantivo masculino • Rubrica: desenho industrial. • a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade • Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1). • m.q. desenho industrial • Derivação: por extensão de sentido. • m.q. desenho de produto • Derivação: por extensão de sentido. • m.q. programação visual • 6 Derivação: por extensão de sentido. • m.q. desenho ('forma do ponto de vista estético e utilitário' e 'representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais')
  28. 28. Design Não estamos pensando em termos históricos, ou seja, não se trata de consultar nos textos onde e quando se começou a adotar o significado atual da palavra. Trata-se de pensá-la semanticamente, isto é, de analisar precisamente por que essa palavra adquiriu o significado que se lhe atribui no discurso atual sobre cultura. A palavra design ocorre em um contexto de astúcias e fraudes. O designer é, portanto, um conspirador malicioso que se dedica a engendrar armadilhas.
  29. 29. Design Outros termos também bastante significativos aparecem nesse contexto, como, por exemplo, as palavras “mecânica” e “máquina”. Em grego, mechos designa um mecanismo que tem por objeto enganar, uma armadilha, e o cavalo de Tróia é um exemplo disso. Ulisses é chamado polymechanikos, o que se traduzia no colégio como “o astucioso”.
  30. 30. Design A própria palavra mechos tem sua origem na raiz “magh-”, que podemos reconhecer nas palavras alemãs Macht e mögen.* Uma máquina é portanto um dispositivo de enganação, como por exemplo a alavanca, que engana a gravidade, e a “mecânica”, por sua vez, é uma estratégia que disfarça os corpos pesados. * O substantivo Macht significa “poder”, “potência”, e o verbo mögen corresponde, em português, aos verbos “poder” ou “gostar”.
  31. 31. Design Outra palavra usada nesse mesmo contexto é “técnica”. Em grego, techné significa “arte” e está relacionada com tekton (“carpinteiro”). A ideia fundamental é a de que a madeira (em grego, hylé) é uma material amorfo que recebe do artista, o técnico, uma forma, ou melhor, em que o artista provoca o aparecimento da forma. A objeção fundamental de Platão contra a arte e a técnica reside no fato de que elas traem e desfiguram as formas (ideias) intuídas teoricamente quando se encarnam na matéria. Para ele artistas e técnicos são impostores e traidores das ideias, pois seduzem maliciosamente os homens a contemplar ideias deformadas.
  32. 32. Design O equivalente latino do termo grego techné é ars, que significa, na verdade, “manobra” (Dreh). O diminutivo de ars é articulum – pequena arte -, e indica algo que gira ao redor de algo (como por exemplo a articulação da mão). Ars quer dizer, portanto, algo como “articulabilidade” ou “agilidade”, e artifex (“artista”) quer dizer “impostor”. O verdadeiro artista é um prestidigitador*, o que se pode perceber por meio das palavras “artifício”, “artificial” e até mesmo “artilharia”. *que ou aquele que desenvolveu a técnica da prestidigitação, que tem agilidade com as mãos para iludir os demais
  33. 33. Design Em alemão, um artista é um Könner, ou seja, alguém que conhece algo e é capaz de fazê-lo, pois a palavra “arte” em alemão, Kunst, é um substantivo que deriva do verbo “poder”, können, no sentido de ser capaz de fazer algo; mas também a palavra “artificial”, gekünstelt, provém da mesma raiz.
  34. 34. Design Essas considerações explicam de certo modo por que a palavra design pôde ocupar o espaço que lhe é conferido no discurso contemporâneo. As palavras design, máquina, técnica, ars e Kunst estão fortemente interrelacionadas; cada um dos conceitos é impensável sem os demais, e todos eles derivam de uma mesma perspectiva existencial diante do mundo.
  35. 35. Design No entanto, essa conexão interna foi negada durante séculos (pelo menos desde a Renascença). A cultura moderna, burguesa, fez uma separação brusca entre o mundo das artes e o mundo da técnica e das máquinas, de modo que a cultura se dividiu em dois ramos estranhos entre si: por um lado, o ramo científico, quantificável, “duro”, e por outro o ramo estético, qualificador, “brando”. Essa separação desastrosa começou a se tornar insustentável no final do século XIX. A palavra design entrou nessa brecha como uma espécie de ponte entre esses dois mundos. E isso foi possível porque essa palavra exprime a conexão interna entre técnica e arte.
  36. 36. Design Portanto design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, consequentemente, pensamentos, valorativo e científico) caminham juntas.
  37. 37. Referências Referências - ABC da ADG. Editora Blucher, 2012. ABC da ADG. Editora Blucher, 2012. - Imagem também se lê. Edições Rosari, 2009 Imagem também se Edições Rosari, 2009 - O design gráficolê.brasileiro: anos 60. Cosac O design gráfico brasileiro: anos 60. Cosac Naify, Naify, 2008 2008 - O mundo codificado: por uma filosofia do O mundo codificado: por uma filosofia do design e design e da comunicação. Cosac Naify, 2007 da comunicação. Cosac Naify, 2007. - Sistemas de identidade visual. 2AB, 2009

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