nenhum lugar para fugir (tw kliek)

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nenhum lugar para fugir (tw kliek)

  1. 1. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 1 Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 Sam Kelly foi o seu primeiro amor. A última pessoa que Sam Kelly esperava retirar, ferida do lago, era Sophie Lundgren. Uma vez compartilharam um caso breve e intenso enquanto Sam estava à paisana e, em seguida, ela desapareceu. Ela passou os últimos meses fugindo, sabendo que qualquer erro custaria a sua vida e a de seu filho ainda não nascido, o filho de Sam. Agora ela reapareceu com um aviso para Sam: desta vez, ele é quem está em perigo. Agora ele é sua última chance. Sam tem muitas perguntas para ela antes de deixá-la escapar novamente, como, por que ela desapareceu, em primeiro lugar. Desta vez ele promete não ser seduzido. Mas um olhar em seus olhos, e a paixão queima novamente, e Sam sabe que fará tudo para manter a ela e seu filho seguros. No entanto, o passado obscuro de Sophie é mais perigoso que ele imagina, e a única maneira para qualquer um deles sobreviver, é superar. Feito do Inglês Envio do arquivo: Gisa Revisão Inicial: Kimie e Val Revisão Final: Kimie e Val Formatação: Sandra Maia Capa: Elica Leal TWKliek
  2. 2. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 2 Comentário da Revisora Kimie: Continuando a série, a história do Sam, o mais controlador. Preparem-se porque começa quente e vai ficando emocionante e cheio de surpresas, umas boas... e outras, nem tanto. Uma protagonista muito forte, corajosa e determinada. Um mocinho determinado a proteger aqueles que ama... Comentário da Revisora Val: Queria ter palavras contundentes o suficiente para expressar o quanto gostei desse livro. Talvez seja por que tem um bebê envolvido, e adoro estórias com crianças. Ou por que a Sophie é uma mulher tão carente de amor, de afeto, que sofreu tanto por ter um pai que é um monstro, e devido a isso receia não ser uma boa mãe, mas faz tudo para proteger sua filha por nascer. Eu gostei por que ela anseia por algo que nunca teve, e quando o encontra, sabe que vai perdê-lo em pouco tempo. E mesmo assim se entrega, vive cada momento, aproveitando tudo o que pode. E mesmo sem nenhum referencial de amor ou bondade, ela consegue ser uma mulher admirável. Doce e corajosa, que faz tudo para proteger aqueles que ama. Sam é seu primeiro amor. E ela simplesmente se entrega a ele, com todo amor, carência e desejo que tem dentro de si, mesmo sabendo que nunca terão um futuro juntos. Tudo que Sophie sempre quis durante toda a sua vida foi ter uma família, pessoas que ela amasse e a amassem também. E Sam tem tudo isso, embora, devido a tudo que aconteceu entre eles, não se mostre disposto a compartilhar com ela. Ele é um macho alfa, o filho mais velho extremamente protetor e cuidadoso com sua família. É ele quem decide tudo e se preocupa com a segurança de todos. Sempre acostumado a comandar, a colocar a família e a KGI em primeiro plano e seus sentimentos pessoas bem depois. Quando conhece Sophie, se perde no desejo de passar cada segundo ao lado dela, perdendo até mesmo o foco em sua missão. Eles se conhecem durante a missão e Sam, apesar de saber que não deve se envolver, não resiste e embarca com Sophie em um relacionamento quente e excitante. Separam-se quando a missão termina, mas não conseguem esquecer tudo que viveram. Quando se reencontram, ele se vê em uma situação onde nada é o que parece. Pressionado por seus irmãos, não sabe se deve acreditar na mulher que o deixou louco de desejo, ou se deve expulsá-la de sua vida . Ele anseia por ela, a deseja como nunca desejou ninguém. Geralmente tão frio, determinado e controlado, ao lado dela se sente como um adolescente com a primeira namoradinha, e não consegue se manter afastado. Ele sente a necessidade de morder, de marcar, fazendo algo que o ajude a extravasar a necessidade primitiva que o consome. Em certos momentos, me sinto lendo um livro sobre lobos, tamanha é a possessividade demonstrada por ele. Eu me emocionei muitas vezes, com cada sentimento vivido por Sam e Sophie, pelo sentimento de família, de união, de cuidado com os seus, presentes nesse livro. E espero que todos que tenham a oportunidade de ler a continuação dessa série, sintam-se tão enlevados como me senti.
  3. 3. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 3 Kelly Group International (KGI): um negócio familiar de super soldados de elite, ultra secreto. Qualificações: Alta inteligência, corpo forte, formação militar. Missão: resgate de vítimas de sequestro/reféns, coleta de informações, executar trabalhos que o governo americano não pode… CAPÍTULO 1 Ele estava esperando por ela, assim que abriu a porta de seu quarto de hotel. Sam Kelly observou enquanto Sophie se virava, viu a chama de desejo que acendeu em seus expressivos olhos azuis quando o encontrou. Antes que ela pudesse alcançar atrás para dar um puxão nas alças de seu avental, ele a pegou em seus braços, os lábios esmagando os dela nesse primeiro sabor. — Sam. O nome dele saiu em um suspiro ofegante que correu todo o caminho até suas bolas. Ele alcançou, soltou o nó e puxou até que o avental de trabalho que ela usava fosse tirado. — Algum problema esta noite? Ela balançou a cabeça, enquanto ele encontrava seus lábios novamente. — Eu odeio que você trabalhe lá. Ela fez uma pausa em seu beijo, e por um longo momento ficaram lá, seus lábios quase separados por uma respiração, enquanto olhava para ele. Sua boca se virou para baixo em um amuo infeliz, e ele se arrependeu por estragar o momento, ao expressar sua insatisfação com seu trabalho. Quem era ele para dizer alguma coisa? Ela estava trabalhando em um pequeno clube noturno em Bumfuck, México, um lugar que uma garota como ela claramente não pertencia, mas talvez tenha sido tudo o que poderia fazer, para bancar as despesas. Não era como se ele pudesse oferecer-se para carregá-la e levá-la para o por do sol. — Esqueça que eu disse alguma coisa, — ele murmurou. — Venha aqui. Colocou um dedo sob seu queixo e a guiou de volta para sua boca. Ele estava faminto, — morrendo de fome por ela. Enquanto seus irmãos e sua equipe estavam fazendo o trabalho, ele estava aqui, porque queria alguns momentos roubados com uma mulher a qual não foi capaz de resistir — uma mulher que não conhecia até o momento em que entrou no bar onde ela era garçonete. Uma mulher que tornou muito fácil esquecer o dever.
  4. 4. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 4 Ela se inclinou para ele, quente e instável. Ele a ergueu apenas o suficiente para que ela pudesse circular seu pescoço com os braços, e ela sorriu contra sua boca. — Melhor, — ela sussurrou. — Eu ficarei melhor quando você estiver nua. Levou-a para a cama e abaixou-a no colchão, até que pairou sobre ela, prendendo-a debaixo de seu corpo. Sua boca estava um pouco acima da barriga dela, e ele olhou por sobre seu corpo, encontrando seu olhar. — Você é tão bonita, — ele murmurou. Com movimentos lentos e metódicos, que desmentiam sua urgência, ele deslizou a camiseta para cima, expondo a cintura fina. Enquanto levantava sua camiseta sobre os seios, lambeu o recuo superficial de seu umbigo. Ela estremeceu sob seus lábios e vários estremecimentos correram através de sua barriga. Ela arqueou as costas quase como se estivesse tentando empurrá-lo, mas ele soltou a camiseta e agarrou seus quadris, mantendo-a no lugar. — Minha. Ela estremeceu e soltou um gemido suave enquanto ele subia lambendo por sua cintura e cravava os dentes na alça do sutiã. Ele sorriu e alavancou-se para cima, de modo que seus joelhos ficassem de ambos os lados dos quadris dela, e ficasse efetivamente presa. Impaciente para tê-la sem roupa, agarrou a bainha da camiseta e rasgou pelo meio até que fossem duas peças, uma de cada lado, penduradas nos braços dela, e ele simplesmente as puxou até que ela estivesse livre. Seus mamilos enrugaram e ficaram tensos contra os bojos do sutiã rendado. O material não escondia nada dos mamilos que ficavam cada vez mais escuros. Indolentemente, brincou com os bicos através do cetim, tocando e moldando até que eram pontos duros implorando para serem libertados. O intumescimento encheu a borda dos bojos, e com um toque suave, ele os deixou livres, expondo seus mamilos para que ele espiasse sobre o sutiã. As mãos dela subiram por suas coxas, deslizando sobre o denim grosso de seu jeans, mas ele estendeu a mão e agarrou-lhe os pulsos, afastando-a. Ela começou a protestar, mas ele trouxe uma mão à boca e beijou a palma antes de levantar seus braços acima da cabeça. Ele inclinou-se até que ficaram pressionados no colchão, e mais uma vez ela foi capturada. Em um momento de inspiração, ele juntou os restos esfarrapados de sua camiseta e amarrou um pulso na cabeceira da cama. Ela arfou, os olhos se arregalando enquanto ele tomava a outra mão e a prendia também. Sua respiração acelerou e seu peito arfava. Ela lambeu os lábios nervosamente, mas seus olhos escureceram para um tom safira. O sorriso dele era lento e predatório. Ela era como uma droga. Uma droga fortíssima, da qual não queria se livrar. Ela o fazia sentir-se forte e invencível. — Agora o que vou fazer com você?
  5. 5. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 5 Ele enfiou a mão no jeans e puxou seu canivete. Os olhos dela se arregalaram um pouco, mas nenhum medo brilhou em seu olhar. Ele abriu a haste da faca e enfiou a lâmina debaixo de seu sutiã. O material caiu, expondo os seios ao seu olhar faminto. Fechou a faca e jogou-a de lado, então voltou sua atenção para o fecho da calça jeans. Queria arrancá-la, mas obrigou-se a ir devagar e saborear cada centímetro de pele que revelava. Deslizou o jeans sobre os quadris e as pernas, movendo-se para que pudesse libertá-la completamente. Suas pernas bem torneadas chamavam por ele. Passou o dedo nas linhas esguias e pelas curvas e depois seguiu com sua boca, beijando e lambendo um caminho para os restos da roupa íntima de seda que protegia sua vagina. Enfiou um dedo por trás da renda, penetrando através dos cachos nas dobras lisas. Ela gemeu e se contorceu inquieta quando ele encontrou o clitóris. Por um momento ele brincou, acariciando a ponta do dedo sobre o nó sensível. Então, deslizou até que margeou sua entrada, provocando-a sem piedade. Com um empurrão, ele estava lá dentro. Veludo líquido fechou em torno de seu dedo, e ele fechou os olhos enquanto imaginava seu pênis ali, deslizando através de seu calor apertado e inchado. — Sam! Seu grito agonizante estremeceu-o de volta à consciência. O rosto dela estava corado, os olhos brilhando com a necessidade. — Por favor, — ela implorou. Ele rasgou a calcinha, não mais paciente, não mais disposto a prolongar a sedução. Ele a queria. Tinha que tê-la. Agora. A camisa dele voou e atravessou o quarto. Ele rolou para o lado e puxou a calça jeans, xingando baixinho quando enroscou em torno de seus tornozelos. Onde diabos estava o preservativo? No bolso. Merda. Inclinou-se sobre a cama para pegar a calça de volta e arrancou vários pacotes para fora. Eles se espalharam em cima da cama enquanto ele rolava de volta. Pegou um e rasgou-o enquanto a montava novamente. O olhar dela estava voltado para sua virilha. Seus olhos brilharam apreciativamente, e em resposta, ele estendeu a mão, agarrou seu pênis e acariciou. Ela se esforçou contra as amarras, e isso o deixou mais duro e mais ansioso para tomá-la. Com a mão trêmula, colocou a camisinha e estendeu a mão para afastar suas pernas. Deus, ela era tão macia e bonita. Delicada e feminina. Os cachos loiros e sedosos estavam úmidos com desejo, e ele correu o polegar pela fenda de sua vagina antes de afastar suas pernas. Estava aberta para ele. Aberta e desprotegida. Sua para tomar. Sua para dar prazer. Sua para saborear e tocar. Subiu em cima dela, enfiando seu pênis contra sua pequena abertura. Nunca poderia superar esse primeiro impulso, onde o corpo dela combatia seu tamanho e a vagina se fechava em torno dele como um torno. Ele estava suando e tremendo como um adolescente, e nem estava dentro dela ainda. — Você está pronta para mim, Sophie?
  6. 6. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 6 Ele cutucou para dentro apenas o suficiente para que a cabeça abrisse sua abertura e ele pudesse sentir seu calor. — Por favor, Sam. Preciso de você. Aquelas palavras suavemente proferidas o deixaram no limite. Ele agarrou seus quadris e mergulhou fundo. Ela arfou. Toda respiração deixou o corpo dele em um gemido de intensa agonia. Ela se contorcia abaixo dele, presa. A boca abria e fechava, e os braços se retesavam contra os laços em seus pulsos. Ela cercava seu pau como mel quente. Tão doce. Tão quente. Nunca sentiu nada que se comparasse com a sensação de estar dentro dela. Quando ela empurrou para cima em sinal de protesto por sua imobilidade, ele se retirou, e ambos gemeram com a sensação dele ondulando através de sua carne. — Deus, querida, você é tão apertada, é tão gostosa. — Nós nos encaixamos, — disse ela em um gemido. — Você se encaixa em mim. Perfeito! — Você tem razão, — ele rosnou enquanto mergulhava para devorar sua boca. Flexionou os quadris e afundou novamente. Engoliu seu suspiro de prazer, saboreou, então voltou em sua próxima respiração, enquanto suas línguas imitavam a ação de seus corpos. Não havia pensamento. Apenas a sensação escorregadia e quente dela contra seu pênis. Seu cérebro ficou dormente enquanto ele se perdia. Mais profundo. Mais forte! O resto fugiu. Nenhuma missão. Nenhum babaca que precisava ser morto. Nenhuma frustração porque os esforços da KGI não tiveram nenhum resultado. Aqui eram só os dois. E esse prazer perfeito e irracional. Estendeu a mão para enfiar os braços por debaixo dos joelhos dela. Puxou forte, e o ângulo o enviou mais profundo, até que estava preso tão apertado que suas bolas estavam amontoadas contra sua vagina. Ele olhou para cima, encontrando seu olhar, certificando-se que ela estava com ele e que não a machucava. Apenas sua necessidade desesperada por liberação olhou para ele. Com um grito selvagem, ele se afastou e posteriormente bombeou sobre ela, balançando a cama inteira enquanto empurrava mais e mais. Os olhos dela se fecharam e seu grito cortou o ar. Ela estava apertada, tão apertada, enquanto todos os músculos do seu corpo ficaram tensos, e então de repente ela se liquifez ao seu redor, banhando-o em calor intenso. Ele jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e bombeou para frente uma última vez antes da liberação reunir-se em suas bolas e disparar de seu pênis. Explodiu dolorosamente, o prazer tão incrivelmente intenso que ele se perdeu por um breve momento. Seus quadris ainda flexionavam espasmodicamente quando cuidadosamente se abaixou até o corpo mole dela. Ela tremeu quando suas peles se tocaram, e seus lábios roçaram sobre a mandíbula dele, enquanto ele colocava a cabeça em seu ombro. Ainda estava enterrado profundamente, e não tinha nenhum desejo de se mover. Ela estava deliciosamente envolvida à volta dele, mantendo-o em seu corpo. Ele virou seus quadris novamente, um arrepio correndo por sua espinha com a sensação quase dolorosa sobre seu pênis. — Machuquei você? — ele perguntou contra sua pele.
  7. 7. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 7 Ela sussurrou, um som ronronante que lhe disse que ele não fizera tal coisa. Ainda assim, ela falou suavemente contra seu cabelo, assegurando-o que ele lhe deu tanto prazer quanto havia recebido. Apesar de odiar se mover, sabia que estava esmagando-a. Cuidadosamente, levantou-se e depois se retirou de seu corpo. Porra, mas ele ainda estava duro. Estendeu a mão para desamarrá-la e, em seguida, rolou para descartar o preservativo. Quando voltou, ela imediatamente se enrolou nele, toda macia e maleável. Suas mãos sobre o corpo dele moviam-se quase freneticamente, como se ao negar a possibilidade de tocá-lo, a tornasse ainda mais desesperada para fazê-lo agora. Ele pegou uma das mãos e puxou-a para baixo até que os dedos circundaram seu pênis. — Vê o que você faz comigo? Não deveria estar duro novamente após duas semanas fazendo amor desse jeito, mas pareço ficar assim quando estou perto de você. Ela riu baixinho e passou a mão para cima e para baixo em seu comprimento, explorando cada centímetro. — Acha que ele vai me esperar tempo suficiente para eu tomar um banho? Você se importa? — O nariz enrugou em desgosto. — Estou cheirando a cerveja. Ele cheirou seu pescoço, lambendo sua pulsação. — Você cheira maravilhosamente, mas sim, vá tomar um banho. — Sentiu uma pontada de culpa por tê-la emboscado assim que entrou. Deveria tê-la deixado tomar banho e descansar. Ela trabalhou de pé toda a noite. Ela se levantou e beijou-o antes de rolar para longe. Olhou-a, apreciando o balançar suave de seus quadris e bunda enquanto caminhava nua até o banheiro. Ela era cem por cento mulher. Suave e feminina, com curvas em todos os lugares certos. Era tudo o que seu trabalho não era, e talvez por isso, o atraísse tão fortemente. Ele ficou ali por um longo momento, e, finalmente, depois de cinco minutos, imaginou que lhe deu tempo suficiente para se lavar. Se não o tivesse feito, ele terminaria o trabalho para ela. Saiu da cama e foi até o banheiro, onde o vapor do chuveiro já embaçara o espelho. Ela estava de pé, imóvel no chuveiro, seu corpo turvado pelo vidro. Foi o suficiente para deixar seu sangue rugindo para a vida. Deus todo-poderoso, não conseguia explicar seu efeito sobre ele. Era uma loucura e o deixou sentindo-se desequilibrado. Abriu a porta, e antes que ela pudesse se virar, entrou no chuveiro, seu corpo moldando-se ao dela. Ela começou a se virar, mas ele a impediu, mantendo-a parada. Abaixou a boca para seu pescoço, onde pequenas gotas de água enfeitavam e rolavam por sua pele. Seus joelhos se dobraram e ela ameaçou cair quando os dentes dele afundaram na coluna fina de sua garganta. Ele a pegou e apertou. — Ponha as mãos na parede. Ela colocou as palmas das mãos sobre o azulejo e deslizou-as até seus braços estarem acima da cabeça. Ele se arqueou contra ela, então se abaixou e pegou sua perna direita com a mão. Levantou-se, erguendo-a enquanto a segurava firmemente com o outro braço.
  8. 8. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 8 Enquanto a água caía sobre eles, se empurrou dentro dela, encontrando seu calor mais uma vez. Não era suficiente. Nunca seria suficiente. No fundo de sua mente, um aviso brilhou. Não estava usando preservativo, mas ele estava perdido na sensação do calor sedoso contra sua carne nua. Sua mente gritou estúpido, mas o macho rugiu que ela era sua e ele estava tomando o que era dele. Ela apertou em torno dele. Seus dedos se enroscaram em punhos contra a parede do chuveiro. Jogou a cabeça para trás, arqueando-se para ele enquanto ele marcava seu pescoço com a boca. Dele. Era primitivo e rígido. Isso o intrigava, mesmo sabendo que não poderia ser explicado. — Minha, — ele sussurrou. Sua libertação, quando chegou, foi uma explosão. Um relâmpago, intenso e doloroso, e o deixou se arqueando na ponta dos pés enquanto se esforçava para se aprofundar. Ela fez um pequeno ruído, e suas mãos deslizaram para baixo das paredes como se tivessem perdido toda a força que lhe restava. Ela cedeu e ele pegou-a suavemente para ele. Estava cheio de uma ternura ímpar, enquanto estendia a mão para fechar a água e depois a acomodava em seus braços. Saiu do chuveiro e a desceu o suficiente para embrulhar uma toalha em volta dela. Durante muito tempo ficaram lá, a testa dela descansando em seu peito, enquanto ambos tentavam entender. Ela se aconchegou sonolenta em seus braços, e mais uma vez, a culpa o atacou, enquanto imaginava como deveria estar cansada. Ele beijou o topo de sua cabeça. — Vamos dormir um pouco. Você está esgotada. Ela virou o rosto para ele e sorriu, mesmo enquanto suas pálpebras se fechavam. Então, levantou-se na ponta dos pés para enrolar os braços em volta de seu pescoço. — Leve-me para a cama, — ela sussurrou. CAPÍTULO 2 Sam acordou com Sophie na curva de seu braço, a cabeça apoiada em seu ombro. Ficou tentado a rolar e deslizar entre suas pernas e acordá-los com um orgasmo rápido. Mas ela parecia cansada e um pouco frágil, como se tivesse tido uma noite difícil no trabalho. Puxou-a para mais perto e correu as pontas dos dedos para cima e para baixo em seu braço. Os fios de cabelo mais próximo à sua boca voaram com cada respiração, e ele enganchou um dedo em torno deles para afastá-los de seu rosto. Suas pálpebras agitaram e abriram, os olhos azuis sonolentos olhando para ele. — Bom dia, — ele murmurou. Ela respondeu se aproximando mais ao seu lado. Seu suspiro foi tudo que ele ouviu, e o braço dela deslizou por sua cintura, ligando-os mais apertados.
  9. 9. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 9 Ele riu levemente e beijou o topo de sua cabeça. —Satisfeita? — Mmm hmmm. Era fácil aqui neste quarto de hotel. Todo o resto parecia um mundo distante e estavam fora da realidade. Ele não era estúpido o suficiente para abraçar isso, mas era bom, apenas por um tempo, ter a sensação que a única coisa que importava era o aqui e o agora. — Vontade de comer alguma coisa? Ela levantou a cabeça. — Que horas são? — Sete. Antes que ela pudesse responder, uma batida soou na porta. Que diabos? Ele franziu a testa, então deslizou de debaixo de Sophie. — Fique aqui e fora de vista. Ele puxou a calça jeans e foi até a porta, abrindo-a com um estalo. O homem da recepção estava ali segurando um envelope selado. — Para você, señor. Estava marcado como urgente. Sam pegou o envelope. — Obrigado! — Fechou a porta e virou o envelope na mão. Não tinha nome, mas ele não usava seu nome real aqui. Estava apenas marcado "304 Urgente". Sublinhado três vezes. Olhou para Sophie, que se sentou na cama, as cobertas puxadas até o queixo. Em seguida, rasgou o selo e tirou o pedaço de papel. No começo, não entendeu a curta mensagem. Quando o entendimento o acertou no intestino, sua primeira reação foi de descrença. Alguém estava fodendo com ele? Ele precisava voltar para seus homens. Isto poderia ser uma besteira completa, mas era a primeira oportunidade potencial que a KGI pegou na sua missão de derrubar Alex Mouton e sua extensa rede de armas. Durante duas semanas Sam e seus irmãos posaram como compradores, tentando fazer contato com Mouton. E nada. Ou o homem era um bastardo desconfiado ou não tinha interesse em ganhar novos clientes. O que disse a Sam que a sua clientela atual estava pagando-lhe uma montanha de dinheiro. Um calafrio deslizou por sua espinha. Por que o aviso anônimo? Quem sabia do que o Grupo Kelly estava realmente atrás? Foram cuidadosos. Fizeram tudo certo. Misturaram-se com a população local. Não deram a ninguém qualquer razão para acreditar que eram qualquer coisa mais do que disseram ser. Mesmo a ligação ilícita de Sam com Sophie tinha sido um longo caminho na construção de sua cobertura. Porque que tipo de idiota vinha em uma operação secreta e, em seguida, passava seu tempo fodendo uma garçonete local, por distração? — Sam, algo errado? Sua voz suave desceu sobre ele, acalmando um pouco a tensão. Amassou a nota na mão, depois de guardá-la na memória. Empurrou-a em seu bolso e focou novamente em Sophie. Sophie, que estava sentada nua em sua cama. Sophie, que ele poderia não ver novamente.
  10. 10. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 10 Atravessou o quarto e deslizou para a beirada da cama ao lado dela. Ela olhou para ele, os olhos perplexos, e havia uma sugestão de outra coisa lá. Medo? Tocou seu rosto em um esforço para tranquilizá-la. — Eu tenho que ir. Algo surgiu. Algo importante. Ela mordeu o lábio inferior. — Certo. Ele inspirou, odiando o que tinha que dizer em seguida. — Eu não sei quando, e se, estarei de volta. O rosto dela ficou impassível. Seus olhos normalmente expressivos estavam semifechados e distantes. — Eu entendo. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, ela inclinou-se para cima e colocou os braços em volta de seu pescoço. O cobertor caiu, expondo seus seios. Ela o beijou. Apenas uma vez. Com toda a doçura que ela trouxe para sua vida em tão pouco tempo. Ele saboreou o gosto e a sensação, sabendo que nunca teria isso novamente. O remorso apertou seu peito. — Tenha cuidado, — ela sussurrou. Ele tocou seu rosto e depois beijou-a novamente. — Sempre. Sophie esperou tempo suficiente para ter certeza que Sam não iria retornar para o quarto, e então se vestiu às pressas, certificando-se que não deixou nada para trás. No banheiro, torceu o cabelo em um nó rápido e empurrou um palito de sua bolsa através do nó para prendê-lo. A mulher olhando para ela no espelho era jovem, divertidamente radiante e enganosamente inocente. Não sentia nenhuma dessas coisas, mas conhecia pessoas que viam apenas o que queriam ver. Ninguém a levava a sério ou a via como uma ameaça. Isso terminaria hoje. Fazendo uma última varredura pelo quarto, viu a faca de Sam largada no chão, onde ele a jogou depois de cortar seu sutiã. Abaixou-se para recuperá-la e depois guardou-a em seu bolso. Não haveria provas de que ele esteve aqui, e ela poderia precisar dela mais tarde. Respirando fundo, abriu a porta e espreitou para fora do quarto e no corredor. Satisfeita por não ver ninguém, correu para as escadas, ignorando o corredor que levava até o elevador. No primeiro andar, havia duas portas na alcova, uma se dirigindo para o lobby e outra para fora, levando para o beco ao lado do hotel. Desceu pela outra para ver o carro esperando por ela. Endireitando os ombros, caminhou até a Mercedes escura. O motorista saiu, de aparência sombria, em um terno escuro e óculos de sol que obscureciam completamente os olhos. Ele era sem nome e sem rosto, como todo mundo na organização de seu pai. Assim como ela. Ele abriu a porta para o banco de trás, e ela foi engolida pelo veículo blindado.
  11. 11. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 11 O motorista levou-a através dos limites da cidade, através de ruas de paralelepípedos em ruínas, algumas das quais tinham enormes lacunas, onde areia e rocha assumiam. O carro não provocou olhares curiosos. Os moradores aqui estavam bem acostumados com a presença de seu pai e aprenderam a não fazer perguntas. Deixaram as linhas de casas miseráveis e viraram em uma estrada de terra sinuosa que levava para as colinas que rodeavam a vila remota. Quando finalmente se aproximaram das torres rígidas que guardavam o complexo de seu pai, o motorista reduziu a velocidade e depois apertou uma série de comandos no controle remoto instalado no painel. O pesado portão de ferro se abriu para recebê-los, e rapidamente foram até a calçada pavimentada. A linha grossa de árvores obscurecia a vista da enorme casa, e na verdade, havia apenas um pequeno buraco através da linha densa, onde o carro aparentemente desapareceu em uma floresta, apenas para estourar através do outro lado, para uma visão que era aparentemente idílica . Para uma pequena menina, tinha sido a terra das fadas. Ela não era aquela menina há um longo tempo. Em vez de parar na frente, onde a pista circular rodeava uma fonte enorme, o motorista estacionou ao lado da casa, sob um toldo que abrigava outros três veículos blindados. Ele abriu a porta, e Sophie piscou para o banho de sol que estapeou seu rosto. Ela saiu e olhou para o motorista. — Tem certeza que é isso que você quer fazer? — ele perguntou em voz baixa. Ela apenas assentiu, não confiando que não seria ouvida, se respondesse. — Estarei esperando. Desta vez, ela não reagiu. Passou pelo motorista e inseriu seu cartão na fenda de segurança ao lado da porta que levava para a casa. Seu pai seria alertado para sua presença, estaria esperando por ela. Ele nunca veio até ela. Era esperado que ela fosse até ele e desse um relatório como qualquer um de seus empregados. Uma empregada a encontrou no corredor para o escritório de seu pai. Sophie não encontrou seu olhar. A empregada olhava para frente, mas enquanto Sophie se aproximava, a empregada pegou algo debaixo de seu avental e lhe entregou uma pequena bolsa quando ela passou. Era uma bolsa de grife, algo que seu pai esperava que ela tivesse. Ele provavelmente a comprou. Enfiou-a embaixo do braço e parou em frente à porta dupla no final do corredor. Levantou a mão para bater, mas parou no ar. Tremia da cabeça aos pés, e o suor gotejava em sua testa. Cada respiração parecia se arrastar, pesada e lenta. Seu coração batia descontroladamente, até que tinha certeza que era audível no silêncio. Engolindo o medo, endireitou os ombros e bateu. Necessitaria de cada pitada de compostura que pudesse exibir. Seu pai poderia localizar a fraqueza em um segundo. As portas se abriram automaticamente, e ela deu um passo adiante. Milagrosamente seu medo diminuiu quando olhou através da sala para ver seu pai de pé contra a enorme janela panorâmica. E, como tudo, era enganosa. O que parecia uma extravagância temerária para um
  12. 12. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 12 homem como ele, era na verdade, uma placa reflexiva somente de um lado, de material à prova de balas da mais alta tecnologia. Ainda não estava nem mesmo no mercado. Ele podia ver do lado de fora, mas ninguém podia ver do lado de dentro. — Sophie, você tem alguma informação? A maneira informal na qual ele colocou a questão não a enganou, de qualquer forma. Seu pai não era casual sobre coisa nenhuma. Era friamente distante e calculista. Não esperava obediência. Exigia. Com resultados assustadoramente positivos. Ela olhou ao redor da sala, procurando a posição dos guardas. Havia dois lá dentro. Pelo menos uma dúzia fora. Cada um disposto a dar sua vida pelo homem a quem pertenciam. Hoje, ela estava feliz em atendê-los. — Eu tenho algo que possa interessá-lo, — ela murmurou. Ele levantou uma sobrancelha especulativa como se não pudesse acreditar que ela tivesse se mostrado útil. Ela fez um show na abertura da bolsa como se tivesse algo para lhe dar. Seus dedos deslizaram sobre a coronha de borracha da arma, e depois um dedo indicador sobre o gatilho de metal frio. Em um movimento relâmpago, virou-se e atirou através da bolsa, derrubando o primeiro guarda. Antes que o segundo pudesse reagir, ela disparou novamente, o baque pesado da bala enquanto batia no pescoço dele, era o único som na sala. A bolsa caiu, revelando o cano longo do silenciador. Seu pai a olhou com firmeza. — O que é isso, Sophie? Ela não estava falando com o bastardo. Nenhum jogo estúpido. Tinha preciosos segundos para fugir antes que o mundo desabasse sob o comando dele. Levantou a pistola, e pouco antes de disparar, viu o choque surpreso nos olhos de seu pai. Ele caiu pesadamente, o sangue se espalhando sobre o piso de madeira polida. Puxou a faca do bolso e correu para onde ele estava deitado. Empurrando o colarinho da camisa para baixo, pegou a tira de couro que circulava seu pescoço e cortou-a. A fina peça cilíndrica de metal descansava contra sua pele, manchada com seu sangue. Agarrou-a, em seguida, foi para sua mesa e sentiu o botão logo abaixo. No outro lado da sala um painel se abriu no chão, revelando uma escadaria que levava para dentro da rede subterrânea de vias. Sem um único olhar para trás, desceu as escadas correndo. Passou meses memorizando o esquema. Conhecia cada caminho, cada curva de cor, embora nunca tivesse descido lá embaixo. Baseando-se naquelas longas horas de estudo dos planos informatizados, percorreu seu caminho para a saída, onde o motorista a esperava. Dez minutos depois, correu para o sol e deu um suspiro de alívio quando viu o carro lá, esperando. Ele não a traiu. Ele a conduziu para o interior, e quando foi instalada na parte de trás, olhou para ela no espelho retrovisor. — Está feito? Ela engoliu em seco e assentiu. — Obrigada por me ajudar.
  13. 13. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 13 A ligeira inclinação de sua mandíbula foi o único reconhecimento que ele lhe deu, enquanto ligava o motor e partia. Não olhou para trás. Não havia nada para ela lá. Enquanto os quilômetros passavam, permitiu-se relaxar. E se atreveu a esperar o impossível. — Liberdade! Finalmente, ela estava livre. CAPÍTULO 3 Cinco meses depois... Sophie reduziu novamente e o barco desacelerou, paralisando perto do Lago Kentucky. A escuridão a envolvia. O céu estava nublado. Lua nova. Apenas uma ou duas estrelas apontavam através da cobertura de nuvens. Estava correndo com as luzes apagadas e se mantendo no meio do lago, até que tivesse certeza que estava perto o suficiente de seu destino para se mover rapidamente para a praia. Estudou o pequeno GPS portátil e depois ergueu o olhar até o litoral para o norte. Segundo suas coordenadas, seu destino estava a um quilômetro abaixo do lago. Engoliu o medo e o nervosismo e automaticamente colocou a mão na barriga em um movimento tranquilizador. Sam estaria mesmo lá? Como reagiria ao vê-la novamente? O que mais ele diria quando soubesse a verdade sobre ela? Olhou nervosamente por cima do ombro para a escuridão. O lago era um chapinhar da meia- noite. O único som que ouvia era a baixa oscilação contra o casco do barco. Seus nervos estavam afetados. Sabia que estava assumindo um risco, mas estava sem opções. Os comparsas de seu tio estavam se aproximando. Podia sentir o cheiro deles. Podia senti- los em cada parte de seu corpo. Estiveram muito perto nas últimas semanas. Uma mulher inteligente reconhece quando não pode mais fazer as coisas sozinha. Ela se considerava uma mulher inteligente, e por isso estava aqui. Em um maldito barco, em um maldito lago, tentando encontrar o pai de seu bebê, tão esperançosa que ele pudesse proteger a ambos. Após cinco meses de fuga, a ideia de estar em um lugar tão vulnerável a assustava loucamente. Verdade, não era como se dirigisse corajosamente para Dover, perguntasse onde encontrar Sam Kelly e depois estacionasse na frente de sua casa. Ela tinha muito bom senso. A casa de Sam seria o primeiro lugar onde seu tio esperaria que ela corresse. E foi por isso que ficou longe por tanto tempo. E depois, havia o fato que, nem ela e nem Sam foram honestos um com o outro. Ambos tinham sido outras pessoas. A única coisa real entre eles foi o desejo intenso. Ela se apaixonou rapidamente e se apaixonou perdidamente. Por um homem que a desprezaria quando descobrisse a verdade. Deslizou o barco para frente, seguindo a linha em seu GPS. Com alguma sorte, atracaria no cais do quintal de Sam e esperaria não levar um tiro por invasão.
  14. 14. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 14 Um barulho em frente e à esquerda a alertou. Sua cabeça levantou-se e olhou, suas narinas se alargaram enquanto sugava o ar da noite fria. Uma súbita explosão de luz a cegou. Levantou o braço para proteger o rosto, mas foi inútil. O rugido de um motor acelerando engatou seu instinto de autopreservação. Sem hesitar, mergulhou. Bateu na água fria e sentiu o choque nos dedos dos pés. O barco maior bateu no dela com um estrondo retumbante. Destroços voaram no ar e cairam na água ao seu redor. Um pedaço enorme atingiu a superfície a sua frente e soprou água sobre sua cabeça. Sua boca se encheu de água, e ela empurrou-a para fora antes de rolar para nadar em direção à costa. Não obtivera uma respiração completa, e seus pulmões já estavam apertados com a necessidade de ar. Subiu à superfície e respirou bastante. A dor explodiu em seu braço, e inalou outro bocado de água. O choque estilhaçou sua consciência como agulhas. Tocou o braço e sentiu calor. Calor líquido. — Sangue. O filho da puta tinha atirado nela! O terror a assolou como uma marreta. Lutou para manter seu pânico distante. Precisava se controlar. Porque diabos ele atirou nela? Seu cabelo foi puxado, e seu pescoço estalou quando uma mão a puxava para fora da água. Ela bateu na lateral de um barco, e contou com a presença de espírito para envolver os braços protetores em torno de sua barriga. Seu bebê. Tinha que proteger seu bebê. Desembarcou com uma batida no convés do barco e semicerrou os olhos contra o feixe de luz que brilhava em seu rosto. — Levante-se! Ela abriu um olho e olhou para o homem que estava sobre ela. Olhou ao redor e não viu mais ninguém. — Vá se foder. Ele a chutou no braço e a agonia ricocheteou através de seu corpo. Então ele se abaixou, enrolou a mão em seus cabelos e a ergueu. Se ele não estivesse segurando-a, ela teria caído. Suas pernas se recusavam a cooperar. O braço estava em chamas e pendurava frouxamente a seu lado. — Onde está a chave, Sophie? — Olha, eu nem conheço você, — ela cuspiu. — Você não pode me chamar pelo meu primeiro nome. Acha que sou tão estúpida para transportá-la comigo? Um flash prateado pegou seu olhar. Seus olhos se arregalaram quando viu a curva perversa de uma lâmina muito afiada. Então, levantou seu olhar e viu a determinação fria no rosto do Assassino. Forçando bravata em sua voz, ela disse: — Se você me matar, você começa a ficar de joelhos.
  15. 15. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 15 — Um fato com o qual você está contando, tenho certeza, — disse ele em um tom suave. — Minhas ordens são para fazê-la falar. Isso tem que acontecer de algum jeito. Confie em mim, você vai falar. Ela engoliu e sugou o ar pelas narinas. Deus, o que iria fazer? Estava tão perto de Sam. Tão, tão perto. Todos esses meses, todo esse tempo, permaneceu às sombras, sempre um passo à frente do domínio de seu pai. Mesmo morto, ele a segurava pela garganta. Seu tio iria continuar o seu legado de venda de morte. Havia sempre alguém disposto a assumir as rédeas. Mas sem acesso à riqueza e aos recursos de seu pai, Tomas era aleijado. Ela planejava mantê-lo dessa maneira. O homem arrastou-a para perto, a respiração quente soprando em seu rosto. Sentiu a borda da faca contra sua barriga e a bile subiu afiada na garganta. — Você não vai morrer. Não agora. Mas seu bebê, sim. Conte-me o quero saber ou vou abrir você e deixar seu filho tombar de sua barriga. Seu estômago se revoltou e ela sufocou, o nó tão grande que engasgou. Lágrimas escorreram de seus olhos, e depois a raiva explodiu quente como a primeira onda de uma explosão. — Seu filho da puta, — ela gritou. Ela teve o suficiente. O fato de que era constantemente subestimada, habitualmente trabalhava em seu favor, mas este cara parecia mais esperto que os outros idiotas que seu pai empregava. Na verdade, era mais esperto que seu pai, que não acreditou que ela mataria sua própria carne e sangue. Este bastardo não iria dar-lhe qualquer facilidade porque era bonita, loira e de aparência inocente. O que significava que teria que confiar em sua pura determinação se quisesse manter seu bebê vivo. — Tudo bem, vou contar, — ela arfou. — Afaste a faca. — Eu gosto dela onde está. Ele não iria facilitar. Ela tomou cuidado para não olhar para baixo, nem sequer se contorcer. Sem aviso prévio, fez seu movimento. Esperou até que quase agitou fora de sua pele. Ali. A faca aliviou apenas um pouquinho e já não pressionava sua pele tão fortemente. Bateu o joelho em suas bolas e o cotovelo em seu pulso. A faca caiu no convés e ela chutou com força, enviando-a em espiral pelo barco. Ele a agarrou pelo pescoço, os dedos cavando profundamente em sua pele, apesar do fato de estar curvado, segurando suas bolas com a mão livre. As mãos dele espremiam sem piedade, cortando seu suprimento de ar. Ela ia morrer. Aqui, em um barco, provavelmente não muito longe de onde Sam vivia. No lago, onde eliminar seu corpo seria mais fácil. Nas mãos de um idiota que falava sobre assassinato como falaria sobre o tempo.
  16. 16. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 16 Fúria. Vermelha, quente e escaldante. Espalhou através de suas veias como fúria vulcânica. Fingindo rendição, deixou todos os músculos de seu corpo ficarem moles. Talvez o pegasse desprevenido, ou talvez esperasse que ela lutasse para aliviar o aperto. Aproveitando sua raiva, lançou-se para frente, lançando-se contra o imbecil. Antebraços em seu peito, ela empurrou, colocando cada milímetro de sua força por trás de seus movimentos. Ele cambaleou para trás, os pés tropeçando para tentar se equilibrar. Suas mãos voaram, e ele tentou agarrar o corrimão. Ela pulou em cima dele, e ambos caíram no lago. A água fria a atingiu como uma tonelada de tijolos. Afundou na escuridão. Lutou contra o pânico e mergulhou, nadando para longe do barco. Vários metros a frente, subiu a superfície, ofegante. Ele estava lá fora. Provavelmente perto. Mas levaria um tempo precioso para voltar para o barco e procurar por ela. Tempo que ela poderia usar em sua vantagem. Desta vez, respirou profundamente enquanto mergulhava, e se forçou a ficar até as sombras crescerem em torno de sua consciência. Subiu a superfície e manteve a cabeça baixa, enquanto famintamente sugava ar. Olhou para trás para ver as luzes do barco dançando através da água. Inalou rapidamente e se abaixou sob a água novamente. Ignorando a dor agonizante em seu braço, nadou profunda e duramente. Eventualmente, seu corpo ficou entorpecido de frio, e a dor recuou. Deu um sopro rápido, em agradecimento, e empurrou-se para frente. Por quanto tempo repetiu o ciclo interminável de mergulhar, respirar e voltar abaixo, não sabia. Pareceram horas. Não estava ciente de nada, apenas da necessidade de sobreviver. Quando sua força finalmente acabou e a adrenalina fugiu de seu sistema, subiu a superfície e olhou em volta. Para seu imenso alívio, não viu o barco. Nenhuma luz, apenas a turva escuridão. A água do lago rodou suavemente em seu queixo enquanto nadava. E de súbito, a dor voltou rapidamente, com a força de uma batida de carro. Quase inconsciente, debilmente golpeou para fora, para a praia, mas parecia estar a um quilômetro de distância. A corrente puxou suas pernas, chupando-a de volta e para baixo do canal do rio, em vez de permitir que se movesse em direção a margem. Exausta, parou de lutar e virou de costas para flutuar o melhor que podia. Tinha que sair da água. Ele estaria procurando por ela. Sua cabeça bateu contra algo rígido, e ela soltou um grito surpreso. Caiu brevemente debaixo da água, em pânico. Quando reapareceu, empurrou ao redor para ver um tronco grande balançando na sua frente. Grata por ter algo para segurar, rebocou seu corpo e envolveu a si mesma sobre o tronco. A casca molhada atritava sua bochecha, mas estava exausta demais para dar a mínima. Esticou o braço bom e colocou a mão sobre a barriga. Seu bebê tinha que ficar bem. Tinha que ficar. Fechou os olhos enquanto esperava por alguma resposta de dentro. Apenas um chute minúsculo. Até mesmo um pequeno esbarrão para deixar Sophie saber que seu bebê estava a salvo.
  17. 17. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 17 Nada. Correu a mão pelo braço, sentindo como o ferimento da bala era grave. Na água, era impossível dizer. Sussurrou uma fervorosa oração para que os eventos da noite não tivessem prejudicado seu bebê. Mais uma vez abaixou a palma da mão, procurando por movimento. Lutou contra o pânico. Era comum um bebê ficar quieto depois que a mãe sofria um choque. Tinha lido isso em algum lugar em um daqueles livros de gravidez. Tornara-se uma especialista em auto tratamento, porque não ousou procurar ajuda médica. Tomas a teria encontrado instantaneamente. Então, devorou todos os livros em que conseguia colocar as mãos. E tomou vitaminas, bebia leite e se exercitava, de modo que permanecesse em estado de alerta. Exceto em uma ocasião, quando os homens de seu pai a pegaram. Havia uma única estrela no céu. Apenas uma, e parecia embaçada e distante. Balançou para cima e para baixo, e não sabia se era porque ela tremia tão violentamente ou por que o lago estava agitado. Seu braço se envolveu mais apertado ao redor do tronco, e pressionou sua bochecha contra a casca molhada. Poderia montar nele por um tempo, e talvez flutuasse rapidamente pela corrente, em direção as águas mais calmas do lago. Suas pálpebras estremeciam enquanto lutava para ficar consciente. Algo quente e úmido escorria por seu braço. Sangue. Cheirava a sangue. Sam. Sua imagem cresceu vividamente à mente. Seu último pensamento coerente foi que tinha que chegar até Sam. CAPÍTULO 4 O sol da manhã brilhava no convés, nos fundos da casa de Sam Kelly, no Lago Kentucky. A madeira estava quente sob seus pés descalços, e os raios afastavam o frio da manhã. Tinha os ingredientes de um dia verdadeiramente espetacular. O único jeito de ser mais perfeito é se ele estivesse no lago, uma vara de pesca em uma mão, uma cerveja na outra. Pelo menos, ele tinha a cerveja. Esvaziou o restante de sua lata, então a amassou e jogou-a através da plataforma para a lata de lixo. — Belo arremesso, — Donovan falou arrastado, seu corpo largado sobre uma das cadeiras. Uma brisa fresca soprava sobre o rosto de Sam, lembrando-o que a primavera ainda não acabou totalmente. Olhou para seu irmão mais novo e fez sinal para ele atirar-lhe uma outra cerveja. Donovan lançou-lhe uma lata e depois olhou na direção de Garrett. O outro irmão mais novo de Sam— não que Garrett agisse como qualquer outro irmão mais novo— ergueu a mão para uma e Donovan jogou uma cerveja em sua direção também.
  18. 18. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 18 Garrett abriu a lata e então voltou sua atenção para a churrasqueira, onde ele virava os hambúrgueres. Só o chiado da grelha podia ser ouvido. E o silvo da lata enquanto Sam a abria. — Ethan e Rachel partiram bem esta manhã? — Donovan perguntou, finalmente quebrando o silêncio. Sam olhou na direção de Garrett, já que ele sabia melhor que ninguém. Garrett assentiu. — Sim, eles partiram para o aeroporto ao romper da maldita aurora. Rachel ficou compreensivelmente nervosa, mas muito animada por viajar para o Havaí por duas semanas. Ela e Ethan necessitam de uma folga. De todos os irmãos, e todos eles amavam muito Rachel— ela era a única cunhada na família— Garrett era o mais próximo a ela, e o mais protetor. Mas afinal, ele tinha uma raia de proteção de um quilômetro de largura quando algo acontecia com quem ele amava. Sam recostou-se e olhou para o lago. Ignorou a discussão de Garrett e Van sobre a recuperação de Rachel. Eles falavam sobre o Natal, e Sam ficou tenso, retirando-se ainda mais. Natal era um assunto delicado. Não que o desse ano não tivesse sido maravilhoso. Foi o primeiro Natal de Rachel, depois que voltou para a família Kelly. Ver seu sorriso e seus olhos brilharem como os de uma criança, valeu cada minuto. Mas o Natal foi logo depois que ele voltou do México. Logo após Sophie ter desaparecido. Era estúpido se debruçar sobre isso, mas, inevitavelmente, seus pensamentos se dirigiram para ela. Seu sorriso. Seus olhos. Como eles eram bons na cama. Como ela respondia ao seu toque. Como ela era deliciosa quando ele estava enterrado até as bolas em seu corpo doce e receptivo. Nada naquela missão aconteceu de acordo com seus planos. Eles não derrubaram Alex Mouton. Sequer sabiam para onde o filho da puta desapareceu. A única coisa que fizeram foi derrubar um carregamento de armas enorme. No geral, apenas uma pedra no caminho de um homem com os recursos de Mouton. E Sophie não estava lá quando ele voltou. Ele supostamente não deveria ter voltado. Nunca tinha sido o seu plano. Mas encontrou-se dando desculpas sobre seguir as pontas soltas e voltara, determinado a encontrar Sophie. E fazer o quê? Isso ele nunca descobriu. Só sabia que tinha de vê-la novamente. Foi poupado de tomar a decisão do que faria quando a reencontrasse, porque ela desapareceu. Ninguém parecia saber coisa alguma sobre ela, ou se sabiam, não falaram. Sam levou um minuto para descobrir que seus irmãos estavam falando com ele. — Vamos lá, Sam, acorde. Sam olhou para cima para ver os dois, Van e Garrett olhando-o fixamente. — O que há com você? —Garrett perguntou. — Não é o mesmo desde que voltamos do México. Sam enrijeceu. Não percebeu que estivera usando um sinal de propaganda de seus problemas no México.
  19. 19. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 19 — Você não está ainda preso naquela garota, não é? — Garrett perguntou em um tom incrédulo. Sam lançou-lhe um olhar fulminante. — De que diabos está falando? Garrett balançou a cabeça em desgosto. Virou-se para Van e apontou o polegar na direção de Sam. — Estávamos no maldito México tentando montar uma compra com Alex Mouton, e o namoradinho arrumou tempo para ter um caso quente com uma garçonete de um dos bares locais. Donovan deu de ombros. — E daí? Ele ainda tem um pau. Somos obrigados a usá-lo de vez em quando. Sam reprimiu uma risada. Deus ama Van. Nenhum osso tenso em seu corpo. Donovan virou seu olhar sobre Sam e Sam começou a inquietar-se desconfortavelmente. Ele preferia não falar sobre isso. Como se estivesse sentindo exatamente isso, Donovan virou-se para Garrett. — Talvez você precise transar, cara. Talvez não ficasse tão malditamente tenso o tempo todo. — Garrett empurrou seu irmão, e Sam sorriu. Não era nada bom pensar sobre Sophie. Eles eram bons juntos. Muito bons. Não, ele não deveria ter se envolvido com ela enquanto estava envolvido em uma missão altamente delicada. Mas a sua doçura forneceu um bálsamo muito necessário para o que era uma tarefa infernal. Uma tarefa que ele não chegou a lugar nenhum, até que finalmente, um informante anônimo entregou as informações que Sam e sua equipe procuravam, em uma bandeja de prata. — Você se ligou nessa garota? — Donovan perguntou. Sam olhou para ele. Aparentemente ele não foi capaz de resistir, afinal. Donovan ergueu as mãos em sinal de rendição. — Okay, okay, eu sei quando recuar. — Bom, — Sam murmurou. —Percebeu que vocês não participaram de outra missão desde o México? — Donovan disse suavemente. — Steele e Rio estão ficando inquietos. Eu não imagino que todos estamos de férias. Sam franziu o cenho. Ele não considerava que estavam de férias também, mas a declaração de Donovan lhe mostrou como ele foi exigente ao longo dos últimos meses. — Não é que eu esteja reclamando, — continuou Donovan. — Eu estava pensando em um período de férias. Algum lugar ao sul. Muitas universitárias bonitas. Areia, sol, sexo. Muito sexo. — Sam os ignorou novamente enquanto ele e Garrett exaltavam as virtudes das universitárias de biquíni. Inferno, estavam velhos demais para meninas de faculdade, mas quem colocou um limite de idade nas fantasias? O incomodava que ainda pensasse em Sophie. Então, franziu a testa. Quantos anos ela tinha? Ela era jovem. Não tão jovem quanto uma universitária, mas ainda jovem. Havia muita coisa que não sabia sobre ela.
  20. 20. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 20 Estavam sempre muito ocupados fazendo amor, para conversar. Ele sintonizou de volta para a conversa quando ouviu Nathan e Joe serem mencionados. — Eles estão fazendo o quê? — Sam perguntou. — Cara, você está fora disso, — murmurou Donovan. — Recebi um e-mail deles esta manhã. Disseram que estariam partindo em breve e não poderiam dar mais detalhes. Não queriam que Mamãe e Rachel se preocupassem, então pensamos em dizer a elas que eles estão em outra missão de treinamento. Sam bufou. — Como se mamãe fosse acreditar nisso. Ela tem um faro para nossas mentiras. Está farejando o tempo todo. — Vamos deixar que Van diga a ela. Ela sempre acredita nele, — Garrett sugeriu. — É o resto de nós que não pode escapar com uma merda. Donovan enviou a ambos um olhar presunçoso. — Status de filho favorecido tem suas vantagens. — Então, quando você vai pular fora desta depressão, Sam? — Garrett perguntou sem rodeios. — Se precisar de uma pausa da KGI, diga-me. Posso assumir as operações. As equipes estão ficando inquietas. Eles precisam de ação. Nós também. Até Donovan parecia concordar com Garrett. — Eu não estou em uma maldita depressão! Um monte de merda aconteceu ao longo do ano passado. Precisávamos estar aqui com a família. Ele poderia sentir-se ficando na defensiva, o que significava que eles tinham razão, por mais que ele odiasse admitir. Os dois irmãos apenas olharam para ele, como se esperando que ele chegasse à conclusão, por conta própria, que estava sendo um idiota. — Sim, okay, eu entendi, — ele murmurou. — Vou colocar seus traseiros para trabalhar. — Sam suspirou e se levantou da cadeira do pátio para esticar as pernas. Descansou as mãos sobre o corrimão do deck, curtindo a madeira aquecida pelo sol contra sua pele. Talvez fosse hora de voltar para o trabalho e espantar sua inquietação. Olhou para Garrett e estudou as sombras sob seus olhos. Garrett não gostava de folga. Dava- lhe muito tempo para pensar sobre a merda que aconteceu com sua equipe de operações especiais, pouco antes de deixar os fuzileiros navais. Ele não estava dormindo ultimamente, não que admitisse isso para Sam ou Donovan. Van confidenciara a Sam que Garrett estava rastreando toda e qualquer informação sobre Marcus Lattimer, o homem responsável pelo fracasso da missão de Garrett e por sua subsequente estada no hospital para se recuperar de um tiro na coxa. Sam penou em falar com Garrett, mas não encontrou o momento certo. Não que houvesse um bom momento para tentar prender Garrett e fazê-lo falar. — O que diabos vocês estão olhando? — Garrett perguntou rudemente. — Você está péssimo, — Sam disse sem rodeios. — Não está dormindo, de novo. — Sim, então somos dois. Pelo menos não estou preso a uma garota. Pare de tentar evitar o assunto, jogando sobre mim.
  21. 21. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 21 — Encontrou alguma coisa? — Sam perguntou suavemente. Garrett franziu a testa e por um momento pareceu que fingia que não sabia sobre o que Sam estava falando. Bateu um hambúrguer na grelha, batendo a espátula no processo. Então olhou para Donovan. — Ei, não olhe para mim, — disse Donovan, erguendo as mãos. — Você não tem sido exatamente discreto sobre isso. — Quero derrubar o filho da puta, — disse Garrett. Sam se recostou e posicionou as mãos no corrimão. — Cristo, Garrett. A KGI não pode dar ao luxo de sair em alguma maldita missão de vingança. Garrett encolheu os ombros. — Quem disse que tem que ser por vingança? O mundo seria um lugar melhor sem aquele pedaço de merda. Ele é sujo. É um traidor. — Olhou fixamente para Sam. — Ele me custou minha equipe. Enquanto estamos aqui sentados esperando que você saia de sua depressão, poderíamos estar fazendo algo útil. Como pregar a bunda gorda de Lattimer na parede. Não havia o que Sam poderia dizer depois disso. Ele entendia a raiva de Garrett. Faria o mesmo no lugar dele. Mas, certamente esperaria que seus irmãos o controlassem. Assim como ele estava fazendo com Garrett. — Garrett não é o problema agora, — disse Donovan incisivamente. — Você é. Precisa puxar a cabeça para fora do atoleiro, e precisamos voltar a trabalhar, caso contrário, Garrett vai ser desonesto conosco e começar uma maldita guerra tentando encontrar Lattimer. Sam soltou a respiração e se virou para olhar sobre o lago mais uma vez. Seus irmãos estavam certos. Sua cabeça não estava no lugar, e isso era uma coisa muito ruim para a KGI. Construíram seus negócios dentro de uma extensa lista de contatos militares e do governo. Fizeram trabalhos para agências que sequer existiam. O trabalho para derrubar Mouton viera de seu contato na CIA, Resnick, e enquanto a KGI impedia um negócio de armas, Mouton escorregara por entre seus dedos. O que significava que ele ainda estava lá, ainda viável, e estava ocupado reconstruindo a sua rede. E pelo menos por agora, o governo dos Estados Unidos não parecia inclinado a persegui-lo. Sam odiava negócios inacabados. Era contra o seu princípio deixar um predador lá fora, que era capaz de destruir tantas vidas. Em teoria, não era pessoal. Mouton foi apenas um trabalho, mas para Sam tornou-se pessoal no momento em que não conseguiu derrubar o homem. Ficou tentado a dizer a seu contato na CIA para se ferrar, e voltar atrás de Mouton, mas não valia a pena sair das boas graças do Tio Sam. Seus lábios torceram em uma careta. Talvez Donovan tivesse a ideia certa. Talvez um pouco de sol, sexo e férias trouxessem sua mente de volta para o jogo. E para longe de Sophie. Começou a virar-se para seus irmãos novamente, quando avistou algo que o fez parar. Um grande tronco boiava preguiçosamente para baixo do lago. Os níveis de água estavam subindo na primavera, enquanto a companhia de saneamento continha a água para que não sobrecarregasse os rios e riachos que alimentavam o lago, com as águas das chuvas. As tempestades recentes e
  22. 22. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 22 chuvas fortes causaram um campo de destroços que apenas começara a diminuir. Mas havia algo sobre o final do tronco que capturou a atenção de Sam. — Que diabos? — ele murmurou. — O que é, Sam? — Garrett perguntou. Mas Sam não lhe respondeu. Saltou sobre a borda do convés e saiu correndo para o cais, em direção à água. Ouviu as exclamações surpresas de seus irmãos atrás dele, mas não diminuiu. Quando chegou ao fim da doca, mergulhou na água limpa, estremecendo pelo choque frio. Subiu a superfície a vários metros de distância e nadou duramente em direção ao meio do canal. Segurou no meio do tronco e o manobrou para baixo. Um corpo flácido de mulher estava cruzado sobre o final, seu cabelo sujo e molhado escondendo seu rosto completamente. Ele hesitou por um momento, com medo de estender a mão e tocá-la, para sentir a rigidez da morte. Então, afastou o medo ridículo e agarrou o ombro dela. Para seu alívio, sua pele estava macia e flexível, embora fria, sob seus dedos. — Jesus, que porra é essa? Sam olhou ao redor para ver Garrett se aproximar com rápidas e certeiras braçadas. — Ajude-me a levá-la para a praia,— Sam disse enquanto a puxava pelo tronco. A cabeça dela pendeu para o lado, e ele abrigou o rosto dela no pescoço para que não inalasse água acidentalmente. Colocou os dedos em seu pescoço para verificar a pulsação. Fraca e imperceptível, mas estava lá. — Santo Deus, ela foi baleada, — Garrett disse enquanto se aproximava pelo outro lado. Sam olhou para ver o braço manchado de sangue. — Vamos, — disse severamente enquanto se virava de lado e começava a nadar em direção à margem. Garrett manteve o ritmo, mantendo o máximo do corpo dela fora da água. Quando se aproximaram da margem, Donovan se inclinou e estendeu as mãos para pegar a mulher. Sam acenou para que ele se afastasse e seus braços enrolaram debaixo dela, erguendo-a da água quando ficou de pé na parte rasa. Era ridículo, mas foi tomado pela necessidade de que ele mesmo cuidasse dela. Não queria que ninguém a tocasse. Sua nuca arrepiou e os cabelos levantaram enquanto a deitava no chão. A primeira coisa que notou foram a contusões no pescoço fino. Alguém fizera as marcas tentando sufocá-la. A segunda coisa que viu foi o óbvio ferimento a bala em seu braço. Sangue ainda escorria do vinco irregular. A terceira coisa? Seu olhar desceu sobre o corpo dela, e congelou quando encontrou o pequeno monte inchado de sua barriga. — Santo Deus, — ele arfou. — Ela está grávida! — Vou chamar uma ambulância, — disse Garrett. A mulher se mexeu com a voz de Garrett, e Sam estendeu a mão para afastar o cabelo de seus olhos. Todo fôlego deixou seu corpo quando suas pálpebras se abriram e seus olhos se encontraram. Ele fez um balanço completo de sua face e a certeza o acertou como uma marreta.
  23. 23. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 23 Deus, não conseguia entender. Estava debruçado sobre ela, olhando para ela, sua mente registrava quem ela era, mas não fazia sentido para ele. — Sophie, — ele falou roucamente. Os olhos dela se arregalaram, em reconhecimento, exatamente quando o medo bateu duramente naqueles grandes olhos azuis. — Sam. Seu nome saiu em um sussurro rouco e dissolveu-se em uma tosse. Depois que começou, não conseguia parar, e seu corpo todo convulsionava enquanto tossia a água de seus pulmões. Seus gemidos de dor bateram forte no peito dele e sacudiu-o para fora de sua inércia. E, em seguida, a próxima maldita onda o atingiu com tanta força que ele quase perdeu o equilíbrio. Sophie estava grávida. Ele e Sophie estiveram juntos justos cinco meses atrás. Ela certamente não parecia uma grávida de mais de cinco meses. Na verdade, parecia exatamente ter esse tempo. Estava ferida. Alguém atirou nela. Alguém tentou matá-la. Estava grávida. — Não, — ela disse ferozmente. — Não o quê? — Sem ambulância. Prometa-me. Ela agarrou seu braço com uma força surpreendente. Seus olhos estavam selvagens, e ele duvidava que ela tivesse uma pista de onde estava, quem era ou o perigo que ela e seu filho estavam correndo. — Você precisa de um hospital, — ele a acalmou. Inferno, ele precisava de um hospital. Ou de uma bebida forte. O que diabos ela estava fazendo aqui? Onde diabos estivera nos últimos cinco meses? Grávida. Doce Jesus, o bebê era dele? Sua língua parecia grossa e inchada em sua boca. Não conseguia formar as palavras, e duvidou que ela as compreenderia, de qualquer maneira. Sua mão foi automaticamente para seu braço, onde o ferimento começava a sangrar novamente. Seu sangue estava quente contra a pele fria, e ele apertou tão forte quanto se atreveu, não querendo machucá-la mais. Ela levantou a cabeça, e seus olhos, vidrados pela dor, faiscaram com determinação. — Sem hospital. Nenhum policial. Prometa-me. Prometa-me. — O desespero em sua voz o atingiu. Uma sensação desconfortável correu por sua espinha. Suas entranhas disseram que isso era uma Clusterfuck1 além de todas as encrencas. Ele olhou para Garrett, que estava olhando para ele e Sophie com uma profunda carranca de concentração. Sem dúvida, ele queria saber o que diabos estava acontecendo. Com os dois. 1 Termo militar para múltiplas coisas erradas numa situação. Encrenca.
  24. 24. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 24 — Não chame a ambulância, — disse Sam e se virou para olhar para Donovan, sua mão ainda presa sobre o ferimento da bala. — Vá para dentro, encontre bandagens, um kit médico, qualquer coisa que possa encontrar. — Você está louco? — Garrett explodiu. — Ela foi ferida. Levou um tiro. E está grávida. Sam engoliu em seco e olhou para os olhos de Sophie, que agora estavam fechados. — Garrett, por favor, faça o que eu pedi. Eu conheço esta mulher. — Quem diabos é ela? Ele olhou para seus dois irmãos. — Ela é minha. CAPÍTULO 5 Frio. Ela estava congelando. E estava tendo alucinações. Ela tinha visto Sam. Mas ele não estava aqui. Não sabia onde ele estava. Só que havia um homem que se parecia muito com ele em pé sobre ela com uma expressão de horror em seu rosto. Sam não ficaria tão horrorizado ao vê-la, não é? Ele não sabia a verdade. Ainda. Não, definitivamente não era Sam. Em seguida, um cobertor quente a cercava, e braços fortes a levantaram. Ela se acomodou contra o peito duro, aquelas braços ainda apertados ao seu redor. Sophie abriu os olhos e olhou para cima para ver uma mandíbula rígida. Forte. Firme. Com apenas um toque de barba, como se ele estivesse demasiado preguiçoso para fazer a barba pela manhã. Era muito sexy. O olhar dela vagou para cima, e depois ele virou a cabeça e seus olhos encontraram os dela. Azul. Azul pálido, como o gelo. Assim como os olhos de Sam. Ela ainda estava sonhando? Se estivesse, queria simplesmente continuar sonhando. Era um sonho bom. — Ei, — ele disse suavemente. — Você está de volta. De volta? Onde diabos ela tinha ido? Sua testa enrugou em confusão. — Já estive aqui antes? — ela perguntou. Aliás, como chegou até aqui? Tudo era tão confuso. Sentia-se engraçada. Não em tudo. Estava tendo dificuldade para lembrar o menor dos detalhes. Frustrou-a, porque havia algo de importante que tinha que fazer. Ele balançou a cabeça. — Não. — Mas você disse que eu estava de volta, como se eu tivesse estado aqui antes. — Deu-lhe um olhar preocupado e o fitou. — Eu quis dizer que você estava de volta. Consciente. Você recuperou a consciência por instantes quando eu a tirei da água, mas depois desmaiou outra vez. — Oh. Sua preocupação se aprofundou e ele olhou para cima, e foi então que Sophie viu outro homem caminhando ao lado deles. Grande. Mal encarado. Com as sobrancelhas franzidas para ela.
  25. 25. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 25 Sophie se encolheu contra o homem que a carregava e teve um arrepio involuntário. — Está tudo bem, — ele murmurou suavemente enquanto a erguia mais em seus braços. — Ninguém vai machucá-la, eu prometo. — Quem é aquele? — ela sussurrou. Novamente ele olhou para o lado. — É Garrett.Ele é meu irmão. — Ele é grande e mal-encarado, — ela murmurou. Ele balançou contra ela enquanto ria. — Ele é inofensivo. Um bufo soou, e Sophie adivinhou que Garrett não gostou da avaliação de seu irmão. Então Garrett inclinou-se para olhar para ela. — A questão é, quem é você? — Ela encolheu-se e teria escorregado por cima do ombro do seu protetor e se escondido atrás dele, se pudesse. — Afaste-se, Garrett, você a está assustando. Garrett fez uma careta de novo e deu-lhe um olhar que sugeria que ele não tinha terminado. A raiva subiu sobre Sophie. Droga, estava farta de machos arrogantes e idiotas. — Calma, — o homem que a carregava a acalmou, como se sentisse sua tensão. Seguiu andando e, em seguida, passou por outro homem—em que diabo de confusão ela conseguiu se meter agora? Pelo menos eles não portavam armas, e até agora não tentaram matá- la. Isso era positivo, não era? Talvez eles pudessem lhe dizer como encontrar Sam. — Onde estou? — ela perguntou baixinho enquanto ele a colocava em uma cama. Não esperando uma resposta, enrolou-se em uma bola e alcançou as cobertas e um travesseiro simultaneamente. Deus, estava cansada. Estava dolorida da cabeça aos pés. — Oh, não, você não vai, — uma voz masculina a repreendeu. — Você não pode dormir ainda. — Ela empurrou-o com uma mão e se aconchegou mais fundo no travesseiro. Era tão bom. Seus músculos começaram a relaxar dentro das cobertas quentes, e então começaram a gritar em protesto. Sua boca e os olhos se abriram enquanto a dor a oprimia. Seu braço. Fogo. A dormência desapareceu. E então ela se lembrou. Fugindo de barco. Levando um tiro. Escapando. Sua mão subiu para o braço, sentindo o ferimento. Não poderia ser muito ruim, não é? — Simples, — o sósia de Sam murmurou. — Eu diria que alguns dos choques se esgotaram e agora você está começando a sentir dor. Ela sacudiu violentamente, os dedos ainda segurando a área do tiro. A mão suave agarrou seus dedos e afastou-as do ferimento. — D-dói. — Eu sei. Você deveria estar no hospital. Sua cabeça voou para cima. — Não. — Aqui está o curativo, — Garrett disse enquanto entrava no quarto. — Van está trazendo um pouco de água e panos para que você possa limpar o ferimento.
  26. 26. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 26 Sophie segurava as cobertas contra o peito e olhava cautelosamente para Garrett. Garrett não parecia mais impressionado com ela do que ela com ele. Ele a observava com o que ela só poderia descrever como profunda desconfiança. Um momento depois, o terceiro homem chegou por trás de Garrett. Ele, pelo menos, não demonstrava que preferia que ela estivesse em qualquer outro lugar, exceto aqui, mas o cuidado irradiava dele, no entanto. — Esse é meu irmão Donovan, — o falso Sam disse, enquanto apontava o polegar sobre os ombros. — Quantos irmãos você tem? Ele sorriu. — Cinco. Apenas dois estão aqui, no entanto. — Há mais três? — perguntou ela, tentando conter o horror de sua voz. A sala girou loucamente a sua volta, e ela estava com tanto frio que os dentes estavam batendo. Havia algo de importante que tinha de fazer, mas não se lembrava de nada além de manter seu bebê seguro. Apertou a barriga quando percebeu que ainda não sentiu nenhum movimento do bebê. As lágrimas escaldaram seu rosto, e ela fungou fortemente, mas não conseguia fazer o ar entrar por seu nariz. Através da névoa e confusão, lembrou-se da única coisa que tinha que fazer, acima de tudo. — Sam, — ela murmurou. — Tenho que encontrar Sam. Eles vão matá-lo. — Ela afundou ainda mais na cama, enquanto o quarto esmaecia ao seu redor. — Estou aqui, Sophie. — Sam? — Não, aquele era o cara que se parecia com ele. Ela balançou a cabeça. — Não, Sam K-Kelly. Tenho que encontrá-lo. É importante. Eles vão me matar também. Meu bebê. — Seus dentes batiam até a mandíbula doer. Por que não podia se recompor? Por que sentia-se tão incoerente e sombria? O quarto girava loucamente ao seu redor, como se estivesse presa em alguma roda-gigante do inferno. Seu estômago deu um nó e ferveu. A dor pavorosa estava fazendo-a ter náuseas, e a última coisa que queria fazer era vomitar. Nada fazia sentido. Podia ouvir-se murmurando, mas não conseguia sequer lembrar sobre o que. Sam. Isso ela se lembrava. Era sua única constante. Tentou dizer o nome dele novamente, mas encontrou seus lábios duros e não cooperativos. Seus cílios amontoaram sobre seus olhos, e tentou esfregá-los para que pudesse enxergar. A escuridão lotou até que o quarto ficou tão sombrio que ela não conseguia sequer ver os homens. Doía combater a escuridão crescente. E por isso ela desistiu. Sam ficou olhando enquanto ela flutuava em direção a inconsciência novamente. Olhou para Garrett e Donovan e viu os dois olhando através dele. — Que diabos está acontecendo, afinal? — Garrett disse finalmente. Sam passou a mão pelos cabelos e envolveu a parte detrás de seu pescoço.
  27. 27. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 27 — Cristo, eu não sei. — Quem é ela? — Donovan perguntou. Antes que pudesse responder, os olhos de Garrett se estreitaram, e ele os fixou entre Sophie e Sam. — É a garota com a qual você estava envolvido no México, não é? —Sam ignorou Garrett e ajeitou as cobertas sobre Sophie, para que ficasse aquecida, mas teve o cuidado de deixar o braço descoberto.O sangue ainda escorrendo do ferimento o perturbava. Inferno, a coisa toda o perturbava. — Que diabos ela quis dizer com a necessidade de avisá-lo? — Donovan perguntou. — Isso cheira mal, Sam. Você deveria chamar Sean e uma ambulância. Deixe-o lidar com as coisas. Sam balançou a cabeça. — Não chamaremos a polícia. Não até que eu saiba que diabos aconteceu aqui. Seu olhar caiu para a barriga dela. Afastou um pouco as cobertas, e não conseguiu se controlar, deslizou a palma da mão sobre ela. Sua pele estava fria ao toque, mas a pequena bola dura de seu estômago o fascinava. — Oh inferno, — Garrett murmurou. — Oh inferno, não. — O quê? — Donovan perguntou. Sam sabia. Engoliu em seco e olhou para seus irmãos. — Pode ser meu. Não terei certeza até que eu possa falar com ela, mas estávamos juntos cinco meses atrás. Ela parece ter cerca de cinco meses de gestação. — Puta merda, — Donovan explodiu. —Estou com Van. Isto fede como um gambá atropelado, — Garrett disse severamente. Sam apontou para Sophie. — Preciso fazer o curativo enquanto ela está inconsciente. Preciso de você para me ajudar com o braço dela. Se a bala ainda estiver lá, não teremos escolha, exceto levá-la ao hospital. Olhou para o ferimento. Com bala ou sem, precisava levar pontos. Não sabia como diabos poderia mantê-la fora do hospital ou por que diabos deveria. Donovan deslizou em cima da cama, do outro lado de Sophie, sua expressão sombria. — Parece que alguém bateu muito nela, tentou sufocá-la, e depois atirou. Não necessariamente nessa ordem. A raiva apertou a mandíbula de Sam. — Sim, é o que parece. Não é de espantar que ela fugiu. — Se ela fugiu, — Garrett disse acidamente. Sam lançou-lhe um olhar irritado. — O que isso deveria significar? — Acho que é muito estranho que ela apareça semiafogada e espancada, com um ferimento de bala, falando alguma merda sobre ter que avisá-lo. Onde diabos ela esteve por cinco meses, se você estava tão quente e grudado com ela? Ela deveria saber que você poderia protegê-la. — Então o que você está dizendo? — Sam perguntou calmamente. — Acha que ela se surrou, atirou em si mesma, então se atirou no lago, quando está grávida, em um elaborado esquema para chegar a mim? — Garrett teve a graça de parecer um pouco envergonhado.
  28. 28. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 28 — Olhe, eu sei que você é um bastardo desconfiado. Eu estou tendo a minha parte desse fodido momento, mas até eu ouvir o que ela tem a dizer, estou evitando julgar. — Boa ideia, — Donovan murmurou enquanto examinava o ferimento de Sophie. — Parece um ferimento limpo. Não acertou o osso! Somente a pele foi ferida. Deve doer como o inferno e provavelmente estará infectado depois que passou tanto tempo no lago, mas não acho que seja muito sério. Eu estaria mais preocupado com sua gravidez. A declaração de Donovan bateu em Sam como um martelo. Sim, ele viu sua barriga. Tratava o assunto com calma e naturalidade, o que dizia a seus irmãos que o bebê poderia ser dele. Mas até agora ele realmente não tinha se aprofundado na ideia. Havia um bebê. Poderia ser seu. Ele poderia ser pai. Puta merda. Discussão sobre a posição de expectador. Isto não era algo que ele contemplou em seus sonhos. Deixou para seus irmãos se estabelecerem e terem filhos. Imaginou que Ethan e Rachel iriam ter um casal antes que ele jamais considerasse a ideia de se estabelecer e fornecer netos para mamãe e papai. Fez uma careta. Inferno Santo. Mamãe ficaria muito preocupada sobre isso. Ele tinha 36 anos. Bem além da idade que a maioria dos homens pensava em ter família, não é? Mas assumiu a maldita certeza que, se, e quando, chegasse a fazê-lo, seria em seus termos, de preferência com uma mulher com a qual estivesse casado e após cuidadosa consideração. Bebês e sua carreira não faziam exatamente uma boa combinação. — Você está bem, cara? — Donovan perguntou baixinho. Ele estava bem? Sentia-se como se alguém tivesse puxado o tapete de debaixo dele. Como se alguém tivesse subitamente mudado todas as regras e alterado todo o curso de sua vida. Okay, soava dramático, mas inferno, era assim! Um bebê mudava tudo. E então havia Sophie. Por que ela desapareceu? Não, ele não fizera nenhuma promessa. Não estava em posição de oferecer-lhe alguma coisa. Nem mesmo a sua verdadeira identidade... — Porra, — ele resmungou. Garrett olhou atentamente para ele. — Como diabos ela sabia onde me encontrar? Ela me conhecia como Sam. Apenas Sam. Um cara que frequentava o bar onde ela trabalhava. Não Sam Kelly. Eu poderia ser de qualquer lugar, por tudo que ela sabia. — Eu diria que você provavelmente se entregou em algumas conversas pesadas no travesseiro — Garrett disse secamente. Sam balançou a cabeça. — Você acha que sou estúpido? Além disso, falar não era exatamente o que fazíamos quando estávamos sozinhos. Donovan riu, mas depois ficou rapidamente sério. — Então o que diabos fazemos? É uma pequena coincidência que a garota com quem você teve um caso, enquanto disfarçado, simplesmente aparece, parecendo a morte requentada,
  29. 29. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 29 resmungando terríveis advertências sobre pessoas tentando matá-lo, quando na verdade ela não deveria saber nada sobre você. E certamente não onde você vive. — Isso quase cobre tudo, — Sam disse enquanto olhava para a forma imóvel de Sophie. O lençol sobre sua barriga se mexeu. Apenas uma contração pequena que ele quase perdeu. Perplexo, inclinou-se e afastou o lençol. A blusa encharcada tinha levantado, expondo a expansão suave de seu estômago. Lembrou-se de tocá-la, correndo as mãos sobre seu corpo exuberante, que certamente mudou desde a última vez que fizeram amor. Colocou a mão do lado da barriga, só para sentir o minúsculo impacto contra a palma da mão. Ele olhou, assombrado. Era o bebê. — Imagino que a pequena criança está bem, — Garrett murmurou. Sam não conseguia formar uma resposta. Estava muito confuso. Era sua, esta criança que sentia contra os dedos? — Você deve tirar essas roupas molhadas dela, — Donovan ofereceu. — Você e Garrett também precisam de roupas secas. Vou aquecer uma sopa e descobrir se temos antibióticos em nosso estoque de medicamentos. Ela necessitará de algo mais forte do que o ibuprofeno2 para a dor. Para não mencionar que não tenho certeza se ela pode tomar, estando grávida. Sam se mexeu e se sacudiu de seu transe. Então fez uma careta. Ninguém, além dele iria vê- la nua. Concentrou sua carranca em Garrett, até que ele finalmente recebeu a mensagem e caminhou em direção à porta, murmurando baixinho todo o caminho. — Pegue a sopa e encontre todos os medicamentos que puder, — Sam disse a Donovan. — Depois que eu tirar suas roupas e colocá-la em algo quente, vou avaliar seus ferimentos. Quando ela acordar e puder nos dizer o que diabos está acontecendo e por que não quer que a levemos para o hospital, descobriremos o que fazer a seguir. Donovan assentiu e saiu do quarto depois de Garrett. Sam voltou sua atenção para a mulher deitada em sua cama. Sua mulher. Seu filho? Balançou a cabeça em negação. Ela não era dele. Pegou uma mecha de cabelo molhado, puxando-a cuidadosamente e afastando de seu pescoço. — Onde você estava, Sophie? — perguntou baixinho. — Que segredos você está escondendo e quem diabos quer você morta? Raiva súbita rolou através de seu corpo. Quem a queria morta também tentou matar seu filho. Seu filho. Tantas perguntas zumbiam ao redor de sua cabeça, estava prestes a enlouquecer. Se não cuidasse dela, ela não iria sobreviver para dar-lhe respostas. Ela ainda tremia, mesmo em seu estado inconsciente. Precisava tirar sua roupa molhada e deixá-la aquecida. Ele tirou sua própria roupa e não perdeu tempo em vestir algo seco. Então voltou para Sophie. 2 Analgésico, componente principal do ADVIL, mundialmente conhecido.
  30. 30. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 30 Cuidadosamente, retirou as camadas encharcadas de seu corpo, dando um cuidado especial para seus ferimentos. Uma variedade de contusões pontilhava seu corpo, e sua mandíbula apertava enquanto estudava as impressões digitais escuras no pescoço dela. Seus mamilos se enrugaram e se mantiveram eretos enquanto arrepios de frio percorriam seu corpo. Ela era magra e curvilínea, exceto pelo monte de sua barriga. Sam olhou descaradamente sua forma nua, hipnotizado pelas mudanças que a gravidez forjara. Ela parecia muito pequena e muito magra. Ela era pequena para começar, mas a gravidez não devia preencher uma mulher? Torná-la mais curvilínea? Ele certamente ouviu sua mãe queixar-se de ganhar um bom tamanho a cada uma de suas gestações e como seus quadris se expandiram exponencialmente. Além de seus mamilos terem escurecido, a única mudança em Sophie era o aumento em sua barriga. — O bebê é meu, Sophie? — ele sussurrou. — Por que você partiu? Escorregou cuidadosamente uma das suas camisas de flanela ao redor dela e a abotoou sobre as bandagens que Donovan prendeu no ferimento. Ele se preocupava com o sangue que escoava através da gaze. Qualquer perda de sangue não poderia ser bom para uma mulher grávida, não importa como o ferimento fosse pequeno. E depois havia o fato de ela obviamente ter ficado no lago por um tempo. Sua pele ainda estava fria ao toque e os lábios tinham uma coloração azulada que ele não gostava de jeito nenhum. Tantas perguntas. A única coisa inteligente seria chamar Sean e levar Sophie para o hospital. Ela estava machucada e grávida. Mas cada vez que ele olhava para o telefone, lembrava-se do medo em seus olhos e a convicção em suas palavras. Ela certamente não estava mentindo sobre uma ameaça. Se era para ela, ele ou os dois, ele não podia se dar ao luxo de arriscar a vida dela e de seu filho. Arrastou-se para a cama, empilhando mais cobertores sobre seu corpo frio. Deitou-se ao seu lado e puxou-a com cuidado contra ele, dando-lhe o benefício de sua temperatura corporal. Então, puxou as cobertas apertadas em torno deles, selando-os no calor. Aos poucos ela parou de tremer e pareceu acalmar-se. Seus lábios se entreabriram contra o peito dele, e um suspiro ofegante escapou. Ela tentou se aproximar, mas choramingou quando seu ombro colidiu contra o corpo dele. — Cuidado, querida, — ele sussurrou e puxou sua mão para baixo, entre seus corpos, para que ele pudesse deixá-la imóvel. — F-frio, — ela murmurou inquieta contra a sua pele. — Eu sei. Você vai se aquecer. Apenas fique quietinha para não se machucar. — S-Sam? É realmente você ou ainda estou sonhando? Ele não tinha certeza do que fazer com sua confusão. Choque e frio, para não mencionar um ferimento a bala, poderiam deixar uma pessoa bem "apagada". A suspeita insinuou em sua mente, enquanto ele queria descontar tudo isso como uma coincidência bizarra. Só um idiota ignorava o óbvio. Coincidência, meu rabo. — Sou eu, Sophie. Estou aqui. Você foi ferida. Preciso levá-la a um hospital. Você precisa se certificar que seu bebê está bem.
  31. 31. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 31 Esforçou-se ao máximo para não interrogá-la ali mesmo. Só o conhecimento de como estava frágil o conteve. Ela balançou a cabeça contra ele, então gemeu baixinho. — Não se mexa. Isso só vai machucar mais, — ele advertiu. —Não podemos ir para o hospital, — disse ela com voz rouca. — Ele me encontrará. — A testa de Sam franziu e ele olhou para o seu rosto tão firmemente pressionado contra o peito dele. — Quem, Sophie? Quem vai encontrá-la? — Meu pai, seus homens, — ela corrigiu. Quando essa porra de declaração saiu, deixou-o estupefato. Sam olhou para baixo enquanto suas pálpebras fechavam mais uma vez. Ele queria bater a cabeça em frustração, e, em seguida, imediatamente sentiu-se culpado quando se lembrou que a mulher em seus braços, obviamente, tivera um dia ou semana de muita merda por causa desse assunto. — Sophie. — Ele esperou por uma resposta. — Sophie, — disse ele um pouco mais alto. — Querida, acorde. Preciso que você fale comigo. Ela gemeu e enterrou o rosto em seu peito, um gesto que lhe disse mais do que palavras que queria que ele calasse a boca e fosse embora. Isto estava deixando-o louco. Van estaria de volta a qualquer momento com o remédio e tudo o que conseguisse desenterrar. Com esse pensamento, Sam verificou as cobertas para se certificar que ela estava protegida contra quaisquer olhares indiscretos. Não que Van fosse um idiota, mas alôo, uma mulher seminua atrairia os olhos de qualquer homem com sangue nas veias. Não importaria se ela estivesse morta. Suspirou quando ela ficou mole novamente. Porra. Este não era o seu dia, sua semana ou até mesmo seu mês. Realmente pensou apenas uma hora atrás, que sentia falta dela? Era quase como se ele a conjurasse, e por mais que tivesse muitas fantasias sobre ela estar em sua cama novamente, isso certamente não era o que ele tivera em mente. Donovan bateu uma vez, então, sem esperar resposta, enfiou a cabeça pela porta. Vendo Sam e Sophie, entrou, um kit médico em uma mão e uma seringa com uma agulha tampada na outra. — Que diabos é isso? — Sam perguntou quando Donovan aproximou-se da cama. — Os antibióticos. Tenho-o para o kit de campo. — Como você sabe que é seguro dar isso a uma mulher grávida? — A Internet é uma coisa útil, — Donovan disse calmamente. — Incrível o que se pode encontrar. Eu nem sei porque as pessoas vão aos médicos ainda. — Eu tenho que confiar a segurança do meu filho em alguns sites da web que você pesquisou no Google? — Sam perguntou, incrédulo. — Bem, sim. Você tem uma ideia melhor? Eu ainda voto que chamemos Sean e a levemos rapidamente para o hospital. E você sabe que estou certo. Sam suspirou, então gesticulou para Donovan se aproximar com o material. Ele também carregava uma variedade de ataduras e pomadas, juntamente com um kit de sutura. — Pare, não deixarei você suturá-la. Isso é loucura.
  32. 32. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 32 — Então, estará deixando seu braço apodrecer de infecção. — Porra, Van. Você é um maldito filho da puta. — Naquele momento Donovan esboçou um leve sorriso. — Você e Garrett são tão fáceis, juro. Acho que ambos nasceram com espigas de milho enfiadas na bunda. Fui treinado como médico, lembra? Posso fazer todos os tipos de coisas incríveis. Pilotar aviões e helicópteros, e posso costurar membros. Eles podem apodrecer mais tarde, mas cara, não é problema meu. — Bastardo irreverente, — Sam murmurou. — Você passou muito tempo em torno de Joe. Donovan sorriu novamente. — Joe sempre foi o meu irmão favorito. Sam acenou para ele com impaciência. — Dê-lhe a injeção, mas eu quero dar uma olhada em seu braço e na lateral de seu corpo mais uma vez antes de deixá-lo solto com uma agulha e linha. — Você faz parecer que estou prestes a bordar uma fronha, — Donovan disse secamente. Donovan destampou a seringa e se moveu para o lado oposto da cama. Olhou pedindo desculpas a Sam enquanto movia as cobertas para o lado para desnudar a curva do quadril de Sophie. Sam fez uma careta, mas segurou sua língua, enquanto Donovan, eficiente, limpava a pele lisa acima de suas nádegas e, em seguida, mergulhava a agulha em sua carne. Ela se encolheu e deixou escapar um grito assustado. Enrolou as mãos na camisa de Sam e tremeu, mas seus olhos não reabriram. Sam instintivamente puxou-a mais perto, murmurando palavras tranquilizadoras em seu ouvido. Mas olhou com descontentamento para seu irmão, enquanto ele retirava a agulha e tampava a seringa. Donovan revirou os olhos e moveu-se para a cama para começar a abrir o colarinho da camisa de flanela que ela usava. Quando chegou na atadura em seu braço, cuidadosamente a puxou. A atadura saiu vermelho brilhante, e Donovan franziu a testa enquanto limpava o sangue fresco que escorria do ferimento. — Ela precisa de pontos, Sam. Sei que você não gosta, mas se não vai fazer a coisa certa e levá-la ao hospital, eu preciso dar pontos. Posso dar-lhe uma anestesia local para entorpecê-la. Não vai ser tão bom quanto o que lhe dariam na Sala de Emergência, mas se ela ficar inconsciente, não vai sentir. — Sam xingou baixinho, fechou os olhos e soltou um som resignado. — Okay, faça. Mas seja rápido. Não quero fazer isso pior que o necessário. Sam enfiou o rosto dela em seu pescoço, depois alisou a mão em seu braço até alcançar o local onde Donovan estava preparando. Era ridículo que ele estivesse agindo como uma mulher nervosa por isso. Ele remendou a sua quota de ferimentos sangrentos no campo de batalha. Viu coisas que fariam até mesmo o soldado mais endurecido empalidecer. Mas a visão de Sophie, grávida e vulnerável em seus braços, enquanto seu irmão estava prestes a enfiar uma agulha através da pele dela, fez suas entranhas apertarem. — Segure-a, — Donovan murmurou, enquanto se preparava para colocar o primeiro ponto. — Se ela se mexer, vai doer mais, e não quero fazer mais danos. — Apenas faça, — Sam rosnou. Ele enrolou Sophie apertada nele, oferecendo-lhe sua força e proteção. Quando a agulha perfurou sua pele, não tinha certeza sobre quem estava mais tenso, ele ou Sophie.
  33. 33. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 33 O rosto dela se contorceu e seus olhos se abriram alarmados. Ela parecia olhar através dele. Sua boca se abriu em um grito sem som, e então quando falou, sua voz saiu fraca e rouca. — Por favor— ela implorou. — Não machuque meu bebê. O estômago de Sam torceu, e até mesmo Donovan olhou para cima, seus olhos se estreitando. — Que diabos? — Donovan murmurou. — Acabe logo com isso, — Sam ordenou. Ele se virou para Sophie e pressionou os lábios nos dela em um esforço para parar os gemidos que batiam nele como dardos. — Shhh, Sophie, é Sam. Estou aqui. Nada vai machucá-la. Eu juro. Seu bebê está bem. Eu estou bem. Você entende? — Sam, — ela falou arrastado. — Tenho que avisar Sam. Não é mais seguro. Fiquei longe, mas agora eles me acharam. Sam tem que saber. Uma única lágrima arrastou-se por sua bochecha, e Sam beijou-a, saboreando o contato depois de tantos meses. Ele não ligava para o que Van pensava. Não se importava com o que ele via ou que ele diria a Garrett. Eles que se fodessem. Agora estava com sua mulher em seus braços. Seu filho. E queria saber quem diabos a ameaçou. De quem ela tinha tanto medo. E porque ela achava que tinha que protegê-lo. Isso o deixou furioso. — Você não terminou ainda? — Sam sibilou. — Quase, — murmurou Donovan. Donovan enfiou a agulha em sua carne para fazer os dois últimos pontos. Sam apenas orou para que ele se apressasse. Sophie ficou tensa novamente e deixou escapar um soluço baixo. Sam queria gemer com ela. — Ele vai ficar tão zangado, — disse ela com a voz fraca. Ela estava balbuciando agora, vacilando com cada ponto, embora não lutasse. Parecia ter se resignado com o inferno que estava enfrentando. Sam só queria saber o que estava acontecendo dentro de sua mente febril. — Ele vai me odiar. Ele nunca entenderá. Tenho que contar a verdade a ele. — Donovan concluiu a última sutura e lançou um olhar preocupado em direção a Sam. Sam não precisava de Donovan para dizer-lhe que aquilo era uma loucura. E ia além de bizarro. Havia alguma merda séria e estranha acontecendo. A questão era, como Sophie estava envolvida? E se ela estava com problemas, por que diabos não o procurou antes? Sua mão deslizou até tocar sua barriga, e ele sentiu o reconfortante remexer do bebê em seu ventre. E se este era o seu filho, o que diabos isso significava para ele e Sophie agora? CAPÍTULO 6
  34. 34. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 34 Sophie finalmente estava quente. Não havia uma parte do seu corpo que não doesse, mas ela estava quente. Levou um momento em sua perplexidade para perceber que a fonte de seu calor vinha de outra pessoa. Estudou a sensação do corpo contra o dela sem abrir os olhos. Forte. Musculoso. Definitivamente masculino. E familiar. Aconchegou-se mais profundamente na parede de seu peito e inalou profundamente. Conhecia aquele cheiro. Ela o reconheceria em qualquer lugar. Sam. O braço dele se apertou em volta de sua cintura, forçando a barriga dela em sua virilha. Foi então que sentiu a vibração suave de seu bebê. Ofegante, ergueu-se, quase gritando de agonia quando seu braço protestou. Mas ela não se importou. Seu bebê havia se mexido. Sentou-se na cama, as duas mãos espalmadas sobre a barriga, como se quisesse que o pequeno se movesse novamente. Quase desmaiou quando o reconfortante tamborilar de um ritmo bateu contra as palmas de suas mãos. — Oh, graças a Deus, — ela sussurrou. O alívio a percorreu e deixou-a fraca. Ela cedeu precariamente, braços fortes a pegaram, deslizando-a de volta no travesseiro. Olhou para os olhos azuis de Sam, e se esqueceu de respirar. Estendeu a mão para tocar seu rosto, necessitando provar que ele estava realmente aqui. — Sam. É você! — Ela conseguiu. Não sabia como. E não se importava. Mas estava aqui e segura com Sam. Ele a protegeria e protegeria o filho deles. Ele tinha que fazê-lo. Ele estudou-a atentamente. Sua expressão era cautelosa, e seus lábios estavam em uma linha firme, nem sorriso, nem carranca. — Sim, sou eu, Sophie. Como está se sentindo? Está com muita dor? Ela estava muito chocada para registrar como se sentia. Ficou muito aliviada que seu bebê estava se mexendo, mas estava espantada que estivesse deitada na cama de Sam, em seus braços. Quantas noites ficara sozinha, sonhando em estar de volta nos braços dele? Então o medo rolou através dela. A sucessão de memórias, tudo o que aconteceu nos últimos dias, veio para ela, lembrando-lhe que a vida de seu filho não valia a pena no momento. — Há quanto tempo estou aqui? — ela perguntou enquanto lutava para sair das garras de Sam. A dor subiu por seu braço e deixou-a ofegante. Ele a soltou, mas ajudou-a a sentar. Seu olhar caiu para a barriga dela e ela engoliu nervosamente. Ele não era estúpido. Juntou as coisas. Provavelmente já sabia. Mas havia muito mais que ele não sabia. — Poucas horas, — disse ele em voz baixa. — Eu a pesquei do lago. Você entrou e saiu da consciência desde então. Assustou-se quando eu disse ao meu irmão para chamar uma ambulância. Você especificamente não queria um hospital ou a polícia. Pode me dizer por quê? Ela desviou o olhar, mas ele trouxe seu queixo de volta com os dedos insistentes.
  35. 35. TWKliek Maya Banks Nenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugirNenhum lugar para fugir Série KGI 02 35 — Oh não, Sophie. Você e eu temos muito o que conversar. Começando com o que diabos aconteceu com você. Para onde diabos desapareceu há cinco meses atrás. Como sabia onde me encontrar e quem eu era. Por que sente a necessidade de me avisar. E o mais importante. A questão mais importante de todas. Você está grávida de um filho meu? O sangue correu do rosto dela. Ele certamente não deixou de perguntar nada. Mas ele merecia respostas. Iria odiá-la, mas merecia saber a verdade. Sobre tudo. Engoliu em seco, nervosa, e olhou para ele com o terror pesando sobre ela como duas toneladas de tijolos. Os olhos dele se estreitaram, e ele roçou o polegar sobre seu rosto. Ela deveria ter achado o gesto reconfortante, mas era mais incitante que afetuoso. Lambeu os lábios, em seguida, abriu a boca, mas nada saiu. Olhou para ele com horror enquanto lágrimas quentes escorriam por seu rosto. Agora que estava finalmente na frente dele, estava tão perto, que podia sentir seu calor envolvendo em torno dela, não conseguia dizer nada. Sua expressão suavizou e seus dedos deslizaram em torno de seu queixo. — Não tenha medo de mim, Sophie. Nunca a machucarei. Estou em território desconhecido aqui, então tenha paciência comigo, tudo bem? Preciso saber se você está carregando meu filho. Enquanto ele falava, a outra mão desceu para sua barriga, e ele envolveu a curva arredondada. O bebê vibrou e chutou em resposta, e ela prendeu a respiração com a maravilha de sentir seu movimento depois de ficar imóvel por tanto tempo. — Ela é sua, — disse Sophie, com o peito tão apertado que mal conseguia respirar. Suas pupilas queimavam e suas narinas tremiam. Por um momento ele olhou para ela em silêncio, como se digerindo a declaração. — Ela? — ele disse finalmente. Sophie corou. — Eu chamo de "ela". Não sei ao certo. Apenas um pressentimento. Não gosto de dizer “ele”. — Mas você pode dizer neste momento, certo? Quero dizer, você já fez um ultrassom. Não puderam dizer-lhe o sexo? Ela olhou para baixo. — Eu não fiz um ultrassom. Ele trouxe seu queixo para cima novamente, e franziu a testa. — Mas você foi ao médico. Ela balançou a cabeça. — É muito perigoso. Sua boca torceu em uma curva apertada. Ele continuou olhando para ela com aqueles olhos azuis intensos. — Mas ela é minha. — Sim. Ela é sua. Nenhuma dúvida sobre isso. — Entendi. Ele parecia calmo o suficiente, mas ela podia sentir a agitação sob a expressão aparentemente calma. — E só agora você está de volta, para me contar.

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