Portfolio digital edmir amador

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  1. 1. Os poetas e a natureza
  2. 2. José de Almada Negreiros Flor tem linguagem de que a sua semente não fala. A raiz não parece dar aquele fruto. Não parece que a flor e a semente sejam da mesma linguagem Retirada a linguagem A semente é igual a flor A flor igual a fruto Fruto igual a semente Destino igual a devir. E era o que se pedia: igual Se é dever dizer o que Sem mestre aprendi da Vida digo: A natureza tem tudo Mas cada coisa de Sua vez. É simultânea como o Conhecimento: Sabe-se bem uma coisa Por causa de várias Que se sabem mal. E tive paz quando Soube que antigos me tinham deixado Soube que antigos Me tinham deixado Isto mesmo.
  3. 3. Natureza poéticaNão basta abrir a janelaPara ver os campos e o rio.Não é bastante não ser cegoPara ver as árvores e as flores.É preciso também não ter filosofia nenhuma.Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.Há só cada um de nós, como uma cave.Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. Alberto Caeiro
  4. 4. As rosas amo dos jardins de Adónis,Essas volucres amo, Lídia, rosas, nascem,Em esse dia morrem.A luz para elas é eterna, porqueNascem nascido já o sol e acabamAntes que Apolo deixeO seu curso visívelAssim façamos nossa vida um dia,Inconscientes, Lídia, voluntariamenteQue há noite antes e apósO pouco que duramos.
  5. 5. No meu prato que mistura de naturezaAs minhas irmãs as plantas,As companheiras das fontes, as santasA quem ninguém rezaE cortam se e vem á nossa mesaE nos hotéis os hospedes ruidosos,Que chegam com correias tendo mantasPedem salada descuidos osSem pensar que exigem á terra mãea sua frescura e os seus filhos primeirosAs primeiras verdes palavras que ela tem,As primeiras coisas vivas e irisastesQue Noé viuQuando as aguas desceram e o cimo dos montesVerde e alagado surgiuE no ar por onde a pomba apareceuO arco íris se esbateu
  6. 6. o meu olhar azul como o céuÉ calmo como a água ao solÉ assim, azul e calmo,Porque não interroga nem se espantaSe eu interrogasse e me espantasseNão nasciam flores novas nos pradosNem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar maisMesmo se nascesse flores novas no pradoE se e o sol mudasse para mais belo,Eu sentiria menos flores no pradoE achava mais feio o sol

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