Vaz et al 2014 capital intelectual - reflexao da teoria e pratica

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Vaz et al 2014 capital intelectual - reflexao da teoria e pratica

  1. 1. Organizadores: Caroline Rodrigues Vaz Danielly Oliveira Inomata Mauricio Uriona Maldonado Paulo Mauricio Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática EGC UFSC – FLORIANÓPOLIS 2014
  2. 2. Organizadores: Caroline Rodrigues Vaz Danielly Oliveira Inomata Mauricio Uriona Maldonado Paulo Mauricio Selig CAPITAL INTELECTUAL: Reflexões da Teoria e Prática EGC UFSC – Florianópolis 2014
  3. 3. Caroline Rodrigues Vaz Danielly Oliveira Inomata Mauricio Uriona Maldonado Paulo Mauricio Selig Organizadores Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida desde que citada a fonte Catalogação na fonte pela Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina Revisão ortográfica realizada por Claudia Viviane Viegas. Conteúdo de autoria e responsabilidade dos autores de cada capitulo, conforme termo assinado. ISBN: 978-85-61115-06-7 Editora EGC 2014 C244 Capital intelectual : reflexão da teoria e prática / org. Caroline Rodrigues Vaz... [et al.]. – Florianópolis : ECG/UFSC, 2014. 275 p. : il., tabs., gráfs. Inclui bibliografia. 1. Capital Intelectual. 2. Ativos Intangíveis. 3. Gestão do Conhecimento. I. Vaz, Caroline Rodrigues. CDU: 658.3
  4. 4. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Visibilidade: “…capacidade de pôr em foco visões, de fazer brotar cores e formas de um alinhamento de caracteres alfabéticos pretos sobre uma página branca…” Italo Calvino
  5. 5. SUMÁRIO PREFACE........................................................................................................13 APRESENTAÇÃO ...........................................................................................17 1. ANÁLISE DAS DIMENSÕES DO CAPITAL INTELECTUAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................20 2. O CAPITAL INTELECTUAL E VALORAÇÃO DOS ATIVOS DO CONHECIMENTO ...........................................................................................51 3. CAPITAL HUMANO E MEMÓRIA ORGANIZACIONAL: OS ESTUDOS DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA ................................................................71 4. O CAPITAL INTELECTUAL SOB A PERSPECTIVA TEÓRICA DO CAPITAL SOCIAL............................................................................................89 5. O PAPEL DO CAPITAL SOCIAL NA FORMULAÇÃO DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE ...............................................................................99 6. CAPITAL INTELECTUAL E FLUXOS DE INFORMAÇÃO: DA TEORIA À PRÁTICA EM UMA ORGANIZAÇÃO ............................................................113 7. CAPITAL INTELECTUAL COMO CAPACIDADE DINÂMICA EM ORGANIZAÇÕES..........................................................................................129 8. MODELO PARA ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO CAPITAL INTELECTUAL SOBRE A PERFORMANCE DOS PROJETOS DE SOFTWARE.................155 9. CAPITAL INTELECTUAL EM CLUSTERS................................................179 10. CAPITAL INTELECTUAL E GESTÃO PÚBLICA ....................................201 11. RETENDO CAPITAL INTELECTUAL NAS EMPRESAS: EVITANDO A PERDA DE CONHECIMENTO......................................................................213 12. INDICATORS PERFORMANCE OF INTELLECTUAL CAPITAL FOR THE REVERSE LOGISTICS POST-SALE PROCESS: CASE OF REFRIGERATION APPLIANCES..................................................................233 SOBRE OS AUTORES..................................................................................261
  6. 6. PREFACE In increasingly knowledge based economies Intellectual Capital is becoming the dominant factor of competitiveness at national, regional, cluster, and organizational level. Intellectual Capital is on the hand a source of stability and on the other hand a source of renewal. The latter is gaining importance in turbulent economic and social environments. At all levels capabilities to sense new opportunities, to seize such opportunities and turn them into business success as well as to ensure continuous learning and transformation are vital to sustain economic and social development. These capabilities are embodied largely in the Human, Structural and Relational Capital of and beyond organizations. The present book explores challenges and approaches to classify, value and develop Intellectual Capital in different contexts It is a contribution to the ongoing European-Latin American research project “Dynamic SME”1 (www.dynamic-sme.org) exploring and supporting sustainable competitiveness of SMEs in turbulent economic and social environments. As our research shows Intellectual Capital plays an important role to dynamize SMEs. I wish that this complied research furthers our understanding on managing Intellectual Capital for the benefit of a sustainable economic and social development Wiesbaden (Germany), June 2014 Prof. Dr. Klaus North Wiesbaden Business School Coordinator of project “Dynamic SME” 1 funded by the European Union Seventh Framework Programme under grant agreement n° PIRSES-GA-2010-268665
  7. 7. APRESENTAÇÃO O Capital Intelectual, também conhecido como “ativos intangíveis”, pode ser entendido como um conjunto de conhecimentos encontrados nas organizações que agregam valor aos produtos não monetários pela transformação e/ou maximização das atividades intensivas em conhecimento. O Capital Intelectual na prática é utilizado para mensurar as dimensões do capital humano, estrutural e relacional. Dentre todas as abordagens sobre o Capital Intelectual, este exemplar pretende discutir e apresentar alguns tópicos relevantes para o crescimento deste tema na literatura cientifica. Sabe-se da existência de variados modelos que mensuram este ativo intangível, entre eles destaca-se o Modelo de Skandia, o Monitor de Ativos Intangíveis, o Balanced Scorecard, e o Intellectus. Embora estes modelos sejam proeminentes, o livro pretende contribuir com resultados de pesquisas empíricas e teóricas que tratam destes e de outros modelos em diversos cenários e contextos, como por exemplo: em universidades, em clusters, no setor eletroeletrônico, na abordagem de capacidades dinâmicas, no setor público, no setor de software, na gestão da sustentabilidade e no fluxo de informação. Nesse enfoque, esta publicação busca revelar um pouco do esforço intelectual dos pesquisadores sob o foco de atuação do Grupo de Estudos de Capital Intelectual e Indicadores de Desempenho, do Núcleo de Gestão e Sustentabilidade, da Universidade Federal de Santa Catarina, que promove a interação e a construção do saber entre professores e estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós doutorado na pesquisa aplicada. Sendo essa a primeira coletânea de artigos científicos sobre o tema e do grupo. Importante destacar que a produção cientifica deste livro solidifica as discussões empreitadas pelo grupo no seu primeiro biênio. A experiência vivenciada ao longo deste período conferiu tais conhecimentos que, em parte disseminada nesta publicação, apresentam aos leitores a oportunidade de refletir e colocar em prática a teoria sobre o Capital Intelectual. Prof. Dr. Eduardo Gugliani Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Faculdade de Engenharia TECNOPUC – Parque Científico e Tecnológico da PUCRS Porto Alegre – RS, Brasil
  8. 8. 1 ANÁLISE DAS DIMENSÕES DO CAPITAL INTELECTUAL: uma revisão de literatura Helio Aisenberg Ferenhof Mariana Zaniboni Bialecki Susanne Durst Paulo Mauricio Selig
  9. 9. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 22 1. INTRODUÇÃO Na nova era de empresas baseadas em conhecimento, o capital intelectual se destaca como um fator determinante de vantagem competitiva (Bontis, 2001; Bontis e Fitz-Enz, 2002; Bueno et al., 2003; Edvinsson e Malone, 1997; Edvinsson, 2000; Kaplan e Norton, 1996; Roos e Roos, 1997; Stewart e Ruckdeschel, 1998; Sveiby, 1997). Sendo assim, tanto o universo acadêmico quanto o empresarial buscam compreender o capital intelectual e suas diversas facetas. Do ponto de vista empresarial, o objetivo da compreensão é poder gerir de forma efetiva o capital intelectual. Por sua vez, o acadêmico objetiva compreendê-lo para prover: ferramentas, técnicas, métodos que auxiliem à gestão do capital intelectual. Por conseguinte, ambos buscam maneiras de manter e/ou atingir vantagem competitiva. Com intuito de compreender melhor o capital intelectual algumas indagações foram levantadas: O que é esse recurso intangível denominado capital intelectual? Qual sua definição? Existem outros capitais que o compõem? Quais suas dimensões? Para responder estas indagações, este estudo objetivou buscar junto a literatura de forma exploratória as respostas. Na sessão dois se relata o método utilizado nesta pesquisa. Por conseguinte, na sessão três é apresentada a indução dos modelos. Já na sessão quarto são apresentados os resultados e discussões relacionados a análise dos modelos. Finalmente na sessão cinco são apontadas as considerações finais e recomendações de estudos futuros. 2. MÉTODO ADOTADO Para o desenvolvimento deste estudo, optou-se pela pesquisa bibliográfica de forma exploratória do tema. Adotando-se a abordagem qualitativa e o método indutivo para interpretação dos dados conforme indicado por Merriam (1998) e Flick (2009). No entendimento de Flick (2009) a literatura pode ser utilizada para confirmação da descoberta ou mesmo refutada pelo advento das descobertas da pesquisa. Esse método ajuda a estabelecer uma forma de comparar os dados coletados. Também visa dar suporte ao pesquisador a compreender melhor o tema estudado, de forma a acentuar a sensibilidade do mesmo em relação às nuances sutis dos dados. O conhecimento teórico e filosófico existente pode ser fonte
  10. 10. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 23 inspiradora ao pesquisador para lhe fornecer uma orientação no campo e quanto ao material a ser utilizado. Destaca-se que não houve julgamento de mérito ou valor assim seguindo procedimentos indicados por Cauchick (2012). O primeiro passo foi buscar, junto as bases de dados: Scopus, Web of Science, Compendex e EBSCO, artigos, revisões e livros que trouxessem definições de capital intelectual. Como segundo passo, a adoção do método indutivo observando os modelos que representam o conceito de capital intelectual comparando-os um com os outros. O terceiro passo se consistiu em elaborar uma linha do tempo dos modelos encontrados, bem como destacar as influências de modelos anteriores, ou seja, referências nos publicados posteriormente. Finalmente o quarto e último passo deu-se com a elaboração de um relatório de análise dos modelos. 3. INDUÇÃO DOS MODELOS Cada um dos modelos encontrados foram observados, comparados afim de descobrir as relações existentes entre eles conforme indicado por Gil (1999). 3.1 Edvinson & Sullivan (1996) Definem capital intelectual como o conhecimento que pode ser transformado em valor. Dividiram-no em dois outros capitais: 1) humano e 2) estrutural, conforme pode ser observado na figura 1. O capital humano (1) é dividido em dois subcomponentes. O primeiro é chamado recursos humanos (1.1) e é definido como a capacidade de cada funcionário em solucionar os problemas dos clientes, o que inclui experiência, habilidades e conhecimentos. O segundo, denominado ativos intelectuais (1.2), é a fonte de conhecimento que pode ser comercializado pela empresa, como tecnologias, processos, programas de computadores e invenções. O capital estrutural (2) é considerado o que a empresa absorve de cada funcionário, mesmo quando o mesmo não está mais trabalhando na empresa, assim como a estrutura que permite que o funcionário tenha um bom rendimento no ambiente de trabalho.
  11. 11. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 24 Figura 1 - Capital Intelectual #1 . Fonte: Edvinson & Sullivan (1996). 3.2 Kaplan & Norton (1996: 2004) Os ativos intangíveis de uma empresa são a fonte definitiva de criação de valor sustentável. Podem ser classificados em três categorias: capital humano, capital da informação e capital organizacional, que devem estar integrados uns aos outros e não podem ser medidos de maneira separada e independente. O capital humano representa a capacidade dos empregados de executar os processos internos críticos para o sucesso da organização. Abrange competências estratégicas, tais como: talento, habilidades e conhecimentos necessários para executar as atividades requeridas. O capital da informação fornece infraestrutura vital e aplicações estratégicas de tecnologia da informação que contemplam o capital humano para a promoção de desempenho notável dos temas estratégicos. Finalmente, o capital organizacional é a capacidade da organização de mobilizar e sustentar o processo de mudança necessário para executar a estratégia. É dividido em cultura, liderança, trabalho em equipe e alinhamento. O modelo está indicado na figura 2. Figura 2 - Capital Intelectual #2 Fonte: Kaplan e Norton (1996; 2004)
  12. 12. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 25 3.3 Edivinson & Malone (1997) Este modelo teve como base modelo de Edvinson & Sullivan (1996), ampliando a dimensão de capital estrutural. O modelo trata o capital intelectual como a soma dos ativos imateriais. Divide-o em capital humano e estrutural. O capital humano é caracterizado pelas características individuais de cada funcionário: capacidade, criatividade, conhecimento, experiência individuais. O capital estrutural é a capacidade organizacional utilizada para transmitir e armazenar o capital intelectual. Dentro do capital estrutural, estão incluídos o capital de clientes, que trata do relacionamento da organização com os clientes, e o capital organizacional, que trata dos investimentos em instrumentos que agilizam o fluxo do conhecimento pela organização. O capital organizacional é subdivido em capital de processos, definido como sendo o conjunto de processos e programas direcionados aos empregados e; capital de inovação, sendo este a capacidade de inovar e renovar, colocando novos produtos no mercado. Conforme pode ser melhor visualizado na figura 3. Figura 3 - Capital Intelectual #3 Fonte: Edivinsson & Malone (1997). 3.4 Roos & Roos (1997) Estes autores, definem o capital intelectual como a soma dos recursos ocultos da empresa, sendo este de suma importância para que a empresa crie vantagens competitivas. Dividiram o capital Intelectual em três outros capitais: 1) humano, 2) relacional e do cliente e 3) organizacional.
  13. 13. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 26 O capital humano, por sua vez, é subdividido em motivacional, de habilidades, de tarefa e de conhecimento. O capital relacional e do cliente é subdividido em capital de relacionamento com cliente, de relacionamento com fornecedores, de relacionamento com canais de parceria e de relacionamento com investidores. O capital organizacional é separado em renovação de negócios e desenvolvimento de capital e capital de processos de negócios. Estes, por sua vez, também sofrem divisões. O primeiro é separado em especialização, processo de produção, novos conceitos, marketing e venda e novas formas de cooperação. Já o segundo, em fluxo de informação, fluxo de produtos e serviços, fluxo de caixa, formas de cooperação e processos estratégicos. As subdivisões podem ser melhores observadas na figura 4. Figura 4 – Capital Intelectual #4 Fonte: Roos & Roos (1997). 3.5 Wiig (1997) De acordo com Wiig (1997), o capital intelectual consiste nos ativos criados por meio de atividades intelectuais que vão desde a aquisição de conhecimentos até a criação de valiosos relacionamentos. E este é dividido em capital humano e estrutural, como pode ser observado na figura 5. O capital humano consiste na competência e capacidade de cada funcionário e o estrutural consiste no resultado das atividades intelectuais em dados e bases de conhecimento, documentos e etc. O capital estrutural é subdividido em capital do cliente, caracterizado pelo relacionamento da empresa com o cliente, e capital
  14. 14. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 27 organizacional, ativos de conhecimento agregado às áreas de processo e inovação. O capital organizacional é dividido em capital de inovação, que consiste em conhecimento explícito e ativos intelectuais difíceis de identificar tal como uma cultura positiva, e capital de processos, que consiste na criação de processos, tanto na estrutura organizacional, quanto nas práticas de gestão, sistemas, procedimentos. Finalmente, o capital de inovação é separado em propriedade intelectual (inovações, patentes, tecnologia) e bens imateriais (cultura, imagem da empresa). Figura 5 - Capital Intelectual #5 Fonte: Wiig (1997). 3.6 Stewart (1997) Este autor destaca que os talentos dos funcionários, a eficácia de seus sistemas gerenciais e o caráter de seus relacionamentos com os clientes constituem o capital intelectual, que é constituído pelo capital humano, estrutural e do cliente. O capital humano é a capacidade necessária para que os indivíduos ofereçam soluções aos clientes, sendo a fonte de inovação e renovação. O estrutural embala o capital humano e permite seu uso na a criação de valor entre a empresa. Já o capital do cliente é o valor dos relacionamentos de uma empresa com as pessoas com quem faz negócio. Sendo assim, o capital intelectual não é criado a partir de partes distintas de capital humano, estrutural e do cliente, mas do intercâmbio entre eles. Conforme representado na figura 6.
  15. 15. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 28 Figura 6 - Capital Intelectual #6 Fonte: Stewart (1997). 3.7 Sveiby (1997) Os ativos invisíveis constantes no balanço patrimonial de uma organização constituem o capital intelectual e podem ser classificados como: competência do funcionário, estrutura interna e estrutura externa. A competência do funcionário consiste em agir em diversas situações para criar ativos tangíveis e intangíveis. A estrutura interna é formada por patentes, conceitos, modelos e sistemas administrativos. A estrutura externa é formada tanto pelas relações com clientes e fornecedores quanto pelas marcas, reputação e imagem da empresa. Conforme pode ser visto na figura 7. Figura 7 - Capital Intelectual por #7 Fonte: Sveiby (1997).
  16. 16. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 29 3.8 Bontis (1999) Este autor considera que o capital intelectual é o estoque de conhecimento de uma empresa. É dividido em três subdomínios: capital relacional, estrutural e humano. O capital humano é definido como a união da herança genética, da educação, das experiências e das atitudes pessoais e profissionais em um nível individual, sendo fonte de inovação e renovação estratégica. O capital relacional representa a capacidade que uma empresa tem em se relacionar com seus clientes, fornecedores e o conhecimento de mercado, dos impactos governamentais ou industriais. O capital estrutural permite que o capital intelectual seja medido em um nível organizacional e tem como essência o conhecimento incorporado dentro das rotinas de organização. Vale ressaltar que, ao contrário da maioria dos autores, Bontis (1999) não inclui patentes e outras propriedades intelectuais no capital intelectual. Seu modelo pode ser visualizado na figura 8. Figura 8 - Capital Intelectual #8 Fonte: Bontis (1999) 3.9 Bontis et al. (1999) O capital intelectual é o conjunto de recursos intangíveis de uma organização. É dividido em capital humano e estrutural, conforme pode ser visto na figura 9. O capital humano combina os conhecimentos, habilidades e experiências do indivíduo que dão um diferencial à organização. São os recursos intangíveis embasados nos membros, que podem ser divididos em três recursos principais: competência, agilidade intelectual e organização. O capital estrutural é a empresa possui e adquire com cada funcionário - o conhecimento embasado nas rotinas da organização. É dividido em relacionamentos (fornecedores, clientes), organização
  17. 17. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 30 (estrutura, cultura, rotinas) e renovação e desenvolvimento, onde constam os projetos pro futuro. Figura 9 - Capital Intelectual #9 Fonte: Bontis et al (1999). 3.10 Francini (2002) O capital intelectual é o capital originário do conhecimento responsável pelo sucesso da empresa, formado por ativos não financeiros, ocultos e invisíveis. É resultado da soma do capital humano e do capital estrutural. Resultando na figura 10. O capital humano é consequência direta do somatório das especialidades e habilidades de seus empregados, e, portanto, não pertence à empresa. Engloba o conhecimento, a experiência, o poder de inovação e a habilidade de cada funcionário. Já o capital estrutural pertence à empresa, e é composto por todos os processos internos e externos que existem dentro da companhia e entre ela e seus parceiros, pelos relacionamentos com fornecedores, clientes e outros parceiros envolvidos. É então dividido em capital de processos, de relações e de inovação, que é uma consequência direta da cultura da empresa e sua capacidade de criar conhecimento. Figura 10 - Capital Intelectual #10 Fonte: Francini (2002).
  18. 18. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 31 3.11 Bueno (2002a; 2002b) Bueno se baseia no “Modelo Intelect”, apresentado no Euroforum em 1998, e define o capital intelectual como o conjunto de ativos de uma sociedade que geram valor para a empresa no futuro. Afirma que o capital intelectual é dividido em capital humano, estrutural e relacional. O humano refere-se ao conhecimento pertencente aos membros da empresa que são úteis para a mesma. O estrutural é entendido como o conjunto de conhecimentos estruturados, tratando dos sistemas de informação e comunicação, da tecnologia disponível, das patentes. Já o relacional refere-se ao conjunto de relações mantidas pela organização com os agentes a sua volta. Bueno (2002a), se restringe a falar apenas sobre capital relacional. É definido como o conjunto de relações que uma instituição mantem com os agentes ao seu redor. Tem como principais elementos intangíveis as relações da empresa com os clientes. As alianças estratégicas, as relações com os demais agentes externos e as análises dos competidores e provedores também são considerados pelo autor elementos importantes do capital relacional. Focando no capital humano, Bueno (2002b) afirma que o mesmo pode ser dividido em cinco elementos: tipo de pessoa, suas competências, sua motivação, a capacidade de aprender em equipe e a capacidade de integração de novas pessoas, que coletam os aspectos essenciais do que se entende por capital humano. Pode também ser avaliado por meio os seguintes indicadores: capacidade de trabalhar em equipe, capacidade de liderança, flexibilidade para se adaptar às mudanças e às novas tecnologias e, por fim, o nível de criatividade. Ambas as publicações deste autor descrevem o mesmo modelo, como pode ser visualizado na figura 11. Figura 11 - Capital Intelectual #11 Fonte: Bueno (2002a; 2002b)
  19. 19. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 32 3.12 Bueno et al. (2003) Dando continuação às pesquisas e ainda com base no “Modelo Intelect”, os autores fazem melhorias na classificação do capital intelectual e divide o capital estrutural em capital organizacional e capital tecnológico e o capital relacional em capital social e capital negócio. Dentro do capital estrutural, o capital organizacional é o conjunto de intangíveis que estruturam e desenvolvem a identidade e a atividade da organização. É composto de quatro elementos básicos: cultura, estrutura, aprendizagem organizacional e processos. Já o capital tecnológico se refere ao conjunto de intangíveis relacionados ao desenvolvimento das atividades e funções do sistema técnico da organização. Assim como o organizacional, pode ser dividido em quatro elementos básicos: esforço em investigação + desenvolvimento + inovação, dotação tecnológica, propriedade intelectual e industrial e resultados da inovação. Analisando as divisões do capital relacional, o capital negócio se refere ao valor adquirido com as relações mantidas com os principais agentes vinculados aos processos básicos. É composto de seis elementos básicos: relações com clientes, com provedores, com acionistas e com aliados. O capital social, por sua vez, refere- se ao valor obtido com as relações mantidas com os outros agentes sociais que atuam em sua volta, social e territorial, expresso em termos do nível de integração, compromisso, cooperação, coesão, conexão e responsabilidade social que se quer estabelecer com a sociedade. É composto pelos seguintes elementos básicos: relações sociais, corporativas, com as administrações públicas, com os meios de comunicação e imagem corporativa e com a defesa do meio ambiente. Conforme pode ser observado na figura 12. Figura 12 - Capital Intelectual #12 Fonte: Bueno et al (2003)
  20. 20. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 33 3.13 Castro & Muiña (2003) Para estes autores, o capital intelectual é constituído por um conjunto de recursos intangíveis, com diferentes implicações estratégicas e que possibilitam a criação de valor. Separam o capital intelectual em capital humano, organizacional, tecnológico e relacional. O capital humano inclui o conjunto de conhecimentos uteis possuídos pelos membros da empresa que aumentam o valor de sua contribuição para a organização. O capital relacional refere-se aos conhecimentos que se originam dos relacionamentos com clientes, fornecedores e até concorrentes. O capital tecnológico é definido como o volume de conhecimentos relativo ao modo como são desenvolvidas certas funções na empresa. Já o capital organizacional facilita a melhoria na transferência de conhecimento e traz como consequência um aumento da eficiência ao integrar de maneira adequada o conjunto de funções da empresa. A junção do capital tecnológico com o capital organizacional, resulta no que a maioria dos outros autores define como capital estrutural, onde estão incluídas todas as formas de conhecimento criadas e trabalhadas na empresa. Observado na figura 13. Figura 13 - Capital Intelectual #13 Fonte: Castro e Muiña (2003). 3.14 Marr et al. (2004) Marr et al. (2004) propõem o mapa de ativos de conhecimento, que é uma forma de virtualização do CI para chegar a um melhor entendimento (Figura 14). Além disso, ele permite que os gerentes classifiquem os ativos de conhecimento para ajudá-los a ganhar uma compreensão da estrutura e hierarquia dos mesmos. O mapa de ativos de conhecimento também pode ser usado como uma ferramenta para facilitar a
  21. 21. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 34 identificação dos ativos de conhecimento, que são críticos para a empresa. No entanto, ele só pode fornecer uma visão estática da base de ativos de conhecimento e não indica como esses ativos contribuem para a criação de valor. O modelo é composto por seis categorias: 1. Relações das partes interessadas: relações que uma empresa tem com os seus stakeholders. 2. Recursos Humanos: conhecimentos prestados pelos empregados, como habilidades, competências, comprometimento, motivação, lealdade, conselhos. 3. Infraestrutura física: ativos de infraestrutura, como o layout estrutural, tecnologias de informação e comunicação, bancos de dados e redes físicas. 4. Cultura: aspectos como cultura corporativa, valores organizacionais, comportamento em rede de colaboradores e filosofias de gestão. 5. Rotinas e Práticas: práticas internas, redes virtuais e rotinas. 6. A propriedade intelectual: ativos de conhecimento, como patentes, direitos autorais, segredos comerciais e processos cuja propriedade é concedida à empresa por lei. Figura 14 – Capital Intelectual #14 Fonte: Marr et al (2004). 3.15 Chen et al. (2004) Os autores apresentam um método para calcular o CI destacando, assim, o fato de que o mesmo não existe isoladamente. Segundo eles, o CI é classificado em quatro elementos: capital humano, estrutural, de inovação e de cliente (Figura 15). O
  22. 22. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 35 capital humano é a base do CI, sendo primordial para que suas funções sejam desempenhadas. Refere-se a conhecimento dos funcionários, habilidades, capacidades e atitudes. O capital estrutural lida com mecanismos e estruturas da empresa que podem ajudar os funcionários na busca por desempenho intelectual ideal, que resulta na realização do desempenho global de negócios. É sujeito ao capital humano, uma vez que o capital humano é um fator determinante da forma de organização. Segundo o autor, o capital estrutural precisa ser separado da inovação. Portanto, a inovação não está sujeito ao capital estrutural. Como uma questão de fato, ele é o elo fundamental da CI . Por um lado, o capital de inovação não vem à existência espontaneamente, porque sua origem e desenvolvimento são baseadas nos efeitos conjuntos do capital humano e capital estrutural. Consequentemente, a inovação é o resultado da combinação de excelentes colaboradores, regulação sensata, cultura e técnicas. Por outro lado, a inovação pode dar um impulso para o crescimento do capital do cliente, que atua como uma ponte e um catalisador para as atividades do CI e é o requisito principal e determinante na conversão de CI em valor de mercado e, consequentemente, no desempenho dos negócios. Figura 15 – Capital Intelectual #15 Fonte: Chen et al (2004). 3.16 Subramaniam & Youndt (2005) O estudo aponta o capital intelectual como a soma de todos os conhecimentos da empresa utilizados para garantir uma vantagem competitiva. Estes autores o subdividem em outros três capitais: humano, organizacional e social. O capital humano é resultado do conhecimento, habilidades e competências que pertencem e são utilizadas pelos indivíduos. O capital organizacional é o conhecimento institucionalizado e experiência codificada utilizava por meio de
  23. 23. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 36 patentes, manuais, estruturas, sistemas e bancos de dados. Já capital social é definido como o conhecimento embutido, disponível e utilizado por interações entre indivíduos e sua rede de inter-relações. Conforme indicado na figura 16. Figura 16 - Capital Intelectual #16 Fonte: Subramaniam & Youndt (2005) 3.17 Swart (2006) A principal contribuição do trabalho de Swart está na desarticulação das definições e medidas de CI e seus subcomponentes. Os subcomponentes mais importantes identificados foram o capital humano, social e estrutural, referido como capital organizacional e capital de cliente. O trabalho de Swart ilustra que cada subcomponente é assolado por confusão sobre limites, níveis de análise e função do subcomponentes. Como resultado de seu trabalho, ele propõe um framework de CI, que consiste em capital humano, capital social, capital estrutural, capital organizacional, capital de cliente e capital de rede. O capital humano (CH) refere-se a seleção de um indivíduo de uma ocupação ou emprego que maximiza o valor presente do CI, os benefícios económicos e psíquicos (satisfação) ao longo de sua vida. O surgimento de capital social (CS) no que diz respeito à explicação do desempenho da empresa se deve à aplicação da teoria econômica ao pensamento sociológico. O capital estrutural (CST) assemelha-se know-how organizacional, que é focada em conversão de CH em CI. Neste contexto CST é o elo crítico que permite CI a ser medido a nível organizacional. Capital Organizacional (CO) refere-se a processos e tecnologias que funcionam a nível organizacional. Cliente de capital (CC) é uma parte do capital social, que é orientada para os clientes. Por fim, o capital de rede (CN) é uma parte do capital social que lida com as relações com os parceiros , funcionários e conselho, a fim de agregar valor à empresa (Figura 17) .
  24. 24. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 37 Figura 17 CI Framework por Swart Fonte: Swart (2006) 3.18 Choong (2008) Choong examinou as características de itens que podem ser considerados em CI, a fim de fornecer um sistema de classificação CI formal que pode ser integrado num sistema de comunicação. O principal objetivo do autor foi propor um modelo de declaração formal, que pode ser usado para a análise de CI, proveniente de processo de produção da empresa (Figura 18). De acordo com Choong, CI pode ser dividido em capital humano, capital estrutural, capital de cliente e de capital de propriedade intelectual. Este trabalho foi baseado nos modelos clássicos do CI (por exemplo Bontis et al (1999);. Edvinson e Malone (1997); Lev (2001), Roos e Roos (1997), Stewart (1997) e Sveiby (1997), consequentemente, as definições utilizada para as dimensões são as mesmas que as clássicas. CH CI CS CSTCC CO CN
  25. 25. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 38 Figura 18 – Capital Intelectual #18 Fonte: Choong (2008). 3.19 Massingham (2008) Este autor, divide o capital intelectual em quatro outros capitais: humano, social, relacional e estrutural, figura 19. O capital humano é o conhecimento possuído pelos funcionários e é agregado aos níveis organizacionais em termos de sua experiência e competência. O capital social cria valores por meio de relacionamentos que oferecem a oportunidade de criar, compartilhar e combinar recursos. O capital estrutural engloba o capital humano e possibilita que a organização a utilize depois, aperfeiçoando indivíduos e a organização. O capital relacional é o conhecimento obtido por meio de relacionamentos entre organizações com as pessoas com que fazem negócios. Incorpora o capital humano opiniões e conhecimentos à perspectiva do funcionário. Figura 19 - Capital Intelectual #19 Fonte: Massingham (2008)
  26. 26. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 39 3.20 Rodrigues et al. (2009) De maneira geral, todos os recursos intangíveis e suas interconexões são considerados como capital intelectual, sendo então a combinação de todos os fatores sob controle, direta ou indiretamente, da empresa e que contribuem para a geração de valor. É composto por três elementos: capital humano, relacional e estrutural, figura 20. O capital humano refere-se às pessoas como fonte de riqueza das empresas. Abrange as capacidades individuais, os conhecimentos, as habilidades e as experiências, fontes de inovação e renovação estratégica. O capital relacional é definido como a capacidade que a empresa tem de transmitir e armazenar material intelectual. É o conhecimento inserido nas rotinas da empresa que podem apoiar os empregados na busca do desempenho intelectual. É o único elemento que pertence de fato à empresa. Por fim, o capital relacional trata das relações das pessoas com os clientes e fornecedores e o conhecimento que é adquirido com essas relações. Figura 20 - Capital Intelectual #20 Fonte: Rodrigues et al (2009). 3.21 Secundo et al. (2010) Capital intelectual é a combinação de recursos intangíveis que permitem que uma organização transforme seus recursos materiais, financeiros e humanos em um sistema capaz de gerar valor. É dividido em capital relacional, organizacional e humano. O capital humano é separado em atração e eficiência. Atração é a capacidade de uma organização em desenvolver e manter talentos por meio de uma estratégia
  27. 27. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 40 de alta qualidade. Eficiência é a relação entre o valor criado e os recursos humanos usados para essa finalidade. O capital organizacional é dividido em duas áreas. A codificação de conhecimento e inovação refere-se à performance da instituição em termos de publicações cientificas e pesquisas de projetos. Já o desenvolvimento de infraestrutura refere-se ao aumento do sistema de tecnologia da informação para ensinar, aprender e pesquisar. O capital relacional é também dividido em dois componentes. A rede de P&D é responsável pela transmissão dos resultados de educação e pesquisa ao meio externo e pelo monitoramento das relações criadas com autores externos, governamentais, industriais e outros centros de pesquisa. O segundo componente, o escopo internacional, inclui os aspectos voltados para avaliar até que ponto a instituição está aberta a mudanças com a comunidade científica e industrial internacional. Conforme pode ser melhor visualizado na figura 21. Figura 21 - Capital Intelectual #21 Fonte: Secundo et al (2010). 3.22 Malavski et al. (2010) Estes autores apontam que o capital intelectual é definido como a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil das ações de uma empresa. É dividido em capital humano, relacional e estrutural. O capital humano é representado pelo know-how, capacitações, habilidades e especializações técnicas dos recursos humanos de uma organização. O capital relacional é definido como a soma de todos os recursos associados à s relações externas da empresa: consumidores, fornecedores, parceiros e investidores. O capital estrutural é definido como o
  28. 28. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 41 conhecimento apropriado pela empresa. Engloba processos organizacionais, softwares, procedimentos, sistemas, cultura, banco de dados etc. Melhor visualizado na figura 22. Figura 22 - Capital Intelectual #22 Fonte: Malavski et al (2010). 3.23 Bueno et al. (2011) O capital intelectual é dividido em: capital estrutural, humano e relacional, utilizando a mesma estrutura divulgada em 2003, mas com a adição de um novo capital e de aceleradores. O capital humano faz referência ao conhecimento que as pessoas ou grupos possuem e à capacidade de aprender e compartilhar certos conhecimentos com outros membros da empresa. Dentro do capital humano, estão inseridos valores e atitudes; habilidades e capacidades. O capital estrutural é o conjunto de conhecimentos e ativos intangíveis que são propriedade da organização. É subdividido em capital organizacional e capital tecnológico. Por fim, o capital relacional trata do conhecimento que se incorpora à organização como consequência do valor derivado do número e da qualidade das relações com diferentes agentes de mercado e a sociedade em geral. É dividido em capital social e de negócio Após definir e classificar o capital intelectual, são adicionados alguns aceleradores, ainda indefinidos pelo autor, para dinamizar o capital intelectual. É
  29. 29. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 42 adicionado também um novo capital chamado de capital de empreendimento e inovação, que é composto pelos resultados de inovação, pelos esforços em inovação e pela atitude e capacidade de empreendimento da organização. Os autores indicam que precisam de novos estudos para aprimorá-lo, mas relacionam- no aos outros capitais por meio dos aceleradores. Figura 23 - Capital Intelectual #23 Fonte: Bueno et al (2011) Após a identificação dos modelos junto literatura e, descrição dos mesmos, este estudo analisou-os comparativamente. Conforme sessão a seguir. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO – ANÁLISE DOS MODELOS Ao utilizar o método de indução, durante a leitura e comparação dos modelos, este estudo sintetizou suas considerações de análise resultando na tabela 3. Ao analisar os modelos, este estudo se deparou com uma dúvida conceitual em relação ao capital relacional e capital social. Estes dois tipos de capital são sinônimos? Ou existe diferença entre eles? Com base nestas indagações, procurou- se junto a literatura uma base científica para alicercear e dar suporte a análise. Sendo assim, este trabalho entende que os conceitos de capital relacional e capital
  30. 30. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 43 social tem relação, mas não são os mesmos, apesar de muitas vezes serem confundidos por diversos autores. Como lente de análise utilizaremos os conceitos levantados por Still et al. (2013), que apontam que acadêmicos vêm usando o termo capital social ao invés de capital relacional pois em alguns casos o capital relacional vem sendo definido como a forma de capital social embutidas nas relações de negócios.
  31. 31. Figura 24- Linha do Tempo do Capital Intelectual Fonte: Autores, dados de pesquisa.
  32. 32. A figura 24, apresenta todos os modelos estudados em forma de linha do tempo, ajudando no entendimento das fontes de inspiração dos modelos, evolução de conceitos, descarte de conceitos prévios, dentre outros fatores, que foram levados em conta no momento de análise. Ao compreender melhor as dimensões do capital intelectual ao longo do tempo (figura 24), este estudo pôde desenvolver um melhor entendimento propondo a figura 25 como maneira de externalizar o conhecimento do que é o capital intelectual e suas dimensões. Entende-se que o capital intelectual é composto pelos seguintes constructos de segunda ordem: capital estrutural, capital humano, capital relacional e capital social. O capital estrutural é responsável por manter a organização funcionando composto de ativos tangíveis e intangíveis. Se estabelece por meio dos constructos de terceira ordem: capital de inovação, capital de processos, capital tecnológico e organizacional. O capital humano é responsável por conduzir os demais capitais e se estabelece pelos seguintes constructos de terceira ordem: motivação, relacionamento interpessoal e, conhecimentos, habilidades e atitudes. Por sua vez, o capital relacional é responsável pelas relações internas e externas a organização. As externas se referem ao relacionamento com seus clientes, fornecedores, parceiros comerciais. Tem base nos seguintes constructos de terceira ordem: capital de clientes e capital de negócios. O capital social também é responsável pelo relacionamento da empresa, mas é com a sociedade como um todo. Se estabelece pelos seguintes constructos de terceira ordem: ações sociais e interações sociais. Com intuito de acelerar o desenvolvimento e crescimento do capital intelectual este pode tomar bases no processo de gerar lições aprendidas, bem como na gestão do conhecimento, gestão de projetos, gestão de processos, gestão da inovação e, na gestão da tecnologia da informação e comunicação como meio de alavancar e suportar o capital intelectual a atingir novos patamares e excelência.
  33. 33. Figura 25- Modelo do capital intelectual por Ferenhof et al. Fonte: Autores.
  34. 34. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 47 Na próxima seção, as considerações finais a partir deste estudo são apresentadas. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo objetivou buscar junto a literatura definir o constructo capital intelectual, bem como suas dimensões. Ao analisar os dezenove modelos por meio da indução se identificou que o capital intelectual é importante para que as organizações existam. O capital intelectual é responsável por gerar ideias, transformar em produtos, sejam bens ou serviços, produzir e mantê-los, se relacionar com os clientes internos e externos, se relacionar com a sociedade como um todo, dentre outros fatores. Foi possível compreender melhor as dimensões do capital intelectual ao longo do tempo, o que resultou em um modelo conceitual proposto como uma maneira de externalizar o que é o capital intelectual e suas dimensões, considerando-se uma visão holística sobre o tema. Além disso, o uso de aceleradores é recomendado para o desenvolvimento e evolução do capital intelectual. Como pesquisas futuras este estudo indica que há necessidade de se compreender melhor a forma de como o capital intelectual agrega valor as organizações. Recomenda-se que estudos busquem maneiras de medir as dimensões apontadas. Bem como estudos que explorem mais a fundo estas dimensões e a relação com a performance da empresa. 6. REFERÊNCIAS BONTIS, N. Managing organisational knowledge by diagnosing intellectual capital: framing and advancing the state of the field. International Journal of technology management, v. 18, n. 5, p. 433-462, 1999. BONTIS, N. Assessing Knowledge Assets: A Review of the Models Used to Measure Intellectual Capital. v. International Journal of Management Reviews 3, n. p. 41-60, 2001. BONTIS, N., DRAGONETTI, N. C., JACOBSEN, K., ROOS, G. The knowledge toolbox:: A review of the tools available to measure and manage intangible resources. European management journal, v. 17, n. 4, p. 391-402, 1999. BONTIS, N.; FITZ-ENZ, J. Intellectual Capital Roi: A Causal Map of Human Capital Antecedents and Consequents. v. Journal of Intellectual Capital 3, n. p. 223-247, 2002.
  35. 35. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 48 BUENO, E., REAL, H. DEL., FERNÁNDEZ, P., LONGO, M., MERINO, C., MURCIA, C. and SALMADOR, M. .P., "Modelo Intellectus: Medición Y Gestión Del Capital Intelectual" Documentos Intellectus, 2011. BUENO, E., TAJEDOR, B., DE CASTRO, G. M., BARCELÓ, M., BUCETA, N., CASTILLO, DEL E., DÍAZ, J., PUEYO, A.; ROMERO, E., and SÁNCHEZ, B., "Modelo Intellectus: Identificación Y Medición Y del Capital Relacional", Documentos Intellectus, Vol. 2, p. 40, 2002a. BUENO, E. et al., "Modelo Intellectus: Medición Y Gestión del Capital Humano", Documentos Intellectus, Vol. 3, p. 55, 2002b . BUENO, E. et al., "Modelo Intellectus: Metodologia Para Elaboracíon de Indicadores de Capital Intelectual" Documentos Intellectus, Vol. 4, p. 92, 2003b. BUENO, E., ARRIEN, M. and RODRÍGUEZ, O., "Modelo Intellectus: Medición Y Gestión Del Capital Intelectual", Documentos Intellectus, Vol. 5, p. 175, 2003a. BUENO, E. et al. (2011), "Modelo Intellectus: Medición Y Gestión del Capital Intelectual" Documentos Intellectus, Vol. 9/10, p. 76. CAUCHICK, M. P. A. Metodologia De Pesquisa Em Engenharia De Produção E Gestão De Operações. Elsevier, 2012. CASTRO, G. M.; MUIÑA, F. E. G. Hacia una visión integradora del capital intelectual de las organizaciones: concepto y Componentes. Boletín económico de ICE, Información Comercial Española, n. 2756, p. 7-16, 2003. CHEN, J., ZHU, Z., XIE, H. Y., "Measuring intellectual capital: a new model and empirical study", Journal of Intellectual capital, Vol. 5 No. 1, pp. 195-212, 2004. CHOONG, K. K., "Intellectual capital: definitions, categorization and reporting models", Journal of intellectual capital, Vol. 9 No. 4, pp. 609-638, 2008. EDVINSSON, L. Some Perspectives on Intangibles and Intellectual Capital 2000. v. Journal of Intellectual capital 1, n. p. 12-16, 2000. EDVINSSON, L.; MALONE, M. S. Intellectual Capital: Realizing Your Company'S True Value By Finding Its Hidden Brainpower. v. n. p. 1997. EDVINSSON, L.; SULLIVAN, P. Developing a model for managing intellectual capital. European management journal, v. 14, n. 4, p. 356-364, 1996. FLICK, U. An Introduction to Qualitative Research. Sage, 2009. FRANCINI, W. S. A gestão do conhecimento: conectando estratégia e valor para a empresa. RAE-eletrônica, v. 1, n. 2, p. 1-16, 2002. GIL, A. C. Métodos E Técnicas De Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1999. KAPLAN, R.; NORTON, D. P. The Balanced Scorecard. Harvard Business School Press, 1996. MARR, B., SCHIUMA, G., NEELY, A., "Intellectual capital–defining key performance indicators for organizational knowledge assets", Business Process Management Journal, Vol. 10 No. 5, pp. 551-569, 2004.
  36. 36. Ferenhof, Bialecki, Durst e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 49 MALAVSKI, O. S.; DE LIMA, E. P.; DA COSTA, S. E. G. Modelo para a mensuração do capital intelectual: uma abordagem fundamentada em recursos. Produção, São Paulo, v. 20, n. 3, p. 439-454, 2010. MERRIAM, S. B. Qualitative Research and Case Study Applications in Education. Revised and Expanded From "Case Study Research in Education.". San Francisco: Jossey-Bass, 1998. RODRIGUES, H. M. da S. S.; DORREGO, P. F. F.; FERNÁNDEZ, C. M.; FERNÁNDEZ, J. La influencia del capital intelectual en la capacidad de inovación de las empresas del sector de automación de la eurorregión galicia norte de portugal. Vigo, 2009 ROOS, G.; ROOS, J. Measuring Your Company's Intellectual Performance. v. Long range planning 30, n. p. 413-426, 1997. SECUNDO, G., MARGHERITA, A., ELIA, G., PASSIANTE, G. Intangible assets in higher education and research: mission, performance or both?. Journal of Intellectual Capital, v. 11, n. 2, p. 140-157, 2010. STEWART, T.; RUCKDESCHEL, C. Intellectual Capital: The New Wealth of Organizations. v. Performance Improvement 37, n. p. 56-59, 1998. SWART, J., "Intellectual capital: disentangling an enigmatic concept", Journal of Intellectual Capital, Vol. 7 No. 2, pp. 136-159, 2006. STILL K; HUHTAMÄKI J; RUSSELL M. Relational Capital and Social Capital: One or two Fields of Research? In: 10th International Conference on Intellectual Capital, Knowledge Management & Organisational Learning ICICKM 2013, 2013, Washington, DC. Proceedings ICICKM 2013, 2013. SVEIBY, K. E. The Intangible Assets Monitor. v. Journal of Human Resource Costing & Accounting 2, n. p. 73-97, 1997. SUBRAMANIAM, M.; YOUNDT, M. A. The influence of intellectual capital on the types of innovative capabilities. Academy of Management Journal, v. 48, n. 3, p. 450-463, 2005. WIIG, K.M. Integrating intellectual capital and knowledge management. Long range planning, v. 30, n. 3, p. 399-405, 1997.
  37. 37. 2 O CAPITAL INTELECTUAL E VALORAÇÃO DOS ATIVOS DO CONHECIMENTO Juçara Salete Gubiani Aran Morales Paulo Mauricio Selig
  38. 38. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 53 1. CAPITAL INTELECTUAL O conhecimento é “mais valioso e poderoso do que os recursos naturais”. O que existe de comum entre as empresas bem-sucedidas é o “capital intelectual”. Formado pela soma do conhecimento de todos na empresa – é intangível – é o conhecimento da força do trabalho. “... constitui a matéria-prima intelectual... que pode ser utilizada para gerar riqueza” (STEWART, 1998, p. XIII). O capital intelectual tem sido debatido nas últimas décadas e continua em evidência na atualidade. A crescente importância está associada ao advento da economia do conhecimento, juntamente com o reconhecimento pela comunidade científica e empresarial, do impacto político do conhecimento no desempenho de indivíduos, empresas e países. Ainda no início do século XX, Joseph Schumpeter afirmou ser o conhecimento a variável que alavanca a economia e não necessariamente o capital. Para ele, sem o domínio do conhecimento e da tecnologia, não existe crescimento econômico (SCHUMPETER, 1985). O conhecimento, as experiências, a especialização e os diversos ativos intangíveis disponíveis formam o capital intelectual das empresas (KLEIN, 2002). Não somente a capacidade intelectual humana como também os produtos e marcas registradas, ativos contabilizados a custo histórico e que hoje possuem valor (EDVINSSON; MALONE, 1998). Todos os ativos – tangíveis e intangíveis – se originam no pessoal da organização (SVEIBY, 1998). É a força de trabalho que pode ser utilizada para gerar riqueza: o treinamento e a intuição de uma equipe, o know-how de trabalhadores que melhoram a eficácia da empresa, a tecnologia que favorece a comunicação, a cooperação, o aprendizado compartilhado interno e externo à empresa (STEWART, 1998). As várias definições de capital intelectual encontradas na literatura permitem concluir sobre três capitais: capital humano (individual e coletivo); capital estrutural/organizativo (infraestrutura física e tecnológica da organização) e capital relacional (clientes, fornecedores e a rede interna e externa (PETRASH, 1996; KAPLAN; NORTON, 1997; 2004; STEWART, 1998; EDVINSSON; MALONE, 1998; SVEIBY, 1998; BONTIS, 1999; BONTIS et al., 2000; IADE, 2003, ROOS; ROOS, 1997; GONZÁLEZ; SALLERO, 2010). Segundo Bontis et al. (1999), se dois recursos intangíveis requerem diferentes ações de gestão, então eles devem pertencer a categorias diferentes. Nesse entendimento, alguns autores criam subclassificações quando necessário. A falta de um consenso conceitual “reflete o estado embrionário da construção teórica do tema”. A sua importância para a economia exige o “desenvolvimento de estudos acadêmicos que tragam rigor a um assunto de relevância comprovada”. A autora salienta que a “solidez de um corpo teórico uniforme e o aceite pela academia será alcançada com a persistência dos investigadores, e com a continuação da pesquisa aplicada e da dedução teórica” (CURADO, 2006, p.26). O tema tem sido objeto de estudo, considerado por muitos autores, definido por alguns, e compreendido por poucos (SVEIBY, 1998; STEWART,
  39. 39. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 54 1998). Para Sveiby (1998), ele é formado pela interação entre três dimensões: competências, estrutura interna e estrutura externa. Próximo dessa visão, Stewart (1998, p. 70), afirma que o capital intelectual é encontrado nas pessoas, nas estruturas da organização e nos clientes. Ele “não é criado a partir de partes distintas do capital humano, estrutural e do cliente, mas do intercâmbio entre eles”. Para Stewart (1998), a distinção entre capital humano e capital estrutural é fundamental para a gerência do conhecimento. Segundo ele, o capital humano é a fonte para a inovação e a renovação. Lembra que indivíduos inteligentes não determinam a inteligência da empresa. Pessoas brilhantes estão nas universidades, entretanto, o brilho não é coletivo. Compartilhar e transmitir conhecimento exige ativos intelectuais estruturais (sistemas, laboratórios, inteligência competitiva e de mercado, etc.), capazes de transformar o know-how individual em propriedade de um grupo. Assim, ele define capital intelectual como “a capacidade organizacional que uma organização possui de suprir as exigências do mercado” (STEWART, 69). Uma quarta dimensão é apontada pela literatura: o capital social, este considera que o capital intelectual é gerado pela combinação e intercâmbio de conhecimentos das relações sociais da empresa (interações entre pessoas e infraestrutura: capital organizacional e capital de negócios). Dessas relações, juntamente com os demais capitais a vantagem competitiva é estabelecida (NAHAPIET; GHOSHAL, 1998; POMEDA et al., 2002). O entendimento atual é de que empresas intensivas em conhecimentos conseguem vantagens competitivas pela integração e aplicação do conhecimento no processo de produção. O conhecimento organizacional é um recurso para a criação de valor na empresa. Como tal, é fonte de vantagem competitiva e deriva da combinação de elementos físicos, humanos e organizativos únicos e insubstituíveis. O conhecimento organizacional é a base para a existência do capital intelectual que depende do estoque de conhecimento para poder criar valor (RODRIGUES et al., 2009). Para Edvinsson e Malone (1998), o capital intelectual está ancorado em três componentes básicos: capital humano, capital estrutural e capital de clientes. A Figura 1 mostra graficamente a formação do capital intelectual segundo a visão de alguns autores.
  40. 40. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 55 Figura 26 – A organização do conhecimento: capital intelectual Fonte: Elaborado com base nos autores relacionados O capital intelectual, considerado no passado como um fator subjetivo, que permeava as organizações, passa agora a ter valor contábil real na forma de conhecimento estocado, nas experiências aplicadas, na tecnologia organizacional disponível, no relacionamento com os consumidores e nas habilidades profissionais. Para Edvinsson e Malone (1998), o capital intelectual, como medida do conhecimento, precisa da intervenção do capital humano que influencia com as características atitude, conhecimento e a agilidade sobre o capital estrutural (parte que não pensa). Com base na literatura, é possível concluir que o capital intelectual compõe-se de uma parte que pensa (capital humano) e outra que não pensa (capital estrutural). A Figura 2 mostra graficamente a arquitetura (GONZÁLEZ; SALLERO, 2010). Para Castro e Muiña (2003), o capital intelectual é composto por um conjunto de recursos intangíveis e capacidades com diferentes implicações estratégicas. Assim, para compreender o efeito de cada um dos seus componentes é necessário identificar, caracterizar e agrupar de acordo com critérios de cada um.
  41. 41. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 56 Figura 27 – O desenvolvimento do conhecimento: capital intelectual Fonte: Adaptado de González e Sallero (2010) A questão é: como avaliar o intangível: o capital intelectual das organizações? Para analisar e necessário “medir”, e para medir o conhecimento é necessário identificar as variáveis que o compõem e assim, pela aplicação de alguma técnica, é possível explicar o conhecimento. 1.1 Mensuração dos componentes do capital intelectual Autores que estudam a valoração do conhecimento concluem que o capital intelectual consiste na criação e uso do conhecimento e estudam as relações entre o conhecimento e a criação de valor dentro da empresa. Para sua análise é necessário medir o capital intelectual. Para medir é necessário identificar o que será medido. As organizações possuem materiais intelectuais (recursos tangíveis e intangíveis: perspectivas e capacidades tácitas e explícitas, dados, informações, conhecimento e talvez sabedoria). Como encontrar e onde procurar? Para Stewart (1998), a resposta está em um ou mais desses lugares: pessoas, estruturas e clientes. Para Davenport e Prusak (1998), “o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo, que cresce e se modifica na medida em que interage com o meio ambiente”. Os
  42. 42. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 57 valores e as crenças integram o conhecimento determinando, em grande parte, o que o conhecedor vê, absorve e conclui com base nas suas observações. Segundo Kaplan e Norton (1997), a gestão dos ativos intangíveis permite à empresa a fidelização de clientes, a inovação orientada ao mercado e pelo mercado, a produção de bens e serviços com qualidade, a mobilização das habilidades e a motivação dos funcionários. Aliado ao uso de ferramental tecnológico como suporte para criação de ideias, a empresa estabelece a melhoria contínua. O Quadro 1 mostra a classificação de autores. Autores Classificações Petrash (1996) Capital humano Capital organizacional Capital cliente Kaplan e Norton (1997, 2004) Capital humano Capital informacional Capital organizacional Sveiby (1998) Competência dos empregados Estrutura interna Estrutura externa Roos e Roos (1997) Capital humano Capital organizacional Capital de cliente e de relacionamentos Stewart (1998) Capital humano Capital estrutural Capital cliente Edvinsson e Malone (1998) Capital humano Capital estrutural (organizacional, de inovação e de processos) Capital cliente Bontis et al. (2000) Capital humano Capital estrutural Capital Cliente Llauger (2001) Capital humano Capital organizacional (processos, tecnologia e os conteúdos) González e Sallero (2010) Capital humano Capital estrutural (capital organizativo, capital tecnológico e capital relacional) Quadro 1 – Classificação do capital intelectual Fonte: Organizado com base nos autores Edvinsson e Malone (1998) consideram o capital intelectual como uma forma de medir, visualizar e apresentar o valor real de seus negócios no Século XXI. A capacidade da empresa de transformar conhecimento e ativos intangíveis em riqueza criando recursos (EDVINSSON; MALONE, 1998). Sua gestão é o processo para extrair valor do conhecimento (RODRIGUES et al., 2009).
  43. 43. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 58 1.1.1 Capital humano O capital humano cresce de duas formas: quando a empresa utiliza o que as pessoas sabem e quando um número maior de pessoas sabe mais coisas úteis para a organização (SEWART, 1998, p.78). A parte “que pensa” – o capital humano – trata aspectos relacionados à pessoa. São as competências e habilidades acumuladas, capacidades individuais e dos grupos, as experiências e os conhecimentos pessoais na organização, a educação, a agilidade intelectual, a capacidade criativa de inovação, os valores e a motivação/atitudes. São as medidas que facilitam a análise do conhecimento – tanto tácito quanto explicito – encontrado nos profissionais da empresa. Ele se modifica e se adapta às necessidades da empresa. Por natureza, em virtude da capacidade de aprendizado das pessoas, esse conhecimento não é estático. O Quadro 2 mostra medidas consideradas na avaliação do capital humano na visão de autores. O que considera para avaliação Autores O conhecimento humano da empresa: Competências e Conhecimentos. Capacidade das pessoas e do grupo. Talento e Know-How. Atitude – conduta – motivação – valores – aptidões. As práticas – a ética das pessoas. Agilidade intelectual, destrezas e experiências dos empregados e diretores. Capacidade criativa e inovação. Satisfação e lealdade. LLAUGER, 2001; NONAKA; TAKEUCHI, 1997, RODRIGUES; DORREGO; JARDÓM-FERNÁNDEZ, 2009, GONZÁLEZ; SALLERO, 2010, BONTIS; FITZ-ENZ, 2002; EDMONSON, 1999; EDVINSSON; MALONE, 1998; IADE, 2003; KAPLAN; NORTON, 1997; 2004; BONTIS, 2001; STEWART, 1998; SVEIBY, 1998; ROOS; ROOS, 1997; CURADO, 2006; MOURITSEN et al., 2001; OSTERLOH; FREY, 2000; RAVICHANDRAN, 2000; SUBRAMANIAM; YOUNDT, 2005; YOUNDT et al., 2004; BONTIS et al., 2000; GUBIANI 2011. Quadro 2 – Capital humano Fonte: Organizado com base nos autores Ao considerar as competências individuais, reúne-se também a sabedoria da experiência, o saber fazer individual e a acumulação da prática profissional. Para (GONZÁLEZ; SALLERO, 2010), as variáveis para a análise são consideradas pelo conhecimento que os indivíduos possuem, e o cálculo é analisado sobre três critérios: competência, satisfação pessoal e agilidade intelectual.
  44. 44. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 59 1.1.2 Capital estrutural O capital estrutural serve a dois propósitos: acumular estoques de conhecimento que sustentam o trabalho que os clientes valorizam e acelerar o fluxo de informação dentro da empresa (STEWART, 1998, p.146). A parte “que não pensa” – capital estrutural – trata dos aspectos internos da organização (GONZÁLEZ; SALLERO, 2010). Para Saint-Onge (1996), o capital humano constroi o capital estrutural e ainda segundo o autor, quanto melhor for o capital estrutural, melhores são as perspectivas do capital humano, ser melhor. O capital estrutural são todos os ativos intangíveis capturados pela estrutura organizacional e responsáveis pelo desenvolvimento das atividades da empresa tais como conhecimento, habilidades, experiências, informações institucionalizada e codificada. São também os procedimentos e protocolos, rotinas, a tecnologia, a estrutura, as estratégias, os processos de trabalho, as técnicas e programas, canais de comunicação, os filtros de informação, estratégias de resolução de problemas entre os grupos, os sistemas de controle, sistema técnico de operações, cultura empresarial e valores culturais, a capacidade para renovação e o desempenho para inovação – direitos comerciais, propriedade intelectual – direito comerciais protegidos, propriedade intelectual (BONTIS, 1999; EDVINSSON; MALONE, 1998; IADE, 2003; STEWART, 1998; YOUNDT et al., 2004). O Quadro 3 detalha itens de avaliação do capital estrutural conforme autores. O que considera para avaliação Autores Habilidades – Experiências – Conhecimentos da empresa. Informações institucionalizadas e codificadas (bases de dados, patentes, manuais, rotinas, fluxogramas, propriedade intelectual). Protocolos e procedimentos da organização. Cultura e valores empresariais. Ambiente – estrutura da empresa tanto física quanto tecnológica. Estratégicas para a criação de conhecimento voltado para a inovação BONTIS, 1999; EDVINSSON; MALONE, 1998; IADE., 2003; STEWART, 1998; LLAUGER 2001; 2003; ROOS; ROOS, 1997; YOUNDT et al., 2004; RODRIGUES; DORREGO; FERNÁNDEZ, 2009; CURADO, 2006; SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996; WAN et al., 2005; DAVILA et al., 2007; GUBIANI 2011. Quadro 3 – Capital estrutural Fonte: Organizado com base nos autores Alguns autores classificam o capital estrutural em mais dimensões. Para González e Sallero (2010), o capital estrutural divide-se em: capital organizacional, capital relacional e capital tecnológico. Para Roos e Roos (1997), o capital estrutural é o único capital que é de propriedade da empresa. Para o cálculo é analisado sobre dois componentes: capital de processo e capital de desenvolvimento de negócios.
  45. 45. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 60 Para Edvinsson e Malone (1998) o capital estrutural pode ser dividido em três dimensões: “capital organizacional” é uma medida de que permite integrar as funções da empresa, facilitando a transferência do conhecimento e sua eficácia por meio das ferramentas e filosofia da empresa. É o conhecimento da firma incorporado pela aprendizagem, captura tudo aquilo que ocorre na empresa. São os dados tramitados pelas rotinas do dia a dia da empresa. O “capital de inovação” é a capacidade de renovação e os resultados da inovação (direitos protegidos, propriedade intelectual) e o “capital de processos” que são as técnicas e programas que a empresa adota para melhorar sua eficácia. Bontis (1999) separa capital estrutural em componente tecnológico e arquitetura de competências. O modelo de (IADE., 2003) divide capital estrutural em capital organizativo e capital tecnológico. Para Llauger (2001), o “capital tecnológico” é a medida de capital intelectual que se calcula combinando capital organizativo e o capital relacional. Fundamenta-se na teoria das capacidades dinâmicas e na teoria de criação do conhecimento com objetivo de inovar e gerar tecnologia. No capital tecnológico, é possível distinguir dois componentes básicos: a) estoque de tecnologia – volume de conhecimentos que se desenvolve por determinados grupos de trabalho, sendo funções prioritárias da empresa o know-how para inovar de forma contínua, irreversível e acumulativa; b) fluxo ou inovação tecnológica – processo de acumulação de conhecimentos e capacidades tecnológicas, que permite a empresa competir melhor e aperfeiçoar o processo de criação de valor. 1.1.3 Capital relacional Se os fatores intangíveis nos relacionamentos com os clientes não fossem verdadeiramente valiosos eles continuariam sem recompensa, pois o mercado não deixa uma empresa aumentar seu preço se não o tiver merecido – pelo menos não por muito tempo (STEWART, 1998, p.140). O capital relacional é uma medida que diz respeito ao conjunto de ativos, normalmente de caráter intangível, que são resultado da interação da empresa com o seu meio (conhecimento incluído nas relações da organização, a inteligência competitiva e social). As empresas, na sua maioria, estão organizadas conforme as recompensas e punições oferecidas pelo modelo tradicional de contabilidade financeira, algumas irão adotar modelos novos que consideram os ativos intangíveis e darão um salto na sua valoração. Entretanto, outras resistirão porque ao considerar uma nova sistemática contábil, as” fraquezas ocultas em suas operações que permaneciam mascaradas pelos bons resultados demostrados no balanço patrimonial”, tendem a ser reveladas e a valoração da empresa no mercado tende a ser comprometida (EDVINSSON; MALONE, 1998, p.34).
  46. 46. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 61 É o capital próprio da empresa que integra todas as formas de conhecimento criadas e difundidas nela, assim como os conhecimentos exteriores à empresa, que implicam na necessidade de relacionar-se com o exterior, desenvolvendo capacidades dinâmicas que permitam assimilar conhecimentos externos (clientes, fornecedores, alianças, acionistas, parceiros externos ou sociais, associações não governamentais, associações industriais, stakeholders e demais grupos de interesse). O Quadro 4 detalha o que é considerado na avaliação do capital relacional – relações internas e externas. O que considera para avaliação Autores Clientes – Fornecedores – Acionistas Parceiros – Alianças – convênios Agentes externos – Sociedade – Governo – Indústria Stakeholders e demais grupos de interesse KAPLAN; NORTON, 2004; 1997; BONTIS, 1998; 1999; EDVINSSON; SULLIVAN, 1996; EDVINSSON; MALONE, 1998; IADE, 2003; STEWART, 1998; SVEIBY, 1998; SVEIBY; SIMONS, 2002; YOUNDT et al., 2004; LLAUGER 2001; HII; NEELY, 2000; DAVILA et al., 2007; IADE., 2003; GUBIANI 2011. Quadro 4 – Capital relacional Fonte: Organizado com base nos autores 1.2 Relação entre os componentes do capital intelectual O capital humano constrói e alimenta o capital estrutural, é o elemento- chave em todas as interações sociais (NAHAPIET; GHOSHAL, 1998; 2002). Para Edvinsson e Malone (1997), o capital humano é a base do capital estrutural – a infraestrutura – e esta, por sua vez incorpora, capacita e apóia o capital humano. O capital intelectual não é criado com base em partes distintas de capital humano, capital estrutura e capital de cliente, mas do intercâmbio entre eles. “... de nada adianta ter alguém muito sábio isolado em uma sala” (STEWART, 1998). O conhecimento dos indivíduos terá maior valor econômico, se usado e incorporado na empresa, ou seja, o capital individual é transformado em conhecimento organizacional para ser disseminado na empresa. O capital humano é o cerne da empresa, o agente capaz de assimilar, processar e disseminar conhecimento. Dada a sua capacidade intrínseca para retardar ou alavancar o processo de aprendizagem ou disseminação do conhecimento, a empresa deve encontrar formas de reter o conhecimento, transformando o capital humano em capital estrutural, em capital de propriedade da empresa.
  47. 47. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 62 Somente ter pessoas treinadas não garante o sucesso do uso de seus conhecimentos. O ambiente deve fornecer condições que estimulam a difusão do conhecimento, retendo o conhecimento individual, mantendo e transformando o capital humano em capital estrutural. Em outras palavras, o conhecimento individual (capital humano), transforma-se em conhecimento global da empresa e é materializado sob a forma de documentos, rotinas, cultura, entre outros (RODRIGUES et al., 2009). O capital humano e o capital estrutural estão intrinsecamente interligados e dependentes. Essa relação entre capital humano e capital estrutural foi testada no Canadá (BONTIS, 1998), Malásia (BONTIS et al., 2000.), Portugal (CURADO, 2006) e na Espanha e Portugal (RODRIGUES et al., 2009). Uma vez que o capital relacional é baseado no relacionamento com pessoas de fora da empresa, este é mais individual do que organizacional. Assim, alguns autores acreditam que não é possível considerar o capital relacional sem prever a influência do capital humano (RODRIGUES et al., 2009). 1.3 Capital intelectual e a inovação A relação entre o capital intelectual e a inovação tem sido objeto de estudo na abordagem da firma e, especialmente a inovação, na economia centrada no conhecimento, é um elemento-chave da competitividade e deve estar voltada para o mercado. Em geral, ela está relacionada com a tecnologia, uma tarefa facilitada nas grandes empresas pela capacidade de investimento e conhecimento acumulado (tangível e intangível). O processo de inovação deve ser capaz de entender as necessidades dos usuários – conectado com o cliente – otimizando informações necessárias para desenvolver novos produtos e combinações de (RODRIGUES et al., 2009). Estudos mostram que o capital intelectual, ou a utilização eficiente dos recursos intangíveis do conhecimento estão intimamente ligados à capacidade inovadora das empresas. Entretanto, a literatura aponta poucos estudos que analisem a influência dos elementos do capital intelectual e a relação entre eles na capacidade inovativa das empresas (RODRIGUES et al., 2009). Em geral, o capital intelectual é visto como o input para a inovação (capacidade de transformar conhecimento e ativos intangíveis na criação de riqueza). Assim, a inovação é tida como o resultado da aplicação do capital intelectual e o processo de inovação como um processo de gestão do conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997; NAHAPIET; GHOSHAL, 1998, 2002; AHUJA, 2000; SUBRAMANIAM; YOUNDT, 2005). O resultado inovador – a inovação – relaciona-se com o capital intelectual e a eficácia da gestão do conhecimento relaciona-se com a melhora do grau de inovação das empresas, com a capacidade de resposta, a geração de economia de escala e o melhoramento da produtividade e competitividade (GONZÁLEZ; SALLERO, 2010). Aliar essa vantagem competitiva com a
  48. 48. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 63 estrategia de negócios, conduz a empresa a um inclemento de valor com base no capital intelectual (LLAUGER, 2001). A inovação é essencialmente a combinação de sistemas e recursos. Quando a estratégia da empresa é a inovação (resultado inovador), ela deve buscar recursos – capacidades – que permitam obter vantagem competitiva de forma a potencializar a capacidade inovativa, que, por sua vez, é influenciada pelo capital intelectual da empresa (HII; NEELY, 2000). 1.3.1 Capacidade Inovativa A capacidade de inovar de uma empresa é considerada como um recurso estratégico, e o conhecimento é o fator determinante da inovação e da competitividade. Para Nonaka e Takeuchi (1997), a capacidade inovativa da empresa relaciona-se diretamente com a cultura empreendedora, com os recursos, com a competência e a rede de relacionamentos. O conceito de capacidade inovativa foi criado para explicar as diferenças no desempenho inovador das empresas. A empresa é dotada de um conjunto de recursos em virtude da história, mas para inovar, deve gerenciar corretamente a cultura da empresa, desenvolver os recursos e capacidades constantemente e estabelecer laços com o ambiente externo para novas ideias. Hii e Neely (2000), ao realizarem estudos comparativos de inovação entre empresas, concluem que a capacidade inovativa é o potencial interno capaz de: identificar novas oportunidades de mercado, gerar novas ideias e implementar inovações comercializáveis pelo aproveitamento dos recursos e capacidades existentes. A capacidade de inovação das empresas depende de muitos fatores e políticas apropriadas: esforço para criação de produtos, melhorias no processo de produção, habilidade em aprender, mão-de-obra e ambiente em que elas operam. Os sistemas de ensino são os responsáveis pela capacitação dos trabalhadores para responder às novas demandas do mercado: geração e difusão conhecimento e tecnologia (PAPACONSTANTINOU, 1997). A capacidade de inovação também pressupõe assumir riscos e aceitar ideias não convencionais, permitir que a intuição e a criatividade das pessoas possam ser exploradas e até mesmo aceitar que mesmo diante do fracasso, é possível aprender (RODRIGUES et al., 2009). A teoria das capacidades dinâmicas da firma proposta por Teece, Pisano e Shuen (1997) define que a capacidade da firma é sua habilidade (dinâmica) em recriar competências, a fim de responder às mudanças do ambiente. Consideram que a experiência e a aprendizagem podem ser fontes de vantagens competitivas. Entretanto, também é necessário um ambiente propício à criatividade para geração de soluções inovadoras. O resultado é traduzido em produtos intensivos em conhecimento, relacionados aos demais produtos.
  49. 49. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 64 O capital intelectual depende de um conjunto de componentes e fatores que, juntos, criam um ambiente propício para adotar ou criar uma inovação. Entre eles estão os esforços para criar novos produtos e melhorar os processos de produção existentes. É a capacidade do trabalho especializado da empresa e sua capacidade de aprender. Hii e Neey (2000), com base na literatura que aborda capital intelectual, definem os recursos da capacidade inovativa como recursos físicos, recursos humanos, recursos organizacionais e incluem novas ideias como uma quarta categoria. O portfólio de recursos e capacidades determina os produtos e serviços oferecidos por uma empresa. O conceito de capacidade inovativa analisa o desempenho de empresas e possibilita a comparação entre elas. A inovação, portanto, está na essência de diferentes combinações de recursos existentes dento e fora das organizações. A capacidade para implementar inovações é uma função dos recursos dotados e do conjunto de capacidades disponíveis. A capacidade interna de gerentes de alavancar recursos é um pré-requisito para a criação de novos negócios e inovações. O Quadro 5 detalha o que é considerado ao avaliar a capacidade de inovação. O que considera para avaliação Autores Inovação de produto e serviço. Inovação de processos. Inovação de gestão organizacional. Inovação social. Inovação de marketing. HII; NEELY, 2000; IADE., 2003; MOLINA-PALMA, 2004; NAHAPIET; GHOSHAL, 1998; SUBRAMANIAN, 1996; SUBRAMANIAM; YOUNDT, 2005, GUBIANI 2011. Quadro 5 – Capacidade inovativa Fonte: Organizado com base nos autores A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), sugere que a tarefa da administração é constantemente desenvolver capacidades dentro da empresa e a verificação junto ao mercado no sentido de identificar oportunidades de negócios combinando estratégias inovadoras ou tecnológicas. É a gestão da empresa atenta aos movimentos do mercado (OECD/OSLO1992; 1997; 2005). 1.4 Resultado inovador da aplicação do conhecimento na produção O resultado inovador é analisado pela performance organizacional da empresa. Qual a medida? Nesse sentido, um problema é considerado pela maioria dos autores: nenhuma medida é capaz, de forma completa, avaliar o quanto a empresa efetivamente inovou. Os novos produtos, serviços, processos e as melhorias incorporadas nos produtos, bem como os processos
  50. 50. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 65 e métodos de gestão existentes (inovação de gestão organizacional) são considerados como resultado inovador da empresa. Esses são os parâmetros usados pela maioria dos autores que estudam o resultado inovador da firma (IADE, 2003; HII; NEELY, 2000). O resultado inovador é o produto final, o qual pode ser o resultado da adoção ou da criação interna de algo novo para a empresa sob a forma de inovação de produto, serviço, processo ou gestão. É comum considerar que a organização inovadora é aquela que gera a inovação ou criação de novos produtos, processos e métodos de gestão, ou está adotando inovações de produtos, processos e sistemas de gestão (SUBRAMANIAN, 1996). Para a OCDE, dados de patentes, tanto as solicitações quanto às concessões, funcionam como um resultado intermediário da atividade de inovação e também fornecem informações sobre a capacidade inovadora da empresa. As patentes servem para proteger o conhecimento que resultou da P&D. Os acordos confidenciais entre as empresas e outras organizações são também formulados para proteger o trabalho da P&D, enquanto permite que a empresa interaja com outras organizações durante o desenvolvimento do trabalho. Um assunto particularmente interessante para países em desenvolvimento é “empresa potencialmente inovadora” X “empresa inovadora”. As empresas ativamente inovadoras são aquelas “que tiveram atividades de inovação durante o período de análise, incluindo-se as atividades em curso ou abandonadas”. As empresas potencialmente inovadoras são um subconjunto destas, as que realizaram esforços de inovação (isto é, conduziram atividades de inovação), mas não atingiram resultados (inovações) durante o período de análise. Para permitir a comparabilidade com os resultados de pesquisas sobre inovação baseados na segunda edição do Manual de OSLO, todas as atividades de inovação exceto a P&D são divididas entre inovações de produto e de processo, de um lado, e de marketing e organizacionais, de outro (OSLO, 2005). O resultado inovador é visto pela análise da implementação de inovações de produto, processo ou gestão organizacional. O Quadro 6 detalha o que é considerado na análise do resultado inovador. O que considera para avaliação Autores Atividades de adoção de inovações Atividade de criação de inovações Tipos de inovações adotadas Tipos de inovação criada AHUJA, 2000; WAN et al. 2005; PAPACONSTANTINOU – OECD, 1997; RAVICHANDRAN, 2000; HII; NEELY, 2000; IADE., 2003; MOLINA-PALMA, 2004; GUBIANI (2011) Quadro 6 – Resultado inovador Fonte: Organizado com base nos autores
  51. 51. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 66 1.5 Modelos de mensuração A avaliação, identificação e o estudo do conhecimento constituem uma tarefa importante e de difícil implementação dentro das empresas. O capital intelectual é considerado pela literatura como a medida mais exata do conhecimento pelo fato dele ser estudado pela criação e uso do conhecimento, bem como pela relação entre o conhecimento e a criação de valor na empresa. Para usar o capital intelectual como medida de conhecimento, é necessário estabelecer as variáveis que o compõem (Quadro 7) (KAPLAN; NORTON, 1997; 2004; GONZÁLEZ; SALLERO, 2010). Autores, ferramentas e metodologias Fundamentação e estrutura de análise Kaplan e Norton (1997) (Balanced Scorecard – BSC) Analisar fenômenos envolvidos no desenvolvimento organizacional. Indicador intangível: os clientes, os processos internos e de aprendizagem e o crescimento da empresa. Indicador financeiro: razão em o valor de mercado e o patrimônio contábil. Sveiby (1998) (Monitorar de ativos intangíveis – Swedish Comunity of Practice) Indicadores relevantes para a empresa. A interpretação é base para criar e desenvolver uma empresa do conhecimento. Indicador interno: competência dos empregados (valor empregado por profissionais), estrutura interna, e estrutura externa. Stewart (1998) (Navegador do capital intelectual) O capital intelectual cria riqueza e deve analisar o desempenho da empresa nas perspectivas do capital humano, capital estrutural e capital de clientes. Edvinsson e Malone (1998) (Sistema Navigator do grupo Skandia) Mensuração do capital intelectual por intermédio dos elementos: Capital humano e o Capital estrutural (capital de clientes + capital organizativo (capital de inovação e capital de processos)). Perspectiva do cliente: índices de satisfação do cliente. Novas dimensões de gestão. Gestão do capital intelectual, impacto na geração de valor econômico agregado. Llauger (2001) (PricewaterhouseCooper) Criação de valor pelo capital intelectual formado por todos os ativos intangíveis e que são estratégios para o negócio. Capital humano e capital organizacional
  52. 52. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 67 (processos, tecnologia e os conteúdos) Rodrigues et al. (2009) Influência do capital intelectual na capacidade inovativa e no resultado inovador. González e Sallero (2010) (Aquicultura da Espanha) Propõe um modelo de conhecimento com base nos recursos intangíveis da empresa. Capital humano e capital estrutural (organização, tecnologia e relacionamentos) Quadro 7 – Sistemas de medição do capital intelectual Fonte: Organizado com base nos autores A relevância de identificar e mensurar os elementos intangíveis das organizações no atual modelo econômico, centrado nos recursos intangíveis, é confirmada nas afirmações de Kaplan e Norton (1997) ao definem o termo: não é possível gerir o que não pode ser medido e, em Roos e Roos (1997) quando afirmam que o resultado da mensuração do capital intelectual, muitas vezes, informa mais sobre a capacidade de ganhos futuros da empresa do que outras medidas convencionais de desempenho. 1.6 Considerações finais No atual contexto, a relevância dos ativos intangíveis em relação aos ativos tangíveis é consenso. Entretanto, as organizações ainda não têm ferramentas capazes de contabilizar e valorar os ativos intangíveis. Em tese, as empresas que fazem a gestão do conhecimento, estão atentas ao capital intelectual, às competências organizacionais disponível na organização. Segundo Drucker (2002), uma economia centrada no conhecimento, a acumulação de capital, as riquezas e o emprego são frutos da habilidade da economia em gerar, armazenar, recuperar, processar e transmitir informações potencialmente aplicáveis a todas as atividades humanas. A criação do conhecimento e estoque do conhecimento está relacionada à capacidade organizacional, com a atitude e postura individual e empresarial. Não é pontual e, sim, um processo contínuo que relaciona comprometimento, competências pessoais internas e externas. As empresas que fazem a gestão do conhecimento agregam valores aos bens e serviços diferenciando-se dos seus concorrentes. Registrar o valor real de uma organização é o desafio atribuído ao novo modelo contábil, que passe a considerar o capital intelectual. Para conseguir isso, o relatório de capital intelectual deve ser um documento com vida, dinâmico e humano. 1.7 Referências AHUJA, G. Collaboration networks, structural holes, and innovation: A longitudinal study, Administrative Science Quarterly, vol. 45, No 3, pp. 425-455, 2000. BERGLUND, D.; CLARKE, M. Using research and development to grow
  53. 53. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 68 state economies. Washington, DC: National Governors’ Association, 2000. BONTIS, N.; DRAGONETTI, N. C.; JACOBSEN, K.; ROOS, G. The Knowledge Toolbox:A Review of the Tools Available to Measure and Manage Intangible Resources, Intellectual Capital Services, London, 1999. BONTIS, N.; KEOW, W. C. C.; RICHARDSON, S. Intellectual Capital and business performance in Malaysian industries, Journal of Intellectual Capital, vol. 1, No 1, pp. 85-100, 2000. BONTIS, N.; FITZ-ENZ, J. Intellectual Capital ROI: A casual map of Human Capital antecedents and consequents, Journal of Intellectual Capital, vol. 3, No 3, pp. 223-247, 2002. CASTRO, G. M.; MUIÑA, F. E. G. Hacia una visión integradora del capital intelectual de las organizaciones. Concepto y componentes, BOLETIN ECONOMICO DE ICE No 2756, 2003. CHOO, C. W. A Organização do Conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. 2a ed., São Paulo: Senac, 2006. CUNHA, N. C. V. As práticas gerenciais e suas contribuições para a capacidade de inovação em empresas inovadoras, Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 2005. CURADO, C. M. M. O efeito mediador das estratégias de gestão do conhecimento entre componentes do Capital Intelectual: Um estudo realizado na indústria bancária portuguesa, Tese defendida na Universidade Técnica de Lisboa, 2006. DAVENPORT, T.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Campus, 1998. DAVILA, T.; EPSTEIN, M. J.; SHELTON, R. As Regras da Inovação. Porto Alegre: Bookman, 2007. DRUCKER, P. Sociedade pós-capitalista. São Paulo: Pioneira, 2002. DUCH, N.; GARCIA, J. ; PARELLADA, M. The Economic Impact of the Spanish Public University System. An Analysis for the Period 1998 – 2004, Document de Treball 2008/9, IEB Institute d’Economia de Barcelona, 2008. EDMONSON, A. Psychological safety and learning behavior in work teams, Administrative Science Quarterly, vol. 44, No 2, pp. 350-383, 1999. EDVINSSON, L. Some perspectives on intangibles and Intellectual Capital 2000, Journal of Intellectual Capital, vol. 1, No 1, pp. 12-16, 2000. EDVINSSON, L.; MALONE, M. S. Capital Intelectual, Ed. Makron Books, São Paulo, 1998. EDVINSSON, L.; SULLIVAN, P. Developing a model for managing Intellectual Capital, European Management Journal, vol. 14, No 4, pp. 356-364,1996. GONZÁLEZ, M. M. C; SALLERO, F. J. S. Gestão do conhecimento na gestão estratégica dos recursos humanos no setor da aqüicultura da Espanha, Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, V. 6, No 1, p. 137-164, Taubaté, SP, Brasil, jan-abr/2010. GUBIANI, J. S., Modelo para Diagnosticar a Influência do Capital Intelectual no Potencial de Inovação nas Universidades, ECG, Florianópolis, 2011. HII, J.; NEELY, N. Innovative capacity of firms: on why some firms are more innovative than others, 7th International Annual EurOMA Conference 2000, Ghent, 2000. HILL, E.; LENDEL, I. The impact of the reputation of bio-life science and engineering doctoral programs on regional economic development. Economic Development Quarterly, 21, 223-243, 2007.
  54. 54. Gubiani, Morales e Selig Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 69 IADE, Modelo Intellectus: medición y gestión del Capital Intelectual: C.I.C.- IADE. (UAM). Madrid, 2003. JURAN, J. M. Planejamento para a qualidade. São Paulo: Pioneira, 1992. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A Estratégia em Ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. ______.A Strategy Maps: Converting Intangible Assets into Tangible Outcomes. Harvard Business Publishing Corporatin, 2004. http://books.google.com.br KLEIN, D. A Gestao Estrategica do Capital Intelectual. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. LLAUGER, M. B. Hacia la economía del conocimiento. Madrid: ESIC Editorial PricewaterhouseCooper, 2001. http://books.google.com.br. MOLINA-PALMA, M. A. A capacidade de inovação como formadora de valor: análise dos vetores de valor em empresas brasileiras de biotecnologia, Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 2004. MOURITSEN, J.; LARSEN, H. T.; BUKH, P. N. Valuing the future: Intellectual Capital suplements at Skandia, Accounting, Auditing & Accountability Journal, vol. 14, No 4, pp. 399- 422, 2001. NAHAPIET, J.; GHOSHAL, S. Social capital, Intellectual Capital, and the organizational advantage Academy of Management. The Academy of Management Review, V23, No 2, ABI/INFORM Global pg. 242, 1998. NEELY, A.; ADAMS, C.; KENNERLEY, M. Managing with measures. In: The Performance Prism. London : Prentice Hall. p.32-81, 2002. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na Empresa: Como as Empresas Japonesas Geram a Dinâmica da Inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997. OECD, OECD proposed guidelines for collecting and interpreting technological innovation data – Oslo Manual, Paris, 1992, 1995, 2005 (http://www.oecd.org/science/inno/oslomanualproposedguidelinesforcollectinga ndinterpretingtechnologicalinnovationdata2ndedition.htm) OSLO, Manual De Oslo - Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre Inovação. 3a ed., Rio de Janeiro, FINEP, 2005. OSTERLOH, M.; FREY, B. S. Motivation, knowledge transfer, and organizational forms, Organization Science, vol. 11, No 5, pp. 538-550, 2000. PAPACONSTANTINOU, G. Technology and industrial performance, O.C.D.E Observer, vol. 204, pp. 6-10, 1997. PETRASH, G. Dow’s journey to a knowledge value management culture, European Management Journal, volume 14, No 4, Agosto 1996, p. 365-373. POMEDA, J. R.; MORENO, C. M.; RIVERA, C. M.; MÁRTIR, L. V. Towards an Intellectual Capital Report of Madrid: New Insights and Developments, Paper Presented at “The Transparent Enterprise. The Value of Intangibles”. 25- 26 November, Madrid, Spain, 2002. RAVICHANDRAN, T. Redefining organizational innovation: towards theorical advancements, The Journal of Hight Technology Management Research, vol. 10, No 2, pp. 243-274, 2000. RODRIGUES, H. M. S. S.; DORREGO, P. F. F.; JARDÓM-FERNÁNDEZ, C. M. F., En la Capacidad de Innovación de las Empresas del Sector de Automoción de la Eurorregión Galicia Norte de Portugal, Universidade de VIGO, 2009.
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  56. 56. 3 CAPITAL HUMANO E MEMÓRIA ORGANIZACIONAL: os estudos da literatura contemporânea Juarez Domingos Frasson Vidotto Bruna Devens Fraga Rogério Cid Bastos
  57. 57. Vidotto, Fraga e Bastos Capital Intelectual: Reflexão da Teoria e Prática 73 1. INTRODUÇÃO A nova sociedade do conhecimento tem como característica uma economia global integrada cuja atividade central é a provisão de serviços de conhecimento com maior fusão entre produtor e consumidor (PONCHIROLLI, 2007). Essa nova premissa do mercado, na visão de Fialho et al. (2006), forçou as organizações a produzir bens e serviços com maior valor agregado e o trabalho passou a exigir habilidade cognitiva, aprendizagem e gestão efetiva do conhecimento das pessoas. As organizações mais propensas a obter sucesso nessa nova realidade são aquelas que detêm mais conhecimento ou que o dominam com maior eficiência. Para tanto, como observam Fialho et al. (2006), é necessário que as organizações estimulem a passagem da informação em conhecimento, do conhecimento tácito em explícito, do trabalho e das experiências pessoais em coletivas, fortalecendo a inovação e a aprendizagem constante. Portanto, é fundamental para as organizações desenvolver tais habilidades, que poderão garantir a sua perpetuação. Assim, as pessoas da organização têm um papel estratégico na nova era do conhecimento. Pois, como observa Stewart (1998), a gestão dos ativos intelectuais se tornou a tarefa mais importante dos negócios porque o conhecimento passou a ser o principal fator de produção. Entretanto, como adverte o autor, para serem considerados ativos intelectuais de fato é imprescindível que as pessoas possuam boa formação e qualificação, como pré-requisitos para a garantia de um desenvolvimento organizacional sustentável. Desta forma, fica evidente que as pessoas precisam de um conjunto mínimo de competências para desenvolver suas atividades e de acordo com Dutra (2011), as organizações estão cada vez mais preocupadas em direcionar investimentos no desenvolvimento humano de modo que possam agregar valor às pessoas e às empresas. Com maiores investimentos nas pessoas, as organizações visam melhorar o nível do seu capital humano e, consequentemente, ampliar o seu capital intelectual por meio da obtenção de novos conhecimentos, experiências, habilidades e, principalmente, novas atitudes. Desse modo, as pessoas são vistas como os ativos mais importantes e, portanto, estratégicos, pois os saberes coletivos, conhecimentos teóricos mais o know-how da empresa constituem a sua memória organizacional. Uma definição clássica para memória organizacional pode ser encontrada no estudo de Arrow (1962), no qual o autor a entende como um sistema capaz de armazenar eventos que foram experimentados no passado e que serão recuperados no futuro. Mais recentemente, Papoutsakis (2009) refere-se à memória organizacional como uma expressão usada para descrever a preservação do conhecimento organizacional. Observa-se que as pessoas da organização, por um lado, desempenham papel importante na retenção de conhecimentos sobre as experiências vividas que constituem a memória organizacional e, por outro, esse conhecimento adquirido também faz parte do seu capital humano.

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