MONOGRAFIA FILOSÓFICAMONOGRAFIA FILOSÓFICA
Autora/orientanda: Iracema BrochadoAutora/orientanda: Iracema Brochado
Orientad...
Iracema M. M. Brochado - UnB, verão
2015 - Monografia Filosófica
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SUMÁRIOSUMÁRIO
I.Introdução
II.Um confronto metodológic...
Iracema M. M. Brochado - UnB, verão
2015 - Monografia Filosófica
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INTRODUÇÃOINTRODUÇÃO
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História, Historiografia, Histor...
Iracema M. M. Brochado - UnB, verão
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UM CONFRONTO METODOLÓGICO INICIALUM CONFRONTO METODOLÓG...
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Inicialmente, aInicialmente, a Teoria da HistóriaTeoria...
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Problemas metodológicos levantados por Lévi-Strauss e B...
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Assim, no contexto de uma sistematização metodológica d...
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PROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAOPROBLEMAS DE UMA CONTE...
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A definição filosófico-moral do do “Bem” - no tocante à...
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conceito deconceito de Summum bonumSummum bonum como a...
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Ética filosofica, Filosofia Política, Summum bonum e a...
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Estabelecidas estas definições, Leo Strauss parece evo...
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Na contextualização histórico-filosófica do conceito d...
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Por fim, a sistematização da chamada Filosofia Politic...
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PROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAOPROBLEMAS DE UMA CONT...
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LORAUX e sua contraposição a Vernant, onde o historiad...
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O problema de uma distinção entre Histórico, Historici...
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BURCKHARDT e a teoria das três “Potências” - associada...
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Maquiavel, o historiador-filósofo – a releitura do mod...
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CONCLUSÃOCONCLUSÃO
O “fundo permanente” através dos te...
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ANEXOS – Anexo IANEXOS – Anexo I
Iracema M. M. Brochado - UnB, verão
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ANEXOS – Anexo IIANEXOS – Anexo II
MAQUIAVEL, Nicolau....
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Monografia Filosófica
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BIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIA
BÁSICA:BÁSICA:
HOBBES, Thom...
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Autora: Iracema Brochado
"Maquiavel e Hobbes: um redimensionamento histórico do conceito de Ética Filosófica (entre o summum bonum e a realidade terrena)", monografia filosofica de conclusão de curso
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MONOGRAFIA FILOSÓFICA - Universidade de Brasília (verão 2015)

  1. 1. MONOGRAFIA FILOSÓFICAMONOGRAFIA FILOSÓFICA Autora/orientanda: Iracema BrochadoAutora/orientanda: Iracema Brochado Orientadora: Priscila Rossinetti RufinoniOrientadora: Priscila Rossinetti Rufinoni Universidade de Brasília – verão 2015Universidade de Brasília – verão 2015 Depto. de FilosofiaDepto. de Filosofia Maquiavel e Hobbes: um redimensionamentoMaquiavel e Hobbes: um redimensionamento histórico do conceito de Ética Filosófica (entre ohistórico do conceito de Ética Filosófica (entre o summum bonumsummum bonum e a realidade terrena)e a realidade terrena) Brasília, DF – 19/02/2015Brasília, DF – 19/02/2015
  2. 2. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 2 SUMÁRIOSUMÁRIO I.Introdução II.Um confronto metodológico inicial entre História e Filosofia III.Problemas de uma contextualização filosófica: conceitos de Ética e discussões sobre Moral IV.Problemas de uma contextualização histórico- filosófica V.Conclusão VI.Anexos VII.Bibliografia
  3. 3. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 3 INTRODUÇÃOINTRODUÇÃO  História, Historiografia, Historicismo (conceitos)História, Historiografia, Historicismo (conceitos)  Filosofia: Ética, Moral (conceitos) e sua reflexãoFilosofia: Ética, Moral (conceitos) e sua reflexão na (Filosofia) Políticana (Filosofia) Política  Métodos filosófico e histórico: um confrontoMétodos filosófico e histórico: um confronto  Filosofia da História: breve contextualizaçãoFilosofia da História: breve contextualização (diversos autores)(diversos autores)  Maquiavel e Hobbes: seus momentos históricosMaquiavel e Hobbes: seus momentos históricos e de como isto influenciou suas respectivase de como isto influenciou suas respectivas atitudes filosóficas e obras-primasatitudes filosóficas e obras-primas
  4. 4. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 4 UM CONFRONTO METODOLÓGICO INICIALUM CONFRONTO METODOLÓGICO INICIAL ENTRE HISTÓRIA E FILOSOFIAENTRE HISTÓRIA E FILOSOFIA Reflexão sobre as distinções entre os pensares filosófico e históricoReflexão sobre as distinções entre os pensares filosófico e histórico, e de como, e de como metodologias convencionais tendem a obstruir um avanço no emprego de novasmetodologias convencionais tendem a obstruir um avanço no emprego de novas metodologias para umametodologias para uma distinção entre Teoria da Historia e Filosofia dadistinção entre Teoria da Historia e Filosofia da HistoriaHistoria, bem como sua adequação metodológica a uma reflexão, bem como sua adequação metodológica a uma reflexão verdadeiramente filosófica sobre a Historia, a qual estuda – essencial everdadeiramente filosófica sobre a Historia, a qual estuda – essencial e inevitavelmente – o PASSADO; nossa contemporaneidade – o tempo presente -inevitavelmente – o PASSADO; nossa contemporaneidade – o tempo presente - não consegue fornecer os elementos apropriados para uma avaliação “histórica”não consegue fornecer os elementos apropriados para uma avaliação “histórica” do tempo em que estamos vivendo mas, à medida que o tempo nos permite odo tempo em que estamos vivendo mas, à medida que o tempo nos permite o distanciamento entre nós e o acontecimento passado, surgem elementos quedistanciamento entre nós e o acontecimento passado, surgem elementos que permitem-nos ver (ou rever, ou ainda,permitem-nos ver (ou rever, ou ainda, redimensionarredimensionar) o passado com outros) o passado com outros critérios e valores. (BERBERT Jr.)critérios e valores. (BERBERT Jr.) Partindo-se desta análise, pergunta-se: da mesma forma que historiadores,Partindo-se desta análise, pergunta-se: da mesma forma que historiadores, filósofosfilósofos não teriam esta, digamos, vantagem da perspectiva reflexivo-temporal,não teriam esta, digamos, vantagem da perspectiva reflexivo-temporal, ao debruçarem-se sobre o legado de autores antigos,ao debruçarem-se sobre o legado de autores antigos, reavaliando-osreavaliando-os de acordode acordo com os elementos disponibilizados para a pesquisa, com o tempocom os elementos disponibilizados para a pesquisa, com o tempo presentepresente ee com o momento histórico passado, registrado pelos autores antigos por elescom o momento histórico passado, registrado pelos autores antigos por eles estudados?estudados?
  5. 5. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 5 Inicialmente, aInicialmente, a Teoria da HistóriaTeoria da História desdobra-se em:desdobra-se em: História como ciênciaHistória como ciência (da(da qual originam-se as teorias do conhecimento historiográfico) equal originam-se as teorias do conhecimento historiográfico) e História comoHistória como as ações humanas no tempoas ações humanas no tempo - nesta qual delimita-se, por assim dizer, uma- nesta qual delimita-se, por assim dizer, uma Filosofia da História (destacando-se Kant, Hegel, Comte e Marx, entre outros),Filosofia da História (destacando-se Kant, Hegel, Comte e Marx, entre outros), bem como as chamadas teorias pontuais da História (nas quais destacam-sebem como as chamadas teorias pontuais da História (nas quais destacam-se nomes como Michel Foucault e Walter Benjamin, entre muitos outros). E, comonomes como Michel Foucault e Walter Benjamin, entre muitos outros). E, como frisa Mello, longe de estarem compartimentadas, estas áreas se inter-frisa Mello, longe de estarem compartimentadas, estas áreas se inter- relacionam em maior ou menor grau – a ponto de alguns autores sustentarem arelacionam em maior ou menor grau – a ponto de alguns autores sustentarem a ideia de que, “em cada texto historiográfico, há sempre uma filosofia da históriaideia de que, “em cada texto historiográfico, há sempre uma filosofia da história acoplada” (MELLO, 2012:396).acoplada” (MELLO, 2012:396). Desta forma, Teoria da História e Filosofia da História constituem áreasDesta forma, Teoria da História e Filosofia da História constituem áreas metodologicamente interativas, onde a segunda constitui desdobramento dametodologicamente interativas, onde a segunda constitui desdobramento da primeira.primeira.
  6. 6. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 6 Problemas metodológicos levantados por Lévi-Strauss e Burckhardt, naProblemas metodológicos levantados por Lévi-Strauss e Burckhardt, na delimitação de uma Filosofia da História:delimitação de uma Filosofia da História: Burckhardt - o problema da possibilidade de uma contradição entre HistóriaBurckhardt - o problema da possibilidade de uma contradição entre História (de caráter "coordenador") e Filosofia (de caráter "subordinador"), dada a(de caráter "coordenador") e Filosofia (de caráter "subordinador"), dada a tentativa de delimitação de uma Filosofia da História.tentativa de delimitação de uma Filosofia da História. Lévi-Strauss - acerca da natureza do fato histórico, reforça o caráterLévi-Strauss - acerca da natureza do fato histórico, reforça o caráter subjetivo da percepção de um fato histórico e sua inserção no chamadosubjetivo da percepção de um fato histórico e sua inserção no chamado “devir histórico” – ressaltando, daí, a importância da sistematização de“devir histórico” – ressaltando, daí, a importância da sistematização de uma assim denominada Filosofia da História.uma assim denominada Filosofia da História.
  7. 7. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 7 Assim, no contexto de uma sistematização metodológica de uma Filosofia daAssim, no contexto de uma sistematização metodológica de uma Filosofia da História e seu decorrente processo seletivo das categorias históricas (ouHistória e seu decorrente processo seletivo das categorias históricas (ou “historicizantes”, poder-se-ia afirmar), estabelece-se o risco de tal“historicizantes”, poder-se-ia afirmar), estabelece-se o risco de tal sistematização ater-se à inclinação por uma ótica essencialmente escatológicasistematização ater-se à inclinação por uma ótica essencialmente escatológica (ou teleológica) na abordagem dos fatos históricos, sem considerar os(ou teleológica) na abordagem dos fatos históricos, sem considerar os elementos passado-presente-futuro em sua totalidade, visando a uma propostaelementos passado-presente-futuro em sua totalidade, visando a uma proposta reconstrutiva da História. E, neste processo depurativo, uma crise dereconstrutiva da História. E, neste processo depurativo, uma crise de paradigmas pode vir a ocorrer: a crise dos paradigmas na História se dá noparadigmas pode vir a ocorrer: a crise dos paradigmas na História se dá no momento em que determinadas categorias são recusadas em favorecimento demomento em que determinadas categorias são recusadas em favorecimento de outras. Assim, de um lado, como exemplo de categorias rejeitadas, encontramosoutras. Assim, de um lado, como exemplo de categorias rejeitadas, encontramos as de universalidade, progresso e unidade e, de outro, como categoriasas de universalidade, progresso e unidade e, de outro, como categorias privilegiadas, as de contingência, localismo e fragmentação.privilegiadas, as de contingência, localismo e fragmentação. Portanto, os conceitos e métodos de uma Teoria da História e de uma Filosofia daPortanto, os conceitos e métodos de uma Teoria da História e de uma Filosofia da História, dado o caráter interativo nelas apresentado, como um instrumental paraHistória, dado o caráter interativo nelas apresentado, como um instrumental para contextualizá-los no processo histórico vivido por Maquiavel e por Hobbes, e decontextualizá-los no processo histórico vivido por Maquiavel e por Hobbes, e de como os (conturbados) momentos históricos vividos por cada um desses autorescomo os (conturbados) momentos históricos vividos por cada um desses autores influiu na necessidade de repensar e redimensionar conceitos que pareciam jáinfluiu na necessidade de repensar e redimensionar conceitos que pareciam já não fazer efeito - nem sentido – face às instabilidades e mudanças enfrentadasnão fazer efeito - nem sentido – face às instabilidades e mudanças enfrentadas em seus respectivos tempos históricos. Neste processo metafísico historicizante,em seus respectivos tempos históricos. Neste processo metafísico historicizante, destaca-se o elemento cognitivo (sendo a cognição um elemento orientadordestaca-se o elemento cognitivo (sendo a cognição um elemento orientador necessário para a própria vida humana) como fundamental para a percepção,necessário para a própria vida humana) como fundamental para a percepção, racionalização e sistematização de uma Filosofia da História.racionalização e sistematização de uma Filosofia da História.
  8. 8. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 8 PROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAOPROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAO FILOSOFICAFILOSOFICA O problema de uma discussão sobre o conceito filosófico de Ética – e, por extensão, todaO problema de uma discussão sobre o conceito filosófico de Ética – e, por extensão, toda uma discussão sobre a problemática da definição de moral (ou dos parâmetros morais)uma discussão sobre a problemática da definição de moral (ou dos parâmetros morais) que isso acarreta, com suas implicações no terreno da política, pedra de toque nesteque isso acarreta, com suas implicações no terreno da política, pedra de toque neste confronto entre as obras de Maquiavel e de Hobbes -, remete a uma discorrência inicialconfronto entre as obras de Maquiavel e de Hobbes -, remete a uma discorrência inicial sobre as tradicionais acepções filosóficas dos conceitos de BEM e de MAL e, porsobre as tradicionais acepções filosóficas dos conceitos de BEM e de MAL e, por conseguinte, suas implicações éticas e morais - conceitos que tornam-se obviamenteconseguinte, suas implicações éticas e morais - conceitos que tornam-se obviamente significativos quando o assunto abrange os terrenos da Moral e da Política, além de suassignificativos quando o assunto abrange os terrenos da Moral e da Política, além de suas inevitáveis implicações dialéticas no campo da natureza humana, abordada tanto noinevitáveis implicações dialéticas no campo da natureza humana, abordada tanto no Príncipe quanto no Leviatã, obras e épocas nas quais estes conceitos serãoPríncipe quanto no Leviatã, obras e épocas nas quais estes conceitos serão contextualizados, como tais eram entendidos no seu tempo.contextualizados, como tais eram entendidos no seu tempo. Ou seja, a conceituação, problematização e distinção entre “Bem” e “Mal” constitui o ponto deOu seja, a conceituação, problematização e distinção entre “Bem” e “Mal” constitui o ponto de partida para a abordagem de uma Ética filosófica e de uma filosofia política, com suaspartida para a abordagem de uma Ética filosófica e de uma filosofia política, com suas consequentes implicações morais e de como tal se apresenta tanto filosófica comoconsequentes implicações morais e de como tal se apresenta tanto filosófica como historicamente – sobretudo dahistoricamente – sobretudo da problematizaçãoproblematização e na definição de umae na definição de uma naturezanatureza tanto dotanto do Bem como do Mal. Desta forma, estabelece-se aqui uma contextualização dos conceitosBem como do Mal. Desta forma, estabelece-se aqui uma contextualização dos conceitos de “Bem” e de “Mal” no desenvolvimento de uma Ética e de uma Moral tanto na acepçãode “Bem” e de “Mal” no desenvolvimento de uma Ética e de uma Moral tanto na acepção política como na acepção metafísico-filosófica, ao longo dos tempos, e em particular nospolítica como na acepção metafísico-filosófica, ao longo dos tempos, e em particular nos sistemas “maquiavélico” (desagrada-me o emprego momentâneo desse termo, dada asistemas “maquiavélico” (desagrada-me o emprego momentâneo desse termo, dada a sua frequente distorção, mas faço-o aqui em um sentido irônico à sua banalização) esua frequente distorção, mas faço-o aqui em um sentido irônico à sua banalização) e hobbesiano.hobbesiano.
  9. 9. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 9 A definição filosófico-moral do do “Bem” - no tocante à sistematização de uma ÉticaA definição filosófico-moral do do “Bem” - no tocante à sistematização de uma Ética filosófica e de uma filosofia política, sobre a definição filosófica de “Bem”filosófica e de uma filosofia política, sobre a definição filosófica de “Bem” enquanto realidade ou valor, o conceito deenquanto realidade ou valor, o conceito de Summum bonumSummum bonum (do latim, “Bem(do latim, “Bem Maior” ou “Bem Supremo”) adquire significado metafísico no sentido do “BemMaior” ou “Bem Supremo”) adquire significado metafísico no sentido do “Bem supremo” como realidade ou valor absoluto, e considerando-se a influênciasupremo” como realidade ou valor absoluto, e considerando-se a influência escolástica que ainda perdurava à época de Maquiavel e de Hobbes. A estaescolástica que ainda perdurava à época de Maquiavel e de Hobbes. A esta questão, está relacionado o problema da definição de um Bem moral quandoquestão, está relacionado o problema da definição de um Bem moral quando este é colocado (como um Bem Supremo, ou Summum bonum) no topo daseste é colocado (como um Bem Supremo, ou Summum bonum) no topo das outras espécies de bens, surgindo daí vários problemas de interpretação, aoutras espécies de bens, surgindo daí vários problemas de interpretação, a começar pelo estabelecimento da existência do Bem como algo objetivo oucomeçar pelo estabelecimento da existência do Bem como algo objetivo ou subjetivo (o que é considerado “honesto”, correto” etc.), em um conflito entre asubjetivo (o que é considerado “honesto”, correto” etc.), em um conflito entre a idealização dos valores e o que é entendido pelos sentidos, em diversos graus.idealização dos valores e o que é entendido pelos sentidos, em diversos graus. A definição filosófico-moral de “Mal” - dado o seu caráter complexo, esta definiçãoA definição filosófico-moral de “Mal” - dado o seu caráter complexo, esta definição apresenta um dilema básico semelhante à definição do Bem: é o Mal um atributoapresenta um dilema básico semelhante à definição do Bem: é o Mal um atributo exclusivamente MORAL, ou constitui uma REALIDADE (ou um ser, em umaexclusivamente MORAL, ou constitui uma REALIDADE (ou um ser, em uma acepção metafísica)? Aqui, destaca-se a definição de uma problematização doacepção metafísica)? Aqui, destaca-se a definição de uma problematização do Mal, da necessidade de definição de uma natureza do Mal e da busca de umaMal, da necessidade de definição de uma natureza do Mal e da busca de uma forma de enfrentar o problema (proposto de maneiras diversas por sistemasforma de enfrentar o problema (proposto de maneiras diversas por sistemas filosóficos de diferentes épocas).filosóficos de diferentes épocas).
  10. 10. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 10 conceito deconceito de Summum bonumSummum bonum como a pedra de toque para a analise das obras de Maquiavelcomo a pedra de toque para a analise das obras de Maquiavel e de Hobbes, como conceito inserido da chamada metafísica do ser (em umae de Hobbes, como conceito inserido da chamada metafísica do ser (em uma subordinação do Summum bonum ao Summum esse, ou “supremo ser/existir”) -, parasubordinação do Summum bonum ao Summum esse, ou “supremo ser/existir”) -, para descrever o “bem supremo” como máxima aspiração humana em uma acepçãodescrever o “bem supremo” como máxima aspiração humana em uma acepção teleológica, como o objetivo final contendo todos os outros bens, como no sistema tomistateleológica, como o objetivo final contendo todos os outros bens, como no sistema tomista (no qual o conceito sistematizou-se através de elementos agostinianos e aristotélicos) –(no qual o conceito sistematizou-se através de elementos agostinianos e aristotélicos) – aspecto fundamental para a compreensão da filosofia ocidental, referente àaspecto fundamental para a compreensão da filosofia ocidental, referente à contextualização da moral cristã das respectivas épocas em que O Príncipe e O Leviatãcontextualização da moral cristã das respectivas épocas em que O Príncipe e O Leviatã foram escritos. O “bem supremo”, comumente definido como a vida dos justos emforam escritos. O “bem supremo”, comumente definido como a vida dos justos em comunhão com Deus e de acordo com os preceitos divinos, por muito tempo serviu comocomunhão com Deus e de acordo com os preceitos divinos, por muito tempo serviu como modelo e referencia moral à conduta dos líderes, expressa no gênero literário conhecidomodelo e referencia moral à conduta dos líderes, expressa no gênero literário conhecido como Espelho dos Príncipes (speculum principis), modelo cujas raízes remontam àcomo Espelho dos Príncipes (speculum principis), modelo cujas raízes remontam à Antiguidade Clássica, reformulado e adaptado à moral cristã europeia – até oAntiguidade Clássica, reformulado e adaptado à moral cristã europeia – até o redimensionamento apresentado pelas obras de Maquiavel (em particular) e de Hobbes,redimensionamento apresentado pelas obras de Maquiavel (em particular) e de Hobbes, redimensionamento este originado pelo momento histórico vivido pelos seus autores, aredimensionamento este originado pelo momento histórico vivido pelos seus autores, a realidade de seus respectivos tempos históricos e a consequente necessidade de umrealidade de seus respectivos tempos históricos e a consequente necessidade de um redimensionamento, ou reinterpretação, de fatos e de conceitos – anteriores aos autoresredimensionamento, ou reinterpretação, de fatos e de conceitos – anteriores aos autores e presentes a eles.e presentes a eles. Desta forma, Maquiavel e Hobbes impulsionaram o redimensionamento do conceito de éticaDesta forma, Maquiavel e Hobbes impulsionaram o redimensionamento do conceito de ética comocomo doutrina de realismo políticodoutrina de realismo político e de análise da natureza humana, em sintonia come de análise da natureza humana, em sintonia com os respectivos momentos históricos – e, a partir de tal análise, o velho conceito doos respectivos momentos históricos – e, a partir de tal análise, o velho conceito do summum bonum em sua acepção idealista e virtuosa aparece como tornado sem efeito,summum bonum em sua acepção idealista e virtuosa aparece como tornado sem efeito, dada a natureza humana como ela é, como a principal condutora e motivadora dosdada a natureza humana como ela é, como a principal condutora e motivadora dos comportamentos que originam os fatos.comportamentos que originam os fatos.
  11. 11. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 11 Ética filosofica, Filosofia Política, Summum bonum e antinomia entre Moral e Política: o papel desempenhado por alguns conceitos filosóficos adicionais aos discutidos até aqui os quais, apesar do significado lógico original, adquirem, no decorrer do processo histórico e na sistematização do conhecimento histórico- filosófico (tal como se aplica aos casos de Maquiavel e de Hobbes) um redimensionamento de caráter retórico (aspecto de igual importância para Maquiavel e Hobbes) e, em alguns momentos, existencial: o conceito de antinomia, e sua estreita relação com os conceitos de contradição e paradoxo, bem como o conceito de absurdo (conceito este apresentado por Hobbes, na Parte I de Leviatã). Usam-se as palavras “paradoxo” e “antinomia” como sinônimos ou então consideram-se antinomias como uma classe especial de paradoxos, resultantes de uma contradição ou conflito entre duas proposições – ou as consequências delas advindas -, em que cada uma delas é racionalmente defensável. Em um sentido mais abrangente, antinomia designa um conflito entre duas ideias, proposições, atitudes, etc. (e.g. antinomia entre fé e razão, entre amor e dever, entre moral e política). Num sentido mais restrito, “antinomia” designa um conflito entre duas leis. OBS.: a antinomia de duas proposições difere da contrariedade; duas proposições podem ser contrárias sem que constituam uma antinomia, no entanto, ela surge quando se pretende provar a validade de cada uma delas.
  12. 12. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 12 Estabelecidas estas definições, Leo Strauss parece evocar a problemática embutida nessesEstabelecidas estas definições, Leo Strauss parece evocar a problemática embutida nesses conceitos, ao contrapor-se a fé e a razão, o mundano e o supremo (ou divino, com suaconceitos, ao contrapor-se a fé e a razão, o mundano e o supremo (ou divino, com sua respectiva e inevitável definição de summum bonum, na acepção ocidental), arespectiva e inevitável definição de summum bonum, na acepção ocidental), a modernidade – com sua “ampla diversidade e a frequência de suas radicaismodernidade – com sua “ampla diversidade e a frequência de suas radicais transformações”, característica essencial datransformações”, característica essencial da modernidademodernidade, iniciada por Maquiavel, iniciada por Maquiavel (modernidade cuja “diversidade é tão vasta que se pode duvidar da possibilidade de se(modernidade cuja “diversidade é tão vasta que se pode duvidar da possibilidade de se falar da modernidade como um todo coeso”, para Strauss), - e a tradição – com seufalar da modernidade como um todo coeso”, para Strauss), - e a tradição – com seu status quo.status quo. Esta reflexão serve como referencia como o próprio conflito entre o ideal do SummumEsta reflexão serve como referencia como o próprio conflito entre o ideal do Summum bonum como virtude ética e a realidade terrena tal como apresentada pelo caráter debonum como virtude ética e a realidade terrena tal como apresentada pelo caráter de incessantes mudanças e adaptações dos hábitos, costumes e instituições terrenas faceincessantes mudanças e adaptações dos hábitos, costumes e instituições terrenas face às necessidades acarretadas pelo momento sociopolítico renascentista, que por sua vezàs necessidades acarretadas pelo momento sociopolítico renascentista, que por sua vez geram os acontecimentos históricos, o momento histórico vivido, testemunhado pelosgeram os acontecimentos históricos, o momento histórico vivido, testemunhado pelos autores. Em semelhante ponto de partida, a comparação entre os conceitos de Ética naautores. Em semelhante ponto de partida, a comparação entre os conceitos de Ética na acepção de aspiração moral e o de Política remontando ao conceito aristotélico doacepção de aspiração moral e o de Política remontando ao conceito aristotélico do homem como “animal político” adquire particular importância e fonte inesgotável dehomem como “animal político” adquire particular importância e fonte inesgotável de debates e questionamentos, entrando em cena uma crise de paradigmas comodebates e questionamentos, entrando em cena uma crise de paradigmas como decorrente de um redimensionamento histórico (onde, em um sentido mais amplo, estadecorrente de um redimensionamento histórico (onde, em um sentido mais amplo, esta crise de paradigmas associa-se a uma mudança no uso de conceitos e categorias,crise de paradigmas associa-se a uma mudança no uso de conceitos e categorias, provocando um verdadeiro “diálogo de surdos” entre os defensores de uma “velhaprovocando um verdadeiro “diálogo de surdos” entre os defensores de uma “velha ordem” e os de uma “nova ordem”, como o próprio artigo de Berbert Jr. comenta) -ordem” e os de uma “nova ordem”, como o próprio artigo de Berbert Jr. comenta) - mediante elementos comparativos entre a Filosofia da História e o conceito filosóficomediante elementos comparativos entre a Filosofia da História e o conceito filosófico tradicional de Ética.tradicional de Ética.
  13. 13. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 13 Na contextualização histórico-filosófica do conceito de Ética proposto por MaquiavelNa contextualização histórico-filosófica do conceito de Ética proposto por Maquiavel e Hobbes, retoma-se e destaca-se o conceito filosófico de ANTINOMIAe Hobbes, retoma-se e destaca-se o conceito filosófico de ANTINOMIA especificamente aplicado às áreas da Política e da Moral, bem como suasespecificamente aplicado às áreas da Política e da Moral, bem como suas implicações/aplicações na exegese tanto do Príncipe como de Leviatã, em umaimplicações/aplicações na exegese tanto do Príncipe como de Leviatã, em uma distinção entre a idealização de um modelo ético (tanto de natureza filosóficadistinção entre a idealização de um modelo ético (tanto de natureza filosófica como teológico-religiosa) e a realidade sociopolítica vigente nos respectivoscomo teológico-religiosa) e a realidade sociopolítica vigente nos respectivos momentos históricos vividos pelos autores.momentos históricos vividos pelos autores. ““Antinomia” - do grego, significando literalmente “contra a lei”, ou um conflito entreAntinomia” - do grego, significando literalmente “contra a lei”, ou um conflito entre duas leis; o termo já era mencionado por Plutarco, ao referir-se a “um arbítrio emduas leis; o termo já era mencionado por Plutarco, ao referir-se a “um arbítrio em casos de conflito entre duas posições, o que sucede quando duas partes secasos de conflito entre duas posições, o que sucede quando duas partes se encontram em disputa e cada uma delas se apoia no modo de falar usado pelaencontram em disputa e cada uma delas se apoia no modo de falar usado pela outra [como no episódio do julgamento de Páris, por exemplo]. Arbitrar, nesseoutra [como no episódio do julgamento de Páris, por exemplo]. Arbitrar, nesse caso [para Plutarco] é assunto não de filósofos ou homens de letrascaso [para Plutarco] é assunto não de filósofos ou homens de letras ('gramáticos'), mas de 'retóricos' e 'oradores'” (Impossível não associar estes('gramáticos'), mas de 'retóricos' e 'oradores'” (Impossível não associar estes últimos ao contexto da Política e do “fazer Política”, portanto).últimos ao contexto da Política e do “fazer Política”, portanto). Assim, em um sentido mais amplo, “antinomia” significa um conflito entre duasAssim, em um sentido mais amplo, “antinomia” significa um conflito entre duas ideias, proposições, atitudes etc., ressaltando-se no presente trabalho, portanto,ideias, proposições, atitudes etc., ressaltando-se no presente trabalho, portanto, a antinomia entre a moral e a política.a antinomia entre a moral e a política.
  14. 14. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 14 Por fim, a sistematização da chamada Filosofia Politica tem suas basesPor fim, a sistematização da chamada Filosofia Politica tem suas bases consolidadas no pensamento aristotélico (e, mesmo questionadoconsolidadas no pensamento aristotélico (e, mesmo questionado particularmente por Hobbes em alguns momentos, Aristóteles foi uma de suasparticularmente por Hobbes em alguns momentos, Aristóteles foi uma de suas leituras e inevitável ponto de partida para suas reflexões em Leviatã):leituras e inevitável ponto de partida para suas reflexões em Leviatã): relembrando o conceito - tal como apresentado em Política, de Aristóteles -, orelembrando o conceito - tal como apresentado em Política, de Aristóteles -, o “homem como animal político” existe e se realiza como indivíduo somente no“homem como animal político” existe e se realiza como indivíduo somente no âmbito da pólis onde, por extensão, a “cidade” ou “sociedade política”âmbito da pólis onde, por extensão, a “cidade” ou “sociedade política” constituem o “bem mais elevado” (no conceito do Bem dirigido a algo, comoconstituem o “bem mais elevado” (no conceito do Bem dirigido a algo, como discutido na parte sobre as definições de Bem); para tal, os homens sediscutido na parte sobre as definições de Bem); para tal, os homens se associam, seja em famílias ou pequenos burgos, resultando a reunião dessesassociam, seja em famílias ou pequenos burgos, resultando a reunião desses agrupamentos em cidades e no Estado.agrupamentos em cidades e no Estado.
  15. 15. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 15 PROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAOPROBLEMAS DE UMA CONTEXTUALIZAÇAO HISTORICO-FILOSOFICAHISTORICO-FILOSOFICA KANT e sua definição de “ESCLARECIMENTO” - a saída de uma “menoridade” – estado deKANT e sua definição de “ESCLARECIMENTO” - a saída de uma “menoridade” – estado de coisas definido pelo autor como um tipo de acomodação a qual impede o esclarecimento,coisas definido pelo autor como um tipo de acomodação a qual impede o esclarecimento, menoridade esta da qual o próprio homem é o culpado (caso o homem se aprisione namenoridade esta da qual o próprio homem é o culpado (caso o homem se aprisione na “falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem”) - o que“falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem”) - o que justifica o mote latino sapere aude (“Ousar saber”, citado da literatura clássica) comojustifica o mote latino sapere aude (“Ousar saber”, citado da literatura clássica) como impulsionador para um caminho rumo ao entendimento, entendimento este que, paraimpulsionador para um caminho rumo ao entendimento, entendimento este que, para Kant, se processa mais rapidamente no plano individual, e de forma mais lenta no planoKant, se processa mais rapidamente no plano individual, e de forma mais lenta no plano público, de particular significado em se tratando de um processo histórico.público, de particular significado em se tratando de um processo histórico. VERNANT - a visão matematicista do mundo e do Universo (e como explicação dosVERNANT - a visão matematicista do mundo e do Universo (e como explicação dos mesmos), através das relações numerico-geometricas entre as coisas, fenômenos,mesmos), através das relações numerico-geometricas entre as coisas, fenômenos, mundo e Universo, estabelece uma linearidade não somente ao “fazer Historia” (namundo e Universo, estabelece uma linearidade não somente ao “fazer Historia” (na sequencia e registro dos fatos) mas também conferindo um método historiografico-linear,sequencia e registro dos fatos) mas também conferindo um método historiografico-linear, tirando o lugar do mito como explicação dos fatos. Esta nova perspectiva historiográficatirando o lugar do mito como explicação dos fatos. Esta nova perspectiva historiográfica apresentada pelos gregos antigos, constitui um marco a introdução do formato em prosaapresentada pelos gregos antigos, constitui um marco a introdução do formato em prosa por Anaximandro, em ruptura com a forma poética das teogonias, delimitando um rigorpor Anaximandro, em ruptura com a forma poética das teogonias, delimitando um rigor historiográfico. Esta relação matemática entre as coisas, criaturas e Universo supõe, alemhistoriográfico. Esta relação matemática entre as coisas, criaturas e Universo supõe, alem da linearidade, uma simetria nas relações, desfazendo a antiga ideia mítica deda linearidade, uma simetria nas relações, desfazendo a antiga ideia mítica de “superioridade” de uma porção sobre outras.“superioridade” de uma porção sobre outras.
  16. 16. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 16 LORAUX e sua contraposição a Vernant, onde o historiador necessita deLORAUX e sua contraposição a Vernant, onde o historiador necessita de constantes e inevitáveis comparações na História, mesmo ao evitar aconstantes e inevitáveis comparações na História, mesmo ao evitar a contextualização no presente.contextualização no presente. JASPERS - os tempos modernos possibilitaram a facilidade de acesso àJASPERS - os tempos modernos possibilitaram a facilidade de acesso à informação como impulsionadora para o enriquecimento, inclusiveinformação como impulsionadora para o enriquecimento, inclusive metodológico, para a pesquisa e sistematização de um saber histórico emetodológico, para a pesquisa e sistematização de um saber histórico e também filosófico, possibilitando por sua vez a depuração e reavaliação detambém filosófico, possibilitando por sua vez a depuração e reavaliação de métodos, para o descarte do que se julga inadequado a uma pesquisa.métodos, para o descarte do que se julga inadequado a uma pesquisa. STRAUSS - conceito de modernidade associado a um processo de transformaçãoSTRAUSS - conceito de modernidade associado a um processo de transformação histórica, destaca igual importância em Maquiavel e em Hobbes como dois doshistórica, destaca igual importância em Maquiavel e em Hobbes como dois dos principais agentes neste processo. Para Strauss - embora o autor inicialmenteprincipais agentes neste processo. Para Strauss - embora o autor inicialmente discorra sobre o problema de uma filosofia política sistematizada e, pordiscorra sobre o problema de uma filosofia política sistematizada e, por conseguinte, confinada ao ambiente acadêmico, dissociando-a da dinâmica daconseguinte, confinada ao ambiente acadêmico, dissociando-a da dinâmica da própria vida e da história em curso -, o conceito de “modernidade” adquireprópria vida e da história em curso -, o conceito de “modernidade” adquire sentido enquanto processo histórico de transformação.sentido enquanto processo histórico de transformação.
  17. 17. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 17 O problema de uma distinção entre Histórico, Historicista e Historiográfico – a distinção entreO problema de uma distinção entre Histórico, Historicista e Historiográfico – a distinção entre historicismo e historiografia, a fim de fornecer elementos para a compreensão dohistoricismo e historiografia, a fim de fornecer elementos para a compreensão do problema da Filosofia da Historia enquanto método epistemológico adotado no campo daproblema da Filosofia da Historia enquanto método epistemológico adotado no campo da História (Simmel). Para a historiografia, a História se apresenta como dotada de 2História (Simmel). Para a historiografia, a História se apresenta como dotada de 2 sentidos: 1º) o que aconteceu e o que está acontecendo ao gênero humano, como objetosentidos: 1º) o que aconteceu e o que está acontecendo ao gênero humano, como objeto de estudo histórico (o que vem a constituir a essência da própria Historia); 2º) o estudode estudo histórico (o que vem a constituir a essência da própria Historia); 2º) o estudo histórico como o estudo do passado (o que constitui a essência da Historiografia). Já emhistórico como o estudo do passado (o que constitui a essência da Historiografia). Já em uma distinção entre História e Historiografia, há uma tentativa de resolução do problemauma distinção entre História e Historiografia, há uma tentativa de resolução do problema da ambiguidade – embora tal solução apresente-se difícil na prática, como Simmelda ambiguidade – embora tal solução apresente-se difícil na prática, como Simmel admite. Quanto ao historicismo, este representa simplesmente um conjunto de doutrinas eadmite. Quanto ao historicismo, este representa simplesmente um conjunto de doutrinas e correntes de índole muito diversa e que coincidem, ao menos, em sublinhar o importantecorrentes de índole muito diversa e que coincidem, ao menos, em sublinhar o importante papel desempenhado pelo caráter histórico – ou “historicidade” - do homem e,papel desempenhado pelo caráter histórico – ou “historicidade” - do homem e, ocasionalmente, da natureza inteira. Foram feitas várias tentativas de definição deocasionalmente, da natureza inteira. Foram feitas várias tentativas de definição de “historicismo” de modo que tal definição abrangesse um conjunto de doutrinas e correntes“historicismo” de modo que tal definição abrangesse um conjunto de doutrinas e correntes muito distintas mas especificamente “historicistas” ou possuidoras de elementosmuito distintas mas especificamente “historicistas” ou possuidoras de elementos historicistas ou capazes de originar desenvolvimentos de caráter historicista.historicistas ou capazes de originar desenvolvimentos de caráter historicista. Na discussão filosófica sobre o estabelecimento de parâmetros metodológicos para aNa discussão filosófica sobre o estabelecimento de parâmetros metodológicos para a Historiografia, Georg Simmel desempenhou um papel pioneiro ao delimitar parâmetrosHistoriografia, Georg Simmel desempenhou um papel pioneiro ao delimitar parâmetros para a sistematização de uma Teoria da História como problema da conceituação epara a sistematização de uma Teoria da História como problema da conceituação e contextualização da metodologia histórica enquanto problema de natureza filosófica.contextualização da metodologia histórica enquanto problema de natureza filosófica.
  18. 18. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 18 BURCKHARDT e a teoria das três “Potências” - associadas ente si de forma a viabilizar aBURCKHARDT e a teoria das três “Potências” - associadas ente si de forma a viabilizar a compreensão de um tempo ou momento da História: Estado, Religião e Cultura.compreensão de um tempo ou momento da História: Estado, Religião e Cultura. Embora admitida pelo autor como uma divisão arbitrária, aponta-a também como didaticamenteEmbora admitida pelo autor como uma divisão arbitrária, aponta-a também como didaticamente necessária para o estudo de um período histórico - no sentido em que as mudanças ocorridasnecessária para o estudo de um período histórico - no sentido em que as mudanças ocorridas na história são motivadas pelas influências que cada uma destas potências pode desenvolverna história são motivadas pelas influências que cada uma destas potências pode desenvolver sobre as demais. Tais influências, que ocorrem mutuamente, ocorrem quando alguma dessassobre as demais. Tais influências, que ocorrem mutuamente, ocorrem quando alguma dessas potências se encontra fragilizada o bastante para submeter-se ao domínio de outra (ou mais depotências se encontra fragilizada o bastante para submeter-se ao domínio de outra (ou mais de uma), enquanto a “potência dominante” alcança o auge da representatividade e expressãouma), enquanto a “potência dominante” alcança o auge da representatividade e expressão máxima do seu poder, não sendo atingida pelos fatores que ora encontram-se sublimados pormáxima do seu poder, não sendo atingida pelos fatores que ora encontram-se sublimados por sua força; entretanto, as potências momentaneamente inferiorizadas podem aproveitar-se dossua força; entretanto, as potências momentaneamente inferiorizadas podem aproveitar-se dos espaços marginalizados e não totalmente ocupados pela potência “dominante” do momento.espaços marginalizados e não totalmente ocupados pela potência “dominante” do momento. Não se trata aqui de estabelecer uma mera relação causa-efeito entre uma “potência” ou outra,Não se trata aqui de estabelecer uma mera relação causa-efeito entre uma “potência” ou outra, mas de salientar o caráter de reciprocidade entre estas três potencias, e da importância de cmas de salientar o caráter de reciprocidade entre estas três potencias, e da importância de c ada uma delas nos processos históricos, em iguais pro porções. De qualquer forma, estaada uma delas nos processos históricos, em iguais pro porções. De qualquer forma, esta distinção entre as “três potencias” apresentada por Burckhardt assume um caráter referencialdistinção entre as “três potencias” apresentada por Burckhardt assume um caráter referencial para a contextualização histórico-filosófica das obras de Maquiavel e de Hobbes,para a contextualização histórico-filosófica das obras de Maquiavel e de Hobbes, principalmente o Estado e a Religião - embora seja a Cultura simultaneamente reflexo e gêneseprincipalmente o Estado e a Religião - embora seja a Cultura simultaneamente reflexo e gênese das po tências anteriores, i.e. A cultura como o “elemento dinâmico sobre os dois restantes,das po tências anteriores, i.e. A cultura como o “elemento dinâmico sobre os dois restantes, estáveis” (grifo meu), para o estudo das mutações históricas e teorização das crises eestáveis” (grifo meu), para o estudo das mutações históricas e teorização das crises e revoluções (aspecto significativo para o turbulento momento histórico vivido tanto por Maquiavelrevoluções (aspecto significativo para o turbulento momento histórico vivido tanto por Maquiavel como por Hobbes): enfim, uma “teoria das correntes e perturbações históricas e a concentraçãocomo por Hobbes): enfim, uma “teoria das correntes e perturbações históricas e a concentração dos movimentos históricos enfeixados em grandes indivíduos, nos quais o elemento tradicional,dos movimentos históricos enfeixados em grandes indivíduos, nos quais o elemento tradicional, válido até então, e o elemento novo se reúnem, adquirindo personalidade própria eválido até então, e o elemento novo se reúnem, adquirindo personalidade própria e momentânea, considerando-se esses indivíduos como seus causadores ou expressãomomentânea, considerando-se esses indivíduos como seus causadores ou expressão máxima.”máxima.”
  19. 19. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 19 Maquiavel, o historiador-filósofo – a releitura do modeloMaquiavel, o historiador-filósofo – a releitura do modelo speculum principis e uma visão mítica do Príncipe, aspeculum principis e uma visão mítica do Príncipe, a experiencia como historiador (e chanceler), a visão doexperiencia como historiador (e chanceler), a visão do Bem e do Mal, a visão de Ética, Política e Moral.Bem e do Mal, a visão de Ética, Política e Moral. Hobbes, o filósofo político – a experiencia comoHobbes, o filósofo político – a experiencia como historiador, a interpretação mítica da figura do Leviatã, ahistoriador, a interpretação mítica da figura do Leviatã, a visão do Bem e do Mal, a visão de Ética, Política evisão do Bem e do Mal, a visão de Ética, Política e Moral.Moral.
  20. 20. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 20 CONCLUSÃOCONCLUSÃO O “fundo permanente” através dos tempos, sugerido por Marc Bloch, serve como referencia tanto para aO “fundo permanente” através dos tempos, sugerido por Marc Bloch, serve como referencia tanto para a consolidação de valores como para o questionamento e reformulação dos mesmos. Mas, comoconsolidação de valores como para o questionamento e reformulação dos mesmos. Mas, como Maquiavel e Hobbes acreditavam, tal questionamento é possível apenas mediante a fundamentaçãoMaquiavel e Hobbes acreditavam, tal questionamento é possível apenas mediante a fundamentação de bases culturais sólidas (no indivíduo, através da instrução adquirida, e desta formação para ade bases culturais sólidas (no indivíduo, através da instrução adquirida, e desta formação para a consolidação das instituições), para que as mudanças ocorram de maneira estruturada. Portanto,consolidação das instituições), para que as mudanças ocorram de maneira estruturada. Portanto, para Maquiavel e para Hobbes, este “fundo” residia na formação por eles adquirida, entre influênciaspara Maquiavel e para Hobbes, este “fundo” residia na formação por eles adquirida, entre influências clássicas e escolásticas, adaptadas e destiladas em uma reformulação de conceitos que aclássicas e escolásticas, adaptadas e destiladas em uma reformulação de conceitos que a premência de tempos difíceis exigia. Em Maquiavel e em Hobbes verifica-se, nesta tarefa depremência de tempos difíceis exigia. Em Maquiavel e em Hobbes verifica-se, nesta tarefa de redimensionamento do conceito de valores como Ética e Moral, transpondo-os de seu patamar deredimensionamento do conceito de valores como Ética e Moral, transpondo-os de seu patamar de valores “absolutos” e colocando-os sobre a perspectiva relativizante terrena e realista, um problemavalores “absolutos” e colocando-os sobre a perspectiva relativizante terrena e realista, um problema apresentado pelo sistema escolástico-tomista: o da subordinação do summum bonum ao summumapresentado pelo sistema escolástico-tomista: o da subordinação do summum bonum ao summum esse (ou “Suprema essência”) no contexto de uma metafísica do ser, mas agora subordinada aoesse (ou “Suprema essência”) no contexto de uma metafísica do ser, mas agora subordinada ao plano sociopolítico terreno e à condição naturalista de “animal político” da natureza humana, noplano sociopolítico terreno e à condição naturalista de “animal político” da natureza humana, no sentido de que o “Sumo” (outrora identificado em Deus e no Uno), para Maquiavel e para Hobbes,sentido de que o “Sumo” (outrora identificado em Deus e no Uno), para Maquiavel e para Hobbes, passa a se relacionar ao plano terreno de uma organização política como finalidade de umapassa a se relacionar ao plano terreno de uma organização política como finalidade de uma organização social, e os “graus de perfeição do bem” (antes entendidos como uma escalaorganização social, e os “graus de perfeição do bem” (antes entendidos como uma escala hierárquica dos tipos de bem dirigidos ao “Bem supremo”, ou Deus) redimensionados como a sólidahierárquica dos tipos de bem dirigidos ao “Bem supremo”, ou Deus) redimensionados como a sólida fundamentação das bases políticas (como Maquiavel pretendia) a erigir instituições duradourasfundamentação das bases políticas (como Maquiavel pretendia) a erigir instituições duradouras (como Hobbes pretendia), em um processo sociopolítico conduzido não mais pela idealização de(como Hobbes pretendia), em um processo sociopolítico conduzido não mais pela idealização de valores absolutos e abstratos, mas pela vivência do real e do concreto oferecido pela realidade,valores absolutos e abstratos, mas pela vivência do real e do concreto oferecido pela realidade, mediante a experiencia, aprendizado e avaliação das obras passadas (a História) e presentes (amediante a experiencia, aprendizado e avaliação das obras passadas (a História) e presentes (a conduta sociopolítica), tanto no plano individual como no plano organizacional.conduta sociopolítica), tanto no plano individual como no plano organizacional.
  21. 21. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 21 ANEXOS – Anexo IANEXOS – Anexo I
  22. 22. Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 22 ANEXOS – Anexo IIANEXOS – Anexo II MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe (versão online). Carta de Maquiavel a Francesco Vettori. Acessado às 23:00h de 18/01/2015. http://www.culturabrasil.org/oprincipe.htm
  23. 23. © Iracema M. M. Brochado - UnB, verão 2015 - Monografia Filosófica 23 BIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIA BÁSICA:BÁSICA: HOBBES, Thomas.HOBBES, Thomas. LeviathanLeviathan. 2011, Buenos. 2011, Buenos Aires, Fondo de Cultura Económica. 618p.Aires, Fondo de Cultura Económica. 618p. MAQUIAVEL, Nicolau.MAQUIAVEL, Nicolau. O PríncipeO Príncipe. 12ª ed. 1988,. 12ª ed. 1988, Rio de Janeiro-RJ, Bertrand Brasil. 158p.Rio de Janeiro-RJ, Bertrand Brasil. 158p. COMPLEMENTAR:COMPLEMENTAR: (disponível na versão impressa desta monografia)(disponível na versão impressa desta monografia)

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