O turismo

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O turismo

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO POLÍTICA E SOCIEDADE DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA ADSON DE OLIVEIRA CAROLINE NEVES DE CARVALHO GLENDA GASPARINI GUTERRES SIMONE CÂNDIDA DE ANDRADEO TURISMO ENQUANTO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO DA GEOGRAFIA: UMA NOVA LEITURA SOBRE A PAISAGEM VITÓRIA 2010
  2. 2. 2 ADSON DE OLIVEIRA CAROLINE NEVES DE CARVALHO GLENDA GASPARINI GUTERRES SIMONE CÂNDIDA DE ANDRADEO TURISMO ENQUANTO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO DA GEOGRAFIA: UMA NOVA LEITURA SOBRE A PAISAGEM Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Educação, Política e Sociedade, objetivando a aprovação na Graduação de Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Orientadora: Profª Solange Lins Gonçalves VITÓRIA 2010
  3. 3. 3 ADSON DE OLIVEIRA CAROLINE NEVES DE CARVALHO GLENDA GASPARINI GUTERRES SIMONE CÂNDIDA DE ANDRADE O TURISMO ENQUANTO PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO DA GEOGRAFIA: UMA NOVA LEITURA SOBRE A PAISAGEMTrabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Educação, Política eSociedade, como requisição para obtenção do Grau de Licenciado em Geografia, naUniversidade Federal do Espírito Santo. ---------------------------------------------------------------------- Profª Drª Marisa Valladares Universidade Federal do Espírito Santo ---------------------------------------------------------------------- Profª Msª Solange Lins Gonçalves Universidade Federal do Espírito Santo Orientadora --------------------------------------------------------------------- Profª Drª Gisele Girardi Universidade Federal do Espírito Santo --------------------------------------------------------------------- Profª Jurema Tonini Prefeitura Municipal de Vitória
  4. 4. 4Queremos agradecer ao nosso Deus, que sempre nossustentou e nos deu força durante toda caminhada. “Não tenhopalavras para agradecer Tua bondade e fidelidade (...) Tudo oque tenho, tudo o que sou, o que vier a ser, vêm de ti Senhor.”
  5. 5. 5 RESUMOO turismo e o lazer assumem na sociedade um importante papel, sendo um dasprincipais atividades econômicas em que o homem se relaciona com a natureza,contribuindo com a formação de uma configuração espacial do lugar. Os programasde Geografia, no ensino básico, enfatizam a agricultura e a indústria como atividadehumana configuradora do espaço, deixando à mercê a atividade turística e seuimpacto sobre o espaço geográfico. No entanto, sendo o turismo a atividade quemais cresce no mundo hoje, a Geografia deve considerá-la e repensá-la em suaprática cotidiana na escola, já que assim como a indústria e a agricultura o turismotambém provoca transformações na organização dos espaços geográficos. Diantedisso, o presente projeto propõe analisar a possibilidade de se trabalhar a categoria“paisagem” como elo de ligação entre o turismo local e a Geografia, utilizando, paratanto, um ponto turístico do município de Cariacica para aplicação do conceito depaisagem.Palavras-chaves: Geografia, Turismo e Paisagem.
  6. 6. 6 LISTA DE FOTOGRAFIASFoto 1: Aluno fotografando um dos pontos de parada da trilha ............................... 22Foto 02 e 03: Alunos respondendo ao questionário ................................................. 26Foto 04: Mochuara ................................................................................................... 27Foto 05 e 06: O primeiro contato do grupo com a trilha ............................................28Foto 07, 08 e 09: Refazendo a trilha com o guia local ..............................................29Foto 10 e 11: Aula expositiva dos conceitos a serem trabalhados ...........................30Foto 12, 13 e 14: Percebendo a paisagem ...............................................................31Foto 15 e 16: Primeiro ponto de parada ....................................................................32Foto 17 e 18: Segundo ponto de parada ...................................................................33Foto 19: Terceiro ponto de parada ............................................................................33Foto 20 e 21: Quarto ponto de parada ......................................................................34Foto 22 e 23: Quinto ponto de parada ......................................................................35
  7. 7. 7 SUMÁRIOCapítulo 1 – Panorama dos aspectos atualmente trabalhados no ensino daGeografia ................................................................................................................ 81.1. O turismo no ensino da Geografia: onde está?.................................................. 81.2. Da inexistência de abordagem a concepção de turismo dos alunos ................. 10Capítulo 2 – Trabalhando conceitos ..................................................................... 142.1. Turismo .............................................................................................................. 142.2. Paisagem ........................................................................................................... 152.3. Pensando o Estudo do Meio ............................................................................. 17Capítulo 3 - (Re) Descobrindo a paisagem: as metodologias utilizadas .......... 193.1. As trilhas interpretativas .................................................................................... 193.2. Paisagem: a percepção dos alunos pela fala .................................................... 213.3 Percepção da Paisagem: o registro em fotos ..................................................... 223.3. A cartografia como recurso de interpretação aplicável da paisagem ................ 23Capítulo 4 – Relatando a nossa prática: descrição e análise da nossa propostapedagógica ............................................................................................................ 264.1. Aonde foi realizado? ......................................................................................... 264.2. O local da prática .......................................................................................... 274.3. Como realizar a atividade prática? ............................................................... 284.4. Concretizando o projeto ................................................................................ 294.5. Trilha interpretativa: uma nova leitura da paisagem ...................................... 314.6. Resultados ..................................................................................................... 35Referências Bibliográficas .................................................................................... 38Anexos .................................................................................................................... 40
  8. 8. 8 Capítulo 1 – Panorama dos aspectos atualmente trabalhados no ensino da Geografia1.1. O turismo no Ensino da Geografia: onde está?As atuais propostas de trabalhos pedagógicos que permeiam o ensino da Geografianas escolas trazem como características comuns o uso exarcebado de livrosdidáticos, tornando-os definidor da Geografia que é ensinada na sala de aula.Dentro deste contexto e da necessidade didática da explicação dos fatos, o ensinoda Geografia foi perdendo sua visão global do espaço e suas inter – relações nasdiferentes escalas. “O cidadão em geral, ao contrário, possui uma percepção fragmentada, mais restrita ao lugar onde habita. Aplicando-se tais reflexões ao contexto escolar, faz-se necessário que os alunos compreendam que vivem num determinado lugar que interage com outros lugares do espaço terrestre numa lógica totalizadora, dinâmica e contraditória.” (MELO, CARARO, SANTOS, J., SONEGHET, CASTRO, MERÇON, GOLLNER e GONÇALVES, 2008, p.9)Os documentos e programas da Geografia propõem, com base nos ParâmetrosCurriculares Nacionais (1998), um trabalho pedagógico que visa à ampliação dascapacidades dos alunos do ensino fundamental de observar, conhecer, explicar,comparar e representar as características do lugar em que vivem e de diferentespaisagens e espaços geográficos. Porém, os próprios livros didáticos, ferramentabásica do professor, apresentam uma realidade fragmentada, dando, por exemplo,ênfase às atividades do homem, tais como a agricultura e a indústria comoconfiguradora do espaço geográfico, deixando de lado a importância da atividadeturística na organização espacial de um lugar, desconsiderando, assim, que oturismo tem sido a atividade que apresenta maior expansão, e que continuará
  9. 9. 9crescendo nas próximas décadas. Tal fato confirma a constatação de Umbelino deOliveira (1987, p. 137), que diz: “(...) a produção dos livros didáticos de geografia não tem acompanhado as transformações que a ciência geográfica tem vivido nos últimos tempos.”As enormes transformações recentes proporcionadas pela atividade turística naorganização dos espaços geográficos vêm fortalecendo a idéia de que a Geografiaprecisa se abrir e trabalhar essas atividades configuradoras do espaço como umtodo. A escola tem permanecido omissa em relação a isso, voltando-se mais, comojá dito, para as outras atividades econômicas e seus reflexos espaciais.A prática do turismo se expandiu de tal maneira que torna-se imprescindível aincorporação desta atividade ao ensino da Geografia, já que “as atividades turísticasgeram deslocamentos humanos e criam espaços diferenciados: áreas emissoras,áreas de deslocamento e áreas receptoras. O turismo também se baseia ematividades que utilizam e modificam os recursos da superfície terrestre como, porexemplo, os diferentes espaços paisagísticos e suas peculiaridades climáticas egeomorfológicas, os sítios litorâneos ou as manifestações culturais, eventos, etc.”(GUERRERO e ALMEIDA, 2007 p. 08) “(...) O turismo é um processo que interessa à sociedade e à natureza e, por essa razão, está vinculado de forma muito estreita aos objetivos da Geografia enquanto ciência que se propõe a interpretar os arranjos espaciais da superfície terrestre e a decodificar toda a complexidade de seu dinamismo.” (Conti,J.B., 1997 apud GUERRERO e ALMEIDA, 2007 p. 12)A Geografia tem como proposta a interação do binômio natureza/sociedade, assim oturismo acaba por interagir com todas as áreas do saber geográfico. Cabe a estadisciplina levar o aluno a compreender o espaço produzido pela sociedade em quevivemos, de maneira que se incorpore o turismo na vida das pessoas a partir de umolhar geográfico desta atividade, desconstruindo aquela visão especulativa deturismo que a mídia proporciona ao retratar a atividade turística apenas comosituações de viagens. (XAVIER, 2002 p. 63)
  10. 10. 10Com intuito de confirmar tal constatação, foi realizado, como ponto de partida para odesenvolvimento deste trabalho, a aplicação de um questionário de sondagem aosalunos da 8ª série da EJA, na EMEF Talma Sarmento de Miranda, em São Geraldo,município de Cariacica, em que pôde-se observar as dificuldades que os alunostiveram em respondê-lo, principalmente no que se refere à relação o turismo e aGeografia. Diante da análise da fala dos alunos no questionário, exposta a seguir,tornou-se necessário a revisão de alguns conceitos, tais como da categoria depaisagem, categoria que pretendemos utilizar como elo na relaçãoGeografia/Turismo, além disso revisou-se também a conceituação de turismo e doestudo do meio.1.2. Da inexistência de abordagem à concepção de turismo dos alunosDiante da não abordagem do fenômeno turístico pelos livros didáticos e,consequentemente, pelos professores de Geografia em suas aulas, há poucoconhecimento e informações sobre o turismo entre os alunos. O que predomina é avisão imposta pela mídia do que é turismo, isso se reflete nas falas dos alunos noquestionário aplicado para uma turma de 8ª série EJA, na escola EMEF TalmaSarmento de Miranda, em Cariacica:Fala 1: “Um local bem conhecido procurado por visitantes, ou meio de conhecernovos lugares.” (Aluno 8ª série EJA)Fala 2: “Turismo é uma viajem para você conhecer lugares novos.” (Aluno 8ª sérieEJA)Fala 3: “São visitantes que vem de outros lugares conhecer as nossas belezasnaturais, etc.” (Aluno 8ª série EJA)
  11. 11. 11Diante dessa dificuldade, que resulta da própria inexistência de abordagem do temaem sala de aula, percebe-se, conforme Xavier, 2002, que “as pessoas absorvem a atividade, mas permanecem sem saber o que fazer” (p. 63)No que diz respeito à relação entre a Geografia e a atividade turística, a fala dosalunos também reafirma ausência da abordagem geográfica nessa área,demonstrando a visão viciada pela concepção da mídia de turismo que os alunostem, na qual a maioria partiu do pressuposto de associação do turismo ao lazer.Inclusive, muitos encontraram dificuldades para realizar essa relação entre adisciplina e o turismo. A pergunta realizada foi: “Você acha que o turismo tem a vercom a Geografia? Por que?” Algumas respostas foram:Fala 1: “Sim. Porque fala do país onde temos muito turismo.” (Aluno 8º série EJA)Fala 2: “Sim. Porque com o turismo você conhece vários país que você passa.”(Aluno 8º série EJA)A incorporação do turismo na prática docente, diante das respostas dos alunos, sefaz muito urgente e necessária, e uma das propostas de incorporação dessadimensão pela Geografia é feita por Xavier (2002 p.65), que afirma que tal disciplina “deverá trabalhar com temas que possam conduzir a uma tomada de consciência pelo turismo. São, pois, sugeridos temas como: o estudo e a valorização da paisagem geográfica, a educação ambiental pelo turismo, e a interpretação do patrimônio, dentre outros.”O trabalho de valorização da paisagem torna-se, dessa forma, uma das maneiras dese interiorizar as informações, aguçando a percepção que os alunos desenvolvemdo meio ambiente e do uso dos recursos pelo homem, incluindo as ações do homemno espaço geográfico.
  12. 12. 12Assim, conforme Xavier (2002 p.66): “A paisagem geográfica constitui tema central para as atividades turísticas e educativas. Ela deve ser entendida constituída por componentes naturais e construídos, visíveis e não visíveis. Nos projetos ligados ao estudo da paisagem geográfica nas escolas, deverão constar atividades que levem o educando a observá-lo por meio de sua descrição, representação e identificação de seu valor, seja estético, histórico, ambiental ou arquitetônico. A paisagem poderá ser trabalhada diretamente no campo, pela percepção direta ou em sala de aula, pela observação indireta, por meio de fotografias, filmes, mapas ou pré-mapas.”Sendo assim, a percepção e valorização da paisagem podem se constituir comouma estratégia de se trabalhar o turismo no ensino da Geografia, já que a atividadeturística se apresentará como um dos fatores que comporão a paisagem, categoriageográfica muito discutida nas aulas dessa disciplina.Considerando-se a abrangência e a complexidade da questão, projetamos osseguintes objetivos norteadores do nosso trabalho: • Apresentar e analisar uma metodologia para o ensino da categoria “paisagem”; • Tornar aplicável a categoria geográfica “paisagem” em um ponto turístico escolhido pelos alunos da EMEF “Talma Sarmento de Miranda”, no município de Cariacica;No capítulo a seguir, faremos uma revisão de conceitos: trabalharemos o conceitode paisagem conforme Milton Santos, utilizaremos na conceituação de turismoalguns aspectos levantados e discutidos por Frank M. GO, Ruschmann e Balastreri,assim como a de estudo do meio feita por Christian Oliveira. Essas leituras levaramà reflexão acerca da elaboração de uma proposta que contemplasse umaarticulação entre tais conceitos numa aplicação prática que viesse contribuir com o
  13. 13. 13ensino da Geografia nas escolas, tal prática será relatada nos capítulos seguintes aodebate dos conceitos.
  14. 14. 14 Capítulo 2 – Trabalhando Conceitos2.1. TurismoO turismo, enquanto atividade econômica que mais cresce, vem se destacandodiante do volume de renda que gera, no entanto, em sala de aula ainda é poucodebatido numa perspectiva geográfica. Assim como qualquer outra atividadeeconômica o turismo também proporciona transformações espaciais, até porque odesenvolvimento de tal atividade pressupõe a construção de hotéis, restaurantes,rede de transportes, que vão configurar o espaço geográfico. Em seus estudossobre espaços turísticos, Balastreri (2006, p. 23) destaca a importância do estudo doturismo: “O turismo e o lazer assumem no mundo contemporâneo, particularmente, nos países centrais do capitalismo e mesmo em regiões ricas dos países emergentes e pobres, uma importância nunca antes imaginada, sendo designado por muitos como uma das principais indústrias do período técnico- científico-industrial, rotulado também por pós- modernidade.”Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo aparece como: “a soma derelações e serviços resultantes de uma mudança voluntária para uma residênciatemporal, não motivada por razões de negócios ou profissionais” (Flores, 1974 apudPAGANI, SCHIAVETTI, MORAES, TOREZAN org. AMALIA LEMOS, 1996 p. 51)Na contramão desta definição da OMT, encontra-se a definição de turismo propostapor Frank M. GO (apud Godoi Trigo, 2003 p. 16), segundo o qual, o turismo “pode ser definido como o movimento de indivíduos e grupos de uma localização geográfica para outra por prazer e/ou por negócios, sempre em caráter temporário; o atendimento das necessidades dos viajantes, seja em trânsito ou no destino; e os impactos econômicos, sociocultural e ecológico que tanto os turistas como o setor turístico provocam nas áreas de destino.”
  15. 15. 15Assim, o turismo abarcaria todas as movimentações temporárias de grupos depessoas de um local para outro, motivada não apenas por lazer, como proposto pelaOMT, mas também motivadas por negócios e assuntos profissionais.O turismo vai desempenhar um importante papel na configuração da paisagem àmedida que dispõe de aparatos complexos, sendo, ainda conforme Frank M. GO“uma indústria composta por atrações, transportes, facilidades/serviços em geral, einformação e promoção”. (p. 16) Dessa forma, na constituição do espaço turístico,tais componentes (transportes, serviços, entre outros) vão compor a paisagem,dando a esta uma configuração específica de espaço voltado para a atividadeturística. Na utilização deste espaço, “o turista utiliza uma variedade deequipamentos e serviços criados para seu uso e para a satisfação de suasnecessidades.”(Ruschmann, 1997, p.14) interferindo direta e indiretamente nacomposição da paisagem.2.2. PaisagemA paisagem é um das categorias de estudo da geografia que permite uma avaliaçãoa partir de uma imagem que pode ser contemplada com uma simples olhada de umobservador ao seu redor, é o que afirma SANTOS (1988, p.61) “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc.”No ensino da paisagem nas aulas de geografia em turmas de ensino fundamental,esse conceito é abordado usando uma definição mais simplificada como uma porçãodo espaço apreendida com o olhar (FERREIRA, 1984). No entanto, seguindo estavisão, o que teríamos seria uma definição vazia de paisagem, pois conforme nosaponta SANTOS (1988, p.62) “Nossa tarefa é a de ultrapassar a paisagem como
  16. 16. 16aspecto, para chegar a seu significado.” Tal tarefa é alcançada, ainda nos dizeres deMilton Santos, através da percepção. “A dimensão da paisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos. Por isso, o aparelho cognitivo tem importância crucial nessa apreensão, pelo fato de que toda nossa educação, formal ou informal, é feita de forma seletiva, pessoas diferentes apresentam diversas versões do mesmo fato. (...) A percepção é sempre um processo seletivo de apreensão. Se a realidade é apenas uma cada pessoa a vê de forma diferenciada; dessa forma, a visão pelo homem das coisas materiais é sempre deformada.” (1988, p. 62)Assim, a paisagem é composta por uma série de relações como sons, volumes,cores, odores e de uma história como diz SANTOS (2002, p.107), "A paisagem éhistória congelada, mas participa da história viva. São suas formas que realizam, noespaço, as funções sociais".No ensino da Geografia, para melhor compreensão desse conceito deve-se levar emconta a sua abstração, por isso se faz necessário o uso de exemplificações e acomparação entre uma paisagem que não sofreu uma atuação direta do homemcom uma paisagem totalmente remodelada pela ação humana, observando sempreo tempo e os agentes implícitos a primeira vista. Sobre a paisagem natural e aartificial, SANTOS (1988, p.64) diz: “A paisagem artificial é a paisagem transformada pelo homem, enquanto grosseiramente podemos dizer que a paisagem natural é aquela ainda não mudada pelo esforço humano. (...) A paisagem é um conjunto heterogêneo de formas naturais e artificiais, é formada por frações de ambas, seja quanto ao tamanho, volume, cor, utilidade, ou por qualquer outro critério. A paisagem é sempre heterogênea.”Por esse viés, admite-se que, tanto pela atuação do homem, quanto pelasobreposição de arranjos do mesmo espaço, segundo Santos (2002, p.103): "A paisagem é um conjunto de formas que, num dado momento, exprime as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza ".
  17. 17. 17Assim, a leitura da paisagem se dá mediante a identificação destes elementos que acompõem, o trabalho de observação deve se iniciar pelas características que tocama cada um, levando em consideração a sua história, já que na paisagem prevalecemas decisões que venceram e determinaram a sua imagem, conforme os PCN’s(1998).2.3. Pensando o Estudo do MeioO estudo da paisagem apresenta uma grande interdisciplinariedade, profissionais dediferentes áreas de formação podem contribuir com esse estudo. “Por exemplo,coisas que um arquiteto, um artista vêem, outros não podem ver ou o fazem demaneira distinta. Isso é válido, também, para profissionais com diferente formação epara o homem comum.” (SANTOS, 1988 p.62)Isso quer dizer que uma mesma paisagem pode ser interpretada de maneirasdiversas,“a paisagem geográfica está muito mais voltada para a dinâmica doambiente em relação ao homem. Não existe paisagem geográfica sem se considerara existência do ser humano, suas atitudes e valores.” (GERRERO e ALMEIDA, 2007p.13) Dessa forma, o estudo e a compreensão da paisagem tem uma importânciapara a prática do turismo, possibilitando um planejamento e um gerenciamento dasestruturas que compõem o meio utilizado como espaço turístico.O estudo do meio se configura como um conjunto de atividades programadas peladisciplina geográfica ou em planejamento interdisciplinar, no sentido de promover acompreensão mais direta da realidade sócio-ambiental do aluno, por intermédio dotrabalho de campo. Segundo (OLIVEIRA, 2006, p.33) “O Estudo do Meio estabelece uma investigação sistemática dos lugares, conduzida pelo coletivo dos alunos e coordenada por um professorpesquisador. Trata-se de um processo de revelação pedagógica das infinitas potencialidades da geografia escolar em diálogo operacional como a geografia cotidiana”.
  18. 18. 18Com base no conceito de estudo do meio, constrói-se um elo entre o estudo dapaisagem e o turismo que também é instrumento de estudo da geografia e quepodem ser abordados em campo, como por exemplo, em uma trilha de uma regiãoque pertence a um ponto explorado pela atividade turística, mas que também écomposto por diversas paisagens.No capítulo a seguir, as metodologias de (re) descoberta da paisagem sãoabordadas, trata-se da apresentação de uma reflexão acerca da forma como foiconduzida a nossa prática pedagógica, que será descrita no capítulo seguinte adiscussão sobre as metodologias utilizadas.
  19. 19. 19 Capítulo 3 – (Re) Descobrindo a paisagem: as metodologias utilizadas3.1. As trilhas interpretativasPartindo-se da pretensão de estabelecimento de uma relação entre a Geografia e oTurismo, por meio da análise e interpretação da paisagem, foi desenvolvida juntoaos alunos da EMEF “Talma Sarmento de Miranda” uma trilha interpretativa naEstância Vale do Moxuara, município de Cariacica, de modo a possibilitar uma visãogeográfica de uma paisagem já conhecida por eles, porém vista sempre pelo viéseconomicista, ligada ao lazer e à diversão.A trilha realizada, com o objetivo de tornar aplicável o conceito de paisagem a partirda sua interpretação em um ponto turístico no município de Cariacica, pode serclassificada, conforme LIMA (1998 p. 4), como trilhas de interpretação de carátereducativo, “pois consistem em instrumentais pedagógicos, podendo ser: (1) auto- interpretativa; (2) monitorada simples; (3) com monitoramento associado a outras programações. O percurso deve ser de curta distância, onde buscamos otimizar a compreensão das características naturais e/ou construídas da seqüência paisagística determinada pelo traçado. No caso de áreas silvestres são conhecidas como trilhas de interpretação da Natureza (“Nature Trails”); em áreas construídas, especialmente as urbanas, em geografia, são conhecidas como percursos de espaço vivido.”Seguindo essa classificação, a trilha proposta neste trabalho procura ser uma trilhamonitorada simples, com paradas e temas fixados com antecedência, porém com ointuito de enfatizar a fala dos alunos acerca da descrição, interpretação e análise dapaisagem percebida nesses pontos pré-estabelecidos. Aqui o intuito é a
  20. 20. 20interpretação do ambiente pelo ponto de vista dos alunos, após uma aula sobrepaisagem ministrada anteriormente à visita.Sobre a interpretação ambiental PAGANI, M.I., SCHIAVETTI, A., MORAES, M.E.B. eTOREZAN, F.B. (1996, p. 154) afirma que: “A interpretação ambiental é uma técnica didática, flexível e moldável às diversas situações, que busca esclarecer os fenômenos da natureza a um determinado público alvo, em linguagem adequada e acessível, utilizando os mais variados meios auxiliares para tal”Os trabalhos envolvendo trilhas interpretativas vêm subsidiar estudos em diversasáreas, inclusive às áreas do lazer e turismo, no sentido de se realizar uma práticaeducativa abrangendo o espaço utilizado como área turística na interpretação dapaisagem. Neste sentido LIMA (1998, p.6) observa que “a trilha é submetida a uma análise e avaliação enquanto um exercício de percepção das várias dimensões da paisagem”.Tal afirmação confirma a aplicabilidade do conceito paisagem, estudada em salas deaula por meio da Geografia, numa área que envolve relações turísticas, como a doParque Moxuara, por exemplo.Por meio da trilha busca-se relacionar o passado e o presente da área escolhida,analisando os arranjos espaciais dominantes naquele ponto turístico, é o que afirmaBALESTRERI RODRIGUES (2006, p.24) “A noção do tempo é fundamental não só para entender a organização espacial (formas) que se transmuda durante o processo histórico, mas também as ações que, de maneira distinta, evoluem com o tempo, produzindo novas relações que se expressam através de novos objetos, e assim sucessivamente.”Assim, a interpretação da paisagem realizada por meio das trilhas vem otimizar acompreensão dos fenômenos em sua totalidade, abrangendo a percepção dos
  21. 21. 21alunos acerca do espaço que os rodeia sob vários aspectos: ambientais, temporais eacima de tudo geográfico, que é o enfoque da prática desenvolvida neste trabalho.3.2. Paisagem: a percepção dos alunos pela falaDurante a realização da trilha interpretativa na Estância Vale do Moxuara, foiutilizada a gravação das falas dos alunos participantes em cada parada realizada. Aproposta de gravação das falas partiu da idéia de se basear numa conversa informalacerca do que os alunos viam de paisagem naquele ponto. Tendo como base aidéia que SANTOS (1988 p.61) faz de paisagem: “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança é a paisagem [...] Não apenas formada de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc.”Dessa forma, o que os alunos sentiam e percebiam na paisagem ficaram registradassob a forma de falas, expressas em cada ponto de realização das paradas. Talmetodologia consiste no método de história oral, proposto por BOM MEIHY. Ametodologia da história oral trata-se de uma “prática de apreensão de narrativasfeita por meio do uso de meios eletrônicos e destinada a recolher testemunhos,promover análises de processos sociais do presente e facilitar o conhecimento domeio imediato”. (Bom Meihy, 2002 p. 13).A escolha da metodologia de história oral se justifica pela garantia da expressividadedos alunos que tal método proporciona. Em cada ponto houve o registro daparticipação dos alunos.Assim, a metodologia de história oral possibilitou o armazenamento não apenas dasfalas, mas das emoções e sentimentos que a paisagem despertou na memória dosalunos, garantindo assim uma base real e emotiva acerca da percepção dapaisagem.
  22. 22. 223.3. Percepção da Paisagem: o registro em fotosNo desenvolvimento da trilha interpretativa, selecionamos duas técnicas para que osalunos pudessem analisar e demonstrar a percepção que eles tinham acerca dapaisagem, ambas realizadas de forma combinada em cada ponto estabelecido paraa parada. Uma dessas técnicas foi a citada acima, a gravação das falas dos alunosem cada parada, a outra diz respeito ao registro fotográfico do que eles percebiamna paisagem. A combinação destas técnicas buscou levar os alunos à reflexão sobrea paisagem que os cercava. As fotografias foram usadas de modo a constituir umasequência de imagens utilizadas na produção do croqui, exposto nos resultadosfinais do trabalho. Foto 1: Aluno fotografando um dos pontos de parada da trilha (16/05/2010) Autoria: Caroline Neves de CarvalhoSobre a utilização desta técnica, LIMA (2004) afirma que uma coleção de imagensfotográficas
  23. 23. 23 “constitui-se em uma atividade de sensibilização ambiental, envolvendo multi- estimulação da acuidade perceptiva, cognitiva e afetiva, desenvolvida mediante um processo de educação através de valores, de identificação com a paisagem, onde são enfocados aspectos relativos ao sentir-se e ser parte.”Dessa maneira, a utilização de fotografias vem reforçar a percepção e ainterpretação ambiental, a partir da observação da relação homem/natureza,contribuindo com a compreensão das transformações percebidas na paisagem.3.4. A cartografia como recurso de interpretação aplicável da paisagemEnquanto forma de produção e organização do espaço, a cartografia também foi umdos recursos utilizados no desenvolvimento da nossa prática pedagógica. Alinguagem cartográfica constitui-se numa ferramenta básica para leitura do mundo erepresentação do espaço e foi utilizada ao final deste trabalho na elaboração de umcroqui da trilha no Moxuara. O intuito da elaboração de tal representação foi o deapresentar a trilha a quem não conhece e realizar uma síntese final das visõesacerca da trilha: a visão ambientalista do guia, a visão geográfica de “nós”pesquisadores, e a visão que os alunos tiveram da trilha.Tal como afirma MELO, CARARO, SANTOS, J., SONEGHET, CASTRO, MERÇON,GOLLNER e GONÇALVES ( 2008, p. 15 ) “a linguagem cartográfica é um sistema de símbolos que envolve proporcionalidade, uso de signos ordenados, técnicas de projeção e de análise das representações. A leitura de representações cartográficas também pretende atender a diversas necessidades, das mais cotidianas (chegar a um lugar que não se conhece, entender o trajeto dos 16 mananciais, por exemplo) às mais específicas (como delimitar áreas de plantio, compreender zonas de influência do clima).”
  24. 24. 24Assim, destaca-se a importância de representar cartograficamente a trilha demaneira que tal representação proporcione não apenas o conhecimento da trilha,mas o conhecimento de algumas das dimensões possíveis de se abordar na trilha,além disso possibilita uma abordagem geográfica, com a construção de noções deespaço e de representação do mesmo. “Observar, descrever, experimentar e comparar fatos e fenômenos por meio de representações cartográficas são ações que permitem construir noções espaciais, favorecem compreensões geográficas, estimulam a identificação de problemas e a elaboração de soluções que a Geografia, como ciência, produz.”(MELO, CARARO, SANTOS, J., SONEGHET, CASTRO, MERÇON, GOLLNER e GONÇALVES 2008, p. 16)O tipo de representação utilizada, como já antecipado, foi o croqui. Trata-se de umarepresentação bidimensional, que permite maior liberdade nas representações(cognição, percepção individual e criatividade), permitindo ao usuário oentendimento e a participação no processo de confecção. (SIMIELLI, 1994 apudPCN, 1998)Essa representação exerce uma excelente forma de contribuição na compreensãoda realidade, contribuição que também é da Geografia, expressa por PEREIRA(1996, p.53 apud MORONE, 2007) que diz: “E a alfabetização, para a Geografia somente pode significar que existe a possibilidade do espaço geográfico ser lido, e portanto, entendido. Pode transformar-se, portanto, a partir disso, em instrumento concreto do conhecimento. Mias que isso, o espaço geográfico pode transformar-se em uma janela a mais para possibilitar o desvendamento da realidade pelo aluno.”A utilização de croquis permite, segundo MORONE (2007 p. 50), o esclarecimentodo tema sem seu esgotamento, resguardando para a compreensão do temaretratado. Simielli apud MORONE (2007 p. 51) apresenta três tipos de croquis:croqui de análise/localização, croqui de correlação e croqui de síntese. Com basenessa classificação, o croqui apresentado nos próximos capítulos será um croqui de
  25. 25. 25análise/ localização, já que contém a representação de apenas um fenômeno, que éa utilização do espaço no Vale do Moxuara.
  26. 26. 26Capítulo 4 – Relatando nossa prática: descrição e análise da nossa proposta pedagógicaA partir da idéia de utilizarmos o turismo como prática pedagógica no ensino deGeografia e o estudo da categoria geográfica de paisagem como principal objetopara o desenvolvimento da prática proposta. O nosso projeto foi desenvolvido daseguinte forma: 4.1. Aonde foi realizado?Escolhida a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Talma Sarmento de Miranda”,localizada no bairro São Geraldo, em Cariacica e a turma de 8ª série do Ensino paraJovens e Adultos (EJA) do período noturno, foi aplicado um questionário paraidentificar a concepção dos alunos sobre a conceituação de turismo, e a possívelrelação do turismo com a Geografia. Mediante a dificuldade dos alunos emresponderem tais perguntas, foi reafirmada a importância da incorporação doturismo no contexto escolar. Foto 02 e 03: Alunos respondendo ao questionário (08/04/2010) Autoria: Glenda Gasparini GuterresE com a pergunta: “Identifique um ponto turístico do seu município”, o grupo decidiu
  27. 27. 27que a área a ser desenvolvida tal proposta seria a Estância Vale do Moxuara,localizada no bairro Roças Velhas, no município de Cariacica, por ser esta aresposta da maioria dos alunos para a referida pergunta.4.2. O local da prática:Considerado o “cartão-postal” de Cariacica, o Mochuara recebeu esse nome porinfluência francesa. A lenda local justifica essa denominação pelo fato que quandoos colonos franceses se aproximaram da baía de Vitória e avistaram um monte comnévoa em torno do topo, associaram tal imagem a um lenço, que em francês é“mouchoir”.E, atualmente caracteriza-se por uma região de preservação ambiental, onde aatividade predominante é o chamado turismo rural. Foto 04: Mochuara (11/04/2010) Autoria: Glenda Gasparini Guterres
  28. 28. 28 4.3. Como realizar a atividade prática?A atividade em si consistiria em uma trilha interpretativa no ponto turístico escolhido,onde os alunos, através de análises e interpretações, tentariam aplicar o conteúdoestudado em sala de aula sobre a categoria geográfica paisagem. Tal atividade éjustificada por LIMA (1998, p.1): “Experiência, percepção e interpretação tornam-se, deste modo, chave para o conhecimento do entorno...”Primeiramente o grupo esteve na localidade para conhecer a área e juntamente coma administração do local analisar as possibilidades da realização da trilha.E, após essa sondagem a trilha foi feita pelo grupo, onde tivemos o primeiro contatocom o ponto turístico e a paisagem a ser trabalhada com os alunos. Foto 05 e 06: O primeiro contato do grupo com a trilha (11/04/2010) Autoria: Glenda G. GuterresEm um segundo momento, retornamos ao local para refazermos a trilha com umguia local, objetivando conhecer o roteiro turístico utilizado por ele e analisarmoscomo poderia ser inserido o conteúdo sobre a categoria geográfica de paisagemestudada em sala de aula neste roteiro.
  29. 29. 29O guia seguiu um roteiro mental, que precisou ser transcrito pelo grupo, relatandodesde a primeira parada onde é contada a lenda de amor entre o Mochuara(Cariacica) e o Mestre Álvaro (Serra), que conseguiu, através das estrelas, um meiosecreto de comunicação para perpetuar um romance interrompido, até a últimaparada na horta, para futuras observações e análises. Ressaltando que devido adificuldades administrativas não tivemos acesso ao material original que orientou oroteiro seguido pelo guia. Foto: 07,08 e 09: Refazendo a trilha com o guia local (01/05/2010) Autoria: Acompanhante do guia local4.4. Concretizando o projeto ...Após o reconhecimento da trilha pelo grupo e o contato com o guia local, foiministrada uma aula aos alunos da turma escolhida para participar do projeto,apresentando os conceitos de turismo, paisagem e a relação do turismo com a
  30. 30. 30Geografia.E, ao final os alunos deveriam entender que para a Geografia a paisagem não éapenas um belo panorama natural visto em fotografias ou revistas, e sim umconjunto dos elementos naturais e humanizados que podemos observar em umdeterminado lugar.Para SANTOS (1988, p. 61): “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem... Não apenas formada de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.” Foto 10 e 11: Aula expositiva dos conceitos a serem trabalhados (12/05/2010) Autoria: Simone C. AndradeA partir daí, foram orientados a aplicar a conceituação estudada em sala durantevivência na trilha interpretativa a ser realizada no ponto turístico identificado por elesno questionário respondido. Valorizando a articulação entre teoria e a prática,reafirmando a importância dos saberes da experiência, através da percepção einterpretação.
  31. 31. 314.5. Trilha Interpretativa: Uma nova leitura da paisagemImbuídos da teoria, seguimos com os alunos para a Estância Vale do Moxuara, ecom o auxílio do guia local fizemos a trilha seguindo seu roteiro turístico e tanto nopercurso quanto nas paradas, os alunos foram observando, analisando einterpretando a paisagem ao redor. Manifestadas através de relatos, que foramgravados, anotações e fotografias.Cada um, com suas particularidades, foram percebendo o entorno, aplicando osconceitos estudados em sala de aula, suas variações e a ação do homem comoagente transformador da paisagem. “Precisamos da natureza, mas precisamos também sobreviver, alimentar, né...porque sem o alimento como é que a gente vai viver?” (aluno A)
  32. 32. 32 Foto 12,13 e 14: Percebendo a Paisagem - Fotografias feitas pelos alunos (16/05/2010)No primeiro ponto de parada o guia abordou o histórico da região, que após umperíodo caracterizado por desmatamento para plantio de pastagens, atualmente éuma área de preservação e regeneração.Neste trecho, os alunos juntamente com o grupo ressaltaram a importância deconhecer a história do local para analisar sua paisagem, pois sem conhecer estehistórico muitos caracterizariam esta área como sendo uma paisagem natural. Foto 15 e 16: 1° Ponto de parada (16/05/2010) Autoria: Alunos 8 ª série EJANo segundo ponto de parada foi possível observar a diversidade de paisagens, deum lado à ação humana com a presença de bananais e do outro uma mata naturalpor onde percorre um pequeno riacho.
  33. 33. 33 Foto 17 e 18: 2° Ponto de parada (16/05/2010) Autoria: Alunos 8ª série EJANo terceiro ponto de parada o guia mostra a ação de uma árvore parasita, chamadapopularmente de “estranguladeira”. O ambiente escuro e úmido é identificado pelosalunos como sendo uma paisagem natural. Foto 19: 3° Ponto de parada (16/05/2010) Autoria: Alunos 8ª série EJA “A mata aqui é até mais fechada ...” (Aluno B) “Os raios de sol não conseguem chegar até o chão por causa das folhas, né...que são muitos galhos, muitas copas.” (Aluno A)
  34. 34. 34No quarto ponto de parada em uma área denominada “Rio Seco”, mais uma vezalunos e o grupo ressaltaram a importância de conhecer o histórico local paraanalisarmos a paisagem. “...ele ta seco aí pela natureza mesmo...” (Aluno C)Inicialmente a região foi caracterizada como sendo uma área de paisagem natural,porém após o discurso do guia de que havia um desvio do curso d’água feito emoutras localidades, que ocasionou a seca no local, percebemos que estávamos emuma área afetada pela ação humana. “Ele [homem] não atua diretamente aqui, atua lá em cima, mas houve um reflexo aqui.” (Aluno D) “Houve uma modificação!” (Aluno A) Foto 20 e 21: 4° Ponto de parada (16/05/2010) Autoria: Alunos 8ª série EJANo quinto de parada foi observada pelos alunos a vasta área de pastagem, onde
  35. 35. 35desenvolve-se a pecuária, mas uma vez foi percebido a atuação do homem comoagente transformador da paisagem. Foto 22 e 23: 5° Ponto de parada (16/05/2010) Autoria: Alunos 8ª série EJA4.6. ResultadosAo termino da trilha os alunos conseguiram vivenciar a teoria estudada em sala deaula e perceber a paisagem de um ponto turístico não apenas com olhar de umturista, mas com um olhar diferenciado, capaz de observar e interpretar as relaçõesexistentes na paisagem. “...foi muito legal essa experiência a gente aprende mais, acrescenta nas matérias da escola...” (Aluno C)E, como atividade final foi feito pelo grupo um croqui da trilha, em formato de mural,onde os pontos são identificados com fotos e relatos das observações feitas pelospróprios alunos para caracterizar tais áreas, para ser apresentado para a turmaparticipante do projeto, como resultado da trilha interpretativa.
  36. 36. 36O croqui possibilitou responder ao questionamento inicial do grupo: ”Será possívelaplicar os conceitos da sala de aula na trilha?”, que como atividade final de nossoprojeto nos apresentou uma resposta positiva ao questionamento de meses atrás.
  37. 37. 37
  38. 38. 38 Referências BibliográficasBALASTRERI, A.R. Espaços de turismo e de lazer urbanos – uma leitura geográfica.Aportes e Tranferencias, Vol. 10, Num. 1, Sin mês, 2006 pp. 22-34. UniversidadNacional de Mar del Plata Argentina.BOM MEIHY, José Carlos S. Manual de História Oral. São Paulo: Loyola, 1996.CONTI, J. B. A natureza nos caminhos do turismo. In: RODRIGUES, A. B. (Org.)Turismo e ambiente: reflexões e propostas. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1997.FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: NovaFronteira, 1984.FIORI, S.R, GUERRERO, A.L. e ALMEIDA, R.A. Geografia e turismo: umadiscussão recente. In: Geografia e Cartografia para o Turismo. Caminhos do Futuro:Ministério do Turismo. São Paulo: 2007._________________. Paisagem Geográfica e atividades turísticas. In: Geografia eCartografia para o Turismo. Caminhos do Futuro: Ministério do Turismo. São Paulo:2007.LIMA, Solange T. “Trilhas Interpretativas: a aventura de conhecer a paisagem”,Cadernos Paisagem. Paisagens 3, Rio Claro, UNESP, n.3, pp.39-44, maio/1998.______________. Percepção e Interpretação Ambiental: imagens fotográficas.IGCE-UNESP, Campus de Rio Claro/SP.MELO, CARARO, SANTOS, J., SONEGHET, CASTRO, MERÇON, GOLLNER eGONÇALVES, S.L. Geografia. Vitória: 2008.Meio ambiente, turismo e qualidade de vida. Disponível em:<http://www.cariacica.es.gov.br> Acesso em : 19 de março 2010.
  39. 39. 39MORONE, R. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Departamento de Geografia daFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. O uso de croquis cartográficosno Ensino Médio. (Tese de Doutorado). São Paulo: 2007.OLIVEIRA, Christian D M. Do estudo do meio ao turismo geoeducativo: renovandoas práticas pedagógicas em geografia. Boletim Goiano de Geografia Goiânia. Goiás- Brasil v. 26 n. 1 p. 31-47 jan./jun. 2006.OLIVEIRA, A.U. Educação e Ensino de Geografia na Realidade Brasileira. In: Paraonde vai o ensino da Geografia? São Paulo: Contexto, EDUCSP, 1987.PAGANI, M.I., SCHIAVETTI, A., MORAES, M.E.B., TOREZAN, F.H. (Org: AmáliaInês G. Lemos). As trilhas interpretativas da natureza e o ecoturismo. In: Turismo:impactos socioambientais. São Paulo: Ed Hucitec, 1996.Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. PARÂMETROS CURRICULARESNACIONAIS. Geografia. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília : MEC/SEF, 1998.RUSCHMANN, Doris Van de Meere. Turismo e planejamento sustentável: Aproteção do meio ambiente. Campinas, SP: Papirus, 1997 (Coleção Turismo) p 14.SANTOS, M. Paisagem e Espaço. In: Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo:Hucitec, 1988. p.61.TRIGO, L.G. Godoi. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo.Campinas, SP: Papirus, 2003, 7ª edição – (Coleção Turismo) p 16.XAVIER, H. A incorporação da dimensão do turismo do ensino da Geografia. In:PONTUSCHKA, N. e OLIVEIRA, U.A. Geografia em perspectiva: ensino e pesquisa.São Paulo: Editora Contexto, 2002.
  40. 40. 40ANEXOS
  41. 41. 41 EMEF “Talma Sarmento de Miranda” Turma: 8ª série EJA TEMA: Turismo e Geografia – um novo olhar sobre a paisagemConteúdos: • Discussão e Definição de turismo; • Relação do turismo com a Geografia; • Estudo da paisagem como elo entre a Geografia e o Turismo; • Paisagem Natural e Transformada;Objetivo Geral: • Despertar a percepção da paisagem turística a partir do olhar geográfico;Objetivos Específicos: • Trabalhar a relação entre o turismo e a geografia; • Definir a paisagem, explicando que esta pode ser natural/ transformada; • Trabalhar a percepção da paisagem, a partir da interpretação de imagens com duplo sentido;Atividades: • Aula expositiva e dialogada com a turma;Recursos Didáticos: • Data Show • Imagens sobre percepção da paisagem
  42. 42. 42Data: ______/______/_________Idade: __________________ Turma: _____________ Questionário EMEF Talma Sarmento – São Geraldo/ Cariacica1 – Para você, o que é turismo?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2 – Identifique um ponto turístico do seu município:________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3 – Você conhece este local? (O local citado acima)( ) Sim( ) Não( ) Já ouvi falar4- Você acha que o turismo tem a ver com a Geografia? Por que?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Os dados deste questionário serão utilizados no desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso, cujo tema é “Turismo enquanto prática no ensino da Geografia”. Agradeço a sua participação !!
  43. 43. 43Roteiro de Campo 16/05/2010 Estância Vale do Moxuara – Cariacica/ ESObjetivos: Aplicar o conceito da categoria geográfica “paisagem” estudado em salade aula durante uma trilha. Ao final da trilha teremos a resposta para a nossaproposta: o turismo como metodologia para o ensino de Geografia.Metodologia: Com o auxílio de um guia local seguiremos por uma trilha na EstânciaVale do Moxuara – Cariacica/ ES juntamente com os alunos. O guia queacompanhará o grupo possui um roteiro mental, e durante as paradas os alunosdeverão observar a paisagem e tentar aplicar o conceito estudado anteriormente.Roteiro: 1) Área de Erosão devido ao desmatamento Fase inicial de regeneração; 2) Divisão da trilha Paisagem natural 3) “Porteira do Riacho” O homem como agente transformador da paisagem Plantação de bananas; 4) Rio Seco Interferência do homem Barragens em outras localidades; 5) Pasto;

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