Somos eternos aprendizes

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ETERNOS APRENDIZES

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Somos eternos aprendizes

  1. 1. SOMOS ..... ETERNOS .... APRENDIZES
  2. 2. A Jornada do Herói 03NOV Carol Pearson The Hero Within San Francisco, Harper & Row, 1989 Excertos adaptados A Jornada do Herói Foi a preocupação com a possibilidade de não conseguirmos solucionar os grandes problemas políticos, sociais e filosóficos do nosso tempo, caso muitos de nós persistíssemos em ver o herói como algo de exterior a nós mesmos, que me inspirou a escrever The Hero Within. O livro pretende ser um convite a empreender a jornada e desafiar os leitores a reivindicarem o seu próprio heroísmo. Esta jornada não implica tornar-se maior, melhor, ou mais importante do que qualquer outra pessoa. Todos somos importantes. Todos temos uma contribuição fundamental a dar, o que só podemos fazer assumindo o risco de sermos nós mesmos e únicos. Sabemos que, sob a busca frenética de dinheiro, estatuto, poder e prazer, bem como sob as atitudes obsessivas e viciadas habituais nos dias de hoje, existe uma sensação de vazio e uma ânsia de ir mais fundo, comum a todos os seres humanos. Ao escrever The Hero Within, pareceu-me que todos nós precisamos de encontrar, se não o “sentido da vida”, pelo menos o sentido das nossas próprias vidas individuais, para que possamos descobrir formas de viver e de ser fecundas, efectivas e autênticas. Todos os mitos do herói, culturais ou individuais, mostram-nos os atributos que são considerados como definidores do bem, do belo e da verdade, e assim transmitem-nos as aspirações que são valorizadas culturalmente. Muitas dessas histórias são arquetípicas. Os arquétipos, como postulava Carl Jung, são padrões permanentes e profundos da psique humana, que se mantêm poderosos e actuantes ao longo do tempo. Para empregar a terminologia junguiana, tais padrões podem existir no “inconsciente colectivo”, na “psique objectiva”, ou mesmo estar codificados na constituição do cérebro humano. Podemos aperceber-nos claramente desses arquétipos nos sonhos, nas artes, na literatura e no mito. Parecem-nos profundos, tocantes, universais e, por vezes, até mesmo aterrorizadores. Também podemos reconhecê-los ao contemplarmos as nossas vidas e as dos nossos amigos. Observando o que fazemos e como interpretamos o que fazemos, podemos identificar os arquétipos que orientam as nossas vidas. Conhecemos a linguagem dos arquétipos porque eles vivem dentro de nós. Os povos antigos também conheciam essa linguagem. Para eles, os arquétipos eram os deuses e as deusas que se ocupavam de tudo nas suas vidas, do mais banal ao mais profundo. A psicologia arquetípica, em certo sentido, recupera as verdades de antigas teologias politeístas, que nos falam da natureza maravilhosamente múltipla da psique humana. Acontece que, mesmo quando essas divindades (ou arquétipos) são negados, a sua força não deixa de se fazer sentir dentro de nós.
  3. 3. Pelo contrário, recrudesce. Somos, então, possuídos pelos arquétipos e experimentamos a escravidão, e não a libertação, que eles nos oferecem. Devemos ter cuidado com o desprezo pelos deuses, pois, ironicamente, são exactamente as nossas tentativas de os negar e reprimir que provocam as suas manifestações destruidoras Os arquétipos são fundamentalmente amistosos. Podem ajudar-nos a evoluir, colectiva e individualmente. Se os respeitarmos, poderemos crescer. Os heróis empreendem jornadas, enfrentam dragões e descobrem o tesouro do seu verdadeiro Si Mesmo [o nó mais íntimo da Consciência]. Embora possam sentir-se muito sós durante a busca, no final experimentam um sentimento de comunhão: consigo mesmos, com as outras pessoas e com a Terra. De cada vez que enfrentamos a morte em vida, deparamos com um dragão. Se escolhermos a vida em vez da não-vida, mergulhamos mais profundamente na descoberta de quem somos e derrotamos o dragão. Infundimos, assim, vida nova em nós mesmos e na nossa cultura. Mudamos o mundo.
  4. 4. • Vitriol • Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. • VITRIOL ou V.I.T.R.I.O.L. é a sigla da expressão, do latim "Visita Interiorem Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem", que quer dizer: Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta (ou Filosofal).1 • Filosoficamente ela quer dizer: Visita o Teu Interior, Purificando-te, Encontrás o Teu Eu Oculto, ou, "a essência da tua alma humana". É o símbolo universal da constante busca do homem para melhorar a si mesmo e a sociedade em geral.1 • A Pedra Oculta ou Filosofal é uma expressão que vem da Idade Média e era usada pelos alquimistas. Os alquimistas acreditavam que a pedra filosofal era uma matéria que teria o poder de transformar todos os metais em ouro ou prata, era a panaceia universal (remédio para curar todas as doenças) e o elixir de longa vida que garantiria a longevidade do homem.1 • Para os místicos, este é o termo mais misterioso e secreto que se conhece, a verdadeira palavra-passe ou o "abre-te Sésamo" para o "Mundo Oculto dos Deuses" ou dos "Homens Semi-Deuses".1 • No ritual da Iniciação Maçônica, Templária, Rosa-cruz ou outra do gênero (consignada pela Tradição Hermética das Idades), o neófito/aprendiz em dado momento se vê confrontado com essa expressão e frequentemente não tem a menor idéia do que se trata.1 • Esta sigla está presente principalmente em Câmara de Reflexão, uma área utilizada na maçonaria onde os maçons entram e refletem sua mortalidade material e consequente necessidade de elevação espiritual •
  5. 5. MAÇONARIA NÃO É ESCOLA DE HERÓIS
  6. 6. Herói Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Herói é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Do grego ‘hrvV, pelo latim heros, o termo herói designa originalmente o protagonista de uma obra narrativa ou dramática. Para os Gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo, em geral filho de um deus e uma mortal (Hércules, Perseu), ou vice-versa (Aquiles). Portanto, o herói tem dimensão semidivina. Variando consoante as épocas, as correntes estético-literárias, os géneros e subgéneros, o herói é marcado por uma projecção ambígua: por um lado, representa a condição humana, na sua complexidade psicológica, social e ética; por outro, transcende a mesma condição, na medida em que representa facetas e virtudes que o homem comum não consegue mas gostaria de atingir – fé, coragem, força de vontade, determinação, paciência, etc. O heroísmo que resulta em autossacrifício chama-se martírio. O herói será tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas – liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz. Eventualmente buscará objetivos supostamente egoístas (vingança, por exemplo); no entanto, suas motivações serão sempre moralmente justas ou eticamente aprováveis, mesmo que ilícitas. Aqui é preciso observar que o heroísmo caracteriza-se principalmente por ser um ato moral. Existem casos em que indivíduos sem vocação heroica protagonizam atitudes dignas do herói. Há também aqueles em que os indivíduos demonstram virtudes heroicas para realizar façanhas de natureza egoísta, motivados por vaidade, orgulho, ganância, ódio, etc. É o caso dos caçadores de fortuna (piratas, mercenários, etc). Tais exceções não impedem de serem admirados como heróis; no entanto, serão melhor representados no arquétipo do anti-herói. Através das histórias e quadrinhos, do cinema e de outras mídias, a cultura de massa popularizou a figura do ’’super-herói’’, que são indivíduos dotados de atributos físicos extraordinários como corpo à prova de balas, capacidade de voar, etc. Merecem explicação à parte (vide super-herói). Os heróis são aquelas pessoas que admiramos, respeitamos e até mesmo seguimos. Eles têm muito a nos ensinar e, por isso, é sempre bom tê-los por perto. Infelizmente, nem sempre isso é possível. Afinal, grandes ídolos comuns a muitos empreendedores estão distantes ou com agendas lotadas. Eles podem ser empreendedores, investidores ou mesmo colegas de profissão. O que realmente o torna um de seus heróis é a capacidade de compartilhar experiências de aprendizado válidas e que agregam muito para você, seja em questões de negócios, inovação, posicionamento ou visão de mercado. Por isso, é sempre importante tentar aproximações relevantes para estreitar o relacionamento ou mesmo absorver tudo o que eles tem a ensinar. - See more at: http://startupi.com.br/2015/01/como-se-aproximar-de-seus-herois/#sthash.veuZV0yy.dpuf O HERÓI E O MAÇOM Desde os primórdios ,temos buscado soluções aos comportamentos humanos em relação ao Certo e o Errado na jornada de convivência com os nossos pares. Ao iniciarmos na instituição Maçonaria Universal,vimos de que comportamento realmente contamina; vejamos; Na condição de Apredizes Maçons,quem de nós nunca escutou dos mais antigos iniciados de que tal ou aquele assunto não era de interesse de APRENDIZES, muitos de nós creio.
  7. 7. Maçonaria não é escola de seguidores,e sim de autoconhecimento para um Mundo melhor,onde o exercício da convivência fraterna nos iguala em VOZ e VEZ .Nem sempre a figura arquétipa do Herói que pintamos na vida é símbolo de verdade e retidão,pois somos seres em desenvolvimento e somente através do grau de compreensão nos difere ,tornando –nos dependentes da Luz própria ,por que na caminhada entre o *EU E O NÓS *,existe causas atuais as quais fazem parte deste cenário chamado vida profana e vida maçonica.Pensemos nisso meus irmãos e amigos. Contribuição irmão Wagner da Cruz .`. M .`. I .`.
  8. 8. • A Iniciação Real • • Irmão José Inácio da Silva Filho • • Pesquisa Ir.: Jaime Balbino de Oliveira • • A Maçonaria adquiriu o seu aspecto iniciático a partir do século XVIII. A singela • recepção das Lojas operativas foi transformando-se, o ritual foi enriquecendo-se e • complicando-se a Liturgia, durante todo o século XIX, até chegar à Iniciação Maçônica • atual com o seu brilhante cortejo simbólico. • Na verdade, o que a Ordem Maçônica pretende, através da Iniciação, é dar ao iniciado • uma responsabilidade maior não somente como ser humano com vida espiritual, mas • também como homem e cidadão. E isto os antigos o faziam por meio de ritos • iniciáticos. Os iniciados eram submetidos a exercícios mentais e intelectuais e, pela • meditação e a concentração, eram conduzidos paulatinamente ao despertar de uma • vida interior intensa e, assim, a uma compreensão melhor da vida. • Diz ARYAN, na introdução ao Livro "La Masoneria Oculta Y la Iniciacion Hermética", de • J. M. Ragon, que "os ritos não teriam nenhuma utilidade se os seus ensinamentos • caíssem como água numa ânfora quebrada. O seu objetivo consiste em relembrar ao • iniciado que deve dar cada vez mais predomínio à vida interior do que à atração dos • sentidos. A promessa do Maçom de ser bom cidadão, de praticar a fraternidade não • quer dizer outra coisa.
  9. 9. • Diodoro da Sicília dizia que "aqueles que participavam dos • Mistérios tornavam-se mais justos, mais piedosos e melhores em tudo". • Por isto, o • primeiro passo da vida iniciática é a entrada em câmara ou cripta onde hão de morrer • as paixões, para que o aspirante possa ser admitido no reino da Luz. Como dizia, faz • séculos, Plutarco: "Morrer é ser iniciado". • Há duas espécies de iniciação: a REAL e a SIMBÓLICA. A primeira, segundo escreve • A. Gédalge no "Dicionário Rhea", é o resultado de um processo acelerado de evolução • que leva o Iniciado a realizar em si mesmo o que o homem atual deverá ser num futuro • que não pode ser calculado. A segunda é apenas a imagem da iniciação real. • Referindo-se à Iniciação Simbólica, o Manual de Instrução do primeiro grau da Grande • Loja de França, citado por PAUL NAUDON em "La Franc-Maçonnerie et le Divin", • assim se expressa: "Os ritos iniciáticos não têm nenhum valor sacramental. O profano • que foi recebido Maçom, de acordo com as formas tradicionais, não adquiriu só por • este fato as qualidades que distinguem o pensador esclarecido do homem ininteligente • e grosseiro. O cerimonial de recepção tem valor unicamente como encenação de um • programa que importa ao Neófito seguir, para entrar na posse de todas as suas • faculdades." • Pela iniciação simbólica, segundo o sentido etimológico dado por JULES BOUCHER, • no livro "Simbólica Maçônica", o "iniciado" é aquele que foi "colocado no caminho".
  10. 10. • PAUL NAUDON, em "La Franc-Maçonnerie", referindo-se à iniciação simbólica, assim • escreve: • "O objetivo da iniciação formal é conduzir o indivíduo ao Conhecimento por uma • iluminação interna. É a razão pela qual a Maçonaria usa símbolos para provocar esta • iluminação por aproximação analógica. • "Vemos assim que "os verdadeiros segredos da Maçonaria são aqueles que não se • dizem ao adepto e que ele deve aprender a conhecer pouco a pouco soletrando os • símbolos". Não existe nisto nenhum incitamento à pura contemplação interior, à êxtase, • ao misticismo... • "Cabe ao neófito descobrir o segredo. "Dentro da noite das nossas consciências, há • uma centelha que nos basta atiçar para transformá-la em luz esplêndida. A busca desta • Luz é a Iniciação". • "Nesta marcha ascensional em direção à Luz, onde a via intuitiva parece primordial é • evidente que a razão não pode ser afastada. Em todos os ritos, a Maçonaria invoca • sem cessar. É a lição dos símbolos, entre outras a do compasso, que se aplica • particularmente ao Volume da Lei Sagrada, símbolo da mais alta espiritualidade, à qual • aspira o Maçom." • Estas idéias e pensamentos têm o objetivo fraterno e leal de incutir nos recém iniciados • o verdadeiro espírito maçônico; de faze-los ver da responsabilidade assumida perante • a família dos Irmãos conhecidos e desconhecidos espalhados pelo orbe da terra. • Que todos nós, indistintamente, aprendamos a conhecer o espírito maçônico
  11. 11. • afastando-nos da falsa ciência e do sectarismo, combatendo e esclarecendo todo • cérebro denegrido pelo obscurantismo para que possamos nos tornar dignos de ser • uma destas Luzes ocultas que iluminam a humanidade. • Os verdadeiros sinais porque se reconhece o Maçom não são outros senão os atos da • vida real, já nos ensinava o Irmão Oswald Wirth. O Maçom há que agir eqüitativamente • como homem que cuida de se comportar para com outrem como deseja que se • proceda a seu respeito. O Maçom distingue-se dos profanos pela sua maneira de viver; • se não viver melhor que a massa frívola ou devassa, a sua pretensa iniciação na arte • de viver revela-se fictícia, a despeito das belas atitudes que finge. • Esforcemo-nos para que sejamos reconhecidos não pelo toque, pelo sinal ou pela • palavra, mas por nossas ações no âmbito maçônico, social e profissional. "Sejamos • homens de elite, sábios ou pensadores, erguidos acima da massa que não pensa", • porque somente desse modo é que poderemos alcançar a iniciação real.
  12. 12. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA DO HERÓI Rafhael Guimarães¹ Resumo O presente artigo visa realizar análise das diferentes etapas da iniciação maçônica no grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito por meio da mitologia existente nos ciclos da jornada do herói, de forma a verificar a mitologia maçônica do primeiro grau com o conceito de monomito e compreender o ritual de iniciação do Rito Escocês como processo de evolução psicológica do iniciando. Palavras-chave: mitologia; iniciação; Maçonaria. Recebido: 02/05/2013 Aprovado: 10/06/2013 Abstract This article aims at analyzing the different stages of Masonic initiation in the Entered Apprentice degree of the Ancient and Accepted Scottish Rite through cycles of mythology exists in the hero's journey, in order to verify the mythology of the first masonic degree with the concept of monomyth and understand the initiation ritual of the Scottish Rite as a process of neophyte’s psychological evolution. Keywords: mythology; initiation; Freemasonry. ¹ Rafhael Guimarães é Mestre Maçom, membro da GLMEES, e Maçom do Real Arco, filiado ao SGCMRAB. Além de pertencer a outras Ordens Iniciáticas, ministra cursos e palestras sobre Cabala, Astrologia e Tarô. FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013.
  13. 13. Introdução científico que o estudioso das Religiões e Mitologias Comparadas, Joseph Campbell, adotou para sustentar as similaridades existentes entre todas as religiões e mitologias da história. Tal conceito chamado anteriormente de “Monomito”² por Jaymes Joyce, foi esmiuçado por Campbell, que mostrou todo o roteiro da manifestação arquetípica do herói, que se encontra presente na sociedade como um arquétipo do Inconsciente Coletivo (JUNG, 2005; JUNG, 2011a). Dessa forma, o presente estudo se embasará nos trabalhos de Campbell e Jung, analisando e comparando a iniciação maçônica sob a luz da jornada do herói. Compreende-se a validade e relevância de tal abordagem pelo fato da literatura maçônica publicada no Brasil privilegiar as interpretações ritualísticas que seguem um raciocínio estrito ao entendimento consciente de seus ensinamentos morais (ISMAIL, 2012), desconsiderando os efeitos psicológicos produzidos pela prática ritualística (JUNG, 2005). Depois do trabalho de psicanalistas que tanto utilizaram da mitologia para embasar seus argumentos, como Sigmund Freud, Carl G. Jung, Wilhelm Stekel, Otto Rank, e muitos outros, os quais desenvolveram teorias substancialmente fundamentadas de interpretações de mitos, faz-se necessário explorar tais conhecimentos, empregando-os numa melhor compreensão
  14. 14. Este estudo tem por objetivo analisar as influências arquetípicas e, consequentemente, mitológicas sobre a iniciação maçônica no Rito Escocês Antigo e Aceito, por intermédio da teoria conhecida por Jornada do Herói. Muitos talvez possam julgar os rituais maçônicos como obsoletos, sem sentido ou mesmo inúteis. Serão apontadas as evidências de que os rituais maçônicos e a mitologia que os estruturam têm forte efeito sobre o inconsciente de seus praticantes (JUNG, 2005). Há, sem dúvida, inúmeras diferenças entre as religiões e mitologias da humanidade, e todas essas, de uma forma ou de outra, podem ser encontradas em alguma medida, representadas nas alegorias maçônicas (MAXENCE, 2010). Ao contrário da escola freudiana, que afirma que os mitos estão profundamente enraizados dentro de um complexo do inconsciente, para Jung, a origem atemporal dos mitos reside dentro de uma estrutura formal do inconsciente coletivo. Torna-se assim uma diferença considerável para Freud, que nunca reconheceu a autonomia congênita da mente e do inconsciente, enquanto que, para Jung havia uma dimensão coletiva inata e com autonomia energética.
  15. 15. As ideias apresentadas por Jung foram o embasamento científico que o estudioso das Religiões e Mitologias Comparadas, Joseph Campbell, adotou para sustentar as similaridades existentes entre todas as religiões e mitologias da história. Tal conceito chamado anteriormente de “Monomito”² por Jaymes Joyce, foi esmiuçado por Campbell, que mostrou todo o roteiro da manifestação arquetípica do herói, que se encontra presente na sociedade como um arquétipo do Inconsciente Coletivo (JUNG, 2005; JUNG, 2011a). Dessa forma, o presente estudo se embasará nos trabalhos de Campbell e Jung, analisando e comparando a iniciação maçônica sob a luz da jornada do herói. Compreende-se a validade e relevância de tal abordagem pelo fato da literatura maçônica publicada no Brasil privilegiar as interpretações ritualísticas que seguem um raciocínio estrito ao entendimento consciente de seus ensinamentos morais (ISMAIL, 2012), desconsiderando os efeitos psicológicos produzidos pela prática ritualística (JUNG, 2005).
  16. 16. Depois do trabalho de psicanalistas que tanto utilizaram da mitologia para embasar seus argumentos, como Sigmund Freud, Carl G. Jung, Wilhelm Stekel, Otto Rank, e muitos outros, os quais desenvolveram teorias substancialmente fundamentadas de interpretações de mitos, faz-se necessário explorar tais conhecimentos, empregando-os numa melhor compreensão dos rituais e, finalmente, da Maçonaria em si. Há, sem dúvida, inúmeras diferenças entre as religiões e mitologias da humanidade, e muitas dessas estão de alguma forma presentes nas alegorias maçônicas (MAXENCE, 2010), seja de forma direta ou indireta. Conquanto, neste estudo em particular, serão discutidas as semelhanças que há nos rituais maçônicos, em especial no de Iniciação do Rito Escocês Antigo e Aceito, as demais mitologias do mundo. Nas palavras ad-referendum do erudito norte americano, Joseph Campbell (2007): A esperança que acalento é a de que um esclarecimento realizado em termos de comparação possa contribuir para a causa, talvez não tão perdida, das forças que atuam no mundo de hoje, em favor da unificação, não em nome de algum império político ou eclesiástico, mas com o objetivo de promover a mútua compreensão entre os seres humanos.
  17. 17. Como nos dizem os Vedas: "A verdade é uma só, mas os sábios falam dela sob muitos nomes” (CAMPBELL, Herói de mil faces). GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... ² O termo “Monomito” é de autoria de James Joyce, da obra “Finnegans Wake”. FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 17 A Jornada Arquetípica do Herói na Mitologia Maçônica Jornada do herói X Iniciação Maçônica O intitulado “Herói” na análise psicológica da sua manifestação, pode ser compreendido como um arquétipo dentro da psique coletiva (JUNG, 1978). Para reforçar tal teoria, Campbell indica sua representação nas mais conhecidas culturas e religiões ao redor da terra (CAMPBELL, 2007). Também poderemos encontrá- lo em ordens iniciáticas como a Maçonaria. Conforme o autor, o herói é encontrado essencialmente nas histórias de Atum, do Antigo Egito; de Marduk, dos Mistérios Sumerianos; de Apolo, Febo, Héracles, Dionísio e Orfeu, da Mitologia Greco- Romana; de Krishna, da Religião Hinduísta; de Baldur, dos Mistérios Nórdicos; de Amaterasu, na religião Xintoísta; de Oxalá, Oxalufã, e Oxaguiã, das Religiões Afro-brasileiras; de Rei Arthur, Galahad e Persival, na história mitológica do Santo Graal; na verídica história de Jacques DeMolay, nos Cavaleiros Templários;
  18. 18. em Christian Rosenkreuz, nas Núpcias Alquímicas Da Tradição Rosa Cruz; em vários heróis cinematográficos, como Luke Skywalker, Indiana Jones, James Bond, Superman, Harry Potter, Frodo Bolseiro e Aragorn; além de Jesus o Cristo, da Religião Cristã (DEL DEBBIO, 2008). Em todas estas histórias, encontramse similaridades que podem ser compreendidas pelo conceito de Inconsciente Coletivo. Por fim, na Mitologia Maçônica tem-se a lenda de Hiram Abiff, mito esse exclusivo da Maçonaria (STAVISH, 2011). Embora a Mitologia Maçônica utilize do contexto contido no Antigo Testamento, pouco se tem no mito de conteúdo especificamente bíblico, haja visto que o enredo principal é composto por mitos elaborados. Malgrado, muitos são os maçons que insistem em fundamentar a maçonaria na bíblia, ou, pior ainda, fundamentar a história pela Maçonaria (ISMAIL, 2012). O maior exemplo de elaboração mítica na Maçonaria é a de Hiram Abiff, o protagonista da lenda do grau de Mestre Maçom. Não há, logicamente, registros históricos de tais eventos, e interpretálos no sentido literal é um erro crasso, pois mitos devem ser interpretados, como já dito, de forma simbólica e não literal (CAMPBELL, 2002; CAMPBELL, 2008).
  19. 19. Conforme descreve Arthur E. Waite, em “A New Encyclopedia of Freemasonry”: A lenda do mestre construtor é a grande alegoria maçônica. Sucede que essa história figurativa baseia-se num personagem mencionado nas sagradas escrituras, mas o pano de fundo histórico é acidental e não essencial, assim o importante é a alegoria e não um ponto histórico qualquer que esteja por trás dela” (1921, p.366-267) O Monomito Assim como a psique humana é dividida em três partes pela Psicologia Analítica, a Jornada do Herói também o é, podendo ser classificada como: a) separação ou partida; b) iniciação ou provas e vitórias; e c) o retorno (CAMPBELL, 2007). Esse ternário constitui a base essencial do mito, bem como dos Rituais de Passagem (VAN GUENNEP, 2011). No que concerne a Iniciação Maçônica, essa pode perfeitamente ser enquadrada neste postulado, como o estudo demonstrará abaixo. A teoria da Jornada do Herói teve por base a ideia do Monomito difundida por James Joyce, vindo a ser aperfeiçoada por Campbell pela associação com o conceito freudiano de forças do Inconsciente, alcançando seu embasamento científico com a psicologia analítica ou arquetípica de Jung,
  20. 20. Que propõe conceito psicológico de Arquétipos e Inconsciente Coletivo. A estruturação dos Ritos de Passagem pelo antropólogo Arnold Van Guennep possibilitou a análise das diferentes fases da aventura do herói, bem como as diversas manifestações do mesmo, nas sociedades tribais (VAN GUENNEP, 2011). Para tanto, será apresentada a constituição básica da Jornada do Herói, seus significados psicológicos e antropológicos, que estão presentes em formas disfarçadas nos contos e mitos, além é claro, de exemplificar o contexto maçônico da mitologia, ideia central deste artigo. GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 18 Partida ou Separação: O chamado da aventura Eu o proponho, na devida forma, como um candidato apropriado para os mistérios da Maçonaria. Eu o recomendo, como digno de compartilhar privilégios da Fraternidade, e, em consequência de uma declaração de suas intenções, feita de forma voluntária e devidamente atestada, eu acredito que ele seguirá estritamente em conformidade com as regras da Ordem (Illustrations of Masonry, PRESTON, 1867, p.26)
  21. 21. A primeira tarefa do herói, no caso maçônico, o candidato à iniciação, consiste em retirar-se da cena mundana, do mundo comum, e iniciar uma jornada pelas regiões causais da psique (templo maçônico), onde residem efetivamente as dificuldades, para torná-las claras, conscientes e erradicá-las em favor de si mesmo (CAMPBELL, 2008). Normalmente um problema se apresenta diante do herói a fim de convocá- lo a cumprir sua missão, mas também poderá ocorrer um fator incisivo para o crescimento do herói, como curiosidade, sonhos ou desejos. Deste modo, conforme o procedimento maçônico padrão (PRESTON, 1867), o candidato é geralmente convidado a iniciar na Sublime Ordem. O convite parte do chamado no meio maçônico de padrinho, o qual figura a função de arauto. E na aceitação do convite reside o “chamado da aventura” (CAMPBELL, 2007), que, em outras palavras, é um sinal enviado pelo inconsciente. A recusa do chamado Sempre se tem, tanto na vida real como nos contos mitológicos, o triste caso do chamado que não obtém resposta, havendo, pois, o desvio da atenção para outros interesses. A recusa à convocação acaba por aprisionar o herói mitológico, seja pelo tédio, pelo trabalho duro ou pela ignorância.
  22. 22. A recusa é uma negação à atitude de renunciar àquilo que a pessoa considera interesse próprio, e tal recusa caracterizase, essencialmente, pela identificação da persona³ com seu ego´ o que acarretaria no conceito psicológico de Inflação (HALL; NORDBY, 2010). Como exemplo, pode-se citar o caso da esposa de Ló, que se tornou uma estátua de sal por ter olhado para trás, desobedecendo assim a instrução recebida. A forte emoção que dominou Ló tornar-seia uma “recusa do chamado”, pois poderia efetivamente ter rompido com a jornada. ⁵ A recusa do chamado na maioria das vezes é representada pelo medo em suas várias manifestações. É dessa forma que, muitas vezes, ocorre a “recusa do chamado” na jornada maçônica. Se por algumas vezes o medo do desconhecido ou oculto impede candidatos de iniciar, outras vezes a própria cultura de certas sociedades trata de cumprir esta função. O auxílio sobrenatural Para aqueles que não recusam o chamado, o primeiro encontro da jornada do herói se dá com uma figura protetora, que fornece ao candidato ajuda para lhe proteger na jornada que estará prestes a deparar-se.
  23. 23. As mitologias mais elevadas desenvolvem o papel na figura de uma espécie de guia ou de mestre. No mito grego esse guia é Hermes-Mercúrio, e no mito egípcio sua contraparte é Thoth. Nas tradições judaicas, Noé contou com uma pomba. Na mitologia cristã encontramos como guia o Espírito Santo GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... ³ Em grego significa “máscara”. ´ Na visão de Jung, Ego é o nome dado à organização da mente consciente, constituindo-se de percepções conscientes, de recordações, pensamentos e sentimentos. A menos que o Ego reconheça tais percepções elas não chegariam a nossa consciência. Tais reconhecimentos do Ego são estabelecidos pela função dominante de cada pessoa (sensibilidade, objetividade, etc.). Uma forte experiência pode forçar entrada pelo ego ocasionando graves consequências (traumas). O Ego passa a falsa ideia de que ele é, essencialmente, nossa inteira consciência, ou melhor, nossa Psique como um todo. (HALL; NORDBY, 2010) ⁵ Gênesis 19:26: “E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.” FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 19 (CAMPBELL, 2007).
  24. 24. Na iniciação pelo Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria, fica evidente a figura de auxílio na jornada na função do oficial chamado de Experto, que conduz o iniciando por caminhos escabrosos, porém, oferecendo-lhe a devida proteção: “Eu serei o vosso guia, tendes confiança em mim, e nada receeis”. A função do Experto durante a iniciação é conduzir o candidato, que estando privado de certas faculdades, necessita inexoravelmente do amparo do guia. A passagem pelo primeiro limiar Tendo resistido ao medo, muitas das vezes personificado como medo de morte, simbolizado no Rito Escocês pela passagem pela câmara de reflexões, o herói segue em sua aventura até chegar ao conhecido na Jornada do Herói por “guardião do limiar" (CAMPBELL, 2008). Entende-se psicologicamente pelo limiar como a passagem do consciente para o inconsciente, onde se adentra a um mundo de fantasias e imagens, semelhantes aos sonhos. Ou seja, um mundo mítico. No âmbito mitológico, esse primeiro limiar é representado pela presença de um guardião e o mesmo está associado, variavelmente, a um posto que pode ser uma porta, ponte ou lago, simbolizando o limiar. Isto posto, na Iniciação pelo Rito Escocês a passagem pelo primeiro limiar ocorre no momento em que o candidato é levado à porta do templo e recebido
  25. 25. pelo Guarda do Templo, também chamado em algumas versões de rituais de Cobridor Externo. Após sua passagem, ou seja, após ser franqueado seu ingresso, o candidato passa a vivenciar uma nova e única experiência, simbolicamente sobrenatural. Provações e testes: O ventre da baleia A ideia de que a passagem pelo limiar é uma passagem para uma esfera de renascimento é simbolizada na imagem mundial do útero ou ventre da baleia O herói é comumente jogado no desconhecido, dando a impressão de que morreu, ou, em alguns casos, é submetido a testes e provações, de forma que aprenda as regras deste novo mundo (CAMPBELL, 2007). Como exemplo pode-se citar alguns contos, como do Chapeuzinho Vermelho, no qual ela é engolida pelo lobo. Da mesma forma, todo o panteão grego, exceto Zeus, foi engolido pelo pai Cronos. Já na Bíblia e no Alcorão encontramos Jonas, que é engolido por um peixe e passa três dias e três noites em suas entranhas, e acaba saindo de lá vivo.⁶ Arnold Van Guennep (2011), salienta que a morte momentânea ou aparente é tema principal das iniciações tribais.
  26. 26. Na jornada maçônica o iniciando é colocado à prova por testes simbólicos, para que coloque a mostra sua coragem de forma a persistir na senda da virtude. Curioso que o ritual maçônico trata tais testes de forma a simbolicamente tentar afastar o candidato de seu caminho, como, por exemplo, fazendo-o seguir por “caminhos escabrosos”. Provas e Vitórias: A Descida Tendo sido vitorioso nos primeiros testes e provas, ao cruzar por completo o limiar, o herói caminha por uma paisagem onírica povoada por formas curiosamente fluidas e ambíguas, na qual deve sobreviver a uma sucessão de novas provas.
  27. 27. O herói é comumente jogado no desconhecido, dando a impressão de que morreu, ou, em alguns casos, é submetido a testes e provações, de forma que aprenda as regras deste novo mundo (CAMPBELL, 2007). Como exemplo pode-se citar alguns contos, como do Chapeuzinho Vermelho, no qual ela é engolida pelo lobo. Da mesma forma, todo o panteão grego, exceto Zeus, foi engolido pelo pai Cronos. Já na Bíblia e no Alcorão encontramos Jonas, que é engolido por um peixe e passa três dias e três noites em suas entranhas, e acaba saindo de lá vivo.⁶ Arnold Van Guennep (2011), salienta que a morte momentânea ou aparente é tema principal das iniciações tribais. Na jornada maçônica o iniciando é colocado à prova por testes simbólicos, para que coloque a mostra sua coragem de forma a persistir na senda da virtude. Curioso que o ritual maçônico trata tais testes de forma a simbolicamente tentar afastar o candidato de seu caminho, como, por exemplo, fazendo-o seguir por “caminhos escabrosos”. Provas e Vitórias: A Descida Tendo sido vitorioso nos primeiros testes e provas, ao cruzar por completo o limiar, o herói caminha por uma paisagem onírica povoada por formas curiosamente fluidas e ambíguas, na qual deve sobreviver a uma sucessão de novas provas.
  28. 28. O herói continua a ser auxiliado, de forma indireta, por Guias e Mestres. Porém, aos poucos ele percebe que existe um poder benigno, presente em toda parte, que o sustenta em sua passagem sobre-humana (CAMPBELL, 2008). Um mito interessante sobre esse caminho de provas, e um dos mais antigos da história, é o registro sumeriano da descida ao mundo inferior pelos portais da metamorfose, pela deusa Inana. Tal mito era ritualisticamente praticado na antiguidade pelas GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... ⁶ Jonas 1:17: “O Senhor fez que ali se encontrasse um grande peixe para engolir Jonas, e este esteve três dias e três noites no ventre do peixe.” FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 20 Prostitutas Sagradas⁷ (VAN GUENNEP, 2011), que foi profanado e hoje é categorizado como striptease e conhecido como a “Dança dos Sete Véus”. Muitas mitologias retratam neste momento uma descida ao submundo, quando na verdade, tal descida retrata a descida aos domínios da psique (CAMPBELL, 2002). Essas novas provas, cada vez maiores em níveis, representam no processo iniciático maçônico a passagem pelos quatro elementos, onde o iniciando vivencia e supera, simbolicamente, os elementos.
  29. 29. No passado, relatos indicam que os iniciandos de fato se colocavam à prova, seja de um incêndio, a nado, ou tempestade (LEVI, 2012). Provação difícil ou traumática: O encontro com a Deusa A aventura última, quando todas as barreiras foram vencidas, aparecerá como a experiência mais profunda e traumática do enredo mitológico. Normalmente é representado por uma morte efetiva e momentânea, ou mesmo por um renascimento miraculoso (CAMPBELL, 2007). Em diversos ritos maçônicos e em diferentes graus encontramos encenações de todo o tipo para representar esta etapa, seja por mais provas iniciáticas ou por demonstrações fúnebres, funestas e sombrias, de forma que, pela última vez, é dada a chance ao iniciando de desistir da senda da virtude, rendendo-se ao medo. . Sendo persistente, o iniciando compreende depois o sentido simbólico ou mesmo psicológico de suas provações e testes, e, no ápice da aventura, é apresentado diante da Deusa. Tal passagem costuma ser representada por um “Casamento Místico”, conhecido nos mitos por hierosgamos⁸. Em termos psicológicos tal casamento representa a união-conhecimento com a Anima ou Animus, contidos em contos da heroína.
  30. 30. Esta união representa o chamado “Casamento Alquímico” dos Alquimistas, e retrata uma união indissolúvel entre o ouro e a prata, e, em outras palavras, o encontro do Cavaleiro com a Princesa, ou a descoberta do elixir da longa vida dos alquimistas (JUNG, 2012). A mulher representa, na linguagem pictórica da mitologia, a totalidade do que pode ser conhecido, e o herói é aquele que a compreende. Segundo Jung, havendo o equilíbrio total na psique, atinge-se o si mesmo, ou seja, a totalidade do ser, torna-se consciente de todo o inconsciente (HALL; NORDBY, 2010). Na mitologia maçônica o iniciando, torna-se iniciado, havendo completado o processo que Jung chamou de processo de individuação (JUNG, 2012). Sobre o encontro com a Deusa - fim do primeiro ciclo da Jornada Maçônica O casamento, união – o supracitado conhecimento da Anima –, representa o domínio total da vida pelo herói. Na Mitologia Maçônica a mulher é o símbolo da Vida e o herói o seu conhecedor e mestre, ou, em outras palavras, a mulher é o templo e o herói seu sacerdote. Daí que muitas representações de templo em culturas antigas são em forma de uma mulher grávida dando a luz (MURPHY, 2007), bem como de sempre se ter sacerdotes, e nunca sacerdotisas.
  31. 31. Assumindo o Templo Maçônico as características e conceitos de Anima, conforme esclarecido, o iniciando, após ter superado todos os testes e provações do processo iniciático da Maçonaria, recebe como prêmio da jornada o encontro com a Anima, que nada mais é do que, a “Luz da Maçonaria”, passando este a enxergar e conhecer o Templo Maçônico e comungar de sua Egrégora. Ele ganha também a sua completa liberdade, ficando livre da corda e aprendendo a sair e entrar na Loja na devida forma maçônica. O encontro ou união com a Anima também pode ser chamado de “Encontro com a Verdade”, pois a totalidade do ser e o completo conhecimento GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... ⁷ O termo Prostituta possuía outro significado diferente do que hoje é associado. Significava “aquelas que se prostram”, em referência a Deusa a qual elas eram oferecidas e tornavam-se sacerdotisas. ⁸ Significa “Casamento Sagrado" e se refere à cópula de um deus ou homem com uma deusa ou mulher. FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 21 do inconsciente, além de libertar, proporciona ao herói um conhecimento novo e inexplicável. Os testes que o herói passou, preliminares de suas experiências e façanhas últimas, simbolizaram as crises de percepção por meio das quais sua consciência foi amplificada e capacitada a enfrentar. Com isso, ele aprendeu que ele e sua Deusa, ou ainda, Anima, são um só, pois se casaram-uniram.
  32. 32. Por derradeiro seu destino é tornar-se o Mestre, que, variando de uma cultura para outra, pode ser um filósofo, ancião, líder político ou religioso, entre outros tipos. Já no caso maçônico, um Mestre Maçom, representante de Hiram Abiff. Desmistificando a mitologia, percebemos que o mistério do universo é retratado como Deus. Se para o religioso o infinito é o Deus, para o ateu ou agnóstico, o infinito é o Universo e suas infinitas manifestações. O ego torna-se a figura do herói, por isso quando se encontra com Deus-Deusa, ou seja, seu próprio inconsciente, toma-se conhecimento de todo o universo ou infinito. O Eu Inconsciente em algumas passagens torna-se o velho sábio, que tudo sabe, e conhece as fraquezas e desejos reprimidos pelo o herói (JUNG, 2011). Depois deste primeiro ciclo da Aventura do Herói – ou Jornada Maçônica – o herói ainda é levado a cumprir outros deveres no universo. Da mesma forma, o Maçom é instruído da existência de outros graus a serem galgados, onde se encontra a continuidade da Jornada Maçônica. Entretanto, dificilmente tem-se um final para a mitologia como um todo, pois, conforme a própria dialética aristotélica, em todo fim acha-se um novo início (CAMPBELL, 2007).
  33. 33. Tendo o final de cada grau maçônico como um novo começo, pode-se compreender que, em outras palavras, tornar feliz a humanidade é um processo relativamente infinito. Conclusões a respeito de Mitologia e as razões deste estudo Em síntese, a mitologia pode ser entendida, sob a ótica da Psicologia Junguiana, como um sonho grupal, sintomático dos impulsos arquetípicos existentes no interior das camadas profundas da psique humana (JUNG, 1978). Já numa visão religiosa, a mitologia pode ser tida como a revelação de Deus aos seus filhos. Tanto a mitologia, como os seus símbolos, são metáforas reveladoras do destino do homem, e, nas diversas culturas são retratadas de diferentes formas (CAMPBELL, 2007). A ideia central da mitologia é de que a mesma funciona como uma ferramenta para promover e entender a evolução psicológica do individuo, sendo essa a função principal do mito (CAMPBELL, 2008). Em termos de interpretação psicológica da mitologia, sempre vamos encontrar como chave essencial a questão “Inconsciente = Reino metafísico”. Em outras palavras, “Porque eis que o reino de Deus está dentro de vós”⁹. Assim, a análise para toda questão mitológica, é o estudo da psique humana.
  34. 34. Em várias sociedades e cultos primitivos, a prática religiosa consistia em vivenciar a Mitologia de forma direta, pois o mito o estaria influenciando de forma indireta no decorrer das cerimônias, por intermédio do inconsciente. Assim, o crescimento e finalidade da Mitologia acontece de forma particular em cada um, como uma semente que aos poucos iria se germinando (JUNG, 2005). A tradição maçônica conserva esses costumes como forma de instrução aos seus membros, sendo, portanto, herdeira pedagógica dessas antigas culturas (BLAVATSKY, 2009). E ao estudarmos a Maçonaria, seu ritual e simbologia, não podemos desconsiderar ou descartar esse viés, sob o risco de abrirmos mão do real objetivo de nossos rituais. Referências Bibliográficas BLAVATSKY, HELENA P. O ocultismo prático e as origens do ritual na Igreja e na Maçonaria. São Paulo: Pensamento, 2009. CAMPBELL, Joseph. Herói de mil faces. São Paulo: Editora Pensamento, 2007. GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... ⁹ Lucas 17:21. FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013. 22 CAMPBELL, Joseph. Isto és Tu. São Paulo: Landy Editora, 2002. CAMPBELL, Joseph. Mito e Transformação. São Paulo: Ed. Ágora, 2008.
  35. 35. DEL DEBBIO, Marcelo. Enciclopédia de Mitologia. São Paulo: Daemon Editora, 2008. HALL, Calvin S.; NORDBY, Vernon J. Introdução à Psicologia Junguiana. São Paulo: Cultrix, 2010. ISMAIL, Kennyo. Desmistificando a Maçonaria. São Paulo: Universo dos Livros, 2012. JUNG, Carl Gustav. Interpretação psicológica do Dogma da Trindade. Rio de Janeiro: Vozes, 2011 a. JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2005. JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Rio de Janeiro: Vozes, 2011b. JUNG, Carl Gustav. Psicologia do Inconsciente. Rio de Janeiro: Vozes, 1978. JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. Rio de Janeiro: Vozes, 2012. JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião. Rio de Janeiro: Vozes, 2011c. JUNG, Carl Gustav. Símbolos e interpretação dos sonhos. Rio de Janeiro: Vozes, 2011d. LEVI, Eliphas. Dogma e Ritual da Alta Magia. 20ª Edição. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2012. MAXENCE, Jean-Luc. Jung é a aurora da Maçonaria. São Paulo: Madras, 2010. MURPHY, Tim Wallace. O código secreto das catedrais. São Paulo: Pensamento, 2007.
  36. 36. PRESTON, William. Illustrations of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867. STAVISH, Mark. As origens ocultas da Maçonaria. São Paulo: Pensamento, 2011. VAN GUENNEP, Arnold. Os Ritos de Passagem. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2011. WAITE, A. E., A New Encyclopaedia of Freemasonry, 2 vols. Londres: William Rider and Son Limited, 1921. GUIMARÃES, Rafhael. A INICIAÇÃO MAÇÔNICA: UMA ANÁLISE DE SUA MITOLOGIA POR MEIO DA JORNADA... FinP | Rio de Janeiro, Vol. 1, n.1, p. 15-22, Mai/Ago, 2013.
  37. 37. MAÇONARIA- SÍMBOLOS E ARQUÉTIPOS Arquétipo Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. (Redirecionado de Arquétipos) Arquétipo (grego ἀρχή - arché: principal ou princípio e τύπος - tipós: impressão, marca) é o primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, antigas impressões sobre algo. É um conceito explorado em diversos campos de estudo, como a Filosofia, Psicologia e a Narratologia. Alexandrian sustenta que tanto o pensamento mágico quanto o racional é necessário á construção do espírito humano. O primeiro é inerente ao inconsciente, o segundo ao consciente. Ambos, porém, tem gênese tão antiga quanto o próprio homem e teriam, segundo suas próprias palavras, uma função reparadora do eu pressionado pela necessidade de dar respostas a questões que nem a razão pura, nem a razão prática, conseguem responder. [1] O pensamento mágico é um conhecimento intuitivo e não racional. É que o recurso á intuição explora a propriedade que o aparelho psíquico humano tem para “sentir” realidade inatingíveis pela razão, e por analogia, tentar entendê-las. Não raramente a nossa mente precisa recorrer a simbolismos e outros artifícios para exprimir esses conteúdos, uma vez que a linguagem lógica, que se exprime através de símbolos pictóricos e expressões lingüísticas verbais e não verbais, não tem meios para fazê-lo. As profecias de Nostradamus, o Apocalipse de São João, as obras alquímicas, o simbolismo da Cabala, as fábulas infantis e algumas histórias bíblicas são exemplos dessas estratégias mentais, cujo conteúdo, muitas vezes, são irredutíveis á lógica da linguagem. Por isso tem que ser representada através da linguagem simbólica. O pensamento mágico não é exclusividade de espíritos místicos que procuram, irrefletidamente, penetrar nos mistérios do universo. Na verdade, sua utilização, ao longo da história da humanidade, sempre teve um sentido mais pragmático do que os amantes do positivismo científico podem pressupor. Pensadores tidos como racionalistas tiveram suas experiências com o pensamento mágico. Freud, a quem se atribui a sistematização dos conteúdos do inconsciente humano confessou a influência que recebeu desse tipo de pensamento quando elaborou sua tese sobre o significado dos sonhos. Jung, principalmente, deve sua fama às descobertas que fez sobre as relações que o inconsciente humano mantém com o mundo mágico dos símbolos e dos arquétipos. Por sua importância na compreensão desse tema apresentamos o resumo que segue.
  38. 38. Jung e teoria dos arquétipos Carl Gustav Jung (1873 ― 1961), psicanalista suíço, foi um grande estudioso da simbologia que influencia o pensamento humano e gera uma grande parte das nossas crenças e tradições. Sua teoria a respeito dos arquétipos que povoam o inconsciente da humanidade é ainda hoje muito respeitada. Segundo ele, a humanidade compartilha umInconsciente Coletivo, ou seja, um conjunto de institutos culturais simbólicos, que se tornam estruturas psíquicas comuns a todos os grupos humanos em todos os tempos. Exemplos desses arquétipos são o amor fraternal, o ritual do casamento, o medo do escuro, a associação de estados psicológicos com certas cores, a crença de que o movimento dos astros no céu influencia a vida na terra, o respeito para com os mortos, a crença na existência de seres sobrenaturais, etc. Essas estruturas psicológicas são arquétipos, ou seja, a sensibilidade da existência de forças ou “entidades” que a humanidade aprendeu a amar, temer, respeitar, enfim, dar a elas uma determinada valoração em seu material consciente ou inconsciente. Todos nós sabemos que devemos respeito aos mortos. Que precisamos procriar para perpetuar a espécie, que devemos prestar respeito e homenagens a determinados símbolos, que devemos crer na existência de forças superiores, etc. Quer dizer, essas são noções que existem anteriormente a nós e conformam a nossa maneira de pensar e de viver, por que deixar de atender a elas nos causará algum tipo de cons- trangimento ou limitação. Não precisamos entendê-las nem justificá-las, e muitas vezes praticamos inconscientemente o culto a esses arquétipos até como uma necessidade de sobrevivência. Jung associa esses arquétipos aos temas mitológicos que aparecem em contos e lendas populares de épocas e culturas diferentes. São os mesmos temas, encontrados em sonhos e fantasias de muitos indivíduos e também nos mitos e lendas de todos os povos em tempos e lugares diversos. Isso denota, segundo ele, a origem comum da humanidade, que nos seus primórdios enfrentou os mesmos desafios e fez as mesmas indagações. Arquétipos como Adão, Hércules, Cristo, Osíris, Prometeu, bem como duendes, magos e feiticeiros, todas as entidades do bem e do mal, temores e crenças em determinados elementos da natureza, são comuns a toda raça humana. Assim, os arquétipos são elementos estruturais formadores do Inconsciente Coletivo da humanidade e dão origem tanto às fantasias individuais quanto à mitologia de um povo em geral. Lugares e acontecimentos também constituem estruturas arquetípicas. A noção de um paraíso (Éden), por exemplo, assim como o temor de um apocalipse (um final dos tempos) são comuns para todos os povos e épocas. Estados psicológicos de felicidade e desgraça coletiva estão na origem dessas noções arquetípicas, que denunciam a necessidade de a mente humana construir uma escatologia (uma história cósmica com principio, meio e fim) para poder se sentir como partícipe dessa história. O mito grego de Édipo é um claro exemplo desse simbolismo. Édipo é um motivo tanto mitológico quanto psicológico, que representa uma situação arquetípica que se relaciona com o conteúdo da mente inconsciente do filho em relação aos seus pais. Quer dizer, o mito de Édipo tem a ver com o ciúme natural que um filho (ou filha) tem da relação entre seu pai e sua mãe. Muitas históricas bíblicas também revelam conteúdos semelhantes, que são fundamentados, ou em sensibilidades que a mente humana sublimou ou reprimiu, ou em conflitos ambientais que conformaram a história do homem e suas sociedades.
  39. 39. É fácil ver na metáfora de Cain e Abel, por exemplo, um conflito entre a agricultura e o pastoreio, patente em territórios onde a natureza não é muito pródiga em recursos naturais, especialmente pastagens e água. Assim também é a história das filhas de Lot, que reflete uma crítica dos cronistas de Israel aos seus belicosos vizinhos amonitas e moabitas. Da mesma forma, a história dos irmãos Jacó e Esaú é uma metáfora das lutas entre membros da mesma família pela herança patriarcal, que sempre foi regulada pelo princípio da primogenitura. Na mesma moldura podemos colocar também a lenda da Torre de Babel, a história do dilúvio e a formação das raças humanas a partir dos três filhos de Noé, cujas origens podem estar em memórias que se referem a situações e personagens arquetípicos de um tempo em que os primeiros grupos humanos ainda estavam procurando encontrar suas próprias identidades e fixar suas características dentro de um ambiente que lhes parecia competitivo e hostil . Os arquétipos normalmente são construídos a partir das esperanças, dos desejos e dos anseios de um povo. Como as necesssidades e as lutas dos grupos humanos para construir seus sistemas de vida e fixar seus valores são mais ou menos semelhantes, essas estruturas mentais acabam sendo comuns. Por isso também é que encontraremos, em todas as literaturas sagradas os mesmos temas e praticamente as mesmas personagens, caracterizadas á maneira das necessidades e da identidade de cada povo. Talvez não tenham existido, historicamente, um Adão, um Noé, um Moisés, um Josué, da mesma forma que Aquiles, Ulisses, Hércules, Teseu, Jasão e outros heróis gregos, ou Arjuna, Rama e outros heróis brâmanes, sejam apenas imagens mentais das virtudes cultivadas por esses povos, que as retrataram na forma de personagens heróicas, da mesma forma que as lendas e folclores encontrados na cultura dos mais diversos povos do mundo, em todos os temas, são retratos dessas estruturas. Destarte, encontraremos o simbolismo do herói sacrificado pelo povo em praticamente todas as culturas antigas.Assim também o legislador, o guerreiro, o homem santo, o sábio, da mesma forma que arquétipos do mal e do bem, retratados em lendas, contos, etc. Um dos principais estudos de Jung se refere à simbologia. Ele entende que o inconsciente se expressa primariamente através de símbolos. Os símbolos são a linguagem do inconsciente, que retrata através de analogias, aproximações e outras relações menos inteligíveis, o conteúdo de uma determinada sensibilidade, que a mente racional ainda não conseguiu classificar. É que a nossa mente racional só entende o que ela pode representar. E a nossa capacidade de representação é do tamanho da nossa capacidade de linguagem. Daí o símbolo ser uma representação de uma sensibilidade não organizada em nossa mente, mas muito forte em nossos sentidos. E mesmo que nenhum símbolo concreto possa representar de forma plena um arquétipo, quanto mais representativo ele for do material existente em nosso inconsciente, mais capacitado ele estará para eliciar uma resposta emocionada do nosso sistema neurológico. Por isso, um alemão responde mais intensamente a visão de uma cruz gamada, por exemplo, pois tal símbolo tem uma identificação profunda com conteúdos arquetípicos de sua cultura, da mesma forma que os judeus com o pentagrama, os cristãos com a cruz, a cultura xamânica com determinados animais, etc.[3]
  40. 40. Assim, na estrutura mais profunda do pensamento humano o arquétipo é um elemento básico que muitas vezes o conforma e o dirige. Não há tradição popular que não tenha em sua base um ou mais arquétipos a sustentá-la. Da mesma forma as religiões, sejam elas metafísicas, como a religião dos Vedas, o Budismo e o Taoísmo, que se baseiam em doutrinas desenvolvidas por inspirações reconhecidamente cerebrinas, ou as reveladas, como o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo, cujos seguidores acreditam que tenham sido inspiradas pela própria Divindade, também são informadas por arquétipos. Como a Maçonaria é uma cultura fundamentalmente simbólica, é interessante conhecer um pouco o trabalho de Jung. Por isso fizemos este pequeno excerto dos seus estudos acerca dos arquétipos fundamentais que estão nas raízes das crenças e tradições da humanidade. Nele encontraremos as noções fundamentais para o entendimento dos verdadeiros significados dos símbolos, lendas e metáforas que informam a estrutura mais sutil da Arte Real. [1]Alexandrian, História da Filosofia Oculta, São Paulo, Ed. Martins Fontes, 1983 [2] Gênesis, 19; 30 a 38. Hoje a tendência é interpretar a história de Cain e Abel como metáfora de uma realidade histórica. Abel representa a cultura hebraica, baseada no pastoreio e Cain os povos cananeus, que já praticavam a gricultura quando os hebreus chegaram à Palestina. A luta entre eles reflete o conflito entre a agricultura e o pastoreio, da mesma forma que a metáfora das filhas de Lot e o incesto por elas praticado com o próprio pai reflete a necessidade dos israelitas de estigmatizar seus belicosos vizinhos amonitas e moabitas, taxando-os de bastardos, produtos de um incesto. [3] Para mais informação sobre esse tema veja-se C. G Jung- Arquétipos e Inconsciente Coletivo- Vol. X- Ed. Vozes,São Paulo, 1986. João Anatalino Enviado por João Anatalino em 24/08/2012 Reeditado em 09/11/2012 Código do texto: T3847834 Classificação de conteúdo: seguro
  41. 41. O OFÍCIO DO MAÇOM O oficio sacralizado O oficio de construtor sempre teve um caráter sacro, uma mística própria, uma aura de espiritualidade que o tem acompanhado através dos séculos. Conquanto nas sociedades da antiguidade já existisse o costume desacralizar seu oficio, foi somente na Idade Média que essa prática ganhou status de verdadeira tradição. A transformação da habilidade operativa em ideal especulativo foi a grande realização dos nossos Irmãos medievais. Foram esses profissionais, mais religiosos que técnicos, mais místicos que filósofos, que perceberam que o oficio do construtor, pelas suas características de integralização de formas, manipulação de símbolos e conhecimentos de geometria e matemática, era o que mais se prestava a um ideal, que via no trabalho das mãos, uma forma de realizar a união do espírito com a matéria, cumprindo assim a missão dohomem sobre a terra. A arte de construir era aquela que permitia ao seu praticante, ao mesmo tempo, o provimento das necessidades profanas,necessárias para ganhar a vida, e uma realização espiritual. Especialmente a construção de igrejas, pela mística que nelas se imprimia, era o que mais se prestava a produzir nos seus construtores uma sensação de mágica transcendência, que os fazia crer serem eles os canais pelos quais fluía a própria inteligência divina. Naconstrução daqueles edifícios monumentais, os artistas da pedra acreditavam imitar o trabalho de Deus na construção do universo. Com efeito, a catedral medieval não era apenas o local onde os homens podiam sentir-se em comunhão com o divino. Ela não era apenas uma obra do engenho humano, construída para um determinado fim, mas antes, um simulacro do universo, onde todas as manifestaçõesda vida individual e coletiva da sociedade se condensavam e encontravam o devido encaminhamento. Fulcanelli descreve magistralmente essa síntese do espírito medieval: “Santuário da Tradição, da Ciência e da Arte, a catedral gótica não deve ser olhada como uma obra unicamente dedicada ao cristianismo, mas antes como uma vasta coordenação de ideias, de tendências,de fé populares, um todo perfeito ao qual nos podemos referir sem receio desde que se trate de penetrar o pensamento dos ancestrais, seja qual for o domínio: religioso, laico, filosófico ou social” escreve esse poeta alquimista, denotando a densidade espiritual que se condensava naquele edifício, refletindo todas as tendências da vida medieval. “Se há quem entre no edifício para assistir aos ofícios divinos,” prossegue ele, “se há quem penetre nele acompanhando cortejos fúnebres ou os alegres cortejos das festas anunciadas pelo repicar dos sinos, tambémhá quem se reúna dentro delas noutras circunstâncias. Realizam-se assembleias políticas sob a presidência do bispo; discute-se o preço do trigo ou do gado; os mercadores de pano discutem ai a cotação dos seus produtos; acorre-se a esse lugar para pedir reconforto, solicitar conselho, implorar perdão. E não há corporação que não faça benzer lá a obra prima do seu novo companheiro e que não se reúna uma vez por ano sob a proteção do santo padroeiro”[1].
  42. 42. A egrégora Aí está, portanto, demonstrada de forma insofismável a convergência do espírito humano para um único ponto, onde ele poderia atingir um pico máximo de densidade energética, facilitando a comunicação com a divindade. É a egrégora que se forma, sublimando o psiquismo do homem, na sua busca por uma comunhão com Deus. Daí o fato de a catedral gótica ter sido considerada um arquétipo perfeito das construções humanas, e o modelo ideal para se realizar o aprimoramento do espírito através do trabalho manual. Essa mística, essa elevação da alma aos domínios mais sutis do espírito só iria ser alcançada mais tarde pela prática da Alquimia, que no seu rigor ritualístico e no ascetismo da sua prática, visava a mesma finalidade. Diante disso, não causa escândalo o fato de os maçons operativos chamarem Deus de Sublime Arquiteto do Universo,e a si mesmos de seus pedreiros, porquanto eles eram como se fossem os seus Demiurgos, construindo na terra os modelos do universo que Deus construia no cosmo. Com efeito, na perfeição das formas, na solidez das estruturas, na harmonia do conjunto, obtida pela perfeição com que se elaborava cada detalhe, é preciso reconhecer, nessa obra máxima da arquitetura medieval, uma construção de espírito, realizada não só a partir da atuação do engenho humano sobre a matéria, mas da própria interação entre a essência da matéria trabalhada e o espírito do artesão que a manipulava. Dessa idéia á uma sacralização do oficio do construtor foi apenas um passo. A questão da iniciação Jean Palou diz que nos tempos primitivos, o oficio sacralizado já pertencia ao domínio do esoterismo, razão pela qual seus conhecimentos eram transmitidos por iniciação.[2] Isso é verdade, pois embora todos os profissionais da construção, fossem, de certa forma, iniciados, somente a iniciação não lhe conferia uma realização espiritual total. Esta só acontecia com o cumprimento de uma longa cadeia iniciática, na qual se praticava uma liturgia ritual própria, onde o obreiro absorvia o “espírito” da profissão e com ele se interava tornando-se um eleito.”A iniciação”, escreve aquele autor, “em suas formas, em seus meios, em seus objetivos, Una em seu espírito, múltipla, porém, nas diferentes aplicações das técnicas peculiares a cada ofício, pela Sabedoria que preside á elaboração lógica da Obra, pela Força que possibilita sua realização efetiva, e pela Beleza que proporciona o Amor a cada realizador, isto é, o Conhecimento, ajudava o artífice a se despojar do homem velho, para se transformar num novo homem, criador de objetos e forjador de um novo mundo, finalmente harmonioso.[3] Eis o porquê de não se permitir ao iniciado, inicialmente um meroAprendiz, compartilhar com os Companheiros-Mestres os mesmos símbolos, senhas, comportamentos e práticas. E mesmo entre os Mestres se impunham distinções de grau, pois se todos eram iniciados e ostentavam os mesmos títulos profissionais, muitos poucos, entretanto, eram eleitos, ou seja, tinham obtido elevação espiritual de modo a serem considerados Mestres também nesse sentido.
  43. 43. Quando a Maçonaria operativa evoluiu para o especulativo, e mais tarde, quando o especulativo integrou á sua liturgia as tradições do Hermetismo e da Gnose, a mística da profissão do construtor aliou-se ao encantamento próprio da prática alquímica e ao apelo emocional contido na mensagem gnóstica. Se anteriormente, o oficio de construtor se realizava num domínio que era antes de tudo religioso e social, passou, depois disso, a preencher um vasto campo no domínio filosófico e espiritual, pois a especulação, mais que a prática pura e simples de uma arte, ou uma técnica, exige mais da sensibilidade do artista do que a razão e a habilidade física requerem dele. O artista, o técnico, que antes aliava o sentimento religioso ás técnicas da sua arte, teve que buscar nos domínios do esoterismo as justificativas para a sua prática. Depois, no inicio do século XVIII, quando a Arte Real incorporou a mensagem iluminista, foi preciso o desenvolvimento de uma liturgia ritual que possibilitasse a divulgação da nova filosofia, mas que, ao mesmo tempo, transmitisse a mensagem iniciática original de uma sociedade que jamais abandonara suas tradições de construção, ainda que essa construção, agora, fosse apenas simbólica. A realização espiritual buscada no exercício do ofício, ou na prática da filosofia hermética, passara agora, a ser uma realização moral, onde o iniciado aprenderia a educar-se para ser virtuoso, a partir de um novo arquétipo de homem, que era o Homem Universal. Era um aprendizado de filosofia moral em busca de um êxtase espiritual que a cadeia iniciática da Maçonaria iria proporcionar aos que nela se iniciavam. Nascia, dessa forma, a Maçonaria moderna. [1] Fulcanelli- O Mistério das Catedrais, pg. 50 [2] Jean Palou- A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática, pg. 28 [3] Idem. Pg.39 João Anatalino Enviado por João Anatalino em 29/10/2014 Alterado em 29/10/2014 O OFÍCIO DO MAÇOM O oficio sacralizado O oficio de construtor sempre teve um caráter sacro, uma mística própria, uma aura de espiritualidade que o tem acompanhado através dos séculos. Conquanto nas sociedades da antiguidade já existisse o costume desacralizar seu oficio, foi somente na Idade Média que essa prática ganhou status de verdadeira tradição. A transformação da habilidade operativa em ideal especulativo foi a grande realização dos nossos Irmãos medievais.
  44. 44. Foram esses profissionais, mais religiosos que técnicos, mais místicos que filósofos, que perceberam que o oficio do construtor, pelas suas características de integralização de formas, manipulação de símbolos e conhecimentos de geometria e matemática, era o que mais se prestava a um ideal, que via no trabalho das mãos, uma forma de realizar a união do espírito com a matéria, cumprindo assim a missão do homem sobre a terra. A arte de construir era aquela que permitia ao seu praticante, ao mesmo tempo, o provimento das necessidades profanas, necessárias para ganhar a vida, e uma realização espiritual. Especialmente a construção de igrejas, pela mística que nelas se imprimia, era o que mais se prestava a produzir nos seus construtores uma sensação de mágica transcendência, que os fazia crer serem eles os canais pelos quais fluía a própria inteligência divina. Na construção daqueles edifícios monumentais, os artistas da pedra acreditavam imitar o trabalho de Deus na construção do universo. Com efeito, a catedral medieval não era apenas o local onde os homens podiam sentir-se em comunhão com o divino. Ela não era apenas uma obra do engenho humano, construída para um determinado fim, mas antes, um simulacro do universo, onde todas as manifestações da vida individual e coletiva da sociedade se condensavam e encontravam o devido encaminhamento. Fulcanelli descreve magistralmente essa síntese do espírito medieval: “Santuário da Tradição, da Ciência e da Arte, a catedral gótica não deve ser olhada como uma obra unicamente dedicada ao cristianismo, mas antes como uma vasta coordenação de ideias, de tendências, de fé populares, um todo perfeito ao qual nos podemos referir sem receio desde que se trate de penetrar o pensamento dos ancestrais, seja qual for o domínio: religioso, laico, filosófico ou social” escreve esse poeta alquimista, denotando a densidade espiritual que se condensava naquele edifício, refletindo todas as tendências da vida medieval. “Se há quem entre no edifício para assistir aos ofícios divinos,” prossegue ele, “se há quem penetre nele acompanhando cortejos fúnebres ou os alegres cortejos das festas anunciadas pelo repicar dos sinos, também há quem se reúna dentro delas noutras circunstâncias. Realizam-se assembleias políticas sob a presidência do bispo; discute-se o preço do trigo ou do gado; os mercadores de pano discutem ai a cotação dos seus produtos; acorre-se a esse lugar para pedir reconforto, solicitar conselho, implorar perdão. E não há corporação que não faça benzer lá a obra prima do seu novo companheiro e que não se reúna uma vez por ano sob a proteção do santo padroeiro”[1]. A egrégora Aí está, portanto, demonstrada de forma insofismável a convergência do espírito humano para um único ponto, onde ele poderia atingir um pico máximo de densidade energética, facilitando a comunicação com a divindade. É a egrégora que se forma, sublimando o psiquismo do homem, na sua busca por uma comunhão com Deus. Daí o fato de a catedral gótica ter sido considerada um arquétipo perfeito das construções humanas, e o modelo ideal para se realizar o aprimoramento do espírito através do trabalho manual. Essa mística, essa elevação da alma aos domínios mais sutis do espírito só iria ser alcançada mais tarde pela prática da Alquimia, que no seu rigor ritualístico e no ascetismo da sua prática, visava a mesma finalidade.
  45. 45. Diante disso, não causa escândalo o fato de os maçons operativos chamarem Deus de Sublime Arquiteto do Universo,e a si mesmos de seus pedreiros, porquanto eles eram como se fossem os seus Demiurgos, construindo na terra os modelos do universo que Deus construia no cosmo. Com efeito, na perfeição das formas, na solidez das estruturas, na harmonia do conjunto, obtida pela perfeição com que se elaborava cada detalhe, é preciso reconhecer, nessa obra máxima da arquitetura medieval, uma construção de espírito, realizada não só a partir da atuação do engenho humano sobre a matéria, mas da própria interação entre a essência da matéria trabalhada e o espírito do artesão que a manipulava. Dessa idéia á uma sacralização do oficio do construtor foi apenas um passo. A questão da iniciação Jean Palou diz que nos tempos primitivos, o oficio sacralizado já pertencia ao domínio do esoterismo, razão pela qual seus conhecimentos eram transmitidos por iniciação.[2] Isso é verdade, pois embora todos os profissionais da construção, fossem, de certa forma, iniciados, somente a iniciação não lhe conferia uma realização espiritual total. Esta só acontecia com o cumprimento de uma longa cadeia iniciática, na qual se praticava uma liturgia ritual própria, onde o obreiro absorvia o “espírito” da profissão e com ele se interava tornando-se um eleito.”A iniciação”, escreve aquele autor, “em suas formas, em seus meios, em seus objetivos, Una em seu espírito, múltipla, porém, nas diferentes aplicações das técnicas peculiares a cada ofício, pela Sabedoria que preside á elaboração lógica da Obra, pela Força que possibilita sua realização efetiva, e pela Beleza que proporciona o Amor a cada realizador, isto é, o Conhecimento, ajudava o artífice a se despojar do homem velho, para se transformar num novo homem, criador de objetos e forjador de um novo mundo, finalmente harmonioso.[3] Eis o porquê de não se permitir ao iniciado, inicialmente um meroAprendiz, compartilhar com os Companheiros-Mestres os mesmos símbolos, senhas, comportamentos e práticas. E mesmo entre os Mestres se impunham distinções de grau, pois se todos eram iniciados e ostentavam os mesmos títulos profissionais, muitos poucos, entretanto, eram eleitos, ou seja, tinham obtido elevação espiritual de modo a serem considerados Mestres também nesse sentido. Quando a Maçonaria operativa evoluiu para o especulativo, e mais tarde, quando o especulativo integrou á sua liturgia as tradições do Hermetismo e da Gnose, a mística da profissão do construtor aliou-se ao encantamento próprio da prática alquímica e ao apelo emocional contido na mensagem gnóstica. Se anteriormente, o oficio de construtor se realizava num domínio que era antes de tudo religioso e social, passou, depois disso, a preencher um vasto campo no domínio filosófico e espiritual, pois a especulação, mais que a prática pura e simples de uma arte, ou uma técnica, exige mais da sensibilidade do artista do que a razão e a habilidade física requerem dele. O artista, o técnico, que antes aliava o sentimento religioso ás técnicas da sua arte, teve que buscar nos domínios do esoterismo as justificativas para a sua prática. Depois, no inicio do século XVIII, quando a Arte Real incorporou a mensagem iluminista, foi preciso o desenvolvimento de uma liturgia ritual que possibilitasse a divulgação da nova filosofia, mas que, ao mesmo tempo, transmitisse a mensagem iniciática original de uma sociedade que jamais abandonara suas tradições de construção, ainda que essa construção, agora, fosse apenas simbólica.
  46. 46. A realização espiritual buscada no exercício do ofício, ou na prática da filosofia hermética, passara agora, a ser uma realização moral, onde o iniciado aprenderia a educar-se para ser virtuoso, a partir de um novo arquétipo de homem, que era o Homem Universal. Era um aprendizado de filosofia moral em busca de um êxtase espiritual que a cadeia iniciática da Maçonaria iria proporcionar aos que nela se iniciavam. Nascia, dessa forma, a Maçonaria moderna. [1] Fulcanelli- O Mistério das Catedrais, pg. 50 [2] Jean Palou- A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática, pg. 28 [3] Idem. Pg.39 João Anatalino Enviado por João Anatalino em 29/10/2014 Alterado em 29/10/2014

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