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A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento?          15      22. Ver F. F Bruce, Biblical Exegesis in ...
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  1. 1. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 1 A CHAVE PARA O VELHO TESTAMENTO: O LITERALISMO OU O NOVO TESTAMENTO? O dispensacionalismo representa o sistema de interpretação bíblicao qual afirma que os termos "Israel" e "Igreja" nas Escrituras sempre sereferem a dois concertos totalmente diferentes entre Deus e o Seu povo:Israel representa um reino nacional-teocrático e terreno, mas a Igreja, umespiritual e celestial, Como propõe Lewis S. Chafer: Os dispensacionalistas acreditam que Deus está buscando doispropósitos distintos através das gerações: um relacionado à Terra,envolvendo pessoas e objetivos terrenos, o outro relacionado ao Céu,envolvendo pessoas e objetivos celestiais.1 Por isso, Daniel P. Fuller conclui: "A premissa básica doDispensacionalismo é os dois propósitos de Deus expressos na formaçãode dois povos que mantém as suas distinções através da eternidade".2 Emoutras palavras, o dispensacionalismo mantém diferentes escatologiaspara "Israel" e a "Igreja", cada um tendo suas próprias contrastantespromessas do concerto. A essência do dispensacionalismo, portanto,consiste em "causar divisão" nas Escrituras, não meramente emcompartimentos de tempo ou dispensações, mas também em suas seçõesque se aplicam ou a Israel ou a Igreja, ou ainda aos gentios. Uma divisãoderivada de 1 Coríntios 10:32. Chafer foi ainda mais longe ao ensinarque apenas o Evangelho de João, o livro de Atos e as Epístolas sãodirigidos especificamente aos cristãos.3 O conflito final ou a tribulação mencionada em Apocalipse 6-20acontece entre o anticristo e os judeus piedosos, não entre o anticristo e aIgreja, porque "o livro como um todo não é ocupado primariamente como programa de Deus para a igreja J. F. Walvoord).4 O princípio fundamental sobre a qual essa divisão das Escrituras seorigina é chamado de "literalismo consistente". Um dos seus modernosporta-vozes, Charles C. Ryrie, categoricamente afirma:
  2. 2. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 2 Desde que o literalismo consistente é o princípio lógico e óbvio deinterpretação, o dispensacionalismo está mais do que justificado.5 O Dispensacionalismo é o resultado da aplicação consistente doprincípio hermenêutico básico de interpretação literal, normal ou direta,Nenhum outro sistema de teologia pode reivindicar isso.6 O literalismo consistente está no coração da escatologiadispensacionalista.7 As implicações desse princípio pré-determinado de literalismo sãode grande alcance em matéria de teologia, especialmente em escatologia,tendo em vista que ele requer o cumprimento literal das profecias doVelho Testamento, que por isso devem ocorrer durante algum períodofuturo na Palestina, "pois a Igreja não as está cumprindo em nenhumsentido literal".8 Assim, o literalismo leva necessariamente ao futurismodispensacionalista em interpretação profética. De acordo com o dispensacionalismo, a Igreja de Cristo, que nasceuno dia de Pentecostes conforme relatado em Atos 2, não édefinitivamente uma parte do concerto de Deus com Abraão e Davi. AIgreja cristã, com o seu evangelho da graça, é apenas uma "interrupção"do plano original de Deus com Israel, um "parêntesis" (H. Ironside) ouuma "intercalação" (L. S. Chafer), não previstos pelos profetas do VelhoTestamento e não tendo ligação com as promessas de Deus de um reinoterrestre para Abraão, Moisés e Davi. Para o sistema dispensacionalista é básica a pressuposição de queCristo ofereceu-Se para a nação de Israel como o Rei messiânico paraestabelecer o glorioso reino terrestre que fora prometido a Davi. Sobreessa suposição repousa a inferência de que Cristo "adiou" o oferecimentode Seu reino quando Israel O rejeitou como seu legítimo rei. Por isso,Ele começou a oferecer o Seu reino da graça (de Mateus 13 em diante)como um concerto de graça temporário que terminará tão logo estabeleçanovamente a nação judaica como Sua teocracia.
  3. 3. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 3 A igreja dos crentes renascidos deve, por isso, primeiramente sertirada deste mundo através de um "arrebatamento" repentino e invisívelpara o Céu antes que Deus possa cumprir Suas promessas"incondicionais" feitas a Israel no Velho Testamento. O dispensacionalismo assegura que as promessas do concertoveterotestamentárias feitas a Israel podem se cumprir apenas na naçãojudaica (em todos os detalhes como escrito) durante o futuro milêniojudaico de Apocalipse 20. Somente então o propósito distintivo eincondicional de Deus com "Israel" será gloriosamente consumado. Issoimplica a reconstrução do templo em Jerusalém e a reinstituição dossacrifícios animais em "comemoração" à morte de Cristo. Todas asnações reconhecerão, então a Israel como o povo favorecido de Deus.Ryrie afirma, "essa culminação milenial é o clímax da História e ogrande objetivo do programa de Deus para as gerações".9 Assim, está bem claro que o dispensacionalismo separa a Igreja deCristo de todo o plano redentivo de Deus para Israel e a humanidade erestringe o Seu reino futuro à restauração de um reino estritamentejudaico – o assim chamado reino milenial. Essa dicotomia entre Israel e a Igreja, entre esta e o reino de Deusna Terra, entre o Evangelho de Jesus Cristo e o Evangelho da graça dePaulo, é o desenvolvimento lógico do princípio literalista deinterpretação profética adotado para a Palavra de Deus, O literalismo nãotem raízes na fé cristã histórica, mas foi criado em torno de 1830 emreação às espiritualizações da teologia liberal do século 19. Odispensacionalismo moderno ascendeu basicamente nos ensinos do ex-advogado John N. Darby (1800-1882), líder de um grupo cristãochamado Os Irmãos de Plymouth (na Inglaterra), e popularizado nasnotas de rodapé da Scofield Reference Bible (New York: OxfordUniversity Press, 1967). A teologia dispensacionalista é elaborada sistematicamente porLewis Sperry Chafer (sucessor de C. I. Scofield) em sua obra apologéticaSystematic Theology (8 vols.) e nos escritos de John F. Walvoord,
  4. 4. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 4presidente do Seminário Teológico de Dallas. O dispensacionalismo éensinado por princípio no Instituto Bíblico Moody (Chicago) e, emaproximadamente duzentos institutos bíblicos nos Estados Unidos. Arevista dispensacionalista é a Bibliotheca Sacra (herdada pelo SeminárioTeológico de Dallas em 1934). Autores populares como Hal Lindsey,Salem Kirban e outros influenciam milhões de pessoas através de seusescritos e filmes a aceitarem a interpretação dispensacionalista como overdadeiro quadro profético do plano de Deus para o povo judeu: umaguerra do Armagedom no Oriente Médio e um milênio judaico. A Chave para o Velho Testamento: O Novo Testamento É a hermenêutica dispensacionalista do "literalismo consistente" achave genuína para a interpretação do cumprimento futuro das profeciasdo Velho Testamento? Está organicamente (isto é, genuinamente eintrinsecamente) relacionada às Sagradas Escrituras, ou é umapressuposição forçada, impondo sobre a Palavra de Deus elementosexternos como um "padrão objetivo"10, a fim de salvaguardar a Bíbliacontra espiritualizações e alegorizações injustificadas? Não seria melhorque o princípio "objetivo" para a compreensão da Palavra de Deus fosseindutivamente derivado do próprio relato inspirado? O ponto importante é esse: Ao cristão é permitido encarar osescritos do Velho Testamento como uma unidade fechada em si mesma,isolada dos testemunhos do Novo Testamento sobre o seu cumprimento,ou deve aceitar o Velho e o Novo Testamentos juntos como umarevelação natural de Deus em Cristo Jesus? Em primeiro lugar, o Velho Testamento em si mesmo carece deuma norma indicadora de Jesus Cristo e dos Seus apóstolos para acompreensão cristã das Escrituras hebraicas, O princípio do "literalismo"é, então, introduzido nesse vácuo de um cânon não terminado daEscritura para suprir uma norma indicadora de interpretação apontadapor Deus para se consumar em Cristo e no Novo Testamento, O próprio
  5. 5. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 5termo "literalismo" torna-se dúbio em significado se for definido comoexegese gramático-histórica literal ou normal do Velho Testamento, masentão exalta essa exegese como a verdade final dentro do cânon total daBíblia de maneira que Cristo e o evangelho apostólico não têmautoridade de desvelar, modificar ou (re) interpretar suas promessas,Charles C. Ryrie afirma que a visão dispensacionalista da revelaçãoprogressiva pode aceitar luz adicional, mas não aceita que o termo"Israel" possa significar "Igreja". Isso significaria uma inaceitável"contradição" de termos e conceitos.11 O dispensacionalismo nega um relacionamento dependente entre asprofecias do Velho Testamento e a Igreja de Cristo Jesus. Rejeita aaplicação tradicional das promessas do Reino davídico do governoespiritual de Cristo sobre Sua Igreja, porque tal aplicação interpretaria aprofecia alegórica e não literalmente, e portanto, ilegitimamente. Temos aqui uma questão crucial: Os dispensacionalistas realmenteaceitam o caráter dependente da Bíblia como um todo, isto é, a unidadeespiritual e teológica das revelações do Velho e do Novo Testamentos?Aos expositores cristãos é permitido interpretar o Velho Testamentocomo um cânon fechado, como a revelação de Deus completa e finalpara o povo judeu, sem deixar que Cristo seja o verdadeiro intérprete deMoisés e dos profetas, sem permitir que o Novo Testamento tenha asuprema autoridade de aplicar as profecias do Velho? O cristão não pode interpretar o Velho Testamento num sentidofinal e completo como se Cristo ainda não tivesse vindo e como se oNovo Testamento não tivesse sido escrito. Não seria preferível a posiçãode que Cristo rejeitou o Judaísmo e o Sionismo?12 literalismo no Judaísmo no Período do Advento de Cristo Está bem claro, a partir da perspectiva cristã, que os líderes judeusdo tempo de Jesus tinham uma compreensão confusa e unilateral doMessias prometido. Interpretavam mal a Palavra profética devido ao seu
  6. 6. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 6literalismo, passando por alto o caráter condicional das bênçãos doconcerto prometidas a Israel.13 Os judeus não estavam esperando umMessias sofredor; nem mesmo os discípulos de Cristo estavam (Lucas24:20-27; Mateus 26:21-22). Em todos os escritos judeus apócrifos que refletem vários conceitosdo Messias esperado e do reino de Deus, nem uma vez é previsto umMessias que deveria morrer pelos pecados de Israel em cumprimento deIsaías 53.14 O que a teologia judaica do judaísmo no período do adventode Cristo ensinava a respeito do Messias e do Seu reino nunca devem,por isso, ser um guia seguro ou uma norma cristã para compreender oque as profecias do Velho Testamento realmente significavam. Os discípulos de Cristo, incluindo João Batista (Mateus 11:26),descobriram um significado novo e mais profundo envolvendo a missãomessiânica e o reino de Deus. Jesus não veio para oferecer-Se a Israelcomo o rei da glória ou conceber um reino terreno com poder político.Quando os judeus tentaram fazê-Lo rei pela força (João 6:15), Jesusrecusou tornar-Se o rei de Israel, como interpretavam o Seu reinado, e"retirou-se novamente, sozinho, para o monte". E para Pilatos,governador romano, Ele esclareceu, "O meu reino não é deste mundo. Seo meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam pormim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reinonão é daqui" (João 18:36; ênfase acrescentada). Aqui está a razão porque os judeus como nação rejeitaram a Cristocomo seu Rei. Haviam interpretado extremamente mal a missão doMessias e a natureza profunda e religiosa de Seu governo e do Seureino.15 Por se concentrarem primariamente na glória terrena e política doMessias vindouro e do Seu reino e por negligenciar o panoramabasicamente religioso da missão e reino messiânicos, o judaísmorabínico passou a esperar um Messias político que libertaria a naçãojudaica da opressão romana.16 A expectação judaica da vinda do reinomessiânico era, portanto, o oposto do que Jesus tencionava introduzir emIsrael. Aquele que veio, acima de tudo, para vencer a Satanás e seu poder
  7. 7. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 7escravizador sobre o coração dos judeus através de Sua vitória no desertoe para redimir os israelitas, exorcizando os demônios de sua alma, foidenunciado pelos judeus como realizando a obra de Belzebu (Mateus12:22-28), como tendo um "espírito imundo" (Marcos 3:30). Cristo,contudo, interpretou o exercício de Seu poder salvador em favor deIsrael como o verdadeiro reino de Deus: "Se, porém, eu expulsodemônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deussobre vós" (Mateus 12:28; ênfase acrescentada; cf. Lucas 17:21 na RSV). Mesmo os próprios discípulos de Cristo não haviam compreendidoa natureza do reino de Deus. Quando Pedro quis impedir Jesus de ser oMessias sofredor e moribundo, Cristo o repreendeu veementemente:"Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das doshomens" (Marcos 8:33). T. W Manson faz a sua tradução livre assim:"Fora do meu caminho, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço;porque estais mais interessado em um império humano do que no reinode Deus".17 Jesus ofereceu-Se a Israel exatamente como a Palavra proféticahavia determinado, primeiramente não como Rei da glória, mas comoMessias servo. Esse fato está claro, pois, Jesus não ofereceu um ImpérioDavídico glorioso. Ao invés disso, Ele rejeitou o messianismo políticoda esperança judaica, mesmo de Seus próprios discípulos (Lucas19:41-42; Mateus 23:37-38). G. E. Ladd concluiu: O próprio fato de que Ele não veio como Rei glorioso, mas como umSalvador humilde, deveria ser uma evidência adequada em si mesma paraprovar que o Seu oferecimento do reino não era exterior, terreno, mascorrespondia à forma na qual o seu Rei chegou aos homens.18 Qual foi então a causa da rejeição de Jesus pelos judeus como oPríncipe da Paz, de Seu reino espiritual como o reino de Deus? Desde ocomeço de Seu ministério público Cristo desapontou a expectativajudaica de um Messias glorioso no mundo secular e sua esperança de queIsrael como nação deveria ser exaltada como a cabeça de um reinouniversal (Lucas 4:16-30; Mateus 5:1-12).
  8. 8. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 8 Contudo, a causa fundamental pode ser encontrada em umliteralismo freqüentemente aplicado nas exegeses judaicas do primeiroséculo.19 Esta forma de tratamento atomístico das Escrituras levavamuito a sério as letras e as palavras de Moisés e dos profetas, e aindadissecava e fragmentava as Escrituras por negligenciar relacionar aspalavras proféticas à história da salvação e ao centro teológico daEscritura. Esse centro unificador do Velho Testamento é o Deus vivo deIsrael,20 de quem emana toda a revelação da verdade e com quem toda arevelação deve relacionar-se, a fim de compreender todo o Seu eternopropósito para o mundo e para o Seu povo do concerto. Por isso, oliteralismo ou o letrismo judaico pode ser descrito como uma forma delegalismo. Uma forma peculiar de literalismo judaico e de divisão dos Escritosproféticos era empregada pela seita de Qumran ou membros do concertodo Mar Morto. Eles não apenas explicavam partes da lei mosaica de umamaneira mais dissecada do que o judaísmo farisaico (e.g. sobre Êxodo16:29),21 mas as suas interpretações das Escrituras proféticas (e.g.Habacuque) mostram que ignoravam completamente o contexto históricoe literário das profecias do Velho Testamento. Interpretavam aspassagens proféticas como estando exclusivamente preocupadas com operíodo em que viviam como sendo o tempo do fim e a sua própria seitacomo o remanescente fiel de Israel.22 A convicção dos essênios de serempossuidores do único discernimento verdadeiro das Escrituras foiconstruída sobre a implícita confiança na direção divina do "Mestre daJustiça", o fundador da comunidade de Qumran. Deus havia reveladoinquestionavelmente para ele o verdadeiro significado das profecias, achave para desvendar todos os seus mistérios e a pedra de toque paratodas as aplicações da crise iminente. Por isso, a seita de Qumranidentificou inteiramente as interpretações das Escrituras feitas por seumestre "justo" com a revelação divina e tomava as suas palavrasespecíficas como norma absoluta de interpretação.23 Essa forma deapocalipsismo com suas reivindicações exclusivas de significado
  9. 9. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 9"literal" das profecias e sua negligência da exegese histórico-gramaticalfoi realmente apenas uma forma de literalismo especulativo, umacaricatura da interpretação literal genuína. É desnecessário afirmar quesua esperança desorientada terminou em um desapontamento catastróficopara os seus seguidores. Qumran começou literalmente de um ponto departida errado, ou seja, mais interessada na aplicação da palavraprofética do que no significado original do texto bíblico. Sua exegeselevou os crentes a aceitarem incondicionalmente as reivindicações de ummestre carismático contemporâneo como a norma superior deinterpretação das Escrituras. A Chave para o Velho Testamento: Cristo no Novo Testamento Deus mesmo é o Intérprete de Sua Palavra, isto é, as palavras dasEscrituras recebem o seu significado e a sua mensagem do próprio Autordivino e devem estar constantemente relacionadas com Sua vontadedinâmica e progressiva, a fim de que possamos ouvir o desdobramentofeito por Ele da interpretação de Suas promessas iniciais através de um"assim diz o Senhor". Promessas concernentes a Israel como um povo, relacionadas àdinastia, à terra, à cidade e aos montes não são auto-abrangentes,isoladas por causa de Israel, mas são partes integrantes do plano desalvação progressivo de Deus para o mundo e a raça humana. O VelhoTestamento revela esse plano universal que pode ser detectado por umaabordagem diacrônica, longitudinal que presta atenção à seqüênciacronológica das mensagens proféticas do Velho Testamento. Em nossos dias, Walter C. Kaiser Jr., conduziu uma pesquisaindutiva do Velho Testamento em seu livro erudito Toward an OldTestament Theology (Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1978). Concluiuque o centro focal do Velho Testamento como uma unidade orgânica é apromessa de Deus em abençoar todos os povos através da semente deAbraão, também sumarizada na fórmula tripartida: "Eu serei o Teu Deus
  10. 10. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 10e tu serás o Meu povo, e Eu habitarei contigo" (pp. 12, 32-35). Esteplano de Deus inclusivo e singular, esta promessa, é o cerne fixo narevelação progressiva de todos os concertos de Israel. Ele não éclaramente uma "vara divina abstrata" imposta aos textos do VelhoTestamento, mas provê "seu próprio padrão para um modelo permanentee normativo pelo qual julgar aquele dia e todos os outros dias por umarégua que reivindica ter sido estabelecida para o escritor da Bíblia etodos os subseqüentes leitores simultaneamente" (p. 14). Kaiser mostra que a promessa messiânica é o foco central de todoconcerto de Deus com o homem desde o começo. Essa promessa serelaciona com as predições divinas do Velho Testamento. Os escritoresdo Novo Testamento reconhecem a Cristo como o perfeito cumprimentodas promessas de Deus aos patriarcas e a Israel. Paulo sumaria atotalidade da esperança messiânica em uma promessa definida: E, agora, estou sendo julgado por causa da esperança da promessaque por Deus foi feita a nossos pais, a qual as nossas doze tribos, servindoa Deus fervorosamente de noite e de dia, almejam alcançar; é no tocante aesta esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus (Atos 26:6-7). Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais,como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus(Atos 13:32-33). E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeirossegundo a promessa (Gálatas 3:29). Cristo é o alvo da missão de Abraão e de Israel. Veio para redimir omundo e a raça humana como um todo. A salvação vem dos judeus, masnão para os judeus apenas. Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a féem Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem (Gálatas 3:22). O Novo Testamento enfatiza a verdade de que Deus cumpriu apromessa Abraãmica em Jesus de Nazaré e renovou o Seu concerto com
  11. 11. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 11Israel através de Jesus Cristo por uma "superior afiança (Hebreus 7:22),introduzindo uma "esperança superior" (Hebreus 7:19) para todosisraelitas e gentios crentes em Cristo (Hebreus 8). Assim, o Novo Testamento testifica de um cumprimento básico daspromessas do Velho no Messias Jesus. Nas palavras do apóstolo Paulo,"Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim " (2Coríntios 1:20). Para ele, cada interpretação que se centraliza no Israelnacional, nas promessas terrenas e políticas do concerto, falha emcompreender o sentido real e o centro teológico da promessa divina. Sem reconhecer a Jesus Cristo como a Chave, a Raiz e o Centro detodos os concertos de Deus com Israel (Apocalipse 22:16), qualquercompreensão "literal" dos antigos concertos do Senhor com Seu antigopovo, se constituiria em apenas uma dramática incompreensão e asreivindicações às bênçãos prometidas, uma presunção. "Mas até hoje,quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando,porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado" (2Coríntios 3:15-16). Sem Cristo ou o Espírito, as aplicações do concerto de Israel apenasendurecem o coração. "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2 Coríntios3:6). Apenas quando os judeus aceitam a mensagem do NovoTestamento de que Jesus é o Messias da profecia e O recebem de todo ocoração como Senhor e Salvador, o véu escuro é removido das letras doVelho Testamento e eles são capazes de compreender o verdadeirosignificado literal das Escrituras e a intenção original do VelhoTestamento. Por isso, é necessário fazer uma distinção fundamental entreuma interpretação literal genuína e o literalismo ou letrismo. A chavepara o Velho Testamento não é um método ou princípio racionalista, sejaliteral ou alegórico, mas Cristo Jesus, o Filho de Deus, como revelado noNovo Testamento. O intérprete cristão do Velho Testamento é, de uma vez por todas,obrigado a ler as Escrituras hebraicas à luz do Novo Testamento como
  12. 12. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 12um todo, porque o Velho é aí interpretado autorizadamente, como acontínua história da salvação, sob a inspiração divina. O cristianismo histórico sempre confessou que o Novo Testamentoé o alvo e o cumprimento do Velho.24 G. E. Ladd representa a posição degerações da Igreja quando afirma: "Nosso ponto de partida deve ser amaneira como o Novo Testamento interpreta o Velho.25 F. F. Brucedeclara mais especificamente: "O uso que Nosso Senhor faz do VelhoTestamento bem pode servir como modelo e padrão na interpretaçãobíblica e os cristãos ainda podem relembrar que a obra presente doEspírito Santo é abrir-lhes as Escrituras assim como o Cristo ressurretofez aos discípulos no caminho de Emaús".26 The Ecumenical Study Conference (A Conferência Ecumênica deEstudo), ocorrida em Oxford, Inglaterra em 1949, aceitou como"Princípios Normativos para a Interpretação da Bíblia", entre outras, aseguinte pressuposição teológica necessária: Concorda-se que a unidade do Velho e do Novo Testamento não deveser encontrada em qualquer desenvolvimento naturalístico ou em qualqueridentidade estática, mas na continua atividade redentiva de Deus na históriade um povo, alcançando o seu cumprimento em Cristo. Conseqüentemente, é de importância decisiva para o métodohermenêutico de interpretar o Velho Testamento á luz da revelação total napessoa de Jesus Cristo, a palavra de Deus encarnada, do qual ascende a féplena trinitariana da Igreja.27 E em relação à interpretação teológica de uma passagem, depoisque a exegese gramatical e histórica for completada: Concorda-se que no caso de uma passagem do Velho Testamento, eladeve ser examinada e exposta em relação à revelação de Deus para Israel,tanto antes quando depois de seu próprio período. Em seguida, o intérpretedeveria voltar-se para o Novo Testamento, a fim de ver a passagem naperspectiva deste. Procedendo dessa forma, a passagem do VelhoTestamento pode receber limitações e correções, e também ainda desvelar,
  13. 13. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 13à luz do Novo Testamento, um novo e mais profundo significado,desconhecido ao escritor original. Concorda-se que no caso de passagem do Novo Testamento, eladeveria ser examinada à luz de seu cenário e contexto. Em seguida, volta-separa o Velho Testamento para descobrir o seu background na revelaçãoprimária de Deus. Ao voltar-se mais uma vez para o Novo Testamento, ointérprete será capaz de ver e expor a passagem à luz do escopo total daHeielgeschichte (História da Salvação). Aqui, o nosso entendimento dapassagem do Novo Testamento pode ser aprofundado através de nossacompreensão do Velho.28 Referências Bibliográficas: 1. Lewis S. Chafer, "Dispensacionalism," BSac. 93 (1936):448. 2. Daniel P. Fuller, "The Hermeneutics of Dispensacionalism"(dissertation, Northern Baptist Theological Seminary, Chicago, Ill., 1957), p.25. 3. Chafer, "Dispensacionalism," pp. 406-407. 4. John F. Walvoord, The Revelation of Jesus Christ (Chicago: MoodyPress, 1967), p. 103. 5. Charles C. Ryrie, Dispensacionalism Today, (Chicago: Moody Press,1965), p. 97. 6. Idem, p. 96. 7. Ibid., p. 158. 8. Ibid. 9. Ibid., p. 104. 10. Ryrie (ibid., p. 88) afirma: "Que controle haveria sobre a variedadede interpretações que a imaginação do homem pode produzir se nãohouvesse um padrão objetivo provido pelo princípio literal?" 11. Ibid., 94. 12. O objetivo do Sionismo é criar para o povo judeu um lar naPalestina garantido pela lei pública (o programa de Basel para o MundoJudaico, 1897). A "Proclamação de Independência" do Estado de Israel(1948) declara que a Assembléia Nacional dos Judeus Palestinos e oMovimento Sionista Mundial, juntos apelam para "os dons naturais ehistóricos do povo judeu" para a Palestina como sua terra natal e se referemà sua "grande luta" para o cumprimento do sonho de gerações pela
  14. 14. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 14redenção de Israel." Ver F. H. Epp, Whose Land is Palestine? (GrandRapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co.., 1974), pp. 117, 191, 192. 13. Ver S. Mowinckel, He That Cometh (Nashville, Tenn.: AbingdonPress, 1954), capítulo 9, "The National Messiah." 14. G. E. Ladd, Crucial Questions About the Kingdom of God (GrandRapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1961), p. 115. Ladd mostra quenem mesmo o Messias moribundo de IV Esdras 7:27-31 tem um propósitovicário. Também G. Scholem, The Messianic Idea in Judaism (New York:Schockn Books, 1974), pp. 17-18. 15. Ver o excelente tratado "Kingdom of God" de G. E. Ladd emBakers Dictionary of Theology, ed. E. F. Harrison (Grand Rapids. Mich.:Baker Book House, 1973). E também seu, "Theology of the New Testament"(Grand Rapids.: Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1974), capítulo 4. 16. T. W. Manson, The Servant Messiah (Grand Rapids, Mich.: BakerBock House, 1977: reimpressão da edição de 1953), capítulo 1, referindo-seespecialmente à natureza da esperança messiânica nos Psalms of Salomon(8 e 17). 17. Ibid., p. 36, nota 3. 18. Ladd. Crucial Questions About the Kingdom of God, p. 117. 19. Ver R. Longenecker, Biblical Exegesis in Apostolic Period (GrandRapids.: Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1977), capítulo 1, "JewishHermeneutics in the First Century," para alguns exemplos de"hiperliteralismo". A interpretação literalista "foi considerada básica paratodos os desenvolvimentos exegéticos" (p. 29). Cf. também Ramm,Protestant Biblical Interpretation, p. 45-48, que conclui: "Há uma lição maiora ser aprendida da exegese rabínica: o mal do letrismo. Na exaltação daprópria letra da Escritura o seu verdadeiro significado era perdido" (p. 48).Cf. G. F. Moore, Judaism (Cambridge: Harvard University Press, 1932), vol.1, p. 248. 20. Ver G. F. Hasel, "The Problem of the Center in the OT TheologyDebate," 2AV 86 (1974): 65-82. 21. A interpretação literal extremada de Êxodo 16:29 aparece norelatório de Flávio Josefo de que no sábado os essênios se recusavam atémesmo a "remover qualquer vaso do seu lugar, ou ir ao banheiro" (War II, 8,9 [Josephus, Complete Works., trad. W. Whiston (Grand Rapids, Mich.:Kregel Publ., 1966]).
  15. 15. A Chave para o Velho Testamento – Literalismo ou N. Testamento? 15 22. Ver F. F Bruce, Biblical Exegesis in the Qumran Texts (GrandRapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1959), pp. 9f., 15-17. 23. See H. K. LaRondelle, Perfection and Perfectionism, AndrewsUniversity Monographs, Studies in Religion, Vol. 3, 3d ed. (Berrien Springs,Mich. : Andrews University Press, 1979), pp. 272-275. 24. Para a confissão Católica Romana mais recente da unidadeprogressiva de ambos os Testamentos, ver The Documents of Vatican II, W.M. Abbot e J. Gallagher, eds. (New York: Guild Press, 1966), capítulo 4,seção 16, "Dogmatic Constitution on Divine Revelation." 25. Ladd, Crucial Questions About the Kingdom of God, p. 139. Vertambém, The Last Things (Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co.,1978), pp. 18, 19. 26. F. F. Bruce em Bakers Dictionary of Theology (1973), p. 293. 27. In G. Ernest Wright, "The Problem of Archaizing Ourselves",Interpretation 3 (1949): 457f. 28. In Wright, "The Problem of Archaizing Ourselves", Interpretation 3(1949): 458.

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