Atos dos apóstolos. prof. david rubens

2.021 visualizações

Publicada em

Aula Teologia
Atos dos Apóstolos
Prof. David Rubens

Publicada em: Educação
0 comentários
16 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.021
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
347
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
16
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Atos dos apóstolos. prof. david rubens

  1. 1. Prof. David Rubens IBAD-Pindamonhangaba/SP-2014
  2. 2. Introdução  Os Atos não são uma obra literária à parte. Como o indica a dedicatória ao mesmo Teófilo (At 1.1; Lc 1.3), formam a continuação de Lucas, fazendo parte, como este, de uma obra histórica completa. O prólogo dos Atos, no que chegou até nós, ao referir-se a Lucas como “o primeiro livro” (1.1), une-se à conclusão de Lucas a respeito das aparições do Senhor ressuscitado aos apóstolos e da sua despedida (1.2), falando, então, da sua última conversa com eles e de novo de sua ascensão e com mais pormenores (1.60). Prof.DavidRubens-2014
  3. 3. Conteúdo Duas partes principais desiguais:  1-12:A Igreja em Jerusalém e as primeiras missões, ou parte petrina;  13-28: De Antioquia a Roma, ou parte paulina. Prof.DavidRubens-2014
  4. 4. Conteúdo Poderíamos aceitar a divisão do livro em duas partes.  Linha divisória: 15.35,36.  1.15 – 15.35: expansão a partir de Jerusalém até a consolidação da missão entre os gentios.  15.36 – 28.31: expansão até Roma. Prof.DavidRubens-2014
  5. 5. Conteúdo  Divisão em cinco seções geograficamente determinadas, de acordo com o objetivo missionário:  1.15 – 8.3: Jerusalém;  8.4 – 11.18: Samaria e região costeira;  11.19 – 15.35:Antioquia e missão antioquina;  15.36 – 19.20:Terras vizinhas ao mar Egeu;  19.21 – 28.31: De Jerusalém a Roma. Prof.DavidRubens-2014
  6. 6. Peculiaridade Literária  F. C. Baur em 1938, propôs a tese segundo a qual os Atos datam do último período da cristandade primitiva e teriam surgido da intenção de atenuar a oposição (reconhecível nas epístolas paulinas genuínas) entre os cristãos provenientes do judaísmo e os provenientes do paganismo, mediante a conciliação entre as duas facções. Prof.DavidRubens-2014
  7. 7. Peculiaridade Literária  Para Baur, Lucas omite propositalmente tudo o que poderia lembrar a real oposição dos judeus provenientes do judaísmo contra Paulo, acentuando deliberadamente tudo aquilo que coloca Paulo no mesmo nível de Pedro (tendência conciliatória). Prof.DavidRubens-2014
  8. 8. Peculiaridade Literária  Para Barret, os Atos parecem querer desembaraçar Paulo dos gnósticos, no sentido de aprova a sua ortodoxia, ou a sua dependência dos primeiros apóstolos.  A importância de Paulo é conscientemente minimizada em favor dos demais apóstolos. Prof.DavidRubens-2014
  9. 9. Composição  Uma vez que os Atos, como segunda parte do duplo trabalho de Lucas, deve ter sido escrito depois do evangelho de Lucas, que foi escrito depois do ano 70. As diferenças linguísticas entre Lucas e Atos exigem certo intervalo entre os dois escritos do mesmo autor. A datação dos Atos entre 80 e 90 é a hipótese mais provável, embora não se deva excluir a datação depois do final do século I. Prof.DavidRubens-2014
  10. 10. Lugar de Composição  Quanto ao lugar onde o autor o escreveu, poderíamos pensar em Roma (relato na primeira pessoa do plural, 28.16). Mas também Éfeso, Antioquia ou alguma comunidade paulina da Macedônia.  Nos atos a primeira metade é dedicada a Pedro, a segunda a Paulo. Ambos morreram como mártires em Roma – por causa de “ciúmes” (1Clem 5.4). Prof.DavidRubens-2014
  11. 11. Fontes e o Autor de Atos  Que o autor de Atos, na composição de seu trabalho, tenha usado fontes escritas, foi conjecturado em primeiro lugar com base no “nós” que aparece apenas aqui e ali, na narrativa; mas o uso de fontes escritas foi também inferido a partir do prólogo de Lucas, de acordo com o qual, o autor não estava entre aqueles, “que, desde o princípio, foram testemunhas oculares”.  De acordo com R. Bultmann, por detrás dos Atos está uma fonte antioquena originariamente escrita em “estilo-nós”, em 6.1-12; 7.54; 11.19-26; 12.25. As interpolações do autor provam que ele se utilizou de fontes escritas (em 15.1-35, Paulo e Barnabé são inseridos). Prof.DavidRubens-2014
  12. 12. Fontes e o Autor de Atos  A hipótese que atraiu o maior número de defensores é aquela que sustenta que o autor usou uma fonte escrita na segunda metade de sua obra. De qualquer forma, a esta fonte supõe- se pertencerem os textos que narram na primeira pessoa do plural: 16.10-17 (viagem de Trôades a Filipos); 20.5-15 (viagem de Filipos a Mileto); 21.1-18 (viagem de Mileto a Jerusalém); 27.1.28 (viagem de Cesaréia a Roma). De vez em quando estas “seções-nós” começam tão inesperadamente como terminam. Cada seção fala tão somente de viagens por mar, tendo o começo e o fim em terra. Normalmente o “nós” indica “Paulo e seus companheiros”, inclusive o narrador. Prof.DavidRubens-2014
  13. 13. Fontes e o Autor de Atos  Desde a antiguidade tem sido repetidamente defendido o ponto de vista segundo o qual o autor quis indicar com este “nós” que nas seções assim caracterizadas ele tinha participado pessoalmente dos acontecimentos; assim, o “nós” é simplesmente um instrumento redacional, estilístico do autor. O próprio autor deixa isto claramente indicado, e esta hipótese só se tornou problemática no momento em que os estudiosos começaram a alimentar dúvidas sobre se os Atos poderiam ter sido escritos por um companheiro de viagem de Paulo. Assim, desde o começo do século XIX defendeu-se de várias formas a hipótese de que uma “fonte-nós” tivesse sido aproveitada pelo autor de Atos. De maneira geral, e de conformidade com a tradição da Igreja Primitiva, Lucas era tido como o autor da “fonte-nós”, mas outros companheiros de Paulo eram também propostos. Prof.DavidRubens-2014
  14. 14. Característica Teológica dos Atos  Com a protelação da parusia, o autor de Atos não considera Jesus como o fim dos tempos, mas sim como o “centro do tempo” (H. Conzelmann), com um período de expectativa antes e o período da Igreja depois. Ele teria reestruturado o plano oculto da história divina da salvação, compreendendo o tempo em três partes: Prof.DavidRubens-2014
  15. 15. Característica Teológica dos Atos O prelúdio da história da infância; A atuação de Jesus; A missão. Atribuindo ao presente uma tarefa, ele consegue superar a protelação da parusia. A parusia pode chegar a qualquer momento, de modo que o homem precisa estar preparado para comparecer diante de Deus. Prof.DavidRubens-2014
  16. 16. Característica Teológica dos Atos  Isso impele à atividade. O início dos Atos dos Apóstolos diz claramente para quê: em vez de se interrogar pelo fim do mundo, devem os discípulos, na força do Espírito, missionar até os confins da terra (1.7). Prof.DavidRubens-2014
  17. 17. Característica Teológica dos Atos  A dupla obra lucana une duas linhas de tradição, de resto distintas: o mundo da tradição sinótica sobre Jesus, e o mundo da missão paulina. Na obra de Lucas, em nenhum lugar Paulo é encontrado escrevendo cartas. Mas foi por meio das cartas que chegou a suas maiores realizações. Pelas cartas ele continuou a viver nas suas comunidades. Suas cartas impressionaram de tal modo que passaram a ser imitadas. Prof.DavidRubens-2014
  18. 18. Teologia Paulina e o Livro de Atos  No centro da teologia paulina está a mensagem de que Deus levou a termo a salvação mediante a morte de Cristo, que se sacrificou por nós (Rm 3.24; 5.6; 1Co 1.18; 15.3; 2Co 5.18; Gl 3.13). Nos discursos paulinos contidos nos Atos, entretanto, há apenas uma única referência à morte de Jesus de acordo com as profecias da Escritura (13.27-29), e uma outra referência à “Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue de seu próprio Filho” (20.28). Prof.DavidRubens-2014
  19. 19. Teologia Paulina e o Livro de Atos  Destes fatos se conclui claramente que o autor dos Atos não pode ter sido um missionário companheiro de Paulo. Portanto, naquele “nós” de Atos 16 ele não pode estar expressando sua participação nestas partes das viagens missionárias de Paulo. O autor de Atos aproveitou o “nós” de alguma fonte, ou ele próprio inseriu este “nós” na narração. Prof.DavidRubens-2014
  20. 20. Tendências teológico-eclesiástica  Quadro histórico:  Tendo resumido os acontecimentos individuais conhecidos desde a ascensão e pentecoste até a atuação de Paulo em Roma em uma unidade, o autor caracterizou esse período como um todo coeso; e ao tê-los colocado sob o ponto de vista de 1.8 – curso do Evangelho de Jerusalém até os confins da terra -, interpretou essa história como uma época especial da história salvífica. Prof.DavidRubens-2014
  21. 21. Tendências teológico-eclesiástica  Nos discursos ele constantemente conecta essa época com as duas outras, à do tempo de Jesus e à do tempo de Israel; novamente mostra que na história de Jesus e na Igreja se cumpriram e se cumprem as promessas, que Deus executa seu plano salvífico. Reiteradamente conecta essa época histórico-salvífica com a história mundial; não somente pelo fato de mencionar personalidades da vida política daquele tempo; ele também o cristianismo como grandeza histórica. Prof.DavidRubens-2014
  22. 22. Tendências teológico-eclesiástica  A época da Igreja começa com o derramamento do Espírito Santo e termina com parusia. Teria o período descrito em Atos uma importância histórico-salvifica especial dentro dessa época.  O autor está interessado na continuidade da história salvífica, mas de igual modo que quer mostrar cesuras em seu transcurso terreno, que tenta discernir o permanente do passado. Prof.DavidRubens-2014
  23. 23. Tendências teológico-eclesiástica  Assim como estruturou o tempo de Jesus, também estruturou o tempo descrito em Atos. Por meio da bipartição de Atos, ele marca dois períodos. O da comunidade primitiva e o da missão mundial. O primeiro se distingue do segundo por características irrepetitíveis, historicamente únicas e por isso pertencentes ao passado: por meio das testemunhas oculares da atividade e ressurreição de Jesus, do apostolado dos doze, pela vinculação à Lei e pela comunhão dos bens. Prof.DavidRubens-2014
  24. 24. Tendências teológico-eclesiástica  O primeiro período é substituído pelo segundo, caracterizado pela missão mundial e pela isenção da Lei dos gentíli-cristão. Não obstante, os dois períodos estão inseparavelmente interligados, havendo uma transição como que sem interrupção; em ambos reina o Espírito, o segundo não é apenas preparado pelo primeiro – missão em Samaria, conversão paradgmática de um gentio (Cornélio), missão gentílica (11.19) - Prof.DavidRubens-2014
  25. 25. Tendências teológico-eclesiástica  é propriamente primeiro legitimado por decisão da comunidade primitiva – concílio e decreto dos apóstolos. Não é a viagem de Paulo em At 13, com a qual começa a missão mundial, e, sim, primeiro o concílio dos apóstolos é o acontecimento que, por meio de seus protagonistas principais Pedro e Tiago, os representantes da comunidade primitiva, que encerra o primeiro período e, simultaneamente, inaugura o segundo. Prof.DavidRubens-2014
  26. 26. Paulo, transmissor da proclamação cristã  Portador da continuidade é Paulo. Mas ele é como transmissor da proclamação cristã comum (13.16-41; 17.3; 20.21), daquilo, portanto, que em 2.42 se chama “a doutrina dos apóstolos”, e ele o é como delegado da comunidade primitiva. De acordo com Atos, ele mesmo não é apóstolo – o apostolado está reservado aos doze -, antes está subordinado aos apóstolos. Prof.DavidRubens-2014
  27. 27. Paulo, transmissor da proclamação cristã  Paulo tem que ser aceito pelos apóstolos (9.26,30), isso é, tem a permissão para empreender sua primeira jornada missionária entre os gentios somente como enviado da comunidade de Antioquia sob a jurisdição de Jerusalém e como companheiro de Barnabé, homem de confiança da comunidade de Jerusalém (13.1,3; 11.22,24). Prof.DavidRubens-2014
  28. 28. Os destinatários de Atos  Os Atos se dirigem diretamente aos leitores cristãos provenientes do mundo dos pagãos. A linguagem utilizada, que recorre a termos cristãos especializados ou a fórmulas de fé, e os problemas tratados excluem um público alheio ao movimento cristão. Pode-se conceder que o autor está atento e sensível às instâncias culturais e religiosas daquele ambiente pagão que olha com simpatia a nova experiência cultural e religiosas daquele ambiente pagão que olha com simpatia a nova experiência e para o qual está orienta. Prof.DavidRubens-2014
  29. 29. Período histórico  Os Atos cobrem um período histórico, entre os anos 30-60, sobre o qual os outros documentos cristãos nos dão apenas informações fragmentárias e ocasionais. As cartas de Paulo, em particular aquelas cuja autenticidade está fora de discussão e que acompanham a sua atividade missionária dos anos 50 e 60, nos fornecem dados de primeira mão, mas condicionados pela sua perspectiva teológica e pelo gênero epistolar. Prof.DavidRubens-2014
  30. 30. Catequese sobre a história  O livro dos Atos não a pretensão de apresentar-se como obra historiográfica, mas tem os papéis em ordem para reivindicar uma substancial credibilidade também histórica.  O autor escolhe e seleciona o material, o dispõe segundo um certo esquema mais ou menos linear, simplifica o enredo ou condensa os acontecimentos, transpõe ou reordena as sequências dos fatos. Os Atos dos Apóstolos estão mais próximos de uma catequese sobre a história do que de uma crônica oficia. Prof.DavidRubens-2014
  31. 31. Data de composição  Se for admitida a posição tradicional e aceita a identidade do autor do terceiro Evangelho como sendo o dos Atos, pode-se indicar uma data pelos anos 80, isto é, depois da composição do Evangelho (At 1.1) no qual foi utilizado o texto de Marcos, composto pelos anos 70. Uma datação anterior, anos 60-63 foi sugerida por alguns autores por causa do final brusco dos Atos, no qual nada se diz sobre o êxito do processo de Paulo em Roma. Prof.DavidRubens-2014
  32. 32. Articulação da missão cristã Missão e Igreja de Jerusalém. Ambiente: judeu-conservador Protagonistas: Pedro e João (os apóstolos). Progresso histórico: Fundação da primeira comunidade, modelo ideal da Igreja. Conflitos com o judaísmo. Prof.DavidRubens-2014 I I................................................................................V
  33. 33. Missão e Igreja fora de Jerusalém: Samaria e Judéia: Samaritanos, judeu-helenistas, pagãos simpatizantes Estevão (os sete): Filipe Pedro Período de transição (6-8) Superação da “lei” judaica (9-15) Prof.DavidRubens-2014 II VI................................................................................XV Articulação da missão cristã
  34. 34. Missão e igrejas fora da Palestina: Ásia e Grécia. Judeus e pagãos da diáspora e do mundo grego. Paulo, Barnabé e colaboradores: Fundação de novas igrejas. Inserção no mundo cultural grego. Prof.DavidRubens-2014 Articulação da missão cristã III XI................................................................................XXVIII
  35. 35. Bibliografia  Os Atos dos Apóstolos  Rinaldo Fabris  Os cristãos do séc. II dividiram em duas a obra única que Lucas havia dedicado “a Teófilo”. A primeira parte foi colocada com os outros três Evangelhos canônicos; a segunda recebeu o título de “Atos dos Apóstolos”. Prof.DavidRubens-2014
  36. 36. Bibliografia  Primeira história do cristianismo  Daniel MARGUERAT  Ao escrever os Atos dos Apóstolos como sequência de seu Evangelho, Lucas assinou a primeira história do cristianismo. Nesta pesquisa, o ponto de vista que prevalece na interpretação é a crítica histórica e a narratologia. Este estudo de Daniel Marguerat reconstitui progressivamente a obra de Lucas e a forma como é entendida por seus leitores e leitoras. Prof.DavidRubens-2014
  37. 37. Bibliografia  Como Ler os Atos dos Apóstolos  Ivo Storniolo  O livro dos Atos dos Apóstolos é a continuação do evangelho de Lucas, mostrando o caminho do anúncio cristão desde Jerusalém até os extremos da terra, como vem especificado em At 1,8. É, portanto, o livro do Espírito, o mesmo que estava em Jesus e o levou à missão. Esse Espírito estará agora com os apóstolos e os levará a continuar a palavra e a ação de Jesus, ou seja, o testemunho. É o Evangelho penetrando em todos os tempos e lugares. Prof.DavidRubens-2014
  38. 38. David Rubens de Souza  Formação emTeologia, Filosofia, História.  Pós graduando em Filosofia na Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.  Professor deTeologia Bíblica e História do Cristianismo no IBAD, professor de Filosofia e Sociologia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo.

×