2011 06-14 - diário inês castro

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Após o estudo do episódio da morte de Inês de Castro, situado no Canto III d’ “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, uma aluna colocou-se na pele da pobre e indefesa donzela, que foi vítima do amor e teve como destino a morte. D. Afonso IV esteve prestes a perdoá-la, mas o povo com “falsas e ferozes razões” “à morte crua o persuade”.

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2011 06-14 - diário inês castro

  1. 1. 12 de Outubro de 1345 Querido Diário, deparei- Hoje, ao despertar, deparei-me comuma entre as muitas respostas de Pedro saudades…às minhas sentidas e tristes saudades…pois, desde a lastimosa morte de suasenhora D. Constança, ao dar à luz ofuturo novo herdeiro ao trono, que meencontro no castelo de Albuquerque juntoà fronteira castelhana, ordem dada porEl-El-Rei D. Afonso IV. IV.
  2. 2. O rei teve essa atitude por achar queesta seria a única maneira de distanciaralgo que, por mais distância que exista,nunca, jamais, será esquecido, ou apagado…simplesmente apagado…o cruel e forteamor.amor. Desta vez, Pedro prometera virresgatar-resgatar-me deste local, que se tornou umInferno insuportável. Para ser sincera, insuportável. pior…não sei o que é pior…se estar nestetriste espaço, longe do meu bem-querer, bem-
  3. 3. ou voltar para o local onde nos havemos deesconder todos os dias, para que ninguémnos julgue ou amaldiçoe, simplesmentepara sermos felizes, durante brevesminutos…minutos… Nunca, jamais quis criar este tipo desituação, colocar pai e filho de costas matrimónio.voltadas, destruir um matrimónio.Contudo, não posso voltar atrás, pois sesoubesse o que me esperava, jamais teria Constança.vindo com Constança.
  4. 4. Neste momento, só queria estar longede tudo e de todos, mas não me imagino dele.longe dele. Neste momento, devo ser a pessoamais egoísta da humanidade, mas se seregoísta é amar intensamentealguém…alguém…então sim, sou a pessoa maisegoísta da humanidade.. humanidade Inês de Castro
  5. 5. 1 de Abril de 1346 Querido Diário, Hoje foi o dia mais feliz da minhavida…vida…mas depressa se transformou nodia mais infeliz, desgostoso, cruel, doloroso…penoso, choroso, trágico, doloroso…busco pela palavra ‘perfeita’ para poderinjectar numa só folha o sentimento detristeza mais profunda que sinto nestemomento, mas nenhuma é suficientepara descrever o que me vai na alma.. alma
  6. 6. Há 24 horas atrás, carregava em meuventre uma parte de Pedro e uma partede mim, isto é, duas partes numasó…iria chamar--se Afonso..só… chamar Afonso ************ Fiquei receosa pela reacção de Pedro ede todo o povo, que cruelmente nosjulgava.julgava. Receava ainda mais a reacção deD. Afonso IV, quando viesse a saber.saber. Quando contei a Pedro que estava àespera de um filho dele, ele simplesmente.. simplesmente
  7. 7. transbordou de felicidade, como se fosse oprimeiro.primeiro. Entretanto, passaram os nove meses chegou.e o tão aguardado dia finalmente chegou.Eis que tive o meu pequenino em meusbraços breves minutos e depressa gravei orosto daquele pequeno ser, pequeno perfeito.demais para ser algo tão perfeito. Ao olhar para ele, vendo aquelesolhos brilhantes como a luz da noite, nãoconsegui respirar, nem pensar, nem dizer
  8. 8. uma única palavra, simplesmente olhei-o, olhei-admirei-admirei-o, e a única acção que houvenaquele espaço foram dois leves traços deágua salgada saídos dos meus olhos, maslogo de seguida tudo o que estava a ser‘mágico’ passou a ser horrível, pois, de ummomento para o outro, a pequena criaturasoltou um último folgo. Passaram-se folgo. Passaram-minutos e nada de diferente aconteceu, anão ser o tempo, que cada vez passavamais depressa e eu ali, sentada com o que
  9. 9. há uns minutos atrás eram lágrimas defelicidade, agora não passavam desofridas lágrimas de profunda e dolorosador…dor…perante isto, não sei mais o que dói-escrever, pois só de relembrar dói-me aalma que nem sabia que podia doertanto…tanto… Inês de Castro
  10. 10. 17 de Maio de 1347 Querido Diário, data. Hoje é uma próspera data. Depois do trágico episódio que sesucedera no ano anterior (episódio esseque, por mais tempo que passe, jamaisserá apagado da minha memória), umoutro milagre acontece e desta vez, este feliz.tem um final feliz. Chama- Beatriz. Tive- Chama-se Beatriz. Tive-a emmeus braços, segundos suficientes, para
  11. 11. ver a face de Pedro diante de meus olhos,pois esta pequena e frágil bebé era aimagem do pai, que ficara enternecido ao encanto.olhar para aquele encanto. Logo em tomou-seguida, tomou-a em seus braços, destafeita, quem se comoveu em primeiro foiPedro, pois ao olhar para os seus olhos,estes estavam inundados de felicidade,fluindo esta em sua face transformada água.em límpidas gotas de água. Passaram- Passaram-se as horas e tanto Pedro
  12. 12. como eu estávamos receosos, poisrelembrávamos o antigo episódio que sesucedera há um ano atrás… mas nada atrás…havia a apontar, pois Beatriz estava cada viva.vez mais viva. Pedro não afastava o seuolhar daquela menina, nem eu conseguiaafastar o meu. Era fascinante vê-la a meu. vê-mexer-mexer-se num espaço em que só estava elae somente ela, ver aquelas covinhasperfeitas que fazia sempre que sorria,
  13. 13. dela,em sonhos dela, simplesmente erafascinante vê-la diante de mim viva. vê- viva. Inês de Castro
  14. 14. 9 de Junho 1354 Querido Diário, Finalmente, encontro aqui o mefaltava…faltava…algo onde possa escrever tudo oque aconteceu ao longo destes anos… anos…quando escrevo tudo o que tenho na desaparece.minha cabeça, o peso desaparece. A alivia-escrita alivia-me um pouco da pressão, daconfusão em que a minha vida se tornoudepois de ter vindo com Constança paraCoimbra.Coimbra.
  15. 15. É errado amar? – pergunto eu. eu. Sim! Porque, desde que aqui estou,e, por infelicidade ou não, me terenamorado por Pedro e ter sidocorrespondida que todos os dias são umaluta contra o nosso amor, pois a sociedadecoloca o estatuto social acima de tudo, issosim, não será errado? Por vezes, imagino como seria senunca tivesse vindo para cá, mas pormais que tente não consigo, pois, onde
  16. 16. me imagino, não está Pedro e não meimagino noutro espaço sem ele, e não teriaos meus três preciosos rebentos Beatriz,João que nascera em 1349 e Dinis que atrás.nascera há dois meses atrás. Durante estes anos, aconteceramimensas coisas, uma das quais o meucasamento com Pedro. Foi um Pedro.casamento em segredo, nem imagino oque o povo diria ou até mesmo o pai de saber.Pedro se viessem a saber. Talvez a nossa
  17. 17. vida se tornasse mais fácil, pois nãopoderiam fazer nada ou tornar-se--ia um tornar-seinferno maior do que este, o que é quaseimpossível de imaginar. imaginar. Por vezes, dou por mim tentada adesistir de tudo, por mais que me custe eme doa a alma, até não haver limite de dão-dor, mas Pedro e os nossos filhos dão-me cabeça.força para que erga a cabeça. Inês de Castro
  18. 18. 7 de Janeiro de 1355 Querido Diário, Ao despertar, mirei o que estava foradaquelas quatro paredes, parecia umaoutra dimensão, o ar era leve, a brisa faziao arvoredo dançar de uma forma queseduzia qualquer amante da Natureza.. Natureza Ao contemplar todo aquele cenário, peito.uma forte pontada soou no meu peito. Aoolhar para a porta, reparei numa folha depapel sob o chão, que dizia: dizia:
  19. 19. Inês, queria simplesmente antecipar onosso encontro de hoje. Antecipar-se-á hoje. Antecipar-se-uma hora no mesmo lugar, a fonte.. fontePedro..’’Pedro Estas palavras não pareciam ser dePedro, eram demasiado bruscas para seremdele, mas provavelmente deveria estaratarefado.atarefado. Neste momento, olho para os nossosrebentos e uma enorme mágoa enche--me o enchepeito, uma vontade de os aprisionar a mim
  20. 20. tanto eles como a Pedro como se nuncamais os fosse ver. Pedro…. Pedro…. ver. Pedro… Pedro…Simples nome que traz consigonumerosas memórias de momentos quejamais serão esquecidos. Um deles, por esquecidos.exemplo, é o dia em que vim comConstança para Coimbra e conheci aquelepor quem até hoje me sinto cada vez maisenamorada e que revirou a minha simplesvida ao contrário. Relembro ainda os dias contrário.que passámos naquela que por nós ficou
  21. 21. intitulada ‘Fonte dos Amores’, pois láé o nosso local, o nosso mundo, onde nãosomos julgados e vivemos o nosso amorsem ter de o esconder, é onde podemos sernós ‘Pedro e Inês’, simplesmente nós,sem o título de ‘príncipe ‘D. Pedro’ e a ‘D.‘Aia de D. Constança’. Ali, éramos Constança’.nós dois amantes da paixão, dois escravos Amor.do Amor.
  22. 22. Cada recanto daquele local faz partedas minhas memórias.. Tantas memóriasrecordações, tantos sorrisos, tantaslágrimas, tantas juras de amor… ao amor…recordar todas elas, dou por mim, nesteinstante, lavada em lágrimas, pois esses mostram- longínquos.momentos mostram-se tão longínquos. É lembro-agonizante pensar assim, pois lembro-medo rosto de Pedro e volta o peso e a mágoano meu peito… porquê?! peito… porquê?! Sensação estranha, é como se estivesse
  23. 23. aterrorizada por não voltar a vê-lo… vê-lo… Amo- Amo-o mais do que tudo, nuncanada foi tão importante para mim e umdia, quando repousar eternamente,somente peço a Deus que os meus filhose ele saibam o quanto os amo, e quepodem vir mais ‘batalhas’ que enfrentareitudo por eles, pois eles (Pedro e os meusfilhos) são quem mais amo, são por quemum dia, se for preciso, darei a vida. vida. Inês de Castro

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