Dr. Cláudio Costa              Belo Horizonte-MGclcosta.costa@gmail.com
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A Clínica Psiquiátrica com     Crianças e Adolescentes Desenvolvimento da Especialidade após 1930:   Duas vertentes:    ...
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A Clínica Psiquiátrica com Crianças e             Adolescentes       Tentativa de Definição: A Psiquiatria da Infância e ...
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Há necessidade do Psiquiatra da Infância e Adolescência?                   Qual psiquiatra formar?                        ...
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Um psiquiatra da infância eadolescência deve ser capaz de: Privilegiar a escuta da criança, no sentido mais amplo do term...
Duas questões: Quais referências teóricas devem embasar a  formação? Três extremos:   Biologicismo   Psicologismo   S...
As questões da prática    a) A prática médica como expressão de ação       Política: conceito de cidadania e saúde       ...
A Clínica Psiquiátrica com     Crianças e AdolescentesAlgumas particularidades: Cuidados com a farmacoterapia:    Diagnó...
Campos de atuação e interseção da   Psiquiatria com Crianças e Adolescentes Campo Neurobiológico:    Psicofarmacologia  ...
LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.Estatuto da Criança e do AdolescenteDas Disposições Preliminares              Art. 3...
Estatuto da criança e do              adolescente:Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:         a) primazi...
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2012 psiq inf da teoria à prática

  1. 1. Dr. Cláudio Costa Belo Horizonte-MGclcosta.costa@gmail.com
  2. 2. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Infância: in+fans = condição daquele que não tem a fala = o infante Correlatos:  a Infantaria: os soldados que vão à pé e à frente: apenas obedecem, são os primeiros a morrer, não podem reclamar.  O “infantil” da neurose: a incapacidade de se gerir, a não resolução de conflitos “infantis”, a submissão ao desejo do Outro. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  3. 3. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Origens:  Primeiro paradigma: criança como adulto em miniatura  Primeiro objeto: crianças atrasadas com déficits comportamentais  Primeiro objetivo: educabilidade Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  4. 4. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Origens:  Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis  Ramo da Psiquiatria: a partir da psicopatologia do adulto. Exemplo: “demência precocíssima” (1906)  A especialidade se constitui a partir de uma prática, não de uma elaboração teórica  “Mosaico conceitual(*)”: teorias genéticas, psicológicas, educacionais, psicanálise, psiquiatria, neurologia, neurociências. (*) Ajuriaguerra, 86 Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  5. 5. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes - Origem Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeisO espanhol Pedro Ponce de León (1520-1584)  foi um monge  beneditino que  recebeu  créditos  como oprimeiro professor para surdos. Ponce deLeón estabeleceu  uma  escola para surdos no Mosteiro de  San  Salvador  em Oña Burgos.    Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  6. 6. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e AdolescentesRamo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeisJean Itard (1774-1838) – França, dirigiu a Instituição Imperial dos Surdos-MudosDesenvolveu a reeducação de umacriança  selvagem  encontrada  em Aveyron.  ITARD  atribuiu  o  atraso  do  menino  de  Aveyron  ao fato de ele  ter-se  desenvolvido  sem  contato  com  sociedade  humana: ausência de linguagem.Publicou:  De leducation dun homme sauvage ou des premiersdéveloppements psychiques et moraux du jeune sauvage delAveyron (1801), Rapports et memoires sur le sauvage delAveyron (1807) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  7. 7. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis  VICTOR, o Sauvage de lAveyron, foi encontrado num bosque nas proximidades de Aveyron em 1800. Teria sido abandonado para morrer na floresta. Philippe Pinel deu-lhe diagnóstico de ‘dano mental irreversível’, mas seu discípulo ITARD nomeou-o “Victor” e se propôs a ensiná-lo a falar, com a premissa de que fora a falta de estruturação da linguagem a causa de seu atraso: sem linguagem, Victor não teria memória nem noção da própria identidade.  “Oh, Dieu” foi a única frase que o menino conseguiu falar, o que frustrou muito o Dr. Itard e seus discípulos.http://labirintosdoser.blogspot.com.br/2009/07/selvagemcivilizado-civilizadoselvagem.html Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  8. 8. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Tailler: O garoto de Aveyron  Gênero: Drama Ano:1969 Duração:84 minutos Origem: França  Direção:François Truffaut Roteiro:François Truffaut e Jean Gruault, baseado em livro de Jean  Elenco:Jean-Pierre Cargol (Victor); François Truffaut (Dr. Jean Itard); Françoise Seigner (Madame Guerin); Jean Dasté (Prof. Philippe Pinel)Clique:  Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  9. 9. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Paradigmas psiquiátricos (até 1930):  Doença mental como demência (Heller, Bleuler, Sancte de Santis)  Psicopatologia da infância como decalque da clínica psiquiátrica do adulto  Concepção médico-anatomista: doenças do cérebro  MOREL (1852): usa o termo Demência Precoce para descrever uma criança que se afundou na idiotia  MOREAU DE TOURS (1888): Folie chez l´enfant: crianças que perdem o espírito e vêem sua inteligência enfraquecer... Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  10. 10. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Desenvolvimento da Especialidade após 1930:  Duas vertentes:  Concepção psicológica-funcionalista: estudo da gênese, desenvolvimento e função das atividades psicológicas. Organismo = um todo espírito-corpo, engajado na tarefa de adaptação ao meio ambiente  Concepção desenvolvimentista: saúde mental como destino = um plano traçado geneticamente, mais ou menos influenciado pelas condições do meio. Daí o conceito de falhas, déficits e incompetências Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  11. 11. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes A contribuição da Psicanálise (após 1930):  Freud: Teoria da causalidade psíquica: toda manifestação psicopatológica é resultado de um conflito psíquico: caso pequeno Hans.  Contribuição dos pós-freudianos: Melanie Klein, Donald Winnicott, Françoise Dolto, Maud Mannonni.  A criança passa a ter uma história de vida e, portanto, singularidade. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  12. 12. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Tentativa de Definição: A Psiquiatria da Infância e Adolescência é uma especialidade médica que se dedica ao estudo e tratamento dos transtornos mentais que acometem crianças e adolescentes. Trata-se de uma prática social que está constantemente sob múltiplas interferências, uma vez que seu objeto (transtornos mentais) padece de questionamentos de toda ordem: cultural, ideológica, científica (como se define transtorno mental, qual sua etiologia, etc.). Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  13. 13. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes Kaplan & Saddock: Psiquiatria da Infância e Adolescência é o ramo da Psiquiatria que se especializou em:  Estudo,  Diagnóstico,  Tratamento  E prevenção dos transtornos psicopatológicos das crianças, dos adolescentes e de suas famílias. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  14. 14. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e Adolescentes A Psiquiatria da Inf e Adolesc abrange a investigação clínica:  da fenomenologia,  dos fatores biológicos,  dos fatores psicossociais,  dos fatores genéticos,  dos fatores demográficos,  dos fatores ambientais,  da história  e a resposta às intervenções nos transtornos psiquiátricos da infância e da adolescência! (Kaplan & Saddock). Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  15. 15. Há necessidade do Psiquiatra da Infância e Adolescência? Qual psiquiatra formar? Como? “Conforme o Children Act 1989 (Wallace, 1997) cerca de 20% das crianças necessitarão passar por serviços de Saúde Mental durante sua infância em função de problemas de desenvolvimento ou de saúde mental.” DIRETRIZES PARA UM MODELO DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL EMSAÚDE MENTAL NO BRASIL – ABP - 2006 http://www.abpbrasil.org.br/diretrizes_final.pdf Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  16. 16. Há necessidade do Psiquiatra da Infância e Adolescência? Qual psiquiatra formar? Como?Dr. Francisco Baptista Assumpção sobre as dificuldades na atenção psiquiátrica de crianças e adolescentes devidas ao baixo número de profissionais que atuam especificamente na área:Isso acontece porque não há uma análise criteriosa da área de atuação nem formação específica para psiquiatria infantil. “Pela ABP, nós não temos nem 200 especialistas. Mesmo considerando o Brasil temos ao todo 300, é muito pouco”, disse o médico paulista.Ele também falou sobre a escassez de pesquisas científicas em psiquiatria infantil. “Não é uma especialidade de ponta. Os recursos são poucos e não há investimentos na área. As universidades não se interessam”. Notícias da ABP, 2.maio.2007 in: http://www.abpbrasil.org.br/medicos/noticias/exibNoticia/?not=419 Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  17. 17. Questões sobre a Especialidade A Psiquiatria da Infância e Adolescência, antes chamada apenas de Psiquiatria Infantil, herdou da Psiquiatria Geral (de adultos) o arcabouço conceitual básico:  Objeto: a doença ou transtorno(?) mental  Metodologias para diagnóstico: próprias? vindas da psicologia? neurobiológicas?  Metodologias para tratamento: intervenções psicofarmacológicas e outras (não médicas?) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  18. 18. + Considerações sobre a Especialidade“A criança não deve ser vista como adulto em miniatura” se tornou palavra de ordem para buscar outras referências e estabelecer-se um novo paradigma. Daí a necessidade de se estudar o Desenvolvimento “normal” (Principalmente o Desenvolvimento das Capacidades Cognitivas, Motoras e Afetivas) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  19. 19. O que se exige para a clínica psiquiátrica com crianças e adolescentesAos conhecimentos tradicionais de  Desenvolvimento,  Psicopatologia,  Nosologia  e Psicofarmacologia,acrescentem-se as transformações da assistência à saúde mental (Reforma Psiquiátrica, novos dispositivos assistencias, a interdisciplinariedade, etc.), apontando para práticas muito além das do hospital e do tradicional ambulatório, tais como: orientação familiar, psicoterapias, participação em equipes multi- profissionais, programas de consultoria escolar e hospitalar (interconsultas), programas de prevenção e orientação, etc. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  20. 20. Um psiquiatra da infância eadolescência deve ser capaz de:Diagnosticar os transtornos condutuais epsicopatológicos que acometem crianças e adolescentes;Compreender os processos evolutivos da personalidadeem formação (áreas: emocional, cognitiva, psicomotora,neurobiológica, linguagem, sociabilidade, etc.);Indicar e executar práticas terapêuticas adequadas, querpor atuação psicoterápica e intervenção sócio-familiar,quer por adequada utilização de recursos farmacológicos; Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  21. 21. Um psiquiatra da infância eadolescência deve ser capaz de: Privilegiar a escuta da criança, no sentido mais amplo do termo,a fim de que o atendimento possa se transformar em lugar deacolhimento e segurança para aqueles que “perderam a palavra”; Dedicar-se a uma prática assistencial integral de tal forma que aclínica oriente as reflexões teóricas e por elas se deixe conduzir. Trabalhar em equipe interdisciplinar, respeitando as diferenças edemarcando o próprio campo da especialidade. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  22. 22. Duas questões: Quais referências teóricas devem embasar a formação? Três extremos:  Biologicismo  Psicologismo  Sociologismo Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  23. 23. As questões da prática a) A prática médica como expressão de ação Política: conceito de cidadania e saúde (mental) como direito inalienável e prioritário (ECA) b) Fundamentação nas teorias que sustentam a condução do tratamento, interdisciplinaridade, observação, pesquisa, farmacologia... c) Atenção aos avanços das pesquisas genéticas, neuroimagem e outros recursos ‘científicos’ d) Ética: o cliente como Sujeito, portador de história pessoal Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  24. 24. A Clínica Psiquiátrica com Crianças e AdolescentesAlgumas particularidades: Cuidados com a farmacoterapia:  Diagnóstico correto  Sintomas alvo  Consentimento informado  Fatores fisiológicos próprios da idade  Relativização dos aspectos biológicos em função das causalidades psicológicas, ambientais e relacionais, resistência por parte dos pais e/ou da criança/adolescente Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  25. 25. Campos de atuação e interseção da Psiquiatria com Crianças e Adolescentes Campo Neurobiológico:  Psicofarmacologia  Desenvolvimento Neurofisiológico (Genética, Endócrino, etc) Campo Psicológico:  Desenvolvimento sociopsicológico – cultura, ambiente, família  Psicanálise/Teorias Psicológicas/Psicoterapias  Intervenção Familiar Diagnóstico:  Psiquiátrico (CID-10 e DSM-IV)  Neuropsicológico (Funções Psíquicas)  Psicológico: Psicopatologia  Psicanalítico: estruturas psíquicas)  – ou outros Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  26. 26. LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.Estatuto da Criança e do AdolescenteDas Disposições Preliminares            Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
  27. 27. Estatuto da criança e do adolescente:Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:         a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;        b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;        c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;        d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  28. 28. Dois lembretes:1) Maior empecilho para uma boa prática psiquiátrica: a criança que mora dentro de todo psiquiatra.2) Mudar de objeto: da criança da qual se fala para a criança que fala. Cláudio Costa clcosta.costa@gmail.com Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012

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