Visão panorâmica das 2300 tardes e manhas e as 70 semanas

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Visão panorâmica das 2300 tardes e manhas e as 70 semanas

  1. 1. Visão panorâmica das "2300 tardes e manhãs" e das "70 semanas"Focalizando Daniel 9As Escrituras revelam que os antigos profetas não somente se preocuparam em anunciareventos futuros, como também em indicar o tempo de seu cumprimento. Os 120 anos degraça destinados ao mundo antediluviano (Gênesis 6:3), os 7 dias que precederiam oinício da chuva, a qual deveria cair por 40 dias ininterruptos (Gênesis 7:4), os 400 anosde peregrinação da descendência de Abraão (Gênesis 15:13 e Atos 7:6), os 3 dias para ocopeiro e para o padeiro de Faraó (Gênesis 40:12, 13, 18 e 19), os 7 anos de fartura e osoutros 7 de fome sobre a terra do Egito (Gênesis 41:26, 27, 29 e 30), os 40 anos dejornada no deserto (Números 14:33 e 34), os 3 anos e meio de seca no reinado de Acabe(1 Reis 17:1 e Lucas 4:25), o cativeiro de 70 anos (Jeremias 25:11 e 12; 29:10 e Daniel9:2) e os 7 tempos de loucura de Nabucodonosor (Daniel 4:16, 23, 25 e 32) foramperíodos que delimitaram a realização dos acontecimentos preditos.Não poderiam os profetas ter antecipado também a época do advento do Redentor? Alógica sugere que sim, o que é confirmado pelo apóstolo Pedro, segundo o qual “osprofetas que profetizaram da graça que vos foi dada” “inquiriram e trataramdiligentemente” da salvação, “indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espíritode Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que aCristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir.” 1 Pedro 1:10 e 11.Os dados cronológicos concernentes à primeira vinda de Cristo podem ser encontradosem Daniel 9, em que já estavam preditos, com inigualável precisão, os anos exatos doinício e do fim do ministério do Salvador. Contudo, visto que Daniel 9 constitui umcomplemento ao capítulo 8, imperioso se torna o estudo concatenado de ambos.Uma Impressionante Visão
  2. 2. O capítulo 8 descreve uma fascinante visão recebida pelo profeta Daniel, na qual elecontemplou um carneiro, um bode e uma ponta pequena. Esse último elemento lheatraiu particular interesse, em virtude de seu ataque ao exército do Céu, ao Príncipe dospríncipes e ao Santuário Celestial. Enquanto observava a blasfema atuação da pontapequena, Daniel ouviu um santo anjo a indagar: “Até quando durará esta visão?”. Asolene resposta é encontrada em Daniel 8:14: “Ele me disse: Até duas mil e trezentastardes e manhãs; e o santuário será purificado.”.Daniel 8:14 faz referência a um longo período profético, findo o qual o Santuário seriapurificado. Esse período possui especial importância por estar intimamente associado às70 semanas de Daniel 9, cujo principal objetivo é localizar o tempo do ministério deJesus. Daí, a necessidade de uma investigação mais detalhada das 2.300 tardes emanhãs.As 2.300 Tardes e ManhãsA origem da expressão “tardes e manhãs” remonta ao relato da Criação, no qual se lê:“Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.”Gênesis 1:5. Desse texto se deduz que num dia completo há uma tarde e uma manhã, oque conduz à inevitável conclusão de que o período mencionado em Daniel 8:14 é, narealidade, de 2.300 dias.Esses dias não podem ser literais, em virtude de que aparecem num contexto altamentesimbólico. Mediante a aplicação do princípio bíblico do dia-ano, segundo o qual, um diaprofético corresponde a um ano literal (Números 14:34 e Ezequiel 4:6 e 7), torna-seevidente que os 2.300 dias representam 2.300 anos reais.
  3. 3. O Ponto de Partida das 2.300 Tardes e ManhãsUma leitura atenciosa de Daniel 8 revela a carência de qualquer indicação exata para oinício dos 2.300 anos. Depois de comentar cada elemento da visão, as poucas palavrasde Gabriel referentes àquele período foram: “A visão da tarde e da manhã, que foi dita,é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes.”Daniel 8:26. Antes que Gabriel pudesse fornecer alguma informação adicional sobre os2.300 dias, Daniel perdeu as forças e desmaiou. A cena das horrendas perseguições asobrevir ao povo de Deus e a afirmação de sua longa duração eram mais do que o idosoprofeta poderia suportar. Assim, Gabriel teve de abandoná-lo para só retornar emocasião oportuna.Investigando o livro do profeta Jeremias, Daniel entendeu que o prazo determinado porDeus para o regresso de seu povo à Judéia seria de 70 anos (Daniel 9:1 e 2). Como esseperíodo já estava próximo do fim, Daniel temeu que a visão recebida alguns anos antesfosse um alerta divino concernente a um prolongamento na duração do cativeiro. Talperspectiva encheu de horror o coração do bondoso profeta, o que o impulsionou aderramar sua alma perante o Senhor numa impressionante oração intercessória por suanação. Temendo que os 2.300 dias consistissem num acréscimo aos 70 anos dedesolação, Daniel assim se expressou: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor,atende-nos e age; não Te retardes, por amor de Ti mesmo, ó Deus meu; porque a Tuacidade e o Teu povo são chamados pelo Teu nome.” Daniel 9:19.Em resposta à súplica daquele fervoroso servo de Deus, Gabriel retornou para completarsua missão. Ele recebera a ordem: “Dá a entender a este a visão” (Daniel 8:16) e aincumbência devia ser satisfeita. Por isso, aproximou-se mais uma vez do profeta,dizendo: “Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido... Considera, pois, a coisa eentende a visão.” Daniel 9:22 e 23. Retomando o assunto, Gabriel se deteveparticularmente no aspecto do tempo: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teupovo e sobre a tua santa cidade...” Daniel 9:25. A palavra aqui vertida por“determinadas” significa literalmente “separadas” ou “cortadas”. O questionamentológico em face dessa observação é: separadas de quê? Visto que os 2.300 dias foram oúnico período mencionado anteriormente, o qual não havia recebido maioresconsiderações, devem ser o período de que as 70 semanas se separaram. As 70 semanassão, portanto, uma parte dos 2.300 dias e os 2 períodos devem começar
  4. 4. simultaneamente. Isso supre a carência de informação em Daniel 8 sobre o início das2.300 tardes e manhãs, visto que em Daniel 9 o ponto de partida é indicado.O ponto inicial das 70 semanas é “a saída da ordem para restaurar e para edificarJerusalém” Daniel 9:25. Embora 3 decretos persas sejam mencionados no livro deEsdras nesse sentido, o de Artaxerxes é o mais abrangente, além do que, as intençõesdos 2 anteriores são plenamente satisfeitas com este último. Esse decreto entrou emvigor no outono de 457 A.C., data que deve ser tomada como o início dos cômputosproféticos.7 Semanas e 62 Semanas“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até aoUngido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e ascircunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.” Daniel 9:25. Assim, amanifestação do Messias estava marcada para 69 semanas proféticas, ou 483 dias-anos,depois que o decreto de Artaxerxes entrasse em vigor, o que conduz ao ano 27 da EraCristã, no qual Jesus, após ter sido batizado no rio Jordão, foi ungido pelo EspíritoSanto, que sobre Ele repousou em forma de pomba, e deu início ao Seu ministériopúblico.Após essa data, segundo o relato de Marcos, “foi Jesus para a Galiléia,pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus estápróximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” Marcos 1:14 e 15.A parte final do versículo se refere aos turbulentos anos de reconstrução da cidade deJerusalém, o que pode ser comprovado mediante a leitura do livro bíblico de Neemias.“O Ungido será tirado”“Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo deum príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio,e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.” Daniel 9:26. A intenção dessapassagem não é marcar a data exata da morte de Jesus, pois, segundo as palavras deGabriel, o Ungido seria tirado não ao fim das 62 semanas, mas depois disso. A mençãoà destruição do Templo e da Cidade Santa aponta logicamente à invasão de Jerusalém
  5. 5. pelos exércitos romanos, liderados pelo general Tito, no ano 70 da Era Cristã. Invasõesdessa natureza eram comparadas a inundações, o que explica a referência a um dilúvio;e a afirmação de que “até ao fim haverá guerra” retrata bem os combates e oderramamento de sangue dos últimos 2.000 anos da História da Humanidade.A Última Semana“Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessaro sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até quea destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.” Daniel 9:27. A “semana” aquimencionada é a última das 70 e corresponde aos derradeiros anos de oportunidadeconcedidos ao povo de Israel.Durante esse período, que se estende do ano 27 ao ano 34,Cristo, em princípio em pessoa e depois por intermédio de Seus discípulos, dirigiu oconvite do Evangelho especialmente aos judeus.A parte mais impressionante da predição está relacionada ao meio da septuagésimasemana, em que se faria cessar o sacrifício e a oferta de manjares. No ano 31 da EraCristã, 3 anos e meio após Seu batismo, o Senhor Jesus foi crucificado. Mediante ogrande sacrifício oferecido na Cruz do Gólgota, o sistema de sacrifícios, que por 4.000anos havia apontado para o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João1:29), perdeu a sua validade.O tipo alcançou o antítipo e, em conformidade com avontade de Deus, todos os sacrifícios e ofertas deveriam cessar. Ao Jesus entregar Seu
  6. 6. espírito naquela tarde de sexta-feira, houve um grande terremoto e “o véu do santuáriose rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mateus 27:51), como notória evidência deque o sistema cerimonial havia chegado ao esgotamento. Que Jesus estava cônscio deque aquele era o momento indicado pela profecia de Daniel, observa-se de Suaspalavras proferidas na noite anterior: “Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, paraque o Filho Te glorifique a Ti.” João 17:1.O final do versículo 27 também faz alusão à destruição de Jerusalém, assim como overso precedente, e foi mencionado por Jesus em Seu sermão profético, quando Eleinstou a Seus discípulos que estudassem com atenção o livro de Daniel. Ver Mateus24:15.O Fim das 70 SemanasVisto que as 70 semanas foram separadas especialmente para o povo de Israel, seutérmino deve coincidir com a rejeição dos judeus ao Evangelho de Cristo. Emboranenhum evento específico seja relacionado ao fim das 70 semanas e apesar de os dadoscronológicos dos primeiros capítulos do livro de Atos serem insuficientes para umadatação exata, a morte do diácono Estevão e a primeira perseguição à Igreja servemmuito bem como marcos do fim do tempo de graça concedido à nação eleita, pois, apóso início das hostilidades, os discípulos, forçados pela perseguição a fugir de Jerusalém,“iam por toda parte pregando a palavra” (Atos 8:4). Filipe desceu à cidade de Samaria epregou a Cristo. Pedro, guiado pelo Espírito de Deus, anunciou o Evangelho a Cornélio,centurião de Cesaréia; e Paulo, ganho à fé cristã, foi incumbido de pregar as docesnovas do Evangelho “aos gentios de longe” Atos 22:21 (ARC).O Término dos 2.300 AnosTodas as especificações da profecia se cumpriram nos mínimos pormenores em relaçãoao ministério terrestre de Cristo, o que imprime um selo de garantia sobre o restante daprofecia que diz respeito à purificação do Santuário Celestial. Avançando 2.300 anos apartir do outono de 457 A.C., chega-se ao outono de 1.844 A.D., quando Jesus, SumoSacerdote do Céu, à semelhança do que se fazia no Dia da Expiação, entrou no LugarSantíssimo para purificar o Santuário. Naquele ano, Jesus deu início à última etapa deSeu ministério intercessório, após o qual Ele voltará para buscar o Seu povo.Implicações dos Cômputos ProféticosAs 70 semanas de Daniel 9 constituem a mais espetacular de todas as profecias bíblicas.Erguem-se como um desafio ao ceticismo do mundo hodierno, cujos pilares estãosupostamente firmados sobre bases científicas. Se as datas propostas pelo esquema
  7. 7. profético puderem ser confirmadas, um golpe mortal terá sido dado a todas as correntesdo pensamento atual que deixam de parte a Bíblia e a fé em Jesus. Nos próximosestudos, serão fornecidas evidências concretas e irrefutáveis para a comprovação dasdatas do início das 70 semanas, do batismo de Jesus e de Sua crucifixão e morte. Que oleitor possa sentir sua fé aumentar a cada descoberta e que a graça de Cristo e apresença do Espírito Santo possam Se intensificar em seu coração! Henderson H. L. Velten

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