A internet

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A internet

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES CENTRO DE EDUCAÇÃO – CE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE – DEPS FILIPE BARRETO FRANCHINIA INTERNET: A PERSPECTIVA GEOGRÁFICA DE ENSINO COM O CIBERESPAÇO VITÓRIA 2010
  2. 2. FILIPE BARRETO FRANCHINIA INTERNET: A PERSPECTIVA GEOGRÁFICA DE ENSINO COM O CIBERESPAÇO Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Departamento de Educação, Política e Sociedade, Centro de Educação, da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito do grau de licenciado em Geografia. Orientadora: Prof.ª Drª. Marisa Terezinha Rosa Valladares.. VITÓRIA 2010
  3. 3. FILIPE BARRETO FRANCHINI A INTERNET: A PERSPECTIVA GEOGRÁFICA DE ENSINO COM O CIBERESPAÇOTrabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Departamento de Educação, Política e Sociedade, Centro de Educação, da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito do grau de licenciado em Geografia. Aprovado em 17 de junho de 2010 COMISSÃO EXAMINADORA ____________________________ Profª. Drª. Marisa Teresinha Valladares Universidade Federal do Espírito Santo - Orientadora ____________________________ Professora Mestre Regina Célia Frigério Silva ____________________________ Professor Mestre Pablo Lira
  4. 4. “... todos querem ajudar, por isso cada um tem suaidéia própria, que não se ajusta com a idéia do outro,mas o resultado é admirável. A unidade peladiversidade. Na hora da batalha formamos a frenteúnica...” ( Carlos Drummond de Andrade, OImportuno)
  5. 5. RESUMOA presente pesquisa tem como objetivo potencializar o ensino de Geografia por meio daInternet, expandindo os conhecimentos de Geografia para além da sala de aula, semexcluir o espaço escolar. O que é pretendido, portanto, é uma relação simbiótica daInternet com o ensino. No entanto ao trabalhar com tecnologia, sobretudo com aInternet, é preciso fundamentar geograficamente o que vem a ser a Internet, quais asimplicações do uso dessa tecnologia no ensino da Geografia e nos principais conceitosque a norteiam: Paisagem, Lugar, Território e Região. Assim, ao propor a Internet comoveículo de aprendizagem torna-se necessário repensar as maneiras de ensinar Geografia.Pistas concedidas pelos sujeitos da pesquisa dizem que não há compreensão por partedos alunos quanto ao motivo de estudar Geografia como se tem feito geralmente naescola, tanto por causa da metodologia, quanto devido aos conteúdos trabalhados. Apartir dos estudos teóricos e empíricos, a proposta baseou-se na produção de um site ena produção de conversas com um grupo focal, visando a problematização da pesquisacomo forma do aprender autônomo, crítico e comprometido com a ética.Plavras-chave: 1. Ensino de Geografia e Internet. 2. Geografia e Espaço Virtual.3.Geografia e Espaço Real -
  6. 6. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................ 61 DA GEOGRAFIA ENGESSADA À GEOGRAFIA FLUIDA: DE QUEGEOGRAFIA ESTAMOS FALANDO... ...................................................................... 81.1 ESPAÇO REAL E ESPAÇO VIRTUAL: DA VIRTUALIDADE AO REAL OUDA REALIDADE AO O VIRTUAL? ......................................................................... 122 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO: O ENSINO DEGEOGRAFIA COM O CIBERSPAÇO ....................................................................... 193 EDUCAÇÃO E INTERNET: POR UMA PROPOSTA DE ENSINOAGREGANDO O CIBERESPAÇO ............................................................................ 30CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 35BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 36
  7. 7. 6INTRODUÇÃONa primeira década do século XXI a humanidade esteve tão interligada, por meio deuma técnica que proporcionou profundas transformações na maneira de agir e pensar,que fez do espaço geográfico uma produção muito mais dinâmica do que fora antes doperíodo técnico-cientifico-informacional (SANTOS 2008).A dinamicidade do espaço geográfico adquirida por meio da técnica tem como símboloa Internet, que foi capaz de aproximar o mundo por meio da comunicação, do fluxo deinformações e dados, produzindo a espantosa aceleração das transformações no espaçogeográfico.A internet, nesta concepção, é uma problemática conceitual para a Geografia, visto quese a ciência geográfica estuda o espaço geográfico, qual ciência estaria encarregada deestudar o espaço virtual que surge com a Internet? Como a Geografia estuda o espaçovirtual que emerge com a Internet? O espaço virtual é espaço geográfico?É nessa perspectiva que a pesquisa que o leitor tem em mãos começa a se delinear. Noprimeiro capítulo serão trabalhados os motivos que levaram a Geografia escolar a perderautonomia, a ponto dos alunos nem saberem mais o motivo de estudá-la. Também serádiscutido como e se a Internet pode se tornar um auxílio, em busca de uma novaproposta de ensino na Geografia, assim como os conceitos que emergem quando setrabalha com a Internet, haja vista a preocupação em fundamentar geograficamente osconceitos de ciberespaço, espaço virtual e espaço real.No segundo capítulo é feito um diagnostico de como a Internet aparece no cotidianoescolar dos alunos e como eles usam essa ferramenta, tanto para lazer quanto para asatividades escolares.Por fim, no terceiro capítulo, o cerne da discussão está reservado a expor a proposta deuso da Internet em ambiente escolar.
  8. 8. 7DA GEOGRAFIA ENGESSADA À GEOGRAFIA FLUIDA: DE QUE GEOGRAFIA ESTAMOS FALANDO...
  9. 9. 81 DA GEOGRAFIA ENGESSADA À GEOGRAFIA FLUIDA: DE QUEGEOGRAFIA ESTAMOS FALANDO...O saber geográfico é uma forma de leitura e interpretação do espaço - não é somentedescritivo, o seu propósito com a sociedade vai além da descrição. A Geografiasubmerge dentro do amalgama que compõe o espaço geográfico e busca trazerconhecimento referente ao meio.Por muito tempo, durante o período denominado como modernidade, todoconhecimento produzido na ciência geográfica, mas não apenas por esta, estava calcadona supervalorização do discurso cientifico perante ao senso comum. Esse modelopositivista marca toda a produção acadêmica da Geografia, com uma repercussão que aperpassa até o pós-modernismo. Souza mostra os sinais dessa transição quando afirma: Na ciência moderna a ruptura epistemológica simboliza o salto qualitativo do conhecimento do senso comum para o conhecimento cientifico; na ciência pós-moderna o salto mais importante é o que é dado do conhecimento cientifico para o conhecimento do senso comum. (BOAVENTURA, 2008, p. 90)Embora esse salto do conhecimento científico para o conhecimento do senso comum sedemonstre muito tímido, essa transição dentro da Geografia fica clara, pois asferramentas utilizadas pelos positivistas para estudar o espaço geográfico nãoalcançavam mais a compreensão do caso estudado, daí surgiu o movimento derenovação com a Geografia pragmática e a Geografia critica: a primeira buscandoinstrumentalizar a Geografia levando-a à prática, um conhecimento aplicado eprospectivo, já a segunda procura enfatizar o conteúdo social, político e econômico embusca de uma sociedade mais justa (MORAES, 1992.)Todas as formas de pensamento da Geografia supracitadas são formas de compreender aGeografia daquele momento, sob determinadas condições especificas daquela época.Explicar o espaço geográfico, em 1950, requeria ferramentas, as quais, se fossemutilizadas hoje, não alcançariam resultados satisfatórios sobre o objeto estudado: daí a
  10. 10. 9necessidade de se buscar novas formas de instrumentalizar o pensamento, a pesquisa e aação geográfica.A questão a ser colocada é: estamos passando por um momento de, novamente, refletirsobre as nossas bases teóricas para compreender nossa dinâmica espacial atual. Seráessa uma necessidade constante da Geografia? Responder essa questão é tão importantepara compreensão do objeto geográfico quanto para o ensino da Geografia, pois assimpodemos definir que Geografia estamos ensinando e qual Geografia podemos ensinar.Para compreender qual Geografia que nos desafia, aquela que temos diante de nós,esperando ou provocando um novo pensar e agir, é preciso entender antes o que noslevou ao atual estado de dúvida para com o ensino dela. Assim sendo, por definição, aGeografia estuda a relação do homem com a natureza, dos homens entre siindividualmente e coletivamente, da natureza na dinâmica produção de seus elementos.Esse conjunto de relações se faz presente num dado espaço geográfico, por esse motivoa Geografia desfruta de certos privilégios, afinal, o professor trabalha primeiramentecom um saber de descrição de uma paisagem na qual o aluno faz parte e constrói, sendoassim, esse saber descritivo da Geografia é: [...] um saber que olha e fala do mundo por meio da paisagem, e o faz numa tal correspondência que as pessoas saem das aulas, andam pelos espaços do mundo, e olhando estes espaços se lembram das lições do professor de geografia. Era a vantagem de trabalhar com a paisagem. (MOREIRA, 2006, p. 191)O problema é que há uma dificuldade imensa, por parte dos alunos, em fazer essarelação do que é falado em sala com o que se consegue observar no espaço geográfico.Dentre um complexo conjunto de situações, esse é um motivo que leva a Geografiaescolar a viver e enfrentar uma crise de reflexão das suas bases. O que se ensina hojenas escolas é, ainda, de modo geral, uma Geografia engessada: com ela se quer explicara organização espacial atual sem criar um mínimo de identidade local com o aluno.Assim, o que se verifica nas materializações de Geografia escolar (como livrosdidáticos, provas de vestibulares, exercícios de escola, por exemplo) é um “pacote deconceitos congelados”, no qual a única relação que o aluno fará é no comando na hora
  11. 11. 10da avaliação: ligue as colunas; enumere a coluna X com a coluna Y, marque X naresposta correta...É evidente que essa problemática não ocorre apenas devido a prática do docente. Ela setorna cada vez mais forte pela busca, por parte dos alunos, da resposta rápida, daexplicação do agora, depressa... O adjunto adverbial de tempo é um dos vocabuláriosmais intensamente usado pelos adolescentes.Devido a esse “engessamento” da Geografia, o seu ensino perde autonomia, uma vezque explica um espaço que não existe dentro do mundo do aluno. Já tivemos ummomento em que a paisagem era, aparentemente, mais lenta em suas transformações.Atualmente essa mesma paisagem é mais dinâmica, fugaz, em constante metamorfose.Trabalhar essa fugacidade com a Geografia “engessada” tornou-se impossível, por issoque: Muito raramente acontece de quando hoje as pessoas olham a organização dos espaços se lembrem do seu professor de geografia. Falta a identidade entre o que ele falou e o que se está vendo [...] a paisagem tornou-se fluida. (MOREIRA, 2006, p. 171)Toda essa dinâmica observada no espaço, o principal objeto de estudo da geografia, nãofaz com que estejamos sempre repensando o saber geográfico, uma vez que seu objetoestá sempre em constante transformação?A Geografia “engessada”, com modelos estabelecidos para facilitar o ensino em sala,não corresponde mais ao que se vê na paisagem. O resultado desse modelo são alunosdesinteressados pela disciplina, não entendendo, nem mesmo, o sentido de estudá-la.Por outro lado, o professor, frustrado, não vê seu trabalho atingir o objetivo proposto ouaquele imposto pela instituição de ensino. Nessa linha de ensino e de aprendizagem, aculpa recai sobre o aluno, que “não estudou o bastante”. Nesse caso a frustração é de viadupla, tanto do professor quanto do aluno.A não identificação do aluno com que o professor fala em sala de aula é reflexo,portanto, de um objeto dinâmico, com o qual não é possível estabelecer nexo ou relaçãona e com a Geografia “engessada” ensinada, daí a necessidade de uma Geografia“fluída”.
  12. 12. 11Essa fluidez surge das forças dialéticas atuantes no espaço geográfico, onde existe umestado de re-criação do mesmo é o processo de territorialização – desterritorialização –reterritorialização. O processo de territorialização e desterritorialização se refere aoconjunto de movimentos que envolvem a criação e destruição de ordem e desordem queenvolve tais processos. Sendo assim, “[...] a desterritorialização é simplesmente a outraface, sempre ambivalente da construção de territórios” (HAESBAERT, 2007, p.365)que leva ao processo de reterritorialização, a reafirmação no território de um constanteprocesso de reconstrução das identidades em busca da autonomia no espaço.Moreira (2006) defende a representação e o olhar da Geografia num contexto de espaçofluido, entrelaçando duas ferramentas fundamentais da ciência geográfica: a paisagem ea cartografia.A paisagem como objeto de ação social está constantemente se reafirmando e sereorganizando dentro de um processo de territorialização – desterritorialização –reterritorialização, ganhando um caráter fluido. A ótica, portanto, precisa se focar nãomais no fixo e sim no fluxo. A Geografia utiliza-se, então, da cartografia, que deixa deser só ferramenta de representação, no modo que apenas transpunha num mapa o seuobjeto de estudo, para se tornar linguagem e raciocínio para representar a dinamicidadeda paisagem, valendo-se, também, da sofisticação de outras linguagens que possamrevelar, no mapa, o fluxo do real.Moreira (2006) buscou resgatar a cartografia como ferramenta dentro da Geografiafluida, tornando-a tão dinâmica quanto o seu objeto. O que é pretendido nesse trabalho,segue por outro caminho.Se a dinamicidade que a paisagem adquiriu, provocou uma quebra no modelo engessadoda Geografia escolar e se essa fluidez foi resultado de um processo de territorialização– desterritorialização – reterritorialização, é inegável que esse caráter fluído foiintensificado por outra ferramenta cujo uso está cada vez mais disseminado: a redemundial de comunicação eletrônica, a internet.No entanto, ao estabelecermos essa compreensão, esbarramos em outra problemáticaconceitual: como relacionar o espaço real, onde todas as representações humanas se
  13. 13. 12estabelecem num espaço físico, com um espaço virtual, de fácil acesso, o qual inclusivese faz presente dentro de todo o ecúmeno do espaço geográfico e o ensino de geografia?O ciberespaço é um conceito utilizado por Pierre Levy, (2000) com o qual o autor serefere a todo o espaço virtual, possível com a Internet. O ciberespaço pode, assim, serexplicado como uma rede onipresente, que se imiscui e que abarca o espaço geográficoconstruído pela sociedade humana. No espaço geográfico, invenção social, as açõeshumanas acontecem numa perspectiva que o caracteriza como dinâmico, fluido. Nessesentido, a nova cartografia é uma ferramenta muito mais útil e geográfica, que tentaapreender, problematizar e explicar o espaço onde ocorre todas as transformações, ondea materialização das mudanças torna possível uma cartografia nova para essa novaGeografia fluida.Entretanto, se podemos justificar a fluidez do espaço geográfico também pelo uso dociberespaço, cujo fluxo de informação e de comunicação se torna cada vez maisdinâmico e veloz, admitiremos que o ciberespaço é um agente intensificador dasmudanças no espaço geográfico. Nesse sentido, agregar a Internet ao ensino podepotencializar um espaço de diálogo e de desenvolvimento cognitivo para alunos deGeografia escolar, visto que esta é uma ferramenta amplamente utilizada, inclusivepelos alunos, que se tornam também agentes causadores de mudanças no espaçogeográfico através do espaço virtual. Sendo assim a relação espaço real, espaço virtual eensino de geografia se faz possível. E importante. E necessária.1.1 ESPAÇO REAL E ESPAÇO VIRTUAL: DA VIRTUALIDADE AO REAL OU DA REALIDADE AO O VIRTUAL?Na parte anterior foram trabalhados os conceitos de espaço real e virtual, além de serdefinida a importância destes conceitos, assim como do ciberespaço e do espaçogeográfico no ensino de Geografia. A discussão, neste segmento do trabalho, orbitasobre a virtualidade e a realidade. Na perspectiva em que foram e que serão utilizadostais conceitos, eles exigem alguns esclarecimentos sobre o seu emprego
  14. 14. 13Nesta pesquisa, como a linha de raciocínio é calcada no saber geográfico, o espaço reale o espaço geográfico 1 se tornam similares, considerando-se, ambos, uma invençãosocial. Os agentes sociais, no processo de construção do espaço geográfico,simultaneamente, o modelam, alterando concomitantemente o que constroem e o que re-constroem, uma vez que o fazem intencionalmente, isto é, planejando o que vão fazer,inventando-o antes mesmo de que ele se configure como tal. Ora, essa idéia do espaço aser construído, planejado, não o constituiria, no dado momento em que é pensado, comoum espaço virtual?Moreira, afirma que [...] a idéia não é uma invenção pura e simples de nosso pensamento, uma especulação sem mais nem menos de nosso intelecto. A idéia é o que resulta da nossa relação intelectual com a realidade sensível, o real sensível traduzido como construção do intelecto através do conceito. Daí dizermos que é uma representação. (MOREIRA, 2007, p. 106)Nessa linha de raciocínio, é possível afirmar, então que partir do estado real das coisaspara criar a representação na forma das idéias, acionando a sensibilidade, permite que sepossa captar [...] as coisas da realidade circundante e as transportamos na forma de sensações até dentro de nós, à nossa mente. Em nossa mente, essas sensações são reunidas na reprodução dos objetos do mundo externo na forma de imagem. (MOREIRA, 2007, p. 107).Assim, é possível considerar, que partir da realidade para criar a virtualidade das coisasou partir do virtual para criar o real se constitui em um retorno permanente, tal qual atentativa de apreender o conhecimento; como rede: ele desliza para mais adiante, retomao que já foi dito, vaza em vácuos e se articula novamente em nós temporários oudefinitivos.Nota-se, também, que a virtualidade, neste sentido, é um virtual no plano das idéias.Nesse conceito pode ser virtual o espaço vivido que não se vive mais, a não ser na1 Não há intenção de se trabalhar com a definição do que seria o real, o que conduziria a um debate apartir de Platão ,na Alegoria da Caverna,que não é o foco da pesquisa.
  15. 15. 14memória por aqueles que o viveram, conectando passado e presente, modificando-se acada nova “visita”. O virtual também se refere ao momento vivido, que não é resgatadono cotidiano, ficando somente nas lembranças, não sendo motriz de novas ações: sóquando se o resgata ele se projeta na memória e ganha dinamicidade. No dizer de Bosi(apud VALLADARES, 2009) e de Valladares (2009) o virtual se retira para oesquecimento, quando então é lembrança, só lembrado se resgatado pela memória. Ovirtual também é a projeção mental do que se deseja viver, espaço invenção mental: éuma vontade que ainda não se tornou real. O que é formulado, portanto, se constituicomo um modelo de virtualidade ligado a abstração daquilo que se pretende viver ouque se vivenciou no espaço real: contudo essa é uma virtualidade no plano das idéias,mental, não tátil. A virtualidade com a qual se trabalha nesta pesquisa envolve umvirtual proporcionado pelo uso da técnica que permite ao virtual do plano das idéias emental, sair desse locus e compor o ciberespaço. Todavia, continua sendo não tátil:característica da virtualidade. Esse modelo de virtualidade coloca exposta uma idéia queantes era tida inicialmente na consciência do mentor.O ciberespaço, portanto, é composto por um conjunto de idéias permitidas por aquelesque constroem e usufruem o ciberespaço em diferentes localidades do espaçogeográfico. É também um espaço virtual que precisa do espaço real para existir. Nessecaso, o virtual ganha outra denominação: É virtual toda entidade desterritorializada, capaz de gerar diversas manifestações concretas em diferentes momentos e locais determinados, sem contudo estar ela mesma presa a um lugar ou tempo em particular. (LEVY, 2000, p. 47)Sendo assim, as características virtualizante e desterritorializante do ciberespaço fazemdele o vetor de um universo aberto (LEVY, 2000, p 50) tornando-o uma ferramentapoderosa na transformação do espaço real. O caráter desterritorializado do ciberespaçocoloca-o como uma ferramenta onipresente dentro do espaço geográfico, sendo assim,se consegue acesso ao ciberespaço de qualquer parte daquele espaço, seja por meio docomputador ou até mesmo o celular. Portanto, “ainda que não possamos fixá-lo emnenhuma coordenada espaço-temporal, o virtual é real”. (LEVY, 2000, p 48). Todavia,o uso da técnica para ter acesso ao ciberespaço é imprescindível.
  16. 16. 15No entanto, “o ciberespaço não engendra uma cultura do universal porque de fato estáem toda parte, e sim porque sua forma ou sua idéia implicam de direito o conjunto dosseres humanos” (LEVY, 2000, p. 119). São as idéias expostas no ciberespaço, colocadaspor aqueles que o utilizam, dentro de suas intencionalidades, que o tornam umaferramenta de elevado potencial transformador.Em ambos os casos de virtualidades fica evidente a impossibilidade de [...] separar o humano de seu ambiente material, assim como dos signos e das imagens por meio dos quais ele atribui sentido à vida e ao mundo. Da mesma forma, não podemos separar o mundo material das idéias por meio das quais os objetos técnicos são concebidos e utilizados, nem dos humanos que os inventaram, produzem e utilizam. (LEVY, 2000, p. 22)Considerando toda essa complexidade, a preopucapação pertinente é como ociberespaço se torna uma ferramenta com potencial transformador tão acentuado e o queo diferencia particularmente dos outros agentes transformadores do espaço geográfico?Para compreender tais questões é preciso buscar entender profundamente o que é oespaço geográfico. Pode-se iniciar sua compreensão pela análise de sua composição, naqual estão presentes as categorias de Paisagens, Lugares, Regiões e Territórios.SANTOS (2008) afirma que, além disso, no espaço geográfico existem formas,representadas pelas estruturas. Estas estruturas são construções que se apresentamimpressas no espaço geográfico, desempenhando determinadas funções sujeitas atransformações ao longo do tempo. Sendo assim, as formas que, num tempo passado,desempenhavam no espaço geográfico uma determinada função, hoje, quando umaoutra divisão social e territorial do trabalho reorganiza o espaço geográfico, podem nelepersistirem, permanecerem presentes, mas, talvez, não com a mesma função: daí se criaro conceito de rugosidades. Sendo assim O simples fato de existirem como formas, isto é, como paisagem, não basta. A forma já utilizada é coisa diferente, pois seu conteúdo é social. Ela se torna espaço, porque forma-conteúdo. O espaço é a síntese, sempre provisória, entre o conteúdo social e as formas espaciais. Mas a contradição principal é entre sociedade e espaço, entre um presente invasor e ubíquo que nunca se realiza completamente, e um presente localizado, que também é passado
  17. 17. 16 objetivado nas formas sociais e nas formas geográficas encontradas. (SANTOS, 2008, p. 109)O que dá função à forma é a ação social sobre a mesma. SANTOS (2008) se refere, nacitação anterior, a “um presente invasor e ubíquo que nunca se realiza completamente”,aludindo à sociedade, propriamente dita, pelo fato desta nunca se realizar por completo,induzindo uma constante transformação do meio em que se vive. A essência demudança e de melhoria é algo imanente ao homem, sempre em busca da realização,portanto Quando a sociedade age sobre o espaço, ela não o faz sobre os objetos como realidade física, mas como realidade social, formas- conteúdo. Isto é, objetos sociais já valorizados aos quais ela (a sociedade) busca oferecer ou impor um novo valor. A ação se dá sobre objetos já agidos, isto é, portadores de ações concluídas mas ainda presentes. Esses objetos da ação são, desse modo, dotados de uma presença humana e por ela qualificados. (SANTOS, 2008, p 109)O ciberespaço, colocado como uma ferramenta que abarca toda a totalidade do espaçogeográfico, possui suas particularidades. Uma delas é o ineditismo: pela primeira vez nahistória, se coloca disponível para a sociedade, a qual nunca se encontra completamenterealizada, estando sempre em busca da realização, uma ferramenta, com tamanhopotencial aglutinador de informações e de idéias. Sendo assim, “o ciberespaço encorajaum estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos e dacoincidência dos tempos.” (LEVY, 2000, p 44). Talvez, seguindo esse raciocínio, aInternet se apresente como ferramenta para suprir uma necessidade inerente ao serhumano, qual seja a de se comunicar, de obter e fornecer informação. Esse fenômenoque agora efetua a comunicação e a informação, ambas vindo e circulando de/por todosos lugares do globo, surgiu e acontece num momento histórico tão favorável quepotencializa e multiplica sua eficácia nos processos globalizatórios que se intensificam.Considerando o seu caráter desterritorizado, é possível buscar, por seu intermédio,diferentes transformações – inclusive, aquelas tão almejadas, do real estado derealização social doloroso e perverso, para outro, no qual estejam presentes justiça,igualdade e solidariedade, compreendendo-se que tal luta se justifica, inclusive, peloreconhecimento que “começamos a nos conceber como humanidade há 50 anos”(MORIN, 2003, p 72)
  18. 18. 17É nessa perspectiva que surge a idéia de um cidadão planetário, com consciência global.Por tal motivo é que a Internet se torna uma ferramenta tão única na história. Com umconjunto imenso de informações proporcionado por meio do ciberespaço criam-se “[...] possibilidades que ficam por aí, vagando, até que, chamadas a se realizar, transformam-se em extenso, isto é, em qualidades e quantidades. Tais essências seriam, então, o Real Possível, possibilidades reais, e não ideais. Esse Real se dá como configuração viável da natureza e do espírito, em um dado momento: uma técnica nova ainda não historicizada, uma nova ação apenas pensada.” (SANTOS, 2008, p 123)
  19. 19. 18AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO: O ENSINO DE GEOGRAFIA COM O CIBERSPAÇO
  20. 20. 192 AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO: O ENSINO DEGEOGRAFIA COM O CIBERSPAÇO “A virtualização exacerbada do que entendemos como realidade (o signo é o real), a compreensão das dimensões espaço-tempo, o regime semiótico das imagens (da ordem do indiciário) e a lógica caótica da programação configuram vetores embutidos nas tecnologias da informação: velocidade, enfermidade, fragmentação, visibilidade, bricolagem, hibridização, conexão em redes e fluidez dos processos, sugerindo outras formas de percebe, contabilizar e expressar a experiências.” (SOARES, 2005, p 15)Com tal entendimento, é possível afirmar que as tecnologias são capazes de causarcerto impacto imediato na sociedade. Apesar dessa assertiva ser inegável, poucas são astecnologias que se infiltram no cotidiano das pessoas com poder capaz de estabeleceruma relação de dependência do usuário com o seu uso. Contudo, esse é o caso daInternet.As mudanças provocadas pela Internet na área de educação incluem novas maneiras deensinar que as escolas precisam incorporar. E são inevitáveis. A virtualização, mesmoque exacerbada, sugere outras formas de expressar a experiência. Isso muda ocomportamento do professor, assim como do aluno, em sala de aula. O professor nao émais detentor do conhecimento absoluto, desde a massificação dos meios decomunicação, iniciada com a imprensa. Com a Internet, essa constatação se evidencia: odocente terá que procurar expressar as experiências de aprendizagem trabalhando ainformação para gerar o conhecimento. Por sua vez, o aluno não se comportará comodepósito de informações, dados e conceitos.Sendo assim, “a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar aassumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão.”(MORIN, 2003, p 65). Por isso, cada vez mais, exige-se a formação do aluno como umcidadão com “a consciência e o sentimento de pertencermos a Terra e de nossaidentidade terrana [que] são vitais atualmente.” (MORIN, 2003, p 73), presumindo-se oauxílio do caráter desterritorializado do espaço virtual.
  21. 21. 20Sob esta égide educacional exige-se trabalhar o espaço virtual em sala de aula: como aInternet pode se torna uma ferramenta potencializadora do ensino, principalmente noque se refere à Geografia escolar. A problemática inclui pensar: como o uso da Internetacontece atualmente nas escolas?Nesse momento da pesquisa, o diálogo com o leitor e com estudiosos do assunto serádirecionado mais para a última questão. CASTELLS, afirma que [...] no final de 1995, o primeiro ano de uso disseminado da world wide web, havia cerca de 16 milhões de usuários de redes de comunicação por computador no mundo. No inicio de 2001, eles eram cerca de 400 milhões [...] é possível que estejamos nos aproximando da marca dos dois bilhões por volta de 2010, mesmo levando em conta uma desaceleração da difusão da internet quando ela penetrar no mundo da pobreza e do atraso tecnológico. (CASTELLS. 2003, p. 8 )No entanto, o uso da Internet se refere também ao teor qualitativo de seu conteúdo. Seas próprias pessoas que usam a rede são aquelas que a constroem, quanto maior onúmero de usuários, maior também será a quantidade de informação contida nociberespaço. Saber trabalhar com tamanho conteúdo é a preocupação para a qual asatenções se voltam quanto ao ato de ensinar a pesquisar em tal ambiente. Por isso,BABIN (1989, p. 25) afirma “A quantidade de informações que atinge os jovens ossubmerge e, em seguida, os impede de concentrar-se num ponto especial... Hoje, todosficam submersos pelas informações. Isso leva a uma dispersão da reflexão.” Devido aessa quantidade enorme de informação, as pessoas se perdem diante de diversasopiniões sobre um mesmo assunto. Saber filtrar informações e trabalhar com esseproblema na escola é uma questão imprescindível e urgente. A participação do professorna intercessão entre escola, aluno e Internet cria novas expectativas em sua formação eem sua atuação pedagógica. A tentativa de ensinar o desenvolvimento de uma pesquisaescolar utilizando a Internet, levando em consideração a transformação da informaçãoem conhecimento, exige a provocação do raciocínio crítico, exige o permanenteexercício da reflexão sobre o conteúdo pesquisado. Por tal motivo a Internet não excluia escola e nem o inverso: o trabalho é simbiótico, da escola para a internet e dessa paraaquela, pois é na escola que se reflete sobre o conteúdo pesquisado, daí a enormeimportância do trabalho do professor na construção do conhecimento.
  22. 22. 21Na busca de investigar a problemática, como metodologia de pesquisa, optei2 pelotrabalho com um grupo focal, formado por cinco alunas do ensino médio, com a idadevariando entre 15 e 17 anos, da mesma instituição de ensino particular, com os quaistrabalhei por um período de três semanas, totalizando três encontros presenciais, sendoum por semana. Adotei a perspectiva de pesquisa qualitativa, sem pretensões degeneralização dos resultados obtidos e sim como um mergulho teórico-prático naquestão: Como a Internet aparece no cotidiano escolar dos alunos e como o professortrabalha o uso dessa tecnologia?Nessa perspectiva os encontros presenciais com os alunos foram realizados em minhacasa, como autor desta pesquisa, por ser um lugar próximo às residências das alunas dogrupo focal, do qual faz parte, minha irmã. Essa fraternidade muito colaborou para aconstituição do grupo, favorecendo o contato e a autorização dos pais, para que asmeninas pudessem participar da pesquisa. .No primeiro encontro foram esclarecidos os objetivos da pesquisa, que tem como foco oensino da Geografia, agregando o uso da Internet como uma ferramenta que possibiliteo ensinar geográfico além da sala de aula. Também esclareci como trabalharíamos: eupoderia fazer algumas perguntas, cujas respostas eu registraria. Além disso, poderíamosconversar sobre os temas de estudo, como elas os procuravam na Internet, comoentendiam o que liam, como eram estudados na escola, como entendiam que os temas asajudavam ou não na aprendizagem de Geografia e na vida. Disse-lhes que elas poderiamperguntar o que não entendessem e poderiam sugerir ou acrescentar comentários,avaliações, análises de suas compreensões. Novamente, o fato de minha irmã fazer partedo grupo ajudou, deixando-nos todos mais à vontade.Nos encontros posteriores à apresentação, trabalhei com as alunas conteúdos deGeografia como Espaço Geográfico e Paisagem, Monções Asiáticas e domínio2 Nesse ponto do trabalho, opto por escreve-lo usando a primeira pessoa do singular, por se tratar daexperiência pessoal com os jovens, um espaçotempo (VALLADARES, 2009) real e virtual de convivência ede aprendizagem que não pode ser descrita na impessoalidade verbal.
  23. 23. 22morfoclimático brasileiro (este último tema foi escolhido pelas alunas). Cada encontroabordou um tema diferente dentro dos conteúdos mencionados acima.Simultaneamente à percepção de suas aprendizagens por meio dessa ferramenta, fuielaborando um diagnóstico da atual conjuntura da relação Ensino-Internet colocado naescola. Fiquei intrigado em saber a maneira como vem sendo proposto o uso dessatecnologia na escola em contraposição à forma como os alunos a utilizam tanto porlazer ou por estudo. Essas questões não se esgotam em si, pois é possível pensar ainda:por que não os dois, lazer e estudo?O trabalho com o grupo focal demonstrou que o livro não é tido como prioridade nomomento da realização da pesquisa, assim como esta não é feita mais na biblioteca, esim na sala de informática, evidenciando transformações de ambiência na escola,destacando o uso das tecnologias de informação no espaço físico escolar. A bibliotecacontinua a existir, no entanto o seu espaço é dividido com a informática. Contudo, nemsempre são usadas as duas fontes de informação. A atração pelo ciberespaço, com suacapacidade de interação, de agilidade no acesso à informação, assim como as diversasmaneiras como essa informação é apresentada, faz da biblioteca escolar, no discurso dosjovens, “um museu antiquado de livros”.Todavia, quando o professor não intervém na orientação da pesquisa, não só o conteúdopesquisado pode conter informações equivocadas, como os próprios alunos podemescolher equivocadamente a fonte da pesquisa. Os problemas que ocorrem quando nãohá auxilio do professor nos momentos da pesquisa, que ele mesmo solicita, podem seravaliados a seguir, quando se faz a seguinte pergunta a Esmeralda 3 e às outras alunas dogrupo focal:3 Foram atribuídos nomes de rochas e minerais às meninas do grupo focal com a qual o autor trabalhou,objetivando-se mantê-las no anonimato.
  24. 24. 23Embora Esmeralda faça uma busca na rede na tentativa de levantar informações sobre oassunto da pesquisa, ela acaba se direcionando ao portal do Wikipédia4 por defini-locomo uma página “com informações corretas”.O resultado de uma pesquisa feita nesses parâmetros muitas vezes se resume à copia deinformações na qual a aluna nem sempre as absorve ou atinge ao objetivo proposto como trabalho. É, praticamente, um laissez faire por parte do professor que omite o savoirfairer no momento da pesquisa. Podemos observar, na resposta da Opala, à mesmapergunta, o termo “mosaico” se destacando, numa correspondência à lógica usada: otrabalho não é escrito e sim montado.O padrão de “pesquisa” se repete com Safira4 Wikipédia: Página virtual com documentos de diversos assuntos que são escritos por qualquer pessoacom acesso a internet.
  25. 25. 24Não há preocupação, por parte das alunas, no que diz respeito ao critério de qualidadeda construção textual. O que lhes parece importante é que o mesmo esteja, no mínimo,abordando o tema da pesquisa proposta, não havendo registro, nem avaliação quanto àqualidade da página pesquisada: há prioridade no uso do sítio Wikipédia pela facilidadede encontrar informações, com conseqüente rapidez na elaboração do trabalho.Caso o Wikipédia não atenda à necessidade da pesquisa, diversas outras páginas podemser consultadas para que o trabalho seja montado, mas sempre submetidas ao crivo darapidez e à facilidade de acesso à informação procurada: é a fluidez do espaçogeográfico, acentuada por meio do espaço virtual, espaço e tempo sendo tomados comocategorias determinantes do fazer.As alunas revelam que buscam respostas nas primeiras páginas fornecidas para apesquisa. Afinal, quanto mais rápido terminam a pesquisa - considerada por elas comoalgo obrigatório, um dever que precisa ser feito para evitar conseqüências desagradáveis- mais tempo livre terão para o lazer com a própria Internet.Entretanto, é possível encontrar outras formas de fazer pesquisa com a Internet, como ofaz Ametista, que busca dialogar com as informações com as quais se deparou na rede,para construção do trabalho:
  26. 26. 25As adolescentes afirmam que fazem as pesquisas, que o professor solicita, por que setrata de uma exigência escolar. Encaram tal tarefa como uma rotina já internalizada: ofazer é um copiar e colar, mudar alguns parágrafos para que o professor não perceba queo trabalho foi assim construído. A prática não é nova: acontecia também quando aspesquisas eram feitas em livros. Ela, apenas, ganhou a sofisticação do meio e dasfacilidades que ele oferece: a cópia, por não ser manuscrita, não exige quase nenhumaatenção. Depois de lido o texto, numa leitura rápida e superficial, a máquina oferece orecurso do recortar e colar. A impressão completa a tarefa.Essa prática, evidentemente, é um reflexo da maneira como o professor orientou otrabalho e como costuma trabalhar o resultado obtido com o trabalho “pesquisado”.A imersão no espaço virtual, proporcionado pelo ciberespaço, induz ao falso domínio decontrole da tecnologia. O simples fato de se conseguir acesso à Internet não quer dizer,exatamente, que há controle sobre a mesma. Essa preocupação se coloca, nessemomento, no cerne das discussões porque foi demonstrado que para ter acesso aociberespaço o uso da tecnologia é indispensável. Esse fator já cria uma condição de usoda Internet. A outra problemática evidenciada é: existe a tecnologia que permite oacesso a Internet, mas não se tem o domínio da mesma.Isso ficou muito claro no grupo focal: o leve domínio dos conhecimentos pertinentes aInternet se resume especificamente ao lazer. O uso da Internet, feito pelos jovens, emgeral, alunos de ensino médio em sua grande maioria, é direcionado ao uso decomunidades virtuais, programas virtuais de comunicação em tempo real, por fim,
  27. 27. 26programas que permitem compartilhar músicas. Esse é o perfil superficial do uso daInternet como ferramenta de lazer pelos jovens, segundo a pesquisa.Não saber realizar uma pesquisa mais apurada na rede, não saber enviar um e-mail sãoproblemas de base que, na escola, deveriam está sendo sanados, entendendo, portanto,que inclusão digital não é apenas a infraestrutura que permite o acesso a Internet. Essaproblemática, observada no grupo focal, induz a uma reação em cadeia, haja vista casonão há domínio das ferramentas de pesquisa na rede, por parte do aluno. Este pode tantoencontrar problemas na busca de informações a compor o trabalho, quanto na maneirade lidar com a tecnologia e assim tirar melhor proveito dela.No que concerne ao docente, a situação é ainda mais delicada por uma série de fatoresque são colocados logo de imediato. Quando se propõe novas maneiras de ensinar, adesculpa é ampla: a carga horária é pequena e a exigência da programação de conteúdosé muito extensa, portanto, não há espaço para inovar em sala de aula. Esse ponto devista induz ao uso da tecnologia como uma reprodução, de maneira acelerada, da formade ensinar anterior, baseada somente no quadro e giz. A tecnologia traz a rapidez e amultiplicidade de acesso à informação densa, complexa e variada. Todavia o seu usopermanece alicerçado no valor do ensino medido pela quantidade de informaçãotransmitida ou exposta em sala de aula. Felizmente, há profissionais que enxergam otempo destinado à construção de saberes diferenciados não apenas como um desperdícioe sim como um investimento, visto que é um material que será usado de diversasmaneiras em diversos momentos, poupando tempo, a longo prazo, com resultados maissatisfatórios. Nesta perspectiva, entende-se que “O desenvolvimento tecnológico devetraduzir-se em sabedoria de vida”. (BOAVENTURA, 2008, p 91)Vale ressaltar que, dessa forma, não se defende o uso da Internet pela Internet. Para odesenvolvimento cognoscível do aluno, a sala de aula é um local de interseção entre oespaço virtual, espaço real e ensino (esquema abaixo), por tal motivo a escolapermanece como um local de importante relevância quando se trata do ensino. Por isso,a proposta aqui defendida e problematizada visa aproximar o espaço virtual ao espaçoreal da sala de aula. Assim, propõe-se trabalhar com os alunos o uso do ciberespaço na
  28. 28. 27construção do conhecimento, nunca excluindo a sala de aula como parte dessaconstrução, visto que quando existe a polarização predominante do ciberespaço, não háconstrução de conhecimento e sim acúmulo de informação sobre um determinadoassunto. Nesta perspectiva, a sala de aula se torna o local onde há o encontro das idéiascontidas no espaço virtual5 que são discutidas no espaço real, representado pela sala deaula, cujo olhar é direcionado ao ensino. ESPAÇO REAL SALA DE AULA ESPAÇO ENSINO VIRTUALO retrato que a pesquisa trouxe com o grupo focal mostrou adolescentes que nãopossuem amplo conhecimento com relação ao uso da Internet, salvo quando se trata de5 O espaço virtual propriamente dito se faz presente em todo o ecúmeno do território por meio datécnica que o precede (Internet) inclusive na sala de aula, por tal motivo que se fala das idéias que ocompõe e não do espaço virtual em si, afinal este é, nesse momento, representado pela Internet.
  29. 29. 28um uso exclusivo ao lazer. Por meio de relatos do grupo ficou evidente, também, que aInternet é usada como ferramenta de auxilio na construção de um trabalho escolar, noentanto o professor se coloca a margem durante a evolução da pesquisa, avaliando oproduto somente e não o processo. Com esse retrato, no capítulo seguinte, colocar-se-áuma proposta de como pode ser trabalhada a Internet em ambiência escolar.
  30. 30. 29EDUCAÇÃO E INTERNET: POR UMA PROPOSTA DE ENSINO AGREGANDO O CIBERESPAÇO
  31. 31. 303 EDUCAÇÃO E INTERNET: POR UMA PROPOSTA DE ENSINOAGREGANDO O CIBERESPAÇOO que se pretende colocar como proposta de uso da Internet no processo dedesenvolvimento da aprendizagem do aluno não é apenas uma maneira de trabalhar como ciberespaço dentro do ambiente escolar. Como o ciberespaço é invenção social edentro desse tipo de espaço virtual encontramos idéias permitidas por aqueles queusufruem e modelam a virtualidade desse espaço, definir apenas uma maneira deensinar com a Internet seria desconsiderar todo potencial que a compõe, todas as idéiase conhecimentos expostos seriam negligenciados: tal prática não é o intuito da pesquisa.Durante o processo de aprendizagem existem diversos caminhos a se seguirem paraalcançar um objetivo: desenvolvimento do conhecimento. Nesse percurso cabe ao alunose apresentar disposto a assimilar a informação e incorporá-la em sua estruturacognitiva. No entanto, colocar-se disposto à aprendizagem é uma condição sine quanom do aluno.A questão está no intermediário, naquele agente que vai trabalhar a informação econduzi-la ao conhecimento. Esse trabalho cabe ao professor que, na tentativa derealizá-lo, pode tanto optar por um aprender mecanicamente, quanto, por umaaprendizagem que busque atingir o cerne da construção do conhecimento. Nesse caso,buscar-se-á incorporar à estrutura cognitiva do aluno, novas aprendizagens. Todos osconhecimentos de vivência que o estudante traz consigo servirão de estímulo àconstrução de novas aprendizagens. A essa maneira de assimilar o conhecimento dar-seo nome de construtivismo ausubeliano ou Teoria da aprendizagem significativa deDavid Ausubel (NETO, 2006, p 118).Esse constructo se torna eficaz, principalmente, quando colocado à égide dametodologia de ensino: quais recursos a Internet dispõe para a construção doconhecimento significativo no/pelo aluno?Para criar um ambiente em sala de aula que contribua na composição da estruturacognitiva do aluno, é preciso conhecer o Lugar do qual ele faz parte, pois dessa maneira
  32. 32. 31é possível acessar a estrutura cognitiva do aluno e assim construir novos conhecimentos.No entanto, com o intuito de conseguir resultados satisfatórios, é preciso conhecer,também, o aluno, principalmente no que se refere às habilidades e afinidades quefavorecem sua compreensão quanto a determinados assuntos, assim como o potencialque precisa ser nele desenvolvido para alcançar sucesso em áreas para as quais não temigual facilidade.Essa discussão se baseia no entendimento de que a inteligência está relacionada àafinidade em um determinado assunto, proporcionada por uma habilidade inata dacriança, definida entre sete grandes grupos de inteligências diferenciadas,proporcionando, então, a existência de “[...] seven kinds of inteligence would allowseven ways to teach, rather than one.”6 (GARDNER, 1993, p 23). Se existem sete oumais tipos de inteligências, isso quer dizer que existem sete maneiras de estimular aaprendizagem com recursos diferenciados e com o intuito de buscar a aprendizagemsignificativa. Nessa perspectiva, a Internet pode ser uma grande aliada do professor seusada com o devido planejamento de aula.A metodologia de ensino proposta pelo professor, considerando-se a Teoria dasMúltiplas Inteligências, retoma a preocupação em como estabelecer uma relaçãoEnsino-Internet, no que concerne à utilização de instrumentos proporcionado pela redemundial de computadores.Com o intuito de levar o ensino da Geografia para além da sala de aula, de trabalharcom um ensinar agregando o ciberespaço, considera-se como uma condição essencialque o professor se faça presente no espaço virtual. Assim, é preciso haver aterritorialização na virtualidade por parte do docente, para que esse lócus virtual possaser um espaço concentrador de informações, facilmente direcionado a diferentes portaispertinentes à temática proposta pelo docente. Portanto o professor pode se fazerpresente no ciberespaço por meio de comunidades virtuais, sites, bem como com acategoria de blogs e viodelogs; dentre outros.6 “Sete tipos de inteligências que permitem sete maneiras de ensinar, ao contrário de uma.”
  33. 33. 32Nessa pesquisa optei trabalhar com o site, considerando-o como uma das formas de seterritorializar no ciberespaço. Utilizei como ferramenta principal o audiovisual, quecoloca o site na categoria de videolog.Durante as reuniões com o grupo focal trabalhei com três assuntos de Geografia, jámencionados, utilizando mapas temáticos e ilustrações com finalidade didática paraajudar na compreensão do assunto. Ao fim de cada encontro, construía o materialaudiovisual com base no que havia ensinado. Depois de construído, esse material foicolocado na Internet, no endereço virtual criado especificamente para a pesquisa:http://geografando.web.br.com/ por meio do qual as parceiras do grupo focal podiamter acesso ao conteúdo disponível. Na construção do site, logo na parte superior estáo logo-tipo, com os laptops e o globo, e logo abaixo, o slogan da página “AGeografia além da escola”. Optei por dividir o conteúdo da página em categorias -por exemplo: “Como as coisas funcionam” cuja idéia é trabalhar a interação com opúblico virtual, criando um instrumento que possa permitir a escolha por meio dovoto pela Internet sobre determinado assunto da Geografia. Assim, estaria associandoao conteúdo audiovisual a prática democrática do voto e a autonomia da escolha.Todavia não houve tempo hábil para desenvolver essa idéia no site. Permaneceu,contudo, no desenvolver dos três encontros com o grupo focal, a idéia de encontrostemáticos, sendo um deles escolhido pelo grupo.Na barra lateral, a direita do site, é um espaço reservado a outros portais cujo assuntoé relevante com a Geografia. A idéia desse espaço se justifica por ser um local ondeos alunos podem ter acesso a informações diferenciadas e com credibilidade, o quepode auxiliar a fazer um trabalho de busca com informações sérias.Na elaboração do conteúdo audiovisual usei um programa de edição devídeos/imagens que trabalha com banco de dados. Sendo assim, durante a edição dosvídeos peguei como base, documentários de onde foram retirados trechosimportantes para a construção do material audiovisual.
  34. 34. 33No entanto, muitas vezes, os trechos retirados dos documentários, cuja narraçãooriginal não estava de meu agrado, devido o seu teor essencialmente técnico, secolocou como um problema. Entretanto, se o problema me preocupou, a solução paracontornar esse empecilho resultou na originalidade do conteúdo final, que surgiucom a idéia de isolar o áudio original, apagá-lo e criar uma nova narração cujo textofoi feito da maneira que eu (como professor) queria que fosse feito. Essa alternativame faz refletir sobre a necessidade de resgate da prática dos professores escreverempara seus alunos, do jeito que a conversa com eles deveria fluir: o uso doconhecimento psicológico sobre aprendizagem se colando ao conhecimento de como,especificamente, nossos alunos aprendem ou não aprendem. Essa é uma chave que,me parece, todo professor deveria usar sempre.Com a seleção das partes do documentário que serviriam na construção do recursoaudiovisual e o roteiro elaborado tudo é feito no programa, desde a montagem daspartes selecionadas até a gravação do áudio narrado com microfone, existe espaçopara adicionar audio além dos que foram gravados com microfone: como músicas, oque também foi utilizado. Por fim, com o intuito de identificar o material do site,todo o conteúdo audiovisual é iniciado com o logo-tipo do site e o slogan juntamentecom a temática a qual o vídeo se refere.A virtualidade do conteúdo produzido foi trabalhado tanto no próprio ciberespaço,com o grupo focal acessando o conteúdo na rede, quanto nos encontros realizadosapós a produção do material. Essa foi uma tentativa de aproximar a virtualidade àrealidade das alunas com o intuito de analisar a reação do grupo durante avisualização do material. Para a minha surpresa o material audiovisual não apenasgerou uma atmosfera surpreendente de envolvimento entre as meninas, comoproduziu uma discussão sobre a viabilidade da construção de novos materiaisvoltados ao ensino, uma vez que, o professor de Geografia “usa o mesmo slide defuracão desde a sétima série (oitavo ano) - lembrando que quatro das meninas estãono primeiro ano do ensino médio com uma no terceiro ano do ensino médio – Nodecorrer da conversa, elas argumentaram: “mas ele (o professor) tem um milhão deturmas, não dá para fazer um material diferente todo dia.” Fui obrigado a concordarcom esse argumento; sobre a carga horária docente: esse ainda é um fator que induzao ensinar mecanicamente.
  35. 35. 34No entanto o trabalho em demasiado não justifica usar o mesmo slide durante três anos,principalmente quando há tecnologia disponível na escola para se trabalhar. Pelo queafirmam as meninas do grupo focal, há muitos professores que mantém a prática doensinar mecanicamente, elegendo saberes sem significação, privilegiando dados econceitos de uma Geografia engessada, atualmente, por meio da técnica com ainformatização: quadros digitais, datashow, Internet... e outros tantos diversos recursos.Pensando nisso, guardei a provocação para um novo trabalho de pesquisa: como osalunos podem colaborar na produção de recursos didáticos, com a Internet e a produçãoaudiovisual, potencializando suas aprendizagens....
  36. 36. 35CONSIDERAÇÕES FINAISA proposta em como trabalhar a Internet em situação de ensino e aprendizagem, expostana pesquisa, apontou um caminho possível de se trabalhar a educação com ociberespaço.O manuseio dessa tecnologia, entretanto, deve estar fundamentada nos conceitos quenorteiam a ciência geográfica e no comprometimento que o docente precisa assumirquando é colocada a disposição uma técnica repleta de idéias e intencionalidades comoa Internet, haja vista os recursos que se encontram nesse espaço virtual, deixando oensino visualmente mais atrativo e moderno sem, necessariamente, haver significaçãopara o aluno, caso o modelo de ensino mecânico permaneça em prática. Do contrario aInternet será uma nova ferramenta vestida com o velho modelo de ensino.A confluência da Internet com o professor criativo torna possível a obtenção deresultados satisfatórios. No bom manuseio da tecnologia em sala de aula, a onipresençaproporcionada por essa técnica transcende o ensino de Geografia para além das paredesda sala de aula e, por isso, a participação do professor é fundamental na orientação dosalunos dentro desse universo de informações.A escola, portanto, é o ponto de partida, é onde o espaço virtual e o espaço real seencontram, é o local onde será formado o cidadão com seus projetos e idéias que, emum dado momento de sua formação, serão apenas virtuais, depois se tornarão reais emum espaço real, geográfico, para assim poder transformá-lo como parte de umasociedade em busca da realização social calcada na justiça, solidariedade e igualdade.Em uma sociedade cada vez mais virtual, ensinar com o ciberespaço é um compromissoque a escola precisa assumir.
  37. 37. 36BIBLIOGRAFIABABIN, Pierre; KOULOUMDJAN, Marie-France. Os novos modos de aprender – ageração do audiovisual e do computador. Edições Paulinas, SP, 1989CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e asociedade. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. 243 p.COSTA, Rogério H. da. O Mito da Desterritorialização: do “fim dos territórios” àmultiterritorializade. -3ª Ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.GARDNER, Howard. Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences. 2ª Ed,Fontana Press, 1993.LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2. ed. - São Paulo: Editora 34, 2000. 260p.MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história critica. 16. ed. - SãoPaulo: Hucitec, 1998. 138p.MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia eontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2007. 188 p_________2006, Para onde vai o pensamento geográfico? Por uma epistemologiacrítica. São Paulo: Contexto, 191 p.MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Riode Janeiro, Bertrand Brasil, 2003.NETO, José Augusto da Silva Pontes. TEORIA DA APRENDIZAGEMSIGNIFICAMTIVA DE DAVID AUSUBEL: perguntas e respostas. Série-Estudos –Periódico do Mestrado em Educação da UCDB, Campo Grande-MS, n 21, p.117-130,jan/jun. 2006.SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São Paulo:Cortez, 2008. 92 p.
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