TÓPICOS ESPECIAIS EM ESTÉTICA
Universidade de Brasília, Depto. De Filosofia
(Bacharelado)
17-06-2015
SEMINÁRIO
Os meios mi...
INTRODUÇÃO: as 8 categorias de Aristóteles e o
efeito estético
Tomando-se como referência (ainda válida nos nossos dias) a...
O efeito estético nos afetos e no cotidiano
“Por ser uma forma de amor [no caso, ao conhecimento], a filosofia não é uma
a...
“O MEIO É A MENSAGEM”
Aforismo criado por Marshall McLuhan (1911-1980) - desenvolvido como tese em
Os Meios de Comunicação...
Por que McLuhan? ou O Meio é a MASSagem
Notando que seu aforismo transformara-se em bordão, McLuhan resolveu revitalizá-lo...
Mídia, cotidiano e efeito estético
No contexto dos conceitos aqui apresentados, os meios de comunicação –
jornalísticos ou...
Efeito estético, realismo e relativismo
Na problemática das “verdades’ e das “mentiras” projetadas pelas relações da mídia...
REALISMO
VANTAGENS: O Universo ganha ordem e
tranquilidade, com um certo e errado
absolutos a atuar como referencia para a...
CONCLUSÃO: verdades ou mentiras?
Na problemática das relações entre a mídia e o cotidiano, a questão de uma
“verdade” ou d...
Fonte: http://www.facebook.com/HumorSutil
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FEITOSA, Charles. Explicando a Filosofia Com Arte. 2004, Rio de Janeiro, RJ.
Ediouro, 199p.
McL...
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SEMINÁRIO - Universidade de Brasília, Tópicos Especiais de Estética (jun2015)

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Autora: Iracema Brochado
Seminário "Os meios midiáticos e suas relações com o presente: verdades e mentiras"
Apresentado na aula de encerramento da matéria de Tópicos Especiais de Estética (Depto. de Filosofia), como trabalho de conclusão do período letivo 1º/2015.
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SEMINÁRIO - Universidade de Brasília, Tópicos Especiais de Estética (jun2015)

  1. 1. TÓPICOS ESPECIAIS EM ESTÉTICA Universidade de Brasília, Depto. De Filosofia (Bacharelado) 17-06-2015 SEMINÁRIO Os meios midiáticos e suas relações com o presente (verdades e mentiras) Autora: Iracema Maria Motta Brochado
  2. 2. INTRODUÇÃO: as 8 categorias de Aristóteles e o efeito estético Tomando-se como referência (ainda válida nos nossos dias) as denominadas 8 Categorias aristotélicas da Beleza para esta análise, em uma problematização – ou, quem sabe, tentativa metodológica – do efeito estético e de como o mesmo constitui parte integrante dos aspectos mais banais do nosso dia a dia, o aspecto central, aqui, é a psicologia do contemplador/espectador/ouvinte e suas reações perante o objeto estético - embora há que considere também, em tal processo, o elemento psicológico verificado no ato da criação artística, no processo de criação artística em si, do artista em direção ao contemplador. Levando-se em conta os rumos artísticos particularmente nas manifestações da Arte Contemporânea (consolidada no decorrer do século XX), o que acarretou transformações nos gêneros e técnicas artísticas (no tocante à introdução de novas tecnologias ou até redescoberta de antigas, julgadas esquecidas, e mesmo na redescoberta de formas de arte julgadas esquecidas), processos estes em constante mutação, verifica-se o seguinte problema na sistematização original daquelas 8 Categorias aristotélicas: embora, como já mencionado, boa parte delas seja inicialmente verificável tanto na Arte como na Natureza, além de algumas categorias serem tradicionalmente apontadas como inerentes às artes plásticas, e outras categorias atribuídas como próprias à literatura, as transformações trazidas em particular pelos movimentos da Arte Contemporânea ocasionaram uma revisão destes conceitos, o que leva a pensar que estas categorias dotadas de inicial rigidez passariam a transitar, migrar entre diferentes formas de arte, em um redimensionamento e flexibilização de sua aplicabilidade – a tal ponto, que há quem seja capaz de atribuir categorias como as do Feio e do Horrível a formas na Arte – e até mesmo na própria Natureza – antes consideradas “inatingíveis” ou “estanques”. Portanto, uma contextualização e psicologização do denominado efeito estético - tradicionalmente constante na Arte e na Literatura -, torna-se extensiva a questões cotidianas como a das relações da mídia com o presente, ou o momento em que vivemos, assumindo a mídia, na presente análise, o pepel do “OBJETO ESTÉTICO” já mencionado.
  3. 3. O efeito estético nos afetos e no cotidiano “Por ser uma forma de amor [no caso, ao conhecimento], a filosofia não é uma atividade puramente intelectual como se imagina costumeiramente, mas envolve também a nossa capacidade […] de sermos tomados por afetos. […] Os afetos, tais como o amor, o ódio, a alegria ou a tristeza, são algo que nos tomam de assalto e nos determinam, a despeito ou até contra o nosso querer. Assim como é inconcebível agendar o amor – embora com algum esforço seja possível recusá-lo – também não basta querer o pensamento, é preciso também deixar-se levar por ele.” (FEITOSA, 2004:16-18) [Grifos meus] Esta discussão inicial sobre a disposição afetiva (e, porque não dizê-lo, estética, uma vez que gostos pessoais também contam, tomando-nos igualmente de assalto sob determinadas circunstâncias, como as de grandes comoções sociais, por exemplo - ora no bom, ora no mau sentido) presente em uma atitude filosófica torna-se, por sua vez, extensiva ao processo cotidiano de assimilação constante de informações através dos próprios meios de comunicação, onde o papel dos mesmos na criação de um efeito estético sobre o observador/espectador adquire importância.
  4. 4. “O MEIO É A MENSAGEM” Aforismo criado por Marshall McLuhan (1911-1980) - desenvolvido como tese em Os Meios de Comunicação -, em que a forma de uma mensagem - impressa, visual, musical etc. - influencia a maneira como ela é recebida, assimilada no escopo sensorial (e, sob vários aspectos, cultural). Com isso McLuhan argumentou, à sua época, que os meios modernos de comunicação eletrônica (incluindo rádio, televisão, cinema e informática) teriam amplas consequências sociológicas, antropológicas, estéticas e filosóficas a ponto de afetar a maneira como experimentamos e vivenciamos o mundo que nos rodeia – e uma consequente reformulação de conceitos. McLuhan foi atento observador de uma realidade que, no seu tempo, já emergia: o advento de novas tecnologias midiáticas e seu impacto sociocultural, inclusive filosófico (considerando-se a filosofia, aqui, simplesmente como atitude ou posicionamento perante a vida e o cotidiano).
  5. 5. Por que McLuhan? ou O Meio é a MASSagem Notando que seu aforismo transformara-se em bordão, McLuhan resolveu revitalizá-lo, desenvolvendo-o como mote de outra obra sua publicada em 1967 (três anos depois dos Meios de Comunicação) - com a parceria do programador visual Quentin Fiore -, O Meio é a Massagem, subtitulada, na versão original, “Um Inventário de Efeitos”: no livro, de programação visual inovadora para a época, McLuhan adota o termo “massagem” para denotar o efeito que cada tipo de mídia desempenha nos sentidos, desta forma elaborando o “inventário de efeitos” desempenhados pelas diferentes mídias no escopo sensorial, e demonstrando a tese das mídias como extensões dos sentidos. Através deste processo sensorial, McLuhan sugere o engodo das modernas tecnologias, que supostamente proporcionam relaxamento e conforto mas, na prática, contribuem para perpetuar a chamada Era da Ansiedade. Como demonstrado na obra, as mídias modernas como extensões dos sentidos nivelam-nos no plano físico, mas expandem a capacidade de percepção do mundo a qual, por outras vias, seria impossível. Tais extensões de percepção vieram a contribuir para a já conhecida teoria da aldeia global. Finalmente, o autor enumera as mudanças refletidas na própria visão de mundo e como as opiniões (e, por extensão, a própria opinião pública) tem sido afetadas pela adoção das novas tecnologias midiáticas a partir do século XX, como o rádio, o cinema e a televisão, com seu caráter de rapidez de transmissão de informações – conferindo uma dimensão diferente daquela vista nos séculos anteriores, o que se refletiria na própria atitude filosófica dos indivíduos perante o mundo (considerando-se a acepção cotidiana da Filosofia como apresentada no início desta análise). Ainda, McLuhan notou que os tipos de mídias têm características peculiares que envolvem o espectador de diferentes maneiras; por exemplo, uma passagem num livro pode ser relida à vontade, mas um filme deve ser revisto por inteiro para se analisar determinadas cenas.
  6. 6. Mídia, cotidiano e efeito estético No contexto dos conceitos aqui apresentados, os meios de comunicação – jornalísticos ou de entretenimento, como cinema, TV e a própria Internet (esta, por alguns vista como uma mídia dentro da Mídia) - desempenham um papel cotidiano de instrumentos de mediação sociocultural, interpostos entre o indivíduo/grupo social, sua atitude psíquica e filosófica e o mundo do qual fazem parte. A bagagem de informação transmitida pela mídia ao sujeito/público é absorvida na medida em que os símbolos e conceitos empregados são inteligíveis no contexto cultural de uma sociedade, ocorrendo, então, um processo dialético: a contraposição entre as informações transmitidas e os conceitos já culturalmente internalizados geram uma relação de reciprocidade entre mídia e público, podendo esta reciprocidade resultar em reações de receptividade ou negatividade conforme o momento sócio-político-cultural, adquirindo particular intensidade em situações de grande comoção/polarização social – como os atentados ocorridos em 2011 nos EUA, as eleições presidenciais de 2014 no Brasil e o massacre na redação do Charlie Hebdo na França, no começo deste ano - para citar exemplos mais recentes de grande comoção e de polarização social.
  7. 7. Efeito estético, realismo e relativismo Na problemática das “verdades’ e das “mentiras” projetadas pelas relações da mídia com o cotidiano, assume importância a questão do real: o que garante a veracidade – ou falsidade - das coisas que vemos ou ouvimos? Como vemos e assimilamos a realidade, o mundo que nos cerca? Considerando-se a realidade como vivenciada no cotidiano, e repousando a realidade nas duas teorias fundamentais do Realismo e do Relativismo, cabe estabelecer uma relação entre o efeito estético e a opção por uma destas formas de se ver a realidade,, no sentido de que as mesmas podem afetar o grau de receptividade perante um determinado efeito, ou esse mesmo efeito pode utilizar de elementos realistas ou relativistas para a obtenção do “efeito” desejado. Como vimos na Introdução, o filosofar é lançar um olhar diferente sobre o mundo, os fatos e a realidade, motivado por afetos, como mostra a análise de Charles Feitosa. Nesses afetos estão dispostas as predisposições sobre o real, com seus pressupostos e consequências – onde, nessas consequências, o efeito estético assume seu papel. Estas predisposições dividem-se, basicamente, em realistas e relativistas. Para o realismo, a realidade é uma dimensão concreta, objetiva e absoluta, independente das interpretações humanas ou ainda do contexto histórico-social em que se vive; a postura relativista supõe a existência não de uma realidade única e acabada, mas muitas e diversas realidades e variados mundos, cujos sentidos dependem da relação histórica, social, espacial e cultural, enfim, das múltiplas interpretações feitas através do pensamento e da linguagem veiculada. “No relativismo não existe uma medida única para se avaliar a veracidade de um discurso; é preciso considerar o contexto, as diferentes perspectivas”. (FEITOSA, 2004:46) A questão, aqui, é como essas posturas podem servir como ferramentas para uma manipulação e obtenção de um determinado efeito estético, embora isso pareça estranho, uma vez que cada uma dessas teorias apresenta suas vantagens e desvantagens, com consequências, como veremos na tabela a seguir.
  8. 8. REALISMO VANTAGENS: O Universo ganha ordem e tranquilidade, com um certo e errado absolutos a atuar como referencia para as decisões; o erro só ocorre quando não nos adequamos ao real, embora ele ainda esteja lá, como garantia e referencia. DESVANTAGENS: risco de se transformar em dogmatismo, onde todo discurso considerado inadequado deve ser corrigido, controlado, excluído, discriminado como desvio ou loucura. Obs.: nem todo realismo é dogmático, mas todo dogmatismo é realista. Sob este contexto, o dogmatismo pode inclusive desempenhar o papel de ferramenta de controle político ou cultural. RELATIVISMO VANTAGENS: tolerância com a alteridade; nesta diversidade de perspectivas, os diferentes discursos não constituem erro ou desvio, mas um exercício e convívio de diferenças. Nenhuma perspectiva assume caráter de “verdade”, apenas se adequa ao momento sociocultural, histórico, geográfico etc. DESVANTAGENS: inexistência de um critério absoluto que ofereça garantia em situações de impasse, crise, comoção, polaridade sociocultural; em momentos de crise, uma diversidade de perspectivas torna-se sem efeito, sendo necessário escolher (caso contrário, correndo-se o risco de uma acusação de ficar “em cima do muro”), necessidade condicionada pelo momento presente, assumindo a “verdade” escolhida (com riscos) um “prazo de validade”, ou caráter de validade passageira o que, a longo prazo, tem consequências – nefastas ou não, como uma aposta em um jogo de azar.
  9. 9. CONCLUSÃO: verdades ou mentiras? Na problemática das relações entre a mídia e o cotidiano, a questão de uma “verdade” ou de uma “mentira” veiculada na mídia (eletrônica ou impressa, de conteúdo ficcional ou real) não se encontra diretamente relacionada ao conteúdo, e sim ao efeito estético pretendido na veiculação desse conteúdo mesmo – corroborando, como uma versão deturpada, a tese do “meio” como “mensagem” (ou “massagem”) -, o qual pode atribuir um caráter de “verdade” ou de “falsidade” às informações transmitidas, conforme o “efeito” pretendido, uma vez que o conteúdo de uma mídia é frequentemente determinado por “atitudes” (filosóficas, tal como na acepção cotidiana de filosofia apresentada na Introdução) perante o mundo, “gostos” e “afetos” (sejam dos editores de um veículo ou de um simples indivíduo a postar conteúdos na internet). Desta forma, a questão das “verdades e mentiras”, como apresentada no título do tema deste trabalho está relacionada a uma atitude perante a realidade, o modo como ela é vista, uma vez que, na mídia, tanto o caráter de “verdade” como de “mentira” em uma informação veiculada pela mídia é medida (creio, um termo mais apropriado que “determinado”) pelo impacto do efeito estético sobre um indivíduo ou grupo social, como pretendido pelo conteúdo veiculado.
  10. 10. Fonte: http://www.facebook.com/HumorSutil
  11. 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FEITOSA, Charles. Explicando a Filosofia Com Arte. 2004, Rio de Janeiro, RJ. Ediouro, 199p. McLUHAN, Marshall. O Meio é a Massagem: Um Inventário de Efeitos. 1969, Rio de Janeiro, RJ, Record. 187p. SUASSUNA, Ariano. Iniciação à Estética. 11ª ed. 2011, Rio de Janeiro, RJ. José Olympio, 396p. NA WEB: “Influências da Mídia no Cotidiano”. http://praticaorientada1.blogspot.com.br/2010/11/influencias-da-midia-no-cotidiano.htm Idem, ibid.

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