DEPRESSÕES NO CRETÁCICO DE SANTO
AMARO DE OEIRAS – PEGADAS OU NÃO?
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Paço de Arcos
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Reparámos que algumas
depressões / buracos
apresentavam uma forma
semelhante às das
pegadas de dinossáurios
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Quando uma pegada
está muito bem
definida, não há
dúvidas !
Ou quando uma das
pegadas faz parte, sem
qualquer dúvida, de uma
pista deixada por um
animal quando se
deslocava.
Aqui, nos calcários com 90 milhões de anos (Cretácico superior)
de Santo Amaro, estes buracos não estão muito nítidos, emb...
1. Fazer parte de uma pista
2. Numa mesma camada ocorrem pegadas com dimensões
relativamente homogéneas
3. Reduzida icnodi...
1. Fazer parte de uma pista
Numa pista existe uma repetição de pegadas com dimensões
idênticas, que se dispõem repetidamen...
Neste nível da praia de Santo Amaro não conseguimos detectar a
presença de uma pista. No máximo, temos duas pegadas (?)
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dimensões relativamente homogéneas
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3. Reduzida icnodiversidade de pegadas
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4. A rocha tem que ter idade apropriada
Os calcários de
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datam do início do
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5. A formação da rocha com as depressões realizou-se a pequena profundidade
Os calcários onde observamos estas
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Durante uma regressão, com a descida do nível do mar, novas regiões costeiras
ficam expostas e os rios começam a provocar ...
Quando o nível da água do mar está elevado, os rios que transportam sedimentos
para o mar correm mais devagar e a sua depo...
7. Fotogrametria de pegadas – curvas de nível a distâncias
semelhantes
Como as pegadas estão
preservadas a três dimensões,...
A fotogrametria pode auxiliar-nos a
verificar se uma determinada
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marca de um pé de um
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8. Três dedos bem visíveis, com o central com
comprimento superior – pegadas mesaxónicas.
9. Depressões com pequena
profundidade relativa
A profundidade de uma pegada é, muito mais,
consequência de condições apro...
10. A direcção de progressão dos animais que deixaram pistas fósseis
num nível é, em muitos casos, a mesma, com os animais...
O diagrama em rosa da
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11. Presença de um rebordo elevado na margem da
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Ele é formado pela expulsão da
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1. Fazer parte de uma pista
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2. Numa mesma camada ocorrem pegadas com dimensões
relativamente homogéneas X
3. Reduzida ic...
Sem distinguirmos entre critérios mais e
menos importantes, uma avaliação global
com base na presença /ausência destes
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Conclusões
1. Esta amostra representa
aparentemente pegadas deixadas por
dinossáurios bípedes, produzindo
impressões funci...
3. A aplicação destes 11 critérios poderá permitir a descoberta de novas
pegadas.
4. Se esta amostra de depressões represe...
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DEPRESSÕES NO CRETÁCICO DE SANTO AMARO DE OEIRAS – PEGADAS OU NÃO?

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Descrevemos algumas depressões / buracos descobertos em sedimentos do Cretácico superior (Cenomaniano) da praia de Santo Amaro de Oeiras que apresentam uma forma semelhante às das pegadas de dinossáurios tridáctilos.
Para inferir sobre a sua eventual origem biológica definimos uma listagem de 11 critérios para que uma depressão, em geral, possa ser considerada uma pegada deixada por um dinossáurio bípede.

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DEPRESSÕES NO CRETÁCICO DE SANTO AMARO DE OEIRAS – PEGADAS OU NÃO?

  1. 1. DEPRESSÕES NO CRETÁCICO DE SANTO AMARO DE OEIRAS – PEGADAS OU NÃO? E.B.I.Dr. Joaquim de Barros Paço de Arcos GRUPO DE PALEONTOLOGIA 2013
  2. 2. Reparámos que algumas depressões / buracos apresentavam uma forma semelhante às das pegadas de dinossáurios tridáctilos.
  3. 3. Quando uma pegada está muito bem definida, não há dúvidas !
  4. 4. Ou quando uma das pegadas faz parte, sem qualquer dúvida, de uma pista deixada por um animal quando se deslocava.
  5. 5. Aqui, nos calcários com 90 milhões de anos (Cretácico superior) de Santo Amaro, estes buracos não estão muito nítidos, embora alguns apresentam o aspecto vulgar que observamos em pegadas tridátilas de dinossáurios.
  6. 6. 1. Fazer parte de uma pista 2. Numa mesma camada ocorrem pegadas com dimensões relativamente homogéneas 3. Reduzida icnodiversidade de pegadas 4. A rocha tem que ter idade apropriada 5. A formação da rocha realizou-se a pequena profundidade 6. A idade da rocha corresponder a um período de transgressão 7. Fotogrametria de pegada – curvas de nível a distâncias semelhantes 8. Três dedos visíveis, com o central com comprimento superior 9. Relativamente com pouca profundidade 10. Direção de progressão dos animais idêntica, mas com sentidos opostos 11. Presença de um rebordo elevado na margem da pegada Critérios para que umas depressão seja considerada como pegada de dinossáurio bípede ausente presente
  7. 7. 1. Fazer parte de uma pista Numa pista existe uma repetição de pegadas com dimensões idênticas, que se dispõem repetidamente a distâncias semelhantes (p – passo e P – passada) e com um ângulo de passo previsível.
  8. 8. Neste nível da praia de Santo Amaro não conseguimos detectar a presença de uma pista. No máximo, temos duas pegadas (?) consecutivas do pé esquerdo do produtor.
  9. 9. 2. Numa mesma camada ocorrem pegadas com dimensões relativamente homogéneas pegada 1 2 3 4 5 6 7 8 compr. (cm) 55 52 51 66 60 54 46 58 É um mito que sejam frequentes as pegadas de grandes animais acompanhando as crias (que deixariam pegadas de pequenas dimensões).
  10. 10. 3. Reduzida icnodiversidade de pegadas As depressões (pegadas?) são todas tridátilas (ou funcionalmente tridátilas), com «calcanhar» alongado posteriormente. Todos os seus produtores teriam sido dinossáurios com progressão bípede.
  11. 11. Assim, a icnodiversidade presente nesta jazida(?) seria reduzida, tal como acontece com a grande maioria das superfícies com pegadas – dois, três tipos de pegadas, no máximo.
  12. 12. 4. A rocha tem que ter idade apropriada Os calcários de Santo Amaro datam do início do Cretácico superior – o chamado Cenomaniano – com cerca de 90 milhões de anos.
  13. 13. 5. A formação da rocha com as depressões realizou-se a pequena profundidade Os calcários onde observamos estas depressões são muito finos (calcário micrítico), duros, com bastantes minerais de calcite com vestígios de actividade de invertebrados endobentónicos - tocas e escavações. Ter-se-ão formado numa zona interdidal, com água de baixa profundidade relativa.
  14. 14. Durante uma regressão, com a descida do nível do mar, novas regiões costeiras ficam expostas e os rios começam a provocar grande erosão nas novas terras emergentes. As pegadas produzidas em ocasiões em que o nível do mar está baixo são facilmente destruídas. 6. A nível mundial, a formação e preservação da grande maioria das pegadas corresponde a períodos de transgressão.
  15. 15. Quando o nível da água do mar está elevado, os rios que transportam sedimentos para o mar correm mais devagar e a sua deposição dá-se de forma calma. As pegadas encontram as melhores condições para ficarem preservadas, quer nas suas margens, quer nas regiões da foz. E o Cenomaniano, intervalo de tempo em que estas eventuais pegadas se terão formado, corresponde a uma desses longos episódios de transgressão.
  16. 16. 7. Fotogrametria de pegadas – curvas de nível a distâncias semelhantes Como as pegadas estão preservadas a três dimensões, se utilizarmos fotogrametria podemos analisá-las também na vertente da profundidade.
  17. 17. A fotogrametria pode auxiliar-nos a verificar se uma determinada depressão, é ou não de facto uma marca de um pé de um dinossáurio. Numa pegada (?) de Santo Amaro as curvas em certos locais distribuem-se de forma paralela e noutros não. Concluímos que este critério não deve estar presente. As curvas de nível, que unem os pontos com a mesma profundidade, numa pegada «verdadeira» distribuem-se de forma paralela e não ao acaso.
  18. 18. 8. Três dedos bem visíveis, com o central com comprimento superior – pegadas mesaxónicas.
  19. 19. 9. Depressões com pequena profundidade relativa A profundidade de uma pegada é, muito mais, consequência de condições apropriadas do substrato pisado do que do peso do produtor. Se o solo estiver demasiado mole, muito enlameado, as pegadas serão profundas, mas terão tendência a desaparecerem rapidamente.
  20. 20. 10. A direcção de progressão dos animais que deixaram pistas fósseis num nível é, em muitos casos, a mesma, com os animais deslocando- se em sentidos opostos. Isto é interpretado como mostrando que os animais: 1. se aproximavam e retiravam de uma zona húmida (lago, por exemplo), ou 2. patrulhavam em ambos os sentidos as margens destas zonas
  21. 21. O diagrama em rosa da direcção e sentido de deslocação dos autores de 8 pegadas (?) isoladas mostra que os animais se dirigiam quase sempre ou para norte ou para oeste e sul. 1, 2 6 7 8 N 3 4
  22. 22. 11. Presença de um rebordo elevado na margem da depressão. Ele é formado pela expulsão da lama quando o pé pressiona o substrato. Mas se o substrato está pouco húmido, pode não existir rebordo elevado.
  23. 23. 1. Fazer parte de uma pista X 2. Numa mesma camada ocorrem pegadas com dimensões relativamente homogéneas X 3. Reduzida icnodiversidade de pegadas X 4. A rocha tem que ter idade apropriada X 5. A formação da rocha realizou-se a pequena profundidade X 6. A idade da rocha corresponder a um período de transgressão X 7. Fotogrametria de pegada – curvas de nível a distâncias semelhantes X 8. Três dedos visíveis, com o central com comprimento superior X 9. Relativamente com pouca profundidade X 10. Direcção de progressão dos animais idêntica, mas com sentidos opostos ? ? 11. Presença de um rebordo elevado na margem da pegada X Critérios para que uma depressão seja considerada como pegada de dinossáurio bípede Depressões nos calcários do Cenomaniano do passeio marítimo de Oeiras ausente presente
  24. 24. Sem distinguirmos entre critérios mais e menos importantes, uma avaliação global com base na presença /ausência destes critérios permite concluir que a amostra destas depressões pode representar impressões dos pés de dinossáurios.
  25. 25. Conclusões 1. Esta amostra representa aparentemente pegadas deixadas por dinossáurios bípedes, produzindo impressões funcionalmente tridátilas. 2. Tal como acontece noutras situações, a má preservação deve ser devida à erosão a partir do momento em que as pegadas surgiram à vista.
  26. 26. 3. A aplicação destes 11 critérios poderá permitir a descoberta de novas pegadas. 4. Se esta amostra de depressões representar de facto pegadas de dinossáurios, elas serão das mais recentes encontradas em Portugal. E juntam-se às pegadas encontradas na jazida de Carenque, igualmente do Cenomaniano e também no distrito de Lisboa.

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