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Daiana Godinho Martins Correia
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REFERÊNCIAS
BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: edições Loyola,
1999.
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  1. 1. 1 NOVAS PERSPECTIVAS NO ENSINO DE GRAMÁTICA Daiana Godinho Martins Correia Prof. Orientador Márcia Voges Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Letras (Led0152) – Estágio I 06/12/13 RESUMO O trabalho que segue, foi desenvolvido com o objetivo de apresentar a forma que ocorre o processo de ensino de gramática nas escolas públicas, e se as mesmas e seus respectivos docentes estão adaptados ou adaptando-se as novas perspectivas funcionalistas de ensino sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCN’s, que veem o texto como base fundamental para o ensino de gramática. O foco deste trabalho está na implementação desta nova perspectiva de ensino e averiguar se de fato ela vem ocorrendo. Analisando os dois contrapontos desta interrogação: Deve-se ensinar gramática normativa na escola? Além disto, busca caracterizar as escolas observadas e também os profissionais que nelas atuam para tentar identificar o padrão de ensino que se tem nas escolas regulares. Palavras-chave: Novas perspectivas. Gramática. Texto. 1 INTRODUÇÃO Partindo das dificuldades que os professores de Língua Portuguesa encontram em relação ao ensino de gramática, sendo esta normativa demais em contraponto as diversas variações linguísticas existentes em nosso país, caberia aos professores da língua introduzir novas práticas ao seu ensino. E de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCN’s, surge uma nova perspectiva, um novo olhar sobre o ensino de nossa língua mãe, o uso do texto como base e principal norteador do ensino de gramática. Essa nova proposta nos evidencia que deve-se mostrar a prática do uso da norma culta ou padrão dentro dos textos lidos e produzidos pelos educandos, e não somente teorias e exemplos descontextualizados obtidos nas gramáticas tradicionais. Então, partindo do pressuposto dos PCN’s, em que diz: [...] a língua é um sistema de signos específico histórico e social, que possibilita a homens e mulheres significar o mundo e a sociedade. Aprendê-la é aprender não somente palavras e saber combiná-las em expressões complexas, mas aprender pragmaticamente seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas entendem e interpretam a realidade e a si mesmos. (1998, p.20).
  2. 2. 2 Entende-se que devemos ensinar gramática aos alunos sim, mas que fique em concordância com a realidade deste, respeitando o padrão, e a variação linguística concomitantemente. Para que o educando possa ver a importância de tantas regras, tem de se provar que o não uso destas pode provocar desde interpretações equivocadas até a impossibilidade de comunicação. Diante destes aspectos, baseado em pesquisas bibliográficas e observações de práticas docentes em aulas de Língua Portuguesa, o presente paper tem por objetivo identificar de que forma vem se introduzindo o ensino de gramática, refletindo sobre a nova perspectiva de ensino que tem por base a introdução do texto viabilizando o ensino da mesma. O estágio em questão, que teve como metodologia as observações da prática docente, foram realizados ensino fundamental na Escola Municipal de Ensino Fundamental Marechal Manoel Luiz Osório, e ensino médio na Escola Estadual de Ensinos Fundamental e Médio Antônio de Castro Alves, ambas localizadas na região central do município de Alvorada. A primeira trata-se de uma escola pequena com um corpo discente de 660 alunos para este ano letivo e um corpo docente de 22 profissionais, em sua maioria graduados, bem organizada e estruturada pela equipe diretiva, que procura sempre manter a ordem, limpeza e segurança da escola. A segunda tem maior estrutura por se tratar de uma escola estadual, seu corpo discente para este ano letivo conta com a presença de 1.790 alunos e seu corpo docente possui 60 profissionais, todos graduados, em contraponto e talvez por causa da grande demanda de alunos, a escola não tem preocupação quanto à limpeza das salas de aula e pátio, tornando assim o ambiente com aspecto sujo e envelhecido. Para atingir os objetivos desta pesquisa, passamos primeiramente a uma análise de alguns pressupostos teóricos, embasando as práticas, de ensino de gramática, docentes observadas e justificando as novas perspectivas de ensino. Logo segue-se o relato com a real experiência que fora o estágio de observação, a vivência do estágio e para encerrar as considerações finais trazendo as impressões e contribuições do mesmo para a formação de um futuro professor de Língua Portuguesa. 2 O TEXTO COMO MEDIADOR DA GRAMÁTICA Não é de hoje que existe, em âmbito educacional, uma discordância quanto ao ensino de gramática. Muitas são as divergências entre linguístas e filólogos sobre este tema, uns defendem seu ensino sistemático, com base na gramática normativa da língua, e outros defendem o abandono deste tipo de ensino. O fato é que os professores de Língua Portuguesa enfrentam um problema que os assombra há muito tempo: como ensinar gramática? Ou então, como ensinar gramática de outra maneira que
  3. 3. 3 não a tradicional, em base a gramática normativa, se a maioria dos docentes recebeu este tipo de ensino como o padrão, em sua vida escolar e também em sua graduação? A resposta para estas questões seria melhor respondida se cada educador fizesse a si próprio a pergunta: O que entendo por gramática? E o que é importante ensinar? Partindo então, do pressuposto de que os professores de Língua Portuguesa devem formar seres com capacidade de pensar a respeito de sua língua, ler, escrever e enfim poder exercer seus direitos de cidadão, e esse sim seria o processo fundamental de aprendizagem, caberia nesse processo à necessidade de um ensino sistemático de gramática de Língua Portuguesa, com todas suas regras e nomenclaturas, que nos remetem a uma linguagem até mesmo diferente da qual falamos diariamente? Alguns autores dizem que não, acreditam sim que este ensino sistemático só dificulta a compreensão da língua por parte dos discentes, deixando-os até mesmo distantes de algo que deveria ser um processo natural. Defendendo, ainda, que a língua não pode ser estudada apenas pelo seu passado, que seria a gramática normativa, e sim também, pelo seu presente já que está em constante processo de evolução pelas pessoas das quais se utilizam desse código, ou seja, que o vão modificando a cada dia e tornando-o mais rico de palavras, expressões e sentidos. Marcos Bagno, por exemplo, acredita que se a Língua Portuguesa é um conjunto de variações linguísticas existentes em todo território nacional, seu ensino deve estar em concordância com as diferentes linguagens faladas em cada região, respeitando gramaticalmente a diferença de cada uma, evitando assim o que ele chama de preconceito linguístico. Salientando ainda que: É preciso, portanto, que a escola e todas as demais instituições voltadas para a educação e cultura abandonem este mito da ‘unidade’ do português no Brasil e passem a reconhecer a verdadeira diversidade linguística do nosso país para melhor planejarem suas políticas de ação junto à população amplamente marginalizada dos falantes das variedades não padrão. (BAGNO,1999, p. 18) Entende-se disso que o docente não deveria ensinar aos seus discentes a teoria da gramática normativa, já ultrapassada pelo tempo, mas sim se utilizar da linguagem coloquial ou popular para que fique de fácil entendimento e adaptação dos mesmos, sem caracterizar a linguagem coloquial como errada, mas sim inadequada a algumas situações, elaborando assim projetos de aula de acordo com as realidades de cada região, fazendo com que os educandos exerçam suas atribuições de cidadão sabendo ler, escrever e interpretar textos, sem se preocupar exatamente com as regras impostas na gramática normativa. Há ainda a tese da releitura da gramática, reformulando-a e refazendo-a concisa e livre de erros, isto sugere Perini quando diz que “[...] a gramática deverá ser sistemática, teoricamente consistente e livre de contradições.” (1985, p. 6) Ainda analisando a teoria de Perini, presume-se que deve existir sim o ensino de gramática em sala de aula, e que o professor deve disponibilizar ao aluno várias maneiras de aprendê-la, mas
  4. 4. 4 para isto ela deveria ser seriamente repensada para que se fechem as lacunas que ainda existem nas gramáticas tradicionais de nossa língua, sendo assim: As falhas da gramática tradicional são em geral, resumidas em três grandes pontos: sua inconsistência teórica e a falta de coerência interna; seu caráter predominantemente normativo; e o enfoque centrado em uma variedade da língua, o dialeto padrão (escrito), com exclusão de todas as outras variantes. (Perini, 1985, p. 6) Subentende-se disso que a gramática normativa, ainda muito comum em sala de aula, acaba deixando a desejar em alguns aspectos, não esclarecendo em total as dúvidas que se tem quanto à funcionalidade da Língua Portuguesa. Por outro lado, alguns estudiosos da língua defendem que o ensino sistemático da gramática é fundamental para o entendimento das regras e funcionamento da língua, pois não se pode estudar o presente da língua sem saber e entender o seu passado, por tanto se faz necessário o estudo da gramática normativa para entender-se que “[...] a língua não se ‘impõe’ ao indivíduo (embora isso frequentemente se costume dizer) o indivíduo ‘dispõe’ dela para manifestar sua liberdade de expressão” conforme Bechara (1985, p. 13) E se os indivíduos dispõem da língua para se expressarem, eles tem o direito de escolher a maneira da qual farão isto. Ensinar a gramática normativa na escola, ensinar a maneira culta de falar e escrever não extingue os dialetos locais, nem as recentes variações linguísticas de nossa língua, mas concede ao educando a possibilidade de escolher de que maneira irá se utilizar destes recursos. Portanto, [...] a grande missão do professor de língua materna (...) é transformar seu aluno num poliglota dentro de sua própria língua, possibilitando-lhe escolher a língua funcional adequada a cada momento de criação e até, no texto em que isso se exigir ou for possível, entremear várias línguas funcionais pra distinguir, por exemplo, a modalidade linguística do narrador ou as modalidades praticadas por seus personagens. (BECHARA, 1985, p. 14) Tendo em vista, estes dois pressupostos tão distantes entre si, sobre o ensino de gramática, os Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCN’s, trazem uma proposta funcionalista que trabalha com o texto como base para o ensino de gramática, aliando-se nas duas propostas, em que, sim deve-se normatizar a língua, mas de uma forma que traga mais realidade ao contexto não só escolar, mas também social e familiar do aluno. Deixando o ensino da língua mais próximo à realidade de todos, e de melhor compreensão por parte dos educandos. Partindo desta ideia dos PCN’s, cabe ao educador quebrar seus preconceitos quanto ao uso da língua, entendendo que existem variações linguísticas para cada região do país, e que, em suas aulas pode partir deste princípio para introduzir o ensino de gramática, cabe ao educador mostrar
  5. 5. 5 aos seus educandos que existem diferentes maneiras de falar e escrever e que cada uma delas adapta-se ao momento que estamos vivenciando. E alicerçando no que o próprio diz: Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais – que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano, à transmissão e busca de informação, ao exercício da reflexão. De modo geral, os textos são produzidos, lidos e ouvidos em razão de finalidades desse tipo. Sem negar a importância dos que respondem a exigências práticas da vida diária, são os textos que favorecem a reflexão crítica e imaginativa, o exercício de forma de pensamento mais elaboradas e abstratas, os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. (PCN, 2000, p. 30) Caberia, portanto, nesse processo ao professor de Língua Portuguesa trabalhar o ensino da língua a partir dos textos, identificando-os, explicitando-os, mostrando suas diferentes concepções, seus diferentes tipos e enfim apresentando-os ao mundo das letras de uma forma mais ampla, com textos que introduzam as verdades e realidades dos alunos, deixando assim um pouco de lado a normatividade e dando enfoque a diversidade linguística. No entanto, não é o que se tem observado em sala de aula, os educadores, em sua grande maioria, utilizam-se de práticas extremamente tradicionais aplicando cansativamente a gramática normativa aos seus alunos, desrespeitando as variações linguísticas predominates da região. Talvez por que sua formação básica e superior tenham sido desta forma tradicionalista, eles tenham dificuldades de utilizar novos métodos para conseguir atingir esse objetivo. Então, continuam naquele velho processo de aplicar a teoria e logo após como exercício de fixação aquele amontoado de frases soltas e desconectadas do texto, ao qual não tem sentido nenhum para a maioria dos educandos, isso os deixa mais distantes de uma compreensão e mais próximo de uma insatisfação quanto ao ensino da Língua Portuguesa e até mesmo criando uma espécie de repulsa ao conteúdo e ao professor. E na tentativa de implantar esses novos conceitos de ensino da gramática tendo como base o texto, muitos professores confundem-se e acabam tornando a produção textual um grande desafio ou até mesmo um castigo na visão dos alunos. As correções meramente gramaticais, normalmente com teor punitivo, dificultam o entendimento dos discentes. Além disso, abandonaram-se as explicações necessárias para a compreensão dos elementos coesão e coerência, estes que são fundamentais para o desenvolvimento da escrita. A relação entre o ensino da escrita e a confecção de redações descontextualizadas, as quais servem apenas para fazer correções modificando a variedade linguística do aluno adequando-o a variedade padrão proporciona ao aluno apenas aversão à língua e não conhecimento dela. Essas situações acabam por provocar barreiras entre o professor e o aluno tornando cada vez mais distante o processo de ensino aprendizagem. Abandonar o ensino da gramática normativa
  6. 6. 6 não quer dizer que se precise desnormatizar a nossa língua, e sim encontrar novas maneiras de fazer com que os educandos entendam que existe sim uma norma culta, sem desrespeitar as variações linguísticas existentes e predominantes em cada pessoa, voltando-se assim no conceito de gramática, por Perini, onde ele afirma que a gramática ideal deveria: [...] primeiro, colocar em seu devido lugar as afirmações de cunho normativo: não necessariamente suprimindo-as, mas apresentando o dialeto padrão como uma das possíveis variedades da língua, adequada em certas circunstâncias e inadequada em outras. (1985,p.6) Ou ainda nos pensamentos de Maria Helena de Moura Neves quando coloca que “se a gramática ‘ensinada’ deve servir a que os alunos se expressem melhor, ela deve ser tal que sirva para esse fim” (1990,p.65), portanto é de responsabilidade do educador transformar o ensino da gramática, adequando-o a maneira mais próxima da realidade linguística do aluno, fazendo-o identificar as variações da língua existentes, podendo por si só definir onde e quando irá utilizar-se delas. 3 VIVÊNCIA DO ESTÁGIO O estágio em questão teve como principal objetivo a observação da prática docente de professores de Língua Portuguesa e Literatura. As observações ocorreram nos dias 23,24 e 25 de setembro nos turnos matutino e vespertino para ensino fundamental, e nos dias 30 de setembro, 01,02 e 03 de outubro em horário noturno para o ensino médio. Escolheu-se observar professores de ensino fundamental primeiro para tentar constatar a evolução dos conteúdos em relação ao ensino da língua. Em relação às estruturas escolares, o Colégio Estadual Antônio de Castro Alves, a maior escola, a escola referência do município de Alvorada, deixa muito a desejar em termos de organização, salas de aula bagunçadas, classes, cadeiras e portas quebradas, muita sujeira nas salas, no pátio e no banheiro. A biblioteca da escola é muito pequena em relação à quantidade de alunos que possui e a sala de informática está trancada devido à falta de professor adequado para a utilização da mesma. Já a Escola Municipal de Ensino Fundamental Marechal Manoel Luiz Osório, talvez por se tratar de uma escola pequena, encontra-se em melhor situação, bem organizada mantém a limpeza das salas e de todo o ambiente escolar em dia, biblioteca bem organizada e sala de informática à disposição dos alunos. Nota-se nesta escola uma vontade maior por parte da equipe diretiva e docentes de fazer melhorias na escola e na vida dos discentes. Quanto às observações da prática docente, cabe salientar que de qualquer modo é constrangedor ser observador, aliado ao fato de nenhum professor gostar de ser observado, pois para
  7. 7. 7 muitos docentes, uma observação em sua sala efetiva-se em uma vigilância, pois temem críticas sobre seu trabalho, mesmo diante deste fato, as observações e as entrevistas ocorreram de maneira tranquila. Como o que importava era a prática docente não se teve muita interação com as turmas, visto que em um dia os professores transitavam por várias. Fator importante a ser ressaltado é que todos os professores observados e entrevistados utilizam-se da prática tradicional de ensino, as próprias escolas e equipes diretivas confirmam esta postura conservadora em relação, principalmente, ao ensino de gramática. Das aulas observadas notou-se então que de fato a postura tradicional é realmente utilizada, não abrindo espaço para inovações em termos de práticas educacionais. Para estes profissionais não há outra maneira de ministrar aulas de aquisição de linguagem sem ser desta forma. É preciso normatizar, ou então, eles precisam de regras, foram as frases mais ouvidas durante as entrevistas. E quando perguntado se o educador considerava a realidade de seus alunos na hora de planejar suas aulas, todos rapidamente responderam que sim, mas na prática não foi o que se viu. Em nenhuma das ocasiões se presenciou outra coisa a não ser a exposição excessiva de elementos gramaticais e logo após exercícios e mais exercícios de fixação. Considerou a realidade do aluno em quê, neste momento? Em nada, apenas expôs o conteúdo como vêm fazendo há anos, sem mudar uma vírgula, sem inovar desconfigurando e banalizando as novas tendências sobre o ensino de gramática, tornando o estudo da língua cansativo para o aluno, que decora para a prova e depois esquece, ou pior nem nas provas dão resultados positivos, observando um índice de alunos em idade irregular na maioria das turmas, em ambas as escolas. Enfim, no geral ainda existem muitas divergências quanto à implantação de novas perspectivas no ensino de gramática, notou-se, portanto, uma falta de atualização por parte dos profissionais da área, que não buscam aprender e desenvolver novas técnicas preferindo a prática tradicional. 4 IMPRESSÕES DO ESTÁGIO (considerações finais) É sempre muito importante observar a prática daquilo que se está estudando. Ver o andamento real de tudo que apenas se tem como base a teoria. O objetivo principal desta observação era entender como ocorre o processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa, nas séries finais do ensino fundamental e também no ensino médio. Identificar de que maneira os docentes atuantes estão inserindo os contéudos de gramática aos seus alunos, e se já estão adaptados
  8. 8. 8 às novas perspectivas para o ensino da mesma, aprovadas pelo MEC e dispostas nos Paramêtros Curriculares Nacionais, os PCN’s, desde 1998. É claro que não se pode generalizar e classificar todo o processo de ensino mediante as entrevistas e observações feitas, visto que se tiveram apenas algumas horas de observação de aulas e um número restrito de professores entrevistados, isso faz com que se tenha apenas uma ideia do que realmente acontece em sala de aula. O processo de estágio foi muito tranquilo nas escolas escolhidas, tendo boa receptividade por parte da equipe diretiva, equipe pedagógica e corpo docente, e apesar daquela intimidação inicial por parte dos docentes, as aulas fluiram naturalmente, de acordo com o que se esperava. O que foi visto em sala de aula não condiz em nada ao que sugere os PCN’s, observou-se aulas estritamente gramaticais, com base a gramática normativa, escondidas por meio a livros didáticos de capas coloridas, mas extremamente rigorosos quanto às suas regras, não abrindo espaço para nenhum tipo de intervenção do aluno. As aulas resumiam-se em sentar, copiar a teoria e resolver os exercícios, aqueles mesmos de vinte anos atrás, com frases soltas e desconectadas de qualquer valor para os alunos. Que tipo de profissional é este, que não se moderniza, não se interessa em aprender coisas novas, não se interessa em melhorar a qualidade de ensino de seus alunos? Poderia se dizer que devido à idade avançada, e ao tempo de serviço estariam estes desgastados? Pode ser que sim, mas a maioria dos profissionais observados são jovens, com tempo de serviço variando de 5 a 10 anos de atuação como professor, formados recentemente deveriam ter a capacidade de ao menos tentar mudar a realidade da educação pública que se tem hoje em nosso país. É lamentável ver este tipo de profissional em sala de aula, despreocupado com a realidade de seus educandos, desatualizado profissionalmente, não cooperando com o processo de ensino- aprendizagem, e até mesmo dificultando o entendimento de seus alunos em relação a sua língua mãe, ao ensino de gramática. É lamentável constatar que o atual ensino de Língua Portuguesa, em especial o ensino de gramática, não está acrescentando maiores reflexões e entendimentos aos educandos, fazendo com que os mesmos concluam o ensino fundamental e médio sem todas as aquisições linguísticas e gramaticais necessárias para o decorrer de sua vida como cidadão.
  9. 9. 9 REFERÊNCIAS BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: edições Loyola, 1999. BECHARA, Evanildo. Ensino da gramática. Opressão? Liberdade? São Paulo: Ática, 1985. NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática na escola. São Paulo: Editora Contexto, 1990. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: língua portuguesa / Secretária de Educação Fundamental. 2.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa / Secretária de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998. PERINI, Mário A. Para uma nova gramática do português. 2.ed. São Paulo: Ática, 1985.

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