Livro A Missão das Irmãs de S.José de Chambéry

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Livro A Missão das Irmãs de S.José de Chambéry na Santa Casa de São Paulo

Pesquisa: Maria Nazarete de Barros Andrade

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Livro A Missão das Irmãs de S.José de Chambéry

  1. 1. 1 Choupana de Anchieta Século XVI Igreja da Misericórdia Século XVII e XVIII Chácara dos Ingleses Século XIX Chácara do Arouche Século XIX, XX e XXI
  2. 2. 2 IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBERY NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO DADOS DA EDITORA: Impressão ISBN Gráfica Patrocínio: Dr. Antonio Cleidenir Tonico Ramos Irmão Mesário da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
  3. 3. 3 Roda dos Expostos - 1825 a 1950 Mesmo desativada continuou recebendo até 1960
  4. 4. 4 TRABALHO DE PESQUISA Autoria de Maria Nazarete de Barros Andrade - Coordenadora do Museu Augusto Carlos Ferreira Velloso e da Capela da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo COLABORADORES: Elizabete Eduarda Simões - Estagiária Priscila Alves da Silva - Aprendiz Luiz de Camões Vita Argolo - Jornalista Dr. Luiz Sampaio Gouveia - Irmão Mesário da Irmandade da Santa Casa de São Paulo Dr. Pedro Jabur - Clínica Médica da Irmandade da Santa Casa de São Paulo Irmã Cristiana do Coração de Maria Irmã Delta Toyama Irmã Rosa Guedes Irmã Satiko Yamaguchi Irmã Judith Maria Muniz Irmã Luiza Carolina Rocha da Silva Irmã Maria de Lourdes Martins Sylvestre
  5. 5. 5 Agradecimentos Adriana Dinis Campos - Gerente de Comunicação da Santa Casa de São Paulo Terezinha Nogueira Carvalho Solange Blanco Magali de Oliveira Paula Souza - Diretora de Enfermagem da Santa Casa de São Paulo Fotógrafos: Dr. Toshio Mochida - Médico Radiologista da Irmandade da Santa Casa de São Paulo Márcio Sayeg Lucia Mindlin Loeb
  6. 6. 6 Sumário IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO E A OBRA DE CARIDADE DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY ..................................................................................................................9 PREFÁCIO.............................................................................................................................................10 MADRE THEODORA VOIRON................................................................................................................14 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................................20 EXEMPLO DE VIDA, DE CARIDADE E DE MISERICÓRDIA, CUIDANDO DOS ENFERMOS E ABANDONADOS............................20 A ORIGEM DAS IRMÃS .........................................................................................................................23 A CHEGADA DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NO BRASIL ........................................................26 ORAÇÃO....................................................................................................................................................35 HINO A MADRE MARIA THEODORA VOIRON ....................................................................................................35 VIRGEM MARIA SANTÍSSIMA...............................................................................................................37 SANTA CASA DE SÃO PAULO - BRASIL COLONIAL .................................................................................38 INÍCIO DA OBRA DE CARIDADE COM RELIGIOSOS.................................................................................................38 PE . JOSÉ DE ANCHIETA ................................................................................................................................39 PADRE MANOEL DA NÓBREGA.......................................................................................................................39 CACIQUE TIBIRIÇÁ (OU TEVEREÇÁ)..................................................................................................................41 COMPROMISSO DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DA IMPERIAL CIDADE DE SÃO PAULO........................................42 VIRGEM MARIA SANTÍSSIMA.........................................................................................................................42 IGREJA DA MISERICÓRDIA ...................................................................................................................43 SÉCULO XVII E XVIII..............................................................................................................................43 A MISERICÓRDIA E AS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY NA SANTA CASA DE SÃO PAULO...............46 DR. ANTONIO DE CAETANO DE CAMPOS..........................................................................................................48 AS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBERY: DA SAÚDE PÚBLICA A ASSISTÊNCIA SOCIAL...........................50 OBRAS DA MISERICÓRDIA....................................................................................................................52 HOSPITAL DA GLÓRIA ..........................................................................................................................53 CHÁCARA DOS INGLESES - FATOS IMPORTANTES................................................................................................54 MARIA ARSÊNIA BERTHET: A EXÍMIA DIRETORA..................................................................................56 ASYLO DOS EXPOSTOS E A RODA DOS ENJEITADOS .............................................................................58 DR. LUCAS ANTONIO MONTEIRO DE BARROS ...................................................................................................59 RODA DOS EXPOSTOS ..................................................................................................................................59 IRMÃ ÚRSULA ............................................................................................................................................60 PRIMEIRO EXPOSTO .....................................................................................................................................62 ULTIMO EXPOSTO........................................................................................................................................65 IRMÃ MARIA AUXILIADORA MAGNANI............................................................................................................67 DR. FRANCISCO ANTONIO DE SOUSA QUEIROZ .................................................................................................68 MADRE JOANNA PHILOMENA........................................................................................................................70 DR. SYNÉSIO RANGEL PESTANA .....................................................................................................................75 DR. JOÃO MAURÍCIO DE SAMPAIO VIANNA......................................................................................................79
  7. 7. 7 IRMÃ MARIA ANGELINA ROULLIER. ................................................................................................................79 AS IRMÃS NO ENSINO EDUCACIONAL PAULISTA: O EXTERNATO SÃO JOSÉ..........................................81 IRMÃ MARIA SIMPLICIANA RAFFIN .................................................................................................................86 ASYLO DE MENDICIDADE: A ABNEGAÇÃO AO PRÓXIMO......................................................................94 AMÉRICO BRASILIENSE DE ALMEIDA MELLO FILHO ............................................................................................95 IRMÃ LUIZA CAROLINA ROCHA DA SILVA........................................................................................................101 HOSPITAL DOS LÁZAROS....................................................................................................................103 DR. JOSÉ LOURENÇO DE MAGALHÃES ...........................................................................................................107 DR. EMÍLIO MARCONDES RIBAS...................................................................................................................114 SANATÓRIO VICENTINA ARANHA ......................................................................................................116 MADRE PAULA DE SÃO JOSÉ ALMEIDA CARDOSO ............................................................................................118 LEPROSÁRIO SANTO ÂNGELO ............................................................................................................120 ASYLO SANTO ANTÔNIO DE ARARAS E AS MISSIONÁRIAS DE JESUS CRUCIFICADO DE CAMPINAS ....122 HOSPITAL CENTRAL............................................................................................................................128 ARCIPRESTE CÔNEGO JOÃO JACYNTO GONÇALVES DE ANDRADE.........................................................................128 QUADRILÁTERO DA SANTA CASA DE SÃO PAULO.............................................................................................130 BRASÃO DA SANTA CASA DE SÃO PAULO .......................................................................................................132 CAPELA NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA E AS IRMÃS DE CARIDADE................................................................136 VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA...................................................................................................................140 NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA .............................................................................................................140 EXTERNATO SANTA CECÍLIA...............................................................................................................144 ATIVIDADES E MISSÃO DAS IRMÃS ....................................................................................................148 REFEITÓRIO DA COMUNIDADE DAS IRMÃS......................................................................................................149 IRMÃS DE SÃO JOSÉ NA PASTORAL................................................................................................................151 REUNIÃO DA COMUNIDADE DAS IRMÃS .........................................................................................................152 LAVANDERIA ............................................................................................................................................154 ENFERMARIAS ...................................................................................................................................157 MADRE MARIA EUGENIA JANIN...................................................................................................................165 DR. ARNALDO AUGUSTO VIEIRA DE CARVALHO...............................................................................................166 IRMÃ MARTA ALEXANDRA VAGNOTI.............................................................................................................179 COZINHA .................................................................................................................................................182 IRMÃ AMBROSINA.....................................................................................................................................184 RESIDÊNCIA DAS IRMÃS ..............................................................................................................................186 ESCOLA DE ENFERMAGEM S. JOSÉ.....................................................................................................191 MADRE DOMINOEUC.................................................................................................................................199 IRMÃ MARIA GABRIELA NOGUEIRA ..............................................................................................................200 IRMÃ LUIZA DO CORAÇÃO DE MARIA ............................................................................................................202 PAVILHÃO CONDESSA ANNIE ÁLVARES PENTEADO - PEDIATRIA........................................................203 IRMÃ URSULINA DE MARIA IASI ...................................................................................................................206 IRMÃ MARGARIDA MARIA BANNWART .........................................................................................................210
  8. 8. 8 INSTITUTO ARNALDO VIEIRA DE CARVALHO......................................................................................213 IRMÃ NARCISA - A MILAGROSA ...................................................................................................................214 IRMÃ FERNANDA.......................................................................................................................................215 PAVILHÃO FERNANDINHO SIMONSEN ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA ...........................................217 IRMÃ APPARECIDA PRISNITY........................................................................................................................219 IRMÃ DELTA TOYAMA................................................................................................................................221 IRMÃ CRISTIANA DO CORAÇÃO DE MARIA......................................................................................................225 DR. EURYCLEDES DE JESUS ZERBINI...............................................................................................................226 ROUPAS DO HÁBITO DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBERY.............................................................................228 PAVILHÃO CONDE DE LARA ...............................................................................................................229 IRMÃ ROSA GUEDES ..................................................................................................................................230 DIVISÃO DE ENFERMAGEM................................................................................................................232 IRMÃ JUDITH MARIA MUNIZ.......................................................................................................................234 IRMÃ CELITA FONSECA...............................................................................................................................235 IRMÃ MARIA JOSÉ DO NASCIMENTO.............................................................................................................236 DEPARTAMENTO DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA ...........................................................................237 IRMÃ MARIA DE FÁTIMA ............................................................................................................................238 IRMÃ SATIKO YAMAGUCHI ..........................................................................................................................239 IRMÃ EULÁLIA IASI ....................................................................................................................................241 FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO ...................242 COLÉGIO SANT’ANA...........................................................................................................................246 HOMENAGENS RELIGIOSAS................................................................................................................249 OS RELIGIOSOS E A IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO .......................253 CAPITÃO MOR DOM SIMÃO DE TOLEDO PIZA ................................................................................................253 DOM FREI ANTONIO DA MADRE DE DEUS ......................................................................................................254 DOM LUIZ ANTONIO DE SOUZA BOTELHO MOURÃO (MORGADO DE MATHEUS)...................................................255 DOM FREI MANUEL DA RESSURREIÇÃO .........................................................................................................256 DOM MATHEUS DE ABREU PEREIRA .............................................................................................................257 DOM MANUEL JOAQUIM GONÇALVES DE ANDRADE ........................................................................................258 ARCIPRESTE CÔNEGO JOÃO JACYNTO GONÇALVES DE ANDRADE.........................................................................259 RELIGIOSOS COMO IRMÃOS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO............................................................261 MONSENHOR EZECHIAS GALVÃO DA FONTOURA.............................................................................................261 DOM ERNESTO DE PAULA...........................................................................................................................261 DEPOIMENTOS...................................................................................................................................264 ANINHA ..................................................................................................................................................264 DRª. HELENA MÜLLER ...............................................................................................................................266 GLAUCO CARNEIRO ...................................................................................................................................269 DR. TOSHIO MOCHIDA...............................................................................................................................270 MUSEU DA IRMANDADE E O RESGATE DA HISTÓRIA .........................................................................271 IRMÃS NO MUSEU DA SANTA CASA DE SÃO PAULO..........................................................................................277 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................................................279
  9. 9. 9 IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO E A OBRA DE CARIDADE DAS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBÉRY
  10. 10. 10 Prefácio Já estava na hora de alguém contar a história das Irmãs de São José, uma congregação que tem como princípios básicos o desprendimento, a devoção, a caridade e o amor ao semelhante. As Irmãs têm muita ligação com a Santa Casa de São Paulo, com o extinto Colégio São José, no bairro da Liberdade; com as crianças enjeitadas na “Roda dos Expostos”. E tudo isso tem muito a ver com a autora deste livro, Maria Nazarete, coordenadora do Museu e da Capela da Santa Casa de São Paulo. Ninguém melhor do que ela para nos revelar a saga das religiosas. Maria Nazarete é uma pesquisadora dedicada, incansável. Quem conhece o Museu da Santa Casa, localizado dentro do Hospital Central, na Vila Buarque, aqui em São Paulo, pode avaliar a seriedade e o cuidado de suas pesquisas. Neste livro, ela não deixou escapar nada da vida das Irmãs de São José, cuja comunidade foi fundada no século XVII, pelo jesuíta Jean Pierre Médaille, em Puy, pequena cidade francesa. As Irmãs de São José mesmo na França, nunca tiveram vida fácil. No período da Revolução Francesa muitas foram presas e algumas morreram como mártires. Após a Revolução, elas se espalharam pelo mundo. Das sete primeiras que vieram para o Brasil, uma morreu na viagem. Aqui em São Paulo, as religiosas dirigiram o Hospital da Santa Casa, participaram da fundação do Colégio São José, só para moças, que não existe mais; tomaram conta do Hospital dos Lázaros; deram assistência aos tuberculosos e leprosos pobres; entre outros tantos trabalhos. A história da filantropia e da generosidade para com outrem passa obrigatoriamente pelas Irmãs de São José O livro é escrito de forma muito objetiva, com depoimentos, fotos. É uma obra enriquecedora, que traz à luz de nossos dias o trabalho desenvolvido
  11. 11. 11 por essas mulheres abnegadas, cujo altruísmo é uma marca de todas as suas ações. Uma lição de caridade e de amor desinteressado ao próximo. Dr. Kalil Rocha Abdalla Provedor da Santa Casa de São Paulo Amigo das Irmãs de São José de Chambery
  12. 12. 12 Irmãs da Congregação de São José de Chambery na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Fotografia de 1898, tirada na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, ao lado esquerdo da Capela Nossa Senhora da Misericórdia. Santa Casa de Paulo
  13. 13. 13 Madre Theodora Voiron 1ª A contactar com a Irmandade
  14. 14. 14 Madre Theodora Voiron Temas me foram postos à disposição pelo gentilíssimo convite dos responsáveis pelo Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, para que fosse possível a escolha sobre o que escrevesse, a conter-se neste trabalho. Os assuntos teriam pertinência com pessoas, objetos ou fatos que são guardados por esta meritória Instituição, cujo Museu é denodada iniciativa de seus Irmãos em Misericórdia e gentilíssimos funcionários que a eles se vinculam, em messe de extremo valor e empenho absolutamente admirável e valoroso. Preferi escrever sobre Madre Theodora. A razão está em anos maravilhosos de construção de minha vida, que passei na rua que lhe leva o nome, em prédio, em que mantive escritório, em conjunto com grandes amigos, na convivência saudosa e alegre de companheiros que partiram e que em verdade, não os tenho por perdidos e porque ainda estão, em que pesem falecidos, na mais saudosa recordação de meu coração, em presença eterna, enquanto eterno eu possa ser. Dessa casa – em que certamente contei com as bênçãos de Madre Theodora – dali saí para conhecer minha mulher, Eliana Brossi, a quem reputo a luz que me guia na escuridão dos meus caminhos de luta, sempre perseverando na busca de um ideal, que nem bem sei qual seja, mas que nasceu nos meus sonhos de meninice dos pomares e dos frondosos mangueirais de minha infância inesquecível, no calor afetuoso de minha terra de Santa Cruz do Rio Pardo, local em que vivi até meus dez anos, de lembranças imorredouras, em que pese tenha nascido paulistano e aqui viva há cinquenta anos. Ali na Madre Theodora, as energias eram de extrema positividade. De que não posso jamais esquecer, ser de lá o lugar de onde partiram também, duas
  15. 15. 15 pessoas muito importantes na minha vida e pensamento. Fato que somente soube há muito pouco tempo. Estaria eu na Madre Teodora a colher suas positivas energias anímicas? Quem sabe? Lá muita coisa marcou minha vida. Embora muitas ainda eu preserve no recôndito sigiloso de minha alma. Esperando em Deus, tirar entendimento para o quê ainda eu precise compreender e ajustar. Vejam então que importante, para mim, escrever sobre Madre Maria Theodora Voiron. De um amigo santista, ouvi a ternura que sua mãe destinava a esta senhora. Fé que tivera em seus milagres. Voltando para o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em que menino o frequentava nas tertúlias de Brasil Bandechi, Licurgo de Castro Santos Junior (ou Filho?), Odilon Nogueira de Matos e Ernâni Donato, dentre outros, lá conheci Roberto Machado Carvalho, que me levou, com minha sogra, Therezinha e minha mulher, para conhecer Itu – em verdade, quem não conhece Itu? – assim, sobretudo, a fim de ver locais para peregrinação daquela sobre quem ele escrevera “A GLORIFICAÇÃO DA SERVA DE DEUS”, Madre Maria Theodora Voiron. Os sentimentos foram os mais agradáveis possíveis, para todos nós, reafirmando a sensação de bem estar que a simples lembrança da Madre Theodora sempre me inspirou. Dali em diante, também para minha sogra e esposa. Entretanto, se do ponto de vista subjetivo, me inspiram principalmente estes valores, transcendentalmente, o desafio do mistério da santidade, neste momento de reversão a uma prática católica, ainda reflexiva, talvez tenha sido a mais marcante motivação desta minha iniciativa em escrever sobre Madre Theodora.
  16. 16. 16 O que leva uma pessoa, como, por exemplo, o taumaturgo de Assis, Francisco, servo de Deus, a despir-se das vaidades do mundo e ornar-se com as vestes do espírito, despojando-se das ilusões da vida, para penetrar nas ilusões da alma e ainda assim continuar a viver em uma sublime lição, para a existência, em que, sem dúvida, o exemplo que fica é para a vida? Como pode em um tempo de absoluta materialidade, um ser humano, atingir dimensões da sensibilidade, que a nós, enquanto integralmente matéria, não nos é dado sentir? Por que uma pessoa ultrapassa o limiar da percepção sensorial e passa a viver, exatamente, a sentir-se e a agir em vida, como se fosse um anjo? Superar os sentidos é fácil, o faquir o faz. Difícil é superar os sentidos e reverter para a vida, como os Santos fazem, em êxtase espiritual. Fazendo desta ascese um ato motivado em amor, integração e interação com a energia de Deus e em prol da Humanidade, por amor ao próximo. Não quero e não posso especular sobre qual seja a razão de ser da Santidade. Muito menos sobre o processo da Igreja Católica Apostólica Romana, que conduz um ser humano a este patamar. Entretanto, fascinam-me as lições que se podem tirar dessas vidas que se são incomuns, de fato, são exemplos, para nós comuns, do quanto podemos ser mais do que comuns, para nós próprios e para os comuns de nossas comunidades. Buscando máximas e conselhos de Madre Maria Theodora Voiron, atrai- me por esta: “Mostremos o rosto, que é de todos, sempre sereno, embora chore o coração que é tão somente nosso.” A doação que está neste anexim, talvez seja a superação do egoísmo, sem a anulação da individualidade, em que, certamente, está a chave para a superação de um mundo, que se perde no individualismo das individualidades e no esquecimento da Humanidade, de que o ser é o cosmos. De que o indivíduo é todo ele coletividade. De que a coletividade
  17. 17. 17 está no senso de Deus. Que por tudo isto é uno, único e total. Como dizia Santo Agostinho, o continente de todas as coisas, que é contido por nenhuma. A Força além do Cosmos. Quando vim para a Santa Casa de Misericórdia, pelas mãos de Kalil Rocha Abdalla, em iniciativa pretérita que fora do inesquecível José Celestino Bourroul, deram-me a palavra em missa inaugural. Inspirou-me, uma dicção, “o amor de Cristo nos uniu”, de um excerto litúrgico, em minha peroração. Sou feliz por ter tido este estímulo e quero estender esta sensação a todos os meus Irmãos em Misericórdia, compartilhando a compreensão da razão de nossa união e unidade, neste trabalho, que pode muito bem exprimir a razão de nossos dias. Pois bem, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo é inseparável da vida de Madre Maria Theodora Voiron. Em 1872, a Administração da Irmandade entregou às abnegadas Irmãs da Congregação de São José, a que pertenceu Madre Maria Theodora, a direção de seus hospitais, sob a liderança dela. Pouco mais precisa ser escrito, para se ter a real dimensão do esforço desta mulher. Somente quando se vê a travessia do tempo, que a superação destes anos propiciou, até os nossos dias, conservada esta Casa para os deveres das gerações futuras, entende-se o esforço de Madre Theodora e das Irmãs de São José. Foram e são elas importante colaboração para o bem estar de nossos doentes. Quanto de santidade há de existir nessas bondosas Irmãs, como Madre Theodora, que exprimem em seus semblantes o sorriso que consola, quando em seus corações ainda podem estar marcas dos sofrimentos de seus seres? Assim, falar do Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e de Madre Maria Theodora Voiron, é falar um pouco do muito que isto tudo
  18. 18. 18 explica. Justifica porque há neste museu lembranças de Madre Maria Theodora Voiron. Na Igreja Católica Apostólica Romana existe um processo formal para elevar uma pessoa ao estágio do reconhecimento de sua santidade. O sujeito deste processo pode ser destacado com os títulos de Venerável, Beato e Santo. Cada um deles corresponde a um estágio do processo em que o ápice é o estado de Santo. Um Santo tem representação nos altares da Igreja e seu exemplo pode ser cultuado pelos fiéis, porque teve confirmadas em regular processo investigativo suas excepcionais virtudes humanas. Madre Maria Theodora Voiron percorre este caminho. Desde já como Venerável. Há de ser Beata e certamente, Santa. Como será reconhecida. Sob as ogivas desta Casa, em que tanto sofrimento e santidade convivem, temos, certamente, a vida e o espírito de uma Santa. Importa, assim, com ela e por ela orar. “Ó Jesus, Divino Salvador e Redentor nosso, pelos merecimentos infinitos de vosso Sacratíssimo Coração, por intercessão de vossa Mãe Imaculada e de seu caríssimo Esposo, dignai-vos glorificar a vossa piedosa e humilde serva, Madre Maria Theodora Voiron, elevando-a à honra dos altares. Pelo vosso entranhável amor às almas que se desabrocham para a vida, concedei à juventude, na pessoa de Madre Maria Theodora, mais uma intercessora no céu e, na terra, mais um modelo vivo de humildade e espírito de apostolado. Glorificai, Senhor, glorificai a vossa serva, para que mais se alargue o reinado do vosso Coração Santíssimo, pelo zelo e dedicação das pessoas que vos são consagradas. Ó minha Mãe Santíssima, ó glorioso São José, que fostes o guia e a inspiração constante de Madre Maria Theodora, alcançai-nos a graça que por sua intercessão vos pedimos, para maior glória de Deus, santificação da juventude e aumento das vocações religiosas. Amém.”
  19. 19. 19 Por amor à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O amor de Cristo nos uniu. Ave Maria! Dr. Luiz Antonio Sampaio Gouveia Irmão Mesário da Irmandade da Santa Casa de São Paulo Um homem de muita fé
  20. 20. 20 Introdução Exemplo de vida, de caridade e de misericórdia, cuidando dos enfermos e abandonados. O que é misericórdia? Por definição de vocabulário, misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia; a expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). Mas o que impulsionou tal sentimento nesta grandiosa Instituição de caridade que é a Santa Casa de São Paulo? Para isto, é necessário que retornemos um pouco mais ao tempo, para fragmentar a história e entender esta capacidade de compadecer e poder sentir aquilo que a outra pessoa sente. Em 1498, Lisboa, a jovem e viúva Rainha de Portugal Leonor de Lancaster, juntamente com seu confessor Frei Miguel de Contreras, institui as Misericórdias na Europa, com intenção de amparar os necessitados e sofredores. Ao aportarem em terras brasileiras, mais precisamente em São Paulo, os Jesuítas Pe. José de Anchieta e Pe. Manoel da Nóbrega tiveram como missão catequizar os índios evocando as graças divinas através das ideologias pregadas pela Instituição da Misericórdia. Sendo assim, a primeira sede da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi a própria choupana de Anchieta, uma casinha extremamente simples, mas regada de amor e compaixão ao próximo, com os religiosos Anchieta e Nóbrega na cura dos enfermos e catequizando os índios. No Séc. XVII e XVIII, a Santa Casa passou a funcionar na Igreja da Misericórdia, um local propício ao acolhimento ao sofrimento humano. Nesta casa de Deus, os religiosos ficavam a cargo de dar conforto a alma
  21. 21. 21 das pessoas e alívio aos males do corpo, deu-se início assim, a infinita preocupação com a saúde do necessitado. No início do Século XIX, a Santa Casa de São Paulo muda-se para a Chácara dos Ingleses, um local mais adequado para o trato aos enfermos, passando a denominar-se Hospital de Caridade, hasteando a bandeira da Misericórdia como slogan de sua missão. Nesta casa singela, o Cirurgião Dr. Caetano de Campos - primeiro médico da Irmandade - juntamente com o então Provedor da Santa Casa Dr. Antonio da Silva Prado, Barão de Iguape, idealizaram, em 1864, a vinda diretamente da França das digníssimas Irmãs de São José de Chambery. O projeto foi muito bem quisto, sendo oficialmente realizado em 1872. A partir daí deu-se início a uma nova Era na Santa Casa, um novo caminho que seria percorrido através de mãos firmes e almas caridosas. As Irmãs de São José de Chambery, criaturas quase divinas, muito contribuíram na formação da Irmandade da Santa Casa de São Paulo, vivendo em prol de acalentar almas inquietas, enfermas e desamparadas. Em 1884, data da Inauguração do novo Hospital do Arouche, as Irmãs de São José já dirigiam o Hospital de Caridade. Ao lado dos Provedores, Médicos, Diretores Clínicos e funcionários, as Irmãs realizavam todo o tipo de serviço, seja na cozinha, lavanderia, escrituração, enfermaria e vida espiritual, sempre com as irmãs de caridade. A cada sonho idealizado e a cada novo prédio construído, as Irmãs de São José tiveram efetiva colaboração para o funcionamento dos Hospitais, Asylos e Escolas, como Asylo dos Expostos; Externato São José; Asylo de Mendicidade; Hospital dos Lázaros; Externato Santa Cecília; Hospital Vicentina Aranha; Leprosário Santo Ângelo; Escola de Enfermagem e Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; alem dos pavilhões internos do Hospital Central: Pavilhão Conde de Lara, Pavilhão
  22. 22. 22 Condessa Annie Álvares Penteado, Pavilhão Fernandinho Simonsen, Centro Médico e Instituto Arnaldo Viera de Carvalho. Devemos muito a essas criaturas de coração generoso, dócil e amabilíssimas, a Cidade de São Paulo deve muito a elas. Bem aventurada, as Irmãs foram e são venerados espíritos com a exclusiva missão de se doar ao próximo cuidando dos pobres flagelados da fome e das epidemias, praticando a indulgencia, as obras da misericórdia, a piedade e a bondade... Suas vocações divinas.
  23. 23. 23 A origem das Irmãs A Congregação das Irmãs de São José de Chambéry, foi iniciada na França, na cidade de Le Puy, em 15 de outubro de 1650, pelo Pe.Jean Pierre Medaille, sacerdote jesuíta. Cidade de Le Puy-en-Velay. Do alto do Monte Corneille está a colossal estátua de Nossa Senhora de França, dominando a cidade. Foi Feita com 231 canhões fundidos, tomados ao inimigo, na Guerra Criméia.
  24. 24. 24 Em meados da Revolução Francesa, a sociedade vivia em calamidade, os hospitais eram desorganizados, os asilos fechados; crianças, velhos, doentes e inválidos famintos vagando pelas ruas. Diante desse quadro, pessoas caridosas como, São Francisco de Salles e São Vicente de Paulo, tentaram ajudar estes desvalidos, e dentre estas pessoas destaca-se o Pe. Jesuíta Jean Pierre Médaille. O Pe. Jesuíta Jean Pierre Médaille nascido em Carcassonne na França em 06 de outubro de 1610. Fundou em 1648 o “PEQUENO PROJETO” que mais tarde passou a ser chamado Irmãs de São José de Chambèry, que logo se espalhou por toda a França. Seu primeiro trabalho foi no Hospicío Montferrand – Puy. Jean Pierre Médaille
  25. 25. 25 Com a multiplicação das Comunidades, tornou-se difícil ocultar por mais tempo o Pequeno Projeto, modelado na Eucaristia, que irrompera vigoroso e convidativo nas primeiras comunidades da zona rural de Le Puy. Diante das dificuldades contrárias à sua obra, Padre Jean Pierre Médaille foi ter com Monsenhor Henrique de Maupas, Bispo de Le Puy-en-Velay, para expor-lhe o seu desejo: “fundar uma Congregação de vida contemplativa e ativa, para atender, no serviço da caridade, os mais pobres, unindo todas as pessoas entre si e com Deus”. A 15 de outubro de 1650, numa cerimônia simples, nascia a Congregação das Irmãs de São José, hoje, São José de Chambery. Segundo Pe. Medaille, o trabalho missionário realizado por ele e pelas Irmãs de São José seria a “semente de mostarda”, lançada na terra por ele e as pioneiras, germinar e crescer em muitos outros países dos cinco continentes.
  26. 26. 26 A chegada das Irmãs de São José de Chambéry no Brasil Em1856 a convite do Bispo de São Paulo, Dom Antonio Joaquim de Mello, ituano e também bispo de Minas Gerais, e autorizado pela Superiora Geral de Chambery, Madre Maria Felicidade Veyrat, vieram para São Paulo sete Irmãs da Congregação de Chambery para trabalhar na Santa Casa de Itú. A primeira Irmã Superiora foi Maria Basilia Genon, que infelizmente faleceu na viagem em 26 de julho de 1858, junto com ela vieram as Irmãs: Maria Justina Pepin, Maria Angelina Achard, Maria Elias Mièvre, Martha da Cruz Goddet, Maria S. Paulo Angelier e Maria Cunégonde Gros. Posteriormente foram enviadas mais duas irmãs: Irmã Seraphina e a Madre Maria Theodora Voiron - primeira Superiora Provincial, em Itu. Partiram da cidade de Chambèry - França, para Itu - São Paulo, com a intenção de fundar uma escola, cujo objetivo era educar meninas e cuidar dos enfermos nas Santas Casas no Brasil. Bispo Dom Antonio Joaquim de Mello
  27. 27. 27 Imaculada Mãe de Deus: Padroeira da Congregação de São José de Chambery Reza o dogma católico que Maria, desde o primeiro instante de sua conceição, foi preservada da nódoa do pecado original, por privilégio único de Deus e aplicação dos merecimentos de seu divino Filho. Imaculada Conceição é assim um dos importantes títulos com que é venerada a Virgem Maria. Sua imagem mostra Nossa Senhora sobre o globo terrestre esmagando com os pés uma serpente, símbolo do pecado original. Ela tem os cabelos longos caídos sobre os ombros. Usa uma túnica branca e um manto azul, e muitas vezes se apresenta com uma coroa real. Sob seus pés aparece geralmente um crescente de lua sendo que às vezes pisa sobre ele e a serpente envolve a Terra. Em algumas imagens, sob os pés da Virgem também surgem
  28. 28. 28 cabeças de anjos. A lua que aparece quase sempre sob seus pés, e simboliza a substância passiva, que guarda em seu seio os raios do Sol. Segundo a tradição Nossa Senhora apareceu a várias pessoas confirmando a sua Conceição Imaculada e após a proclamação do dogma, ela deu-se a conhecer em Lourdes, a Bernadete Soubirous dizendo: - "Eu sou a Imaculada Conceição". Festeja-se a Imaculada Conceição de Maria no dia 8 de dezembro
  29. 29. 29 Madre Maria Theodora Voiron, nasceu em 06 de abril de 1835, na cidade de Chambery, França. Entrou pra Congregação de São José em 17 de outubro de 1852, professando a 15 de janeiro de 1855. As vésperas de completar vinte e quatro anos de idade, Irmã Maria Theodora embarca no porto de Havre, França, com destino ao Brasil. Para acompanhá-la foi indicada a Irmã Maria Seraphina Thualion, sua antiga mestra e conselheira. A convite do Bispo Dom Antonio Joaquim de Melo aportou em Itú em 1858, já com a missão de Superiora no Colégio de Nossa Senhora do Patrocínio. Irmã Seraphina, companheira de viagem de Madre Maria Theodora Voiron Madre Maria Theodora Voiron A VENERÁVEL
  30. 30. 30 A viagem do Porto de Santos a São Paulo foi feita por liteiras ou bangué carregadas por mulas. A passagem da frente era conduzida por um puxador e na passagem de trás um tocador. O trajeto com uma serra coberta por um extenso matagal foi marcado por chuvas abruptas, grottas profundas e horríveis buracos na subida da grandiosa serra, tornando assim, a viagem uma completa tortura, passando por vaqueiros, viajantes envolvidos pelas numerosas tropas que desciam e subiam a estrada de Cubatão, conhecida pelos tropeiros pelas inúmeras perdas de animais e cargas que atolavam no caminho. Em 15 de junho de 1859, Irmã Theodora Voiron hospeda-se na Santa Casa de Itu, para aguardar o termino das obras do Colégio Patrocínio. Quando Bispo D. Antonio Joaquim de Melo viu aquela jovem de 24 anos disse: “Mas... é uma criança! Uma criança! Que faremos com uma criança?...”. percebendo o desagrado que arranjou, Irmã Theodora disse que aceitaria qualquer cargo que quisessem lhe oferecer. Durante quatro meses, Irmã Theodora, suportou , com extrema paciência, algumas provações dadas pela Superiora Interina, Irmã Maria Justina Pépin, com o objetivo de testar suas virtudes cristãs. Paciente, obediente e Charrete onde era transportadas as Irmãs, do Porto de Santos a Cidade de Itú.
  31. 31. 31 resignada, Irmã Theodora foi fiel serva do Senhor, D. Antonio corrigi suas palavras iniciais: “Conclui que sua sensatez, sua discrição, sua prudência, triunfaram sobre todos os obstáculos. Pareceu- me ver nela o bom senso e condescendência, qualidades indispensáveis a uma Superiora. Tudo me convenceu que ela devia governar”. Em 1874, Irmã Maria Theodora Voiron foi nomeada Superiora da Província Brasileira, que exerceu com pia dedicação até seu falecimento. A Revda. Madre Theodora Voiron com sua grandiosa dedicação iniciou e preservou o desenvolvimento da assistência caridosa no estado de São Paulo. Muito auspiciosa em sua missão, dedica-se a ela fundações de casas religiosas de ensino, onde se educava milhares de meninas paulistas, colégios estes dirigidos pelas benemerentes Irmãs da Congregação de São José, além de fundar orfanatos, asilos para idosos e crianças abandonadas, hospitais e leprosários. Madre Theodora Voiron faleceu ás 10h45min do dia 17 de Julho de 1925, cuja sua existência foi dedicada a educação da mulher paulistana e ao exercício da caridade. Recebeu da Igreja o título de Venerável, tendo fama de santidade.
  32. 32. 32 Registro Civil das Pessoas Naturais Certidão de Óbito Carreiro da Madre Theodora Voiaron Sr. Antonio Benedito Ramos De profissão lavrador, e de origem pernambucana, filho Custodio Clombo Alvestino Carabro e Felipa Benicio do Vale Carreiro que conduziu Madre Theodora Voiron de Santos - São Paulo até Itú, para fundar a Congregação de São José de Chambéry no Brasil. Faleceu no dia 28 de fevereiro de 1959 na Santa Casa de Misericórdia de Itú com 138 anos de idade. Sr. Antonio Benedito Ramos O Carreiro
  33. 33. 33 eu processo de beatificação encontra-se em Roma, na Congregação para a Causa dos Santos. Em fevereiro de 1989, com reconhecimento a sua Colégio Nossa Senhora do Patrocínio. Externato que a Madre Maria Theodoro Voiron dirigiu quando foi enviada para o Brasil em 1858 Olímpia de Almeida Fonseca Prado, primeira aluna do Colégio patrocínio de Itú. Sob Coordenação das Irmãs de São José.
  34. 34. 34 Madre Maria Theodora Voiron aos 39 anos de idade, logo após receber a notícia de sua nomeação como Superiora da Província Brasileira. Foto de 1874 Madre Maria Theodora Voiron aos 60 anos de idade, pouco antes de realizar sua quinta viagem a Chambery. Foto de 1895 Madre Maria Theodora Voiron aos 84 anos de idade, na comemoração dos seus 60 anos de chegada ao Brasil. Foto de 1919 Madre Maria Theodora Voiron aos 74 anos de idade, tirada por ocasião de sua última visita a Chambery, França, em 1909
  35. 35. 35 Hino a Madre Maria Theodora Voiron L. e M.: Ir. Míria T. Kolling Refrão: Cruzando os mares mais distantes, O amor a Deus e aos semelhantes, Te trouxe à nossa terra: Vida nova fizeste germinar! Regada com lágrimas fecundas, Tua obra deixou marcas profundas, Que tempo algum pode apagar! 1. Das jovens educadora, Dos pobres anjos, protetora. A todos, Madre Teodora, Serviste com amor e fé! Amor que foi sofrer, Entrega do teu ser Ao Amado, Àquele que É! No espírito que é teu, Novo ideal nasceu Co’ as Irmãs de São José 2. Chamada a abrir fronteiras Na arte e cultura brasileiras, Fizeste acordar, pioneiro, Cada mulher destes Brasis! Foi grande a tua missão, Maior teu coração, E hoje o povo te bendiz! Aqui semeaste o bem, De olhar para o Além, Onde agora estás feliz! 3. Buscando o paraíso, Deus derramaste em te sorriso: Morrer, se fosse preciso, Pra ter mais vida o irmão! Tua força foi a cruz, O Amigo teu, Jesus; Tu, seu vinho, trigo e pão! Em tua pequenaz, Tão grande Ele te fez, Que não cabes em canção!... Oração Para pedir a Beatificação Madre Maria Teodora Ó Jesus, Divino Salvador e Redentor nosso, pelo merecimentos infinitos de vosso Sacratíssimo Coração e pela intercessão de vossa Mãe Imaculada e de seu castíssimo Esposo, São José dignai-vos glorificar vossa piedosa e humilde Serva, Irmã Teodora Voiron, que tanto trabalhou pela dilatação de Vosso Reino, concedendo-nos por sua intercessão a graça que solicitamos.
  36. 36. 36 1 1 Fotos retiradas do livro: CARVALHO, Roberto Machado. A Glorificação da Venerável Madre Maria Theodora Voiron (1835-1925). Itú: Editora Ottoni, 1998.
  37. 37. 37 Virgem Maria Santíssima Padroeira de todas as Santas Casas, Virgem Maria Santíssima, que é citada no Compromisso da Irmandade se resume a todas as Santas do catolicismo. Todas as “Marias” são veneradas na Irmandade, tomando corpo e representando a divindade de todos aqueles que compõem a Instituição. Como no Art. 1º do Compromisso em que diz: “A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, constituída no Século XVI, Tendo como padroeira a Virgem Maria Santíssima, é uma sociedade civil beneficente de fins não lucrativo, que se propões ao exercício da caridade, abrigando e socorrendo enfermos, velho, inválidos e desamparados e será regida pelo presente Compromisso.”. E segundo o Cônego Dr. José de Castro Nery, em 1946: Eis aqui, no bom sentido que estas palavras possam ter, uma Nossa Senhora comunista. Nossa Senhora do pão. Nossa Senhora do vinho. Nossa Senhora dos teares. Nossa Senhora dos Remédios. Nossa Senhora das Mercês. Nossa Senhora da Boa Viagem. Nossa Senhora da Boa Morte. E por que é misericorde também para com o espírito, Nossa Senhora do Bom Conselho. Nossa Senhora das Letras, Nossa Senhora da Consolação. Nossa Senhora da Emenda. Nossa Senhora do Perdão. Nossa Senhora da Condolência. Nossa Senhora da Prece. Numa palavra, Nossa Senhora das Misericórdias.
  38. 38. 38 Santa Casa de São Paulo - Brasil Colonial Início da obra de caridade com religiosos Choupana de Anchieta - 1ª sede da Misericordia de São Paulo, onde os jesuítas curavam os enfermos e catequizavam os índios Pe . José de Anchieta Pe. Manoel de Nóbrega
  39. 39. 39 Sua primeira sede foi na Choupana de Anchieta, tendo os jesuítas e apóstolos Pe. José de Anchieta e Pe. Manuel da Nóbrega como seus fundadores. Pe . José de Anchieta, nascido em San Cristóbal de La Laguna, Ilha de Tenerife, Arquipélago das Canárias, Espanha, no dia 19/04/1534. Desembarcou no Brasil em Salvador/BA, no dia 13/07/1553 e aqui viveu por 44 anos. Chegou a capitania de São Vicente em 24/12/1553, região que viveu e amou profundamente. Catequista, Teatrólogo, Poeta, Enfermeiro e Engenheiro, faleceu em 09/06/1597 em Reritiba, povoado fundado por ele, hoje cidade de Anchieta – no Estado de Espírito Santo. Padre Manoel da Nóbrega, nascido em Portugal, em 18/10/1917 e falecido em 18/10/1570 no Rio de Janeiro, praticava a Misericórdia curando os índios de suas enfermidades e catequizando-os. Os jesuítas foram os enfermeiros, médicos, engenheiros e professores dos colonos. Em 1992 o papa João Paulo II, se pronunciou no sentido de homenagear os jesuítas. Localizado no Páteo do Colégio, esta casinha de palha e taipa de pilão, onde se vivia todos os irmãos, servia como abrigo para todos aqueles que necessitassem de atendimento, promovendo a cura e a misericórdia aos doentes, e necessitados. Hoje, uma parede desta choupana ainda é visível no Museu Anchieta. Em meados do século XVI, o atendimento médico em busca da cura de enfermidades, era realizado pelas ordens religiosas. Como aconteceu com o Jesuíta José de Anchieta, cuidando, educando e curando os índios em sua humilde choupana.
  40. 40. 40 Padre Manoel da Nóbrega idealizou erguer uma cidade no Planalto de Piratininga. Foi ali que o padre jesuíta Manuel da Nóbrega celebrou a primeira missa no dia 25 de janeiro, num altar improvisado, marcando assim, a fundação da Cidade de São Paulo. Em palavras de Pe. José de Anchieta: Primeira Missa em São Paulo Fundação da Cidade de São Paulo, pintura de Oscar Pereira da Silva - 1903. São Paulo, Pinacoteca do Estado “A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa!”
  41. 41. 41 Cacique Tibiriçá (ou Tevereçá) Grande cacique combatente que colaborou com a fundação de Piratininga. Chamado por Anchieta de “Fundador e Conservador da Casa de Piratininga”, morreu em 1562. A Santa Casa de São Paulo forneceu toda a cera para fabricação de velas utilizadas no velório dele. Baseada nestas informações acredita – se que a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi fundada no ano de 1560. Os restos mortais foram sepultados na cripta da Catedral da Sé, em São Paulo.
  42. 42. 42 Em 1516 é composto o Compromisso da Confraria da Misericórdia da Cidade de Lisboa, este Compromisso é empregado até hoje por todas as Irmandades da Santa Casa do Mundo, fazendo-nos lembrar da verdadeira vocação desta belíssima obra filantrópica. Compromisso da Santa Casa de Misericórdia da Imperial Cidade de São Paulo Virgem Maria Santíssima PADROEIRA DAS SANTAS CASAS 1ª Que seja livre de toda a infâmia, de facto e de direito; 2ª Que seja de idade ao menos de vinte annos; 3ª Que seja de bom entendimento, e saiba ao menos lêr e escrever; 4ª Que tenha algum meio de subsistencia honesto
  43. 43. 43 Igreja da Misericórdia Século XVII e XVIII No século XVII, os noviços da Companhia de Jesus faziam instalações de enfermarias improvisadas, por muitas vezes em suas casas, pedindo esmolas para auxílio no cuidado aos enfermos, e embora leigos no trato a medicina, dedicavam-se piamente aos doentes, expostos e indigentes. Em seção da Mesa de 31 de dezembro de 1714, na Provedoria de Izidro Tinoco de Sá, foi utilizada pela primeira vez a palavra “Hospital” para designar a Santa Casa de Misericórdia.
  44. 44. 44 No século XVIII, a Igreja da Misericórdia, além de prestar seus serviços divinos, socorrem os enfermos indigentes e prestavam sepultamentos. Em 1744, a Mesa Administrativa compra 4 casas contiguas a Igreja, para assessorar o trato aos doentes. Considerada a segunda sede da Santa Casa de São Paulo - Século XVII. O escravo Joaquim Pinto de Oliveira, mais conhecido como Preto Thebas, foi responsável pela construção de obras importantes no Séc. XVIII: a torre da primeira Catedral da Sé; talhou a pedra de fundação do Mosteiro São Bento; o Chafariz da Misericórdia. O Chafariz da Misericórdia foi o primeiro chafariz publico em São Paulo, sendo o primeiro sistema público de abastecimento regular de água em toda São Paulo. Das casas compradas, uma delas esteve alugada a Camara Municipal servindo de cadeia, uma servia de enfermaria dos Regimentos de Mexias e Pintura de Wasth Rodrigues Desenho de Augusto Esteves
  45. 45. 45 Voluntários, e outras duas moradas na rua direita seria feito o Hospital de Caridade para os pobres. Até 1824, a Igreja da Misericórdia e estas casas eram utilizadas como enfermarias de caridade aos pobres. A Igreja da Misericórdia realizava a procissão da Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, realizada no dia 2 de julho. Essa procissão foi abolida a partir de 1884, por ocasião da transferência do Hospital para o terreno do Arouche, onde anos mais tarde instalará a Capela da Irmandade. Em 07 de agosto de 1887 a Mesa decidiu autorizar o Provedor a Demolir a Igreja, para facilitar o trabalho de venda, sendo gastos, nessa demolição 1:060:650. Largo da Sé, 1907. Foto Aurélio Becherini Todo anos ocorria as procissões da Igreja da Sé à Igreja da Misericórdia em homenagem a visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel
  46. 46. 46 A misericórdia e as Irmãs de São José De Chambéry na Santa Casa de São Paulo No final do século XIX, a Santa Casa de São Paulo estava atravessando uma fase difícil, devido a falta absoluta de pessoal habilitado ao trato dos doentes e a deficiente organização dos serviços que devia prestar. Diante desta dificuldade e impressionado com a eficiência e organização das Irmãs da Congregação de São José de Chambery, na cidade de Itú São Paulo, dirigido pela Abnegada Irmã Madre Theodora Voiron, o então Provedor da Irmandade, Dr. Antonio da Silva Prado, Barão de Iguape, pediu da França a vinda das Irmãs de São José de Chambéry. O projeto da vinda das Irmãs de São José de Chambery da França é datado de 10 de abril de 1864, sendo somente aprovado pela Mesa Administrativa da Irmandade em 06 de março de 1971. Dr. Antonio da Silva Prado - Barão de Iguape Provedor da Santa Casa de São Paulo
  47. 47. 47 Em 1872, o próprio Barão de Iguape custeou pessoalmente a viagem das cinco Irmãs da França que aqui chegaram. Essas irmãs eram: Irmã Maria Arsênia Berthet, Irmã Emerenciana Chavanel, Irmã Luiza S. Miguel Boyer e Irmã Anna Maria Gotland. A elas foram confiados os pacientes a quem serviam como enfermeiras, além de prestarem serviços de escriturárias do hospital, preparação das receitas médicas, cozinheiras e além de conforto espiritual aos enfermos. Maria Arsênia Berthet Irmã Emerenciana Chavanel
  48. 48. 48 Dr. Antonio de Caetano de Campos Já em 1875, o médico Dr. Antonio Caetano de Campos, primeiro e único médico do Hospital, Diretor Clínico não oficial e Irmão da Mesa Administrativa da Santa Casa de São Paulo, o primeiro a se expressar a respeito do trabalho das Irmãs na Santa Casa de São Paulo, já na rua da Glória. “Devemos as Irmãs de Caridade, em grande parte o estado relativamente brilhante do nosso hospital pelo seu zelo aos pacientes e eficientes administradoras”. Dr. Antonio de Caetano de Campos Sugeriu ao Provedor Barão de Iguape a vinda das Irmãs de São José de Chambéry.
  49. 49. 49 Dr. Caetano escreve sobre as Irmãs: “Se o pudor, o brio nacional, o cavalheirismo e a gratidão não saco uma mentira para nós Brasileiros; se especialmente nós, que construímos a Irmandade da Santa Casa de São Paulo devemos as Irmãs de caridade, em grande parte, o estado relativamente brilhante do nosso Hospital, é força confessar que estas distintas Senhoras são credoras de atenção de nossa parte. Devemos lembrar-nos de que não é o lucro material o que elas aqui vieram buscar; que não é uma vida ociosa, nem mal preenchida, o galardão que elas ambicionam; que não é nem o repouso, nem o lucro, nem nenhuma outra vantagem deste gênero o que nós ofertamos em paga dos serviços; que Senhora de uma ilustração e dedicação acima da ordinária, entregues à proteção única da benemerência dos seus atos, postas no meio de uma classe que não prima comumente nem pela boa educação, nem pelos hábitos de boa vida, ou sequer pelo cuidado de seu corpo e de sua alma, precisam de certo bem - estar que as faça esquecer ao menos suas próprias necessidades”.
  50. 50. 50 As irmãs de São José de Chambery: da saúde pública a assistência social No século XVIII, já havia a preocupação referente a saúde pública da Província de São Paulo e as primeiras providencias para assistência aos indigentes, enfermos, aos lázaros e aos expostos. O atendimento a saúde era realizado em termos de caridade, através da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, primeiramente quando esta era instalada na Rua da Glória - Chácara dos Ingleses e posteriormente na Chácara do Arouche. Quando as Irmãs de São José de Chambery chegaram aqui na Santa Casa de São Paulo, estas ficaram responsáveis pela Direção do Hospital juntamente com o Mordomo (Major João Braz da Silva), sendo que uma Irmã servia na botica sob a inspeção do Médico Cirurgião (Dr, Caetano de Campos). As Irmãs de Caridade recebiam da Santa Casa de São Paulo, um ordenado de 250$000. Em regulamento aprovado em 22 de maio de 1864, Seção VI das Enfermarias e Ajudantes: Art. 18 - As Irmãs de São José, como auxiliares do serviço sanitário debaixo da direção e inspeção da Irmã Superiora, serão encarregadas do serviço das enfermarias e quartos particulares de pensionistas. Art. 19 - Como enfermeiras chefes das enfermarias são obrigadas a: § 1º - Cumprir religiosamente as prescrições dos médicos. § 2º - Dirigir e fiscalizar o serviço a cargo dos ajudantes e serventes, instruindo-os no modo de cumprirem as suas obrigações. § 3 º - Observar os acidentes e sintomas novos apresentados pelos enfermos, e referi-los ao Médico Interno, se não for hora de se achar no Hospital o médico encarregado da respectiva enfermaria,
  51. 51. 51 § 4º - Acompanhar os clínicos no ato das visitas e dar-lhes informações sobre o que tenham observado em suas ausências, e receber as determinações. § 5º - Aplicar e fazer aplicar os remédios internos e externos que estiveram ao seu alcance, e no caso de duvida, recorrer ao Medico Interno. § 6º - Formar diariamente o mapa especial das dietas, segundo as prescrições dos facultativos, para serem preparadas; recebê-las da cozinha e distribuí-las aos doentes. § 7º - Conservar em boa ordem e estado de limpeza não só as enfermarias, como todo o necessário que lhe esteja confiado. § 8º - Ter o maior cuidado possível no asseio e ventilação das enfermarias. § 9º - Velar para que os enfermos se conservem com ordem e respeito nas enfermarias, e cumpram as prescrições dos médicos. § 10º - Não consentir que pessoa estranha entre nas enfermarias, e nem que se entregue aos doentes objeto algum, sem permissão da Irmã Superiora. § 11º - Reclamar da Irmã Superiora todos os utensílios e objetos necessários para o serviço das enfermarias. Art. 20 - Os ajudantes tem inteira obrigação de cumprir as ordens das enfermeiras em tudo o que disser respeito ao serviço.
  52. 52. 52 Obras da Misericórdia Na devoção a Divina Misericórdia praticada pelas Irmãs da Congregação de São José de Chambery, as 14 Obras da Misericórdia de São Tomas de Aquino - Séc.XII - são agrupadas em 7 espirituais 7 corporais: Para as Irmãs de São José de Chambery praticar as obras da misericórdia é estar um passo adiante de Jesus amando e respeitando o enfermo. Sete Espirituais Sete Corporais Ensinar aos simples; Remir cativos e presos; Dar bom conselho a quem pede; Visitar e curar os enfermos; Castigar com caridade os que erram; Cobrir os nus; Consolar os tristes e desconsolados; Dar de comer aos famintos e pobres; Perdoar as injúrias recebidas; Dar de beber aos que tem sede; Suportar com paciência as deficiências do próximo; Dar pousada aos peregrinos e pobres; Rogar a Deus pelos vivos e mortos. Sepultar os finados.
  53. 53. 53 Hospital da Glória A relação da Irmandade da Santa Casa de São Paulo com as Irmãs de São José de Chambery foi iniciada no Hospital da Rua da Glória, nº 37 - Chácara dos Ingleses, com a intenção de se obter uma melhor direção do estabelecimento. A primeira Irmã da Congregação de São José de Chambery a dirigir o Hospital, primeiro na Rua da Glória posterior na Chácara do Arouche, foi a Madre Maria Arsênia Berthet, que dedicou 34 anos de sua vida a caridade e benevolência ao próximo. Juntamente com Dr. Caetano de Campos, a Madre Maria Arsênia, organizou o trabalho no hospital, distribuindo a cada enfermaria uma irmã supervisora atendendo os pacientes durante o dia e a noite.
  54. 54. 54 Chácara dos Ingleses - Fatos Importantes Passagem de Santos a São Paulo, nas águas do Tamanduateí onde se lavava os pés e dava de beber aos animais (posteriormente, virou rua dos lavapés); Cemitério da cidade, uma Igreja dos Aflitos, acima ficava o Campo da Forca, hoje chamado de Praça da Liberdade; Residência de Domitila de Castro Canto e Mello - 1817 e 1822 (Marquesa de Santos); 1821 - O enforcamento de Francisco José das Chagas (o Chaguinha); 1824 - 1º Bilhete da Loteria, com a finalidade de angariar verbas para o sustento dos flagelados ali internados; 1825 - A Roda dos Expostos; Asylo Sampaio Viana; Abrigou estudantes da faculdade de Direito, próximo a Rua da Glória (hoje famosa rua dos estudantes) Em 20 de Novembro 1830, no dia do atentado a Líbero Badaró, na misericórdia da gloria, os médicos lamentavam os que foram em socorro do atentado, inclusive o estudante de Direito.
  55. 55. 55 Além da ajuda das beneméritas Irmãs de São José de Chambery, a Santa Casa de São Paulo, na rua da glória, contou muito com a ajuda e apoio das damas paulistanas: Dona Veridiana Prado e Dona Ana Belarmino Ribeiro de Andrada. Com ajuda das damas da sociedade, fora completamente refeitos a portaria, a capela, o salão de entrada e duas salas contíguas, pintados os quartos e as enfermarias; construídos móveis e implementada melhor higiene. Veridiana Valéria da Silva Prado, nasceu em São Paulo em 11 de fevereiro de 1825. Foi uma aristocrata brasileira, que realizou grandes eventos a fim de remeter as rendas para a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Doou quantias vultosas para O Asylo Sampaio Vianna, Móveis e leitos para a Santa Casa de São Paulo, roupas para os doentes e realizou leilões a fim de arrecadar dinheiro para a Irmandade. Considerava a Santa Casa de São Paulo como um filho seu, tamanho carinho e dedicação que dedicava ao Hospital
  56. 56. 56 Maria Arsênia Berthet: a exímia diretora A Reverenda Madre, nascida na cidade de Chambery, França, em 26 de julho de 1839, Maria Arsênia Berthet pertencia a uma família de católicos fervorosos. Aos 24 anos entrou para a Congregação de São José de Chambery, onde exerceu o cargo de ecônoma e de professora em Cruet. Veio para o Brasil em 1872, a pedido do Provedor Dr. Antonio da Silva Prado, assumindo o cargo de Superiora da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Seus trabalhos começaram no Hospital da Glória - 3ª sede da Santa Casa - onde São Paulo era praticamente uma cidade-aldeia fazendo- se lembrar a primitiva cidade de Piratininga. A bondosa Irmã dirigiu o Hospital da Santa Casa e o Asylo de Mendicidade, quando este também funcionou na casa da Rua da Glória. Durante a gestão da Madre Arsenia, o Asylo de Mendicidade recolheu cerca de quarenta pobres, que além de idade avançada, careciam de cuidados médicos e espirituais. Estas pobres almas caridosas, recebendo o enorme carinho da Irmã, lhe deram o afetuoso nome de “mamãe”. Em 1880 juntamente com o auxílio do então Provedor da Santa Casa, Arcipreste João Jacyntho Gonçalves, Madre Arsênia inaugura, anexado ao
  57. 57. 57 Asylo de Mendicidade, o Externato S. José uma instituição dedicada a instrução e educação das crianças. Foi a concretização de um antigo sonho da caridosa Madre. Em 1884, a Irmã Arsênia transfere-se para as novas dependências da Santa Casa, na chácara do Arouche onde funciona atualmente, para exercer suas funções em prol da caridade e fé. Como exemplo de sua superioridade frente ao Hospital, um caso polemico ocorrido em 04 de outubro de 1891, aponta que a Madre Arsênia pede providencias para a prisão do Dr. Carlos Penna acusando-o de ter chutado um enfermeiro. O então Mordomo do Hospital Central, Dr. Fernando Albuquerque, alega que foi o empregado que faltara ao respeito com o médico e que tentara agredir o Dr. Penna, motivo pelo qual pede sua demissão. A Mesa da Santa Casa aprova a demissão do Dr. Penna, atendendo ao pedido da Madre Superiora. O Dr. Fernando Albuquerque abandona a Mordomia do Hospital por sentir-se desautorizado por causa de uma Irmã. Em 12 de dezembro de 1906, a Santa Casa de São Paulo perde sua Superiora, que se dedicou por 34 anos sua vida a esta benevolente instituição. Ao falecer, a Irmandade a concede o importante título de Irmã Grande Benfeitora.
  58. 58. 58 Asylo dos Expostos e a Roda dos Enjeitados Em 1810, quando Franco e Horta era Governador da Província de São Paulo e Provedor da Santa Casa de São Paulo, sua esposa, D. Luísa Catarina Chibert de Horta dirigiu ao Imperador uma petição para a instalação da Roda dos Expostos. Preocupada com a calamidade de crianças abandonadas nas ruas, D. Luísa Horta escreve uma requerimento a punho pedindo a decisão urgente para um projeto da roda dos expostos. Em 1924 o Provedor Dr. Lucas Antonio Monteiro de Barros - Visconde de Congonhas do Campo - envia uma nova petição ao Imperador, solicitando nomeação de esmoleres para construir o novo hospital e a roda. Em 02 de julho de 1825 foram inaugurados, respectivamente, o Hospital de Caridade e a Roda dos Expostos na Chácara dos Ingleses. Misericordia da Rua da Gloria retratado a bico de pena por Augusto Esteves (1891- 1966) O prédio também fora utilizado como Asylo dos Expostos até 1896
  59. 59. 59 A Casa dos Expostos funcionava no Hospital da Rua da Glória, atendendo, juntamente com os enfermos, as crianças abandonadas por suas famílias. Em 1825 foi adotada pela Santa Casa de São Paulo a “Roda dos Expostos” que ficava em uma das janelas do pavimento térreo. Dr. Lucas Antonio Monteiro de Barros (Visconde de Congonhas do Campo) Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo de 1824 a 1826. Responsável pela instalação do Hospital de Caridade e a Roda dos Expostos na Rua da Glória em 02 de julho de 1825 da Santa Casa de São Paulo Roda dos Expostos A Roda constituía de um cilindro oco confeccionada em madeira de Pinho de Riga, atribuída ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, que girava em seu eixo 180º colocada em muros com uma abertura voltada para a rua, destinada a receber as crianças abandonadas. Na lateral esquerda da peça, ficava um sino, que soava na residência das Irmãs de São José de Chambéry e ou na residência do guardião, avisando que dentro dela havia uma criança depositada.
  60. 60. 60 A Roda recebeu crianças de todas as classes sociais, na pesquisas de mais de 4.696 abandonadas, onde todas estas receberam carinho e amor das Irmãs de as Caridade, outros livros de registro enviados ao Asylo Sampaio Vianna que não foram localizados. Em 1896 a Casa dos Expostos deixou de funcionar na Chácara dos Ingleses, mas a Roda acompanhou a mudança do Hospital de Caridade para a Chácara dos Ingleses no Pacaembu. A Roda só foi extinta em 1950 (dados do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), mas mesmo assim, a Santa Casa recebeu crianças até 1960. Assim como no trato aos enfermos, as Irmãs de São José de Chambery possuíram papel de grande destaque, pois elas eram responsáveis pelos primeiros cuidados aos recém-nascidos e, posteriormente, sua educação. Irmã Úrsula De alma simples e pura, Irmãs Úrsula abraçou a vida religiosa aos 15 anos de idade, prestando serviços ao Externado São José. Em 1892 foi transferida para o Hospital Central, onde trabalhou até sua morte. Trabalhou por muitos anos na Enfermaria Infantil e seção de Lactante da Casa dos Expostos, cuidando e resgatando os recém-nascidos abandonados na Roda durante longos anos. De sentimento puro e bondade sem limites, tratou os enfermos com toda dedicação e as criancinhas com todo carinho. Por muitos, a Irmã Úrsula era o maior exemplo de amor ao próximo, manifestando diariamente a missão das Irmãs de São José de Chambery, recebeu muitas crianças da Roda dos Expostos. Faleceu em 01.07.1932 recebendo homenagens da Mesa Administrativa da Santa Casa de São Paulo pelos seus valiosos serviços prestados em nome da caridade. A Revista A Cigarra confere uma publicação em relação a morte da Irmã Úrsula
  61. 61. 61 Em 1932, o Irmão Dr. Sampaio Vianna pede a palavra na Mesa para fazer o necrológio da Irmã Ursula, falecida no Hospital Central: Entrada da Santa Casa de São Paulo, pela Rua D. Veridiana. Observa-se a localização da Roda dos Expostos. 1932 “Attendendo aos extraordinarios e dedicados serviços prestados pela Irmã Úrsula falecida nesta Capital em 1º do corrente nos serviços de moléstias do Hospital Central e no de lactante do Asylo de Expostos por espaço de mais de 40 anos, propomos que de accordo com o artº 2º. Letra B § 2º. Do acto Addicional de compromisso seja dado o nome da saudosa extincta ao 3º. Pavimento do Pavilhão Fernandinho Simonsen, secção Feminina.”.
  62. 62. 62 Primeiro exposto Consta no primeiro Livro de Registros dos Expostos escrito pelas Irmãs de São José de Chambery, de numero 01, o primeiro Registro de uma criança exposta com o nome de Ariana da Silva Albuquerques ( anexo ) no dia 16 de Novembro de 1876, achado na Roda às 12h00 da noite. Há relatos da existência de documentos com registros anteriores, mas que não foram localizados.
  63. 63. 63 Tradução: Registro do Exposto José Sylvio. Deixado na Roda dos Expostos do dia 22 de maio de 1922, juntamente com uma fotografia de sua mãe, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus rasgado ao meio e um bilhete intitulado: “Dor de Mãe”. 21- 05-1922 Dor de Mãe Filho não posso agasalhar-te a vida Parece que a vida me vai finar Quem te pudesse, a ti Serafim Levar junto a mim, para a campa final A campa eu vou ai depois da morte Quem sabe a morte que minha alma tem Que anseios filho que assaz profundo Vai neste mundo a vida de tua mãe À todos perdôo que me deram E guarda os segredos que me ouviste aqui E se avistares do Senhor a sede Por mim lhe pede que eu também morri Vai filho que te deram seus cantos Por estes prantos que os meus olhos tem E se em mim perder maternal ternura A Virgem pura que seja sua Mãe Teu pai rogado por inglória surda Que vida orrenda viverá também Sem o destino nosso, não puder saber Se foi morrer, meu filho e tua Mãe Seu morrer de deixarei somente Hum beijo ardente de derradeiro adeus São os tezouros que eu para ti contenho Nada mais tenho que oferecer-te os Céus Fim Pelas chagas de Cristo Lhe peço guardarem este papel Junto com meu filho que eu se deus Me der vida e saúde daqui alguns mezes darei O que eu puder para encontrar meu filho peço não o darem sem que levem uma carta igual a esta e o retrato também Se morrermos sem nos vermos mais de Deus nos junte nos Céus Adeus Meu Filho pede a Deus por mim Adeus.
  64. 64. 64 Carta Recebam-me Carta deixada com a criança Antonio Moreira de Carvalho na Roda dos Expostos. Datado de 27 de Junho de 1922 Frente Tradução da Carta: “Recebam-me Chamo-me Antonio Sou um Orphansinho De pai, porque elle abandonou minha mãe. Ella é muito boa e Me quer bem, mas Não pode tratar de mim. Estou magrinho assim Porque ella não tem leite É muito pobre e precisa trabalhar. Por isso elle me poz Aqui para a Irmã Ursula Tratar de mim. Não me entreguem a ninguém Porque minha mãe Algum dia vem me buscar O meu nome inteirinho é Antonio Moreira de Carvalho E o da m/ mãe é Angélica. Estou com sapinho e com fome. Minha mamãe não sabe tratar de sapinho e não Sabe o que me dar Para eu ficar gordinho. Minha mãe também agradece aos Srs. Pelo bom trato que me derem.”. 27-6-.1922
  65. 65. 65 Ultimo exposto A ultima criança que passou pela Roda, quando desativada , foi Maria Assunta, entregue em 20 de Dezembro de 1950, conforme matrícula n° 4580 no último Livro de Registro de Matrículas. Última criança entregue na Irmandade em 26 de Dezembro de 1960, chamada Glória Graciana Sampaio, conforme matricula nº 4696. Página de um caderno de culinária da Irmã Maria Luiza da Congregação de São José de Chambéry, com trabalho das crianças expostas. Datado 13 de Julho de 1954
  66. 66. 66 Em janeiro de 1896, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia por permuta feita com a herança do finado João Maurício Wanderley, arremata a grande Chácara Wanderley, localizada no Pacaembu entre o Araçá e o alto das Perdizes. Em 02 de Julho de 1896 inaugura-se o Asylo dos Expostos Sampaio Vianna. Com a intenção de se separar as crianças de tenra idade dos doentes do Hospital, a Irmandade toma posse de uma casa muito espaçosa, que outrora era residência do Sr. João Wanderley. Asylo dos Expostos - 1898
  67. 67. 67 Para melhor acomodação aos expostos, foram construídos no estabelecimento dois novos pavilhões, que facilitaram o trabalho das Irmãs no cuidado de seus “filhos adotivos”. Em setembro de 1904, sob Provedoria do Dr. Francisco Antonio de Sousa Queiroz, as Irmãs de São José de Chambery foram formalmente contratadas para a administração do Asylo e cuidado as crianças. As Irmãs responsáveis foram: Superiora: a Irmã Joanna Philomena; auxiliares: Irmã Emerenciana, Irmã Luiza Amélia, Irmã Maria Seraphina e Irmã Maria do Patrocínio. Dedicadas educadoras, as Irmãs em seu constante esforço pelo bem do próximo, deu uma boa criação, educação e Irmã Maria Auxiliadora Magnani No dia 06 de agosto de 1897, deu entrada na Chácara do Wanderley, dois irmãos órfãos, que perderam o seus pais vitimas de febre amarela, sendo que uma dessas crianças era a Marina Veridiana Magnani (Irmã Maria Auxiliadora Magnani). Tendo como a ilustríssima Sra. Veridiana Prado como sua madrinha, Irmã Maria Auxiliadora devotou sua vida a vida religiosa, ingressando no noviciado em 23 de setembro de 1921, sendo admitida para a tomada de hábito em 21 de julho de 1922. Realizou seus trabalhos principalmente nos Colégios de Jaú, Franca e Piracicaba onde permaneceu por muito tempo como professora e mestras das internas. Em piracicaba, foi exímia professora de francês. Pelas suas alunas ficou conhecida pela dedicação e severidade quanto a disciplina. Nas horas de lazer, era vista como mãe, pois era zelosa e amorosa. No dia 26 de maio de 1985, a querida Irmã Maria Auxiliadora após 88 anos de vida, foi encontrar-se com o Senhor, por quem unicamente viveu.
  68. 68. 68 amor as crianças enjeitadas, sendo que por muitas vezes substituíam suas mães, dando aos pequeninos amor e carinho incondicional. Dr. Francisco Antonio de Sousa Queiroz Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo de 1902 a 1917
  69. 69. 69 Irmã com criança no Asylo dos Expostos
  70. 70. 70 Por muitas vezes a Irmã Diretora tomava o lugar do Mordomo, na competência de demitir e contratar novos funcionários. As Irmãs auxiliares eram responsáveis por todos os afazeres do Asylo, inclusive na educação das crianças. A escola era dividida em 3 seções: Feminina, masculina e para menores de 5 anos de ambos os sexos. Havia também no Asylo uma Sapataria que produzia o calçado dos expostos; um estábulo que fornecia leite para o próprio Asylo e o Hospital Central, Asylo de Mendicidade; Oficina de costura e Banda de Musica. Em 1905, a Irmã Emerenciana deixa o Asylo para assumir o cargo de Superiora do Hospital dos Lázaros, entrando então para o estabelecimento as Irmãs M. Lina, M. Justina e M. Antonieta. No Asylo davam entrada crianças com mais de 3 anos de idade, as menores eram entregues as Amas de Leite (lactantes), que ganhavam um ordenado pelo trato as crianças. A seção de lactantes era confinada a Irmã Úrsula que também era encarregada da enfermaria de crianças no Hospital Central, que sempre desempenhou seus afazeres com o maior carinho e zelo. Reza que a Irmã pegou muitas crianças abandonadas na Roda. Madre Joanna Philomena, Superiora do Asylo dos Expostos, de 1904 a 1917. Dirigia a seção de costura do Asylo, que produzia anualmente milhares de peças de roupas para o serviço, inclusive para os enxovais das criancinhas expostas que mais tarde viriam a se casar. Faleceu em 24.02.1917
  71. 71. 71 Em 1910, o Asylo dos Expostos foi atacado pela epidemia do sarampo, atacando 58 asilados. Dos atacados muitos estiveram em perigo a vida, com complicações próprias de sarampo, mas graças aos inestimáveis cuidados e carinho da Irmã Seraphina, que foi dedicada enfermeira cuidando de cada um dos pequeninos doentes. Em setembro do mesmo ano, os asilados também foram atacados pela gripe, devido a baixa temperatura da estação. 18 crianças apontaram problemas intestinais e torácicos. Mais uma vez, as Irmãs de São José de Irmãs da Congregação de São José de Chambery com crianças no Asylo Sampaio Vianna
  72. 72. 72 Chambery se mostraram insubstituíveis para o trato com as crianças, cuidando e curando os amparados. Em 1912, o Capelão do Asylo dos Expostos era da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Em 1913, a Mesa Conjuncta na provedoria do Dr. Francisco Antonio de Sousa Queiroz homenageia as Irmãs de São José, dizendo: São todas dignas de nosso reconhecimento, esforçando-se cada vez mais, pelo engrandecimento da nossa Santa Casa de São Paulo, prestando a caridade com abnegação e carinho.
  73. 73. 73 Em 24.02.1917, falece a Madre Superiora Joanna Philomena que o ocupou o cargo de diretoria do Asylo por 14 anos, desempenhando a árdua e delicada tarefa de cuidar e instruir os menores. O Mordomo, João Maurício de Sampaio Vianna se refere a Irmã: Capela provisória do Asylo dos Expostos da Chácara Wanderley “A Irmã Joanna Philomena tanto elevou a Congregação das Irmãs de S. José, pela distincção de seu trato e pelo carinho e zelo que nunca poupou aos asylados entregues a sua guarda deixando de sua passagem por aquelle estabelecimento as saudades as mais sinceras e o preito de muita gratidão por parte da Mordomia.”.
  74. 74. 74 Como tributo de gratidão e apreço a imagem da Irmã Joanna Philomena, a Irmandade, mandou construir no cemitério da Consolação, em São Paulo, um mausoléu onde repousa a bondosa Irmã. Devido a morte da Madre Superiora Joanna Philomena, a Irmã São Luiz, que era secretária do Hospital Central e prestava serviços junto a Irmã Úrsula na seção de lactantes e na enfermaria de crianças, tomou posse como Superiora do Asylo dos Expostos. A Irmã São Luiz veio para o Brasil em 1874, trazida pela Superiora Provincial em sua 2ª viagem a Europa. Aos 19 anos foi professora no Colégio Nossa Senhora do Patrocínio em Itú, professorando por 4 anos. Em 1887, no Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de São Paulo prestou serviços de secretária, e trabalhou junto a Irmã Úrsula na seção de lactantes e na enfermaria de crianças. Tomou posse como superiora do Asylo dos Expostos em 1917, deixando o cargo em 1921, para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Faleceu em 1929. Irmã São Luiz
  75. 75. 75 Dr. Synésio Rangel Pestana Foi médico adjunto da Santa Casa de São Paulo participando de diversos serviços, sendo nomeado em 1907, pelo próprio Arnaldo Vieira de Carvalho. Chefe da 1a Clínica Médica de Mulheres, cargo que ocupou até 1910. Nesse ano tornou-se chefe do Asilo de Expostos, prestando relevantes serviços até 1927, trabalhando lado a lado com as Irmãs de São José de Chambery. Foi Diretor Clínico dos Hospitais de 1927 a 1946 Reza que o Dr. Synésio, por grande admiração pelas Irmãs de São José, escreveu uma carta elogiando-as pelo belíssimo trabalho que desenvolveram em nome a Misericórdia da Santa Casa de São Paulo. Asylo dos Invalidos - 1929. Fotografia de Leon Liberman
  76. 76. 76 No ano de 1932, foi rezada uma missa pela alma da caridosa Irmã Luiza Marcelina, que dedicou 18 anos de sua vida em prol das crianças mais necessitadas. Como homenagem, uma das seções das oficinas de trabalhos manuais do Asylo levava seu nome. Em 1933, falece com 55 anos de idade a Irmã Anna Joaquina, que durante 22 anos dedicou sua vida ao cuidado com os menores abandonados. Sua vida religiosa foi um exemplo de humildade cristã e benevolência ao próximo. Em seção da Mesa Administrativa da Irmandade de 22 de agosto de 1933, foi lançado em ata um voto de profundo pesar pelo falecimento da querida Irmã de São José de Chambery. No ano de 1935, a eficiente Irmã Anna Thereza de Jesus Fonseca falece após uma rápida enfermidade que a assolou. Conhecida pelas demais Irmãs e funcionários pela sua inteligência e raras virtudes, foi professora em 1887 no Colégio Nossa Senhora do Patrocínio e Itú aos 21 anos. Depois de prestar serviços também em Campinas, Taubaté, no Seminário das Educandas da Glória e no Colégio Sant’Anna, foi para o Asylo dos Expostos, onde durante 20 anos prestou os mais dedicados e relevantes serviços. Em 1936 é extinto o Serviço de Amas no Asylo dos Expostos, sendo antigamente as “amas” ou “criadeiras” responsáveis pelos cuidados dos recém-nascidos. Estas amas, geralmente muito pobres, recebiam uma quantia mensal para criar os expostos em sua própria residência ate completarem três anos, quando eram enviados ao Asylo.
  77. 77. 77 Por mostrar este serviço insuficientemente nos cuidados das crianças, seja pela alimentação ou condições de saúde e higiene, o Asylo dos Expostos cria o seu próprio Berçário em 20 de outubro de 1936, localizado na Rua Frederico Steidel, 157. As crianças que eram designadas ao berçário vinham da Roda dos Expostos, abandonado nas enfermarias da Santa Casa, da Polícia, do Juizado de Menores, da administração dos Manicômios e de várias outras procedências. A criança ao chegar no berçário tinha logo sua ficha organizado por uma Irmã, encarregada de transcrever todas as informações acerca dos expostos e os pertences deixados com ela, como: roupa, certidão de nascimento e ou carta. Caso a criança não tenha registro, logo era providenciado um em cartório. Berçário
  78. 78. 78 As irmãs também eram responsáveis pela alimentação do recém-nascido, pela assepsia do bebe e higiene das roupas e da casa. No mesmo ano, em 1936, o “Asylo dos Expostos Chácara Wanderley”, mudou de nome, passando a ser designados “Asylo Sampaio Vianna”, mantendo o mesmo serviço de assistência aos expostos, continuando as Irmãs responsáveis pelos cuidados e educação as crianças.
  79. 79. 79 Dr. João Maurício de Sampaio Vianna Mordomo do Asylo dos Expostos de 1904 a 1936 e Irmão Mesário da Santa Casa de São Paulo desde 1900. O Asylo dos Expostos foi um grande teatro para suas ações beneméritas. Sabia o nome de todos os exilados, conhecendo seus defeitos e qualidades. Idealizava construções em prol da melhoria de vida e preocupava-se com o futuro das crianças. Pelos seus incalculáveis serviços prestados a Irmandade, recebeu em vida todas as homenagens que lhe eram devidas, sendo eleito Irmão Benfeitor, Irmão Benemérito e Irmão Protetor. Todos os qualificavam como um ser íntegro, tendo um coração generoso, e alma nobre. Com isso, após sua morte, em 30.05.1936, o Asylo dos Expostos passou a ser chamado “Asylo Sampaio Vianna”. Irmã Maria Angelina Roullier. Nascida em 1857 em Saint Alban - França. Veio para o Brasil em 1880, para servir a Santa Casa de São Paulo como professora dos expostos, que nessa época eram abrigados no Hospital Glória. Quando o Hospital transferiu-se para a Chácara do Arouche, a bondosa Irmã acompanhou os menores para o novo hospital, sendo Diretora do Externato Santa Cecília. Quando o Asylo dos Expostos transferiu-se para a Chácara do Wanderley, Irmã Roullier professorou por lá durante muitos anos Sempre bondosa e preocupada com a educação dos menores, dedicou 55 anos de sua vida aos pequeninos. Conhecida por todos como um ser de espírito alegre, comunicativo e trabalhador; inteligente, culta e piedosa praticou a religião de sua crença com grande fervor. Faleceu aos 80 anos em 03 de abril de 1937
  80. 80. 80 As Irmãs ficaram a cargo da Direção do Asylo dos Expostos Sampaio Vianna até o ano de 1944, deixando o departamento para reorganizar o Externato Santa Cecilia, de propriedade da Congregação. Em 1946, o Asylo Sampaio Vianna era afligido pela varíola, contaminando diversas crianças. Graças ao afinco empenho das Irmãs de São José e do Chefe de Clínica, Dr. Leite Bastos, cada criança foi vacinada, sendo a doença erradicada no estabelecimento. Em 1949, foi fundada a “Cruzadinha”, sob benção do Revmo. Padre João Batista Monteiro Leite - Capelão do Colégio.
  81. 81. 81 As Irmãs no ensino educacional paulista: O Externato São José Fundado em 12 de abril de 1880 com o concurso da Irmã Maria Arsênia e do Capelão da Santa Casa que a esse tempo era Cônego João Jacinto Gonçalves de Andrade O único local disponível do Hospital para funcionar o Colégio São José ficava a entrada do jardim, sendo um cômodo abandonado ha algum tempo; havia sido servido de cavalariça ha algum tempo. O Barão de Iguape doou um conto de réis para reforma da salinha, que após ser realizada a devida preparação, o que era antes um lugar feio, transformou-se em uma verdadeira sala de aula: arejada, clara e acolhedora, a primeira matricula foi apenas 10 alunas no primeiro curso no final do ano já contava com mais 40 alunas e tal foi a consagração que lhe deu a seguir a população de São Paulo, graças a Congregação de São Jose de Chambery Tendo por patrono São José.
  82. 82. 82
  83. 83. 83 As primeiras mestras do Colégio foram: Irmã Luisa Agatha Trosset, Irmã Maria Anthelma Billoud, Irmã Maria Serafina Thualion, Irmã Maria Emanuela Junqueira da Costa, Irmã Maria Honoriana Maison. Elas formavam o primeiro grupo de Irmãs de São José a lecionar na instituição. Enviada por Madre Theodora Voiron, a Irmã Luisa Agatha Trosset foi a primeira mestra do Colégio, na Provedoria de Arcipreste João Jacyntho Gonçalves. Não havendo móveis, a Irmã Luiza improvisou com tábuas as mesas para as alunas. Para ensinar leitura ela recortava, pacientemente, títulos de jornais e colava em cartilhas, para alfabetizar as crianças. Serviu a Santa Casa por 44 anos, falecendo em 26 de agosto de 1923. D. Carolina Lanzellotti, 1ª aluna matriculada no Externato S. José em 1880. Irmã Luisa Agatha Trosset Discípula de Madre Maria Arsênia
  84. 84. 84 De 1885 a 1888, Madre Maria Gertrudes Yvroud era então a Superiora do Asilo de Mendicidade e Superiora do Externato, sendo que estas duas obras coexistiam no mesmo recinto. O ensino no externato era organizado e entregue a sete professoras Irmãs de São José, vindas da França. A língua francesa era aprendida naturalmente e muitas matérias eram estudadas em livros escritos em francês, acreditava-se que a cultura recebida da Europa deveria ser passada as meninas do colégio. A Irmã Seraphina Thualion foi responsável pela fundação da tradicional Paróquia de Santa Cecília, São Paulo e a Pia Associação das Filhas de Maria. Até o ano de 1889 o colégio era gratuito, quando, por iniciativa do Sr. Provedor, Dr. Rafael de Barros, começou a se cobrar a quantia de dois mil
  85. 85. 85 réis de mensalidade, mas somente as famílias que podiam pagar. A pequena verba era utilizada para a compra de materiais escolares, mobiliário e prêmios as alunas. No mesmo ano, o Capelão Padre Hipólito Evangelista Braga, que foi criança da Roda, admitiu as primeiras Aspirantes a Pia União das Filhas de Maria, a qual se tornou agregada a Roma em 15 de agosto de 1890. A primeira Presidente da Pia União foi a aluna do externato, Emilia Boa- Nova, de 17 anos. Pia União desempenhará, por mais de 78 anos, uma importante função espiritual e apostólica no externato e na cidade de São Paulo. Em 1904 a organização do curso era dividido em três seções: Curso Infantil ou Elementar; Curso Preliminar e Curso Superior ou de Aperfeiçoamento (2º grau). Em 1905, é aprovado uma ata manifestando a satisfação da mesa pela ótima direção do estabelecimento de ensino, exaltando as qualidades e dedicação do quadro de funcionários, em especial a Irmã Carolina de Jesus Oliveira e Irmã Maria Simpliciana Raffin.
  86. 86. 86 Irmã Maria Simpliciana Raffin, nascida em Arbin, França, no ano de 1860. Aos 15 anos de idade ingressou na Congregação das Irmãs de São José de Chambery (França). Bem jovem ainda, com saúde fragilizada, sonhava que vindo para o Brasil ficaria curada. As superioras entenderam essa aspiração religiosa e em 1880 a mandaram para o Brasil. Muito dinâmica, virtuosa, sentindo circular em suas veias o amor pela educação, logo em 1885 foi Diretora do Externato São José, anexo ao Asilo dos Inválidos - SP - num prédio da Rua da Glória no centro da capital. Salientou-se muito na dedicação aos doentes atingidos pela gripe Espanhola (1957). Em 1924, Maria Theodora Voiron, Superiora Provincial das Irmãs de São José de Chambery percebendo a força do caráter e a riqueza de seu coração enviou Irmã Maria Simpliciana para fundar um colégio em Santos, onde era muito pequeno o número de escolas empenhadas na evangelização de crianças e jovens. Chegando em Santos, Irmã Maria Simpliciana, Irmã Maria Leontina Amstalden, Irmã Maria Letícia de Jesus Franzen, Irmã Maria Edith Renaudin e Irmã Guilhermina foram generosamente acolhidas pela família Vaz Guimarães e logo abriram o colégio à Rua Dr. Cókrane nº 53. Sendo tão expressiva a procura pelas famílias santistas, Irmã Simpliciana percebe logo que precisava de um espaço maior para responder à demanda de tantas candidatas. Adquiriu então um terreno à Avenida Dona Ana Costa, nº 373 e começou logo a construção. Nasceu o colégio São José, cujo funcionamento foi autorizado e reconhecido pelo Decreto Federal nº 148 de
  87. 87. 87 Em 1910, as funções de capellão do Asylo e do Externato sempre na responsabilidade do Revmo. Padre Alfredo Valdés da Ordem de Santo Agostinho que as exerceu com zelo e dedicação e as Irmãs de caridade de São José. Em 1911, devido a transferência do Asylo de Mendicidade para o Bairro do Jaçanã, Guapira, o Colégio São José passou a ocupar todo o terreno que a Irmandade possuía na Rua da Glória. Em relatório, o Dr. Américo Brasiliense se refere as distintas Irmãs de São José de Chambéry elogiando-as: “Por ultimo, cabe-me dizer que continuei a prestar meus serviços médicos no antigo edifício da Rua da Glória, na parte em que continua a funcionar o Externato S. José, á Exma. Superiora, Irmãs e pessoal que ali residem, e onde o estado sanitário se mantém sempre perfeito”.
  88. 88. 88
  89. 89. 89 O antigo prédio do externato começou a ser demolido em 1914, a mando do Arquiteto Dr. Ramos de Azevedo, para ser construído um edifício próprio para o colégio. Em 1915 deu-se início as construções com auxílio dos donativos enviados pelas alunas da Pia União das Filhas de Maria do Externato. Ainda com as obras em andamento, o ano letivo de 1919 pode ser realizado no novo prédio na Rua da Glória; faltavam apenas duas alas laterais e a Capela, construídas, respectivamente, em 1921 e 1924. Inaugurada em 08 de dezembro de 1924 a Capela do Externato São José. Esta data de inauguração foi escolhida por ser festa da Imaculada da Conceição de Nossa Senhora e aniversário do Arquiteto Ramos de Azevedo
  90. 90. 90 Em 1918 foi aprovado um novo Regulamento, o Externato São José passava a ministrar três Cursos, sendo estes: Curso Primário de 5 anos. Curso Geral de 3 anos e Curso Especial sem duração fixada. O Curso Primário admitia meninas maiores de sete anos; o Curso Geral admitiam meninas que concluíram o Curso Primário, onde tinham aulas adicionais de Corte e Costura, Bordado, Polidez, Religião e Frances; e o Curso Especial admitia meninas que queriam aperfeiçoar-se em qualquer uma das seguintes disciplinas: português, Frances, inglês, italiano, alemão, pintura, desenho, musica, violino, piano, trabalhos manuais, artes decorativas, datilografia, taquigrafia, etc.
  91. 91. 91 Classe do curso secundário em 1925. Note-se que algumas alunas estão co m tênis, de uso obrigatório no decorrer do dia para assegurar a conservação dos corredores e salas, rigorosamente encerados. As alunas de preto estão de luto. O uniforme adotado, usado de 1913 até 1930, consistia de blusa branca, com gola redonda e saia azul marinho pregueada. Alunas do Externato em 1950
  92. 92. 92 Ao longo dos anos, o Colégio São José foi evoluindo cada vez mais, procurando acompanhar as mudanças do país, da cidade, da configuração social e do sistema educativo da nação. Em 1941 se diplomou a primeira turma de bacharéis do colégio. Tal feito faz com que a Mesa Administrativa da Irmandade conceda as dedicadas Irmãs de São José a ampliação do prédio para acomodar 15 classes de Curso Ginasial, mais 14 de Curso Primário e 4 de Curso Comercial. Externato São José - 1942
  93. 93. 93 Em 1947, o Externato São José passa a ser chamado de Colégio São José. Em 1955, já consta em relatório que a atividade social do Colégio era muito intensa. Orientadas pelas Irmãs de São José, no dia 15 de outubro as alunas prestaram aos Srs. Professores uma significativa homenagem, além de prestigiar a memória do Pe. José de Anchieta - 1º mestre em nossa Piratininga. Na Páscoa, foi realizado a festa de Corpus-Christi, comparecendo 1.200 guardas civis. Era realizado também todo ano a festa de Natal. Sempre elogiadas e condecoradas por Provedores, Mordomos, Diretores Clínicos e Médicos da Santa Casa de São Paulo, as Irmãs de São José de Chambery possuíram um papel muito importante na educação das mulheres paulistas, foram responsáveis pelos parâmetros educacionais que vemos hoje. Sob sua constante direção, as Irmãs fizeram do Colégio um ícone do ensino brasileiro, juntamente com a Irmandade da Santa Casa, que sempre cuidando dos indigentes, nunca voltou as costas ao seu colégio da Glória. Dom Agnello Rossi – cardeal arcebispo de São Paulo – em companhia da Irmã Cecília Amélia que foi Diretora do Colégio no período de 1963 a 1969. Na foto ainda podemos ver a Irmã Ismênia de Jesus Fonseca e a recepcionista Ana Magalhães (Aninha) que trabalhou no colégio por mais de quarenta anos. D. Agnello foi um dos Arcebispos de São Paulo que sempre esteve presente nas obras de caridade tanto do Colégio S. José, quanto da Santa Casa de São Paulo. Sempre bondoso e humilde, D. Agnello praticava a misericórdia juntamente com as Irmãs de São José de Chambery.
  94. 94. 94 Asylo de Mendicidade: A abnegação ao próximo 04.07.1885 O Asylo de Mendicidade funcionava na Rua da Glória, nº 37, no mesmo prédio onde funcionava anteriormente o Hospital de Caridade. Foi fundado em 04 de julho de 1885, pelo Chefe de polícia, Dr. Hipólito de Camargo. Desde sua inauguração as Irmãs de São José de Chambery dirigiram e trabalharam esta instituição no trato aos desvalidos e desamparados, estes enfermos eram em geral: idosos, deficientes mentais, crianças, deficientes físicos, epiléticos, paraplégicos, deficientes visuais e etc.
  95. 95. 95 As Irmãs eram também responsáveis pelas fichas de identificação de cada paciente, reformaram as fichas médicas e ajudando a atualizar o Regulamento interno. Mas apesar da enorme dedicação das Irmãs de São José o prédio era precário e faltava um melhor trato com questões higiênicas; as paredes eram úmidas e havia superlotação de pobres doentes. Era admirável saber, que apesar das más condições do estabelecimento, as Irmãs conseguirem manter o asseio a qual se notava. O heroísmo dessas notáveis caridosas era impressionante. O médico responsável pelo trato aos enfermos era o Dr. Américo Brasiliense. Américo Brasiliense de Almeida Mello Filho Sanitarista, nasceu na cidade de São Paulo em 24.03.1864. 1889 - Graduou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Fundou a Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia, onde foi Catedrático de Matéria Médica e Terapêutica. Na Irmandade da Santa Casa de São Paulo foi Irmão Protetor, Médico Adjunto e Assistente. 1904 a 1939 - Chefe de Clínica do Asilo de Inválidos, sob Diretoria Clínica de Dr. Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho, Dr. Diogo Teixeira de Faria e Dr. Synésio Rangel Pestana. Foi inspetor sanitário em comissão e auxiliar do Dr. Emílio Ribas. Dr. Américo representada o tipo de médico da velha geração, da qual mantinham-se as velhas tradições. Muito amigo das Irmãs de São José, auxiliava-as na limpeza do Hospital 08.04.1942 - Faleceu em na cidade de São Paulo
  96. 96. 96 A administração e fiscalização Interna do Asylo dos Inválidos ficavam a cargo da Irmã Superiora Madre Maria Carolina de Jesus Oliveira, cuja superiora sempre tem se mostrado incansável no desempenho correto dos seus árduos deveres, pelo que sempre foi digna de louvor. Todas as roupas dos asilados eram confeccionadas pela Irmã Superiora juntamente com uma auxiliar de costura. Em 1910, as Irmãs de São José de Chambery era as mestras e orientadores dos cursos primários, secundários e curso especial. O Curso Primário, era as sessões de infantil, preliminar com o programa dos grupos escolares e escola normal primária. O Curso Secundário criado pelas irmãs que abrange também as matérias do curso normal secundário. E o Curso Especial, cujo as disciplinas são os trabalhos manuais, desenhos, perspectiva, frances, português, pinturas, flores e musica. Sob administração das Irmãs, sendo uma Diretora e secretária, dez irmãs professoras, dezesseis professoras auxiliares e ou substitutas. Os empregados subalternos do asylo também serviam ao externato São José. Em 02 de julho de 1911 é inaugurado o novo Asylo de Inválidos no Bairro de Guapira, onde foram transferidos todos os doentes e as Irmãs responsáveis pelo trato aos enfermos, dentre essas Irmãs estava a Diretora do Estabelecimento - Madre Maria Carolina de Jesus e mais cinco Irmãs auxiliares, sendo a Irmã Maria Philomena de Lima responsável pela seção
  97. 97. 97 das mulheres e Irmã Maria Lina Ribas d´Avilla, incumbida pela seção de homens. O Capelão responsável pela Capela era o Revmº. Padre Eugenio Beaup da Ordem dos Missionários da N. S de Salette. Em 1921 falece a Irmã Madre Superiora Carolina de Jesus Oliveira, que durante 31 anos exerceu o cargo de Diretora do Asylo de Inválidos, caridosa e bondosa, fez da sua vida missão de fazer o próximo um pouco mais feliz.
  98. 98. 98 Irmãs de São José no Asylo de Mendicidade - Hospital Geriátrico Dom Pedro II
  99. 99. 99 Em substituição, foi nomeada a Irmã Maria Filomena, que a muito vinha exercendo a função de Secretária e Ajudante da estimada Madre Carolina de Jesus. Em relatório de 1930, sob Provedoria de Dr. Antonio de Pádua Salles, as Irmãs de São José de Chambery recebem o seguinte elogio do Mordomo José dos Santos Azevedo: “A Revma. Irmã Superiora, com o diligente concurso de suas dignas auxiliares, muito se esforçou para que sua administração interna do Asylo corresse sempre na mais perfeita ordem, e tanto aquella como a estas, cumpre-nos consignar aqui os nossos sinceros louvores e agradecimentos, não somente por este facto, como também pela carinhosa assistência assiduamente prestada, por todas, aos pobres asylados”.

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