36 textos problemáticos sobre a nova terra

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36 textos problemáticos sobre a nova terra

  1. 1. ALGUNS TEXTOS PROBLEMÁTICOS COM RESPEITO À NOVA TERRA Isaías 65 e 66 As predições de Isaías 65 e 66 causaram problemas para os quebuscam aplicar à nova terra descrita em Apocalipse 21 e 22 as descriçõesque Isaías faz da morte, do nascimento de meninos e da presença decadáveres (Isa. 65:20, 23; 66:24). Estas dificuldades surgem se se ignora o fato da revelaçãoprogressiva entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Como sedescreveu na primeira parte, nos capítulos 3 e 4, Cristo e seus apóstolosanunciaram que com Jesus começou o tempo dos antítipos (ver Mat.12:6, 41, 42; Rom. 5:14, 15; 1 Cor. 15:22). Este conceito teológicodenota que a consumação das esperanças de Israel será imensamentemaior que o que foi predito pelos profetas. O Novo Testamento proclamaque Cristo Jesus é "fiador de um melhor pacto" (Heb. 7:22). Istosignifica que "Deus tinha já disposto algo melhor para nós, de modo quenão chegassem eles [os fiéis hebreus] sem nós à perfeição" (11:40, BJ). Esta hermenêutica do evangelho não requer que Apocalipse 21 e 22repitam as restrições do velho pacto. A esperança cristã é melhor que aantiga esperança de Israel. O Apocalipse declara que no estado eternonão haverá barreiras étnicas ou raciais na Nova Jerusalém (ver Apoc.21:14), não haverá mais morte (20:14), não haverá pessoas ímpias nemcoisas impuras (19:20, 21; 21:27). Não haverá nenhuma das maldiçõesde Deus. Tudo será feito "novo" (21:5). As diferenças entre o panorama futuro que João apresenta e opanorama do futuro de Isaías revelam a progressão da revelação divina.Para ter uma investigação dos princípios de interpretação no NovoTestamento, ver também o ensaio que sobre isto aparece no Comentáriobíblico adventista, tomo 4, páginas 27-40.
  2. 2. Alguns Textos Problemáticos Com Respeito à Nova Terra 2 Já Não Haverá Mais Mar Outro tema de interpretação é a notável declaração de João: "E omar já não existe" (Apoc. 21:1). Os comentadores tratam em formadetalhada se esta expressão deve tomar-se de maneira literal ousimbólica. Para que esta predição tenha sentido, precisamos recordar queo "mar" em Daniel e no Apocalipse é o símbolo padrão do caos, do reinodos poderes ímpios e inquietos (Dan. 7 e Apoc. 13; também Ezeq. 28:8;Isa. 57:20) e da morte (Apoc. 20:13). Henry B. Swete faz o seguintecomentário: "O mar desapareceu, porque na mente do escritor está associado comidéias que estão em desacordo com o caráter da nova criação".1 Portanto, João assinala ao mar como o "separador de nações eigrejas". Nesse sentido negativo, João nos assegura que já não haverámais nenhum "mar". A humanidade não necessita já ter temor àseparação ou ao levantamento do mal. Em Salmos 104:25 e 26 semenciona o "mar" como uma parte da criação original de Deus emGênesis 1:10, que permanece sob o total domínio do Criador. A Nova Jerusalém como a Esposa Outro problema aparente é causado pelo fato de que tanto a igrejadefeituosa como a Nova Jerusalém são chamadas a "esposa" de Cristo.João denominou a igreja que se preparou para encontrar-se com Cristo, a"esposa" de Cristo (Apoc. 19:7). Depois o anjo declara que a cidade é "anoiva, a esposa do Cordeiro" (21:9). Isto tem feito com que algunsintérpretes concluam que a Jerusalém celestial e a igreja redimida deCristo são uma e a mesma. De acordo com a lei judaica, uma mulher comprometida emmatrimônio era considerada como uma mulher casada que podia sercastigada por adultério.2 Isto explicaria por que o anjo chama à Nova
  3. 3. Alguns Textos Problemáticos Com Respeito à Nova Terra 3Jerusalém ao mesmo tempo "a noiva" e "a esposa" do Cordeiro (Apoc.21:9). À luz do ensino apostólico, a identificação da igreja com a NovaJerusalém contém um ponto importante de verdade: a igreja na terra éuma com a igreja no céu. Contudo, a distinção entre a comunidadeterrestre e a celestial não deve abolir-se. A Jerusalém celestial, como acidade do Deus vivente, permanece como a "mãe" da igreja sobre a terra(Gál. 4:26). Esta cidade celestial descerá do céu, como Cristo prometeu àsua igreja em Apocalipse 3:12. O cumprimento desta promessa tem lugar à conclusão do milênio(Apoc. 21:2). Então, o fato de que à Nova Jerusalém seja chamada "anoiva, a esposa do Cordeiro" (v. 9), indica que os santos estão todosdentro da Nova Jerusalém, o que confirma o ensino de Cristo (João14:1-3) e o do Paulo (1 Tes. 4:16, 17): que os santos serão levados aocéu por ocasião da segunda vinda. Além disso, a Nova Jerusalém sobre a terra é descrita com detalheem Apocalipse 21:1-22:5. Tem o trono de Deus e do Cordeiro, e dela flui"o rio puro da água da vida, claro como cristal". De um e do outro lado,na praça, está a árvore da vida, que dá cada mês seu fruto (22:1, 2). Istoafirma a realidade desta cidade. Cura pela Árvore da Vida Finalmente, a declaração que diz que as folhas da árvore da vidaeram "para a cura das nações" (Apoc. 22:2) suscita a pergunta de porque há necessidade de "cura" na Nova Jerusalém. Nossa primeiraobservação deve ser que esta descrição é uma adoção da visão do templode Ezequiel: "Junto ao rio, às ribanceiras, de um e de outro lado, nascerátoda sorte de árvore que dá fruto… o seu fruto servirá de alimento, e asua folha, de remédio" (Ezeq. 47:12). Aqui, a idéia de "cura" encaixadentro da perspectiva da restauração do Israel depois do exíliobabilônico. Deus esperava que os israelitas que retornassem ficassem
  4. 4. Alguns Textos Problemáticos Com Respeito à Nova Terra 4"envergonhados de suas culpas" (43:10, BJ) e não ousassem mais "abrira boca de vergonha" (16:63, BJ). E proibiu que "nenhum estrangeiro,nenhum incircunciso, de coração ou incircunciso na carne, dentre todosos estrangeiros que haja em meio dos filhos do Israel, entrará em meusantuário" (44:9, JS). João adapta a predição de Ezequiel para revelar seu cumprimento naterra feita nova em uma forma que excede inclusive as expectativas deEzequiel. João inclui a todos os gentios que lavaram "suas roupas" eportanto, obtiveram o direito de comer da árvore da vida dentro da NovaJerusalém (Apoc. 22:2, 14; ver também 7:14). Esta revelação nova e importante omite o antigo rito da circuncisãocomo o sinal de acesso da árvore da vida e o substitui por uma fé viventeno sangue expiatório de Cristo Jesus (ver Apoc. 7:14). Aqui de novoatestamos a progressão da revelação na história da salvação. Surge apergunta: Por que os santos na nova terra precisam comer da árvore davida? A função da árvore da vida no jardim do Éden, em Gênesis (2:9;3:22-24), proporciona a resposta: para perpetuar a vida (ver Gên. 3:22).A árvore da vida no Apocalipse obtém suas propriedades curativas dotrono de Deus e do Cordeiro (Apoc. 22:1, 2). Ezequiel já tinha explicado:"Todos os meses trarão frutos novos, pois suas águas brotam dosantuário" (Ezeq. 47:12, BC). Deus e o Cordeiro permanecem como a fonte viva de vida e bênçãopor toda a eternidade. A humanidade redimida precisa recordar durantetoda a eternidade que só Deus o Criador tem imortalidade inerente (ver 1Tim. 6:16), e que os santos permanecem para sempre dependendo de seuRedentor para ter vida. Portanto, estamos de acordo com a seguinteinterpretação da Ellen White sobre a necessidade da árvore da vida: "A árvore da vida é uma representação do cuidado protetor de Cristopor seus filhos. Quando Adão e Eva comiam dessa árvore reconheciam suadependência de Deus. A árvore da vida possuía o poder de perpetuar a vida,e enquanto comessem dela não podiam morrer".3 "O fruto da árvore da vida no jardim do Éden possuía virtudessobrenaturais. Comer dela equivalia a viver para sempre. Seu fruto era o
  5. 5. Alguns Textos Problemáticos Com Respeito à Nova Terra 5antídoto da morte. Suas folhas serviam para manter a vida e aimortalidade".4 Ellul explica este conceito filosoficamente, declarando que a "cura"por meio das folhas da árvore da vida significa "a cura da finitude [dohomem]".5 O homem sempre estará marcado pela finitude. Nunca serádivinizado nem chegará a ser Cristo: "Permanece uma distância infinita entre o Criador e o homemressuscitado... Ferido constantemente, ameaçado constantemente pelafinitude que está nele, é reavivado constantemente, curado constantemente,pela eternidade. Mas esta não é uma condição de inferioridade imposta aele, e sim a situação criada pela relação de amor e pelo triunfo da graça.Porque ainda tudo é de graça. E este homem vive pela eternidade de graça,na graça que lhe é dada; vive do dom gratuito ".6 O propósito final da descrição que João faz da cidade vindoura épara assinalar além das imagens da árvore e do rio da vida a nossanecessidade eterna de "uma relação pessoal com Deus no centro daredenção e a concessão da graça de Deus".7 Referências 1 Swete, Commentary on Revelation, p. 275. 2 Strack-Billerbeck, Comentario del Nuevo Testamento con el Talmud y la Midrás, t. 2, p. 393; Joachim Jeremias, Diccionario teológico del Nuevo Testamento [ed. por G. Kittel], v. 4, pp. 1092, 1093. 3 Ellen White, Review and Herald, 26 de janeiro de 1897; citado em 7 CBA 999. 4 Ellen White, Signs of the Times [Sinais dos Tempos), 31 de março de 1909; citado em 7 CBA 999. 5 J. Ellul, Apocalypse, The Book of Revelation, p. 230. 6 Ibid., pp. 230, 231. 7 Eichrodt, Ezekiel, p. 5.

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