Seminário de historia e memória -

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Seminário de historia e memória -

  1. 1. SEMINÁRIO Tema: História e Memória
  2. 2. Nascido em Cunha –SP e criado na capital paulista onde iniciou seus estudos, filho de juiz pensara trilhar caminhos na magistratura, porem sua primeira graduação foi em Letras Clássicas na USP, com o intuito de servir de introdução para o carreira no Direito. É uma das maiores autoridades, no país, no campo dos estudos sobre cultura material, cultura visual e museus. Doutor em Arqueologia Clássica pela Sorbonne, é titular aposentado de História Antiga e docente do Programa de Pós-Graduação em História Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, da qual recebeu o título de professor emérito em 2008. Foi também agraciado com a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2002. Além de uma longa trajetória acadêmica, na qual publicou mais de uma centena de capítulos de livros e artigos, e organizou várias coletâneas, o professor Ulpiano tem também uma vasta experiência no campo institucional. Dirigiu o Museu de Arqueologia e Etnologia e o Museu Paulista, ambos ligados à USP, e integrou conselhos de órgãos públicos atuantes no campo do patrimônio, como o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), da Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, e o Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e participou em outras instituições de cunho internacional.
  3. 3. A história cativa da memória? Para um mapeamento da memória no campo das Ciências Sociais A popularidade da memória:  Campo acadêmico  Bandeira política Meneses discute a “natureza de fenômeno social” da memória dividindo seu texto em três questões: I. A REIFICAÇÃO DA MEMÓRIA; II. A CONSTRUÇÃO DESTA NO E EM FUNÇÃO DO PRESENTE; III. FISIOLOGIA DO FENÔMENO.  Para isso o texto é dividido em vários tópicos que abordam a questão da memória como fenômeno social e a relação da história e do historiador com o fenômeno.  Assim o autor vai tratar a memória como uma construção do presente, feita em função deste. ( “A construção da memória se dá no presente”).  O autor aponta o passado como descontinuidade e a história como a ciência do estranhamento.  Meneses alerta ainda que é dever do historiador não abandonar sua função critica a fim de que não trate a história como o “duplo cientifico da memória” mas que a memória seja entendida como objeto da história.  Mapear o território da MEMÓRIA em sua condição de FATO SOCIAL, definindo sua fronteira com a HISTÓRIA.
  4. 4. PROBLEMAS CHAVES: 1. A RESGATABILIDADE DA MEMÓRIA; 2. O PESO DO PASSADO; 3. A MEMÓRIA INDIVISÍVEL; 4. A MARGINALIZAÇÃO DO ESQUECIMENTO; 5. ESTRATÉGIAS E A ADMINISTRAÇÃO DA MEMÓRIA.
  5. 5. 1. A resgatabilidade da memória: A caracterização mais comum de memória é aquele acúmulo de informações. Muitas vezes se pensa ser algo definido e acabado, condenado ao esquecimento, por isso, deve ser não só preservada e restaurada, mas também resgatada. No entanto, Ulpiano parece desacreditado quando ressalta que a memória é mutável, um constante processo de construção e reconstrução e que a heterogeneidade presente na memória individual de cada pessoa torna seu resgate uma ilusão.
  6. 6. O impossível resgate da memória. “A caracterização mais corrente da memória é como mecanismo de registro e retenção, deposito de informações, conhecimento, experiências. Daí com facilidade se passa para os produtos objetivos desse mecanismo. A memória aparece, então, como algo concreto, definido, cuja produção e acabamento se realizam no passado e que cumpre transportar para o presente.”  É preciso preservar, como também restaurar a integridade original da memória, para que a mesma não caia no esquecimento e conseqüentemente não conduza ao presente. Daí a importância da memória ser resgatada.  A memória não é um pacote de recordações previsto e acabado. “Ao inverso, ela é um processo permanente de construção e reconstrução um trabalho”, como aponta Ecléa Bosi. “De forma semelhante, a memória de grupos e coletividades se organiza, reorganiza, adquire estrutura e se refaz, num processo constante, de feição adaptativa. A tradição (memória exteriorizada como modelo) nunca se refere a nenhum corpo consolidado de crenças, normas, valores, referências definidas na sua origem passada, mas está sujeita permanentemente à dinâmica social.”
  7. 7. 2. O peso do passado: A elaboração da memória se dá no presente e para responder a solicitações do presente, como por exemplo um objeto antigo que fora fabricado atendendo os anseios de seu tempo e agora é usado para decorar um ambiente ou para ser exibido em um museu. Esse objeto tem todo o seu significado drenado e se recicla como algo portador de sentido.
  8. 8. No presente, é claro. “O objeto antigo, obviamente, foi fabricado e manipulado em tempo anterior ao nosso, atendendo às contingências sociais, econômicas, tecnológicas, culturais, etc. etc. desse tempo. Nessa medida, deveria ter vários usos e funções, utilitários ou simbólicos. No entanto, imerso na nossa contemporaneidade, decorando ambientes, integrando coleções ou institucionalizado no museu, o objeto antigo tem todos os seus significados, usos e funções anteriores drenados e e recicla, aqui e agora, essencialmente, como objeto-portador-de-sentido.”  O valor de uso converte-se em valor cognitivo;  O presente pode inverter o valor original de um objeto passado;
  9. 9. Memória, passado, presente “A elaboração da memória se dá no presente e para responder a solicitações do presente. É do presente, sim, que a rememoração recebe incentivo, tanto quanto as condições de se efetivar.”  O caso limite do compromisso da memória com o presente está na MEMÓRIA HABITO, que segundo Bergson caracterizará como automatismo corporal;  Ficando mais abrangente na formulação de Connerton: “The habit-memory more precisely the social habit-memory of the subject is not identical with subject´s cognitive memory of rules and codes; nor is it simply an additional or supplementary aspect; it is an essential ingredient in the successful and convincing performance of codes and rules” Tradução: O hábito de memória de forma mais precisa o hábito da memória social do sujeito não é idêntica à memória cognitiva do sujeito com regras e códigos; nem é simplesmente um aspecto adicional ou suplementar; é um ingrediente essencial para o sucesso e performace convincente de códigos e regras.
  10. 10. “Somos tempo e memória, somos duração, o próprio tempo experimentado, subjetivamente. No entanto, não somos, apenas, memória psicológica, somos memória orgânica, “registro ininterrupto da duração, todo o passado do organismo, sua hereditariedade, enfim, o conjunto de sua longuíssima história.” (Bergson, 1991, pp. 510-511).
  11. 11. “Nessa perspectiva, pode-se dizer que a memória não dá conta do passado, nas suas múltiplas dimensões e desdobramentos. E não só, é claro, porque sabemos muito mais do que as memórias vivenciadas no passado poderiam saber, mas sobre tudo porque o conhecimento exige estranhamento e distanciamento. Somente a história e a consciência histórica podem introduzir a necessária descontinuidade entre passado e presente.” A memória é filha do presente. Mas, como seu objeto é a mudança, se lhe faltar o referencial do passado, o presente permanece incompreensível e o futuro escapa a qualquer projeto
  12. 12. 3. A memória indivisível: É preciso ao menos duas pessoas para que a rememoração se reproduza de forma socialmente apreensível. Essa memória condividida se opõe à memória individual e pode ser de duas categorias: memória coletiva e memória nacional. Memória individual, coletiva, nacional.  As ciências sociais interessa a MEMÓRIA INDIVIDUAL somente nos quadros da interação social; (pelo menos duas pessoas para que a memorização seja de caráter social);  A MEMÓRIA COLETIVA é um sistema organizado de lembranças cujo suporte são grupos sociais espacial e temporalmente situados:  A MEMORIA NACIONAL é a mistura de culturas que se formulam e se manifestam como identidade nacional através das ideologias da cultura nacional;
  13. 13. 4. A marginalização do esquecimento: Sem o esquecimento a memória humana seria impossível, é por isso que Meneses diz que ela depende de mecanismos de seleção e descarte. Apesar da falta de estudo na área, ele ressalta que há situações que podem propiciar o esquecimento como a tentativa de esquecer a morte, levando consigo a polaridade de funções dos cemitérios no Ocidente; a amnésia na história dos excluídos e oprimidos de todos os tipos como mulheres e escravos e também as lembranças proibidas, indizíveis ou vergonhosas como o caso dos campos de concentração nazista.
  14. 14. . Amnésia social A amnésia social tem aí, conseqüentemente, a função de um referencial geral. Por isso mesmo o autor limita-se a cernir nosso tema apenas no capitulo inicial, definindo a amnésia social como o “esquecimento e a repressão da atividade humana e social que faz e pode refazer a sociedade”. A memória expulsa da mente pela dinâmica social e econômica da sociedade é vítima de um processo de reificação. Mais ainda, trata-se da forma “primordial de reificação”, diz ele, concluindo com uma citação de Horkheimer e Adorno: “toda reificação é um esquecimento.” A dammatio memoriae é freqüente em regimes totalitários, seja na sua instalação e preservação, seja na sua desagregação.  Memórias subterrâneas – Michael Pollak;
  15. 15. Reificação: (em alemão: Verdinglichung, literalmente: "transformar uma idéia em uma coisa" (do latim res: "coisa"; ou Versachlichung, literalmente "objetificação") é uma operação mental que consiste em transformar conceitos abstratos em realidades concretas ou objetos. No marxismo o conceito designa uma forma particular de alienação, característica do modo de produção capitalista. Implica a coisificação das relações sociais, de modo que a sua natureza é expressa através de relações entre objetos de troca. O conceito foi desenvolvido por Lukács. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Reifica%C3%A7%C3%A3o_ %28marxismo%29
  16. 16. Outra vertente de enorme significação na pesquisa, e que se vem desenvolvendo, é a da amnésia na história dos excluídos, dos escravos, mulheres, crianças, operários, minorias raciais e sociais, loucos, oprimidos de todo tipo. Contudo, não é suficiente apenas dar voz aos silenciados. É imperioso detectar e entender as multiformes gradações e significações do silêncio e do esquecimento e suas regras e jogos.
  17. 17. 5. As estratégias e administração da memória: Existe uma grande problemática social da memória e para resolvê-la é preciso considerar o sistema, os conteúdos e incluir os agentes e suas práticas - todos aqueles que vivenciam e constroem sua história.
  18. 18. A gestão da memória. “Este quadro apocalíptico precisa ser matizado e se tem que se considerar, na fermentação contemporânea da memória, duas direções bem diversas. A primeira é conservadora, vale-se da fetichização, quer pra transformar a memória em mercadoria, quer para utilizá-la como instrumento de legitimação potenciada pelo valor “cultural”. A segunda, ao inverso, é uma resposta, precisamente, às alienações provocadas pela expropriação da memória e representa pelo menos a emergência de uma consciência política.”
  19. 19. Memória/ história “De todo exposto até aqui evidencia-se como imprópria qualquer coincidência entre memória e história. A memória, como construção social, é formação de imagem necessária para os processos de constituição e reforço da identidade individual, coletiva e nacional. Não se confunde com a história, que é forma intelectual de conhecimento, operação cognitiva. A memória, ao invés, é operação ideológica, processo psico-social de representação de si próprio, que reorganiza simbolicamente o universo das pessoas, das coisas, imagens e relações, pelas legitimações que produz. A memória fornece quadros de orientação, de assimilação do novo, códigos para classificação e para intercâmbio social. (Braudel e a questão com Levy-Strauss da “viagem preparada” pelo historiador para que as coerências e incoerências atuais sejam inteligíveis.)”
  20. 20. Entretanto, é possível continuar fixando balizas claras para evitar, não a conspurcação de uma hipotética e indefensável pureza, mas a substituição da história pela memória: a história não deve ser o duplo cientifico da memória, o historiador não pode abandonar sua função crítica, a memória precisa ser tratada como objeto da história.

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