Poesia de bolsob2011

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Poesia de bolsob2011

  1. 1. Soneto da reconstrução ( em homenagem a Machado de Assis) Minha construção sou eu Eis o que me faz agora viver A mim mesmo todo refazer Achar a fé no peito ateu Mas não renego esse mundo Nem dele agora me desfaço Pois é da tua luz que me refaço Tornando-o terreno bem fecundo E espremendo do coração Tudo que não era verdade Escorreu primeiro a paixão Depois vi sair muita saudade Que não passava de ilusão Casca da falsa felicidade 1
  2. 2. GLADIADORES Os gladiadores entram na arena. Não têm mais espadas nas mãos, nem lanças, nem redes, nem escudos. Também perderam os capacetes dourados. A multidão grita ruidosamente. Xingam os gladiadores. Aplaudem. No meio deles uma bola de couro, mas que parece de aço, é intermediária da violência natural que permeia o coração dos Homens. Viva o futebol! 2
  3. 3. VIVA A PREGUIÇA! Um homem sábio teve uma idéia e construiu uma casa. Um homem valente teve uma idéia e conquistou terras. Um homem prático teve uma idéia e inventou um moinho. Um homem ambicioso teve uma idéia e instituiu a escravidão. Um homem preguiçoso teve duas idéias: escreveu um poema e compôs uma canção. 3
  4. 4. A PALAVRA De todas as coisas que o homem inventou a mais bonita, a mais justa, a mais certa, a mais perfeita, a mais complexa, a mais resistente, a mais flexível, a mais clara, a mais completa, a mais lógica, a mais indispensável de todas as coisas foi a PALAVRA. 4
  5. 5. A CRIAÇÃO No primeiro dia, Deus criou o rosto e os cabelos da mulher. No segundo dia, Deus criou o corpo,os braços e os seios. No terceiro dia, criou o colo. No quarto dia, criou as pernas e os pés. No quinto dia, a fez sorrir. No sexto dia, Deus criou tudo mais que existe no mundo. No sétimo dia, descansou. 5
  6. 6. A LUA A Lua que vejo da janela do meu quarto é a mesma que minha avó vê do banco do avarandado. O meu quarto fica em Minas, o avarandado de minha avó, na Bahia. A lua que vejo da calçada de minha rua é a mesma que um menino magro e nu vê do terreiro de sua tribo. Minha rua fica no Brasil, a tribo do menino, na África do Sul. A lua que vejo da praia do meu país é a mesma que um pescador vê do mar da Indonésia. Meu país fica na América, a Indonésia, na Ásia. A lua me faz sentir tão perto de minha avó, do menino magro e nu, do pescador, tão perto de todo mundo. 6
  7. 7. INSÔNIA Ouço um cão latindo na Coréia do Norte. Um tiro estourando na Irlanda. O choro de um menino com fome na África. A ânsia de uma baleia ferida no Pacífico. Uma bomba explodindo em Israel. Uma mãe chorando na Palestina. Cristais se partindo na Rússia. Uma mulher pedindo socorro no Afeganistão. Um suicida cortando os pulsos no Japão. Um nariz aspirando cocaína em Hong-Kong. Um fantasma louco berrando na Alemanha. Um bêbado cuspindo em Nova Iorque. O som de um velho tambor na China. Uma flauta triste no Peru. Um índio chorando no Amapá. Uma árvore caindo na Amazônia. Os passos de um rato em São Paulo. 7
  8. 8. A SANTA De todas as orações que subiam para o céu ano após ano, dia após dia, nasceu uma bela santa que antes não existia. E ela ficou tão comovida por tanta fé que havia que começou a fazer os milagres que o povo lhe pedia. 8
  9. 9. MENINO Com os olhos de menino vejo o mundo bem melhor fica tudo tão mais claro e o sonho bem maior. Com os olhos de menino Alegro meu coração fico mais perto da vida e longe da solidão. Com os olhos de menino Vejo a lua mais bonita fica tudo tão mais raro e minha alma infinita. Com os olhos de menino aprendi a caminhar a contar no céu estrelas para o homem descansar. 9
  10. 10. A MULATA A mulata que balança as ancas que balança a rua, que balança a cidade, que balança o país, que balança o mundo; bate cartão na fábrica de tecelagem às cinco horas da manhã. A mulata que se alimenta de sol e samba que mora numa caixa de sapato, que nunca foi a um salão de beleza, que nunca entrou numa banheira, que não toma leite; fabrica misteriosamente a carne mais luxuosa do mundo. 1
  11. 11. PALAVRA DE POETA Se o seu nome for Carolina por favor não me diga. Por favor... Esse nome me encanta mais que o seu corpo, mais que os seus olhos, a sua voz, a sua boca. Se você disser o seu nome nossa amizade estará perdida e mais um amor brotará no meu peito já dilacerado. E já são tantos... Mas não acredite se eu disser : te amo. É tudo mentira. É que os poetas vivem mais de palavras do que da própria vida. 1
  12. 12. EX-ROMÂNTICO Nunca mais irá ao cinema. Tampouco escutará música. Evitará os quadros, as flores e não olhará mais para a lua. Nunca mais lerá poesia. Não entrará em teatros nem beberá vinho. Não quer mais saber dessa gente louca lembrando-lhe do amor que pulsa e lateja por baixo da pele, dos gestos, dos olhos, noite e dia. O amor não existe! 1
  13. 13. POETA ANTIGO Sua casa era de papel assim como os móveis, os animais de estimação e as plantas do jardim. Seu terno era de papel assim como seu automóvel, seu espelho, seus sapatos e seus óculos. Seus amigos eram de papel assim como sua amante, sua cadeira, sua mesa e seu perfume. Sua alma era de papel assim como a sua cruz seu cavalo, sua espada e seu escudo. 1
  14. 14. O FUTURO Meninos de alumínio brincam de matar borboletas de metal que pousam sobre flores de borracha. Mulheres de silicone conversam sentadas em bancos de acrílico e sorriem, mostrando os dentes de resina. Homens de fibra de vidro andam para lá e para cá sem terem o que fazer. Os automóveis são blindados; as casas são blindadas; os corações são blindados. Ninguém respira mais pelo nariz; todos têm um aparelho de oxigênio implantados no lugar de pulmões. 1
  15. 15. MIRAGEM Tudo em sua volta é desassossego. As pessoas se espremem, automóveis se empurram, prédios brotam do asfalto, a fumaça sufoca, a solidão aumenta, a miséria se multiplica, o tempo fica nervoso, o dia perde tamanho. Mas a igreja não perde sua calma. No meio desse turbilhão ela exibe a sua paciência com tanta lucidez e serenidade que mais parece uma miragem. 1
  16. 16. O ANJO DA POESIA (para Carlos Drumond de Andrade) Um anjo azul de asas cor de rosa sobrevoa a cidade de ferro. Leva em uma das mãos uma rosa amarela e na outra, uma lilás. Ninguém acredita no que vê. Só um menino raquítico de olhos miúdos, mãos vacilantes , de nome Carlos acredita. O anjo lhe joga as rosas; ele as recolhe plantando-as no seu coração. 1
  17. 17. HUMANISMO A tua dor dói em mim talvez mais do que em ti. A tua fome me enfraquece talvez mais do que a ti. A tua tristeza me entristece talvez mais do a ti. O teu frio me faz tremer talvez mais do que a ti. O teu sorriso me alegra talvez mais do que a ti. Ser humano dói! 1
  18. 18. O MUSEU Uma bola Uma boneca de meia. de pano. Uma atiradeira. Um pedaço Um soldadinho de corda. de chumbo Uma gangorra . Um cavalinho Um carrinho de pau. de rolimã . Uma finca. Uma caixinha Um boizinho de música. de barro. Uma caneta esferográfica. Uma folha de papel. . 1
  19. 19. AUTÔMATO Enquanto dorme suas células se multiplicam. Enquanto sofre seu sangue transporta oxigênio. Enquanto duvida seus glóbulos brancos fagocitam. Enquanto chora suas unhas crescem. Enquanto se arrepende seus ossos acumulam cálcio. Enquanto planeja seus neurônios morrem. 1
  20. 20. ANJO NEGRO ( para Pixinguinha) Lá vai o anjo negro de terno branco e chapéu de palha tocando sua flauta. Todos param para ouvi-lo e tudo se transforma por onde passa. As flores vivas ficam mais vivas, as flores mortas ressuscitam , doentes se curam, casas tristes ficam alegres, crianças pobres sorriem, homens maus ficam bons, mulheres cansadas se animam. Lá vai o anjo negro de terno branco e chapéu de palha subindo para o céu, acompanhado por uma orquestra de outros anjos. O mundo para por um minuto de girar. O PALHAÇO 2
  21. 21. Fez uma cidade inteira sorrir apenas com um belo escorregão. Conhece muito bem todo segredo que existe para abrir um coração. E sabe pintar um sorriso nos lábios de uma pessoa . Não importa se velho ou menino se triste, se não ri à toa. As cores que pintam seu rosto pintam bem mais sua vida. Só sai da pele , não da alma que anda pela rua colorida. “E o palhaço o que é... o que é ? “ “O palhaço é ladrão de mulher”. A cara do palhaço está feliz mesmo se o homem não estiver. ORAÇÃO PARA SÃO FRANCISCO 2
  22. 22. São Francisco me empresta tuas sandálias para eu aprender o caminho, tuas vestes para eu aprender a ser simples e teu cordão para eu amarrar o meu desejo. São Francisco me empresta tua boca para eu aprender a falar sem ofender, teus olhos para eu aprender a ver sem desejar e tuas mãos para eu aprender a dar. São Francisco me empresta tuas chagas para eu aprender a suportar a dor, tua alma para eu aprender a ser humilde e teu coração para eu aprender a ser santo. Amém. A SOLIDARIEDADE PERFEITA 2
  23. 23. A solidariedade dos dentes A solidariedade dos dedos A solidariedade dos olhos A solidariedade das mãos A solidariedade das pernas A solidariedade dos seios A solidariedade das letras A solidariedade das palavras O AMOR DE DEUS 2
  24. 24. Encontrei Deus sentado na grama do jardim, triste, prostrado, inconformado; chorando a morte de uma formiga. Depois de enxugar as lágrimas Ele a ressuscitou. QUARENTA ANOS 2
  25. 25. Nem doce nem salgado. Nem alegre nem triste. Nem sol nem sombra. Nem rio nem lama. Nem pedra nem flor. Nem satisfeito nem faminto. Nem moço nem velho. Nem no começo ou no fim. Somente no meio da vida, no meio da morte. A VIDA 2
  26. 26. A febre, a tosse, o nariz escorrendo e o menino crescendo, crescendo. O verme, a pereba, a dor de garganta e o menino sozinho já se levanta. A queda, o corte doendo e sangrando e o menino danado aparece andando. A caxumba a bronquite, o peito chiando e o menino teimoso já está falando. A gripe, o sarampo, a dor de ouvido e o menino já passa do vestido. E chegou o dia da primeira comunhão, ninguém pode com a vida. Não! 2
  27. 27. A METRÓPOLE A cidade de longe parece brinquedo; de perto enche de medo. A cidade de longe parece bonita; de perto ela é triste e aflita. A cidade de longe parece chamar; de perto só faz recusar. A cidade de longe parece tão calma; de perto tortura a alma. A cidade de longe parece que cresce; de perto somente apodrece. 2
  28. 28. LEGIÃO Homero ficou cego; Camões perdeu olho; Cervantes foi cobrador de impostos; Pessoa se dividiu; Drumont ficou mudo; Murilo perdeu a fé; Nava não suportou e uma Legião de desconhecidos caminham com as almas dilaceradas, famintas e sedentas de poesia. Então, anda, levanta e escreve o poema que (te) acordou no meio da noite. Senão amanhã não poderá olhar nos olhos do seu filho. 2

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