®Literário, sem frescuras!                                           1664-                                      ISSN 1664-...
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Varal do Brasil, literário sem frescuras!                    cleoreispoema@hotmail.com    LIVROSPor Cléo ReisEmano minhas ...
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Varal do Brasil, literário sem frescuras!Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresça           2:alegria e honra).o máximo...
Varal do Brasil, literário sem frescuras!O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Na-cional do Livro” por ser a d...
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  1. 1. ®Literário, sem frescuras! 1664- ISSN 1664-5243 ESPECIAL VARAL DO LIVRO 2013— Ano 3 - Setembro de 2013—Edição no. 17B
  2. 2. Varal do Brasil, literário sem frescuras! www.varaldobrasil.com 2
  3. 3. Varal do Brasil, literário sem frescuras! ® 1664- ISSN 1664-5243 LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, outono de 2012 No. 17B - ESPECIAL VARAL DO LIVRObbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddddddddddddddddddmnheeƩpamƟngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb www.varaldobrasil.com 3
  4. 4. Varal do Brasil, literário sem frescuras! EXPEDIENTERevista Literária VARAL DO BRASIL 1664-NO. 17B- Genebra - CH ISSN 1664-5243Especial Varal do LivroCopyright Vários AutoresO Varal do Brasil é promovido, organizado e realizadopor Jacqueline AisenmanSite do VARAL: www.varaldobrasil.comBlog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.comTextos: Vários AutoresColuna: Sarah Venturim LassoIlustrações: Vários AutoresFoto capa: © Yuri Arcurs - Fotolia comFoto contracapa: © Jacqueline AisenmanMuitas imagens encontramos na internet sem ter o Há livros escritosnome do autor citado. Se for uma foto ou um dese- para evitar espaçosnho seu, envie um e-mail para nós e teremos o maior vazios na estante.prazer em divulgar o seu talento.Revisão parcial de cada autor Carlos Drummond de AndradeRevisão geral VARAL DO BRASILComposição e diagramação:Jacqueline AisenmanA distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. A re-vista está gratuitamente para download em seus sitee blog. O saber a gente aprende com os mes-Se você deseja parƟcipar do VARAL DO BRASIL NO. 18 tres e os livros. A sa-envie seus textos até 10 de outubro de 2012 para: va- bedoria, se aprende é com a vida e comraldobrasil@gmail.com , Tema Livre os humildes.O tema da edição no. 19 será sobre o Planeta Terra, Cora Coralinasobre a vida, a natureza, os animais, o ser humano.Declare o seu amor pelo Planeta!Para janeiro, inscrições até 30 de novembro www.varaldobrasil.com 4
  5. 5. Varal do Brasil, literário sem frescuras!O livro está para todo leitor e para todo escritor como o alimento está para aquele que temfome e sede: ele sacia.Também é o livro a chave que abre portas antes talvez nem sequer imaginadas. Através depersonagens, de palavras, viajamos e conhecemos mundos inteiros tanto quanto nos atuali-zamos sobre o mundo em que vivemos.O livro, já há tanto tempo companheiro de jornada em minha vida, me fez ser quem eu sou.E por isto que fosse apenas, eu já lhe seria agradecida pois me considero uma pessoa feliz.Mas os livros fizeram mais por mim: me levaram para perto de pessoas maravilhosas queleem e escrevem. Pessoas estas que têm feito parte do Varal há quase três anos circulandopelo vasto mundo virtual.Conheço uma expressão que é “rato de biblioteca”.E quando penso nesta expressão duas pessoasem particular vêm à minha cabeça e coração: mi-nha mãe, que lia tudo o que caía em suas mãos,de revistas à livros que incansavelmente ela devo-rava! E minha amiga de infância, Marilene RemorMattar, por muitos anos dedicada funcionária e di-retora da Biblioteca Pública da cidade de Laguna,Santa Catarina. E é graças a ela, posso dizer comorgulho, que aquele recinto dedicado aos livros eaos leitores funcionou tão bem durante tantosanos. Marilene lutou contra monstros, moinhos devento e ideologias para manter aberta a “sua” ama-da biblioteca.Hoje chegaram também os livros eletrônicos. Não os menosprezemos, eles já estão presen-tes e estão conseguindo um lugar pela internet e nas “estantes” virtuais dos internautas. É ofuturo coabitando com aquele que sempre, ou desde tanto tempo que quase sempre, existiu.Ficaríamos aqui a falar de livros, de sua origem, de seus objetivos, do que eles proporcio-nam e aqui teríamos não uma revista, mas um “livro”. Ou talvez mais de um, talvez mesmovários volumes, pois que o assunto é vasto, caloroso, desperta paixões e discussões amisto-sas.Deixemos quem aceitou o convite com a palavra. Falemos de livro!Jacqueline AisenmanEditora-Chefe Varal do Brasil www.varaldobrasil.com 5
  6. 6. Varal do Brasil, literário sem frescuras!• Almandrade • Lénia Aguiar• Ana Esther • Leonilda Yvonneti Spina• Ana Maria Rosa Moreira • Luiz Carlos Amorim• Ana Rosenrot • Ly Sabas• Anair Weirich • Magno Oliveira• Angela Xavier • Márcia Maranhão de Conti• Anna Back • Marcos Toledo• Arlete Trentini dos Santos • Maria Heloísa Fernandes• Audelina de Jesus Macieira • Maria Luíza Falcão• Betty Silberstein • Marluce Alves F. Portugaels• Carlos Lúcio Gonjijo • Norália de Mello Castro• César S. Farias • Odenir Ferro• Cléo Reis • Oliveira Caruso• Clevane Pessoa • Pedro Diniz de A. Franco• Cristina Mascarenhas da Silva • Priscila Ferraz• Daniel C. B. Ciarlini • Raimundo Candido T. Filho• Devi Dasi • Roberto Armorizzi• Dhiogo José Caetano • Sandra Nascimento• Dinorá Couto Cançado • Sarah Venturini Lasso• Dulce Couto • Sheila Ferreira Kuno• Elise Schiffer • Silvio Parise• Felipe Cattapan • Sonia Nogueira• Gildo Oliveira • Valdeck Almeida de Jesus• Ivone Vebber • Vinícius Leal M. da Silva• Jacqueline Aisenman • Vó Fia• José Alberto de Souza • Walnélia Corrêa Pederneiras• Josselene Marques • Weslley Almeida• Lariel Frota • Wilton Porto www.varaldobrasil.com 6
  7. 7. Varal do Brasil, literário sem frescuras! almandrade2@hotmail.comLIVROS DE MADEIRA“O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”Jorge Luis BorgesPedaços de madeira, amostras de diversas espécies, enta-lhados em forma de livros, organizados como uma pequenabiblioteca. Que fan-tástica imaginação deste colecionador demadeiras!... o médico Antonio Berenguer. Que feliz idéia deassociar madeira!... livro e biblioteca. Aliás, árvores, papel,livro, biblioteca não são associações estranhas. Uma flo-resta encadernada e catalogada. A cada colecionador sua ob-sessão e sua singularidade. O homem e suas aventuras emnome do saber: quantos segredos e quantas curiosidades.Quanta riqueza. “Riquezas do Brasil”, exploradas pelo víciodo homem de destruir tudo o que se encontra a sua disposi-ção, como se ele fosse o dono absoluto e não parte destedeslumbrante meio ambiente. Mais do que uma coleção, estejardim de livros guardado em armários é um documento pre-cioso de um patrimônio: Madeiras de um País.Por Almandrade(artista plástico, poeta e arquiteto) www.varaldobrasil.com 7
  8. 8. Varal do Brasil, literário sem frescuras! pelicanaesther@hotmail.com www.varaldobrasil.com 8
  9. 9. Varal do Brasil, literário sem frescuras! LEITURA: UMA VIAGEM em nosso quarto, sentada em nossa cama, a falar com voz meiga, tão dife- NO TEMPO E NO ESPAÇO rente da voz que ralhava conosco por Uma história de Leitura qualquer razão. Havia ainda a magia do cenário: o quarto comprido envolto na penumbra; o rosto da contadora ilu- Por Ana Maria Rosa Moreira minado pela chama fraca do candeeiro a gás; nossas sombras se projetando menina.espian@hotmail.com fantasmagóricas na parede; o calorzi- nho das colchas de retalhos; o eco das Outro dia participei de um curso vozes dos bichos noturnos ressoandode leitura para professores. Uma das no silêncio do aposento...atividades propostas foi que produzís- Mais tarde, vieram outras histó-semos um texto contando nossa histó- rias que falavam de tesouros enterra-ria de leitura. Fiquei sem saber por on- dos, de almas penadas, de serpentesde começar. Começava falando do fas- com olhos de fogo e de seres encanta-cínio pela palavra escrita? Começava dos da mata: saci, caipora, lobiso-pelos primeiros livros que li? Ou imita- mem... Outras eram relatos de viagensva Paulo Freire no texto "A importância cheias de perigosas enchentes, traves-do ato de Ler" e falava primeiro da lei- sias em rios caudalosos, perdas de ga-tura do mundo? De repente, veio-me a do... Essas eram histórias masculinas.inspiração: eu começaria pelas primei- Eram contadas pelos homens. Os con-ras histórias que ouvira quando crian- tadores eram meus tios, os vizinhos, osça. ciganos e os boiadeiros que arrancha- Acho que tudo começou com as vam em nossa fazenda e, logicamente,histórias contadas por minha mãe e por meu pai. Eu adorava essas histórias,Betinha, a irmã que me criou. De vez pois eram os próprios personagens (osem quando, elas cediam às nossas sú- heróis) que as narravam.plicas e faziam uma noite de contação Meu pai era um experiente con-de histórias. Até hoje, recordo-me de tador dessas "histórias reais." Ele co-algumas: A Festa no Céu com aquela meçou a vida – ainda menino – comocena linda de Nossa Senhora enviando tropeiro. Com orgulho, nos falava queanjos para remendarem o casco do ja- vendia farinha, no lombo dos burros,buti; uma do coelho que conseguiu se- nas cidades do Recôncavo. Só maislar e montar uma onça e assim ganhar tarde, ele se tornaria fazendeiro e ex-uma aposta; outra de uma menininha pandiria suas andanças por todo o ser-que foi raptada por um velho malvado tão da Bahia e até o estado de Goiás.e ficou presa em seu surrão por muitos Lá, ele comprava e vendia boiadas comanos. Essa era contada por minha mãe. dinheiro vivo ou com a força de sua pa-Ela imitava, pesarosa, a vozinha da lavra de honra – palavra de rei – comomenina cantando de dentro do saco dizia em suas narrativas.preto em cada porta onde o velhotepedia esmolas "Surrão triste, surrão demorrer / Minhas continhas de ouro queno rio deixei"... Realmente era umahistória muito triste, apesar do final fe-liz. Mas eu achava linda a voz de minhamãe contando histórias. Era bom tê-la www.varaldobrasil.com 9
  10. 10. Varal do Brasil, literário sem frescuras! Suas histórias deixaram em mim eram raros lá na roça.a imagem nostálgica de cidades como Se conseguia um papel desses,Ibotirama, Lençóis, Correntina... Mara- recortava figuras de bois, de pessoas egogipe, Cachoeira, São Félix... Essas principalmente de patos (os mais fáceisúltimas imantadas pela magia do mar e de desenharem para mim). Sentada nodas enchentes. Elas eram o cenário de chão, enfileirava essa bicharada nasseus "causos" dos velhos tempos de paredes do corredor e ficava o dia in-tropeiro. Eu os escutava de olhos arre- teiro brincando. Os adultos achavamgalados imaginando como seriam as engraçado uma menina conversar comruas calçadas, a feira livre e, principal- figuras de papel. Eles não sabiam, nemmente, um "mundaréu de água verdi- eu – pois só descobri ao escrever estasnha" – o mar. Muitos anos depois, co- palavras – que aquelas paredes comnheci algumas delas, e em todas, senti figurinhas de papel eram os meus pri-aquele sentimento meio esquisito de meiros livros. Eu estava criando minhas"déjà vu" – quase uma saudade. primeiras narrativas. Acho que ali nas- Essas histórias masculinas eram ceu o meu desejo de ser "a dona dacontadas ao pé da fogueira acesa na história”.malhada, território de homens e de Contudo, um belo dia, (Eu deviaanimais. Nós, as mulheres, nos sentá- ter uns cinco anos.) Betinha chegou emvamos nos bancos do avarandado. Mi- casa com uma grande novidade: umanha mãe ficava um pouco ressabiada sacolinha cheia de livros. Eram peque-quando um grupo maior de boiadeiros nos e traziam, na capa, desenhos deestava pernoitando na fazenda e prefe- traços fortes como se fossem feitos aria manter as filhas à certa distância carvão. O vizinho (tio Nonô) que em-desses homens rústicos. Ainda posso prestou os livrinhos, explicara querelembrar a lua cheia no céu, os sons eram vendidos na feira; ficavam enfilei-peculiares dos animais na mata, o gado rados num cordão; eram chamados deruminando no curral, as perneiras e gi- "cordel" justamente por isso. Naquelabões de couro pendurados. Mesmo tarde, minha irmã sentou-se na sala deagora, ainda posso sentir o cheiro dos visitas e leu para uma audiência em-cigarros de palha, dos couros suados e basbacada, uma história em versos quedo esterco de boi misturados ao perfu- parecia uma música. Escutei-a tão des-me do velame – cheiros agrestes – lumbrada, que até hoje me recordo desensuais perfumes em minha memória sua primeira estrofe. Era assim:de mulher. Foi assim que nasceu a minhapaixão pelas histórias. Porém, paragostar de ler, é preciso amar o papel e, "Eu vou contar uma históriaprincipalmente, a palavra escrita. Esteseu viria a amar depois, cada um a seu De um pavão misteriosotempo, apesar de certas condições ad- Que levantou voo da Gréciaversas. Com um rapaz corajoso Digo adversas porque em minha Raptando uma condessacasa não havia livros. Exceto o intocá-vel livro didático de minhas irmãs, que Filha de um conde orgulhoso."ia da primeira à quinta série e era pas-sado de uma para a outra, até mesmopapel impresso, estampado, ou colorido www.varaldobrasil.com 10
  11. 11. Varal do Brasil, literário sem frescuras! tempo de avistar o bicho afastando-se do castelo; ia com a cauda aberta em leque, repleta de luzes acesas e tão co- loridas como as penas de pavão Aquelas estranhas palavras "aeroplano"... "pavão-misterioso"... "água-furtada"... "castelo"... "Grécia"... tão sonoras, tão belas, lançaram sobre mim sua magia encantatória. Eu as fi- cava repetindo baixinho com medo de que elas voltassem ao seu esconderijo secreto – dentro do livro – antes que E sua capa era tão linda: um pa- pudesse decifrá-las. Quando Betinhavão imperial com a calda aberta. O de- disse "e foram felizes para sempre",senho era feito com uns traços grossos saltei das asas do pavão misterioso ecomo se tivessem usado um carvão pa- deixei de ser condessa. Agora eu era,ra desenhar. Acho que o enredo era outra vez, uma menina da roça – umamais ou menos esse: Havia num país nova menina... Havia descoberto umadistante, chamado Grécia, uma jovem coisa fantástica, uma coisa maravilho-condessa de rara beleza. Ela vivia tran- sa: as histórias moravam dentro doscafiada no castelo de seu ciumento pai. livros!!!Apenas uma vez por ano, no dia do seu Depois daquela tarde, minha irmãaniversário, o conde lhe permitia mos- vivia agarrada aos livrinhos, porém ra-trar-se à janela do salão de festas on- ramente lia uma história para nós. Ade, é claro, jamais aconteciam festas. cruel mágica lia, silenciosa, só com osO pai não dava um baile para comemo- olhos. Não adiantava eu, choramingan-rar o aniversário da filha desde que ela do ajoelhada ao pé de sua cadeira, im-deixara de ser criança para tornar-se plorar por uma história. Então, ficavauma belíssima mulher. Esse aconteci- em pé atrás de suas costas, com o pes-mento trazia àquela cidade grega, ra- cocinho espichado, tentando inutilmen-pazes do mundo inteiro, atraídos pela te, decifrar aqueles caracteres ne-possibilidade de contemplar uma lenda gros ... Ela se irritava e me obrigava a- a mais bela mulher do mundo. No voltar ao cavalo-de-pau, às caçadas deaniversário de dezoito anos, um jovem lagartixa, ou ao quizungue penduradoque a conhecia por uma fotografia - no pé-de-laranjeira. Eu que fosse cres-presente de viagem do irmão mais ve- cer e aprender a ler!lho - passou o dia inteiro, olhando a Não demorou muito, fui para amocinha apaixonadamente. No final da escola. Era uma sala de aula na fazen-tarde, ela lhe deu um sorriso, e ele te- da de meu tio. Era a minha vez deve certeza de que fora escolhido; ela se aprender a ler. Logo, logo, estaria len-apaixonara por ele. Então, o jovem alu- do histórias. Doce ilusão! Passei umgou um sobrado próximo ao palácio e, ano inteiro naquela classe multiseriadana água-furtada, mandou um enge- tentando aprender o "abecê". Sónheiro construir – secretamente – um aprendi as letrinhas da primeira fila.aeroplano em forma de pavão. Passado Acho que a inexperiência da professoraum ano, na noite do aniversário da leiga, a superlotação da sala e a insipi-condessinha, o pássaro levantou vôo, e dez do "abecedário" contribuíram bas-o moço bonito raptou a donzela. O pai, tante para esse meu fracasso.desesperado, nada pode fazer; só teve www.varaldobrasil.com 11
  12. 12. Varal do Brasil, literário sem frescuras! No ano seguinte, meus pais se minúsculo e de poucas páginas; dentromudaram para a cidade de Santo Este- dele, havia uma historinha com algunsvão, que fica a mais ou menos 220 km desenhos sem graça e pouquíssimasda capital, Salvador. Deixaram a fazen- palavras. Ao chegar em casa, li ada para "dar estudo aos filhos”. Meu história" da plantinha carnívora empai não conseguiu nenhuma vaga no trinta segundos. Muitas vezes li e reli"grupo escolar". É, naquele tempo, só essa história; tentava encontrar algumhavia ali uma única escola primária - significado nela. Não tendo conseguido,respeitadíssima pelo profissionalismo guardei o livrinho como um objeto co-dos mestres e pelo ensino de qualidade mum – uma lembrança da professora- o Grupo Escolar D. Pedro I. Ali estu- Lu. Por que será que aquela mestradavam os filhos das famílias gradas do que me fez saltar uma série não imagi-lugar, misturados a um número menor nava que eu poderia ler uma história?de crianças oriundas da classe popular. Esse desencontro com a leitura Enquanto aguardávamos uma va- continuaria durante toda a minha vidaga, fomos matriculados – somente os escolar: ora histórias sem graça, oramais novos – "na banca da professora nenhum livro. Mas, por minha própriaNade". Minhas irmãs de nove e de doze conta, continuava lendo os cordéis deanos seriam preparadas para cursarem minha irmã. Gostava especialmente dea terceira série; eu, com oito anos, e um que narrava uma história de amormeu irmão com seis, nos prepararía- entre uma princesa e um ladrão ple-mos para a primeira série. Nessa banca beu. Até hoje me lembro de que Renêsupervisionada pela professora Nade – enfrentou três perigos terríveis: a mal-delegada escolar do município – apren- dição da Medusa, o Minotauro e o Dra-di a ler "soletrado"; saí sabendo escre- gão-de-sete-cabeças; tudo isso paraver o meu nome completo e mais um pegar a rosa azul num jardim, levá-lasaberzinho matemático de soma e de até o castelo e, assim, salvar a vida desubtração. sua amada – a bela princesa Nazidir. Após esse período preparatório,fomos para a escola regular. Minha No meio do quinto ano, comeceiprofessora, recém-contratada pelo Es- a ler contos de fadas. Tomava os livrostado, era a mesma da banca – a doce emprestados de algumas colegas. Eraprofessora Ridalva – sobrinha de pro- um encantamento a cada livro. Eu mer-fessora Nade. Não demorou muito, co- gulhava naquelas páginas repletas demecei a ler (os livros didáticos) com palavras novas e de figuras deslum-desenvoltura. Graças a essa aptidão, brantes, cujas formas e cores só co-passava de ano sempre com boas no- nhecia em sonhos. Através dessas his-tas; tirei o primeiro lugar no terceiro tórias, viajei em caravanas, atravesseiano; dele pulei diretamente para o desertos de areia no lombo de camelos,quinto ano, o último do antigo curso dormi em tendas coloridas, hospedei-primário. Por causa desse feito, ganhei me em suntuosos palácios... conhecium presente de minha saudosa profes- um "novo mundo" - o Oriente.sora Maria Lúcia Lobo. Fiquei radiante;nunca havia ganhado um presente; era Creio que foi mais ou menos nes-um livro de histórias, o meu primeiro sa época que desbanquei os outroslivro de histórias. contadores de histórias e passei a ser a contadora oficial da família. Mas assim que desembrulhei acaixinha, veio a decepção: era um livro www.varaldobrasil.com 12
  13. 13. Varal do Brasil, literário sem frescuras! O meu reino era o quarto cheio de tas tardes lá no alto da mangueira – es-camas, onde se acomodavam todas as condida – saboreando o romance entrecrianças a minha volta. Na sala ficavam o rapaz bonito e a mocinha; esses esta-os adultos: meus pais e minhas irmãs; vam sempre combatendo um vilão ouàs vezes, também os noivos e outras vilã que, geralmente, formava o terceirovisitas. Relembro – com emoção e ale- vértice do triângulo amoroso.gria – o orgulho que sentia quando um Essas revistas eram proibidas pordeles me interrompia, lá de longe, para alguns pais, temerosos de que suas mo-corrigir um pequeno desvio da história cinhas despertassem cedo demais paraoriginal. Era tão bom contar histórias! o amor. Minha mãe as odiava; atribuía aMelhor ainda quando, no meio de uma elas perigos terríveis; seriam "a nossanarrativa, eu escutava o silêncio vindo perdição". Aliás, esse ódio era extensivolá da sala de visitas. Todos estavam me aos romances. Ela, assim como todos osouvindo! Até meu pai! Era a glória. Era, ditadores, temia os livros e até ameaça-em êxtase, que eu concluía aquela his- va atirá-los ao fogo Não aprendeu a ler,tória. porém sabia que os romances narram Já no ginásio, comecei a tomar histórias de amor. Como era possívelemprestado as revistas de Walt Disney. alguém, que não conhecia nada do uni-Foi um novo deslumbramento. Aquele verso da leitura, intuir que a palavra es-era um outro mundo: as histórias dividi- crita possui mágica e poder libertador, édas em quadrinhos; a ausência da voz uma pergunta que me faço até hoje. Mi-do narrador; as palavras escritas em nha mãe temia (creio eu) que esse po-balões; os personagens eram bichos der, aliado ao poder do amor – ambosque agiam como se fossem pessoas... revolucionários – pudesse nos libertarApaixonei-me pelos personagens "do do peso esmagador de seu matriarcado.bem" como Pateta, Lobinho, Vovó Do- Mais tarde, com o crescente aces-nalda, Professor Pardal... e, principal- so aos aparelhos de televisão e omente, pelo desventurado Pato Donald, "boom" das telenovelas, as fotonovelas,paixão mantida até hoje. Também me assim como as radionovelas, foram aosapaixonei (Vou confessar em segredo) poucos deixando de existir; eram tidaspelos personagens "do mal". Torcia para como "cafonas" e sem nenhum valor.os Irmãos Metralha e Mancha Negra te- Eu, imitando as outras garotas, destruírem sucesso em seus assaltos ao mu- a pequena coleção que salvara da ira dequirana do Tio Patinhas. Também gosta- minha mãe. Só depois, quando já esta-va da bruxa Madame Mim e do Lobo va cursando a faculdade de Letras, fi-Mau; este tão desajeitado em sua eter- quei sabendo que algumas das histórias,na perseguição aos Três Porquinhos. tão lindas, que havia lido na adolescên- Não demorou muito, comecei a ler cia, eram adaptações de clássicos da li-revistas para moças e senhoras: Capri- teratura universal: Romeu e Julieta,cho, Sétimo Céu, Contigo, Grande Ho- Tristão e Isolda, O Corcunda de Notretel. Elas veiculavam pequenas reporta- Dame, O Morro do Ventos Uivantes, Or-gens sobre os atores dos cinemas fran- gulho e Preconceito. Hoje, arrependo-cês e italiano, comentários sobre os fil- me de não tê-las guardado. Seriam pre-mes, algumas propagandas de perfumes ciosas relíquias!e produtos de beleza; mas o recheio Entre os quinze e os dezoitoprincipal, o que as fazia serem disputa- anos, enquanto fazia o curso secundá-das pelas adolescentes, quase a tapas, rio, atual ensino médio, comecei a lereram as deliciosas histórias de amor em romances.quadrinhos: as fotonovelas. Passei mui- www.varaldobrasil.com 13
  14. 14. Varal do Brasil, literário sem frescuras! A pequena biblioteca do Colégio ajei por outros países. Num deles, vi aMunicipal de Santo Estevão possuía co- fantástica Macondo de Gabriel Garcialeções completas de José de Alencar, Marques varrida por "cem anos de soli-Jorge Amado, Graciliano Ramos e José dão". Depois, fui chamada a um reinoLins do Rêgo, além de algumas outras distante e presenciei uma reunião deobras de autores nacionais e estrangei- cavaleiros na "Távora redonda". Eu eraros. Os romances podiam ser lidos na uma bela princesa, assim como Guine-salinha onde funcionava a biblioteca ou vere, dividida entre dois amores: o reipodiam ser levados para casa por até Arthur e o primeiro cavaleiro, Lancelo-quinze dias. Fiz meu cartãozinho e, com te. Naquele salão, contemplei com re-esse passaporte, comecei a viajar pelo verência a lendária espada Excalibur,Brasil e pelo mundo. Lendo José de escutei a harpa do Merlin e vi o SantoAlencar, fui ao Rio de Janeiro do século Graal ser trazido à mesa por uma pre-XIX: andei de carruagem; fui transpor- sença invisível e, depois, misteriosa-tada em luxuosas liteiras; exibi-me no mente, desaparecer.Passeio Público; freqüentei teatros lota- Outras vezes, saí navegando pe-dos; participei de saraus; valsei nos los mares e oceanos. Acompanhei asbailes entre belas damas e elegantes aventuras do capitão Nemo; tive medocavalheiros... de Mobi Dick; naveguei durante dias e Voltei à Bahia e, guiada pela mão dias num pequeno barco acompanhan-de Jorge Amado, saí perambulando pe- do o peixe, "o velho e o mar"... Certalas ruas ensolaradas de Salvador; fui vez, tomei emprestado um livro de no-conhecer os malandros, as prostitutas, me “Xogum, as sementes do dragão”.os marinheiros, os vagabundos, os ca- Então, embarquei num navio Holandêspitães de areia. Na companhia desses o “Erasmus” e cheguei a um misteriosopersonagens, comi peixe frito no Mer- país em pleno século XVI. Era a terracado Modelo; experimentei cachaça nos do sol nascente: o Japão. Lugar gover-botecos do Pelourinho; tomei banho de nado pelos senhores feudais e seusmar na Ribeira; passei uma tarde em exércitos de samurais. Foi ali que acon-Itapoã; frequentei o curso de arte- teceu o belo romance entre o inglês,culinária de Dona Flor; naveguei em piloto do Erasmus, e uma senhora dajangadas pela Baía de Todos os Santos nobreza, esposa de um perigoso guer-e quase morri afogada junto com Guma reiro samurai. Acompanhando esse par,naquela perigosa noite de tempestade. aprendi sonoras palavras: tufão, concu-Em Ilhéus, temi os jagunços; escapei bina, travesseirar, galera, suserano,de tocaias; colhi cacau; dancei no Bai- vassalo, xogum... Lembro, ainda, algu-taclan usando salto alto e cinta-liga; mas da língua japonesa: “bushido”,comi os quitutes de Gabriela... “sepuku”, ”tai-fun”, “isogi” (isógue), “konnichiwa”... Estive ainda em guerras Depois parti para o sul do País e sangrentas. Numa delas, acompanheiouvi "o tempo e o vento" movimentan- uma história de amor para descobrirdo a roca da velha Bibiana. Ali, com os “por quem os sinos dobram”; noutra,bravos gaúchos de Érico Veríssimo, ca- levei um soco no plexo solar ao sabervalguei pelos pampas; pernoitei nas co- qual era “a escolha de Sofia". Essa his-xilhas abrigada do minuano apenas pelo tória, misteriosamente, feriu minha al-poncho; temi as guerras e, feito louca, ma... Por isso não tenho coragem deme deixei seduzir pelos Rodrigos: um terminar o livro nem de assistir ao filmecerto capitão e o doutor, seu bisneto... homônimo. Tempos depois, saí do Brasil e vi- www.varaldobrasil.com 14
  15. 15. Varal do Brasil, literário sem frescuras! É... os livros não proporcionam me pelo poeta Manoel Bandeira. Ele en-apenas viagens agradáveis, não. Há sinou-me a poesia do cotidiano e dosviagens que nos levam para dentro de objetos "trouvés" ...Mas foi com a poe-nós mesmos e podem ser assim... sia da infância e da “vida que poderiacheias de dor... ter sido” que ele tornou-se para mim uma "estrela da vida inteira". O poeta Quando li esses últimos livros de pernambucano que "engoliu um piano eque falei, já estava cursando a faculda- ficou com as teclas de fora", aos pou-de de Letras. Continuava lendo por mi- cos, foi se tornando uma espécie denha própria conta e por indicações de amigo que eu houvesse conhecido emleitores mais experientes. Os professo- minha infância de menina solitária.res de Literatura, nos primeiros semes-tres, conduziram-me ao universo dos Paralelamente, fui conhecendo,poemas. Ah, com esses era preciso nas aulas de Língua Portuguesa, doismais sensibilidade e paciência do que tipos de texto pelos quais mantenhocom as histórias... eterna e crescente fascinação: a crôni- ca com sua linguagem ágil, irreverência e humor; o conto com sua intensidade dramática e beleza poética reveladas em poucas páginas e, às vezes, em poucas linhas. Foi, ainda, estudando Literatura que voltei ao sertão. Dessa vez, pisei o chão esturricado da caatinga e vi cria- turas de "vidas secas" à procura da ter- ra prometida. Estive em São Bernardo tentando entender a rudeza de Paulo Honório. Depois acompanhei o fasci- nante rapaz (Ou seria a moça?) conhe- cida como Diadorim; em sua compa- nhia, adentrei as veredas do "grande sertão" e escutei o jagunço Riobaldo falar sobre um pacto com o tinhoso; e No começo, não conseguia perce- ainda posso ouvi-lo dizer "O sertão éber-lhes a mensagem cifrada, as figu- aqui mesmo, dentro da gente; o sertãoras de linguagem, conforme nos solici- está em toda parte".tavam nas análises. Lia, relia e ficava Ainda "pelejando" no sertão, co-em meu canto estranhando-lhes a so- nheci as plantações de cana e os enge-noridade, a multiplicidade de sentidos, nhos de açúcar da Paraíba; num deleso significado inesperado de uma pala- encontrei um "menino de engenho";vra... tão conhecida e ao mesmo tempo achei que éramos parecidos. Ambostão nova. Aos poucos comecei a gostar crescemos vagando pelos arredores dade vários poetas. Gostava principal- fazenda a remoer pensamentos. Muitomente dos românticos Álvares de Aze- do que o menino viu e sentiu eu tam-vedo e Gonçalves Dias. bém vi e senti do mesmo modo. Esta é Nos semestres mais adiantados, uma das mágicas da palavra escrita: oestudamos literatura moderna e, então, outro, aquele que está ali nos livros,me emocionei com Cecília Meireles, somos nós mesmos.Fernando Pessoa, Carlos Drummond de )Andrade e, definitivamente, apaixonei- www.varaldobrasil.com 15
  16. 16. Varal do Brasil, literário sem frescuras! Creio que esses últimos romancesde que falei, os romances sertanistas, fo-ram muito importantes para eu valorizara linguagem de minha gente, a minha lin-guagem, sempre pontuada por palavrasfortes, impregnadas pelo sotaque nordes-tino. Pude também compreender que osrendeiros, os ciganos, os loucos da minhainfância, os homens, as mulheres, as cri-anças que conheci ou de quem ouvi con-tar, estão aqui – dentro de mim – espe-rando eu lhes dar voz e contar suas histó-rias... Penso, ainda, que através da leitu-ra, pude me reconhecer: sou mulher nor-destina, gente da terra com o umbigo en-terrado na porteira do curral. Agora, final-mente, me orgulho de minha origem epercebo a beleza de tudo que vivi em mi-nha infância de "menina de fazenda". E, para encerrar declaro definitiva- Participar do Varal? Sim-mente: amo os livros; amo a poesia; amo ples!as palavras. E amo, sobretudo, a palavra Entre em contato pelo e-escrita e respeito seu poder de constru- mailir... e de destruir mundos. varaldobrasil@gmail.com (maio de 1997) www.varaldobrasil.com 16
  17. 17. Varal do Brasil, literário sem frescuras!Do Papiro ao Papel Manu- A MANUFATURAfaturadoArtigo (reprodução) http:// O papel como conhecemos surgiu nawww.usp.br/ De outubro de 2002, por China no início do século 2, através deCinderela Caldeira um oficial da corte chinesa, a partir do córtex de plantas, tecidos velhos e fra- gmentos de rede de pesca. A técnica baseava-se no cozimento de fibras do líber - casca interior de certas árvoresO livro tem aproximadamente seis mil e arbustos - estendidas por martelosanos de história para ser contada. O de madeira até se formar uma fina ca-homem utilizou os mais diferentes ti- mada de fibras. Posteriormente, as fi-pos de materiais para registrar a sua bras eram misturadas com água em uma caixa de madeira até se transfor-passagem pelo planeta e difundir seus mar numa pasta. Mas a invenção levouconhecimentos e experiências. muito tempo até chegar ao Ocidente. O papel é considerado o principal su-Os sumérios guardavam suas informa- porte para divulgação das informaçõesções em tijolo de barro. Os indianos e conhecimento humano. Dados históricos mostramfaziam seus livros em folhas de pal- que o papel foi muito difundido entremeiras. Os maias e os astecas, antes os árabes, e que foram eles os respon-do descobrimento das Américas, escre- sáveis pela instalação da primeira fá-viam os livros em um material macio brica de papel na cidade de Játiva, Es-existente entre a casca das árvores e a panha, em 1150 após a invasão da Pe-madeira. Os romanos escreviam em nínsula Ibérica.tábuas de madeira cobertas com cera. No final da Idade Média, a importânciaOs egípcios desenvolveram a tecnolo- do papel cresceu com a expansão dogia do papiro, uma planta encontrada comércio europeu e tornou-se produtoàs margens do rio Nilo, suas fibras uni- essencial para a administração públicadas em tiras serviam como superfície e para a divulgação literária.resistente para a escrita hieróglifa. Os Johann Gutenberg inventou o processorolos com os manuscritos chegavam a de impressão com caracteres móveis -20 metros de comprimento. O desen- a tipografia. Nascido, em 1397, da ci-volvimento do papiro deu-se em 2200 dade de Mogúncia, Alemanha, traba-a.C e a palavra papiryrus, em latim, lhava na Casa da Moeda onde apren- deu a arte de trabalhos em metal. Emdeu origem a palavra papel. 1428, Gutenbergparte para Estrasbur- go, onde fez as primeiras tentativas deNesse processo de evolução surgiu o impressão.pergaminho feito geralmente da pele Segundo dados históricos, em 1442,de carneiro, que tornava os manuscri- foi impresso o primeiro exemplar emtos enormes, e para cada livro era ne- uma prensa. Em 1448 volta à sua ci-cessária a morte de vários animais. dade natal, e dá início a uma www.varaldobrasil.com 17
  18. 18. Varal do Brasil, literário sem frescuras!sociedade comercial com Johann Fust e Ainda de acordo com os dados apura-fundam a Fábrica de Livros - nome dos, o grau de escolaridade mantémoriginal Werk der Buchei. Entre as pro- influência decisiva para a leitura. Oduções está a conhecida Bíblia de Gu- grupo de pessoas que mais compra li-tenberg de 42 linhas. vros no País possui nível médio de es-A partir daí o mundo não seria mais o colaridade.mesmo. A partir do século 19, aumen-ta a oferta de papel para impressão delivros e jornais, além das inovações A LEITURAtecnológicas no processo de fabrica- Plínio Martins Filho, presidenteção. O papel passa a ser feito de uma da Editora da USP e professor no cursopasta de madeira, em 1845. Aliado à de Editoração da Escola de Comunica-produção industrial de pasta mecânica ções e Artes (ECA), diz que o consumoe química de madeira - celulose - o pa- de livros no Brasil só não é maior porpel deixa de ser artigo de luxo e torna- uma questão de hábito. "Uma das cau-se mais barato. sas da falta de hábito é que a leituraAs histórias, poesias, contos, cálculos tem que disputar espaço com outrasmatemáticos, ideias e ideais poderiam, formas de entretenimento. As grandesa partir de agora, percorrer mares e editoras do Brasil surgiram junto comterras e chegar ás mãos de povos que o rádio e a televisão que, de alguma forma, são meios de lazer baratos e deseus autores jamais imaginariam. fácil acesso." Segundo ele, a distribuição e a divul-Mas desenvolver o hábito da leitura é gação de livros no Brasil são precárias.um desafio a ser enfrentado. Fundada Não há verba para se fazer divulgaçãoem 1946, a Câmara Brasileira do Li- de livros pela televisão, que é uma mí-vro é uma das iniciativas criadas com a dia cara. E os jornais tratam como as- sunto de final de semana. "Um exem-missão de desenvolver a leitura no Pa- plo disso é que na França a venda deís e difundir a produção editorial brasi- jornais aumenta no dia em que são pu-leira. A CBL, uma entidade sem fins blicadas resenhas. No Brasil as rese-lucrativos que reúne editores, livreiros nhas são publicadas nos dias em quee distribuidores, realizou em 2000 uma se vende mais jornais", afirma elepesquisa em todo o País para avaliar aindústria do livro nacional.Segundo a pesquisa, há no País cercade 26 milhões de leitores, e 12 milhõesde compradores são das classes B e C.Sendo que 60% têm mais de 30 anos,e 53% são moradores da Região Su-deste. Da população alfabetizada commais de 14 anos, 30% leu pelo menosum livro nos últimos três meses. www.varaldobrasil.com 18
  19. 19. Varal do Brasil, literário sem frescuras! asm@folha.com.br Nunca pensei em escrever, quando diziam Minha Paixão que eu “levava jeito”, desconversava; escrever um livro era algo sagrado demais para uma simples Por Ana Rosenrot mortal como eu.Mas graças ao apoio de uma pro- fessora especial, a Dona Jussara, criei coragem e comecei a escrever meus primeiros contos − que Nasci numa casa sem livros, mas possivel- depois se tornaram muitos −, crônicas e poesias.mente trouxe essa paixão de outra existência, pois Arrisquei mostrá-las a algumas pessoas, fui elogi-desde sempre vivia admirando os mais diversos ada, criticada, censurada pelos meus pais, que ti-volumes, achava-os lindos, mesmo antes de nham preconceito contra escritores – que não ga-aprender a ler. nharão dinheiro e serão tratados como loucos − , Alfabetizei-me sozinha, aos quatro anos, apesar de tudo, não desisti, escrever é como umrecolhendo recortes de jornais velhos, copiando as vício, quando você começa a libertar seus senti-palavras, pedindo para alguém lê-las para mim e mentos não há mais como prendê-los.depois as repetia incansavelmente até aprendê-las. Quando li pela primeira vez um trabalho Comecei minha coleção de tesouros – que meu impresso, parecia tão irreal, era minha essên-hoje enchem estantes e mais estantes − quando ia cia que estava ali, revelada ao mundo; entendiàs feiras da cidade; enquanto as outras crianças naquele instante o que sente cada autor ao conce-choravam pedindo brinquedos ou doces – o que ber um livro, ele é seu filho, seu amante, sua al-era considerado normal – eu, a esquisita, pedia ma, é você de verdade.livros – ilustrados, brilhantes, lindos – e passava É muito difícil, até irritante, aventurar-se nohoras tocando, sentindo, devorando cada letra de mundo literário num país como o Brasil, onde osminhas preciosidades. livros ainda são considerados elitistas, onde é pre- Na escola encontrei meu templo: a bibliote- ciso estar na moda para ser lido e as chances paraca. Suas estantes repletas, pulsantes, em cada titu- os novos escritores são muito pequenas. Mas nãolo havia um mundo novo que a mim se revelava. devemos desistir, apesar de muitos dizerem que Não sei, nem poderia contar, quantos livros devido à era tecnológica eles entrarão em extin-li em trinta e poucos anos de vida, não poderia ção, os livros foram responsáveis pelo desenvol-também contar sobre o que falava a maioria, pois vimento da civilização e dificuldades à parte, elesos absorvi de tal forma que passaram a fazer parte sempre serão importantes para nós, leitores e es-da minha própria história. Mas alguns foram es- critores.peciais, às vezes consigo lembrar melhor de um Não posso, nem quero, prever o amanhãfato pelo livro que estava lendo na ocasião do que dos livros e acho que ninguém pode, só sei quepelo fato em si. eles estarão sempre ao meu lado. Os livros sempre foram meus melhores E como eu poderia sobreviver sem a minhaamigos, minha companhia fiel das horas difíceis, paixão?meu amor e ódio; tenho sempre um livro por per-to, mesmo quando não estou com tempo para ler,pois somente o contato, a familiaridade, me trazuma incrível sensação de paz e segurança. www.varaldobrasil.com 19
  20. 20. Varal do Brasil, literário sem frescuras! anair_weirich@yahoo.com.br do seu peso,PESO QUE NÃO elas amenizamPESA no peso da recompensa. E quem pensa que palavras não pesam,Por Anair Weirch não pensa. É... as palavras pesam!...O peso das palavras Mas as letras dançamé a cruz que carrego... ao som dos meus passos,e me nego a negá-la! e os sonhos me levam. As palavras?Pesada cruz de letras. Estas, já não pesam!Arrastada...incompreendida...Quiçá, de causa perdida, Poesia premiada com o pri- meiro lugar no Concurso Na-mas me apraz carregá-la! cional de Poesias da Editora Taba CulturalMeus braços, esfolados Rio de Janeiro – 2005das palavras,doloridos por seu peso,as transportam com enle-vo.Na ânsia pelo alívio www.varaldobrasil.com 20
  21. 21. Varal do Brasil, literário sem frescuras! xavier.arr@gmail.com dem personagem e ator, na escrita confun- VIDA DE ESCRITOR dem o autor e sua obra. Acham que o texto é autobiográfico, que é real, que você viveu Por Angela Xavier linha por linha do que está escrito. Tenho alguns poemas classificados como eróticos e/ou sensuais e já ouvi mui- Escrever é um ato de coragem. Eu tos comentários desse tipo, com ar de admi-diria isso e acrescentaria: escrever é para ração e até certa malícia: Nossa você fezos fortes! Pessoas fracas, que não perse- isso? Você fez aquilo? Curiosamente, overam e que costumam recuar ao primeiro texto se referia à leitura de uma reportagemobstáculo, não deveriam escrever, muito me- estampada numa revista masculina. Outrosnos publicar. questionam: para quem você escreveu is-A princípio, alguém perguntaria: escrever pa- so? Não passa pela cabeça deles que nemra que, se ninguém lê? E isso é uma verda- sempre falamos sobre nós, sobre o que vive-de que, ao mesmo tempo, nos remete a um mos ou fazemos. Nossa imaginação é quemparadoxo: a produção editorial brasileira so- vai guiar o que escrevemos e com ela segui-mente em 2010, segundo dados da Câmara mos rotas inesperadas!Brasileira do Livro, totalizou 55 mil títulos, oequivalente a 210 obras por dia útil, em to- Matamos muitos leões por dia, sacrifi-dos os gêneros. Para onde vão esses livros? camos momentos de folga, viajamos, partici- Os meus estão aqui, enquanto eu en- pamos de feiras literárias, antologias, con-gendro mil e uma estratégias para que che- cursos. Assumimos os custos de toda essaguem aos leitores. Leitores que nem são movimentação cultural, não sem antesmeus ainda, mas que terei que conquistar. passar por uma verdadeira maratona, que éEsse é o maior desafio de quem publica um a produção de um livro, desde você ter alivro e por isso, requer coragem. ideia, escrever os textos, selecioná-los, gra- O camarada tem que ser muito ma- var em arquivo ou CD, escolher a editora (echo como diria meu pai, para deixar registra- nesse ponto temos que ser criteriosos, poisdo num livro seu pensamento sobre seja lá o existem muitos picaretas no mercado), solici-que for. Sempre haverá alguém disposto a tar orçamento, fechar o contrato, decidirdiscordar, achar aquilo piegas ou ficar tecen- quem vai prefaciar, fazer a apresentação dado considerações sobre o porquê do autor se obra, elaborar os textos das dedicatórias, ospronunciar desta ou daquela forma, em que agradecimentos, as orelhas (direita e esquer-momento e em que circunstâncias aquilo da) e o texto da contracapa.aconteceu. Assim como nas novelas confun- www.varaldobrasil.com 21
  22. 22. Varal do Brasil, literário sem frescuras! Importante nessa etapa que o autor mação de poesias ou alguém que toque mu-tenha uma biografia atualizada. Caso não sica instrumental.possua, deve elaborá-la, citando os livros Se quiser que seu livro chegue aoque publicou, os prêmios recebidos e os des- consumidor final acompanhado de um mar-taques de sua carreira. Acompanha a biogra- cador de páginas, você deve contratar osfia uma foto atualizada do autor. Procuro es- serviços de uma gráfica e arcar com maiscolher uma foto em que esteja bem produzi- essa despesa. Também deve providenciar ada, logicamente. Mesmo assim, quando me confecção de um banner, em tamanho pa-veem no dia a dia, sem produção e eu mos- drão, que ficará exposto no local do evento,tro o livro, ao ver a foto inevitavelmente ouço com pelo menos 15 dias de antecedência,essa frase: Nossa, como você está diferen- para chamar a atenção do público em geral,te! Diferente é elogio? Se for, tá valendo! que pode até trazer mais gente para o seu Mas se alguém pensa que a maratona evento, se o que você divulgar for convincen-acabou, que nada! Está só começando! De- te.pois de concluído o processo de produção, vem o Muitos escritores se decepcionamlançamento e aí preparem os bolsos, pois os com a quantidade de livros vendidos no diacustos são altíssimos! Algumas editoras opor- do lançamento. Nesse ponto não é bom criartunizam ao escritor o lançamento do livro em expectativas. Tem muita gente que compare-eventos literários nacionais importantes (como ce, serve-se do buffet, te abraça, dá os pa-bienais, entre outros). O custo de um lança- rabéns e vai embora. Demonstrou considera-mento desse porte inclui despesas de via- ção por você? Demonstrou! Era obrigada agem e estadia por conta do autor. Algumas comprar o livro? Não era! Então, porque aeditoras cobram para expor o livro nesse tipo decepção? Numa outra oportunidade essade evento (costumam até fazer pacotes pro- pessoa poderá comprar o livro e até indicá-lomocionais). Outras oferecem o serviço gra- a alguém que se interesse por aquele gênerotuitamente, desde que o escritor feche o con- literário, caso ela não tenha se interessado.trato da produção do livro com eles. Tem quem goste de poesia e quem Recentemente lancei meu livro na Bie- não goste. Poesia vende? Poesia não ven-nal de São Paulo e posso dizer que, nada se com- de? São questionamentos que se ouvem aospara a emoção da primeira vez que tocamos montes. Eu digo: sempre haverá espaço pa-em nosso livro, finalmente pronto! É como ra o que é bom.um filho que acaba de nascer, mas você ain- Vida de escritor não é fácil. Para enca-da não viu a cara que ele vai ter, entende? rar tudo isso tem que ter paixão, determina-Receber miolo, capa e vistar autorizando a ção e coragem. Viver é assumir riscos. Oimpressão, não é a mesma coisa! Agora, máximo que pode acontecer é você perderpoder vê-lo num estande, sendo exposto nu- tempo, dinheiro e ficar com estoque enca-ma das maiores feiras literárias do mundo, é lhado. Mas se não tentar, nunca vai saber.uma sensação tão incrível que fica difícil tra-duzir em palavras! Muito bom!!! Depois do lançamento na Bienal (quejá confere um certo status à sua obra) é ho-ra de lançarmos em nosso município e, de-pendendo do local que escolhermos (se foruma livraria da moda, dessas bacanas queexistem nos shoppings), só para fazer o lan-çamento e deixar o livro à venda, arcarmoscom cerca de 40 a 50% do preço de capa. Definido o local, vem a organização docerimonial, providenciar convites, entregá-los, contratar buffet (caso esteja nos seusplanos servir um coquetel), providenciar umaatração cultural, que pode ser canto, decla- www.varaldobrasil.com 22
  23. 23. Varal do Brasil, literário sem frescuras! 23 de Abril – Dia Internacional do LivroO Dia Internacional do Livro e dos Direitos Autorais,23 de abril, é comemorado para estimular a reflexãosobre a leitura, a indústria de livros e a propriedadeintelectual (direito sobre a criação de obras científicas,artísticas e literárias).A data foi instituída em 1995, pela Unesco – organiza-ção voltada para a Educação, Ciência e Cultura, queintegra as Organização das Nações Unidas. A escolhado Dia do Livro não foi aleatória: em 23 de abril de1616 faleceram Cervantes e Shakespeare, dois desta-ques da literatura universal.O Dia do Livro é, portanto, uma oportunidade de ren-der uma homenagem mundial ao livro e aos seus au-tores, motivar a descoberta do prazer da leitura e re-conhecer a contribuição dos escritores para o progres-so social e cultural. A ideia dessa celebração surgiu naCatalunha (Espanha), onde, nessa data, tradicional-mente, dá-se uma rosa ao comprador de um livro. Fonte: hƩp://a-informacao.blogspot.ch/ www.varaldobrasil.com 23
  24. 24. Varal do Brasil, literário sem frescuras! veranai@yahoo.com.br Que ensinaram, a alçar voo através de O Livro páginas Lentamente viradas, guardando emoções surgidas. Por Anna Back Onde letras, figuras e sons, convidam A transcender-se do aqui, do agora, da vida... Livro é sonho, é busca, é querer mais eInstrumento ímpar no mundo há, mais.Como um mestre a soprar no ouvido. Mágica, encantamento, sensações...Se fechado, instiga a curiosidade... Quem escreve um livro, gera um filho queri-Se aberto, doa-se em respostas ao eco do!emitido. Na ansiedade da aceitação, vive a quimera,De banho, de pano, em quadrinhos, um pouco doída,colorido... No propósito de mostrar ao mundo, sua cria,Preto e branco, palpável, em braile, virtual! gerada,Assim se apresenta nosso amigo livro, De peito e alma abertos, extrai e expõeCientífico, religioso, único, de enciclopédia, Seu âmago, sua alma, o que diz seuDe estudo, poético, lazer ou informal. coração,Poucas coisas se comparam a ele na vida Nem sempre razão, mas pura emoção,da gente! Solta, livre ao vento, ou em casulo, contida. Todo livro, traz escancarada, a intenção doQuem esqueceu o primeiro contato, o autor.enamorar-se? Seja ciência, informação, poesia, devaneio...As primeiras leituras feitas ou no colo, Lazer, história, de cunho religioso, social...ouvidas, Foi feliz quem ao escrever, lançou mãoDe pais ou avós, irmãos, tias, pessoas De vontade, desprendimento, material...queridas, www.varaldobrasil.com 24
  25. 25. Varal do Brasil, literário sem frescuras!E soube sutilmente penetrar no interesse e atençãoDe quem o leu, o compreendeu e se sentiu tocado No profundo do seu EU, seu ser, seu coração! Li livros incríveis, inteligentes, que marcaram Momentos, encontros, fatos, pra toda a vida. Leituras furtivas, secretas, proibidas... Outros fúteis, equivocados, vazios de propósitos. Às vezes, parei pra pensar tamanha capacidade De autores fantásticos, imaginações férteis, Leitura agradável, envolvente, capaz de prender, Aprisionar almas no enlevo das belas palavrasSutilmente escritas pra sempre, na vida da gente.Escrevo fragmentos, quem sabe um dia, reunidos, Se tornem um livro, sonho acalentado... Mas serei feliz, se com meu querer escrever, Ter tocado a emoção, ter sido bálsamo, ânimo Pra algum coração desanimado, triste, recaído! www.varaldobrasil.com 25
  26. 26. Varal do Brasil, literário sem frescuras! arletesan@terra.com.br NASCIMENTO Por Arlete Trentini dos Santos PEGA LAPIS E PAPEL RISCA RABISCA OU TECLA AQUI, DELETA ALI É IDÉIA SURGINDO OS PENSAMENTOS CRIANDO VIDA RETROCEDEMOS OU AVANÇAMOS NO TEMPO. VIAJAMOS, VAGAMOS... FRIO OU CALOR RIQUEZA OU POBREZA PRATO FARTO OU SOBREMESA COLOCAMOS A NOBRE MESA. IMAGINAÇÃO COLORIDA ÀS VEZES ATÉ DOLORIDA NASCE ASSIM, LOGO EM SEGUIDA A CRIA GANHANDO VIDA UMA EDITORA SE HABILITA E FAZ ASSIM NOSSA ESCRITA GANHAR VIDA NO PAPEL DE UM PARTO BEM DEMORADO POR MUITOS ELABORADO NASCEU ENFIM O ESPERADO... O LIVRO www.varaldobrasil.com 26
  27. 27. Varal do Brasil, literário sem frescuras! linamacieira@hotmail.comO livro e sua MagiaPor Audelina de Jesus Macieira Um livro é mais que um livro, ele é um professor e ao mesmo tempo é aluno, ele éum sonho encantado e também é um sonho realizado, um livro é uma passagem secretapara o prazer e para o conhecimento. Um livro é capaz te fazer flutuar e te fazer pensarque é um passarinho livre para ir longe batendo suas assas até o infinito. Quando se es-creve um livro é algo especial, é uma criação, escrever exige dedicação e horas de muitaemoção, paciência e criatividade. Ao escrever imaginamos ser um ser em construção, po-demos construir um mundo próprio que vai invadir a vida do leitor que pode se apaixonar,rir ou chorar, este encantamento começa a cada letra, a cada palavra que formando frasesdescreve o que autor está vivenciando naquele instante. Como autora de poesias e histórias eu me torno várias entidades, sou tudo e sounada, um cachorro, um amante, uma árvore, uma luz, um sentimento, uma razão, umacerteza, qualquer pessoa ou coisa. Sou eu mesma e sou quem eu represento em cadasentimento de ódio ou de dor, de alegria ou de amor, sou eu o tempo todo nas dores quenão são minhas e sendo minhas talvez, sou assim interprete das coisas da vida como jáhavia dito antes em versos do poema Vida.” Vida que queres que eu seja, um homem,uma mulher , uma flor, uma semente, uma cor ou uma figura de gente. Sou eu amada?Sou eu ódio em carne viva, sou caminho desta estrada, sou vida e vida e mais nada.” www.varaldobrasil.com 27
  28. 28. Varal do Brasil, literário sem frescuras!Um livro representa para mim múltiplos sentimentos de ensinamentos que ficarão na vitóriado mocinho contra o bandido, na derrota da bruxa, na descoberta da felicidade por criançasencantadas, na luta constante do bem contra o mal, e ai entendemos o quanto é bom lê e oquanto é bom para o escritor saber que alguém leu o seu livro. Pois sabemos o quanto umlivro leva tempo para ficar pronto, a preocupação com cada palavra com cada frase, buscaruma editora que compartilhe suas ideias, e ainda vê as ilustrações e todos os detalhes, as-sim o livro vai se apresentando aos poucos e se formando como um ser que tem vida. Todolivro é especial para quem lê e especial para quem escreve, quem escreve ta preocupadoem ofertar com o seu livro emoções, causar indignação se for o caso e em outros aspectosaté fazer dormir aquele que lê. Um livro é um amigo, um irmão, um mensageiro e às vezes até lhe diz mais que pa-lavras lhe ensina a viver. Quando eu li um livro pela primeira vez eu tinha sete anos e atéhoje me lembro da emoção que me causou, eu ria muito com aquelas palavras novas queestavam ali, era um livro de histórias infantis Ali Baba e os quarenta ladrões, muito bom, edaí não parei mais, li muitos livros, li Carlos Drummond e Jorge Amando entre outros escri-tores e me apaixonei, ao Chegar a Faculdade , percebi o quanto toda aquela leitura era im-portante na minha vida, a leitura é uma bagagem que levamos dentro de nós, e nos dá su-porte para adquirir conhecimento de mundo. As dificuldades existem para quem escreve umlivro, pois as editoras não estão, mas valorizando os jovens poetas ou jovens escritores, naverdade temos que custear nossos livros para que ele enfim chegue às mãos de leitores eassim divulgar este trabalho tão maravilhoso que é escrever, contudo espero com esperançavê as letras de minhas poesias se espalhar por terras distantes e mesmo que de forma tími-da fazer alguém ri ou chorar , dormir e sonhar. www.varaldobrasil.com 28
  29. 29. Varal do Brasil, literário sem frescuras! beƩyescritora@silber.com.br O LIVRO Por Betty Silberstein Até chegar ao nosso atualíssimo e-book, muitos materiais foram usados como supor-tes para a escrita: ossos, bronze, cerâmica, conchas, bambu. Alguns dos antigos mais co-nhecidos foram a tabuleta de argila escrita em língua suméria (2400 - 2200 a.C.) e o Livrodos Mortos (Egito), em papiro (em torno do ano 1000 a.C.). A seda, na China, foi tambémuma base para a escrita, feita com pincéis. Na Índia, foram utilizadas folhas de palmeirassecas. A partir do momento que a escrita foi transposta para o papel, transformado em livro,podemos perceber que sua história é de inovações técnicas, as quais o ser humano só tevea ganhar, já que com isso foi aperfeiçoada a qualidade de conservação do texto, o acessoà informação passou a atingir um número crescente de pessoas, sem contar a portabilidadee o custo de produção. A partir do primeiro livro impresso (1455) a Bíblia, em latim, com aprensa de tipos móveis reutilizáveis, inventada por Gutenberg, o sonho atemporal de escri-tores do mundo inteiro passou a se concretizar: o livro popularizou-se definitivamente, tor-nando-se mais acessível pela redução enorme dos custos da produção em série. Não me parece que as coisas mudaram muito para o escritor desde os primórdiosdos tempos até os dias de hoje. A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro continua sendotarefa do autor, que dedica horas, dias, meses a fio pensando, escrevendo, reescrevendomil e uma vezes até que seus originais cheguem às mãos de uma editora. Se um leigo noassunto acredita ser esta a parte mais difícil para a publicação de um livro... engana-se re-dondamente: por incrível que pareça, esta é a parte mais fácil para o escritor, cuja via cru-cis se inicia a partir do momento que este sonhador está com seu manuscrito debaixo dobraço, peregrinando de editora em editora para ver se alguma se interessa em publicá-lo. SE isso acontecer... maravilha! Tirou a sorte grande. Caso contrário, terá que bancarmesmo seus escritos. Entretanto, mesmo resolvendo esta primeira etapa (de uma maneiraou outra), ainda falta um belo marketing em cima do produto, uma inteligente estratégia dedivulgação e distribuição e uma dose cavalar de paciência para acertos de contas com li-vreiros e distribuidoras de livro e quem sabe receber algum dinheiro por todo o trabalho. www.varaldobrasil.com 29
  30. 30. Varal do Brasil, literário sem frescuras! É... realmente um longo caminho, mas posso dizer com conhecimento de causa queVALE A PENA! Ao segurar nas mãos seu “baby impresso” é uma sensação indescritível. Sócomparada à alegria e orgulho de alguém ter lido seus textos, ter elogiado e reconhecer seutrabalho. Por isso, acho sensacional o Varal do Brasil dedicar um número todinho a esse tematão difícil, mas superinteressante, para dar força, ânimo e quiçá algumas dicas para os novos(e os não tão novos assim) escritores de plantão. Que aproveitemos bastante esse número especial do Varal, que trata de um importan-te produto intelectual e de consumo dos dias de hoje: este “poço sem fundo” de informação,conhecimento e sabedoria, que é o LIVRO! www.varaldobrasil.com 30
  31. 31. Varal do Brasil, literário sem frescuras! carlosluciogonƟjo@terra.com.br que representa significativa glória numPalavras jogadas ao léu país em que as editores não investem nem apostam em novos autores (digo isso no tocante ao ato de se fazer co- Por Carlos Lúcio Gontijo nhecido, uma vez que existe gente com idade avançada e sem qualquer trabalho editado), obrigando aos que pretendem Não me perguntem aonde ir para tirar a sua obra da gaveta, em tempo deencontrar leitores, pois nunca soube. As democrática ditadura de intensa propa-bibliotecas estão sempre vazias, as li- gação do grotesco ou, no mínimo, devrarias repletas de autores estrangeiros valor cultural duvidoso, que por sua veze livros de autoajuda, enquanto a litera- leva adultos, adolescentes e crianças atura brasileira sobrevive com a simples dançarem na boquinha da garrafa. Infe-e costumeira citação de grandes auto- lizmente, entre nós, o esmero tecnológi-res, que verdadeiramente também são co da imagem digital chegou àsmuito pouco lidos. Não entendo também “nossas” televisões antes de as mesmasde busca de recursos para se editarem implantarem qualidade em sua rede delivros, porque nunca obtive sucesso programação.nessa empreitada, consciente de que apolítica cultural brasileira só favorece Se eu fosse tangido pela busca deaos que se acham sob os holofotes da fama e sucesso não estaria me moven-mídia, o que determina fluxo volumoso do para editar o meu 15º livro (POESIAde recursos para as mesmíssimas cele- DE ROMANCE E OUTROS VERSOS) nembridades e famosos de sempre. Todavia, disposto a investir quantia, para mimem torno desse assunto, as discussões volumosa, em meu site, que está no arse prendem mais ao calor obscurantista desde 5 de junho de 2007. Uma vezdo fogaréu das vaidades que à luz da que, hoje, o que determina notoriedadereal busca de soluções. são a inventiva e o comportamento es- drúxulo ou completamente anômalo e Houve um tempo em que concur- contrário aos chamados bons costumes,sos literários lançavam novos talentos, tratados como desnecessários ditamesmas hoje eles só servem para propiciar ultrapassados.alguma pequena edição ao ganhador, o www.varaldobrasil.com 31
  32. 32. Varal do Brasil, literário sem frescuras! A dilapidação promovida ao senso depois de tão longa caminhada. Só mecomum que norteia a convivência em resta mesmo impor-me alguns sacrifí-sociedade vem exatamente dos órgãos cios em nome do invisível, do que nãoque deveriam atuar em sua defesa. Os se vê: a energia imaterial do halo dapoderes Executivo, Legislativo e Judici- alegria de efetivar o exercício de umário se consideram (e se põem) acima dom, ainda que as palavras me pare-da nação brasileira, que sabiamente os çam jogadas ao léu.julga pelo produto final que a ela éapresentado. Vem daí a generalização Enfim, sou brasileiro comum. Façoda reclamação popular, pois quando parte desse povo, que apesar dos go-uma prestação de serviço não é satisfa- vernantes e dos podres poderes, conse-tória o consumidor recorre ao PROCON gue sobreviver e driblar as pedras ati-contra a loja vendedora ou a fábrica radas em seu caminho. Termino entãoprodutora, não lhe sendo exigida a indi- repetindo reflexão de Sigmund Freud,cação de nomes – ao produtor da mer- grande explorador da alma humana:cadoria defeituosa cabe, se assim o de- “Mas posso me dar por satisfeito. O tra-sejar, a descoberta do funcionário res- balho é minha fortuna”.ponsável pela ocorrência! Ou seja, amá prestação de serviço advinda daação dos Três Poderes é problema rela-tivo a todos aqueles que o integram.Cabe a cada um deles e mais especifi-camente aos que se nos apresentamcomo a parte boa, reclamando da cons-tante acusação generalizada, agiremem prol da devida apuração. Afinal, nãose trata de seres inanimados; não sãomaçãs sadias enfiadas, involuntaria-mente, em saco de aniagem em meio afrutos putrefatos... Em ambiente assim perverso, noqual os que deveriam dar o exemploinsistem em não dá-lo, assisto ao coti-diano crescimento da cultura do levarvantagem em tudo, que vai levando atudo de roldão. Para onde olho eu vejopodridão: é político com dinheiro na cu-eca, na meia, no porta-malas, no bancodo carro; são favorecimentos e desviosde recursos públicos em montante ini-maginável, mas que pode ser dimensio-nado pela paisagem de abissais carên-cias sociais que nos rodeia. Quem sou eu, pequeno escriba,para perder o fio da meada, abandonara literatura menor que realizo (mas queé a minha vida) à beira do caminho, www.varaldobrasil.com 32
  33. 33. Varal do Brasil, literário sem frescuras! cesarsf@ymail.comIndependente, e por que não? ta" consideram como requisito impres- cindível, a diplomação acadêmica ou frequência em oficinas literárias quePor César S. Farias ensinam o autor a escrever. São pon- tos de vista que, á meu ver, devem ser respeitados mas não aplicados como Nem todos os escritores conse- verdade absoluta. Se você, mesmoguem um contrato com alguma editora sem possuir os atributos que chamamdisposta a valorizar o seu trabalho, a atenção da indústria literária, acredi-com possibilidades de lucros razoáveis ta nas suas ideias e em sua capacidadepara ambas as partes. A estes, que não de cativar leitores, deve cedo ou tardeestão dispostos a permanecerem por tomar uma atitude para ganhar um lu-tempo indefinido batendo em portas e gar ao sol.mais portas de editoras, resta hoje ocaminho independente da auto publica- Eventos como a Feira do Livro deção. Felizmente, com o advento da in- Porto Alegre permitem, ao contrário daternet e o progresso dos recursos de maioria dos encontros literários do pa-computação, o monopólio da impressão ís, um espaço aos escritores indepen-saiu das mãos de umas poucas empre- dentes, que investem em seu própriosas que abasteciam o pequeno merca- trabalho para mostrarem às pessoasdo de leitores do nosso país. É possí- que existe vida inteligente fora das edi-vel, com critérios e dedicação, chegar- toras. A coletânea de contos "O Grandese a um resultado final que permita ao Pajé", lançada oficialmente na 57ª edi-escritor concretizar a montagem da sua ção do evento, propõe umobra para apresentá-la ao julgamento olhar reflexivo ao consumo da maco-crítico do leitor. Dessa forma, consegue nha, erva sagrada para vários tribosele formar, gradativamente o seu pró- indígenas, e a impune violência contraprio público. os animais em nossa sociedade atual. Certamente, as abordagens polêmicas Entre os fatores que contribuem da obra, não colocam-na entre as pre-decisivamente para a aceitação da obra feridas do grande público, contudo, ono mercado editorial convencional, está autor faz dela mais um grito de alertaa temática da obra. As ideias propos- sobre o desrespeito às culturas e for-tas, aliadas a uma hábil narrativa, ga- mas de vida diferentes da nossa.rantem a simpatia ou não dos fabrican-tes de livros. Muitos "doutores da escri- www.varaldobrasil.com 33
  34. 34. Varal do Brasil, literário sem frescuras! cleoreispoema@hotmail.com LIVROSPor Cléo ReisEmano minhas leituras pelo UniversoBrisa e Sol abraçam ideias iluminando aVidaDe um banco qualquer ou do meu tra-vesseiro,sob o manto celestial bordado de luzes,abraçada à Natura que dentro de mim re-pousa,silentes Autores e letras entrelaçadas por inspiradoras Brisas rodeiam-me na mudez da escrivaninha transcendentalLivros são Pontes-perene arco-íris Universallevando-me a profundezas dereflexões revigorantesAmeno exercício espiritualNovas roupagens, róseas, florescentespara minha almaem sublimações e completudes. www.varaldobrasil.com 34
  35. 35. Varal do Brasil, literário sem frescuras! hana.haruko2@gmail.comUM DIA DE LIVROS, MUITOS LIVROS E ÁRVORESPor Clevane Pessoa de Araújo LopesJacqueline Aisenman de azul, e sua árvore, Terezinha, observada por Rogério Salgado epor mim, (Clevane Pessoa), no Jardim dos Poetas-Lagoa do Nado, em 31 de maio de2012.Salgado e eu . Marco Llobus marcara para 31 de maio, a segunda edição do Jardim dos Poetaspoetasque passaram pela Lagoa do Nado (*)em Saraus de Poesia , os que fizeram parte do his-tórico processo ...A premiada prosadora e poeta Norália de Castro Mello estava nos primórdios da organiza-ção, em Brumadinho, de um lançamento- do Varal do Brasil-2, onde estamos na qualida-de de coautoras e organizada por Jacqueline Aisenman a qual lançaria também seu pró-prio novo livro, "Briga de Foice", pelaDesign Editora , de Jaguará do Sul/SC, um belo trabalho editorial. Jacqueline também écatarinense-e mora há anos, em Genebra. Norália sonhava em reunir aqui, os coautoresmineiros.Queria sobretudo, oferecer a Jacqueline a grande oportunidade de conhecer Inhotim(**).Mas as negociações se arrastavam, graças aos valores -e ela então, investiu potenci-almente na Prefeitura de Brumadinho, onde hoje reside, que cedeu-lhe a Casa da Cultura-para a recepção de 01 de junho, hospedagem aos poetas e prosadores, várias benesses.A Secretaria de Cultura e Turismo entrou no esquema produtivo-e Norália pode contarcom Juliana Brasil, Regina Esméria, Maria Lúcia Guedes, Maria Carmen de Souza, que seempenharam na decoração e na degustação de acepipes tipicamente mineiros juninos.Segundo comentários dos autores e convidados, foi uma grande confraternização-continuada em Inhotim e depois no Restaurante D. Carmita, com os lançamentos das an-tologias citas e livros dos presentes. www.varaldobrasil.com 35
  36. 36. Varal do Brasil, literário sem frescuras!Bem, então, no Dia 31, aqui em Belo Hori- conteúdo.zonte, começamos a recepção à Jacqueline, Bem, esse prólogo longo , mas necessárioque seria homenageada junto com Diovva- ao registro de nossa história de poetas, nosni Mendonça (leia-se Paz e Poesia ***) , no leva agora, à Lagoa do Nado.Sarau da Lagoa do Nado, no Restaurante D.Preta, reduto de poetas ,artistas e pessoas Lá, além do mini tour pelo pulmão verde eda Paz, a convite de Claudio Marcio Barbo- suas águas, com passagem pela exposiçãosa , produtor cultural e poeta, que faz parte a céu aberto da obra enraizada de Mestreda família que administra o D. Preta prepa- Thibau., Jacqueline e nós, poetas convida-ram um substancial prato mineiríssimo, o dos , fomos levados para plantar nossa ár-Feijão Tropeiro . vore no Jardim da Poesia. Quando saí de casa, sabendo que cada ár- vore poderia ser madrinha ou afilhada do poeta e o poeta escolheria o nome de sua árvore, pensei em achegar-me a uma que desse muitas flores , para dar-lhe o nome de minha mãe, que adorava o verde. Eu anda- va daqui e dali, mas fui atraída por um ce- dro. Mesmo ele apresentando uma praga branca. Não consegui afastar-me das lindasFoi organizada uma mesa de livros , para a folhas oblongas e acetinadas. Então, pensei:degustação da mente e do espírito, por que vou dar-lhe o nome de Máximo, pois meunão, do coração? Jacqueline recebeu as avô ,paraibano, trovador, cordelista e jorna-"Palmas Barrocas" - alusivas à arte sacra lista, repentista sonetista, que ensinou-me amineira, uma criação da artista de Sabará- metrificar e amar a poesia ainda no seu co-uma das mais antigas cidades mineiras- Dir- lo, não obstante árvore do gênero femininoléia Neves Peixoto e que são parcimoniosa- na gramática, mas comum dos dois na es-mente distribuídas pelo grupo de Poetas Pe- pécie, Cedro sempre vai lembrar-me o gêne-la Paz e pela Poesia., grupo que realiza o ro masculino.Paz e Poesia em Belo Horizonte.No D. Preta, , esperamos a chegada de No-rália, que chegou com sua filha Daniela.Desse momento, participaram os poetas eartistas de Belo Horizonte, Marco Llobus,Neuza ladeira Rodrigo Starling, Iara Abreu,Maria Moreira, Adão Rodrigues, FátimaSampaio, Rogério Salgado, Claudio MárcioBarbosa , Serginho BH (fundo musical aoviolão) e eu. Coautoras de outros Estados ecidades estiveram no congraçamento: YaraDarin, Maria Clara Machado,e, com Noráliae Daniela, também artista, chegou a alegreMadhu Maretiori, que lançou seu encanta-dor "Em Nome de Gaia"- minilivro de grande www.varaldobrasil.com 36
  37. 37. Varal do Brasil, literário sem frescuras!Desejei muita sorte ao meu cedro-que cresça 2:alegria e honra).o máximo, seja o máximo-sobrenome de vo-vô, Luiz Máximo de Araújo -pensei .Depois de curtir a árvore que me escolheu,fui circular e quando Jacqueline Aisenman foibatizar a sua, ela disse-me;-Terezinha, o no-me de minha mãe.Fiquei literalmente arrepiada .Claro que oprenome da santinha de Lisieux é muito co-mum, mas eu, que vivo na memória e noimaginário, escritora que sou, logo pensei : -Mamãe, que adorava o pai, deu-lhe lugar.E assim , toda vez que for ao jardim de nós,Poetas, no CC Lagoa do nado, vou acarinharessas duas árvores: pela amiga distante, emoutro país, Jacqueline Aisenman e cultura onome materno de ambas, e o d e vovô, meumago iniciador que revelou-me a POIESIS,como soi ser, com autoria, orgulho e ale-gria ::Terezinha e Máximo.Mais tarde, já em casa, li um texto maravilho-so, em Varal Antológico 2 de Jaqueline Ai-senman ,denominado Pintura Ingênua, ondeela abre ao leitor o grande amor por seupai ("Meu pai, sentado na cozinha, palpitavaa vida, dava palpites em tudo"), onde a mãeamada entreaparece, figura de fundo e depalco ,indispensável( "Ou ia pelos braçosqueridos de minha mãe, braços cheios dealma") .Realmente , esse plantio para mim, transcen-deu os objetivos lindos desse jardim de árvo-res: permitiu-me a sagrada memória familiarvir bailar conosco por entre as mudinhas es-perançosas...Clevane Pessoa de Araújo Lopes Fotos: Clevane Pessoa(A Jacqueline Aisenman, agradecendo o con-vite para ser e estar em Varal Antológico 2) www.varaldobrasil.com 37
  38. 38. Varal do Brasil, literário sem frescuras!O dia 29 de outubro foi escolhido para ser o “Dia Na-cional do Livro” por ser a data de aniversário da fun-dação da Biblioteca Nacional, que nasceu com atransferência da Real Biblioteca portuguesa para oBrasil.Seu acervo de 60 mil peças, entre livros, manuscri-tos, mapas, moedas, medalhas, etc., ficava acomo-dado nas salas do Hospital da Ordem Terceira doCarmo, no Rio de Janeiro.A biblioteca foi transferida em 29 de outubro de 1810e essa passou a ser a data oficial de sua fundação. Fonte: http://www.joildo.net/ www.varaldobrasil.com 38

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