Homens e ratos

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Homens e ratos

  1. 1. • Homens não são ratos • 12 de novembro de 2011 • • Dia desses ouvi alguém falando sobre ladrões. Foi numa dessas conversas cheias de animosidade entre comerciantes experientes. Eu apenas ouvia calada o compartilhamento de informações e sentimentos que havia ali – um deles havia sido roubado, enquanto o outro o instruía acerca dos cuidados que se deve ter. • Em meio àquela atmosfera de tensão, ficaram marcadas na minha memória apenas duas coisas: o sentimento de revolta expressado por eles, e uma frase que um dos dois proferiu:Quando o dono da casa sai, os ratos tomam conta. • Aquela frase me fez pensar. Eu já havia ouvido muitas analogias entre ladrões e ratos, mas pela primeira vez na vida eu realmente pensei com seriedade sobre o assunto. • É que ratos não jogam limpo – eles se escondem pela casa e sorrateiramente passeiam quando não há ninguém por perto. Assaltam nossos armários sem nenhum pudor, consomem aquilo que não é deles, levam uma parte, destroem outra e depois se escondem novamente, esperando a próxima oportunidade. Nem sempre eles deixam rastros, embora fique sempre uma sensação de que há algo errado, só não se sabe o quê. Difícil coisa é pegá-los, tamanha a sua astúcia. • Pois bem, fiquei assombrada com tamanha semelhança de atitude entre um e outro: o rato – mamífero roedor irracional desprovido de faculdades mentais evoluídas, que não fala, não faz continha de matemática, nem planos para o futuro – e o ladrão – ser humano, essencialmente espiritual, dotado de racionalidade e livre arbítrio.
  2. 2. • Depois de notar tão espantosa similaridade, peguei-me meditando sobre essa coisa de analogia entre homem e animal, e me vieram várias delas à memória: • “Ele é um cachorro!”, diz a namorada quando quer mostrar que o amado não tem escrúpulos e é infiel; • “Aquela menina é uma galinha”, diz alguém acerca da moça que se enamora com certa dose de volubilidade; • “Fulano é um cavalo”, para mostrar que o tal é bruto demais; • E por aí vai… • Percebi, curiosamente, que esse hábito de comparar homem com animal é comum, mas traz uma lição profunda sobre a condição humana – a de que se formos dominados por nossos instintos, e não por nossos PRINCÍPIOS, nos comportaremos sempre como animais. • Vemos os ratos vivendo escondidos em lugares obscuros, conformando-se com as sobras e as sombras. Flagramos os cachorros correndo atrás de cadelas no cio e acasalando em plena avenida sem nenhum constrangimento. As galinhas não se sentem nem um pouco desvalorizadas por dividirem o mesmo galo. E o cavalo não hesita em ferir com um coice aquele que lhe incomoda. • Pois é, os animais são totalmente instintivos, logo, eles não pensam e escolhem como vão agir e reagir, apenas seguem seus impulsos e consumam seus desejos. Esse negócio de escolha é privilégio da raça humana, e foi ideia do próprio Deus para as nossas vidas. • Acontece que não fomos criados para sermos como animais, mas para nos diferirmos deles. Recebemos algo superior – a própria natureza de Deus – e ele espera que andemos a altura dela.
  3. 3. • O problema é que a gente aprende na escola que o homem é um “animal racional”, e cresce acreditando nesta meia verdade. Sim, claro, verdade pela metade, porque comparar o homem a um animal é rebaixá-lo da categoria estabelecida pelo próprio criador, afinal, não foi ele mesmo quem disse “façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”? (Gn 1.26) • Deus não é animal. É bem verdade que a parte natural do ser humano – o seu corpo – é sim “animal”, mas você não é o seu corpo, você é muito mais do que isso, ele é apenas uma parte de você. • • Eu sei também que tem muita gente dizendo por aí que você é lindo porque foi criado à imagem do Pai, mas devemos considerar que tal semelhança não poderia ser carnal, pois bem sabemos que Deus é espírito (João 4.4), e como Jesus falou certa vez, “um espírito não tem carne e ossos” (Lc 24.39), logo, a similaridade entre Deus e o homem é invisível, espiritual, e se refere ao fato do homem ser um indivíduo com vontade, pensamentos e emoções, assim como aquele que o gerou. • Em suma, a parte de você que se parece com Deus não são seus belos olhos, mas o seu eu verdadeiro – o seu espírito. • “Sigam seus instintos”, aconselham-nos os mestres cientistas. Porém, porque vamos viver baseados em instintos primitivos se fomos dotados de inteligência e capacidade de controlar os nossos impulsos para viver uma vida inteligente? Não há razão nisso… • Ora, seguir os instintos significaria viver uma vida totalmente sem ética e moral, completamente sem pé nem cabeça, baseada apenas nos desejos da carne.
  4. 4. • É viver uma vida perfeitamente animal . A Bíblia diz, contudo, que os que estão na carne não podem agradar a Deus, justamente porque estão vivendo uma vida animal, dirigida pelos instintos e desejos da carne, quando o plano de Deus era que tivessem uma vida conforme a natureza divina que há dentro deles – com domínio próprio, bom senso, respeito, pudor, e por que não dizer, equilíbrio? • Honestamente, depois de analisar bem tive imensa misericórdia dos “ratos” que há por aí. Pensei nos “cachorros”, nas “galinhas” e nos “cavalos” que conheço, e no “zoológico” que é este mundo, e tive profunda compaixão. Tudo porque minha inevitável conclusão foi a de que os homens vivem como animais simplesmente porque não sabem quem são de fato: filhos do Deus altíssimo – o próprio idealizador do universo. • Eu não quero parecer com ratos ou quaisquer seres irracionais, quero ser a imagem do MEU PAI…E quer saber? Mais inevitável ainda foi concluir que os que ousam viver uma vida espiritual são aqueles que entenderam que o comportamento animal não é digno de alguém que descende de uma raiz tão nobre. • Ei, você é filho de Deus, pareça-se com ELE ! • Luciana Honorata
  5. 5. O SONHO DOS RATOS (nova velha fábula) Rubem Alves Rubem Alves
  6. 6. Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha. Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade. Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade... Rubem Alves Rubem Alves
  7. 7. Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, porque entre ele e os ratos estava um gato... O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e... era uma vez um ratinho!! Rubem Alves Rubem Alves
  8. 8. Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam, mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro... Rubem Alves Rubem Alves
  9. 9. Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. Rubem Alves Rubem Alves
  10. 10. "Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"... - O queijo é grande o bastante para todos, dizia um. - Socializaremos o queijo, dizia outro. Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam... Nos seus sonhos comiam o queijo. Rubem Alves Rubem Alves
  11. 11. E, quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem; crescem sempre. E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: “Ao queijo, já!"... Rubem Alves Rubem Alves
  12. 12. Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. Rubem Alves Rubem Alves
  13. 13. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu. Bastou a primeira mordida. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem. Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Rubem Alves Rubem Alves
  14. 14. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram. Arreganharam os dentes. Esqueceram-se do gato. Eram seus próprios inimigos. A briga começou. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, ato contínuo, começaram a brigar entre si. Alguns ameaçaram chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. Rubem Alves Rubem Alves
  15. 15. O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos: "Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono". Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando... Rubem Alves Rubem Alves
  16. 16. Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra. Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. Rubem Alves Rubem Alves
  17. 17. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos. Rubem Alves Rubem Alves "Consegues compreender o que está ocorrendo hoje no Brasil?"
  18. 18. CRÉDITOS Autor : Rubem Alves Texto enviado por : Marisa Imagem : Internet Formatado por: Angelica Lepper airlepper@hotmail.com Música: Maria Elena – Ernesto Cortazar Rubem Alves Rubem Alves

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