Revista varal 16

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Revista varal 16

  1. 1. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Literário, sem frescuras! 1664- ISSN 1664-5243 © Tschuwawah - Fotolia.com 2012— Ano 3 - Julho/Agosto 2012—Edição no. 16 www.varaldobrasil.com
  2. 2. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 www.varaldobrasil.com
  3. 3. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 ® LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, verão de 2012 No. 16bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk www.varaldobrasil.com
  4. 4. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 EXPEDIENTERevista Literária VARAL DO BRASILNO. 16 - Genebra - CHCopyright Vários AutoresO Varal do Brasil é promovido, organizado e rea-lizado por Jacqueline AisenmanSite do VARAL: www.varaldobrasil.comBlog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.comTextos: Vários AutoresColunas:Clara MachadoDaniel CiarliniFabiane RibeiroSarah Venturim LassoSheila KunoIlustrações: Vários AutoresFoto capa: ©-Tschuwawah---Fotolia.com Em setembro a revistaFoto contracapa: Paulo Aisenman VARAL DO BRASIL vem com o temaMuitas imagens encontramos na internet sem ter NOSSA INFÂNCIAo nome do autor citado. Se for uma foto ou um Participe! Peça o formulário pelo e-desenho seu, envie um e-mail para nós e tere- mail: varaldobrasil@gmail.commos o maior prazer em divulgar o seu talento. Inscrições até 10 de agosto!Revisão parcial de cada autorRevisão geral VARAL DO BRASILComposição e diagramação:Jacqueline AisenmanA distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. Arevista está gratuitamente para download emseus sites e blogs.Se você deseja participar do VARAL DO BRASILNO. 17 envie seus textos até 10 de agosto de2012 para: varaldobrasil@gmail.comO tema da edição no. 17 será: Nossa Infância www.varaldobrasil.com
  5. 5. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Chegou o verão no hemisfério norte! Depois de longos meses de frio - podemos mesmo falar deum dos piores invernos dos últimos vinte anos - eis que o calor do verão aquece enfim corpos ecorações.Este ano foi um ano especial para o Varal: muitos números de nossa revista que está cada vezconquistando um espaço maior e, de quebra, chegando ao coração de leitores ao redor do mun-do que estão sempre mais participativos. Uma alegria para todos nós!Também lançamos nossa segunda coletânea, Varal Antológico 2, em três cidades que nos rece-beram de coração aberto e com muita festa regada à música, poesia e bons papos literários.Fomos a Salvador dia 25 de maio, a Belo Horizonte no dia 31 de maio e a Brumadinho no diaprimeiro de junho. Contamos para estes significativos eventos que fizeram o Varal se estenderna Bahia e em Minas Gerais, com o apoio de muita gente! Vamos agradecer aqui os que coor-denaram diretamente, mas não esquecemos que os envolvidos foram muitos!Norália de Mello Castro e a Prefeitura da cidade de Brumadinho , Secretaria da Cultura e Casade Cultura Carmita Passos; Renata Rimet e Valdeck Almeida de Jesus em Salvador, assim co-mo as proprietárias gentilíssimas do Beco da Rosália;. E, finalmente, mas nunca por último, Cle-vane Pessoa de Araújo Lopes e Marcos Llobus em Belo Horizonte. Com estes últimos levamostambém nosso agradecimento ao pessoal encantador do Restaurante Dona Preta, aos poetasparticipantes do Conversa ao Pé do Fogão e do Sarau da Lagoa do Nado. Estiveram conosconos três encontros, diversos coautores do livro, os quais enriqueceram, com suas vivências epresença, cada um dos eventos acima relacionados! Neste número trazemos para você algumasfotos para compartilhar nossa alegria!Com o sucesso da segunda coletânea, abrimos as inscrições para a seleção prévia para o VaralAntológico no. 3 e que será lançado no ano que vem no Brasil.Fazemos questão de agradecer a todos os autores participantes deste número e de todos asedições já publicadas pelo Varal. Vocês são a alma que faz do Varal do Brasil uma revista viva,alegre, realmente literária sem frescuras!Entramos em férias no período julho/agosto e desejamos a todos, onde estiverem, o que de me-lhor possa haver na vida! Nos encontraremos em setembro (inscrições abertas até dez de agos-to) com a edição no. 17 falando sobre Nossa Infância! Sua Equipe do Varal www.varaldobrasil.com
  6. 6. Varal do Brasil— julho/agosto 20121. AILTON SALES 34. JOSE CAMBINDA DALA2. ALMA LUSITANA 35. JOSE CARLOS DE PAIVA BRUNO3. ANA MARIA ROSA 36. JOSÉ HILTON ROSA4. ANA ROSENROT 37. JUAN BARRETO5. ANDRE L. A. SOARES 38. KARINE ALVES RIBEIRO6. ANDRÉ VALÉRIO SALES 39. LARIEL FROTA7. ANTÔNIO FIDÉLIS 40. LÉNIA AGUIAR8. ANTONIO VENDRAMINI NETO 41. LENIVAL NUNES DE ANDRADE9. CARLOS BRUNNO S. BARBOSA 42. LINA MACIEIRA10. CARLOS CONRADO 43. LUCIA AEBERHARDT11. CLARA MACHADO 44. LUNNA FRANK12. DANIEL CIARLINI 45. MAGNO OLIVEIRA13. DANIEL CRAVO SILVEIRA 46. MARCOS TORRES14. DANILO A. DE ATHAYDE FRAGA 47. MARIA DALVA LEITE15. DHIOGO JOSÉ CAETANO 48. MARIA LUIZA FALCÃO16. DOMINGOS A. R. NUVOLARI 49. MARIA LUIZA FRONTEIRA17. ELISE SCHIFFER 50. MARIO REZENDE18. ELISEU RAMOS DOS SANTOS 51. NINA DE LIMA19. ESTRELA RADIANTE 52. RAFIKI ZEN20. FABIANE RIBEIRO 53. REGINA COSTA21. FELIPE CATTAPAN 54. ROBERTO ARMORIZZI22. FERNANDA DE FIGUEIREDO FERRAZ 55. ROZELENE FURTADO DE LIMA23. FRANCISCO FERREIRA 56. RUTE MIRANDA24. FRANCY WAGNER 57. SANDRA NASCIMENTO25. GIORDANA BONIFÁCIO 58. SANDRA BERG26. GLADYS GIMÉNEZ 59. SARAH VENTURIM LASSO27. GUACIRA MACIEL 60. SHEILA KUNO28. HELENA KUNO 61. VARENKA DE FÁTIMA29. HELENA BARBAGELATA 62. VIVIANE SCHILLER BALAU30. HILDA FLORES 63. WILLIAN LANDO CZEIKOSKI31. ISABEL C. S. VARGAS 64. WILSON CARITTA32. IVANE PEROTTI 65. WILSON DE OLIVEIRA JASA33. JOANA ROLIM www.varaldobrasil.com
  7. 7. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Abundancia Por Ailton Sales Família sempre unida Mesa farta e agasalho Dinheiro na dose certa Fruto do próprio trabalho Muita paz muita harmonia Muito amor e tolerância Essa é a vida prometida Por Jesus... Em abundancia. Família desagregada Muito luxo e ostentação Dinheiro em demasia Sempre fácil sempre à mão Sem paz sem tranquilidade Em constante vigilância Essa é a vida oferecidaPelo Homem... Na abundancia. www.varaldobrasil.com
  8. 8. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Déjà-vu Por Ana Maria Rosa Ia passando por uma rua próxima, quando sentiu o desejo irresistível de rever aquela ca-sa. Parou o carro e deixou que suas pernas a levassem à rua das mangueiras. Era melhor vol-tar – uma mulher de trinta anos parecendo uma adolescente – iria apenas passar como quemnão quer nada, só para dar uma olhada. De longe, avistou a casa amarela. Parou tentando re-cuperar a respiração. Ainda havia tempo de voltar. Seu corpo impulsionou-se até o número 25.Quedou-se observando: a fachada imponente, a porta entalhada, o muro de pedra, o jardim derosas, a grade alta... Em que momento tudo se acabara? Antes, entrava sem se anunciar,agora não podia sequer tocar a campainha. Precisava desistir. Dobrou a esquina e viu o por-tãozinho do quintal, aberto. Olhou para os lados e entrou. Experimentou o trinco da porta da cozinha. Arrodeou a casa, viu uma janela aberta. Vol-te, Marina, volte... Escutou o silêncio da casa, o coração aos pulos. Estava louca. Uma mulhercasada com um deputado, mãe de dois filhos – escondida – espreitando o interior de uma ca-sa! Assomou a cabeça à janela e viu a sala de jantar parada no tempo: a mesa grande, as ca-deiras de veludo verde, os quadros, o lustre. Apenas as cortinas eram novas – cor de vinho.Mulherzinha de mau gosto! Fechou os olhos, calculou a altura da janela – como da primeiravez que dormira com ele – agarrou-se ao parapeito e pulou. Ouviu o chuveiro e a voz dele vinda de longe – Quem é? Entrou no quarto, escondeu-se atrás da cortina, ficou a espiá-lo – belo e viril – enxugandoo cabelo. Ouviu a ordem – Marina, saia daí! Marina fundiu-se ao corpo nu. Sentiu uma mistura de prazer, felicidade e dor, tudo mistu-rado. Teve medo de estar sonhando novamente. Desejou morrer: não queria acordar em suacasa, na cama ao lado do marido. www.varaldobrasil.com
  9. 9. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Escolhas * Ana Rosenrot De um canto escuro e apertado, vejo a chuva que cai pesada, gelando as almas eanunciando a proximidade do inverno, para angústia dos que nada tem. Observo as pessoas que passam apressadas, coloridos guarda-chuvas tremulam comobandeiras, todos correm em busca de seus destinos, não me enxergam, minha caixa de es-molas está molhada e vazia. Mas a vida é assim mesmo, uns se abrigam em luxuosos carros importados, outros emcantos escuros e úmidos, a sorte não sorri para todos, como um dia sorriu pra mim. Minha vida vai correndo como a enxurrada, cheia de sujeira e abandono, o medo cres-cendo conforme a água da enchente sobe, me sinto tão só, ninguém olha em minha direção,sou a imagem dos seus temores mais íntimos, acham que nunca estarão no meu lugar e pen-sar que um dia também pensei assim. A chuva se arrasta por horas, sinto meus ossos doerem devido ao excesso de umidade,meu corpo parece estar apodrecendo junto com os jornais que me servem de cobertor e comoo papel, minha alma se dissolve, misturando-se com a lama da rua. Pouco tempo atrás, parece que já faz um século, minha vida era outra, eu tinha dinheiroe posição, mas fiz escolhas erradas, me envolvi com as piores pessoas e destruí as conquis-tas de toda uma vida, devido a ganância e a ambição. Agora estou aqui, vivendo os segundos, colhendo os restos do mundo, tão inoportuno edispensável quanto o entulho que se acumula. O sol volta a brilhar e as pessoas retomam sua rotina e de repente, alguém que conhe-ço de outra vida me atira uma moeda, o faz como se jogasse uma pedra em um rio, pouco seimportando onde irá cair, pelo menos, com a moeda, ela acha que aliviou a possível parcelade culpa que sente sobre minha triste situação, mas a culpa somente existe em quem se julgaculpado e essa culpa é toda minha. Hoje eu sou filho do mundo, flagelo da humanidade, não me diga que sente pena demim, pois todos querem me ver longe de suas vistas, até mesmo você, com sua beleza com-prada, mas eu estou melhor agora, pois me sinto vivo, real, faço parte de suas ruas e praças,sempre estarei ao seu lado, lembrando ao mundo que a miséria existe. A vejo se afastar, passos rápidos, tensos, quem estou enganando, preciso alcançá-la,olhar em seus olhos outra vez, me levanto, sigo em sua direção, ela entra no carro, alguém aespera, perco a coragem de me aproximar, ela pertence a outro mundo e nele eu não existomais. Volto a me esconder da vida naquele canto escuro, talvez um dia, eu tome coragem efaça com que meu grito seja ouvido, até mesmo por você, talvez.*Conto premiado com Menção Honrosa no III Concurso de Poesias, Contos e Crônicas de Jacareí“Troféu Jacaré” 2011. www.varaldobrasil.com
  10. 10. Varal do Brasil— julho/agosto 2012ALICEPor André L. SoaresAlice, embebida de pureza,há poucas horas, chegara ao planeta,ainda estava imune à maldade,quando as notícias velozesrasgaram-lhe as têmporas.Lágrimas verdes vertendo das retinas,pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,grito de clave de sol, preso à garganta,ela então, vê a santa desnudasob a luz fria do cotidiano,...momento em que o belo pintou-se de breu(sabor amargo de inocência trincada).Cansada, recolhe-se ao quarto,a proteger-se dos cristais e plasmas.Após sangrar lembranças, cerra pálpebras,chora e soluça outra vez, sozinha.Por fim, Alice adormeceu!Em seus sonhos ainda existem flores,a água e a verdade parecem cristalinase até o coração do homem é bom.Acanhado, procurei algoque a fizesse sentir-se melhorquando acordasse;tentei criar um ‘origami’, mas já era tarde...eu só tinha em mãos, a realidade.. Foto de André L. Soares www.varaldobrasil.com
  11. 11. Varal do Brasil— julho/agosto 2012TEMPO DE REFLETIRPor Lenival de AndradeAmigos humanos terráqueosVejam bemE prestem muita atenção tambémPois estamos vivendoNum tempo muito difícilPara todos nósE é muito bomParar para pensarPensar e refletirA DEUS perdão pedirDe joelhos e perante eleSer Supremo, Soberano e MaiorSobre tudo e todosAlém de todo o mar, céu e infinitoPensem e meditemAntes de tudo o que vai fazer e falarNão precisa complicarSem precisar medirPois sempre é tempoTempo de refletir www.varaldobrasil.com
  12. 12. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Deus grego beijava. 7 Anos passados, em uma manhã de segunda- feira, em meu escritório recebo um telefonemaPor Lúcia Brüllhardt informando que minha amiga ( a da pulseira ) tinha sido assassinada com 19 facadas e o ros- to tinha sido completamente destruído por áci-Estou em Atenas, exatamente em um antigo do.cemitério, parada de frente a um túmulo branco Novamente aquela explosão de luzes como umcoberto por lindas lápis-lazúlis. A beleza era raio em minha mente e como cenas de filmetamanha, que fascinada com o brilho das pe- passa o sonho, o deus grego, a pulseira, a tra-dras me abaixo para pegá-las. vessia no riacho..... em meio a turbulência deDe repente surge a minha frente um deslum- imagens, a voz que me revela : Seria você.brante “deus grego” LINDO! Tentei acordar do pesadelo; ERA REALIDADE,Pele branca, olhos cor de mel, cabelos doura- eu não estava dormindo, passado o choque edos e um corpo desenhado pelas mãos de recuperadas minhas forças emocionais, queZeus. Ele veste um minivestido de seda branca devido ao ocorrido me abalaram profundamen-com um cinto dourado e sandálias de couro te, continuei minha rotina diária...amarradas nas pernas, musculosas e depila-das. Tinha uma postura elegante e os braços Quando em uma bela tarde de verão europeu,cruzados na altura do peito. Em cada braço na decido caminhar na beira do lago. Aquela tardealtura dos músculos uma pulseira em ouro ma- de domingo era muito especial, o dia estavaciço. realmente lindíssimo, céu azulado, a brisa leveLevanto minha cabeça e olho para ele que me que balançava meus longos cabelos negros,fala : um cheiro de alegria, felicidade misturada com- Atenção! Não toque nestas pedras. satisfação parava no ar. Eu estava muito feliz eACORDEI! (tudo não tinha passado de um so- eufórica, uma dose dupla de felicidade batia emnho). meu peito. Não entendia porque estava tão fe-Alguns anos após este sonho, viajava de férias liz.para Grécia uma amiga e na volta me traz de Ao chegar no lago, decido subir até uma clarei-presente uma pulseira de pedras “ lápis- ra, onde poderia observar todo o movimento delazúlis.”. pessoas e contemplar os contrastes de coresEm minha mente uma explosão de luzes como céu, mar, árvores e montanhas. Um local idealum raio, me traz a tona o “deus grego” me avi- para deitar e desfrutar a natureza.sando para não tocar nas pedras. Muito assus-tada, mas contendo minhas emoções agrade- Jogo minha toalha na grama verde, sento e co-ço, pego a pulseira guardo em minha bolsa... loco meus óculos de sol. Tiro minha roupa bemNa ida para minha casa teria que passar por devagar, ficando somente de biquíni, sentidouma ponte com um riacho de forte correnteza. assim, o toque dos raios de sol em meu corpo eNo meio da ponte ouço uma voz que me acon- o vento leve acariciando minha pele. Naqueleselha : exato momento sinto que olhos me observam.- Joga a pulseira fora, pois a mesma está pre- Ainda sentada, giro minha cabeça para à direi-parada para te destruir a partir do momento ta, vejo um jovem de uns 27 anos, loiro, peleque colocares no braço. (Assustada, e quase branca, cabelos dourados. O mesmo tambémsem folego, não hesitei. Obedeci) sentado, óculos de sol, somente de calção deA vida continuou no ritmo normal. banho preto bem justo ao corpo, olhava exata- mente em minha direção.Vez por outra recebia a visita da amiga que meperguntava : Tentei disfarçar, mais ele me observava com- A pulseira que te dei, você não vai usar? Já grande intensidade. Não era discreto, olhava evim aqui diversas vezes e não te vejo com ela ? olhava MESMO.Com um grande aperto no coração e um frio Perdendo a paciência me levanto, vou em suaque me percorria toda a espinha dorsal eu res- direção, paro em frente a ele que permanecepondia : Aquela linda e maravilhosa pulseira só sentado, eu em pé com as mãos na cintura,uso em ocasião especial. Foi o melhor presente quase gritando pergunto :que você me deu. Obrigada. Abraçava ela e www.varaldobrasil.com
  13. 13. Varal do Brasil— julho/agosto 2012- O que você tanto olha? Era ele. ERA ELE, em carne e osso, ali na mi- nha frente, naquele castelo, era real... Me en-Ele muito calmo, sereno e com uma grande gasgo, perco o folego, tremo. Uma sensaçãoclasse, tira os óculos de sol e coloca na cabe- de felicidade, medo e curiosidade percorre todoça, olha bem em meus olhos, sorri e me res- meu ser. Controlando o vendaval de emoções,ponde : respiro e falo compassadamente :- Eu estou olhando para você. - Tenho a impressão de que já te conheço háEu meia desconcertada, totalmente sem saber vários anos.o que responder falei : O meu deus grego me responde : A partir de hoje eis que tudo se transforma. Vim- Vamos entrar na água? E saio correndo e me aqui na terra para te levar a uma outra dimen-jogo nas águas geladas do lago de Bienne. são, viver contigo um amor intenso e te entre-Após o mergulho olho para trás pensando que gar o segredo dos nossos antepassados.ELE tinha me acompanhado. Londres, Paris, Veneza, Barcelona, Maurício,Mas ELE continuava sentado sorrindo e olhan- Pretoria, Tailândia e Brasil. Atravessamos osdo em minha direção. sete mares. De trem, navio e avião, cruzamos de leste a oeste e de norte a sul.Completamente irritada saio da água quase ro- Loucuras deliciosas vividas plenamente, comoxa e tremendo de frio, volto a onde ele perma- dois apaixonados, vivemos durante 15 anos.necia e grito : Durante este período ele foi meu mestre, aman-- O que você está fazendo sentado aí? Eu te te, amigo e colaborador. Até o dia em que oconvidei para nadar! destino através da morte nos separou. Hoje en- contro me aqui sozinha NA FRIA NOITE DEAgora com um sorrido mais largo , ele se levan- INVERNO.ta coloca uma toalha em meus ombros e me Fico pensando e sonhando em todas as belasfala: coisas que vivemos e vencemos juntos._ Eu tentei te avisar que é começo de verão Infelizmente você não esta mais aqui e me sin-aqui na Suíça... à água esta CONGELADA, in- to abandonada. Como companheira a solidão.felizmente você não me deu atenção e saiu Nos encontramos em uma tarde de verão, lem-correndo em direção ao lago. Gostei muito de bras? Que lindo este dia junto a ti.ver sua demonstração de coragem. Você foi para mim um presente dos céus. Na-Coragem que nada, aquele homem tinha me quela tarde quando você olha em meus olhos videixado completamente desnorteada, a ponto que um amor belo e invencível nascera.de me jogar nas aguas congeladas de um lago. Lembro que desejei viver eternamente com vo-Quem era ele? De onde vinha?O que fazia cê, onde juntos poderíamos transportar monta-aqui ? Eu tinha que descobrir isso urgente. nhas. Lembro de seu sorriso e nos dias de do-Sem perder tempo , convidei o estranho para mingo que juntos corríamos e brincávamos co-jantarmos juntos. Ele aceitou. mo duas crianças. Você não lembra? Para mim Ao anoitecer , espero meu estranho, que até foi ontem ,você sempre foi o homem que dese-então eu não sabia seu nome nem onde mora- jei para mim. Eu e vocês, dois! Ouço nossava ( tinha esquecido de perguntar). Exatamente canção, sinto suas mãos que tocam emna hora marcada e no local acertado , ele che- mim...Ilusão. Você não está aqui . Você tornou-ga. se distante. Velho amigo, desejo seu ombro pa-Agora muito mais lindo, que a tarde. Entro em ra apoiar minha face como antigamente. A dorseu carro e vamos a um restaurante com espe- de sua ausência dilacera minha alma, meu pei-cialidade francesa. O restaurante funcionava to e meu ser... O amor solitário fere e acabaem um antigo castelo, e o lugar que restava, com as forças que tenho. Volta em meus so-era uma mesinha exatamente com dois lugares nhos. Explode em luzes no meu pensamento,na torre. te materializar para um último adeus. DesejoSentamos e fomos servidos com um coquetel somente antes de morrer poder reviver os diasde boas vindas. Brindamos, e no tilintar das ta- lindos que tivemos.. Sentir seu hálito perfuma-ças, a explosão de luzes em minha mente, trás do e quente entre meu corpo me fazendo tre-a imagem do deus grego, que conheci (em so- mer de prazer. Meu amado, como é bom relem-nho) na cidade de Atenas. brar os momentos que passei ao seu lado. www.varaldobrasil.com
  14. 14. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Volto a Atenas, tentando te encontrar, mais lá você não está. Talvez a beira do lago, ou no res-taurante castelo, lá também você não está.Eu não conseguirei viver sem você. Ouve minha dor, houve meu lamento.Eu grito de paixão e desejo. Meu deus grego.Não quero ir para outros braços, não quero sentir outros beijos. O sétimo céu quero ver somentecom você.Como forma de amenizar a saudade , olho nossas fotos e os presentes que recebi de você, du-rante nossa caminhada aqui na terra. No meio de tantos, uma pequena caixinha vermelha emforma de coração, me chama atenção. Curioso, nunca tinha a visto antes. Abro –a e, encontroum papel no qual está escrito : “ deus, mito, lenda, sonho ou alucinação “Lágrimas quentes rolam dos meus olhos, que caem pesadas no chão e se transformarão emlápis-lazúlis. . Amazônia Por Magno Oliveira As aves não mais voam Os peixes não mais nadam Os pássaros não mais cantam As pessoas não mais se amam. Tudo isso por culpa do homem e a sua maldade Tudo por culpa do homem e a sua falta de caridade. As nossas matas desmatadas As nossas florestas devastadas Nossos animais em extinção Nosso medo da poluição. A Amazônia é nossa devemos protege lá A Amazônia é nossa devemos ama lá. Viva o verde, viva a Amazônia, Viva os índios, viva a alegria. www.varaldobrasil.com
  15. 15. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 O CLUBE DOS VIRA-LATAS é uma organização não governa- mental, sem fins lucraƟvos, que mantém em seu abrigo ho- je mais de 400 animais que são cuidados e alimentados dia- riamente. Boa parte desses animais chegou ao Clube após atropelamentos, acidentes, maus tratos e abandono. Nosso objeƟvo é resgatá-los das ruas, tratá-los e conseguir um lar responsável para que eles possam ter uma vida feliz.Por que ajudar os animais? doações. Todos podem ajudar, seja divulgando o Clube, seja adotando um animal ou mesmo doandoVocê sabia que no Brasil milhões de cães e gatos dinheiro, ração ou medicamentos. Qualquer doa-vivem nas ruas, passando fome, frio e todos os Ɵpos ção, de qualquer valor por menor que seja, é bem-de necessidades? Cerca deles 70% acabam em abri- vinda. As contas do Clube bem como o desƟno degos e 90% nunca encontrarão um lar. Parte será víƟ- todo o dinheiro estão abertas para quem quiserma ainda de atropelamentos, espancamentos e to-dos os Ɵpo de maus tratos. BRADESCO (banco 237 para DOC)Infelizmente, não é possível solucionar este proble- Agência: 0557ma da noite para o dia. A castração dos animais de CC: 73.760-7rua é uma solução para diminuir as futuras popula- Titular: Clube dos Vira-Latasções mas não resolve o problema do agora. Sendo CNPJ: 05.299.525/0001-93 Ouassim, algumas coisas que você pode fazer para aju-dar um animal carente hoje: Banco do Brasil (banco 001 para DOC)Adotar um animal de maneira responsável Agência: 6857-8 CC: 1624-1Voluntariar-se em algum abrigo. Titular: Clube dos Vira-LatasDoar alimento (ração) e/ou remédios para abrigos. CNPJ: 05.299.525/0001-93Contribuir financeiramente com ONGs.Nunca abandonar seu animal (Saiba mais sobre o Clube em hƩp://fr- fr.facebook.com/ClubeDosViraLatas?ref=ts)Como o Clube vive? Somente de doações. Todas asnossas contas são públicas, assim como extratosbancários e notas fiscais.Como ajudar o Clube? Para manter esses mais de400 peludos em nosso abrigo, contamos hoje ape-nas o trabalho dos voluntários e com o dinheiro de www.varaldobrasil.com
  16. 16. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 AS TOURADAS DE SEVILHA É um povo festeiro, com uma cultura de danças regionais como o Flamenco de mais antigamente e os mais modernos com as Sevilhanas. Tem tam- Por Antonio Vendramini Neto bém a semana santa que é percorrida pelas ruas finalizando na belíssima cadetral. Destacam-se a “Feria de Abril”, de caráter folclóri-Nos caminhos percorridos em terras espanholas, co, com milhares de pessoas vindas de toda a Es-visitei juntamente com a companheira, a esplendo- panha, e no recinto da festa as pessoas se reú-rosa cidade de Sevilha, em pleno verão europeu. nem para cantar e dançar. “Durante a semana”,Trata-se de uma terra aguerrida, povo cheio de realizam-se uma serie de touradas, de fama nacio-vida, dando a impressão que estão sempre nervo- nal, na conhecida “Plaza de Toros, La Maestran-sos e apressados, mas não vimos nada de excep- za”, onde tivemos a oportunidade de visitar, mascional em sua metrópole que os levasse a ter esse nos dias que se seguiram, não houve touradas,comportamento, pelo contrario, é um povo muito ficamos então com o museu muito bem montadoacolhedor, talvez seja o espírito da raça. em suas dependências.A paixão que os eleva, são as touradas, que éuma questão de cultura, que veio da mistura deeuropeus e seus conquistadores, mais recente- AS TOURADAS REGISTRADAS NO MUSEUmente, os mouros que ficaram em seu territóriopor mais tempo, cerca de 700 anos, transforman-do-se na “caliente” região de Andaluzia. O espetáculo em sua praça de touros é algo parecido a um ginásio esportivo. As pessoasAlém dela, visitamos as principais cidades como; sentam nas arquibancadas para assistirem eMérida, Córdoba e Granada, estão situadas a Su- em todas as “corridas” o “toro” é sacrificado.deste da Península Ibérica é a capital da provínciada Comunidade Autônoma, sendo a quarta cidade O matador o enfrenta com uma capa vermelha,espanhola, com cerca de 700.000 mil habitantes. o qual é ajudado pelos seus assistentes, de- pois vêm os “picadores” que dão as suas esto-O que mais nos impressionou, foram os acervos e cadas, enfraquecendo os seus músculos, iniciaas arquiteturas da época que estou descrevendo -se então a etapa com os gritos da platéia decomo sendo a dos Mouros. No ano 712 da nossa olé-olé, que “pegou” nos jogos de futebol aquiera, o Califa Musa, acompanhado de seu filho e no Brasil, quando o time vencedor quer tam-com um exercito de 18.000 homens, cruzou o es- bém dar o seu espetáculo.treito e procedeu a conquista, em busca de pasta-gens de abundancia de água. O papel do toureiro é fazer um bonito show, deixando o touro cansado, tirando suspiros daOcupou as cidades de Medina, Carmona e Sevilha torcida. È uma pena a judiação que é feito come, seguidamente atacou Mérida que após sitiada a o animal. Mas nesse país é tradição e nuncaconquistou. A Cidade então passou também a ser vai acabar. Eu sempre torço pelo touro, porqueterritório Mouro. E foram eles que lhe deram o no- o bicho homem faz dele um palhaço dentro dome atual, a portentosa Sevilha. picadeiro e acabando com sua existência.Nesta época a sua riqueza cultural cresceu enor- Enfim, depois de tantos passos, gritos de olé,memente com a chegada dos árabes, em tanto, o matador se prepara para a estocada final.que tinha dependência do Califado de Córdoba Com um movimento de espada escondida so-convertendo-se na mais importante de AL - Anda- bre a capa, faz com que o animal se aproxime,luz. Os cristãos reconquistaram a cidade em 1248 enfiando em seu dorso, fazendo-o cair. É o fi-durante o reinado de Fernando III de Castela. Foi nal.também sede da exposição Ibera America em1929 e da exposição mundial em 1992, onde inú- No museu, pudemos ver os cartazes das toura-meras obras foram erigidas em seu louvor. das de antigamente, destacando-se, o terrível “Manuel Rodrigues”, conhecido nos meios co-O clima é muito gostoso, com aquele tempero me- mo “El Manolete”, um dos maiores matadoresditerrâneo, com temperatura media anual de 19 que já existiu, morreu no dia da tourada marca-graus, o que a faz uma das mais quentes da Euro- da no cartaz (28081947), foi ferido pelo touropa, dado a proximidade com o continente Africano, “Islero”, no meio da “Praça de Toros Linares”.tornando-se o paraíso dos turistas, dobrando apopulação. Em julho a temperatura sobe para até35, superando no apogeu do verão em mais de 40graus. www.varaldobrasil.com
  17. 17. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Sedex lírico: Carta a uma senhora poeta Por Carlos Bruno S. Barbosa Hoje a noite amanheceu mais fria e pálida em mim, senhora. Me disseste que não sa-bes escrever, jogaste fora um poema lindo sobre essa angústia que nos atinge e, com ele,levaste à cova da insegurança vários versos que morreram antes de poderem crescer. En-quanto escrevo isso com os olhos caídos, em luto pelos poemas que não te aconteceram, ou-ço minha vizinha lá fora aconselhar uma amiga: “Tem que pensar pra cima e não pra baixo.”Desconheço o assunto que a levou a tal reflexão, prefiro guardar apenas essa poesia que suavoz, indelicadamente alta e decididamente vigorosa, me transmite sem querer. Quando tornei-me professor e quis me dedicar a inspirar meus alunos a escreverem,sempre trouxe comigo o sonho louco de Bukowski de imaginar que deveria haver um poetaem cada esquina da vida e, assim, aprendi a ver poesia em quase tudo, pois quase tudo émúltiplo, lírico e singular. A arte salvou minha vida; sem ela, confesso que me jogaria debaixode um carro, me atiraria no mar ou me tornaria uma pessoa apática, sem gosto pra nada, inu-tilizada pela própria inexistência. Sei que o ato de escrever não permite que salvemos o mun-do, não impede que aviões se atirem sobre prédios inocentes, não traz a cura do câncer, nãotira a dor da perda de alguém; mas salva a invisível alma que agoniza, impede que pilotemostais aviões contra casas que amamos, controla a dor estagnada e mantém vivas aquelas pes-soas que se perderam no caminho. E também sei o quão difícil é este caminho que escolhi:às vezes, converso com paredes surdas; às vezes, me sinto ridículo; às vezes, estou muitosó... Mas e aquele verso que alguém ouviu e levou pra própria vida, como um urso de pelúciaque, apesar da aparência inútil, conforta a criança que levamos pra cama quando nos nina-mos em sonhos difíceis? E aquela febre de encontrar a palavra certa e a impressão de que aTerra toda volta a se mover quando a encontramos? E esse brilho nos teus olhos, senhora,outrora estrela, agora triste fagulha... por que pensas em exterminá-lo de vez? Por que perdertudo isso, por que deixar de escrever? A vida, na maioria das vezes, é inglória e rancorosa, senhora, e, talvez, por isso, nãonos deixe prazer em nossa arte; talvez, por isso, quando escrevemos, o ar parece rarefeitopra tais ações. A vida, quase sempre, nos ignora, senhora, renega nossos talentos e faz-nosesquecer dos diamantes que carregamos nas cavernas de nós mesmos. Me disseste que nãosabes escrever, como um planeta dourado que se julga inabitável pra qualquer habitante devalor. Me desculpe os olhos tristes, senhora, mas o que dizes não condiz com teus versossublimes de lirismo incontestável, nem a vida que sempre carregaste nas palavras vivas decalor e amor. A vida já apaga muitas luzes nos túneis da rotina; não deixes que a tua própriainsegurança desfaça a única chama independente que nos restou. Volta a escrever, senhora,por favor... (http://diariosdesolidao.blogspot.com/2011/09/sedex-lirico-carta-uma-senhora-poeta.html) www.varaldobrasil.com
  18. 18. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 O gozo Por Carlos Conrado A Terra banha-se despida Sob o olhar de Deus. O pudor horrorizado grita:- Isto é um crime contra a decência! Voluptuosa a Terra atiçaOs desejos secretos de quem a fez.O olhar, vendo as curvas benditas Atende ao convite do incesto, Na pirâmide pubiana atira O esperma onipotente. Ergue-se no tempo um riso Símbolo da satisfação Deste orgasmo de Deus. Pintura de Carlos Conrado www.varaldobrasil.com
  19. 19. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Imagem TMK(Tom.CJ) hƩp://moblog.net/view/299298/white-ladySEDA BRANCAPor Daniel Cravo SilveiraPlana no escuro dos céus, a LuaFarol solitário de branca luzPeregrina vestal nuaÉs meu tesouro e minha cruz.Forasteiro das horas incertasNesta noturna visita,A revelar-te das ruas desertasO meu amor selenita.Lua nova, lua tímida, fugidiaTeus sorrisos se calaramTeu silêncio é uma lançaA cortar do coração toda a esperança.Não temas este amar que te reveloNão há culpa, nem pecado se o sintoNão vês que és da vida, o meu eloDa sanidade à terra, és meu cinto.Dos céus a distância te protegeMeus lábios, meus abraços, não te alcançamSeda branca, a reinar eterna no paraíso.Jogo ao vento minhas rimas que se lançamAo espaço, a tua busca, por um sorriso! www.varaldobrasil.com
  20. 20. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 ARMAND LESTAT Por Lunna FrankFoi naquela noite quente e chuvosa, quando Antonella, bebia uma taça de vinho tinto suave,olhou pela janela do seu quarto, vendo o céu, a lua cheia estava enorme foi quando começou asentir uma sensação diferente uns calafrios ao mesmo tempo um calor enorme tremia como seestivesse com uma febre muito alta.Sentiu uma transformação uma vontade enorme de uivar percebeu-se forte dominadora, nessemomento a chuva fina caia lá fora, quando desceu as escadas do sobrado acendeu as luzes dasala de estar sentiu aquele vento frio, eram as janelas que estavam abertas, fechou as janelas eas cortinas, quando resolveu tomar mais uma taça de vinho, avistou aquela sombra vinda emsua direção, sentiu um medo enorme mais a sombra atraiu com um perfume forte envolvente.Era aquele homem belo, forte e diferente, com os olhos fixos em Antonella, meio anestesiadacom o vinho e o perfume que exalava me tomou pelas mãos dei o ar da minha graça, nesse mo-mento seu colar de pérolas negras arrebentou, sentiu uma grande concentração de energias eprazeres, começou a uivar e pontapear nem sabia a quantas andava, percebeu então que ele atomava em seus braços beijou seu pescoço sua boca era gélida e quente ao mesmo tempo.Um beijo profundo ardente misturando suas salivas foi festejando o momento sem dar conta, pa-recia que já conhecia aquele homem, se entregou sem reservas, com um simples movimentomordeu e chupou seu pescoço, é um prazer indescritível como jamais sentiu em toda sua vida.Fizeram amor e sentiu umas gotas de sangue em seus lábios, sentiu um arrepio muito forte, de-pois desfaleceu. Quando acordou estava nua na praia bem em frente da sua casa do seu ladouma capa negra e duas taças de vinho personalizadas com um nome, apanhou a capa cobriuseu corpo e foi correndo para casa.Estava amanhecendo, tomou um banho quente, um café forte, quando se deparou com duasmarcas em seu pescoço eram marcas pequenas dois furinhos com um pequeno hematoma emvolta, todos os pensamentos passaram naquela hora estava confusa cansada com sono.Anoiteceu, quando acordou festejou aquele momento, tive um pouco de medo mais a excitaçãoera maior, refletindo o que teria acontecido já que lembrava vagamente, misturando os pensa-mentos entre o sonho e a realidade.Mais a memoria visual daquele homem lindo, forte daquela figura que emergiu na penumbra danoite em sua sala, com aquele olhar misterioso jamais poderia ter sido um sonho, já que deixousuas marcas em seu pescoço.Pensou que fosse ser transformada em uma morta viva um ser da noite, mais ao contrario essehomem deixou um presente, sua marca o dom da imortalidade, deu as mãos a palmatoria paraas mulheres que como Antonelle já viveram essa magnifica experiência do amor sobrenatural.E todas as noites chuvosas de verão, vai para janela do seu quarto com as duas taças de vinho,vestindo sua capa totalmente nua uivando para lua cheia esperando por Armand Lestat para re-viver essa experiência de amor maravilhosa e saborear as gotas do seu sangue adocicado, fazeramor e celebrar com uma taça de vinho tinto até a próxima lua cheia. www.varaldobrasil.com
  21. 21. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Querendo Ter Coragem Pular as pedras Saltar os obstáculos e deixar passar a onda,Por Maria Dalva Leite Contornar a montanha se ela estiver obstruin- do o caminho, E fixar-se nas marcas que lhe trarão de volta,Passado reconfortante caso precise voltar,Para passar a exaustão, Não se esqueça de cumprimentá-la antes deBusco achar o sentido perdido por o pé na estradaLa onde me encontro Por nada solte a mão de Deus,O sentido proibido também me visita O perigo ronda,Lá onde me encontro: cama de nuvens, num Não esmoreçalocal acolhedor A insegurança filha do medoOnde só o bem estar e a alegria podem me Deve ser evitada,acompanhar Ela surrapa as encostas, rola as pedras, afun-Rígida numa posição confortável rejeito as da os precipícios.mudanças que sempre surpreendem, Cuidado! tenha fé.Fujo da dor escondendo-me do que incomoda. Tudo é para o bem.Navegando em águas calmas, ficar bem é omelhor A segurança é a magia que fará você transpor os obstáculos, E ficar distante do medoPetrificada longe da dor. Repito : não solte a mão de Deus, ocupe-seEntender o que esta se passando dele e atenção por onde pisa para não falsearCompreender e se lembrar da lição que a o passo, e fraquejar.mestra vida nos dá.. Deus seja louvado.Abençoa-la em todas nuances e inserir- se Vamos em frente que atrás vem gente.como parte do todo.Unir-se à vida.Dar bom- dia para o dia, Saudar o sol, a chu-va, o luar,Respirar o mesmo ar que nos contata comtodas formas de ser, desde a menor formigui-nha, as folhagens das plantas, todos animais ,a grama verdinha, verdinha ondulada pelovento.Todas pessoas do mundo interconectadasrespirando o mesmo ar.Existindo juntas na linda atmosfera, pulmão daterra, preenchendo o olhar de cores,prenhe de frescor e odores, amadurecidos emtoda sua trajetória pelo universo.Sorrir para o tempo magnânimoCompreender as oportunidades,Não se apavorar com o caminho,Bem-fazer toda ajuda, www.varaldobrasil.com
  22. 22. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Genuínas reminiscênciasPor Maria Luzia FronteiraArrebata-me uma saudade na rajada do vento, na morrinha e na invernada que rasga o silen-cio oh, e à noitinha junto à lareir’ acender o lume, com a saruga do pinheiro, os gravetos d’acácia, e as folhas tenras d’ eucalipto e do loureiro, e das bagas oh, o cheiro, sob as rachasda lenha resguardada no palheiro de paredes de pedra e de telhado rijo fabricado n’ olaria daminha rua.Arrebata-me a saudade das brasas na lareira sob a panela de ferro, cozendo o milho, ou asopa de trigo ou o bolo do caco e a castanha no brasume p’a família inteira.Arrebata-me uma saudade na cartola e no garrafão de vime, e no corno do boi cheio de vinhocaseiro amiúde...e dos poios laranja terra, adubada com o estrume da vaca e a mondada aeito das urtigas e da erva melada...e das botas d’água da rega na levada clorofilada de mus-gos, ervas aromáticas, treviscos, giestas, dente de leão, abundâncias, trevos, pata de gali-nha, junquilhos e malvas.Arrebata-me uma saudade na vassoura de urze e na vassoura de palha e no cabo de madei-ra, da pá, da foice, da pedoa, da enxada do machado e da lima...oh e arrancar a erva do pá-tio na calçada.Arrebata-me uma saudade de beber água com sabor a terra das nascentes e do verde dosmontes ingremes, numa bica de palma fazendo a ponte na levada quebrada.Ah e do toque das ave-marias, às seis e meia e as mulheres resguardadas de pés em banho-maria absorvendo um calorzinho na derme fria, e as mãos em direção ao azul do céu, oranum tom azul anil, ora num tom azul mar, ora num tom azul petróleo ora num tom místicopardacento rezand’o terço e dando as graças pelo berço abençoado em que foramos acolhi-dos. www.varaldobrasil.com
  23. 23. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 25 ANOS Por Sarah Venturim Lasso Bem vindos 25 anosFaço bodas de prata de mim mesma Como uma rosa desabrochando Feminina Menina Virando mulher Em 25 primaveras juvenis Despeço-me da juventude E abro as portas Para um caminho sem volta Trilhado por mim mesma Em noites de insônia Rumo ao desconhecido Adulta Com frio Com medo Sozinha Acompanhada de mim mesma Nessa vida Como um jardim Seco e inóspito Sigo firme e forte Rumo ao verão E a chuva E mesmo sem saber Como será o amanhã Sigo positiva E pensativa Como uma rosa Driblando meus próprios espinhos Enlaçados em meu corpo frágil Mesmo sem saber do amanhã Sigo rosa, A espera da colheita do amor. www.varaldobrasil.com
  24. 24. Varal do Brasil— julho/agosto 2012ROCAMBOLE DE GOIABADAhttp://tudogostoso.uol.com.br/Ingredientes• 3 claras em neve• 3 gemas• ½ xícara de água• 1 xícara de açúcar• 1 xícara de farinha de trigo• 1 colher de chá de fermento300 g de goiabada derretidaModo de fazer1. Bater na batedeira as claras em neve, após jogar a gemas, a água, em seguida o açúcar, o trigo e por último o fermento2. Colocar a massa em forma retangular grande untada em forno pré- aquecido3. Assim que retirar do fogo colocar a massa sobre um pano de prato polvilhado com açúcar (ou papel manteiga)4. Enrole imediatamente e reserveDerreta a goiabada e aplique, enrole novamente e polvilhe açúcar oucubra com chantilly www.varaldobrasil.com
  25. 25. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Uma Árvore Chamada Terezinha-Centro Cultural Lagoa do Nado -Jardim dos Poetas -Belo Horizonte - MGPor Clevane Pessoa de Araújo LopesJacqueline Aisenman de azul, e sua árvore, Terezinha, observada por Rogé-rio Salgado e por mim, (Clevane Pessoa), no Jardim dos Poetas-Lagoa do nNdo, em31 de maio de 2012.Salgado e eu .Crédito da foto: Lecy de SouzaMarco Llobus marcara para 31 de maio, a segunda edição do Jardim dos Poetas(**): poetas quepassaram pela Lagoa do Nado (*)em Saraus de Poesia , os que fizeram parte do histórico pro-cesso ...A premiada prosadora e poeta Norália de Castro Mello estava nos primórdios da organização,em Brumadinho, de um lançamento- do Varal do Brasil-2, onde estamos na qualidade de coau-toras e organizada por Jacqueline Aisenman a qual lançaria também seu próprio novo livro,"Briga de Foice", pelaDesign Editora , de Jaguará do Sul/SC, um belo trabalho editorial. Jacqueline também é catari-nense-e mora há anos, em Genebra.Norália sonhava em reunir aqui, os coautores mineiros.Queria sobretudo, oferecer a Jacqueline a grande oportunidade de conhecer Inhotim (**).Mas asnegociações se arrastavam, graças aos valores -e ela então, investiu potencialmente na Prefei-tura de Brumadinho, onde hoje reside, que cedeu-lhe a Casa da Cultura-para a recepção de 01de junho, hospedagem aos poetas e prosadores, várias benesses. A Secretaria de Cultura e Tu-rismo entrou no esquema produtivo-e Norália pode contar com Juliana Brasil, Regina Esméria,Maria Lúcia Guedes, Maria Carmen de Souza, que se empenharam na decoração e na degusta-ção de acepipes tipicamente mineiros juninos. Segundo comentários dos autores e convidados,foi uma grande confraternização-continuada em Inhotim e depois no Restaurante D. Carmita,com os lançamentos das antologias citas e livros dos presentes . www.varaldobrasil.com
  26. 26. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Bem, então, no Dia 31, aqui em Belo Horizon- poderia ser madrinha ou afilhada do poeta e ote, começamos a recepção à Jacqueline, que poeta escolheria o nome de sua árvore, pen-seria homenageada junto com Diovvani Men- sei em achegar-me a uma que desse muitasdonça (leia-se Paz e Poesia ***) , no Sarau da flores , para dar-lhe o nome de minha mãe,Lagoa do Nado, no Restaurante D. Preta, re- que adorava o verde. Eu andava daqui e dali,duto de poetas ,artistas e pessoas da Paz, a mas fui atraída por um cedro. Mesmo ele apre-convite de Claudio Marcio Barbosa , produtor sentando uma praga branca. Não conseguicultural e poeta, que faz parte da família que afastar-me das lindas folhas oblongas e aceti-administra o D.Preta. preparam um substancial nadas. Então, pensei: vou dar-lhe o nome deprato mineiríssimo, o Feijão Tropeiro (****). Máximo, pois meu avô ,paraibano, trovador,Foi organizada uma mesa de livros , para a cordelista e jornalista, repentista sonetista, quedegustação da mente e do espírito, por que ensinou-me a metrificar e amar a poesia aindanão, do coração? Jacqueline recebeu as no seu colo, não obstante árvore do gênero"Palmas Barrocas" -alusivas à arte sacra mi- feminino na gramática, mas comum dos doisneira, uma criação da artista de Sabará-uma na espécie, Cedro sempre vai lembrar-me odas mais antigas cidades mineiras- Dirléia Ne- gênero masculino.ves Peixoto e que são parcimoniosamente dis- Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresçatribuídas pelo grupo de Poetas Pela Paz e pela o máximo, seja o máximo-sobrenome de vovô,Poesia., grupo que realiza o Paz e Poesia em Luiz Máximo de Araújo -pensei .Belo Horizonte (*****). Depois de curtir a árvore que me escolheu, fui circular e quando Jacqueline Aisenman foi ba-No D. Preta, , esperamos a chegada de Norá- tizar a sua, ela disse-me;-Terezinha, o nomelia, que chegou com sua filha Daniela. Desse de minha mãe.momento, participaram os poetas e artistas de Fiquei literalmente arrepiada .Claro que o pre-Belo Horizonte, Marco Llobus, Neuza ladeira nome da santinha de Lisieux é muito comum,Rodrigo Starling, Iara Abreu, Maria Moreira, mas eu, que vivo na memória e no imaginário,Adão Rodrigues, Fátima Sampaio, Rogério escritora que sou, logo pensei : -Mamãe, queSalgado, Claudio Márcio Barbosa , Serginho adorava o pai, deu-lhe lugar.BH (fundo musical ao violão) e eu. Coautoras E assim , toda vez que for ao jardim de nós,de outros Estados e cidades estiveram no con- Poetas, no CC Lagoa do nado, vou acarinhargraçamento: Yara Darin, Maria Clara Macha- essas duas árvores: pela amiga distante, emdo, e, com Norália e Daniela, também artista, outro país, Jacqueline Aisenman e cultura ochegou a alegre Madhu Maretiori, que lan- nome materno de ambas, e o d e vovô, meuçou seu encantador "Em Nome de Gaia"- mi- mago iniciador que revelou-me a POIESIS, co-nilivro de grande conteúdo. mo soi ser, com autoria, orgulho e ale-Bem, esse prólogo longo , mas necessário ao gria ::Terezinha e Máximo.registro de nossa história de poetas, nos leva Mais tarde, já em casa, li um texto maravilho-agora, à Lagoa do Nado. so, em Varal Antológico 2 de Jaqueline Aisen-Lá, além do mini tour pelo pulmão verde e su- man ,denominado Pintura Ingênua, onde elaas águas, com passagem pela exposição a abre ao leitor o grande amor por seu pai ("Meucéu aberto da obra enraizada de Mestre Thi- pai, sentado na cozinha, palpitava a vida, davabau., Jacqueline e nós, poetas convidados , palpites em tudo"), onde a mãe amada entrea-fomos levados para plantar nossa árvore no parece, figura de fundo e de pal-Jardim da Poesia. co ,indispensável( "Ou ia pelos braços queri- dos de minha mãe, braços)Quando saí de casa, sabendo que cada árvore www.varaldobrasil.com
  27. 27. Varal do Brasil— julho/agosto 2012cheios de alma") .Realmente , esse plantio para mim, transcendeu os objetivos lindos desse jardim de árvores:permitiu-me a sagrada memória familiar vir bailar conosco por entre as mudinhas esperanço-sas...(A Jacqueline Aisenman, agradecendo o convite para ser e estar em Varal Antológico 2:alegria ehonra). Jacqueline, vendo nossos livros. Nas mãos, Sais—de Rogerio Salgado. Na pilha, meu Asas de Água e Nós, de Rodrigo Starling- entre outros. Exemplares de Varal Antológico- antologia coordenada por Jac- queline Aisenman Café com Letras é da ALTO, em teófilo oto- ni e Lírios sem Delírios, meu livro mais re- cente (selo aBrace). Revistas internacionais aBrace Convite para o evento em Brumadinho Fotos de Clevane Pessoa www.varaldobrasil.com
  28. 28. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Varal Antológico 2 se estende entre os poetas em Belo Horizonte Fotos de Yara Abreu, Clevane Pessoa, Yara Darin entre outros www.varaldobrasil.com
  29. 29. Varal do Brasil— julho/agosto 2012UMA CONVERSA AO PÉ DO FOGÃO, UM SARAU PERFEITO! www.varaldobrasil.com
  30. 30. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 www.varaldobrasil.com
  31. 31. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Guerra sem pazPor Lina MacieiraO homemé a luz do seupróprio eurebeldia sem corforte carência espiritualarmas interior.O homem reprime sua vontadede fazer amor, fugindo da pazhomem insolente, homem frágildigno de morrer e mata. www.varaldobrasil.com
  32. 32. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 NO MUNDO DA FICÇÃO CIENTÍFICA Por Daniel C. B. Ciarlini O adeus de Bradbury e Fahrenheit 451 Deixando saudades e uma extensa listade romances e contos, Ray Bradbury, escritoramericano considerado um dos pilares do gê-nero da ficção científica moderna, morreu namanhã do último dia 6 de junho, aos 91 anos.Era natural de Waukegan, Illinois, Estados Uni-dos, onde nasceu em 22 de agosto de 1920. Além de ter explorado com talento oViveu a maior parte de sua vida em Los Ange- campo da ficção científica, teve proveitosasles, Califórnia. participações no gênero do horror, onde, inclu- sive, foi referência e conquistou o reconheci- Diferentemente de Isaac Asimov, Arthur mento e o respeito de figuras como StephenC. Clarke e Robert A. Heinlein, que foram des- King, considerado o mestre do terror e do sus-cobertos por John W. Campbell Jr. na era das pense da contemporaneidade. É a Bradburypulp magazines, Bradbury foi o único escritor que King dedica Dança Macabra (1981), cole-da década de 40 a surgir no campo da ficção tânea de ensaios impressionistas que discutemcientífica de maneira, por assim dizer, indepen- a manifestação do horror nos campos da litera-dente, sem apadrinhamento, cujos conheci- tura e cinema.mentos científicos e técnicos não foram adquiri-dos em academias, mas de maneira empírica, Ray Bradbury era o último dos moicanosautodidata. Estreou na literatura com o conto que representava a Geração de Ouro da ficçãoHollerbochen’s dilemma, publicado entre 1938 científica moderna, formada também por Isaace 1939, e iniciou a carreira como profissional Asimov, Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke.em 1941, quando teve seu primeiro conto pago Foi considerado o apóstolo dos gentios e o em-divulgado na Super Science Stories. Anos mais baixador da ficção científica para o mundo ex-tarde já era visto assinando textos na Astoun- terior (ou seja, além das fronteiras estaduni-ding e nas principais revistas congêneres que denses), pois “Pessoas que não liam livroscirculavam os EUA. Período este que seu no- desse gênero e que se retraíam diante de suasme virou febre e angariou um público conside- convenções pouco familiares e de seu vocabu-rável de leitores em toda a porção Norte da lário bastante especializado, descobriram queAmérica. eram capazes de ler e entender Ray Bradbury”, segundo afirmou Asimov em ensaio à TV Gui- de, em 12 de janeiro de 1980. Sendo um dos mestres da science fiction, não podia deixar de ter publicado clássicos como As Crônicas Mar- cianas, coletânea de vinte e seis contos que consolidou sua carreira e foi classificada pelo próprio autor como uma espécie de “mitologia espacial”, escrita nos anos 50. www.varaldobrasil.com
  33. 33. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Apesar de ser considerado um dos qua- Guy Montag, a personagem principal,tro pilares da ficção científica, estranhamente observando as pessoas encasteladas em te-não gostava desta denominação, negando mui- lões de televisão afixados nas paredes de suastas vezes que fosse escritor do gênero. Além residências, onde assistem a programas e aodisso, dos casos peculiares que marcam a sua mesmo tempo interagem (um tipo de antecipa-biografia, sabe-se da aversão que tinha por via- ção aos reality shows), assim desabafa:gens de avião e de jamais ter dirigido um auto- “Ninguém mais presta atenção. Não posso falarmóvel. Escreveu peças de teatro, poemas e foi com as paredes porque elas estão gritando pa-roteirista de sucesso, tendo adaptado Moby ra mim. Não posso falar com minha mulher; elaDick para Hollywood. Antes de se tornar escri- escuta as paredes. Eu só quero alguém parator, era jornaleiro. Começou a escrever para ouvir o que tenho a dizer. E talvez, se eu falarsustentar a família. por tempo suficiente, minhas palavras façam sentido” (op. cit., p. 120, grifos do autor). Sem nada a instruir a não ser o exercício e as práticas esportivas, à escola é reservado o papel de formar “corredores, saltadores, fundis- tas, remadores, agarradores, detetives, aviado- res e nadadores em lugar de examinadores, críticos, conhecedores e criadores imaginati- vos” (op. cit., p. 88), sendo, pois, a palavra “intelectual” um tipo de palavrão. Nesse senti- do, eis que os filhos são mantidos nas escolas por nove dias seguidos, com apenas um dia de folga, logo, não ficam mais do que três dias por mês na casa dos pais, e quando assim o são à frente dos telões. O livro também é visto como uma ameaça ao governo que incentiva a igno- rância: “Um livro é uma arma carregada na ca- sa vizinha. Queime-o. Descarregue a arma. Fa- çamos uma brecha no espírito do homem. Quem sabe quem poderia ser alvo do homem lido? Eu? Eu não tenho estômago para eles, nem por um minuto” (op. cit., p. 89). Em Fahrenheit 451, um de seus livros Afora esses aspectos, Fahrenheit 451,mais famosos, Bradbury produz uma narrativa como toda boa obra de ficção científica, nãotipicamente soft e distópica. Desvenda uma so- deixa de especular a respeito de inventos tec-ciedade transformada pelos avanços dos meios nológicos, como quando demonstra a existên-de comunicação que alienam a sociedade. A cia de bancos 24 horas, cujos caixas são ro-leitura de livros é vista como proibida e para bôs, uma antecipação dos atuais caixas demanter a ordem o governo manda queimar bi- atendimento automático. Vê-se ainda a existên-bliotecas e até residências que comportam lei- cia de helicópteros de polícia que podem setores. Interessante observar que este papel é transformar em viaturas ou vice-versa; além dedesempenhado pelos bombeiros, vistos como cães mecânicos farejadores. Bacharéis e cien-mantenedores da ordem. Apesar de escrito na tistas, em face da proibição de livros, desenvol-década de 50, ainda é notável a ironia do autor vem ainda um método que consegue trazer aao analisar o aspecto alienado das pessoas lume tudo aquilo que já leram, bem como umafrente às futilidades trazidas pelo desenvolvi- bebida que modifica a composição química domento econômico: “O que mais falam é de mar- corpo a fim de alterar o feromônio, despistandocas de carro ou roupas ou piscinas [...] todos assim os sabujos, os cães mecânicos.dizem a mesma coisa e ninguém diz nada dife- Sem escritório e espaço em casa pararente de ninguém” (op. cit., p. 51-2). Ou ainda: produzir, Bradbury escreveu Fahrenheit 451“O clangor reduziu as pessoas à submissão; nos porões da Universidade da Califórnia emnão corriam, não havia lugar nenhum para on- Los Angeles, entre livros velhos e máquinas dede correr” (op. cit., p. 116). datilografar alugadas a dez centavos a meia www.varaldobrasil.com
  34. 34. Varal do Brasil— julho/agosto 2012hora. Segundo afirmou, o livro acabado lhe custou nove dólares e oitenta centavos. Das passagens mais emblemáticas e libertas que, a meu ver, Bradbury deixou aos coleci-onadores de preciosidades, resume-se em um trecho de denúncia a toda e qualquer forma deopressão que tenta podar o espírito livre e imaginativo do homem: “[...] este é um mundo louco eficará mais louco, se permitirmos que as minorias – sejam elas de anões ou gigantes, orango-tangos ou golfinhos, adeptos de ogivas nucleares ou de conversações aquáticas, pró-computadorologistas ou neo-ludditas, débeis mentais ou sábios – interfiram na estética. O mun-do real é o terreno em que todo e qualquer grupo formula ou revoga leis como num grande jogo.Mas a ponta do nariz do meu livro ou dos meus contos ou poemas é onde seus direitos termi-nam e meus imperativos territoriais começam, mandam e comandam”. ORGIA Por Mário Rezende Que mulher é essa? Que magia é essa que ela tem, de me atrair assim, como uma presa fácil, indefesa, sem forças e vontade de fugir? Quem é essa mulher que me deixa assim com os neurônios em orgia, ouvindo cantos e tambores ecoando batuques ritmados? Por que será que essa mulher controla assim a minha mente e provoca uma vontade louca de me deixar levar, ficar ausente? Todo esse poder é teu, minha mulher. www.varaldobrasil.com
  35. 35. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 UM BILHETE ANÓNIMOPor Lénia AguiarQuando o final do ano lectivo aconteceu, Magda, que até agora tinha ocultado os seus senti-mentos pelo professor de educação física, Guilherme, por temer a rejeição e parecer ousada,finalmente teve coragem para se declarar escrevendo um bilhete. Descobriu qual o seu cacifo ecolocou um bilhete. Guilherme ficou surpreso com tal papelinho, assim como com o seu conteú-do: Há muito que lhe quero dizer que é bonito. Conheço-o há algum tempo e você a mim também. Se quer saber quem sou vá até ao cais às 20h30min. M Quando terminou de ler sorriu. Arrumou o bilhete e tirou tudo o que tinha no cacifo arru-mando na mochila. Saiu da sala em direcção a casa. Foi a pé, morava relativamente perto.Enquanto caminhava pensava:«-Quem será? Porquê tão tarde o encontro? Deveria ser já, estou ansioso para saber quem é.Se não gostar disfarço, dou meia volta e vou para o bar da praia.» Ao chegar a casa tomou um banho e vestiu t-shirt e calças de treinar. Nem o pai nem amãe desconfiavam que ele teria um encontro. Jantou e fez-lhes companhia durante algum tem-po enquanto a tv transmitia o noticiário. Ao passar cinco minutos das vinte horas, levantou-se edisse-lhes que ia encontrar-se com amigos. Quando chegou ao cais avistou algumas pessoas ao redor, a maioria acompanhadas. Mashavia uma mulher mais afastada e voltada para o mar, era elegante e de cabelo ondulado escu-ro. Só poderia ser aquela a M! Até suspeitou que pudesse ser a sua ex-aluna, porém, não que-ria estar muito empolgado, pois era cedo e a tal mulher poderia ainda não ter chegado ou nemaparecer. Aproximou-se lentamente e disse sorridente:--Está um bonito fim de tarde! - Porém, ao aperceber-se de quem se tratava acrescentou – Mag-da!?--Sim. Estou à espera do homem que sempre esteve apaixonado por mim e só agora admitiu.-Estou sem palavras... Algumas vezes suspeitei do teu interesse, mas conclui ser loucura mi-nha.--Também apercebi-me muitas vezes que me olhava com ar de macho... Farei dezoito anosamanhã.--Não te importas mesmo que namoremos? Eu fui teu professor até hoje.--Poderemos mentir, ninguém precisa saber que eras meu professor, Guilherme.Ele enlaçou-a e beijou-a confessando:--Só o nosso amor interessa. www.varaldobrasil.com
  36. 36. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 www.varaldobrasil.com
  37. 37. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 A essência da poesia Por Alma Lusitana Recentemente abandonado pela comunidade, vive na rua sem rumo e numa selvagem crueldade.Desce a calçada com os pés doridos pela ausência de resguardo, sendo vencido por um cansaço aliado à urgência de alimento. Numa noite chuvosa, sucumbe sobre os gélidos paralelos de uma calçada deserta e sombria. Ao despertar dolorosamente da sua malfeita sorte, encontra a seu lado, lambendo-lhe afectuosamente a face, um pequeno cachorro também desgastado pelas atrocidades da nossa preconceituosa sociedade. Fixados num olhar penetrante, o sem-abrigo, retira do bolso meio pão enlameado repartindo-o poeticamente com o únicoser que no auge do seu desespero e imune a qualquer presunção, o acompanha nesta sua dolorosa enfermidade. www.varaldobrasil.com
  38. 38. Varal do Brasil— julho/agosto 2012O violinoPor Danilo Augusto de Athayde Fraga (As três graças)ApagaA luz e dançaA casa vazia a noite jovemA lua e vocêToca um quartetoDe Ravel de cordasA corda nãoQuer parar de adormecerEu e você e maisA lua e a noite eu souEntre rosa orquídea e adelfaA quarta e quinta cordaO violinista adormecidoO poeta que desperta para enfimFechar os olhos como quem gozaUma breve nota de SatieAs três graças de CanovaEu sou o arco que desliza sobre cordasTensas e também é corda O verso e o seio como taça O vinho e o sonho O amor ou algo parecido www.varaldobrasil.com
  39. 39. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 A ARTE INCONDICIONAL DE AMAR Por Dhiogo José CaetanoO amor é a maior força que existe no mundo. Aqui falo de amor no sentido lato e não só do sen-timento que pode existir entre dois seres. O amor total é uma forte de energia que não utilizamoso suficiente.O amor é uma plenitude que no envolve até nos momentos de raiva, pois a raiva ou ódio é a an-títese do amor, ou seja, o amor que está doente.Portanto, aja sempre com amor e terá sucesso na sua existência. O amor está na base de todasas grandes descobertas e grandes invenções que tiveram lugar, têm lugar e terão lugar na histó-ria da humanidade.Sem amor, não podemos construir nada de grande. O amor é simplesmente a essência que nosmantém vivos.Se os homens projetaram enormes templos, igrejas, mosteiros, sinagogas, mesquitas, foi poramor ao ser supremo: o seu salvador aquele conhecido com regente de todas as coisas queexiste no universo.Se os homens fizeram descobertas em todos os domínios, foi para melhorar a vida dos seusamados irmãos.Seja no domínio da medicina, da tecnologia, do dia a dia ou da melhoria das condições de vida,no fundo, os investigadores, os cientistas, os médicos e os grandes exploradores agiram semprepara o bem da humanidade.O amor vence tudo, a sua supremacia sobrepõe todas as coisas.Aqueles que tentaram, tentam ou tentarão praticar o mal serão sempre vencidos, porque a forçado amor é maior do que a força do ódio. Esta pode causar muitos estragos, mas será semprevencida no fim!Meus amados irmãos, convindo vocês para praticar a arte do amor no dia a dia. Não só irá atin-gir mais depressa os seus objetivos, mas também praticará o bem à sua volta. Obterá sempreuma recompensa moral ou material.Será um ministro que prega o amor e que é sempre amado.Em suma, cultive a atitude de amar incondicionalmente e não por interesse ou esperando rece-ber uma recompensa. Coloque um amor incondicional nas suas palavras, pensamentos e atos,assim a sua vida plenamente será rega com muito sucesso, clarividência e paz.Amar nunca é demais! www.varaldobrasil.com
  40. 40. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Se você não leu os números an- teriores, peça através do nosso e- mail ou faça download na pági- na do VARAL. É gratuito! VOCÊ SABIA?A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil doAmazonas ao Rio Grande do Sul... Também levaseus autores pelos cinco continentes! Se você deseja ajudar os animais que Quer divulgação melhor? todos os dias são abandonados, atrope- lados, maltratados e não sabe como, Venha fazer parte do VARAL! vai aqui uma dica: E-mail: varaldobrasil@gmail.com Procure uma associação de proteção aos animais, um refúgio, uma organiza- Site: www.varaldobrasil.com ção ou mesmo uma pessoa responsá- Blog: www.varaldobrasil.blogspot.com vel em sua cidade ou estado. As cola- borações podem ser feitas através de tempo, dedicação, ajudas financeiras, divulgação. Há pessoas por todos os cantos aju- dando aqueles que não sabem como ajudar a si mesmos. Seja mais um, faça destes bichinhos a sua causa!! AJUDE A AJUDAR, SEJA HUMANO! www.varaldobrasil.com
  41. 41. Varal do Brasil— julho/agosto 2012Rocambole de BatataMarilice Bernabeihttp://www.receitas.com/IngredientesMassa• 1/2 kg de batata• 1 xícara de leite• 3 ovos• 4 colheres de farinha de trigo1 colher de manteigaRecheioO de sua preferência: frango, palmito, carne moída, presunto e queijo, camarão ou verdurasrefogadas.modo de preparoMassa1º - Descasque as batatas e depois de cozinhar em água e sal, esmague-as e passe-as pe-la peneira.2º - Junte a manteiga, o leite morno, a farinha aos pouquinhos e misturando bem.3º - Depois, acrescente os ovos. Bata muito bem até conseguir uma massa lisa e uniforme.Montagem1º - Despeje numa assadeira untada com manteiga e polvilhada com farinha de trigo.2º - Alise, polvilhe com um pouquinho de farinha de rosca e leve ao forno por cerca de 15minutos.3º - Deixe esfriar um pouco e, quando ainda quente, vire a massa sobre um guardanapopolvilhado com farinha de rosca.4º - Espalhe o recheio e enrole com cuidado, aperte com o guardanapo e depois de algunsminutos desembrulhe.5º - Salpique com pedacinhos de manteiga e passe outra vez pelo forno por cerca de 5 mi-nutos. www.varaldobrasil.com
  42. 42. Varal do Brasil— julho/agosto 2012A Tartaruga Fifi forte graças à nova família. Infelizmente, depois de tanto carinho e amor, Suzi não quis mais Fifi e sua família inconse- quentemente colocou-a na rua, à sua própria sorte. Para a alegria de Fifi, uma menina chamada Sofia apareceu e a resgatou, livrando-a daque- la movimentação enorme das ruas. Em casa, Sofia perguntou a tartaruga: -Você está perdida? A tartaruga balançou a cabeça mostrando quePor Helena Akiko Kuno sim.(Helena tem 8 anos e escreve pela primeira Então Sofia adotou Fifi e ficou muito feliz, poisvez para a revista) ganhara uma amiga para brincar.Em um belo dia ensolarado, Suzi andava pela O tempo passou, Fifi adoeceu e não havia vete-rua quando viu um novo Pet shop e decidiu co- rinário que cuidasse de tartarugas na cidade.nhecê-lo. Um dia Fifi começou a fechar os seus olhinhos.Chegando lá, ela viu diversos animais: cachor-ros, gatos, peixes, hamsters e tartarugas. Sofia inconformada chorou muito, mas não ha- via mais tempo, Fifi tinha morrido.Mas uma tartaruga bem pequena no fundo deuma gaiola lhe chamou a atenção, ela parecia Sofia ficou tão triste e até hoje ela ainda lembrafraquinha e magrela. -se de Fifi.Suzi com dó da tartaruga foi correndo para ca-sa conversar com a mãe:- Mãe tem uma tartaruguinha no novo petShop,você compra para mim?- Não sei filha, estou com pouco dinheiro estemês.- Por favor, mãe.- Está bem, mas lembre-se que a responsabili-dade é sua.Chegando ao pet shop, Suzi pegou a tartaru-guinha na mão e disse:- É essa tartaruga que eu quero mãe.- Mas ela parece tão frágil, não acha?- Não mãe, eu não acho!- Está bem querida, então vai ser essa.Então a tartaruga começou a ficar saudável e www.varaldobrasil.com
  43. 43. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 O segredoPor Domingos A. R. NuvolariFlorinda casou-se a alguns instantes e já estava eufórica para a sua viagem de lua de mel, quefaria daqui a algumas horas. Ediberto seu noivo, se divertia regado a cerveja e seu pagode pre-ferido, que saia da caixa de som.Entre fotos e abraços sujava cada vez mais a cauda de seu vestido longo e branco, perdido nasrendas, que um dia sonhara para este dia tão especial. Com o nó já frouxo de sua gravata, onoivo ria das piadas contadas pelos amigos, na rodada que seguia noite adentro e não pareciaque Ediberto estivesse sonhando com a viagem ao nordeste baiano, terra de sua gente.Os convidados, que não foram à cerimônia, não terminavam de chegar ao salão de festas, inclu-sive Maria Antônia, uma confidente de Florinda que no meio da festa adentrou ao salão, seuolhar não se cansou de procurar a noiva, até que a avistou e correu ao seu encontro.O noivo era preparado pelos amigos para o momento esperado, o tradicional corte da gravata.Soma tão esperada que ajudaria no custeio dos dias que passariam, na pequena cidade nataldo baiano, que ali continuava a se divertir como sempre se divertia, na sua pacata vida de vigiade um supermercado.Durante seus dois anos de namoro e noivado, Florinda não se deixou levar pela fraqueza dacarne, sempre seguiu rigidamente a tradição da família, que sonha em levar a noiva para o altare casar de véu e grinalda, corretamente.Maria Antônia, agora de frente para a noiva, nem mal cumprimentou Florinda, pelo seu casa-mento, foi logo cochichando no ouvido da noiva, com um ar de fofoca, segredo guardado hátempos, a espera do momento certo para soltar a bomba. Florinda num gesto de surpresa, colo-cou as duas mãos na boca aberta, afirmando ainda mais a inesperada bomba que a amiga con-fidente fuxicou em seu ouvido.Nesta altura da festa, Ediberto já garantia um bom trocado para a tão sonhada lua de mel, queesperou, embora não demonstrasse estar com pressa. Ele conhecera Florinda no cemitério dacidade quando levava ela ao tumulo ali esquecido, meses antes do início do namoro.Quando Ediberto olhou para Florinda, naquela cena olhando para ele, ele sentiu em seu gestode desespero e podia imaginar que não era um simples gesto, ele parecia saber do que se trata-va pois ficou paralisado como se um segredo havia acabado de ser descoberto.Florinda voltou-se para o local onde Ediberto estava e saiu ao seu encontro, já em meio ao cho-ro, ao nervosismo e ao desespero. Ediberto repentinamente acorda de seu pesadelo, na véspe-ra de seu casamento, suando frio, assustado mas com a certeza e a garantido que seu segredoainda ficaria guardado, por mais algum tempo, com ele e com Maria Antônia, falecida pouco an-tes do início de seu namoro. www.varaldobrasil.com
  44. 44. Varal do Brasil— julho/agosto 2012 Adoção é uma permuta de amor. O homem ama o cão e o cão ama o homem. Os dois tornam-se amigos. Na foto, CostelinhaPor Elise Schiffer Amigos: Costelinha (4 anos) e Rosemberg (12 anos)Era uma vez um menino que vivia sozinho,Sua família havia mudado de residência.O menino ainda não tinha amigos no novo Bairro.No dia de Natal o menino pediu a sua mãe.Mãe, eu quero um cachorro de presente.Era uma vez um cachorro chateado,Que havia sido abandonado ainda filhote.O cachorrinho estava sozinho, não tinha nenhum amigo.As pernas tremiam de tanto medo que sentia por estar sozinho.O filhote latiu e latiu pedindo aos céus um dono para amar.No dia de Natal a mãe do menino o levou a um abrigo de animais.Lá o menino viu muitos filhotes pulando e latindo.O coração do menino bateu forte pelo filhote mais sujo e magro.Era o filhote mais feio no berçário do abrigo.Hoje o filhote é um belo cão, o menino esta feliz e os dois são grandes amigos. www.varaldobrasil.com
  45. 45. Varal do Brasil— julho/agosto 2012PSICOSE LITERÁRIA secretamente ainda tinha esperança de fazê-lo, mas não podia dormir por pouco mais de qua- tro horas por dia, os pesadelos eram constan-Por Eliseu Ramos dos Santos tes e verossímeis e o cheiro dos corpos já im- pregnava toda a casa. O cheiro era mesmo o pior de tudo, aquilo que o deixava mais angusti- Uma folha em branco era a visão mais ado. Cansava-o. Espalhado por todas as par-recorrente em sua vida desde então. Fitava-a tes da casa, exceto no tapete persa. Por issoinsistentemente, mas não conseguia mais es- ele passava horas a fio de bruços, com os bra-crever depois que havia feito. Agora estava so- ços abertos e o nariz estacionado nas cerdaszinho. Aliás, estivera sozinho há muito tempo, do tapete. Podia cultivar o terrível sentimentocontudo, desta vez se encontrava fisicamente até o fim contanto que não precisasse suportarsó, por pouco mais de um mês não vira algum o aroma da morte. Sabia que lhe restava poucomísero rosto diferente, nem o seu próprio. Que- tempo até que o cheiro se ousasse a romper osbrou todos os espelhos da casa, pois não su- limites da casa e chamar a atenção do mundoportava a expressão de fracasso e desolação que há depois da porta da frente.tatuada em sua face. Por vezes conseguia se Pois então, se quisesse que valesse a pe-enxergar furtivamente no reflexo da água em na tudo que havia feito, deveria começar a es-suas mãos antes de lançá-la contra o rosto, ou crever logo. Seria sua obra-prima. Um estan-senão era possível se reconhecer de um modo darte da literatura moderna, recuperaria enfim,deformado na garrafa de uísque recém- o reconhecimento de todos, mesmo com umesvaziado, esta sim, era a imagem que mais débito tão alto a pagar, o sacrifício não serialhe agradara nos últimos tempos: seu semblan- em vão. Não o sacrifício próprio, mas o de seuste totalmente distorcido, o que representava entes: sua bela e amável esposa e seus filhos,para ele, a desfiguração de seu pobre espírito. carinhosos e educados. “Morreram para entrarDiante do estado de solidão, há muito tempo na história”, pensava ele, em momentos de in-não pronunciara uma só palavra. Não carecia, tensa insanidade, “serão eternos personagensele não era do tipo que jogava palavras ao ven- do meu legado como escritor, estarão vivos porto, o máximo que produziu sonoramente duran- séculos no imaginário de toda a humanidade!te esse período fora alguns gritos dispersos de Ora, como não? Se estivessem aqui prestariamdesespero e angústia motivados pelas lem- inúmeros agradecimentos a mim por serem es-branças vinculadas ao que fizera, surgiam em colhidos para tal.” Sua mente agora doentiasua mente com tanta força e violência que não costumava variar do estado de plena culpa econseguia conter-se em silêncio: gritar emude- desolação para uma incontinente e repentinacia sua mente e o deixava um pouco menos megalomania. Um desgraçado dégradé demorto. emoções que o deixava cada vez mais demen- Falando nisso, não cogitou em nenhum te. Não era à toa que se encontrasse nessasmomento a ideia de suicídio, para ele, viver o condições, afinal praticara um dos atos maismaior tempo que dispusesse com aquele senti- lastimáveis conferidos ao ser humano: o assas-mento tão corrosivo quanto ácido era o único sínio da própria família.modo de diminuir em alguns per centos suaparcela de responsabilidade sobre seu ato. As- “Mas foi por uma causa nobre! E ademais,sim, já realizara o próprio julgamento pessoal, eles me jogaram no poço da decadência, preci-pois os meios jurídicos já não importavam sava ter feito algo, sim, tudo faz sentido!” Essamais, tampouco a punição divina, até porque ideia repugnante brotou-lhe em sua cabeçanão era religioso. No entanto fez de seu lar um paulatinamente, tendo como origem um sinceroinferninho particular para ser simultaneamente, diálogo com seu agente, “antes de seu casa-demônio e pecador, onde ele mesmo prepara a mento cara, você era louco, bebia como nin-via-crúcis e a percorre sem auto refutações. guém e tinha várias mulheres, quantas quises- A casa era grande, entretanto ele passou se, havia histórias pra contar e não eram pou-maior parte do tempo num quarto dos fundos, cas, sua mente borbulhava em criatividade esem móveis, onde havia apenas um belo tapete isso se traduzia em grandes escritos seus, porpersa e sua máquina de datilografia com uma isso tinha se tornado um grande escritor, hojefolha posicionada ansiando a primeira frase ser você não é mais nada.escrita. Ele achou que conseguiria escrever e www.varaldobrasil.com

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