CAPÍTULOIII O IMPACTODOS CONTOSDE FADASNA CRIANÇA E NA EDUCAÇÃO
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Apesarde a criança vivernomesmomundodosadultos,elaopensa...
uma lutacontra dificuldadesgravesnavidaé inevitável,é parte intrínsecadaexistência
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filhoemdeterminadoconto,ospaisnãodevemrevelá-lo.“[...] Asexperiênciase reaçõesmais
importantesdacriancinhasãoamplamente su...
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Para Jung,1981 apud Saiani,2003, o importante é aescolalibertara criança de sua identidade
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Cristiane artigo

  1. 1. CAPÍTULOIII O IMPACTODOS CONTOSDE FADASNA CRIANÇA E NA EDUCAÇÃO B Apesarde a criança vivernomesmomundodosadultos,elaopensa,sente e vê de forma diferente.SegundoCostae Baganha(1989), para a criança, o mundo - pessoase coisas - nãoé reconhecidocomoalgoforadela.Reconheceraexterioridadedomundoimplica,paraela, reconhecerosprópriospoderese limites,e é nesse confrontoque elavai se construindo. Bettelheim(1980) afirmaque a vidaintelectual de umacriança,atravésda história,dependeu de mitos,religiões,contosde fadas,alimentandoaimaginaçãoe estimulandoafantasia,como um importante agente socializador.A partirdosconteúdosdosmitos,lendase fábulas,as crianças formamos conceitosde origense desígniosdomundoe de seuspadrõessociais.Os contosde fadas,apesarde apresentarem fatosdocotidianoàsvezesde formabemrealista, não se referemclaramente aomundoexterior,e seuconteúdopoucasvezesse assemelha com a vidade seusouvintes.Suanaturezarealistafalaaosprocessosinterioresdoindivíduo (BETTELHEIM, 1980). Para Dieckmann(1986, p. 49) oscontos de fadassão maisdo que estórias bonitas,partindodaidéiade que elestêmimportânciaparaa formação e configuraçãodo mundointeriorhumano.“[...] Asfigurase feições,comotambémaação do conto,são vividas não maiscomo acontecimentoreal domundo,exterior,mascomopersonificaçãode formaçõese evoluçõesinterioresdamente”.Essessímbolossãoamelhorimagemque demonstraaquiloque se passacomo homem.Essasimagensouarquétiposrepresentados pelospersonagensnoscontosde fadas,segundoPavoni (1989),são a própriapessoa.E o mesmoacontece comas relaçõesreaisde unscom os outros:elasnão sãovistascomo realmente são,massimpelaimagemque se temdelas.Estaimagemé constituídaatravésde experiênciaspessoaiscomo outroe tambématravésda imagemdoarquétipode relaçãoou de posiçãoprojetadanooutro. Narelaçãocom alguémde maiorautoridade,o comportamentoé marcadoou alteradopelosarquétiposde autoridade inconscienteque a pessoatraz, podendosernegativooupositivo.Portanto,omundoage sobre as pessoas conforme ele é percebido.Sóaquiloque temressonânciacomos conteúdosdapsique é que é percebido.Cadaum32 entende oque ocircunda e a si mesmoa partir dosapontamentos arquetípicosdoseuinconsciente (PAVONI,1989). A criança, segundoDieckmann(1986),por meiodessasfigurasdoscontosde fadas,aprende acorresponderàsexigênciase necessidades dos outrose do ambiente,ase protegere a combateras investidascontrasuaprópria personalidade.Aprende tambémaagir,resistire superarforçascomo os adultos,assimcomo entendercomoelessãoatravésdaidéiaque fazde si mesma.Oscontosde fadas,segundo Bettelheim(1980,p.32) levama criança a descobrirsua identidade e comunicação,e sugerem experiênciasnecessáriasparadesenvolveraindamaisseucaráter.Elescontamà criança que, apesardos infortúnios,elapoderáterumavidaboa;issose nãose intimidarpelasbatalhas que irá travar. “[...] Estasestóriasprometem àcriança que,se elaousarse "engajar”nesta busca atemorizante,ospoderesbenevolentesvirãoemsuaajuda,e elao conseguirá”.Elas advertemtambémque,quemnãoousarencontrarsua verdadeiraidentidade,porreceioou insignificância,teráumavidamonótona,se algoaindapiornãolhesacontecer.“Comoobras de arte, oscontos de fadastêm muitosaspectosdignosde seremexploradosemacréscimoao significadopsicológicoe impactoaque o livroestádestinado”(BETTELHEIM, 1980, p.21). A herançacultural de um povoencontracomunicaçãocom a mente infantilatravésdeles.Estaé exatamente amensagemque oscontosde fadatransmitemàcriança de formamúltipla:que
  2. 2. uma lutacontra dificuldadesgravesnavidaé inevitável,é parte intrínsecadaexistência humana- mas que se a pessoanãose intimida,masse defrontade modofirme comas opressõesinesperadase muitasvezesinjustaseladominarátodososobstáculose,aofim, emergirávitoriosa(BETTELHEIM,1980, p.14). Para o autor, sónos contosde fadas a criança se confrontacom as características essenciaisdoserhumano.Há noscontos de fadasum dilema existencial tratadode maneirabreve e decisiva,permitindoàcriançacompreendersua essência.Hápoucosdetalhes,de tramasimplificada,figurasclaras,maistípicasdoque únicas. Elas sãoambivalentes,comooserhumanoé na vidareal.Essa polarizaçãoque dominaos contosde fadas,tambémdominaamente da criança.Independente daidade e sexodoherói da estória,de acordocom Bettelheim(1980),oscontosde fadastemgrande significado psicológicoparacriançasde ambosos sexose todasas idades.Suaimportânciapessoal é facilitadapelas33mudanças na identificaçãode criançacom os personagens,principalmente pelofatoda mesmalidar,comdiferentesproblemas,umde cadavez.Um personagemé bom e o outroé mau,espertoe tolo,lindoe feio,e porassimvai.Esta uniãode personagens opostosfacilitaodesenvolvimentodapersonalidadedacriança.Asambigüidadespresentes nas figurasreais,e todasas complexidadesque ascaracterizam, possibilitamque acriança estabeleçaumapersonalidaderelativamenteestável nabase dasidentificaçõespositivas. Depoisdisso,elaterácapacidade de compreenderasdiferençasentre aspessoas,e afazer escolhassobre quemquerser(BETTELHEIM, 1980). As escolhasde seuspersonagensnãosão tanto influenciadaspelocertoe errado,massimse despertamnelasimpatiaounão.Ela escolhe oherói ouheroínapor quererse parecercom ele (a) e peloapelopositivoque tem.O mesmoacontece coma presençadobeme do mal.Ao contráriode muitasestóriasmodernas, ambosestãopresentes.Recebemformaemfigurase ações,e nãopodemficarde fora,já que tendemaaparecerem todosos homens.Atravésdessadualidade,osproblemasde ordem moral são colocadose intimadosaumaresolução.Nãoé o fato do malfeitorserpunidono final daestóriaque torna nossaimersãonoscontosde fadasuma experiênciaemeducação moral,emboraistotambémse dê.Noscontos de fadas,como na vida,a puniçãoouo temor delaé apenasum fator limitadode intimidaçãodocrime.A convicçãode que o crime não compensaé um meiode intimidaçãomuitomaisefetivo,e estaé a razão pelaqual nasestórias de fadas a pessoamá sempre perde.Nãoé ofato de a virtude vencernofinal que promove a moralidade,masde.oherói sermaisatraente paraa criança que se identificacomele em todasas suaslutas.Devidoaesta identificaçãoacriança imaginaque sofre como herói suas provase tribulaçõese triunfacomele quandoavirtude sai vitoriosa.A criançafaz tais identificaçõesporcontaprópriae as lutasinteriorese exterioresdoherói imprimem moralidade sobre ela(BETTELHEIM,1980, p. 15). Contudo,nãose pode precisarqual,nemem que idade oufase será importante paraumacriança um conto emespecífico;sóa criança poderárevelaroudeterminarque contoquerouvir,àmedidaque essesfalamaoseu consciente e inconsciente.Naturalmente,umpai começaráa contar ou lerpara seufilhouma estóriaque ele própriogostavaquandocriança,ouaindagosta. Se a criançanão se ligaà estória,istosignificaque osmotivosoutemasaí apresentadosfalharamemdespertaruma respostasignificativanestemomentodasuavida(BETTELHEIM, 1980, p.26).34 Então, segundo Bettelheim(1980),o melhorafazer é contar uma outra estória,até que a respostaseja positivae confirmadaatravésdo“conte outra vez”.Quandoelaobtivertudoque necessitava da estória,ouquandoseusproblemasforemoutros,elapoderáperder oprazernestae escolheroutra,noque deveráseratendida.Porém, mesmosabendoomotivodointeresse do
  3. 3. filhoemdeterminadoconto,ospaisnãodevemrevelá-lo.“[...] Asexperiênciase reaçõesmais importantesdacriancinhasãoamplamente subconscientese devempermanecerassimaté que elaalcance uma idade e compreensãomaismadura”(BETTELHEIM, 1980, p. 26). Não se deve invadiroseuinconscientee trazera tonaos pensamentos,de maneiraconsciente,que elagostariade conservarpré-consciente.Éexatamente tãoimportanteparao bem-estarda criança sentirque seuspaiscompartilhamsuasemoções,divertindo-se comomesmocontode fadas,quantoseusentimentode que seuspensamentosinterioresnãosãoconhecidospor elesaté que eladecidarevelá-los.Se opai indicaque já os conhece,acriança ficaimpedidade fazero presente maispreciosoaseupai,ode compartilharcomele oque até entãoera secretoe privadopara ela(BETTELHEIM, 1980, p.26 - 27). Alémde perderoencantamentoda estória,explicarporque umcontode fadas é tão atraente para a criança perde o poderde ajudá-laa lutare dominarsozinhaoproblemaque tornouoconto significativo.Aodecifrar para ela,não se favorece osentimentode superaçãoe êxitoque elaalcançariasozinha, atravésda ruminaçãoda históriae por suasrepetiçõesde umasituaçãoárdua,penosa.Dessa maneiraelasencontrariamsentidonavidae segurançaem si mesmas,pararesolveremseus problemaspessoais,interiores,sozinhas(BETTELHEIM,1980). Dieckmann(1989, p. 44) aponta o sentidode se narrar contosde fadasas crianças.“[...] O problemade se sera favorou contra os contosde fada, aliás,jáé velho,e foi colocadoháquase cemanos pelopoetaWilhelm Hauff",que colocouessaproblemáticacomoprefáciode suacoleçãode contos.Ascrianças têmque encontrarformas,segundoCostae Baganha(1989, p. 38), de preencherovazioque sentempelaausênciaafetiva,que asfazemsentirmedo.Umprimeirocontatocomoreal deixaascrianças desiludidas.Elapercebeque omundoe as pessoasnãose compadecemcom seusdesejos,e elasentãofazemusodafabulaçãoparapreencherovaziocomo “[...] o abandono,omedo,a desconfiança,ainjustiça,apequenez,asubmissão,mastambéma ”raiva”,a rebeldia,ainsubmissão,odesafio,odesejode se afirmar”.35Estesrostospara os seus“desejosinconfessáveis”sónosContosde Fadas podemserencontradose “decifrados” pelacriança.Os contos de fadasoferecempersonagenssobre asquaisacriança pode exteriorizaraquilo que se passacomelae de uma formacontrolável.Mostramà criança como pode materializarosseusdesejosdestrutivosnumadadapersonagem, tirarde outraas satisfaçõesque deseja,identificar-se comumaterceira,ligar-seaumaquarta da qual faz seu ideal e assimsucessivamente,segundoasnecessidadesde momento.Alémdisso, desacreditandoaslimitaçõesde tempoe espaço,permiteumarepresentaçãovisível,concreta e simultâneade todasas facetasque constituemouniversodacriança(COSTA;BAGANHA, 1989, p.39).“A forma como tudovai sendoexperienciado,compreendido,explicado solucionado,valorizado,resultade umaafetividadee de umarazão atuandoem sinergia” (COSTA E BAGANHA,1989, p. 38). A intensidadedessesaspectosvariaaolongodo desenvolvimento,mostrandoàcriançao momentocertode assumiro real,nãodevendoviver para sempre nafantasia.De acordo com Bettelheim(1980),o conto de fadasguia a criança a entendere abandonar,emsuamente consciente e inconsciente,seusdesejosde dependência infantil e obterumaexistênciamaisindependente atravésdarealizaçãodoherói,da experiênciapelomundoe doencontrocom o outro.Constataainda,que as crianças de hoje não crescemmaisna segurançade um lar formadopor grandesfamíliase neminseridasem grandescomunidades.Daíressaltaaimportânciadasimagensde heróissolitários,confiantes interiormente,cujodestinoconvence acriançaque,apesarde se sentirrejeitadae abandonadapelomundo,comoherói ouheroína,elaseráguiadae ajudadasempre que
  4. 4. precisar,estabelecendorelaçõessignificativase compensadorascomomesmo.ParaCosta e Baganha (1989) a escolanão sóé responsável pelapropagaçãode conhecimento,comopode subsidiaraformação pessoal de cadaser humano.Oscontos podemserum importante instrumentopedagógico,porajudarnoprocessode simbolização,aomesmotempoemque aliviapressõesinconscientes."Nessalutapelaindependência,aescoladesempenhaumpapel muitoimportante porsero primeiroambienteque acriança encontraforada família,Os companheirossubstituemosirmãos,oprofessoropai,e a professoraa mãe"(JUNG,1981, p.59 apudSAIANI,2003, p.22). O que as crianças podemapreenderdoscontosde fadas,nãoé percebidonapráticaPedagógica.[...] p. “Deixaracriança viverlivremente suafantasiageraum conflitonoprofessor,que perde seupapelde educadore nãocorresponde aomodeloque foi idealizadopelaPedagogia”(COSTA e BAGANHA,1989).36 Transformadosemtarefasescolares, os contosde fadas perdemsuafunçãolúdicae estéticae impedemque asemoçõessejam vivenciadas,Aomesmotempo,acredita-se que osimpulsosmaisprimitivospossamser aprisionados(BETELHEIM,1980 p.13) Para Catherine Millot,(KUPFER,1995, apudSAIANI, 2003), "quandoopedagogoacreditaestarse dirigindoaoeuda criança é,à sua revelia,o inconsciente dessacriançaque estásendoatingido",oque fazcom que osefeitosdos métodospedagógicossejam,nomínimo,inverificáveis.ParaSaiani (2003) o que há de mais fundamental paraumaprendizadobemsucedidoé arelaçãoque o professorestabelece como aluno,a criação de uma tão encantadoraquantonecessáriaatmosfera.Paraeste háuma relaçãoprofessoralunoprofundamente arraigadanoinconsciente coletivo.Opróprio pedagogoprecisadosconhecimentosdapsicologiaparaasua própriaformação.“[...] É fato notórioque as criançastêm uminstintoseguroparaperceberasincapacidadespessoaisdo educador".ParaJung,o pedagogoprecisa,porisso,daratençãoespecial aseu próprioestado psíquico,a fimde estar aptoa perceberseuerro,quandohouverqualquerfracassocomas crianças que lhe sãoconfiadas(JUNG,1981, p.125 apudSAIANI,2003, p.18). Essa atençãoao estadopsíquico,é obvio,conotaumaposiçãodiante da educaçãoque não encara o professor como merotransmissorde conhecimentos,massimcomoumaponte para que a criança evoluapsiquicamente."A criançase desenvolve apartirde um estadoinicial inconsciente e semelhanteaodoanimal até atingira consciência primitiva,e aseguir,gradativamente,a consciênciacivilizada”.(JUNG,1981, p.105 apudSAIANI,2003 p. 18). Certamente,quandouma criança de seisanosentra na escola,aindaé,emtodosentido,apenasumprodutodospais;é dotada,semdúvida,de uma consciênciado”eu"em estadoembrionário,masde maneira algumaé capaz de afirmarsua personalidade,sejacomofor(SAIANI,2003 p.58) Trata-se de um estadode indiferenciaçãoentre osujeitoe oobjeto.Parao desenvolvimentodacriança, para que elaconstrua sua própriapersonalidade,é fundamental que váse libertandodessa atmosferapsíquicacriadapelospais.Serianecessárioumrompimentoumbilical simbólico, semo qual seriaimpossível aproduçãode cultura.(SAIANI,2003, p.19) SegundoSaiani (2003) uma das funçõesdaescola,comoinstituição,é contribuirparaa gradual diferenciaçãodoego, com o objetivode formarumindividuoconsciente.37Desse modoemerge aconsciênciaa partir doinconsciente,comoumanovailhaaflorasobre a superfície do mar.Pelaeducaçãoe formaçãodas crianças, procuramosauxiliaresse processo.A escolaé apenasummeioque procura apoiarde modoapropriadooprocessode formação da consciência.Sobesse aspecto, culturaé consciêncianograu maisaltopossível (JUNG, 1981a, p.56 apudSAIANI,P.26).A relaçãoentre a criança e o professor,é determinanteparao êxitodoensinoe da transformaçãodas criançasem adultossaudáveis,que é averdadeirafinalidadedaescola.
  5. 5. Para Jung,1981 apud Saiani,2003, o importante é aescolalibertara criança de sua identidade com a famíliae torna-laconsciente de si própria.Semessaconsciência,elanuncasaberáoque desejade verdade,estandosempre dependente dafamília,procurandoapenasimitaros outros.“Ninguém,absolutamente ninguém, estácomsuaeducação terminadaaodeixaro curso superior”.Ouseja:oeducadornão deve serapenasportadorda culturade modo passivo,mastambémdesenvolvê-lapormeiode si próprio(JUNG,1981, p.61 apudSAIANI, 2003, p.26).Os contos de fadas,segundoSaiani (2003),são um canal entre o professore a criança no trabalhoafetivo,ajudando-aasuperarseusproblemasinteriores,possibilitando que o intelectopossase desenvolvere trabalharcom o mínimode interferênciasemocionais. 38 CONCLUSÃOEste trabalhodedicou-se atravésde umaabordagemde referencial teórico, buscar as principaisfontessobre aorigeme odesenvolvimentodoscontosde fadasaos longos dos anos.Comointroduçãoao tema,buscou-se explanarde maneirabreve,sua contextualizaçãohistórica,ouseja,onde e comosurgiram, seusprincipaisescritorese aquem se destinavam.Igualmente,foi de essencialimportância,aexplicaçãode comofuncionaa psique humana,seuconscientee inconsciente coletivo.Este comoreferênciaprincipal aoque se tentoudemonstrarcomofonte comum, a temáticade todosos contos.Comoexpoente desse estudo,apresentou-seoarquétipo,ouseja,asimagensprimordiaisque temosdo homeme do mundo,comobase estruturadorada idéiaque fazemosde nósmesmose dos outros.Dando ganchoao objetivodotrabalhoemdesvendarosconteúdosimplícitosnos contosde fadas,procurou-se demonstrarcomodestinoàformaçãoconsciente e inconsciente da criança, passandoa históriade todahumanidade,aslutasque virão,e a certezade que elas irão sairvitoriosasnabusca de seulugarno mundo.Considerandootrabalhocomouma pequenaintroduçãoaoestudodoscontosde fadas,sua complexafonte de relações, considerações,e temáticas,e aconcepçãosubjetivaque temos de infânciae pelomesmoser um trabalhomovidoporum objetivopessoal (poissemmotivação,aativaçãode minha energiapsíquicaseriaimpossível),ressaltoanecessidadede fazeralgumasconsiderações.Em primeiro,acreditonarelevânciadotrabalho,porconsideraroseducadorescomoseres humanos,dotadosde psique,carregadosde afetividade e inseridosemrelaçõesde si parasi e de si para o outro,inseridosnumasociedadeonde desempenhamosdiversospapéisque assumem:filhos,pais,cônjugesetc.Em segundo,pelaescolaserpalcodasdiversasinterações cognitivase afetivase porseremhoje,aspectorelevante entre arupturacada vezmais precoce entre a criança e sua família,tendonãosó o educadorcomo transmissordossaberes historicamenteacumulados,mastambémcomoserconstituídode psique,e suasrelações humanasestritamente necessáriasàcriança.39 As mudanças,portanto,devemseriniciadas neste cotidiano,incluindonadiscussãoe neste processoossujeitosdapráticaeducativa.A verdadeiraeducaçãopode respeitare aproveitaranaturezainfantil.Se afantasiae as emoçõesinfantispuderemestarintegradasnoprocessode desenvolvimentoe conhecimento, a criança irá sentir-se respeitadae terácondiçõessatisfatóriasde ingressaremummundo social e cultural.

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