Edgar Morin - O caçado sabendo caçar

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Edgar Morin - O caçado sabendo caçar

  1. 1. Universidade de SorocabaO Caçado Sabendo Caçar Texto de Edgar Morin Luiz Guilherme Amaral Sorocaba, 2013
  2. 2. Fichamento sobre o texto “O Caçado Sabendo Caçar” contido naobra “O Enigma do Homem” (Zahar Editores, 1979), de Edgar Mo-rin, acerca dos processos evolutivos do ser humano. Aborda aspectosculturais, sociais e intelectuais.AutorEdgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum (Paris, 8 de Julho 1921),é um antropólogo, sociólogo e filósofo francês judeu de origem sefar-dita.Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la RechercheScientifique). Formado em Direito, História e Geografia, realizou es-tudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Autor de mais de trin-ta livros, entre eles: O método (6 volumes),Introdução ao pensamen-to complexo, Ciência com consciência e Os sete saberes necessáriospara a educação do futuro.Durante a Segunda Guerra Mundial, participou da Resistência Fran-cesa. É considerado um dos principais pensadores contemporâneos eum dos principais teóricos da complexidade.(Fonte: Wikipedia) 2
  3. 3. A visão de Morin sobre a evolução huma- não o contrário. Desta forma, a cultura é trans- na preenche muitas lacunas no que diz formada em infraestrutura da sociedade uma vez respeito à maneira com que nós nos que ela se retroalimenta e se modifica tornando- adaptamos a este mundo quando ain- se mais complexa.da éramos hominídeos. Se o homem é produtodo meio, então conseguimos atingir um estágio O learning atribuído por Morin é o sistema peloonde, apesar dos pesares, sobrevivemos muito qual as sociedades aprendem sobre si próprias ebem. O hominídeo com o polegar opositor e os determinando os limites de sua própria cultura.pés plantados no chão é o começo da aventura Este mesmo sistema pode ser utilizado por dife-para sua libertação. E, apesar do fato de que ficar rentes grupos ou tribos para que haja um inter-em pé significa deixar vulnerável partes vitais, câmbio de culturas e conhecimento. Assim, elascomo os órgãos sexuais e o pescoço, esta posição aprendem diferentes valores e podem repensarpermitiu inovações, como a liberação do sistema alguns aspectos de suas culturas e adicionar no-vocal. vos elementos. Sendo a caça o instrumento socializador do ho-Estar em pé também significa que a caixa crania- mem, a comunicação surge como um recursona sofre menos pressão. O corpo se prepara para bastante eficaz. E neste momento onde alertar euma evolução que levará a diversos caminhos. apontar é vital, sobretudo quando os hominídeosEntre eles, a aurora do pensamento mágico. Isso estão embrenhados em mata alta, mais uma veznão acontece, porém, antes dos hominídeos co- todas as variáveis proporcionam que comecemmeçarem a enterrar seus mortos – com seus ob- a surgir linguagens. Em um primeiro momentojetos de valor11 –, o que incita que os hominídeos tratava-se de um repertório limitado, quase quecomeçam a se preocupar com a morte e, sobretu- somente para chamar uns aos outros – que Mo-do, o que vem depois dela. rin batiza de call system --, mas mais tarde evolui para idiomas mais complexos.Esta multidimensão a qual o ser humano está ex-posto – genética, ecologia, expansão da caixa cra- O sistema vocal e os músculos da cabeça passamniana e interação social – é o que realmente mol- a ser movimentados de maneira a criar sons maisda o caminho de sua evolução enquanto espécie. complexos. Percebe-se mais tarde, já com idio-E em meio a todos estes elementos está a práxis, mas e sociedades mais estruturadas que o poderquer dizer, os afazeres e o cotidiano deste homi- do debate proporcionado pela linguagem é o quenídeo. Ainda nesta fase, resume-se a caçar e a se vai ramificar elementos das culturas. Daí pode-proteger, pois o ócio que resultará na admiração mos concluir por que há ramificações de umae conjectura virá com a agricultura de subsistên- mesma religião. Com a linguagem, o homemcia. Mas vale lembrar também que o conjunto de passa a deter mais controle sobre suas atividadesinterferências a que o hominídeo é submetido diárias, o que também contribui para a funda-pode ajudar a construir o pensamento religioso. mentação da cultura.Um outro instrumento que torna-se crucial para A caça também permite que outro senso se de-esta “preparação” do hominídeo em se tornar senvolva: a solidariedade. Esta noção “socialis-homo sapiens é o fogo. Com a dominação deste ta” de que todos têm direito a uma parte igualelemento natural, alguns dos principais hábitos ajuda a unir os grupos porque todos acabamse modificam. Deixar de ficar em estado de alerta entendo que há uma recompensa pelo trabalhosignifica um sono mais profundo, que também desenvolvido independentemente do grau dehabilita a sonhar. Cozinhar a caça é também um participação. Mas não apenas a recompensa: háfator de extrema importância, já que permite também a certeza de que todos estão protegidosmoldar o sistema mastigatório e digestivo, fa- contra qualquer ação externa que possa desequi-zendo com que sejamos, ainda que de uma estru- librar aquele status quo. Isto implica também emtura mais frágil, mais ágil e versátil. uma cumplicidade maior com o grupo, tornando -o cada vez mais coeso. Quando transportamosAgora o hominídeo está pronto para atuar na isso para a solidariedade religiosa, percebemosárea em que vive e começar a tirar suas conclu- o mesmo padrão: a recompensa, o status quo, osões. Os mais jovens estão aprendendo com os grupo coeso. Percebe-se, portanto, que por estemais velhos. As mulheres têm um papel definido viés o altruísmo é utópico, principalmente pelade proteção da prole. Todos estes elementos por “fraternidade viril” que Morin descreve.onde o hominídeo perambula é o que dá o inícioao sentido de cultura. Como tudo na natureza, Esta camaraderie que está arraigada no relacio-algo mais simples gera algo mais complexo, e namento masculino por conta do histórico de “aventuras” e divisão da caça acaba por criar um1 - MITHEN, Steven, arqueologia de la mente, 1996, machismo exatamente também pelo homem terEd. Crítica 3
  4. 4. o papel de provedor enquanto a mulher se ocupacom atividades ditas de “menor importância”.O interessante é que as instituições religiosas se-questram este mesmo modelo social e colocama figura feminina como inferior enquanto o ho-mem é o senhor de tudo, prostrando-se somenteà figura de seu deus. 4

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