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APRESENTAÇÃOFinalmente o vídeo está chegando à sala de aula. E dele seesperam, como em tecnologias anteriores, soluções im...
LINGUAGENS DA TV E DO VÍDEOO vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo,que toca todos os sentidos. Mexe co...
começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, paraatingir posteriormente o racional.TV e vídeo encontraram a fór...
PROPOSTAS DE USO DO VÍDEOProponho, a seguir, um roteiro simplificado e esquemáticocom algumas formas de trabalhar com o ví...
USOS INADEQUADOS EM AULAVídeo-tapa buraco: colocar vídeo quando há um problemainesperado, como ausência do professor. Usar...
PROPOSTAS DE UTILIZAÇÃOVídeo como SENSIBILIZAÇÃOÉ, do meu ponto de vista, ouso mais importante na escola.Um bom vídeo é in...
- Como intervenção: interferir, modificar um determinadoprograma, um material audiovisual, acrescentanto uma novatrilha so...
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COMO VER O VÍDEOAntes da exibição. Informar somente aspectos gerais do vídeo (autor, duração,prêmios...). Não interpretar ...
DINÂMICAS DE ANÁLISEAnálise em conjuntoO professor exibe as cenas mais importantes e as comentajunto com os alunos, a part...
-              música                e               efeitos- mudanças acontecidas no vídeo (do começo até o final).Depois...
ANÁLISE DA LINGUAGEM- Que história é contada (reconstrução da história)-       Como        é      contada        essa     ...
VÍDEO ESPELHOA câmera registra pessoas ou grupos e depois se observa oresultado com comentários de cada um sobre seudesemp...
A INFORMAÇÃO NA TV E NO VÍDEOUm dos campos mais interessantes de utilização do vídeopara compreender a televisão na sala d...
escrito na frente do plenário e pede ao cronometrista queanote       a       duração      de       cada      matéria.Cada ...
conjunturais e do processo de produção da indústria culturalque interferem nos resultados informativos.Os alunos também po...
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:*MACHADO,   Arlindo. A arte do Vídeo. São Paulo, Brasiliense, 1988.*MORAN, José Manuel. Leituras...
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O vídeo na sala de aula - José Manuel Moran

  1. 1. O Vídeo na Sala de AulaJosé Manuel MoranEspecialista em mudanças na educação presencial e a distânciajmmoran@usp.brArtigo publicado na revista Comunicação & Educação. São Paulo, ECA-Ed.Moderna, [2]: 27 a 35, jan./abr. de 1995 (com bibliografia atualizada)  APRESENTAÇÃO  LINGUAGENS DA TV E DO VÍDEO  PROPOSTAS DE USO DO VÍDEO  USOS INADEQUADOS EM AULA  PROPOSTAS DE UTILIZAÇÃO  COMO VER O VÍDEO  DINÂMICAS DE ANÁLISE  ANÁLISE DA LINGUAGEM  COMPLETAR O VÍDEO  MODIFICAR O VÍDEO  VÍDEO PRODUÇÃO  VÍDEO ESPELHO  A INFORMAÇÃO NA TV E NO VÍDEO
  2. 2. APRESENTAÇÃOFinalmente o vídeo está chegando à sala de aula. E dele seesperam, como em tecnologias anteriores, soluções imediataspara os problemas crônicos do ensino-aprendizagem. O vídeoajuda a um bom professor, atrai os alunos, mas não modificasubstancialmente a relação pedagógica. Aproxima a sala deaula do cotidiano, das linguagens de aprendizagem ecomunicação da sociedade urbana, mas também introduznovas questões no processo educacional.O vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a umcontexto de lazer, e entretenimento, que passaimperceptivelmente para a sala de aula. Vídeo, na cabeça dosalunos, significa descanso e não "aula", o que modifica apostura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamosaproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno paraos assuntos do nosso planejamento pedagógico. Mas aomesmo tempo, saber que necessitamos prestar atenção paraestabelecer novas pontes entre o vídeo e as outras dinâmicasda aula.Vídeo significa também uma forma de contar multilingüística,de superposição de códigos e significações,predominantemente audiovisuais, mais próxima dasensibilidade e prática do homem urbano e ainda distante dalinguagem educacional, mais apoiada no discurso verbal-escrito.
  3. 3. LINGUAGENS DA TV E DO VÍDEOO vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, próximo,que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele -nos toca e "tocamos" os outros, estão ao nosso alcanceatravés dos recortes visuais, do close, do som estéreoenvolvente. Pelo vídeo sentimos, experienciamossensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos.O vídeo explora também e, basicamente, o ver, o visualizar, oter diante de nós as situações, as pessoas, os cenários, ascores, as relações espaciais (próximo-distante, alto-baixo,direita-esquerda, grande-pequeno, equilíbrio-desequilíbrio).Desenvolve um ver entrecortado -com múltiplos recortes darealidade -através dos planos- e muitos ritmos visuais:imagens estáticas e dinâmicas, câmera fixa ou emmovimento, uma ou várias câmeras, personagens quietos oumovendo-se, imagens ao vivo, gravadas ou criadas nocomputador. Um ver que está situado no presente, mas que ointerliga não linearmente com o passado e com o futuro. Over está, na maior parte das vezes, apoiando o falar, onarrar, o contar histórias. A fala aproxima o vídeo docotidiano, de como as pessoas se comunicam habitualmente.Os diálogos expressam a fala coloquial, enquanto o narrador(normalmente em off) "costura" as cenas, as outras falas,dentro da norma culta, orientando a significação do conjunto.A narração falada ancora todo o processo de significação.A música e os efeitos sonoros servem como evocação,lembrança (de situações passadas), de ilustração -associadosa personagens do presente, como nas telenovelas- e decriação de expectativas, antecipando reações e informações.O vídeo é também escrita. Os textos, legendas, citaçõesaparecem cada vez mais na tela, principalmente nastraduções (legendas de filmes) e nas entrevistas comestrangeiros. A escrita na tela hoje é fácil através do geradorde caracteres, que permite colocar na tela textos coloridos, devários tamanhos e com rapidez, fixando ainda mais asignificação atribuída à narrativa falada. O vídeo é sensorial,visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita.Linguagens que interagem superpostas, interligadas,somadas, não separadas. Daí a sua força. Nos atingem portodos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz,informa, entretém, projeta em outras realidades (noimaginário) em outros tempos e espaços. O vídeo combina acomunicação sensorial-cinestésica, com a audiovisual, aintuição com a lógica, a emoção com a razão. Combina, mas
  4. 4. começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, paraatingir posteriormente o racional.TV e vídeo encontraram a fórmula de comunicar-se com amaioria das pessoas, tanto crianças como adultas. O ritmotorna-se cada vez mais alucinante (por exemplo nosvideoclips). A lógica da narrativa não se baseianecessariamente na causalidade, mas na contigüidade, emcolocar um pedaço de imagem ou história ao lado da outra. Asua retórica conseguiu encontrar fórmulas que se adaptamperfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo.Usam uma linguagem concreta, plástica, de cenas curtas,com pouca informação de cada vez, com ritmo acelerado econtrastado, multiplicando os pontos de vista, os cenários, ospersonagens, os sons, as imagens, os ângulos, os efeitos.Os temas são pouco aprofundados, explorando os ângulosemocionais, contraditórios, inesperados. Passam a informaçãoem pequenas doses (compacto), organizadas em forma demosaico (rápidas sínteses de cada assunto) e comapresentação variada (cada tema dura pouco e é ilustrado).As mensagens dos meios audiovisuais exigem pouco esforço eenvolvimento do receptor. Este tem cada vez mais opções,mais possibilidades de escolha (controle remoto, canais porsatélite, por cabo, escolha de filmes em vídeo). Há maiorpossibilidade de interação: televisão bidirecional, jogosinterativos, CD e DVD. A possibilidade de escolha eparticipação e a liberdade de canal e acesso facilitam arelação do espectador com os meios.As linguagens da TV e do vídeo respondem à sensibilidadedos jovens e da grande maioria da população adulta. Sãodinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. Ojovem lê o que pode visualizar, precisa ver paracompreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do queracional e abstrata. Lê, vendo.A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudesperceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinvestea afetividade com um papel de mediação primordial nomundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais origor, a organização, a abstração e a análise lógica.
  5. 5. PROPOSTAS DE USO DO VÍDEOProponho, a seguir, um roteiro simplificado e esquemáticocom algumas formas de trabalhar com o vídeo na sala deaula. Como roteiro não há uma ordem rigorosa e pressupõetotal liberdade de adaptação destas propostas à realidade decada professor e dos seus alunos.
  6. 6. USOS INADEQUADOS EM AULAVídeo-tapa buraco: colocar vídeo quando há um problemainesperado, como ausência do professor. Usar esteexpediente eventualmente pode ser útil, mas se for feito comfreqüência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa -na cabeçado aluno- a não ter aula.Vídeo-enrolação: exibir um vídeo sem muita ligação com amatéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma decamuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda doseu mau uso.Vídeo-deslumbramento: O professor que acaba dedescobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passa vídeoem todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas maispertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficáciae empobrece as aulas.Vídeo-perfeição: Existem professores que questionam todosos vídeos possíveis porque possuem defeitos de informaçãoou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitosproblemáticos podem ser usados para descobri-los,junto comos alunos, e questioná-los.Só vídeo: não é satisfatório didaticamente exibir o vídeo semdiscuti-lo, sem integrá-lo com o assunto de aula, sem voltar emostrar alguns momentos mais importantes.
  7. 7. PROPOSTAS DE UTILIZAÇÃOVídeo como SENSIBILIZAÇÃOÉ, do meu ponto de vista, ouso mais importante na escola.Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novoassunto, para despertar a curiosidade, a motivação paranovos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunospara aprofundar o assunto do vídeo e da matéria.Vídeo como ILUSTRAÇÃOO vídeo muitas vezes ajuda a mostrar o que se fala em aula,a compor cenários desconhecidos dos alunos. Por exemplo,um vídeo que exemplifica como eram os romanos na épocade Julio César ou Nero, mesmo que não seja totalmente fiel,ajuda a situar os alunos no tempo histórico. Um vídeo trazpara a sala de aula realidades distantes dos alunos, como porexemplo a Amazônia ou a África. A vida se aproxima daescola através do vídeo.Vídeo como SIMULAÇÃOÉ uma ilustração mais sofisticada. O vídeo pode simularexperiências de química que seriam perigosas em laboratórioou que exigiriam muito tempo e recursos. Um vídeo podemostrar o crescimento acelerado de uma planta, de umaárvore -da semente até a maturidade- em poucos segundosVídeo como CONTEÚDO DE ENSINOVídeo que mostra determinado assunto, de forma direta ouindireta. De forma direta, quando informa sobre um temaespecífico orientando a sua interpretação. De forma indireta,quando mostra um tema, permitindo abordagens múltiplas,interdisciplinares.Vídeo como PRODUÇÃO- Como documentação, registro de eventos, de aulas, deestudos do meio, de experiências, de entrevistas,depoimentos. Isto facilita o trabalho do professor, dos alunose dos futuros alunos. O professor deve poder documentar oque é mais importante para o seu trabalho, ter o seu própriomaterial de vídeo assim como tem os seus livros e apostilaspara preparar as suas aulas. O professor estará atento paragravar o material audiovisual mais utilizado, para nãodepender sempre do empréstimo ou aluguel dos mesmosprogramas.
  8. 8. - Como intervenção: interferir, modificar um determinadoprograma, um material audiovisual, acrescentanto uma novatrilha sonora ou editando o material de forma compacta ouintroduzindo novas cenas com novos significados. O professorprecisa perder o medo, o respeito ao vídeo assim como eleinterfere num texto escrito, modificando-o, acrescentandonovos dados, novas interpretações, contextos mais próximosdo aluno.- Vídeo como expressão, como nova forma de comunicação,adaptada à sensibilidade principalmente das crianças e dosjovens. As crianças adoram fazer vídeo e a escola precisaincentivar o máximo possível a produção de pesquisas emvídeo pelos alunos. A produção em vídeo tem uma dimensãomoderna, lúdica. Moderna, como um meio contemporâneo,novo e que integra linguagens. Lúdica, pela miniaturização dacâmera, que permite brincar com a realidade, levá-la juntopara qualquer lugar. Filmar é uma das experiências maisenvolventes tanto para as crianças como para os adultos. Osalunos podem ser incentivados a produzir dentro de umadeterminada matéria, ou dentro de um trabalhointerdisciplinar. E também produzir programas informativos,feitos por eles mesmos e colocá-los em lugares visíveis dentroda escola e em horários onde muitas crianças possam assisti-los.Vídeo como AVALIAÇÃODos alunos, do professor, do processo.Vídeo ESPELHOVejo-me na tela para poder compreender-me, para descobrirmeu corpo, meus gestos, meus cacoetes. Vídeo-espelho paraanálise do grupo e dos papéis de cada um, para acompanharo comportamento de cada um, do ponto de vistaparticipativo, para incentivar os mais retraídos e pedir aosque falam muito para darem mais espaço aos colegas.O vídeo-espelho é de grande utilidade para o professor sever, examinar sua comunicação com os alunos, suasqualidades e defeitos.Vídeo como INTEGRAÇÃO/SUPORTEDe outras mídias.- Vídeo como suporte da televisão e do cinema. Gravar emvídeo programas.
  9. 9. importantes da televisão para utilização em aula. Alugar oucomprar filmes de longa metragem, documentários paraampliar o conhecimento de cinema, iniciar os alunos nalinguagem audiovisual.- Vídeo interagindo com outras mídias como o computador, oCD-ROM, com os videogames, com a Internet.
  10. 10. COMO VER O VÍDEOAntes da exibição. Informar somente aspectos gerais do vídeo (autor, duração,prêmios...). Não interpretar antes da exibição, não pré-julgar(para que cada um possa fazer a sua leitura).. Checar o vídeo antes. Conhecê-lo. Ver a qualidade da cópia.Deixá-lo no ponto antes da exibição. Zerar a numeração(apertar a tecla resset). Apertar também a tecla "memory"para voltar ao ponto desejado..Checar o som (volume), o canal de exibição (3 ou 4), otracking (a regulagem de gravação), o sistema (NTSC ou PAL-M).Durante a exibição. Anotar as cenas mais importantes.. Se for necessário (para regulagem ou fazer um rápidocomentário)apertar o pause ou still, sem demorar muito nele, porquedanifica a fita.. Observar as reações do grupo.Depois da exibição. Voltar a fita ao começo (resset/memory). Re-ver as cenas mais importantes ou difíceis. Se o vídeo écomplexo, exibi-lo uma segunda vez, chamando a atençãopara determinadas cenas, para a trilha musical, diálogos,situações.. Passar quadro a quadro as imagens mais significativas.. Observar o som, a música, os efeitos, as frases maisimportantes.Proponho alguns caminhos -entre muitos possíveis- para aanálise do vídeo em classe.
  11. 11. DINÂMICAS DE ANÁLISEAnálise em conjuntoO professor exibe as cenas mais importantes e as comentajunto com os alunos, a partir do que estes destacam ouperguntam. É uma conversa sobre o vídeo, com o professorcomo moderador.O professor não deve se o primeiro a dar a sua opinião,principalmente em matérias controvertidas, nem monopolizara discussão, mas tampouco deve ficar encima do muro. Deveposicionar-se, depois dos alunos, trabalhando sempre doisplanos: o ideal e o real; o que deveria ser (modelo ideal) e oque costuma ser (modelo real).Análise globalizanteFazer, depois da exibição, estas quatro perguntas:- Aspectos positivos do vídeo- Aspectos negativos- Idéias principais que passa- O que vocês mudariam neste vídeoSe houver tempo, essas perguntas serão respondidasprimeiro em grupos menores e depois relatadas/escritas noplenário. O professor e os alunos destacam as coincidências edivergências. O professor faz a síntese final, devolvendo aogrupo as leituras predominantes (onde se expressam valores,que mostram como o grupo é).Análise ConcentradaEscolher, depois da exibição, uma ou das cenas marcantes.Revê-las uma ou mais vezes. Perguntar (oralmente o porescrito):- O que chama mais a atenção (imagem/som/palavra)- O que dizem as cenas (significados)- Conseqüências, aplicações (para a nossa vida, para ogrupo).Análise "funcional"Antes da exibição, escolher algumas funções ou tarefas(desenvolvidas por vários alunos):- o contador de cenas (descrição sumária, por um ou maisalunos)- anotar as palavras-chave- anotar as imagens mais significativas- caracterização dos personagens
  12. 12. - música e efeitos- mudanças acontecidas no vídeo (do começo até o final).Depois da exibição, cada aluno fala e o resultado é colocadono quadro negro ou flanelógrafo. A partir do quadro, oprofessor completa com os alunos as informações, relacionaos dados, questiona as soluções apresentadas.
  13. 13. ANÁLISE DA LINGUAGEM- Que história é contada (reconstrução da história)- Como é contada essa história. o que lhe chamou a atenção visualmente. o que destacaria nos diálogos e na música- Que idéias passa claramente o programa (o que dizclaramente esta história). O que contam e representam os personagens. Modelo de sociedade apresentado- Ideologia do programa. Mensagens não questionadas (pressupostos ou hipótesesaceitosde antemão, sem discussão).. Valores afirmados e negados pelo programa (como sãoapresentados a justiça, o trabalho, o amor, o mundo). Como cada participante julga esses valores (concordânciase discordâncias nos sistemas de valores envolvidos). A partirde onde cada um de nós julga a história.COMPLETAR O VÍDEO. Exibe-se um vídeo até um determinado ponto.. Os alunos desenvolvem, em grupos, um final próprio ejustificam o porquê da escolha.. Exibe-se o final do vídeo. Comparam-se os finais propostos e o professor manifestatambém a sua opinião.MODIFICAR O VÍDEO. Os alunos procuram vídeos e outros materiais audiovisuaissobre um determinado assunto.. Modificam, adaptam, editam, narram, sonorizamdiferentemente..Criam um novo material adaptado a sua realidade, a suasensibilidade.VÍDEO PRODUÇÃO. Contar em vídeo um determinado assunto. Pesquisa em jornais, revistas, entrevistas com pessoas.. Elaboração do roteiro, gravação, edição, sonorização. .Exibição em classe e/ou em circuito interno.. Comentários positivos e negativos. A diferença entre aintenção e o resultado obtido.
  14. 14. VÍDEO ESPELHOA câmera registra pessoas ou grupos e depois se observa oresultado com comentários de cada um sobre seudesempenho e sobre o dos outros.O professor olha seu desempenho, comenta e ouve oscomentários dos outros.Outras dinâmicas interessantes:- Dramatizar situações importantes do vídeo assistido ediscuti-las comparativamente. Usar a representação, o teatrocomo meio de expressão do que o vídeo mostrou, adaptando-o à realidade dos alunos.Um exemplo:-Alguns alunos escolhem personagens de um vídeo e osrepresentam adaptando-os a sua realidade. Depoiscomparam-se os personagens do vídeo e os darepresentação, a história do vídeo com a adaptada pelosalunos.- Adaptar o vídeo ao grupo: Contar -oralmente, por escrito ouaudiovisualmente- situações nossas próximas às mostradasno vídeo.- Desenhar uma tela de televisão e colocar o que maisimpressionou os alunos. O professor exibe num mural osdesenhos e todos comentarão as coincidências principais e oseu significado.- Comparar - principalmente em aulas de literaturaportuguesa ou estrangeira- um vídeo baseado em uma obraliterária com o texto original. Destacar os pontos fortes efracos do livro e da adaptação audiovisual.
  15. 15. A INFORMAÇÃO NA TV E NO VÍDEOUm dos campos mais interessantes de utilização do vídeopara compreender a televisão na sala de aula é o da análiseda informação, para ajudar professores e alunos a percebermelhor as possibilidades e limites da televisão e do jornalcomo meio informativo.O professor pode propor inicialmente algumas questões geraissobre a informação para serem discutidas em pequenosgrupos e depois no plenário.* Como eu me informo.* Que telejornal prefiro e porquê.* O que não gosto deste telejornal e gostaria de mudar.* Que semelhanças e diferenças percebo nos váriostelejornais.* Que análise faço dos dois principais jornais impressos.Pode-se fazer uma análise específica de um programainformativo da televisão (por exemplo, do Jornal Nacional) ede dois jornais impressos do dia seguinte. O professor pede aum dos alunos que anote a seqüência das notícias dotelejornal e, a outro, que cronometre a duração de cadanotícia. Depois da exibição, o professor pede que os alunos sedividam em grupos e que alguns analisem o telejornal e pelomenos dois analisem os jornais impressos (cada grupo umjornal).Questões para análise do telejornal* Que notícias chamaram mais a sua atenção (notícias quesensibilizaram mais,que marcaram mais). Por que.* Que notícias são mais importantes para cada um ou para ogrupo. Por que.* O que considerou positivo nesta edição do telejornal(técnicas, tratamento de algumas matérias, interpretação...)* De que discorda neste telejornal (de algumas notícias emparticular ou em geral).Questões para análise do jornal impresso* Notícias mais importantes para o jornal (quais são as maisimportantes da primeira página). Que enfoque é dado.* Que notícias coincidem com o telejornal (a coincidência étotal ou há diferenças de interpretação?)* Que notícias são diferentes do telejornal (notícias que otelejornal anterior não divulgou).* Qual é a opinião do jornal nesse dia (análise dos editoriais,das matérias, que normalmente estão na segunda ou terceirapágina e não estão assinadas).O professor pode reconstruir a seqüência das notícias por
  16. 16. escrito na frente do plenário e pede ao cronometrista queanote a duração de cada matéria.Cada grupo coloca no plenário as respostas à primeiraquestão. O professor procura reconstruir com todos os alunosas notícias mais importantes para a emissora e para o jornalimpresso. Vê as coincidências e as discrepâncias. Convémanalisar a notícia mais importante com calma, exibindo-a denovo, observando a estrutura, as técnicas utilizadas, aspalavras-chave, a interpretação. E assim vão respondendo àsoutras três questões, sempre confrontando a informação datelevisão com a do jornal impresso, observando as omissõesmais importantes.Com esta análise não se chega a uma visão de conjunto, masse percebe a parcialidade na seleção das notícias, na ênfasedada, na relativização da informação, na espetacularização datelevisão como uma das armas importantes para atrair otelespectador.A Informação a partir da ProduçãoA análise também pode partir de uma dinâmica que utiliza aprodução de um jornal pelo grupo utilizando o mesmomaterial informativo prévio. O coordenador grava um ou doistelejornais da mesma noite e adquire alguns exemplares dedois ou três jornais impressos do dia seguinte. Os gruposrecebem os mesmos jornais impressos. Cada grupo elaboraráum noticiário radiofônico, de cinco minutos, a partir dosjornais, seguindo a ordem que achar mais conveniente.Cada grupo grava o seu noticiário ou o lê como se fosse aovivo. Pede-se a alguns participantes que anotem a seqüênciadas notícias, a sua duração e as palavras-chave de cadanotícia. Colocam-se esses dados em público -num quadronegro ou cartolina. Discute-se no plenário as coincidências ediferenças de cada grupo na seleção e tratamento do mesmomaterial informativo inicial.Numa segunda etapa os alunos relatam acontecimentos quepresenciaram - pessoalmente ou que conhecem bem - e oscomparam a como apareceram nos jornais e na televisão.Esta técnica enriquece a análise com o processo de seleção decada grupo. Exemplifica os mecanismos envolvidos notratamento da informação mais claramente porque sãopercebidos na análise da própria produção. De outro lado, asinterferências ideológicas no processo de escolha também semostram mais evidentes. De qualquer forma, mais que aanálise de um programa, o importante é tornar a pessoa maisatenta a todo o processo informativo, às mediações
  17. 17. conjunturais e do processo de produção da indústria culturalque interferem nos resultados informativos.Os alunos também podem fazer um pequeno jornal impressoou em vídeo, com notícias das aulas e da vida deles. Depois,o professor discute com os alunos como foi o processo deseleção das notícias e de produção do jornal ou telejornal.
  18. 18. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:*MACHADO, Arlindo. A arte do Vídeo. São Paulo, Brasiliense, 1988.*MORAN, José Manuel. Leituras dos Meios de Comunicação. São Paulo, Ed. Pancast,1993.* __________________. Como ver Televisão. São Paulo, Ed. Paulinas, 1991.* FDE - FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Multimeiosaplicados à educação: uma leitura crítica. Cadernos Idéias, n.9, São Paulo, FDE,1990.Bibliografia mais atualizada:BABIN, Pierre e KOPULOUMDJIAN, Marie-France. Os novos modos decompreender; a geração do audiovisual e do computador. São Paulo: Ed.Paulinas, 1989.FERRÉS, Joan. Vídeo e Educação. 2a ed., Porto Alegre: Artes Médicas (atualmenteArtmed), 1996.____________. Televisão e Educação. São Paulo: Artes Médicas (Artmed), 1996.MACHADO, Arlindo. A arte do vídeo. São Paulo: Brasiliense, 1988.MORAN, José Manuel. Mudanças na comunicação pessoal. 2a ed. São Paulo:Paulinas, 2000.MORAN, José Manuel, MASETTO, Marcos e BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologiase Mediação Pedagógica. 7ª ed., Campinas: Papirus, 2003.PENTEADO, Heloisa Dupas. Televisão e escola: conflito ou cooperação?. SãoPaulo: Cortez, 1991.

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