61897364 a-realizacao-do-batuque

793 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
793
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
13
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

61897364 a-realizacao-do-batuque

  1. 1. ::.. A Realização do Batuque ..::Daqui em diante você vai conhecer um pouco sobre o Batuque do Rio Grande do Sul,na linha de Jêje e Ijexá. Lembramos que cada Ilê tem o seufundamento, passado de geração a geração.01. Serão ou Corte aos OrixásA Religião Africanista é em seus fundamentos voltada para o passado, mantém até hojeensinamentos e preceitos, desde o tempo mais remoto, do negro na África e chegou aténós através dos escravos. Sobreviveu a todos os períodos de opressão e perseguição. Daía enorme importância da obrigação de corte aos Orixás, pois é a preservação da culturaque ao mesmo tempo em que ofertava certos sacrifícios aos Orixás alimentava seu povocom a carne do sagrado. Depois adiantando na linha do tempo, entramos nas casascomuns e nos terreiros em que os animais andavam soltos no pátio e serviam para asubsistência familiar, ainda não existia as facilidades que hoje são disponíveis nossupermercados.Há a crença de que a balança não pode ser aberta, isto é, as pessoas devem permanecerde mãos dadas até que se inicie o alujá, caso a balança arrebente algo de grave podeacontecer a um dos participantes da balança, podendo até ser a morte. Mas caso hajaalguma ameaça de arrebentar a Balança Axé dos Presentes enquanto são saudados pelospresentes. Depois os bolos são servidos aos convidados e o excedente é distribuídojuntamente com os mercados. São de costume também, os convidados ofertarempresentes ao Orixá do Babalorixá ou Yalorixá por ocasião de seu aniversário deaprontamento. Os presentes mais comuns são: flores, perfumes, doces, utensílios quepodem ser usados no dia-a-dia do Ilê, etc. É neste momento o Babalorixá ou o próprioOrixá apresenta á todos os presentes recebidos. Levantação , limpá-las e guardá-las nasprateleiras dentro do Quarto-de-santo. Mantendo um costume desde o tempo dosescravos Passeio Saindo do Ilê vão até o centro da cidade visitar lugares de grandesignificado para a comunidade.O serão ocorre geralmente na quinta-feira á noite, começa entorno dás 20:00 horas eestende-se muitas vezes até a madrugada, das obrigações de bori e de apronte que serãofeitas.No serão são imolados animais quadrúpedes (aos quais chamamos vulgarmente dequatro-pés) e de aves. As oferendas feitas aos Orixás são de origem animal assim comovegetal (folhas, plantas, grãos) e mineral: os ocutás, a água, etc. Os animais sãoofertados os Orixás com o intuito de fortalecer o axé do Orixá assim como a mente eespírito do filho-de-santo através do axorô (sangue do animal) e das inhélas, certaspartes dos animais que serão fritas e arriadas no Quarto-de-santo (cabeça, pés, testículono caso dos quatro-pés e cabeça, pés, pontas das asas, do pescoço e da sambiqueira,pulmões e testículos das aves).A carne dos animais imolados serão preparados em forma de canja, de amalá, assados,enfarinhados e consumido pelo povo durante o período de obrigação e pelas pessoas quecomparecerem ao toque, Batuque. Os couros retirados dos animais, depois depreparados são utilizados na confecção dos tambores, instrumentos tocados durante oBatuque. Nada é desperdiçado, por exemplo, no Ilê Centro Africano Reino de OxumPandá é grande o número de animais imolados, devido ao grande número de filhos que
  2. 2. o Ilê tem, quando não é consumida a totalidade de carne e de comida preparada, orestante é doada a entidades carentes nas proximidades do Ilê.02. Preparação do ToqueNo dia posterior ao corte, permanecem alguns filhos-de-santo no Ilê para preparem emtodos os detalhes o toque que irá acontecer no sábado. As principais atividadesacontecem na cozinha, considerada a parte mais importante do Ilê, depois do Quarto-de-santo. É necessário que um filho-de-santo, mais experiente e de extrema confiança doBabalorixá auxilie na organização de tudo que deve ser feito, pois os afazeres sãomuitos e o tempo escasso.Além de todas as comidas-de-santo, devem ser feitas comidas tradicionalmente sagradase significativas que serão servidas ás visitas que são esperadas mais tarde no toque.Com as aves preparam-se: canja, galinha assada, galinha enfarofada. Com a carne docarneiro faz-se o amalá, comida consagrada ao Orixá Xangô: A carne cozida e desfiadaé agregada ao molho com folhas de mostarda picada, servido com pirão de farinha demandioca. Os cabritos e porcos são assados e servidos em pedaços. Faz-se tambémcanjica de milho branca e amarela, além de uma grande variedade de doces como: sagu,pudim, ambrosia, quindim, docinhos, etc... Para beber serve-se o atã, bebida típica doOrixá Ogum, feita com frutas minusculamente cortadas, misturadas com guaraná exarope de groselha.Os miúdos dos quatro-pés é cozido e picado de forma bem miúdapara se fazer o sarrabulho, uma espécie de farofa temperada com cheiro verde, cebola eos miúdos picados. As filhas de Iansã, ajudadas por outros irmãos fazem o acarajé,comida consagrada ao seu Orixá de cabeça. Havendo disponibilidade faz-se ainda osbolos que serão ofertados pela ocasião do aniversário de assentamento dos Orixás.A preparação do toque segue com a arrumação do Quarto-de-santo que deve ter: flores,perfumes, as comidas-de-santo, atã, pelo menos uma porção de cada comida que estásendo feita para o povo, frutas, balas enroladas em papéis coloridos, os bolos deaniversário. Além das inhélas e das vasilhas contendo as obrigações e de outros fetichesreligiosos. Há ainda a arrumação do salão, onde acontece o toque, e das demaisdependências do Ilê que depois da limpeza são organizadas para melhor receber osconvidados, Babalorixás e Yalorixás que juntamente com seus filhos-de-santo vêmprestigiar a obrigação.03. O MercadoTambém faz parte da preparação para o toque a confecção dos mercados que serãodistribuídos no final do Batuque.O significado e a explicação desta denominaçãoperdeu-se nos tempos, porém seu significado religioso continua forte.Os mercados são pacotes onde se colocam as comidas-de-santo para serem ofertados ásvisitas simbolizando a distribuição e a extensão do axé de prosperidade, fartura efraternidade a todos os lares e Ilês.O axé obrigatoriamente deve ser dividido entre os que compareceram ao toque,principalmente quando o ebó é de quatro-pés. Cada Ilê acondiciona o mercado da
  3. 3. maneira que lhe convém: em bandejas, em pacotes, em caixas de papelão, etc, porém oque não muda muito é o conteúdo do mercado.O mercado deve conter: pedaços de carne de cabrito assada, frutas, bolo, axoxô (milhocozido, pertence á Obá), pipoca (pertence á Bará), batata doce frita em rodelas ouacarajé (pertence á Iansã), doces - quindim, docinhos, balas (pertence á Oxum), farofade Xapanã (farinha de mandioca pilada com amendoim e açúcar). No final do toquetambém são distribuídos, bolos, carnes, frutas.O babalorixá, muitas vezes presenteia os Babalorixás e Yalorixás que estão de visitacom flores do Quarto-de-Santo, para que sejam colocadas em seus Quarto-de-santo,como sinal de agradecimento pelo comparecimento no ebó. Caso ainda sobre algumacomida ou fruta, deve ser doado a pessoas carentes ou instituições de caridade.04. O ToqueO toque geralmente inicia ás 23:00 horas, quando todos os filhos-de-santo devem estarpresentes e devidamente trajados de seus axós, para auxiliar o Babalorixá ou Yalorixá arecepcionar os visitantes. O início do toque se dá com a chamada: todos em silêncio,ajoelham-se, enquanto o Babalorixá em frente ao Quarto-de-santo, tocando o adjá(espécie de sineta) saúda a todos os Orixás, de Bará a Oxalá, fazendo pedidos deabertura, de paz, saúde e prosperidade a todos os presentes. Os filhos-de-santorespondem com a saudação específica de cada Orixá.Os alabês (tamboreiros), "puxam" os erís, isto é tocam os tambores enquanto entoam oserís, para que os presentes respondam, e a roda se forma no centro do salão,movimentando-se no sentido anti-horário. Os erís têm coreografias adequadas a cadaorixá ou a cada "passagem", (relação da reza com alguma história daquele orixá), porexemplo: nos erís do Orixá Ogum ora dança-se simulando com as mãos o trabalho doferreiro na forja, ora dança-se simulando a utilização de uma lança, relacionando comOgum guerreiro.Todos podem fazer parte da roda, adultos, crianças, iniciados e prontos, porém algunsdetalhes devem ser observados. Participam da roda pessoas que estejam de axó (calçacomprida para os homens, e no mínimo saia para as mulheres, desde que não seja curta),mulheres em período menstrual não participam do Batuque, mas podem auxiliar namanutenção, na limpeza e na recepção dos convidados. As pessoas que estiverem deluto também não podem participar do ebó, ficando somente na assistência.Os Orixás que "chegam" usam o centro da roda para dançarem e darem os seus axés,com exceção dos orixás "velhos" que são encaminhados a sentarem-se nos banquinhos aeles destinados. Os erís seguem a hierarquia dos Orixás, sendo de responsabilidade doalabê a exatidão dos erís assim como a ordem dos acontecimentos no decorrer do toque.Acompanhe a seqüência de tais acontecimentos, segundo a Nação Jêge-Ijexá:4.1. Balança ou Roda-de-ProntosChama-se balança ou cassum em homenagem a Xangô e também por conter o axé detodos os orixás em equilíbrio. Há um intervalo na movimentação da roda e os presentes,inclusive os orixás afastam-se do centro do salão, deixando espaço para a roda dabalança.
  4. 4. Só há balança quando há ebó de quatro-pés, que é constituída exclusivamente porpessoas prontas na religião, que já tenham feito ao menos bori de quatro-pés, no mínimo06 pessoas (conta de Xangô) podendo ser em número múltiplo de 06: 12, 18, 24, 32.Caso o número de prontos seja excedente, por ser feito mais de uma balança, aí entãocostuma-se fazer uma balança com pessoas de orixá de frente e uma balança com opovo de praia. Os participantes colocados lado a lado, formando uma roda de mãosdadas, dançam ao ritmo do tambor que vai gradualmente aumentando de intensidade. Équando ocorre o maior número de ocupações ao mesmo tempo, sendo somente de orixásjovens (Oxum, Iemanjá e Oxalá velhos só podem chegar depois do início dos erís deOxum). Ao terminar a balança os Orixás cumprem o fundamento: Vão ao Quarto-de-santo, depois até a porta da rua para cumprimentar os orixás da rua e depois dançam aosom do Alujá de Xangô e do Alujá de Iansã, erís destinados unicamente pelos orixás defrente.Há a crença de que a balança não pode ser aberta, isto é, as pessoas devem permanecerde mãos dadas até que se inicie o alujá, caso a balança arrebente algo de grave podeacontecer por dos participantes da balança, podendo até ser a morte. Mas caso hajaalguma ameaça de arrebentar a Balança, cabe ao alabê, mudar imediatamente o axé indodireto para a execução do Alujá de Xangô. Por causa desta crença, muitas pessoasesquivam-se de participar da Balança, porém é uma obrigação muito forte onde seconfirma que o ebó que está sendo realizado é de quatro-pés, o axé que emana no salãodurante a balança é algo muito forte, sentido por todos os presentes.4.2 Alujá de Xangô e Alujá de IansãLogo após a Balança os Orixás que estão no "mundo" dançam o Alujá do Xangô e oAlujá de Iansã, respectivamente, ritmos do tambor, característicos destes Orixás. Osorixás jovens dançam em frente ao "pagodô" local mais elevado (espécie de palco) ondeficam os alabês. Durante o alujá é contagiante o axé e a empolgação com que os orixásdançam, proporcionando um momento de rara beleza.4.3 A Saída do EcóTerminado os Erís de Obá é hora da Saída do Ecó, que nada mais é do que o despachodo axé de Bará, e do ecó de Bará Lanã e do Bará Lodê (alguidar com água, farinha demandioca e gotas de epô - azeite de dendê) e do ecó de Oxum (Vasilha de vidro comfarinha de milho, água, mel e perfume e flores).A saída do ecó simboliza a saída de toda a negatividade que existe no ambiente e naspessoas presentes prepara o ambiente para os erís dos Orixás de praia, que tem umtoque mais brando. Enquanto sai o ecó, os alabês continuam puxando os erís, só queagora puxam os erís dos orixás da rua - Bará Lodê, Ogum Avagã e Iansã Timboá - nãohá movimento da roda e a assistência evita olhar para o que está acontecendo, virandopara a parede. Diz a crença que quem olhar a saída do ecó atrai para si a negatividade alicontida.4.4 Roda de Ibedji
  5. 5. No Batuque de Quatro-pés há a roda de Ibedjis, no Gêge-Ijexá ela acontece durante oserís de Oxum. É o momento em que as crianças participam da obrigação e as mulheresque pretendem a maternidade ou que estão grávidas fazem os seus pedidos eagradecimentos. Os orixás, principalmente Oxum e Xangô, distribuem aos que estão naroda e na assistência, as frutas, os doces - quindins, merengues, cocadas, bolos - queestão no Quarto-de-santo.4.5 Axé dos PerfumesSendo Oxum a deusa da beleza adora perfumes, espelhos, em seus erís há um momentoespecial em as Oxuns que estão no mundo recebem vidros de perfumes, leques eespelhos. Dançam felizes, empunhando seus leques e espelhos enquanto outras sebanham com perfume e distribuem um axé perfumado as pessoas que estão na roda e naassistência. Este axé faz uma referência sobre a "passagem" em que Oxum está no riobanhando-se, num ritual de beleza e encantamento.4.6 Axés dos PresentesGeralmente acontece quase no final do Batuque, os orixás que estão aniversariando"apresentam" seus bolos, tantos os orixás quanto os filhos-de-santo que não se ocupam,mostram a todos o seu bolo com a vela acesa (correspondente aos anos de assentamentodo orixá), enquanto são saudados pelos presentes. Depois os bolo são servidos aosconvidados e o excedente é distribuído juntamente com os mercados.São de costume também, os convidados ofertarem presentes ao Orixá do Babalorixá ouYalorixá por ocasião de seu aniversário de aprontamento. Os presentes mais comunssão: flores, perfumes, doces, utensílios que podem ser usados no dia-a-dia Ilê, etc. Éneste momento que o Babalorixá ou o próprio Orixá apresenta á todos o presenterecebido.4.7 O Axé do Alá de OxaláPertence aos erís do Oxalá o axé do Alá. Em determinado momento, os filhos-de-santocom estatura mais elevada suspendem ao alto um grande Alá branco. Enquanto a roda eos erís continuam, todos passam por baixo do Alá pedindo ao orixá do branco a paz e aproteção4.8 O Aforiba ou a Dança do AtãO aforiba é o momento em que Ogum e Iansã demonstram a passagem em que Iansãembebeda Ogum para fugir com Xangô. O Babalorixá convida um Ogum e uma Iansãpara fazerem o Aforiba, então ela coloca no centro do salão duas garrafas contendo atã(aforiba) e as armas pertencentes a estes orixás (espadas). Iansã toma as garrafas eoferece á Ogum que logo se embebeda, mas em seguida Ogum volta a si e vai atrás deIansã empunhando sua espada. Os dois lutam, mas Iansã consegue acalmar Ogum e osdois reconciliam-se e voltam a dançar juntos.Tendo um Xangô no mundo poderá vir ele fazer parte do Aforiba. Xangô vem emdefesa de Iansã e com seu machado de dois gumes entra na luta com Ogum. Aí então,Iansã acalma os dois Orixás.
  6. 6. 4.9 Os AxêresConforme o Batuque vai acontecendo, os orixás chegam (ocupam-se da consciência edo corpo de seus filhos) e fazem o fundamento da religião, conforme o ensinamento doBabalorixá e da Yalorixá. Feita a obrigação os Orixás "sobem", vão embora. Os orixássão despachados, geralmente por filhos-de-santo mais antigos e experientes do Ilê,porém eles ficam em "axêre" ou "axêro" (No Candomblé são chamados de Erês), estadointermediário entre a ocupação do orixá e da pessoa propriamente dita. Os axêres agemcomo crianças, tomam refrigerante e adoram fazer brincadeiras com as pessoas, pois seulinguajar é confuso, trocam as expressões como, por exemplo: "tigue" (tigre) quer dizercarro, "confeitaria" quer dizer bolo, "pouco" quer dizer muito, "feinho" quer dizerbonito, e assim por diante. È um momento de descontração, porém deve ser mantido orespeito, pois apesar de fazerem brincadeiras, os axêres ainda conservam a essência doorixá.4.10 A Levantação da ObrigaçãoTerminada o período em que a obrigação deve ficar arriada, há a levantação, termo quese refere ao ato de levantar as vasilhas contendo as obrigações de corte que estavamarriadas, limpa-las e guarda-las nas prateleiras dentro do Quarto-de-santo. Mantendo umcostume desde o tempo dos escravos, as obrigações são guardadas no Quarto-de-santo eocultas por cortinas que geralmente tem á sua frente imagens católicas que se referemao sincretismo religioso, assim como velas, castiçais, comidas de santo, flores e outrosobjetos sagrados pertencentes aos Orixás.05. O PeixeA obrigação do peixe é feita pela manhã bem cedinho, e só ocorre em festas grandes,com quatro-pés. Alguém encarregado deve ir ao rio ou ao mercado público e trazerpeixes ainda vivos para serem imolados aos Orixás, de Bará á Oxalá, por isso não podeser uma quantidade muito pequena. Os orixás de frente recebem pintado comoobrigação e os Orixás de praia recebem jundiá. No Quarto-de-santo são imolados aomenos um peixe para cada orixá e a ele é destinado: a cabeça, as barbatanas, a cauda eum pouco de axorô (sangue). A carne dos peixes imolados é servida com pirão (ebó) noalmoço e deve ser consumida pelos presos (filhos que estão de Obrigação) e pelos queestão na casa, pois o ebó de peixe simboliza fartura e prosperidade.Uma quantidade maior de peixes é preparada frita para ser servida ao povo quecomparecer ao batuque de encerramento ou no Toque do Peixe - toque realizado nanoite do corte do peixe, porém com duração mais curta quando serão consumidos o ebódo peixe e peixes fritos, além das comidas dos orixás.06. Mesa de IbedjiA obrigação da Mesa de Ibedji é feita no Batuque de Encerramento e nas ocasiões emque o Babalorixá ou Yalorixá acharem necessárias. É realizada no início da noite eantecede o Batuque de Encerramento. Dela participam crianças de zero á doze anos,além de mulheres grávidas, ou que queiram engravidar. São "tirados" erís de Bará, deXangô e Oxum (que representam os Ibedji) e dos orixás velhos. A Mesa de Ibedji ériquíssima de detalhes e constitui uma obrigação religiosa com muito axé e beleza.
  7. 7. Significa agradar e reverenciar aos orixás das crianças que simbolizam pureza, paz eprosperidade.Uma grande toalha branca é colocada ao chão e nela colocam-se 01 gamela de frutas, 01gamela contendo amalá, flores, 01 quartinha, brinquedinhos, bolo, doces e refrigerantes.As crianças participam em grupos de 06, 12...(números múltiplos de 06, a "conta" deXangô), sentam-se ao redor da toalha, as menores acompanhadas por um adulto.Servem-se para as crianças: primeiramente canja de galinha, depois os doces erefrigerante. Após terem comido o que foi servido, são dados ás crianças uma colher demel e um gole de água. Depois são lavadas e enxugadas as mãos das crianças.Terminadas estas etapas as crianças são levantadas da mesa por pessoas adultas ou pororixás que tenham "chegado" na mesa e conduzidos a formarem uma roda ao som deerís de Xangô. São feitas quantas mesas forem necessárias para que todas as criançaspresentes participem da Obrigação.Encerrada a Mesa de Ibedji, os Orixás que chegaram durante e a Mesa de Ibedji,recolhem os itens que ainda restam na mesa e levam até o Quarto-de-santo. Osbrinquedos são distribuídos entre as crianças que participaram da Mesa.07. Toque de EncerramentoÉ o toque que encerra as atividades públicas do Batuque Grande. Tem uma proporçãoum pouco menor do que o primeiro toque, pois é antecedido pelo corte do peixe e docorte de confirmação, quando são imoladas somente aves aos orixás.A cor dos axós épreferencialmente o branco e pode acontecer a Mesa de Ibedji antes do início do toque.É nesta noite que serão dados os axés de Obés e Ifá. Entre os alimentos servidos aosconvidados prevalecem os doces, além da canja, da canjica e do amalá (este feito comcarne de peito de gado). Seguido do toque, no dia posterior há a levantação da obrigaçãodo corte de confirmação.08. O PasseioO término da obrigação para os filhos-de-santo que estão presos por motivo de seuaprontamento ou por obrigação de Bori é o Passeio no dia posterior á Levantação, pelamanhã, antes, porém o Babalorixá ou Yalorixá leva os presos até a porta da frente do Ilêe apresenta-os à rua (aos Orixás da Rua), liberando-os para saírem fora dos limites doIlê.É comum no centro de Porto Alegre reconhecermos um grupo de presos passeandojuntamente com seu Babalorixá ou Yalorixá . Saindo do Ilê vão até o centro visitarlugares de grande significado para a comunidade batuqueira: A Igreja do Rosárioconstruída com o trabalho do negro escravo (antiga irmandade de negros) , o MercadoPúblico - lá compram cereais, grãos, e velas -, o Rio Guaíba ( que banha a cidade) - láreverenciam Oxum e jogam moedas ao rio pedido prosperidade e fartura. Em seguida,vão visitar algum Ilê conhecido onde "batem cabeça" cumprimentando os Orixás do Ilêe lá depositam parte das compras feitas no mercado. De volta ao Ilê, batem cabeça noQuarto-de-santo e arriam o restante das compras feitas. Cumprimentam o Babalorixá ouYalorixá na nova condição de Filho-de-santo pronto, ou borido (conforme a obrigaçãorealizada).
  8. 8. ::.. Um resumo sobre Os Cultos Afros - Batuque no RS: ..:: Batuque é uma Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás encontrada principalmenteno estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde se estendeu para os países vizinhos taiscomo Uruguai e Argentina.Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as naçõesJêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô.A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no inicio do séculoXIX, entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a:69). Tudo indica que os primeirosterreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornaisdesta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de abril de 1878, (jornaldo comércio, Pelotas). Já em Porto Alegre, as noticias relativas ao Batuque, datam dasegunda metade do século XIX, quando ocorreu a migração de escravos e ex-escravosda região de pelotas e Rio Grande para Capital.Os rituais do Batuque seguem fundamentos, principalmente das raízes da nação Ijexá,proveniente da Nigéria, e dá lastro as outras nações como o Jêje do Daomé, hoje Benim,Cabinda (enclave Angolano) e Oyó, também, da região da Nigéria. O Batuque surgiucomo diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as suas raízes naÁfrica, tendo sido criado e adaptado pelos negros no tempo da escravidão. Um dosprincipais fundadores do Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã. O nome batuqueera dado pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará. É da Junção de todasestas nações que se originou esta cultura conhecida como Batuque, e os nomes maisexpressivos da antiguidade, que de uma maneira ou de outra contribuíram para acontinuidade dos rituais foram:Ijexá — Paulino de Oxalá Efan, Maria Antonia de Assis (Mãe Antonia de Bará),Manoel Matias (Pai Manoelzinho de Xapanã), e Pai Idalino de Ogum entre outros.Oyó — Mãe Andrezza Ferreira da Silva, Pai Antoninho da Oxum, Mãe Moça de Oxume Tim de Ogum, entre outros.Jêje — Mãe Chininha de Xangô, Príncipe Custódio de Xapanã, João Correa de Lima(Joãozinho de Bará) responsável pela expansão do Batuque no Uruguai e Argentina.Cabinda — Waldemar Antônio dos Santos de Xangô Kamuká; Maria Madalena Aurélioda Silva de Oxum, Palmira Torres de Oxum, Pai Henrique de Oxum, entre outros.As entidades cultuadas são as mesmas em quase todos terreiros, os assentamentos temrituais e rezas muito parecidos, as diferenças entre as nações é basicamente em respeitoas tradições próprias de cada raiz ancestral, como no preparo de alimentos e oferendassagradas. O Ijexá é atualmente a nação predominante, encontra-se associado aos rituaisde todas nações.O batuque é uma religião onde se cultuam vários Orixás, oriundos de várias partes daÁfrica, e suas forças estão em parte dentro dos terreiros, onde permanecem seusassentamentos e na maior parte na natureza: rios, lagos, matas, mar, pedreiras,cachoeiras etc., onde também invocamos as vibrações de nossos Orixás.
  9. 9. Todo ser humano nasce sob a influencia de um Orixá, e em sua vida terá as vibrações ea proteção deste Orixá que está naturalmente vinculado e rege seu destino, comcaracterísticas individuais, em que o Orixá exige sua dedicação, onde este poderá serum simples colaborador nos cultos, ou até mesmo se tornar um Babalorixá ou Yalorixá.Há uma questão de ordem etmológica no Termo Pará, onde afirma-se ser este o outronome pelo qual é conhecido o Batuque, ora sabe-se que todo frequentador de Terreiroschama na verdade o Peji ou quarto-de-santo de Pará e não o ritual sagrado dos Orixás,este sim o Batuque. Esta questão já está dimensionada desde os anos 50, nas pesquisasetnográficas de Roger Bastide sobre a Religião Africana no Rio Grande do Sul. Sãoconsideradas Religiões Afro-Brasileiras, todas as religiões que tiveram origem nasreligiões africanas, que foram trazidas para o Brasil pelos escravos.Batuque Candomblé Catimbó Culto aos Egungun Culto de Ifá Jurema sagrada QuibandaMacumba Tambor-de-Mina Umbanda Xangô do Nordeste Xambá As Religiões Afro-Brasileiras são relacionadas com a Religião Yorubá e outras Religiões africanas, ediferentes das Religiões Afro-Caribenhas como a Santeria e o Vodu.Roupas da cor dos Orixás e fios de contasO culto, no Batuque, é feito exclusivamenteaos Orixás, sendo o Bará o primeiro a ser homenageado antes de qualquer outro, eencontra-se seu assentamento em todos os terreiros, no Candomblé o chamam de Exú.Entre os Orixás não há hierarquia, um não é mais importante do que o outro, elessimplesmente se completam cada um com determinadas funções dentro do culto. Osprincipais Orixás cultuados são: Bará, Ogum, Oiá-Iansã, Xangô, Ibeji (que tem seuritual ligado ao culto de Xangô e Oxum), Odé, Otim, Oba, Ossain, Xapanã, Oxum,Iemanjá, Oxalá e Orunmilá (ligado ao culto de Oxalá).E há também divindades que nem todas nações cultuam como: Exú Elegbara, Gama(ligada ao culto de Xapanã), Zína, Zambirá e Xanguín (qualidade rara de Bará) que sóos mais antigos tem conhecimentos suficientes para fazer seus rituais.No Rio grande do Sul a área de conservação das religiões africanas vai de Viamão àfronteira do Uruguai, com os dois grandes centros de Pelotas e de Porto Alegre.No batuque, os templos terreiros são quase que em sua totalidade vinculados as casas demoradia. É destinado um cômodo, geralmente na parte da frente da construção onde sãocolocados os assentamentos dos Orixás. Neste local são feitos todos os fundamentos dematanças e trabalhos determinados, oferendas para os Orixás, e o local é consideradosagrado, pessoas vestidas de preto, mulheres em dias de menstruação não entram. Juntoà esta parte da casa, chamada de quarto de Santo ou Peji, há o salão onde são realizadasas festas para os orixás.O estado do Rio Grande do Sul foi o maior responsável pela exportação dos rituaisafricanos para outros países da América do Sul, entre eles Uruguai e Argentina, quetambém procuram seguir a maneira de cultuar os Orixás; e a construção dos templosseguem exemplos dos seus sacerdotes.Todos os Orixás são montados com ferramentas, Okutás (pedras) etc. e permanecemdentro da mesma casa, com exceção do Bará Lodê e do Ogum Avagãn, que tem seusassentamentos numa casa separada, ficando à frente do templo onde recebem suas
  10. 10. oferendas e sacrifícios. A casa dos Eguns também tem lugar definido, é uma construçãoseparada da casa principal, na parte dos fundos do terreiro, onde são feitos diversosrituais.Em caso de falecimento do Babalorixá ou Yalorixá, dono do terreiro, fica a critério dafamília o destino do templo, geralmente não tendo um familiar que possa suceder omorto o templo é fechado. Na maioria dos casos na morte de um sacerdote, todas asobrigações são despachadas num ritual especifico chamado de Erissum (Axexê), poreste motivo é muito difícil encontrar ilês com mais de 60 anos, são muito poucos ossacerdotes que destinam seus axés à um sucessor, para dar prosseguimento à raiz.Oferendas para os OrixásOs rituais são próprios e originais e embora tenha algumasemelhança com o "Xangô de Pernambuco", é muito diferente do Candomblé da Bahia.Os rituais de Jêje tem suas rezas próprias (fon), e ainda se vê este belo ritual em doisgrandes terreiros na cidade de Porto Alegre, as danças são executadas de par, um defrente para o outro. Há também muitas casas que seguem os fundamentos da nação Oyóque se aproxima muito do ijexá, já que, estas duas provem de regiões próximas naNigéria.A principal característica do ritual do Batuque é o fato do iniciado não poder saber emhipótese alguma que foi possuído pelo seu Orixa, sob pena de ficar louco.Cada Babalorixá ou Iyalorixá tem autonomia na prática de seus rituais, não existemnomenclaturas de cargos como tem no Candomblé, exercem plenos poderes em seusilês. Os filhos de santo se revezam nos cumprimentos das obrigações.No mínimo uma vez por ano são feitos homenagens com toques para os Orixás, mas asfestas grandes são de quatro em quatro anos. Chamamos de festa grande a obrigaçãoque tem ebó, ou seja quando há sacrifícios de animais de quatro patas aos Orixás,cabritos, cabras, carneiros, porcos, ovelhas, acompanhados de aves como galos,galinhas e pombos.Esta obrigação serve para homenagear o Orixá "dono da casa" e dos filhos que aindanão possuem seu próprio templo. A data é geralmente a mesma que aquele sacerdoteteve assentado seu Orixá, a data de sua feitura. As festas têm um ciclo ritual longo, queantigamente duravam 32 dias de obrigações, hoje diante das dificuldades duram nomáximo 16. O começo de tudo são as limpezas de corpo e da casa, para descarregartotalmente o ambiente e as pessoas, de toda e qualquer negatividade; em seguida sãopreparados as oferendas e sacrifícios ao Bará. A partir deste momento, os iniciados jáficam confinados ao templo, esquecendo então o cotidiano e passam a viver para osOrixás por inteiro até o final dos rituais. No dia do serão (dia da obrigação de matança),todos Orixás recebem sacrifícios de animais. Os cabritos e aves são preparados comdiversos temperos e servidos a todos que participarem dos rituais, tudo é aproveitado,inclusive o couro dos animais, que sevem para fazer os tambores usados nos dias detoques.No dia da festa o salão é enfeitado com as cores dos Orixás homenageados. A aberturase dá com a chamada (invocação aos Orixás), feita pelo sacerdote em frente ao peji(quarto de santo), usando a sineta (adjá), saudando todos Orixás. Ao som dos tambores,
  11. 11. as pessoas formam uma roda de dança em louvor aos Orixás, a cada um comcoreografias especiais de acordo com suas características.No final das cerimônias são distribuídos os mercados, (bandejas contendo todo tipo deculinária dos Orixás como: acarajé, axoxó (milho cozido e fatias de coco), farofa deaves, carnes de cabritos (cozidas ou assadas), frutas, fatias de bolos etc.), algunsconsomem ali mesmo, outros levam para comer em casa.Durante a semana são feitos outros rituais de fundamentos para os Orixás, inclusive amatança de peixe, que para os batuqueiros significa fartura e prosperidade, os peixesoferecidos são da qualidade Jundiá e Pintado; estes são trazidos vivos do cais do portoou do mercado público, onde o comércio de artigos religiosos é intenso.No sábado seguinte é feito o encerramento das obrigações, com mesa de Ibejes e toque,novamente em homenagem aos Orixás, neste dia são distribuídos mercados comiguarias e o peixe frito, significando a divisão da fartura e prosperidade com osparticipantes das homenagens aos Orixás. Após o encerramento, o sacerdote leva osfilhos que estavam de obrigações ao rio, à igreja, ao mercado público e à casa de algunssacerdotes, que fazem parte da família religiosa, para baterem cabeça em sinal derespeito e agradecimento; este passeio faz parte do cumprimento dos rituais. Após opasseio todos estão liberados para seguirem normalmente o cotidiano de suas vidas.o Batuque também temos a parte dos rituais destinados ao culto dos Eguns. Este é umritual cheio de magia e segredos onde poucos sacerdotes têm o completo domínio.A casa dos Eguns (espíritos dos mortos) fica numa construção separada da casaprincipal, nos fundos do terreno, onde são feitos diversas obrigações em determinadasdatas e quando morre alguém ligado ao terreiro; este local é denominado Balê.Aos Eguns também são oferecidos sacrifícios de animais, e comidas diversas que fazemparte somente deste ritual, não podendo ser usados em outras ocasiões.Os Eguns, assim como os Orixás, tem suas rezas (cânticos) próprias, feitos nalinguagem yorubá, e em dias de obrigações recebem toques ao som de tambores frouxose sem o acompanhamento de agê (instrumento feito com uma cabaça inteira trançadacom cordão e contas diversas).Cada nação tem rituais diferentes para este tipo de obrigação.O Babalorixá ou Yalorixá tem a responsabilidade de formar novos sacerdotes, que darãocontinuidade aos rituais. Para isto é preciso preparar novos filhos de santo, que duranteum certo período de tempo aprenderão todos os rituais para preservação dos cultos.O sacerdote chefe deve passar aos futuros Pais ou Mães de Santo, todos os segredosreferente aos rituais tais como: uso das folhas (folhas sagradas), execução de trabalhos eoferendas, interpretação do jogo de búzios, e até mesmo como preparar um novosacerdote.Geralmente o futuro sacerdote já nasce no meio religioso, onde conviveráacompanhando todos os diversos rituais que darão suporte a seus afazeres dentro do
  12. 12. culto, e terá pleno conhecimento de todos os tipos de situações que enfrentará em seufuturo templo.O tempo de aprendizado é longo, não se forma um verdadeiro sacerdote de Orixás commenos de sete anos de feitura, e os ensinamentos são passados de acordo com aevolução da capacidade de aprendizado que o noviço tem, já que os ensinamentos sãofeitos oralmente, não há livros para ensinar os rituais, a melhor maneira de aprendertudo é conviver desde cedo dentro dos terreiros.A partir do momento que um noviço se torna um sacerdote de Orixá, terá as mesmasresponsabilidades daquele que lhe passou os ensinamentos.

×