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VIVÊNCIAS DE UM APRENDIZ      O livro conta a história completa da saga de umjovem que, após sofrer os revezes de uma gran...
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O AUTOR            O autor, Francisco Donizeti da Silva (M.R. Smith)nasceu em Nova Olímpia, uma pequena cidade do noroeste...
número 278.171, Livro: 501, Folha: 331, datado de 17 dejaneiro de 2003, com todos os direitos autorais reservados.        ...
Parte I          O aprendiz estava sentado à cabeceira de suacama, na velha pensão onde morava desde que chegou aCuritiba,...
nada. No entanto; era fato consumado que agora ele olhavapara o seu quadro pela última vez. Aquele desconhecidomisterioso ...
Tudo começou há mais ou menos três anos atrás,quando já imbuído de um sonho antigo de vencer na vida,resolveu partir da pe...
nos é permitido, como num livro, viver os episódios emseqüências diversas. No livro da vida, temos que gravar acada dia su...
passavam por aquela velha pensão, muitas vezes o fizeramfraquejar. Por lá passava gente boa, mas a grande maioria,tratava-...
Depois de muitas tentativas durante quase doisanos em Curitiba, o rapaz resolveu esquecer a idéia detrabalhar nas empresas...
sonhar e seguir seus sonhos. Por causa desse exemplo dopai, ainda teimava em tentar algum futuro na capital. Tinha osonho ...
- Sim, respondeu Carlos - mas um supermercadode grande porte é muito diferente da mercearia Santa Clara demeu pai.        ...
E assim, uma semana depois, o aprendiz estavaempregado como caixa do Supermercado Bom Preço. Osalário não diferenciava daq...
Isso ele nunca ia esquecer. Dessa forma, saía na noitecuritibana, sem se deixar cair por suas armadilhas cruéis.          ...
sobre a minha origem humilde e o meu trabalho - pensava eleangustiado.          Essa situação ficou insuportável quando Pa...
situação porque só assim poderia permanecer perto damenina. Por outro lado sentia-se ferido no ego. Desejava atodo custo s...
- O que a senhora quer insinuar dona Tereza? Achaque virei um marginal só porque saio de noite e volto tarde? Asenhora est...
Por ironia do destino, quem mais sentiu a mudançade comportamento em Carlos foi Patrícia. Ele não era maisaquele por quem ...
de sua classe social, justamente pelo fato de os mesmosestarem ofuscados pelo brilho falso do glamour e do status.Aquele r...
antigas fantasias artificiais. Resolveu dar um basta no namorocom Carlos, afastando-se definitivamente.          Deu-se in...
capaz de reatar qualquer relacionamento. Na noite marcadaforam os dois para o lugar onde morava o bruxo. Vendo osprocedime...
Naquele dia, Carlos acordou disposto a por um fimem tudo aquilo. Iria pedir as contas ao Seu Jonas, fazer asmalas e voltar...
- Bem meu rapaz, sua cabeça é seu guia. Mas voulembrar-lhe que os amores da juventude vêm e passam. Vocênão pode jogar tud...
- É meu filho. Aqui no supermercado você não terágrandes chances de progresso. Muito embora com todos ospercalços por que ...
- Por favor Carlos ouça primeiro tudo o que tenho alhe dizer, só depois faremos o acerto de suas contas se vocêo desejar, ...
vinha de uma família de posses e todo o resto se completavapor nós. Não tínhamos muitos problemas. Foi quando derepente, p...
terras em Mato Grosso do Sul. O único que desperdiçou empouco tempo o sacrifício de uma vida inteira de meu velho paie min...
cerveja na praia. Meus únicos bens materiais nessa épocaeram; uma mala velha com algumas peças de roupas sujas euma caixa ...
confiança para a dona do lugar, sabíamos que não seríamosperdoados. Teríamos que pagar ou a velha chamaria a polícia.Nesse...
Adormeci em um canto qualquer da mata e sóacordei na manhã seguinte quando o sol já se despontava altono horizonte. Só aí ...
de comida. Travamos uma breve conversa informal, quandonotei que aquele senhor demonstrava interesse por mim.          - V...
vivia ali isolado da civilização, como um ermitão há poucomais de dois anos. Foi o lugar onde ele finalmente disse terenco...
- Puxa! Nem imaginaria que um homem bemsucedido como o senhor já passou por tudo isso – disseCarlos; pela primeira vez int...
toda região e ele regularmente atende grupos de quatro a seispessoas para um retiro de evolução espiritual que dura dequin...
floresta que enfeitiça as pessoas e que abusa sexualmentedos jovens que lá vão em busca de resultados mágicos.Coisas desse...
Uma semana depois daquela conversa, o aprendizpreparava-se para conhecer mestre José. Já lera muitashistórias de pessoas q...
Depois de uma breve pausa para alimentação emMorretes, com o trajeto do caminho desenhado à mão porseu Jonas, Carlos foi l...
frontal da casa um letreiro habilmente trabalhado, com aseguinte mensagem: "SOU APENAS UM APRENDIZ E ESTOU NESTE MUNDO    ...
cumprir a sua missão de ajudar os outros a descobrirem seucaminho.           - Quem precisa de isolamento total a partir d...
aprendizado nesses dias, porque não há um minuto se quer aperder visto que o vosso tempo é curto e o meu também.Todos que ...
A primeira semana de treinamento tratou daadaptação à vida isolada da civilização, conhecimento da vidade cada um, bem com...
primeiro exercício. O exercício da amizade e da troca deexperiências.          No final do sexto dia, como que encerrando ...
repetido por alguns dias e seria a base de todo o“treinamento”.            Uma exigência que chamou a atenção dos jovensfo...
Um       fato   curioso,   percebido    por   todos   osparticipantes notado logo nos primeiros dias era que após asubida,...
O mestre deu uma longa pausa seguido de umsilêncio geral dos participantes.              - Da mesma forma as coisas funcio...
para o bem e para a evolução, creio que a vida continuasempre de uma maneira melhor e mais elevada. Entretanto,tudo que eu...
Deus e que nada que vem de Deus não tem fim, estarãorealmente espiritualmente desenvolvidos. Isso não deve serimposto a vó...
E isso faziam sem terem comido coisa alguma antes e durantea estada lá em cima. Os participantes reclamavam ao mestrepois ...
espiritual. Além de tudo isso, era uma regra e devia serseguida à risca – dizia ele.           Na manhã seguinte, com a al...
é isso que quero passar a vocês é justamente o fato de quenão existe um caminho específico para atingir a iluminaçãoespiri...
vós. Basta aprender a realizar o exercício que mantém todo ouniverso em funcionamento e que é a chave da iluminaçãoespirit...
os aprendizes meditassem sobre elas. Todos ficaram calados.Um silêncio profundo. Fazia parte das regras rígidas ditadasnos...
do Pai-nosso, mas que fizéssemos isso de uma maneira bemsimples e espontânea. - Replicou Suzana.          - Pois é - conti...
oração. E, suplicava para que a partir de agora, pelo resto desua vida orasse daquela forma. Esse é um dos segredos daoraç...
somente na cabeça de Carlos, mestre José dirigiu-se ao grupoe falou:           - Meus amigos, não se enganem. A evoluçãoes...
dizer. Verdades que não me pertencem, porque são verdadesuniversais. Assim, não se preocupem pois esses dias de retiroretr...
Na   manhã    seguinte    lá      estavam   os   jovensnovamente no cume da montanha para ouvirem as históriasdo velho ere...
infância. Mas depois eu evoluí intelectualmente e achei tudoaquilo muito simples e ridículo para mim. Que grande mal eucau...
- Meus amigos; vocês não precisam entenderliteralmente tudo o que estou falando agora. - falou o mestre. -Entretanto, peço...
para manifestar a glória de Deus. E mais uma vez; não seesqueçam: Deus está nas coisas mais simples.          - Senhor Jos...
salvação que um homem culto. E podem aprender por outroscaminhos. Não se esqueçam jamais destas palavras: ocaminho para De...
Isso que procuro passar aos aprendizes que aquivêm, levei muitos anos para assimilar sozinho. Por issopercebi como é impor...
sem nunca aprender com os erros até que chegássemos aofundo do abismo. Jesus passou quarenta dias de provação nodeserto e ...
um circulo vicioso de prepotência que eu mesmo havia criado.Daí para os vícios foi um passo. Primeiro veio o vício do jogo...
Deus. Aqueles que ensinavam que o poder de Deus nadamais era que um pensamento em nossa mente. Agora euachava que tudo aqu...
essa liberdade financeira que o dinheiro me proporciona paraexecutar o meu trabalho de espiritualização.          Quando m...
Em seguida mestre José contou a história de seuJonas. Foi ouvido atentamente por todos os jovens,principalmente por Carlos...
Naquela noite o mestre José pediu para que todosao deitar fizessem uma oração especial para que Deus osiluminassem visto q...
cantil de água e a Bíblia; objetos sempre presentes, mesmonos dias de jejum. Dessa vez havia algo mais na bolsa. Umasacola...
prato que alimentará o homem. Noutras palavras, podemcontribuir de diversas maneiras para a evolução da vida.          Ent...
terra) foram criados e mantidos pelo poder daquela grandeluz. A terra também respeitava e temia a grande luz porquelhe era...
- Dessa forma ocorreu a minha iluminaçãoespiritual. Espero que vocês encontrem à luz. Cada um à suamaneira. Minha história...
- Faça a sua parte - Dizia a voz da sua consciência.            Após o almoço no alto da montanha todos osaprendizes estav...
olheis os nossos pecados mas a fé que anima estes vossosseguidores. Dai-nos segundo o vosso entendimento a paz e aunidade....
confessar ao mestre que havia encontrado muito mais do quebuscava.           - Vim em busca de um alento para a minhadesil...
Durante a viagem de volta, a morosidade daviagem de trem e as belezas da serra do mar fizeram Carlosdivagar pelo mundo da ...
todos os setores de sua vida que o rapaz adormeceu...            Em pouco tempo passou a ter uma espécie desonho místico o...
Agora; o seu sonho intuitivo o havia presenteadocom uma idéia bem original. Viu-se pintado um quadro no qualretratava sua ...
especial; mas sim a missão de todos os homens. Trabalhar,progredir e ajudar a construir um mundo melhor para todos.       ...
Vivencias de-um-aprendiz
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Vivencias de-um-aprendiz

  1. 1. VIVÊNCIAS DE UM APRENDIZ A história completa Francisco Ferreira (Mr. Smith) Nova Edição – Abril de 2006 Ilustrações: Alex G. S .
  2. 2. VIVÊNCIAS DE UM APRENDIZ O livro conta a história completa da saga de umjovem que, após sofrer os revezes de uma grandemetrópole, culminado por uma amarga desilusão amorosa,refugia-se na solidão das montanhas da serra do mar doParaná em busca de um novo sentido para a sua existência.Lá aprende, junto a um velho eremita, valiosos segredos danatureza que mudarão drasticamente os rumos de sua vida.De uma maneira surpreendente, o jovem sintetiza todo esseaprendizado em uma pintura magnífica que lhe abre asportas de um novo mundo, onde ele realiza todos os seussonhos mais grandiosos. Um Romance cheio de mistérioque revela as grandes verdades da vida que estão veladassob as coisas mais simples da natureza, prontas para seremdecifradas por quem realmente estiver disposto a aprender.Nesta obra, encontramos um universo fantástico deverdades essenciais da vivência humana, apresentadas em SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 2
  3. 3. um enredo coerente, apaixonante e edificador,imprescindível a todos aqueles que buscam oautoconhecimento. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 3
  4. 4. O AUTOR O autor, Francisco Donizeti da Silva (M.R. Smith)nasceu em Nova Olímpia, uma pequena cidade do noroesteparanaense em 17/07/67 e estuda as leis universais que regem a vidahumana, sem vínculos religiosos de quaisquer natureza, desde 1989.Fez diversos cursos sobre parapsicologia, neurolingüística,autoconhecimento e poder da mente em Maringá, Umuarama eToledo. Publicou três livros sobre esses temas: "A Magia do PoderMental (1994)"; "Manual do Autoconhecimento (1997)" e "ComoUtilizar o seu Infinito Poder Criador" (1998), distribuídos nas regiõesnorte e noroeste do Paraná pela Livraria e Distribuidora Bom Livrode Maringá. Seu último livro (Como Utilizar o seu Infinito PoderCriador), foi adotado por uma psicóloga de Maringá em 2.000 comoleitura auxiliar no tratamento de seus pacientes. Vivências de umAprendiz; seu primeiro livro de ficção, inaugura uma nova fase emsua ideologia de vida, mais madura e realista.Este livro está devidamente registrado no Escritório deDireitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional sob o SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 4
  5. 5. número 278.171, Livro: 501, Folha: 331, datado de 17 dejaneiro de 2003, com todos os direitos autorais reservados. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 5
  6. 6. Parte I O aprendiz estava sentado à cabeceira de suacama, na velha pensão onde morava desde que chegou aCuritiba, olhando para um quadro pendurado na parede, quehavia pintado há alguns dias com o intuito de expressar oresultado de um aprendizado que inconscientemente vinhabuscando para sua vida desde a adolescência. E queencontrou de uma maneira estranha e inesperada no meio deuma floresta na serra do mar paranaense. O objetivo inicialquando da pintura era apenas de enfeitar o seu quarto, aomesmo tempo em que seria uma lembrança viva, semprepronta a reativar o conhecimento espiritual adquirido nasúltimas semanas, conhecimento que mudaria para sempretodo o rumo de sua vida, muito além de suas melhoresexpectativas. Na realidade, o quadro tinha um valor inestimávelpara ele. Entretanto; isso era uma coisa pessoal, já que omesmo simbolizava a maior conquista a que um ser humanopossa almejar: a felicidade pessoal. Para as demais pessoaspoderia não valer mais que alguns míseros reais, para outros SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 6
  7. 7. nada. No entanto; era fato consumado que agora ele olhavapara o seu quadro pela última vez. Aquele desconhecidomisterioso o havia convencido a dispor-se do mesmo. Envoltonesses pensamentos, com os olhos fixos no quadro, suaimaginação voou ao passado para o tempo em que buscava afelicidade constantemente no mundo sem nunca tê-laencontrado, pois ninguém o havia ensinado que a felicidadedevia ser buscada e encontrada dentro de si mesmo. Sóagora ele compreendia que independente das condiçõesexternas a que um homem possa ser submetido, ele podeencontrar a felicidade e a alegria de viver. Quem encontradentro de si a felicidade que vem do alto, pode viver emplenitude, mesmo que esteja exteriormente trancafiado nasgrades de uma prisão, numa favela, no meio de uma florestaou num hotel cinco estrelas. É difícil ao homem medianochegar a essa conclusão. Mas agora ele compreendia isso esabia que essa compreensão por outro lado não suprimiaseus sonhos de evolução; de voar cada vez mais alto. Emboraagora compreendesse que isso poderia ser buscado de umamaneira mais serena e tranqüila. Não se pode apressar osdesígnios de Deus - pensava. Envolvido por estaslembranças, sua mente foi trazendo de volta todas asexperiências vividas nos últimos anos... SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 7
  8. 8. Tudo começou há mais ou menos três anos atrás,quando já imbuído de um sonho antigo de vencer na vida,resolveu partir da pequenina cidade de Nova Olímpia, nonoroeste do Paraná, onde nasceu e viveu sua infância,carregando um sonho de vencer na cidade grande. A tristezaque levou consigo ao deixar para trás os parentes e amigosmais íntimos seria um espinho que ele carregaria na alma pormuito tempo. No entanto, sabia que esse era o preço quetodos os homens têm de pagar quando são chamados porsuas aspirações e ambições, a realizar coisas maisgrandiosas e alçar vôos maiores, longe do confortável eseguro ninho que é o seio da família. Ele sabia que não tinhao privilégio de ser como as árvores que, sem nunca sair dolugar, conseguem cumprir a sua missão na Grande Obra daCriação. Entendia que o homem ao contrário, tem de vagar deum lado para outro para traçar o seu destino, representando,como um ator numa peça de ficção, muitas vezes por linhastortuosas, o destino que a Mão Sagrada escreveu. Agorasabia que todos nós somos intérpretes de Deus. Aos poucos,vamos percorrendo o livro da vida, página por página. Não SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 8
  9. 9. nos é permitido, como num livro, viver os episódios emseqüências diversas. No livro da vida, temos que gravar acada dia sua história, com suas surpresas e seus dissabores.Para o Criador do livro da vida, nosso destino pode já estartodo escrito, com suas linhas, vírgulas e, cujo ponto final é Elepróprio. Para nós, os aprendizes, nada está escrito. Somoscriadores do nosso destino, os continuadores da criação deDeus. Esse é o nosso grande objetivo; continuar a GrandeObra. Só agora Carlos compreendia tudo isso e muitomais. Ainda era um aprendiz, como todos os homens o são,desde o mais ignorante até o mais sábio de todos. A diferençaera que agora estava apto a evoluir pelo caminho que todosos homens inevitavelmente têm de percorrer, às vezes aindaaqui neste mundo, bem como em outras dimensões da vida,nas muitas moradas que habitaremos na grande casa deDeus: o caminho da evolução espiritual. Durante os dois primeiros anos de aprendizado noscaminhos tortuosos da cidade grande, Carlos encontroumuitos inimigos que constantemente o desviavam do rumoque ele desejava percorrer para a realização dos seussonhos. O convívio com almas de todas as espécies, que SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 9
  10. 10. passavam por aquela velha pensão, muitas vezes o fizeramfraquejar. Por lá passava gente boa, mas a grande maioria,tratava-se de pessoas desajustadas na vida. Seres solitáriosque, em busca de um destino melhor acabavam destruídospelo álcool, pelas drogas e outros vícios como o desânimo e adesilusão que são, como aqueles, igualmente destrutivos.Muitas vezes pensou em sair daquela pensão, pois poderiaacabar como um daqueles nômades que por ali passavamdeixando apenas lembranças de cenas tristes e melancólicas.Melancolia esta que já parecia incutida nas paredes do lugar.Parecia contagiar até mesmo os mais entusiasmados novosinquilinos em pouco tempo. Muito embora o lugar parecesseinóspito, Carlos era uma pessoa que não gostava de vivermudando de um lugar para outro. Além disso, com os poucosrecursos que recebia nos empregos que arrumava, nãoconseguiria um lugar muito melhor que aquele na capital.Assim foi ficando, acomodado naquela velha pensão nosúltimos anos. As únicas mudanças que ele fez neste tempoforam algumas trocas de emprego, pois nunca estavacontente com o mísero salário que as empresas pagavampela dura labuta diária para cumprir as metas terríveisestabelecidas nas linhas de produção. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 10
  11. 11. Depois de muitas tentativas durante quase doisanos em Curitiba, o rapaz resolveu esquecer a idéia detrabalhar nas empresas com a esperança de progredir nahierarquia da cadeia produtiva. Percebeu que as chanceseram mínimas. Pensou então em abandonar aquela vidasolitária, voltar para sua cidadezinha e levar a vida como Deusquer. Não sentiria vergonha em voltar depois de uma tentativafrustrada. Pelo menos ele havia tentado, quando a maioria daspessoas, temendo as incertezas do caminho, preferiampermanecer sugando a energia e os bens de seus pais, atémuito depois do tempo estabelecido pela natureza do serhumano. Era isso que não o conformava. Seus pais já haviamfeito a sua parte. Cuidaram dele até quando ele necessitavade cuidados especiais. Dali em diante, achava que todohomem deveria alçar vôos rumo ao seu destino. Foi assim queseu pai o havia ensinado. E ensinado da forma mais correta:através do exemplo. Seu pai, embora filho de um comerciante abastadoda capital paulista, não pensou duas vezes quando tevevontade de buscar o seu caminho. Viajou rumo aodesconhecido junto a diversos outros emigrantes que vieramcolonizar o Norte do Paraná. É claro que o aprendiz sabia queo pai não havia conquistado muita coisa, mas tinha ousado SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 11
  12. 12. sonhar e seguir seus sonhos. Por causa desse exemplo dopai, ainda teimava em tentar algum futuro na capital. Tinha osonho de se formar em Administração de Empresas, além demuitos outros que não podiam ser concretizados, dentro daspossibilidades do pai, bem como da localização de sua terra,longe de qualquer Faculdade ou Universidade. Naquele dia, Carlos - esse era o nome do aprendiz- pela primeira vez na vida, resolveu contar essa história paraa dona Tereza, proprietária do pensionato, para justificar osúbito desejo de voltar à casa dos pais. - Carlos; você é o inquilino mais honesto, correto ecomportado que já passou pela minha pensão. Não quero quevá embora daqui. Por essas e outras vou fazer alguma coisapor ti. Nunca mais vou achar um bom pagador como você -brincou ela. - O que a senhora quer dizer? - Sou amiga de um pequeno empresário, dono deum supermercado no centro da cidade e vou pedir para elearrumar um emprego para você. Você me disse quetrabalhava no caixa do mercadinho de seu pai, não é? SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 12
  13. 13. - Sim, respondeu Carlos - mas um supermercadode grande porte é muito diferente da mercearia Santa Clara demeu pai. - Ora; Seu Jonas, dono do Supermercado BomPreço, não precisa saber dos detalhes. Basta saber que vocêjá trabalhou como caixa e que é um bom moço. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 13
  14. 14. E assim, uma semana depois, o aprendiz estavaempregado como caixa do Supermercado Bom Preço. Osalário não diferenciava daqueles pagos pelas empresas emque ele trabalhou. Entretanto, era um trabalho maisapropriado a ele pelo fato de já estar acostumado com a rotinado trabalho de balcão. Sem dúvida o trabalho nosupermercado era muito melhor do que as linhas de produçãodas grandes empresas. Depois que arrumou esse emprego, Carlos tinhamais ânimo para sair à noite, coisa que quase não fazia antesporque chegava do trabalho exaurido e só queria cama. Oúnico problema era que a noite na cidade grande o assustava.Era perigoso até se divertir. Era o perigo dos trombadinhas, daviolência gratuita, tão comum nas grandes cidades; o perigodas drogas, sempre a espreita para tentar uma brecha na suavida. Apesar de tudo, nunca se deixou levar pelos caminhosdo mal. Seu pai o havia ensinado. O velho falava pouco, poisera de muito pouca conversa; mas sabia transmitir de formaprofunda e incutir na alma do filho os bons ensinamentos,porque o ensinava da forma mais correta: através do exemplo. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 14
  15. 15. Isso ele nunca ia esquecer. Dessa forma, saía na noitecuritibana, sem se deixar cair por suas armadilhas cruéis. Numa dessas noitadas em uma danceteria docentro da cidade, Carlos conheceu uma garota que balançouseu coração. Era a primeira por quem ele havia se apaixonadode verdade na cidade grande. E, a paixão foi recíproca.Naquela noite, os dois se divertiram e se confidenciaramapaixonados um pelo outro. Depois disso, passaram a seencontrar freqüentemente, cada vez mais apaixonados. Carlosconfidenciou toda a sua história e em pouco Patrícia jáconhecia toda a sua vida e ele a dela. Foi aí que surgiu o primeiro conflito na vidaamorosa dos dois. Patrícia era filha de um rico empresário dacidade e sempre andava cercada de seguranças. E o que épior; de pretendentes ricos. Muito embora ela não desseconfiança a nenhum dos rapazes que viviam pajeando-a, vistoque estava apaixonada por Carlos, começaram a surgir osconflitos na cabeça do rapaz. - Ela é rica, eu sou um pobre coitado, sozinho nomundo. Isso nunca vai dar certo. Eu a amo e ela também dizque me ama. Muito embora, por muitas vezes ela não tivessecoragem de contar às suas amigas que nos interpelavam SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 15
  16. 16. sobre a minha origem humilde e o meu trabalho - pensava eleangustiado. Essa situação ficou insuportável quando Patríciadeliberadamente pediu a Carlos para mentir, fingindo-se defilho de algum cidadão famoso e rico perante seus amigos. Foia gota dágua. A formação moral do rapaz não o permitia vivernaquela farsa. - Conviver com alguém que se envergonha de mimdiante dos outros: jamais - pensava. Diante disso, Carlos resolveu dar um basta narelação dos dois. O que ele não sabia era que isso não seriatão fácil como abandonar um emprego ruim. Ambos sofreriammuito, porque apesar das circunstâncias da vida, o amor nãoestá sujeito à razão. Assim viveram os dois por um período deidas e vindas; de fins e recomeços de uma história de amorcheia de conflitos pessoais. Mas apesar de tudo os dois aindapermaneciam apaixonados um pelo outro. Nesse ínterim, por força de tais circunstâncias,começou a germinar na cabeça de Carlos uma obsessão pelariqueza. Freqüentava os lugares mais ricos e badalados dacidade, na maioria das vezes bancados com o dinheiro dePatrícia. E era isso que mais o incomodava. Aceitava a SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 16
  17. 17. situação porque só assim poderia permanecer perto damenina. Por outro lado sentia-se ferido no ego. Desejava atodo custo subir na vida, progredir rapidamente, para quepudesse estar a altura de sua amada. Na sua obsessão, nãopercebia que seus sonhos de sucesso e riqueza o estavamafastando de todas as suas boas virtudes e ele estava, emcurto espaço de tempo, tornando-se uma outra pessoa. As mudanças na personalidade de Carlos forampercebidas logo, tanto por dona Tereza como pelo Seu Jonas,visto que até esse já havia se afeiçoado pelo rapaz, quesempre se mostrava uma pessoa diligente, prestativa e eficazno trabalho que desempenhava no supermercado. Muitoembora o dono do supermercado percebesse uma mudançaestranha no comportamento do rapaz, não comentou nada,pois não se sentia íntimo dele o suficiente para interpelá-losobre suas atitudes. Dona Tereza, pelo contrário sempre ointerrogava, querendo saber o motivo de tão brusca mudança. - Carlos, durante esse tempo de sua estada napensão já me sinto meio que sua mãe. Me diga por favor, oque o aflige? Acaso você está envolvido com alguma coisaerrada? - perguntou a mulher. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 17
  18. 18. - O que a senhora quer insinuar dona Tereza? Achaque virei um marginal só porque saio de noite e volto tarde? Asenhora está muito enganada! - Isso não meu filho, mas temo que alguém possatê-lo envolvido com alguma coisa ruim. - O que, por exemplo? - Drogas, por exemplo! Está se drogando meufilho? - Claro que não! A senhora deve estar louca. - Tomara que você esteja sendo sincero meu filhoporque eu muito lhe estimo e não quero vê-lo numa pior. - Pode ficar tranqüila dona Tereza, não entro maisnessa roubada. Já passei da idade pra isso. Falando isso, retirou-se rapidamente dacozinha da pensão em direção ao seu quarto. - Puxa vida! Será que estou agindo de forma tãodiferente para chamar tanto a atenção. Preciso tomar maiscuidado pra não magoar as pessoas que me tem estima -pensou. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 18
  19. 19. Por ironia do destino, quem mais sentiu a mudançade comportamento em Carlos foi Patrícia. Ele não era maisaquele por quem ela havia se apaixonado. Na verdade, muito diferente de Carlos, Patrícia erauma menina mais vivida da cidade grande, cheia de históriaspara contar, de vivências diversas. Sua vida era permeada porfestas de muito glamour, viagens por todos os lugares bonitos;enfim, todas as coisas que o dinheiro podia comprar. Entretanto, aquela vida de futilidades sem objetivomais profundo, carecia de um novo sentido. Tudo o que seaprende, tudo o que se vê, tudo o que se conhece, se nãotiver um objetivo prático, perde o sentido tornando-se fútil. Ohomem tem necessidade de se expressar-se. Se um homemvive uma vida desprovida de um sentido de utilidade, começaa sentir-se vazio. Era assim que Patrícia estava se sentindo.Antes conhecer Carlos, sua vida que, de fora parecia umconto de fadas, cheia de glamour, badalações e viagens, naverdade não a fazia mais feliz. E ninguém havia ensinado afelicidade das coisas simples. Quando conheceu Carlos; o quedespertou interesse nela, foi justamente sua simplicidade, suanaturalidade e, principalmente a sua espontaneidade. Estasqualidades ela não havia encontrado em nenhum outro jovem SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 19
  20. 20. de sua classe social, justamente pelo fato de os mesmosestarem ofuscados pelo brilho falso do glamour e do status.Aquele rapaz do interior simbolizava toda simplicidade queela, inconscientemente procurava há tempos. No entanto,Carlos agora estava estranho, não havia mais nele aquelebrilho invisível que todos logo percebiam com os olhosinteriores quando olhavam para ele, e o admiravam. Diante dessas mudanças em sua personalidade edos problemas antigos, a chama da paixão foi se apagandopara Patrícia, que aos poucos foi se afastando do rapaz.Como não tinha mais ninguém que pudesse oferecer a ela umsentido mais verdadeiro, foi se deixando levar pelos velhoshábitos de outrora. Foi enturmando-se novamente com osvelhos amigos, buscando a diversão e a felicidade que odinheiro podia comprar. Era tudo o que ela tinha ao alcance.Foi esquecendo-se aos poucos dos valores elevados quebuscava para sua vida, pois já não tinha ninguém mais emseu mundo para que ela se espelhasse. Carlos, seu espelho,havia se quebrado. Mostrou um mundo diferente a ela, masagora nem ele mesmo pertencia ao mundo no qual que ela oconhecera. Era mais uma ilusão para o seu mundo deilusões... e desilusões. Sendo assim, melhor seria voltar às SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 20
  21. 21. antigas fantasias artificiais. Resolveu dar um basta no namorocom Carlos, afastando-se definitivamente. Deu-se início a uma obsessão desenfreada deCarlos pela reconquista de Patrícia. E, diante destaobsessão, a menina afastava-se dele cada vez mais. Ela jánão mais o admirava porque ele havia mudado demais nosúltimos meses e agora já o odiava porque ele não a deixavaviver em paz. Vivia perseguindo-a em todos os lugares emque ela freqüentava e não admitia vê-la com outrosnamorados. O rapaz estava transtornado. Nem ao menosimaginava que o maior responsável por aquele abismo criadoentre os dois era ele mesmo. E que tudo começou quando elequis transformar-se em algo que não era. Nos dois meses seguintes Carlos fez tudo o queimaginava ser possível para reconquistar Patrícia. Chegou aocúmulo de procurar um desses homens, que se anunciam nosjornais, se dizem magos e que são capazes de desfazer mausfeitos, arrumar caminhos, trazer de volta amores perdidos.Tudo em vão. As coisas iam de mal a pior. Mas ele continuavatentando de tudo. Continuava freqüentando círculos depessoas envolvidas com esses tipos de procedimento.Conheceu um cidadão que disse que o levaria a um feiticeiro SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 21
  22. 22. capaz de reatar qualquer relacionamento. Na noite marcadaforam os dois para o lugar onde morava o bruxo. Vendo osprocedimentos do homem e as exigências necessárias àconcretização do feito, ficou assustado com tudo aquilo eresolveu cair fora daquele mundo sombrio. Nessa noite chegou tão assustado na pensão quedona Tereza percebeu a excitação em que o rapaz seencontrava. Perguntou se ele havia sido vítima de um assalto.O aprendiz disse apenas um não mal respondido e entroupara o quarto assustado com o que acabara de ver. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 22
  23. 23. Naquele dia, Carlos acordou disposto a por um fimem tudo aquilo. Iria pedir as contas ao Seu Jonas, fazer asmalas e voltar para sua terra. Levantou-se bem mais cedo quede costume. Queria conversar com o dono do supermercadode antemão. Afinal, o homem era tão bom com ele, mereciauma explicação. Às sete da manhã já estava no escritório dosupermercado que ficava nos fundos do prédio. Sabia queSeu Jonas chegava bem cedo ao serviço. Chegou sério e desupetão adentrou ao escritório do patrão. - Com licença seu Jonas, gostaria de conversaralguns minutos com o senhor. - Pois não meu bom garoto, que novidades otrazem tão cedo ao serviço? O rapaz contou brevemente o seu objetivo, bemcomo os motivos que o levaram a desistir de tudo e voltar àsua terra. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 23
  24. 24. - Bem meu rapaz, sua cabeça é seu guia. Mas voulembrar-lhe que os amores da juventude vêm e passam. Vocênão pode jogar tudo pro alto só porque um namoro não deucerto. Você não é mais criança. Embora nunca tenha lheperguntado, vasculhei na sua ficha funcional e descobri que játem vinte e um anos meu rapaz. Além do mais, posso lhegarantir que daqui a algum tempo você já nem se lembra maisdessa guria. - Não é bem assim seu Jonas... - Pode crer! Vamos! – exclamou o homem - vátomar um café na cozinha e prepare-se para encarar mais umdia. O trabalho é o melhor remédio para apagar os males damente e também do coração meu amigo. O rapaz ficou sério e depois de meditar por algunssegundos concluiu: - Mas não é só por isso seu Jonas. Tudo deuerrado para mim. Vim para a cidade grande com o objetivo decrescer, evoluir. E, ao contrário, não evoluí em nada, ou quasenada. Continuo trabalhando no balcão de um supermercadocomo nos tempos antigos, a única diferença é que agoratenho outro patrão que não é meu pai, mas continuo semperspectivas de progresso mais ambicioso para a vida. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 24
  25. 25. - É meu filho. Aqui no supermercado você não terágrandes chances de progresso. Muito embora com todos ospercalços por que você passou nestes últimos tempos, jádevia ter aprendido que o progresso pessoal é uma coisa quesó acontece no momento em que você encontra aoportunidade e o momento certo. Muitos passam a vida inteiraperseguindo tal intento e assim perdem a oportunidade derealizarem o verdadeiro progresso a que todos nós estamospredestinados por Deus. Não estamos aqui para evoluirapenas materialmente. Estamos aqui para evoluir em todos ossentidos: física, mental e espiritualmente. A evolução dessetodo, seria a máxima realização da vida humana.Pouquíssimas pessoas atingem esse objetivo nesta vida.Entretanto a evolução espiritual deve ser sempre colocada emprimeiro plano, visto que os demais são transitórios. Só oespírito é eterno. Desenvolver a espiritualidade é o objetivomaior da vida. Os demais campos do desenvolvimentohumano devem ser sempre colocados em segundo plano. Carlos começou a pronunciar alguma coisa mas foiinterrompido pelo patrão: SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 25
  26. 26. - Por favor Carlos ouça primeiro tudo o que tenho alhe dizer, só depois faremos o acerto de suas contas se vocêo desejar, tudo bem! - Está certo Sr. Jonas. - Meu jovem; se estou dizendo tudo isso é porquetenho muita estima e consideração por você e tenho notadoque ultimamente você anda tumultuado em sua vida. Por tudoisso, antes que você decida tomar uma atitude impensada,vou contar-lhe um pouco da minha história que nesse pontoda decepção amorosa, tem um pouco a ver com a sua.Espero que a minha experiência sirva de exemplo para quevocê não tenha que passar pelos mesmos transtornos quepassei. Muito embora quero que saiba que amor e paixão sãoduas coisas diferentes e, pelo visto você ainda não conhece adiferença. Mas, vamos aos fatos. "Tudo aconteceu quando eu tinha vinte e seis anosde idade. Estava namorando uma mulher há dois anos eresolvemos nos casar. Diferentemente de sua história, nósnos dávamos muito bem e tudo se encaminhava para umavida plena e feliz. Se era paixão, aquilo já havia setransformado em um amor verdadeiro. Em pouco tempo noscasamos. Vivíamos em uma relativa harmonia visto que eu SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 26
  27. 27. vinha de uma família de posses e todo o resto se completavapor nós. Não tínhamos muitos problemas. Foi quando derepente, por uma ironia do destino, justamente quandopreparávamos para ter o nosso primeiro filho, Rosália - esseera seu nome - foi acometida por uma doença cruel eincurável que em um ano e meio ceifou-lhe a vida. Nos dois anos que se seguiram, minha vida setornou um martírio. Fui entrando em uma depressão terrívelque me levou a um tratamento psiquiátrico duradouro. Comose não bastasse, nesse ínterim perdi a minha mãe, ficandopraticamente sozinho no mundo, visto que minhas duas irmãsjá haviam se casado e moravam em lugares longínquos quenos afastaram definitivamente. Diante do ocorrido fizemos a divisão dos bens quemeu pai e minha mãe, com seu trabalho duro e persistente nalavoura havia conseguido. Uma pequena fazenda lá pelasbandas de Cascavel, no sudoeste do Paraná. Era uma quantia razoável de dinheiro que deixarianós três em bom estado financeiro. Minhas irmãs conseguiramfazer um bom proveito da herança. Uma comprou algunsimóveis em uma cidade do interior de São Paulo e a outra jámais fixada em agricultura, comprou uma bela porção de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 27
  28. 28. terras em Mato Grosso do Sul. O único que desperdiçou empouco tempo o sacrifício de uma vida inteira de meu velho paie minha mãe fui eu. Devido ao fato de todos esses transtornos ocorridosprecocemente em minha vida eu já não era o mesmo deantes. Entreguei-me então, por uma fraqueza de espírito auma vida desregrada. Nada mais fazia sentido para mim. Nãoadmitia ter perdido a pessoa que amava tão rapidamente.Julgava-me um azarado e injustiçado. Desliguei-me dascoisas de Deus e cheguei ao ponto duvidar de sua existência.Entreguei-me ao vício da bebida e da prostituição. Assim empouco tempo destruí toda a minha parte na herança. Quandodei por mim estava sem nada. Chegou um dia em que euestava já no fundo do poço, encurralado pelo vício do álcool.Ninguém já não me confiava emprego. Desesperado eenvergonhado de tudo o que havia feito, resolvi sair pelomundo, sem destino. E, passei a viver pelos albergues oumarquises das ruas; de cidade em cidade. Certa ocasião, para arrumar alguns trocados para ovício e o pão de cada dia, fui para o litoral do Estado.Estabeleci-me em Guaratuba. Era alta temporada para oturismo e eu faturava alguns trocados vendendo refrigerante e SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 28
  29. 29. cerveja na praia. Meus únicos bens materiais nessa épocaeram; uma mala velha com algumas peças de roupas sujas euma caixa térmica de isopor. Olhava para aquilo e lembravade todos os bens que eu havia jogado pelos ares, pelosimples fato de ter sido um fraco, incapaz de encarar asadversidades da vida. Quantos passaram pelos mesmostormentos que passei e permaneceram de pé. Sentia-me umfracassado e sabia que tudo o que fiz de errado em nadahavia me ajudado. Nesse trabalho de vendedor de praia, arrumei umcompanheiro, também alcoólatra. Fora o vício era um caralegal. Trabalhávamos juntos e à noite íamos para umpensionato, onde alugamos um quarto em conjunto.Conversávamos muito sobre as nossas tragédias e essaamizade até elevou um pouco nossa estima a tal ponto queficamos um mês e meio sem tomar nada de álcool. Massabíamos que bastava o primeiro gole. A fraqueza veio novamente no fim de uma semanaruim para o nosso negócio, quando não conseguimos vendernada devido a um tempo chuvoso que afastou as pessoas dapraia por diversos dias seguidos. E, o pior. Não tínhamos odinheiro para pagar a pensão. E, como não éramos de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 29
  30. 30. confiança para a dona do lugar, sabíamos que não seríamosperdoados. Teríamos que pagar ou a velha chamaria a polícia.Nesse momento, resolvemos encher a cara para anestesiarnossa dor e angústia interior, consumindo toda a bebida quenão havíamos vendido. Depois do porre, totalmenteembriagados, desaparecemos estrada afora na esperança deir para outra praia e, principalmente fugir da velha. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 30
  31. 31. Adormeci em um canto qualquer da mata e sóacordei na manhã seguinte quando o sol já se despontava altono horizonte. Só aí me dei conta de que havia perdido meucompanheiro. Não sei se ele havia se perdido devido àembriaguez ou se realmente fugiu de minha companhiapesada e triste. A partir daí, sem destino, vaguei três diasseguidos, ora nas estradas pegando carona, ora pelo meio dafloresta, onde muitas vezes buscava o repouso noturno. Foiassim que na manhã do quarto dia de andança e desesperoaconteceu um encontro que mudou toda minha vida. Estavaandando nas proximidades da cidade de Morretes olhando asbelezas da serra do mar, quando resolvi entrar mata adentrosem rumo em busca de algo que nem eu mesmo sabia o queera. Cerca de meia hora depois, avistei uma casinhaincrustada na base de uma montanha. Resolvi ir até lá parapedir um prato de comida. Foi aí que encontrei de novo a luzbrilhando no fim do túnel. Aquele ser estava ali, predestinadopor Deus para por um fim no meu caminho sombrio e cheio detrevas. Era a mão de Deus agindo por seus caminhos mágicose desconhecidos. Pedi um gole de água e de quebra um prato SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 31
  32. 32. de comida. Travamos uma breve conversa informal, quandonotei que aquele senhor demonstrava interesse por mim. - Você parece uma pessoa bem instruída para ummendigo, meu jovem! Disse-me ele. - Por que pensa assim? - indaguei. - Pelo seu modo de falar, nota-se que é umapessoa que tem uma certa cultura – disse o homem. Nesse tom de informalidade fui aos poucos meabrindo e contando-lhe toda a minha história. Ele tambémacabou me contando uma pequena parte da sua. Digo issoporque sua história de vida foi contada somente depois determos adquirido confiança mútua, pois ele fazia e faz questãode manter ocultas as suas origens, visto que fora umpersonagem muito conhecido da elite curitibana em umpassado distante e não gostaria de chamar a atenção pelofato. Carlos ouvia atentamente seu Jonas sem fazerquestionamentos. Era de sua índole não interromper os outrosquando falavam. - Seu nome era José – continuou o outro. Tinhamais ou menos uns cinqüenta e poucos anos e me disse que SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 32
  33. 33. vivia ali isolado da civilização, como um ermitão há poucomais de dois anos. Foi o lugar onde ele finalmente disse terencontrado o seu verdadeiro destino e também a sua pazinterior. Diante de meu estado precário, me propôshospitalidade em sua casa por um período de tempo em queachasse conveniente. Nesse ínterim, se eu desejasse, elepassaria o seu aprendizado dos últimos dois anos de solidão,que tanto o ajudaram. Como eu não tinha nada a perder,aceitei o convite. Embora o achasse um sujeito meio esquisitoe não ter mais afinidades com coisas místicas, resolvi ficaruns tempos com ele. Pelo menos teria uma casa e comida poralguns dias. Acabei ficando mais de seis meses na solidãodaquelas montanhas. Poucas vezes íamos à cidade somenteem busca de mantimentos. Foram seis meses sagrados paramim. Esses meses significaram a salvação de minha vida...Talvez; a salvação de minha alma. Saí de lá um novo homem,espiritualizado pelos ensinamentos, não do mestre José; queé um mero observador e comunicador das coisas de Deus. Onosso mestre foi a natureza, uma coisa tão original e simplesque está ao alcance de todos; como todas as coisas que sãoverdadeiramente de Deus. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 33
  34. 34. - Puxa! Nem imaginaria que um homem bemsucedido como o senhor já passou por tudo isso – disseCarlos; pela primeira vez interrompendo seu interlocutor. - Pois é meu filho. A vida é cheia de idas e voltas.De fins e recomeços. Ascensões e quedas. - E o que aconteceu depois disso para que osenhor em pouco tempo conseguisse se reerguer? - Um dia, com mais tempo, contar-lhe-ei como vichover bênçãos dos céus a partir do momento em que passeia trabalhar para o Grande Patrão. Agora o que interessa écomo posso ajudá-lo. Sei que não posso dar conselhosporque cada um aprende mais com vivências que compalavras. E creio que se você for receptivo aos ensinamentosda floresta irá aprender muitas coisas novas. - Então; por favor! Diga-me onde o senhor querchegar com essa história. Sou todo ouvidos. - Então continuemos com os fatos - continuou ele -dois anos depois do ocorrido, já totalmente transformado,voltei à casa de meu mestre para uma visita. Descobri que elehavia tomado gosto pela coisa e agora vivia ensinando aquem o procurasse. Hoje, onze anos depois, sua fama correu SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 34
  35. 35. toda região e ele regularmente atende grupos de quatro a seispessoas para um retiro de evolução espiritual que dura dequinze a vinte dias. Sempre mantenho contato com ele porquenos tornamos grandes amigos. Por coincidência, falei com eleantes de ontem após uma celebração em que participamosjuntos aqui em Curitiba, ocasião em que me disse que daqui aalguns dias fará um retiro com quatro pessoas interessadasem seu processo de evolução espiritual. Muitas pessoas queeu já indiquei, voltaram de lá iluminadas por seusensinamentos. Outros não vislumbram nada de especial parasuas vidas. Entretanto, afirmo que se você se identificar comos ensinamentos do mestre e seguir os seus passos,descobrirá o poder capaz de realizar todos os seus sonhosmais caros. Todos. Se você quiser tentar, posso falar com elea seu respeito. Encontro-me com ele todos os domingos poisparticipamos da celebração da missa na mesma igreja. - Como assim? A serra do mar não fica tão pertodaqui. Não tem outra cidade mais perto? - Morretes. - E porque ele vem à Curitiba? - Isso se deve a um fato curioso meu jovem.Correm boatos na cidade que mestre José é um bruxo da SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 35
  36. 36. floresta que enfeitiça as pessoas e que abusa sexualmentedos jovens que lá vão em busca de resultados mágicos.Coisas desse tipo. Por isso ele é mal visto por muitos de lá.Principalmente pelos religiosos. Assim, ele prefere vir aCuritiba, onde anonimamente exerce o seu catolicismofervoroso. Não tenha medo do que lhe disserem quandoprocurar pelo homem. São apenas mitos que o povo cultivaquando defrontam com alguém que vive de um mododiferente. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 36
  37. 37. Uma semana depois daquela conversa, o aprendizpreparava-se para conhecer mestre José. Já lera muitashistórias de pessoas que viviam isoladas em sua buscaespiritual através de livros. Agora iria conhecer um ermitão deverdade. Quem sabe o seu Jonas tinha razão. Do contrárioseria uma experiência a mais. Além do mais, o homem nãocobrava nada por seus ensinamentos. Apenas pedia umacontribuição que seria suficiente para a alimentação dosaprendizes. A viagem; o jovem preferiu fazer descendo pelaestrada da graciosa para admirar as belezas da serra do mar.Por volta das nove horas da manhã desembarcava na belacidade de Morretes em busca de uma promessa de realizaçãode seus sonhos. Mal sabia que seus sonhos mais caros aindaeram apenas uma sombra de outros sonhos que ele viria avislumbrar e, por conseguinte realizar em sua vida. Nemimaginava que de agora em diante poderia trabalhar nãoapenas em prol da realização de seus sonhos, como tambémem prol da realização dos sonhos do Sonhador. Realizar osideais do Grande Idealizador de todas as coisas. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 37
  38. 38. Depois de uma breve pausa para alimentação emMorretes, com o trajeto do caminho desenhado à mão porseu Jonas, Carlos foi logo em busca de um táxi que pudesselevá-lo até as imediações do lugar onde habitava o ermitão.Ficava bem perto de um vilarejo de agricultores queplantavam hortaliças, chamado Vila Verde. Pouco tempo depois, o aprendiz chegou ao seudestino. O eremita já o esperava no lugar combinado. MestreJosé parecia mais velho que a idade que Carlos deduzira,pelas contas que fez quando seu patrão contou sua passagempelo lugar. Parecia um mago daqueles livros misteriosos queele gosta de ler e que de certa forma o assustam um bocado.Isso se devia ao fato de o velho possuir barbas e cabeloslongos; totalmente brancos como a neve. Sentiu entretantouma mística benéfica naquele senhor, que transmitia-lhe umsentimento de segurança muito grande e uma paz infinita. Nocaminho por uma pequena trilha na mata os dois foramconversando sobre trivialidades até chegarem à casa. Ao chegar ao local onde morava o homem, Carlosficou mais aliviado sobre o modo de trabalho de mestre José,quando viu num pedaço de madeira pendurado na varanda SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 38
  39. 39. frontal da casa um letreiro habilmente trabalhado, com aseguinte mensagem: "SOU APENAS UM APRENDIZ E ESTOU NESTE MUNDO A SERVIÇO DO GRANDE REI..." , Logo abaixo da frase, entalhada na madeira, haviauma imagem do rosto de Jesus Cristo, dando umcomplemento ao sentido daquela frase magnífica. Carlosentendeu a mensagem. E isso afastou seus pensamentos decisma do velho eremita. Com certeza, aquele não seria maisum dos muitos pseudomagos que ele conhecera através doslivros e mesmo da vida real. Ao contrário do que ele imaginava a casa eraespaçosa e possuía um certo conforto. Tinha energia elétricae até televisão e geladeira. Mestre José contou-lhe que jáfora muito mais radical, mas que agora havia adotado de novoalgumas mordomias da cidade grande, visto que nãoprecisava mais de isolamento total para encontrar o queprecisava. Já havia encontrado o caminho que procurava eagora só ficava ali por opção de vida e, principalmente para SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 39
  40. 40. cumprir a sua missão de ajudar os outros a descobrirem seucaminho. - Quem precisa de isolamento total a partir de agoraserão vocês - disse ele. Portanto, a partir do início dostrabalhos, ninguém mais terá contato com o mundo exterior. Atelevisão será banida durante o aprendizado. Carlos observou atentamente e não notou apresença de mais ninguém na casa. - E os outros participantes? - perguntou. - Um deles, o César, deve chegar até à noiteporque mora aqui nas redondezas. Um está dormindo, poischegou há pouco, veio de Santa Catarina e a última que éuma mulher, ainda não chegou. - Não sabia que o Senhor aceitava mulheres nogrupo. - Não faço acepção de pessoas. Homem e mulhersão iguais perante Deus. Mas já vou avisando: não admitonenhum tipo de envolvimento durante o aprendizado, sobpena de excluir imediatamente os dois do grupo. Qualquerafinidade, além dos laços de irmandade espiritual entre osmembros deverá ser descartada. Nada deve afastá-los do seu SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 40
  41. 41. aprendizado nesses dias, porque não há um minuto se quer aperder visto que o vosso tempo é curto e o meu também.Todos que aqui vêm são pessoas destinadas por amigosmeus de grande estima, com a garantia expressa de que virãoem busca de exclusiva iluminação espiritual. Sobre estasregras gerais falarei mais detalhadamente depois com ogrupo, de um modo geral. No fim da tarde, todos os quatro componentes jáestavam devidamente instalados em seus aposentos. Porvolta das oito horas da noite todos foram convidados ao jantare logo após o mestre começou a discorrer sobre as regrasimpostas ao bom andamento daquilo que ele chamava deretiro. A primeira surpresa é que aquele seria o primeiro eúnico jantar cordial oferecido por ele. Todas as demaisrefeições e cuidados gerais com a casa, asseio e limpeza,correriam por conta dos aprendizes. Quem não soubessefazer alguma das obrigações necessárias ao bom andamentoda pousada, que o aprendesse com urgência, sob pena deestar sobrecarregando os outros em seus afazeres. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 41
  42. 42. A primeira semana de treinamento tratou daadaptação à vida isolada da civilização, conhecimento da vidade cada um, bem como da aprendizagem e divisão de tarefasentre os membros. Carlos passou os três primeiros dias com umaansiedade latente, devido à solidão do lugar. Tambémpercebia esta angústia de adaptação nos demaiscompanheiros. A harmonia com o lugar, foi-se conseguindoaos poucos. Nesses dias o que de positivo se conseguiu, foi oconhecimento mútuo entre os participantes. Logo após o café da manhã iam os quatro jovens emestre José para um local bastante aprazível no ladoesquerdo da casa onde havia uma espécie de área de lazerpara os participantes. Próximo a uma nascente que desciadeslumbrantemente da montanha formando naquele local umabela cachoeira, havia uma área com alguns bancos demadeira e uma mesa, onde faziam todos os dias uma espéciede piquenique, no qual o importante era cada um contar suasexperiências de vida. Segundo o mestre, aquele já era o SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 42
  43. 43. primeiro exercício. O exercício da amizade e da troca deexperiências. No final do sexto dia, como que encerrando aqueletipo de atividade, mestre José disse: - Como vimos; através desta experiência deconhecimento mútuo, ninguém aqui é perfeito. E todos devemaprender a respeitar as diferenças, bem como a perdoar aspequenas falhas dos companheiros. Como já vos disse antes,os outros são os nossos maiores mestres se aprendermos aobservar sem espírito crítico e julgador. Aprendemos tantocom seus acertos quanto com seus erros. Daqui a maisalguns dias será a minha vez de expor a minha experiência devida. Antes porém, quero treinar o espírito de vocês para quese torne mais compreensível e útil o que vou lhes contar ameu respeito. No dia seguinte, após o café e a oração da manhã,o mestre especificou que os quatro participantes deveriamsubir junto com ele até o topo da montanha maior cuja baseficava há cerca de um quilômetro à direita da casa ondeestavam. Segundo ele; lá em cima ficariam reunidos por umbom tempo para ouvirem uma série de conhecimentos que elehavia adquirido no contato com a natureza. Esse ato seria SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 43
  44. 44. repetido por alguns dias e seria a base de todo o“treinamento”. Uma exigência que chamou a atenção dos jovensfoi o fato de que todos deveriam seguir o mestre na íngremesubida repetindo continuamente, de forma pausada eininterrupta a oração do Pai-nosso. A única exigência domestre José: todos deveriam orar prestando atenção absolutanas palavras da oração. Ninguém deveria pensar no sentidomais profundo das frases do Pai-nosso, nem em qualqueroutra coisa. Deveriam, entretanto, com a máxima simplicidadepossível, prestar atenção nas palavras que pronunciavam.Somente isso. Isto deixou os integrantes do grupo encucados. - Porque será que o mestre faz essa objeção? Seriaesse um exercício espiritual incutido pelo mestre de umamaneira sutil? - Pensou Carlos. Entretanto ninguém teve a coragem de perguntar.Ninguém tinha ainda um laço de amizade mais íntimo commestre José e todos tinham receio de expor suas curiosidadesiniciais. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 44
  45. 45. Um fato curioso, percebido por todos osparticipantes notado logo nos primeiros dias era que após asubida, chegando ao topo da montanha o mestre perguntavasobre as peculiaridades que cada um havia notado no trajeto,visto que a cada dia a equipe fazia a subida por uma trilhadiferente. Feitas as observações de cada aprendiz, o mestrefalava durante seguidas horas, expondo de forma espontânea,sobre as leis universais e sobre como tudo no universo éregido através de leis imutáveis; demonstrando umconhecimento profundo, tanto da ciência tradicional como dasciências ocultas. Ele explanava de maneira magnífica sobreas semelhanças entre as leis da matéria e as leis do espírito. - Tudo o que existe no universo é regido por leisinfalíveis desde o mecanismo de gravitação dos planetas até ode um átomo ou molécula - disse ele certa ocasião. Várioscientistas afirmaram nas leis da Física e da Química que paratoda ação existe uma reação. Outras vezes a ciência disse: nouniverso nada se cria, tudo se transforma. Creio que todosvocês aqui presentes já tiveram conhecimento destesenunciados através dos livros didáticos na escola. Devemsaber que até mesmo a energia se transforma continuamenteem outras formas de energia. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 45
  46. 46. O mestre deu uma longa pausa seguido de umsilêncio geral dos participantes. - Da mesma forma as coisas funcionam no mundoespiritual ou como queiram no nosso mundo interior. JesusCristo, de forma análoga aos cientistas da matéria repetiuestes mesmos enunciados, referindo se à maneira de Deusagir em nós. Quem lê a Bíblia com um pouco de atenção vaiencontrar alguns dizeres como: "Não julgueis e não sereisjulgados... porque com a mesma medida com que medirdes,sereis medidos". Percebam vocês que aqui se trata de umaalusão à lei universal da ação e reação, aqui aplicável aohomem como um ser espiritual. Ele ensinou também a regrade ouro, que é a máxima da vida: “Não faça aos outros o quenão desejaria que vos fizessem", demonstrando ainexorabilidade da lei da ação e reação ou a lei de causa eefeito. - Sr. José, o que o senhor diz a respeito da nossacondição de vida e morte? De onde viemos? Para ondevamos? - perguntou César. - Sobre de onde viemos e para onde vamos parece-me que é um segredo absoluto que não nos é permitidoconhecer. Tendo em vista que todas as coisas de Deus são SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 46
  47. 47. para o bem e para a evolução, creio que a vida continuasempre de uma maneira melhor e mais elevada. Entretanto,tudo que eu disser a mais a esse respeito seria meraespeculação. Não nos é permitido saber nem o queacontecerá daqui cinco minutos na nossa vida porque assimfoi determinado pelo Criador. Sobre a morte, queaparentemente suprime a existência do homem, Jesus provousua inexistência com sua própria experiência de vida eressurreição. Assim devo afirmar a vocês que um dos maioresconhecimentos espirituais que vocês devem aspirar será oreconhecimento de que a morte não existe. Como disse oapóstolo Paulo: "Nem todos dormiremos, mas todos seremostransformados". Entretanto sempre devemos ser meticulososa respeito dos segredos que pertencem a Deus. Jamaisqueiram saber ou julgar que saibam alguma coisa a respeitodo futuro. Já disse: estes segredos pertencem a Deus. Tudo oque vos disserem sobre o além vida; céu, inferno,reencarnação é mera especulação. Pelo menos eu creioassim. A nossa vida e nosso conhecimento é: o passado e opresente. O amanhã a Deus pertence. Vocês não precisamacreditar no que estou dizendo agora porque todos têm aliberdade de pensar e acreditar no que julgam correto.Entretanto, digo que quando reconhecerem que a vida vem de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 47
  48. 48. Deus e que nada que vem de Deus não tem fim, estarãorealmente espiritualmente desenvolvidos. Isso não deve serimposto a vós por mim, nem por ninguém. Somente pela auto-espiritualização e pela busca constante de Deus é que vocêstomarão consciência destas realidades. Quando chegarem aponto de perceberem a presença de Deus agindo em tudo;tereis atingido o conhecimento... É muito difícil compreender apresença de Deus em tudo e em todos, mas esta sabedoria éo limiar da iluminação espiritual. E assim o mestre foi passando com o decorrer dosdias, suas experiências aos jovens aprendizes que oadmiravam cada vez mais porque ele falava com autoridade econvicção. Na noite do décimo segundo dia, depois dasorações que havia se tornado habituais, após as refeições, omestre pediu para que os integrantes acordassem mais cedoque de costume na manhã seguinte porque naquele dia iriampreparar um lanche para levar, pois iriam ficar lá em cimamuito mais tempo que de costume. Todos ficaram de certo modo mais aliviados pelofato de que nos dias anteriores, subiam logo ao nascer do sole só voltavam por volta de umas três ou quatro horas depois. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 48
  49. 49. E isso faziam sem terem comido coisa alguma antes e durantea estada lá em cima. Os participantes reclamavam ao mestrepois a subida roubava as suas energias e muitas vezeschegavam lá em cima já com fome. Carlos, por exemplo, passava uma fome terrível,pois tinha um bom apetite e sempre fora acostumado a comerdiversas vezes ao dia. Tinha esse hábito devido ao trabalhocom o pai nos tempos da juventude no mercado, visto que acasa ficava no fundo do mesmo e ele ficava o dia inteirobeliscando. Podia faltar muitas coisas na sua vida; comidaentretanto nunca faltou. Aquelas manhãs de jejum lhe traziamrecordações apenas do tempo em que trabalhou nas linhas deprodução em empresas curitibanas. Tinha hora marcada paracomer e aquilo para ele já era um verdadeiro martírio.Entretanto nada se comparava àquele jejum absoluto no meioda floresta devido ao fato de que o esforço da subida odeixava exaurido. Mas já que estava ali, tinha de cumprir asregras. E, mestre José já havia lhe ensinado que esse era umexcelente exercício espiritual. Falara sobre a utilização dojejum em quase todas as religiões do mundo. Do seu objetivode purificar os fiéis. E dos benefícios espirituais que essaprática pode trazer aos iniciados na busca pelo conhecimento SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 49
  50. 50. espiritual. Além de tudo isso, era uma regra e devia serseguida à risca – dizia ele. Na manhã seguinte, com a alma mais aliviada,sabendo que não mais sofreriam os martírios do jejum, osjovens aprendizes iniciaram a escalada da íngreme montanhajustamente, como de costume, no momento em que o solinicia a sua escalada no horizonte entre as duas serras queficavam do lado oriental do acampamento. Somente após a costumeira subida, acompanhadapela ladainha do Pai Nosso, foi que mestre José fugiu darotina das conversas rotineiras dos dias anteriores. Pediu paraque todos se acomodassem sob a sombra de uma dasdiversas árvores formando um semicírculo e o ouvissem coma máxima atenção pois aquele seria o dia em que ele lhesexporia seu despertar espiritual. Pediu novamente atençãototal de todos e iniciou seu discurso: - A partir de agora lhes contarei a minhaexperiência espiritual e creio que isso será um momentocrucial para o vosso aprendizado. No entanto, gostaria deressaltar que não desejo em hipótese alguma que nenhum devocês pense que irá conquistar alguma coisa se limitando aseguir os meus passos. A coisa mais importante que aprendi e SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 50
  51. 51. é isso que quero passar a vocês é justamente o fato de quenão existe um caminho específico para atingir a iluminaçãoespiritual. Houve um tempo em que se pensava, e aindaexistem muitos que pensam até hoje que seu caminhoespiritual é o único. Vislumbram a luz de Deus e querempassar isso a todos como se fossem os únicos quemereceram descobrir o caminho certo e querem a qualquercusto fazer com que os outros sigam atrás deles por aquelecaminho. Pobres ignorantes. Não sabem que o caminho deDeus é o caminho de todos os homens. E que cada um osegue por um atalho diferente. Não percebem que existe ummundo individual para cada ser humano e que cada um viveimerso neste mundo subjetivo impenetrável aos demais.Quem não admite essa realidade não é aindaverdadeiramente iluminado porque "só o é" aquele queconsegue enxergar a Unidade nas diversidades. Mestre José interrompeu seus comentários comoque de um susto e falou de súbito: - Desculpem-me; me empolguei no discurso e faleiem uma língua que ainda não compreendem totalmente. Maistarde, compreendereis isso. E, posso lhes garantir, estacompreensão é muito simples e pode vir muito rapidamente a SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 51
  52. 52. vós. Basta aprender a realizar o exercício que mantém todo ouniverso em funcionamento e que é a chave da iluminaçãoespiritual. O exercício da emanação de amor. Para encontrara luz que brilha e ilumina todo o universo, nos seus planosfísico e espiritual, basta exercitar a regra de ouro. Não pense,não deseje, não faça a nenhum semelhante aquilo que vocênão quer para si mesmo. Esse é o único segredo. Jesusresumiu toda a Lei e os profetas neste ensinamento. E olhaque eu não estou falando de um mestre espiritual dos muitosque ajudaram e ajudam a humanidade. Estou falando doCristo Vivo e não de homem nascido da carne. Porqueacreditem meus amigos: ele não era um dos nossos. Não erada nossa estirpe. Por isso, utilizo-me dos seus ensinamentospara passar minha aprendizagem. Porque suas palavras sãoespírito e vida. Foi Ele o Mestre dos mestres. Nós outros,somos todos aprendizes. O Mestre José deu uma pequena pausa, paratomar um fôlego, pensou por um momento e sentenciou: - Nunca esqueçam destas palavras: "O amor é a chave secreta que abre as portas do paraíso". Ditas estas palavras, permaneceu por algunsinstantes de silêncio, como que para dar um tempo para que SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 52
  53. 53. os aprendizes meditassem sobre elas. Todos ficaram calados.Um silêncio profundo. Fazia parte das regras rígidas ditadasnos primeiros dias. O mestre pediu para que em todos osmomentos fosse falado apenas o mínimo suficiente; visto queo objetivo seria aprender com o silêncio da montanha e com asolidão da floresta. Diante de um silêncio aterrador, mestre foi até oseu cantil e bebeu um pouco de água. Os aprendizespermaneciam calados quando mestre José chegou econtinuou: - Antes de contar minha iluminação, vou esclarecer-vos a respeito do fato de somente hoje, após quase duassemanas de contato, achei que era chegada a hora de meabrir com vocês. Havia um motivo oculto para nossa subida aomonte sempre acompanhado pelas orações. Lembram-se deque todos os dias, durante um momento, chamava cada umde vocês em separado e fazia questionamento a respeito daspeculiaridades do caminho. - Claro que lembro. - disse César. - E sempre noteique subíamos por locais diferentes. - Lembro-me também que o senhor sempre pediaque prestássemos a máxima atenção nas palavras da oração SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 53
  54. 54. do Pai-nosso, mas que fizéssemos isso de uma maneira bemsimples e espontânea. - Replicou Suzana. - Pois é - continuou o mestre. - isso tinha um motivomuito especial. Na verdade esse foi um dos exercíciosespirituais, visto que o jejum também se trata de um exercícioimportantíssimo na busca a Deus. Também a narração davivência de cada um, sem restrições, conforme pedi a cadaum de vós é um exercício que alivia a alma e, porconseguinte, nos aproxima de Deus. É como o alívio daconfissão de culpa que os católicos sentem quando saem doconfessionário. - entendem? - Sim! - responderam todos em uníssono. - Mas, continuando - interrompeu mestre José - osegredo da oração era, além do seu objetivo prático, que é acomunicação com Deus, também o de revelar o nível deconcentração de cada um de vocês. À medida que chamavacada um à parte e perguntava sobre o percurso, notava onível de entrega de cada participante e de forma sutilreforçava sempre para que rezasse com o coração e com aalma. Todo aquele que dizia que não tinha prestado atençãoem praticamente nada no percurso, eu o parabenizava emsegredo, pois havia feito a entrega total no momento de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 54
  55. 55. oração. E, suplicava para que a partir de agora, pelo resto desua vida orasse daquela forma. Esse é um dos segredos daoração: a entrega total. Não pensar, não ver e procurar nãoouvir mais nada durante os momentos de contato com Deus.Fazer a entrega total. Não precisa ser uma oração bemelaborada, que resuma suas necessidades pois, como Jesusdisse - Deus sabe das nossas necessidades antes de opedirmos. - portanto o que vale, não são as palavras e sim aentrega. Somente através da supressão das coisas do mundoé que chegamos a Deus. - Meu Deus - pensou Carlos - Como fui ingênuo.Não havia percebido o sentido de tudo isso até hoje. Estou decerta forma envergonhado, visto que os companheiros jádevem ter descoberto o segredo da oração de entrega totalbem antes e só estavam perdendo tempo naquele exercíciopor minha culpa.- Olhou para o mestre e para os demaisintegrantes com um sentimento de que era mesmo muitoingênuo. Mas interrompendo seus pensamentos deautocomiseração, como que adivinhando que um clima dedúvida pairava na mente de todos os aprendizes e não SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 55
  56. 56. somente na cabeça de Carlos, mestre José dirigiu-se ao grupoe falou: - Meus amigos, não se enganem. A evoluçãoespiritual é um processo lento e contínuo. Ninguém aqui éobrigado a conhecer os meus caminhos de aprendizagemantes que eu lhes revele visto que, como já lhes disse antes,este é meu caminho, não o vosso. Cada pessoa encontra oseu caminho e sua própria forma de contato com Deus. Elembrem-se: Deus não nos apressa nunca. Fez a todos nós,dotados de livre arbítrio, para que através desta liberdade,possamos descobri-lo e resolver por livre e espontâneavontade, voltar para a casa que Ele preparou para cada um denós desde a fundação do mundo. Um dos maiores segredosque levei mais de cinqüenta anos de minha vida paradescobrir e que descobri somente aqui no meio dessa florestaatravés do isolamento, da oração e do jejum, foi de que portodos os caminhos que possamos seguir, estamos indo emdireção a Deus. A doença, o sofrimento, a dor, o amor, aalegria, a felicidade, a maldade que alimentamos porignorância; tudo isso, por incrível que pareça, mais cedo oumais tarde acaba em Deus. O objetivo maior desseaprendizado que estou lhes passando é exatamente quevocês tenham consciência destas verdades que acabei de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 56
  57. 57. dizer. Verdades que não me pertencem, porque são verdadesuniversais. Assim, não se preocupem pois esses dias de retiroretratam apenas uma pequena porção do vosso aprendizado.Eu estou aqui há onze anos e ainda continuo aprendendo. O mestre José ficou calado por alguns instantesesperando por algum questionamento da parte dosaprendizes. Todos permaneceram calados. - Vocês têm alguma pergunta. - Não. Responderam os jovens. Não havia dúvidas. Todos estavam saciados pelosensinamentos altruístas do mestre José. - Então por hoje chega de conversa. Vamos comere dormir um pouco aqui no alto da montanha. Depoisdesceremos para os afazeres da casa. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 57
  58. 58. Na manhã seguinte lá estavam os jovensnovamente no cume da montanha para ouvirem as históriasdo velho eremita que todos já admiravam e respeitavam.Ainda mais agora que o mestre começava a revelar-lhes ossegredos de sua vida. - Meus amigos! A partir de hoje contar-lhes-ei umpouco de minha história triste pelos caminhos tortuosos davida. Falar-lhes-ei sobre coisas que só confio àqueles quetenho estima e consideração. Já os considero como filhos.Quero apenas solicitar que tudo o que ouvirem com respeito àminha vida particular morra aqui no alto desta montanha, vistoque tenho um passado onde a minha vida social era muitoativa. E, se muitos souberem quem eu sou, acabar-se-á todaa minha privacidade. Posso confiar em vocês? Todos concordaram plenamente assumindoresponsabilidade sobre o que ouviriam. Então o mestre Joséiniciou: - Meu primeiro mestre espiritual foi minhacatequista, na paróquia da pequena cidade onde passei minha SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 58
  59. 59. infância. Mas depois eu evoluí intelectualmente e achei tudoaquilo muito simples e ridículo para mim. Que grande mal eucausei a mim mesmo quando me julguei dono da verdade.Não percebi que Deus está nas coisas mais simples do dia adia. Devido à ignorância criada pela falta de humildade, meumestre após aqueles tempos, foram o abismo e a escuridão.Esqueci-me de Deus. Esqueci que Ele era simples e fácil dese ver e compreender porque era Luz. E a luz se vê de perto ede longe... E caí no abismo. Progredi financeiramente, tivesucesso e dinheiro; mas como não segui o caminho da luz, caíà beira do caminho. E, fui literalmente engolido pelas trevas.Hoje percebo que até as trevas foram como mestres. Até elaseram operárias da Luz. Também eram obrigadas a servir àGrande Obra da Criação. Tinham o objetivo de mostrar,através do seu jugo impiedoso que existe a luz. Entretanto,posso lhes assegurar que é melhor, bem melhor seguir ocaminho para o qual fomos criados enquanto estamosenxergando a luz, mesmo que no fim do túnel. - Sr. José. - interrompeu Paulo. - Me desculpe; maso senhor está falando de uma maneira muito enigmática paranós que somos iniciantes. Fale mais claramente para quepossamos entender melhor. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 59
  60. 60. - Meus amigos; vocês não precisam entenderliteralmente tudo o que estou falando agora. - falou o mestre. -Entretanto, peço que guardem estas palavras com carinho emvossos corações para serem lembradas nos momentos certos.E vou falar mais um enigma: a compreensão das coisas doalto vêm somente do Espírito Santo, quando vocêsaprenderem a prática do Amor sem limite. Guardem bemestas palavras para o momento pessoal de vossa iluminação.Uma ressalva! Essa iluminação dificilmente acontecerá nessepouco tempo de convívio com a natureza, mas espero queseja um auxílio. Pode até acontecer aqui, como podeacontecer daqui a milhares de anos. Não se assustem porqueDeus não tem pressa e a vida não tem fim. Sei que essaspalavras podem parecer ridículas para vós agora, mas sãocoisas que um dia compreendereis. Posso dizer apenas que ailuminação espiritual, objetivo da existência de cada um denós é o mesmo que ver Deus em tudo ao nosso redor. Écompreender, aceitar e viver o "Amor sem limites". É ver aface de Deus em tudo; até mesmo nas tragédias, nasangústias e nos sofrimentos do homem. Como disse o bomMestre: “buscai e encontrareis”. Mas buscai com afinco,porque fostes criados somente para isso. Fostes todos criados SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 60
  61. 61. para manifestar a glória de Deus. E mais uma vez; não seesqueçam: Deus está nas coisas mais simples. - Senhor José; Diga-nos como podemos chegar aessa compreensão – Disse Suzana. - Acaso deveremos tornarmo-nos ascetas como osenhor. Isolarmo-nos do mundo para que possamos atingir talgrau de evolução? – completou Paulo. - Claro que não meus amigos. Deus é o Deus detodos os homens. Dos católicos, dos muçulmanos, dosmísticos, dos ateus, dos evangélicos. Deus não faz acepçãode pessoas. Cada um segue por um caminho mas o destino éum só. É claro que existem caminhos mais longos e caminhosmais curtos. As religiões funcionam como atalhos para Deus.Entretanto o caminho será sempre incerto. Somos comoviajantes perdidos em uma noite em busca do abrigo e da luz.Não existe uma verdade absoluta. Deus quis que fosse assim. - Dê nos exemplos de como nos aproximarmos deDeus – disse Carlos. - Posso dizer que a Bíblia pode ser um bom guiapara se chegar a Deus. Entretanto não é o único, porque osanalfabetos também devem ter as mesmas chances de SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 61
  62. 62. salvação que um homem culto. E podem aprender por outroscaminhos. Não se esqueçam jamais destas palavras: ocaminho para Deus é um caminho para todos os homens.Todos! E, posso afirmar com absoluta convicção que aprendimuito mais com a natureza do que com as centenas de livrosque li. Enquanto o papel aceita as idéias e devaneios de todosos homens, a natureza trabalha apenas coma as idéias doCriador. E as desenvolve e apresenta a todos os que queremver. As lições de um livro podem ser verdadeiras ou falsas. Aslições da natureza são sempre verdadeiras. E assim; entre perguntas e respostas, passaram oresto do dia a dialogar no alto do monte. No outro dia, depois o costumeiro descanso após asubida o mestre José iniciou nova preleção dizendo: - Devo dizer-lhes que até agora contei apenas aparte melhor da minha história de vida. A pior parte eunegligenciei de vocês porque estão aqui no ímpeto deevoluírem e tudo o que de negativo puder ser evitado eu farei,visto que o tempo é curto e as coisas más que são pensadasou ditas têm um poder que vocês nem imaginam. Contareientretanto um pouco da parte negativa de minha caminhadaporque tem muito a ver com meu início de evolução espiritual. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 62
  63. 63. Isso que procuro passar aos aprendizes que aquivêm, levei muitos anos para assimilar sozinho. Por issopercebi como é importante alguém que possa sempre nosajudar no nosso caminho. O auxílio solidário de uma pessoa aoutra pode ajudar a encurtar muitas distâncias. Estamossempre aprendendo com os erros e acertos dos outros. Porcausa disso resolvi ajudar as pessoas a encontrarem agrande luz que faz a semente divina germinar. Mesmosabendo que a iluminação ocorre sempre a nível individual,creio que posso contribuir com meu exemplo. Além do mais,todo ser humano sente a necessidade de expressar oconhecimento adquirido. Todos nós sentimos a necessidadede expressar nossas experiências. E quem ensina é quemmais aprende. Senti que estava pronto a passar estesconhecimentos a partir do momento em que fui capaz dealiviar uma alma sofrida como a minha. Fui capaz de mostrara luz através dos caminhos da natureza para alguém quechegou ao fundo do poço assim como eu. Emaproximadamente seis meses, essa pessoa havia de novoencontrado seu elo perdido. Creio que a maioria das pessoasque aqui aparecem, aprendem muito em bem menos tempoque eu e o primeiro aprendiz que aqui esteve há muitos anos.Eu e ele fomos dois cabeças duras e envelhecemos errando SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 63
  64. 64. sem nunca aprender com os erros até que chegássemos aofundo do abismo. Jesus passou quarenta dias de provação nodeserto e assim como Ele. creio que esses dias que estarãoaqui, será de grande valia para cada um de vocês. Após preparar dessa forma o espírito dos jovens,mestre José pediu a atenção de todos pois a partir daquelemomento contar-lhes-ia detalhadamente como havia chegadoàquele local. Primeiramente contou-lhes com brevidade osacontecimentos menos significativos de sua vida. Sabia que omais importante para os jovens seria saberem como ele haviachegado ao topo do poder, tornando-se um membroimportantíssimo na política. Então ele iniciou sua história devida dizendo: - Em determinada fase de minha adquiri grandefama e poder no mundo da política curitibana. Nos bastidoresdo poder conheci grandes glórias e, mergulhado nesse mundode corpo e alma esqueci-me de que havia pessoas que demim necessitavam para seguir adiante. A sede de poderafastou-me aos poucos de meus familiares e amigos. O poderera tudo que me interessava. Pelo poder eu mentia,corrompia, enganava o meu irmão. Quando percebi que haviaperdido os bons valores era tarde demais. Estava isolado em SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 64
  65. 65. um circulo vicioso de prepotência que eu mesmo havia criado.Daí para os vícios foi um passo. Primeiro veio o vício do jogo.Grande parte do que ganhava ia para os jogos de azar.Depois vieram as mulheres, o alcoolismo, o fundo do poço. Derepente meu mundo ilusório começou a desmoronar-se. Perdiprestígio politicamente. Saí candidato por um partido menor efui derrotado. Com a política, perdi também muito dinheiro.Ninguém mais estava ao meu lado. Meus parceiros políticosdesapareceram. Meus únicos prazeres vinham dos meusvícios. E estes prazeres aos poucos me destruíramliteralmente. Quando me dei conta, estava quase sem dinheiroe sem amigos. Nesse momento relembrei de Deus. Pedisocorro. Ninguém respondeu. Busquei socorro nas maisvariadas crenças. Primeiro ingressei-me na magia. Tornei-meum assíduo freqüentador de cursos e reuniões com pessoasde igual interesse. Passei a fazer uso de artefatos mágicospara os mais variados fins. Pentagramas, círculos mágicos,invocações e rituais agora faziam parte do meu mundo.Conheci boas pessoas. Entretanto conheci também o ladonegro da magia. Não obtinha entretanto os resultadosesperados. Resolvi que iria procurar Deus por outroscaminhos. Nesse tempo; aprofundei-me em livros deesoterismo e auto-ajuda. Conheci os livros que simplificavam SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 65
  66. 66. Deus. Aqueles que ensinavam que o poder de Deus nadamais era que um pensamento em nossa mente. Agora euachava que tudo aquilo que eu havia aprendido na magia nãofazia sentido. Estava tudo no poder do subconsciente.Acreditei haver encontrado as respostas que eu precisava.Bastava acreditar. Bastava mentalizar para que meus desejosse realizassem. Achei ter descoberto o segredo dos segredos.Iria conseguir tudo o que havia perdido de volta. Bastavamentalizar. Nessa ilusão vivi por alguns anos. Mentalizava oque queria. Consegui algum progresso com isso. Entretanto,um dia percebi que eu não era dono do meu destino. Nãopoderia viver mentalizando todas as situações do dia-a-dia. Avida era complexa. Não podia submetê-la aos meus desejos.Eu não tinha o poder para guiar meu destino vinte e quatrohoras por dia. O poder da mente não era a resposta ideal.Assim; desiludido nas minhas buscas resolvi isolar-me de tudoe de todos. Deixei alguns bens imóveis que ainda possuíapara que fossem locados pelo mercado imobiliário de Curitibae juntei minhas coisas vindo parar neste lugar que agora meencontro. Assim; até hoje vivo aqui isolado da civilização. Vivoaqui da renda mensal do aluguel de meus imóveis na capital.Além disso, tenho uma aposentadoria razoável. Aproveito SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 66
  67. 67. essa liberdade financeira que o dinheiro me proporciona paraexecutar o meu trabalho de espiritualização. Quando me mudei para cá, fiz isso num ato deraiva do mundo. Queria me isolar de todos porque eles meabandonaram. Não percebia que eram as mãos mágicas deDeus me mostrando o caminho espiritual que eu buscava hátanto tempo. Um caminho simples que eu demorei a descobrirporque o procurava nas coisas mais complexas. Não sabiaque Deus era o Deus dos simples e dos humildes. Só percebiisso há alguns anos atrás quando pude de novo ajudaralguém a se reencontrar consigo mesmo. O meu primeiroaprendiz, como já disse antes. Antes que mestre José pudesse continuar, Carlos ointerrompeu: - Por acaso esse primeiro homem que aqui estevechamava-se Jonas. - Sim meu filho. Foi ele mesmo. Jonas tornou-seum dos meus maiores colaboradores. É uma boa alma. Jámandou muitas pessoas para cá, para conhecer osensinamentos da natureza. Inclusive você, não é? - Exatamente - confirmou Carlos. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 67
  68. 68. Em seguida mestre José contou a história de seuJonas. Foi ouvido atentamente por todos os jovens,principalmente por Carlos que via confirmar toda história queseu patrão havia contado antes. E assim os jovens passaram todo o resto daqueledia no cume da montanha a conversar sobre as coisas deDeus e da natureza com mestre José. Nem perceberam ashoras passarem porque falavam de coisas que interessava atodos. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 68
  69. 69. Naquela noite o mestre José pediu para que todosao deitar fizessem uma oração especial para que Deus osiluminassem visto que já haviam chegado na reta final doretiro espiritual e que, na manhã iriam ouvir uma preleçãoespecial. E assim, no outro dia subiram mais cedo que decostume, pois segundo o mestre teriam muito o que fazer.Chegando ao alto do monte após descansarem por algunsminutos mestre José disse uma frase que fez os rapazes selembrarem de um momento do ritual católico. - O Senhor esteja convosco! - Ele está no meio de nós – responderam os jovensimitando o culto católico. - Demos graças ao Senhor nosso Deus! - É nosso dever e nossa salvação! Ditas estas palavras, fez-se um breve silêncio.Ninguém ousou comentar a atitude inusitada do mestre emimitar o costume católico. Sem dizer mais nada, o mestre foiaté uma bolsa que sempre trazia junto consigo para carregar o SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 69
  70. 70. cantil de água e a Bíblia; objetos sempre presentes, mesmonos dias de jejum. Dessa vez havia algo mais na bolsa. Umasacola cheia de sementes das mais variadas espécies nativasda floresta. Ainda em silêncio pegou as sementes e asespalhou pelo chão com cuidado e até com uma certareverência. Só então iniciou seu discurso, dizendo: - Vou exemplificar o segredo da minha iluminaçãoespiritual através de uma metáfora. Quero que prestem amáxima atenção. Estas sementes foram colhidas de diversasespécies vegetais que habitam esta montanha. Como elas,existem milhões de outras por essa mata afora. Estas noentanto; simbolizarão agora, no nosso aprendizado, ahumanidade em geral. Espiritualmente falando; sementes são como oshomens que ainda não descobriram o propósito espiritual parao qual foram criados. Apesar de terem sido criadas pelaárvore mãe com o objetivo de germinar, crescer, florescer,frutificar e cumprir a sua missão na grande obra da criação, assementes ainda estão adormecidas, porque não encontraramcondições propícias para isso. Nesse ínterim, podem vir aapodrecer e servir de adubo para outras plantas, alimentar osanimais selvagens ou até servir de base para o preparo de um SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 70
  71. 71. prato que alimentará o homem. Noutras palavras, podemcontribuir de diversas maneiras para a evolução da vida. Entretanto, o objetivo maior de sua existência, serásempre o de germinar e crescer à imagem e semelhança daárvore mãe. Conhece sua missão e sabe em sua sabedoria desemente que existe uma grande luz lá em cima - o sol para aplanta; Deus para o homem - que pode lhe proporcionar opleno desenvolvimento de suas faculdades latentes eadormecidas. Necessita para isso de condições propícias paravir a desenvolver o seu dom. Deve isolar-se na escuridão daterra sofrer uma verdadeira morte por dentro para o seuestado atual, receber a força dos elementos da natureza, quea ajudarão a crescer e encontrar a luz que lhe dará uma novavida. Permanecerá ainda coma as raízes fincadas na terra,mas agora poderá contar com a energia poderosa da grandeluz que a fará crescer e produzir seus frutos. Cem, duzentos,mil por um... Quando descer à escuridão, a semente terá delutar contra as forças da terra que inicialmente desejarãomatá-la, para em seguida alimentar-se dela. Mas sendopersistente e determinada; encontrará as condições propícias,lutará e vencerá o poder da terra, pois deseja encontrar agrande luz e crescer. E a terra não pode destruir os quebuscam a luz, porque todos os elementos, inclusive ela (a SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 71
  72. 72. terra) foram criados e mantidos pelo poder daquela grandeluz. A terra também respeitava e temia a grande luz porquelhe era muito superior. Dessa forma, a semente quegerminou, encontrou na terra uma aliada que a partir de agorairia ajudá-la. Agora a terra tornou-se sua serva, dando suaenergia para ajudá-la a subir para cima e encontrar a forçaedificadora da grande luz que estava lá em cima ajudandotodos os seres a cumprirem o seu papel. E, ajudada pelospoderes da terra, iluminada pela energia e pelo poder dagrande luz que era o sol a planta cresceu e cumpriu o seupropósito sublime na Grade Obra da Criação: multiplicar osdons que lhe foram confiados por outra Grande Luz quecomanda todas as luzes. Esse será o destino de muitasdestas sementes que aqui se encontram. E, nós somos comoestas sementes para Deus. O mestre deu uma pequena pausa, com o objetivode ocultar daqueles jovens aprendizes uma lágrima queteimava em escorrer por seu rosto. -Entenderam a comparação e o sentido daparábola? - Sim; responderam os jovens emocionados. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 72
  73. 73. - Dessa forma ocorreu a minha iluminaçãoespiritual. Espero que vocês encontrem à luz. Cada um à suamaneira. Minha história serve apenas de exemplo. Maslembrem-se, volto a repetir: os caminhos de Deus são muitose, há muitas, muitíssimas moradas na casa de nosso Pai. FoiJesus quem disse isso. Os jovens realmente entenderam a mensagem.Naquele dia todos se alimentaram felizes no alto damontanha. Era como se houvessem adquirido uma novamaneira de ver as coisas. Carlos particularmente entendeuprofundamente a mensagem de mestre José. Percebeunaquele instante que poderia a partir daquele momento fazergerminar com toda a força a sua semente espiritual que elehavia deixado adormecida por falta de cuidados simples que amesma exigia. Bastava regá-la e adubá-la todos os dias combons pensamentos e boas atitudes. Devia ser um jardineiro noJardim do Éden. Devia cultivar a semente que o Dono doJardim havia lhe confiado. Compreendeu que cada umprecisava cuidar apenas de sua própria semente para que oJardim de Deus crescesse mais e mais. A partir de agora eleiria cuidar da sua. Faria a sua parte. Esse era o preço queDeus cobrava de cada um. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 73
  74. 74. - Faça a sua parte - Dizia a voz da sua consciência. Após o almoço no alto da montanha todos osaprendizes estavam com um ânimo redobrado. Parecia que aspalavras do mestre naquela manhã havia despertado-lhesalgo adormecido dentro deles. A parábola das sementes fezos jovens tomarem consciência do dever de evoluçãoespiritual imanente a todo ser humano. Mestre José havia percebido que os aprendizesentenderam a lição da natureza, uns com mais e outros commenos profundidade. Entretanto; de alguma forma todossairiam dali melhores que antes. Ao final convidou todos afazerem uma oração especial, visto que aquele seria o últimodia que estariam juntos. Pela primeira vez perguntou a religiãode todos. - Muito bem! Já que todos se dizem católicosfaremos uma oração da igreja. Tomei a liberdade de mudaralgumas palavras já que não estamos no ambiente de umamissa. Peço que todos repitam cada frase que eu disser.Lembrem-se de fazer a entrega total - E começou a oraçãodizendo: “Senhor Jesus Cristo; dissestes aos vossosdiscípulos: eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz. Não SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 74
  75. 75. olheis os nossos pecados mas a fé que anima estes vossosseguidores. Dai-nos segundo o vosso entendimento a paz e aunidade. Vós que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo”. Repetiram esta oração umas cinco vezes. Segundoo mestre esta oração tem o poder de fazer os aprendizes areconhecerem as ovelhas do rebanho e a distinguí-las doslobos. - Lembrem-se destas palavras: Todos osseguidores do cordeiro estão marcados. Quem alcançar umbom grau de evolução espiritual conseguirá reconhecer talmarca. Isso demanda tempo e dedicação. Esta oração vosajudará - falou o mestre José. Dizendo estas coisas deu-se por encerrado o retiroespiritual. Ordenou a todos que descessem, arrumassem suascoisas e partissem assim que possível. Na manhã seguinte todos os aprendizes já haviamido embora. Apenas Carlos havia ficado até mais tarde vistoque resolvera subir a Curitiba de trem e este passaria porMorretes apenas no final da tarde. Passou a manhã todaconversando com mestre José o que lhes conferiu um contatomais afetuoso. Afinal era a primeira vez que conversavamsozinhos depois do início do retiro. O jovem aproveitou para SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 75
  76. 76. confessar ao mestre que havia encontrado muito mais do quebuscava. - Vim em busca de um alento para a minhadesilusão amorosa e encontrei um novo amor; muito maior emais sublime. Aprendi que o amor é a chave do segredo queabre as portas do paraíso como o senhor disse. Ainda melembro de Patrícia, mas já não sinto tanta falta de suapresença. É como se algo dentro de mim dissesse que eutenho coisas muito importantes a fazer agora. Creio que aindaleve algum tempo para esquecê-la. Entretanto tenho certezade que não voltarei a procurá-la. Tenho outros objetivos emmente. Estou sentindo um desejo ardente em trabalhar o meulado espiritual. - Tudo bem Carlos. Apenas cuidado para não ficarbitolado a isso. Lembre-se: o homem é matéria e espírito.Estes dois elos devem permanecer unidos. Cuidado para nãose tornar um fanático. Deus não precisa disso. Não énecessário salvar o mundo. Apenas faça a sua parte. - Ok senhor José. Eu compreendo tudo isso. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 76
  77. 77. Durante a viagem de volta, a morosidade daviagem de trem e as belezas da serra do mar fizeram Carlosdivagar pelo mundo da imaginação. Pela primeira vez depoisde todos aqueles dias de isolamento pode retirar o seu walk-man da bolsa. Ligou-o no momento exato em que tocava umamúsica que tinha tudo a ver com o momento que estavavivendo. Era uma música mensagem do saudoso cantorGonzaguinha. A música dizia que devemos viver sem tervergonha de ser feliz e cantar ao mundo a beleza de ser umeterno aprendiz. A música, a paz da floresta, o balançar do tremcriou na mente do rapaz uma paz tremenda e uma espécie desemitranse passou a tomar conta de sua mente. De repentesurgiu-lhe a vontade de expressar seu aprendizado ao mundo,de um modo que pudesse ajudar a outras pessoas, bem comotornar mais vívida para si mesmo sua experiência. Ossegredos que havia aprendido agora seriam parte integrantede sua vida e ele já conseguia enxergar as coisas por umângulo mais amplo. Foi meditando sobre tudo o queaprendera e como iria utilizar aquele aprendizado sagrado em SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 77
  78. 78. todos os setores de sua vida que o rapaz adormeceu... Em pouco tempo passou a ter uma espécie desonho místico onde se passavam vários acontecimentos desua vida. Relembrou no sonho o dom que desde pequenotrazia adormecido. A pintura; um dom inato que ele teve aoportunidade de desenvolver na adolescência. “Sempre tivera vontade de fazer um curso depintura para desenvolver suas potencialidades. No início seupai era contra, pois dizia que a arte não tinha valor no Brasil eque isso seria uma perda de tempo. Apesar da resistência,Carlos acabou, com a ajuda da mãe, convencendo o pai amatriculá-lo num curso de pintura. Depois da adolescência,Carlos passou a se envolver com outras atividades e seu domde pintar foi deixado de lado. Apenas fazia algumas pinturaspara enfeitar as paredes de sua casa ou para presentear osamigos, muito embora sempre tivera o sonho de um dia, criaruma pintura especial que realmente pudesse chamar aatenção das pessoas. Este momento havia chegado”. SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 78
  79. 79. Agora; o seu sonho intuitivo o havia presenteadocom uma idéia bem original. Viu-se pintado um quadro no qualretratava sua experiência espiritual com mestre José. Napintura ele via nitidamente os estágios de sua experiênciamística. Três figuras seqüenciais distintas onde a imagem deum homem que ele interpretou como sendo ele próprio,aparecia nos três estados de que tinha consciência de tervivido: o antes, o durante e o depois do retiro espiritual.Sonhou que sua vida mudaria para sempre a partir daquelemomento. Teria uma nova vida, alcançaria a felicidade e arealização pessoal. Venderia o quadro por uma imensaquantia de dinheiro que lhe daria total independênciafinanceira Conheceria um novo amor que seria sua carametade, ajudando-o a cumprir a missão que o criador havialhe confiado. Quando o trem passava pelo último túnel dopercurso de volta a Curitiba, Carlos despertou assustado pelobarulho. Foi a primeira vez que teve uma premonição. Haviasido presenteado com uma visão do futuro que o aguardavacaso ele seguisse a sua missão. Não seria uma missão SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 79
  80. 80. especial; mas sim a missão de todos os homens. Trabalhar,progredir e ajudar a construir um mundo melhor para todos. De fato todas estas coisas vieram a acontecer navida do aprendiz. Não da forma exata que foi desenrolada nosonho. Basta dizer que o quadro que pintou fora vendido aum estranho por uma pequena quantia de dinheiro e nãopelos milhões que havia sonhado. Entretanto; a arte de suapintura foi como uma chave mágica que abriu muitas e muitasportas para um novo mundo cheio de amor, felicidade e pazinterior. * * * SITE DO AUTOR: www.acasadoaprendiz.com 80

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