Argumentos e Falácias

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  • Argumentos e Falácias

    1. 1. 2012 1 ARGUMENTAÇÃO E RETÓRICA DISCIPLINA DE FILOSOFIA ESCOLA SECUNDÁRIA DR. JAIME MAGALHÃES LIMA 11.º Ano
    2. 2. 2012 2Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Após a disputa entre uma retórica vã, ou ao serviço do ignóbil, do Sofista Górgias e a verdade racionalmente evidente de Platão, Aristóteles apresenta um meio termo considerando que há campos da actividade e conhecimento humano em que a verdade é substituída pelo verosímil: o domínio público, o tribunal e a política. Nestes domínios não há maior vergonha do que o justo não ser capaz de se defender face ao injusto. Assim, embora a retórica não seja uma actividade que desvende a verdade é, pelo menos, uma actividade de investigação e defesa do justo e do mais verosímil.
    3. 3. 2012 3Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica ARGUMENTOS E FALÁCIAS
    4. 4. 2012 4Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Os argumentos • Os argumentos são peças imprescindíveis para quem pretende sustentar uma tese ou apresentar dados pró ou contra uma tese. • Apontaremos aqui alguns desses tipos de argumentos que podem ser utilizados.
    5. 5. 2012 5Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica alguns tipos de Argumentos A1) - Dedutivos: entimema B) Indutivo: a generalização C) Pelo exemplo e o contra-exemplo D) Por analogia E) Com base em causas: estabelecendo relações causais F) Da autoridade G) Ad hominem H) Ad populum I) Ad misericordiam J) Quase-lógicos. J1) Transitividade; J2) Reciprocidade; J3) …
    6. 6. 2012 6Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A) Argumentos dedutivos • Argumentos suportados na necessidade lógica: Se as premissas são verdadeiras a conclusão é necessariamente verdadeira Exemplo: A fruta é rica em vitaminas A maçã é fruta A maçã é rica em vitaminas
    7. 7. 2012 7Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A1) Entimema • Argumento dedutivo que se realiza subentendendo uma das premissas. Por exemplo: O aborto é um crime porque é imoral. Fica subentendido que «todos os crimes são imorais». • Este tipo de argumento facilmente se torna falacioso se não tivermos cuidado ao abordá-lo. Exige espírito crítico e atenção por parte do auditório.
    8. 8. 2012 8Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B) Argumento indutivo • Chegam a uma conclusão geral, partindo de casos ou exemplos particulares, ou premissas menos extensas Exemplo: As maçãs, as peras, as laranjas são ricas em vitaminas. Maçãs, peras em laranjas são frutas, consequentemente a fruta é rica em vitaminas
    9. 9. 2012 9Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C) Argumento com base no exemplo e o CONTRA-EXEMPLO • O exemplo impressiona razão e emoção, pois dirige-se ao homem total, que não só pensa, como sente e age. • Górgias: o que possui a arte da retórica tem mais sucesso do que o médico a persuadir o doente a submeter-se a um tratamento. • O contra-exemplo é um argumento muito eficaz como contra- argumento…
    10. 10. 2012 10Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Outros tipos de argumentos • Linguísticos: • As metáforas, • alegorias, • parábolas • Modelos: Cristo, Luther King
    11. 11. 2012 11Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica D) Argumentos por analogia • Vão do particular ao particular • Pretendem mostrar que outro caso, semelhante ao primeiro em alguns aspectos conhecidos, é também semelhante noutros aspectos desconhecidos Exemplo A: Crianças e velhinhos são seres igualmente frágeis. Devemos cuidar e amar as crianças. Logo, devemos cuidar e amar os velhinhos Exemplo B: Os seres humanos gritam e sentem dor quando se lhes bate Os animais gritam quando se lhes bate Logo, os animais sentem dor quando se lhes bate.
    12. 12. 2012 12Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica E) Argumentos sobre causas • Argumentos que mostram a relação entre dois fenómenos, em que um deles é considerado a causa/razão/origem dos outros. • Estabelece sem duvidas relações causais • Deve atender a que: a) A sucessão temporal é condição necessária, mas não suficiente b) A sucessão pode dever-se não um só fenómeno mas a mais do que um factor.
    13. 13. 2012 13Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica F) Argumentos com base na autoridade • Apoiam-se no testemunho de pessoas ou instituições que são reconhecidas como possuindo conhecimentos seguros e de grande credibilidade acerca da matéria em causa • Exemplo A: um médico que aconselha determinado medicamento • Exemplo B: um académico que é refenciado como tendo tido determinada posição na sua área de saber… • Exemplo C: A DGS aconselha a vacinação X
    14. 14. 2012 14Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica G) Argumento ad hominem • Ataca o homem que argumenta, - denunciando a incongruência entre as suas palavras e os seus actos, ou a incoerência/contradição lógica entre diferentes opiniões da pessoa; - denunciando interesses pessoais
    15. 15. 2012 15Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica H) Argumento ad misericordiam • Apelo à misericórdia, à piedade, com razoabilidade Exemplo: No tribunal para atenuar a pena quando se pede em consideração a infância infeliz do arguido ou o seu cadastro limpo.
    16. 16. 2012 16Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica I) Argumentos Quase-lógicos 1. Transitividade • Os amigos do meus amigos meus amigos são. (+ x +) = + • Os amigos dos meus inimigos são meus inimigos (+ x -) = -
    17. 17. 2012 17Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica I) Outros argumentos Quase-lógicos • 2. Reciprocidade • “trabalho igual, salário igual” • “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” • 3. Inclusão ou composição - O que vale para as partes também vale para o todo • 4. Divisão: o inverso da composição
    18. 18. 2012 18Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácias informais • Se até agora as falácias estudadas dizem respeito à dimensão formal, ou seja, ao não cumprimento das regras da lógica formal, • de seguida estudar-se-ão falácias informais, ou seja, argumentos erróneos ou insuficientes para sustentar uma tese e que surgem sob a aparência de verdadeiros, correctos, razoáveis ou suficientes para sustentar a tese.
    19. 19. 2012 19Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácias informais • Principais tipologias: • A) Falácias da irrelevância • B) Falácias da Insuficiência de Dados • C) Falácias da Ambiguidade
    20. 20. 2012 20Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A) Falácias da irrelevância ignoratio elenchi As premissas não são relevantes para sustentarem as conclusões
    21. 21. 2012 21Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A1) Falácia ad baculum ou recurso à força • Argumento que recorre a formas de ameaça como meio de fazer aceitar uma afirmação. Agir sobre a vontade do outro com recurso à violência física ou psicológica. Exemplo: 1) “Mas porquê?” “Porque eu mando!” 2) “…Ou fazes ou ficas de castigo.!” 3) Uma chapada como estímulo.
    22. 22. 2012 22Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A2) Falácia ad hominem (contra o homem) • Tipo de argumento dirigido contra o homem. • Em vez de se atacar ou refutar a tese ou o argumento, ataca- se o homem que a defende, - atacando ao seu carácter - insinuando interesses pessoais Exemplo: A tua tese não interessa para nada! És um falso! …o racismo e os preconceitos…
    23. 23. 2012 23Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A3) Falácia ad ignorantiam ou da ignorância • Cometido quando uma proposição é tida como verdadeira só porque não se pode provar a sua falsidade e o inverso. Exemplo: Os fantasmas existem. Ninguém provou que não existem!
    24. 24. 2012 24Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A4) Falácia ad misericordiam ou apelo à piedade Ocorre quando se apela ao sentimento de piedade ou compaixão para se conseguir que uma determinada conclusão seja aceita Exemplo: 1. Ypsilón condenado por ser assassino dos seus pais, pede ao Sr. Juiz clemência por ser órfão. 2. Sei que tive negativas em todos os testes, mas esforcei-me tanto e estou tão cansado! Trabalhar e estudar não é nada fácil. Tente compreender que preciso passar de ano!
    25. 25. 2012 25Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A5) Falácia ad populum – apelo à emoção Apelar às emoção da multidão, para excitar o entusiasmo, a ira ou a ódio. Pode utilizar o preconceito, o desejo de pertença a determinado grupo social. Muito utilizado em propaganda e em publicidade. 1. As pessoas de bom gosto preferem o vinho x, logo devo beber o vinho x. 2. Se você fosse bela poderia viver como nós. Compre também Buty-EZ e torne-se bela. (Aqui apela-se às "pessoas bonitas") Adesão a uma determinada tese, por via da criação de um ambiente fortemente emocional (Pathos), cuja apresentação se deve a uma pessoa credora de popularidade, que promove um ambiente de euforia e encantamento. 3. “vingar os nossos mortos” 4. O que ocorre no campo de futebol: se todos assobiam, assobiasse… Apelo para que alguém se deixe ir com a multidão: “mas todos fazem” 5. Toda a gente sabe que a Terra é plana. Então por que razão insistes nas tuas excêntricas teorias? referências: Copi e Cohen: 103; Davis:
    26. 26. 2012 26Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A7) Falácia ex populum • Consiste no apelo à opinião da maioria para que um indivíduo ou conjunto de indivíduos justifique e adira a uma determinada tese • Uma proposição é verdadeira por ser aceite como verdadeira por algum sector representativo da população. Exemplo: A) Mãe deixa-me ir à discoteca! Todos os meus amigos vão! B) Não tens razão, pois todos pensam o contrário.
    27. 27. 2012 27Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica A8) Falácia ad verecundiam ou da autoridade • Apela à autoridade não qualificada • Argumento que pretende sustentar uma tese unicamente apelando a uma personalidade de reconhecido mérito mas não o sendo no campo em questão Exemplo: Figo é uma personalidade reconhecida no futebol, Figo diz que a GALP é a melhor petrolífera, logo a melhor petrolífera de Portugal é a GALP
    28. 28. 2012 28Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B) Falácias da Insuficiência de Dados As premissas não fornecem dados suficientes para garantir a conclusão Conjunto de falácias que se cometem pelo facto de se induzir de forma apressada e irreflectida, o que conduz a conclusões abusivas.
    29. 29. 2012 29Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B1) Falácia da generalização precipitada • Enunciar uma lei ou uma regra geral a partir de dados não representativos ou insuficientes e/ou quando existe contra- exemplo. Exemplo: O fenómeno X ocorre em A1 e A2, logo o fenómeno X ocorre em todos os AA
    30. 30. 2012 30Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B2) Falácia da Falsa Causa • Falácia que consiste em atribuir a causa de um fenómeno a outro fenómeno, não existindo entre ambos qualquer relação causal ou pela simples razão de o preceder Exemplo: Abriram a porta e a Ana tossiu, logo a Ana tossiu porque abriram a porta. Refutação: confunde a sucessão temporal com a implicação causal
    31. 31. 2012 31Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B3) Falácia de Petição de Princípio • Quando de postula ou se dá por provado, o que se deveria justamente provar. A conclusão é uma premissa Exemplo: 1 - O aluno não é considerado disléxico, pois não está referenciado como tal. 2 - “Uma vez que não estou a mentir, estou a dizer a verdade”; 3 - «Bem sabeis que mereço muito mais a vossa piedade do que um castigo. De facto, o castigo cabe aos culpados, a piedade aos que são objecto de uma acusação injusta.» In Perelman T.Argumentação
    32. 32. 2012 32Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica B4) Falácia da Pergunta Complexa 1) Fazer uma pergunta que pressupõe uma resposta previamente dada. O interlocutor fica numa situação embaraçosa, quer responda afirmativa ou negativamente. Está sempre garantida uma situação desfavorável para quem responde. 2) Ou a pergunta realiza a CONJUNÇÃO de duas ideias distintas, sendo que a aceitação de uma obriga a aceitar a outra. Exemplo 1) – “Já tens hábito de tomar banho?” Seja a resposta afirmativa ou negativa, o interlocutor está-se sempre a comprometer. Exemplo 2) “ És a favor da posse de armas e contra a liberdade?
    33. 33. 2012 33Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C) Falácia de Ambiguidade A falácia resulta de as premissas estarem formuladas numa linguagem ambígua C1) Equivocidade C1.1.) Ambiguidade lexical C1.2.) Anfibologia
    34. 34. 2012 34Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C2) Falácia do espantalho ou boneco de palha A) atribuir a outrem uma opinião fictícia, ou B) em deturpar as suas afirmações de modo a terem outro significado e serem mais fáceis de refutar. Refuta Y, refutando Z (interpretação abusiva de Y) Exemplo A) “- Vou à matança da porca da minha tia! - A Inês disse-me que a tia dela é porca.” (poderia ser de ambiguidade) Exemplo B) Ípsilon: “se restringirmos o uso automóvel estamos a limitar a liberdade. Òmega: “Ípsilon quer voltar à ditadura.”
    35. 35. 2012 35Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C3) Falácia ad terrorem • Fazer aceitar uma tese invocando as consequências negativas que resultarão se tal tese não for aceite. Exemplo: 1. Utilizar o medo de morrer na campanha pelo uso do preservativo. 2. “Se não votarem em nós será o caos.”
    36. 36. 2012 36Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C4) Falácia do acidente É aplicada a regra geral quando as circunstâncias sugerem que se deve aplicar uma excepção à regra. Exemplos: • A lei diz que não deves conduzir a mais de 50 Km/h. Portanto, mesmo que se urgente chegar ao hospital não deves ultrapassar os 50 km/h. • É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver essa arma automática ao louco que te a emprestou. (Adaptado de Platão, A República, I). Refutação: identifique a regra geral em questão e mostre que não é uma regra geral estrita. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que a regra não deve aplicar-se. Referências: Copi e Cohen: 100 .
    37. 37. 2012 37Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C5) Falácia inversa do acidente Aplica-se uma excepção à regra geral a casos em que se deve aplicar a regra geral. Exemplos: • Se deixou que Joana, a tal moça que ficou muito doente, entregasse o trabalho mais tarde, também deveria permitir que toda a turma entregasse o trabalho mais tarde • Se doentes terminais usam heroína, todos os homens podem usar. Refutação: identifique a regra geral em questão e mostre que o caso especial é uma excepção à regra.
    38. 38. 2012 38Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C6) Derrapagem (bola de neve) • Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraem-se consequências inaceitáveis de P e consequências das consequências... • O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos "se... então..." que constituem o todo do argumento. Exemplos: Nunca deves jogar. Uma vez que comeces a jogar verás que é difícil deixar o jogo. Em breve estarás a deixar todo o teu dinheiro no jogo e, inclusivamente, pode acontecer que te vires para o crime para suportar as tuas despesas e pagar as dívidas. Refutação: Identifique a proposição, P, que está a ser refutada e identifique o evento final, Q, da série de eventos. Depois mostre que este evento final, Q, não tem de ocorrer como consequência de P. Referências: Cedarblom e Paulsen: 137
    39. 39. 2012 39Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica C7) Falácia da omissão de dados Dados importantes, que arruinariam um argumento indutivo, são excluídos. A exigência de que toda a informação relevante e disponível seja incluída num argumento indutivo, é chamada "princípio da informação total".
    40. 40. 2012 40Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia da invenção de factos A falácia da invenção de factos acontece quando alguém tenta explicar porque acontece um certo fenómeno, sem ter provas que este tenha acontecido, aconteça ou possa vir a acontecer Exemplos: João disse ter entrado na loja porque queria comprar maçãs. (na verdade João entrou na loja para ver a Maria)
    41. 41. 2012 41Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia Post hoc ergo propter hoc Significa: "depois disso, logo, por causa disso". Um autor comete a falácia quando pressupõe que, por uma coisa se seguir a outra, então esta é causa daquela. Confusão entre sequência temporal e sequência causal Exemplos: A imigração do Alentejo para Lisboa aumentou mal a prosperidade aumentou. Portanto, o incremento da imigração foi causado pelo incremento da prosperidade. O livro desapareceu depois da Ómega ter estado na sala, logo a Ómega é a responsável
    42. 42. 2012 42Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia Efeito conjunto Sustenta-se que uma coisa causa outra mas, de facto, são ambas o efeito de uma mesma causa subjacente. Esta falácia é muitas vezes apresentada como um caso especial de falácia post hoc ergo propter hoc. Exemplos: Estamos a viver uma fase de elevado desemprego que é provocado por um baixo consumo. (De facto, ambos podem ser causados por taxas de juro muito elevadas.) Estás com febre e isso está a fazer com que te enchas de borbulhas. (De facto, ambos os sintomas são causados pelo sarampo.)
    43. 43. 2012 43 Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Falácia - Efeito conjuntoO objecto ou evento identificado como a causa de um efeito, é uma causa verdadeira – mas insignificante quando comparada com outras causas desse evento.Exemplos: Fumar causa a poluição do ar. (Confere, mas o efeito do fumo do tabaco é insignificante comparado com o efeito poluente dos automóveis); Deixar a sua lareira acesa durante a noite contribui para o aquecimento global do planeta (idem).
    44. 44. 2012 44 Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Retórica Falácia da Causa complexa O efeito é provocado por um certo número de objectos, dos quais a causa identificada é apenas uma parte.Exemplos: O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto. (Confere, mas o acidente não teria ocorrido se o condutor não estivesse altamente alcoolizado, por exemplo); Estou cheio de frio porque o tempo assim o está. (Confere, mas não teria frio se tivesse vestido mais roupa, por exemplo).
    45. 45. 2012 45Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia da generalização precipitada • As falácias da insuficiência de dados resulta das premissas não fornecem dados suficientes para garantir a conclusão. • Ou seja, é induz-se de forma apressada e irreflectida, o que conduz a conclusões abusivas. As falácias da insuficiência de dados subdividem-se em falácias da generalização precipitada e de falácias de falsa causa. Exemplo A laranja, o tomate, o dióspiro, a pêra e a tangerina são frutas ricas em vitamina C, logo todas as frutas são ricas em vitamina C O argumento é uma falácia de generalização precipitada porque partimos de casos particulares (a laranja, o tomate, a pêra e a tangerina) para generalizarmos (todas as frutas). Ao dizermos que todas as frutas são ricas em vitamina C, porque muitas frutas o são, podemos ser rapidamente contrariados, por exemplo com a banana, que é um fruto e não tem vitamina C.
    46. 46. 2012 46Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia do Acidente Ocorre quando consideramos como verdadeiro para um caso particular o que é verdadeiro num sentido geral. É o que acontece com argumentos do tipo estatístico quando uma regra geral é aplicada a um caso cuja ocorrência acidental determina a não aplicabilidade de tal lei. Exemplo: “Em média, cada dois portugueses come uma galinha por dia.” “É bom devolver as coisas que nos emprestaram. Portanto, deves devolver essa arma automática ao louco que te emprestou.” REFUTAÇÃO: Identificar a regra geral em questão e mostre que não é uma regra geral estrita. Depois mostre que as circunstâncias deste caso sugerem que a regra não deve aplicar-se.
    47. 47. 2012 47Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácia da Ambiguidade Lexical A mesma palavra pode ser usada com dois significados diferentes. Exemplos: • Criminalidade é ilegalidade. O julgamento de um roubo ou assassínio são acções criminais. Os julgamentos de roubos e assassínios são designados de acções criminais. Logo, os julgamentos de roubos e assassínios são ilegais. • Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças.
    48. 48. 2012 48Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Anfibologia Ocorre quando a construção da frase permite atribuir-lhe diferentes significados. Exemplos: • Na fábrica X todos gostam de um telemóvel. (Esta frase pode ser interpretada de duas maneiras: ou todos gostam de um telemóvel qualquer ou todos gostam do mesmo telemóvel)
    49. 49. 2012 49Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - AveiroRetórica Falácias da Ambiguidade Sintáctica As falácias desta secção são, todas elas, falácias geradas pela falta de clareza no uso de uma frase ou palavra. Há dois modos de isto suceder: • A palavra ou frase pode ser ambígua, caso em que tem mais de um sentido distinto; • A palavra ou frase pode ser vaga. Nesse caso não tem um sentido distinto ou claro. Exemplo: Òmega diz que hoje o senhor do café está muito sóbrio. (Esta frase se for ouvida por uma pessoa que não conheça o senhor do café, leva a pensar que o senhor do café está sempre embriagado)
    50. 50. 2012 50 Disciplina de Filosofia – 11.º Ano Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima - Aveiro Argumentação e Retórica ÊnfaseA ênfase é usada para sugerir uma proposição diferente daquela que, de facto, é expressa.Exemplos:A) Não há BEBIDAS GRÁTISB) GRÁTIS NUNCA

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