Amazônia colonial

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uma visão geopolítica da Amazônia colonial e uma visão geopolítica da Amazônia no início do século XXI.

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Amazônia colonial

  1. 1. 1
  2. 2. O conceito de região é trabalhadotradicionalmente no sentido geográficocomo se a natureza por si só isolada dasociedade e, portanto daqueles queconstroem o território pudesse dar ascaracterísticas essenciais de uma região. 2
  3. 3. No caso, o nordeste brasileiro secaracterizaria por ser uma região semiárida eaAmazônia, uma região quente eúmida, portadora da maior bacia hidrográficado mundo e da maior floresta do mundo eetc... 3
  4. 4. Este ufanismo geográfico perdesentido, isolado da geohistória e nos temlevado a interpretações deterministas denossa região como é o caso de O riocomanda a vida, esquecendocompletamente a conjunturaeconômica, política e social em que fomos eestamos envolvidos, e que tem determinadonossas atividades econômicas. 4
  5. 5. A Geohistória do Brasile, consequentemente, a Geohistória daAmazônia só podem ser entendidas dentro doquadro geral da expansão comercial ecolonial da Europa na época moderna. Édentro desse quadro que se deve buscar aformação e a organização da economia e dasociedade brasileira nos três primeirosséculos. 5
  6. 6. É daí que tiraremos os elementos paraentendermos corretamente as situações queforam sendo criadas posteriormente e queforam construindo a Geografia do nosso país, asua paisagem geográfica e consequentementea sociedade regional amazônica. 6
  7. 7. Antes de tudo é preciso distinguir aempresa colonial da simples exploraçãocomercial. A exploração comercial serestringe à circulação dasmercadorias, enquanto que a colonizaçãorequer investimentos na produção.Consequentemente requer a fixação dosprodutores nos locais de produção. 7
  8. 8. Daí falar-se em povoamento, ou seja, anecessidade da presença dos elementosda metrópole para organizar a produçãolocal em função das necessidades eexigências da metrópole. A economialocal e desorganizada pelo colonizador ereorganizada em função de seusinteresses. 8
  9. 9. Este é o padrão da expansãocapitalista em todo mundo.Desorganiza o local e reorganiza emfunção de interesses que estão muitolonge das populações locais regionais.É a globalização. 9
  10. 10. A exploração das regiões coloniaisbem como a sua colonização exigiamgrandes investimentos de capital quecorreriam grandes riscos de nãoapresentarem retornos imediatos. 10
  11. 11. Além disso, nesta etapa da formação docapitalismo, a organização dos empresáriosem sua fase concorrencial não tinhacondições de bancar sozinha oempreendimento colonial, daí a presença doEstado como elemento centralizador de todotipo de recurso em nível nacional para oempreendimento colonial. 11
  12. 12. É nessa conjuntura e a partir dessasnecessidades e interesses e, sobretudo, apartir das alianças entre o poder público ea iniciativa privada que se elabora e sedesenvolve a chamada políticamercantilista. 12
  13. 13. A política mercantilista preocupa-se emresguardar com exclusividade asregiões coloniais e manter com elas omonopólio do comércio. Esta políticamonopolista permite à metrópoleminimizar os custos de produção dosprodutos coloniais e impor preços aosprodutos finais. 13
  14. 14. Assim, a venda desses produtos na sedemetropolitana ou em outras metrópoles sóbeneficiou a burguesia mercantilmetropolitana que se apropria das rendasdas populações das colônias, das rendasdas populações das sedes metropolitanase das rendas das populações das outrasmetrópoles. 14
  15. 15. Assim a política mercantilista estabelecerelações altamente vantajosas para asmetrópoles e altamente prejudiciais àscolônias, iniciando o processo deenriquecimento das metrópoles européias àcusta do empobrecimento cada vez maior dascolônias ultramarinas. 15
  16. 16. Esta política mercantilista organiza a produçãocolonial dentro das condições geográficasintertropicais como prolongamento ecomplementação da economia dasmetrópoles situadas nas áreas temperadas.As colônias situadas nas regiões intertropicaiscolocam-se como regiões complementares daeconomia das metrópoles situadas nas regiõestemperadas, produzirão aquilo que asmetrópoles determinarem. 16
  17. 17. Outra conveniência metropolitana é que ascolônias se especializem nas monoculturasou em poucos produtos, as plantations, cana-de-açúcar, algodão, café, soja, etc... e setornem consumidoras dos mais variadosprodutos produzidos nas metrópoles, sendoisso mais um fator de enriquecimentometropolitano e empobrecimento das regiõescoloniais. 17
  18. 18. Além de tudo isso a metrópole determinará a maneira de produzir os produtos coloniais com a maior lucratividade possível para o empresário metropolitano. Assim não se adota nas regiões coloniais o trabalho livre assalariado, já em plena expansãonas metrópoles, mas formas de trabalho compulsório o escravismo. 18
  19. 19. Com a abundância de terras ainda nãoprivatizadas nas regiões tropicais seriaimpossível controlar as invasões dessas terraspelos assalariados livres para constituírem umaeconomia de subsistência voltada para seuspróprios interesses e não para atenderinteresses dos metropolitanos. Daí a produçãocolonial se realizar escravizando os índiosinicialmente, e posteriormente os negrosafricanos. 19
  20. 20. Quando o tráfico de negros africanos setorna um negócio extremamente lucrativosem os embaraços da escravidão dosíndios, a escravidão dos negros éintensificada para prover a mão de obrada produção colonial. 20
  21. 21. Concluindo, a empresa colonial, ou seja, acolonização das regiões tropicais fundamenta-seno monopólio comercial, daí advindo todas asoutras características e exigências dacolonização das regiões tropicais:resguardo exclusivo das regiões coloniais;complementariedade da economia metropolitana;especialização na produção;estrutura agrária latifundiária associada ao trabalho escravo 21
  22. 22. Deve-se notar que esta política mercantilistade conservar a Amazônia como regiãocolonial extrativista se mantém até os diasatuais.Passamos do extrativismo florestal para oextrativismo mineral, mas continuamosextrativistas, mandando matérias-primas econsumindo produtos industrializados. Asnossas matérias primas continuam saindo innatura para os grandes centros industriais eretornam em forma de produtos acabados. 22
  23. 23. Basta analisar como foi a exploração domanganês do Amapá, do ouro de SerraPelada; como funcionam atualmente, aVale do Rio Doce e a Albras/Alunorteetc... 23
  24. 24. É muito fácil constatar as desvantagens dessasrelações, basta comparar quanto custa um quilode borracha in natura e quanto custa um tênisimportado, quanto custa um quilo de minério deferro de Carajás e quanto custa um quilo deprego, ou um terçado ou martelo. Quanto custaum barrinha de alumínio e quanto custa umapanela de alumínio, por exemplo, etc.... 24
  25. 25. Quanto aos determinantes de nossasatividades econômicas é fácil constatar.Historicamente iniciamos coletando asdrogas do sertão para atendermos aosgostos e interesses dos europeus.Passando a coletar leite de seringueiras emfunção da indústria automobilística, quedemandava pneus e derivados da borracha. 25
  26. 26. Atualmente, são os nossosfármacos, produtos farmacêuticosadvindos da floresta, objetos da cobiçainternacional, que dá lugar a biopirataria. 26
  27. 27. Em Manaus instalou-se um distritoindustrial eletroeletrônico não em função denossos interesses ou necessidades, masem função dos interesses das grandescorporações multinacionais. 27
  28. 28. Incentivou-se em toda Amazônia o cultivoda juta não em função de necessidadesentidas pela nossa comunidade, queprecisa de arroz, feijão, milho, etc... mas emfunção de embalar esses mesmos produtosproduzidos em outras regiões do país. 28
  29. 29. Finalizando, constata-se que os atuaisinvestimentos feitos na Amazôniaobedecem à mesma lógica de mantê-lacomo região colonial. Os gruposempresariais capitalistas condicionam seusinvestimentos aos incentivos fiscais. 29
  30. 30. O Estado continua associado aos interessesprivados, bancando a maior parte dosinvestimentos, transferindo recursospúblicos para investidores privados.Tudo feito com aideologia do desenvolvimento. 30
  31. 31. Essencialmente a Amazônia continua sendo oEldorado, o lugar do enriquecimento rápido efácil, onde a exploração da natureza e aexploração e expropriação da sua força detrabalho, os trabalhadores índios ecaboclos, cabocas, ribeirinhos e outros sãoincentivadas e legitimadas pelos aparelhos deEstado, perpetuando o lema: Ultra aequinotialemnon peccatur.(Não se comete pecado na linha do equador). 31
  32. 32. Atualmente a Amazônia sofreas consequências desastrosas da “Operação Amazônia”. O que será da Amazônia após as obras do PAC? 32
  33. 33. Roberto Monteiro de Oliveira 33

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