Início
O conto Arroz do Céu narra o quotidiano de um emigrante de leste cujo
trabalho é o de limpar o lixo que os cidadãos incons...
José Rodrigues Miguéis foi um autor que nasceu em
Lisboa, em Dezembro de 1901, em Alfama
(Lisboa), formando-se em Direito,...
Pessoa que
 Limpa-vias
              limpa as vias



  Subway      Máquina
               (Metro)




Chewing gum   Chicl...
Início
Nova Iorque, 4 Dezembro de 1965
Escrevo esta carta que espero te vá encontrar de boa saúde junto dos teus.
Já passaram dez...
EFA B3 DE BRITEIROS
Trabalho realizado em:
Exploração De Um Conto6
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Exploração De Um Conto6

642 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
642
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
42
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
21
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Exploração De Um Conto6

  1. 1. Início
  2. 2. O conto Arroz do Céu narra o quotidiano de um emigrante de leste cujo trabalho é o de limpar o lixo que os cidadãos inconscientes deitam para a rua, nomeadamente para os respiradouros das galerias do metro.Vive então como uma toupeira ou rato dos canos, metáfora perfeita da sua condição social, gozando apenas a luz do sol de forma indirecta – aquela que “cai”no respiradouro. Mas, no outro respiradouro próximo da Igreja, aos domingos, acontece sempre um estranho fenómeno. Sempre que o sino toca, festivo, anunciando um casamento, pelo respiradouro caem grãos de arroz aos milhares, que o limpa-vias tem que apanhar. Não é lixo para ele. É uma dádiva vinda dos céus. É ouro para si e para a sua família faminta. E ele agradece aquela dádiva com a humildade dos desprotegidos. Afinal, aquele arroz vem do céu, porque não? O casamento não acontece com a bênção de Deus? Logo… (Deus escreve direito por linhas tortas) pelo respiradouro do metro. Início
  3. 3. José Rodrigues Miguéis foi um autor que nasceu em Lisboa, em Dezembro de 1901, em Alfama (Lisboa), formando-se em Direito, em 1926. Desde novo que sempre trabalhou na imprensa, vindo a ser Presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana, mais tarde. Além de ser Presidente da Segunda Liga da Mocidade Republicana, também era director do semanário Globo, onde passou a ser conhecido como orador. Mais tarde foi advogado, professor do ensino secundário, secretário da Liga Propulsora da Instrução e colaborou com Raúl Brandão na reedição duma série de leituras primárias. Depois de ter passado estes anos todos fora, viveu nos Estados Unidos até à sua morte, em 27 de Outubro de 1980. Início
  4. 4. Pessoa que Limpa-vias limpa as vias Subway Máquina (Metro) Chewing gum Chicletes Início
  5. 5. Início
  6. 6. Nova Iorque, 4 Dezembro de 1965 Escrevo esta carta que espero te vá encontrar de boa saúde junto dos teus. Já passaram dez anos desde a minha partida. Tenho tanto para te contar! Quando cá cheguei com a minha esposa, senti-me perdido. O meu primeiro emprego foi a trabalhar nas escavações, só escuridão, poeira, etc. Agora já há sete anos que trabalho no subway como limpa-vias. Continuo na escuridão, apanho papéis, pontas de cigarros, chewing gum, limpo as casas de banho, ajudo a chegar graxa nas calhas e até já ajudei a remover cadáveres. Aqui a minha vida não é fácil. Somos nove bocas para alimentar, eu, a esposa e sete filhos. Isto para ti é uma novidade, mas é verdade. Já tens sete sobrinhos desejosos de te conhecer. A minha esposa não tem emprego, nem podia, já muito faz ela, cuidar da casa e dos filhos, já dá trabalho suficiente. Olha mano, todos os meses acontece o mesmo, sobra mês e falta dinheiro, mas há uns tempos para cá, aconteceu-me algo inexplicável. Estava na minha rotina diária, apanhando tudo o que os outros deixam cair, quando vejo aos meus pés grãos de arroz. Então olhei para o alto para ver quem mo atirava, mas o que vi foi uma luz distante e nada mais. Varri o arroz, apanhei-o para um saco de papel que trazia no bolso e levei-o para casa. Ao chegar a casa contei à minha esposa o acontecido, ela olhou para o arroz um pouco espantada, em seguida lavou-o e cozinhou-o sendo este o nosso jantar. Isto vem-me acontecendo vezes sem conta e até hoje, a única explicação que encontro é que Alguém lá no Alto resolveu ajudar-me nesta vida árdua e difícil. Meu irmão, a minha vida não é fácil, mas graças a Deus tenho tido saúde, muita força, e tenho conseguido dar o essencial à minha família. Agora vou-me despedir, prometendo não demorar a escrever-te novamente e espero ansiosamente notícias tuas. Um grande e saudoso abraço Início António
  7. 7. EFA B3 DE BRITEIROS Trabalho realizado em:

×