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17 uma aplicação histórica das trombetas

  1. 1. UMA APLICAÇÃO HISTÓRICA DAS TROMBETAS Para começar, desejo enfatizar a natureza simbólica das visões queDeus deu a João, "para mostrar aos seus servos as coisas que em brevedevem acontecer" (Apoc. 1:1; também 4:1; 17:1; 21:9; 22:1, 6, 8). Alinguagem apocalíptica não deve ser pressionado nas descrições literaisde nossa moderna sociedade tecnocrata. Antes esta linguagem exige quedeterminemos o que simboliza. Tomar as descrições visionárias comorealidades literais, da mesma maneira que os livros de Gênesis e Êxododescrevem história, é um mal-entendido básico da intenção de João. Nãoobstante, os comentadores que apóiam o sistema futurista deinterpretação, supõem simplesmente que as 4 primeiras trombetasdescrevem colisões repetidas de meteoros ou asteróides com a terra. Asvisões de João nos exigem que perguntemos: Onde e como usa o AntigoTestamento estes quadros em sua perspectiva profética? Rechaçamostanto os princípios do literalismo como os do alegorismo para alinguagem apocalíptica do livro porque são enfoques especulativos. Estámais em harmonia com o pensamento bíblico, ver as trombetas comojuízos do pacto sobre os que quebrantam o pacto. João usa a linguagem eos símbolos do pacto, não descrições seculares e de adivinhação. Na era da igreja, Cristo executa seus juízos preliminares sobre asfortalezas do reino das trevas. O som de trombeta era um símbolofamiliar de guerra santa (ver Núm. 10:9; Sof. 1:16; Jer. 4:5, 19, 21; Ezeq.7:14). As trombetas descrevem como Cristo, como o Leão da tribo do Judá(Apoc. 5:5) ou o Guerreiro santo, começa a enviar seus juízospreliminares. Usa os agentes tradicionais da guerra santa, tais como ofogo, o granizo, a espada, as pragas, o escurecimento dos céus, aslagostas e os escorpiões, um terremoto, e até anjos caídos, porque tudopermanece sob seu domínio soberano. Nas trombetas, Cristo põe ematividade uma série de juízos limitados de admoestação.
  2. 2. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 2 A aplicação histórica das trombetas é notoriamente difícil ediscutível. A maioria dos comentadores se abstém de fazer qualqueraplicação concreta à história. Não obstante, estamos obrigados aidentificar as realidades históricas às quais se referem as trombetas deguerra. Nosso guia mais seguro é a profecia mestra de Jesus em Mateus24, que está apoiada no esboço apocalíptico do Daniel (ver Mat. 24:15). Jesus se referiu especificamente aos juízos messiânicos sobreJerusalém e Judéia por meio do exército romano entre os anos 66 e 135d.C. (ver Mat. 24:15-21; Luc. 21:20-24). Paulo aplicou as profecias deDaniel concernentes ao quarto império mundial a Roma imperial, a queseria removida como "o que impede" ou "o que o freia" antes dosurgimento do anticristo (ver 2 Tes. 2:7). Paulo esperava que o anticristose revelasse posteriormente dentro do templo de Deus, só para serjulgado e destruído na vinda de Cristo (2 Tes. 2:4, 8; para uma análisedetalhada de 2 Tes. 2, ver o cap. VII desta obra). Tanto Jesus como Paulo indicaram os juízos vindouros de Deus naera cristã. Como o Senhor soberano da história, Cristo usa osgovernantes terrestres como seus instrumentos de castigo, assim comoDeus tinha usado antes os reis de Assíria (Isa. 10:5, 6), de Babilônia (Jer.25:8-11) e da Pérsia (Isa. 44:28; 45:1) como seus instrumentos. Aomesmo tempo, os profetas anunciaram que Deus também julgaria ecastigaria as nações que tinha usado porque tinham excedido os limitesassinalados por Deus com crueldades e vangloria idólatras (Isa. 10:5-7,12; Jer. 25:15-26; 51:47-49, 55, 56; Dan. 5:24-28). O estilo de Deus para executar justiça deve começar com seupróprio povo do pacto ("começarão por meu santuário", Ezeq. 9:6).Jeremias declarou que a taça da ira divina seria derramada primeirosobre o Israel rebelde: "Porque se na cidade que leva meu nome comecei o castigo, vós idesficar impunes? [as nações gentias inimigas]. Não ficareis impunes, porqueeu reclamo a espada contra todos os habitantes do mundo, oráculo doSenhor dos exércitos" (Jer. 25:29, NBE; ver também Amós 3:2 e Miq. 3:12).
  3. 3. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 3 O Antigo Testamento descreve quão terrivelmente sofreramJerusalém e todo o Israel quando o exército de Babilônia destruiufinalmente Jerusalém e seu templo no ano 586 a.C. (2 Crôn. 36:15-19;Lam. 4:11). O mesmo juízo foi predito por Daniel para o temploreconstruído de Jerusalém, esta vez pelo pecado supremo de expor oMessias a uma morte violenta (Dan. 9:26, 27). Isto se cumpriu, deacordo com a aplicação do Jesus, quando o exército romano destruiu acidade e o templo no ano 70 d.C. e continuou devastando a terra doIsrael até que a rebelião de Bar-Koba foi sufocada em 135 (Mat. 23:32,37-39; 24:1, 2, 15-21; Luc. 19:41-44; 21:20-24). Jesus tomou uma imagem de juízo de Ezequiel que também formaparte do simbolismo da trombeta: "Porque se à árvore verde fazem isso,que se fará à árvore verde?" (Luc. 23:31). Ezequiel anunciou que oDeus do Israel acenderia um fogo [em Jerusalém] "o qual consumirá emti toda árvore verde e toda árvore seca" (Ezeq. 20:47). Jesus usou estesimbolismo da árvore para anunciar o juízo iminente sobre Jerusalém. Ametáfora das "árvores" representa claramente o povo, e se aplica emparticular aos israelitas (tanto no Ezeq. 20 como no Luc. 23:31). DavidAune o explica assim: "Se Jesus, que é inocente, está a ponto de serexecutado, quanto mais aqueles que são culpados (os judeus querechaçaram a Jesus) pagam essa penalidade".1 A Primeira Trombeta Aplicada à História A primeira trombeta anuncia "saraiva e fogo misturados comsangue" que foram lançados sobre a terra e queimaram uma terça partedas árvores e de erva verde (Apoc. 8:7). Esta combinação irreal desangre com granizo do céu, assinala uma descrição simbólica dos juízosde Deus sobre os primeiros perseguidores do Israel messiânico. Em seu discurso profético, Primeiro Jesus começou a informar aseus discípulos a respeito de "guerras e rumores de guerras" (Mat. 24:6),mas na seção paralela descreveu a queda de Jerusalém e as aflições do
  4. 4. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 4povo judeu (vs. 15-19), junto com a aflição do povo messiânico de Deus(vs. 20, 21). Quando João escreveu o Apocalipse, ainda não tinhaterminado a guerra de Roma contra os judeus. O exército romano àsordens do Trajano e Adriano continuaram desolando a Judéia até o ano135, quando 50 cidades e 985 povos foram destruídos e despovoados.João Wesley comenta sobre a primeira trombeta o seguinte: "Dessaforma, a vingança começou com os inimigos judeus do reino de Cristo".2 Jesus tinha declarado: "Eu vim para lançar fogo sobre a terra" (Luc.12:49). Para ele, uma figueira estéril que estava no caminho a Jerusalémrepresentava a nação judia. Seu ato simbólico de lhe jogar uma maldição(Mat. 21:19) funciona como um tipo do simbolismo da árvore naprimeira trombeta. Tanto os dirigentes como seus seguidores foram tidoscomo responsáveis por sua incredulidade no Cordeiro que Deus tinhaenviado a Israel. Cristo advertiu: "E te derribarão, a ti e a teus filhos quedentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois quenão conheceste o tempo da tua visitação" (Luc. 19:44). A Segunda Trombeta Aplicada à História A segunda trombeta descreve como "[algo] como um grande monteenvolto em fogo foi arrojado ao mar", causando que uma terceira partedo mar se convertesse em "sangue", destruindo os seres vivos queestavam no mar e as naves (Apoc. 8:8, CI). Esta representação simbólica("algo parecido") toma suas imagens da queda de Babilônia descrita emJeremias 51; Deus julgou à antiga Babilônia por "todo o mal que elesfizeram a Sião" (Jer. 51:24). "Eis que sou contra ti, ó monte que destróis, diz o Senhor, que destróistoda a terra; estenderei a mão contra ti, e te revolverei das rochas, e farei deti um monte em chamas" (Jer. 51:25). Assim o "destruidor" (Babilônia) seria destruído pelo Deus deIsrael, ao ser arrojado no mar. Os "montes" foram usados no AntigoTestamento como símbolos de nações (ver Isa. 2:2, 3; 11:9; 13:4; 41:15;
  5. 5. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 5Dan. 2:35, 44, 45; Ezeq. 35:2, 7, 8; Zac. 4:7). Jon Paulien observou oseguinte: "Em passagens que se referem a juízo, montes que representamnações sempre são o objeto dos juízos de Deus, nunca os agentes de seusjuízos (Isa. 41:15; 42:15; Ezeq. 35:2-7; 38:20; Zac. 4:7)".3 Depois do ano 70, tanto judeus como cristãos viram em Romaimperial uma nova "Babilônia", porque Roma, como Babilônia, tinhadestruído o templo e Jerusalém (4 Esdras 3; 2 Baruque 10-11; 1 Enoc18). Pedro inclusive menciona "Babilônia" como um nome misteriosopara Roma (1 Ped. 5:13). O segundo toque de trombeta anuncia o juízode Cristo sobre o monte ardente ou império de Roma. Depois da quedade Jerusalém veio a queda de Roma. João descreve a queda de Babilôniado tempo do fim com uma imagem similar: "Então, um anjo forte levantou uma pedra como grande pedra demoinho e arrojou-a para dentro do mar, dizendo: Assim, com ímpeto, seráarrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada. ... E nelase achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortossobre a terra" (Apoc. 18:21, 24). Este paralelo notável entre a segunda trombeta e Apocalipse 18assinala o mesmo motivo dos juízos: o clamor dos santos martirizados!Diz Paulien: "O mar que se converte em sangre na segunda trombeta representaprovavelmente uma completa mudança proléptica da perseguição do povode Deus pelos ímpios mencionados em Apocalipse 16:4-6 (cf. 18:24).Recebem isso em pago pelo que têm feito".4 A segunda trombeta indica que tanto o monte como o mar sãojulgados, "converteram-se em sangue". O "mar" era um símbolo correntepara os povos da terra (Isa. 57:20; 17:12, 13; Jer. 51:41, 42; Dan. 7:2, 3,17). Dessa maneira, a segunda trombeta anuncia não só a queda de Romamas também a devastação de sua ordem social e econômica: "E morreu aterça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi destruída aterça parte das embarcações" (Apoc. 8:9).
  6. 6. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 6 A Terceira Trombeta Aplicada à História A terceira trombeta anuncia que "uma grande estrela" chamada"Absinto" cairia do céu ardendo como uma tocha sobre a terça parte dosrios e sobre as fontes das águas, convertendo-as em absinto, de maneiraque "muitos homens morreram" (Apoc. 8:10, 11). O Apocalipse começacom a visão inaugural de Cristo tendo em sua mão direita as "seteestrelas" (1:16). Estas estrelas se interpretaram como símbolos dos"anjos das sete igrejas" (v. 20). Este simbolismo de "estrelas" tem umaraiz em Daniel: "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como ofulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como asestrelas, sempre e eternamente" (Dan. 12:3). Jesus aplicou o simbolismo das estrelas a todos os justos no reinovindouro do Pai (Mat. 13:43). Apocalipse 12 usa "estrelas" como umsímbolo dos dirigentes do povo de Deus (Apoc. 12:1). Então, o ato deuma estrela que cai representa a maneira como a liderança da igrejacairia coletivamente da verdade na escuridão do engano e a apostasia.Moisés usou o venenoso e amargo "absinto" como um símbolo deidolatria (Deut. 29:17, 18), e Jeremias o empregou como uma maldiçãodo pacto pela idolatria: "Eis que alimentarei este povo com absinto e lhedarei a beber água venenosa" (Jer. 9:15). O Novo Testamento dá umexemplo prático dos falsos professores como "estrelas errantes", que sãopastores que "apascentam-se a si mesmos", e portanto caem sob o juízode Cristo (Jud. 12, 13). Então podemos compreender que a terceira trombeta prediz aapostasia na igreja cristã depois da queda de Roma, quando a liderançaespiritual apostataria de Cristo como a fonte de luz e de águas vivas(João 4:14; 7:37-39). Como resultado, os ensinos doutrinais e a formareligiosa de vida chegaria a ser um veneno amargo e mortal para asalmas dos homens: "E a terça parte das águas se tornou em absinto, emuitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque setornaram amargosas" (Apoc. 8:11 ).
  7. 7. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 7 Tanto Jesus como Paulo tinham advertido à igreja apostólica contraa chegada de falsos profetas e seus ensinos enganosos que apartariam oscrentes de Cristo "de vós mesmos" (Mat. 24:4, 5, 24; At. 20:26-31). Oparalelo mais surpreendente com a 3ª trombeta é o esboço apocalípticoque Paulo apresenta da era da igreja em 2 Tessalonicenses 2! Nestecapítulo apresenta a era da igreja em dois períodos sucessivos: primeiro afase do agente que o detém, que demora a apostasia predita, seguido pelosurgimento desenfreado do anticristo dentro da igreja ou o templo deDeus (2 Tes. 2:7, 8, 4). Esta ordem de acontecimentos se cumpriu nahistória quando Roma imperial (o agente que o freia) caiu e aconteceu aRoma papal e a união medieval da Igreja e o Estado. Tanto 2Tessalonicenses 2 como as trombetas predizem que a queda de Romadispôs o cenário para a grande apostasia. Essa apostasia traria a morte de"muitos homens". Disse Paulo: "perecem, porque não acolheram o amorda verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhesmanda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de seremjulgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelocontrário, deleitaram-se com a injustiça" (2 Tes. 2:10-12). A perversãodo evangelho apostólico traz indevidamente a decadência e a morteespirituais. Entretanto, tanto os líderes como seus seguidores são tidospor responsáveis pelas heresias e idolatrias que prevaleceram no mundocristão. A Quarta Trombeta Aplicada à História A quarta trombeta fere os corpos celestiais, com o resultado de queo sol, a lua e as estrelas se "escurecem" uma terça parte do tempo (Apoc.8:12). O assunto de se isso significa um terço da intensidade do brilho ouum terço do tempo do brilho, é problemático. Paulien conclui dizendoque "há uma escuridão total durante uma terça parte do tempo".5 Estaindicação matemática (1/3) aponta de novo ao controle divino dos juízoslimitados da trombeta. Em harmonia com as trombetas anteriores,
  8. 8. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 8também devemos ver a quarta como uma representação simbólica de umjuízo que afeta a humanidade e adverte contra um grande juízo vindouro.De novo o significado simbólico assinala a uma realidade mais séria queum escurecimento do céu por uma terça parte do dia e da noite. O usosimbólico de "escuridão" no Antigo Testamento nos mostra a forma paraentender adequadamente isto. Isaías usa a "escuridão" como uma metáfora para "desastre" naguerra santa do Israel de Deus (Isa. 45:7; também Amós 5:20). Tambémusa a "escuridão" como um símbolo para a ignorância ou a cegueira comrespeito à verdade salvífica do Deus de Israel. Israel é chamado a ser"luz para os gentios; para abrires os olhos aos cegos, para tirares daprisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas" (Isa. 42:6, 7;também Sal. 107:10, 11). É especialmente importante a identificação doprofeta de "luz" com a revelação de Deus em "a lei e o testemunho" (Isa.8:20). Todos os falsos professores que não falam de acordo com estapalavra, "jamais verão a alva" ("é porque não há luz neles", NKJV). Seudestino é ser "sumidos em trevas" (v. 22). Miquéias explica o juízo deDeus sobre Jerusalém em termos de escuridão espiritual: "Por isso chegará uma noite sem visão, escuridão sem oráculo; ficará osol para os profetas obscurecendo o dia... porque Deus não responde" (Miq.3:6, 7, NBE). Chegará o tempo quando todo mundo estará coberto de "escuridão"(Isa. 60:2), incluindo uma parte da terra de Israel (9:1, 2). O NovoTestamento proclama que Jesus começou a pregar sua mensagem de luzsalvadora na Galiléia para cumprir o que Isaías tinha prometido: "O povosituado em trevas viu grande luz; e aos assentados em região de sombrade morte, resplandeceu-lhes a Luz" (Mat. 4:16; Isa. 9:1, 2; ver tambémLuc. 1:79). Isto mostra que no Novo Testamento, a luz e a escuridãoestão determinados pelo evangelho de Cristo. Inclusive Pauloespiritualiza o ato de Deus de criar a luz em Gênese 1: "Porque Deus, que mandou que das trevas resplandecesse a luz, é oque resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimentoda glória de Deus na face do Jesus Cristo" (2 Cor. 4:6).
  9. 9. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 9 No evangelho, Deus em realidade repete sua obra de criar luz. Istocria o marco para o aspecto demoníaco de ocultar esta luz das pessoasque se assentam em trevas: "O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para quenão lhes resplandeça a luz de evangelho da glória de Cristo, o qual é aimagem de Deus" (2 Cor. 4:4). A idolatria é uma expressão do "escurecimento" do insensatocoração do homem (Rom. 1:21), da perversão do verdadeiroconhecimento de Deus, das "trevas" dos gentios (2:19). Mas pela fé emCristo, "livrou-nos do império das trevas, e nos transladou ao reino deseu amado Filho, em quem temos redenção por seu sangue, o perdão dospecados" (Col. 1:13, 14; também 1 Ped. 2:9). A compreensão apostólica de "luz e trevas" é o motivo fundamentalnos escritos de João, que nos informam dos ditos de Jesus: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue, não andará em trevas, masterá a luz da vida" (João 8:12). "Eu, a luz, vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim nãopermaneça em trevas" (João 12:46; também os vs. 35, 36). O reino das trevas chega a ser visível na perseguição eaprisionamento de Cristo (Luc. 22:53). Isto foi simbolizado por umescurecimento literal cósmico do sol por 3 horas durante a crucificaçãode Jesus (Mat. 27:45). Em harmonia com este simbolismo apostólico deluz/escuridão, a quarta trombeta prediz que durante a era da igreja viriasobre uma grande parte do mundo um escurecimento temporário de todaluz. A gravidade deste juízo pode entender-se melhor se este"escurecimento" for visto como o decidido encobrimento do evangelhode Cristo. Paulien explica: "A quarta trombeta resulta no cancelamentodestas bênçãos evangélicas [da terceira trombeta]. A verdade queproporciona vida espiritual já não é visível... a mesma presença destasfontes doadoras de vida é retirada em parte".6 Que tempo e situação igualam uma escuridão assim da luz doevangelho no mundo? A quarta trombeta traz uma intensificação dojuízo da terceira trombeta. A "Idade Média" dos mil anos de supremacia
  10. 10. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 10do Estado-Igreja do período medieval terminou com o surgimento dosgrandes reformadores no século XVI. Mas a onda de outros movimentosreacionários – tais como o racionalismo, o humanismo e o liberalismoteológico – começaram a escurecer a luz do evangelho na cristandade.Nasceu o homem renascentista, a pessoa obstinada que rechaça cadanorma externa de restrição e que põe em tela de juízo toda tradição eautoridade. O tratado da paz da Westfália, em 1648, "terminou com oreino da teologia na mente européia, e deixou o caminho escurecido, masaceitável para a tentativa da razão".7 Charles D. Alexander descreveu o surgimento do racionalismomoderno como "a última praga da igreja, a negação sistemática daBíblia, o desprezo de todas as idéias de uma revelação inspirada porDeus, e a aceitação total da ciência atéia para dar razão da criação",assim como a morte do protestantismo.8 Durante as trombetas seguintesse fariam mais evidentes as conseqüências espantosas de ignorar e negara palavra de Deus. A Introdução de João às 3 Últimas Trombetas "Na visão, ouvi uma águia que voava por metade do céu clamando: Ai,ai, ai dos habitantes da terra pelos restantes toques de trombeta, pelos trêsanjos que vão tocar" (Apoc. 8:13, NBE ). João faz um corte na série das trombetas depois da quarta,semelhante ao que tinha feito na série dos selos. As 3 últimas trombetassão caracterizadas como 3 "ais" que se sucedem um após o outro, sódepois de existir notáveis pausas entre cada trombeta (ver Apoc. 8:13;9:12; 11:14). Com estes ais ou maldições do pacto, Deus permite umincremento da manifestação demoníaca e da escuridão sobre a terra, masnão sem assegurar a seus adoradores que não lhes ocorrerá nenhumdano. Eles estão sob seu selo de aprovação e proteção (9:4). A repetidafrase em voz passiva, "lhe deu" (vs. 1, 3, 5), indica que Cristo está nocontrole dos poderes sobrenaturais do mal que são desatados, de modo
  11. 11. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 11que sua obra espantosa permaneça restringida a uma terça parte dahumanidade (v. 18). As descrições extensas da quinta e a sexta trombetassão confusas tanto em sua forma gráfica como em sua aplicaçãohistórica. D. Ford percebe seu propósito da seguinte maneira:"Representam a tortura e a morte espirituais que ocorrem aos quepersistem em resistir o convite divino a arrepender-se".9 A descrição deJoão pode entender-se melhor à luz do oráculo de juízo de Oséias sobreum Israel idólatra: "Põe a trombeta à tua boca. Ele vem como águia contra a casa doSenhor, porque traspassaram o meu concerto e se rebelaram contra a minhalei" (Osé. 8:1). A Quinta Trombeta Aplicada à História "O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra.E foi-lhe dada a chave do poço do abismo. Ela abriu o poço do abismo, esubiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceirasaída do poço, escureceu-se o sol e o ar. Também da fumaça saíramgafanhotos para a terra; e foi-lhes dado poder como o que têm os escorpiõesda terra, e foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem aqualquer coisa verde, nem a árvore alguma e tão-somente aos homens quenão têm o selo de Deus sobre a fronte" (Apoc. 9:1-4). A visão de João descreve uma estrela que caiu do céu à terra. Istoconecta a quinta trombeta com a terceira, em que João tinha visto "umagrande estrela" chamada "absinto" que caía do céu e que tinhaenvenenado uma terceira parte dos rios e das fontes das águas (Apoc.8:10, 11). A esta estrela agora "foi-lhe dada" a chave do poço do abismo,que representa a região de Satanás e seus anjos (Luc. 8:31; Jud. 6; Apoc.20:1, 3). Esta estrela caída é como um símbolo de Satanás, "o anjo doabismo", cujo nome representa sua obra e caráter: "Abadón" (em hebreu)ou "Apolión" (em grego), que quer dizer o Destruidor (Apoc. 9:11). Esta chega a ser agora sua missão atribuída ("foi-lhe dada") eautoridade ("rei", Apoc. 9:9, 11), da parte de que tem "as chaves da
  12. 12. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 12morte e do Hades" (1:18). Dessa maneira Cristo permanece como ogovernante soberano sobre todos os demônios. Contra o Criador apareceo destruidor ou anticriador, o próprio inimigo de Cristo. A primeiratarefa que o destruidor leva a cabo é abrir o abismo, de modo que o sol etodo o céu escureça por meio de uma fumaça gigantesca que sai doabismo. Este obscurecimento do céu pela fumaça que sai do reino dosdemônios está no coração do ai desta trombeta. Enquanto que as trombetas anteriores anunciavam a perversão e oescurecimento parcial da luz do evangelho, a quinta trombeta mostra umgrande eclipse do evangelho por meio da propagação triunfante deenganos e heresias satânicos. Agora se oculta publicamente a luz deCristo. A mentira triunfa sobre a verdade. João vê como "da fumaça saíram gafanhotos para a terra; e foi-lhesdado poder como o que têm os escorpiões da terra" (Apoc. 9:3).Descreve-os como "cavalos preparados para a guerra" que serãovitoriosos ("coroas de ouro"), e entretanto suas caras eram como carashumanas, com cabelo de mulher, dentes de leões, e caudas e aguilhõescomo de escorpiões (vs. 7-10). A descrição gráfica que João faz destes gafanhotos extravagantesestá tirada da descrição poética que Joel faz de uma praga de gafanhotos(Joel 1, 2), como se reconhece geralmente. Joel usou uma praga literal degafanhotos, que tinha devastado a terra de Judá ao comer toda avegetação (1:4), como um símbolo do vindouro exército babilônico e suacavalaria vitoriosa (2:1-9). Aquele vindouro dia do juízo seria "dia de trevas e de escuridão, diade nuvem e de sombra". Devia advertir-se a Jerusalém tocando atrombeta em Sião (Joel 2:1, 2). Portanto, os gafanhotos de Joel "a suaaparência é como a de cavalos; e, como cavaleiros, assim correm.Estrondeando como carros, vêm, saltando ... como um povo poderosoposto em ordem de combate" (vs. 4, 5; cf. Apoc. 9:7, 9). Também têm"dentes de leão" (Joel 1:6; cf. Apoc. 9:8).
  13. 13. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 13 Enquanto que Joel descreveu o exército inimigo de Babilônia, Joãorepresenta as forças hostis de Satanás que invadirão o mundo comfilosofias que destroem a alma e que fazem com que as pessoas percamtoda a esperança e significado da vida. João sobretudo assinala ànatureza psicológica da praga de gafanhotos apocalípticos, declarandoque "foi-lhes também dado, não que os matassem, e sim que osatormentassem durante cinco meses" (Apoc. 9:5). A tortura é causada pelo aguilhão venenoso das caudas como deescorpiões dos gafanhotos. J. Ellul sugere que o característico dominantedestes gafanhotos é a mistura de diferentes espécies de natureza: "O malque causam, causam-no por trás, como o escorpião. O que significa queatuam pelo poder da mentira".10 As principais ferramentas de operaçãode Satanás são na verdade as mentiras, o engano e a perseguição (Mat.24; 2 Tes. 2). Jesus usou serpentes e escorpiões como metáforas para osdemônios, mas assegurou a seus discípulos: "Eis aí vos dei autoridadepara pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, enada, absolutamente, vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, nãoporque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome estáarrolado nos céus" (Luc. 10:19, 20). De igual maneira, a quinta trombeta assegura ao povo de Cristo queos gafanhotos demoníacos receberam autoridade só para fazer mal aosque não têm o selo protetor de Deus (Apoc. 9:4). Sobre isto, comentaMetzger: "Assim como os israelitas ficaram isentos das pragas do Egito, assimagora os cristãos que têm o selo de Deus sobre suas frontes não serãoabsolutamente danificados por estas horríveis criaturas de juízo divino".11 Os que estejam sem Cristo receberão o aguilhão venenoso dasmentiras mortíferas, causando-lhes um agonia mental insuportável e umaangústia suicida (Apoc. 9:5, 6). O período de tortura dado de "cincomeses" (vs. 5, 10), talvez o explicou melhor Ch. Wordsworth: "Como osgafanhotos naturais têm seu tempo de cinco meses prescrito e limitado
  14. 14. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 14por Deus, assim também estes gafanhotos espirituais não poderãoexercer seu poder para machucar os homens mais além do período queDeus lhes determinou".12 De novo a mensagem aqui é que Cristo é ogovernante soberano que só permite um tempo para esta maldição dodestruidor. Nesta severa prova, os impenitentes são declarados culpadosde quebrantar o pacto, enquanto que os que estão selados são vindicados. A que tempo e a que filosofias destrutivas assinala esta trombeta?Enquanto que qualquer aplicação deve permanecer como tentativa, pode-se fazer uma aplicação pertinente ao tempo quando as filosofias atéias doRenascimento ou do Iluminismo varreram a civilização ocidental ecausaram a agonia da vacuidade desta vida e da desesperança para ofuturo. A teologia tradicional centrada em Deus foi substituída pelafilosofia centrada no homem, na qual o homem é responsável só ante simesmo. Nas diversas formas de humanismo contemporâneo, somostestemunhas de uma religião sem Deus, na qual o homem mesmo é amedida de todas as coisas. Seu arrogante slogan é: "Nenhuma deidadenos salvará; devemos nos salvar a nós mesmos".13 Nesta mentirafundamental estão arraigadas todas as agonias mentais e os desejossuicidas. Joel perguntou: "Quem pode suportá-lo?" (2:11), mas tambémapresenta o caminho de liberação de Deus: "Convertei-vos a mim detodo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto...convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, ecompassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrependedo mal" (vs. 12, 13). A Sexta Trombeta Aplicada ao Tempo do Fim Pelo fato de não se prever arrependimento, a sexta trombeta seguenum segundo ai. Agora dá a Satanás mais liberdade para revelar seuverdadeiro caráter e para levar a cabo seu objetivo diabólico de destruir aterra e todos os seus moradores. Entretanto, Deus desata as forças do mal
  15. 15. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 15só à hora exata que escolheu (ver Apoc. 9:15). Então, o ai desta trombetadirige à confrontação definitiva final entre Satanás e seus exércitos porum lado, e Cristo e seus exércitos pelo outro: "O sexto anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz procedente dos quatroângulos do altar de ouro que se encontra na presença de Deus, dizendo aosexto anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro anjos que seencontram atados junto ao grande rio Eufrates. Foram, então, soltos osquatro anjos que se achavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano,para que matassem a terça parte dos homens. O número dos exércitos dacavalaria era de vinte mil vezes dez milhares; eu ouvi o seu número" (Apoc.9:13-16). Esta trombeta de guerra recorda primeiro à igreja o propósitomisericordioso deste juízo, assinalando a sua origem do "altar de ouroque estava diante de Deus", em forma específica seus "chifres". Esteschifres representam o lugar onde o sacerdócio Levítico orvalhava osangue da expiação para Israel (Lev. 4:7, 18, 25). A voz celestial é a resposta divina às orações dos santos oprimidos(Apoc. 6:9). A resposta chega na ordem: "Solta aos quatro anjos queestão atados junto ao grande rio Eufrates" (9:14). Como resultado, sesolta a uma cavalaria incrivelmente enorme de 200 milhões que sai paramatar "a terça parte dos homens". Estes 4 anjos são claramente anjos maus, os líderes de umamultidão de demônios. O Eufrates é um símbolo importante, porque noAntigo Testamento representava os arquiinimigos de Israel queinvadiram sua terra como uma inundação transbordante (ver Isa. 8:8, 9;Jer. 46:2, 10). Soltar "os quatro anjos" no Eufrates no tempo do fimsignifica um conflito mundial contra o povo de Deus. O número "quatro"simboliza todas as direções da bússola (Apoc. 7:2; 20:7). De novo João descreve os cavalos e seus cavaleiros como haviadescrito as lagostas na trombeta anterior: como poderes demoníacosinumeráveis (Apoc. 9:17-19). Ao mesmo tempo são os instrumentos dojuízo divino sobre um mundo unido em rebelião contra Deus. Matamuma terça parte da humanidade (vs. 15, 18) por meio de "fogo, fumaça e
  16. 16. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 16enxofre" que sai das "bocas" dos cavalos" (vs. 18, 19). A qualidadedemoníaca destas três pragas está indicada pela frase repetida de queestas pragas infernais "saíam de sua boca" (vs. 18, 19; ver 16:13, 14). Em essência, o significado deste juízo se desdobra posteriormentena segunda metade do Apocalipse, onde o rio Eufrates está de novodescrito como os seguidores mundiais da meretriz "Babilônia" (Apoc.17:1, 15). Essas multidões se voltam finalmente contra Babilônia e aqueimam com "fogo" (V. 16) para cumprir o propósito divino (V. 17). O ponto de atividade da sexta trombeta está estritamente sobre amultidão esmagadora (João só "ouviu" seu número) de forçasdemoníacas que matam uma grande parte da humanidade. Essas pessoasestavam presumivelmente desprotegida contra as doutrinas e poderesdemoníacos. Estavam sem o selo protetor de Deus, sendo adoradores dedemônios e de ídolos (Apoc. 9:20). D. Ford o explicou assim: "As multidões que rechaçaram o sangue da expiação, o incenso dajustiça de Cristo, o refrigério dos rios e das fontes divinas, e a luz dos corposcelestiais, não tem amparo contra as doutrinas de demônios, e finalmente,não tem amparo contra os próprios demônios".14 É esclarecedora a observação de que a sexta trombeta apresentauma contraparte surpreendente ao selamento dos 144.000 servos de Deusem Apocalipse 7. Jon Paulien apresenta um sumário de seus paralelosimportantes: "Em ambas as seções [Apoc. 7:1-4 e 9:14-16], atar e desatar estãorelacionados com os quatro anjos. Em ambas as seções, está-se contandoum povo: em Apocalipse 7 ao povo de Deus; em Apocalipse 9 a seusequivalentes demoníacos. E estes são os dois únicos lugares no Apocalipseque contêm as palavras misteriosas: Ouvi o número [ékusa ton arithmón].Se o tempo de graça segue durante a sexta trombeta e termina com o toqueda sétima trombeta, a sexta trombeta é o equivalente histórico exato deApocalipse 7:18. É a última oportunidade para a salvação, exatamente antesdo fim".15 Chega a ser evidente que Deus desenhou um plano básico de acordocom o qual a história humana seguirá seu curso e alcançará seu objetivoindicado. Quando Deus tirar o freio de Satanás, este adversário poderá
  17. 17. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 17unir todas suas forças terrestres e demoníacas. Por outro lado, Cristoconcederá o poder do Espírito Santo em sua plenitude a seus seguidores,o remanescente fiel (Apoc. 18:1). Apesar de tudo, os 200 milhões decavaleiros ímpios não poderão destruir aos 144.000 servos de Cristoporque possuem o selo da proteção divina. Estes movimentosnotavelmente paralelos se desenvolvem em forma adicional emApocalipse 16:13-16. Ali Cristo anima a seus fiéis a estar alerta e a estarvestidos com a armadura de sua justiça para que suas bênçãospermaneçam sobre eles (v. 15), enquanto que os seguidores do dragão, abesta e o falso profeta em todo mundo se encaminham para seu"Armagedom" (vs. 13-16). Enquanto que a sexta trombeta mostra uma destruição e decepçãodemoníacas em aumento, ainda trata com o tempo anterior ao fim (Apoc.10:6). Como ensinam de maneira impressionante as visões subseqüentesde Apocalipse 10 e 11, a sexta trombeta também inclui o período daoportunidade final para todas as pessoas, com o fim de que respondamao testemunho do tempo do fim do evangelho eterno de Cristo (verApoc. 10:11; 11 :7). A respeito, assinala Metzger: "Embora as imagens são horrendas, a intenção total do toque das setetrombetas não é infligir vingança e sim levar as pessoas ao arrependimento.Embora não se faz nada para minimizar a gravidade do pecado e da rebeliãocontra Deus, há uma ênfase tremenda na paciência e misericórdia de Deus.Em vez de uma destruição total, só é afetado um terço (9:18) ou algumaoutra fração do total. A fração é simbólica da misericórdia de Deus".16 O simbolismo do tempo que se usa em Apocalipse 9:15 indicandoque se soltam os 4 anjos de destruição "para aquela hora, dia, mês eano" (CI; cf. BJ, NBE, JS, RC, BLH) é significativo e merece umaatenção especial. O original tem o artigo definido [ten, o] antes de todaesta frase fazendo de todas suas partes uma unidade sintática, semconsiderar cada parte em forma separada. A idéia tradicional de que Apocalipse 9:15 indica quatro períodosde tempo separados ou independentes, não pode dar-se por sentado destafrase bíblica. Também pode legitimamente entender-se como um
  18. 18. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 18momento no tempo divinamente indicado. Se o virmos dessa forma, asexta trombeta assinala para frente, ao fim do tempo de graça, quandocomeça a sétima trombeta com suas 7 últimas pragas. Esse momento detempo pavoroso pode identificar-se com a declaração profética deApocalipse 22:11: "quem é injusto continue sendo injusto... o justocontinue fazendo justiça" (CI). Portanto, a sexta trombeta ensina queDeus domina os tempos de Satanás e lhe determinou um tempo limiteabsoluto. Em forma parecida, Roy Naden comenta Apocalipse 9:15: "A sexta trombeta termina na hora assinalada, em um dia, em um mês,em um ano (note a quádrupla descrição indicando o significado universal domomento). Quando soar essa hora, terminará o tempo de graça e nãohaverá mais oportunidade para que nenhuma pessoa mude sua lealdade...O Pai baixará o pano de fundo do tempo de graça da história na mesmahora já determinada".17 Antes que chegue esse momento, Deus remove gradualmente suaproteção e seu poder restritivo, mostrando aos homens os frutos amargosde suas próprias idolatrias e seu ódio contra o Criador e contra seus fiéisseguidores. Estes juízos das 6 trombetas não representam a Deus como oexecutor dos decretos divinos. Antes demonstram o "poder vingador deSatanás sobre os que se rendem ao seu controle".18 Satanás se oporá emforma persistente a Deus e à proclamação do evangelho até a hora finaldo tempo de graça. Enfoque Especial sobre os Acontecimentos do Tempo do Fim As trombetas acentuam seu enfoque crescente no tempo do fim pormeio da declaração de uma voz celestial: "Ai! Ai! Ai dos que moram naterra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que aindatêm de tocar!" (Apoc. 8:13). Dessa maneira, as visões das 3 últimastrombetas são juízos intensificados ou "ais", e formam a transição dasadvertências divinas aos ais demoníacos. Paulien declara com acuidade:"Nestes ais, Deus, para seus próprios propósitos, permite que as forças
  19. 19. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 19do mal se incrementem até que alcancem virtualmente o domínio docenário da terra".19 Como é típico no Apocalipse, o lado escuro está equilibrado poruma visão brilhante para o tempo do fim. Assim como João inseriu umavisão de israelitas vitoriosos em Apocalipse 7 entre o sexto selo e osétimo, assim agora insere algumas visões animadoras para o povo deDeus do tempo do fim entre a sexta e a sétima trombeta, ou seja:Apocalipse 10 e 11:1-13. O plano literário particular de um parêntese entre o sexto e o sétimoselo e de novo entre as trombetas correspondentes tem um propósitoespecífico. Estes interlúdios são refletores que se ampliam sobre osacontecimentos do tempo do fim em conexão com o sexto episódio decada série profética. Dessa forma, Apocalipse 7 apresenta o selamentodos 144.000 israelitas espirituais como o equivalente da cena espantosade juízo do sexto selo (Apoc. 6:12-17). Nas visões de Apocalipse 10 e 11, João introduz o equivalentepositivo das ameaças e ais demoníacos das últimas trombetas. Istosignifica que as visões de Apocalipse 7, 10 e 11 transladam o leitor aotempo do fim, quer dizer, aos acontecimentos finais da era da igreja.Estas visões que iluminam estão designadas para consolar e animar opovo de Deus do tempo do fim. Os seguidores de Cristo recebem seucuidado especial e são chamados por um mandato específico a cumprirsua missão apesar da oposição cruel e do sofrimento (Apoc. 7:14;10:1-11). Receberão um poder extraordinário para dar seu testemunhoquando se intensificar a luta entre o anticristo e a igreja remanescente.Deus vindicará no fim a suas testemunhas verdadeiras, que dão a ele todaa honra e a glória (Apoc. 11:1-13). Referências A Bibliografia para Apocalipse 8 e 9 encontra-se nas páginas 245-246. 1 Aune, Prophecy in Early Christianity, p. 177.
  20. 20. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 20 2 Wesley, Explanatory Note Upon the New Testament, p. 975. 3 Paulien, Decoding Revelations Trumpets. Literary Allusions and Interpretation of Revelation 8:7-12, p. 388. 4 Ibid., p 383. 5 Ibid., P. 414. 6 Ibid., P. 415. 7 Durant, The Age of Reason Begins, P. 572. 8 Alexander, The Mystery of the First Four Trumpets, p. 166. 9 D. Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation, t. 2, p. 442. 10 Ellul, Apocalypse, The Book of Revelation, p. 75. 11 Metzger, Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation, p. 65. 12 Ch. Wordsworth, The New Testament in the Original Greek, t. II, p. 207). 13 "Humanist Manifesto II", Humanist Manifestos I & II [Manifesto humanista II, em Manifestos Humanistas I e II]. P. Kurtz, ed. (Buffalo: Prometheus, 1973, P. 183). ver também N. L. Geisler. 14 D. Ford, Crisis! A Commentary on the Book of Revelation, t. 2, p. 458. 15 Paulien. "Seals and Trumpets: Some Current Discussions" [Os Selos e as Trombetas: Algumas Discussões Atuais], Simpósio sobre o Apocalipse, T. 1, p. 196. 16 Metzger, Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation, p. 66. 17 Naden, P. 152. 18 Ellen White, GC 36. 19 Paulien, Decoding Revelations Trumpets. Literary Allusions and Interpretation of Revelation 8:7-12, p. 417.
  21. 21. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 21 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA ENTENDER AS TROMBETAS EM SEUS CONTEXTOS Livros Alexander, Charles D. The Mystery of the First Four Trumpets [O mistério das quatro primeiras trombetas]. "Rev. Spiritually Understood" [Apocalipse, entendido espiritualmente]. Parte 9. Liverpool, Inglaterra: The Bible Exposition Fellowship, sem data. Aune, David E. Prophecy in Early Christianity [A profecia no cristianismo primitivo]. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1983. Beckwith, Isbon T. The Apocalypse of John [O Apocalipse de João]. Grand Rapids, MI: Baker, 1979 (reimpressão de 1919). Durant, W. & A. The Age of Reason Begins [Começa a Era da Razão]. Nova York: Simon and Schuster, 1961. Ford, Desmond. Crisis! A Commentary on the Book of Revelation. Geisler, N. L. Is Man the Measure? An Evaluation of Contemporary Humanism [É o homem a medida? Uma avaliação do humanismo contemporâneo]. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1983. Holbrook, F. B. ed., Symposium on Revelation – Book 1 [Simpósio sobre o Apocalipse – Livro 1] (Silver Spring, Maryland: Biblical Research Institute, 1992). Gibson, R. R. The Meaning and the Chronology of the Trumpets of Revelation [O significado e a cronologia das trombetas do Apocalipse]. Tese doutoral inédita. Indiana: Grace Theological Seminary 1980. Metzger, Bruce M. Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation [Decifrando o Código: Entendendo o Livro do Apocalipse]. Nashville, TN: Abingdon Press, 1993. Naden, R. C. The Lamb Among the Beasts. Finding Jesus in the Book of Revelation [O Cordeiro Entre as Bestas. Encontrando a Jesus no
  22. 22. Uma Aplicação Histórica das Trombetas 22 Livro do Apocalipse] (Hagerstown, Maryland: Review and Herald, 1996). Cap. 9: "Trumpet Fanfares" [As fanfarras das trombetas]. Paulien, Jon. Decoding Revelations Trumpets. Literary Allusions and Interpretation of Revelation 8:7-12 [Decifrando as trombetas do Apocalipse. Alusões literárias e interpretação de Apocalipse 8:7-12]. Andrews University Doctoral Dissertation Series, T. XI. Berrien Springs, MEU: Andrews University Press, 1988. Rusten, Elmer M. A Critical Evaluation of Dispensational Interpretations of the Book of Revelation [Uma avaliação crítica das interpretações dispensacionalistas do livro do Apocalipse]. Tese doutoral, Universidade de Nova York, 1977. Ann Arbor: University Microfilms International 1980. 2 ts. Wesley, João. Explanatory Note Upon the New Testament [Notas explicativas sobre o Novo Testamento]. Naperville, IL: A. R. Allenson Inc., 1966. Wordsworth, Christopher. The New Testament in the Original Greek [O Novo Testamento no Grego Original]. Londres, Rivingtons, 1872. 2 ts. Artigos Davis, D. R. "The Relationship Between The Seals, Trumpets, and Bowls in the Book of Revelation" [A relação entre os selos, as trombetas e as pragas no livro do Apocalipse], JETS 16:3 (1973), pp. 149-158. Paulien, Jon. "Seals and Trumpets: Some Current Discussions" [Os Selos e as Trombetas: Algumas Discussões Atuais], Simpósio sobre o Apocalipse. t. 1, pp. 183-198.

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