Abade - Jean VIOLLET
Moral familiar
Tradução aulolisada pelo
Prof. NELSON DE MELO E SOUSA
EDITORA GETULIO COSTA
Rua Teófil...
íNDICE
PREFACIO . 7
I- A FAMíLIA 9
O sacramento do matrimnio. 10
Os deveres dos esposos . 12
Da ·autoridade do marido . 15...
6 A.BADE - JEA.N VIOLLET
V - DA EDUCAÇÃO DOS FILHOS 63
Das qualidades· do educador 64
A infância 67
A idade dHicil 69
O jo...
PREFACIO
E' exprimir verdade trivial o falar-se na des­
cristianisação da França moderna. f!:rro é, porém,
comum, o querer...
8 .ABADE - JEAN VIOLLET
os remedios a tão Jamentave l estado de coisas.
Baixa leis famiJiares e prepara outras tantas. Pro...
I
A FAIHLIA
E' a familia uma sociedade fundada por D·eus. Tem
assento no amor e, mnralmente, só se desenvolve à custa
de u...
10 .ABADE - JEAN VfOLLE T
O sacrermento do matrimonio.
Assim como a Igreja aparelha os. seus padres à
grande obra do sacer...
M O R A L F A MI L IA R 11
çador de q ue se desembaraçam sem saber qual seja
a condição indispensavel das graças do sacram...
12 ABADE - JEAN VIOLLE T
saz elarjvidentes para conforma-los à vida }Jerfeita se
não esperam de Deus as luzes e os socorro...
M6RAL FAMILIAR 13
dade, amparo e proteção.. Como devemos entender es­
sas palavras?
Trata-se, por ventura, de fidelidade p...
14 ABADE - JEAN VIO L LET
que se caracteriza }JOr estas palavras: auxílio e sustento
mutuos. Deixemos de parte o auxilio e...
M O R A L F A MILI A R 1 5
confortem se somos incapazes de ver onde reside o
mal?
O amor é um sentimento que não se basta ...
16 ABADE - JEAN VIOLLE'f
das. O marido que agisse JlOr modo idêntico em relaçâo
a espôsa cometeria in1oleravel abuso.
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MORAL f."MILIAR 17
cupação do bem comum, o desinteresse pessoal levam
catla um do.s esposos a apreciar melhor o valor dos ...
18 ABADE - JE AN VIOLLET
da antiga Roma. No caso de desaveça grave entre o
marido e a mulhe1·, tendo-se em vista, sobretud...
M O R A L FAMILIAR 19
sem esmorecimentos ; que uma atenção permanente
fuculte aos pais .o seguirem, na alma dos filhos, as...
20 ABADE - JEAN VIOLLET
ter por e&COJlO secundar o filho a senhorear-se de seu
destino e do emprêgo que mais tarde virá fa...
MORAL FAMILIAR 21
111dhor dos professores mero acólito com quem hão de
l'slar em constante contato.
Dchar seu filho, sem m...
22 A.:BADE - JEAN VIOLLET
nejos e tentarão explicar-lhes as alegrias e as tdstezas,
as dúvidas e os anseios.
Tal atitude é...
M O R A L F A M I L I A R 23
o (• x cmplo da gratidão e do devotamento para com os
que consagraram a melhor de suas existê...
24 A.J3A.DE - JEAN VIOLLE T
Será que as ocupações de alguém o impossibilitam
de consagrar aos seus, m ulher e filhos, o te...
M O R A L F A MILI A R 25
Examinados miudamente, êsses conflitos têm mais
aparência que realidade. Para êles ha, quase, se...
26 ABADE - JEAN VlOLLET
propria responsabilidad!e, tornando-os mais 'aptos ao
esfôrço e à dedicação.
Sucede, porém, que a ...
MOR A.L FAMIL!Al'{ 27
Em suma, para as almas cristãs, todas as dificul­
dades e contradições podem e devem resolver-se mer...
II
BOM HUMOR E MORAL FAMILIAR
Quando Jesús en;iava seus discipulos a pregarem
a Jlróxima implantação do reinado de Deus, e...
30 ABADE - JEAN VlOLLET
Obstáculos Devidos a causas maiuiaii>-.
Que se exija um minün o ele folga e esJórço I>ara
conserva...
MOR A L F A MI L IA R 31
111ais (1ue pudermos de nosso tem1>o, inteligência e di­
nlwiro para pt·oporcionar-lhes o minimo ...
ABA.DE - JEA.N VIOL LET
sa concordância das condições da vida prepara a paz
.e a moralidade dos caracteres.
O céu e para a...
M O R A L F A M I L IAR 33
As nuvens do mau humor provêm, quasi sempre,
da l'alt a de compreensão mutua. Ser in compreendi...
3.4 A B A D E - J E .Jit N V I ó L L E T
pontos de 'isla. Os deveres e direitos de cada um. dos
J;liembro.s da unjdade fam...
M O R A L F A M I L I A R 35
J>ela vida em comum,
_
é robustecer, 1n·eviamente, a von­
tade contra as variações do carácte...
16 A B A D E - J E A N V I O L L E T
e.sfôrço mutuo e reciproco de desin terêsse culminará,
mui na turalmen te, no progres...
M O R A L F A M I L I A R 3 7
um cn!ra r J>rogressivo nas ,·ias d o sacrifício secundado
pelo sentimento, por igual J>rogr...
111
A UNIÃO ESPIRITUAL E MORAL DOS ESPOSOS
O amor que devem intercambiar os esposos vem
de D eus e a Deus há-eLe tornar. E...
40 A B A DE - J E A N V I O L L E T
d e mo dêlo ao q u e os esposos s e devem trocar. Jesús
suporta o pecador e o robustec...
M O R A L F A M I L I A R 41
J>ien te.s correm, por igual, o risco de ver diminuídas as
forças espirituais do desinterêsse...
42 A B A D E - J E A N V I O L L E T
Em seus pcimordios, o amor, em que pese às apa­
rências, C. frágil. Se não se acautel...
M O R A L F A MI L I A R 43
Santificação mutua.
Como hão-de os esposos �rislãos man ter, entre êles,
a paz que sustenta o ...
4 4 .A B A D E - J E A N V l O L L E T
sejam os defeitos de seu cànj uge, há-de man ter em
domi nio as ten tações que o em...
M O RA L F A M I L I A R 45
se ousam confessar e (jUe, não raro, seriam de molde
a quebrar o amor ou a lançar, em definiti...
46 A B AD E - J E A N V [ O L L E T
sência de vida cristã impedem à alma a posse de si
mesma e, por conseguênda, o reconhe...
M O R A L F A M I L I A R 47
táveis. O egoísmo mul tiplica as aflições de todos; a
dedicação as r�duz ao mínimo. Sair de s...
IV
O MAGNO DEVER (1)
Da amizade.
Antes de se amarem pelos corpos, devem os espo­
sos amar-se pelo coração e pela vontade. ...
50 A B A D E - J E A N V I O L L E T
Faz-se, habitualmente, distinção entre amor e ami­
zade, reservando-se aquele para os...
M O R A L F A M I L I A R 5 1
E isto não se verifica, somente, na amizade entre
jovens, senão, também, na amizade entre ad...
5.2 .A B A DE - J E A N V ! O L L E 1'
Dever conjllgal.
P-o de-se dizer que a umao dos corpos é o princi­
pal �scopo do ca...
M O R A L F A M I L I A R 5 3
ver acima das inquietações e dos egoismos d a vida
Cjuotidiana.
E' por isto que a família cr...
5 4 A B A D E - J E A N V I O L L E T
à vo nta de de Deus em to do o seu àmbHo, nem merece­
ri am a s graças reservadas às...
M O R A L F A M I L I A R 5 5
Não h á duas morais sexuais. Há uma só. O s sacri­
fícios e sofrimentos da mulher, hão-de co...
5 6 A B A D E - J E A N V I O L L E T
levem a contiuênda a prolongar-se indefinidamente
sob pena de lJÔr em risco, por exe...
M O R A L F A M I L I A R 5 7
do homem neste ponto. Temos o direito d e afirmar a
possibilidade da continência tanto mais ...
58 A B A D E - J E A N V I O L L E T
menie, encontra em seu amor o com «JUC refrear seus
desej os. E' fora de dúvi da que ...
M O R A L F A M I L I A R 5 9
p elo bem moral do cônjuge e dos filhos, conseguirão .
estabelecer neles o domínio do espíri...
60 A B A D E - J E A N V l O L L E T
moças há que eütam filhos, temeros as de .se }Ui v arem,
longos meses, das distrações...
M O R A L F A MI L I A R 6 1
som a de bênçãos será o que, depois de haver lutado co­
mo lhe cumpria, confiar na paternidad...
v
DA EDUCAÇÃO DOS FILHOS
A hoa educação dos filhos é a principal obra da
família. Se o homem se entusiasma com o ser o ins...
64 A B A D E - J E A N V I O L L E 'T
A c1·iação da humaJüdade foi ato esJJOntâneo da
vontade clh·ina. E' por de.sejo e li...
M O R A L F A M I L I A R 65
lar pela propria sensibilidade. Jamais terá sôbre a
criança o necessário l>re.stígio se lhe n...
66 A B A D E - J E A N V l O L L E T
do homem perfeilo se exerce , de algum m odo, p or si
mesma, sem <JUe lhe se,ja neces...
M O R A L F A M I L I A R 67
ü .quase totalidade dos hoUicns o direito de educar os
filhos. Com efeito, os educadores impe...
68 ABAD E - J E A N V I O L L E T
menlos que tornam maleavel o corp o, ajeitando-o aos
hábitos n ecessádos.
Esta primeira ...
M O R A L F A M I L I A R 69
quando têm vontade de rir, mostram-se aborrecidas
sem atenção às conveniências, esfuriam-se d...
70 A B A D E - J E A N V J O L L E T
de apelar ]Jara o sentimento ou para a razão, a criança
se .deixa derivar por suas fa...
M O R A L F A M I L I A R 7 1
e da inteligência hão-de aumentar dia a dia, o que só
conseguimos com as razões dos nossos a...
72 A B A D E - J E A ::-.J' V I O 1 . L E T
se se habi tu ou a viver em presença de Deus c para o
seu amôr, escolherá, mui...
Abade jean viollet   moral familiar
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  1. 1. Abade - Jean VIOLLET Moral familiar Tradução aulolisada pelo Prof. NELSON DE MELO E SOUSA EDITORA GETULIO COSTA Rua Teófilo Ot<>ni, 42 - Caixa postal, LS29 RIO DE JAN,EIRO http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  2. 2. íNDICE PREFACIO . 7 I- A FAMíLIA 9 O sacramento do matrimnio. 10 Os deveres dos esposos . 12 Da ·autoridade do marido . 15 Deveres dos pais para com os filhos 18 Deveres para com os avós . 22 Conflito entre os diversos deveres . 23 11 --BOM HUMOR E MORAL FAMILIAR 29 Obstáculos Devidos a causas materiais 30 Obstáculos provenientes dos caracteres 31 Bases espirituais do bom humor . 33 q bom humor e a educação dos filhos. . 35 !li -A UNIÃO .ESpiRITUAL E MORAL DOS ESPOSOS 39 O desinteresse 40 O divórcio contra a união dos corações 41 O divórcio contra a educação dos filhos 42 Santificação mutua 43 Defeitos mutuos 45 A dedicação . 46 IV - O MAGNO DEVER 49 O amor-casamento 51 Dever conjugal 52 Os filhos . •. 52 Da continência 54 Virtudes subsidiárias da continência 58 Da confiança em Deus . 59 http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  3. 3. 6 A.BADE - JEA.N VIOLLET V - DA EDUCAÇÃO DOS FILHOS 63 Das qualidades· do educador 64 A infância 67 A idade dHicil 69 O jovem 71 A ·vida religiosa . 72 VI -· A VOCAÇÃO DOS FILHOS í5 Papel dos pais na escolha das vocações í5 Papel dos fiihos nn escolha da vocação 77 Das divergências que, acêrca da vocação, podem sur- gir entre pais P- filhos . 80 VII - A EDUCAÇÃO DO SENTIMENTO E O PREPARO AO MATRLlóNIO . . 83 As iniciações necessárias 84 Aos mais jovens 86 Aos jovens adolescentes 87 As moças o 90 Antes do casamento o 93 VIII -O DEVER SOCIAL DA FA.JHLIA 97 O progresso social pela família 97 O egoismo familiar o 98 A educação social da família o 100 A educação social dos filhos o 103 A educação religiosa dos filhos 108 http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  4. 4. PREFACIO E' exprimir verdade trivial o falar-se na des­ cristianisação da França moderna. f!:rro é, porém, comum, o querer devassar-lhe as causas nas trans- • formações poJiticas a que nosso país se submeteu desde a grande Revolução. Os govêrnos são impo­ tentes para mudar a face dos costumes e as más leis só vigoram quando se acumpliciam com os proprios costumes. E' o que aconteceu com a França. As leis anti-familiares foram, facilmente, acei­ tas pelo pais porque a descristianisação estava, já, latertie nas almas. Ora, de toill1s as causas de descristianisação, a mais grave é, sem dúvida, a perversão moral. Não somente atinge a mocidade antes do casamento mas alcança os proprios esposos, jazendo-lhes crer que o amor humano se basta a si mesmo, indepen­ dente de qualquer esfôr�o virtuoso. Pensa a maio­ ria que lhe assiste o direito de levar a vida como bem lhe quadre, de limitar, por exemplo, o núme­ ro dos filhos, sem qualquer interrupção dos pra- • zeres carnais. E' dêsse mal que a França morre. Desde a guerra o gQvêrno começ11 a procurar http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  5. 5. 8 .ABADE - JEAN VIOLLET os remedios a tão Jamentave l estado de coisas. Baixa leis famiJiares e prepara outras tantas. Pro­ pende a melhorar o destino da famiJia. A própria indústria mete-se pela vereda dos saci·ificios gene­ ralizando a instituição dos sindicatos familiares. Ninguém se iluda, entretanto, com o valor dês· ses reme.dios. São meros paliativos. E' a alma que se precisa atingir. São os costumes que se trata de reformar. E isso não se consegue a custa de di­ nheiro. Eis o motivo que nos levou a relembrar às fa­ mílias cristãs os deveres d{' moral familiar. E' ela o alicerce do futuro espiritual e social do pais. A ela dedicamos as páginas que se seguem. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  6. 6. I A FAIHLIA E' a familia uma sociedade fundada por D·eus. Tem assento no amor e, mnralmente, só se desenvolve à custa de um mutuo devotar-se. Fôra estulto pensar qU'e o amor que uns aos outros devem os membros de uma mesma família, atinge a ... perfeição, livre de tentações. E' de crer, ao contrario, qu•e Deus põe, a miude, o amor em frente de dificuldades que visam robustecê-lo e ampliá-lo, 'embora quem as defronte esteja pouco pro­ penso a dominar-se em beneficio do bem comum. O a"mor, na terra, exige uma educação que ensina cada qual a de�int'�ressar-se de si mesmo para preocu­ par-se com o bem do ser amado e a êle consagrar-se. Surgindo como um ideal, parece que o amôr só pudera, normalmente, Yicejar na alegria. Será isto ver­ dadeiro no céu e .sê-lo hia, talvez, na terra se não fosse o pecado. Sucede, porém, que o pecado alterou tudo, infil­ trando no coração de cada um os germes do egoismo que entravam () desenvolvimento nmmal do amor em família. Pel a destruição dêsses germes deve lutar quem quer que tenha consciencia dos graves deveres que acompanham o viver fammar. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  7. 7. 10 .ABADE - JEAN VfOLLE T O sacrermento do matrimonio. Assim como a Igreja aparelha os. seus padres à grande obra do sacerdocio e ao sacramento da ordem, assim se preocupa em trazer aos esposos as graças de que precisam para colaborar na obra de Deus e pôr em relevo as do sacramento do matrimônio. Os que se encaminham à obra do amôr, se ficam entregues a si mesmos, esbarram, a todo momento, nas miserias e deficiencias. da natureza humana. Como poderá o amor frutear na santificação, se Deus não o ampara? As graças necessarias aos esposos critãos, é o sa­ cramento do matrimônio que lhas confere. Quantos, porém, ignoram que êles são os sacerdotes do Casa­ mento I Pensam receber uma simples bênção, muito em­ bora a Igreja, testemunha da doação que, mutuamente, fazem de seus corpos e vontades, os designe. pela graça do sacramento, sacerdotes da família. O ato pelo quâl se dão um ao outro acarreta a in­ tervenção sobrenatural de Deus e transfunde-lhes a vi­ da divina que os secundará para •:l })erfeito cumpri­ mento de sua vocação. Entretanto, que é que se observa? O mais das vezes o casamento não passa de um meio para uma "situa­ ção". Ninguém a êle se prepara convenientemente. A donzela confia em que s·eus encantos lhe atraiam um marido; o rapaz, depois de consumir na vida airada, seus mais belos anos, se decide a procurar esposa. Am­ bos pedem à Igreja que lhes sancjone o casamento, ignorantes da grandeza dessa vocação e, desprevenidos para a recepção do sacramento. Para êles a confissão é, quasi sempre, um ato ma- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  8. 8. M O R A L F A MI L IA R 11 çador de q ue se desembaraçam sem saber qual seja a condição indispensavel das graças do sacramento. Para que o amor ampare os esposos na luta pelo bem; para que o amor não tropece nos egoismos e nas imper­ feições da natureza, não será, por ventura, aconselha­ vel q ue as almas se purifiquem de todos os êrros que lhe poderiam estorvar o desenvolvimento moral e es­ piritual ? Por falta de preparação para recebê-la, a graça, queda sem fruto. Cai nas urzes do caminho e aí morre. Para que o sacramento santifique os esposos é mis­ tér que êstes encarell?, previamente, as obrigações e responsabilidades de seu novo estado e entrem no ca­ samento com o que têm de melhor. O amor so pode per­ durar enquanto os esposos forem capazes de resistir às tentações q ue os podem saltear. Cumpre-lhes· a refórma do caráter e a imposição de duros sacrifícios. Ora, o sacramento é um poder divino q ue só age em terreno adrede p reparado. Só é eficaz a graça quando vontades e inteligências se convencerem das respon.sabilidades que acoli{am a vocação. O homem e a m'.tlher entram no casamento trazen­ do, cada um, suas defidencias e misérias morais. Onde irão buscar fôrça para se modificar e se dominar sem a graça de Deus? Basta atentarmos nos frequentes fra­ cassos do amor humano, nos seus desalentos e desvios, para compreendermos quão necessario é o amparo di­ vino aos que querem fielmente amar. Nos primeiros tempos do matrimônio a alegria do amor vela as fra­ quezas da natureza �umana. Chegam, porém, os revezes e o amor passará a conhecer os desânimos inevitaveis. Como poderão os esposos supor-se assaz generosos para aceitarem os filhos que Deus lhes confiará, e as- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  9. 9. 12 ABADE - JEAN VIOLLE T saz elarjvidentes para conforma-los à vida }Jerfeita se não esperam de Deus as luzes e os socorros que os de­ vem suster? Luz e socorro lhes serão dados pelo sacra­ men to, se êste fôr recebido com as disposições neces­ sárias. A vi·da fammar conhece dolorosas provações. Não é raro que um dos esposos tenha de tolerar os desmandos do outro. Os filhos abrem ensejo a sacrifí­ cios sem conta e a morte pode separar os que ternamen­ te se amavam. Como hão-de os ·esposos suportar êsses sofrimentos se Deus não os sustém derram"-ndo-lhes nos corações os bálsamos da vida espiritual ? Aqui, ainda, a graça do sacramento será a fonte inesgotavel que os secundará na sustentação de seu fardo. Aliás, as verdadeiras alegrias da vida familiar es­ tão estreitamente unidas ao generoso cumprimento dos deveres a ela impostos. Eis porque não se pode conceber o amór humano sem que Deus €steja presente para aluminá-lo, guiá-lo e purificá-lo. A graça é elemento necessáriô à•vocação dO" casa­ mento. Os devere:; dos esposos. Não quis Deus que os deveres mutuos que se de­ vem os esposos, provenham do constrangimento. E' com liberdade que os esposos se escolhem; é, }>ois, ·COm liberdade que decidem amar-se e cumprir os deveres que êste amor implica. Quais são, porém, êsses deveres ? A Igreja nos ensina que os esposos se devem fideli- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  10. 10. M6RAL FAMILIAR 13 dade, amparo e proteção.. Como devemos entender es­ sas palavras? Trata-se, por ventura, de fidelidade puramente ex­ terior q ue mantendo cada um longe de ligação adúltera, poderia não se relacionar com a fidelidade do coração? Inter]>retar, assim, a lei, seria pôr letra em lugar do espírito. A fidelidade em apreço, porém - esta é a ver� dade - é, antes de tudo, uma fidelidade de coração e totalmente interior, para preservar a qual, deve cada um dos espôsos, sustentar contra si mesmo, contra os tropê- ços e as tentações, um , a luta sem treguas. · O primeiro dever sugerido pela palavra fidelidade será, pois, o amparo mutuo. Quem não suporta os de­ feitos e desfalecimentos daquele a quem ama, não lhe saberia ser fiel. Aqui os esposos vão encontrar a primeira prova­ ção do amor ]>Orque, o mais das vezes, o egoismo que subsiste por detrás das aparencias contrarias, nos faz ver o ser amado em função do nosso gôso pessoal. Somos, instinth·amente, levados a amar só até onde o amor nos ofert;ce ,as alegrias e satisfações com que sonhamos. Se êle nos traz, o sofrimento ou humilhação; se ·descobrimos nele defeitos que, a princípio, não ví­ ,ramos, afastamo-nos dêle deixando que arrefeçam os nossos sentimentos. O dever de fidelidade acarreta a precisão de do­ minarmos essas tendencias egoístas de nosso ser e de continuarmos a amar nosso cônj uge sejam quais fo­ rem seus defeitos e, até, a empregarmos toda nossa in­ teligência, toda a n �ssa vontade na cm·a do mal que nele nos faz sofrei'. ê.ste primeiro dever de amparo arrasta um outro http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  11. 11. 14 ABADE - JEAN VIO L LET que se caracteriza }JOr estas palavras: auxílio e sustento mutuos. Deixemos de parte o auxilio e o sustento mate­ riais, se bem fàra util salientar-se o conjunto de sacrifí­ cios de tempo, dinheiro e satisfações que tais palavras sugerem, e limitemo-nos a definh· as condições que re­ quer o amparo moral e espiritual, justamente o mai.s postergado. O auxilio moral supõe o esfôrço previa para sair de si e penetrar os pensamentos, os desejos as aspira­ ções e as necessidades do ser amado. Não é facil a tarefa de .se pôr, assim, em lugar do outro para melhor compreendê.-lo. O homem há de pesquisar a natureza de sua mu­ lher, e a mulher, a do marido. O amor guiará a pesqui­ sa, a qual, entretanto, só será levada a bom termo se o homem compreender em quê sua natureza de homem deve completar a da mulher, e a mulher, como levará ao homem o complemento vital de que êle carece. �ssc trabalho especial do amor requer grande atenção, gran­ de desinteresse, sem o que jamais saberá o h9mem ser­ vir-se de sua fôrça e razão em prol da paz, da firme1 za e da confiança que deve inspiràr ã mulher, tão bem como não saberá, a mulher lançar mão de sua graça, de sua sensibilidade e devotamento para levar ao ho­ mem essa alegria especial do amor que o há-de ampa­ rar na luta e permitir-lhe de atirar-se aos trabalhos pre­ cisos ao desenvolvimento normal da família. Auxiliar, moralmente, é, para a mulher, entender os sofrimentos e as tentações que acompanham a vida masculina, e, para o homem, compreender as que parti­ cularmente rondam a natureza feminina. Como encontrar palavras e atos que esclareçam e http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  12. 12. M O R A L F A MILI A R 1 5 confortem se somos incapazes de ver onde reside o mal? O amor é um sentimento que não se basta a si mesmo. Para conservá-lo e engrandecê-lo precisa de um alimento especial, alimento feito de mil pequeni­ nos serviços mutuos que são como as malhas de uma enorme rede, como os· pontos de uma cortina cuja fei­ tura só com a vida acaba. Pretender subministrar ao amor emoções violen­ tas é matá-lo, antes de mais nada. Cercá-lo de constantes sacrifícios mutuos, de aten­ ções recíprocas, de tnfôrços para secundar o trabalho do outro e levar-lhe alegrias e consôlos que lhe permi­ tam vencer a aridez dos dias, eis os infinitamente pe­ quenos, graças aos quais o amor se avantaja e fortalece. Em via de regra é por não ter modelado sua von­ tade nesses misteres humildes que o amor acaba por <lesaparecer ou minguar, não trazendo, pelo menos, a ajuda e o apôio que os esposos tinham o direito de esperar. , ( Da autoridade do marido. A le i .civil, em concordância com a religiosa, dá ao marido autoridade sôbre a mulher. Qual é, porém, o v erdadeiro sentido da palavra •• autoridade" quando se trata de espô.so, se cada um fica com a J>lena I'esponsabilidade de seus atos e se am­ bos se destinam a 1uocurar, em sua união, a fôrça e as luzes necessaria� ao encaminhamento dos filhos? A autoridade do chefe milHar impõe disciplina a soldados tolhendo-lhes· o dis·cutirem as Ol'dens recebi- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  13. 13. 16 ABADE - JEAN VIOLLE'f das. O marido que agisse JlOr modo idêntico em relaçâo a espôsa cometeria in1oleravel abuso. AIS autoridades constituídas zelam pela execução das leis depois de vo1adas pelas assembléias delibera­ th·as. �se gênero de autoridade não pode, porém, so­ frer paralelo com a do marido. Ao marido é vedado dar ordens à mulher como um chefe aos seus subordinados. Ambos estão no mesmo J)lano, e seria inconcebível <JUe o marido pretendesse impor, arbitrariamente, a lei do mais forte, obrigado, como está, a submeter-se às leis que regem a vida familiar. Em caso de dissídio entre êle e a mulher conta da definiç�o desta lei, o sentir da mulher tem, teoricamente, o mesmo valor que o dêle. Seu papél de·chefe não pode, outrossim, definir-se por comparação com a autoridade do educador sôbre as crianças a seu cargo. E' a criança incapaz de reger­ se� por si. O mesmo não ocorre com a mulher que se conserva livre e senhora de seus atos. ·Assim .sendo, como definir a autoridade de marido em face da mulher? Outra coisa llão.póde ser senão uma delegação de poderes depois de mutuo entendi­ mento. Todas as relações conj ugais falseiam se a autori­ dade é tida como anterior ao amor ou pretende exer­ cer-se independente dêste. Transmuda-se, por isto mes­ mo, em tirania insuportavel. Para corresponder aos de­ sígnios da Providência, é mister considerá-la como co­ rolaria natural do bom entendimento conjugal. O marido e a mulher constituem uma como que assembléia deliberativa, na qual tem, cada um, voto na matéria a resolver-se. A boa vontade mutua, a preo- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  14. 14. MORAL f."MILIAR 17 cupação do bem comum, o desinteresse pessoal levam catla um do.s esposos a apreciar melhor o valor dos alvi­ IJ·cs e opiniões do outro. Entrados em acôrdo, ao mari­ do compete superintender a boa execução das decisões. O ,que será, porém, da autoridade do marido, em cttso de desacôrdo? Não será, por ventura, êle quem �ofre o julgamento supremo? E se assim é, não será o caso de temer-se que a mulher se veja forçada a sub­ meter-se, quasi sempre, a decisões que sua consciência repudia ou que julga ameaçadora da boa educação dos filhos? Esses conflitos trágicos só se solucionam à luz dos seguintes princípios: a decisão exigida pelo pai, desagrade embora à !nãe, deha brecha a melhorias possíveis. Neste caso vale mais que a quebra da har­ monia conjugal. Esperará a CSJ>Ôsa que o futuro e a graça de Deus melhorem a situação. Se, porém, as decisões do marido implicam ordens l'Onlrárias à moral ou manifestamente opostas ao bem dos filhos, será, talvez, forçoso recorrer à deliberação suprema .e coagir o marido a optar entre a renuncia do seu J>Onto de vista ou a .separação. Êsse direito era Jtmlher é a resultante necessária de uma responsabilidade que se divide entre ela e o ma­ rido. E', todavia, um direito de que a mulher só se va­ lerá nas sHuações extremas. Mais vale tolerar um mal relatiYo que recOI'rer a solução que rompe a unidade familiar. Atentando-se no número elos casos em que a mu­ lher e as filhos são vítimas do desman do ou dos ex­ cessos de autorida� do marido, chega-se a desejar a reforma da lei civil, que parece considerar o pai de família, senhor absoluto á feição das doutrinas pagãs http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  15. 15. 18 ABADE - JE AN VIOLLET da antiga Roma. No caso de desaveça grave entre o marido e a mulhe1·, tendo-se em vista, sobretudo, a edu­ cação dos fj]]Jos, não se atina por que devam as deci­ sões do mal'ldo prevalecer sempre sôbre as da mulher. A autoridade familiar se divide em duas. Seu exercício normal só se dá quando (lai e mãe estão de acôrdo sôbre os métodos e meios de educação. Deveres dos pais para com os filhos. Não nos alongaremos a respeito dos deveres de ordem material. Não há pais dignos dêsse nome que descurem a saúde física dos fLlhos e lhes deixem de fornecer, fartamente, os bens materiais ·de que carecem. O problema dos ·deveres paternos .só se complica quando se trata dos de ordem espiritual. Aí é que se vêem lacunas e fracassos numerosos cujos principais temos como util assinalar neste ensejo. Consagrar-se aos filhos não significa, por cer­ to, cumulá-los. de todos os prazeres possíveis e, sim, formar-lhes a conciência e o coração, a vont�de e a in­ teligência. Nêsse domínio, entretanto quão poucos são os pais clarividentes e capazes! ' - Para trabalharmos uma cJonciência de criança é preciso amarmos a Deus, o bem e a perfeição mais do que nós mesmos. E' mistér sermo.s capazes de sacrificar nosso bem­ estar, impondo-nos os esfôrços que exige o ideal moral. Depois de termos amado, pessoalmente, o bem mo­ ral, devemos aplicar-nos, com todas as nossas ener­ gias e por todos os meios que Deus nos faculta, à ta­ J·efa de o tornar conhecido, estimado e praticado pelos filhos. E' de esperar-se, ai, que a antorjdade se exerça http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  16. 16. M O R A L FAMILIAR 19 sem esmorecimentos ; que uma atenção permanente fuculte aos pais .o seguirem, na alma dos filhos, as·rea­ �õc� da Yida moral, os impulsos para o bem, as tenta­ ções do instinto, os logros da natureza. A autoridade dos pais só se exerce utilmente se êles se crêem depositarios da propria autoridade de Deus, e encarregados de levar os filhos à santidade. Tamanho encargo da autoridade pressupõe grande do­ mínio de si n1esmo, uma calma capaz de anular as tempestades, um senso profundo da justiça, e uma von­ tade apostada em aplicá-la, uma bondade infatigavel, sempre inclinada à misericordia mas nunca descaindo para a fraqueza. A au!!oridade se exerce continuamen­ te, raro pelo emprêgo da fôrça, pelo encorajamento sempre. Nunca se ausenta, nem mesmo quando os filhos estão longe dos pais, porque aqueles sabem que êstes lhes acompanham as ocupações e se inquietam por seus atos. Quantos pais há que abusam d.essa autor,idade exercitando-a a torto e a direito segundo caprichos mo­ mentaneo� quando não abdicam por amor à paz e à lranquilidade! Para acautelar seus egoísmos, desistem de sua missão. Q'uantos pecam por omissão, deixando ir tudo à matroca por indiferentismo e preguiça, teme­ rosos de dificuldades e sacrifícios! Amam o filho até quando a presença dêste lhes satisfaz a sensibilidade ou o orgulho, esquecidos de que ·O filho n · ão lhes foi dado a êles e, sim, a si mesmo, ao cumprimento de sua vo­ cação e, finalmente, a Deus. Muitos fingem ignorar seus deveres com respeito à vpcação dos filhos. • . O que cumpre aos pais é auxiliar a yocação do fi­ lho a desabrochar e amadurecer. A autoridade há-de http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  17. 17. 20 ABADE - JEAN VIOLLET ter por e&COJlO secundar o filho a senhorear-se de seu destino e do emprêgo que mais tarde virá fazer de suas fôrças e inteligência. Grave falta cometeriam em detrimento do filho e em face de Deus se procurassem segregá-lo afim de atender a gosos e desejos J)Cssoais, ou com o intuito de explorá-lo J>ara as satisfações da vaidade. Em matéria de educação, realizar a obra de Deus consiste em tentar discernir, graças à.s aptidões, aos im­ pulsos do ·coração, aos engodos e às circunstâncias, o caminho por onde há-de levar o filho para que a vida toda se lhe não contorça e êle possa, mais tarde, sentir que pisa um terreno onde se �ê perfeitamente apto e útil. Semelhante proceder acarreta muitos sacrifícios de amor próprio. Os pais que procuram auxiliar os filhos a realizarem suas vocações são os únicos a cumprirem o dever essencial e primordial da autoridade. Compre­ endem que Deus só conferiu poder aos homens para que auxiliem os fracos e as crianças a darem conta de suas tarefas pessoais. • Um outro dever há, ainda, 'pala o qual convém chamemos a atenção dos pais. E' o que obsta a que abandonem os filhos em mãos estranhas, a não ser por necessidade e com as pos.siveis garantias. A educação compete, propriamente, aos pais e Deus não confiou a estranho a responsabilidade da vida moral dos filhos. Não quer isto dizer que os J>ais não hajam, em muitas circunstâncias, de valer-se da ajuda de terceh·os, quando m ais não fô�e. para proporciona­ rem aos filhos a necessária instrução. A êles todavia toca sempre, a responsabilidade, e cumpre considerar o http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  18. 18. MORAL FAMILIAR 21 111dhor dos professores mero acólito com quem hão de l'slar em constante contato. Dchar seu filho, sem mais Clüdar dêle, horas a rio na escola ou, ainda mais, meses inteiros num inter­ ll:t to, é largar mão de suas responsabilidades, a menos que todas as garantias sejam previstas. Devem os pais seguir atentamente o procedimento e os esforços do filho na escola ou no colégio e pôr o mestre ao corrente de seu proceder e caráter em fa­ mília. Queixam- se os pais quando o Estado baixa leis ou t·cgulamentos que lhes �arecem contrários aos seus de­ sejos e aspirações? E', justamente, seu indiferentismo 11ue leva o Govêrno a agir a sua revelia, e como se êles uüo existissem. Educar um menino, formar-lhe a conciência e a vontade pressupõe a comunhão de diferentes pessôas its quais toca essa educação. Quaisquer que sej am os auxiliares escolhidos, não devem os Jlais, em caso algum, abrir mão de sua auto­ ridade e poder fiscalizador.• • Há, ainda, uma outra negligência elos pais que não seria inutH assinalar, por Jhe tolher parte da influência moral imprescindível à educação: é a que leva os pais a não se porem no mesmo nivel dos filhos para bem entendê-los e ser, por êles, entendidos. Só é eficaz a autoridade que anda sempre ao pé daquêle sôbre quem se exerce ; é inopera nte ou causa mêdo se vem de cim� sem que o menino pôssa compre­ ender-lhe o significado. Eis JlOrque cump1·e aos pais fazerem-se crianças com as crianças. Não J,:Ccearão acomodar-se aos seus ma- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  19. 19. 22 A.:BADE - JEAN VIOLLET nejos e tentarão explicar-lhes as alegrias e as tdstezas, as dúvidas e os anseios. Tal atitude é difjcil porque obriga a sair de si e absorve muito tempo. Exige que nos entremctamos nos brjquedos, nos trabalhos e ocupações daqueles que ha­ vemos de educar. A consequência, porém, é o estabele� cimento de laços intimos entre filhos e pais e a conclu­ são, por parte da criança, de que as ordens dadas não são caprichos e decorrem do amor e da compreensão. �ste esfôrço para se pôr ao nível dos filhos sem quebra da autoridade, requer grandes qualidades mo­ rais de devotamento, de respeito1, à alma, de vontade cs� clarecida e experta. E' êste esfôrço 'que constrói a verda­ deira educação, isto é, o desenvolvimento do amor e do respeito. Rematando essas observações col).vém acentuar que os pais, se andam sempre satisfeitos consigo e se ima­ ginam possuir perfeitas qualidades de educadores, cor­ I'em o risco de se iludir por lhes faltar a humildade que leva a pedir consêlho aos mais experimentados, e a Deus o .socorro de que carecem. Deveres para com os avós. Parece que a família moderna, esquecida de seus deveres essênciais, não mais dispensa às pessôas idosas o respeito e o reconhecimento que é natural se lhes tributem. O número de avós que vivem solitários, mais ou menos abandonados pelos filhos, yai crescendo dia a· dia. Assim, pois, como esperar alguém para os seus as bênçãos de Deus, como habituar os jovens ao sacrifício. de alguns de seus cômodos, se não ·�omeçar por dar-lhes http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  20. 20. M O R A L F A M I L I A R 23 o (• x cmplo da gratidão e do devotamento para com os que consagraram a melhor de suas existências a edu­ l'il-los, inculcando-lhe os princípios da vida moral que constituem o melhor de nós mesmos? Outrora os avós viviam no seio da família. Era um prazer o cercá-los dos mil cuidados que sua idade exigia; suportávamos fácil e cristãmente suas enfermidades e fraquezas, felizes porque, assim, apren­ díamos a praticar a dedicação familiar. Hoje em dia os toleramos, quando muito, e, o mais das vezes, aban­ donamo-los a uma solidão penosa e lamentavel. A família cristã deve reagir, com todas as energias, contra êste censurave(indiferentismo. Os que podem, devem manter consigo seus avós. Se isto não é pos.sivel, hão-de, ao menos, assisti-los para um termino de vida honroso. Exijam-se, embora, sacrifícios de tempo e dinheiro, é mistér sejam feitos com alegria e bom humor, sem nunca procurar justi­ fic.ativas a atitudes indiferentes e egoístas a conta de pretensas obrigações ou afazeres excessivos. Noss� primeiro encargo, devemo-lo aos pais; nos­ sa ocupação pril).cip.íll, a d e levar-lhes à vida alegria e reconhecimento. Tai:s. são os ·deveres essênciais que norteiam os membros de uma família a uma união cristã e a um es­ fôrço comum em busca da perfeição. Conflito entre os diversO$ deveres. Ser-nos há fácil, por ventura, cumprir essas dife- • re.ntes obrigações. sem que nos encontremos, a cada pas- :so, em presença de conflitos que a mais escrupulosa consciencia não pode resolver? http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  21. 21. 24 A.J3A.DE - JEAN VIOLLE T Será que as ocupações de alguém o impossibilitam de consagrar aos seus, m ulher e filhos, o tempo exi­ gido? A falta· de recursos em que se vê um outro, não desculpará o abandono em que deixa os �l·ós•! Tais são as graves dolorosas dúvidas cu.ias solu­ ções convém pesquisar. Convenhamos, ante.s do mais, que para vermos cla­ ro, é mistér a bôa localização dos deveres. O mais das vezes, os ]Jretensos conflitos de deveres seriam resol­ vidos se não puséssemos -em prüneiro plano ocupações secundárias. E' o caso dos que multiplicam os deveres humanos que os distraem do lar, dos que desviam para um luxo absorvente a soma .que, a rigor, "deveriam destinar aos avós ou à educação dos filhos; dos que não se querem privar de qualquer prazer. Quantos confli­ tos seriam resolvidos se se respeitasse a hierarquia dos deveres, de sorte que nunca se sacrificassem os primor­ diais aos secundários e problemáticos. Nêste assunto compete a cada .qual, rigoroso exame de consciência. Se há boa vontade na pesquisa do bem, O& deveres exátos surgem, quasi sempre, ao clarão de uma luz in­ tensa, e os conflitos desaparecem. Não raro é o egoismo pessoal, o amor proprio, que turvam a visão. Não quer isto dizer que não haja dissídios de so­ lução difícil. Ocorre, por exemplo, o caso de um médico às vol­ ta.s com a saúde de seus clientes, de um político absor­ vido pelas responsabilidades do govêrno, de um dema­ gogo arrastado pelo niovimento social que suscitou. Nesses casos avulsos é de crer que a vida familiar .seja fatalmente mais ou menos sacrificad�L http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  22. 22. M O R A L F A MILI A R 25 Examinados miudamente, êsses conflitos têm mais aparência que realidade. Para êles ha, quase, sempre, remédios eficazes. Os tropeços que a Providência nos põe n.o caminho têm em mira obrigar-nos a maior perfeição. Pode dar­ se, ·Com efeito, que Deus queira coagir-nos a maiores trabalhos, a melhor coordenação de nossa vida para seu melhor desempenho, à procura de colaboradores que tragam o nece ssário amparp à nossa vocação. Quantas vezes as dificuldades e os conflitos de de­ 'eres se multiplicam porque lhes falta a vontade e a capacidade para arcar�m com tarefas precisas e bem definidas? Não há-de a vida ser para nós como um caudal que nos arrasta. Convém dominemo-la com inteligência ponderada ·e vontade vigilante. Na maioria dos casos são as nossas faculdades que nos levam a solucionar muitos dos empêços da existência. Se Deus permite os conflitos aparentes é de crêr que os remédios existam, compeHndo a nós o procurá­ los e aplicá-los. .. Não raro somos nó.s os culpados dos excessos de ocupações que nos tolhem o cumprirmos deveres im­ portantes. Falta de reflexão, amor proprio, d emasiada confiança em nós mesmos. Quando devêramos reparHr as responsabilidades pedindo a colaboração da mulher, dos filhos, de terceiros, procedemos como se fossemos capazes de realizar, a sos, a programa complexo dos nossos deveres familiares e sociais.•. Em muitos· casos as dificuldades nos ensinam a confiar aos que conosco ]Jrham, e aos nossos filhos, trabalho,s. e deveres que os levarão à consciência da http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  23. 23. 26 ABADE - JEAN VlOLLET propria responsabilidad!e, tornando-os mais 'aptos ao esfôrço e à dedicação. Sucede, porém, que a natureza nos priva dos meios necessários ao cumprimen to àe nossa vocação, mesmo no que respeHa à família. Neste caso é forçoso nos sub­ metamos à vontade divina, por menos compreensível que nos pareça. Para o cristão a im])Ossibj]jdade material ou moral de realizar sua vocação é t ida como sacrif:ício imposto pel a presenç a do pecado no mundo, é cuja aceitação o ergue acima de si mesmo, fazendo-o contemplar o sa- • crif:ício redentor, ao qual se une pessoalmente. Assim como os meios humanos de realizar sua vo­ cação foram roubados a Jesús no decurso àe sua vida terrena, do que resultou, praticamente, extraordinaria eficaci a espiritual aos seus sofrimentos c morte, assim havemos de crer que os nossos sacrifícios pessoais e os obstáculos opostos à finalidade de nossa voca ção, familiar embora, nos servirão de restaurar, catolicamen- te, a família modern a. ' As contraditas e oposições que: pÓr vezes, deparam à fam:ília no realizar sua vocação, quando não sej am resultado de má vontade, podem gerar vocações com­ plementares. Assim é que as irmãs de caridade man­ tém o celib ato para a criação de órfãos, e que almas generosas como os missionários da fa m:t1ia levam à prole numerosa o auxílio que lhe é mistér. Para realizar essas vocações ,será, naturalmente, preciso, aceitar todos os sacrifícios e renuncias que ha­ bilitem a levar a outrem os socorros de ordem moral e material de que carecem. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  24. 24. MOR A.L FAMIL!Al'{ 27 Em suma, para as almas cristãs, todas as dificul­ dades e contradições podem e devem resolver-se mercê de um esfôrço pessoal a maior perfeição, mercê de con­ formidade com os sacrifícios enviados por Deus, mer­ cê de melhor prática da caridade. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  25. 25. II BOM HUMOR E MORAL FAMILIAR Quando Jesús en;iava seus discipulos a pregarem a Jlróxima implantação do reinado de Deus, ensinava­ lhes a saudarem, com estas palavras, os moradores das casas em que entravam: "Que a paz esteja nesta ca� sa (1) ". São, justamente, as palavras que nos vêm ao espírito quando nos propomos expor os benefícios do bom humor familiar. O bmn hmno1· traz a paz, conser­ va-a e facilita-a. Afasta discordias, pt·omove reconci­ liações, �ncm·aja o trabalho, leva amparo às tristezas da vida. Numa p.alav1·a, é alavanca poderosa à vida es­ piritual, contanto que se firme nas bases da caridade e de um querer sem treguas. Que é que impede o bom humor? lIuito.s-, infelizmente, são os obstáculos. Alguns nas­ cem das dificuldades da vida material; outros, dos de­ feitos de c�:ná.tet· e do desmando, ou más disposições da alma. (1) S. Mateus, x. 12. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  26. 26. 30 ABADE - JEAN VlOLLET Obstáculos Devidos a causas maiuiaii>-. Que se exija um minün o ele folga e esJórço I>ara conservar-se o bom humo-r, é coisa fora de dúvida. A menos que, por vocação es1>ecial, se haja esposa­ do a p obreza ou votado a vida toda ao sacrifício e à mortificação, é penoso suportar-se a má acomodação habitual, a €scassez de nutrição ou a deficiência de in­ dumentária. Mesmo quando se aceitasse, a rigor, pm·a si certos incômodos ou sofrimentos, vos seriam insu­ portáveis nas pessoas que vos são caras sobretudo se se trata de filhos. Tolera-se uma mortificação passa­ geira porque se espera cesse amanhã, mas a que haja de durar .sem possibilidade de mudança e acaba, pra­ ticamente, p or impedir o des·envolvimento normal da vocação, como aceitá-la sem revolta ou enfado? Acres­ cente-se, ainda, que o chefe - de família que sofre de mal­ estar material tem, não raro, a impressão de não ser responsavel pelos males que afligem os seus e os con­ somem lentamente. E' o caso do chefe de familia que não ·encontra onde alojar os filhos ou cujo g�nho é in­ suficiente para provê-los do necessário. Como permanecer tranquilo quando se vê estiolar, dia a dia, o rosto dantes roseo dos filhos ou quando a exiguidade da acomodação não permite ás crianças os movimentos livres que a idade exige, à mãe a feitura de trabalhos exigidos pela boa ordem do lar e ao I>ai os trabalhos complementares ao seu ganho vrofis­ sional? Dessas fontes profundas de mau humor é respon­ savel a sociedade inteira. Longe ·de nos impacientar­ mos com os que gemem, se lastimam ou se revoltam, devemos considerar obrigação nossa o consa.grarmos o http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  27. 27. MOR A L F A MI L IA R 31 111ais (1ue pudermos de nosso tem1>o, inteligência e di­ nlwiro para pt·oporcionar-lhes o minimo de confôrto «fll<� permita o desenv-olvimento normal da família. (1) Obstáculos p1·oveniente:s dos caracteres. Outras causas há de mau humor, que provêm das insuficiências ou defeitos de um dos membros da fa­ milia. Que um marido não arque com as suas responsa­ bilidades; que, em vez de trazer ao lar os necessários recursos, os esbanje; que se mostre indiferente às preo­ cupações da mulher e "não a socorra com a sua autori­ dade na obra da educação, será, por certo, responsa­ ,·el pelas impertinência e de.scontentamentos dela. Que a mulher, pm· seu turno, seja negligente, des­ cuidada do lar, ]>Ouco asseada ou descomedida; que não saiba fazer do lar um t·ecanto de repouso e de paz, sôbre ela t·ecairá a responsabilidade dos desvios morais do mat·ido. E', p�r igual, necessário que, em família, cada um se entregue aos fncprgos de sua idade e vocação. A preguiça ou a inação geram, necessáriamente, o fastio. A atividade bem norteada, o sentimento do dever, o esfôrço efetivo, a assiduidade ao trabalho trazem à alma um bom humor natural que facilita, singular· mente, o bom acôt·do mutuo. Tudo está na vida moral. A desordem material acarreta a desordem moral tão bem como a harmonia- (1) . E', pois, dever dos amigos inserever-se numa das nu­ merosas instituiçiies que se destinam a. minorar a sorte da família. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  28. 28. ABA.DE - JEA.N VIOL LET sa concordância das condições da vida prepara a paz .e a moralidade dos caracteres. O céu e para a outra vida, bem o sabemos. De­ ve-se há concluir que a vida teiTestre seja um inferno? As grandes dores e os constrangimentos constan­ tes não serão, por acaso, um grande perigo para as al­ mas? Jesus não veio, por ventura, para aliviar as mise­ rias morais e materiais da humanidade? Como, então, não se conceber, dêsde logo, a vida em famHia como um esfôrço de cada um }>ara levar aos outros as ale­ grias e satisfações que os hão de ajudar a viver bem, e como conceber um lar feliz" quando os defeitos do homem ou da mulher tornam insuportavel a vida em comum? O lar é a casa de Deus tanto quanto fôr a casa da paz. Deve cada um encontrar aí repouso espiritual mais que corporal. O marido chega cheio de preocupa­ ções com o seu trabalho, a mulher aí está com as res­ ponsabilidades caseiras que lhe p esam nos ombros fran­ zinos, sendo a ela que in cumbe, principalme,nte, o zêlo com os filhos. Esqueça um de partilhar as preocupa­ ções do outro, e a paz não entrará ho lar. Mas se o contrário se dá, eis que por uma obra natural do amor, atribuição de alijeira ou, ao menos, se torna suportavel, depois de haver surgido como in­ vencível pelas fôrças humanas. O viver alguem egoisticamente, pouco se lhe dando das preocupações dos outro.s é a obnubilação da alma; enrija-a, torna-a má e descontente de tudo. Comnugm· com as penas e inquietações alhe�as, abranda-a, escla­ rece-a e a predispõe, mui naturalmente, a sorrir ainda que no meio das lágrimas. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  29. 29. M O R A L F A M I L IAR 33 As nuvens do mau humor provêm, quasi sempre, da l'alt a de compreensão mutua. Ser in compreendida do marido é, para a mulher, a mais dolorosa impres­ s:'io ; e o marido m.&l suportaria que a leviandade tolhes­ se �� mulher o ter parte em suas angústias. Do empenho que cada um puser em compreender o o u tro, resultará a Tedução dos malentendi dos, o afugen­ l amento das inquietações e a volta do bom humor e da confiança. Bases espirituais do bom humor. Até aqui temos pesquisado as causas naturais do hom humor. Bem precário fôra o que .só se assentasse no comodismo da vida ou nas bo as disposições do ca­ ráteT. Bastaria um acidente ma terial, um desgôsto para (!UC êle desaparecesse. O bom humor cristão, o que devemos adquirir, re­ pousa na vida inteTior e no esfôrço moral. Resiste a lodas as provações porque ass-en ta em base inquebran­ lavel : o a,pwr de Deus e do próximo. Êsse tipo de bom humor não é mera qualidade Im­ mana. Alheio ao temperamento e às circunstâncias, é o fruto natural da graça de Deus em nós. O bom humor sobrenatural é uma floração que tem origem no trabalho espiritual, no desin terêsse pessoal, na submissão cristã aos <'mhates da vida. Do bom humor se serve ·o cristão p ara afugen­ tar o }lecado, robustecer a cm·agem moral e preparar­ se à caridade. Bem s ab e que ·•não poderá ''iver em família, sej a ·ela a m ais cristã e unida, se não está apto a su­ portar o entrechoque de caracteres, de interêsses ou http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  30. 30. 3.4 A B A D E - J E .Jit N V I ó L L E T pontos de 'isla. Os deveres e direitos de cada um. dos J;liembro.s da unjdade familiar nem sempre se apre­ sentam meddianamente claros, de sorte que não dêem ensej o a conflito. E', justamente, no meio dessas difi­ culdades múiHplas que o cdstão deve conservar, por . si, pelos ou1ros e por Deus, inalteravel bom humor. · Ausente de to dos os membros da família essa dis� posição ín1ima, os menores dissidios assumem pro­ p orções de conílítos, a união periclita, o amor se es­ tiola. O mau lmmor é contagioso e avassala, facilmen­ te, os mais tranquilos; é belicoso, desdenhante e altivo. Tem raizes no amôr próprio ou no espírito de rebelião. Faz de um argueiro um cavS:leiro; envenena 'udo o que toca e dessora todas as coragens. Tornando os indivíduos arredios, faz que se afas­ tem uns .dos outros, seres destinados por Deus a se estimarem e se compreenderem. O bom humor cristão nos leva a penetrar o co­ ração alheio. Forçando-nos a abandonar nosso egois­ mo inveterado, leva-nos a entender as luta�. os sohi­ mentos e as dores dos ou tros, consolando-os e ca1i­ vando-os. Aligeira os esforços e c'ria, naturalmente, uma atmosfera de caridade e de paz. A união em família compõe-s·e de pequenos ser­ viços mu1uoª que fazem de cada qual o servjdor de todos. A paz só .se mantêm à custa de concessões recí­ procas. E' imoral e perigoso Jnocurar no casamento o meio de aumentar a soma de seus gosos personalíssi­ mos. Tal desígnio só pode gerar decepções e multipli­ car as causas e os ensejos de desgostos. Saber, ao con­ trário, que a união de corações só se estreita com o a ceitar-se de bom rosto todos os sacrifícios impostos http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  31. 31. M O R A L F A M I L I A R 35 J>ela vida em comum, _ é robustecer, 1n·eviamente, a von­ tade contra as variações do carácter e do genio. E', ao mesmo tempo, preparar-se para bem educar os filhos, I>ois nada é, em verdade, mais infenso à boa educa­ ção que os altos e baixos de genio c as impertinencias de carác1er. O bom humor e a educação dos fillzos. A criança é uma planta delicada que precisa do sol claro da alegria e da paz para florecer normalmen­ te, inclinando-se franca e generosamente para o bem. Se tem de haver-se com temperamentos nervosos, com pais que se desmandam constantemente e, por ninha­ rias, se entregam a acessos de mau humor, vê-la-emos fecbar-se, aprender a mentir para evitar-lhes os cho­ ques, perder toda � coragem moral, toda a boa von4 tade. O bom humor e o perfeito equilíbrio do carácter obrigam, porém, o menino a valorizar os conselhos ou as ordens que se lhe dão, p ermitindo-lhe à alma que se desabrocbe e confie, sem reservas, nos p ais para os numerosos esforçQs que há-de realizar na formação de sua vontade e moral. Para manter-se o bom humor é mistér pensar-se nos outros m ais que em si mesmo, em Deus mais que nos ouiros. Esta lei seria abusiva se devesse, pratica­ mente, levar �o perpetuo sacrifício e ao acoroçoamento indefinido do egoísmo alheio. Assim fôra se a lei se aplicasse a uma parte� apenas, dos membros da famí­ li a. Se, ao contrário, todos a ela se submetem d e boa • mente, trará, como resultado natural, um equilibrio e urna reciprocidade admiráveis entre os incômodos que uns sofrem e as alegria que de outros procedem. �ste http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  32. 32. 16 A B A D E - J E A N V I O L L E T e.sfôrço mutuo e reciproco de desin terêsse culminará, mui na turalmen te, no progresso de todos, num ei_lten­ dimen to e compreen são mut uos que os dias só h ão de a umen tar. �ão aceitar esta lei é prever <JUe o egoísmo pessoal se des envolverá à vontade ; é tomar por um beco sem saída, contrádo às exigências da união e da p az. Quan­ to mais pensamos em nós, tanto mais tiranizantes nos tornamos, cada vez menos preocupados com o bem comum. A lei do sacrifício deve começar nos albores do casa�nento. Deve entender-se a todos os domínios, até mesmo carnal. A carne é, de 'sí, egoísta e o e#ipôso que lhe não souber impor nenhuma esp ecie de freio ou s acrifício, verá diminuir os impulsos desinteressa­ dos d e sua alma. Menos apto será a êsse desprendi­ mento i nterior que mantém a alm a serena e igual. Deve, ainda, a lei, abranger os filhos como os pais. E' preparar boa soma de desilusões pretender secun­ dar os caprichos da criança, ao em vez de ensiná-la a sacrificar certos desejos, mesmo legítimos,•·ao afeto dos seus e à paz comum. • , Menino m uito mimado é atrabiliário J) elo simples impulso de seu egoísmo exigente. Menino afeito a sa­ c.rifícios, f acilmente avassala os ímpetos eS])Ontâneos de seu carácter. Aliás a afeição da criança p1·opende, naturalmente, a quem mais lhe pede, graças ao vago sentimento de que exigir maior soma de esforços é conduzi-la a um viver mais bélo e harmoni oso. Meni­ no mimado senhoreia as pessôas que o mimam. Mete­ as, literalmente, em escravidão e, 'assim, destrúi todas as alegrias familiares. Educar o bom humor exige um regime especial, http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  33. 33. M O R A L F A M I L I A R 3 7 um cn!ra r J>rogressivo nas ,·ias d o sacrifício secundado pelo sentimento, por igual J>rogressivo, do êxito moral. Eis a vantagem de mostrar-se a cada um, sobre­ tudo às crian ças, o benefício resultante dos sacrifício& voluntários. Para pcrsi.s tir no proposito, precisa o ho­ mem de ser encorajado. Os sacrifícios impostos a cada um dos membros da familia devem ser propo:rcionai!s ao desenvolvimento moral. Exigir demais é provocar mau humor ; pedir em escassez é encorajar o egoísmo. A alma cristã sà­ berá •istinguh· êsses matizes delicados e obter do Es­ pü·ito Santo a ciência e prudencia necessárias. O que dissemos d; bom humor entre esposos é exato paTa todos o.s que fazem vida em comum. Que se trate de filhos tornados grandes em relação aos pais, de irmãos e irmãs entre êles, de criados e amos, de supc1·iores e inferiores, deve, sempre, cada um forcejar por submeter-.se às regras do bom humor, tal como as enunciamos. Mais ainda, há-de um cristão conservar seu ])om humor mesmo quando o carácte1· daqueles com qucn convive torne m ais difícil a paz e mais lou­ vaveis seus csforç�s. • A lei do bom hmuor deve .s.er regra entre os mem­ bTos de uma família. Fará <fue êles encaminhem para Deus as almas dos que lhe.<; são caros e cuja conversão e progresso almejam. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  34. 34. 111 A UNIÃO ESPIRITUAL E MORAL DOS ESPOSOS O amor que devem intercambiar os esposos vem de D eus e a Deus há-eLe tornar. Elevado à dignidade de sacramento, contribui para a santificação dos que se amam e confere-lhes a graça que os há-de auxiliar a bem cumprirem o encargo de educadores cristãos. No pensamento de D eus o amor deveria .ser fonte perene de felicidade e alegria. Em ver.dade, porém, o pecado lhe faz conhecer não poucas tentações e dores. À obra do amor traz cada um o seu quinhão de egoísmo, .abrindo brecha a .satisfações pessoais. Daí resulta um perigoso esquecimento da prática do altruís­ mo, sem o qual nâo pode haver união duravel e santi­ ficante. Amar cristãmente é, p ois, antes de tudo, santifi­ car-se para só trazer benefícios a o ser amado. E', ao mesmo tempo aspirar à santificação do outro em con­ comitancia com a propria, e tirar das alegrias e tris­ tezas do amor, um meio de perfeição. Esta obra espi­ ri tual e moral só se efetua a custa de permanentes es­ forços, e graças ao rtmparo, ao perdão e ao encoraj a­ mento mutuos. Eis porque o amor que Jesus inspira às almas serve http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  35. 35. 40 A B A DE - J E A N V I O L L E T d e mo dêlo ao q u e os esposos s e devem trocar. Jesús suporta o pecador e o robustece con tr a a J>rÚpria fra­ queza, ao rnesmo temJ>O em que o aconselha e oferece ao Pai os sof:riment.os que o hão de re dimir. Foi a.ssim que S. Paulo pôde comparar o amor entre h omem e mulher ao amor entre o Cristo e a Igreja. (1 ) . Com efeito. assirü como o Cristo amou a Igrej a até se entre­ gar por ela afim de a santificar e glorificar, assim aos esposos cumpre o aceitarem o.s sacrifícios mutuos pro­ cm·ando um san tificar-se pelo outro para a I'ealização da obra de Deus. O desinteresse. Como. porém, atingir o desinteresse pessoal? Em seus primordios o amor é um mixto de abnegação c egoísmo. Qual dessas tendências triunfará, e quem há­ de afirmar que a atração do prazer não sufoque a do sacrifício ? O dar-se coni desinteresse pertence, tão sómeu te, às almas que a isto se prepararam de longa d atk Os que no decorrer de sua mocidade não, cOJlheceram o sacri­ fício ; os que viram satisfeitos os seus CUJ>richos todos, e não se cledkaram nem a irmãos, n em a J>ais, não {ruererão, a menos que os alumie uma graça excepcio­ nal, conhecer do amor conjugal outra coisa Cjue não sej am alegrias e p razeres. Muito ao contrário sucede com os c1ue, quando j ovens, aprenderam a esquecer­ se de si e sacrificar-se por outrem. Com os gosos violentos da carne os esposo� inci- ( 1 ) Todo o passo de S. Paulo convém ler-se. Cf. E las. Y, 21-33. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  36. 36. M O R A L F A M I L I A R 41 J>ien te.s correm, por igual, o risco de ver diminuídas as forças espirituais do desinterêsse. Compete-lhes, pois, T efrear os impul.sos sensoriais se ·quiserem conservar c deson· oh: er as forças morais do amor. Nisto serão aj udados à medida que se subme terem üs leis que re­ gem o amor cristão. O divórcio contra a união dos corações. A primeira dessas leis é a que interdita o divorcio. A J>roihiçâo de os homens se divorciarem não obsta ao aumento n atural do amor humano, como crêem os que, não ate;.ntaram nas condições da evolução normal dos sentimentos. Bem ap1·eciada, é es ta intcrdição um obs­ tú culo erguido ao egoísmo c à s paixões caJl azes ·de estiolarem o amor. O amor verdadeiro firma-se, ante.s de tudo, n a fusão das almas. Assim, convém não confundir instinto e amm·. Quantas uniões de corpos há comJ>letamente de­ samparadas dos s entimento de dedicação e responsa­ bilid ade,• alicerces do verda deiro amor ! Quantas outras, entreta nto, feitas .de .um generoso e cluravel devotar-se, ele to do alheias aos JH'azeres carn ais ! Os gosos d a carne podem ser complemento natural do m uluo amor dos esposos; não são, porém, a finali­ dade. A união de corpos só assume o seu significado moral s e a acomp anha a von t ad e de aceitar os nasci­ mentos que pode ge1·ar, tornando-se, -de.starte, instru­ mentos da ação primordial de Deus na obra criadora. Se a lei moral se opõe ao divórcio é, justamente, para livrar os espo s�s, a um tempo, das tentações egoís­ t as da carne, das falhas de carácter e do espirito de independência. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  37. 37. 42 A B A D E - J E A N V I O L L E T Em seus pcimordios, o amor, em que pese às apa­ rências, C. frágil. Se não se acautelam, os espôsos, eu­ golfados nos prazeres do casamento, serão incapazes de aceitar os sacrifjcios impostos à vida em comum. Dei­ xarão que tomem vulto os caprichos pessoais e dia virá em que êsses caprichos hão-de matar o amor. Se os esposos sabem que, em face da ,�ontade di­ vina, lhes é defeso o separarem-se, removerão as ten­ tações, os m alentendidos e procurarão aplainar as con­ tradições praticando, mutuamente, a brandura e a tole­ rância. A idéia de uma separação I!rovável, ao contrário, impele cada um a extremos de ressentimentos e mal­ querenças. A interdição do divórcio obriga, pois, os que se amam a pelejar consigo mesmos, a arrancar de seus corações faltas e impulsos infensos à boa harmonia. O divórcio contra a educação dos filhos. A fidelidade é lei necessária, também, à e:ducação dos filhos. O amor que um ao outro inspiram os espósos tem por mira principal, à face de Deus, a difusão da vida. Devem, assim, sobrepor o futuro material e moral dos fHhos às próprias satisfações. E' bem de ver-se que a criança requer, para se desenvolver normalmente e para grangear confiança, um ambiente de paz e afeição. Desde que seja teste­ munha inerme das desavenças patqnas, sua formação periclita. A alma se lhe retrai dando-lhe ensej o a pro­ pender uáturalmente, à desconfiança e à tristeza. Eis a manifesta inferioridade moral do filho de divorciados. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  38. 38. M O R A L F A MI L I A R 43 Santificação mutua. Como hão-de os esposos �rislãos man ter, entre êles, a paz que sustenta o m utuo amor e o esfôrço moral ? Nem sempre é fácil consegui-lo, j á <rue embora o espo­ sa do almeje o bem, nem por isto a sua Jlersonalidade deixa d e s er uma amálgama de qualidades e defeitos. E' preciso escu dar-se na paciência para suportar êstes e melhorar aqueles, o que só a prática do Evangelho dá, ensinando-nos a amar mesmo quando a pessoa a quem devemos amor sej a, para nós, motivo de penas e pesares. E', podemos dizê-I�. a I>artir do dia em que os es­ posos descobrem seus defeito.s mutuos que têm início, p ara êles, os meritos do amôr. Pouco nos custa o amar­ m os um sêr p erfei to. Digno de louvor é continuarmos a a mar uma pessoa cujos defeitos· nos fazem, todos os dias, sofrer. Se os esposos não pedem à paciência e à miseri­ córd i a o amparo ele que necessitam para se tolerar; se o amor não se deha levar do desejo da perfeição, b a­ seando-se' no amor de D eu s, bem cedo a vida em co­ mum se tornará ,difjcil e, mais adiante, intolerável talvez. Só a humildade e o amor de Deus os levarão a reconhecer suas fal has redprocas, corrigin do-se e esti­ mulando-se mutuamente. Embora os esposos propcndam aos mesmos esfor­ ços, sucede, não nuo, que só um dêles permanece fiel às exigências da vida moral. Neste caso, qual deve ser a sua atitude ? Terá, acaso, o direi to de permitir cres­ ç am nele os sentimen tos d e indiferentismo e rancor ? Seria isto supor qu� os peca dos alheios autorizam os próprios. A verdade é que o espôso cristão, quaisquer que http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  39. 39. 4 4 .A B A D E - J E A N V l O L L E T sejam os defeitos de seu cànj uge, há-de man ter em domi nio as ten tações que o empel em ao údio e à indi­ ferença. A união realiz ada c!Ían te de Deus subsiste, se­ jam quais forem os desfalecimentos e mesmo que as drcuns.tâncias tornem neces sári a a separação <le corpos. Orar pelo culpado e desej a r seu arrependimento e sal­ Yação é dever que se t:onfunde com o de rogar pelo.s. pecadores e o de oferecer por êles, sofrimentos e penas. O amor acarreta o respeito mutuo e a liberdade de consciência. Assim , a influência que os esposos podem, legitimamente, exercer um sobre o ouh·o, não deverá nunca torná-los esqucddos dos �lireitos e JH'Opósitos da consciência de seu companheiro. . A influência mutua, só é, todavia, desej úvel quando o.s conjuges com ungam o m esmo ideal moral c religioso. Conclue-se que, faltando o ideal religioso comum, não devem os moços esposar pessàa cuj a consciência não seja reta ou não partilhe de suas preocupações morais e familiares. No que toca a esposos, o que sucederá, por cxem]>lo se um dêles quisesse filhos, e o outro, não? • À mulher lembre sem]>re que , o risco de perder a liberdade de sua consciência moral a ameaça mui de }>erto porque ela é, facilmen te, tentada a entregar-se, de corpo e alma, à vontade do ser amado. Lembre-lhe que a ninguém p ermite Deus, embora sob pretextos de amor, o abandono da.s responsabilidades de sua cons­ ciência. Requisito essencial à santificação é a confiança mutua. E' ela que permite as confidên cias e os proje tos, trazendo às almas o encorajament� e o apóio dé <1ue carecem. Desgraçadamente essa confiança é, a miude, impossivel a conta de êrros antigos ou recentes que não http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  40. 40. M O RA L F A M I L I A R 45 se ousam confessar e (jUe, não raro, seriam de molde a quebrar o amor ou a lançar, em definitivo, a turva­ ção uma alma inocente. Confidencias há, porém, que, impossíveis nas primícias da vida de casado, podem, com o andar do tempo, ser feitas graças à intimidade das almas e ao melhor conhecimento da fraqueza hu­ mana; graças, principalmente, u um espírito cristão assaz forte e generoso para compreender e perdoar. Referimo-nos ao ideal a que devem tender os verda­ deiros cristãos. Bem conhecemos todas as dificuldades que, por vezes, se opõem a tais votos. Nossos conse­ lhos só vão até onde) a prática das virtudes. cristãs permite que as almas lhes suportem as dolorosas con­ sequências. Defeilo.<; mutuos. A vida em comum faz, naturalmente, cada espôso penetrar as qualidade.s e os senões do outro, pondo à mostra os mais secretos movimentos de sua consciên­ cia moral>. Essa interpenetração é, por certo, obra de Deus, e impele os, esposos a se corrigh·em e permuta­ rem benefícios. O mesmo não se dá com a paixão. A J>aixão é, voluntariamente, cega aos defeitos alheios. Rebelde a qualquer responsabilidade, é surda a tudo o que lhe }JOssa impecer os anseios egoístas e os desejos de gôso. O amor cristão, ao contrário, dis}>Õe-se a conhecer os méritos e os deméritos da pcssôa amada porque al­ meja colaborar em seu bem. Sem ferir, nem condenar quem julga, tornar-se-lhe, com razão, fonte de luz e e melhoria moral. A união periclita quando o amor-proprio ou a au- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  41. 41. 46 A B AD E - J E A N V [ O L L E T sência de vida cristã impedem à alma a posse de si mesma e, por conseguênda, o reconhecimento e a con­ fissão dos próprios defeitos. Por menos que lhes apon­ temos, jrrHa-se e dá mostras de aversões que podem , culminar no divórcio e na separação. Podemos, assim, concluir que a humildade é um dos mais poderosos auxiliares do amor e da l>oa harmonia conjug.al. A dedicação. Os esposos devem ter em mente que as fontes da verdadeira felicidade estão fóra do " eu''. Falsos go.sos que deixam no fundo da alma o travor ·do fastio, eis tudo o que o egoista pode conhecer. As verdadeiras alegrias 1·epousam no devotamento e na abnegação. Nossa vida desabrocha à proporção que saímos de nós mesmos para dedicar-nos aos outros. E' norma rigoro­ samente exata para os esposos, e os que quiserem ter um pouco de felici dade terrestre, deverão esquecer-se de si em prol dos outros ; deverão fazê-lo cristãmente e só procurar as alegrias que depuram e robtLstecem a vontade. A família sofre cada vez que um dos eS})OSOS se lança, egoisticamente, em busca de prazeres pessoais. Tornar-se-há - é fatal - tirâno dominador e orgu­ lhoso e, por pouco que o seu egoísmo reflita nos outros (o que é quasi certo acontecer já que os defeitos con­ tagiam mais que as virtudes) a vida em família se tornará incomportavel. O fito precípuo dos esposos peve, pois, ser a re­ pressão das mil exigências do egoísmo, para substituí­ las pelos mil propósitos da dedicação. E' o único meio de �liviar os sofrimentos da vida tornando-os supor- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  42. 42. M O R A L F A M I L I A R 47 táveis. O egoísmo mul tiplica as aflições de todos; a dedicação as r�duz ao mínimo. Sair de si é labor lento e difícil. Requerem-se anos, mas, em suma, é por êle que se realiza a maior soma de ventura tle que é suscetivel a vida terrena. :Este esfôrço exige íntima união a Jesús Cristo e grande amparo da vontade divina. E' me1·cê de uma vida religiosa profunda que os esposos cristãos adquirem as virtudes que hão-de pre­ sidir a suas uniões; graças a ela se auxiliarão a supor­ tar os sofrimentos que ·acompanham .a vida terrena. A paz, a serenidade, a fôrça necessárias ao bom termo da tarefa quotidiana, como conservá-las se não nos unirmos a Jesús Cristo e não nos esforçamos por imitá-lo, suportando os }lesares da vida e os defeitos alheios como êle mesmo suportou as dores de sua Paixão e os pecados do mundo? http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  43. 43. IV O MAGNO DEVER (1) Da amizade. Antes de se amarem pelos corpos, devem os espo­ sos amar-se pelo coração e pela vontade. Entra, assim, seu amor n a categoria mais geral da amizade cristã. Se os amigos se apoiam um ao outro na prática do hem, estão pondo o bom entendimento mutuo a salvo de atos que possam prejudicá-lo. O amigo cristão é, assim, o sustentáculo de nossa vida moral. Está sempre, a nosso lado para dizer­ nos as verdades necessárias e dar-nos -encoraj amen­ tos úteis. Traz-nos mna alegria e uma paz especial que nos aliviam o fardo dos deveres e nos robuste cem ·contra as tentações. Escudam-nos contra nós mes­ mos e contra as vkissitudes da vida, impelindo-nos ao cumprimento do bem. (1) Haverá quem nos queira acusar por jmpormos aos es­ posos uma lei conjugal por demais severa. Lembt·e-lhe que nos dirigimos aos cristâ<>s que deliberam santificar-se. Saiba, igual­ mente,_ q11e a moral exige sejam os :princfpios apresentados com t<>do o seu rigor, cumprindo a caila qual o devei' de ac11egar-se a êl&s. à custa de lutas e es�orços quotidianos. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  44. 44. 50 A B A D E - J E A N V I O L L E T Faz-se, habitualmente, distinção entre amor e ami­ zade, reservando-se aquele para os esposos e esta para duas almas unidas por um mesmo senHmento de afei­ ção. Será exata essa dis tinçã o ? Não se tiJOderá, com todo o rigor, dizer que há amor sempre que houver amizade, e amizade, sempre que houver amor ? O amor é o sentimento; a amizade o estado que dêsse senti­ mento resulta. Pode um amigo não ter amor e um espôso não ter amizade ? O sentimento que inspiram os pais aos filhos e os filhos aos pais, cham a-se amôr. Pois o estado de coração qte vos leva a desejar o bem do próximo, é amor também. Será conveniente, assim, para maior clareza do as­ sunto, que unamos as duas palavras muito embora tenhamos de especificar os deveres Jlarticulares que acornpanbam o amor conjugal. O amor conj ugal, antes de ser uma união de corpos é uma união de corações e vontades, e, nisto, se con­ funde com a amizade. O desejo da união dos corpos que ai interfere, dá relêvo à finalidade principal que, com o casamento, se propõem o hÓmem e a mulher, e vem a ser, a fundação de uma família. Este cunho do amor conjugal obriga-nos a alguns reparos. O primeiro é que toda amizade, fora dos limi­ tes do casamento, é forçada a coibir os desejos de inti­ midade corporal Esse.s desejos podem, com facili dade, nascer nos .adolescentes que, inexpertos, não sabem estremar os desejos do cOf})O e os do coração. Dai as amizades perigosas que nascem de admiração ou en� tusiasmo irrefletidos e podem culminar em quedas la­ mentaveis. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  45. 45. M O R A L F A M I L I A R 5 1 E isto não se verifica, somente, na amizade entre jovens, senão, também, na amizade entre adultos de sexo diferente. Se não se acautelarem, as amizades mais puras podem degenerar em tentações e provocar si tuações desastrosas de que as vítimas só se J>oderão libertar à custa . de lutas arduas e dolorosas. A amizade entre I>essoas de sexo diferente exige, porisso, atento domínio sôbre os corpos. Há-se: sem­ pre, fazer-se acompanhar de um respeito que reprima qualquer familiaridade sensível. O amor-ca�amento. O mesmo não sucede com o amor conjugal. Con­ fundem-se a atração dos corpos e a dos corações. I O homem e a mulher uniram-se para ter filhos. Amam-se para corresponder a um ansêio da natureza. Suas vocações não só justificam mas sugerem as inti­ midades que possibilitam a obra criadora de Deus. Eis porque ninguém deve entregar-se aos liames do casmnento sem ter son dado seu íntimo para asse­ gurar-se da reali<!ad� de sua vocação. O amor que pre­ tende encerrar-se em si mesmo e recusar o filho, é fra­ queza ou egoísmo, jamais uma vocação. Deus não o assiste. Entra na categoria das falsas amizades. Daí a conveniência de conhecer, previamente, as disposições morais do futuro cônj uge, depois de estar bem certo das suas. Este cuidado com1>ete às. moças tanto quanto aos moços. Devem, ambos, estar apare­ lhados a sacrificar um sentimento ou atrativo que haj a de contrariar a vôntade de Deus e as exigências da moral. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  46. 46. 5.2 .A B A DE - J E A N V ! O L L E 1' Dever conjllgal. P-o de-se dizer que a umao dos corpos é o princi­ pal �scopo do casamen to, :partind9-se do princípio de que aos esposos cumpre, an1es de tudo, o dever de se consagrar à fundação de uma f.amilia. Nilo nos esque­ çamos de que o amor mutuo e a educação dos fil11os implicam união moral e espirHual dos pais. Não podendo, entretanto, os filhos nascer sem a união corporal, torna-se esta elemento do amor con­ jugal e deve reger e dirigir as relações sexuais. Os fins secundários, ajuda e amp aro mutuos, remédio à con­ cupiscência, não deixam, p oréni', de subsistir. O amor �ntre esposos, a p az que entre eles devem reinar, são fatores necessários à vida conjugal, e a boa harmonia não raro precisa da união dos corpos, o que não tolhe­ rá aos esposos o am}lliarem e robustecerem a união moral e espiritual à cust a da união corporal e cuj o sacrifício é, muitas vezes, imposto JlOr imperativos morais irreprimíveis. Os filhos. Fundar uma família é, pois, o primeiro dever dos esposos, dever que comporta riscos e exige penas e trabalhos, sendo, ao mesmo tempo, fonte de alegrias. E', assim, perigoso multiplicar o número dos filhos. Perigoso é, também, ter de guiá-los e dirigi-los até a idade adulta. Suprimir, porém, os perigos que acompa nham a -vi da familiar, seria contorcer as leis da vida e da mo­ ral. O crente os domina pela fé. Sabe que D eus vela, com paternal solicitude, por todos quantos põem o de� http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  47. 47. M O R A L F A M I L I A R 5 3 ver acima das inquietações e dos egoismos d a vida Cjuotidiana. E' por isto que a família cristã não receia o nú­ mero de filhos. Aludindo a número de filhos, não nos pretendemos coloca:t," no terreno da natalidade, impon­ do o.s argumentos p atrioticos e sociais que militam em favor de numerosa prole, se bem não seja permitido a um cristão o desinteressar-se pelas consequências da p1·ocriação ! Cumpre-lhe desenvolver a família para que, por meio dos fHhos, possa êle ser, em muitos pontos, útil á sociedade de que faz parte integrante. O dever social é um só J>ara todos os ' cidadãos, quaisquer que sej am os seus credos religiosos. Mas ao dever social se super­ põe, para o cristão, o de realizar, plenamente, sua vo­ cação religiosa, a qual lhe impõe o emprêgo de suas fôrças físicas e morais na educação do maior número possível de cristãos. A vocação do casamento exige que os esposos se esforcem por aumentar o número de filhos porque o poderio triadm·, a autoridade e prerrogativas que o acompanham, o 11ra�er e .o convicção da paternidade, Deus não lhos conferiu para que dêles se sirvam de modo egoista e tacanho. A verdadeira -vocação há-de empenl�ar-se em ir até o fim dela mesma. Um padre que se satisfizesse com o limitar ao mjnimo os seus deveres sacerdotais e não estivesse con.stantemente atento no grangear o maior número possível de almas para o reino de D eus, se1·ia um J>a dre ntedíocre e bem pouco digno das graças recebidas. Por igual modÔ, os esposos que r�stringissem o número de filhos por falta de confiança em Deus, te­ merosos de canseiras e vreocupações, não satisfariam http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  48. 48. 5 4 A B A D E - J E A N V I O L L E T à vo nta de de Deus em to do o seu àmbHo, nem merece­ ri am a s graças reservadas às almas generosas. Quando Deus nos infunde energias e p uj anças na­ turais não é p ara limi tarmos-Lhes .os efeitos pela }>Usi­ ]animidade. Com mais forte razão, quando nos con­ fere graças sobre-naturais, como sucede no sacramento do matrimônio. Os talentos recebidos devem frutificar sob pena de serm os declarados in dignos e maus servos. DQ continência. Não diremos que não sej a, por vezes, legítima, a de­ limitação dos filhos. E' preciso, porém, pesar-lhe as ra­ zões. Qualquer restrição que rev.ele egoísmo, desejo d e go.sar a vida, medo ao trabalho, é contraria à vontade divina. Limitação ditada pelo bem moral e físico dos esposos e dos filhos existentes, é, ao contrário, legítima e pode aumen tar as graças de Deus em vez de as dimi­ nuir, contanto que essa limitação .se faça acompanhar dos esforços de tontinência exigidos pela lei moral. Po de, com efeito, suceder que a saúde, l.:t insufi­ ciência de recursos, os estorvos fi l:!Oa educação dos filhos obriguem os esposos a contentar-se com restrito número de herdeiros. Neste caso deverão, de comum acôrdo, impor-se o doloroso esfôrço da continência. Bem sei que uma aberração moral encontradiça gerou o hábi to de impor sómente à mulher todas as restri­ ções e sofrimentos que acarreta a disciplina sexual. A ela corre o dever de aceitar numerosas concepções e de subordinar-se às exigências sexuais do marido ; a êste a lib erdade de agir como bem lhe quadre. Como S{: a lei moral coagisse a mulher a todos os sacrifícios e autorizasse o homem a todos os gosos da carne . http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  49. 49. M O R A L F A M I L I A R 5 5 Não h á duas morais sexuais. Há uma só. O s sacri­ fícios e sofrimentos da mulher, hão-de compensá-los os esforços e as lutas do homem para conservar-se abs­ tinente. O exame desapaixonado da lei natural obriga­ nos a concluir assim. Para a mulher o ato sexual compreende duas fases que se completam. Uma, seguida, como para o homem, d e alegrias e prazeres, é a da união sexual. A outra composta de longo.s meses de gravidez, ultima-se com as dôres do parto. Esta lei que ao mesmo ato sexual traz prazer e sofrimento, não toca só à mulher? E o homem não deve, acaso, partilhar com a espôsa a do­ lorosa fase da vida sexual ? E pode-se lá aceitar haja Deus permitido que o verdadeiro amor imponha sacri­ fícios só a um dos cônjuges? Isto não pode ser assim e, de fato, não é. Pelo que dizem os médicos a saúde da mulher e a do filho exigem repouso e calma sexuais, ao menos durante o.s últimos meses de gravidez e no período de amamentação, visto que o engravidecer de novo poria em risco • a saúde do })rimeho filho temporãmente, desmamado, e a do segundo, temporâmente concebido. • • As disposições físicas e, por consequência, as dis- posições morais do filho serão tanto melhores se êle se desenvolver sem que o seu organismo em formação sofra os embates das tensões nervosas que acompa­ nham, necessariamente, o ato sexual. O bem do filho e o da mulher exigem, assim, do homem um período mais ou menos longo de abstinência. :Esses sacrifícios não são só as leis da concepção que os impõem. Po­ dem decorrer de quéstões de saúde, de dificuldades fi­ nanceiras, de motjyos reUgiosos. Não é impossível dar­ se que as razões sejam de tal sorte imperiosas que http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  50. 50. 5 6 A B A D E - J E A N V I O L L E T levem a contiuênda a prolongar-se indefinidamente sob pena de lJÔr em risco, por exemplo, a vida de uma espôsa incidindo 1mma como que monstruosidade mo� ral mui semelhante a um crime. Os sacrifícios que à mulher Ülll)Õe a concepção compensam-se, no homem, pela pungente aceitação de uma abstinencia mais ou menos longa. A lei que rege a vida sensorial é análoga, quer a consideremos num sexo, quer noutro. Não queremos aqui esmiuçar onde começa o pe­ cado e onde acaba, o que é lícito e o que c defeso. Diri­ gimo-nos a cdstãos que procuram aperfeiçoar-se, indi� cando-lhes a direção conveniente para (IUC alcancem a maior llerfeição possível no casamento. Assim, pois, o amor que nos leva a amar o próxi­ mo mais que nós mesmos, deve, normalmente, culmi­ nar, no homem, em esforços de continência para hene� fício da mulher e dos filhos. Bem sei que quantos ignoram a luta e o sacrifício propendem a declarar que a continência está acima das fôrças humanas. A ser isto exato, cumprir-nos-ia concluir que todo homem inibido de ter rela'!;ões com sua mulher por motivos de saúqe pu por causa de uma longa separação, tem o direito de sàtisfazer as exigências de seus apetites, o que seria justificar todas as fraquezas e pretender que o homem, ao contrário da mulher, é um misero animal que não pode sujeitar­ se nem à lei do dever nem aos imperativos da fideli­ dade ao amor. Tal conclusão injuria o homem e con­ trai·ia a moral. A continencia é possível, contanto que o homem evite os ensejos perigosos e se acautele, o mais possiv el, contra as imagens l'ascivas que lhe pos­ sam povoar a imaginação. Ao relaxamento habitual da vontade é que se há de atribuir a excessiva fraqueza http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  51. 51. M O R A L F A M I L I A R 5 7 do homem neste ponto. Temos o direito d e afirmar a possibilidade da continência tanto mais quanto conhe­ cemos casais j ovens, cheios de vigor, que aceitam de comum acôrdo, e a prazo não breve, o penoso fardo. A paga dêsses sacrifícios é a mocidade e a fres­ cura de seu amor quando, em tantos outros casos, os desmandos das satisfações do corpo de-pressa arrui­ naram as delicadezas do coração e fatigaram as ener­ gias do organismo. Em verdade nada enfraquece e corrói tanto as fôrças de resistência da vontade, como o convencer-se da inutilidade dos esforços ; nada, ao contrário, que melhor se acautele contra as tentações sedutoras que a fé na possibilidade e n a necessidade da vitória. Se atentarmos em q ue cé1·ebros j ovens pennane­ ceram, durante longos anos, na idade em que se fir­ mam as convicções, na i déi a de que a castidade dos moços e a continência dos e.sposos eram coi sas impos­ síveis, não nos admira o fracasso de tantos homens em face das obrigações da lei conjugal. O verdadeiro amor pressupõe e implica inúmeros sacrifíchls corporais. O respeito à mulher, a obrigação de nad a fazer que l�e p ossa prej u dicar a saúde, a edu­ cação dos filhos impõem numerosas restrições a pai­ xão, 1·estrições fatais ao amor se êste houvesse de ter a carne p or único apôio. Ao con trário, porém, como o prova a observação atenta da obra de Deus, se o a mor vicej a a lravez dos sacrifícios pessoais e das lutas con1Ta os in stintos egoís­ tas; se se firma nas disposições ínthnas do coração e da vontade, crescerá e se fm·tifica1·á com as energias ( morais e espirituais d os esposos. Há um sem número de preocupações morais que refrigeram a carne e lhe aquietam os apetites. O homem <(U e am a verdadeira- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  52. 52. 58 A B A D E - J E A N V I O L L E T menie, encontra em seu amor o com «JUC refrear seus desej os. E' fora de dúvi da que os a}JelHes inferiores são tanto mais 'iolentos quanto o coração está mais vasio. A carne e mais exigente quando a alma é mais egoista. Atira-se facilmente, às excitações sensoriais quando sente precisão de esquecer a propria deficiên­ cia espiritu al. Ao contrário, a .serenidade interior, a união dos corações, as alegrias d a paternidade, o de­ sej o de progresso moral são outros tantos potenciais que acalm am as violências da carne e facili tam os sa­ crifícios im]JOstos pela continencia. Virtudes subsi.diárias da continência. Não ha virtude natural ou sobrenatural cuja prá­ tica não contribua para acalmar os sentidos. Particulat·­ mente eficaz contra as tentações da carne é a humil­ d ade. Há íntima ligação entre espírito e carne, e o m·­ gulho daquele facilita e prepara a revolta desta. Quem quem dominar o corpo há-de começar pela sujeição do espírito à humildade. Se a fé e a esperança são, ]JQr igual, auxiliares preciosos C{Ue nos fazem vêr o reino futuro e nos dão as graças necessárias para alcançá-lo, o amor de Deus é a arma suprema que possibilita a vitória definitiva. Aí está porque ao.s jovens esposos cabe um grande es­ fôrço afim de que as alegrias do amor humano não lhes obscureçam as luzes do am or divino, e os prazeres car- . nais não lhes tragam à alma religiosa a letargia e o marasmo. Os eSJ>osos que procurarem unir suas almas auxmando-se, mutuamente a bem servirem a Deus se­ rão, mais facilmente, senhores de seus desejos. Se in­ tervém um grande amor ao próximo e a preferencia http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  53. 53. M O R A L F A M I L I A R 5 9 p elo bem moral do cônjuge e dos filhos, conseguirão . estabelecer neles o domínio do espírito sôbre o corpo, do amor espiritual sôbre a p aixão da carne. Da confiança em Deus. Os que se decidiram a combater o bom combate, llão-de encarar os inúmeros obstáculos opostos à fun­ dação de uma família numerosa, ou os sacrifícios que a lei conj ugal impõe. De duas espécies são êsses obs­ táculos : uns de ordem moral, outros de ordem mate­ I'ial e social. A socieda de contemporânea criou privilégios es­ candalosos para o celibatario e para a família neo­ maltusiana . Contra os hábitos e a legislação, os defen­ sores da família t erão de empenhar-se em luta labo­ riosas . Embora o movimento pro-familiar que se es­ boça de tempos a esta parte, não seja especificamente I'eligioso, é dever do cristão auxiliá-lo económica e en­ tu siasticamente. Tudo o que favoreça o salario fami­ liar comó sej am as caixas de compensação ; tudo o que facilite o alojam�ntQ sa dio e saudável da família, e, de modo geral, o espirito de previdência, deveria me­ re cer-lhe solíci ta atenção. O não fornecer a cada um os m eios práticos e materiais necessários ao bom desem­ l)enho de seu d ever, seria pl'égar uma moral acima das fôrças humanas e atentar contra Deus. Se se quer que os esposos tenham num erosa prole, é forçoso subminis­ trar-lhes os meios de man ter essa famíli a, de a acomo­ dar, de a alimentar e de dar a ca da filho situação con- veniente. Os mais graves ünp ecHhos são os de ordem espi­ I'iiual. Originam-se do egoísmo e do orgulho. Quantas http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  54. 54. 60 A B A D E - J E A N V l O L L E T moças há que eütam filhos, temeros as de .se }Ui v arem, longos meses, das distrações a que es tão afeitas ou por não quererem }J erder uma }Jan:e!a, si•Juer, de sua li­ berdade e encan tos ! Q uantos homens têm medo d as f adigas e trabalhos n ecessaríos à man utenção de família numerosa, e pre­ tendem viver Jmm bem-estar que lhes seria forçoso per­ der se tivessem de criar muitos filhos ! Queremos reter os prazeres da vida sem aceitar-lhe os onus, dando, assim, deliberadamente, de ombros às exigências da oJlloral. Pt·etender pai'a os filhos o mesmo confôrto ma teria] de que usufruímos pessoalmen te, falseia, por igual, a vida familiar. Bem longe de fazerem do filho um ho­ mem corajoso e um cristão confiante, capaz de lutar bravamente por cumpl'ir sua 1n·opria vocação, os pais. o afeiçoam pelo modêlo dos vivedores e egoístas. A perspectiva de uma vida sem esforços dessora as ener· gias do moço quando uma educação mais viril teria feito dêle um homem ativo, útil aos seus semelhantes e desejoso de ser, também êle, um chefe de' família numero sa. A previdência é virtude contanto que não supTi­ mamos a fé em Deus. A sabedoria consiste em crêr que Deus reserva bênçãos e bens a os que cumprem coraj osa c integralmente o seu dever em conformidade com a justiça do reino . divino. Pal'ece que a sociedade moderna, firmada no es­ pírito <le previdência, conhece uma tentação que os antigos i gnoravam, qual sej a a de confiar escassamente � e1.t Deus, temendo os perigos que acarreta o desenvol- vjmento da vida. Mais v ale a sabedoria de Deus que a dos h omens, e aquele cuj a família receberá a m aim· http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  55. 55. M O R A L F A MI L I A R 6 1 som a de bênçãos será o que, depois de haver lutado co­ mo lhe cumpria, confiar na paternidade soberana de Deus. Que os esposos cristãos confiem, pois em Quem é o ou tor de toda vida; que dispen<lam todos os esfor­ ços exigidos pela lei moral; que alicercem seus atos com as orações e os sacran1entos, c Deus estará com êles e com seus filhos, de geração em geração. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  56. 56. v DA EDUCAÇÃO DOS FILHOS A hoa educação dos filhos é a principal obra da família. Se o homem se entusiasma com o ser o instru­ mento da Providência criadora, mais se há-de entusias­ mar com a colaboração que Deus lhe J>ediu na feitura da alma e da consciência dos filhos. A obra da educação .se avantaj a à da procriação tanto quanto a vida da alma se avantaj a à do corpo. A autoridade que Deu s confiou aos pais é poderio semelhante ao de que se serve a Providência para con­ duzir os h omens à vida eterna. Pre}'Jostos de Deus, os pais são encarregados de di­ rigir, de robusteçer � aclarar a consciência moral e a ansia de perfeição dos filhos. De tentores dos poderes nece.ssários p ara fazer dêles homens e cristãos, cumpre­ lhes o amp ará-los na lut a contra êles mesmos e contra todas as suges tões do mal, ensinando-os a amarem o bem acima de tudo e a se prepararem llara a vida eterna não se servindo dos bens dêste mundo além do necess ário à sua vocação e aplicando-se a realizar, em tudo, o amor de Deus e o elo próximo. Ponhamos em p " aralelo o poder de D eus e dos pais, e m ais claramente veremos com o êste é delegação da­ quele. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  57. 57. 64 A B A D E - J E A N V I O L L E 'T A c1·iação da humaJüdade foi ato esJJOntâneo da vontade clh·ina. E' por de.sejo e livre escolha dos pais <JUe os filhos nascem. Todo-poderoso, Deus pode con­ ceder tudo ou recusar tudo. O poder dos pais p ermite· lhes distribuir ao fj]ho alegrias e ]Jenas, conforme bem lhes qua dre. Só a vontade divina limHa-lbes a auto­ ridade. Conservando, embora, a liberdade da consciência lmmana, a Providência traz a cada um o .socorro de que precisa para viver :bem. O mesmo farão os pais auxi· liando os filhos a bem servirem-se dos dons de Deus e facilitando-lhes, pela autoridade, o caminho da per­ feição moral. Das qualidades do educador. Quais são as qualidades do educador para que pos­ sa levar a bom termo a bela missão que Deus lhe con­ fiou? E'-lhe forçoso conhecer bem o ideal a atingir, e ter por êsse ideal um grande amor. Como burilar um homem perfeito, um verdadeiro cristão, se nào prefi­ gm·armos em nossa mente o respectivo retrato e ima­ gem ? Não pode a educação ficar entregue às circunstân­ cias. Terá de apoiar-se em princípios rígidos que orien­ tem os esforços do educador Jlelo meandro d a diversi­ dade de cal'acteres e temperamentos. O educador im­ previdente que se satisfaz com as exigências do mo­ mento não saberia distinguir entre as paixões reprimi­ veis e as que hão-de, ao contrário, ser encorajadas e desenvolvidas. O educador deve ter � domínio de si mes­ mo e de suas impressões. Chamado a comandar, não poderá dar mostras de fraqueza nem se deixar avassa- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  58. 58. M O R A L F A M I L I A R 65 lar pela propria sensibilidade. Jamais terá sôbre a criança o necessário l>re.stígio se lhe não soube inspirar temor e respeito. Não bastam, porém, o temor c o respei to. E' preciso f«zer que ·brote na alma do menino o amor (JUe traz a confiança e impede a dissimulação. O verdadeiro problema consiste, pois, em possuir o maior número possível de qualidades morais e em fundí-las na vontade e consciência do filho. Tanto me­ lhor será a educação quanto mais o educador amar as virtudes que quer fazer amadas. Quem não tem fôr­ ça de vontade não saberia inspirá-la ; quem, não esti­ m a a franqueza, não poderia formar consciências re­ tas. A inteligência e a vontade do filho acomodam-se, naturalmente, ao meio. O primeiro empenho do educa­ dm· se1·á, destarte, o de constituir, a principio, um am­ biente em que us impressões recebidas se ajustem ao ideal moral; depois, o de levar, progressivamente o fi­ lho ao julgamento de si mesmo afim de estremar o bem e o mal que nêle existam. Não é cômodo o encargo de esclai'ecer' uma consciência infantil, J>Orque a criança se inclina, mui natmalmente, a justificar os átos que lhe convén1 e a repelir, como improprios, os que lhe repu­ gnam ao feitio. O papel do educador consiste em quebrar, de al­ gum modo, o pendôr que tem , natura]men te, a criança, d(; confundir o l>em com o seu prazet· c o nwl com a sua aflição. Trata-se de levá-lo ao dominio do prazer e da dô:r até não mais os encantr como tais e, sim, do ponto de ,·]sta do bem ou do m al <[Ue dêles possam resultar. Fazer amar o hem mais do que si mesmo, tal é o escopo sup1·emo do educador. Eis porque a autoridade http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  59. 59. 66 A B A D E - J E A N V l O L L E T do homem perfeilo se exerce , de algum m odo, p or si mesma, sem <JUe lhe se,ja necess.ário intervir, frequen­ temente, })ara punir e recompen sar. Fala, aconselha e age. O filho é, naturalmente, levado a imitá-lo. Graças a esta influên cia moral que se infiltra nos pormen ores da vida, a consciênd a se ol'ienta, sem es­ fôrço, para a perfeição, e o filho chega, insensh:elnien­ te, a de tes tar o que os pais detestam, a amar o que êles amam. Amparado pelas observações e conselhos de seus e ducadores, surpreende, em si , a.s ten dências contrárias ao ideal professa do por seus guias c .s e esforça por corrigir-se. Odiando a alm a para salvá-la, colabora no trabalho de espurgo de seus defeitos e lutas pela ob­ tenção das qualidades que lhe faltam . Vendo o quanto seu egoísmo é infenso à bondade dos que o rodeiam ; o quanto suas co]eras colidem com a brandura dêles, e suas dissimulações e mentiras com a franqueza, acabm·á por detestar êsses defeitos e curvar-se-há às exigências dos que deliberaram corrigi-lo. Muito às avessas se dará se ·O meio incorrer nos de­ feitos mesmos que se exprobam ao filho. C«nno com­ preender alguém que a men tira é um mal se é testemu­ nha das mentiras dos pais? Con; · o resistirmos aos im­ J>Ulsos quando somos as vítimas dos impulsos dos nos­ .s os ? Como amar a brandura tendo sob os olhos a violência ? Há natural correspondencia entre os átos exteriores e as disposições íntimas da alma. A vida exterior é, como que, . o símbolo da vida in terior. A criança imita os atos CJUC presencia; sua alma também. A e ducação implicando o apeHeiço amento do edu­ cador, será forçoso concluir que só os perfeitos de,·am intervir na educação ? Praticamente, seria isto interdi tar http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  60. 60. M O R A L F A M I L I A R 67 ü .quase totalidade dos hoUicns o direito de educar os filhos. Com efeito, os educadores imperfeitos hão-d.e su­ prir as imperfeições práticas por um esforçar- se cons­ tante pela perfeição. Testemunha dêstc esfôrço, o fi­ lho compreenderá que, se a pcd'eição não é dêste mundo, devem todos se esforçar por consegui-la. E', pois, inutil e perigoso mesmo, iludir o filho fazendo-lhe c1·êr que nunca há em nós o que devamos reprovar. Forçoso é reconhecermos nossas propri as fraquezas, mostrando, ao mesmo tempo, ao filho que as detesta­ mos e que pelejamos por corrigi-las. Desta sorte o es­ fôrço aparece como lei universal que atinge grandes e pequenos e à qual todos se hão-de submeter. Não se esquecerá o educador que o entendimento do menino é cada vez m ais penetrante e que dia virá em que há- de atinar com os defeitos dos grandes. Des­ prevenido para essa perigosa descoberta, sua alma se escandalizará, abalando-lhe, talvez, profunda c defin i­ tivamente, a fé c a confi ança. A infânâa. A educação deve ·começar com a infància. Bem sei que a sensibilidade sup orta de má sombra os gritos c as zangas do bebê e provoca a tentação grav e de con­ solar ou ceder quando fora mistér resistir. Acautelem-se os pais e aprendam a dominar suas i mpressões se quise rem ptk a salvo sua autoridade futura e impor ao filho um rcgimen que o arrancará ao caUveiro do capricho. Quanto mais concessões se fiz�r a o fHho, tan to. mais e:-; igente se fará êle. E' pre­ llarar-se não J>oucas difi culdad es e abdicações o não tel' a coragem de im}>Or desde o prin cipjo, os regula- http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  61. 61. 68 ABAD E - J E A N V I O L L E T menlos que tornam maleavel o corp o, ajeitando-o aos hábitos n ecessádos. Esta primeira educaçã o é da m ah alta importân­ cia. E' cdvel que muitos jo,·ens reshtissem, com. mais coragem, aos engodos sensoriais se tivessem a dq uirido, d esde tenra idade, o J1ábito de ven cer as exigênci as de u ma carne que, por ser jovem, não está menos sujeita us loucuras do gôso. Habituar a criança ao sacrificio, obrigá-la a supor­ tar dores, aí estão os elementos essenciais da educação. Em verdade, qual a causa de nossas fraquezas de adul­ to, gula, preguiça, impureza, senão as exigências egoís­ tas de criança ? Não se trata de subtrair os prazeres fí­ sicos a um pequenü10 ser que só vive para êsses pra­ zeres, e, sim, de zelar por que êles estejam sempre re­ laciona dos ao bem e jamais hajam de robustece:c. um capricho ou um egoísmo incipiente. No mais das vezes não é a orientação que falta aos pais ; é a coragem. Não sabem dominar a propria sen­ sibilidade e receiam enfrentar os instintos perversos do filho. Preferem recorrer a eyasivas que são puras ab­ dieações e covardias perigosas. Embora crianças, os filhos trazem consigo, em miniatura, o mundo das pai­ xões : amor, egoísmo, ciumes, violência, orgulho. O edu­ cador que não o compreendeu, ou não soube vê-lo, es­ taria inapto a empregar os bons métodos de encoraja­ mento ou âe reforma. Para criar um filho é preciso Yê-lo viver para descobrir os verdadeiros motivos de suas ações. Afinal é para permitir aos edttca dores o conheci­ mento pleno do coração das crianças, que Deus quis que ela.s. agissem com inteira espontaneidade, sem nada ocul tar de sens senti me11tos e disposições íntimas. Riem http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  62. 62. M O R A L F A M I L I A R 69 quando têm vontade de rir, mostram-se aborrecidas sem atenção às conveniências, esfuriam-se diante de quem quer que seja, fazem praça de seus fatos novos e desprezam os demais. Tudo isto its cscâncaras, de sorte que só não o vê a cegueira do amor-proprio pater­ no ou a abstração do devaneio. E' preparar uma cons­ ciência falsa o deixar sem reprcnsão uma tenden­ cia má e sem aplausos uma propensão boa. Enquanto o menino é incapaz de compreensão, o trabalho se fará por meios de alegrias c sofrimentos físicos. O medo de sofrer Tetém a criança prestes a se deixar levar por incli­ nação má ; � esperança de uma satisfação robustece nela o desejo do bem. Assim, cumpre ao educador fazer com que castigos e distrações correspondam sempre e exatamente ao mal e ao bem manifestados pela criança. A idade difícil. A gama das sanções deve ser infinita, segundo os temperamentos e as disposições. A princípio meramen­ te físico§, devem os corretivos ir, pouco a J>Ouco, ce­ dendo o pôsto ao.s. morais. Para a aplicação dos casti­ gos não há regra absoluta. Bo a ·será a sanção que dá certo, isto é, que emenda ou encoraja. Pode ser, alter­ nativamente, carinho ou severidade, beijo ou chicote, conforme as ocasiões, as circunstâncias ou o carácter de cada qual. - A punição não há-de enfraquecer a criança J>Or ex­ cessivamente branda, nem incitá-la à revolta ou à dis­ simulação, por demasiadam ente rigorosa. Se a autori­ dade se faz sentir pesada de mais, por pouco que o seja, a criança retrai-se, in<{Uieta-se, em risco de tornar-se uma fingida ou uma pusilânime; se abdica, a pretexto http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  63. 63. 70 A B A D E - J E A N V J O L L E T de apelar ]Jara o sentimento ou para a razão, a criança se .deixa derivar por suas fantasias, não podendo, a sós, nortear-se pela pro1>ria vontade, ainda em forma­ ção. AHás, temor e confhnça não sào contraditórios. O menino mais bem educado será aquele em quem o te­ mor insinuará o respeHo, -e a confiança, a união íntima dos corações. Educação que abolisse o afeto mirraria o coração e a vontade. Não imprimida à criança o entusiasmo necessál'io aos esforços exigidos, jungindo-a a desígnios inferiores. O amor é o fito supremo para o qual todos os outros hão-de convergir. Não deve a criança recear a confissão de seus esforços e desânimos. Ao contn'lrio, há-de aceitar, antecipadamente, as sanções necessárias indo, mesmo, a ponto de as reclamar, por ;si mesma, de seu educador. Dia virá em que lute por satisfazer aos pais e, por fim, a Deus. Nesse momento a educação estará completa. Cumpre obter da criança uma gran­ de generosidade. Evitai que ela discuta consigo mesma ou convosco. Que vossa ordem seja incisiva e não dê aso a subterfugios ou a discussões dilatarias. ' A obediência que se arrasta deixa a alma fatigada, o que diminue a generosidade natural da vontade. A pronta obediência traz à criança o hábito de não tergi­ versar com o dever, o que a torna forte e impávida con­ tra si mesma. Sej am -exátas as recompensas ou as pu­ nições se quiserdes que as crianças, mais tarde, sej am capazes de praticar o bem sem f'raquezas ou hesitações. A autoridade não discute. O que não quer dizer que ela não se explique. Não se tr(lta de impôr o bem à criança. O essencial é que ela o ame. Sua consciência pessoal só se aclara quando a convencemos de que deve agir .de um Ifwdo e não de outro. As luzes do coração http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  64. 64. M O R A L F A M I L I A R 7 1 e da inteligência hão-de aumentar dia a dia, o que só conseguimos com as razões dos nossos atos. O mais co­ mum é não o conseguirdes no momento em que dais uma ordem, porque aí as paixões .se agitam, tolhendo à inteligência e ao coração bôa parte de sua capacidade receptiva. Convém fazê-lo o mais cêdo possível, mas sómente quando a criança, tornada à calma, for ca­ paz de ouvir e entender vossas explicações. A tarefa só se ultima quando a criança vos tiver dado razão e con­ sentir em colaborar convosco aceitando, previamente, os átos Jnomanados de vossa autoridade. Graças a êsse método, recompensas e punições irão diminuindo e bastará lembrar à criança o JH'Ometido para ob ter dela a submissão ou o.s esfôrços necessários. Se, J>Ois, a autoridade se há-de pôr ao serviço da crian­ ça, não é para prestar-lhe obediência mas para auxi­ liá-la a obedecer ao ideal moral. E' uma fôrça desti­ nada, sómente, a conduzir e encorajar. Em suma, a obter o progresso .daquele em cujo benefício foi insti­ tuída. O jovem. E' a obediência a principal virtude dos meninos. Não há-de durar indefinidamente. Dia virá em que o menino tornado m oço, se con,• ence de sua vida moral e age de a côr.do com suas escolhas e convicções pes­ soais. Grave é o momento. Dêle im pende todo o seu futuro m oral. Se a educação o ensinou a amar o bem mais que a si me smo ; se êle não descobre qualquer contradição entre a · moral qu e lhe impuseram e a que praticam seus prede ' cessores; se à afeição que estes lhe inspiram se segue forte adminção pm· suas virtudes ; http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
  65. 65. 72 A B A D E - J E A ::-.J' V I O 1 . L E T se se habi tu ou a viver em presença de Deus c para o seu amôr, escolherá, mui natural mente, a trilha da per­ feição. Todo o seu entusiasmo j m· enD o impelirá à imi­ tação dos belos exemplos que tem sob os olhos e os que aprendeu u admirar. Se , por desgraça , seus capri­ chos foram sempre satisfeitos, s e surpreende em seus educadores graves. lacunas morais, se o não retém o aféto e o sen timento religioso, escolherá quas e infali­ velm ente o caminho que lhe permi ta satisfazer seu egoismo e paixões. Logo que a J)Crsonalidade começa a definir-se, o orgulho de moço começa a tentar. Seus j ulgamentos são absolutos, tem sempre razão e a menor reprimen­ da p arece-lhe um a tentado à sua dignidade de homem. Para reagir contra esse espirito por de-mais p es­ soal, deve o educ ador multiplicar as responsabilidades, mostrar-se confi ante nos esforços do j ovem, fazendo­ lhe, ao mesmo tempo yer, por que os conselhos e as orientações lhe são, ainda, necessários. Êle supm·tará u au tori dade se esta j á não fôr mais feita sómente de ordens, mas se se transforma numa autoridade moral desej osa, unkamente, de o .secund�r no cumprimento de tarefas cada vez m ais difíceis e pessoais. O papel da autoridade nesta i dade pode resumir-se assim : auxiliar os jovens a toma rem consciência da vida e das respon­ sabilidades que a acomp anham, espicaçar-lhes o senti­ m ento do dever p ara com os mais j ovens e os que, ne­ cessariamente, lhes sofrerão a influência. A vida religiosa. A ed ucação só se ultima no dia em que o adoles­ cente é capa{: de faz er o bem por puro amor de D eus. http://alexandriacatolica.blogspot.com.br

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