História "Todos de Pijama"

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História da Mundos de Vida

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História "Todos de Pijama"

  1. 1. MUNDOS DE VIPA" É? rw 5,7.? a7 / X if* “t w 9*** *
  2. 2. .uma, human: m um 1mm) 1mm¡ (1o Puznu Il-Mn IxhvnduuIr-'¡í1 . :H. ~'I'I<vw((»s v , numnan/ ur mu. .. . I Yang-wma snwwu-t Ilxzu n : :Indo Ihnuluu : sim wa om uma u n hn'ns1'I'0L1›G/ ¡. 1915492.- 1) e ¡nev›a. squ› Nurpvlvw IllJlllIlIlBlVllu w RuaQumu d. . 4m. m¡ ›¡ 16m m: LmLndn p. .. 7.1"; :Í *em “Und” de Vida mvwmundrxdnwuvhp' Ilustrações: Yara Kono í' Â 'V' 'É 1 "$3- ~ “ « v t' ' u ' '. ¡HIE hñnñmnsmmnmm- . ... FimNnWnn-« “a *serum n13! na
  3. 3. Todas as noites, depois dojantar, a Maria veste o pijama e ñca a olhar para o espelho do seu quarto. A Maria gosta muito de pijamas. Tem três. Um verde cheio de maçãs. Um azul rom desenhos de frascos de rebuçados. E outro corda-tosa com uma chaminé, de onde saem nuvens brancas. Depois de vestir o pijama, a Maria dá um abraço apertado . .- ao pai. Todas as noites, o pai faz o mesmo: xCuidado, vou roubar-tc o nari2!». A Maria ñnge que acredita, ri muito e esconde a cara com as mãos, debaixo da almofada, No meio da brincadeira, a mãe traz um copo deleite quente com bolachas e, enquanto o leite arrefecc. diz lengalengas que a avó lhe ensinou e faz festas na cara da ñlha: «Bichinha gata, que comeste tu? . Sopinhas de leite. Onde as guardaste? Debaixo da arca. Com que as tapaste? Com o rabo do gato, ... !» Às vezes, a filha adormece no sufá e a mãe tem de a chamar: «Marim o leite está a ñcar frio». A menina abre os olhos de sono e responde: mSape, sape, sape. ..›~. Empoleirado no abajur do candeeiro, o papagaio já ouviu tantas vezes a mãe chamar a ñlha na hora de tomar o leite que aprendeu a dizer: «To-ma o leite-o. Aliás, são as únicas palavras que ele sabe dizer. O papagaio foi a prenda que o pai e a mãe deram à Maria quando fez três anos. É lindo, verde e chamarse Quintas. Agora, a Maria tem cinco anos c para o ano vai para a escola primária, O LE. ?-
  4. 4. Na hora de a Maria se ir deitar, o Quintas voa rápido, da sala para o poleim do quarto, para lhe fazer companhia durante a noite. A mãe ou o pai todos os dias leem uma história. Quando veem que a filha tem os olhos fechados, saem 'À ' ¡ _ i _ "Ã" devagarinho: «Boa noite, até amanhã». Nesse momento, a¡ '* ' a Maria, que está a Fingir que dorme, abre as pestana: e, À r' no meio da escuro do quarto, começa a falar com o Quintas. . Só mesmo a Maria consegue perceber aqueles sons estranhas l que o papagaio faz com o biro: «A Quincas, estás a ouvir? _ diz. - Hoje. depois de vestir K7 W o meu pijama, no ñm do jantar. ví o pássaro azul. , ~ Azul? - graceja o Quintas. - Não pode ser. Eu sou verde! A Maria ignora o tom brincalhão do papagaio e procura " @g ' às palavras certas, para explicar: ea - Era o pássaro azul. com penas mais brilhantes do que o Sol. ' ' , , Quando o vejo. parece que está a voar dentro de mim. ' ' -. , - , ~ g_ y O Quincas pergunta: N w ' ' - Maria, é sempre à noite que vês o pássaro azul? v ' ' - - Já o vi de manhã, quando a minha mae não me levou '~' à escola porque tinha muita tosse. Eu ñqueí em casa. .. a' com o pijama vestido. Naquele instante, a Maria estremece e sente que pode ter descoberto o segredo: - Quintas. eu acho que vejo o pássaro quando tenho o pijama _ vestido. - E contínua: o o D ° 9° . .. o ° - O meu pijama deve ter superpoderes! p o ° 4 | U o l f o l a Ii f? Í , ° x . ' _ o ¡ l "i a* I o a 3 ~' o c; - 1 . *- _ ' . " o j o _ 'l 'naun , 5 a
  5. 5. b llllilrnmggnunmw Ipatinga¡ ! Maurren ir Y¡ XrL VV ir s# v» , Elüllilln Todos os dias, a Maria brinca na casinha da escola com a Milu, a sua maior amiga. A Milu já tinha dado um banho à boneca e estava a vestida com um pijama de riscas, quando a Maria, com ar misterioso, diz: ~ Milu, anda comigo ao sótão da casinha, vou contar-te um segredo muito grande. - Espera, é só um ratitom A Milu é uma menina de tranças cor de trigo que vive na Casa das Andorinhas com mais onze crianças. A Casa das Andorinhas é um centro de acolhimento. Quando a Milu era bebé. a mãe ñcou muito doente e o pai foi trabalhar para Espanha. A família era pobre e não podia cuidar dela, dahlhe comida e roupa ou leva-la ao médico e à escola. Na Casa das Andorinhas, a Milu vive com outras crianças que também não podem viver com os seus pais. As vezes, a mãe vem visita- ~la ao ñm de semana; ao pai já não o vê há muito tempo porque ele está em Espanha a trabalhar. Mas de vez em quando falam ao telefone, e o pai promete-lhe sempre: «Daqui a um ratito volto a Portugal. Adiós, Milu». A Maria já brincou muitas vezes com a Milu na Casa das Andorinhas. Ê uma casa colorida com quartos acolhedores, cheios de luz. brinquedos e muitos livros. Ao sábado. a Milu vai à piscina e faz piqueniques com as outras crianças. A Milu é alegre e dá gargalhadas como as outras meninas. Mas, no Dia do Pai e no Dia da Mãe, os pais não vêm à festa da escola, e ela, nesse dia, é a menina mais triste da sala Lilás.
  6. 6. - Milu, Miluuuuuuu! A Milu sobe os degraus a correr porque gosta de saber . segredos. A Maria sussurrou-lhe para ninguém ouvir: - Quando estou em casa, com o meu pijama vestido, vejo o pássaro azul, com penas tão brilhantes como o Sol. ñ O quê? O pássaro azul? - repete a Milu, muito admirada. 4 Quando o pássaro aparece, sinto uma alegria tão grande que não cabe dentro de mim - explica a Maria. -v Eu gostava muito de ver esse pássaro - diz a Milu. - Como e' que faço? - Se vestires o pijama, consegues. Na Casa das Andorinhas, tens pijamas. não tens? - Sim, tenho pijamas muito bonitos, mas nunca vi o passaro azul - explica a Milu. - Gostava de o encontrar. Deve ser maravilhoso! A Maria ñca a pensar: «Os pijamas da Milu não devem ter superpoderes como os meus». Mas não a quer desiludir. Fica calada, a imaginar como pode resolver aquele problema. E não lhe sai da cabeça um pensamento: que pode ela fazer para dar à sua amiga Milu aquela grande alegria?
  7. 7. .¡. l . -'_. ¡ ; Mais tarde, em casa, a Maria conta ao Quintas a conversa que teve na escola com a sua melhor amiga. Os dois fazem planos, alguns muito malucos, até que têm uma ideia genial. Na manhã seguinte, a Maria chega à escola com a mochila cheia como uma cabaça. La dentro, traz escondido o pijama das maçãs. E, sem ninguém ver, mereao dentro da mochila da Milu. Explica a Maria: ~ Milu, logo à noite, veste o meu pijama. Não digas nada a ninguém. Ele tem superpoderes. Se vestires o meu pijama, vais ver o pássaro azul. A Milu vai para casa cheia de vontade de conhecer aquele pássaro maravilha. Deita-se cedo e fica à esperam Quando as duas amigas chegam à escola, no dia seguinte, vão a correr para dentro da casinha para falarem das novidades. Diz a Milu, algo desanimada: - Maria, eu vestiu pijama das maçãs e estive acordada muito tempo, mas não vi o pássaro, Ele não apareceu. Nu dia seguinte. a Milu leva o pijama azul com desenhos de frascos de rebuçados e, na outro dia, o pijama cor-de-rusa, com uma chaminé de onde saem nuvens brancas. A Milu experimenta todos os pijamas da María, mas não consegue ver o passam. Nem consegue disfarçar que ficou triste. Nem a Maria nem o Quincas conseguem explicar aquele mistério tão estranho. Qual seria o segredo? Por que é que a Milu não via o pássaro, quando vestia os pijamas da Maria?
  8. 8. Uma noite, a Maria Ficou muito tempo em silêncio, a pensar naquele mistério. Diz o Quincas: » Maria, não ñques assim, eu também tenho um segredo. 7 E começou a contar uma história que a Maria não conhecia: -r- Quando era pequenino, vivia na América, numa floresta cheia de papagaios, perto de uma aldeia. Estava no ninho e os meus pais traziam-me a comida e penteavam-me as penas com o bico. Um dia, houve uma tempestade muito grande e as 'árvores cairam. O ninho não era muito seguro e ñcou desfeito. Nunca mais vi os meus pais. No ñm da tempestade, vieram pessoas de todo o mundo ajudar os sobreviventes da aldeia. Encontraram-me. Eu ainda não sabia voar e, por isso, levaram-me com eles. Fui viver para uma loja de animais. Havia gaiolas de passaros de todos os tamanhos e cores. Eu tinha saudades dos meus pais, dos momentos em que ñcava debaixo da asa da minha mãe a ver o meu pai arranjar o bico e as unhas das pacas. Os dias na loja de animais eram sempre iguais. Os pássaros passavam o dia a cantar, esforçavam-se muito, mas ninguém os ouvia com atenção. Descobri que não era a mesma coisa viver numa loja de pássaros e numa floresta, com a minha familia. Na minha cabeça, só ouvia a chuva e o vento daquele dia escuro e de tempestade. Foi nesse momento que compreendi que. embora a felicidade esteja onde a pornos, quase nunca a pomos onde nós estamos. Eu tinha sido muito feliz naquele ninho imperfeito na ñoresta. mas só o compreendi depois de ter chegado à loja dos animais. o a; o o ! fu (à
  9. 9. O Quincas continua a falar: l I o l a -~ Um dia, os teus pais foram à loja procurar um pássaro. . o. _n _. _ _ _ Â ¡t! p Eu tinha as penas muito bem penteadas e cantei o melhor que sabia. Gostaram de mim e levaram›me para a tua casa H9 m no dia em que ñzeste três anos. Já passaram mais dois ” , . anos. Eu ainda tenho saudades dos meus pais. Mas, agora, . - E2 . . o já não vejo só nuvens negras, passei também a sonhar com dias de sol. ¡É! Para isso acontecer, temos de encher a vida com coisas simples: como saber dizer «to-ma o leia», apreciar o vento que sopra da janela sobre as penas. imitar o ladrar do cão da vizinha, aprender a gostar de bolachas de água e sal e ficar emocionado quando me vês pendurado no poleiro de cabeça para baixo e gritas: «Ai, mãe, que o Quincas vai cairl». Todas as tardes, estou à espera que chegues da escola para te ver e podermos falar. Gosto de viver com a tua familia. A Maria fica admirada com o extraordinário segredo do Quíncas. Levantavse e diz~lhe baixinho: ~ Boa noite. companheiro, também gosto muito de til O Quintas esconde a cara debaixo da asa, contente, mas x com vergonha. Passados uns minutos, estão os dois a dormir profundamente. Naquela noite, ninguém se lembrou do passaro azul! Nñlâñ
  10. 10. É quase noite, num ñnal de dia de outono, As folhas amarelas pintam as árvores. A María tinha chegado da escola e já tinha tomado banho. Tocam à campainha da porta, e ela vaia correr ver quem é, atrás da mãe. - Milu, Milu, és tu! - diz a Maria, dando um abraço a sua maior amiga. Não é a primeira vez que a Milu vem para casa da Maria brincar ou jantar. Mas, desta vez, trouxe uma mala. Uma mala muito grande, uma coisa que não era costume. Os pais já tinham falado com a Maria sobre uma ideia de que ela tinha gostado muito. Queriam, um dia, ajudar um menino e aco1hé~lo lá em casa, até ao dia em que ele pudesse voltar para a casa dos seus pais. Se fosse a amiga Milu, melhor. Pela rádio, souberam que havia um projeto chamado «Procuramse Abraços». E foi assim que ficaram a ser a família de acolhimento da Milu. A mãe da Maria comprou um vestido vermelho e pijamas novos para a Milu. O pai montou mais uma cama para as duas dormirem no mesmo quarto. A partir daquele dia, passou a haver mais movimento naquela casa. mais trabalho, mas também mais alegria. À noite, a mãe passou a trazer dois copos de leite com bolachas, e as duas amigas, depois de vestirem os pijamas, correm a abraçar o pai da Maria. Agora ele rouba o nariz às duas, ao mesmo tempo!
  11. 11. É _ . 33 V9 A Milu gostou muito dos pijamas novos: um amarelo com um regador, um lilás cheio de borboletas e um branco com É; uma ovelha a'comer erva_ Com a ajuda da Maria, a Milu rapidamente começou a perceber os sons estranhos que É o Quincas fazia com o bico. Todos os dias, depois das luzes apagadas, ficavam na conversa. Mas, às vezes, as meninas _do Quincas, que adormecia, com alguns ciúmes, em cima y f? ? ^ Õ 59 do poleíro. Um dia, o Quincas acordou sobressaltado com a voz da Milu a M, 'A' __ dizer muito alto: e v 37V? A - Maria, Maria, acorda. .. eu estou a ver o pássaro g y azul! É lindo. 0 pássaro azul brilha como o mar! n, __. _,_ -u. . Í j _ , A Maria ficou muito feliz: finalmente a amiga via o pássaro ”””” ' ' ' " ' azul! a” Mas de repente a Milu diz: 5'* - 0h, deixei de o ver”. Para onde terá ido? A Maria sossega-a: - Deixa lá, ele há de voltar! ,_ E, naquela noite, adormecem as duas, mais uma vez a pensar a naquele segredo maravilhoso. .. falavam só as duas sobre as suas aventuras e esqueciam-se É
  12. 12. 4 No dia seguinte, durante o jantar, a María olha para a Milu, enche-se de coragem e surpreende o pai e a mãe: - Vou contar-vos um grande segredo, estão preparados? A mãe e o pai olham um para o outro, curiosos, e acenam com a cabeça. A Maria enche o peito de ar e atira: x - Ontem à noite, vimos o pássaro azul. ' - Que história e' essa? - pergunta o pai, admirado. - O Quincas não é azul! - Não e' o Quincas - explica a Maria. - É um pássaro diferente. Eu já o tinha visto muitas vezes à noite, depois de vestir o pijama. .. - e depois de uma pausa acrescenta: - Mas a Milu é a primeira vez que o vê. .. - Mas. .. - interrompeu a mãe, tentando não se rir daquela história. - O que faz esse pássaro ao certo? - Faz-nos sentir bem - diz a Maria_ - Uma alegria grande, enorme. .. aqui dentro - acrescenta a Milu, pondo as duas mãos sobre o peito. › ' A Maria continua a falar: - Eu penso que é por causa dos pijamas, eles têm superpoderes. Onde é que compraste os nossos pijamas, mãe? - Foi numa loja normal, onde se compram todos os pijamas - diz a mãe sem dar grande importância. A Maria e a Milu não percebem por que é que a mãe não fica interessada e, então, olham para o pai. .. ' Mas o pai vira-se para as duas e só diz: - Vocês tem cá uma imaginação! - Mas é verdade, nós vimos mesmo o pássaro azul. Os nossos pijamas devem ter superpoderes.
  13. 13. .. a r 2 1"** É? a 'X5 à , .. n “H r' . Ii i9 l 1 v' . t-. v u l E_ *à* . ' , J 1 I w -Íl'* *à I | ¡Qãw | «G34 lg i8 l A mãe apertaa boca para não se rir e diz-lhes com uma ponta de ironia: - Hoje, então, vai ser mais dificil verem esse pássaro. Os pijamas ainda estão molhados, por causa do tempo de chuva. As meninas passam perto dos pijamas a secar e vão tristonhas para o quarto. Não por não terem os pijamasdo costume, mas porque o pai e a mãe não acreditam que viram o pássaro azul. - Quincas, tu és esperto - elogia a Maria, já deitada - diz lá como é que vamos provar que os nossos pijamas tem mesmo superpoderes. . Mas o papagaio não tem resposta para aquele problema bicudo. .. De repente, a Milu chamar - Maria, Maria. .. estou a ver o pássaro azul. - Bu também, eu também - diz, ao mesmo tempo. a amiga. O Quincas abana a cabeça, cada vez mais confuso. .. Como é possível? ' ' A Maria e a Milu repetem que viram mesmo o pássaro e que este abriu as asas largas e brilhantes, espalhando alegria pelo quarto todo. O Quincas fica acordado toda a noite. Quer descobrir o segredo l que ficara ainda maior: Por que é que a Maria e a Miluviram o pássaro azul numa noite em que não dorrniam com os pijamas do costume? O papagaio levanta todas as penas da cabeça: tinha de pensar. O problema era, realmente, bicudo e muito corxiplicado!
  14. 14. As duas meninas levantam-se cedo, preparadas para um dia especial, O papagaio aparece na cozinha a esvoaçar e pousa, suavemente, em cima dos pratos da balança. Nessa manhã, o Quincas não faz com o bico os sons estranhos que só a Maria e a Milu compreendiam. As duas amigas ficam a saber que o papagaio já sabe falar direitinho como gente normal! Quando o pai e a mãe chegam para preparar o pequeno- -almoço, ficam espantados: O que estariam aqueles três a fazer ali tão cedo? Mas a Maria não dá tempo a ninguém de falar: - Ontem, ficámos tristes porque não acreditaram que vimos o pássaro azul. E a Milu dá as novidades: - Mas o Quincas descobriu o mistério e vai-nos dizer o segredo! Nesse momento, os pais desatam à gargalhada. Como é que um papagaio, que só sabe dizer ato-ma o le-te», pode contar um segredo? Aquela história só pode ser pura imaginação das duas meninas. .. Mas, de repente, quando começam a ouvir o papagaio falar como gente. perdem logo a vontade de rir: ~ Sim, já sei falar, a Maria e a Milu ensinaram-me muito bem, todos os dias ã noite aprendi um bocadinho! O pai confessa o espanto: - Mas. .. estarei ainda a sonhar? O que se estará a passar com este papagaio?
  15. 15. Todos querem ouvir o Quincas. Ele fala tão bem! Não ha' dúvida, têm em casa o papagaio mais esperto do mundo. Cheio de importância, o Quincas explica: - Quando a Maria me disse que via o pássaro azul vestida de pijama, pensamos que qualquer menino podia vê-lo da mesma forma. Mas depois soubemos que a Milu nunca tinha visto ° V _g3 . aquele pássaro_ e a Maria resolveu levar, às escondidas, os seus pijamas para a escola. Mas nenhum deles funcionou com a Milu, até que ela veio morar para esta casa. .. a / l Foi assim que, passado algum tempo, a Milu começou também z-X i a ver o pássaro azul. Primeiro, pensamos que a mãe da l ' M Maria podia ter comprado pijamas com superpoderes. Mas, , w ontem à noite, mesmo sem aqueles pijamas, as duas meninas conseguiram ver o pássaro azul. Que segredo está por trás deste mistério? O Quincas, por instantes, parou de falar e olhou para os pais da Maria. Estavam de boca aberta. .. ád - Como é o pássaro azul? - pergunta a mãe. agora muito . » v interessada na história. ¡ l . . _ - É um pássaro de penas brilhantes que passa dentro de nós . , ea¡ e nos põe muito contentes. A mãe olha para o pai. e o pai olha para a mãe. Abrem os braços e no meio ficam as duas meninas. Dão um abraço apertado, o maior abraço de todos os que já tinham dado. Soube tão bem aquele abraço do pai e da mãe, logo pela manhã. G9 9° Gê
  16. 16. .m u* 7 Maria, Milu, Íechem os olhos, rápido. Ele pode estar a chegar - fala o papagaio. Diz o pai: - Ele quem? O pássaro azul? É preciso abrir-lhe a porta? 7- Não, ele aparece na mesma - explicam as amigas. Afirma o Quincas: - O pássaro aparece quando as meninas e meninos de todo o mundo se sentem seguros, protegidos, sem medo. .. e são amados, numa família. Perceberam? Continua o papagaio: - O pássaro azul é feito das nossas alegrias e dos momentos bons. Pode aparecer quando o pai brinca com os filhos logo que chega a casa ou quando a mãe traz n leite com bolachas, Pode aparecer quando o pai rouba o nariz_ faz cócegas ou canta tão mal que toda a gente se escangalha a rir. Ou ate' pode aparecer quando a mãe fica em casa no dia em que os filhos têm tosse ou quando lhes conta uma história de dinossauros com sarampo. O relógio mostra a hora de saírem para a escola. 7 Mãe. podemos ir de pijama? Foi por causa dos pijamas que descobrimos o segredo do pássaro azul 7 pediu muito a Maria. 7 Não pode ser, têm de ir de vestido 7 tenta convencelas a mãe. Mas as duas insistem, insistem, insistem. Até que o pai abre uma possibilidade: 7 Deíxaras ir, até pode ser boa ideia. Mas só se prometerem que contam esta história na escola. .. 7 Vá la', pode ser. mas só hoje". 7 diz a mãe. As duas amigas vão a correr vestir os pijamas: a Maria veste o das maçãs; a Milu o da ovelha a comer erva. E foi assim que, naquela manhã de outono, a Maria e a Milu saíram de casa para a escola, muito ligeiras e. .. de pijama! u'. EE: E f*
  17. 17. ' 71;; t* tjlfsí fl: "e 'a Quando a Maria e a Milu entram na escola, todas as cabeças olham espantadas para as duas amigas. 7 Não se esqueceram de nada? Por que é que as meninas vêm de pijama para a escola? 7 pergunta a educadora da sala Lilás. Como prometem ao pai, a Maria conta a história. Fala de tudo: do Quincas, dos pijamas, do pássaro azul e do mistério que tinham descoberto. - Esta é a verdade 7 explica ela, esperando que todos compreendam o segredo. 7 Os meninos pequenos conseguem ver mais depressa o pássaro com as suas asas brilhantes quando estão junto da família. Diz a Milu: 7 Não podemos esquecer que ainda há meninos que não conseguem ver o pássaro azul, mas que gostariam muito de o ver. 7 Por isso, tivemos uma ideia espetacular! 7 afim-ia a Maria. 7 Um dia por ano, vamos passar a vir para a escola de pijama, para recordar à gente grande como é importante que as crianças possam crescer no meio de uma familia, mesmo ¡ aquelas que não podem viver com os seus pais, como a Milu. I Assim, podemos lembrar que o pássaro azul existe mesmo, em | toda a parte, e que pode voar junto de cada menino! I ai¡ : num-zum antivirus' Fnlminu nllgvuxiil
  18. 18. E continuou: . / '1- l (dj 7 à » Nesse dia especial, vamos trazer os pijamas. fazer “M” - _V 'xo brincadeiras, tirar fotografias, contar histórias novas e ajudar o x l _ l projeto das familias que acolhem crianças em sua casa. l C9 à' Os meninos da sala Lilás acham a ideia muito divertida e vão, com a Maria e a Milu, convidar os outros meninos das salas Branca, Rosa, Laranja, Azul, Verde, Amarela e Vermelha. Todos juntos, começam a saltar, entusiasmados: l , l - Dia do pijama! Dia do pijama! Dia do pijama! ~ - - 1 a” a E A ideia espalha-se rapidamente com a ajuda do Quincas, l A que contou a ideia aos seus amigos, que por sua vez a contaram 9/ às crianças da sua rua, da sua aldeia e da sua cidade. ll l¡ lí_ l x/ ' #H7 ? fl ~ a. [axa : a , g , Y: › r i 1 Q '. ' . . " › . . '_' ma: nanuúñnmsnnmananaanúánnámin' V di) EEWFÃENRER
  19. 19. 'E , au É dia 20 de novembro, o Día Nacional do Pijama! No poleíro junto a janela. o Quincas ve milhares de meninos, a caminho da escola, vestidos com os seus pijamas coloridos. Sai a esvoaçar e ñca encantado com tudo o que vê! Ao ñm do dia, a Maria e a Milu chegam a casa muito contentes e chamam-no: - Esta prenda é para ti. É um fatínho de dormir, às riscas, que era das nossas bonecas - explica a Maria. ›- Foi a educadora que o mandou para te agradecer a descoberta do segredo. Vais ficar todo janotal No fim de jantar, a mae arranjou as mangas para as asas poderem Ficar de fora, e o papagaio subiu, com vaidade. para o abajur do candeeiro. A seguir às meninas, os pais foram também ao quarto trocar de roupa e aparecem na sala. Neste dia especial, estão, finalmente, todos os cinco vestidos a condizer. - Quincas, podemos ficar com o pássaro azul para sempre? - pergunta o pai, enquanto fecha o livro que está a ler. - Penso que não. Na noite em que ele apareceu à Maria, quis apanha-lo com a rede de borboletas e depois tentámos tirar uma fotografia. Não é possível. Ele é invisivel. O pássaro azul vem e vai. Mas pode aparecer, todos os dias. nas pequenas coisas e nas pessoas de quem gostamos, quando estamos com elas. 0 importante não é té-lo, é saber onde o procurar - explica o papagaio. - Quincas, tu também já viste o pássaro azul? - quer saber a mãe da Maria. 6.3 9.3 e; - ' à.
  20. 20. O papagaio responde: - Só quem é pequeno e vive numa familia o consegue Ver bem. E, como de costume, àquela hora, o pai rouba o nariz às duas meninas, e a mae traz o copo de leite com as bolachas. .. De repente, não resistem mais e começa tudo à gargalhada, com a mão na barriga de tanto rir, quando olham para o candeeiro e veem o papagaio a assobiar, lodo enfiado no seu fatinho novo de dormir, às riscas! Àqilcla hora já escura, quem passa em frente da casa Cla Maria e da Milu ñca contagíado ao ouvir todos aqueles risos. O que se passa lá dentro? Através da grande janela do jardim, com as cortinas ainda abertas, vérse um papagaio e uma família sentada no sofa', com duas meninas a tomar leite. .. Que poderes podem explicar toda aquela alegria. ..? Os olhos espantadas de quem passa voltam a percorrer toda a sala daquela casa. Mas, na verdade, é apenas um papagaio e uma família. .. Todos de pijama! V CQMACF GI' '
  21. 21. xl / l l l/ V | Í/ xl a extraordinária aventura de duas crianças procuram desvendar um segredo. nois de avistar o pássaro azul, uma das meninas tudo - com a ajuda do seu papagaio »e l que a sua melhor amiga encontre também ' *ela ave tão brilhante como o mar. .. ássaro azul existe? É pura imaginação crianças, como pensam os pais? pijama começa por ser a única pista. , l simples peça de roupa acaba por se revelar ; rande importância na vida da família, -scola e do país daquelas crianças. ;rita para pequenos e grandes, Todos de Pijama na história sobre a felicidade. a história que nos lembra que uma criança direito a crescer numa família. j ›ois desta história, o nosso pijama passará j r outro significado na nossa vida! , “l I / “l j | IÍ xl

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