DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O
 OPINIÃO
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clube com alma
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soas de valores que as ou...
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O Centro - n.º 5
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Versão integral da edição n.º 5 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. 07.06.2006.

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  1. 1. DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O OPINIÃO Carlos Carranca João Caetano José d’Encarnação Monteiro Valente Renato Ávila PÁGINAS 14 e 21 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado ANO I N.º 5 (II série) De 7 a 20 de Junho de 2006 € 1 euro (iva incluído) O homem ENTREVISTA COM MANUEL SÉRGIO que mais marcou José Mourinho Uma conversa sobre alta competição, o futebol português, José Mourinho, a função dos clubes, a Académica e o Belenenses, José Maria Pedroto, os mitos da prática desportiva, a final da Taça de Portugal de 1969, as igrejas e os estádios, Mário Campos, Scolari e... onde também se fala de Jesus Cristo PÁGINAS 4 a 6 CAMPEONATO DO MUNDO ÉPOCA BALNEAR Novas regras Coimbra DE GINÁSTICA ACROBÁTICA a partir de hoje recebe 800 atletas AMANHÃ EM 40 HOSPITAIS PÁGINA 2 de 28 DE TODO O PAÍS Rastreio gratuito países de cancro da pele PÁGINA 15 PÁGINA 11 RECONHECIMENTO «HOSPITAL DE DIA» LIGA DOS AMIGOS ASSINE O “CENTRO” DE COMPETÊNCIAS EXEMPLAR DE CONIMBRIGA E GANHE OBRA DE ARTE Governo 14 mil Notável quer consultas trabalho qualificar e 12 mil de um milhão tratamentos associação de pessoas em 2005 invulgar PÁG. 3 PÁG. 8 PÁG. 10 PÁG. 11
  2. 2. 2 DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 EDITORIAL Heróis da terra costumam fazer aos familiares: “Está a re- metros, com o pesadelo de recordarem os menor risco (para isso se alistaram, para tal ceber apoio psicológico?”. seres humanos a que eles próprios tiraram a foram treinados e para tanto são pagos). Jorge Castilho A surpresa decorre de que este País ig- vida. Muitos desses ex-militares tornaram- Ora a verdade é que esta ânsia de “fabricar” nora, quase em absoluto, muitas dezenas de se em farrapos humanos, refugiando-se no heróis começa a ser, entre nós, quase pato- É bem conhecida a anedota do jovem milhares de homens que, desde 1961 e até álcool, encharcando-se em drogas, com di- lógica. De tal modo que, a par com os candidato a ingressar na Marinha que, che- 1974 foram obrigados a ir para Angola, ficuldades de integração social a prejudica- GNR’s que agora “foram projectados para gada a altura dos testes, quando lhe pergun- Guiné e Moçambique, combater por uma rem-nos no emprego, a destruírem-lhes a Timor” (Ministro António Costa dixit), tam se sabe nadar, comenta: “Essa agora! causa com que muitos deles se não identifi- vida familiar. Esses continuam esquecidos, também já receberam esse estatuto os rapa- Para que é preciso saber nadar? Então cavam, e aí tinham de ficar no mínimo dois com o Estado a querer dar-lhes “pensões” zes que o “mister” Scolari decidiu “projec- vocês não têm cá barcos?!”. anos (depois de, pelo menos, seis meses de que mais parecem esmola insultuosa. Sem tar” para a Alemanha, com escala técnica Invoco este tirada humorística para alu- preparação em Portugal), comunicando querer fazer demagogia, não posso deixar no Luxemburgo. dir a uma outra situação que não é nada en- com as famílias apenas através de correio de estabelecer a comparação com o que se Estes “guerreiros” do pontapé na bola (e graçada, mas que se vem repetindo, nos úl- (os célebres aerogramas), pelo que se esco- passa relativamente às pensões a que ficam frequentemente também na gramática…) timos anos, ciclicamente: sempre que há ne- avam longas semanas, até meses, sem que com direito os detentores de cargos políti- são equiparados aos conquistadores que cessidade de uma intervenção por parte das as famílias soubessem o que com eles se cos, após escassos anos de actividade (em outrora alargaram o império (mais do que a nossas forças militares ou militarizadas, passava. E essas centenas de milhar de pes- alguns casos mais adequado seria dizer fé…), sendo que deles se espera que recau- logo vem um clamor de que pode haver ris- soas nunca receberam qualquer apoio psi- inactividade…), durante os quais, para além chutem, chutando (para as redes…), a cos, de que não está afastada a hipótese de cológico, mesmo aquelas a quem chegava a de tudo, tiveram benesses e remunerações nossa auto-estima - que, tal como a econo- haver “baixas” (que é como quem diz mor- notícia de que o filho, o marido, o pai, o muito acima das que aufere a esmagadora mia, está nas lonas… tos ou feridos), chegando-se ao cúmulo de, irmão, tinham morrido em combate. maioria da população portuguesa. A partir de agora, e durante alguns dias, as previamente, entidades responsáveis avan- (Aliás, lembro-me que, tal como todos Actualmente, os militares que partem grandes preocupações deste País e da maio- çarem com a percentagem de baixas previs- os outros militares que estiveram na “guer- nestas missões são quase sempre voluntá- ria dos seus autóctones vão ser os “comba- ta! ra colonial”, no próprio dia em que embar- rios, vão por períodos relativamente curtos tes” travados sobre a relva germânica. Ora quem ingressa nas forças militares quei no Vera Cruz, rumo a Angola, tive de (normalmente um máximo de seis meses), Oxalá o desempenho dos seniores seja ou militarizadas, deve estar consciente de preencher um documento indicando quem com remunerações substancialmente au- mais reconfortante do que o dos sub-21, que por alguma razão se designam por deveria ser avisado em caso da minha mentadas e tendo ao seu dispor meios de para que os vejamos muitas vezes (se possí- “forças armadas”, isto é, que usam armas. morte. Muito animador!...). comunicação que lhes permitem contactar vel até ao jogo final) a mexer os lábios ao E se aprendem a manejá-las, seguramente Pior do que isso, aos próprios militares as famílias diariamente, através de telemó- som da “Portuguesa”, provavelmente “a que não é para que sirvam de adorno, mas que, ao longo de quase década e meia veis e da Internet, que associa o som e a fintar” a letra que ainda não decoraram. antes para as utilizar sempre que tal se mos- foram regressando das ex-colónias, mais ou imagem. tre necessário. menos traumatizados, nunca ninguém lhes Não quero desvalorizar a acção desses Assim, enquanto nas brumas da memó- perguntou se precisavam de apoio psicoló- homens e mulheres, mas custa-me ver a co- ria se vão afogando os “Heróis do Mar”, da É, pois, com alguma surpresa que vejo as gico. E muitos deles bem que precisavam (e municação social a fazer deles heróis ainda espuma das ansiadas vitórias emergem, mi- nossas estações de televisão a fazerem “te- precisam ainda!) depois de terem passado antes de terem posto o pé no avião que há- lionários, os novos “heróis” desta nossa lenovelas” das partidas dos nossos militares longos períodos em situações de isolamen- de levá-los ao destino. santa terrinha… para o Afeganistão, para a Bósnia, para o to, de combate, de emboscadas, com me- Pois que surjam, ao menos, golos que Iraque, agora para Timor, e uma pergunta mórias de minas e armadilhas a fazerem em Apesar de tudo, estes homens vão, efec- mitiguem a sede de felicidade, já que de pe- que alguns jornalistas para aí destacados bocados o amigo que avançava a poucos tivamente, enfrentar situações de maior ou naltis injustos estamos (quase) todos fartos! ÉPOCA BALNEAR Novas regras a partir de hoje As novas regras para as praias, que inclu- Segundo o oficial da Armada Portuguesa, em multas para quem tome banho no mar a aplicação do decreto-lei que foi publicado com bandeira vermelha, vão ser aplicadas a em Diário da República, obedece ao regime a partir de hoje (quarta-feira, dia 7) em jurídico geral que dita a sua aplicação cinco Portugal continental, disse à Lusa o Co- dias após a publicação. mandante Brás de Oliveira, da Armada Por- Nas regiões autónomas da Madeira e dos tuguesa. Açores o período é de 15 dias, ou seja, as re- gras passam a ser aplicadas apenas no próxi- mo dia 17 de Junho. quot;Este é um período que deve servir para a informação e sensibilização das populações, nadadores e concessionáriosquot;, disse Brás de Director: Jorge Castilho Oliveira. (Carteira Profissional n.º 99) As novas regras foram aprovadas em nadar com bandeira amarela (que permite a locais e horas para que foram contratados, os Propriedade: Audimprensa Conselho de Ministros há três semanas quot;para entrada na água mas proíbe nadar) vai pagar que se afastarem da área de socorro, os que ti- Nif: 501 863 109 entrar em vigor já nesta época balnearquot;, afir- pelo menos 55 euros de multa. verem comportamentos negligentes nas mou à Lusa em finais de Maio o secretário de Por outro lado, quem utilizar material de zonas de banhos e os que não cumprirem as Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho Estado da Defesa, Lobo Antunes. desporto náutico, como motas de água, fora instruções sobre o estado do mar fornecidas O diploma enumera várias ilicitudes que das zonas permitidas pela lei, também fica su- pela autoridade marítima. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 podem ser cometidas por banhistas, conces- jeito a multa. Os concessionários das praias também Composição e montagem: Audimprensa - sionários das praias e nadadores-salvadores, a Além dos banhistas, as novas regras apli- podem ser multados se procederem à abertu- Rua da Sofia, 95, 3.º quem podem ser aplicadas coimas que vão de cam-se aos nadadores-salvadores e aos con- ra ou encerramento da zona balnear antes ou 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 55 até mil euros. cessionários das praias (normalmente os pro- depois do período para que foram autoriza- Fax: 239 854 154 O novo diploma define cerca de 20 infrac- prietários de restaurantes e bares que, para dos, se usarem as infra-estruturas para fins di- e-mail: centro.jornal@gmail.com ções em zonas balneares e praias fluviais que obterem licença, pagam ao nadador-salvador ferentes do acordado e se não tiverem a visto- Impressão: CIC - CORAZE são sujeitas à aplicação de coimas pela Polícia e suportam os custos das infra-estruturas de ria necessária para a abertura da zona balnear. Oliveira de Azeméis Marítima. apoio à praia). As multas vão dos 55 aos mil euros, vari- Tiragem: 10.000 exemplares Quem entrar no mar com bandeira verme- Para os nadadores-salvadores, as multas ando consoante quem pratica a ilicitude e se a lha (que proíbe a entrada na água) e quem vão ser aplicadas aos que não estiverem nos infracção é um acto repetido.
  3. 3. DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 COIMBRA 3 «MIC» lança núcleo Curso Médico em Coimbra e cria blogue celebrou 55.º aniversário Decorreu no passado fim-de-semana a reunião comemorativa 55.º aniversário de Foi criado, na passada sexta-feira (dia 2) “Num primeiro momento, promover-se- formatura do Curso Médico de 1945 a o Núcleo de Coimbra do MIC – Movimen- á um grande debate de âmbito nacional, pa- 1951 da Universidade de Coimbra. to de Intervenção e Cidadania. trocinado pelo próprio Manuel Alegre, em Inicialmente constituído por 92 médi- Em reunião que contou com cerca de que serão discutidos problemas cruciais do cos, este grupo conta actualmente com 52, três dezenas de participantes, foi debatido o país na actualidade – o papel do Estado e a que exerceram (e alguns ainda exercem) a lançamento do Movimento no distrito de crise da democracia, a corrupção, o empre- respectiva actividade em diversos pontos Coimbra, dando sequência aos princípios go, a exclusão e as desigualdades, o desen- do País e também nas antigas colónias. orientadores da candidatura presidencial de volvimento do interior e o combate à deser- Entre os médicos de Coimbra que fazi- Manuel Alegre, debateram-se “preocupa- tificação – com a presença de diversos con- am parte deste Curso contam-se Pacheco ções comuns, estabelecendo-se algumas li- vidados e nomes prestigiados nas referidas Mendes, Alípio Rocha, José Dias, Seabra nhas de acção para o futuro próximo”, áreas. Numa segunda fase, o MIC/Coimbra Santos (pai do actual Reitor), Teles das Ne- como referiu um dos responsáveis do MIC, organizará um conjunto diversificado de ves, Chorão de Aguiar, Cardeira Severo e que especificou: acções a nível local”. Moura Relvas. “Assinalou-se a situação deprimente que Para além disso, “o MIC/Coimbra privi- Foram professores universitários Lucia- tem marcado a Cidade e a região de Coim- legiará a atenção aos novos meios informá- no dos Reis (em Angola e no CHC), Raul bra nos últimos anos em diferentes domí- ticos de comunicação, dinamizando redes da Bernarda (em Moçambique e na Facul- nios, o refluxo das iniciativas cívicas e polí- de acção através do chamado ciberespaço”. dade de Medicina de Coimbra), Ismael Pra- ticas do país, bem como o défice de peso Foi decidido criar de imediato um blogue, tas Ferreira (na Faculdade de Medicina de político de Coimbra junto do poder central. que pode ser acedido desde já, e cujo ende- Lisboa) e Poiares Baptista (na Faculdade de Tal situação é preocupante, exigindo por reço é micporcoimbra.blogspot.com. Medicina da UC, de que foi também Vice- isso respostas adequadas dos cidadãos e das Foi ainda eleita uma Comissão Coor- Reitor). forças vivas da sociedade civil. É portanto denadora, assim constituída: Alda Salgado, Os participantes neste reencontro de fundamental dar sequência à vontade ex- Ana Catarina Aidos, Alice Castro, Elísio convívio e saudade estiveram na Univer- pressa de muitos cidadãos e cidadãs, filia- Estanque, Fernando Rodrigues, Henrique sidade a assistir à celebração de missa e dos ou não em partidos políticos, que se Manuel Alegre Reis, Ilya Semionoff, José Ricardo Nóbre- apresentaram cumprimentos ao Reitor, co- identificam com as preocupações cívicas e ga, Luís Martinho do Rosário, Mariana mo é tradicional. Depois confraternizaram políticas do MIC”. cidido programar as actividades do Movi- Dias, Pedro Monteiro, Rosa Pita, Rui em almoço servido na Escola de Hotelaria. Quanto às iniciativas a promover, foi de- mento em duas fases: Roque e Teresa Portugal. APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! Assine o jornal ìCentroî Jornal “CENTRO” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pedi- do de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço Nesta campanha de lançamento do jor- nio arquitectónico, de deslumbrantes pai- terá sempre bem informado sobre o que de e-mail: nal “Centro” temos uma aliciante propos- sagens (desde as praias magníficas até às de mais importante vai acontecendo nesta centro.jornal@gmail.com ta para os nossos leitores. serras verdejantes) e, ainda, de gente hos- Região, no País e no Mundo. De facto, basta subscreverem uma assi- pitaleira e trabalhadora. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por Para além da obra de arte que desde já lhe natura anual, por apenas 20 euros, para au- Não perca, pois, a oportunidade de rece- APENAS 20 EUROS! oferecemos, estamos a preparar muitas ou- tomaticamente ganharem uma valiosa obra ber já, GRATUITAMENTE, esta magní- Não perca esta campanha promocional, tras regalias para os nossos assinantes, pelo de arte. fica obra de arte, que está reproduzida na e ASSINE JÁ o “Centro”. que os 20 euros da assinatura serão um ex- Trata-se de um belíssimo trabalho da primeira página, mas que tem dimensões Para tanto, basta cortar e preencher o celente investimento. autoria de Zé Penicheiro, expressamente bem maiores do que aquelas que ali apre- cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, O seu apoio é imprescindível para que o concebido para o jornal “Centro”, com o senta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). acompanhado do valor de 20 euros (de “Centro” cresça e se desenvolva, dando cunho bem característico deste artista plás- Para além desta oferta, passará a receber preferência em cheque passado em nome voz a esta Região. tico – um dos mais prestigiados pintores directamente em sua casa (ou no local que de AUDIMPRENSA), para a seguinte portugueses, com reconhecimento mesmo nos indicar), o jornal “Centro”, que o man- morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). seu traço peculiar e a inconfundível utiliza- ção de uma invulgar paleta de cores, criou Para tal envio: cheque vale de correio no valor de 20 euros. uma obra que alia grande qualidade artísti- ca a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Nome: Região Centro, concebeu uma flor, com- posta pelos seis distritos que integram esta Morada: zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Localidade: Cód. Postal: Telefone: Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respec- Profissão: e-mail: tivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Assinatura: Centro de Portugal, tão rica de potenciali- dades, de História, de Cultura, de patrimó-
  4. 4. 4 ENTREVISTA Académica já foi um DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 À CONVERSA COM MANUEL SÉRGIO, O “CATEDRÁTICO DO DESPORTO” Uma conversa-entrevista-conversa sobre alta competição, o futebol português, José Mourinho, a função dos clubes, a Académica e o Belenenses, José Maria Pedroto, os mitos da prática desportiva, a final da Taça de Portugal de 1969, as igrejas e os estádios, Mário Campos, Scolari e... onde também se fala de Jesus Cristo Conversar com Manuel Sérgio é Com a profissionalização, o desporto elucidativa, de um médico chamado Victor mo. Mas não sei como é que os jogadores um prazer. O filósofo esteve em português melhorou. Há um apoio à alta Franco: “Nós, médicos, passamos a vida a actuais estarão, do ponto de vista da saúde, Coimbra há dois meses e conce- competição que antigamente não existia. dizer aos doentes que façam exercício físi- quando chegarem aos 50 anos... deu a entrevista que hoje publica- Há dinheiro, agora temos campeões olímpi- co, não comam açúcar, não comam sal, etc., Se calhar, em piores condições físicas mos. No ambiente tranquilo de cos. Não são muitos, mas já temos alguns... e esquecemos de lhes dizer que o primeiro que o cidadão comum... uma sala do Hotel Quinta das No futebol, permanece uma mentira: assi- factor de saúde é que a vida tenha sentido”. Não sei. Eles chamam-lhes ‘suplementos Lágrimas, em fim de tarde chuvo- nam-se grandes contratos, mas depois não A felicidade pessoal é o primeiro factor de vitamínicos’, mas desconfia-se que seja so, falámos de muitas facetas do se paga. saúde. E depois vêm os outros factores. outra coisa. Não sei... O Desporto de Alta Desporto. Continuamos a ser o país do fute- Como a sociedade não dá saúde, põem-se Competição, no fundo, está a substituir o Volta e meia, a conversa derivou bol... as pessoas a correr. Embebedam-se as pes- sagrado – este amor ao clube é uma coisa Continuamos a ser porque já o éramos soas com essas tretas. A saúde tem de se interessante. Enquanto os nossos avós (e para a Académica. É notório o antes do 25 de Abril. Não mudou nada. obter através de uma sociedade diferente. mais atrás, até desde a Idade Média) nos fascínio que a Briosa desperta no E continuamos a ser um país de des- deixaram igrejas, catedrais, nós vamos dei- Professor. portistas de café e da televisão... xar campos de futebol, estádios... E a al- Foi por isso que decidimos publi- car a entrevista só depois do cam- O Desporto não entrou na vida das pes- A Académica foi das equipas, guns até já lhes chamam catedrais. soas, porque não é apresentado como ele é. Foi a única coisa que o Euro 2004 nos peonato ter terminado – para evi- O Desporto continua a servir para muita em todo o mundo, que melhor deixou? tar eventuais “más interpretações”. coisa... O Desporto é um espectáculo ao soube reproduzir a ideia de que Já ouvi altas figuras dizer que foi muito lado de outros espectáculos. Há um econo- no futebol é possível existir um bom para o turismo. Mário Martins micismo que domina toda a vida em socie- Mas nós, adeptos, ficámos na dade e que também está presente no ideal. Esta Académica perdeu- mesma... Manuel Sérgio, pessoa simples, já tem o Desporto. Veja bem que as campanhas a se porquê? Na mesma, na mesma. É verdade que o nome gravado na História. Ele criou um promover o Desporto-Saúde, com a ideia espectáculo desportivo pode servir para o novo paradigma do conhecimento: a Mo- de que o Desporto dá saúde, são promovi- reforço da identidade nacional. Há um tricidade Humana. As suas ideias vão, a pou- das pelas grandes multinacionais de materi- E quanto ao espectáculo desportivo? certo patriotismo que se está a perder e o co e pouco, fazendo caminho pelo mundo al desportivo. O espectáculo desportivo não está mal. desporto de alta competição pode servir fora: já são várias as universidade que têm fa- É o espectáculo de maior magia no mundo para combater essa situação. Os jogadores culdades de Motricidade Humana. Felicidade é o primeiro contemporâneo, as pessoas querem-no. sentem, quando entram em campo diz-se- Há meses, José Mourinho surpreendeu factor de saúde Mas não se pode dar só espectáculos des- lhes que vão cumprir algo ao serviço da tudo e todos ao afirmar que Manuel Sérgio portivos às pessoas, não se pode apenas Pátria. era a pessoa que mais o tinha marcado – Depois há quem siga o conselho e embebedar as pessoas com espectáculos E a nível local, o clube ainda é uma nem Van Gaal, nem Bobby Robson... O acabe por morrer a praticar Desporto... desportivos. As pessoas têm de ler, têm de forma de identificação? Benfica, FC “mestre” principal era o pensador que, aos É verdade. Há quem não possa ser um saber. Não se pode apenas publicitar aquilo Porto e Sporting têm legiões de adep- 22 anos, tendo como habilitações a 4.ª clas- homem-máquina. A Fundação Portuguesa que as adormece, aquilo que anestesia. tos. E os pequenos clubes?... Estão con- se, trabalhava no Arsenal do Alfeite. de Cardiologia só diz mexa-se, não diz Os grandes jogos, por exemplo... denados? Foi com este mesmo homem, hoje pro- corra. Só diz mexa-se!... O problema é este: Os grandes jogos não estão mal, mas não Os pequenos clubes pretendem imitar os fessor universitário, sempre afável, que esti- a saúde é um fenómeno social, político. A chegam. O Desporto não é mau, o que tem grandes, mas esquecem-se de que estes, vemos à conversa. saúde não se obtém unicamente porque se de mal o Desporto são as taras da socieda- como têm muita gente, sempre conseguem Como vamos de Desporto em Portu- corre, a saúde decorre de um país diferente, de – porque o Desporto actual reproduz e ir vivendo. Mas o Sporting já quer vender gal? de uma sociedade diferente. Há uma frase multiplica as taras da sociedade. Não é con- quase todo o património, o Benfica pratica- trapoder ao poder das taras dominantes. mente não tem património... Os pequenos Homem de vários mundos Continua a pensar isso?... tentam imitar os grandes, mas têm muitas Continuo. dificuldades. Nunca serão equipas para ga- Portanto, valores no Desporto... nhar o campeonato nacional, talvez uma Os valores tradicionais do Desporto – “Taça”... Conheci o Professor Manuel Sérgio há cerca de 15 anos, por altura do I (e único) camaradagem, generosidade... – encontram Curso de Auditores de Informação Desportiva. Durante vários meses, o Centro de outros valores quando se chega à alta com- Académica perdeu ligação Estágo da Cruz Quebrada era o destino, dois dias por semana. petição. Mas estes ‘outros valores’ estão no à Universidade Manuel Sérgio coordenava o curso e as noites de segunda-feira constituíam uma Desporto como estão na vida. O Desporto “oportunidade de ouro” de formação extra-curricular para quem, como eu, estava alo- de Alta Competição é um dos produtos da Socialmente, os clubes distinguem- jado no Jamor. Por vezes, ser da Província é uma vantagem em Lisboa... sociedade altamente competitiva em que vi- se? Por exemplo, a Académica ainda faz Ficámos longas horas naqueles sofás. Um dia, deu-me boleia para Lisboa. O desti- vemos. sentido como “clube diferente”? Há no era Santa Apolónia. A certa altura, o convite: “Venha conhecer uma amiga minha!”. lugar no futebol profissional para uma Entrámos no Hotel Tivoli, na Avenida da Liberdade. À espera, para o chá da tarde, Pequenos clubes tentam equipa com uma filosofia própria? estava Beatriz Costa. imitar os grandes Ainda há. A Académica, que já foi um Feitas as apresentações, começaram os dois a conversar. Foram duas horas inesque- clube com alma, comete um grave erro se a cíveis - um diálogo ao mesmo tempo simples e profundo, entre duas pessoas simples, O seu Belenenses está na alta com- perde, porque a alma não pode estar sujeita verdadeiras e cultas, deslumbradas com o mundo e a vida, um diálogo sem formalis- petição? às contigências. Eu sou do Belenenses, mos bacocos, a provar que todos temos algo para ensinar e para aprender. Está, então não havia de estar?... Até a mas... a Académica entrava nos campos em Nunca mais esqueci aquele fim de tarde. Devo-lhe esse momento mágico. Académica!... Todos estes clubes estão em Lisboa e era uma coisa diferente. Porque é alta competição. Exige-se tudo dos jogado- que há-de perder isso? M.M. res, não sei é se se lhes paga sempre... Diferente porque vestia de preto? Existe dedicação completa, profissionalis- Não, porque era diferente. Falava às pes-
  5. 5. ENTREVISTA 5 clube com alma DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 soas de valores que as outras equipas indis- A claque da Académica considera-se Pois, ele é esperto. cutivelmente não tinham. Até o futebol que diferente... Mas eu nunca ensinei jogava era diferente, era um futebol pensa- Não sei. Não parece. futebol a ninguém, do, e via-se que havia qualquer coisa de di- O Professor é um belenense que tem ensinei outras coisas ferente que unia os jogadores. A Académica como segundo clube a Académica, tal que ele diz que se apli- perdeu isso e é mau para a Académica ter como acontece com muita gente? cam ao futebol. perdido muitos dos valores, quase que diria Eu digo-lhe com toda a franqueza: eu Continua a falar estupidamente. A Académica de hoje não nasci em Belém, em frente do campo do com ele todas a sema- pode ser igual à de 40 ou 50. Mas há uma Belenenses e, por isso, sou do Belenenses. nas? alma, há valores que ainda hoje se podem Agora, eu olhava (muita gente olhava) para Agora não, já não manter, independentemente do tempo. a Académica como portadora de um con- falo com ele há Como é que, estando em Lisboa, vê ceito diferente, que reflectia cultura, que re- algum tempo. esse perder da alma? flectia política. Perdeu-se porquê? É um Ele tem a Eu vejo isso porque a equipa já não apa- caso para os homens da Académica pensa- sua vida, eu rece da mesma forma. A linguagem é outra, rem. tenho a mi- vê-se que os valores não são os mesmos Dava uma boa tese... nha... Ve- através do discurso das pessoas. Sim, sim. Dava uma grande tese de dou- nho ago- Antigamente, os jogadores reflectiam a toramento. Uma coisa deste tipo: “Futebol ra dos Universidade de Coimbra, quase todos tira- da Académica – reflexo e projecto de uma vam o seu curso. E havia qualquer coisa de Universidade”. Qualquer coisa assim, é um diferente. É evidente que me é difícil, que caso para pensar. Não faz sentido que a via as coisas de fora, concretizar mais esta Académica tenha perdido essa dimensão. ideia. Mas, olhe!, naquela final da Taça de E... estou a lembrar-me... esses jo- Portugal, em 1969, a que assisti no Jamor, a gadores nem sequer eram infe- Académica reflectia, mais do que uma equi- riores aos outros. Eu não pa de futebol, uma contestação ao estou a dizer isto para Governo. Mais nenhuma equipa poderia fazer isso! E ainda há espaço para uma equipa dessas no desporto profissional? Claro que há. A Académica pode fazer isso. Aquilo que fez em 1969, assumindo uma atitude, pode continuar a fazê-lo. Se calhar, deveria estar mais ligada à Universidade, aos estudantes... Talvez. Não é por acaso que o Professor Queiró, que era um mestre eminente de Direito, era um homem que andava sempre com a Académica. Eu acho que nenhum mestre eminente de Direito anda hoje com a Académica pode ser um espaço equipa da Associação Académica. Havia uma que a Académica, coitadinha, acabe a jogar Açores, ando de um lado para o outro... ligação à Universidade que hoje não existe. nos campeonatos distritais. Não... Mas de vez em quando falamos. diferente O Manuel António era “Bola de Pra- Ele tem sido muito simpático consi- Como vamos de Motricidade Hu- Manuel António, Maló... ta”... go: considera-o a pessoa que mais o in- mana pelo mundo fora? eram todos bons! Sim... O Maló era um dos grandes guarda- fluenciou na sua formação como técni- As ideias que eu defendo aparecem redes... Eram todos bons! Está provado: co de futebol. como novas: o passar do físico à motricida- Portanto, como pensador do Despor- Florentino Pérez fez uma equipa de milhões Ele tem sido muito simpático comigo. de humana, à pessoa em movimento inten- to, acha que ainda há lugar para uma e não ganhou mais por isso; é uma equipa que Ou melhor, tem sido justo. cional. No Brasil há várias faculdades, em Académica assim... não é equipa, são “primas-donas”, são pesso- Não sei, não sei. Eu procuro não [apare- Portugal há vários cursos, em Espanha Sem dúvida. É claro que a Académica cer muito]. Vou fazer 73 anos, já não tenho estão agora a nascer. E estão a começar a não pode jogar com botas de traves, porque idade para exibicionismos pueris. Já não traduzir alguns textos meus para inglês, a tecnologia avançou... O que digo é que o fica bem. porque é fundamental. Há ideias que eu de- espírito que distinguia a Académica, até O treinador triunfa se é, ou não Já tem o nome da sua teoria gravado fendi há anos que agora se concretizam uma certa consciência política, pode conti- é, homem. Isso é a força do na fachada de diversas faculdades, tem mesmo. Por exemplo, quando eu digo que nuar a existir. José Mourinho. O líder é o um dos melhores treinadores do mundo não há educação física, mas sim educação Tem pena que não exista? a dizer que a pessoa que mais o marcou de pessoas em movimento, queria acabar Tenho pena, logicamente. Não vou dizer grande treinador. Na alta com- foi o Professor... com a noção do homem-máquina. nomes, mas hoje a Académica está consti- petição, o líder é uma espécie Há um outro que também tem muito O homem integral... tuída por um grupo de jogadores que não de general; é evidente que tem contacto comigo, o Mariano Barreto. Está O homem integral em movimento. Eu são Académica. A Académica foi das equi- no Dínamo de Moscovo. Eu acredito muito julgo que a Académica, mesmo aquela pas, em todo o mundo, que melhor soube de saber qualquer coisa de fu- nele. É uma pena ainda não lhe terem aber- Académica que começou com o Cândido reproduzir a ideia de que no futebol é pos- tebol... to portas, porque ele vai longe... Há ainda de Oliveira (que não era bem um treinador sível existir um ideal. Esta Académica per- um outro, que foi meu assistente, que é um de futebol e era treinador de futebol)... deu-se porquê? dos melhores escritores portugueses – o ... nos anos 50... Poderia continuar? as que andam a olhar para o próprio umbigo. Gonçalo M. Tavares – que se doutorou há ... nos anos 50, o Cândido que falava Absolutamente. Pode ser continuada. A Com narcisismo não se faz uma equipa. pouco na Faculdade de Motricidade com os jogadores de vários aspectos de cul- Associação Académica de Coimbra tem a Humana e fui o orientador da tese dele. tura, julgo que a Académica poderia voltar obrigação de fazer do futebol um espaço José Mourinho tem sido Vai ser também treinador de futebol? a ser assim. E criar um outro clima. Caso diferente. Não pode ter claques a tentar simpático Não, não tem nada a ver. contrário, a Académica não tem razão para imitar as claques do FC Porto, do Benfica São os seus três “delfins”? existir com o nome de Académica. Há uma ou do Sporting. Isso é uma vergonha, é ni- Por isso é que o seu discípulo José Dois no futebol e um na escrita. Mas há velar por baixo. Mourinho não quer “estrelas” na equipa... mais... Continua na página seguinte ››
  6. 6. 6 ENTREVISTA DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 Entrevista a Manuel Sérgio ›› Continuado da página anterior Para ir às conferências que me pedem, de- pois também não posso sair assim para dar tradição, a Académica nasceu de uma deter- um “salto” a Inglaterra. minada maneira, embora eu não conheça O futebol nunca o chamou? bem a história. A Académica podia ser um Não, não, não. A única pessoa que mais anúncio de um novo futebol. falou comigo, e que me deu a impressão de Novo comportamento, novos valores? gostar de falar comigo, foi o José Maria Novos valores. E eu, nisso, entrava. Era Pedroto. É uma coisa interessante. apaixonante. A Académica pode ser um es- Falávamos muito ao telefone. E até cheguei paço como não há. Mas... “não temos o a ir para o estágio dos jogadores do FC Ronaldinho?”... Também aparecia! Porto, cheguei a levar a minha mulher, o Aos 73 anos, sente-se realizado? Já Pedroto levava a mulher dele, e eu falava fez muita coisa... com ele. Já fiz muita coisa. Mas não me sinto rea- Qual era a sua função: aconselhá-lo? lizado. Há sempre hipóteses de fazer mais. Não, não. Eu nunca ensinei futebol a Com as minhas fraquezas humanas (tenho ninguém. O Pedroto, coisa curiosa, era um a toda a hora a noção dos meus limites), homem que sabia que não sabia. Uma coisa nasci de gente muito pobre, trabalhei e es- interessante... Era uma pessoa cursiosíssi- tudei com gosto. ma, um indivíduo que gostava de saber e, Aos 20 anos tinha a 4.ª classe... então, gostava de me ouvir falar e levantava Aos 22 anos tinha a 4.ª classe, depois co- perguntas. mecei a estudar. Já trabalhava no Arsenal Sobre tudo? do Alfeite. Sim, sobre política, mesmo futebol. O E foi por aí acima... Pedroto era muito interessante. Eu não sei Fui por aí acima, a trabalhar, a estudar e se terá havido mais alguém no futebol com na companhia da minha mulher, que foi aquela curiosidade. Eu não conheci o uma grande companheira que eu nunca es- Cândido de Oliveira, quem escreveu sobre quecerei. A vida familiar é fundamental. ele foi o Homero Serpa... José Maria Pedroto Jogador tem de sentir convidava-me para os estágios que serve um ideal Tem projectos? O Homero chegou a ser treinador do Projectos há sempre. Eu penso como se Belenenses... tivesse 20 anos. Sinto isso. É uma situação curiosa. O Belenenses Sente mesmo ou está a usar uma estava para descer de divisão e o Acácio “frase feita”? Rosa, aí por 1969 ou 1970, foi buscar o pai Sinto, sinto. Claro que do ponto de vista do José Mourinho, que era nosso guarda- fisiológico, uma pessoa sente que a prósta- redes [Félix Mourinho], e o Homero Serpa, um jornalista, para orientarem a equipa. E o Belenenses não desceu de divisão! Isto deu- E vai correr bem? Isso supõe uma formação cultural do me muito que pensar, muito que pensar... É Pode correr bem porque nós temos jogador... Enquanto os nossos avós o homem que triunfa no treinador. O trei- grandes jogadores de futebol. Mais do que isso: toda a organização do (desde a Idade Média...) nos nador triunfa se é, ou não é, homem. Isso é Velhotes já, alguns... clube tem de estar orientada nesse sentido. a força do José Mourinho. O líder é o gran- O Figo é que é velho, o Cristiano tem 21. Tem de haver uma nova cultura, um novo deixaram igrejas, catedrais, nós de treinador. Na alta competição, o líder é discurso, tem de haver objectivos. Partindo vamos deixar campos de fute- uma espécie de general; é evidente que tem Mário Campos foi dos maiores daquilo que o clube é, transformá-lo, visan- bol, estádios. E a alguns até já de saber qualquer coisa de futebol... Tem de “extremos” de sempre do a transformação da própria sociedade. ser perspicaz, conhecer bem os seus joga- Os clubes devem preparar-se para não faze- lhes chamam catedrais. dores. Mas isso quase todos sabem fazer, Frequenta os estádios? rem só bestas esplêndidas, mas para faze- mas depois falta-lhes o resto: formar um Às vezes. Quando o meu amigo João rem pessooas de bem. Acho que isto não é grupo que saiba entrar em campo e ter ob- Santos era vivo, ele costumava receber dois só retórica. ta não está boa, a gente tem doenças... jectivos. O jogador, acima de tudo, tem de bilhetes e eu ia com ele, porque a mulher O que é que isso tem a ver com o fu- [sorri] Uma pessoa chega à minha idade e entrar em campo e sentir que está a servir nunca ia. E houve outra fase da minha vida tebol e os clubes... sente que não é a mesma pessoa. Agora, um ideal em que acredita. em que, de 15 em 15 dias, ia ao futebol. Há valores sem os quais se torna impos- quero escrever isto, fazer aquilo... continuo O dinheiro?... Olhe, há um rapaz, o Mário Campos, que sível viver. Mesmo hoje, esses valores têm na mesma. Não sei. Talvez até qualquer coisa de foi dos maiores extremos-direitos que eu vi de enformar a sociedade. Dizem: “Ai isso Então qual é o projecto que fervilha transcendente, mais do que o dinheiro. O no futebol português, de sempre! Vi-o fazer era antigamente...”. Então nós, hoje, só de- agora na sua cabeça? jogador tem de entrar em campo sem pen- exibições que nunca mais esqueci. vemos consumir, não podemos pensar? Agora estou a escrever “Motricidade sar no dinheiro. É evidente que ele tem de Bem, estamos a chegar ao fim da Há meia dúzia de anos, a Académica Humana – itinerários de um projecto”. Eu viver com dinheiro, mas tem de ter mais conversa... entrou em Alvalade com uma tarja a quero fazer a história da Motricidade qualquer coisa: o orgulho, o “vamos ga- Sabe uma coisa?... Gostava muito que o afirmar “Não à co-incineração”. É este Humana. Aquilo que pensei... Mas sou, nhar!”, o “tu és jogador de futebol e quan- futebol pudesse ser um motor de transfor- tipo de comportamentos que defende? acima do mais, um ensaísta e, como tal, to melhor jogares mais serás conhecido”... mação da sociedade. Com a força que tem, Claro, claro. É evidente que se eu estiver estou sempre a escrever coisas, recebo mui- É a transcendência, é a superação. O joga- ser o gérmen de qualquer coisa... dentro de um clube que pensa de determi- tos convites para ir aqui, ir ali... dor tem de entrar em campo convencido Mas diz o contrário... nada maneira, eu também começo a pensar. Convite para Stamford Bridge, para que o faz ao serviço de um valor transcen- É verdade, o futebol actual reproduz e Quando entramos numa igreja, sentimos ver jogar o Chelsea?... dente. multiplica as taras da sociedade. Julgo que a qualquer coisa de diferente, agimos de ma- Já tive, já tive, mas... Será por isso que Scolari reza com os Académica tinha condições invulgares para neira diferente. Não gosta do ambiente dos estádios jogadores antes dos jogos? ser esse motor... E é um não-crente que está a falar... ingleses? No Brasil usa-se muito isso. No Brasil, o ca- Mas o discurso mais ouvido é de que Não, não. Eu sou cristão, profundamen- Sim, mas não calhou ainda. O meu tolicismo entra no balneário. Ele [Scolari] pra- os tempos são outros e que é preciso te cristão. A figura que eu mais admiro na mundo é outro, sabe? Eu gosto muito de tica o catolicismo à sua maneira. Vai à missa. ganhar jogos... História é Cristo. Jesus Cristo trouxe uma ver os jogos do meu Belenenses. Estamos bem entregues, com Scolari? Ninguém está a dizer que não é preciso mensagem que põe Deus perto de nós. É O seu mundo é o Restelo? Não sei. Ele não faz menos do que ou- ganhar jogos. O jogador tem que se sentir esta a grande novidade do cristianismo, que O meu mundo é o Restelo. Mas não é só tros têm feito. Não sei... Não conheço ver- homem de um tempo e tem de lutar para S. Francisco de Assis interpretou de forma isso... Eu sou presidente da parte universi- dadeiramente o trabalho dele. Veja bem a transformar esse tempo. Ele é jogador de admirável. Onde está Deus?... No outro. A tária do Insituto Piaget, não tenho a vida facilidade com que chegámos à fase final do futebol, com certeza. Mas mesmo como jo- grande mensagem é esta: Deus está no tão livre como parece. Tenho obrigações. Campeonato do Mundo. gador de futebol pode fazer isso. nosso semelhante.
  7. 7. DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 CITAÇÕES 7 A senhora da limpeza expulsa-me: era GUERRA contrário, uma reorientação, do betão para crianças. Mostra-me o laçarote sobre a cabeça de uma figura (meninas) e um E ECONOMIA para os recursos humanos, do investi- mento na infra-estrutura física para o in- laço sob a cabeça da outra figura (meni- “Se olharmos só para o século XX, das vestimento social.” nos). Lógico... para ela que trabalha lá campanhas na Flandres (em 14-18) à pri- todos os dias. Mas para gente comum, meira missão de paz na Bósnia Herze- Marina Costa Lobo itações como eu, um Sudoku difícil em momen- govina (em 1993-94), passando pelas DN 03/06/06 to em que não me apetece jogar. guerras de África, em nenhuma altura es- De que vos falo aqui? Falo-vos do tivemos verdadeiramente preparados pa- Plano Nacional de Leitura – o tema do ra as emergências, mas adaptámo-nos de- PROBLEMAS DA IMIGRAÇÃO dia. Eu tenho uma proposta: sejam sim- pressa, e improvisámos melhor (como ples com a língua (e os sinais nas portas). sempre). Acabem com a Faculdade de Motricidade Isto pode mostrar que a falta de equi- “Para tomar a situação mais recente re- Humana. E com a empregabilidade. E a pamento adequado e estruturas, é cróni- cordemos que, em 1986, quando o Con- sustentabilidade. Digam ‘recebi’, não ‘re- ca, nas nossas forças armadas, ou que um gresso americano reformou a lei de imigra- VARREDELA cepcionei’. Isto que fiz é uma lista. Não país pacífico e não imperial tem (ou julga ção, estimava-se que existissem naquele uma listagem.” ter) menos obrigações do que as superpo- país cerca de cinco milhões de imigrantes DO SISTEMA Ferreira Fernandes tências, que vivem literalmente da guerra, e aprenderam a fazer reverter a mesma ilegais, razão pela qual a decisão da Administração passou então por um pro- “O choque de que o nosso país preci- CM 02/06/06 para o crescimento das suas economias”. cesso de regularização de grande dimensão. sa nessa matéria reconduz-se à varredela: Nestes 20 anos estima-se que tenham é preciso varrer radicalmente do sistema a Nuno Rogeiro entrado nos EUA cerca de 11 a 12 mi- maior parte dos actuais programas, ma- GERAÇÕES JN 02/06/06 lhões de imigrantes ilegais, a par dos que COBAIAS nuais, livros de estudo, métodos de ensi- entraram legalmente, seja a título de reu- no, teorias pedagógicas, talvez mesmo as nificação familiar, seja a título de imigra- próprias bases em que funcionam as es- PAÍS VIVE ção para fins económicos. A título com- DO ESTADO colas superiores de educação, formando “Nos últimos 30 anos, a educação tem parativo refira-se que na Europa, inexis- professores cuja actuação, a despeito de sido campo de experiências sucessivas, tindo um sistema coordenado de regulari- boas classificações, de empenhamentos com leis e meias reformas, tornando cada “É inquestionável que o emagrecimen- zações, é difícil fazer sequer uma estima- sinceros, das maiores boas vontades e de- geração uma grande cobaia, na qual se to da quot;máquinaquot; do Estado terá de acon- tiva do número de imigrantes ilegais, mas dicações, redunda globalmente nos fami- testam teorias e teimosias. Simultanea- tecer. Em serviços e pessoas. Não pode avalia-se em cerca de 500 mil os que anual- gerados resultados referidos. mente caíram intramuros escolares novos porém esse emagrecimento ser feito atra- mente entram ou permanecem irregular- Se tudo falha, é preciso recomeçar e agudos problemas sociais que deviam vés de quot;dietas cegasquot; como aquelas que, mente, dos quais cerca de 120 mil serão tudo desde o princípio, é preciso mudar ter resposta a montante e a jusante, mas para obter beleza, provocam indesejáveis mulheres e crianças, integrando, pois, o os materiais didácticos, é preciso inscre- não têm. anorexias. Mexer na quot;máquinaquot; do Esta- grupo de maior risco em termos de tráfi- ver os professores e demais responsáveis A escola transformou-se num espaço do requer tacto, coragem, inteligência. co para fins de exploração económica e pela educação numa reciclagem vigorosa multifunções, exigindo-se que faça tudo Parece um dos tais casos em que pode- sexual”. e completa, hoje que a palavra de ordem menos ensinar: intervenção social, psico- mos não morrer da doença, mas da cura. é a formação ao longo da vida. O que se logia, tratamento da pré-deliquência, sub- Portugal é ainda um país que vive do António Vitorino aprendeu com o objectivo de ensinar e o stituição da rede familiar, prevenção da Estado. Esta quot;verdadequot; é uma constata- DN 02/06/06 que se ensina com o objectivo de educar violência doméstica, remédio para o ção muito iludida pelo discurso dos em- não presta para nada e a melhor prova abandono, a subnutrição, a doença e ain- presários. Feitas as contas à contribuição disso é o que está a acontecer”. da o esforço diário de contrariar uma cul- em impostos directos e indirectos por COMPRESSÃO DE SÉCULOS tura de irresponsabilidade e laxismo. parte dos cidadãos trabalhadores depen- Vasco Graça Moura A classe dos professores é tida como dentes, essa fatia está desproporcionada DN 31/05/06 uma das mais relevantes socialmente e, relativamente àquela que deveria ser a “De facto, qual é o sentido de acabar paradoxalmente, é uma das mais desres- contribuição das empresas. Num Estado assim de repente, e à bruta, com uma peitadas. Para o que se lhes pede, são es- moderno terão de ser as empresas o gran- compressão de séculos? Até pode preju- PROFESSORES cassos os instrumentos de que dispõem de motor da sua economia.” dicar as mulheres, coitadas, aquele ror de VÍTIMAS para, com autoridade e eficácia, respon- espaço nas listas para encher. Felizmente, der aos problemas daquele quotidiano”. Paquete de Oliveira o Presidente está atento: quot;Mecanismos “Há uma tendência, em muitas das JN 01/06/06 sancionatórios e proibicionistasquot; como o opiniões publicadas ultimamente, para Maria José Nogueira Pinto da lei vetada quot;concedemquot; às mulheres acusar os professores de todas as malda- DN 02/06/06 quot;que assim acedam a cargos públicos um des cometidas na escola - e elas são mui- A INFLUÊNCIA inadmissível estatuto de menoridadequot;. DA DIREITA tas, mas não lhes cabem inteiramente. Suspeitar-se-á de que foram lá postas Acontece que a maioria dos professores PAZ EM ALTO RISCO pelos chefões do partido, por simpatia, são, à sua maneira, vítimas de um sistema “Mas, afinal, de que forma é que a di- bairrismo ou até competência, ao contrá- municiado (através do próprio Ministé- “O exercício da política, sobretudo na reita a pensar influencia a direita nas ins- rio do que sucede com os homens. Já es- rio) por uma burocracia que se apropriou área das relações internacionais, não é tituições, hoje? tamos a imaginar: passa uma deputada e do ensino público para impedir a avalia- uma actividade que se espera regida em Em relação aos partidos de direita, não toda a gente comenta: quot;Olha, lá vai mais ção, o trabalho e a excelência. Tem sido função da santidade, mas talvez seja ad- se vê grande impacto. Nos anos 80, O uma. Que vergonha. O que é que ela fez essa burocracia, geralmente ignorante e missível exigir que não se afaste da decên- Independente serviu como viveiro de para ir parar a São Bento?quot; Coisa assusta- cheia de poder e prerrogativas, que tem cia, e designadamente que a clássica men- ideias políticas para reformular o CDS dora, que como se sabe não se passa nos vindo a dificultar o trabalho dos profes- tira real, que a longa tradição liga às ne- em CDS/PP. Primeiro com o líder Ma- nossos dias.” sores e a alimentar uma terrível forma de cessidades do segredo de Estado, não ul- nuel Monteiro, e numa segunda fase corrupção no interior da escola, a que trapasse os limites do razoável. como trampolim para Paulo Portas che- Fernanda Câncio premeia os próprios burocratas que não A situação de alto risco em que se en- gar a líder do partido. Neste momento, DN 03/06/06 têm nada a ver com a escola”. contra a paz, entre mais razões relaciona- não se vislumbra reorientação liberal no das com interesses traduzíveis em espéci- CDS/PP, pelo contrário. Francisco José Viegas es raras, financeiramente especuláveis, e E qual a influência efectiva na direita RECICLAGEM JN 29/05//06 estrategicamente indispensáveis, é resul- no poder, isto é em Cavaco Silva? Para já tado de uma difícil conciliação da razoa- podemos dizer que é nula. A primeira “Nos festivais somos como bandos de bilidade com as intervenções sancionató- quot;presidência abertaquot; de Cavaco Silva foi pardais à solta, uns putos; somos filhos de DESLIGUEM OS rias adoptadas, desde a guerra aos condi- cionamentos das relações de mercado, dedicada à inclusão social. Esta semana esteve no interior do Alentejo para mos- uma mãe drogada na terra da fraternidade somos tribos futebol, somos parolos e bem COMPLICÓMETROS passando pela pregação de directivas con- trar o que as instituições políticas públi- mesmo sem olhar a quem. Há bar e mar, há dicionantes da liberdade de governo dos cas, nomeadamente as câmaras municipa- ir e voltagem; na natureza nada se perde, “À frente das portas das casas de ba- países em causa”. is, têm estado a fazer pelos excluídos. tudo se transtorna, tudo é recliclagem.” nho de um centro comercial, hesito. Uma Pelas entrevistas que tem dado, o que parece-me ter desenhada a figura de uma Adriano Moreira Cavaco advoga não é claramente uma di- Rui Reininho mulher. Vou pela outra. DN 30/05/06 minuição do papel do Estado. É, pelo JN 03/06/06
  8. 8. 8 SOCIEDADE DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 Governo cria 122 novos Centros RECONHECIMENTO, VALIDAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS e quer qualificar um milhão de pessoas Três em cada quatro trabalhadores por- Solidariedade, Vieira da Silva. Segundo a Lisboa e Vale do Tejo, 19 no Alentejo, dois perior. Os trabalhadores com menos do que tugueses não têm o ensino secundário, um Ministra da Educação, actualmente o siste- no Algarve e dois na região Autónoma da o secundário diminuíram em 33.200”. número que o Governo quer diminuir, ma RVCC destina-se apenas a adultos sem Madeira. Contudo, o peso, no total do emprego, tendo para isso lançado na passada semana o 4º, 6º ou 9º ano de escolaridade, pois os O lançamento destes novos Centros per- de trabalhadores com formação equivalen- (dia 31 de Maio) 122 novos Centros de Re- centros só dispõem de instrumentos técni- mitirá tornar operacionais, até ao final deste te ao secundário cresceu “apenas 0,9 por conhecimento, Validação e Certificação de cos para fazer a formação até ao 9º ano. ano, 220 centros, uma vez que já se encon- cento”, razão por que este programa é Competências (CRVCC). Contudo, afirmou que o 12º ano estará tram 98 em funcionamento. “fundamental”. Os CRVCC destinam-se a reconhecer as abrangido nestes centros já a partir do pró- Vieira da Silva destacou a “ambição de Relativamente ao calendário de abertura aprendizagens que os adultos desenvolvem ximo ano lectivo. enorme grandeza” do Governo ao preten- dos 122 centros, 30 serão inaugurados ao longo da vida nos vários contextos pro- “Terminámos agora a fase de homologa- der “multiplicar por cinco” (até 2010) os ainda no primeiro semestre deste ano, 50 fissionais, permitindo-lhes complementar ção para criar os instrumentos técnicos ne- Centros já existentes, sublinhando que até Setembro e os restantes 42 até ao final essa formação e obter habilitações reconhe- cessários para o 12º ano. Esperamos que “tem que ser assim”. do ano. cidas equivalentes ao 9º e 12º anos de esco- antes do Verão estejam homologados e que “Há ainda quem questione a importância Com este projecto, o executivo pretende laridade. no próximo ano estejamos em condições estratégica deste investimento. Gostava de até 2010 qualificar um milhão de pessoas A intenção de combater a escolaridade de arrancar”, disse. lembrar os números actuais”, disse o em 500 “Centros Novas Oportunidades” reduzida dos portugueses foi reafirmada Ministro, acrescentando: (Centros de Reconhecimento, Validação e pelo Governo durante a cerimónia de lan- REGIÃO CENTRO “No primeiro trimestre deste ano, e com- Certificação de Competências) e combater çamento dos 122 novos centros, que con- parativamente ao mesmo período do ano a baixa escolaridade da população activa COM MAIS 25 CRVCC tou com a presença do Primeiro-Ministro, passado, foram criados 32.500 postos de tra- portuguesa – 75 por cento com menos do José Sócrates, e dos Ministros da Educação, Dos 122 centros agora lançados, 43 vão balho, cresceram em 34.100 os trabalhadores que o 12º ano e metade com menos do que Maria de Lurdes Rodrigues, e do Trabalho e abrir na Região Norte, 25 no Centro, 31 em com o secundário e 31.500 com o ensino su- o 9º ano. Certificados 250 formandos NA ESCOLA DE HOTELARIA E TURISMO DE COIMBRA Joana Martins Foram cerca de 100 os certificados en- tregues, no passado dia 16 de Maio, pelo Centro de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências (CRVCC) na Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Foi a última de três sessões onde um total de 250 pessoas viram reconhecidas e certi- ficadas as competências adquiridas fora da escola, terminando assim uma formação que, pelas mais variadas razões, não haviam completado através do ensino formal. Tutelado pelo Ministério da Educação, o projecto do CRVCC, pretende que pessoas de qualquer sector profissional possam de- monstrar as suas competências em quatro áreas chave: matemática para a vida, cidada- HorÆcio Pina Prata, JosØ Lu s Marques e Adelaide Claro nia e empregabilidade, linguagem e comuni- cação e tecnologias da informação e da co- O projecto começou em Novembro de do ao nível da satisfação pessoal” e também construir um projecto de sucesso”, tal municação. Assim, tal como explicou José 2001 e desde aí o número de inscritos já no sentido de “abrir portas no futuro para como referiu José Luís Marques. Luís Marques, Director da Escola de Tu- chegou aos 2400, sendo que, destes, cerca uma formação adicional”. Horácio Pina Prata, Vice-Presidente da rismo e Hotelaria de Coimbra, o desafio é a de 900 já foram certificados, sobretudo Adjectivado pelo Director da Escola co- Câmara Municipal de Coimbra, também es- criação de um “dossier pessoal que deve es- com o 9º ano de escolaridade. Tal como mo um “projecto educacional e de forma- teve presente na cerimónia e deixou uma pelhar as competências de cada um”. Numa José Luís Marques confessou ao “Centro”, ção”, o CRVCC contou, no seu desenvolvi- mensagem de encorajamento aos forman- segunda fase este dossier é aprovado pela a importância deste projecto reside em “ver mento, com parcerias que se revelaram de dos. Salientou a importância de “validar as equipa de validação do processo, que certi- o trabalho concluído com qualidade e ver, extrema importância. Assim, registou-se a competências”, sublinhando que esta é uma fica que os formandos possuem tais compe- sobretudo, a satisfação das pessoas”. Para colaboração de várias Juntas de Freguesia, oportunidade de “gerar competências e au- tências. É-lhes assim dada a equivalência ao José Nobre, um dos formandos presentes, centros de formação, associações e sindica- mentar o nível de inovação” do país. ano escolar que pretendem completar. esta certificação é “uma mais-valia, sobretu- tos, “cada uma com a sua intervenção para Apesar de as portas do projecto ainda não estarem ainda abertas para aqueles que querem finalizar o 12º ano de escolaridade, a certifica- ção da escolaridade obrigatória através do CRVCC não deixa de ser um impulso e uma motivação para os formandos prosseguirem os estudos. Adelaide Claro, representante da Direcção Regional de Educação do Centro , encorajou todos os presentes na sessão a pro- curarem novos caminhos para continuar a sua formação. Segundo a representante da DREC, “o Ministério da Educação tem muita vontade de fazer sair Portugal da cauda de União Europeia”. Adelaide Claro apresentou, por isso, uma pluralidade de saídas escolares para todos aqueles que quiserem continuar os estudos.
  9. 9. DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 REPORTAGEM 9 LIGA DOS AMIGOS DE CONIMBRIGA Notável trabalho de associação multidisciplinar Na anterior edição do “Centro” publicá- pregados, em torno de temas como a Ges- mos detalhada reportagem sobre as ruínas ro- tão do Património, o Turismo Ambiental e manas de Conimbriga, focando as inovações o Desenvolvimento Sustentável, sendo de que ali têm sido introduzidas e que permiti- salientar a empregabilidade de mais de cen- ram duplicar agora a área aberta ao público. tena e meia de desempregados de longa du- Hoje é a vez de aludirmos à Liga dos ração, jovens em risco e licenciados”. Amigos de Conimbriga (LAC), uma asso- Referência merecem também, para além de ciação que há muitos anos desenvolve uma projectos de impacto local, regional e mesmo actividade tão diversificada como meritória, transfronteiriço, as acções de divulgação cien- e que se não cinge ao espaço físico das ruí- tífica no âmbito da “Astronomia no Verão”, nas nem à zona geográfica onde estas se si- assim como sessões de Biologia e Geologia. tuam, antes se estende a diversos pontos do País e do estrangeiro. CONGRESSOS E PROJECTOS Para melhor conhecer a LAC, o “Cen- INTERNACIONAIS tro” foi ouvir o respectivo Presidente, António Queirós. Em 1998, a LAC organizou o I Encontro Começou por nos referir que a LAC foi Internacional de Plantas Aromáticas e Medi- fundada em 18 de Março de 1992, “como cinais Mediterrânicas, que contou com a pre- associação cultural e científica, desenvol- sença de 300 congressistas, oriundos de 21 vendo nos anos seguintes novas valências países, e onde foram apresentadas 136 comu- enquanto associação ambientalista de âmbi- nicações. Promoveu, em paralelo, a 1ª Feira to nacional, juvenil e de desenvolvimento Internacional de Plantas Aromáticas e Medi- local e regional”. cinais e Outros Produtos Naturais – FIPAM Segundo referiu, a LAC (que é reconhe- 98, onde estiveram representadas empresas li- cida como Instituição de Utilidade Pública), gadas a diversos ramos de produtos naturais. tem vindo a crescer “na ordem das cente- No ano de 1999 organizou o I Congresso nas de associados por ano, atingindo hoje das Plantas Aromáticas e Medicinais dos 3.200 sócios, distribuídos por todo o país e PALOP – Países de Língua Oficial Portugue- também pela Europa, das mais diversas sa, que contou com a presença de 200 delega- condições sociais e com uma forte compo- dos dos referidos países e onde foram apre- Ant nio Queir s nente juvenil”. sentadas 50 comunicações científicas. Em pa- ralelo, promoveu e organizou a FIPAM 99. QUATRO ÁREAS Em 2002 e 2003, o CEFOP foi o parcei- Licenciado em Estudos Portugueses, História e Arte e Design. Pós-graduado em DE INTERVENÇÃO ro nacional, juntamente com a DGEMN, Ciências da Educação, mestre em Filosofia da Natureza e do Ambiente e mestre em do projecto NOMAD, de reinserção social Teorias da Arte. Doutorado em Filosofia das Ciências, pela Universidade de Lisboa. De acordo com António Queirós, a LAC de jovens através da descoberta e do traba- Autor de cerca de duas centenas de trabalhos científicos, técnicos e didácticos, particu- desenvolve as suas actividades a partir de qua- lho com o Património Arquitectónico, larmente nas áreas do Património e do Ambiente, Formação e Turismo. tro grandes áreas organizadas por outros tan- apoiado pelo programa Leonardo e pelo Membro do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Presidente da Liga de tos departamentos: “Educação, Investigação, Conselho da Europa, e que se desenvolveu Amigos de Conimbriga e do Conselho Científico-Pedagógico do Centro de Formação Formação e Divulgação”; “Animação Cultu- em Portugal, França e Itália. de Professores (Profissional) de Conimbriga. Formador acreditado pelo CCPFC de ral”; “Iniciativas Empresariais, Emprego e professores para uma dezena de áreas científicas. Membro fundador de diversas asso- Desenvolvimento Sustentável”; e “Edições. LITERACIA CIENTÍFICA ciações e federações das áreas do ambiente e do património cultural e promotor da sua No que concerne à primeira área, mere- E ANIMAÇÃO CULTURAL internacionalização. Coordenador de vários programas integrados no Mercado Social ce destaque o Centro de Formação de Pro- de Emprego. Coordenador de alguns projectos de reabilitação da paisagem e desenvol- fessores (CEFOP) de Conimbriga, de âm- António Queirós lembra que desde 2004, vimento sustentável. Gestor e administrador empresarial nestes sectores. bito nacional, “com um Programa anual o CEFOP integrou a Comissão Instaladora que pode ir até mais de 100 acções, 70 tur- da MC2P - Museus e Centros de Ciência de mas, 1.400 professores formandos, 40.820 Portugal, que representa os principais mu- sas acções, focando temas que vão desde “a de longa duração e a grupos de risco. Estas horas de formação”, como salienta An- seus e centros de ciência do nosso país. E religião local, a sociologia e geografia dos empresas actuam a nível regional, nacional tónio Queirós, acrescentando: acrescenta: “Cerca de quatro dezenas de ins- desportos radicais até à cultura clássica, a as- e com extensão a Espanha no turismo cul- “O CEFOP.Conimbriga evoluiu parale- tituições aderiram à novel associação, oriun- tronomia, a arqueologia”. Em colaboração tural e de Natureza. A LAC tem ainda lamente como Centro de Formação Profis- das do sector empresarial, das universida- com o Museu de Conimbriga, desenvolve ac- vindo a editar, desde 1993, diversos livros, sional, acreditado pelo IQF e, mais recente- des, da iniciativa da administração pública e tividades de animação das ruínas e do seu ter- brochuras, cadernos, roteiros, filmes vídeo, mente, como Centro de Verificação e da sociedade civil. O seu programa e objec- ritório (os seis Concelhos do Maciço Calcário etc., com fins científico-didácticos, num Certificação de Competências, para todas tivos estão orientados para a promoção da de Sicó), desde a reconstituição histórica, até total de mais de meia centena de títulos. as áreas e domínios científicos, possuindo literacia científica e técnica, o ensino experi- espectáculos de teatro, música e ópera”. De realçar, por último, a participação um corpo de mais de uma centena de for- mental das ciências, a promoção do turismo muito activa da LAC, em conjunto com ou- madores, mais de um terço doutorados e científico e o desenvolvimento da cultura ci- GRUPO DE MICRO-EMPRESAS tras entidades, na criação de Parques Ecoló- oriundos das principais universidades, mu- entífica nas actividades económicas e nos gicos e do Circuito da Romanização – um seus, associações científicas. A partir de processos de desenvolvimento”. António Queirós refere que a LAC criou notável percurso histórico, de invulgar ri- 2003, em parceria com a CCDRC e Asso- No que toca ao Departamento de Ani- um grupo de micro-empresas que visam, queza natural e cultural, a que o “Centro” ciações locais de desenvolvimento, desen- mação Cultural, o Presidente da LAC refere- sobretudo, dar oportunidade a jovens que irá dedicar desenvolvida reportagem na volveu-se a formação de activos e desem- nos que desde 1992 promove as mais diver- procuram o 1º emprego, a desempregados próxima edição. Auto-Luz E LECTRICIDADE A U T O António Afonso Barbosa 66 anos de actividade ao serviço do automobilismo S ERVI˙O P E R M A N E N T E:912 332 204 / 239 823 436 / 239 712 864 Morada: Terreiro da Erva 1-A 3000-355 COIMBRA
  10. 10. 10 SAÚDE DE 7 a 20 DE JUNHO DE 2006 «Hospital de Dia» dos HUC 14 MIL CONSULTAS E 12 MIL TRATAMENTOS EM 2005 presta serviço exemplar Entrada do H ospital de Dia Anabela SÆ Joana Martins Pneumologia, Dermatologia, Urologia e espera, realizou, aproximadamente, 14 mil Dia. A unidade administra, ainda, as terapêu- Hematologia, os quais foram sendo transfe- consultas e 12 mil tratamentos no ano de ticas para a dor e fornece consultas de Em funcionamento há pouco mais de ridos gradualmente. Entretanto, iniciou-se 2005. Falamos, no entanto, de custos tera- Nutrição Clínica e Consulta de Risco. quatro anos enquanto unidade independen- o tratamento de doentes com tumores do pêuticos muito elevados. Tal como refere Anabela Sá considera como “um bom te, o Hospital de Dia de Oncologia dos sistema nervosos central. Anabela Sá, “é uma área muito cara” o que grupo de profissionais” a equipa que a Hospitais da Universidade de Coimbra Tal como define Anabela Sá, Directora resulta não só do aumento do número de acompanha na rotina do Hospital de Dia. (HUC) é a unidade de saúde que alberga e do Hospital de Dia, esta unidade “não é doentes como, também, do surgimento de Salienta que os custos são a maior dificulda- trata os doentes de oncologia. Médicos, far- exactamente um serviço”, mas sim o espa- novas terapêuticas nas várias áreas, que se de que enfrentam, sendo que “a falta de macêuticos, enfermeiros, técnicos e auxilia- ço onde pessoas de diversas áreas médicas tornam bastante dispendiosas. São, no en- pessoal, nomeadamente de enfermagem” é res compõem a equipa que, todos os dias, prestam atendimento durante várias horas tanto, custos suportados pelo Hospital, outro dos pontos críticos de que a unidade se empenha neste trabalho. por semana. A Directora da unidade salien- sendo que, inclusivamente, o doente está padece. Por outro lado, sublinha a A criação do Hospital de Dia foi um ta que houve algumas dificuldades de adap- isento de taxas moderadoras. Directora do Hospital de Dia, apesar da di- processo gradual. Desde a sua abertura, em tação, na medida em que muitos tiveram de Não falamos, apenas, das terapêuticas di- ficuldade que advém da proximidade que Março de 2002, que vários serviços foram se adaptar ao novo espaço e a uma nova or- rectas, denominadas citostáticos, mas, tam- os profissionais estabelecem com os doen- desenvolvendo o espaço para as suas espe- ganização de trabalho em equipa. bém, de terapêuticas de suporte, medicamen- tes, e que se torna dolorosa face a casos em cialidades. Assim, constituem esta unidade Os números do primeiro trimestre deste tos que não só “melhoram a qualidade de que eles padecem da adversidade da doen- extensões dos Serviços de Ginecologia e de ano apontam para um total de 2800 trata- vida”, como muitas vezes são elas que permi- ça, Anabela Sá considera que se torna “gra- Medicina III, projectados para o espaço do mentos realizados no Hospital. Trata-se de tem “manter os doentes em tratamento”, tal tificante dar alta aos doentes e ver quando Hospital de Dia desde o início e, ainda, de uma unidade que, apesar de não ter listas de como esclarece a Directora do Hospital de as coisas correm bem”. Hospitais sem tabaco Joana Martins Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) assinalaram, no passado dia 31 de Maio, o Dia Mundial do Não Fumador com a apresentação do projecto “HUC sem Tabaco”, inserido na Rede Europeia dos Serviços de Saúde sem Tabaco. Aprovado a 15 de Março de 2006 pelo Conselho de Administração dos HUC, este projecto visa promo- ver uma unidade hospitalar sem fumo. Assim, foram lançadas diversas iniciativas, de entre as quais se salientam a realização de um inquérito entre os trabalhadores do hospital visando conhecer os seus hábitos de ta- bagismo. Foi ainda feita uma acção de rastreio de dependência tabágica e da Doença Pul- monar Obstrutiva Crónica que durou todo o dia. Do inquérito realizado, ao qual responderam 2200 funcionários, resultam dados que mostram que mais de 80% dos trabalhadores acham que não se deve fumar no hospital, visto este ser um local de tratamento de doentes. O Presidente do Conselho de Administração dos HUC, Agostinho Almeida Santos, reiterou o “êxito do programa” que deixa assim os hospitais “mais isentos de monóxi- do de carbono”. A acção de sensibilização não fica por aqui, e entrará em funcionamen- to uma consulta de desabituação tabágica para os funcionários do hospital. Agostinho Almeida Santos presidiu sessªo no Dia do Nªo Fumador

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