Livro administracao-de-desastres-2012-edicao-iii

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Livro administracao-de-desastres-2012-edicao-iii

  1. 1. Sérgio B. Araújo20113ª Edição2012Administração deDesastresConceitos & TecnologiasAdministração deDesastresConceitos & Tecnologias
  2. 2. ÍNDICEASSUNTO PÁGINAINTRODUÇÃO 31. ORIGENS DAS ORGANIZAÇÕES DEADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES51.1 – Planos de Emergência 102. DINÂMICA DOS DESASTRES 142.1 - Conceitos Fundamentais 142.2 - Parâmetros para o dimensionamento dedesastres242.3 - Forma de ocorrência dos desastres 242.4- Classificação dos desastres 252.5 - Componentes de um desastre 262.6 – Fases dos desastres 272.7 – Inter-relações entre etapas e fases 302.8 – Vulnerabilidades Urbanas 312.9 – Desastres no Brasil 452.10 – Prevenção de Desastres 472.11- Mitigação 502.12- Preparo 522.13 – Alerta 542.14 – Resposta 562.15 - Rehabilitação 572.16 - Reconstrução 583. A GESTÃO ANTI-DESASTRES 603.1 – Fundamentos do Planejamento 604. A ADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES 644.1 – Mecanismos de Abordagem 644.2 – Análise de Riscos 654.3 – Análise Preliminar de Riscos (APR) 704.4 - Modelo FEMA 764.5 - Modelo Local 814.6 – Plano de Emergência Local (PEL) 844.7 - Recursos de Hardware 85
  3. 3. 24.8 - Recursos de Software 885. PRINCÍPIOS GERAIS PARA AADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES905.1 - Considerações 905.2 - Resposta aos Grandes Desastres 945.3 - Gerenciamento Operacional no Teatro deOperações (T.O.)975.4 – Acidentes com Múltiplas Vítimas (AMV) 1025.5 – Organização do Local do Evento 1076. ADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES NOBRASIL1096.1 - Estado de Situação de Emergência eEstado e Calamidade Pública114ANEXO “A” - MODELO DE PLANO DEEMERGÊNCIA119ANEXO “B” - GEOGRAPHIC INFORMATIONSYSTEM – GIS -(SISTEMA DEINFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS) –APLICAÇÃO NA ÁREA DEGERENCIAMENTO DE EMERGÊNCIAS131ANEXO “C” – VIRTUAL EMERGENCYMANAGEMENT SYSTEM - VEMS136ANEXO “D” – DESASTRES NATURAIS NOBRASIL 1948-2011 138BIBLIOGRAFIA 145
  4. 4. 3INTRODUÇÃOIndependentemente dos cenários previstos peloPainel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC)sobre o aquecimento global, cuja realidade já é bemdivulgada pelo meio técnico-científico, a qual semanifestará principalmente na forma de desastres naturais,estes de forma cada vez mais imprevista e impactante,exigirão uma elevada competência técnico-operacional paralidar com estes impactos, e aí surge a importância doprofissional Administrador de Desastres (DisasterManager).As grandes cidades em especial aquelas queconjuguem alta densidade populacional, comunidades comlimiares elevados de pobreza, péssimas condições de infra-estrutura sanitária e que se situem em regiões costeiras,terão, por conseguinte uma vulnerabilidade maisacentuada, neste caso Rio de Janeiro entre outras cidadesbrasileiras e mundiais, conduzindo aos mais elevadosíndices de danos e perdas de vidas.
  5. 5. 4Fig. 01 – Impactos do Aquecimento GlobalPor outro lado as dificuldades associadas às redesde tráfego urbano, cada vez com maior volume de veículose mais congestionado nestas cidades, a falta de acesso àestas comunidades, entre outros vários fatores gerarãopressões consideráveis sobre os responsáveis pelasatividades de Comando e Coordenação em Situações deEmergência, gerarão respostas de intervenção mais lentas,expondo ainda mais as populações atingidas aos eventossecundários decorrentes de inundações, incrementandosua também a sua vulnerabilidade.Os riscos tecnológicos também se tornarão maioresem de ocorrência de uma maior diversidade e manipulaçãode produtos que são a base de nossa sociedade, em
  6. 6. 5especial os polímeros sintéticos. Cada vez velocidadesmaiores de deslocamento com cargas humanas e deprodutos comporão riscos e cenários os quais exigem umaabordagem e uma compreensão pela de suasconseqüências para fins de Planejamento ContraEmergências, cuja importância torna-se-á cada vez maior,daí a extrema importância de formação e da capacitação deprofissionais especializados, com uma visão plena dascausas, e este é o objetivos deste livro.1. ORIGENS DAS ORGANIZAÇÕES DEADMINISTRAÇÃO DE DESASTRESDesde o surgimento do homem sobre a face daTerra houve sempre a necessidade de lidar com crises detodos os tipos, na maior parte das vezes esta resposta erapessoal e íntima e não se sobrevivia. Viver sob a face daTerra constituía e constitui ainda hoje um determinadorisco. O risco estava presente nos ataques dos animais,nos ataques de outras tribos, de doenças, na forma dedesastres naturais, e via de regra geral na própria fome ena falta d água para a sobrevivência.Os relatos bíblicos foram adaptados de contosanteriores das primeiras civilizações humanas surgidas nocrescente Fértil, região do Iraque hoje, através dos contos
  7. 7. 6sumérios do Gigalmesh, por volta de 5.000 A.C. nosensinam muito a respeito das tragédias que se abateramsobre a humanidade e de que forma pode o homem reagira elas.Nestes relatos bíblicos um dos primeirospersonagens a serem citados como exemplo deAdministrador de Desastres foi Noé, o qual utilizou osprincípios básicos de uma administração de emergências:1º - Soube prever um determinado cenário,2º - Conseguiu estimar suas conseqüências,3º - Definiu as vulnerabilidades específicas,4º - Na impossibilidade de salvar a todos, salvouaqueles que por serem mais aptos para perpetuarema respectiva espécie,5º - Estabeleceu um Plano de Emergência completoe concreto – Plano de Fuga + Plano deMitigação+Plano de Abrigagem+Plano de Gestão deConflitos+Plano de Alimentação para 40 dias e 40noites,6º - Após isso estabeleceu um Plano de recuperaçãoatravés da liberação dos animais e sua reintegração,adaptação ao meio, de forma sustentável.Diversas catástrofes são citadas pela história, comoa Praga do Egito do tempo de Moisés, a erupção de
  8. 8. 7Pompéia e Herculanum, a destruição da Ilha de Terá em1628 A.C. o qual fez desaparecer toda a civilizaçãoMinóica, entre outras.A primeira organização de resposta à emergênciasno mundo ocidental surgiu em Roma em 6 A.C quando oImperador Augustus, criou uma organização de vigilância eluta permanente contra os incêndios que assolavam Romadesde sempre. Estava então criado o “Vigiles” composto desete “cohortes” (batalhões) compostos de cerca de 560homens cada, estando assim criada a primeira organizaçãode controle de emergências.O primeiro desastre da Era Moderna foi o terremotode Lisboa ocorrido em 1º de Novembro de 1755, umdomingo quando toda população se encontrava nas igrejaspor volta das 09:20h, terremoto este ocorrido próximo aosAçores o qual alcançou a magnitude Ritcher de 9.0 ( omesmo valor do terremoto de 2004 ocorrido na Indonésia),com a duração entre três a seis minutos. 85% dos edifíciosforam destruídos, um tsunami de 30 metros de altura varreua Baixa de Lisboa e cerca de 90.000 pessoas morreram.Nas partes altas da cidade candeeiros e fornos acesoscriaram um violento incêndio, que destruiu inúmerasresidências.
  9. 9. 8Fig. 02 – Terremoto de Lisboa“Naquela oportunidade o Primeiro Ministro,Sebastião de Melo, o “Marquês de Pombal”, tomou a frenteda situação nomeando de imediato 12 líderes distritais comPoderes de Polícia. Mandou o exército cercar toda acidade, prevenindo saques e roubo de comida. O preço dacomida foi mantido tabelado, para evitar hiperinflação, oque levaria à fome, Cortou impostos sobre o pescado,como base de estimular a criação de reservas proteínicasbásicas acessíveis. Trabalhadores foram recrutados para aliberação de escombros e buscas de vítimas soterradas.Contrariamente aos preceitos religiosos da época e com afinalidade de evitar uma epidemia de tifo e posteriormentede cólera determinou o lançamento de corpos ao mar.Executou 34 pilhadores.
  10. 10. 9“Com a situação sob controle, retomou areconstrução de uma nova cidade mais ampla comconceitos modernos de engenharia se tornando a base daengenharia sísmica atual (CANTON, 2007)”.O conceito de Defesa Civil nos tempos modernossurgiu durante a I Guerra Mundial , quando em 1917 foicriado nos EEUU o Council of National Defense (CND) –Conselho de Defesa Civil Nacional, sendo criado em 1941,no ápice da 2ª Guerra Mundial pelo então presidenteFranklin D. Roosevelt o Office of Civil Defense (OCD) –Escritório de Defesa Civil, como forma de se manter umaestrutura nacional apta a uma auto-proteção em caso deataque estrangeiro, estrutura esta similar montada no ReinoUnido por Winston Churchill, a qual se mostrou altamenteeficiente em termos de proteção da população durante osbombardeios alemães. Esta estrutura permaneceu semalterações significativas durante a época da Guerra Fria,quando em 1979, o Presidente Jimmy Carter criou aFederal Emergency Management Agency (FEMA) –Agência Federal de Administração de Emergências, cujotermo Emergency Management se popularizou pelos paísesde língua inglesa, ao passo que nos de origem Européia, otermo empregado é Civil Protection - Proteção Civil.
  11. 11. 101.1 – Planos de EmergênciaA base de toda Administração de Desastres assenta-se sobre a elaboração de Planos de Emergência, os quaissão os documentos que servirão como guia para lidar comos efeitos decorrentes de determinado cenário,estabelecendo procedimentos, definindo recursos materiaise capital humano.A necessidade da elaboração de Planos deEmergência surgiu em função do considerável aumento dosriscos tecnológicos se tornando uma necessidade real ecada vez mais constante. A obrigatoriedade daimplementação de tais documentos surgiu com odesenvolvimento e os subseqüentes acidentes ocorridosinicialmente em indústrias nucleares e em outros parquestecnológicos ocorridos principalmente a partir da década de70, principalmente como instrumento complementar àsmedidas de proteção contra os impactos ambientais, dentreos quais, serviram como base de notória experiência, paraprofundas modificações nos conceitos da segurançaambiental em que podemos citar:- Vazamento de dioxina em Seveso, 1976- Vazamento de Isocianato de Metila (MIC) em
  12. 12. 11Bhopal, Índia, 1984- Incêndio e descarga de águas contaminadas noReno, 1984Esses acidentes levaram a comunidade internacionala estabelecer os seguintes protocolos que visavam asegurança comunidades ao redor das instalaçõesindustriais:- Diretriz Seveso (Partes I e II)- Plano APELL (UNEP – United NationsEnvironmental Program)- EPCRA (Emergency Planning and CommunityRight-to-Know Act)- 1986Entretanto ainda hoje, no Brasil há a falta de umametodologia pré-estabelecida em termos gerais faz comque não haja um padrão específico deste tipo deplanejamento, ao contrário da Comunidade Européia,aonde há diretivas específicas, entretanto alguns elementossão considerados fundamentais para a elaboração de umplano e estes se encontram em anexo a esta publicação(Ver Anexo “A”).Na realidade um Plano de Emergência pode serdefinido como a sistematização de um conjunto de normas
  13. 13. 12e regras de procedimentos, destinadas a minimizar osefeitos dos desastres que se prevê que venham a ocorrerem determinadas áreas sob determinadas condições,gerindo de forma otimizada o emprego de recursos e aparticipação de pessoal técnico-especializado para lidarcom eles.As razões para a elaboração de um Plano deEmergência são:1. A identificação objetiva dos riscos;2. O estabelecimento de cenários de acidentes paraos riscos identificados;3. A definição de princípios, normas e regras deatuação geral face aos cenários possíveis;4. A organização sistemática dos meios de socorroprevendo as missões que competem a cada umdos intervenientes;5. A oportunidade que permite desencadear açõesoportunas, destinadas a minimizar asconseqüências do sinistro;6. Evitar confusões, erros, atropelos e a duplicaçãode atuações;7. A previsão e a organização antecipada daevacuação e intervenção;8. A otimização dos procedimentos sob forma de
  14. 14. 13rotina, os quais poderão ser testados, através deexercícios de simulação.Um Plano de Emergência deve, por isso ter asseguintes características:Simplicidade – Ao ser elaborado de forma simples econcisa, será bem compreendido, evitando confusões eerros por parte dos executantes;Flexibilidade – Um plano não pode ser rígido. Devepermitir a sua adaptação a situações não coincidentescom cenários inicialmente previstos;Dinamismo – Deve ser atualizado em função doaprofundamento da análise de riscos e da evoluçãoquantitativa e qualitativa dos meios disponíveis;Adequação – Deve estar adequado à realidade dainstituição e aos meios existentes;Precisão – Deve ser claro na atribuição dasresponsabilidades.
  15. 15. 142. DINÂMICA DOS DESASTRES2.1 - Conceitos Fundamentais1.Acidente - Evento definido ou uma seqüência deeventos fortuitos e não planejados que geram umaconseqüência específica em termos de danos,2. Alerta - Estado anterior a ocorrência de umdesastre, declarado com a finalidade de se tomarprecauções específicas, devido a provável e próximaocorrência de um evento destrutivo3. Calamidade - Desgraça pública, flagelo, grandedesgraça ou infortúnio,4. Catástrofe - Grande desgraça, acontecimentofunesto e lastimoso, desastre de grandes proporçõesenvolvendo alto número de vítimas e/ou danos severos,5. Dano - Medida que define a intensidade ouseveridade da lesão resultante de um acidente ou eventoadverso, perda humana, material ou ambiental, física oufuncional, que pode resultar, caso seja perdido o controlesobre um risco. Intensidade das perdas humanas, materiaisou ambientaIs induzido ás pessoas, comunidades,instalações, instituições e ecossistemas, comoconseqüência de um desastre. Os danos podem se
  16. 16. 15classificar em:5.1 - Danos materiais: que são aqueles queocorrem na propriedade pública ou privada,como: destruição ou danificação de habitações,colégios, instalações de saúde e outros,5.2 - Danos ambientais: aqueles que dizemrespeito ao processo de degradação danatureza, que pode ser reversível ou irreversívele,5.3 - Danos ou perdas humanas: que sãomortos, feridos graves, feridos leves, enfermos,mutilados, desalojados, desabrigados,deslocados, carentes de água e de alimentos edesaparecidos.Para registros com fins de gradação dosdesastres, consideram-se:5.3.1 - mortos: indivíduos falecidos emdecorrência de desastres, podendo amorte ocorrer imediatamente ou apósalgumas horas ou mesmo dias deevolução,5.3.2 - feridos graves: os casos queexigem Suporte Básico de Vida(S.B.V.), internação e assistência
  17. 17. 16médico-hospitalar pararestabelecimento,5.3.3 - feridos leves: os casos quepodem ser atendidos em sistemaambulatorial, na condição de vítimasexternas,5.3.4 - enfermos: indivíduos queadquirem uma enfermidade, emcircunstância de desastre,5.3.5 - mutilados: indivíduos que, emfunção de acidentes ou desastres,sofreram perda, física ou funcional,redutora de sua capacidade física elaborativa,5.3.6 - desalojados: indivíduos queforam obrigados a abandonar suashabitações, temporária oudefinitivamente, em função deevacuações preventivas, destruiçãoou avaria e que, nãonecessariamente, necessitam serabrigados pelo Sistema de DefesaCivil / Protecção Civil,5.3.7 - desabrigados : indivíduos
  18. 18. 17desalojados que necessitam de ajudado Sistema de Defesa Civil /Protecção Civil para a provisão deabrigo ou albergue,5.3.8 - deslocados: indivíduos queforam obrigados a abandonar alocalidade ou região onde residiam,como conseqüência de desastres,perseguições políticas ou religiosas(fundo ideológico) ou, ainda, poroutros motivos e,5.3.9 - desaparecidos: pessoas nãolocalizadas e de destino ignorado, emcircunstância de desastre. Somenteapós cinco anos, os desaparecidos,em circunstância de desastres, podemser considerados legalmente mortos.6. Defesa Civil / Protecção Civil - Conjunto de açõespreventivas, de socorro. assistenciais e reconstrutivasdestinadas a evitar ou minimizar os desastres, preservar omoral da população e restabelecer o bem-estar social.A Defesa Civil / Protecção Civil tem por finalidadegarantir o direito natural, reconhecido pela Constituição, à
  19. 19. 18incolumidade física e patrimonial e à vida, emcircunstâncias de desastres, naturais ou humanos, paratodos os cidadãos residentes no território brasileiro.7. Desastre - resultado de eventos adversos naturaisou humanos sobre um ecossistema vulnerável, causandodanos humanos, materiais, ambientais e conseqüentesprejuízos econômicos, culturais e sociais,7.1 - Do estudo da definição, concluí-se que :7.1.1 – o desastre não é o eventoadverso, mas a conseqüência domesmo e,7.1.2 - a intensidade do desastre émedida em função da grandeza dosdanos e prejuízos provocados.7.2 - Para que exista desastre, é necessárioque:7.2.1 - ocorra um evento adverso demagnitude suficiente para produzirdanos e prejuízos,7.2.2 - o ecossistema seja vulnerávelaos efeitos do evento adverso,7.2.3 - da interação entre os efeitosfísicos, químicos e/ou biológicos doevento adverso e os corpos
  20. 20. 19receptores existentes no sistemavulnerável, em que resultem danos ouprejuízos imensuráveis.Na definição de desastre, aceitainternacionalmente, não existe nenhuma idéia restritivasobre a condição de que o desastre deva ocorrer de formasúbita.8. Emergência - Situação crítica, acontecimentoperigoso ou fortuito; caso de urgência.9. Estado de Calamidade Pública - Reconhecimentolegal pelo Poder Público de situação anormal provocadapor desastre, causando sérios danos á comunidadeafetada, inclusive á incolumidade e/ou a vida de seusintegrantes. A decretação de Situação de Emergência oude Calamidade Pública depende, antes de tudo, dacapacidade de resposta local e da maior ou menornecessidade de apoio e coordenação externa e daagilização de medidas administrativas .10. Evento Adverso - Acidente ou acontecimentoprejudicial ou funesto.Um acidente ou evento adverso pode provocarefeitos físicos, que podem ser mecânicos ou irradiantes,químicos e/ou biológicos. São os efeitos dos eventos que,atuando sobre os corpos receptores, provocam danos ou
  21. 21. 20lesões.11. Medicina de Desastres - Área do conhecimentomédico que se ocupa da prevenção de patologias e doatendimento imediato. recuperação e reabilitação devítimas com patologias adquiridas, em circunstâncias dedesastres;É uma atividade multidisciplinar que se relacionacom:11.1 - saúde pública, saneamento básico emedicina social,11.2 - medicina de urgência, medicina detraumatismo, medicina preventiva, medicina dotrabalho e medicina militar,11.3 - atendimento pré-hospitalar,planejamento hospitalar e dos serviços de saúde,em resposta aos desastres,11.4 - traumatologia, infectologia, nutrologia,pediatria e saúde mental e ,11.5 - epidemiologia, vigilânciaepidemiológica, vigilância sanitária e ecologiahumana;12. Mitigação - Ação de redução da vulnerabilidade,ou ainda é o resultado da aplicação de um conjunto demedidas tendentes a reduzir o risco e eliminar a
  22. 22. 21vulnerabilidade física, social e econômica,13. Magnitude - Grau do impacto do desastre,14. Perigo - Circunstância potencialmente capaz deacarretar algum tipo de perda, dano ou prejuízo ambiental,material ou humano,15. Preparo - É o conjunto de medidas e ações quese tomam para reduzir o mínimo a perda de vidas humanase outros danos, organizando oportuna e eficazmente asações de resposta e reabilitação,16. Prevenção - Conjunto de medidas cujo objetivo éo de impedir ou evitar que eventos naturais ou gerados pelohomem causem desastres,17. Reabilitação - É o processo de recuperação acurto prazo dos serviços básicos e início do reparo do danofísico, social e econômico,18. Reconstrução - É o processo de recuperação amédio e longo prazo, do dano físico, social e econômico, aum nível de desenvolvimento igual ou superior ao existenteantes do desastre;19. Resiliência - é a quantidade de energia que podeser absorvida por um material, sistema ou comunidade, atéo limite de sua elasticidade, sem que seja deformado (a)”.significa absorver impactos sem se deformar para logoapós retornar à forma original.
  23. 23. 2220. Resistência – Condição de um material, sistemaou comunidade, de resistir a determinados impactospodendo vir a se deformar sem retornar à forma original.Uma vez esgotada esta capacidade o(a) mesmo (a) vem aser destruído21. Resposta - Ações que se levam a cabo duranteum desastre e que tem por objetivo salvar vidas, reduzir osofrimento e diminuir as perdas na propriedade ou meioambiente,22. Risco - Representação da probabilidade depossíveis danos dentro de um período específico de tempoou ciclos advindos da consumação de um perigo, comprovável conseqüência,23. Segurança - Estado de segurança individual ecoletivo, baseado no conhecimento e no emprego denormas de proteção e de minimização de desastres e naconvicção de que os riscos de desastres foram reduzidos.Em virtude de terem sido decididas e adotadas medidasminimizadoras dos mesmo;24. Situação de Emergência - Reconhecimento legalpelo poder público de situação anormal provocada pordesastre, causando danos suportáveis pela população,25. Vulnerabilidade - Conjunto de lesões pessoais,danos a estruturas e ao meio ambiente, interrupção das
  24. 24. 23atividades econômicas e da normalidade;Fig. 02 – Dinâmica do DesastreTab. nº. 1
  25. 25. 242.2 - Parâmetros para o dimensionamento dedesastres1. Número de vítimas:2. Número de desabrigados ou desalojados(temporariamente ou permanentemente)3. Área atingida em Km24. Prejuízo em US$2.3 - Forma de ocorrência dos desastresOs desastres de uma maneira geral podemmanifestar-se de duas formas distintas quanto à suaocorrência:1) Súbita - Aqueles que se manifestam de formainesperada, sem que haja tempo o suficiente para opreparo contra o seu impacto, a redução dos riscosassociados e a mitigação de sua vulnerabilidade e,2) Cíclica - Aqueles que se manifestam ao longoda história, estabelecendo uma periodicidade ousazonalidade de forma que haja tempo para as açõespreventivas de proteção à comunidade, ao patrimônio e aomeio ambiente.
  26. 26. 252.4- Classificação dos desastresOs desastres de uma forma geral para fins declassificação dividem-se em1:1) NaturaisOs desastres naturais fazem parte de um cicloque se associa à evolução da própria Terra, ao longo dotempo, manifestando-se sob a forma de erupçõesvulcânicas, terremotos, maremotos, ciclones, secas etc.fazendo parte de um ciclo natural, entretanto só recebendoo termo Desastre uma vez que causa perdas ou danos. Emgeral podem ser agravados pelas ações de intervençãohumana sobre o meio ambiente (Antropogênicas)2) Humanos (Antropogênicos)Estes refletem-se como fruto da própria evoluçãodo homem sob a face da terra e do preço a ser pago peloabuso ou mau uso do conhecimento humano, e sua açãosobre o meio ambiente, estes subdividem-se em:2.1) - TecnológicosSão aqueles gerados pelo desrespeito àsnormas e princípios que envolvem o uso de tecnologia1A classificação dos desastres em naturais e humanos não deve sertão rígida, pois na maior parte das vezes podem ter um caráter misto,sendo eles naturais de origem humana, como que os causados pelosimpactos ambientais
  27. 27. 26dentro de um equilíbrio com a comunidade e o meioambiente, traduzindo-se sob a forma de incêndios,explosões, colapsos estruturais, vazamentos químicos etc.,2.2) - SociaisEstão associados à incapacidade do homemconviver em harmonia com seu semelhante dentro dosprincípios de liberdade, igualdade e fraternidade,manifestando-se sob a forma de greve, guerras, violência,fome, sabotagem etc e,2.3) - BiológicosResultantes de desequilíbrio entre o homem eo reino animal, originando pragas animais e vegetais,epidemias e pandemias.Fig. 03 – Classificação dos Desastres2.5 - Componentes de um desastre1. Vítima1.1- Fatal1.2 - Física
  28. 28. 271.2.1 - ferida gravemente1.2.2 - ferida levemente1.2.3 - enferma1.2.4 - mutilada1.2.5 - desassentada1.2.6 - desalojada1.2.7 - desabrigada1.2.8 - deslocada1.2.9 - desaparecida1.3 - Psicológica2. Socorrista2.1- Governamental2.2- Não Governamental3. Público3.1- Tenso3.2- Ajudante3.3- Crítico3.4- Observador2.6 - Fases dos desastresA administração de desastres se analisa e estudapara fins práticos, de forma sistemática como uma
  29. 29. 28seqüência cíclica de etapas que se relacionam entre si, eque se agrupam por sua vez em três fases distintas: antes,durante e depois.Fig. 04 – Fases dos DesastresA . Antes do desastreÉ a fase prévia ao desastre que engloba asatividades que correspondem as etapas de: Prevenção,Mitigação, Preparo e Alerta. Com isto se busca:1. Prevenir para evitar que ocorram danosmaiores no impacto dos desastres,2. Mitigar para diminuir o impacto do mesmo, jáque algumas vezes não é possível evitar sua ocorrência,como no caso das erupções vulcânicas, terremotos,inundações ou secas,3. Preparar para organizar e planificar as açõesde resposta e,4. Alertar para notificar formalmente a presençaiminente de um perigo.B . Durante o desastreANTES DEPOISDURANTE
  30. 30. 29Nesta fase se executam as atividades de respostadurante o período de emergência ou imediatamente depoisde decorrido o evento. Estas atividades incluem aevacuação da comunidade afetada, a assistência, aabrigagem, a busca e o resgate. Também se iniciam açõescom a finalidade de restaurar os serviços básicos e dereparar certa infra-estrutura vital na comunidade afetada.Na maioria dos desastres este período passa muitorápido, exceto em alguns casos como a seca, a fome, e osconflitos civis e militares. Nestes casos este período sepoderia prolongar por certo tempo.C. Depois do desastreEsta fase corresponde todas aquelas atividades quese realizam posteriormente ao desastre. Em geral seorientam ao processo de recuperação a médio e longoprazo. Esta fase se divide em reabilitação e reconstrução.Com isto se busca:- Restabelecer os serviços vitais indispensáveis e osistema de abastecimento da comunidade afetada,- Reparar a infra-estrutura afetada e restaurar osistema produtivo com vista a revitalizar a economia e,- As atividades que se realizam em cada uma dasetapas se caracterizam por manter uma interação: desta
  31. 31. 30forma poderíamos concluir que os resultados que seobtenham em uma etapa está determinado pelo trabalhorealizado em etapas anteriores.O ciclo dos desastres, como se conhece estesistema de organização, está composto por sete etapas asaber: Prevenção Mitigação Preparo Alerta Resposta Reabilitação ReconstruçãoDesta seqüência se deriva, que a administração dedesastres corresponde: ao esforço de prevenir a ocorrênciade um desastre, mitigar as perdas, preparar-se frente asconseqüências, alertar sua presença, responder aemergência e recuperar-se de seus efeitos.2.7 – Inter-relação entre etapas e fasesExiste uma estreita interdependência entre asatividade das etapas e das fases do desastre, situação quenão permite delimitar com exatidão cada uma delas.
  32. 32. 31O anterior obedece ao fato de que não existeprecisão nem no começo nem no final, de forma que omodo escolhido seja um ciclo.Deve-se entender que esta divisão é somente paraefeitos de estudo e análise, de forma que nem sempre seajustará a realidade do desastre, pois cada um é diferentedo outro por suas características particulares.Fig. 04 – Etapas do Gerenciamento de Desastres2.8 Vulnerabilidade UrbanaHá uma íntima associação entre concentraçãodemográfica, pobreza e vulnerabilidade aos desastres.
  33. 33. 32Desde 0o surgimento dos primeiros núcleos populacionaishumanos na Região do Crescente Fértil (compreendidahoje entre o Iraque, Turquia, Síria e Jordânia) há mais de8.000 anos, logo após o fim do período Glacial, aspopulações concentradas às margens dos rios sofriam comas suas cheias, incêndios em casas com telhado de sapê,ou sob o efeito dos abalos sísmicos.2.8.1 A EXPANSÃO DA POPULAÇÃO MUNDIALO primeiro Diretor-Geral da UNESCO Julian Huxley,em sua Conferência Geral reconhecia já em 1948, que omundo pós-guerra tinha pela frente três grandes focos deproblemas: - o nacionalismo, o aumento populacional e osobstáculos ao progresso tecnológico. O “grave problema dasuperpopulação” levou Huxley a concluir que: “de umamaneira ou de outra deve-se chegar a um equilíbrio entrepopulação e recursos, ou a civilização perecerá”.No mesmo relatório, Huxley previa, alarmado, que apopulação mundial já na marca dos 2 bilhões, atingiria 3bilhões no início do século XXI.
  34. 34. 33(Fonte: Relatórios da ONU 1984-2001)Fig. 05 – Expansão Demográfica MundialA realidade mostrou que essa previsão era pordemais otimista. A população mundial que chegava em1993 a 5,4 bilhões quando as projeções das Nações Unidasapontavam naquele ano que, em 2025, se atingiria a marcados 8,5 bilhões, quase o triplo previsto por Huxley. Dadosmais recentes divulgados em 11 de dezembro de 2001 noRelatório Anual do Fundo de População das Nações Unidasque reúne informações de 150 países, estimava que apopulação mundial, chegará em 2050 a 9,3 bilhões depessoas, um crescimento de 50% sobre os 6,1 bilhõesatuais.O relatório projeta uma taxa de crescimento globalde 1,3%. A cada ano, 77 milhões novas pessoas passam0,000E+001,000E+092,000E+093,000E+094,000E+095,000E+096,000E+097,000E+098,000E+099,000E+091,000E+105000A.C.1000A.C.18501950196019781993200120252050População(Bilhões)AnosEXPANSÃO DEMOGRÁFICA MUNDIAL
  35. 35. 34a habitar o planeta. Seis países responderão por metadedesse incremento: Índia, China, Paquistão, Nigéria,Bangladesh e Indonésia. Somente a Índia será responsávelpor 21% do aumento total. Os países em desenvolvimentovão liderar a expansão global. Em 50 anos, concentrarão85% da população mundial. Os 39 países com baixafecundidade, situados na Europa do Leste, perderãoterreno. O mundo dos contrastes revela o contraponto: os49 países menos desenvolvidos terão quase triplicada apopulação. Pularão dos atuais 668 milhões para 1,8 bilhãode habitantes.Ninguém espera que a população se estabilizeantes do fim do século XXI, quando seremos cerca de 11,6bilhões de indivíduos.2.8.2 CRESCIMENTO POPULACIONAL NOBRASILO primeiro Recenseamento Geral Oficial é de 1872.Nos anos 80, houve um acréscimo de 27 milhões dehabitantes, quase três vezes a população de Portugal, e oequivalente à soma das populações do Paraguai, Uruguai,Chile, Bolívia e Guiana na mesma época. O crescimento sedeve principalmente ao crescimento vegetativo (diferençaentre as taxas de mortalidade) e a imigração.
  36. 36. 35De acordo com o Censo do ano 2000 do IBGE,havia naquele ano 175.561.456 brasileiros, 42,5% delesconcentrados no Sudeste do País, hoje dia 22 de Setembrode 2009 09:33h somos 191.775.672 habitantes, segundo oIBGE no seu site atualizado automaticamente e acessívelem:http://www.ibge.gov.br/home/disseminacao/online/popclock/popclock.php.2.8.3 MIGRAÇÕESSegundo estimativas no fim do século passadopelas Nações Unidas, mais de 50% da população mundialviverá em zonas urbanas no início do século XXI.Ainda que a maioria dos países emdesenvolvimento duplique suas populações a cada 20 ou30 anos, esses mesmos países duplicam suas populaçõesurbanas a cada 12 ou 15 anos e, no caso das populaçõespobres urbanas que vivem em bairros insalubres e emassentamentos, se produz uma duplicação a cada 7 anosou menos. Tais fatores estão profundamente ligados aosaspectos das migrações.
  37. 37. 36(Fonte: Relatórios da ONU 1984-2001)Fig. 06 – Taxas de crescimento populacionalA decisão de migrar é motivada em primeiro lugarpor considerações de ordem econômica. As pessoasmigram na esperança de uma vida melhor, quando aspossibilidades oferecidas por seu ambiente imediato nãocorrespondem às suas aspirações. Evidentemente essenão é o caso das pessoas que se deslocam após aocorrência de alguma catástrofe natural (seca ou fome) ouque fogem da guerra ou da opressão.Geralmente os empregos assalariados concentram-se nas grandes cidades, e é para essas que devem ir osjovens dos meios rurais que investiram na própria0123456789107 14 21 28 35 42 49 60FatordemultiplicaçãoAnosTAXAS DE CRESCIMENTO POPULACIONALPOP. POBRESPOP.URBANASPOP. NACIONAIS
  38. 38. 37educação e não querem ver desperdiçado esseinvestimento. Outros fatores ainda importantes são aquelesque estão ligados com a falta de terras e de técnicasagrícolas condizentes que vem após a saturação do solo atrazer sua improdutividade.Fig. 07 – Ciclo vicioso da pobreza2.8.3 MIGRAÇÕES INTERNAS NO BRASILA movimentação das populações dentro do paíssempre obedeceu à razões econômicas. No último século,por ausência de uma política de fixação do homem nocampo, registrou-se um forte êxodo rural e a conseqüenteconcentração nas cidades industrializadas em busca deprogresso material. Paralelamente, ocorrem dois fluxosmigratórios, de nordestinos em direção à outras regiões do
  39. 39. 38país (especialmente Sudeste e Amazônia) e de sulistas(rumo ao Centro-Oeste e à Amazônia). Essas duas regiõespassam a ser desde os anos 60, as mais procuradas devidoà expansão da fronteira agrícola, e suas taxas decrescimento são as maiores do país.2.8.4 O FENÔMENO DA EXPANSÃO URBANAEm regiões da Europa, as cidades sedesenvolveram em ritmo moderado, como conseqüêncialógica da modernização industrial. Esta conferiu importânciacrescente aos empregos e aos grupos sócio-profissionaisligados à indústria e aos serviços – os dois maiorescomponentes da população urbana dos países avançados.Já nos países em desenvolvimento a urbanizaçãose produziu sem o apoio prévio da industrialização e emritmo descontrolado, de modo que o crescimento dascidades é hoje três vezes mais acelerado que nos paísesindustrializados. Uma das conseqüências dessaurbanização galopante é a perda crescente pelo campo deboa parte de sua mão-de-obra ativa, contribuindo paraaumentar o déficit da produção de alimentos. Assim, oBrasil, como a exemplo de outros países do Hemisfério Sul,outrora auto-suficientes tornaram-se importadores decereais, mesmo dispondo de consideráveis superfícies de
  40. 40. 39terras agrícolas.2.8.5 UM CRESCIMENTO INAUDITOO problema do tamanho ideal das cidades há muitopreocupa sociólogos e economistas. Para algunsespecialistas, o limite ideal, sobretudo para o empregositua-se em torno dos 500 mil habitantes. Entretanto comcerca de 2 milhões de habitantes atingi-se um ponto crítico,além do qual torna-se difícil à gestão das condições geraisde vida, mas tudo isso não passa de estimativas médias,não sendo fácil fixar as dimensões ideais que possam seraplicadas a todas as cidades em todos os países.Mas o tamanho das cidades, sobretudo nos paísesem desenvolvimento, continua a crescer em ritmovertiginoso, no fim do século passado havia em nossoplaneta cinco megacidades com mais de 15 milhões dehabitantes ou mais três delas no mundo emdesenvolvimento.2.8.6 AS MEGACIDADESAs grandes metrópoles dos países industrializadospraticamente atingiram suas dimensões máximas e nelaspermanecerão durante cerca de 30 anos, mas o mesmonão ocorreu nas regiões menos desenvolvidas, onde muitas
  41. 41. 40cidades que não constavam entre as grandesaglomerações urbanas dos anos 70 hoje lideram a lista dasmegacidades do globo. Cidade do México, São Paulo,Calcutá e Bombaim, por exemplo, que nos anos 70disputavam o sexto lugar em 1985 passaram a linha defrente em âmbito mundial e ultrapassaram hoje a casa dos10 milhões de habitantes.No ano 2000, a Cidade do México contava com 26milhões de habitantes, São Paulo, 24 milhões, Calcutá eBombaim, o máximo de 16 milhões de habitantes cada.Também surgirão megacidades com aglomerações de 12 a13 milhões de habitantes como a cidade do Rio de Janeiro,a conubarção Cairo/Gizé/Imbaba, Jacarta, Bagdá, Teerã,Karachi e Istambul.
  42. 42. 41Fig. 08 – Megacidades mundiaisNos países em desenvolvimento, o crescimentodemográfico urbano resulta antes das migrações e daexpansão geográfica e especial das cidades que docrescimento natural (excedente dos nascimentos sobre osóbitos) de sua população. Mas a fecundidade das famíliasde migrantes e de habitantes de áreas absorvidas pelascidades continua sendo durante uma geração, superior àdas famílias naturais do meio urbano. É no final desseperíodo de adaptação, a diminuição da fecundidadecostuma ser neutralizada pela queda da mortalidadeinfantil, muito rápida nas cidades do que no campo.Sob pressão desses diferentes fatores decrescimento demográfico, os limites das cidadesexpandem-se irresistivelmente, em detrimento das terras
  43. 43. 42cultiváveis das vizinhanças, das quais, entretanto, dependeseu abastecimento alimentar.Nos países industrializados, a expansão dasgrandes cidades relaciona-se diretamente com umaagricultura que freqüentemente se caracteriza pela largaprodução de excedentes. Já nos países emdesenvolvimento, ela tem repercussões catastróficas emtodos os níveis: meio ambiente, recursos, repartiçãogeográfica da população e estruturas sócio-profissionais.2.8.7 URBANIZAÇÃO NO BRASILA população rural brasileira, que representava 69%em 1940 caiu para 24% em 1991. A partir de meados dadécada de 70, quando na região Nordeste a populaçãourbana ultrapassa os 50%, todas as regiões brasileirascomeçam a ter a maioria de população urbana. As cidadesoferecem uma aparente solução, por suas ofertas deemprego fixo com salário, garantias trabalhistas ebenefícios sociais. Porém, como os migrantes raramentepossuem grau de instrução ou profissionalização que oscapacite a obter empregos bem remunerados no setorindustrial, são relegados aos cargos mais baixos.O subemprego e o desemprego geram o inchaçodas cidades (macrocefalismo urbano) e contribui para a
  44. 44. 43favelização, a pobreza e a criminalidade. Os serviçosbásicos transporte, educação, saúde, eletrificação esaneamento – não acompanham a expansão desordenadadas metrópoles. O resultado é uma queda acentuada nopadrão de vida.2.8.8 SURGIMENTO DAS MEGACIDADES NOBRASILDevido à intensidade da urbanização após 1950, ascidades tenderam a se unir através de um processoconhecido como conurbação (união de várias cidades),formando grandes aglomerados interdependentes, que sãoas áreas metropolitanas. Os problemas de infra-estrutura,antes resolvidos isoladamente, passaram a requerer umplanejamento central para que haja eficiência. Nas últimascinco décadas as cidades de São Paulo e Rio de Janeirocomeçaram a sofrer os efeitos decorrentes dessaurbanização acentuada.O desenvolvimento desse processo de conurbaçãoem São Paulo se dá por intermédio da interligação físicaentre os municípios de Guarulhos, Santo André, SãoBernado e São Caetano com a capital. No Rio de Janeiroesse processo se dá ao entorno da Baía de Guanabara, porintermédio da interligação entre a capital do estado e os
  45. 45. 44municípiosde Duque de Caxias, Nilópolis, Nova Iguaçu, Belford Roxo,Queimados e em breve, Magé, São Gonçalo e Niterói.Fig. 09 – Processo de Conurbação ao entorno da Baía da Guanabara2.8.9 CAOS URBANOEstima-se que as migrações são responsáveis pormais da metade da alta taxa de crescimento anual daspopulações urbanas nos países em desenvolvimento, masessas cidades estão longe de poder oferecer empregos,habitações decentes, água potável, infra-estrutura detransporte e um meio ambiente saudável a essas
  46. 46. 45populações.Os países em desenvolvimento na virada do séculotinham cerca 1,9 bilhões de citadinos, ou seja, dez vezesmais, que nos países desenvolvidos. Mas a população ruralem torno de 3 bilhões de pessoas, continuará a marcharimplacavelmente rumo às grandes concentrações urbanas.2.9 – Desastres no BrasilSegundo a base de dados internacional sobredesastres da Universidade Católica de Louvain, Bélgica,entre 2000 e 2007 mais de 1,5 milhões de pessoas foramafetadas por algum tipo de desastre natural no Brasil. Osdados também mostram que, para este mesmo período,ocorreram no país cerca de 36 grandes episódios deenchentes, secas, deslizamentos de terra e o prejuízoeconômico gerado por esses eventos é estimado em maisde US$ 2,5 bilhões.Avalia-se que, no Brasil, os desastres naturais maiscomuns são as enchentes, a seca, a erosão e osescorregamentos ou deslizamentos de terraEles são responsáveis por um número elevado deperdas humanas e materiais todos os anos
  47. 47. 46Fig. 10 – Desastres ocorridos no Brasil de 2000 a 2007 (FonteUniversidade de Louvain)Estes dados são corroborados através da pesquisade Informações Básicas Municipais - MUNIC, realizada peloIBGE em 2002 e publicada em 2005. Essa pesquisa, queenfoca a ótica do gestor municipal, mostra que no Brasil osmaiores desastres relacionam-se a inundações,escorregamentos e erosão e que esses processos estãofortemente associados à degradação de áreas frágeis,potencializada pelo desmatamento e ocupação irregular.Os dados revelaram que cerca de 50% dosmunicípios brasileiros declararam ter sofrido algum tipo dealteração ambiental nos 24 meses anteriores à pesquisa e,dentre estes, cerca de 16% sofreram com deslizamento de
  48. 48. 47encosta e 19% com inundações.2.10 – Prevenção de DesastresDe acordo com a fase e o impacto resultante asações e as atividades devem ser direcionadas dentro de umfoco objetivo e precisoFig. 11– Abordagem frente aos desastresA) Ações de prevençãoEstas ações respondem a efetividade documprimento da legislação no que tange a planificaçãourbana e física, bem como medidas de estruturação ecapacitação da comunidade.As atividades de prevenção devem estar inseridasnas estratégias de desenvolvimento, nos planos setoriais,nos planos de inversão, em programas de ordenamento
  49. 49. 48territorial e de desenvolvimento sócio econômico, taiscomo:A.1) - Planos de desenvolvimento urbano, programasde inversão que tome em consideração a obtenção doselementos do desastre em espaços geográficos definidos,A.2) - Planos específicos para a eliminação deameaças, tais como inundação, secas e deslizamentos,A.3) - Planificação física e zonificação paraassentamento (reconhecimento) de indústrias e infra-estrutura,Em nosso meio é comum escutar o refrão que diz “é melhor prevenir do que remediar ”. Isto significa que setomamos uma série de medidas preventivas poderemosevitar ou diminuir o impacto do desastre, ou seja, mediantea intervenção direta de uma ameaça ou perigo que possaevitar sua ocorrência.Desafortunadamente, existem fenômenos como osfuracões, os terremotos, as erupções vulcânicas e osmaremotos que por suas características não é possívelevitar sua manifestação. Entretanto há que se enfatizar queos esforços que se realizam em busca da prevenção,através de diferentes trabalhos, não garantiram a nãoocorrência destes desastres.Isto devido ao fato de que as obras que se realizam
  50. 50. 49foram projetadas para suportar um evento extraordinário,cuja probabilidade de ocorrência é muito baixa. Destaforma, a obra pode ser efetiva para os eventos maisfreqüentes e menores que o previsto. Geralmente estasobras demandam recursos muito altos e que, na maioriados casos, estão por cima das possibilidades dascomunidades quanto a recursos.B) Atividades de prevençãoAlgumas das atividades que comumente se realizamnesta etapa são as seguintes:B.1) - Conservação das bacias hidrográficas com afinalidade de evitar o processo de erosão e instabilidade deladeiras, as inundações os deslizamentos e as avalanches,B.2) - Sistemas de irrigação e canalização de águaspara evitar secas,B.3) - Políticas e legislação tendentes a planificar odesenvolvimento do país a nível sócio-espacial,B.4) - Programas para controle de vetores: segundoantecedentes e regiões,B.5) - Programas de prevenção e combate aincêndios, controle de materiais químicos e radioativos emlocais estratégicos,B.6) - Métodos de conservação e uso dos recursos
  51. 51. 50naturais,B.7) - Programas de investigação dos fenômenospotencialmente perigosos,B.8) - Elaboração de mapas de riscos evulnerabilidades,B.9) - Programas de investigação dos fenômenospotencialmente perigosos,B.10) - Elaboração de mapas de ameaças,B.11) - Programas de educação e capacitação notema de desastres dirigidas a organizações ou a populaçãoem geral e,B.12) - Legislação, planificação e estímulos fiscais efinanceiros.2.11 – MitigaçãoA) Ações de mitigação:A mitigação se constitui em uma das atividades maisimportantes, já que permite levar a cabo as açõesantecipadas, com o propósito de reduzir significativamenteas conseqüências esperadas por um evento. Esta etapa émais eficiente e econômica em termos de inversão derecursos e do custo social, e se utiliza para diminuir aexposição dos elementos vulneráveis tais como pessoas, ainfra-estrutura e o meio ambiente,
  52. 52. 51As ações de mitigação devem ser incorporadas nosprogramas de planificação e desenvolvimento da áreaafetada, pela razão que é necessário levar adiante estudosde ameaças e de vulnerabilidade, os quais permitem definiras zonas mais adequadas para a realização deassentamentos humanos, atividades produtivas, reforço deedifícios e desenvolvimento de obras de engenharia.B) Atividades de mitigaçãoAs principais atividades que se podem desenvolvernesta etapa são:B.1) - Estudos de vulnerabilidade: física, social,econômica, cultural e ecológica,B.2) - Planos de ordenamento territorial com afinalidade de delimitar áreas de influência das ameaças,B.3) - Programas de reconhecimento deassentamentos humanos em zonas de menor perigo,B.4) - Reforço de edificações e estruturasvulneráveis,B.5) - Vigilância e controle na aplicação de normasde saúde pública: segurança industrial e de manejo dedesperdícios de contaminantes,B.6) - Construção de diques e represas em áreasexpostas a inundações ou trasbordamentos de rios,B.7) - Obras de conservação de solos, tais como
  53. 53. 52estabilização de talús, barreiras naturais, drenagens,canaletas para o controle de avalanches e inundações emvales da alta declividade e,B.8) - Construção de rampas para a proteção daspopulações costeiras.2.12 – PreparoA) Ações de preparo:Quando o fenômeno ou ameaça não se podemeliminar, é necessário realizar ações de preparo quepermitam organizar e planificar estrategicamente a respostadurante o desastre. Desta forma se reforçam as medidas demitigação.O preparo busca reduzir o sofrimento individual ecoletivo e se concretiza na elaboração dos planos deemergência, onde se incorporam os planos de respostaoperativa.Os planos de emergência constituem o mecanismoatravés do qual se determina a estrutura organizativa, efuncional das autoridades e organismos chamados a intervirem um desastre nos níveis regional, local ou comunitário.Assim mesmo permite estabelecer os mecanismos decoordenação e de manejo de recursos.B) Atividade de preparo:
  54. 54. 53As principais atividades de preparo são:B.1) Elaboração de Planos de Emergência:Estes devem conter atividades de prevenção,mitigação, preparo, resposta, reabilitação e reconstrução.Entre os principais aspectos a considerar estão:B.1.1) - Definição das funções dos organismosparticipantes,B.1.2) - Identificação das ameaças e áreavulneráveis,B.1.3) - Inventário de recursos físicos,humanos e financeiros,B.1.4) - Localização estratégica de recursos esuprimentos,B.1.5) - Determinação e sinalização de rotasde evacuação e áreas para alojamento temporário e,B.1.6) - Estabelecimento de uma rede decomunicações internas e de informação pública.B.2) CapacitaçãoB.2.1) - Informação à comunidade sobre asameaças da área e a forma de atuar em caso de desastre,B.2.2) - Realização de exercícios desimulação e simulados e,B.2.3) - Capacitação do pessoal que participa
  55. 55. 54na atuação em emergências.2.13 - AlertaA) Ações de alerta:O estabelecimento de alertas antes da ocorrência deum evento, depende da predicção que possa fazer-se destefenômeno.Pelas características de duração, deslocamento edesenvolvimento, que apresentam alguns fenômenos taiscomo furacões, deslizamentos, avalanches e inundações, épossível definir estados de alerta em seus três momentos.Entretanto, em outros casos de alerta se pode definirsomente no momento de impacto ( sismos e terremotos ).Os estados de alerta se declaram para que apopulação e as instituições adotem ações específicas.Pressupõe-se que os organismos de socorro ativemtambém seus procedimentos de ação preestabelecidos eque a população tome as devidas precauções.Dependendo da magnitude e da proximidade doevento, se definem três tipos de alerta, que podem seridentificados por meio de cores (verde, amarelo evermelho), ou números (1,2,3).Em alguns lugares se utilizam sistemas de alarme,
  56. 56. 55como sinais sonoros ou luminosos que se emitem para quese adotem instruções pré-estabelecidas de emergência oupara indicar o desalojamento ou evacuação imediata deuma zona de perigo.Se definem os alarmes como o aviso ou o sinal quese dá para que se sigam instruções específicas devido apresença real ou iminente de um evento perigoso.B) Atividade de alerta:B.1) Vigilância e monitoração de eventos mediante autilização de instrumentos específicos tais como:B.1.1) - Pluviômetros e sensores para medircaudais de rios e inundações,B.1.2) - Detectores de fluxo de lama edeslizamentos,B.1.3) - Redes de sismologia,B.1.4) - Redes hidrometeorológicas e,B.1.5) - Extensores, piezômetros einclinômetros para deslizamentos.B.2) Estabelecer sistemas de alarme (sirenes, alto-falantes e luzes) e a utilização dos meios de comunicação;B.3) Sistemas de detecção de incêndios evazamentos de substância;B.4) Sistemas de telefax, fax, telefone e transmissãode dados via Internet;
  57. 57. 562.14- RespostaA) Ações de resposta:A resposta é a etapa que corresponde a execuçãodas ações previstas na etapa de preparação. O objetivofundamental é salvar vidas, reduzir o sofrimento e protegerbens. Para isto se deve por em prática o plano deemergência pré-estabelecido.Nesta etapa é fundamental a coordenação de açõesinterinstitucionais previstas nos planos de emergência e decontingência. Desta forma se busca um maior grau deintegração entre os organismos responsáveis deorganização contra desastres. (Defesa Civil / ProtecçãoCivil).B) Atividades de RespostaB.1) - Busca e resgate de pessoas afetadas,B.2) - Assistência médica para a população afetada,B.3) - Evacuação da população afetada em zonas deperigo,B.4) - Alojamento temporário, distribuição dealimentos e abrigo a população mais afetada,B.5) - Segurança e proteção de bens e pessoas,B.6) - Avaliação preliminar de danos,
  58. 58. 57B.7) - Apoio logístico e,B.8) - Sistemas de comunicação2.15 – RehabilitaçãoPosterior as ações de resposta na zona do desastre,se inicia a reabilitação, sendo a primeira etapa do processode recuperação.A) Ações de reabilitaçãoNesta etapa se continua com a atenção a população,se restabelece o funcionamento dos serviços vitais, como: aenergia elétrica, a água, as vias de acesso, comunicaçõese outros serviços básicos como: saúde e alimentação.B) Atividade de Reabilitação:B.1) - Restabelecimento dos serviços básicos de:saúde, energia elétrica, educação, transporte,comunicação, água e recursos logísticos.B.2) - Restabelecimento dos sistemas decomunicaçãoB.3) - Avaliação preliminar dos danosB.4) - Quantificação de danos para a solicitação decooperação externa para a etapa de reconstrução.2.16 – Reconstrução
  59. 59. 58A) Ações de reconstrução:Os efeitos de um desastre repercutem tanto social,econômica como ambientalmente. Por isto as ações emreconstrução buscam ativar as fontes de trabalho, reativar aatividade econômica da zona ou região afetada; reparar osdanos materiais em especial em matéria de habitação e deinfra-estrutura, incorporar as medidas de prevenção emitigação do risco no processo de desenvolvimento.Por regra geral, cabe estimar que os fatores quemais influem na reconstrução são os seguintes:A.1) - A mobilização dos recursos financeiros, e aadequada quantificação de ajuda financeira interna ouexterna,A.2) - A participação do setor privado nas operaçõesde reconstrução sobre todo setor de habitação,A.3) - Dependendo do nível do desastre, organizaçãomunicipal, estadual ou nacional para a etapa dereconstrução que envolva os setores e instituiçõesresponsáveis,A.4) - A magnitude e o caráter dos danos, quedeterminam prazos de reconstrução do capital produtivo,A.5) - O nível de desenvolvimento que tenhaalcançado a população,A.6) - Incorporação das comunidades ao processo
  60. 60. 59de reconstrução,B) Atividades de reconstrução:As atividades mais importantes a executar nestaetapa são:B.1) - Coordenação interinstitucional e multi-setorial,B.2) - Canalização e orientação dos recursos edonativos,B.3)- Estabelecimento de sistemas de crédito para areconstrução de casa, infra-estrutura e a atividade deprodução,B.4)- Reconhecimento de assentamentos humanos eda infra-estrutura nos serviços básicos em zonas aptas,B.5)- Desenvolvimento de programas adequados deuso da terra e,B.6)- Aplicação da legislação existente em matériade construção sismo-resistente.3. A GESTÃO ANTI-DESASTRES
  61. 61. 603.1 – Fundamentos do PlanejamentoO processo de gestão anti-desastres consiste emuma série de medidas e atividades desenvolvidas peloesforço integrado dos Órgãos Ações Emergenciais (Corposde Bombeiros e Defesa Civil / Protecção Civil etc.), Órgãosde Planejamento Emergencial a nível Governamental(SERLA/GEROE etc.), Centros de Estudos Universitários(Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UFRJ,etc.), comunidade e governo local. A gestão tem o cunhopreponderante do contexto político sobre o contextotécnico. Neste devem ser levadas em conta três principaisarticulações:1. Articulação políticaA efetiva mitigação dos desastres não ocorresozinha. Ela é criada, ou seja, é mais ainda criada pelotrabalho duro entre as organizações governamentais,buscando reduzir a perda de vidas e propriedades emdecorrência dos desastres. A articulação política devebasear-se fundamentalmente no chamamento àconsciência dos setores políticos para com o problema,com isto busca-se obter apoio para o desenvolvimento deprojetos de ordem preventiva que deve conter os seguintesaspectos:
  62. 62. 61 Análise dos riscos e vulnerabilidades - queestima o tipo e a magnitude dos desastres quepossam ocorrer, Planejamento de resposta - que organiza aresposta a estes riscos, e que visa reduzir avulnerabilidade e, Operacionalização - que transforma planos edecisões em ações a nível da campo.Entretanto estas três importantes atividades nãopodem operar em um vácuo. O contexto, o quarto aspectodesta articulação política, é o da administraçãogovernamental, que provê as oportunidades e obrigaçõesno planejamento da mitigação dos desastres.Ambos a articulação política e a estratégia enfatizamo fato de que as três fases envolvidas na efetiva mitigaçãodos desastres situam-se na esfera da administraçãogovernamental a qual, por sua vez, afeta a eficiência e anatureza de todas as outras atividades.2. Planejamento e tomada de decisãoNão raro é difícil escolher em condições escassas derecursos os valores ideais de investimento em programasde mitigação de desastres, e a tomada de decisão pode serdominada por considerações rápidas, sem maiores
  63. 63. 62estudos, em virtude da natureza, ou da ameaça dodesastre, entretanto este fenômeno pode criar uma “janelade oportunidade” no sentido da obtenção de maior apoio erecursos para a gestão do problema, entretanto os projetos,os planos e as políticas desenvolvidas durante esta fase,podem se mostrar ineficientes e ter conseqüênciasinesperadas, o que é muito comum na maior parte dasações governamentais.A tomada de decisão governamental deve ser a maisobjetiva e compreensível possível e que possa contemplarum conjunto de estratégias alternativas, analisando-se próse contras e o custo-benefício como forma a permitir umperfeito dinamismo das ações empreendidas, sendo assimo planejamento e a tomada de decisão são porconseqüência um processo contínuo, e o desenvolvimentodas medidas de planejamento, devem ser constantementerealizadas, e não quando somente se faz necessário ouseja na fase emergencial.3. ImplementaçãoAs oportunidades de desenvolver e/ou implementarmedidas deve ocorrer no surgimento de grandes desastres.Isto é devido ao efeito temporário da alta operacionalidadeque envolve as ações de socorro, nesta fase devem ser
  64. 64. 63desenvolvidos mecanismos de forma a assegurar recursose decisões, ou seja, onde obstáculos de ordem política oude outra natureza possam aparecer durante aimplementação destes planos, estes devem ser mantidosprontos para serem postos em prática no tempo apropriado.Por outro lado a experiência mostra que os pobressão os mais vulneráveis a ocorrência de desastres, e nesteaspecto a prioridade dentro deste contexto deve ser dadono sentido de protegê-los bem como suas propriedades,alguns mecanismos podem ser o de auxílio econômico eprogramas de treinamento e capacitação frente aodesastre.Fig. 12– Interface entre as ações de Administração de Desastres4. A ADMINISTRAÇÃO DE DESASTRESPLANEJAMENTO ETOMADA DE DECISÃOIMPLEMENTAÇÃOA articulação política deve conter as demais fasesARTICULAÇÃO POLÍTICA
  65. 65. 644.1 – Mecanismos de AbordagemO campo da administração contra desastres, éfundamentalmente técnico, desenvolvido e lavado a cabopelos Coordenadores de Defesa Civl/Protecção Civil e devese concentrar nas três fases distintas anteriormente citadascomo Antes, Durante ou Depois também definidas comofases:Pré-Desastre - Desastre - Pós-DesastreFig. 13 – Fases da Administração de DesastresO campo da aplicação deste deve ser composto desoluções estruturais (HARDWARE) e de soluções nãoestruturais (SOFTWARE), a primeira se baseiaPREVENÇÃOMITIGAÇÃOPREPAROALERTARESPOSTAREHABILITAÇÃORECONSTRUÇÃOA atividade de planejamento contra desastres deve ser um processodinâmico e contínuo
  66. 66. 65fundamentalmente em projetos de engenharia comocontenção de encostas, sistemas de barragens, bacias deretardo, etc. e a segunda através de mecanismos desuporte tais como legislação de ocupação e uso do solo,treinamento comunitário etc.A primeira etapa de um processo de administraçãode desastres se faz por intermédio da Análise de Riscos (A. R. ) a qual é composta por:4.2 – Análise de RiscosA base de um Plano de Emergência consiste naelaboração de uma Análise de Riscos, a qual é uma formade se antever cenários e definir as medidas a seremimplementadas, quer em termos de mitigação (convivênciacom o risco), prevenção (evitar sua ocorrência), ouintervenção ( ação emergencial de controle)O risco é um conceito probabilístico, ou seja umafunção do produto da probabilidade de ocorrência de umevento pela magnitude de seu impacto:R= f (PxM) e,ondef- FunçãoR- RiscoP- Probabilidade de Ocorrência
  67. 67. 66M- Magnitudeou ainda:Para um conjunto de eventos distintos, temosque o risco é igual ao somatório de cada frequência econsequência (ou severidade) isolada (i), logo:Risco= FiCi logo,A freqüência pode ser expressa em:- eventos/ano, acidentes/mêsA conseqüência pode ser expressa em:- fatalidades/evento, morte/acidente, R$/evento,dias perdidos/acidenteO risco pode ser expresso em:- fatalidades/ano, dias parados/mês, R$/ano,mortes/anoComo p.ex. se em uma estrada ocorrem 100acidentes por ano F=100 acidentes/ano, se ocorre emmédia 1 morte a cada 10 acidentes: C=0,1 morte/acidente,o risco coletivo médio nesta estrada é R= 100X0,1=10mortes/anoSe transitam pela estrada 100.000 pessoas porano, o risco individual (Rind) para cada pessoa é deRind=10/100.000=10-4RISCO = FREQUENCIA X CONSEQUENCIA
  68. 68. 67A Análise de Riscos, que constitui a etapa inicial dasmedidas de planejamento, deve se basear em:2. Identificação dos Riscos - identificando os riscoslocais em função de:2.1. Freqüência / Probabilidade2.1.1. - Registro histórico desuas ocorrências ( por escrito ou segundo histórico popular)e2.1.2. - Estimativa daprobabilidade de sua ocorrência2.2. Conseqüência2.2.1. - Magnitude esperada doevento3. Descrição dos Riscos - compreendendo anatureza e a identificação dos riscos com base emdetalhadas informações sobre a:3.1. Característica do desastre - descrevendoos elementos que compõe o desastre,3.2. Forma de ocorrência - como é esperado
  69. 69. 68do desastre vir a se manifestar,3.3. Tempo de impacto - durante quantotempo se espera que os efeitos do desastre durem,3.4. Extensão do impacto - área deprobabilidade aonde se manifestará provavelmente odesastre, nesta deve ser acompanhada de doisdocumentos importantes:3.4.1. Mapa de Riscos - Mapas emescalas entre 1:50.000 e 1:25.000, aonde estarãoregistrados os principais riscos observados na região emestudo e,3.4.2. Mapa de Vulnerabilidade - Mapasem escalas entre 1:50.000 e 1:25.000, aonde estarãoregistrados os principais pontos que sofrerão a ação doimpacto do desastre tais como comunidades, construções,estruturas, meio ambiente etc.3.5. Maneabilidade do desastre - As formaspelas quais o desastre poderá ser administrado3.6. Descrição da comunidade e seu meioambiente - Contendo elementos tais como demografia,cultura, economia, infra-estrutura e meio ambiente;3.7. Descrição dos efeitos - Descrição dosefeitos esperados do desastre3.8. Priorização dos riscos - especificando os
  70. 70. 69maiores riscos em ordem de prioridade para fins deplanejamentoFig. 14 – Etapas da Avaliação do Risco4. Metas de Redução ou Mitigação - determinandoO QUÊ, ONDE, QUEM, QUANDO, COMO, será tomadocomo metas de ação, quer sejam de ação redutora, quersejam de ação mitigadora no planejamento contra odesastre.Fig. 15– Metas de Redução ou Mitigação dos RiscosAVALIAÇÃO DORISCOCOM QUEFREQUÊNCIA ?O QUE PODE DARERRADO ?COM QUECONSEQUENCIAS ?
  71. 71. 70PADRÃO PARA ESTIMATIVA DE RISCOSFig. 16 – Etapas de uma Avaliação de Riscos4.3 – Análise Preliminar de Riscos (APR)A Análise Preliminar de Riscos (APR) consiste nodesenvolvimento de um estudo prognóstico com afinalidade de se determinar os possíveis riscos a queestarão sujeitos um sistema ou comunidade.A APR é utilizada portanto para uma análise inicial"qualitativa", ou seja dentro de um caráter de análisesubjetiva ( baseada na experiência individual do analista derisco). Apesar das características básicas de análise inicial,é muito útil de se utilizar como uma ferramenta de revisãogeral das condições de segurança de uma comunidade,revelando aspectos que às vezes passariam
  72. 72. 71despercebidos.A APR teve seu desenvolvimento inicial na áreamilitar no E.E.U.U., a partir do desenvolvimento da aviaçãoà jato, posteriormente dos mísseis balísticosintercontinentais (ICBM´s), depois no desenvolvimento daExploração Espacial.A APR não é uma técnica profunda de análise deriscos e geralmente precede a aplicação de outras técnicasmais detalhadas de análise, já que seu objetivo principal édeterminar os riscos e as medidas preventivas oumitigatórias a serem implementadas em uma comunidade.A APR foi inicialmente definida pela Norma MIL STD 882 –System Safety Programm Requirements do DoD(Department of Defence – Departamento de Defesa).Na elaboração de uma APR se faz uso das tabelas aseguir
  73. 73. 72Tab. nº. 2CLASSES PARA AVALIACÃO QUALITATIVA DAFREQUENCIA DE OCORRÊNCIA DOSPERIGOS IDENTIFICADOS
  74. 74. 73Tab. nº. 3CLASSES PARA AVALIAÇÃO QUALITATIVA DASEVERIDADE DOS PERIGOS IDENTIFICADOS
  75. 75. 74MATRIZ PARA AVALIAÇÃO QUALITATIVA DOS RISCOSIDENTIFICADOSFig. 17 – Matriz da APR
  76. 76. 75Tab. nº. 4MODELO DE APR APLICADO À AVALIAÇÃO DERISCOS COMUNITÁRIOS
  77. 77. 764.4 - Modelo FEMAO modelo FEMA, é proveniente dos estudosdesenvolvidos nos Estados Unidos da América pela FederalEmergency Management Agency ( Agencia Federal deAdministração de Emergências ) e oferece um método parao planejamento e a quantificação com o objetivo de realizara gradação das emergências naquele país.O modelo FEMA utiliza quatro critérios em termos deavaliação e medida, estes critérios são descritos abaixo:1) HistóriaSe um certo tipo de evento ocorreu no passado,então é conhecido que há condições suficientes de riscopara causarem uma nova ocorrência, a menos que ascondições há muito tempo não existam, ou há menos quetenham sido substancialmente reduzidos os riscos. A faltade uma ocorrência no passado não significa entretanto quenão haja potencial emergência no futuro.2) VulnerabilidadeA vulnerabilidade como dita anteriormente, visadeterminar o número de pessoas as propriedades quepossam ser afetadas por uma emergência. O número de
  78. 78. 77fatores associados são:a) Grupos vulneráveis (idosos, crianças,desabrigados );b) Densidades populacionais;c) Localização dos grupos populacionais em relaçãoao risco;d) Localização e valores das propriedades emrelação ao risco;e) Localização de instalações vitais (ex. hospitais)em relação ao risco;3) Ameaça MáximaEsta é essencialmente a cena de "pior caso".Assumindo o mais sério evento possível e o maior impacto,e expresso em termos de casualidades humanas e perdasde propriedades. Eventos secundários ( como os incêndiosdecorrentes de explosões), também precisam serconsiderados.4) ProbabilidadeComo também já citado anteriormente, aprobabilidade é diretamente relacionada com a tendênciade um evento ocorrer e é expresso em termos de um
  79. 79. 78evento de específica intensidade de magnitude possaocorrer. É alguma conexão entre probabilidade e história,entretanto desde que alguns riscos se desenvolvemparalelamente ao progresso tecnológico sem precedentehistórico (ex. acidentes com produtos perigosos, ouacidentes nucleares), uma análise de ambas, história eprobabilidade é necessária.A) Avaliação dos RiscosA avaliação geral de pequeno, médio ou alto risco éfeito para cada critério seguindo os seguintes passos:1) HistóriaSe um evento ocorrer Avaliação0-1 vezes passados 100 anos Pequeno2-3 vezes passados 100 anos Médio4 ou mais vezes passados 100 anos Alto2) Vulnerabilidade2.1) De Pessoas Avaliação1% Pequeno1% ~10% Médio>10% Alto
  80. 80. 792.2) De Propriedades Avaliação1% Pequeno1% ~10% Médio>10% Alto3) Ameaça MáximaÁrea de Comunidade Impactada Avaliação5% Pequeno5%~25% Médio>25% Alto4) ProbabilidadeChance por ano em uma emergência AvaliaçãoMenor que 1 em 1000 PequenoEntre 1 em 1000 e 1 em 10 MédioMaior que 1 em 10 AltoESCORE E PESOPONTUAÇÃOPara cada avaliação o escore é o seguinte:Pequeno 1 PontoMédio 5 PontosAlto 10 Pontos
  81. 81. 80Alguns critérios têm sido determinados como maisimportantes que os outros, os seguintes fatores de pesotem sido estabelecidos:CRITÉRIOFATOR MULTIPLICADORHistória X 2Vulnerabilidade X 5Ameaça Máxima X 10Probabilidade X 7O escore composto para cada risco é entretantoobtido pelo fator de peso, então adicionado os quatroescores. Por exemplo:Tab. nº. 5
  82. 82. 814.5 - Modelo LocalVisando a adaptação à realidade nacional foiproposta por Araújo2, um modelo de gradação deemergências para fins de planejamento e ação operacionalde Defesa Civil / Protecção Civil.Tab. nº 6O Índice de Magnitude, M, é obtido por intermédiode:2Araújo, Sérgio Baptista de - Sistema de Avaliação de Emergências emDefesa Civil / Protecção Civil - Defesa Civil / Protecção Civil de Paraty,1992
  83. 83. 82 (A,P,VFis,VFat,S)5Sendo por meio destas, definidas a competênciaorganizacional de ação conforme a tabela a seguir:Tab. nº. 7NÍVEIS DE COMPETÊNCIA ORGANIZACIONAL
  84. 84. 83Tab. nº. 8Gradação em função do Índice de Risco
  85. 85. 844.6 – Plano de Emergência Local (PEL)O Plano de Emergência Local constitui a primeiraabordagem a ser implementada em termos práticos peloadministrador de desastres, quando nas ações iniciais deplanejamento e compõe-se das seguintes etapas docronograma abaixo:Fig. 18 – Implementação de um Plano de Emergência Local
  86. 86. 854.7 - Recursos de HardwareOs recursos de hardware constituem as medidasfísicas a serem implementadas no planejamento contradesastres, os principais recursos de usos corrente segundoa natureza do evento são:1. Proteção contra enchentesa. Barragens,b. Represas,c. Sistemas de drenagem,d. Canais artificiais,e. Bacias de controle e retardo,f. Melhoria dos cursos, margens e leitos dosrios e,g. Comportas.2. Proteção contra erosão costeiraa. Quebra-mar e,b. Piers.3. Proteção contra corrida de massaa. Reflorestamento,b. Barragem de detritos (SABO-DAM) e,c. Construção de canais.4. Proteção contra deslizamentosa. Galerias de condução de águas pluviais,
  87. 87. 86b. Galerias de drenagem de águas pluviais,c. Trabalhos de empilhamento ( Pilling Works),d. Uso de gabião manta,e. Uso de liga solo-cal-cimento,f. Argamassa,g. Inclinômetros,h. Tela de gunita,i. Muro de pedra seca,j. Muro de pedra argamassada,k. Muro de gabião caixa,l. Muro de concreto ciclópico e,m. Muro de concreto armado.5. Proteção contra rastejosa. Impermeabilização da superfície do terreno,b. Desvio e canalização das águas pluviais e,c. Drenagem profunda.6. Proteção contra erosãoa. Recomposição da vegetação e,b. Sistema superficial de drenagem.7. Proteção contra falhas de encostasa. Cortes de encostas,b. Reflorestamento,c. Construção dos muros de arrimo e,
  88. 88. 87d. Construção de barreiras de contenção.8. Proteção contra quedas de rochaa. Cercas de prevenção de quedas de rochas,b. Remoção de blocos instáveis,c. Fixação dos blocos instáveis através dechumbadores ou tirantes,d. Execução de obras de pequeno porte parasegurança da encosta rochosa ( cintas, grelhas, montantes)e,e. Redes de prevenção de quedas de rochas.9. Proteção contra secasa. Construção de represas,b. Comportas,c. Canais para ajustagem do fluxo deescoamento dos rios e,d. Desenvolvimento de lagos e pântanos.10. Proteção contra vendavaisa. Reflorestamento de proteção11. Proteção contra incêndio e explosõesa. Sistemas de detecção,b. Sistemas de alarme,c. Sistemas de escape,d. Sistemas de ventilação e tiragem,e. Dispositivos corta-fogo,
  89. 89. 88f. Sistemas automáticos de extinção,g. Sistemas manuais de extinção,h. Sistemas de trânsito (viação e sinalização)e,i. Adequação arquitetônica.12. Proteção contra acidentes de transportea. Sistemas de sinalização,b. Dispositivos de escape de veículos e,c. Dispositivos de segurança.4.8 - Recursos de SoftwareOs recursos de software constituem as medidas nãoestruturais do processo de planejamento contra desastres1. Planejamentoa. Leis de uso e ocupação do solo,b. Infraestrutura urbana,c. Localização de indústrias,d. Distribuição populacional e de densidades,e. Métodos de construção,f. Códigos e regulamentos de construção e,g. Redes de transporte.2. Preparo Organizacional e Institucional (Intensificação da capacidade de resposta ao desastre)a. Otimização do tempo-resposta,
  90. 90. 89b. Evacuação,c. Depósitos de alimentos não perecíveis esuprimentos médicos,d. Abrigos de emergência,e. Serviços de emergência ( linhas vitais deabastecimento, sistemas sanitários etc.),f. Serviços médicos e de saúde,g. Distribuição de alimentos e vestuário,h. Relações públicas,i. Centros de comando de emergência e,j. Integração aos Planos APELL ( Programade Preparação e Alerta das Comunidades),PARE ( Programa de Redução de Acidentesnas Estradas) e PAM (Plano de AuxílioMútuo)3. Preparos tecnológicosa. Sistemas de detecção,b. Sistemas de alarme,c. Sistemas de alerta,d. Sistemas meteorológicos,e. Sistemas de telecomunicação : fixa, viasatélite e móvel e,f. Sistemas de processamento de informação ,GIS (Geographic Information Systems – Sistemas de
  91. 91. 90Informações Geográficas – ver anexo “B” ) bancos dedados e protocolos de transmissão (INTERNET).4. Preparo social e Psicológicoa. Evacuação e treinamento da comunidade,b. Programas de alerta,c. Centros de prevenção de desastres,d. Centros de emergência comunitária,e. Relações públicas e,f. Assessoria de comunicação social.5. PRINCÍPIOS GERAIS PARA AADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES5.1 - ConsideraçõesHá de se considerar um conjunto de diferençasconceituais e que por vezes se misturam entre si.a) Administração de Desastres – envolvetão e somente aspectos técnicos desuporte e intervenção, com base nas fasesdescritas anteriormente para se lidar com odesastre – exemplo aplicado: umainundação em uma parte da cidade;b) Gestão de Desastres – Envolve não só astécnicas de Administração de Desastres,
  92. 92. 91mas as relacionadas com a esfera política eo envolvimento destas no processo –exemplo aplicado: uma inundação em todoo município;c) Gestão de Crise – envolve as atividadesdentro de um foco estratégico-econômicoem termos de avaliação de recursos e suadisponibilidade ao longo do tempo -exemplo aplicado: a destruição de umabarragem hidroelétrica;d) Governança de Riscos – envolve aparticipação dos mais diversos atorespolíticos, das mais diversas fronteiras eregimes políticos com a mesma finalidade -exemplo aplicado: um acidente nuclearocorrido em outro país;A Administração de Desastres já se mostrou eficienteem inúmeros acidentes graves envolvendo grande númerode pessoas. Contrariamente, a não observação dosprincípios básicos desta nova área foi responsável por errose incorreções que resultaram em lentidão e ineficiência dasoperações de socorro, diminuição da eficácia do socorroprestado às vítimas e "engarrafamento" no setor deadmissão dos hospitais por erro de evacuação das vítimas
  93. 93. 92do lugar do desastre. Isso implica em transferir a catástrofedo local do acidente para a porta dos hospitais.A originalidade do conceito da Administração deDesastres repousa em sua simplicidade e em seupragmatismo:a) organização do socorro através de uma cadeiraúnica de comando com uma organização desalvamento e outra de socorro médico;b) cada uma dessas duas cadeiras com missõesdefinidas e distintas;c) organização de um Posto de Comando no local dodesastre;d) evacuação ordenada dos feridos levando-se emconta a prioridade do tratamento definitivo e acapacidade da rede hospitalar existente. Isso implicaem uma coordenação de todos os agentesenvolvidos no socorro, tais como: bombeiros,médicos, policiais, , órgãos públicos comoiluminação, gás, limpeza, etc...Depende também da existência prévia de umalogística e de material adequado assim como de uma redede comunicação dentro da área do desastre e com asunidades de socorro envolvidas, inclusive com os hospitaisda área. Finalmente, o pessoal operacional deve ter
  94. 94. 93formação específica para atuação em casos deste porte.A catástrofe ou o grande desastre representa entãouma agressão coletiva cujas conseqüências são maisimportantes que a soma das conseqüências individuais. Aresposta a tal situação não pode ser outra senão vinda dasinstituições governamentais responsáveis pela segurança esocorro à população. Esta resposta só pode ser efetiva sebaseada em planos de ação previamente estabelecidos queotimizam as ações dos meios disponíveis. Tratar o maiornúmero de vítimas possível e não a mais grave, o maisrapidamente possível, é o principio básico da Administraçãode Desastres e de Medicina de Desastres e Catástrofes.Por razões que não parecem totalmente claras,nem sempre é explicitamente reconhecido ou aceito que oplanejamento e a gestão dos desastres comunitários sãodois processos diferentes. Talvez isto se deva ao fato deque os mesmos funcionários públicos da comunidade emgeral estejam envolvidos em ambas as atividades. Aindaassim, em certas linhas, a diferença seria óbvia. Ospesquisadores, em geral, reconhecem que o planejamentode uma pesquisa é diferente da gestão de um projetoapoiado naquela pesquisa. Sob outro aspecto, sórecentemente a Agência Federal de Gestão de Emergência(Federal Emergency Management Agency - FEMA) nos
  95. 95. 94Estados Unidos, começou a enfatizar o desempenho sobreos critérios do planejamento na avaliação das repartiçõesde gestão de emergências regionais. Aparentemente, adiferença não é óbvia para todos.5.2 - Resposta aos Grandes DesastresO sistema bem estruturado de socorro de bombeirosque já vem demonstrando eficiência ao longo dos séculosmostra-se, entretanto, ainda completamente inadaptadofrente a uma emergência de massa, pelos mais diversosfatores, tais como problemas de comando, coordenação eorganização do local do evento, dificuldade decomunicações e de suporte logístico ao local do evento.Um bom exemplo do fato foi demonstrado noterremoto da cidade do México em 1984, quando osveículos de socorro que primeiro chegavam aos locais,especialmente as ambulâncias, se viam impossibilitadas desair do local em virtude da chegada de novos socorros,causando um autêntico "engarrafamento de viaturas desocorro".Quando um acidente envolve um grande número devítimas (mais de 10 de acordo com a escola francesa oumais de 5 de acordo com a americana), a chegada de
  96. 96. 95socorros, tendo em sua composição apenas umaambulância equipada para o atendimento do evento, semostra pouco eficaz. A organização do socorro deve,nesses casos, obedecer a outra estratégia conforme serávisto mais adiante.No caso de um Grande Desastre, inúmeros fatoresestão presentes e fogem completamente á filosofia que deuorigem aos princípios básicos de Socorro. Inicialmente, omaterial e o pessoal deslocados para o socorro ideal para oatendimento de um pequeno número de vítimas éinsuficiente para um grande número de feridos.O cenário do grande acidente com stress edificuldades para gerenciar esta nova situação fazem comque as condições de trabalho se transformem em quasecaóticas. As condições de pressão, a existência demúltiplos intervenientes, a polícia, as companhias de gás,luz, de limpeza, as autoridades presentes, a imprensa, etc...Exigem uma nova organização de socorro para estescasos. Um acidente envolvendo um grande número devítimas apresenta características próprias. É um acidentebrutal, inesperado, que pode provocar destruição material econseqüências humanas graves como mortos, feridos,desaparecidos e implicados, que permanecerão comtrauma psicológico.
  97. 97. 96Todas essas conseqüências podem trazer seqüelaspara as vítimas e/ou seus familiares para o resto da vida.No caso de um acidente envolvendo um grande número deferidos se raciocinarmos do mesmo modo que naemergência convencional, seria necessário um aumentoconsiderável de pessoas, material e viaturas de socorro eambulâncias proporcionais ao número de feridos. Namaioria das vezes, isso é multo difícil de ser alcançado epraticamente impossível num curtíssimo espaço de tempo,que é um dos pilares doutrinários da Administração deGrandes Desastres.Baseado nestes fatos, a emergência, desastre oucatástrofe podem ser definidos como "INADEQUAÇÃOENTRE OS MEIOS DISPONÍVEIS E OS NECESSÁRIOSPARA FAZER FACE A UMA SITUAÇÃO DE URGÊNCIA".De forma figurativa poderíamos apresentar oproblema como "o princípio dos Três Mosqueteiros", isto é,na emergência convencional, o principio é de "todos porum", mas no Grande Desastre, "um por todos". Emconseqüência, uma organização de socorro diferente foidesenvolvida para os casos de Grandes Desastres quepassou a ser não mais do domínio da medicina pré-hospitalar, ou da medicina de desastres ou medicina decatástrofes como a definem os americanos e os franceses,
  98. 98. 97respectivamente.5.3 - Gerenciamento Operacional no Teatro deOperações (T.O.)Em eventos de grandes dimensões deve se darprincipal atenção ao aspecto do local do evento; nesteentram os fundamentos relativos à Administração deDesastres de Grande Porte e da Medicina de Catástrofes,entretanto alguns fundamentos são pertinentes a um maioraprimoramento do Comandante de Operações e o seuconseqüente emprego nestas situações.O local do evento deve ser o quanto antes, uma veztratando-se de um evento de dimensões significativas,dividido no mínimo em 2 e no máximo em 4 SetoresOperacionais (S.O). O pessoal deve estar sob um comandoespecífico em nível setorial, o qual se encarregará demanter-se ligado com o P.C., e informará sobre oandamento das operações. As atividades coordenadas decada um desses setores será em um contexto inicialcomposto de atividades de:a) Busca e Salvamento.b) Combate à Incêndio.c) Emergências Médicas.
  99. 99. 98Entretanto, com a evolução da situação, podemos terum modelo mais complexo, o que os Norte Americanoschamam de ICS (Incident Command System), o qual ébaseado no antigo modelo prussiano (alemão) de EstadoMaior Operacional. A sua estrutura básica é assim definida:Fig. 19 – Modelo Básico do ICSEm uma adaptação para a nossa realidade estariamcontempladas as seguintes funções:1. Comandante de Operações – Aquele responsável pelogerenciamento e coordenação de todas as atividades noT.O. (Chamado nos EEUU de Incident Commander).2. Chefe de Comunicações – Responsável por todos ossistemas de comunicações da operação.3. Chefe das Atividades Morgue – Responsável por todasas atividades envolvendo o reconhecimento e a remoçãode cadáveres.4. Chefe das Atividades Médicas – Responsável pelatriagem das vítimas, seu atendimento e remoção para osCOMANDANTEDO INCIDENTEPLANEJAMENTO LOGÍSTICA FINANÇAS OPERAÇÕES
  100. 100. 99hospitais de referência.5. Chefe das Atividades de Combate a Incêndio –Responsável pelo comando das atividades de extinção,ventilação e abastecimento.6. Chefe das Operações de Busca – Responsável pelasatividades de localização de vítimas.7. Chefe das Atividades de Resgate – Responsável peloresgate das vítimas localizadas.8. Chefe de Suporte de Alimentação – Responsável pelaalimentação de todo contigente envolvido na operaçãoquando o tempo de envolvimento desta ultrapassar 6horas.9. Chefe de Operações Aéreas – Responsável pelacoordenação, operações e emprego das aeronaves noespaço aéreo do evento.10.Chefe de Apoio de Material – Responsável pelosuprimento de material operacional e apoio ao evento.11.Chefe de Apoio de Viaturas – Responsável peloemprego, coordenação, acionamento e controle dasviaturas no local do evento.12.Chefe de Operações de Máquinas – Responsável peloemprego, coordenação, acionamento e controle dasmáquinas específicas no local do evento.13.Oficial de Comunicações a Imprensa - Conhecido como
  101. 101. 100oficial de Relações Públicas (no sistema ICS érepresentado pelo PIO – Public Informations Officer),mantém estreito contato com a imprensa e com aspessoas diretamente envolvidas com as conseqüências doevento, como os familiares, proprietários etc.14.Chefe de Controle Operacional – É o responsável juntoao Comandante de Operações das anotações e controledos outros elementos do sistema de gerenciamento;15.Supervisor de Segurança das Operações – É oresponsável pela segurança das operações, especialmentede todo o efetivo envolvido;
  102. 102. 101CHEFE DASATIVIDADES DEBUSCACOMANDANTEDAS OPERAÇÕESCHEFE DASATIVIDADES DERESGATECHEFE DASATIVIDADESMÉDICASCHEFE DASATIVIDADESMORGUECHEFE DE APOIODE MATERIALCHEFE DESUPORTE DEALIMENTAÇÃOCHEFE DE APOIODE VIATURASCHEFE DECOMUNICAÇÕESOFICIAL DECOMUNICAÇÕESÀ IMPRENSACHEFE DEOPERAÇÕESAÉREASCHEFE DEPESSOALSUPERV.DE SEG.DAS OPERAÇÕESCHEFE DEOPERAÇÕES DEMÁQUINASCHEFE DEOPERAÇÕES DECOMB. INC.CHEFE DECONTROLEOPERACIONALFig. 20- Estruturação do Sistema Integrado de Comando Operacional –SiCOpCBMERJ3A nível internacional se tem como referência para finsde Medicina de Catástrofe:3Modelo proposto por Sérgio Baptista de Araújo durante a função deChefe da 3 ª Seção do Estado Maior Geral do CBMERJ
  103. 103. 1025.4 - Acidentes com Múltiplas Vítimas (AMV) -Classificação- Nível 1 – Entre 5 e 10 Vítimas- Nível 2 – Entre 11 e 20 Vítimas- Desastres – Número de vítimas superior a 21Na triagem de vítimas decorrentes de múltiplascasualidades deve sempre que possível utilizar-se o Cartão detriagem de Vítimas, conforme já o fazem as organizações deAPH (Atendimento Pré- Hospitalar) nos mais diversos paísesdo mundo com base no modelo a seguir, bem como o SistemaSTART (Simple Triage and Rapid Treatment) de triagemrápida de múltiplas causalidades, utilizado principalmente emMedicina de Catástrofe.O termo “TRIAGEM” palavra de origem francesa“Triage” que significa “pegar, selecionar ou escolher”,em Medicina de Catástrofe refere-se a um processo utilizadoem situações onde a emergência ultrapassa a capacidade deresposta da equipe de socorro. É utilizado para alocarrecursos e hierarquizar o atendimento de vítimas de acordocom um sistema de prioridades, de forma a possibilitar oatendimento e o transporte rápido do maior número possívelde vítimas, no menor tempo possível.O primeiro socorrista que chega numa cena da
  104. 104. 103emergência com múltiplas vítimas enfrenta um grandeproblema. A situação é diferente e seus métodos usuais deresposta e operação não são aplicáveis.Portanto, logo que chegam na cena, esses primeirossocorristas devem avaliá-la, pedir reforços adicionais eprovidenciar a segurança do local para, só então, dedicarem-se a seleção das vítimas enquanto as novas unidades desocorro deslocam-se para o local da emergência.Esses socorristas aproveitam assim o seu tempo da melhormaneira iniciando um processo de triagem. Este é o primeiropasso para a organização dos melhores recursos Teatro deOperações / Cena da Emergência.É de responsabilidade do socorrista que primeirochegar ao local do acidente múltiplo, montar um esquema eseparar as peças de um desastre de forma a propiciar omelhor cuidado possível a cada pessoa envolvida, solicitandorecursos adicionais e reforço para atender adequadamente aocorrência.Em resumo, o processo de triagem é usado para salvar omaior número de vítimas possível, escolhendo aquelas queapresentam maiores possibilidades de sobrevivência. Oprimeiro a chegar na cena deve dedicar-se à seleção dasvítimas, enquanto chegam as unidades de apoio.
  105. 105. 104O Sistema START (Simple Triage and Rapid Treatment)atualmente é o modelo adotado pela Associação de Chefes deBombeiros do Estado da Califórnia nos EUA. Este permite triaruma vítima em menos de um minuto.Esse método foi desenvolvido para o atendimento deocorrências com múltiplas vítimas, pois permite a rápidaidentificação daquelas vítimas que estão em grande risco devida, seu pronto atendimento e a prioridade de transporte dosenvolvidos mais gravemente feridos.5.4.1 Código de Cores no Processo de Triagem- Cor VermelhaSignifica primeira prioridade:São as vítimas que apresentam sinais e sintomas quedemonstram um estado crítico e necessitam tratamentoe transporte imediato.- Cor AmarelaSignifica segunda prioridade:São as vítimas que apresentam sinais e sintomas quepermitem adiar a atenção e podem aguardar pelotransporte.- Cor VerdeSignifica terceira prioridade:São as vítimas que apresentam lesões menores ou
  106. 106. 105sinais e sintomas que não requerem atenção imediata.- Cor Cinza ou PretaSignifica sem prioridade (morte clínica):São as vítimas que apresentam lesões obviamentemortais ou para identificação de cadáveres.O mesmo princípio é aplicado como padrão no Cartãode triagem das VítimasFig. 21 – Cartão de triagem de Vítimas do Grupamento de Socorro de Emergênciado CBMERJCores de Setorização das áreas de Triagem deVítimasAs organizações de resposta a emergências devem terdisponíveis um conjunto de plásticos na dimensões 3 x 3mnas seguintes cores:
  107. 107. 106Verde – Para feridos em condições de serem liberadosAmarelo – Para feridos aguardando remoçãoVermelho – Para feridos com remoção urgentePreta – Para óbitos5.4.1 Fluxograma do Processo STARTNa abordagem das vítimas o seguinte fluxograma deveser aplicado como forma de protocolo operacionalFig. 22– Fluxograma START
  108. 108. 1075.5– Organização do Local do EventoO local deve ser ao longo do tempo deenvolvimento das guarnições, e das ações de socorro,configurado e ajustado ao perfeito funcionamento, acesso eação coordenada entre as várias organizações quetrabalharão no local.Alguns pontos são dignos de destaque sendo umdeles a importância da manutenção das vias de acesso,com um controle adequado devendo haver um acessoespecífico para viaturas de socorro e outro paraambulâncias. Outro ponto a ser considerado, é o daconstrução do heliporto, o qual deve ser construído em umaárea livre de obstáculos, longe de fiação elétrica e com umadimensão triangular de cerca de 30m de lado, em virtude deser este o espaço previsto para o pouso das maioresaeronaves de asa rotatória em uso no país, para talfinalidade, como o BlackHawk UH-60 e o AerospatialleSuper Puma CH-34 (Força Aérea Brasileira e MarinhaBrasileira).Deve ser também levado em conta um acessoespecial para a retirada das vítimas, para o Posto deTriagem (P.T.M.), para a devida classificação e remoção.Para uma melhor visualização deve-se observar afigura seguinte a qual aborda todos os aspectos discutidos
  109. 109. 108anteriormente.Fig. 22 - Organização do local do evento
  110. 110. 1096. ADMINISTRAÇÃO DE DESASTRES NOBRASILNo Brasil prevaleceu a nomenclatura “Defesa Civil” aqual foi implementada a partir das necessidades geradasno sentido de se ter um único órgão de coordenaçãooperativa, a partir das enchentes ocorridas 2 de janeiro de1966, as quais deixaram um quadro de 200 mortos e 50 mildesabrigados no então Estado da Guanabara, 250 mortos e80 mil desabrigados no então Estado do Rio de Janeiro,após 12 horas de chuvas em que os lugares mais afetadosforam a Rocinha, Morro de Santo Amaro e Praça daBandeira; no dia 11 de Janeiro de 1966, quando em apenasem naquele dia foram registrados mais de 237 mm deprecipitação, o que não ocorria desde 1883, no anoseguinte 1967, após dois dias em que se teve um índicepluviométrico de 1.985mm (em quanto que em um anointeiro a média é de 1084 mm), dessa forma se teve umquadro de 300 mortos e 25 mil desabrigados, a grandemaioria decorrente do desabamento dos edifícios da RuaGeneral Glicério, no Bairro das Laranjeiras, no entãoEstado da Guanabara. A magnitude de tais desastres levouo estado, à incapacidade de responder de forma efetiva ecoordenada, de todos eventos, contando apenas com umaúnica organização de resposta a socorros, o CBEG, Corpo
  111. 111. 110de Bombeiros do Estado da Guanabara.o que levou oGoverno Federal a criar um órgão específico para lidar coma questão até então gerenciada pela SUNAB,Superintendência Nacional do Abastecimento.Fig. 23 – Enchentes na Guanabara - Rio de Janeiro – 20/01/1967 –Desabamento Edifícios Rua General Glicério – 200 mortos 300 feridosNão havia até então um único órgão queconcentrasse as ações de Defesa Civil, como um todo, osquais são baseados no fundamento da Administração dosDesastres em função de suas fases de ação: FASE
  112. 112. 111PREVENTIVA - FASE EMERGENCIAL - FASERECUPERATIVA e FASE ASSISTENCIALNo Brasil o Sistema nacional de Defesa Civil –SINDEC é regulado através do DECRETO Nº 5.376 DE 17DE FEVEREIRO DE 2005 o qual Dispõe sobre o SistemaNacional de Defesa Civil - SINDEC e o Conselho Nacionalde Defesa Civil, e dá outras providências.As ações de Defesa Civil são articuladas pelosórgãos do SINDEC e objetivam, fundamentalmente, aredução dos desastres, que compreendem os seguintesaspectos globais:I - a prevenção de desastres;II - a preparação para emergências e desastres;III - a resposta aos desastres;IV - a reconstrução e a recuperação.Para fins de melhor definição tem-se:I - Defesa Civil: o conjunto de ações preventivas, desocorro, assistenciais erecuperativas destinadas a evitar ou minimizar osdesastres, preservar o moral da população e restabelecer anormalidade social;II - Desastre: o resultado de eventos adversos,naturais ou provocados pelo homem sobre um ecossistema

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