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21Engenharia de Software, publicados entre os anos de 1980 a 2006. Tal estudoprocurou responder as seguintes questões: (i)...
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252.2.3.1     WU et al (2007)        Este trabalho investiga a intenção dos desenvolvedores de software OpenSouce de conti...
26função em particular, dessa forma, o software e o conhecimento necessário parautilizá-lo provêm um valor extrínseco para...
27        Assim, ganhar reputação pode ser extremamente interessante para quem        quer progredir a carreira na indústr...
28Nov (2007) acreditavam que exigência dos contribuintes em tornar pública a suaexperiência tornaria a reputação o fator m...
29                        Tabela 4 - Fatores Motivacionais intrínsecosMotivação            Conceito                       ...
30Motivação         Conceito                                       Trabalhos RelacionadosReciprocidade /   Para o desenvol...
31   2.3 Discussão      O trabalho de Von Krogh et al       (2008)   foi de suma importância para apesquisa realizada, poi...
323 MÉTODOS       Neste capítulo é exposta a metodologia adotada para a realização destetrabalho. Segundo Pinheiro (2010, ...
33suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral. Marconi e Lakatos (2004p.54) consideram três etapas para essa ...
34motivação dos indivíduos ligados à área de Engenharia de Software no contextoOpen Source, abrangendo os seguintes perfis...
35de pesquisa foram refinadas. Após esta fase foi realizada uma adaptação no roteirode entrevista utilizado por França et ...
36como fonte de evidências e, de acordo com Seaman(1999 apud Da SILVA et al,2011), são comumente empregadas como técnicas ...
37   • Opinião e valor: Nesta categoria a intenção é obter a opinião ou crença      referente a alguma coisa por parte do ...
38realizada. O pesquisador solicitava autorização verbal para gravar as entrevistas e,se permitido, as entrevistas eram gr...
39      Easterbrook (2008) acredita que na Teoria Fundamentada em Dados aanálise inicial dos dados é desenvolvida sem cate...
40         Da Silva et al (2011) ressalta ainda que não é um processo estático e rígido,pois ele é justamente o contrário,...
413.5.2.1 Codificação Aberta      Durante a codificação aberta se dar início ao processo de confrontar osincidentes aplicá...
42problema, uma questão, preocupações ou assuntos) que tem a capacidade deexplicar “O que está acontecendo aqui”? (STRAUSS...
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  1. 1. RELATORIO TECNICOMotivação de Engenheiros de Software no Contexto Open Source: Um Estudo de Caso com a Comunidade Android Brasil Projetos DANILO MONTEIRO RIBEIRO PIETRO PEREIRA PINTO ALBERTO CÉSAR CAVALCANTI FRANÇA CARUARU 2013
  2. 2. ii ResumoEste trabalho tem como tema central o estudo da motivação em engenheiros desoftware no contexto Open Source. Foi realizado um estudo de caso na comunidadeAndroid-Brasil-Projetos para identificar como os fatores motivadores agem nosmembros das equipes de desenvolvimento de software no contexto Open Source nacomunidade Android-Brasil-Projetos, para isso, foi necessário identificar quaisfatores influenciam na comunidade e quais são os sinais externos de motivação edesmotivação. Foram entrevistadas quatro pessoas da comunidade sendo ummantenedor e três desenvolvedores. Os dados coletados foram analisados utilizandométodos da Teoria Fundamentada (Grounded Theory), e sintetizados em uma teoriafundamentada nos dados que pode fornecer um entendimento sobre osrelacionamentos, causas e consequências dentro do contexto estudado. Comoresultado foram encontrados 27 fatores que influenciam na motivação da amostraestudada e foram desenvolvidas 11 proposições. Além disso, foram definidos comoos fatores centrais da teoria o comprometimento e o interesse pessoal.Palavras-chave: Engenheiro de Software, Motivação, Open Source.
  3. 3. iii AbstractThis work is focused on the study of motivation on Open Source software engineers.A case study was performed in the community Android-Brasil-Projetos to identify asthe motivating factors act on members of software development in the Open Sourcecontext within the community Android-Brasil-Projetos, for this, it was necessaryidentify which factors influence in the community and what are the external signs ofmotivation and demotivation. We interviewed four members from the community: amaintainer and three developers, the collected data were analyzed using GroundedTheory and were synthesized in a theory based on data to provide an understandingof the relationships, causes and consequences within the context studied. As a resultwere found 27 factors that influence the motivation of the sample studied and weredeveloped 11 propositions. Furthermore, were defined as the central factors of theorythe commitment and personal interest.Key Words: Software Engineer, Motivation, Open Source.
  4. 4. iv SUMÁRIO1.   INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 8   1.2   Objetivos ....................................................................................................... 9   1.2.1   Objetivo Geral ........................................................................................ 9   1.2.2   Objetivos Específicos ............................................................................. 9   1.3   Justificativa de pesquisa ............................................................................. 10   1.4   Organização do Trabalho ........................................................................... 12  2   REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................ 13   2.1 Open Source e Software Livre......................................................................... 13   2.1.1   Software Livre ...................................................................................... 13   2.1.2   Free Software Fundation...................................................................... 14   2.1.3   Software Open Source ......................................................................... 15   2.1.3.1   Características do desenvolvimento Open Source .............................. 18   2.2 O Estudo da Motivação e suas Aplicações ao Contexto da Engenharia de Software ................................................................................................................. 19   2.2.1   O Estudo da Motivação na Psicologia ................................................. 19   2.2.2   Motivação no Desenvolvimento de Software ....................................... 20   2.2.3   Motivação no contexto Open Source ................................................... 24   2.2.3.1   WU et al (2007) .................................................................................... 25   2.2.3.2   Oreg e Nov (2007) ............................................................................... 26   2.2.3.3   Von Krogh et al (2008) ......................................................................... 28   2.3 Discussão ........................................................................................................ 31  3   MÉTODOS ......................................................................................................... 32   3.1   Natureza da Pesquisa................................................................................. 32   3.1.1   Quanto aos Fins ................................................................................... 32   3.1.2 Quanto à Forma de Abordagem ............................................................... 32   3.1.3 Quanto aos métodos de procedimentos ................................................... 33   3.2 Premissas ........................................................................................................ 34   3.3 Etapas de pesquisa ......................................................................................... 34   3.4 Seleção de sujeitos.......................................................................................... 35   3.4.1 Entrevista ...................................................................................................... 35  
  5. 5. v 3.5 Procedimentos da análise de dados................................................................ 38   3.5.1 Teoria Fundamentada em Dados (Ground Theory) ..................................... 38   3.5.2 Procedimento de codificação........................................................................ 39   3.5.2.1 Codificação Aberta .................................................................................... 41   3.5.2.2   Codificação Axial.................................................................................. 42   3.5.2.3   Codificação Seletiva............................................................................. 43   3.6   Limitações ................................................................................................... 44   3.7   Discussão ................................................................................................... 45  4. Resultados ........................................................................................................... 45   4.1 Descrição do Contexto .................................................................................... 45   4.2 Resultados da Codificação aberta ................................................................... 47   4.2.1 Aspectos da Comunidade............................................................................. 48   4.2.3 Aspectos do trabalho em equipe .................................................................. 52   4.3 Resultados da codificação axial ...................................................................... 56   4.4 Resultados da codificação seletiva.................................................................. 60   4.5 Avaliações dos Resultados.............................................................................. 62  5. Conclusão ............................................................................................................ 64   5.1 Trabalhos futuros ............................................................................................. 65  REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 67  
  6. 6. vi Índice de figurasFigura 1 - MOCC .................................................................................................................... 23  Figura 2 - Motivadores intrínsecos e extrínsecos ............................................................. 24  Figura 3 - Geração da teoria da comunidade ................................................................... 61  
  7. 7. vii Índice de TabelasTabela 1 - Evolução do conceito de Motivação ................................................................ 19  Tabela 2 - Fatores Motivadores........................................................................................... 21  Tabela 3 - Fatores Desmotivadores ................................................................................... 22  Tabela 4 - Fatores Motivacionais intrínsecos .................................................................... 29  Tabela 5 - Fatores Motivacionais extrínsecos internos ................................................... 29  Tabela 6 - Fatores Motivacionais extrínsecos................................................................... 30  Tabela 7 - Aspectos motivacionais ..................................................................................... 47  Tabela 8 - Sinais de motivação ........................................................................................... 54  
  8. 8. 81. INTRODUÇÃO A atividade de desenvolvimento de software enfrenta crescentes desafiosvisando a diminuição de custo, esforço e tempo de chegada dos produtos nomercado. Contudo, a complexidade e tamanho dos produtos estão aumentando e,consequentemente, os gestores precisam buscar novas alternativas para o processode desenvolvimento. Uma dessas alternativas pode ser a utilização de software Open Source(FERREIRA, 2005). Segundo Koch (2008) e Subramanyam e Xia (2008), osaplicativos Open Source são aqueles cujo código fonte está disponível para qualquerpessoa, ou seja, ele está sob uma licença que estabelece condições paramodificação, reuso e redistribuição do software, oferecendo assim a possibilidade deum usuário modificá-lo, adequando-o as suas necessidades. De acordo com IBM (2007), uma das principais características deste tipo desoftware é fato de ser normalmente desenvolvido por equipes distribuídasgeograficamente. Em geral, os membros dessas equipes não se conhecempessoalmente e são coordenados por estruturas baseadas em meritocracia, nasquais, de acordo com Ferreira (2008), as pessoas obtêm tarefas e responsabilidadesde acordo com seu merecimento. Essa forma de organização é bem diferente dasestruturas hierárquicas formais que contam com um gerente para distribuiratividades e cobrar produtividades de seus subordinados. Conforme França et al (2011), o comportamento de equipes dedesenvolvimento de software tem sido estudado de forma crescente nos últimosanos, principalmente através de pesquisas que buscam entender, em especial, osfatores que motivam e desmotivam engenheiros de software durante odesenvolvimento do projeto. França e Da Silva (2009) afirmam que existem duas ideias principais deinteresse da indústria na gestão comportamental: a primeira corresponde ànecessidade de criação de um clima organizacional no qual os colaboradorespossam obter respeito e valorização; a segunda parte da premissa que pessoasmotivadas produzem mais.
  9. 9. 9 Seguindo a premissa que pessoas motivadas produzem mais, Von Krogh et al(2008) busca entender o que motiva os engenheiros de software Open Source. Paraeste autor, neste contexto, as equipe são formadas por colaboradores voluntários,que trabalham quando querem, de forma autônoma e sem vínculos empregatícios,ou obrigações com o projeto. Apesar destes colaboradores poderem se desligar doprojeto a qualquer momento, eles conseguem desenvolver, com sucesso, projetosde alto nível e complexidade (IBM, 2007). Para realização deste estudo foi utilizada uma comunidade Open Source, aAndroid-Brasil-Projetos, que utiliza uma tecnologia recente de desenvolvimentomobile (Android1), Open Source, que segundo a Motorola (2012) são ativados maisde 850 mil aparelhos que funcionam à base desta tecnologia no mundo por dia. 1.2 Objetivos Para responder à pergunta de pesquisa: Como os fatores motivadores agemna comunidade Android-Brasil-Projetos? Foram definidos os seguintes objetivos,divididos em geral e específicos:1.2.1 Objetivo Geral Este trabalho tem como objetivo identificar como agem os principais fatoresmotivacionais que afetam os engenheiros de software no contexto dedesenvolvimento de software Open Source na comunidade Android-Brasil-Projetos.1.2.2 Objetivos Específicos • Identificar, com base em revisões de literatura, os principais fatores motivacionais ligados aos projetos de desenvolvimento de software Open Source; • Adaptar o questionário desenvolvido por Da Silva et al (2011) para realidade do projetos de desenvolvimento de software Open Source; • Realizar as entrevistas com engenheiros de software de projetos Open Source da comunidade Android-Brasil-Projetos para obter dados sobre o que os motiva e o sinais externos de motivação;1 Para mais informações http://www.android.com/
  10. 10. 10 • Analisar os dados coletados através do instrumento de pesquisa aplicado; • Encontrar quais fatores motivacionais afetam a comunidade Android- Brasil-Projetos; • Conhecer quais são os sinais externos de motivação na comunidade Android-Brasil-Projetos. • Explicar como os fatores encontrados agem na comunidade Android- Brasil-Projetos.1.3 Justificativa de pesquisa De acordo com Wu et al (2007), a comunidade Open Source tem produzidoum grande numero de projetos software de sucesso, dentre eles: Linux, Apache,Perl e SendMail. Driver e Weiss (2005) projetaram que o software Open Sourceestaria no ano de 2010 em 75% das empresas, operando em conjunto com softwareproprietários. Entretanto, segundo a TIINSIDE (2008), essa projeção já foi superadae estima-se que esse percentual já estava em 85% em 2008. Desde então, o movimento de software Open Source vem crescendo muito,atraindo novos parceiros e desenvolvendo novos aplicativos, como o Linux, que éum sistema operacional desenvolvido com a licença GNU GPL 2. Em uma pesquisarealizada em 2009 foi observada uma taxa de crescimento do software livre de cercade 20% anual, mostrando novamente o interesse das pessoas e empresas na área(SOFTWARELIVREBRASIL, 2009). De acordo TIINSIDE (2008), o software livre e o de código aberto estão sendoconstantemente utilizados por empresas no seu dia-dia, destacando-se como as trêsprincipais razões para a utilização de programas de código aberto: (i) a diminuiçãodo custo total de propriedade, (ii) a redução dos custos de desenvolvimento e (iii) ofato de o software livre ser mais fácil de ser implementado em novos projetos de TI. Segundo Von Krogh et al (2008), nos últimos 15 anos os aplicativos OpenSource fizeram incursões bem-sucedidas em diversos segmentos, atraindo milhõesde usuários. Atualmente, as empresas investem e colaboram em grande quantidadeneste tipo de produto. Como resultado disto, Von Krogh et al (2008 p.4, tradução2 é uma designação de uma licença para software livre idealizada por Richard Matthew Stallman
  11. 11. 11nossa) afirma que: “os gestores destas empresas estão cada vez mais dependentede recursos de desenvolvimento que estão fora do seu controle direto”. Assim, esses gestores estão preocupados com o que motiva colaboradoresexternos a participar na criação de um software Open Source. Von Krogh et al(2008) cita como exemplo que se uma empresa decide investir milhões de dólares afim de migrar os seus servidores para um sistema Linux da IBM os gestores vãoquerer saber até que ponto o Linux continuará a receber contribuições porvoluntários, como o software irá evoluir, e se Linux e outros projetos envolvidosterão melhoria em novas versões. Desta forma, entender os fatores envolvidos na motivação nodesenvolvimento de software no cenário Open Source é de grande importância parauma empresa que investe ou deseja investir em nesse tipo de sistema, pois ela deveacompanhar e incentivar a comunidade e seus membros, para que os aplicativosutilizados por ela tenham seus problemas corrigidos e evoluam de acordo com suasnecessidades, trazendo benefícios para a empresa e mantendo a competitividade damesma. Além disso, os mantenedores3 de comunidades Open Source tambémprecisam saber o que faz os membros contribuírem mais com a comunidade epermanecerem nos projetos até que estes sejam concluídos com sucesso, oucontinuem a trabalhar na evolução do mesmo. Para isso, é de suma importância a realização de uma pesquisa que viseencontrar indícios sobre os fatores motivacionais aplicados nesse contexto, para quese possa compreender melhor o fenômeno estudado e encontrar possíveis novosfatores motivacionais. Entretanto, ainda são escassos os estudos que visam identificar os fatoresmotivacionais no contexto de projetos de software Open Source usando umaabordagem qualitativa. Sendo assim, a problemática da pesquisa pode serrepresentada pela pergunta: Como os principais fatores motivadores que levamengenheiros de software a contribuir com projetos Open Source agem nacomunidade Android-Brasil-Projetos?3 Os mantenedores são os responsáveis pelos projetos na comunidade.
  12. 12. 121.4 Organização do Trabalho Neste capítulo foi realizada uma breve introdução aos temas deste trabalho:Motivação no desenvolvimento de software e Open Source software. Foi tambémapresentado o problema de pesquisa, os objetivos gerais e específicos do trabalho ea justificativa para realização deste. O restante do trabalho está organizado daseguinte forma: Capítulo 2 – Referencial teórico: Neste capítulo é feita uma revisãobibliográfica acerca dos principais temas relacionados à pesquisa, a saber: OpenSource e Software Livre, Motivação na engenharia de Software e no contexto OpenSource; Capítulo 3 – Métodos: É o capítulo no qual se contempla a descrição dométodo de pesquisa utilizado no trabalho, bem como as limitações deste; Capítulo 4 – Resultados: Onde serão apresentados os resultados dacodificação aberta, axial e seletiva. Capítulo 5 – Conclusão e trabalhos futuros: Contempla as conclusõesobtidas da realização da pesquisa e geração da teoria, assim como os trabalhosfuturos.
  13. 13. 132 REFERENCIAL TEÓRICO Neste capítulo de referencial teórico são apresentadas as definições dosconceitos necessários ao desenvolvimento do trabalho, a saber: software livre, OpenSource e motivação. 2.1 Open Source e Software Livre Este capítulo aborda de forma sucinta o assunto Software Open Source,discorrendo brevemente sobre sua Historia, sua definição e diferenças com osoftware livre e algumas características do processo de desenvolvimento desoftware Open Source. 2.1.1 Software Livre De acordo com GNU (1996), um software para ser considerado livre devegarantir a qualquer pessoa as premissas de: (i) executar o programa, (ii) a qualquermomento modificar o programa para atender a novas necessidades, (iii) distribuirlivremente cópias originais,(iv) distribuir livremente cópias modificadas. O software livre é diferente do software proprietário, pois, segundo Saleh(2004 p.13), “No software proprietário em geral a única liberdade garantida aousuário é a de usar o programa, mesmo assim somente após seu licenciamento, ecom compromisso de não redistribuí-lo nem modifica-lo”. Existem ainda softwareproprietários grátis, como jogos e mensageiros instantâneos. Contudo, como estesnão seguem as quatro premissas do software livre, apresentadas anteriormente, nãosão considerados livres. Saleh (2004) afirma que nas décadas de 1960 e 1970 praticamente todo osoftware era livre, pois a pratica da comercialização de licenças ainda não eradifundida, já que o foco dos fornecedores de tecnologia estava no hardware, muitasvezes fornecido em conjunto com os sistemas operacionais. Os aplicativosgeralmente eram desenvolvidos de acordo com as necessidades dos usuários quecompravam o hardware, sendo específicos para a arquitetura adquirida. Devidos a estas características, universidades, empresas e centros depesquisas compartilhavam os códigos da mesma comunidade, sem preocupações
  14. 14. 14com direitos autorais. Como na segunda metade da década de 1970 acomercialização de licenças começou a aparecer com mais força, o movimento dosoftware livre sentiu a necessidade de se organizar mais, tendo como umas dasconsequências a criação da Free Software Fundation (SALEH, 2004). 2.1.2 Free Software Fundation Em 1985 foi iniciada a Free Software Fundation, criada por Richard Stallman,com o objetivo de promover na comunidade de informática o espírito cooperativoque se apresentava no inicio da computação, em que seus códigos, informações emaneiras de trabalho eram livremente compartilhados (STALLMAN, 2002). Estaorganização é considerada como a principal patrocinadora do projeto GNU/LINUX(GNU, 1996). Em 1981, o laboratório de inteligência artificial do Massachusetts Institute ofTechnology (MIT) teve seu principal computador, que tinha o sistema operacional eaplicativos desenvolvidos pela própria equipe da universidade, com software livre,substituído por outro computador com códigos proprietários e fechados do fabricantedo novo computador (STALLMAN, 2002). Richard Stallman, até então professor do MIT, resolveu que não deveriaassinar os acordos de não divulgação impostos pelo fornecedor do hardware,decidindo assim, não trabalhar com o software proprietário do fornecedor. Stallmanqueria incentivar as pessoas a criarem software suficiente que permitisse a utilizaçãode um computador sem a necessidade de qualquer programa proprietário, pois eleacredita que essa opção é a única socialmente justa (STALLMAN, 1999 apud Saleh2004). Stallman (1999 apud Saleh, 2004, p.18) afirma que: “o software proprietário implica numa organização social na qual não é permitido às pessoas compartilhar conhecimento, não é permitido ajudar ao próximo e incita à competição ao invés da colaboração: acredita que todo software deveria ser livre”. Stallman (1999 apud Saleh 2004, p.18) considera que: “uma vez pagos oscustos de desenvolvimento limitar o acesso ao software traz muito mais malefícios
  15. 15. 15que benefícios.” Quando o usuário resolve pagar pela licença, está acontecendouma transferência de riquezas que será benéfica para ambas as partes, uma vezque o usuário terá o software para resolver seu problema e a empresa terá o valorda licença. Todavia, se o usuário resolve não adquirir o software, pois existe ànecessidade de pagamento, está havendo prejuízo a uma das partes sem que hajabenefício de ninguém. Stallman (1999 apud SALEH 2004) pondera que o prejuízo à sociedade pelarestrição é maior que os possíveis ganhos individuais da empresa, já que se estãosendo impostas restrições a um bem cujo custo marginal de produção é zero, ouseja, não ocorre acréscimo (ou decréscimo) do custo total quando se aumenta (oudiminui) a quantidade de software produzida, e que as empresas de softwareproprietário restringem a cooperação entre as pessoas e limitam o conhecimento dasociedade com a proibição da distribuição do software. A principal ideia queStallman (1999 apud Saleh 2004) quer passar é que o software fechado nega oacesso à informação e ao conhecimento, elementos sem os quais é impossívelestabelecer uma sociedade mais justa e democrática. 2.1.3 Software Open Source A Open Source Initiative4 [s.d] aponta que a publicação do trabalho de EricRaymond (1997), intitulado de “A Catedral e o Bazar5”, o qual apresenta ao leitoruma nova maneira de compreender e descrever as práticas populares nacomunidade Software Livre, foi de grande importância para o difusão do softwareOpen Source. Sua análise, centrada na ideia de revisão por pares distribuída, naliberação de software para que as pessoas testem antes do produto final, tevesucesso, tanto dentro como (e de forma até inesperada) fora da cultura livre. A apresentação deste trabalho em setembro de 1997 foi o incentivo para aNetscape, em 22 de janeiro de 1998, liberar o código fonte de seu popularnavegador da Web como software livre, de acordo com a Open Source Initiative, queafirma ainda que: “existia um sentimento generalizado de que as regras de4 Para maiores informações: http://www.opensource.org5 Texto disponível em http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/
  16. 16. 16desenvolvimento estavam prestes a mudar, e que qualquer coisa seria possível”.(OPEN SOURCE INITIATIVE, s.d, tradução nossa) O rótulo "Open Source" foi concebido em uma sessão realizada em 03 defevereiro de 1998, em Palo Alto, Califórnia. Dentre as pessoas presentes nestasessão estavam: Todd Anderson, Chris Peterson (do Foresight Institute), John"maddog" Hall e Larry Augustin (ambos da Linux International), Sam Ockman (doGrupo Vale do Silício do usuário do Linux), Michael Tiemann, e Eric Raymond,ícones da comunidade livre (OPEN SOUCE INITIATIVE, s.d). A Open Source Initiative [s.d] afirma que os conferencistas decidiram que nãoera interessante ficar limitado pela atitude moralizadora e de confronto que tinha sidoassociada ao software livre no passado, e que seria interessante vender as ideiasestritamente pragmáticas que motivaram Netscape. Eles debateram as táticas quedeveriam usar e um novo rótulo, "Open Source", foi proposto por Chris Peterson.Cinco dias depois, em 8 de fevereiro de 1998, foi emitida a primeira chamadapública para a comunidade começar a usar o novo termo. As pessoas envolvidas no movimento Open Source trabalhavam comsoftware livre, mas sentiam-se incomodadas com o caráter ideológico imposto pelaFSF e sua licença GNU GPL. Então, esse movimento quis retirar dodesenvolvimento de software livre qualquer componente social ou ideológico. Osoftware deve ser aberto não por questões de liberdade, mas sim porque o modeloaberto de desenvolvimento é mais eficiente tanto técnica quanto economicamente(OPEN SOUCE INITIATIVE, s.d; SALEH, 2004). A ideia principal é que enquanto osprogramadores estão lendo e modificando o código, naturalmente vão aparecermelhorias, adaptações e correções, que têm como consequência uma maiorevolução do programa. Qualquer licença de software pode ser considerada aberta caso siga osseguintes termos (PERENS, 1999; OPEN SOUCE INITIATIVE s.d): (i) Distribuição livre – A licença não deve impedir a venda ou distribuição doprograma gratuitamente, seja ele como componente de outro programa ou não. (ii) Código fonte – O programa deve incluir seu código fonte ou deve haveralgum maneira de obtê-lo pela internet ou com custo de reprodução, permitindo a
  17. 17. 17sua distribuição também na forma compilada. O código deve ser legível e inteligívelpor qualquer programador. (iii) Trabalhos Derivados – A licença deve permitir modificações e trabalhosderivados, permitindo, inclusive, que esses sejam distribuídos sobre os mesmostermos da licença original. (iv) Integridade do autor do código fonte - A licença pode impedir que ocódigo fonte seja distribuído em uma forma modificada apenas se a ela permitir adistribuição de arquivos de atualização com o código fonte para o propósito demodificar o programa. A licença também deve permitir a distribuição do programadesenvolvido a partir do código fonte modificado. Todavia, a licença pode aindarequerer que programas derivados tenham um nome ou número de versãodiferentes do programa original. (v) Não pode haver discriminação contra pessoas ou grupos - A licença nãopode ser discriminatória contra qualquer pessoa ou grupo de pessoas. (vi) Não pode haver discriminação contra áreas de atuação - A licença nãodeve impedir qualquer pessoa de usar o programa em um ramo específico deatuação. Por exemplo, ela não deve proibir que o programa seja usado em umempresa, ou para pesquisa genética. (vii) Distribuição da Licença - Os direitos ao programa devem ser aplicáveispara todos aqueles que receberem o programa, sem a necessidade da execução deuma licença adicional para estas partes. (viii) A Licença não é específica a um produto - Os direitos associados aoprograma não devem estar sujeitos que o programa seja parte de uma distribuiçãoespecífica de programas, ou seja, não se pode obrigar a executar o programasomente em alguma distribuição do Linux, por exemplo. Se o programa é extraídodesta distribuição e usado ou distribuído dentro dos termos da licença do programa,todas as partes para as quais o programa é redistribuído devem ter os mesmosdireitos que aqueles que são garantidos em conjunção com a distribuição deprogramas original. (ix) A Licença não restringe outros programas - A licença não pode colocarempecilhos em outros programas que são distribuídos juntos com o programa
  18. 18. 18licenciado. Isto é, a licença não pode especificar que todos os programasdistribuídos na mesma mídia de armazenamento sejam programas de código aberto. (x) A Licença é neutra em relação a tecnologia - Nenhuma cláusula dalicença pode estabelecer uma tecnologia individual, estilo ou interface a ser aplicadano programa Como pode ser notado na leitura dos termos, na definição da licença OpenSource não é feita qualquer referência a aspectos políticos, sociais e de liberdade,diferentemente da licença de software livre, proposta pela FSF, na qual o aspectoprincipal é a liberdade. Em um software Open Source existe a possibilidade de queum software aberto seja fechado posteriormente e para ser distribuído comosoftware proprietário, algo não permitido pela licença do software livre. Stallman (2002) afirma que o objetivo do software Open Source é produzirsoftware poderoso e de alta qualidade, e que isso é um objetivo louvável, mas não omais importante, pois o mais importante para ele é que o software siga as quatropremissas do software livre. 2.1.3.1 Características do desenvolvimento Open Source Segundo Nunes (2007), os projetos Open Source apresentam algumascaracterísticas que os tornam diferentes do paradigma de desenvolvimentoconvencional, como: (i) Trabalho voluntário, uma vez boa parte dos desenvolvedorestrabalham sem remuneração, (ii) Trabalho não é designado, as tarefas ficamdisponíveis para os membros que tenham interesse ou aptidão as escolham pararealizar, (iii) Ausência de cumprimento de horários e de lista de entregas, uma vezque o trabalho é voluntário, as pessoas trabalham em horários diversificados econtribuem da maneira que podem, (iv) lançamentos de versões, a própriacomunidade em conjunto com os mantenedores discute quando será lançada umanova versão do software e atualizações da mesma, (v) teste, em projetos OpenSource é comum utilizar os usuários como testadores do software, assim como nemsempre existe um sistema bem definidos de testes de software e (vi) planejamento,nem sempre é possível devido ao não determinismo da colaboração.
  19. 19. 19 Todavia, estas caraterísticas não estão presentes em todas as comunidades,algumas comunidades podem ter características únicas ou não utilizar algumas dascaraterísticas citadas. 2.2 O Estudo da Motivação e suas Aplicações ao Contexto da Engenharia de Software Nas subseções a seguir serão apresentados os conceitos de motivação napsicologia, no desenvolvimento de software e no contexto Open Source.2.2.1 O Estudo da Motivação na Psicologia Segundo Todorov e Moreira (2005), o estudo da motivação humana vemsendo observado desde o começo do século XX, com base na psicoterapia, napsicometria e nas teorias de aprendizagem. França e Da Silva (2009) afirmam que a definição de motivação tem resultadoem diversas teorias, trazendo consigo, inclusive, diversas definições para o termo,conforme exemplificado na Tabela 1. Tabela 1 - Evolução do conceito de MotivaçãoAno Autores O que é motivação?1959 Krech e Crutchfield Um motivo é a uma necessidade ou desejo acoplado com a intenção de atingir um objetivo apropriado1961 Young Uma busca dos determinantes (todos os determinantes) da atividade humana e animal.1964 Atkinson Uma concepção coerente dos determinantes contemporâneos da direção, do vigor e da persistência da ação.1967 Hilgard e Atkinson “Motivo” é algo que incita o organismo á ação ou que sustenta ou dá direção à ação quando o organismo foi ativado.1997 Rogers, Ludington e Graham Motivação é um sentimento interno, é um impulso que alguém tem de fazer para realizar alguma coisa.2000 Licury e Fenouillet ... a motivação é o conjunto de mecanismos biológicos e psicológicos que possibilitam o desencadear da ação, da orientação (para uma meta ou, ao contrário, para se afastar dela) e, enfim, da intensidade e da persistência: quanto mais motivada a pessoa está, mais persistente e
  20. 20. 20 maior é a atividade.2001 Penna É o conjunto de relações entre as operações de estimulação ou privação e as modificações observadas no comportamento que se processa após as citadas operações.2004 Bzuneck A motivação tem sido entendida ora como um fator psicológico, ou conjunto de fatores ora como um processo. Estes fatores levam a uma escolha, instigam, fazem iniciar um comportamento direcionado a um objetivo. Fonte: França e Silva (2009) Pode ser observado na Tabela 1 uma série de conceitos sobre motivação,que possuem características semelhantes, como fatores psicológicos e biológicos,sendo um sentimento interno, que leva um indivíduo a executar uma ação comintensidade e persistência para maximizar o resultado. Isto corrobora com a definição apresentada por Minicucci (2009 apud DaSILVA et al 2011), que define motivação como sendo algo interno ao indivíduo, quevaria de acordo com o objetivo, apresentando direção, intensidade, força e duração,determinando um comportamento. Todavia, um problema recorrente na literatura que aborda motivação é aconfusão que existe com outros fenômenos como entusiasmo, satisfação, conforto,alegria, necessidade, vontade, fé, desejo e instinto (Da SILVA; FRANÇA, 2011;BERGAMINI, 1998; Da SILVA et al, 2011). Contudo, motivação se distingue destaspalavras, pois ela é intrínseca à pessoa e pela sua capacidade de gerar umcomportamento sustentável e por isso deve ser analisada de maneira mais completa(Da SILVA et al, 2011).2.2.2 Motivação no Desenvolvimento de Software De acordo com Sharp et al (2009), a motivação na Engenharia de Software éreconhecida como um fator preponderante para o sucesso os projetos desse tipo.Alguns trabalhos foram realizados com o objetivo de explorar e delinear os fatoresque motivam e desmotivam os engenheiros de software, bem como verificar quaisos modelos de motivação existentes. Beecham et al (2007) realizaram uma revisãosistemática na literatura na qual catalogaram 92 artigos sobre motivação em
  21. 21. 21Engenharia de Software, publicados entre os anos de 1980 a 2006. Tal estudoprocurou responder as seguintes questões: (i) Quais as características dosengenheiros de software? (ii) O que (des)motiva engenheiros de software a seremmais produtivos ou menos produtivos? (iii) Quais são os sinais externos ouresultados de engenheiros de software (des)motivados? (iv) Quais aspectos daEngenharia de Software (des)motivam os engenheiros de software? (v) Quais osmodelos de motivação existentes na Engenharia de Software? França et al (2011) realizaram uma atualização desta revisão com o objetivode responder as mesmas questões do estudo original, porém com artigos publicadosno período de 2006 até 2010. Essa atualização da revisão encontrou 53 artigos, osquais foram analisados para se chegar a novas evidências, com relação ao estudooriginal, que reforçam alguns resultados encontrados no trabalho de Beecham et al.(2007). Com a aplicação da pesquisa de Beecham et al (2007) foi observado que amotivação dos engenheiros de software é definida por três fatores que estãorelacionados: características individuais, controles internos e moderadores externos.Além disso, a pesquisa apresenta que engenheiros desmotivados tendem a deixaras organizações onde trabalham, enquanto que o aumento de produtividade e aretenção de membros da organização tende a serem resultados associados aosengenheiros motivados. O trabalho apresenta também a divisão em duas listas dosfatores que motivam (Tabela 2) e desmotivam (Tabela 3) o Engenheiro de Softwarecom base em outros trabalhos da literatura como a teoria da motivação-higienecriada pelo psicólogo Frederick Herzberg (1923-2000). Tabela 2 - Fatores Motivadores Motivação para Engenheiros de Software Recompensa e Satisfação da incentivos necessidade de desenvolvimento Variedade do trabalho Plano de Carreira Sensação de Equilíbrio entre a vida pertencimento a uma pessoal e profissional esquipe Trabalhar em uma Participação empresa de sucesso Empowerement/ Feedback Responsabilidade
  22. 22. 22 Bom gerenciamento Reconhecimento Confiança/ respeito Equidade Trabalho tecnicamente Segurança no emprego desafiador Contribuir/ importância Condições apropriadas da tarefa de trabalho Autonomia Identificação com a tarefa Recursos suficientes Adaptado de Da Silva et al. (2011) Tabela 3 - Fatores Desmotivadores Desmotivadores para Engenheiros de Software Risco Stress Inequidade Trabalho interessante feito por outras partes Sistema desleal de Falta de promoção recompensa Comunicação Ruim Pagamento não competitivo Metas não realísticas Mau relacionamento com os colegas e usuários Gerenciamento ruim Ambiente de trabalho ruim (falta de recursos) Produção de Software de Equidade má qualidade Falta de influência Adequação cultural ruim Adaptado de Da Silva et al (2011) O principal fator motivador encontrado no trabalho de Beecham et al (2007)foi a identificação com a tarefa. Quanto mais o indivíduo se identifica com a tarefamais ele fica motivado. Outros fatores motivadores que também tiveram destaquesão: participação, bom gerenciamento, plano de carreira e variedade da tarefa. Noestudo realizado por França et al (2011), foi encontrado que os fatores maisrecorrentes são: identificação com a tarefa, participação e bom gerenciamento.Outros fatores que também estão entre os mais citados são: boa auto-imagem,aprendizagem e auto-desenvolvimento. Quanto aos fatores desmotivacionais, o ambiente de trabalho ruim, com afalta de recurso se destaca como característica mais citada, de acordo com o estudode Beecham et al (2007). Já o trabalho de França et al (2011) cita como principais:complexidade da tarefa (muito fácil ou muito difícil) e carga de trabalho. Entre os
  23. 23. 23fatores em comum do estudo de França et al (2011) com estudo de Beecham et al(2007) aparecem gerenciamento ruim e pagamento não competitivo. Sharp et al (2009) propõem um novo modelo de motivação em Engenharia deSoftware, baseado em na teoria da motivação-higiene de Herzberg6, o qual elesdenominam de MOCC (Motivators, Outcomes, Characteristics and Context). Essemodelo, apresentado na Figura 1, foca apenas nos resultados referentes aos fatoresmotivadores, já que para o autor a motivação e desmotivação são constructosdiferentes. Figura 1 - MOCC Fonte: Da Silva et al (2011)6 Para mais informações: http://www.sobreadministracao.com/tudo-sobre-a-teoria-dos-dois-fatores-de-frederick-herzberg/
  24. 24. 24 Figura 2 - Motivadores intrínsecos e extrínsecos Fonte: Da Silva et al (2011)2.2.3 Motivação no contexto Open Source Segundo WU et al (2007) o software, no contexto Open Source, édesenvolvido espontaneamente por participantes de comunidades organizadas,localizadas ao redor do mundo e trabalhando com o auxilio da Internet. Também sãocaracterística desse tipo de projeto os integrantes contribuírem mesmo sem teremvínculos empregatícios, pagamentos ou mesmo sem serem recrutados pelasorganizações responsáveis pelo produto em desenvolvimento (LERNE;TIROLE,2002). Nas seções 2.2.3.1, 2.2.3.2, 2.2.3.3 são apresentados estudos que abordamos motivos dos engenheiros de software contribuírem voluntariamente, com seutempo e habilidades, em projetos Open Source. Após isso, será feito umaconsideração final sobre os assuntos.
  25. 25. 252.2.3.1 WU et al (2007) Este trabalho investiga a intenção dos desenvolvedores de software OpenSouce de continuarem envolvidos em projetos futuros, identificando os fatores queos influenciam para isso. Para realiza-lo o autor desenvolveu um modelo depesquisa empírico, validado com 148 participantes e utilizando a escala de Likert7. Com base na revisão de literatura o autor encontra uma lista de fatoresextrínsecos e intrínsecos envolvidos no Open Source. Os fatores extrínsecos,segundo o autor, são os fatores ambientais, interpostos pela organização a umindivíduo. Os motivadores intrínsecos, também chamados de motivadores internos,estão relacionados às necessidades do indivíduo. Vale destacar que neste trabalhoo autor não analisou o conjunto completo de possíveis motivadores, seconcentrando, então, naqueles que ele acredita terem efeito mais forte, que são:(i) Comportamento de ajuda: Wu et al (2005) acredita que o altruísmo é natural doser humano, e é exibido de alguma maneira por todos. Baseado nesse ponto devista acredita-se que os desenvolvedores contribuem porque eles gostam deestender a mão aos outros e, simultaneamente, gostam de ter a mesma ajudaquando precisam.(ii) Aprimoramento do capital humano: O capital humano é um dos incentivosextrínsecos envolvidos no software Open Source. Sendo assim, o capital humanoenvolve o acumulo de investimentos das pessoas na sua educação e no treinamentodo trabalho que elas desenvolvem no dia-a-dia.(iii) Progressão na carreira: Baseado em outros estudos, acredita-se que aparticipação em um projeto Open Source pode avançar a carreira de uma pessoa deduas maneiras: através da demonstração de suas capacidades e habilidades parapotenciais empregadores; usando a participação em projetos para obter acesso aocapital de risco, aquisição de ações ou para lançar um empreendimento empresarial.(IV) Satisfação de necessidades pessoais: Vários projetos Open Source começamporque os desenvolvedores não conseguem encontrar produtos que satisfazem uma7 É uma escala onde os respondentes são solicitados não só a concordarem ou discordarem das afirmações, mastambém a informarem qual o seu grau de concordância / discordância.
  26. 26. 26função em particular, dessa forma, o software e o conhecimento necessário parautilizá-lo provêm um valor extrínseco para o desenvolvedor. Além disso, para sua pesquisa WU et al (2007, tradução nossa p.259)também relaciona o nível de satisfação com o projeto afirmando que: “A satisfação(em trabalhar em um projeto Open Source) deve depender de suas expectativaspós-participação contra a sua percepção de valência para o seu desempenho”, ouseja, a reação emocional às suas próprias motivações. De acordo com Reilly (2005),a baixa satisfação no trabalho pode levar a comportamentos de indisciplina esabotagem. Em contraste, a satisfação no trabalho pode aumentar ocomprometimento organizacional e a cidadania (LEE; MODAWY, 1987). Neste trabalho, o fator satisfação com a participação em projetos Open Souce éa influência mais forte na participação em futuros projetos, seguido de:aperfeiçoamento do capital humano e satisfação de necessidade pessoal. Ou seja,os membros quando satisfeitos com sua particição em algum projeto Open Sourcetendem a continuar participando em futuros projetos.2.2.3.2 Oreg e Nov (2007) Oreg e Nov (2007) examinaram como o contexto de projetos Open Source eos valores pessoais dos contribuintes estão relacionados com os tipos de motivaçãodeles. Para isso eles usaram um survey, que foi aplicado a 300 contribuintes, emdois contextos Open Source: Software e Conteúdo. O autor encontrou que oscontribuintes do contexto de software dão maior ênfase sobre a reputação e asmotivações de auto-desenvolvimento, enquanto que os contribuintes do contexto deconteúdo (mantenedores da Wikipedia, por exemplo) dão maior ênfase nos motivosaltruístas. Para realizar sua pesquisa o autor encontrou e classificou os seguintesfatores motivadores:(i) Reputação: Os autores acreditam, assim como Lakhani e Wolf (2005), que empresas procuram programadores com habilidades especiais e podem encontrar essas habilidades examinando códigos de software Open Source.
  27. 27. 27 Assim, ganhar reputação pode ser extremamente interessante para quem quer progredir a carreira na indústria de Software (LERNER; TIROLE, 2002).(ii) Desenvolvimento próprio (aprendizado): Raymond (1999) afirma que o processo de desenvolvimento de software Open Source envolve um mecanismo de revisão de pares intensivo. Através deste processo os colaboradores recebem feedback e podem obter sugestões de estilos de programação e lógicas para melhorar suas habilidades profissionais (LAKHANI; WOLF, 2005).(iii) Altruismo: Para Oreg e Nov (2007), o altruismo é um motivador tanto no contexto de desenvolvimento quanto no contexto de conteúdo, só que por motivos diferentes. No conteúdo as pessoas querem compartilhar o conhecimento que elas detém (BONACCORSI; ROSSI, 2003); enquanto que no contexto de software as pessoas estão mais focadas no que elas podem ganhar do outros na comunidade e nas implicações no crescimento da própria carreira (LERNER; TIROLE, 2002). Para realizar sua pesquisa os autores utilizaram quatro valores de Schwartz(1994) que eles acreditavam que teriam as seguintes relações com os três fatores:(i) Realização com Reputação, pois os desenvolvedores pretende demostrar suacompetência para comunidade; (ii) Autodireção com Desenvolvimento próprio, jáque para o autor envolve a criatividade e liberdade; (iii) Benevolência eUniversalismo com Altruísmo, já que ambos, segundo os autores, promoviam o bem-estar do próximo. Como resultado da pesquisa, os autores encontraram que motivação paraconstruir uma reputação em Open Source está correlacionada com ênfase do valorda realização do individuo. Já a motivação para melhorar as suas competências(Desenvolvimento próprio) está associada com sua ênfase pessoal em autonomia,crescimento e livre pensamento. A motivação de ajudar a comunidade Open Sourceestá ligada ao valor da promoção do bem-estar ao próximo. Embora a reputação, conforme a hipótese dos autores, era para ser mais forteno contexto de software do que no contexto de conteúdo, foi, no entanto, de formainesperada o fator de motivação mais fraco dos três, em ambos os contextos. Oreg e
  28. 28. 28Nov (2007) acreditavam que exigência dos contribuintes em tornar pública a suaexperiência tornaria a reputação o fator mais forte, ao invés de mais fraco, emambos os contextos.2.2.3.3 Von Krogh et al (2008) Von Krogh et al (2008) identificaram na literatura os principais fatoresmotivacionais ligados aos projetos Open Souce. Os autores dividem os fatores em:(i) motivacionais intrínsecos (Tabela 4), também chamados de motivadores internos,que estão relacionados com as necessidades que satisfazem o indivíduo; (ii)Motivacionais extrínsecos (Tabela 5), que são os fatores ambientais interpostos pelaorganização a um indivíduo; (iii) fatores motivacionais extrínsecos internos (Tabela6), que são definidos como auto-reguladores de comportamento, diferenciando dosfatores extrínsecos porque estes são imposições externas (VON KROGH et al,2008). Na revisão de literatura foram adotados métodos de análise crítica, qualitativae sintética, com quatro passos principais na identificação do material. Primeiro, foiidentificado artigos listados no banco de dados da Institute for Scientific Information,que continham as palavras chaves “Open Source software” e “motivação”. Osegundo passo foi revisar a lista de referências dos artigos encontrados paraprocurar novas fontes que não foram listados na primeira etapa ou artigos excluídospor conta dos critérios utilizados. No terceiro passo, os pesquisadores navegarampor repositórios de artigos on-line (por exemplo, www.opensource.mit.edu) paraidentificar artigos que correspondem aos critérios de pesquisa. Em quarto lugar, comartigos de conferências e capítulos de livros que eram conhecidos pelospesquisadores e colegas de trabalho que ainda não tinham constado nas pesquisas. Trabalhos teóricos e conceituais foram examinados buscando-se fatoresmotivacionais usados para criar a teoria. Fatores motivacionais que se mostraramrelevante em trabalhos empíricos também foram incluídos na revisão. A inclusão detrabalhos empíricos é compreensiva, considerando que a inclusão das contribuiçõespuramente teóricas é mais seletiva (Von KROGH et al, 2008). Se um estudo utilizouuma terminologia diferente, mas a motivação parecia suficientemente com uma jáexistente na taxonomia, esta foi incorporada a taxonomia existente.
  29. 29. 29 Tabela 4 - Fatores Motivacionais intrínsecosMotivação Conceito Trabalhos RelacionadosIdeologia Ideologia é citada como um dos principais HEMETSBERGER (2004); motivos para iniciar um projeto Open Source. GHOSH, (2005); Pode ser observada com o uso de termos DAVID et al. (2003); como: “Software deve ser livre para todos”, LAKHANI e WOLF (2005); ou “o código aberto deve substituir o HERTEL et al. (2003); software proprietário”. GOSAIN (2006);Altruísmo É a preocupação pelo bem-estar do próximo. OSTERLOH e ROTA (2007); LINDENBERG (2001);   HEMETSBERGER (2004);   HARS e OU (2002);   GHOSH (2005);Prazer e diversão Prazer e diversão são impulsionadores da BENKLER (2002); “cultura hacker” que emergiu na década de OSTERLOH e ROTA (2007); 1980.  LAKHANI e VON HIPPEL (2003); LUTHIGER e JUNGWIRTH (2007); LAKHANI e WOLF (2005);   HERTEL et al. (2003); ROBERTS et al. (2006);Amigos de Sangue É um tipo de organização social, onde cada ZEITLYN (2003);(Kinship família (casta) tende a fazer tudo pelo HEMETSBERGER (2004);Amity) sucesso da própria família, ou dos seus HARS e OU (2002); próprios membros. LAKHANI e WOLF (2005); Adaptado de Von KROGH et al (2008) Tabela 5 - Fatores Motivacionais extrínsecos internosMotivação Conceito Trabalhos RelacionadosReputação A reputação pode ser classificada como: RAYMOND (1998); reputação interna, quando é direcionada aos STEWART (2005); membros da comunidade ou potenciais LERNER e TIROLE (2002); empregadores, e externa vem de fora da OSTERLOH e ROTA (2007); comunidade e de outras pessoas LAKHANI e VON HIPPEL significantes, como amigos. (2003); LATTEMANN e STIEGLITZ (2005); SPAETH et al (2008); LAKHANI e WOLF (2005); HEMETSBERGER (2004); HARS e OU (2002); GHOSH (2005) LAKHANI e WOLF (2005); ROBERTS et al (2006); STEWART (2005); HEMETSBERGER (2004); HERTEL et al (2003);
  30. 30. 30Motivação Conceito Trabalhos RelacionadosReciprocidade / Para o desenvolvimento Open Source a BERGQUIST e LJUNGBERGEconomia da economia da doação faz com que os (2001);doação desenvolvedores distribuam seu código HEMETSBERGER (2004); esperando que haja reciprocidade. LAKHANI e WOLF (2005); DAVID et al (2003); LAKHANI e VON HIPPEL (2003);Aprendizado É a motivação de aprender novas GHOSH (2005); habilidades ou a oportunidade de HEMETSBERGER (2004); experiência de desenvolver software e tê-lo LAKHANI e WOLF (2005); testado e comentado por outras pessoas WU et al (2007); após o lançamento. ROBERT et al (2006) YE e KISHIDA (2003); LAVE e WENGER (1991); RULLANI (2007);Valor de uso É a motivação de criar software para uso RAYMOND (1999);próprio próprio, ou seja, resolver algum problema LAKHANI e VON HIPPEL que os aplicativos atuais não conseguem (2003); resolver de maneira satisfatória. OSTERLOH e ROTA (2007); GHOSH (2005); DAVID et al (2003); HARS e OU (2002); LAKHANI E WOLF (2005); WU et al (2007) ; HARS e OU (2002); HERTEL et al (2003); ROBERTS et al (2006); Adaptado de Von KROGH et al (2008) Tabela 6 - Fatores Motivacionais extrínsecosMotivação Conceito Trabalhos RelacionadosCarreira Os desenvolvedores são motivados por LAKHANI e WOLF (2005); preocupações na carreira. Publicar um HEMETSBERGER (2004); software livre pode mostrar seu talento para WU et al (2007) ; potenciais empregadores, aumentado, HARS e OU (2002); assim, seu valor no mercado de trabalho. ROBERTS et al (2006); GHOSH (2005);Pagamento Uma minoria significativa (aproximadamente LAKHANI e WOLF (2005); 40%) dos colaboradores são pagos para HARS e OU (2002); participar de projetos Open Source. O HERTEL et al. (2003); conceito é semelhante ao de uma empresa LUTHIGER e JUNGWIRTH de software proprietário em que o (2007); desenvolvedor ganha por produção. DAHLANDER AND WALLIN (2006); Adaptado de Von KROGH et al (2008)
  31. 31. 31 2.3 Discussão O trabalho de Von Krogh et al (2008) foi de suma importância para apesquisa realizada, pois forneceu análise bastante abrangente e permitiu aidentificação de uma taxonomia dominante na literatura, utilizada para agrupar osfatores de motivação identificados depois que a codificação ficou pronta. Em suapesquisa, foram encontrados 10 fatores ao todo, sendo dois fatores motivacionaisextrísicos (Carreira e Pagamento), quatro fatores motivacionais intrísicos (Altruismo,Ideologia, Prazer, e Amigos de sangue) e quatro fatores motivacionais extrínsecosinternos (Reputação, Reciprocidade, Valor de uso próprio e aprendizado). Os trabalhos de Wu et al (2008) e Oreg e Nov (2007) fornecem proposiçõesque ajudam a entender melhor algumas questões inerentes ao desenvolvimento desoftware Open Source. Baseado no referencial teórico desenvolvido neste capítulo foi possívelrealizar a pesquisa e escolher uma metodologia a ser utilizada para se obtersucesso na realização da mesma.
  32. 32. 323 MÉTODOS Neste capítulo é exposta a metodologia adotada para a realização destetrabalho. Segundo Pinheiro (2010, p.20), o método científico “É o conjunto deprocessos ou operações mentais que se deve empregar na investigação científica”. 3.1 Natureza da Pesquisa 3.1.1 Quanto aos Fins Esta pesquisa pode ser classificada como descritiva e exploratória. Ela édescritiva, pois visa descrever características de um fenômeno e exploratória porquevisa conhecer inicialmente o tema de estudo. Segundo Pinheiro (2010, p.21), a pesquisa exploratória “visa proporcionarmaior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construirhipóteses”. Ainda segundo este autor, a pesquisa descritiva visa “descrever ascaracterísticas de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento derelações entre variáveis.” Este trabalho tem como principal característica descobrir como os principaisfatores motivacionais que afetam os engenheiros de software no contexto dedesenvolvimento de software Open Source agem na comunidade Android-Brasil-Projetos. 3.1.2 Quanto à Forma de Abordagem Quanto à forma de abordagem, a pesquisa classifica-se como qualitativa,utilizando o paradigma interpretativo-construtivista. Segundo Neves (1996, p.1): A pesquisa qualitativa costuma ser direcionada, ao longo de seu desenvolvimento; além disso, não busca enumerar ou medir eventos e, geralmente, não emprega instrumental estatístico para análise dos dados; seu foco de interesse é amplo e parte de uma perspectiva diferenciada da adotada pelos métodos quantitativos. Desta forma, esta pesquisa busca investigar os fatores que motivam osengenheiros de software na realização do seu trabalho a partir dos relatos dasentrevistas. Além disso, a pesquisa utilizará como abordagem o método indutivo, que,segundo Marconi e Lakatos (2004, p.53), a partir de dados específicos e
  33. 33. 33suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral. Marconi e Lakatos (2004p.54) consideram três etapas para essa abordagem: • Observação dos fenômenos: Observar e analisar os fenômenos, a fim de descobrir as causas da sua manifestação; • Descoberta da relação entre eles: comparar buscando identificar similaridades ou diferenças entre os fatos ou fenômenos, com o objetivo de descobrir relacionamento entre eles; • Generalização da relação: generalizar os relacionamentos encontrados na etapa anterior, entre os fatos e fenômenos semelhantes. A partir de dados coletados de um grupo de participantes deseja-se chegar auma teoria fundamentada, baseada em interpretações e abstrações, objetivandoidentificar os principais fatores motivacionais que afetam os engenheiros de softwareno contexto de desenvolvimento de software Open Source na comunidade Android-Brasil-Projetos. Todavia, neste trabalho não será realizada a generalização darelação. 3.1.3 Quanto aos métodos de procedimentos Conforme Marconi e Lakatos (2004), os métodos de procedimentos sãoetapas mais concretas de uma pesquisa, com uma finalidade mais restrita deexplicação geral dos fenômenos. Para esse trabalho o procedimento adotado foi oestudo de caso. Yin (2005, tradução nossa p. 32) descreve que: “um estudo de caso investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Segundo Runeson e Host (2008), na Engenharia de Software um caso podeser: um projeto de desenvolvimento de software, uma tecnologia, indivíduo, grupo depessoas, um processo, entre outros. Já uma unidade de análise pode ser constituídapor um projeto, indivíduo, grupo, entre outros. De acordo com Yin (2005), este trabalho é um estudo de caso holístico decaso único. Holístico porque a unidade de análise é o engenheiro de software, pois oobjetivo da pesquisa é estudar os fenômenos e aspectos que influenciam a
  34. 34. 34motivação dos indivíduos ligados à área de Engenharia de Software no contextoOpen Source, abrangendo os seguintes perfis nesta categoria: desenvolvedores,mantenedores, contudo, sendo focada nos desenvolvedores. Caso único, no qual éconsiderada a organização como caso representativo, que se deseja investigar osacontecimentos que motivam ou desmotivam os engenheiros de software narealização das suas atividades.3.2 Premissas Este estudo tem como premissa a existência de fatores que influenciam namotivação, em projetos Open Source, dos engenheiros de software relacionados àárea de Engenharia de Software, às atividades técnicas, ao trabalho em equipe,além de aspectos organizacionais que influenciam os indivíduos. Também seacredita que existam indicativos ou sinais percebidos pelos indivíduos quando daocorrência da motivação e que suas ações e comportamento influenciam o resultadodo seu trabalho, assim como, se considera que as ações organizacionais, paramotivar os indivíduos, podem ser influenciadas pelo conceito que a organizaçãoapresenta sobre o tema.3.3 Etapas de pesquisa As etapas de pesquisa utilizadas foram baseadas no trabalho de França et al(2011). Foram feitas alterações no protocolo base para adequá-lo ao contexto deOpen Source. De inicio, foi realizada uma revisão bibliográfica para adquirir umconhecimento maior sobre motivação e desenvolvimento de software Open Source.Com isso, foram encontrados trabalhos que abordavam os seguintes temas:conceitos básicos de motivação e software Open Source, revisões sistemáticas daliteratura envolvendo motivação na Engenharia de Software e motivação no contextoOpen Source. Foram considerados nessa revisão livros, artigos científicos edissertações acadêmicas escritos em Português ou Inglês. Depois desta etapa, foram utilizadas as revisões sistemáticas na literaturasobre motivação na Engenharia de Software e motivação no desenvolvimento desoftware Open Source. A partir destas revisões iniciais, sobre os temas, as questões
  35. 35. 35de pesquisa foram refinadas. Após esta fase foi realizada uma adaptação no roteirode entrevista utilizado por França et al (2011), de forma a enquadra-lo ao contextoOpen Source. Dando sequência a pesquisa, foi realizada a coleta de dados através deentrevistas via Skype8 com envolvidos no desenvolvimento de software OpenSource, a saber: desenvolvedores e mantenedores de projetos da comunidadeAndroid-Brasil-Projetos. Os dados coletados foram transcritos para análise utilizandoos procedimentos da Teoria Fundamentada (Grounded Theory) (STRAUSS;CORBIN, 2008). Com base nesta metodologia, os dados foram codificadosutilizando codificação aberta, codificação axial e codificação seletiva. Comoresultados destes procedimentos foram derivadas preposições e histórias parageração de uma teoria fundamentada nos dados (França et al 2011).3.4 Seleção de sujeitos A seleção de sujeitos foi realizada utilizando o critério de conveniência,abordando indivíduos através da melhor acessibilidade. Os dados adquiridos são dotipo primário, ou seja, foram conseguidos diretamente pelo pesquisador através dastécnicas escolhidas (entrevistas) (GIL, 2008). Foi utilizado a auto-seleção9 de amostragem que é útil quando se querpermitir que os indivíduos possam escolher se desejam participar da pesquisavoluntariamente, todavia os indivíduos não são abordado pelo pesquisadordiretamente(LAERD [s.d]). Para isso foi enviado um e-mail, no dia 07/05/2012, para o Grupo doAndroidBrasil-projetos, perguntado aos membros quem gostaria de participar daspesquisas. Os membros que aceitaram o convite enviaram um e-mail de reposta aopesquisador e foram contatados posteriormente para marcar a entrevista.3.4.1 Entrevista Para o desenvolvimento deste trabalho foram realizadas entrevistas, que, naopinião de Runeson e Host (2008 apud Da SILVA et al 2011), são muito importantes8 Skpe é um software de comunicação de voz e vídeo, para mais informações http://www.skype.com9 Para mais informações sobre auto-seleção: http://dissertation.laerd.com/articles/self-selection-sampling-an-overview.php
  36. 36. 36como fonte de evidências e, de acordo com Seaman(1999 apud Da SILVA et al,2011), são comumente empregadas como técnicas de coletas de dados empesquisas qualitativas. Desta forma, o objetivo das entrevistas foi realizar um levantamento dosfatores que motivavam os engenheiros de software Open Source nodesenvolvimento dos projetos, na execução das suas tarefas, no seu trabalho emequipe, além da percepção dos mesmos sobre características organizacionais queinfluenciavam na sua motivação e desmotivação para o trabalho. Pinheiro (2010 p. 35) define que a entrevista serve para se obter informaçõesdo entrevistado sobre determinado assunto e podem ser divididas comoestruturadas, ou não estruturadas. Queiroz (1988 apud DUARTE, 2002) afirma queexiste mais um tipo de entrevista além dos apresentados por Pinheiro (2010 p.35): aentrevista semiestruturada, que é uma técnica de coleta de dados que supõe umaconversação continuada entre informante e pesquisador que deve ser dirigida poreste de acordo com seus objetivos. Neste estudo de caso, o tipo de entrevista adotado foi o de entrevistasemiestruturada, no qual não existe rigidez no roteiro e algumas questões podemser mais exploradas, bem como, durante entrevista, pode-se decidir por se seguiruma ordem diferente do roteiro, ou seja, não necessariamente todas as questõesprecisam ser feitas e outras podem surgir de acordo com o andamento do processo(SEAMAN, 1999 apud Da SILVA et al , 2011). Assim como no roteiro proposto por Da Silva et al (2011), este trabalho sepreocupou em adaptar as perguntas para que os entrevistados se sintamestimulados a responder as questões de pesquisa, o roteiro original e os roteirosadaptados podem se observados nos Apêndices B e C. Para isso, o roteiro foi desenvolvido de maneira que cada questão do roteirode entrevista fosse classificada segundo um conjunto de seis tipos de questõesconforme, Merriam (2009 apud Da SILVA et al, 2011), de forma semelhante aotrabalho desenvolvido por Da Silva et al (2011). • Experiência e comportamento: Nesta categoria as questões visam obter informações de comportamento ou experiência do entrevistado;
  37. 37. 37 • Opinião e valor: Nesta categoria a intenção é obter a opinião ou crença referente a alguma coisa por parte do entrevistado; • Sentimento: Quando o pesquisador deseja focar na dimensão afetiva humana do participante, procurando adjetivos como respostas, exemplo: alegre, medo, intimidado, comprometimento, distraído, entre outros; • Sensoriais: Tem um foco maior em saber sobre o que o entrevistado ouviu, escutou, entre outros; • Conhecimento: Neste tipo de questão o objetivo é obter do participante o seu conhecimento sobre alguma situação; • Background: Este tipo de questões serve para obter uma visão geral do entrevistado como idade, renda e escolaridade. Da Silva et al (2011) evitou desenvolver alguns tipos de questões, quetambém serão evitadas nessa pesquisa: • Múltiplas questões: Evitar elabora uma série de questões dentro de uma única pergunta, levando o entrevistado a se perder nas respostas e não responder uma por uma; • Questão principal: Evitar perguntar ao entrevistado questões principais da pesquisa; • Questões sim ou não: Evitar elaborar questões que podem ser respondidas simplesmente com um sim ou um não. Para este trabalho foram adaptados dois diferentes roteiros de entrevista queforam desenvolvidos para os perfis de engenheiros de software Open Source,coordenadores/gerentes/lideres de projetos Open Source. Os participantes da pesquisa foram contatados pelo e-mail do grupo.Posteriormente, os que aceitaram participar da pesquisa foram contatados pelo e-mail pessoal com antecedência à realização das entrevistas para marcar um melhordia e horário. As entrevistas não estruturadas foram agendadas e conduzidasutilizando o Skype, de forma individual. No momento da entrevista foi feita aapresentação de detalhes da pesquisa, citando o grupo de pesquisadoresresponsáveis, política de confidencialidade, objetivos e resultados esperados. Foientregue um termo de confidencialidade (Apêndice A) e a coleta de autorização
  38. 38. 38realizada. O pesquisador solicitava autorização verbal para gravar as entrevistas e,se permitido, as entrevistas eram gravadas.3.5 Procedimentos da análise de dados Este trabalho, assim como o desenvolvido por Da Silva et al (2011), adotoumétodos de análise de dados qualitativos, devido a semelhança de abordagem.Segundo Runeson e Host (2008 apud Da Silva et al 2011) e Seaman (1999 apud DaSilva et al 2011), os métodos de uma análise de dados qualitativos podem serdivididos em duas categorias que podem ser utilizadas em estudos de caso. DaSilva et al (2011) justifica a utilização desses métodos a fim de fundamentar osresultados baseados e evidenciados a partir dos dados. • Geração de teoria: Segundo Da Silva et al (2011), é geralmente utilizada com o objetivo de extrair um conjunto de declarações e proposições fundamentadas em dados, a partir de algum trecho de transcrições e refinadas e modificadas sobre outras passagens relacionadas. Da Silva et al (2011 p.44) ainda afirma que: “Estes métodos são frequentemente chamados de “grounded theory” ou teoria fundamentada nos dados, pois as teorias ou hipóteses geradas são fundamentadas nos dados”. Neste trabalho foram usados alguns aspectos de grounded theory que serãomencionados a seguir, todavia pela quantidade de dados, não foram geradoshipóteses e sim proposições, além disso, essas proposições geram indícios de umateoria da motivação que atua somente na comunidade Android-Brasil-Projetos, muitoembora acredita-se que os fatores encontrados possam ser observados em outrascomunidades, eles devem ser mais bem estudados antes de serem aplicados emoutras comunidades.3.5.1 Teoria Fundamentada em Dados (Ground Theory) A abordagem utilizada nesta pesquisa é chamada de Teoria Fundamentadaem Dados. Ela foi desenvolvida por dois sociólogos (Glaser e Strauss) para serutilizada na pesquisa qualitativa. A escolha dessa forma de abordagem se dá pelasua grande aceitação por pesquisadores qualitativos (STRAUSS; CORBIN, 2008).
  39. 39. 39 Easterbrook (2008) acredita que na Teoria Fundamentada em Dados aanálise inicial dos dados é desenvolvida sem categorias pré-estabelecidas, pois ospadrões de interesse relacionados ao contexto da pesquisa emergem a partir decomparações realizadas repetidamente pelo pesquisador a partir dos dadosexistentes. Para Strauss e Corbin (2008), o nome Teoria Fundamentada em Dadossignifica que a teoria foi desenvolvida a partir dos dados, sistematicamentecoletados, e analisados por meio de um processo de pesquisa. Para Da Silva et al (2011), na Teoria Fundamentada em Dados as hipótesessão elaboradas como parte integrante da metodologia e que as hipóteses têm comoobjetivo obter entendimento dos fenômenos, no caso desta pesquisa foram geradasproposições, como abordado anteriormente, e que a abrangência da teoria usadaestá circunscrita ao espaço amostral utilizado, a comunidade Open Source Android-Brasil-Projetos. Kimura et al (2003) acredita que a abordagem metodológica da TeoriaFundamentada em Dados proporciona algumas dificuldades práticas, como, aquantidade de tempo que o pesquisador precisa para proceder à coleta, codificaçãoe o grande volume de dados a serem analisados, a exposição do pesquisador comos participantes para criar um "clima" de interação (Sheldon, 1998 apud Kimura et al2003). Kimura et al (2003) acredita, também, que outro ponto que deve serconsiderado pelo pesquisador é a busca pela eliminação consciente das crençaspreconcebidas a respeito do fenômeno em estudo, a fim de permitir que os dadosapontem a identificação dos conceitos e suas inter-relações, desenvolvendo, dessaforma, uma teoria descontaminada de preconceitos do pesquisador.3.5.2 Procedimento de codificação Os procedimentos de codificação utilizados nesta pesquisa são semelhantesaos utilizados por Da Silva et al (2011) em sua pesquisa. Da Silva et al (2011)acredita que o procedimento de codificação tem como entrada a transcrição naíntegra das gravações de entrevistas e notas de campo obtidas no processo decoleta de dado.
  40. 40. 40 Da Silva et al (2011) ressalta ainda que não é um processo estático e rígido,pois ele é justamente o contrário, já que o pesquisador evolui a sua análise einterpretação dos dados de forma criativa oscilando entre os três tipos decodificação, e na utilização de técnicas e procedimentos analíticos. Os três tipos doprocesso de codificação devem ser encarados como formas diferentes de tratar omaterial nesse caso os dados. (FLICK, 2009 apud Da SILVA et al 2011; STRAUSS ;CORBIN, 2008, p. 67). Existem duas ferramentas analíticas que são importantes para odesenvolvimento de uma teoria e muito utilizadas durante as três etapas decodificação, que tem por objetivo ajudar o pesquisador a entender e reconhecer oque realmente está contido no texto (STRAUSS e CORBIN, 2008; Da SILVA et al ,2011): a) Formulação de perguntas: As perguntas “quem?”, “quando?”, “por quê?”,“onde?”, “o que?”, “como?”, “com que resultados?”, são uteis para o pesquisadorquando ele está com dificuldades durante uma análise sem conseguir enxergarexplicações dos fenômenos. Da Silva et al (2011) ainda destaca que o objetivo daformulação de perguntas não é gerar dados e sim formas e ideias de como olharpara os dados. b) Comparações: É uma maneira que estimula o pensamento do pesquisadorno desenvolvimento de propriedades e dimensões de uma categoria. Comparaçãoincidente por incidente, com o objetivo de identificar propriedades, significa compararum incidente a outro buscando similaridades e diferenças entre eles. Segundo DaSilva et al (2011), durante a análise de dados, esse procedimento é utilizadoquando não se consegue classificar ou nomear um incidente porque ainda não setem um entendimento aprofundado. Utilizando um pensamento comparativo emetáforas o pesquisador pode encontrar situações e propriedades que o ajudem adesenvolver uma categoria.
  41. 41. 413.5.2.1 Codificação Aberta Durante a codificação aberta se dar início ao processo de confrontar osincidentes aplicáveis em cada categoria (GLASER & STRAUSS, 1967 apudCASSIANI et al, 1996). Segundo Cassiani et al (1996), o investigador codifica osincidentes em tantas categorias quanto possível. Todos os dados são passíveis,neste momento, de uma codificação. A codificação é o processo em que os dadossão codificados, comparados com outros dados e designados em categorias. Da Silva et al (2011) afirma que a codificação aberta é uma série de passosanalíticos cuja finalidade é a identificação de categorias com suas propriedades edimensões. Segundo este autor, o passo inicial é a rotulação de conceitos, a partirde porções do texto. Essas porções de texto que foram transcritos recebem umconceito, que é um nome que os representa dentro do contexto da pesquisa,podendo ser uma palavra, uma linha, uma frase ou um parágrafo que foiconceituado a partir da identificação nos dados de incidentes, ideias, eventos, atos,acontecimentos ou fatos (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 103-107; FLICK, 2009,p.277-279 apud Da SILVA et al, 2011). Strauss e Corbin (2008) expõem o conceito como um fenômeno rotulado apartir dos dados, que é a representação abstrata de um fato, ideia ou acontecimentoque o pesquisador julgou importante dentro do contexto da pesquisa. Da Silva et al (2011) explica que a identificação de conceitos linha por linhapara início de uma pesquisa é a mais indicada, já que o pesquisador ainda está seacostumando com os dados e isso o ajuda a entender o que está ocorrendo. Outraindicação para conceituação linha por linha é para algum trecho do texto que nãoestá claro. Outra forma é codificar uma frase ou parágrafo inteiro, dessa maneiradeve-se perguntar e tentar identificar “Qual é a principal ideia revelada por essasentença ou parágrafo?” (STRAUSS e CORBIN, 2008, p. 120). Depois de abrir o texto e identificado alguns conceitos, o passo seguinte doprocedimento é o agrupamento desses conceitos em um conceito mais abstrato, quedeve ter a capacidade de explicar “O que está acontecendo aqui?”. Esseagrupamento de conceitos é identificado como uma categoria. Categorias sãoconceitos mais abstratos derivados dos dados que representam um fenômeno (um
  42. 42. 42problema, uma questão, preocupações ou assuntos) que tem a capacidade deexplicar “O que está acontecendo aqui”? (STRAUSS; CORBIN, 2008; FLICK, 2009apud Da SILVA et al , 2011). As categorias descobertas devem ser desenvolvidas em termos de suaspropriedades e dimensões. Um exemplo utilizado para representar isso é o conceitode cor. Suas propriedades podem ser tonalidade, intensidade e matiz. Onde cadauma dessas propriedades pode ser dimensionada. Uma tonalidade mais clara oumais escura, uma intensidade maior ou menor. (STRAUSS e CORBIN, 2008;FLICK, 2009 apud Da SILVA et al, 2011). Da Silva et al (2011) acredita que no finalda codificação aberta o resultado dever ser uma lista de códigos e categorias comsuas propriedades e dimensões. Para complementar, o pesquisador pode se utilizarde memorandos e anotações a fim de explicar e registrar suas observações epensamentos sobre cada categoria gerada.3.5.2.2 Codificação Axial Segundo Da Silva et al (2011), após a codificação aberta, deve ser feita umacodificação axial, que tem como objetivo relacionar as categorias resultantes dacodificação aberta com às suas subcategorias para que se tenha um maior poderexplanatório sobre os fenômenos. Da Silva et al (2011) afirma que subcategoriassão categorias, porém no lugar de representar um fenômeno, elas têm a capacidadede responder as seguintes perguntas sobre os fenômenos (“de que forma?”,“quando?”, “como?”, “por quê?”, “para que?”, “com que consequências?”, entreoutros). Ao identificar essas subcategorias, começa-se a descobrir relações entre ascategorias de forma a contextualizar melhor o fenômeno estudado (STRAUSS;CORBIN, 2008; FLICK, 2009 apud Da SILVA et al, 2011). Strauss e Corbin (2008) apresentaram um mecanismo analítico conceitual emrelação aos dados para organizar a formulação desse relacionamento chamadoparadigma. Segundo Da Silva et al (2011), a ideia desse mecanismo é apoiar oesclarecimento e a identificação das relações entre um fenômeno, identificandosuas causas, consequências e estratégias de ações envolvidas. Os termos utilizadosno paradigma fornecem uma linguagem familiar e lógica facilitando a discussão. A
  43. 43. 43seguir serão apresentados os termos de acordo Strauss e Corbin (2008) e Flick(2009 apud Da SILVA et al, 2011):• Fenômeno: Na codificação, fenômeno é uma categoria que responde apergunta “o que está acontecendo aqui?”, são padrões de acontecimentos, fatos ouações que as pessoas, ou grupo de pessoas, fazem respondendo a situações ouproblemas nas quais elas estão envolvidas.• Condições: Agrupamento de conceitos com respostas a questões do tipo:"como", "por que", "quando", "de que forma". Forma uma estrutura contextual, ouconjunto de situações ou circunstâncias na qual os fenômenos estão envolvidos.• Ações/interações: Surgem a partir das condições. São respostasestratégicas, ou rotineiras das pessoas, grupo de pessoas ou organizações aproblemas, acontecimentos ou fatos.• Consequências: São os resultados (consequências) das ações/interações.Sempre que acontece uma ação/interação ou a ausência delas, seja por umapessoa, grupo ou organização em relação algum problema, questão ou evento, háalguma consequência envolvida. Entender essas consequências bem como a formacomo elas alteram o fenômeno possibilita a obtenção de explicações mais completassobre o fenômeno Quando se identificam a relação entre as categorias e a associação com suassubcategorias, junto com a utilização do mecanismo paradigma, o pesquisadorcomeça a identificar o que são condições, ações/interações e consequências.3.5.2.3 Codificação Seletiva De acordo com Da Silva et al (2011), o último passo do processo decodificação é a codificação seletiva, que tem como objetivo integrar e refinar ascategorias a fim de descrever uma teoria final. Essa descrição da teoria se dáatravés da identificação e do relacionamento de uma categoria central com asdemais categorias identificadas em todo o processo. Da Silva et al (2011) afirma que a primeira coisa a se fazer na codificaçãoseletiva é a identificação da categoria central. A categoria central, ou categoriabásica, representa o tema principal da pesquisa e, assim como as demaiscategorias, é uma abstração que emergiu dos dados. Da Silva et al (2011) afirma,
  44. 44. 44ainda, que essa categoria tem um grande poder analítico, pois tem uma capacidadede reunir e de se relacionar com as outras categorias e, dessa forma, obtém umpoder explanatório ao seu redor. Uma técnica para a descoberta dessa categoria éredigir, em poucas linhas, uma história descritiva da pesquisa com o foco sobre “Oque parece estar acontecendo ali?”, “Qual a principal questão ou problema com oqual essas pessoas parecem estar lidando?”. Um retorno aos dados para reler asentrevistas ajuda nessa identificação (STRAUSS;CORBIN, 2008, p.146-148; FLICK,2009 apud Da SILVA et al, 2011). Strauss e Corbin (2008) explicam que após essa identificação da categoriacentral o pesquisador escreve novamente uma história, mas, desta vez, utilizando asdemais categorias existentes e os relacionamentos com a categoria central. A partirdessa história emerge a teoria final da pesquisa. Da Silva et al (2011, p.53) afirma que “Uma vez seguida sistematicamente àmetodologia e o desenvolvimento do modelo teórico é necessário refinar e validar oesquema teórico”. O refinamento da teoria consiste em complementar categoriasmal desenvolvidas, podendo inclusive voltar a campos para isso. No refinamento dateoria podem-se encontrar excessos de dados e conceitos estranhos que nuncaforam desenvolvidos, quando isso é verificado, esses excessos devem ser deixadosde lado (STRAUSS e CORBIN, 2008, p.155-157).3.6 Limitações Os objetivos da pesquisa foram alcançados, todavia existiu dificuldade principalmente na questão das realizações de entrevistas, já que essa etapa depende bastante dos membros participantes da comunidade Android-Brasil- Projetos, que possuem diversas tarefas durante o dia e tem seu tempo limitado. As entrevistas foram realizada via Skype devido a dispersão dos membros que estão localizados em várias partes do Brasil, o que também dificultou na realização do processo. Inicialmente foram obtidos 8 respostas positivas para realização das entrevistas, contudo, somente 4 pessoas responderam positivamente em relação ao horário da entrevista e estiveram disponíveis no Skype para participar no horário marcado. Devido à limitação de tempo, o número de entrevistados se restringiu a quatro integrantes.
  45. 45. 453.7 Discussão Utilizar uma metodologia baseada no trabalho de Da Silva et al (2011) facilitou no desenvolvimento do trabalho e na obtenção dos resultados propostos, vale salientar também que a mesma metodologia foi utilizada em outros trabalhos como o de Carneiro (2011). Apresentada a metodologia proposta, no próximo capítulo os dados serão analisados das proposições e da teoria, utilizado com a utilização o roteiro adaptado (Apêndices B e C).4. Resultados Nesse capitulo serão descritos os resultados da codificação Aberta, Axial eSeletiva que foram obtidos com as entrevistas realizadas na comunidade Android-Brasil-Projetos. Primeiro será apresentada a descrição do contexto para queposteriormente sejam apresentados os relatos dos resultados da codificação aberta,os resultados da codificação axial, com as proposições geradas, e os resultados dacodificação seletiva, com a geração da teoria e, por fim, uma avaliação dosresultados. As perguntas que foram realizadas nas entrevistas podem serobservadas no Apêndice B (Mantenedor) e no Apêndice C (Engenheiros deSoftware), juntamente com as perguntas originais desenvolvidas por Da Silva et al(2011).4.1 Descrição do Contexto O grupo Android-Brasil-Projetos no Google Groups10 foi criado em dezembro de 2010 com o intuito de fazer a comunidade Android crescer e desenvolver projetos de software Open Source. Esse grupo é formado por pessoas interessadas em desenvolver aplicações de código aberto, de forma bem documentada e seguindo padrões de projetos. Qualquer um, mesmo que não saiba programar, pode participar propondo projetos e testando os programas. A lista tem cerca de 530 e-mails cadastrados, contudo não significa dizer que esse número é de pessoas ativas, pois os usuários podem cadastrar mais de um e-10 Ferramenta para criação de grupos virtuais do Google.

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