Pesquisa Impacto Econômico e Violência Infantil

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Pesquisa Impacto Econômico e Violência Infantil

  1. 1. Os custos e o impacto econômico da violência contra as crianças
  2. 2. Date Os custos e o impacto econômico da violência contra as crianças Paola Pereznieto, Andres Montes, Lara Langston and Solveig Routier Este estudo estima que os impactos econômicos globais e os custos resultantes das consequências da violência física, psicológica e sexual contra as crianças pode atingir $ 7 trilhões. Este enorme custo é maior do que o investimento necessário para prevenir a maior parte dessa violência. Os custos globais anuais das piores formas de trabalho infantil são aproximadamente $97 bilhões, e aqueles resultantes da associação das crianças com as forças ou grupos armados podem ser de até $144 milhões anualmente. A evidência mostra claramente que “a prevenção compensa”, mas os níveis atuais de gastos do governo em ações preventivas e de resposta em relação à violência contra as crianças permanecem muito baixos. Os esforços de pesquisa e de defesa precisam continuar, com um foco na promoção de boas práticas preventivas. Os recursos para isto devem ser ampliados. Os dados mais específicos e a pesquisa primária aprofundada precisam ser gerados sobre as diferentes formas de violência contra as crianças, particularmente nos países de baixa e média renda. O cálculo e a elaboração de relatórios de custos econômicos levarão a argumentos mais fortes para a formulação das políticas. Definição da política para o desenvolvimento odi.org
  3. 3. das o mente grupos uais a esa s ados 1 Introdução Todos os dias, milhões de crianças em todo o mundo estão sujeitas ao abuso, negligência, exploração e violência em diferentes contextos, inclusive em seus lares, escolas, comunidades e ambientes de trabalho. Como resultado, as crianças experimentam o impacto em sua saúde física e mental, sua educação e sua qualidade de vida em geral. As consequências da violência sobre as crianças são muitas vezes intergeracionais, com aquelas que enfrentaram a violência quando criança mais susceptíveis de se tornarem adultos violentos. Este ciclo tem um impacto de longa duração sobre o bem-estar econômico de uma família. Este documento de instruções apresenta as principais conclusões de um relatório encomendado pelo ChildFund Alliance, explorando os impactos e custos econômicos da violência contra as crianças. Ele apresenta um resumo das evidências disponíveis de diferentes países e fornece alguns cálculos dos custos globais da violência e exploração contra as crianças. O documento de instruções discute os gastos do governo para prevenir e dar resposta à violência contra as crianças bem como as boas práticas preventivas. Ele também fornece algumas recomendações de política. Em resumo, este relatório conclui que há custos significativos para as pessoas, comunidades, governos e economias das várias formas de violência contra as crianças. No caso dos custos globais resultantes da violência física, psicológica e sexual, estes custos podem chegar a 8% do PIB global. Considerando-se outras formas de violência, como o envolvimento de crianças em trabalho perigoso, os custos globais são estimados em $97 bilhões por ano, o que equivale a sete vezes o PIB da Islândia. O impacto econômico de outra forma de violência contra as crianças – o de crianças associadas às forças ou grupos armados – que foi estimado em $144 milhões anualmente. 1.1 Metodologia O relatório foi um estudo documental com base na literatura existente sobre as consequências e custos econômicos da violência contra as crianças, bem como as metodologias para calcular esses custos e as boas práticas de estudo de casos sobre as políticas e programas de prevenção. O estudo inclui estudos específicos que calcularam os custos da violência contra as crianças, mas também se baseia em dados existentes a fim de calcular os números globais para as seguintes categorias de violência contra as crianças: violência física, psicológica e sexual, crianças associadas com as forças ou grupos armados, e trabalho perigoso como um indicador para a pior forma de trabalho infantil. Entretanto, há várias limitações no cálculo dos custos da violência contra as crianças, especialmente em nível global. Há várias lacunas de dados e discrepâncias no tipo de dados disponíveis com relação ao custo econômico da violência contra as crianças, o que prejudica a possibilidade de cálculo de estimativas nacionais e globais precisas. É raro encontrar levantamentos detalhados sobre a violência contra as crianças nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora mais tenham sido produzidos recentemente. Onde há relatórios, eles focalizam principalmente os países desenvolvidos ou de alta renda, apesar da alta incidência da violência na África, Ásia e América Latina. Somente alguns poucos estudos têm tentado calcular o custo da violência contra as crianças e as metodologias usadas apenas podem ser aplicadas nos contextos onde há dados disponíveis suficientes. Como tal, para o estudo subjacente a esta instrução, foi desenvolvida uma metodologia com base nas limitações dos dados em nível global.1 Estes fatores precisam ser levados em conta ao considerar os números apresentados sobre os impactos econômicos da violência contra as crianças. 1 Os detalhes podem ser encontrados no relatório principal.
  4. 4. 3 2 Prevalência e consequências dos diferentes tipos de violência 2.1 Violência Sexual Os dados atuais indicam que até 50% das agressões sexuais em todo o mundo são cometidas contra as meninas menores de 16 anos (UNFPA e UNICEF, 2011), com uma estimativa de 1,8 milhões de crianças sujeitas ao comércio de exploração sexual e de imagens de abuso de crianças. As crianças podem experimentar lesões físicas imediatas, danos psicológicos e condições de debilidade física de longa duração. Isto pode resultar em custos com assistência médica ao longo da vida e perda da qualidade de vida (CDC, 2014), ao lado da possibilidade de gravidez precoce e níveis mais baixos de educação relacionados. Por sua vez, isto pode levar ao absentismo laboral e declínio da produtividade no trabalho como resultado dos problemas de saúde. A determinação do padrão de incidência de exploração, violência e abuso sexuais fica difícil devido aos dados fragmentados disponíveis sobre sua prevalência, e isto é agravado pela subnotificação pelas vítimas. 2.2 Violência Física ou Psicológica Pesquisa da UNICEF (2006) indicam que mais de 275 milhões de crianças em todo o mundo estão expostas à violência em casa, embora as limitações de notificações signifiquem que milhões a mais podem estar afetadas. Como consequência, as crianças podem experimentar lesões físicas e/ou condições físicas de longa duração, com potencial incapacidade permanente ou mortalidade prematura em alguns casos. Os custos reais resultantes da violência são baseados em respostas comportamentais das vítimas (ONU, 2005) e a disponibilidade dos serviços, alterando significativamente os custos diretos e indiretos para as vítimas e os prestadores de serviço. 2.3 Trabalho infantil perigoso No geral, calculam-se que cerca de 5,4% das crianças em todo o mundo estão envolvidas no trabalho perigoso (OIT, 2013) com uma estimativa de 85,3 milhões de crianças de cinco a 17 anos trabalhando em condições perigosas em uma variada gama de setores, tais como mineração, construção civil e agricultura. As piores formas de trabalho infantil resultam na escravidão da criança, separação da família, exposição a graves perigos e doenças, e isolamento – frequentemente desde uma idade muito tenra, levando a consequências adversas para a saúde da criança, à exposição a outras formas de violência e a consequências para suas futuras atividades de geração de renda. Os índices do trabalho infantil são altos na região da Ásia do Pacífico. Em Bangladesh, o trabalho perigoso responde por 63% do emprego entre crianças de cinco a nove anos de idade, 56% entre 10 e 14 anos e 57% entre 15 e 17 anos (UCW, 2011). 2.4 Crianças associadas com as forças ou grupos armados Os custos econômicos das crianças associadas com as forças ou grupos armados são múltiplos e complexos. A estimativa atual do número de crianças associadas com as forças ou grupos armados variam entre 250.000 e 300.000 crianças (ONU, 2000), embora este número provavelmente seja uma subestimativa. Nos contextos de emergência em geral, os riscos de violência contra as crianças variam de país e dependem de inúmeros fatores, tais como o número de crianças afetadas, a capacidade do país de responder e a força das instituições do estado. Pode haver um aumento de risco da exploração sexual e violência contra meninos e meninas, ao lado de um aumento potencial do tráfico de crianças, violência psicossocial e formas extremas de trabalho infantil. Como resultado, os custos podem estar relacionados com o tratamento de curto e longo prazo, impactos psicológicos, efeitos secundários, incluindo perda de produtividade e renda ao longo da vida, e morte. 3 v 3 T cr d gl pr es (m cu T p d B R R A P F ba In E si ch es ga co at pr
  5. 5. 4 3 Estimando os custos globais da violência contra as crianças 3.1 Violência física, psicológica e sexual contra as crianças Tendo olhado para diferentes metodologias e estudos calculando os custos econômicos da violência contra as crianças de cada país, e já que os registros administrativos para saúde, serviços sociais e judiciais não estejam disponíveis em países de baixa e média rendas, identificamos que a maneira mais eficaz de calcular os custos globais da violência física, psicológica e sexual contra as crianças é através da abordagem da perda da produtividade. A tabela 1 apresenta os resultados de um cálculo global de tais custos. A metodologia usa o atual estado econômico dos países em termos de seu nível de renda (tamanho da economia) e o nível de produtividade (medido pelo resultado por trabalhador) como um indicador para o diferencial de salário para calcular estes custos. Tabela 1: Calcula os custos econômicos da violência física, sexual e psicológica contra as crianças em nível global, por grupo de renda (bilhões de dólares americanos) Países por grupo de renda Estimativa Inferior Limite Limite Inferior Superior Estimativa Superior Limite Limite Inferior Superior Baixa renda 190,8 318,0 254,4 508,8 Renda média inferior 700,1 2.100,4 1.400,3 2.800,5 Renda média superior 560,8 1.402,1 560,8 2.804,2 Alta renda 501,4 1,002,7 501,4 1.002,7 1.953,1 4.823,2 2.716,9 7.116,3 Porcentagem do PIG global 2% 5% 3% 8% Fonte: Cálculos dos autores com base nas informações dos Indicadores de Desenvolvimento Mundial 2013, os o banco de dados dos Indicadores Chave da OIT do Mercado de Trabalho (KILM) e Pesquisas Agrupadas de Indicadores Múltiplos da UNICEF (MICSs). Estes resultados indicam que os custos globais da violência física, psicológica e sexual contra as crianças são significativos. No cenário de cálculo inferior, os custos globais chegam a 2% go PIB global, e no cenário superior chega a 8% do PIB global. É importante destacar que um conjunto variado de suposições é feito ao se fazer tais estimativas. A violência contra as crianças tem vários custos, tais como custos de saúde e serviços sociais e gastos judiciais, entre outros. Já que tais registros administrativos não estão disponíveis na maioria dos países, e como as poucas variáveis disponíveis para o cálculo dos custos estão relacionadas com a produtividade e as atividades de geração de renda, foi necessária esta abordagem. Como tal, a estimativa global calculada provavelmente seja inferior aos custos reais de cada violência.
  6. 6. 5 3.2 Piores formas de trabalho infantil Para calcular o custo global das piores formas de trabalho infantil, este estudo usa o indicador do número total de crianças envolvidas em trabalhos perigosos em diferentes regiões por faixa etária, e considera os custos anuais dos rendimentos perdidos resultantes de anos de escolaridade perdidos devido ao trabalho perigoso. Os resultados estão apresentados na tabela 2. Tabela 2: Custos anuais globais do trabalho perigoso, com base em regiões de baixa e média rendas ($ milhões) Número estimado de crianças em trabalhos perigosos por faixa etária e região (milhão) Renda anual auferida com base na escolaridade completa (valor completo) e escolaridade incompleta (valor ajustado)a Diferença na potencial renda anual (renda perdida)b Ásia e Pacífico Total 33,86 Completo 165,372 51,192 5-11 anos 7.339428 Ajustado 14,027 12-14 anos 7.673886 Ajustado 23,617 15-17 anos 18.84669 Ajustado 76,536 América Latina e Caribe Total 9.638 Completo 87,417 27,060 5-11 anos 2.089114 Ajustado 7,415 12-14 anos 2.184315 Ajustado 12,484 15-17 anos 5.364571 Ajustado 40,457 África Subsaariana Total 28,767 Completo 44,503 13,776 5-11 anos 6.235479 Ajustado 3,775 12-14 anos 6.51963 Ajustado 6,355 15-17 anos 16.01189 Ajustado 20,596 Oriente Médio e Norte da África Total 5.224 Completo 18,033 5,582 5-11 anos 1.132344 Ajustado 1,530 12-14 anos 1.183945 Ajustado 2,575 15-17 anos 2.907711 Ajustado 8,346 Total Geral 97,611 Fonte: Cálculos do Autor Notas: a. Calculado com base no trabalho após a conclusão da escola (18 anos de idade) usando a renda nacional bruta per capita como um indicador de ganhos médios anuais por região, dados do Banco Mundial. b. Esta é a diferença entre a renda auferida anualmente com escolaridade completa em países de baixa renda, e inferior ou ganhos ‘ajustados’ resultantes de menos anos de escolaridade, considerando que 10% dos ganhos médios anuais (renda percapita nacional bruta) foram perdidos para cada ano de escolaridade perdida. Presume-se que as crianças que trabalham desde uma idade precoce tenham perdido mais anos de escolaridade. De acordo com os dados, os cálculos da renda global perdida como resultado de anos perdidos de escolaridade por causa do envolvimento das crianças com o trabalho perigoso são equivalentes a $97,6 bilhões anualmente, que é aproximadamente equivalente a sete vezes o PIB da Islândia de 2013. 3.3 Crianças associadas com as forças ou grupos armados Para calcular os custos relativos às crianças associadas com as forças ou grupos armados, o estudo assume que a maior incidência da associação de crianças com as forças armadas acontece em países de renda mais baixa, especialmente na África subsaariana. Como tal, a renda nacional bruta per capita utilizada para estes cálculos é a dos países de baixa renda. Outra suposição é que do número total de crianças associadas com as forças ou grupos
  7. 7. 6 armados, metade ou morrerá ou sofrerá lesões graves, trauma psicológico ou deficiência tais como resultado de uma perda total da produtividade em termos de seu valor econômico agregado à sociedade durante o resto de sua vida. Embora não haja números precisos na literatura identificando quantas das crianças afetadas retornam à vida produtiva, é uma aproximação com base nos conhecimentos adquiridos na literatura. No caso da metade restante, o pressuposto é que elas serão reintegradas à vida produtiva, mas levando em conta os anos de escolaridade perdidos, o impacto sobre os custos econômicos via perda de rendimento para o último grupo será semelhante ao de crianças envolvidas com trabalhos perigosos. Para o grupo de crianças que enfrenta perdas econômicas completas, usando-se o custo da renda nacional bruta, é calculado uma abordagem similar ao custo de DALY. Já que é impossível prever quantos anos uma pessoa que sofreu com o conflito viverá, a informação apresentada tem base no custo anual. A tabela 3 mostra as estimativas de custo. Tabela 3: Custos Anuais Globais das Crianças associadas com as forças armadas ($’000) Crianças associadas com forças ou grupos armados Custo de crianças que enfrentam a perda completa da capacidade produtiva ao longo de vidas (50%) Custo de crianças que são reintegradas, mas perderam 5 anos de escolaridade (50%) Total Limite Inferior 250.000,00 74.250,00 46.103,40 120.353,24 Limite Superior 300.000,00 89.100,00 55.324,08 144.424,09 Fonte: Cálculos do Autor Os custos globais da associação das crianças com as forças armadas são significativos. Em sua estimativa mais baixa, o custo poderia ser de até $120 milhões e a estimativa maior de até $144 milhões anualmente. 3.4 Gastos com prevenção e resposta à violência contra as crianças Os governos são responsáveis por tomar medidas para prevenir a violência contra as crianças e proteger as crianças que têm sido vítimas da violência. Entretanto, embora tenha havido progresso significativo pelos governos ao longo dos últimos anos na prevenção e resposta à violência contra as crianças (ONU, 2013), o progresso poderia ser mais robusto, pois muitas crianças ainda sofrem de várias formas de violência. A fim de alcançar este objetivo, uma das áreas que exige esforços significativos é o comprometimento dos recursos humanos e financeiros pelos governos para as políticas e programas de combate à violência contra as crianças. Poucos governos separam financiamento específico para intervenções relacionadas com a violência, e mais reconhecem a falta de recursos para esta área. De fato, dos 100 governos pesquisados pela Pesquisa Global da ONU 2011 sobre a Violência Contra as Crianças (ONU 2013), apena 4% indicaram que forneceram recursos completos para as políticas e programas de combate à violência contra as crianças; 10% disseram que os recursos não foram alocados. Até dois terços dos governos não responderam a esta pergunta. Enquanto uma análise em nível global da despesa com prevenção e resposta à violência contra as crianças não é, portanto, viável, uma análise dos países que realizaram análises do orçamento e gastos com a violência contra as crianças, incluindo a África do Sul, México, Estados Unidos e Índia, ilustra duas questões fundamentais em matéria de investimentos na prevenção e resposta à violência contra as crianças: primeiro, a complexidade de gastar dentro deste setor, que envolve vários programas, agências e níveis de governo; em segundo lugar, os baixos níveis do orçamento e gastos na prevenção e resposta à violência contra as crianças, apesar dos desafios significativos que as crianças enfrentam nesta área e os enormes custos de tal violência contra as pessoas, sociedade e estado.
  8. 8. 7 4 Exemplos de Soluções de custo favorável A partir dos custos econômicos que têm sido calculados e os que estão disponíveis na literatura, há um forte argumento a favor de se investir na prevenção da violência, pois ações preventivas adequadas ajudarão a evitar consequências negativas e de longo prazo que a violência terá nas vidas das crianças, suas famílias e comunidades. São necessários políticas e programas preventivos e de resposta nas diferentes áreas relacionadas com a violência contra as crianças para reduzir as consequências da violência nas vidas das crianças, bem como reduzir os custos resultantes deles. Assim, é extremamente importante implementar e intensificar as intervenções com custos favoráveis para as quais há evidência de sucesso. Há um crescente mas ainda limitado corpo de evidências sobre os programas eficazes na prevenção das diferentes formas de violência contra as crianças. Apenas alguns casos de estudos documentados de programas de prevenção à violência sexual contra as crianças têm sido fortemente avaliados ou incluíram uma análise de custo-benefício. Algumas evidências até agora, entretanto, sugerem que, especialmente para as meninas vulneráveis que vivem em condições de pobreza, intervenções combinadas que ofereçam treinamento de formação para a vida, com um enfoque particular na educação sexual, junto com medidas para fortalecer suas capacidades econômicas, são maneiras efetivas de prevenir o abuso sexual. No caso de violência física e psicológica contra as crianças, a evidência avaliativa existente aponta para as intervenções parentais para reduzir a paternidade agressiva/abusiva, aumentando as práticas parentais positivas, e melhorando os relacionamentos pais e filhos, inclusive em países de baixa e média rendas, como medidas preventivas eficazes para eliminar este tipo de violência. Ações preventivas bem-sucedidas para reduzir a probabilidade das crianças de se envolverem nas piores formas de trabalho infantil estão ligadas às políticas e programas nacionais. A OIT (2013) indica que os investimentos em educação e proteção social parecem especialmente relevantes para o declínio do trabalho infantil, particularmente suas piores formas. É difícil identificar os estudos de casos de boas práticas que enfoquem a prevenção da associação das crianças com as forças ou grupos armados como uma intervenção autônoma, pois a maioria lida com a prevenção e reintegração das crianças que foram recrutadas para as forças armadas. A prevenção deve ser promovida e defendida na legislação internacional que limita a associação das crianças com as forças ou grupos armados, além de fornecer informações às famílias em risco sobre os movimentos das forças ou grupos armados para que elas possam se refugiar deles. Estas famílias também devem receber alternativas de subsistência, inclusive para as crianças, o que poderia reduzir a probabilidade de seu recrutamento como um mecanismo de enfrentamento. 5 O 3 e e r e F e a É d b v A m v d E n c g a v A
  9. 9. 8 5 Conclusão e Recomendações Os custos globais relacionados à violência física, psicológica e sexual calculados por este estudo estão entre 3% e 8% do PIB global. É um custo enorme, e muitas vezes maiores do que o investimento necessário para evitar que a maior parte da violência aconteça. Com respeito aos custos globais do trabalho perigoso (que este estudo utiliza como um indicador para as piores formas do trabalho infantil) calculado com base na renda perdida resultante da perda da escolaridade e baixos salários durante a vida das crianças afetadas, o custo global anual estimado é de $97,6 bilhões; o que é aproximadamente equivalente a sete vezes o PIB de 2013 da Islândia. Finalmente, os custos da associação das crianças com as forças e grupos armados são significativos: na extremidade inferior, o custo é estimado alcançar até $120 milhões; a estimativa mais elevada é de $144 milhões anualmente. É importante notar que a violência contra as crianças é multifacetada. Como tal, os custos dos vários componentes da violência contra as crianças não podem ser acrescentados, mas em qualquer componente eles são importantes o bastante para realçar a urgência para os tomadores de decisão em investir na prevenção de todas as formas de violência contra as crianças. A maioria das intervenções é atualmente pequena em escala; aumentar seu âmbito e alcance pode ser uma maneira de expandir os esforços preventivos. Há atualmente vários programas para reduzir a exposição à violência sexual e há a necessidade de medidas combinadas para aumentar a escolaridade e elevar a renda doméstica para evitar que as crianças se envolvam com o trabalho infantil perigoso. Em caso de emergências, mais pesquisas sistemáticas e avaliação dos tipos de programas que funcionem são necessários para identificar os bons programas de custo eficaz e para reduzir o risco da violência enfrentada pelas crianças. Tais medidas preventivas são valores para investimentos em dinheiro no curto e longo prazo, tanto para governos e para doadores que procuram apoiar o setor. Mais políticas e programas devem ser implementados e ampliados em nível global, com o objetivo de fazer um progresso mais rápido para eliminar todas as formas de violência contra as crianças. Algumas recomendações emergem da análise apresentada neste resumo: É claro que ‘a prevenção vale a pena’ embora no momento, os níveis de gastos com ações preventivas e de resposta em relação à violência contra as crianças permaneçam muito baixos e frequentemente não são até mesmo documentados. A pesquisa e a defesa dos esforços precisam continuar enfocando na promoção da boa prática de prevenção. O financiamento deve ser ampliado para que a boa prática possa atingir uma parcela maior das crianças, especialmente as mais vulneráveis. Há uma necessidade de geração e comunicação dos dados mais específicos sobre a violência contra as crianças. Somente alguns poucos países têm conduzido tais levantamentos específicos, e geralmente não têm a informação que explora as consequências para as crianças que estão sendo vítimas da violência. Tal informação é fundamental para a geração de evidência mais forte sobre a magnitude do problema e os custos e as implicações econômicas associados a ele. Muito mais pesquisas primárias aprofundadas sobre as diferentes formas de violência contra a criança precisam ser conduzidas em países de baixa e média rendas. Atualmente, muitas pesquisas sobre os custos econômicos giram em torno da violência física e psicológica contra as crianças nos países de alta renda. Mais pesquisas continuarão para enriquecer a base de evidências nesta área e podem levar a esforços mais robustos de defesa trazendo argumentos econômicos convincentes para os formuladores de política.
  10. 10. 9 Assim como a formulação e implementação da Declaração do Milênio e Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio têm feito pela educação, saúde e prevenção do HIV e AIDS, a priorização da violência contra as crianças como uma questão de interesse global poderia certamente ajudar a mobilizar os recursos necessários, e intensificar as ações preventivas e de resposta para um ponto ótimo a fim de efetuar mudança numa escala global. R A c B A C F U I T K A 3 M B D U R U B U L U C U G U Y
  11. 11. e a a e 10 Referências Access Economics (2004) ‘The Cost of Domestic Violence to the Australian Economy: Part I’. Report commissioned by the Office of the Status of Women. Canberra: Access Economics. Bowlus, A., McKenna, K. Day, T. and Wright, D. (2003) ‘The Economic Costs and Consequences of Child Abuse in Canada’. Report to the Law Commission of Canada. City: Publisher. CDC (Centers for Disease Control and Prevention) (2014) ‘Injury Prevention and Control’. Atlanta, GA: CDC. Fang, X. Brown, D. Florence, C. and Mercy, J. (2012) ‘The Economic Burden of Child Maltreatment in the United States and Implications for Prevention’.Child Abuse and Neglect 36(2): 156-165. ILO (International Labour Organization) (2013) ‘Marking Progress against Child Labour. Global Estimates and Trends 2000-2012’. Geneva: ILO -IPEC. Knerr, W., Gardner, F. and Cluver, L. (2013). ‘Improving Positive Parenting Skills and Reducing Harsh and Abusive Parenting in Low- and Middle-Income Countries: A Systematic Review’. Prevention Science 14(4): 352-365. Mikton, C. and Butchart, A. (2009) ‘Child Maltreatment Prevention: A Systematic Review of Reviews’. Bulletin of the World Health Organization. Geneva: Department of Violence and Injury Prevention and Disability, WHO. UCW (Understanding Children’s Work) (2011) ‘Understanding Children’s Work in Bangladesh, Country Report’. Rome: UCW. UN (United Nations) (2000) ‘Child Soldiers: Vital Statistics Life o n the Front Line’. UN Cyberschoolbus Briefing. New York: UN. UN (United Nations) (2005) ‘The Economic Costs of Violence Against Women: An Evaluation of the Literature’. Geneva: UN. UN (United Nations) (2013) ‘Toward a World Free From Violence. Global Surve y on Violence against Children’. New York: UN. UNICEF (UN Children’s Fund) (2006) ‘Behind Closed Doors: The Impact of Domestic Violence on Children’. Geneva: UNICEF. UNFPA (United Nations Population Fund) and UNICEF (United Nations Children’s Fund) (2011) ‘Girls and Young Women: Year of Youth Fact Sheet’. New York: UNFPA.
  12. 12. ODI é o grupo de reflexão independente líder do Reino Unido em desenvolvimento internacional e questões humanitárias. Nossa missão é inspirar e informar as políticas e práticas que levam à redução da pobreza, o alívio do sofrimento e a realização dos meios de subsistência sustentáveis. Fazemos isto juntando alta-qualidade aplicada à pesquisa, assessoria prática de política e divulgação e debate. Trabalhamos com parceiros nos setores públicos e privados, e nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os leitores são estimulados a reproduzir o material dos Relatórios ODI para suas próprias publicações, desde que não sejam vendidos comercialmente. Como detentor dos direitos autorais ODI solicita o devido reconhecimento e uma cópia da publicação. Para uso online, pedimos aos leitores para conectar com a fonte original o site do ODI. Os pontos de vistas apresentados neste documento são do autor(s) e não necessariamente representam os pontos de vista do ODI © Overseas Development Institute 2014. This work is licensed under a C reati v e Comm ons Attribution-NonCommercial Licence (CC BY-NC 3.0). ISSN: 2052-7209 Overseas Development Institute 203 Blackfriars Road London SE1 8NJ Tel +44 (0)20 7922 0300 Fax +44 (0)20 7922 0399

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