Mercado e o marxismo

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Mercado e o marxismo

  1. 1. www.cursoraizes.com.brFACULDADE JOSÉ AUGUSTO VIEIRA - FJAV SERVIÇO SOCIAL ECONOMIA POLÍTICA LARA CINTIA DO NASCIMENTO SANTOS MERCADO E O MARXISMO LAGARTO / 2009 www.cursoraizes.com.br
  2. 2. www.cursoraizes.com.brLARA CINTIA DO NASCIMENTO SANTOS MERCADO E O MARXISMO Trabalho apresentado à disciplina Economia Política sob orientação da professora Maria de Lourdes Santos Figueiredo, do Curso Serviço Social da Faculdade José Augusto Vieira – FJAV. Turma 1.° período F www.cursoraizes.com.br
  3. 3. www.cursoraizes.com.br MERCADOCONCEITO Entende-se por mercado um local ou contexto em que compradores (que compõem olado da procura) e vendedores (que compõem o lado da oferta) de bens, serviços ouestabelecem contatos e realizam transações. O lado dos compradores é constituído tanto de consumidores, que são compradores debens e serviços, quanto de firmas, que são compradoras de recursos (trabalho, terra, capital ecapacidade empresarial) utilizados na produção de bens e serviços. Já o lado dos vendedores é composto pelas firmas, que vendem bens e serviços aosconsumidores, e pelos proprietários de recursos (trabalho, terra, capital e capacidadeempresarial), que os vendem (ou arredam) para as firmas em troca e remuneração (salários,aluguéis etc.). È importante notar que, para fins de análise econômica, o conceito de mercado nãoimplica, necessariamente, na existência de um lugar geográfico em que as transações serealizam. Na realidade, as mercadorias são vendidas segundo os mais diferentes dispositivosinstitucionais, tais como feiras, lojas, bolsas de valores etc., podendo o termo mercadoaplicar-se a qualquer um deles. Basta, para isso, que compradores e vendedores de qualquerbem (ou serviço, ou recurso) interajam, resultando daí a possibilidade de comercializar essebem. Devemos observar que os mercados estão no centro da atividade econômica. Essa é arazão pelo qual muitos temas importantes em economia estão relacionados com a maneira defuncionar desses mercados. ESTRUTUTAS DE MERCADO DE BENS FINAIS E SERVIÇOS Os mercados, tal como os entendemos, estão estruturados de maneira diferenciada emfunção de dois fatores principais: número de firmas produtoras atuando no mercado e ahomogeneidade (igualdade) ou diferenciação dos produtos de cada firma. www.cursoraizes.com.br
  4. 4. www.cursoraizes.com.br Com base nesses aspectos, podemos classificar as estruturas de mercado da seguinteforma: a) Concorrência perfeita: é uma situação de mercado na qual o número decompradores e vendedores é tão grande que nenhum deles, agindo individualmente, consegueafetar o preço. Além disso, os produtos de todas as empresas no mercado são homogêneos. b) Monopólio: é uma situação de mercado em que uma única firma vende um produtoque não tenha substitutos próximos. c) Concorrência monopolista: é uma situação de mercado na qual existem muitasfirmas vendendo produtos diferenciados que sejam substitutos próximos entre si. d) Oligopólio: é uma situação de mercado em que um pequeno número de firmasdomina o mercado, controlando a oferta de um produto que pode ser homogêneo oudiferenciado. TEORIA DO MARXISMO Definir claramente o sentido de Socialismo, hoje em dia, não constitui tarefa das maissimples. Essa dificuldade pode ser creditada à utilização ampla e diversificada deste termo,que acabou por gerar um terreno bastante propício a confusões. Constantemente encontramosafirmações de que os comunistas lutam pelo socialismo, assim como também o fazem osanarquistas, os anarco-sindicalistas, os sociais-democratas e até mesmo os própriossocialistas. A leitura de jornais vai nos informar que o governo Cubano, Chinês, Vietnamita,Alemão, Austríaco, Inglês, Francês, Sueco entre outros, proclamam-se socialistas. Caberiaentão perguntar o que é que vem a ser este conceito, tão vasto, que consegue englobar coisastão dispares. A História das Idéias Socialistas possui alguns cortes de importância. O primeiro delesé entre os socialistas Utópicos e os socialistas Científicos, marcado pela introdução das idéiasde Marx e Engels no universo das propostas de construção da nova sociedade. O avanço dasidéias marxistas consegue dar maior homogenidade ao movimento socialista internacional. www.cursoraizes.com.br
  5. 5. www.cursoraizes.com.br Pela primeira vez, trabalhadores de países diferentes, quando pensavam emsocialismo, estavam pensando numa mesma sociedade - aquela preconizada por Marx - enuma mesma maneira de chegar ao poder.As idéias de Karl Marx e Friedrich Engels As teses apresentadas por Marx e Engels levaram a uma total modificação do caminhoque vinha sendo percorrido pelas idéias socialistas e constituíram a base do socialismomoderno. Apesar de obras anteriores, é o Manifesto do Partido Comunista que inovadefinitivamente o ideário socialista. A partir de sua publicação em 1848, tanto Marx quantoEngels aprofundaram e detalharam, em suas demais obras, suas concepções sobre a novasociedade e sobre a História da humanidade. Antes de qualquer coisa, devemos fugir à idéia de que anteriormente a Marxexistissem apenas trevas. O que há de genial no trabalho de Marx é sua aguçada visão daHistória e dos movimentos sociais e a utilização de instrumentos de análise que ele própriocriou.Marx se serve de três principais correntes do pensamento que se vinham desenvolvendo, naEuropa, no século passado, coloca-as em relação umas com as outras e as completa em suasobras. Sem a inspiração nestas três correntes, admite o próprio Marx, a elaboração de suasidéias teria sido impossível. São elas: a dialética, a economia política inglesa e o socialismo.Para Marx o movimento dialético não possui por base algo espiritual, mas sim algo material. O materialismo dialético é o conceito central da filosofia marxista, mas Marx não secontentou em introduzir esta importante modificação apenas no terreno da filosofia. Eleadentrou no terreno da História e ali desenvolveu uma teoria científica: O materialismohistórico. O materialismo histórico, a concepção materialista da história desenvolvida porMarx e Engels, é uma ruptura à História como vinha sendo estudada até então. A históriaidealista que dominava até então. A história idealista que dominava até aquela épocachamava-se de História da Humanidade ou História da Civilização a algo que não passava demera seqüência ordenada de fatos histórico relativos às religiões, impérios, reinados,imperadores, reis e etc. Para Marx as coisas não funcionavam desta maneira. Em primeiro lugar, comomaterialista, interessava-lhe descobrir a base material daquelas sociedades, religiões, impériose etc. A ele importava saber qual era a base econômica que sustentava estas sociedades: quemproduzia, como produzia, com que produzia, para quem produzia e assim por diante. Foi www.cursoraizes.com.br
  6. 6. www.cursoraizes.com.brvisando isto que ele se lançou ao estudo da Economia Política, tomando como ponto departida a escola inglesa cujos expoentes máximos eram Adam Smith e David Ricardo. Emsegundo lugar uma vez que a base filosófica de todo o pensamento marxista (e, portanto,também de sua visão de história) era o materialismo dialético, Marx queria mostrar omovimento da história das civilizações enquanto movimento dialético. A teoria da História de Marx e Engels foi elaborada a partir de uma questão bastantesimples. Examinando o desenvolvimento histórico da Humanidade, pode-se facilmente notarque a filosofia, a religião, a moral, o direito, a indústria, o comércio etc., bem como asinstituições onde estes valores são representados, não são sempre entendidos pelos homens damesma maneira. Este fato é evidente: A religião na Grécia não é vista da mesma maneira quea religião em nossos dias, assim como a moral existente durante o Império Romano não é amesma moral existente durante a idade média. A situação do marxismo no mundo contemporâneo é marcado por um estranhoparadoxo. A influência do pensamento de Karl Marx sobre a realidade social atual parecemais forte do que nunca. Nunca se consagrou tantos colóquios, congressos acadêmicos, livros,artigos de revistas e jornais por ocasião do centenário da sua morte (nascido em Treves em1818, Karl Marx faleceu em Grã-Bretanha no dia 14 de março de 1983). Nunca tantos chefesde Estado e de governo, de partidos de massas por esse mundo fora, pretenderam se inspirarna sua obra. Mas, ao mesmo tempo, nunca se discursou sobre a "crise do marxismo", sejasobre o seu "declínio irreversível" e sobre a sua "morte" O marxismo sendo a unidade de dois movimento, um teórico, outro prático, é, portantoem relação a esses dois aspectos que é necessário se esforçar em precisar sua atualidade. Porum lado, possui um aspecto rigorosamente científico, respeitando todas as leis inerentes a essetipo de pesquisa. Marx sempre foi um sábio que desprezou aqueles que escondiam oufalsificavam os fatos ou resultados de investigação, sob qualquer pretexto, incluindo o de"não desesperar Billancourt", quer dizer, de não desencorajar a classe operária. Ele perseguiuesta atividade científica, nomeadamente por que ele estava convencido que só a verdade erarevolucionária, que nenhuma luta proletária não atingiria seu objetivo – a construção de umasociedade sem classes à escala mundial – se ela não fosse constantemente esclarecida pelosresultados de uma análise rigorosa da realidade e da sua evolução. Por um lado, o marxismo tem uma dimensão emancipadora não menos rigorosa eexigente. Até Karl Marx, a filosofia se contentou de interpretar o mundo. Para Marx, setratava de o transformar, e isso num objetivo preciso: suprimir, pela atividade revolucionária, www.cursoraizes.com.br
  7. 7. www.cursoraizes.com.brtodas as condições sociais que fazem do ser humano um ser escravo, miserável, mutilado,oprimido, explorado, alienado; criar uma sociedade na qual o livre desenvolvimento de cadaindivíduo se torna a condição do desenvolvimento livre de todos. Até ao seu último sopro devida, Marx sempre foi fiel a esse objetivo. Esses dois objetivos do marxismo, a explicação científica do futuro social em suatotalidade e a realização do projeto emancipador mais radical que alguma vez foi concebido,são de uma audácia tal que a principal admoestação que foi dirigida a Marx, e que lhe édirigida ainda nos dias de hoje, é de ter sido o último dos utopistas: um desígnio de tal formavasto não poderia se realizar. Os que acreditam no céu acrescentam que ele teria cometido opecado, que ele teria fundado uma "religião do homem" – o que é totalmente falso, visto que ocaráter fundamentalmente crítico e em permanência autocrítico da sua doutrina – sem o apoiode uma providência divina, e querendo fazer bem, ele teria finalmente provocado demasiadomal. Apostemos que a humanidade laboriosa, que sofre e que combate para se libertar dassuas correntes, não partilha esse julgamento séptico, resignado e cínico. Aceitar suas correntessob o pretexto que não se sabe se alguma vez se poderá se desembaraçar completamente,afirmar que vale mais dar um pouco de pomada sob os ferros em vez de limar e de o jogarfora, isso não satisfaz aqueles e aquelas acorrentados que preferem se levantar contra aescravidão. Enquanto houver humanidade, esta categoria de revolucionários nuncadesaparecerá. Cem anos após a morte de Marx, qual é o balanço que se pode tirar dos doisaspectos do marxismo?O Balanço do Aspecto Científico do Marxismo O primeiro aspecto – o da capacidade de análise e de previsão científico – éparticularmente positivo. Se compararmos o mundo de 1883, ao de 1983, se nosquestionarmos se as transformações principais que se produziram são aquelas previstas porMarx e se elas resultam da natureza da sociedade burguesa e das contradições que a rasgam,tais que ele nos ensinou a conhecer, a resposta só pode ser "sim", sem nenhum "mas"importante. Marx compreendeu, melhor que qualquer sábio ou moralista do seu tempo, a dinâmicagrandiosa e aterradora das revoluções tecnológicas inerentes ao modo de produção capitalista,em função mesmo da propriedade privada, da economia de mercado, da concorrência e dasede insaciável que resulta da extorsão crescente da mais-valia do trabalho vivo afim de poder www.cursoraizes.com.br
  8. 8. www.cursoraizes.com.bracumular sempre mais capital. Dinâmica grandiosa, porque ela contém a promessa de libertaro Trabalho de todo o esforço produtivo cansativo, não criador e alienante, graças àautomatização. Dinâmica aterradora, por que ela conduz à transformação periódica das forçasprodutivas em forças destrutivas que sapam o progresso da humanidade, destroem o ambientee arriscam a destruição de todo o planeta. Ele compreendeu que da concorrência brotaria o monopólio, por sua vez submetido auma concorrência cada vez mais feroz. Os pequenos capitais seriam absorvidos sem piedadeou esmagados pelos grandes. A sociedade burguesa evoluiria em direção de uma estrutura deforma piramidal, fundada sobre uma imensa maioria de salariados, mas se concentrando emcada país em algumas dezenas de firmas e grupos financeiros gigantescos e, à escalainternacional, em algumas centenas de multinacionais que ditariam suas leis a todos osEstados burgueses e esmagariam trabalhadores e povos numa máquina infernal que subordinatudo ao imperativo do lucro. Ele compreendeu que esta mesma máquina iria se avariar periodicamente, que oregime capitalista produziria, em intervalos regulares, crises econômicas e guerras, cujo custohumanitário aumentaria a longo termo ao ponto de se tornar insuportável e mesmo mortal.Hoje, esses apóstolos que pretenderam, durante os anos 50 e 60, que o Capital tinhafinalmente exorcizado seus demônios, que ele garantiria o pleno emprego, o crescimento, oaumento do nível de vida e a paz eterna. A grande depressão que atingiu o capitalismointernacional é uma clara confirmação da justeza da análise científica de Karl Marx. Ele compreendeu que contra esta máquina infernal – quaisquer que sejam as vantagensparciais e temporárias que a humanidade possa, aliás, retirar – os salariados e semi-salariadosiriam se erguer em massa. É dessa luta de classe do Trabalho salariado contra o Capital quedevia surgir o potencial necessário para transformar o mundo no sentido da emancipação detodos e todas. Ele compreendeu que esta luta tomaria primeiro a forma de uma revolta espontânea,sem consciência nítida dos objetivos visados e dos meios para aí chegar. Ela passaria emseguida por um gigantesco esforço de organização, de cooperação e de aprendizagem dasolidariedade de classe a todos os níveis. Ela terminaria em revoluções conscientes, inspiradaspela experiência vivida, pelas necessidades objetivas e subjetivas ressentidas como tais, e pelopróprio programa marxista. Constatando as imensas tarefas, essas revoluções passariaminevitavelmente por derrotas parciais ou mesmo completas. O proletariado submeteria suaspróprias vitórias e derrotas à crítica impiedosa. Ele voltaria continuamente sobre o que parecia www.cursoraizes.com.br
  9. 9. www.cursoraizes.com.brjá adquirido, até que o vasto movimento histórico do assenso, do declínio e da ascensão daconsciência de classe e da revolução proletária tendo por saída a construção de uma sociedadesocialista à escala mundial. De todas as análises e projeções de Marx, é sem dúvida esta última que é a maisimpressionante. Lembremo-nos que no momento da publicação do Manifesto Comunista, em1948, não havia no mundo inteiro mais que 100 mil sindicalizados e 10 mil socialistas com,no máximo, algumas centenas de comunistas, e isso, apenas em meia dúzia de países. Hoje,não há um país no mundo, nem a mais pequena ilha do Pacífico nem canto mais recuado dafloresta equatoriana onde o capitalismo, propulsado pela sua tendência expansionistairresistível, não pudesse estabelecer uma usina, um porto, um botequim, empregandosalariados, sem que não tenha surgido sindicatos que reagrupem, à escala mundial, centenasde milhões de aderentes, e cujo desenvolvimento é acompanhado da formação de partidos quese reclamam do socialismo, que contem dezenas de milhões de simpatizantes e de eleitores.Os comunistas se contam por centenas de milhares, de milhões, que se reivindicam dadoutrina de Marx.Onde está a prática marxista? Qual é, aliás, o balanço do segundo aspecto do marxismo, o da prática? Não é menosimpressionante. Mas é também nitidamente mais contraditório. Graças ao estimulo que KarlMarx, Friedrich Engels e seus discípulos trouxera, a luta e a organização operárias contra aburguesia adquiriram uma lucidez que lhes permitiu transformar parcialmente o mundo emum sentido emancipador. Mencionemos entre as principais conquistas: a luta pelo limite dodia de trabalho, que conduziu a semana de 72 horas e mais ao combate pelas 35 horas, queserá ganho se o combate não menos escarnido para estender a solidariedade coletiva aos maisexplorados e oprimidos: as mulheres, os jovens, os desempregados, os imigrantes, as minoriasnacionais, os doentes, os inválidos, os idosos. O esforço para estender esta solidariedade àescala mundial é difícil, mas não irrealista, como testemunham os movimentos desolidariedade com as revoluções cubanas, indo-chinesa, centro-americana, que sucederam aosmovimentos que apoiaram as revoluções russa e espanhola. Disso testemunham também os primeiros triunfos de revoluções socialistas, sobretudoinspiradas por Lênin, desde da revolução de Outubro na Rússia até às revoluções iugoslavas,chinesas, cubana e indo-chinesa. Tudo isso faz parte da realidade mundial, mesmo se não setrata de conquistas definitivamente garantidas enquanto subsistir o capitalismo internacional. www.cursoraizes.com.br
  10. 10. www.cursoraizes.com.brPodemos afirmar que sem Marx e Engels, o mundo hoje teria sido bem diferente e muito maisdesumano do que ele é. Mas o projeto emancipador no seu conjunto ainda não se realizou em parte alguma. Asduas correntes de massas nas quais o movimento operário real se dividiu, a corrente socialdemocrata reformista e a corrente estalinista (a subcorrente eurocomunista de massa passandogradualmente do segundo ao primeiro) levaram a uma derrota pungente. A social democracianão avançou um milímetro na via da abolição do capitalismo pelas reformas. A crisecapitalista atual, com o seu cortejo de desempregados e de misérias, a fome no "terceiro-mundo", a ameaça de extermínio nuclear suspendida sobre o gênero humano, testemunhamsuficientemente. Quanto à burocracia estalinista, se ela usurpou na URSS os frutos do esforçorevolucionário gigantesco alguma vez realizado por um povo, ela a conduziu a um impassetotal. As sociedades saídas de revoluções vitoriosas não chegaram ao socialismo, mas gelarama meio caminho entre o capitalismo e o socialismo. Além disso, em todo o lado, salvo emCuba, se exerce a férula de uma ditadura despótica que bloqueia qualquer novo avanço para osocialismo, que submete os trabalhadores à opressão incontestável e que descredita – essespaíses à escala mundial – o socialismo, o comunismo e o marxismo mais que qualquerpropaganda burguesa não conseguiria alguma vez fazer. Aí, mais que em qualquer outra parte, se encontra a fonte da "crise do marxismo"sobre a qual se perora nos últimos tempos. Não é de uma crise do marxismo que se trata, masde uma crise da prática do movimento operário burocratizado, da crise das sociedades pós-capitalistas burocratizadas. Essas crises são, aliás, acompanhadas de um abandono cada vezmais aberto da doutrina marxista pelos dirigentes desses movimentos, o que confirma à suamaneira que Marx não tem nada a ver com isso. Aplicando à análise dessas crises o método eos critérios marxistas, chegamos a quatro conclusões.Quatro Conclusões Primeiro, seria completamente desapropriado procurar as fontes últimas dessas crisesnas idéias de Marx. A maior contribuição de Marx para a compreensão da história dassociedades consiste nisto: em última análise, é a existência social que determina aconsciência, e não o inverso. Crer que a capitulação da social democracia diante da primeiraguerra imperialista (1914-1918), depois sua ajuda à contra-revolução capitalista; que oscrimes de Estaline; que as capitulações paralelas da social democracia e do estalinismo diante www.cursoraizes.com.br
  11. 11. www.cursoraizes.com.brHitler (1933) e a ascensão do fascismo, foram causadas por imperfeições nos textos de Marx,isso frisa o ridículo. As grandes tragédias do século XX foram a proeza do Capital, e não de Marx. Elasnão se podem explicar como resultantes de afrontamentos entre centenas de milhões de seres,de conflitos de interesses materiais das grandes classes sociais ou de frações de classe. Asidéias – "boas" ou "más" – jogam certamente um papel nesse contexto, mas não um papelprincipal. Em segundo lugar, é desapropriado procurar as razões últimas do aparecimento deEstaline e do desvio das revoluções socialistas vitoriosas na alma eslava, a conquista mongolou no vicioso sádico sedento de poder adormecido em cada um de nós e que só espera pelascircunstâncias propicias para acordar brutalmente. O segredo do triunfo, como o dadegenerescência da revolução russa se encontra, em última análise, na contradição entre amaturidade das condições objetivas da revolução mundial – a crise mundial do capitalismodesde 1914 – por um lado, e a imaturidade das condições objetivas para o socialismo naRússia e em China, assim que a imaturidade das condições subjetivas para a vitóriarevolucionária à escala mundial por outro lado. Isso deu, durante um longo período, um cursodesigual ao processo da revolução mundial, cujas conseqüências negativas estão longe deestarem eliminadas. Em seguida, o marxismo confirma sua validade de maneira brilhante pelo fato que elepôde forjar os instrumentos analíticos refinados para explicar o que se passou com a socialdemocracia e o estalinismo. Mais precisamente, é a crítica marxista da burocracia operária, daditadura burocrática e da sociedade de transição burocrática que é ao mesmo tempo científica,a mais completa e a mais orientada para as saídas históricas reais. A grande surpresa e o nãomenos grande furor de toda a reação mundial – do Kremlin a Washington, passando peloVaticano e os "dissidentes" reacionários –, uma parte crescente desta crítica marxista dasociedade nos chega aliás dos próprios países do Este. Esse acordar histórico cheio depromessas apenas começa. Finalmente, um movimento de massa real se desencadeou há trinta anos paraultrapassar nos fatos a crise do "marxismo" estalinista (que não tem nada em comum com omarxismo) ou do "socialismo real" (que não tem nada a ver com o socialismo). Essemovimento, que nós chamamos de revolução política anti-burocrática – e cuja ascensãorevolucionária na Polônia em 1980-1981 é até aqui o ponto culminante – Leon Trotski e aIVÃ Internacional guardarão para sempre o mérito histórico de tê-lo previsto e preparado. Sua www.cursoraizes.com.br
  12. 12. www.cursoraizes.com.brvitória não implica de modo nenhum uma restauração do capitalismo. Ela significará, depoisdas inevitáveis hesitações, o triunfo da autogestão planificada e democraticamentecentralizada, da economia, quer dizer o regime dos "produtores associados", para retomar aformula do próprio Marx. Ela significará, no domínio do Estado, a auto-administração dostrabalhadores na base de uma larga democracia socialista pluralista, quer dizer, o poder dosconselhos dos trabalhadores, o poder dos sovietes, com um principio imediato dodefinhamento do Estado. Serão os conselhos que governarão o partido revolucionárioindispensável ao seu triunfo se contentando de procurar lhes guiar politicamente, sem nuncase substituir a eles. O movimento real da emancipação dos proletários dos países capitalistas secompromete periodicamente na mesma via, com inevitáveis altos e baixos, desde da Rússia de1917, a Alemanha de 1918, a Hungria de 1919, e a Itália de 1920, até à Espanha de 1936, aItália ainda, de 1948 e de 1968 e 1969, a França de Maio 1968 e Portugal de 1974-1975. Aluta de emancipação dos povos dominados retoma pouco a pouco a mesma orientação, sob opeso de uma industrialização parcial e da emergência do proletariado como classe majoritárianesses países. É, portanto nesses três setores da revolução mundial que através de um dolorosonascimento, a história faz seu caminho em direção à única solução positiva à crise dahumanidade: o poder dos conselhos de trabalhadores, a Federação socialista mundial, na qualhomens e mulheres do nosso planeta tomarão definitivamente a sua própria sorte em mãos,expulsarão para sempre a guerra e meterão fim à exploração do Trabalho e à opressãopolítica. É nesse sentido que trabalha a IVÃ Internacional. É com esse objetivo que Karl Marxproduziu sua obra titânica. Quando esse movimento histórico conhecerá a sua primeira vitóriaem país industrialmente avançado, a fofoca sobre a "crise do marxismo" terminará uma vezpor todas. www.cursoraizes.com.br
  13. 13. www.cursoraizes.com.brREFERENCIAS BIBLIOGRAFICASFERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito: técnica, decisão, dominação.São Paulo: Editora Atlas, 2ª edição 1996.FONSECA, João Bosco Leopoldino da. Direito Econômico. Rio de Janeiro: Editora Forense,1995.MATTOS, César. Mercado Relevante na Análise Antitruste: uma aplicação do Modelo daCidade Linear – CADE: Texto para discussão nº 09 – Fórum Permanente da Concorrência-FPC.PASSOS, Carlos Roberto Martins. Princípios de Economia – 4.ª edição revista e ampliada,Otto Nogami, 2003. www.cursoraizes.com.br

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