SONIA AUGUSTA DE MORAESCLICANDO A INTERNET: UM PROJETO COM JOVENS E ADULTOS             MARECHAL CÂNDIDO RONDON           ...
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Dedicado a uma pessoa Divina: minha mãe (in memoriam)                                                   3
AGRADECIMENTOSAgradeço aos colegas de turma pelos bons momentos que passamos juntos.A todos que, direta ou indiretamente, ...
“A tecnologia é maravilhosa, mas é precisoque ela chegue à escola pública, senão asdiferenças sociais vão se aprofundar”. ...
SUMÁRIO1        INTRODUÇÃO........................................................................................       0...
1.    INTRODUÇÃOO desenvolvimento da tecnologia tem acarretado inúmeras transformações nanossa sociedade, entre elas o sur...
Na seqüência do trabalho apresentamos uma proposta de análise referente aopapel da Internet na educação. Para fazer um est...
2.    A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS CIÊNCIASAo longo da história do homem muitas foram as transformações ocorridas nassociedade...
combinando instrumentos simples e bem cedo inventou as primeiras máquinas.Para Gay (1996)                       Com o apri...
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Podemos Perceber como eram lentas as etapas de desenvolvimento de novastécnicas nesse período e muitas vezes por falta de ...
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também, como o trabalho efetivo com a tecnologia é apresentado no discursooficial da educação brasileira.3.2   O uso dos r...
Nas escolas atualmente o que se percebe e que alguns professores não tem muitointeresse em desenvolver projetos utilizando...
O professor poderia usar essa aula para mostrar ao aluno que com o excel, elepoderá criar, desenvolver, programas, tabelas...
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Desejo utilizar os recursos de internet porque a educação não pode                excluir os alunos desses avanços tecnoló...
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professores é essencialmente um ato político de formação de cidadania e               não um simples oferecimento de conte...
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5.    UMA EXPERIÊNCIA ESTIMULADORAOs novos paradigmas educacionais contemplam a inserção de novas tecnologiasde informação...
relações sociais, de modo que os alunos possam aprender uns com os                  outros, e saber trabalhar em grupo. (p...
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Para Valente (2002) “a educação não pode ser mais baseada em um fazerdescompromissado, de realizar tarefas e chegar num re...
que não arriscar, é ficar com está. E como não queria ficar como estava,juntamente com os alunos desenvolvemos o projeto C...
O uso da Internet, representa o ponto mais avançado da aplicação das                novas tecnologias, para fins educativo...
Alunos de Educação de Jovens e Adultos que pela primeira vez clicaram na Internet.Este projeto foi desenvolvido pelas disc...
sentimento humanitário e de que principalmente temos muito por fazer e contribuirpara a construção de uma sociedade mais j...
•   Montar uma agenda com os principais endereços de sites sobre: educação,       saúde, recreação e trabalhos voluntários...
•       Elaborar um glossário português e inglês dos principais termos utilizados na           Internet.   •       Visitar...
avaliar os envolvidos no projeto, pontos positivos e negativos para que possamosatingir os objetivos propostos.Ao destacar...
Educação  de  Jovens e Adultos
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Educação de joves e Adultos e o uso da Internet na educação.

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  1. 1. SONIA AUGUSTA DE MORAESCLICANDO A INTERNET: UM PROJETO COM JOVENS E ADULTOS MARECHAL CÂNDIDO RONDON SETEMBRO-2003 1
  2. 2. SONIA AUGUSTA DE MORAESCLICANDO A INTERNET: UM PROJETO COM JOVENS E ADULTOS Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Especialista no Curso de Pós- Graduação em Organização do Trabalho Pedagógico da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste. Orientador: Prof. Ms. Marco Antonio B. Carvalho. MARECHAL CÂNDIDO RONDON SETEMBRO-2003 2
  3. 3. Dedicado a uma pessoa Divina: minha mãe (in memoriam) 3
  4. 4. AGRADECIMENTOSAgradeço aos colegas de turma pelos bons momentos que passamos juntos.A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho.Meu especial agradecimento a todos os Jovens e Adultos do CEEBJA quecolaboraram como sujeitos da pesquisa. 4
  5. 5. “A tecnologia é maravilhosa, mas é precisoque ela chegue à escola pública, senão asdiferenças sociais vão se aprofundar”. Paulo Freire 5
  6. 6. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO........................................................................................ 072 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS CIÊNCIAS.......................................... 092.1 As grandes descobertas.......................................................................... 103 A MÁQUINA CHAMADA COMPUTADOR............................................. 143.1 A Internet: uma trajetória revolucionária................................................. 163.2 O uso dos recursos tecnológicos na educação....................................... 184 A INTERNET NA EDUCAÇÃO................................................................ 224.1 As novas tecnologias e a sua aplicação no processo educacional......... 224.2 Alguns dados estatísticos da população excluída da era digital............. 254.3 Minhas primeiras experiências com o computador e a Internet............... 285 UMA EXPERIÊNCIA ESTIMULADORA................................................... 435.1 Descrevendo o projeto “Clicando a Internet”............................................ 455.2 Os objetivos e estratégias do projeto Clicando a Internet....................... 485.3 As dinâmicas usadas em sala de aula..................................................... 545.4 Atividades desenvolvidas com os alunos no laboratório de informática.. 575.5 Algumas falas sobre o projeto................................................................. 696 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................... 73REFERÊNCIAS................................................................................................. 77ANEXOS............................................................................................................. 79 6
  7. 7. 1. INTRODUÇÃOO desenvolvimento da tecnologia tem acarretado inúmeras transformações nanossa sociedade, entre elas o surgimento de uma nova linguagem que inclui o usode recursos tecnológicos, que disponibiliza dados e informações o que permitenovas formas de comunicação. Fala-se aqui do computador e da Internet.A aprendizagem intermediada pelo uso do computador tem gerado discussõessobre as mudanças no processo de ensino bem como no processo deaprendizagem. Se antes as únicas vias eram a sala de aula, o professor e os livrosdidáticos, hoje este conceito se amplia e ao aluno é permitido “navegar” pelooceano de informações disponibilizadas pela Internet.Para isto torna-se condição essencial refletir sobre a utilização desses recursos: ocomputador e a Internet no sistema educacional. Na tentativa de estabelecer estediálogo, este texto está dividido em quatro partes:A primeira apresenta um relato breve sobre a evolução histórica das ciências,destacando as principais descobertas a partir dos séculos XV e XVI e enfatizandoque estas, como as anteriores já continham o germe do desenvolvimentotecnológico que vivenciamos na contemporaneidade.A segunda comenta-se sobre as etapas de desenvolvimento de novas técnicaspara a criação do computador eletrônico. Destacando a revolução ocorrida com aInternet e como o uso desses novos recursos: o computador e a Internet passam ainfluenciar na vida das pessoas e conseqüentemente na educação. 7
  8. 8. Na seqüência do trabalho apresentamos uma proposta de análise referente aopapel da Internet na educação. Para fazer um estudo desta temática acreditamosque ela pode ser aplicada no processo educacional e apresentamos o que jámudou e os indicativos do que ainda tem que mudar para que a mesma se tornemais eficiente e eficaz em sua aplicação na educação. Também apresentamosalguns dados estatísticos da população excluída da era digital. Finalizando essecapítulo apresento minhas primeiras experiências com o computador e a Internet.A quarta parte ira abordar sobre a Internet no processo ensino aprendizagem e ospossíveis inconvenientes dessa utilização, passando pela questão do processoensino aprendizagem, pelo novo perfil do professor e o que se espera deste “novoaluno” nesta “nova sociedade”.Com a chegada da Internet na escola um novo mundo com inúmeraspossibilidades abre-se diante de alunos e professores. O paradigma tradicional doensino baseado em aulas expositivas, consultas a enciclopédias e livros didáticosdá espaço a uma nova realidade. Fala-se aqui de livros, sites, bibliotecas virtuaisque tanto o aluno quanto o professor podem visitar e consultar bastando para istoum computador conectado a Internet.Acredita-se que os grandes questionamentos seriam: como utilizar tais recursosem sala de aula. E na tentativa de responder esta questão apresento como partefinal deste trabalho um projeto realizado com alunos de Educação de Jovens eAdultos de uma escola Pública do Estado do Paraná. O projeto Clicando a Internet,onde destaco os principais objetivos e estratégias, dinâmicas utilizadas em sala deaula e no laboratório de informática, bem como depoimento dos alunos queparticiparam do referido projeto. 8
  9. 9. 2. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS CIÊNCIASAo longo da história do homem muitas foram as transformações ocorridas nassociedades. O ser humano desde o início procurou desenvolver instrumentos eferramentas para satisfazer suas necessidades. Com a evolução do tempo, aciência foi tomando um papel cada vez mais importante nas sociedades.Em especial na época em que vivemos, ela tornou-se integrante indispensável parao nosso cotidiano. Mas os avanços da ciência e da tecnologia são tantos quemuitas sociedades não conseguem acompanhar essas transformações.A cada dia que passa o homem apresenta novas descobertas em diferentes áreascomo no campo da genética, da química, da informática, e em muitas outras áreasdo conhecimento. Para nós talvez, muitas invenções feitas no passado, não sãotão valorizadas e às vezes até consideradas simples, mas para o homem que viveunaquela época suas descobertas foram fundamentais para sua sobrevivência e nãoeram tão simples como imaginamos.No sentido de pontuar como o desenvolvimento da ciência e da tecnologia emtempos remotos foi mola mestra para o desencadear de nossa evolução científica etecnológica, vamos recordar algumas das descobertas feitas pelo homem everificar como isso influenciou no seu modo de vida à época.Os nossos antepassados, de acordo com suas necessidades foram criandoinstrumentos para o seu trabalho. Os instrumentos eram feitos de pedras, ossos e,principalmente madeira. Através de experimentos conseguiu fazer objetos queserviam para cavar, cortar, descascar, produziu machados, facas, e cada vez maisiam melhorando seus instrumentos de trabalho. E quando o homem aprendeu ausar os metais, ele pode aperfeiçoar ainda mais suas ferramentas e armas, 9
  10. 10. combinando instrumentos simples e bem cedo inventou as primeiras máquinas.Para Gay (1996) Com o aprimoramento de técnicas mais complexas o ser humano passou por grandes revoluções. A primeira grande revolução foi a do neolítico, nesse período as técnicas desenvolvidas foram fundamentais para a sobrevivência do homem, a começar pela prática da agricultura e também pela fabricação de objetos e ferramentas, que nesse período histórico, essas descobertas representaram grandes invenções, pois facilitaram a vida cotidiana do homem. (p. 34)1Mas, todo esse processo demorou milhares e milhares de anos. Nos últimostrezentos anos, as invenções se multiplicaram rapidamente e continuam seaperfeiçoando cada vez mais. As máquinas e aparelhos que hoje conhecemos eutilizamos são fruto do trabalho de milhões de pessoas, acumulado durante opassar do tempo.2.1 As grandes descobertasJá vivemos muitas eras ou ciclos: era dos descobrimentos, a do renascimento, darevolução científica, da revolução industrial e vivemos hoje a era da tecnologia como uso intensivo da informatização. Vivendo na atualidade às vezes nem da paraacreditar que existiram épocas na história em que o homem só conhecia o seuterritório, e não imaginava que além do oceano existissem outros continentes eoutros povos.Na história das descobertas encontramos interessantes e importantes fatos quemarcaram nosso desenvolvimento. A invenção da bússola, assim como oaprimoramento das técnicas de navegação, facilitou a expansão marítima européia,resultando na nova rota marítima para as Índias, realizadas por Vasco da Gama.Os avanços da tecnologia de navegação da época foram notáveis, não tardandoassim o descobrimento da "nova terra", a América, realizada por Cristóvão1 Esta citação e outras que ocorrerem do referido autor estão no texto original em espanhol. Tradução minha. 10
  11. 11. Colombo. Por outro lado, a pólvora, outrora utilizada meramente para a fabricaçãode fogos de artifício, passou a ser utilizada para fins militares.Percebemos que a partir dessa nova realidade, as novas descobertas vinham deencontro com as necessidades da época, pois para explorar novas terras oshomens tinham que aprimorar e aperfeiçoar as técnicas de navegação, pois casocontrário seria impossível a conquista de novos territórios. Os séculos XV e XVImarcaram o início das grandes descobertas onde para muitos escritores foi orenascer das artes, da literatura e das ciências. Esse período ficou conhecido comoo Renascimento.O Renascimento manifestou-se primeiramente nas cidades italianas e depois sedifundiu por toda a Europa. Sobre esse período Harman (1995) diz: Os historiadores da Renascença se referem muitas vezes a três grandes desenvolvimentos importantes nas artes mecânica, a invenção da imprensa, da pólvora e da bússola que contribuíram de forma notável para o rápido desenvolvimento das sociedades européias nesse período. (p. 17)Muitos foram os representantes do renascimento italiano, dentre eles destacamosLeonardo Da Vinci (1452-1519): foi pintor, arquiteto, escultor, físico, engenheiro, sedestacou na arte e nas ciências. Arruda (1986) em relação a Leonardo da Vinci dizque “já no século XVI ele tinha imaginado uma máquina a vapor, mas foi apenas noséculo XVIII que ela teve aplicação efetiva”. (p. 109)Com isso percebemos que as invenções são feitas a partir das necessidades dohomem e da sociedade com o passar dos tempos, cada vez mais o homemnecessita de novos métodos e técnicas para o seu trabalho e para sua vidacotidiana. Muitas foram às descobertas importantes feitas nesse período comoregistra Harman (1995): A publicação de Sobre a Revolução das esferas celestes (1543) pelo astrônomo polonês Nicolau Copérnico deu início a uma transformação na 11
  12. 12. concepção do universo.Copérnico argumentava que o Sol era o Centro dos cosmos e não a Terra. [...] Essa publicação deu início a um processo que transformava a concepção do lugar do homem na natureza. (p. 26)Outra personalidade importante do renascimento foi Galileu Galilei (1564-1642)matemático, físico e astrônomo. Ele trouxe a teoria de Copérnico para o foco de umdebate intelectual, demonstrou que o centro do Universo é o Sol e não a Terra foiperseguido pela Igreja que defendia a teoria de que a Terra era o centro doUniverso.Galileu Galilei desmontou todo uma teoria criada pela igreja que através de suasidéias, tinham o objetivo de reforçar o seu poder. Os grandes avanços da ciênciaocorridos graças às descobertas de Galileu e Copérnico, deram um impulso paraas pesquisas de Isaac Newton. Ele foi matemático, físico e astrônomo, descobriuas leis da gravitação universal e da decomposição da luz. A respeito de NewtonChassot (2000), faz o seguinte comentário: Newton não desconheceu as contribuições dos que o antecederam, (...) deixou claro em sua frase: “se vi mais longe do que os outros homens, foi porque me coloquei sobre os ombros de gigantes”, [...] Newton tornou-se, um século mais tarde, o símbolo da revolução científica européia. (p. 109)Podemos dizer que a cada nova idéia, a cada novo instrumento criado pelohomem, muitas foram e muitas serão as transformações ocorridas nas sociedades,pois cada vez mais a ciências avança de uma forma rápida, mas tudo isso se deveao fato de já existir invenções importantíssimas feitas pelos homens no passado ehoje essas invenções são fundamentais para outras grandes descobertas.Também não podemos deixar de destacar que a cultura renascentista foi divulgadagraças à invenção da imprensa pelo alemão Gutemberg (1397-1468). De acordocom os dizeres de Lobato (1972) “até o aparecimento da prensa [...] não existia noOcidente um só livro impresso, um só jornal, uma só revista”. (p. 152) 12
  13. 13. Hoje temos uma variedade de materiais impressos, e por isso fica até difícilimaginar como seria a nossa vida sem livros, revistas e jornais, mas só que nemsempre foi assim como comenta Kalinke (1999): Os avanços tecnológicos começam a ser utilizados, praticamente, por todos os ramos do conhecimento. As.descobertas são extremamente rápidas e estão à nossa disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. O advento do chip, que deu origem aos computadores atuais, talvez tenha sido o grande achado deste milênio. (p. 13)Verificamos que na atualidade os avanços tecnológicos são tão rápidos que muitosprodutos tornam-se obsoletos, ficando até difícil acompanhar tantastransformações.Em relação à época atual Aquiles Gay (1996), destaca a importância do surgimentode novas tecnologias no campo da microeletrônica, na biotecnologia e nainformática. Essa nova revolução é chamada pelo autor de Revolução científicoTecnológica.Nessa revolução ele cita o exemplo do computador, que realiza em poucossegundos, operações complexas que com métodos tradicionais levariam dias detrabalhos. O autor caracteriza bem essa grande revolução quando diz que“Estamos passando de um esquema em que preponderante era a energia, e ooutro em que a supremacia passa pela informação; dos Cavalos a Vapor aosMegabytes”. (p. 42)A seguir vamos fazer um breve histórico da evolução do computador e analisaralgumas idéias em torno de seu uso e, em especial, discutir a sua aplicabilidadeenquanto recurso na educação. 13
  14. 14. 3. A MÁQUINA CHAMADA COMPUTADORJá dissemos que o homem durante toda a sua existência vem desenvolvendo eaperfeiçoando seus instrumentos de trabalho e que com o passar do tempo elecriou a necessidade de fazer cálculos mais complexos e de armazenar informaçõescada vez mais volumosas. Sobre as formas utilizadas pelo homem pararepresentar quantidades, Silva (1980) diz que O primeiro sistema que o homem utilizou para representar quantidades foram os seus próprios dedos, posteriormente utilizou pedras, gravetos, nós em barbantes. [...] Essa representação não era a ideal para os comerciantes e mercadores. E passaram a usar placas de argila para a representação gráfica dos seus cálculos. Mais tarde, os egípcios trouxeram uma grande vantagem com o uso do pergaminho, e com os romanos começaram a escrever suas leis. (p. 18)Mas foi na Antiguidade que surgiu o primeiro sistema de cálculo manual, há 3000anos. Sua origem se deu na China e depois difundido por outros países orientais,era o ábaco. Estes métodos se mostraram lentos e inexatos e não foram capazesde atender as necessidades do homem com o passar dos tempos.Mas foi a partir dos séculos XVII e XVIII que temos o desenvolvimento das técnicasde cálculo. Temos a máquina de somar de Blaise Pascal, surgida em 1642. O Tearde Jacquard antecede as modernas máquinas de cartões perfurados. Idealizadapor Leibnitz, foi criado em 1671 uma máquina de multiplicações, por volta de 1833,Charles Babbage, continuou as invenções de Pascal e Jacquard, para conceber asua máquina analítica, mas não continuou por falta de recurso técnicos, conformerevelou Silva (Ibidem). 14
  15. 15. Podemos Perceber como eram lentas as etapas de desenvolvimento de novastécnicas nesse período e muitas vezes por falta de recursos não havia apossibilidade de se continuar com um projeto. Se compararmos com a atualidadeas descobertas de hoje são muito mais rápidas, obviamente quando existeinteresse político ou econômico envolvido, mas é bom relembrar que estasdescobertas muito devem ao fato de já existir todo um rol de conhecimentosanteriores.Silva (Ibidem) revela que por volta de 1880, o Dr. Hermenn Hollerith, construiu oprimeiro conjunto mecanográfico de gestão com cartões perfurados. Em 1866,William S. Burroughs produziu em escala industrial, máquinas de somar queimprimiam o resultado.As máquinas precedentes ainda eram relativamente lentas, para as necessidadesdo homem nesse período em que desencadeava a guerra na Europa e que depoisse alastraria pelo mundo. Em 1871, uma equipe de engenheiros e estudantes daUniversidade de Harward, liderada pelo Prof. Howard Aiken, retomaram os estudosde Charles Babbage, e por volta de 1944 eles concluíram com êxito um projeto decomputador, que ficou conhecido por Harward Mark I. As operações eramcontroladas automaticamente com relés eletromagnéticos e os cálculos aritméticoseram feitos mecanicamente.Dois anos mais tarde, na Universidade de Pensilvânia, os Profs Eckert e John W.Mauchly constroem para o exército norte–americano, um computador capaz deefetuar 30 multiplicações por segundo. Foi o primeiro computador a usarinternamente componentes totalmente eletrônicos. A esse computador deu-se onome de E.N.I.A.C. (Eletronic Numerical Integrator And Computer).Após isso foi feita a evolucão para a máquina E.D.V.A.C. (Eletronic DiscreteVariable Automatic Computer), e posteriormente em 1952 a partir do E.D.V.A.Catingiu-se o primeiro computador comercial do mundo: o Univac Nos seis anos que 15
  16. 16. compreendem o período de implantação, muitas firmas passam a comercializar oscomputadores. E a partir de 1950, as máquinas não são unicamente destinadasaos cálculos científicos, mas a toda a espécie de processamentos lógicos dasinformações.Com este relato histórico apresentado por Marco Antonio F. da Silva fica claroafirmar que ao longo da trajetória de vida dos seres humanos eles foram criandoferramentas para facilitar o seu trabalho e sua vida cotidiana, e que o computadorfoi mais uma das ferramentas inventadas para auxiliá-lo na sua vida profissional etambém no seu dia a dia.Assim, neste contexto de desenvolvimento o computador propiciou muitos outrosrecursos que foram criados a partir das mais variadas aplicações que foram dandopara esta nova ferramenta que passou a revolucionar o mundo moderno. Dentreestas variadas aplicações o que mais vem impressionando os pesquisadores é aInternet.3.1 A Internet: uma trajetória revolucionáriaEsse recurso também teve suas etapas de evolução, pois as pessoas que criarama Internet não fizeram isto da noite para o dia. O registro de criação nos leva aogoverno dos Estados Unidos nos anos sessenta, mais especificamente, aoDepartamento de Defesa dos EUA (Advanced Research Projects Agency).Neste período, foi criada uma rede de computadores cuja finalidade era pesquisarnovas formas de comunicação. É bom lembrar que este período Histórico era ostempos da chamada Guerra Fria, e os EUA tinham que mostrar sua supremaciajunto à extinta União Soviética. O objetivo desse departamento era desenvolver umsistema que resistisse aos possíveis ataques inimigos. 16
  17. 17. Assim, com este cenário, surgiu a Arpanet. Além da arquitetura inteligente, aArpanet adotou uma linguagem de comunicação bastante polivalente, capaz defazer com que computadores de diferentes modelos e fabricantes secomunicassem entre si.Posteriormente esta forma de comunicação chegou à universidade. Sobre esteencaminhamento dado aos primeiros trabalhos com a informática interligando ascomunicações, Bauer (1997) revela que Em 21 de novembro de 1969, foi trocada a primeira mensagem eletrônica pela Arpanet, entre a Universidade da Califórnia e o Instituto de Pesquisas de Stanford. Reservada no início a poucos acadêmicos e pesquisadores americanos ligados à indústria militar, a Internet começou a se popularizar nos anos 80. Diversas outras redes começaram a se ligar à antiga Arpanet, dando-lhe um caráter de “rede das redes” daí o nome Internet (net, em inglês, significa rede).(p.21)Muito mais do que novas ferramentas, todas essas descobertas serviram para queo homem pudesse abrir caminhos, em busca da expansão do lugar físico e demelhorar sua vida. Hoje, com a Internet, o homem pode viajar por muitos lugares,bibliotecas, conversar com pessoas do mundo inteiro.O computador e os recursos da Internet são usados para vários fins, e a suautilização chegou também a área da educação e isto tem gerado muitasdiscussões. Para alguns autores o uso do computador e de seus recursos naeducação pode ampliar o mundo daqueles que a utilizam, abrindo novaspossibilidades tanto para professores como para alunos. Outros até apóiam o usodo computador na educação, mas consideram que se deve ter cautela ao trabalharcom esse recurso e há ainda aqueles que não vêem com bons olhos a utilizaçãodo computador na sala de aula, ou podemos dizer, no processo educativo doaluno.Assim, parece oportuno discorrermos sobre a utilização desta máquina, com seusdiferentes recursos que podem ser trabalhados na educação, e, apresentar 17
  18. 18. também, como o trabalho efetivo com a tecnologia é apresentado no discursooficial da educação brasileira.3.2 O uso dos recursos tecnológicos na educaçãoA informática faz parte do dia a dia do cidadão, quando usa o telefone, a agênciabancária, são inúmeras as coisas em que esta tecnologia esta presente.Na educação a informática utiliza-se principalmente do computador, através dessaferramenta o aluno poderá construir objetos virtuais, realizar cálculos complexoseditar textos, criar páginas e muitas outras coisas. Mas anteriormente, outrastecnologias foram introduzidas na educação. A primeira revolução tecnológica no aprendizado foi provocada por Comenius (1592-1670), quando transformou o livro impresso em ferramenta de ensino e de aprendizagem, com a invenção da cartilha e do livro texto. (Proinfo: Informática e formação de professores, SEED, 2000, p. 13)Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) em sua versão preliminar destaca aimportância dos recursos tecnológicos na educação quando afirma que “o uso docomputador na escola irá proporcionar, uma melhora da atividade de ensino e daqualidade da aprendizagem”. (p.151)Porém, o documento enfatiza que A incorporação de recursos tecnológicos não é por si só, garantia de maior qualidade na Educação, a utilização dos microcomputadores na escola não é sinônimo de transformação da prática pedagógica. É preciso levar em conta qual é a Educação que queremos oferecer aos nossos alunos e que a utilização das novas tecnologias seja amplamente discutida e elaborada conjuntamente com os professores, alunos equipe técnica e comunidade escola. (p.151) 18
  19. 19. Nas escolas atualmente o que se percebe e que alguns professores não tem muitointeresse em desenvolver projetos utilizando o computador, muitos menos de lernovas propostas, novas idéias, sobre como trabalhar com essa novas tecnologiasna educação.Também temos presenciado que muitas escola possuem ótimos laboratórios, masseus professores passam a utilizar o computador sem propostas, sem amarrar comos conteúdos e utilizando-se das máquinas apenas como mera executora detarefas, onde o aluno passa a realizar atividades mecânicas.Consideramos que para aprender a trabalhar com word, planilhas, power point,excel, pode-se aprender tranqüilamente lendo manuais. O mais interessante seriaaprender o que fazer com todos esses recursos que o computador oferece, onde oaluno possa desenvolver sua criatividade e que esta esteja voltada para a melhorcompreensão dos demais conteúdos escolares. Pois caso contrário usar a novatecnologia poderá representar apenas a troca de um recurso, pois poderemos estarproduzindo uma aula memorística, desconectada da realidade social dos alunosmesmo estando em um sofisticado laboratório.Essa realidade não é apenas no ensino fundamental ou médio, recentementeficamos observando uma aula no laboratório de uma instituição de Ensino Superior.Nesse laboratório de informática tinha em torno de vinte computadores, em cadacomputador tinha dois alunos em alguns casos até três, e a aula era sobre excel, oprofessor ficava “ensinando” as diversas funções das barras de ferramentas, comotinha apenas um aluno por computador um fazia, o outro apenas olhava. 19
  20. 20. O professor poderia usar essa aula para mostrar ao aluno que com o excel, elepoderá criar, desenvolver, programas, tabelas históricas, que sejam interessantespara as empresas ou até para suas atividades pessoais, seria uma forma demostrar para o aluno que ele tem condições de criar idéias novas e não semprereproduzir o que os outros já produziram. Paulo Freire (1995) faz um comentáriointeressante sobre o uso de computadores na educação: A educação não se reduz à técnica, mas não se faz educação sem ela. Utilizar computadores na educação, em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meninos e meninas. Dependendo de quem o usa, a favor de que e de quem e para quê. O homem concreto deve se instrumentar com o recurso da ciência e da tecnologia para melhor lutar pela causa de sua humanização e de sua libertação. (p. 22)Entendemos que os professores são fundamentais nesse processo de expandir acapacidade crítica do aluno, mas se esse professor não tiver propostas de ensino,poderá usar o computador apenas para executar tarefas repetitivas e mesmo quepossa produzir alguma atratividade ao aluno, seu lado aplicativo deixaria a desejar,pois poderia estar estimulando a passividade ao invés do espírito crítico.Ao usar o computador, o professor deve proporcionar condições aos alunos decriar, questionar, buscar novos conhecimentos, interpretar os textos, errar, acertare ao utilizar mais esse recurso, que é o computador, isso não irá prejudicar o alunoem nada, irá possibilitar mais conhecimentos, onde o aluno poderá através daInternet até consultar textos, periódicos, em uma biblioteca da Espanha, semprecisar ir até lá, e se não fosse o computador nada disso seria possível. O aluno deixa de ser passivo, de ser o receptáculo das informações para ser ativo aprendiz, construtor do seu conhecimento. Portanto, a ênfase da educação deixa de ser a memorização da informação transmitida pelo professor e passa a ser a construção do conhecimento realizado pelo aluno de maneira significativa sendo o professor o facilitador desse processo de construção.22 José Armando VALENTE, Fernando José de ALMEIDA, Visão Analítica da Informáticana Educação no Brasil: a questão da formação do professor, disponível em 20
  21. 21. Para alguns professores essas propostas de ensino que visam romperradicalmente com o ensino tradicional ainda muito presente em escolas e atéuniversidades não passam de um exercício de retórica. Mas nós enquantoprofessores da rede Estadual de Ensino acreditamos que inovar na educação épreciso. E se o computador e a Internet possibilita essa mudança temos não sóque acreditar, mas acompanhar essas inovações, para possibilitar aos nossosalunos o acesso a mais essa nova forma de comunicação e conhecimento, quecom certeza poderá auxiliar em seu processo de escolarização.Assim, com este pano de fundo, ou seja, afirmando que a tecnologia da informaçãojá adentrou ao espaço escolar vamos nos deter de forma mais direcionada adiscutir como a Internet pode ser utilizada no espaço escolar.http://www.inf.ufsc.br/sbc_ie/revista/nr1/valente.htm acesso em: 04 março de 2003 21
  22. 22. 4. A INTERNET NA EDUCAÇÃO4.1 As novas tecnologias e a sua aplicação no processo educacionalO uso de novas tecnologias tornou-se uma necessidade no mundo em quevivemos, conforme já destacamos no capítulo anterior, e a descoberta de novastecnologias tem nos afetado de todas as formas.Sobre o conceito de novas tecnologias, Marques (1999) afirma que: Por novas tecnologias entendemos hoje, o surgimento de uma outra articulação de linguagem encarnada em novos suportes que são as máquinas com que os homens se comunicam, dotando-as da capacidade de processarem e intercambiarem informações. (p. 45)Das tecnologias atuais, o computador e os seus recursos são amplamenteutilizados em nosso dia a dia. Com essa máquina muita coisa mudou, hoje a maiorparte da sociedade convive com as praticidades criadas por suas diferentesaplicabilidades. Entre seus recursos destacamos a informática.Com todas essas novas possibilidades do uso do computador, muita coisa passa aser feita de forma diferente, antes, por exemplo, comprávamos em lojas epagávamos com dinheiro, cheque ou cartão, hoje também compramos nasmesmas lojas, mas sem precisar ir até elas, pagamos por débito eletrônico direto,ou por meio do cartão, dispondo assim de certa comodidade. 22
  23. 23. Nesse novo processo de compras, utilizam-se os computadores para trocarem nãosomente as informações necessárias para efetuar e pagar uma compra, mastambém as empresas, no mesmo instante em que executam esta operação, jácontrolam seus estoques e toda a sua contabilidade. Além desse exemplo, muitosoutros podem ser citados, em que o computador se apresentará como sendo aferramenta principal, contribuindo assim de forma direta e indireta parasignificativas mudanças comportamentais.No bojo destas mudanças, uma pessoa hoje pode conhecer outra, namorar eultimamente até casar-se usando o computador, coisa que em tempos passados,jamais poderíamos acreditar, que alguém pudesse casar com outra pessoa usandoo computador como o mediador de um contrato interpessoal.Um outro exemplo de aplicabilidade está nos serviços diversos que o computadorpode oferecer, que vai desde uma receita de bolo que pode ser encontrada naspáginas da Net até diferentes e sofisticadas operações bancárias.Cabe destacar como este equipamento também tem auxiliado em áreas quemantinham uma tradição histórica de funcionamento como é o caso da medicina,pois na atualidade, já estamos sendo surpreendidos com os sofisticadosprocedimentos cirúrgicos sendo comandados pelo cirurgião que às vezes, seencontra em outro continente, ou seja, um procedimento médico sendo executadocom o auxilio imediato da máquina.Outra aplicação do computador na área da saúde é que através dele, podemosachar com maior rapidez, doadores de órgãos que tenham compatibilidade comaqueles que dependem, muitas vezes em caráter de urgência deste serviço.Uma área importante que na atualidade tem se apropriado deste recurso é a áreado direito. Já vivemos em tempos de interrogatórios via on-line e da utilização de 23
  24. 24. julgamentos que são monitorados e transmitidos para as salas de diferentesuniversidades como material de estudo.Neste contexto, certamente podemos afirmar que o computador tem facilitado avida de muitas pessoas. Assim, é próprio que pensemos que esta tecnologia nãopoderia deixar de influenciar o sistema educacional.Sobre esta apropriação do computador no campo da educação, que ganha anomenclatura de “novas tecnologias em educação”, Masetto (2003) argumentaque: O uso da informática, do computador, da Internet, do Cd-Rom, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas para a educação à distância – como chats, grupos ou listas de discussões, correio eletrônico etc, - e de outros recursos e linguagem digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e mais eficaz. (p. 152)O uso do computador na escola trouxe novas formas de ensinar assim como crianovas perspectivas de aprendizado. Exemplo disto pode ser encontrado nocomentário de Masetto (Ibidem, p. 152), quando diz que “essas novas tecnologiascooperam para o desenvolvimento da educação em sua forma presencial(fisicamente), [...] e principalmente para o processo de aprendizagem à distância(virtual)”.Essas novas formas de ensinar e aprender vem gerando entre os especialistas eeducadores, muitos questionamentos, dúvidas, ansiedades, em que todos estãotentando, de uma forma ou de outra, buscar respostas para essas mudançaspedagógicas advindas com a introdução dos computadores no ambiente escolar, ecom ênfase na aplicabilidade da Internet nas escolas, que é objeto destadiscussão.Sinalizando para a potencialidade destas mudanças, já podemos verificaralterações até na estrutura física da escola, pois o modelo presencial de ensino 24
  25. 25. que marcou toda a história da educação, hoje já abre espaço para o quechamamos de “escola virtual”.Essa escola tem muitas características que a diferem da escola presencial, acomeçar que esta não tem um endereço fixo, mas vários endereços. Tampoucopossui uma hora especifica para dela fazer uso, é a escola mediada pelocomputador, onde parecer não haver limites para o conhecimento.Sobre esse tipo de escola, Marques (1999) comenta: A Escola Virtual envolve contatos múltiplos e freqüentes de alunos com alunos, de alunos com professores, de alunos e professores com interlocutores externo, com grupos e listas de discussão sobre assuntos diversos. E envolve escolas interligadas, participantes de projetos comuns. (p. 146)Essa escola virtual, já é realidade, embora para um número ainda pequeno dealunos, que através de comunidades também virtuais, passam a estabelecer novasformas de aprendizagem, intercambiando conhecimentos e informações.Quando ouvimos o discurso sobre todos esses recursos tecnológicos aplicados aescola virtual, dá-se a impressão que a maioria das escolas, e dos alunos já tem outerão, em pouco tempo, acesso a todos esses recursos, principalmente aocomputador e a Internet, no entanto, é importante registrar nesse momento algunsdados estatísticos sobre o que se pode chamar de a “exclusão digital”.4.2 Alguns dados estatísticos da população excluída da era digitalRecente pesquisa feita pela Unesco e divulgada pela jornalista LucianaConstantino, revelou que: Mais da metade dos alunos do ensino médio que estão se preparando para prestar vestibular ou ingressar no mercado de trabalho, não tem acesso a computador em casa. [...] E 40% dos estudantes de escolas privadas não possuem computador, enquanto esse dado passa para 80% 25
  26. 26. quando se fala em escolas públicas. Por outro lado, uma parcela dos professores também admite não dominar a informática. [...] Dos docentes de escolas públicas, de 7,2% a 24,6% dizem não ter domínio do equipamento.3Em outro momento, também no jornal Folha de São Paulo, Marijô Zilveti publicouum artigo sobre a inclusão digital, e ações de setores que visam aumentar a essapopulação excluída da era digital, o acesso à informação. Segundo esse artigo: A população mundial ultrapassa a casa dos 6 bilhões. Desse total, 605,6 milhões estão conectados na Internet. Essa última estimativa é baseada em vários parâmetros, de acordo com o NUA Internet Surveys (www.nua.com) , revelando que os computadores ainda estão restritos a universidades, empresas e lares de alta renda. (p. F4)4É possível uma melhor analise destes dados quando observamos o gráficoapresentado na reportagem e que apresenta o “EUA, Canadá, Europa, Ásia ePacífico como sendo responsáveis por mais de 560 milhões de usuários queutilizam a rede em casa ou no trabalho”. A jornalista revelou ainda que “um emcada três europeus usa a internet, de acordo com o site www. analysys.com “. Gráfico 013 Folha de São Paulo, 29 / 04/ 2003. Caderno 4. Computador é luxo para pré-vestibulando.4 Folha de São Paulo, 26 / 03 / 2003. Caderno F4. Tecnologia vira meio para inserir cidadão no mundo. 26
  27. 27. Quantos habitantes estão conectados na rede (em milhões) Total : 605,6 2002 250 Canadá e EUA 200 1 82 ,67 190,91 1 87,2 4 América Latina 150 Europa 100 África 33,35 50 Oriente Médio 6,31 5 ,1 2 0 Ásia / Pacífico Canadá e América Europa África Oriente Ásia / EUA Latina Médio Pacífico Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 26 de março de 2003.Na seqüência de seu artigo ela comenta que “especialistas acreditam que a guerracontra a exclusão digital depende dos esforços do governo (em várias instâncias),parcerias com empresas e investimentos em projetos que contemplem asinovações tecnológicas”. (F4)Algumas organizações não governamentais e comunidades têm tomado iniciativaspara incluir a população carente em projetos usando o computador e seusrecursos.Em relação à guerra contra a exclusão digital o jornalista e educador GilbertoDimenstein, é citado no mesmo artigo de Marijô Zilveti, porque afirma que o maisimportante, segundo ele, é usar o computador como forma de se expressar “parahabilitar o jovem a poder mudar sua comunidade”. (p. F4) 27
  28. 28. Alguns projetos são indicativos de um olhar e de uma prática, já em funcionamento,de oferecer condições de acesso à população de menor renda à informática, comoé o caso da cidade de Curitiba que segundo Behrens (2000) “existem os Faróis doSaber, que oferecem à população de baixa renda e à comunidade em geral oacesso à rede de informação via Internet”. (p. 118)Sabemos que o número de pessoas excluídas do acesso ao computador e aInternet é considerável, mas nós enquanto profissionais da educação devemosincentivar e desenvolver projetos, que possibilite aos chamados “excluídos digitais”,o acesso às novas tecnologias de informações. Sobre essa realidade, Behrens(Ibidem ) diz : A realidade brasileira não tem permitido o acesso aos recursos tecnológicos a todos os cidadãos com igualdade, mas este fator não deve servir como desculpa para isentar o professor de oferecer a melhor possibilidade metodológica que puder disponibilizar para seus alunos. (p. 118)Muitos são os projetos desenvolvidos para a inclusão digital, em anexo,apresentamos uma lista com endereços eletrônicos de algumas instituições que sededicam a essa parcela da população que não tem acesso aos recursostecnológicos. Atualmente, enquanto professora, não faço parte dessa parcela dapopulação excluída da era digital, mas nem sempre foi assim.4.3 Minhas primeiras experiências com o computador e a Internet 28
  29. 29. Acredito ser oportuno o testemunho de meu envolvimento com esta temática, emespecial com o uso do computador, pois durante muito tempo ignorei sua aplicaçãona minha prática educacional. Via outras pessoas digitando, fazendo tabelas edesenhos, no computador. Também usavam uma nomenclatura desconhecida paramim, como é o caso de “navegar na rede” isto me fazia sentir como uma“analfabeta digital" diante da linguagem destes colegas.Minha experiência profissional como professora iniciou-se no ano de 1990 comalunos do curso de Magistério. Nesse curso ministrava aulas da disciplina deHistória e Geografia. Atualmente trabalho como professora de História e Geografiana rede pública de ensino para Jovens e Adultos e também coordeno projetos emeducação à distância na secretaria Municipal de Educação do Município deMarechal Cândido Rondon no estado do Paraná.O computador passou a fazer parte da minha vida pessoal e profissional há muitopouco tempo, a partir do segundo semestre do ano de 1999. Até essa data, muitosdos trabalhos que precisava para minhas atividades de sala de aula eram feitos poroutras pessoas que já trabalhavam com o computador.Outras atividades eram realizadas com a minha máquina de escrever. Nesteperíodo é interessante revelar que não tinha muito interesse em trocar a máquinade escrever pelo computador. E que somente a partir do segundo semestre do anode 1999, esse cenário começou a mudar em minha vida não só de docente, mastambém de pessoa inserida no mundo tecnológico. Nesse ano trabalhava com aEducação de Jovens e Adultos, em uma escola pública, quando um folder chamou-me a atenção, por anunciar um curso de Lato Sensu, em Educação a Distância,para habilitar professores na formação de tutores, que iriam atuar em cursospresenciais e a distância. O curso estava oferecendo cem vagas para osprofessores da Universidade Federal de Paraná, e trinta vagas para professoresexternos, embora a probabilidade de ingresso fosse pequena para minhaspretensões à época, elaborei um projeto e consegui ingressar no curso. 29
  30. 30. No primeiro dia de aula, já senti os impactos das tecnologias, muitos professoresao invés de anotar as atividades em seus cadernos, possuíam notebook e na listacom os nomes dos cursistas, tínhamos de anotar nosso e-mail, a maioria jápossuía seu endereço eletrônico, mas eu não tinha nem e-mail, e nem computador.Para não “fazer feio” liguei para o meu primo e pedi o seu e-mail, e passei como sefosse o meu.Esse curso tratou sobre a Educação à Distância e seus recursos, o que mais meimpressionou foi uma aula onde o professor estava na Espanha e através dosrecursos da videoconferência, foi possível manter um diálogo entre o professor e aturma em tempo real. Esta dinâmica de aula foi fundamental para entendermos quea diferença, do tipo de aula, não era pelo fato do professor estar presente, ouausente, e sim a diferença estava na metodologia usada pelo professor.Nesta experiência vivenciada pela turma, observamos que ele utilizou-se dosnovos recursos oferecidos pelo avanço das tecnologias que possibilitaram, nestecaso, uma outra forma de comunicação e interação, essa realidade não prejudicouem nada o processo de aprendizagem, ao contrário, houve uma grandeinteratividade, entre os alunos, e o resultando foi uma aula interessante e dinâmicapara todos os participantes.O curso também, disponibilizou um laboratório de informática e no último diativemos uma aula prática. Não existia nenhuma atividade programada, era apenaspara matar nossa curiosidade, acessar a Internet e perguntar as dúvidas aoprofessor. Eu como nunca se quer tinha ligado um computador, fiquei apenasobservando os meus colegas, claro, não queria deixar transparecer que não sabianada, por isso optei por ficar só olhando, senti nesse momento, até um pouco devergonha, por não saber lidar com o computador, a maioria dos cursistas jádemonstravam uma certa intimidade com a máquina. Mas tudo bem passou essa 30
  31. 31. aula e ao final do curso tínhamos que desenvolver as atividades propostas pelosguias didáticos.A disciplina de Comunicação e Informação em Educação a Distância, propôs umaatividade no qual era usado o computador. Como não tinha ainda computador, fuifazer a atividade no computador do meu primo, que estava no escritório onde eletrabalhava.A atividade proposta era a seguinte: entrar num programa de site de busca, ebuscar a expressão Educação a Distância, na resposta virão várias possibilidades.Clique uma. Na resposta virão várias opções: clique uma e assim por diante. Essaatividade era para demonstrar que em cada processo era construído um textodiferente. E ao clicar em outros, tínhamos vários textos.Mas o mais importante da atividade era que o próprio aluno clicasse nos links,como ainda não sabia navegar na Internet, meu primo, fez as atividades e imprimiuos textos para que pudesse apresentar para o professor. De certa forma sentifrustrada, por não poder realizar a tarefa usando o computador. A partir dessaatividade comecei a perceber que estava motivada a usar o computador, e seusrecursos. Enquanto aluna do curso, senti que a motivação foi impulsionada pelasatividades propostas, no qual o computador foi o elemento principal para realizá-las. Sobre essa situação onde a motivação é fator fundamental para aaprendizagem, Andrade (2003) comenta: [...] O fato é que sem motivação não ocorre aprendizagem. Não adianta insistir para que uma pessoa aprenda se ela não estiver motivada. [...] Motivar ou produzir motivos significa predispor a pessoa para a aprendizagem. O aluno estará motivado para aprender quando está disposto a iniciar e continuar o processo de aprendizagem, ou quando está interessado em aprender um certo assunto ou resolver um dado problema. Daí a importância em motivá-lo, tendo em vista seus interesses, sua bagagem cultural. (p. 71)Após esse curso, como já relatei, passei a me interessar mais pela Educação aDistância. No ano de 2000 adquiri meu primeiro computador e logo instalei aInternet. A partir daí comecei a manusear o computador com o auxílio de minha 31
  32. 32. filha de doze anos que já sabia lidar com o computador e com a Internet. Logocriei meu primeiro e-mail que foi augusta@rondonet.com.br, atualmente ésam@rondonet.com.br, troquei, em função dos vírus.Na Internet, comecei a acessar os endereço que foram repassados para nós nocurso. Lembro-me como se fosse hoje, da primeira página que acessei, foi do sitewww.ead.ufms.br. Nesse mesmo site fiz meu primeiro curso on-line que era sobreCriação de página na Internet para professores. Mas não tive muita sorte, porque ocurso ficou apenas uma semana on-line.O ambiente virtual das aulas eram interessantes, mas não sei porque motivo, ocriador do curso, mandou uma mensagem via e-mail, dizendo da impossibilidadede continuar o curso, recebi apenas um e-mail do professor, mas como estava noinício do curso, apenas li e ficou por isso mesmo.Esse início frustrante de curso on-line, não foi suficiente para me desanimar, logome inscrevi noutro curso on-line do portal www.klickeducacao.com.br o curso eraSala de Aula e Internet, esse sim valeu a pena, o curso possibilitou váriosmomentos de interação entre a Tutora Flávia Amaral Rezende e os cursistas.Nesse curso aprendi a anexar as primeiras mensagens no e-mail, algumastécnicas de navegar, fiz leituras de textos interessantes e serviu também paramelhorar um projeto que vinha elaborando em sala de aula, e o mais importante éque perdi aquele medo de trabalhar com o computador e a vergonha foi superadapela vontade de aprender. Meu primeiro e-mail foi destinado à Tutora FláviaRezende, pois estava com problemas para acessar o curso: Olá professora Flávia estou sem poder acessar ao curso pois, aparece à mensagem que a página não está disponível ou quando aparece, aparece em código. Gostaria que verificasse. Abraço Sonia MoraesE a resposta da professora foi: 32
  33. 33. Sonia! Ola! Bom você estar conosco embora pareça que ainda persistam alguns problemas. Se você acessa o sistema via Home da Escola de Professores e por algum motivo o sistema cai, sua senha fica presa por 15 minutos. Se o problema ainda persiste são 20h35 de domingo me avise. Tente me contar se aparece erro 404. Qualquer dúvida a mais me ligue apesar de estar em São Paulo. (011) 4418154.Depois de solucionado o problema passei a acessar, o curso e a trocar e-mailsentre os cursistas, inicialmente foram para as apresentações, enviei um e-mail aoscolegas, onde fiz um breve histórico sobre minhas funções e anexei a primeiraimagem no e-mail! Olá amigos sou a professora Sonia Moraes esta foto é do Departamento de Educação a Distância da Secretaria de Educação de Marechal Cândido Rondon, atualmente estou coordenando o curso de tutoria da Universidade Federal do Paraná, este curso não é totalmente on-line, existem momento presenciais e a distância posteriormente o nosso Município implantará o Centro Associado com cursos à distância da UFPR (especialização, técnico e graduação), futuramente mestrado (em Educação a Distância pela UFPR), apenas está aguardando parecer do MEC. Um abraço!Nesse curso on-line, através da troca de e-mails percebi que a maioria dosprofessores estavam tentando aos poucos introduzir o computador e a Internet em 33
  34. 34. sala de aula, podemos verificar essa realidade em alguns e-mails enviados peloscolegas de curso. Sou Mônica, professora de Ensino Fundamental e de História da rede pública municipal, trabalhei quatro anos como professora orientadora de informática educativa e atualmente estou trabalhando no Núcleo de Ação Educativa da PMSP na equipe pedagógica. É um prazer poder compartilhar esse espaço com vocês. Sou marinheira de primeira viagem em curso on-line. Minhas expectativas com relação ao curso são: pesquisar na internet com maior agilidade, refletir sobre o uso pedagógico desse recurso no desenvolvimento de projetos e pensar sobre formas de viabilização de troca de conhecimentos e informações através da criação de sites. Até breve: MônicaEssa professora mostra a sua preocupação, sobre como usar a Internet nodesenvolvimento de projetos. Muitos professores pensam em usar esse recurso emsala de aula, mas a realidade muitas vezes impossibilita a realização de projetosque utilizam o computador e seus recursos. Para preparar os professores para autilização do computador e da Internet, Moran (2000) destaca alguns passos: O primeiro passo é procurar de todas as formas tornar viável o acesso freqüente e personalizado de professores e alunos às novas tecnologias, notadamente à Internet. [...] A sociedade precisa ter como projeto político à procura de formas de diminuir a distância que separa os que podem os que não podem pagar pelo acesso à informação. (p. 50)Ele acrescenta ainda que O segundo passo é ajudar na familiarização com o computador, com seus aplicativos e com a Internet. Aprender a utilizá-lo no nível básico, como ferramenta. No nível mais avançado: dominar a ferramenta da Web, do e-mail. Aprender a pesquisar nos search, a participar de listas de discussões, a construir páginas. O nível seguinte é auxiliar os professores na utilização pedagógica da Internet e dos programas multimídia. (p. 51)Também a minha principal preocupação, era como usar o recurso da Internet, numprojeto que estava começando a ser desenvolvido, com Jovens e Adultos de umaescola pública do Município de Marechal Cândido Rondon, no estado do Paraná. Eenviei o seguinte e-mail: 34
  35. 35. Desejo utilizar os recursos de internet porque a educação não pode excluir os alunos desses avanços tecnológicos, negar esses recursos ao aluno que nunca viu ou usou a Internet é contribuir para a discriminação ou exclusão daqueles que talvez só terão oportunidade de utilizar esse recurso na escola, através de um projeto bem elaborado. A faixa etária dos alunos é entre14 a 45 são Jovens e adultos que já foram excluídos do ensino regular. Possuo o planejamento dos objetivos, justificativas metodologias e avaliação, enfim da dinâmica em relação aos conteúdos, que será montado a partir da construção do aluno através das atividades proposta. Usaria a Internet para que o aluno pudesse visualizar e acessar os principais recursos da Internet, bem como conhecer sites, traduzir termos, enviar e-mail enfim na realidade mesmo o principal objetivo e desmistificar o termo Internet. Ao invés dos alunos escreverem o que é a Internet irão praticar. Tenho um aluno que trabalha de bóia fria quando convidei ele e outros alunos para acessar a Internet o mesmo disse: “Essa coisa não vai explodir não?” E percebe-se o brilho nos olhos desses alunos que pela primeira vez entraram em contato com o computador e que ainda infelizmente são excluídos desses recursos tecnológicos.Muitos professores atualmente se empenham no desenvolvimento de projetos queenvolvem as novas tecnologias educacionais, principalmente o computador e aInternet. Muitos especialistas e educadores questionam como esse recurso, o daInternet, vem sendo conduzido nas escolas, quem tem acesso, como ter acesso,podemos controlar o acesso, em suma, discute-se como o professor vemtrabalhando esse recurso, como está sendo aplicado e como se dá o conhecimentosignificativo produzido através desse recurso.Todos esses questionamentos são pertinentes, não podemos também endeusar aInternet, como se ela fosse resolver todos os problemas da educação, mastambém não podemos menosprezar todos esses avanços tecnológicos, a escolanão deve ficar alheia a todas essas inovações. Sobre a aplicabilidade do recursoda Internet Moran (2000) enfatiza que A Internet é uma mídia que facilita a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. Essa motivação aumenta se o professor cria um clima de confiança, de abertura, de cordialidade com os alunos. Mais que a tecnologia, o que facilita o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de 35
  36. 36. comunicação autêntica do professor de estabelecer relações de confiança com os seus alunos, pelo equilíbrio, pela competência e pela simpatia com que atua. (p. 53)Só o fato de você dizer ao aluno que hoje a aula será realizada com pesquisa naInternet, já percebemos a alegria deles, coisa que em muitos casos não ocorrenormalmente nas salas de aula. No meu caso o que mais motivou o uso docomputador, foi o recurso da Internet, o computador sem Internet, representa muitopouco, para aquilo a que me disponho a fazer. Moran (Ibidem) também diz que naInternet desenvolvemos formas novas de comunicação, principalmente na escrita. Escrevemos de forma mais aberta, hipertextual, conectada, multilingüística, aproximando texto e imagem. Agora começamos a incorporar sons e imagens em movimento. A possibilidade de divulgar páginas pessoais e grupais na Internet gera uma grande motivação visibilidade, responsabilidade para professores e alunos. (p. 53)Sem dúvida, a Internet deixa a pessoa “mais a vontade” para escrever, para darsua opinião, tanto que uma pessoa passa a conversar com a outra como se jáconhecesse há muito tempo, criando muitas vezes laços de amizade, que, emalguns casos chega ao extremo de um casamento.Contudo, Moran (Ibidem) também faz um alerta para alguns problemas no uso daInternet na educação. Ele aponta que Alunos não aceitam facilmente essa mudança na forma de ensinar e de aprender. Estão acostumados a receber tudo pronto do professor, e esperam que ele continue “dando aula”.[...] Alguns professores também criticam essa nova forma, porque parece um modo de não dar aula, de ficar “brincando” de aula... Há facilidade de dispersão. Muitos alunos se perdem no emaranhado de possibilidades de navegação. [...] deixando-se arrastar para áreas de interesse pessoal. Percebemos também a impaciência de muitos alunos por mudar de um endereço para outro.[...] Os alunos, principalmente os mais jovens, “passeiam” pelas páginas da Internet, deixando de lado coisas importantes. 36
  37. 37. Há grupos mais ativos, outros menos, grupos de alunos mais motivados e maduros, outros menos. Com cada grupo, é preciso procurar encontrar a proposta mais adequada [...] O mais importante é a credibilidade do professor, sua capacidade de estabelecer laços de empatia, de afeto, de colaboração, de incentivo. (p. 54-55)Como podemos observar, ao desenvolvermos projetos com Internet temos de terclaro, quais são os propósitos, aonde queremos chegar, o que queremos que oaluno desenvolva, acessar a Internet por acessar não irá acrescentar muita coisaaos alunos. Pela quantidade de informações que possui, a Internet, o aluno poderáfacilmente não saber o que fazer com tantas novidades, e passe a navegar, só pelofato de achar legal, interessante, bonito, deixando de lado os verdadeiros motivosque o levaram a pesquisar. Em relação a todo esse encantamento, que a Internetprovoca no aluno, Moran (2000), faz um alerta interessante: Ensinar com as novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial. A Internet é um novo meio de comunicação [...] que pode nos ajudar a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender. (p. 63)Além da Internet, outros recursos interessantes, podem ser usados, algunsprofessores, consideram a troca de e-mail importante, para aumentar acomunicação entre professores e alunos.Em outra mensagem enviada via e-mail, a colega do curso Sala de Aula e Internet,Zoraia diz que seu objetivo é o de vivenciar conhecimentos pela rede, via e-mail eatravés do chat: Olá Professora e colegas, Sou Zoraia, moro em Natal e trabalho com o recurso da Informática na Educação desde 1995 na escola Auxiliadora de Natal da Educação Infantil ao Ensino Médio. Venho trabalhando com projetos que se desenvolvem na sala de aula e o laboratório, mas o conteúdo curricular é orientado pelo professor da disciplina, ou disciplinas quando é um trabalho interdisciplinar. A minha busca é vivenciar esta troca de conhecimento pela rede, via e-mails e através do chat e posteriormente, proporcionar aos alunos experiências semelhantes com outros colégios e possibilitar o "diálogo” sobre um conteúdo curricular proposto em 37
  38. 38. projetos, visando a utilização de nova metodologia para ampliar a aprendizagem. Um abraço. :-) Zoraia.Em relação a esse e-mail da aluna Zoraia do Curso Sala de Aula e Internet, elabusca vivenciar conhecimentos pela rede, via e-mail e através do Chat. O Chat sãosalas de visita na Internet onde as pessoas podem dialogar uns com os outros. Ébastante usado principalmente pelos jovens. Para Masetto (2000) Essa técnica possibilita-nos as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto. [...] Possibilita-nos também preparar uma discussão mais consistente, motivar um grupo para um assunto, incentivar o grupo quando o sentimos apático, criar ambiente de grande liberdade de expressão. (p.156-157)A primeira vez que tive experiência de participar de um Chat foi nesse curso Salade Aula e Internet, para poder participar o aluno deveria ler os textos propostos,cujo tema era sobre a Interatividade. Foi muito interessante, eram muitos alunos nasala, e ficamos discutindo basicamente sobre o Tema proposto, eram muitasinformações e rápidas ao mesmo tempo, mas foi possível acompanhar e concluirmais essa etapa do curso.Outro depoimento foi da cursista professora Lílian: Eu sou Lílian Luchiari Baraldi Ninin, sou professora da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo há 12 anos; sou do interior do Estado da cidade de Garça. Leciono na área de Ciências e Matemática e minha Escola atende o ensino fundamental e Médio. Minha escola recebeu um laboratório de informática que intitulamos de Sala Ambiente de Informática (SAI) nós recebemos alguns cursos em nível de softwares educacionais mas em relação à internet temos livre acesso porém cabe a cada professor desenvolver a melhor maneira em utilizá-la. Eu já desenvolvo algum trabalho, mas, sempre com aquele receio em saber se o que estou fazendo está correto ou até mesmo o quanto mais isso poderia ser explorado. É por isso que me aventurei pela primeira vez nesse curso on-line pois tenho esperança que a troca de vivências visa me enriquecer e aos meus colegas também. Um abraço, Lílian. 38
  39. 39. Ela comenta sobre alguns cursos que sua escola ofereceu para “capacitar” oprofessor. Mas em relação ao uso da Internet em sala de aula, segundo relato daprofessora Lílian, compete ao professor, desenvolver uma melhor maneira parautilizá-la. Ela escreve que já vem desenvolvendo alguns trabalhos mas tem dúvidasse o que ela está fazendo está correto, ou o que poderia ser feito para melhorar.Saber como utilizar o computador e seus recursos em sala de aula, é a grandedificuldade apontada pela maioria dos professores. Andrade (2000) destaca emseu artigo que Apesar da formação que vem recebendo em informática na Educação esses profissionais ainda revelam que não estão compreendendo como podem desenvolver, [...] projetos pedagógicos com as novas tecnologias, principalmente, como podem possibilitar a realização de projetos de aprendizagem na utilização do computador pelos seus alunos. (p. 68)Essa falta de preparo e conhecimento sobre como trabalhar em sala de aula comtodos esses recursos tecnológicos faz parte da realidade de uma grande maioriade professores. Apesar de existir uma política educacional de preparar osprofessores para utilizarem esses recursos, nem todos usufruem deles. No meucaso, por exemplo, o único curso que fiz ofertado pelo Núcleo de TecnologiaEducacional (NTE)2 foi no ano de 2002, foram apenas 20 horas, onde as aulaseram bastantes técnicas, como trabalhar, com planilhas, Word, banco de dados,coisa que já dominava, meu interesse maior era ter algumas idéias para melhorar oque já vinha fazendo com meus alunos, mas isso não ocorreu, considero o cursouma espécie de “treinamento” rápido.Comentando sobre esses programas de treinamentos de professores Pretto (2001)diz: A falta das condições de acesso e as dificuldades em preparar professores e alunos para o trabalho com essas tecnologias não podem ser um estímulo para a implantação de programas de formação aligeirada, sejam eles presenciais ou à distância. A formação dos2 NTEs- são núcleos criados pelo ProInfo para treinamento de professores em informática. 39
  40. 40. professores é essencialmente um ato político de formação de cidadania e não um simples oferecimento de conteúdos para serem assimilados [...] Mais do que tudo, a formação dos professores no mundo contemporâneo tem que se dar de forma continuada e permanente e, para tal, nada melhor do que termos todos professores, alunos e escolas conectados através desses modernos recursos tecnológicos de informação e comunicação. (p. 51)Reforçando o comentário sobre a formação do professor para que ele aproprie-sedesses modernos recursos, Valente (2002) afirma que A formação do professor deve prover condições para que ele construa conhecimento sobre as técnicas computacionais, entenda que e como integrar o computador na sua prática [...] Deve-se criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante a sua formação, para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõe a atingir. (p. 26)Mas enquanto essa formação não oferece condições para o professor construirconhecimento sobre as técnicas computacionais e enquanto todas as escolas nãousufruem desses recursos tecnológicos de informação e comunicação o professorvai desenvolvendo projetos conforme suas condições, fica difícil generalizar essasituação, cada professor e cada escola têm a sua realidade.Temos muitos professores que não possuíram nenhuma formação para trabalharcom a informática, no entanto nos dão grandes lições de dedicação e estudo,realizando projetos que servem até de exemplos. Por isso considero importantesas palavras de Moran, (2000) que comenta um pouco sobre essa realidade. Cada docente pode encontrar sua forma mais adequada de integrar varias tecnologias e muitos procedimentos metodológicos.[...] Não se trata de dar receitas, porque as situações são muito diversificadas. É importante que cada docente encontre, sua maneira de sentir-se bem, comunicar-se bem, ensinar bem, ajudar os alunos a aprender melhor. É importante diversificar as formas de dar aula, de realizar atividades, de avaliar. (p. 32) 40
  41. 41. Como não podemos pensar que vamos encontrar uma receita “pronta” sobreprojetos e como aplicá-los temos que analisar a realidade de cada escola, de cadaturma e o melhor seria se pudéssemos analisar cada aluno.Nesse curso Sala de Aula e Internet uma das atividades propostas era elaborar umprojeto usando a Internet como recurso principal. Os professores que estavamfazendo o curso apresentaram suas idéias e propostas, a troca de e-mailpossibilitou uma dinâmica interativa entre todos os participantes.O correio eletrônico foi à ferramenta mais usada no curso, e sobre esse recursoimportantíssimo da Internet Masetto (2000) comenta que Pensando no processo de aprendizagem e na interação entre aluno e professor para o encaminhamento desse processo, o recurso do correio eletrônico apresenta-se como muito forte, em virtude de alguns fatores como a facilitação de encontros entre aluno e professor. [...] Esse recurso é muito importante para a aprendizagem dos alunos, porque os coloca em contato imediato, favorecendo a interaprendizagem2, a troca de materiais, a produção de texto em conjunto. Incentiva o aprendiz a assumir a responsabilidade por seu processo de aprendizagem. (p. 158)Das lições que aprendi em relação as minhas experiências, com o computador e aInternet, é que a curiosidade e a vontade de aprender, foi me levando a descobriroutros caminhos, que me levaram a outros novos caminhos, e através deles hojeposso dizer que o computador é meu aliado naquilo que disponho a fazer, querseja em casa ou na escola.2 É a forma de se apresentar e tratar um conteúdo ou tema que ajuda o aprendiz a coletar informações,relacioná-las, organizá-las, manipulá-las, discuti-las e debatê-las com seus colegas, com o professor e comoutras pessoas. 41
  42. 42. Meu envolvimento com o computador produziu até um site, com todas essasexperiências vividas por uma professora que desmistificou a idéia de que ocomputador é um bicho de sete cabeças, para quem há pouco tempo se quer sabialigar um computador, considero que o avanço em relação ao domínio dessamáquina e de seus recursos foi considerável. Caso queira acessar o site construídoa partir de todas essas experiências o endereço é www.clicandoainternet.com.brAtualmente o computador faz parte do meu cotidiano, descobri, entre tantas coisas,que para o conhecimento não há limites, o limite quem estabelece é o ser humano,mas ao descobrir que podemos ampliar nossas possibilidades e, com isso ampliarnossos limites, não paramos mais, e a cada dia queremos mais e mais odesconhecido que passa a nos fascinar.Este fascínio e em meio de angústias e ansiedades levou-me a pensar sobre aparcela da população excluída da era digital. E desenvolvi numa escola pública doMunicípio de Marechal Cândido Rondon, no estado do Paraná, um projeto quepossibilitasse aos alunos o acesso ao computador e aos recursos da Internet queserá abordado no próximo capítulo. 42
  43. 43. 5. UMA EXPERIÊNCIA ESTIMULADORAOs novos paradigmas educacionais contemplam a inserção de novas tecnologiasde informação e comunicação em ambientes educacionais. A informática naeducação é um assunto bastante polêmico, marcado por mudanças que precisamser incorporadas ao processo ensino aprendizagem.Muitas escolas já estão aderindo à nova ferramenta e estão levando seus alunospara o computador. Com essas mudanças na educação, surge uma outra maneirade pensar e realizar o aprendizado, mudando o papel dos professores e dos alunosno processo ensino-aprendizagem. Qual o papel dos professores e dos alunos,nessa nova perspectiva de ensino? Para Valente (2002) O papel do professor deixará de ser o de total entregador da informação para ser o de facilitador, supervisor, consultor do aluno no processo de resolver o seu problema [...] Caberá ao professor saber desempenhar um papel de desafiador, mantendo vivo o interesse do aluno, e incentivando 43
  44. 44. relações sociais, de modo que os alunos possam aprender uns com os outros, e saber trabalhar em grupo. (p. 43)Corroborando com a idéia de que existe uma necessidade de mudança, Andrade(2002) apresenta um novo papel a ser assumido pelo professor: Ele deve criar espaços de aprendizagem e atividades, como a aprendizagem por projetos. Colocando-se como aprendiz, como um indivíduo com mais experiência e que tem maiores condições de aprender, o professor pode desempenhar muitas funções novas, ou seja, mediador, ativador, articulador, orientador e especialista da aprendizagem. (p. 80)Com isso percebemos que o professor não pode mais compartilhar um ensino abase de repassar os conteúdos de um livro ou pedir aos alunos para fazerematividades, que para eles não tenham sentido algum, esse tipo de “ensino” refletenaquilo que a maioria dos alunos pensam sobre determinadas disciplinas, quandoperguntamos, por exemplo, para que serve a História, muitos respondem, paranada, outros, para decorar para a prova. Assim como muda o papel do professornesse novo paradigma, a do aluno também passa por mudanças. Para Valente(2002) o aluno: deverá estar constantemente interessado no aprimoramento de suas idéias e habilidades e solicitar do sistema educacional a criação de situações que permitam esse aprimoramento [...] Deve ser ativo: sair da passividade, de quem só recebe [...] deve desenvolver habilidades, como ter autonomia, saber pensar, criar, aprender a aprender [...] Ele deve ter claro que aprender é fundamental para sobreviver na sociedade do conhecimento. (p. 44)Nessa nova visão de professor e aluno, Behrens (2000) comenta: Em parceria, professores e alunos precisam buscar um processo de auto- organização para acessar a informação, analisar, refletir e elaborar com autonomia o conhecimento. (p. 71)Acreditamos também que o aprender “é fundamental para sobreviver na sociedadedo conhecimento’’ e saber lidar com o computador e seus recursos neste contextotambém se torna fundamental em uma sociedade que passa por constantes 44
  45. 45. transformações e que exigem que a escola desenvolva projetos incluindo estasnovas tecnologias de informações.Não podemos deixar que nossos jovens e adolescentes façam parte desse grandenúmero de excluídos da era digital, não queremos ser utópico em achar que ainformática na educação ira resolver o problema da exclusão social, mas aomenos, ao desenvolvermos projetos utilizando a Web estamos possibilitando aonosso aluno a capacidade de encontrar e associar informações, de trabalhar emgrupo de se comunicar, fazer pesquisas, interpretar dados desenvolvendo acapacidade crítica. Sobre o uso de computadores na educação Valente (2002) fazo seguinte comentário: A possibilidade que o computador oferece como ferramenta para ajudar o aprendiz a construir conhecimento e a compreender o que faz, constitui uma verdadeira revolução do processo de aprendizagem e uma chance de transformar a escola. (p. 107)5.1 Descrevendo o projeto “Clicando a Internet”A idéia de um projeto que utilizasse o computador e seus recursos começou a ser“alimentada” numa aula de geografia, quando estávamos estudando o conteúdoque falava sobre a Internet e a Globalização.Após a leitura do texto os alunos passaram a responder um questionário daapostila sobre o assunto, e uma das perguntas era: o que é Internet? Então umaluno dirigiu-se até a minha mesa e perguntou: em que linha eu acho essa 45
  46. 46. resposta? Essa atitude do aluno fez com que houvesse uma mudança nasestratégias de trabalho em sala de aula. Ao invés do aluno escrever sobre o que éa Internet, seria melhor se ele pudesse acessar a Internet e conhecer os principaisrecursos dessa ferramenta.O fato do aluno simplesmente responder a questão na apostila, não iria contribuirpara nenhuma aprendizagem significativa. No entanto um projeto que utilizasse ocomputador poderia contribuir para facilitar e aumentar seus conhecimentos, e decerta forma desmistificar aquela idéia de que o computador é um bicho de setecabeças. Essa mudança no método do trabalho escolar é comentada por Andrade(2003) Em primeiro lugar, o trabalho escolar hoje deve ser um trabalho de conhecimento contextualizado, de modo a ser facilitador da aprendizagem significativa. Esta só ocorre quando os conteúdos das diversas áreas de conhecimento podem ser associados com os saberes da realidade autêntica do educando, implicando numa multiplicidade de uso de linguagens e de integração desses saberes. Em segundo lugar, o trabalho na escola deve superar a perspectiva disciplinar. As diversas disciplinas do currículo precisam ser utilizadas para solucionar um problema concreto, concorrendo para uma concepção interdisciplinar. (p. 61 p.62)Atualmente nas escolas, a maioria dos alunos trabalham com aprendizagens quesignificam muito pouco, ao usarem o livro didático ficam resolvendo tarefas deforma mecânica, muitas vezes até para preencher o tempo em sala de aula e comose isso ainda não bastasse, muitos professores exigem que os alunos decorem osconteúdos, para no final realizarem uma prova, achando com isso que o alunoaprendeu o conteúdo. 46
  47. 47. Para Valente (2002) “a educação não pode ser mais baseada em um fazerdescompromissado, de realizar tarefas e chegar num resultado igual à respostaque se encontra no final do livro texto, mas do fazer que leva ao compreender” (p.31)Para não realizar esse tipo de educação de “realizar tarefas”, pensei num projetoque utilizasse o computador e a Internet, parecia ser impossível de se realizar, poisa escola não possuía computador para os alunos, muito menos acesso a Internet.Para Andrade (2002) “a atividade de realizar projetos é própria do ser humano. Ohomem é um ser que planeja, não aceitando simplesmente o que a natureza lheimpõe”. (p.73)Enquanto professora, do ensino de Educação de Jovens e Adultos, não podiaaceitar o fato de que a maioria dos meus alunos nunca tinham acessado a Internet,talvez para muitas pessoas, isso seja insignificante, para quem tem computador eacesso a Internet, realmente não pode se quer imaginar como se sente um alunoque tem a oportunidade de acessar pela primeira vez a Internet e que se talvez nãofosse esse projeto, não teria essa oportunidade.Ao elaborarmos um projeto usando o computador devemos romper com modelosde ensinos tradicionais, caso contrário, estaremos, apenas, acrescentando umrecurso a mais em sala de aula, o computador por si só não é sinônimo demudança devemos arriscar naquilo que propomos, tendo consciência dessamudança do papel do professor e do aluno em sala de aula, considero que pior do 47
  48. 48. que não arriscar, é ficar com está. E como não queria ficar como estava,juntamente com os alunos desenvolvemos o projeto Clicando a Internet.5.2 Os objetivos e estratégias do projeto Clicando a InternetUma pesquisa realizada com os estudantes do CEEBJA - Centro Estadual deEducação Básica para Jovens e Adultos (600 alunos com idade entre 25 e 55anos) demonstrou que quase 90% dos alunos nunca tiveram contato com umcomputador antes da implantação do projeto.A escola não pode ficar alheia a esses avanços tecnológicos. Através de projetosbem planejados as disciplinas poderão contar com outros recursos em sala de aulacomo o computador e a Internet possibilitando uma maior interatividade entre osenvolvidos no processo ensino aprendizagem. Em relação ao uso da Internet naEducação Valente (2000) comenta: 48
  49. 49. O uso da Internet, representa o ponto mais avançado da aplicação das novas tecnologias, para fins educativos, não apenas no sentido de hardware e software. Ela pode ser vista como um enorme supermercado de informações, onde o que se procura pode ser “puxado” no momento que se deseja. (p. 76)A Internet possibilita hoje um oceano de informações. Os intercâmbios científicos,comerciais, culturais são cada vez mais freqüentes e exige conhecimento emlínguas estrangeiras e principalmente o domínio das novas tecnologias.Os professores deverão se atualizar constantemente e se preparar para lidar comessa nova realidade. Dependendo do trabalho do professor a Internet poderápossibilitar uma interação na prática, onde os alunos participam de ambientesvirtuais de aprendizagem, através de debates, fóruns, discussão por e-mail. Cadaprofessor dependendo de sua realidade poderá viabilizar momentos onde osalunos poderão ter o contato com as novas tecnologias.O projeto Clicando a Internet foi desenvolvido com os alunos de Educação deJovens e Adultos do ensino fundamental de 5ª a 8ª série, a faixa etária destesalunos são de 25 a 55 anos, a maioria são trabalhadores, donas de casa, jovensdesempregados que nunca acessaram a Internet. A foto abaixo é da turma queparticipou do projeto: Foto 01 49
  50. 50. Alunos de Educação de Jovens e Adultos que pela primeira vez clicaram na Internet.Este projeto foi desenvolvido pelas disciplinas de Geografia, Informática e Inglês. Ageografia é uma ciência que tem relacionamento com uma série de outras ciências.Com relação ao impacto da tecnologia da informática é necessário atentar para oacesso as redes de informações, com a Internet o aluno aumenta as conexõeslingüísticas, as geográficas e as interpessoais.As lingüísticas porque interage com inúmeros textos e imagens, muitos textos emvários idiomas, daí a necessidade de se dominar pelo menos os principais termosda Internet, geográficas porque se desloca continuamente em diferentes espaços,culturas, tempos, adquirindo uma visão mais abrangente do mundo em quevivemos e outros mundos.Em relação às relações interpessoais porque o referido projeto pretende despertaro aluno para a importância da pesquisa, da solidariedade do trabalho voluntário do 50
  51. 51. sentimento humanitário e de que principalmente temos muito por fazer e contribuirpara a construção de uma sociedade mais justa mais humana.A Web poderá oportunizar de uma forma mais rápida e eficiente o despertar dosentimento humanitário que muitas vezes passa despercebido em nosso dia a dia.Através da Web podemos incentivar os alunos a visitarem sites de trabalhosvoluntários de combate a fome a pobreza, enfim despertar no aluno o sentimentode amor ao próximo.Acreditamos que a Internet é uma força poderosa para ajudar os alunos adesenvolverem um senso de responsabilidade pessoal com seu próprioaprendizado, com a Internet eles poderão expandir seus horizontes.O objetivo principal deste projeto é o de aproximar os alunos com os termos e osrecursos da Internet, para que os alunos sintam-se motivados e curiosos pelasnovas possibilidades que elas representam, dentre os principais objetivos podemoscitar: • Ler Planejar e direcionar atividades que envolvam os alunos ativamente no processo ensino aprendizagem (teoria e prática da Internet). • Ler textos sobre a importância e uso da Internet nos dias atuais (pontos positivos e negativos). • Criar um glossário (inglês/português dos principais termos da informática). • Clicar em alguns sites para entender alguns recurso da Internet. • Criar uma rede de comunicação ente alunos e professores via e-mail para troca de informações e pesquisa. 51
  52. 52. • Montar uma agenda com os principais endereços de sites sobre: educação, saúde, recreação e trabalhos voluntários. • Acessar sites de interesses do aluno, fazendo uma análise posterior de pontos positivos e negativos, incentivando uma análise crítica dos sites visitados. • Produzir um guia didático a partir dos resultados dos trabalhos dos alunos. • Estimular um relacionamento mais humano, solidário, fortalecendo laços de amizade entre os envolvidos no projeto. • Identificar as principais partes de um computador e seu funcionamento. • Produzir um site com as principais experiências deste projeto.Cada projeto tem seus objetivos a serem atingidos e para que isso ocorra énecessário criar metodologias de trabalho, as principais metodologias são: • Trabalhar aula prática sobre o computador e sistema operacional (hardware e software). • Fazer pesquisa de campo com alunos de Educação de Jovens e adultos sobre quem tem acesso aos recursos de Internet e e-mail bem como conhecimentos de informática. • Aulas teóricas e práticas sobre como acessar a Internet e sobre principais recursos da Web no laboratório de informática da Unioeste. • Selecionar textos de sites sobre recursos tecnológicos e sua relação com a educação. • Pesquisar sites sobre a questão ambiental (degradação, preservação e projetos). • Selecionar sites de trabalhos voluntários de combate à fome e a pobreza no mundo. • Convidar alunos voluntários para ajudar no projeto ensinando os alunos que nunca tiveram acesso ao computador. 52
  53. 53. • Elaborar um glossário português e inglês dos principais termos utilizados na Internet. • Visitar o provedor www.oel.com.br, para conhecer o sistema de conexão da Internet. • Criar agendas com endereços eletrônicos e principais sites pesquisados. • Cadastrar alunos que não possuem e-mail no site www.bol.com.br para que os mesmos possam acessar em instituições públicas que acessam Internet(caso eles não possuam). • Buscar parcerias com empresas de informática e outras empresas para auxiliar no desenvolvimento do projeto.Os recursos materiais usados foram computadores em rede, livros revistas, jornais,xerox de textos, pastas para a organização do material, agendas para anotar sitesde interesse do aluno, camisetas e outros.O projeto iniciou em outubro de 2001 e as principais etapas do projeto foram: • Seleção de textos em revistas sobre Internet e informática. • Estudo de termos inglês/português para criação de um glossário de informática. • Aula prática em laboratório para conhecer os recursos da Internet e e- mail. • Seleção dos principais sites para criar uma agenda referencial. • Publicação de material impresso, material on-line sobre o trabalho. • Divulgação em jornais revistas e registro através de fotos.Toda aprendizagem é um processo dinâmico de construção de conhecimento, porisso a avaliação não deverá servir para medir o grau de conhecimento do aluno,mas para auxiliá-lo no decorrer do desenvolvimento do projeto. Bem como para 53
  54. 54. avaliar os envolvidos no projeto, pontos positivos e negativos para que possamosatingir os objetivos propostos.Ao destacarmos as principais etapas do projeto, nem tudo foi como o esperado,todo projeto, é apenas um plano, e conforme as dificuldades iam aparecendoíamos criando outras situações que possibilitassem dar continuidade ao projeto. Oprincipal problema foi o fato da escola possuir apenas três computadores, queeram utilizados pelos funcionários da secretaria. Mas isso não foi suficiente paradesistir do projeto, buscamos parceria com a Unioeste e ela nos cedeu olaboratório de informática para as aulas práticas.5.3 As dinâmicas usadas em sala de aulaO projeto tem como objetivo possibilitar ao aluno o aceso aos recursostecnológicos: do computador e da Internet, além daqueles que vinham sendoutilizados em sala de aula, vídeo, apostila, trabalho em equipe e outras dinâmicas.O principal o objetivo é o de desmistificar a idéia que o computador é coisa deoutro mundo. Pelo fato da maioria dos alunos serem adultos, muitos se sentiam“incapazes” de manusear um computador. 54

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