As relações homem natureza e a problemática ambiental na educação Brasileira                                              ...
Introdução      O homem está sempre preocupado com seu bem estar e conforto, buscando issoa qualquer preço, esquecendo-se ...
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:BARCELOS, Valdo Hermes de L. ; NOAL, Fernando Oliveira( ORGS). Educação eCidadania: Cenários Br...
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  1. 1. As relações homem natureza e a problemática ambiental na educação Brasileira Joelma Maria de Carvalho Professora Especialista – Colégio Adelmário Pinheiro joelmamc@hotmail.comResumo:A educação é a base de todo e qualquer crescimento econômico seja de que país for e o Brasilou os brasileiros precisam repensar a mesma se pretenderem desenvolver um espírito científiconos estudantes e profissionais da educação, o que assegurará ao mesmo um desenvolvimentoeconômico e social voltado para as gerações futuras.A questão ambiental tem sido foco de debate em congressos, conferências, simpósios enoticiários em todo o mundo. Problemas ambientais que ocorrem nos diferentes locais doplaneta são do conhecimento de todos, intelectuais ou não. Legislação a cerca do tema vemsendo aperfeiçoada e/ou introduzida no intuito de orientar a sociedade a fiscalizar melhorempreendimentos que causam danos ambientais, mas o sistema educacional, que deveriapreparar melhor a sociedade para enfrentar esses problemas, é , na maioria das vezes, falho enem sempre trata o tema com a importância que deveria.A origem deste trabalho está na inquietude de um profissional em educação que, apósobservações diversas em várias instituições de ensino, pode analisar a forma como o tema étratado, e/ou, na maioria das vezes, nem considerado, nos currículos escolares. Taisobservações foram pautadas nas leituras preliminares, a cerca do tema, de autores comoNOAL, BARCELOS, FREIRE, MENDONÇA, SANTOS, MOREIRA,etc., referencial teórico noqual baseia-se a abordagem das questões ambientais tratadas neste artigo, mostrando anecessidade de se tratar o tema repensando a relação desenvolvimento/meio ambiente eadotando ações compatíveis com a preservação ambiental.O objetivo desse artigo é chamar a atenção da sociedade em relação aos vários problemas,que surgem cada vez mais, relacionados ao meio ambiente e à atuação do homem, que deforma negativa, vem contribuindo para que esses problemas aumentem. Objetiva tambémdiscutir soluções políticas e atitudes sociais a serem adotadas para reversão do quadro atual decomplicações sócio-ambientais, bem como e sobretudo, despertar nos educadores atitudesconcretas e mais conscientes em relação ao tema.Palavras Chave: homem, terra, meio ambiente, natureza e vida. 1
  2. 2. Introdução O homem está sempre preocupado com seu bem estar e conforto, buscando issoa qualquer preço, esquecendo-se muitas vezes que alguns recursos naturais, emabundância outrora, vão ficando cada vez mais escassos podendo até comprometer aexistência humana num futuro não muito distante. Questões como infra-estrutura , ouseja, estradas; ruas; avenidas; parques públicos; fornecimento de água potável;recolhimento e destinação de água e esgoto; recolhimento e disposição de resíduossólidos e demais componentes físicos de uma vida moderna vão determinar aqualidade de vida das comunidades, bem como o impacto ambiental das mesmas.Como uma infra-estrutura custa muito caro, ela geralmente é mal oferecida causandovários problemas ambientais como: poluição de águas, enchentes, acúmulo de lixo emlocais inadequados, desmatamentos, desmoronamentos de construções/habitações,congestionamento de trânsito, etc. A sociedade “moderna” tem sido surpreendida com problemas sócio-ambientaisde dimensões cada vez maiores e de difíceis soluções. A legislação brasileira, emborapositiva , ainda deixa brechas para impunidade quando se trata de atitudes pejorativasao meio ambiente, talvez até pela falta de uma fiscalização efetiva de órgãos oficiais eda sociedade civil, pois esta embora sofra com tais atitudes, não sabe exatamentecomo agir. O sistema educacional ainda não tem sido eficiente no sentido de formarprofissionais verdadeiramente comprometidos com a questão ambiental. Embora a tecnologia e o progresso tenham provocado muitos males ao meioambiente, é com base nestes dois fatores, na sabedoria acumulada pela técnica e nasabedoria popular que o homem encontrará soluções para os seus dilemas.As relações homem natureza: uma discussão teórica O homem, muitas vezes, é visto dissociado da natureza e esta, o meio ambientedo qual faz parte, não só é o seu meio como parte do seu próprio ser num conjunto 2
  3. 3. maior chamado terra. O problema é que os homens têm se colocado como seressuperiores e as regras, normas e valores entre eles estão dissociadas da natureza.Esta por sua vez é solidária e os problemas que os homens vêm enfrentando nãopodem ser atribuídos a ela ou ao acaso, mas sim à atuação errônea de uma sociedadeque se faz cada vez mais complexa, cheia de contradições e cujo pensamento “lógico-racional “ não tem dado conta de que a VIDA que ela possui é gerada pela natureza eque esta e a sociedade fundem-se num conjunto único gerador de VIDAS. A terra é uma totalidade complexa física/biológica/antropológica, na qual a vida é uma emergência da história da terra e o homem uma emergência da história da vida – terrestre. A relação do homem com a natureza não pode ser concebida de forma redutora nem de forma separada. A humanidade é uma entidade planetária e biosférica. O ser humano, ao mesmo tempo natural e sobre-natural, tem sua origem na natureza viva e física, mas emerge dela e se distingue pela cultura, o pensamento e a consciência. (MORIN & KERN 2002, P. 158) Neste mesmo sentido vê-se que: ... A natureza, da qual dizemos, ter os seus mistérios.Ela é misteriosa ou nossa ignorância ou vontade de destruí-la por ganâncias econômicas é que nos faz dizermos,muitas vezes, ser ela hermética, fechada em si mesma, ameaçadora, enigmática... há a necessidade e a sabedoria de tornarmos respeitosa a nossa relação com a natureza. Precisamos entender que somos tão-somente um dos seus milhares de seres que, certamente, se diferencia dos outros seres dela, simplesmente porque temos a faculdade de saber e de saber que sabemos e que podemos saber mais, como tão ludicamente insistiu Paulo Freire. (FREIRE 2003, p. 13) A postura do homem na nossa sociedade “Moderna” é de progresso,crescimento e evolução. Ele vem criando técnicas cada vez mais sofisticadas dedomínio da natureza. O resultado de tudo isso seria uma sociedade ideal, onde osrecursos humanos fossem usados de forma consciente para que ele próprio e os outrosseres que dela fazem parte não fossem sacrificados e/ou até dizimados. Num pensamento cartesiano o progresso, isto é a sociedade ideal seria meta aser atingida, independente dos sacrifícios. E esse progresso chegou “para algunspoucos”, mas os sacrifícios vêm para a grande maioria, se não para todos. Não é à toaque países ditos “desenvolvidos” estão tão preocupado com a natureza e os recursosdaqueles ditos “subdesenvolvidos”. Fizeram o que fizeram com seus recursos e porquenão dizer com os de “outros” que hoje é de lá (países desenvolvidos) que surgem as 3
  4. 4. grandes questões de sustentabilidade ou não do planeta . A internacionalização daAmazônia como diria o Cristóvão Buarque pode até ser uma questão planetária, maspara isso teria que se internacionalizar muitos e muitos outros recursos não só naturais,mas aqueles criados pelo homem, para que ele e não só alguns poucos tenhamacesso. Acerca dos problemas que a modernização trouxe vale citar o que diz Andrade Os projetos de modernização aplicados de forma acelerada para atender a determinados grupos têm trazidos problemas de difícil solução, como a salinização de áreas de agricultura irrigada, o desmatamento visando à exploração extrativa vegetal e mineral, e a conquista de terras para a agricultura, a construção das grandes cidades, etc.... o pesquisador ou estudioso tem de estar convicto de que está analisando um processo e não um estágio, numa relação muito complexa, em que a sociedade modifica a natureza, destrói a natureza primitiva ou secundária visando atingir objetivos, e que a natureza destruída ou atacada tem uma grande capacidade de reagir, de se romper, de se recompor, não para voltar ao estágio primitivo, mas para dar origem a um novo estágio, que será continuamente atacado e recomposto. (ANDRADE apud SANTOS et. all org. 2002, p.21): No mundo “civilizado” de hoje o desperdício e a ostentação vem se sobrepondo avalores e ao senso de preservação. Preservação esta não só de recursos naturais, masde culturas das diferentes sociedades que já existiram e das que ainda existem, comsuas especificidades e riquezas. O homem “consciente”,seja ele pesquisador,estudante ou um sábio da cultura popular, em fim o cidadão planetário deve procurarsoluções para a sociedade que não agridam a natureza e nem a si próprio, pois oshomens ao agredirem a natureza estão agredindo a si mesmo, já que são parte dela. Não se pode não indignar ao saber que a produção mundial de alimentos ésuficiente para alimentar toda a população do planeta, no entanto há milhares depessoas passando fome no mundo. Outro motivo de indignação é saber que, em algunspaíses, as populações que poderiam produzir no campo o seu sustento estão nascidades sem um mínimo de subsistência. Tem sido crescente a preocupação com a destruição do planeta devido ao usoindiscriminado de tecnologias predatórias. Há, no mundo todo, vários gruposecológicos, ONGS, etc. preocupados com a questão ambiental; mas há também que sedestacar os modismos e grupos que se dizem ecologistas, mas que não passam de 4
  5. 5. interesseiros, preocupados apenas com a questão econômica de ter recursosreservados para uma futura exploração. Mas não é por isso que não se deve refletircom preocupação sobre problemas como as variações climáticas que repercutem sobretoda a terra; o processo de escoamento de águas pluviais e a sua conseqüência naaceleração da erosão nas encostas e no assoreamento dos rios; a lixiviação dos solos;a desapropriação cultural que certos grupos vêm sofrendo como é o caso dos indígenasaqui no Brasil, etc. Não se trata aqui de supervalorizar a atuação do homem quetransforma seu espaço, mas de entender que, como diz o Andrade: Ao se analisar o processo de organização do espaço pela sociedade, a grande dificuldade é entender que a sociedade é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto. Assim ela destrói a natureza primitiva, dentro de condições possibilitadas pela natureza, mas, ao mesmo tempo, a natureza primitiva se reconstitui em forma de uma segunda natureza, diferente da primeira. E a sociedade, ao mesmo tempo que constrói, dialeticamente destrói e se prepara para uma nova reconstrução dentro de determinados objetivos, que não serão integralmente atingidos, de vez que, à proporção que se processa a transformação, os objetivos vão também se modificando. (ANDRADE apud SANTOS et. all org. 2002, p.25): É nessa sociedade que a globalização aparece como uma das macrotendênciasque estão redefinindo o contexto mundial atual e tal processo comporta umapluralidade de dimensões, seja de caráter político, econômico ou ideológico. Nestamultiplicidade de interpretações a questão ambiental tem sido foco de grande atenção,considerando que a ordem ambiental pode ser descrita como um evento transnacional,uma vez que os problemas ambientais ultrapassam as fronteiras territoriais dos países. A existência de problemas ambientais globais – como o efeito estufa, buraco nacamada de ozônio, poluição oceânica, sonora, aérea, saturação de locais turísticos, etc.– demanda soluções que não podem ser obtidas por meio de políticas isoladas dequalquer lugar (País, Estado ou Cidade), por mais poderoso que este seja. Reflexões se articulam em torno da dimensão político-ambiental no mundo todoe o Brasil procura não ficar de fora. Há que se mostrar de que maneira emergiu aproblemática ambiental em nível nacional, discutindo a participação de vários órgãosque interagem neste cenário condicionado à política ambiental contemporânea,intimamente ligada ao campo da política e economia do país. 5
  6. 6. Tenta-se mostrar aqui as tendências que vem surgindo na tentativa de solucionara questão ambiental, perpassando entre a idéia de governabilidade global, até chegar àcooperação dos Estados (via secretarias estaduais, instituições científicas e depesquisa). Essas tendências reafirmam a necessidade de se repensar a relaçãodesenvolvimento/meio ambiente, buscando alternativas de desenvolvimento maisracionais e compatíveis com a conservação do meio ambiente e conseqüentemanutenção da existência da matéria prima de economia.A problemática ambiental no Brasil Os problemas ambientais no Brasil antes da atual constituição ficavam a cargode quatro órgãos: Secretaria do Meio Ambiente – SEMA, Instituto Brasileiro deDesenvolvimento Florestal _ IBDF, Superintendência do Desenvolvimento da Pesca –SUDEP e Superintendência de Desenvolvimento da Borracha – SUDHEVEA. Elesporém não foram capazes de resolver os problemas ambientais do país. A constituição de 5 de outubro de 1988 foi um passo decisivo para areformulação de nossa política ecológica, pois dedica um capítulo inteiro ao meioambiente e no título VIII, capítulo VI, art. 225, incumbe o Poder Público e a coletividadedo dever afirmativo de defender e preservá-lo. Compete ao governo definir todas asáreas destinadas à proteção espacial, vedada qualquer utilização que comprometa talproteção (Id. III). A constituição brasileira considera a Mata Atlântica, a Serra do Mar, aFloresta Amazônica brasileira, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona CosteiraPatrimônio Nacional e sua utilização deverá assegurar a preservação do meio ambiente(Id. § 4.). Além disto, ela outorga aos municípios a autoridade de legislar sobreassuntos de interesse local e suplementar a legislação federal e estadual quando forapropriado (Tit. III Cap. IV. Art. 30. I.II) e reconhece expressamente os direitos àpropriedade privada, a função social da propriedade e a proteção ambiental comoprincípios gerais de atividade econômica (Tit. VII. Cap. I. Art. 170. II.III.VI) 6
  7. 7. Além de tudo, a Lei Federal N.º 6902 concede aos Estados a autoridade de criaráreas de proteção ambiental (APAs) e zonas de proteção ambiental (ZPAs). Dentro deuma APA, o Estado pode exigir de qualquer município o respeito à proteção ambiental. As políticas de uso do solo devem preservar certas áreas e regiões sensíveis emtermos ambientais. Áreas de sensibilidade ambiental devem receber um tratamentodiferenciado daquele que se aplica às áreas não sensíveis em termos de concessão delicenças e permissões. Da mesma forma que, áreas de interesse turístico, precisamrespeitar as leis de proteção ambiental e cultural, levando-se em conta também osinteresses das populações que algumas vezes nelas residem. Além disto, a Constituição brasileira concede aos Estados competênciaconcorrente para proteger as florestas, promover a agricultura, e promover programasde constituição de moradias e de desenvolvimento. Os estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. (CONSTITUIÇÃO REP. FED. BRAS. ART. 25) A Constituição brasileira delega também a autoridade para planejamento urbanoaos governos municipais, conforme diretrizes gerais fixadas em lei (Tít. VII. Cap. II. Art.182.). Este dispositivo constitucional tem o objetivo de ordenar o pleno desenvolvimentodas funções sociais da área urbana. A função social da propriedade se cumpre quando,entre outros fatores, o uso for racional e apropriado, considerando os recursos naturaisdisponíveis e a preservação do meio ambiente. (Id. Cap. III, Art. 186, I, II)A Com a nova Constituição surge o IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente edos Recursos Naturais Renováveis, através da fusão dos quatro já existentes. Emoutubro de 1992 é criado o MMA - Ministério do Meio Ambiente com o objetivo deestruturar a política do meio ambiente no Brasil; é um órgão de hierarquia superior aoqual está subordinado o IBAMA, este tem como finalidade formular, coordenar, executare fazer executar a política nacional do meio ambiente e da preservação, conservação euso racional, fiscalização, controle e fomento dos recursos naturais renováveis. Asatividades do IBAMA vão desde o mapeamento das florestas via satélite até o controleda poluição das cidades, passando pelo cadastramento e preservação de espécies emextinção e por programas preservacionistas. Para o desempenho adequado de suas 7
  8. 8. funções, o instituto se utiliza da assessoria do Conselho Nacional de Unidades deConservação e de um Comitê Técnico-Científico, todos organismos de naturezaconsultiva cujo trabalho contribui para uma melhor atuação do IBAMA. Uma dascaracterísticas dessa atuação é a descentralização administrativa, que atribui aosEstados e Municípios maior autonomia na condução e solução de seus problemasambientais. Visando a instituição de um sistema de cooperação administrativa para odesempenho das competências constitucionais de proteção ao meio ambiente e aosrecursos naturais renováveis, a União, juntamente com o IBAMA e os Estados, criou oPacto Federativo de Gestão Descentralizada, que tem como objetivo dividir asatribuições específicas de cada esfera do governo, vinculando os Estados à Nação naexecução da política Nacional do Meio Ambiente. Para facilitar a execução do Pacto, o CRA (Centro de Recursos Ambientais)justapõe os principais instrumentos legais, federais e estaduais, que norteiam o trabalhode proteção ambiental, auxiliado pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente)– que estabelece normas de licenciamento ambiental, audiências públicas e avaliaçãodos impactos ambientais; pelo CEPRAM (Conselho Estadual do Meio Ambiente) – queformula a política ambiental para o Estado, estabelecendo as diretrizes e medidasnecessárias à conservação, defesa e melhoria do ambiente. Visando também a preservação do meio ambiente é que no estado da Bahia, alei estadual n.º 3.858, de 3 de novembro de 1980, instituiu a obrigatoriedade delicenciamento prévio da execução de obras, instalação de equipamentos ou dodesenvolvimento de quaisquer atividades consideradas possíveis de degradaçãoambiental.Recentemente, o CONAMA editou normas gerais de licenciamento ambientalpara todo o território nacional mediante a Resolução n.º 237, de dezembro de 1997. O CONAMA já estabelecera as definições, as responsabilidades e os critérios básicos da Avaliação de Impacto Ambiental, como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, através da Resolução 001/86, e da Audiência Pública, que tem por finalidade expor aos interessados o conteúdo de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório (RIMA), dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e sugestões a respeito, através da resolução 009/87 PACTO FEDERATIVO. LEIS FEDERAIS E ESTADUAIS DO MEIO AMBIENTE .CADERNO V. 8
  9. 9. É também de responsabilidade do CONAMA orientar as organizações comatividades sujeitas ao sistema de licenciamento ambiental, para a formulação da suapolítica ambiental e prática de autogestão. Tais organizações deverão ter o seulicenciamento ambiental assinado pelo representante legal e pelo coordenador daCTGA (Comissão Técnica de Garantia Ambiental) com respectiva anotação deresponsabilidade técnica no conselho competente e seus estudos serão analisadospelo CRA e apreciados elo CEPRAM. A aprovação de leis por si só não resolvem o problema, uma vez que necessitamde estímulo para o seu cumprimento. As leis devem prover incentivos e alento para queos cidadãos ajam com consciência ecológica. Cidadãos e grupos de cidadãos (ONGs)podem receber reconhecimento legal ou a capacidade processual para iniciar açõesjurídicas no sentido de garantir a efetivação de políticas ambientais. A ação civil pública foi introduzida no Direito brasileiro, com a aprovação da leiN.º 7347, de 24 de junho de 1985, através dela faz-se a proteção e defesa dosinteresses difusos, mais precisamente a proteção do meio ambiente, do consumidor,dos bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. Estaação terá por objetivo a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação defazer ou não fazer (Art.3), e poderá ser proposta pelo Ministério Público, pela União,Estados e Municípios, por autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade deeconomia mista, ou por associação que esteja constituída há pelo menos um ano, nostermos da lei civil, e inclua, entre suas finalidades institucionais a proteção ao meioambiente. Com esta proteção ao meio ambiente, o Ministério Público passou a figurarcomo instituição em posição de independência entre os três poderes da República,tendo sido estabelecido no artigo 127 da Constituição Federal que se trata de“instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado”, incumbindo-lhe adefesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuaisindisponíveis ficando expresso que dentre as funções do Ministério Público está a de“promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público esocial, do meio ambiente, e de outros interesses difusos e coletivos” (Art. 129, Cap. 3.) 9
  10. 10. As associações ambientalistas porém não têm atuado devidamente nessa área,ora por não se servirem de advogados especializados, ora por desconhecerem omecanismo jurídico à sua disposição. Também não é eficiente a atuação do MinistérioPúblico junto à proteção ambiental, visto que o órgão, embora com presença razoávelnos estados do Sul e Sudeste, não possui organização material eficiente nas demaiscidades do país. Para melhorar sua atuação o Ministério Público deverá prover-se demeios as promotorias de justiça das capitais dos estados, bem como as Comarcas dointerior, fazendo cursos de aperfeiçoamento e seminários para os promotores dajustiça. O sucesso das políticas destinadas a realizar uma gestão ambiental maisharmoniosa e respeitadora das leis da natureza, não depende apenas da vontade deaplicar políticas e normas, mas, principalmente, depende da complexa tarefa dereorientar as forças sociais e políticas, na operação de critérios diferentes dos queexistem atualmente. Tal reorientação trata da modificação dos critérios de racionalidadeempresarial e pública, dos sistemas valorativos, das estruturas econômicas e sociais,das normatividades jurídicas e da organização institucional. É necessário repensar o planejamento do desenvolvimento, visando aliviar apobreza, enfatizando para tanto a satisfação das necessidades básicas da população, ereorientar os setores produtivos da economia a utilizarem de formal racional osrecursos naturais, adotando tecnologias mais condizentes com uma postura ambientalpositiva. Tudo isso mostra a necessidade de se dar atenção prioritária à questão dosrecursos naturais e da tecnologia, a fim de que, sob uma perspectiva ambiental, sepossa incorporar o tema da sustentação material do desenvolvimento em todos osníveis, quer nacional, estadual ou local. O bom senso e a sensibilidade devem estar presentes nas relações humanasentre si e com os outros seres da natureza para que haja um humanismo autêntico quepossa re-estabelecer o equilíbrio do homem na natureza e no seu convívio social,construindo assim um mundo mais justo, com menos desigualdade social e maisrespeito com os outros elementos da terra, pois segundo Freire: 10
  11. 11. Perdemos a capacidade dialética da vivência da nossa pertinência e “admiração da natureza. Perdemos a capacidade de nos indignarmos frente às injustiças e às destruições de todas as ordens e níveis. Perdemos, assim, o endereço vital. Precisamos ir à procura dele humanizando-nos. Este mundo utópico não o encontraremos, devemos estar conscientes disso, no mundo do mercado, do neoliberalismo e da globalização, mas no mundo do cuidado e do amor para com todos os seres. (FREIRE in NOAL E BARCELOS ( 2003, p. 15 ): Felizmente algumas pessoas vêm pensando e discutindo essa questão e graçasàs proporções tomadas pela ‘relação contrária’ entre a necessidade de melhoria naqualidade de vida X degradação ambiental e desenvolvimento econômico Xesgotamento dos recursos naturais é que se discute hoje um desenvolvimentosustentável, que privilegie a qualidade do crescimento, reconhecendo o ambiente comobase fundamental à sua sustentação e que se deve atender às necessidades sócio-econômicas da população presente sem comprometer as gerações futuras. Atualmente o avanço científico tecnológico já vem se preocupando com osprocessos ecológicos e oferece técnicas avançadas de monitoramento, além demostrar novos processos de produção que valorizem mais os recursos biológicos.Aeducação é fator essencial para o alcance de um novo modelo de desenvolvimento noqual as oportunidades de transformação dos setores produtivos globais para buscar umdesenvolvimento sustentável, sejam a inovação do setor produtivo e das técnicasambientais de forma a se alcançar sustentabilidade ambiental, econômica e social. Ao mesmo tempo que se tornou incerto para consciências, o mundo tornou-se complexo não apenas no sentido originário do termo – aquilo que é tecido em conjunto – ma também no sentido em que a unidade traz em si seu contrário: o planeta unifica-se ao mesmo tempo em que se torna cada vez mais fragmentado.Tudo comunica, tudo está em relação, tudo permite a compreensão, mas ao mesmo tempo a incompreensão aumenta mais. Tudo é solidário, mas ao mesmo tempo, tudo é conflitual. Os meios técnicos que permitem unificar o planeta são ao mesmo tempo aqueles que trazem consigo as guerras e a possibilidade de destruição. ( CARVALHO in MORAN 2002 p. 110) A temática complexidade vem sendo trabalhada por vários autores a exemplodos citados acima e os estudos sobre o planeta terra ou gaia precisam atentar paraessa questão, pois como bem aparece na Declaração para o Pensamento Complexo 11
  12. 12. (SP.1998), é considerando a “geopolítica do caos’ de uma globalizaçãohomogeneizadora que promove cada vez mais desigualdades sociais que se afirma: O mundo precisa de pessoas, seres pensantes e atuantes, que vejam osproblemas mundiais no seu conjunto e que estudem, pesquisem soluções concretaspara os problemas do dia-a-dia, não se esquecendo que é resolvendo os pequenosproblemas de casa, dos bairros, das cidades, etc. que se estará, conseqüentementeresolvendo ou evitando problemas de escalas maiores do planeta. Os pesquisadoresprecisam sair dos seus “mundinhos” de laboratórios e partirem para as realidadesconcretas, assim como os educadores precisam sair da postura de professor – “ donosdos conhecimentos”- e se abrirem para uma educação verdadeiramente democrática,trabalhando mais voltado para a realidade e procurando formas mais autênticas esolidárias de inserirem nas comunidades. As incertezas e interdependências do nosso mundo são fatores que aparecemcomo desafios para a humanidade e mostram um novo paradigma: pensarconjuntamente os problemas locais e os problemas globais, pois somos vítimas de umpensamento parcelado e de uma ciência burocratizada. O pensamento reducionista continua a procurar de forma míope a causa e o efeito, a determinar o bem e o mal, a nomear o culpado e o salvador. Continua a eliminar toda a ambigüidade, toda incerteza. Continua a acreditar que o pensamento econômico resolverá todos os problemas. Precisamos de um pensamento apto a apreender a multimensionalidade das realidades, a reconhecer o jogo das interações e retroações, a afrontar as complexidades mais do que ceder aos maniqueísmos ideológicos ou às mutilações tecnocratas – que só reconhecem realidades arbitrariamente compartimentadas e são cegas ao que não é quantificável. Precisamos abandonar a falsa racionalidade. (CARVALHO in MORIN 2002 p.112) A afetividade, a religiosidade, os saberes populares precisam ser valorizados econsiderados pela ciência e pelos estudiosos que precisam saber que não só osinteresses econômicos e técnicos é que movem a humanidade. A felicidade é umameta maior do homem em suas relações sociais e com a natureza, sendo que o podereconômico nem sempre é fundamental nesse sentido. É lógico que a economiafamiliar, do município, do estado, país, etc. precisa estar funcionando bem para que suapopulação tenha uma qualidade de vida boa, mas isso deve estar aliado a outros 12
  13. 13. fatores como lazer, religiosidade, cultura, turismo, etc., atividades prazerosas que nemsempre a maior parte da população tem acesso quando a economia do país vai “bem”.A educação formal tem papel fundamental nesse contexto, pois é preciso que nela hajamudanças de comportamentos como uma prática mais prazerosa e criativa,trabalhando com o que há de verdadeiro no ser humano com suas contradições. O que se vê hoje em termos educacionais é uma formalidade e excesso deburocracia que faz com que haja uma distância muito grande entre pesquisa e ensino e,sobretudo, o ensino fundamental e médio não têm a menor noção do que é a prática depesquisa, os “conhecimentos” as teorias são trabalhadas sem nenhuma conexão com arealidade fazendo com as escolas sejam espaços enfadonhos, reacionário eultrapassados, pois contrastam com uma realidade cheia de inovações e tecnologiasque atraem muitos mais os jovens e os afastam cada vez mais do mundo doconhecimento e das teorias. E por falar em educação, a educação ambiental que virou “moda” e é precisoque os educadores que estão verdadeiramente preocupados com ela não se deixemlevar por princípios teóricos isolados e façam da educação uma prática associada àteorias mais centradas em realidades concretas e, portanto complexas, mais racionaisno verdadeiro sentido do termo. Essa racionalidade inclui, é claro, realidades cheias decontradições que é o que é verdadeiro na natureza. È preciso que o mundo da natureza seja entendido em sua verdadeira dimensão: como gerador e perpetuador da vida. Mais ainda: como o que nos ensina a VIDA e por isso mesmo capaz de nos ajudar a sentir e a compreender, se quisermos aprender com esse mundo da natureza, muitas das dificuldades nas relações dos homens e das mulheres no mundo da cultura. A capacidade anti- ética humana de distorcer as coisas é que está mudando esse destino que o mundo dado poderia nos contemplar. Os humanos ditos “não civilizados”, os “gentios”, Têm essa sabedoria: estão, secularmente, em diferentes partes do mundo nos dado, sem que ouçamos, nos dando essa lição de vida. Assim, essa tarefa educativa exige de nós a colaboração e a participação, uma ação em conjunto, engajada e sempre a partir da realidade local, como preocupação de todos os homens e mulheres sem exceção, mas sobretudo de nós educadores ambientais. É inadiável que, solidária e seriamente, trabalharemos à procura de caminhos viáveis para resolver os problemas do meio ambiente que tornamos ecológica e socialmente adversos em todas as suas esferas da vida. (FREIRE in NOAL E BARCELOS 2003, p.16) 13
  14. 14. Considerações finais Despertar na sociedade o interesse por se resolver questões ou problemasambientais tendo em vista um desenvolvimento sustentável implica em criar na mesmauma consciência ambiental que não pode ser dissociada de crescimentoeconômico;um país, região ou cidade pode e deve aliar seu crescimento econômicocom a preservação dos recursos naturais, pois estes são a base de todo e qualquerdesenvolvimento. Introduzir, verdadeiramente, questões ambientais no sistema educacional,independe de se ter assegurado as mesmas na legislação, pois as leis brasileiras sãobem progressistas neste sentido. Faz-se necessário mesmo é despertar nosprofissionais da educação a verdadeira consciência da importância einterdisciplinaridade do tema. E para isso é preciso repensar a educação de forma maisampla, pois esta deve ser tratada com mais seriedade pelo poder público, para que oseducadores encontrem condições mais adequadas para um trabalho integrado e maiscondizente com uma perspectiva cientifica do conhecimento. Os educadores têm que atuarem, despertando nos alunos o gosto pela ciência,mas antes disso é preciso que eles próprios se encontrem com a ciência e sejam maisque educadores, também cientistas que queiram não só transmitirem conhecimento,mas produzirem, juntos aos alunos novos conhecimentos, produzindo assim uma novaciência. È preciso também que se questione a ciência produzida, propondo um novomodelo, pois as certezas e os procedimentos científicos e epistemológicos positivistasdo século XIX foram abaladas no século XX com as teses de Einstein sobre arelatividade e com o princípio da incerteza de Heisenberg . Além do que há umquestionamento do que se faz com as próprias pesquisas, pois o conhecimentocientífico pode ser a pior coisa quando, na maioria das vezes serve para aperfeiçoar asarmas e para tornar os conflitos mais destruidores. O espírito científico tem que ser associado ao desenvolvimento e este não podeexistir se não de forma sustentável. A educação sempre foi e será a base de todo equalquer crescimento econômico seja de que país for. 14
  15. 15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:BARCELOS, Valdo Hermes de L. ; NOAL, Fernando Oliveira( ORGS). Educação eCidadania: Cenários Brasileiros. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2003.CARLOS, A. F. A. (org.)Ensaios de Geografia Contemporânea.Milton Santos: obrarevistada. São Paulo: Hucitec:1996.GOMES, P. C, da C; CASTRO, I. E. de; CORRÊA, R. L. (ORGS.). Geografia:Conceitos e Temas . R.J.: Bertrand Brasil, 1995.LEFF, Enrique. Epistemologia Ambiental. São Paulo: Cortez, 2001.MENDONÇA, Francisco. Geografia e meio ambiente. São Paulo: Contexto, 1993.MOREIRA, Rui (org.). Geografia: Teoria e Crítica: O Saber posto em questão.Petrópolis:RJ:Vozes, 1982.MORIN, Edgar & KERN, Anne Brigitte. Terra Pátria. Porto Alegre: Sulina 2002.MORIN, Edgar & KERN & RODRIGUES, Maria Lúcia (ORG.). Edgar Morin: Em buscados fundamentos perdidos. Porto Alegre: Sulina 2002.SANTOS, Milton; ARROYO, Mónica; SOUZA, Maria Adélia A.; SCARLATO, FranciscoCapuano (ORGS). Natureza e Sociedade de hoje: uma leitura geográfica. SãoPaulo: Hucitec,2002. 15

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