FILOSOFIA, CAPITALISMO E FORMAÇÃO SOCIAL.                                                                                 ...
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Em nossa sociedade costumamos dizer que uma descoberta específica foi de determinado sujeito – a ditapropriedade intelectu...
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opressores como vem acontecendo. Organizar perguntas é o que caracteriza o papel da filosofia. Filosofia édesmaterializar ...
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Filosofia, capitalismo e formaçao social

  1. 1. FILOSOFIA, CAPITALISMO E FORMAÇÃO SOCIAL. Texto descrito por Fernando Rasnheski1, Novembro de 2010, Cefapro de Matupá – MT. (e-mail: filfrk@hotmail.com) “Quando se fala de ideias que revolucionam a sociedade inteira nada mais se expressa do que o simples fato de que se processa, no âmbito da velha sociedade, a gestão dos elementos de uma nova”. (Marx) Dialogando no contexto da atualidade, sinalizado por uma complexidade contraditória, onde a força quepredomina é da ínfima classe dominante. Neste padrão global, para início de conversa, Fiorelo Picoli, destaca que: “A fome reflete o nível de degradação de uma sociedade e transforma a humanidade em objeto de dominação global. Esta dá origem à marginalização social e econômica dos indivíduos através das imposições e do controle, também como leva a exclusão generalizada em cadeia das classes oprimidas e dependentes. Por meio das relações sociais, econômicas, ambientais e morais é possível separar as classes, porém é no dia-a-dia que se determinam as categorias sociais, e estas provocam os movimentos de poder e de domínio dos grupos coletivos. Nesse ínterim, é o adiantado processo de destruição das massas que demonstra as reais condições de um povo em dado momento evolutivo da história, também como identifica as consequências pela falta de sincronismo do modelo não igualitário. O sistema capitalista mundial dita e impõem à sociedade as formas de submissão, de controle e da violência contra a classe oprimida, bem como define as relações e os movimentos da força de trabalho, mas com o intento de buscar o lucro por meio da exploração”2. Feito esta internalização desafiadora, podemos reflexionar ancorado nos pilares filosóficos sobre nossapobreza humana de entendimento e reconhecimento enquanto classe ou sujeito de um determinado grupo social. Paraisso, partimos do questionamento filosófico e posteriormente seu envolvimento com a classe social menos favorecidae expulsa do modelo capitalista predominante enquanto sistema atual. Sendo assim, o que é filosofia? Como é o ser humano na atualidade? Como foi sendo reproduzida a imagemdos filósofos no percurso da história? Qual a formação que permeia o cotidiano dos sujeitos quando ancorados nodomínio do conhecimento vindo da esfera pública? Qual a relação do intelectual de hoje com as classes sociaisoprimidas/excluídas do sistema econômico, social, cultural e político?3 Para entender pouco mais desse entrelaçamento entre formação filosófica e envolvimento social no contextoda sociedade dita pós-moderna, o professor de filosofia Rodrigo Dantas4, membro efetivo da Unb, Distrito Federal,aproximou esse debate a partir do encontro de formação dos movimentos sociais (MST, MPA e CPT) em outubro de2003, mais especificamente, nos dias 16, 17 e 18, na cidade de Mirantes da Serra, RO, onde se faziam presentesmilitantes desses movimentos composto pelos estados de DF, GO, MT, MS e RO 5. Esse texto passa a ser transcrito apartir de alguns pontos convergentes com que o palestrante Rodrigo Dantas enfatizou. Ou seja, sua palestra estáservindo de base para esse pequeno texto que passo a descrever apesar dos sete anos percorridos depois do encontro. Sendo assim, o que é filosofia? Não existe uma única definição. A pergunta é o que nos faz interagir com omundo das crianças6 e infiltramos no contingente da filosofia. Tal questionamento que não se esgotou até hoje é o que1 Professor efetivo na rede estadual de educação, com formação em Filosofia e especialização em “Didática do Ensino Superior”. Atualmente atua como professorformador no Cefapro de Matupá, MT. O artigo tem grande contribuição daquilo que o palestrante trouxe para a discussão no momento.2 PICOLI, Fiorelo. Amazônia e o capital: uma abordagem do pensamento hegemônico e do alargamento da fronteira. Sinop: Editora Fiorelo, 2005; p.127.3 Para uma verificação do intelectual orgânico no contexto de Gramsci, é interessante observar o seguinte texto: SEMERARO, Giovanni. Intelectuais“Orgânicos” em Tempos de Pós-Modernidade. Revista Cad. Cedes. Campinas: vol. 26, n. 70, pp.373-391, set./dez. 2006 (p.385). Disponível em:http://www.cedes.unicamp.brn .4 Rodrigo Dantas, em 2003 era professor de filosofia, membro do quadro de professores da Universidade de Brasília, e como o mesmo havia anunciado sersimpatizante dos movimentos sociais e colaborador na formação. O grupo de militantes ultrapassava cinquenta pessoas participando da formação.5 O curso de formação para militantes dos movimentos sociais teve duração de oitenta e sete dias, iniciado no mês de agosto de 2003. Dentre as várias formações,uma delas estava voltada para o olhar filosófico com a participação do brilhante palestrante Rodrigo Dantas.6 Indagado pela primeiridade da consciência em Peirce, enquanto consciência em sua totalidade numa ‘presentidade’, Santaella, faz o seguinte questionamento:“O que é o mundo para uma criança em idade tenra, antes que ela tenha estabelecido quaisquer distinções, ou se tornado consciente de sua própria existência? Issoé primeiro, presente, imediato, fresco, novo, iniciante, original, espontânea, livre, vívido e evanescente. Mas não se esqueça: qualquer descrição dele devenecessariamente falseá-lo”. SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2004; p.45 (Coleção Primeiros Passos). 1
  2. 2. nos faz filósofos e nos diferencia de muitos estudiosos que permeiam os diversos campos do conhecimentofragmentado no contexto vivencial. Nesse sentido podemos averiguar no percurso de mais de 2.600 anos de história,desde as vivenciadas por parte dos povos gregos, quando são remetidas questões sobre o cotidiano social, politico,cultural e econômico de sua comunidade. A definição de filosofia parece muito vaga quando partimos apenas das “perguntas”. É o questionar comuma abrangência que necessariamente não tem uma única resposta conclusiva ou decisiva. Questionar é uma atividadefilosófica, aspirando uma vocação ou afinidade para ir avante onde se descobre novas respostas e surgem novasperguntas. Num plano filosófico de recuperação da pergunta encontramos expresso no livro O mundo de Sofia:romance da história da filosofia7, tal que permite uma viaje ao imaginário da indagação proposto pela descoberta dasaventuras juvenis. Claro que o mundo tragado pela proposta da mídia eletrônica televisionada não deixa margem paraquestionamento, pois na maioria das vezes acabamos sendo “agentes imediatos” do poder, tal que, os intelectuais, emsua maioria, “são incapazes de criar uma autocrítica do grupo que representam e de apresentar projeto de alcanceético-político”, como bem afirma Giovanni Semeraro8, usando da fundamentação de Gramsci. Numa proposta filosófica, descreve Aranha, que a filosofia “é mais a atitude de colocar em questão o queparece para muito indiscutível, seja porque eles têm ‘certeza’, seja porque estão acostumados com aquilo que lhesparece ‘banal’”9. Problematizar dentro de um processo crítico é o que pretendemos com o conhecimento filosóficonesse texto, concomitante com uma proposta reflexiva. Isto significa dizer que o papel da filosofia não é quererexplicar a realidade porque compete à ciência, mas buscar compreendê-la. E como reforça a autora, “a compreensãosupõe a busca do sentido das coisas e da vida”10. Num plano mais audacioso, filosofar é desconfiar das própriasrespostas, é pôr-se a pensar. Podemos refletir que enquanto a ciência ficou esmiuçando/dividindo11 o conhecimento, no contexto damodernidade, a filosofia tenta compreender a totalidade. Porém, não podemos acreditar ingenuamente que a filosofiasempre tivera o papel de libertar o homem enquanto sujeito de determinado contexto, visto que há consentimento deque muitas vezes se apropriou (e continua) de discursos que satisfaz apenas grupos dominantes. A filosofia é avocação da pergunta que não se cala. Sendo assim, é permeada por uma pergunta certa que visualiza o problema dedeterminada situação para poder melhor compreender. A totalidade do universo é que faz com que esgotamos algumasindagações e camuflamos situações indesejáveis e talvez corruptíveis. É na brutalidade da vida (da criança com a sociedade ou família) que as perguntas vão se calando. A vocaçãoda pergunta é uma vocação do saber. E saber, que do grego advinda do sabor, não temos mais tanta certeza naatualidade por que o ensino é organizado de tal modo que não tem nada de saboroso – não é articulado com a vida queas pessoas se enturmam e vivenciam. Nas estruturas escolares o saber se resume a conteúdos, mas as crianças nosmostram que o saber é saboroso a partir das descobertas feitas – o saber se torna sabor com a descoberta. Nasdescobertas as coisas vão se tornando compreensivas e adquirindo mais sabor, quando desvendado, clareado. Assim, omundo só pode ser pensado ou visto quando tem alguém para ver, pensar. O mundo nem sempre foi pensado domesmo tamanho e até hoje nem todos cabem dentro do projeto de melhoria de vida. Ou seja, para quem está de fatomelhorando? A verdade12 é um processo de descobertas para os gregos e outros povos – é ir descobrindo. E vai serevelando como produção social da humanidade quando houver maior comprometimento daqueles que fazem parte daclasse letrada, visto ser um desafio para a maioria aceitar determinado papel social e de libertação dos oprimidos,como bem relata Freire em sua vasta bibliografia. É dessa produção social que depende a humanidade, intervémMarx em seus escritos e atitudes quando organiza o manifesto enquanto luta dos trabalhadores. O que diferencia o serhumano é a produção da própria vida, é uma produção constante dela mesma e feita de forma social. O conhecimentoé uma produção social, dominado pelo homem. Daí vem o sujeito antropológico13.7 GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia: romance da história da filosofia. Trad. João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.8 SEMERARO: 2006.9 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. 3 ed. São Paulo: Moderna, 2004; p.20.10 Ibidem; p.21.11 Uma proposta audaciosa vem de: ALVES, Rubens. Filosofia da Ciência: Introdução ao jogo e as suas regras. 12ª ed. São Paulo: Loyola, 2007.12 Do grego: verdade quer dizer alétheia, palavra composta por “a” (do grego, negação) e léthe (do grego, esquecimento). Alétheia significa “o nãoesquecimento”; do latim: “verdade se diz veritas e se refere à precisão, ao rigor e à exatidão de um relato, no qual se diz com detalhe, pormenores e fidelidade oque realmente aconteceu; do hebraico: “verdade se diz emunah e significa ‘confiança’”; CHAUI, Marilena. Filosofia: série Brasil. Volume único. São Paulo:Ática, 2005 (p.93).13 Para uma história do ser antropológico, com fundamentação filosófica, dentro do mundo ocidental, ver: LIMA VAZ, Henrique C. de. Antropologia filosófica I.4ª ed. São Paulo: Loyola, 1991. 2
  3. 3. Em nossa sociedade costumamos dizer que uma descoberta específica foi de determinado sujeito – a ditapropriedade intelectual14. Na verdade este sujeito só foi o mediador, mas acabou se apropriando do que é de direito dahumanidade15. Então, como defender a ideia de que o produto do conhecimento não é privado? É possível essareflexão na atualidade? Quem não permite que façamos essa leitura e o por quê? Destaca Santaella que “se vocêreceber uma ordem de alguém que tem autoridade sobre você, por respeito ou temor, essa ordem produzirá uminterpretante dinâmico energético, isto é, uma ação concreta e real de obediência, no caso, como resposta ao signo”16. Todo conhecimento faz parte de uma produção social porque o mesmo depende do outro. Porém, a estruturada sociedade em que vivemos permite a individualização (consciência produzida). A relação, maior ou menor, quetemos com as coisas é a capacidade que temos de transformar. Assim, conhecer é: co-nascer ou nascer com as coisas,reforça Rodrigo Dantas.Filosofia e o conhecimento Para Platão, o papel da filosofia é problematizar o conhecimento, ou seja, acima de tudo está oconhecimento perfeito. Claro que o viés platônico ancorado nas bases essencialistas da dualidade existencial doconhecimento, separando-o em conhecimento ideal (mundo das ideias) e conhecimento sensível (mundo dassombras)17 na construção da história do conhecimento, busca reforçar alguns enlaces propositais da dupla intenção doato de conhecer, separando e conspirando para a dupla intenção, quando caracteriza no aparente, ou seja, o mundo dassombras, aqui presente e, no verdadeiro, o mundo ideal – dividindo em mundo material e mundo espiritual. Mas é com Bacon que fazemos uma crítica mais contundente sobre os ídolos petrificados socialmente. Omesmo classifica os ídolos em: 1- ídolo da caverna (referencia à caverna descrita por Platão): resulta das opiniões quese formam em nós em decorrência dos erros e defeitos entendidos a partir dos nossos órgãos dos sentidos; 2- ídolo dofórum (lugar de discussão pública na antiga Roma): resulta nas opiniões que temos por intermédio da linguagem queusamos e da relação com os outros; 3- ídolos do teatro (onde somos apenas espectadores): resultado das opiniõesformadas em nós imposta por autoridades e seus poderes através de leis e decretos inquestionáveis; 4- ídolos da tribo(agrupamento de humanos com a mesma origem, destino, características e comportamentos): o resultado disso são asopiniões que formam em nós em decorrência da natureza humana. Tais ídolos impedem muitas vezes de conhecermosa verdade18. Para os dois primeiros ídolos serem superados, necessitamos apenas de corrigir nossa proposta intelectual(corrigir o intelecto). Já para o terceiro ídolo, o do teatro, requer mudança social e política e o quarto, o da tribo,provoca mudança na própria natureza humana. Em Hegel19, na dialética da compreensão, passamos a entender a partir da perfeição das coisas e que existeum conhecimento por traz de tudo isso (panteísmo ou saber absoluto). Marx20 aborda que o sentido do conhecimento14 Marx e Engels destacam que “a divisão do trabalho, (...) como uma das principais forças históricas até aqui, expressa-se também no seio da classe dominantecomo divisão do trabalho espiritual e material, de tal modo que, no interior dessa classe, uma parte aparece como os pensadores dessa classe (seus ideólogosativos, que teorizam e fazem da formação de ilusões que essa classe tem a respeito de si mesma sua principal substância), enquanto os demais se relacionam comessas ideias e ilusões de forma mais passiva e receptiva, já que são, na realidade, os membros ativos dessa classe e possuem menos tempo para produzir ideias eilusões acerca de si. Dentro dessa classe, essa divisão pode mesmo conduzir até certa oposição e hostilidade entre ambas as partes, mas essa hostilidade, entretanto,desaparece por si mesma logo que surge algum conflito prático capaz de pôr em risco a própria classe, ocasião em que desaparece também a impressão de que asideias dominantes não seriam as ideias da classe dominante e possuiriam um poder distinto do poder dessa classe. A existência da ideia revolucionária em umdeterminado tempo já supõe a existência de uma classe revolucionária”. MARX & ENGELS. A ideologia alemã. Trad. Frank Müller. São Paulo: Martin Claret,2007; p.79.15 Pode ser consultada nesta perspectiva de assumir o patrimônio comum, dentro da agricultura camponesa, a proposta de: GÖRGEN, Frei Sérgio Antônio (ofm).Os novos desafios da agricultura camponesa. 2ª ed. Caderno da Via Campesina Brasil: 2004. Nesta mesma linha pode ser verificado: GUZMÁN, Eduardo Sevilla& MOLINA, Manuel G. Sobre a evolução do conceito de campesinato. Trad. Ênio Guterres e Horácio Martins de Carvalho. 3ª ed. São Paulo: Expressão Popular,2005.16 SANTAELLA: 2004; p.61.17 A Teoria do conhecimento clássica de Platão se resume a: 1- mundo das ideias: como imaterial, eterno e imutável, onde estão as ideias verdadeiras queexistem por si só, independentes do pensamento e de todas as coisas materiais, onde estaria a realidade de tudo (mundo das ideias ou luzes narrado no mito dacaverna); O mundo das ideias temos acesso apenas por meio da razão, inspirada na doutrina de Parmênides, onde se encontra o verdadeiro e; 2- mundo sensível:seria o mundo material que percebemos através dos cinco sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão), sendo um fluxo eterno semelhante à ideia de Heráclito,em que são meras aparências sempre se transformando, não permitindo chegar ao verdadeiro.18 Ver em: CHAUI: 2005; p.105.19 Como destaca FREIRE: “Por que não fenecem as elites dominadoras ao não pensarem com as massas? Exatamente porque estas são o seu contrárioantagônico, a sua ‘razão’, na afirmação de Hegel. Pensar com elas seria a superação de sua contradição. Pensar com elas significaria já não dominar” (p.128). Ver:FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 36ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.20 MARX & ENGELS. O Manifesto do Partido Comunista. 2ª ed. Trad. de Antônio Carlos Braga. São Paulo: Escala, 2009 (pp.63-69). 3
  4. 4. é tornar consciente os sujeitos enquanto seres viventes. É descrever os segredos da vida do proletariado no mundo emque habita. É tornar consciente o mundo em que as pessoas vivem, é ter poder para transformar. O proletariadoincumbir-se-á de tomar consciência do seu mundo e de transformar em sujeito da história, superando o dogmatismoalienante. É uma atitude de ação/reflexão/ação, isto é, a verdadeira práxis.21 A maioria do conhecimento produzido22 acaba sendo uma constante mentira que não permite olhar a simesmo no espelho. A verdade só virá quando nos virmos livres da contraditória exploração – ex.: pobre feito paratrabalhar e vendados para não conhecer a verdadeira origem da pobreza. E acabamos compreendendo que na maioriadas vezes nós somos o que nós fazemos. Na conspiração pós-moderna é o espelho de narciso23 olhando para seupróprio problema sem se dar conta dos outros que estão à mercê padecendo de fome. E assim, o que incomoda a maioria dos filósofos não é Deus24, mas as decisões que vão sendo esculpidasatravés da definição de Deus: que oprime, mata, reina... São razões que permitem definir de forma que este oprime econtrola a sociedade. Definir Deus no mundo capitalista é colocar num campo de controle da sociedade. Por issoqualquer definição filosófica de Deus é conspirar contra a própria natureza divina, se é que podemos definir talnatureza. Este acaba sendo um dos grandes gargalos para construirmos conhecimentos mais sólidos e com relevânciasocial. Até os sujeitos que dominam o conhecimento do ponto de vista do domínio universitário, acabam na maioriadas vezes reforçando as ideologias, só porque a sociedade em que está situados, o ter está além de o próprio ser. Então,podemos pensar uma sociedade, no vigente sistema capitalista, que possa reinar o ser 25 em lugar do ter, ou seja, o eucomo parte do outro26? Paralelo a isso, a proposta audaciosa da sociologia no mundo europeu em pleno século XIX, com aefervescência da revolução industrial, vem fortalecer quando entendemos o porquê tanto Durkheim quanto Weberobtiveram e ainda obtém tanto respaldo com suas teorias, juntamente com o espírito do momento movido pelaestruturação industrial e a concentração das pessoas nas fábricas.O mundo do trabalho. O mundo em que habitamos toda a energia foi organizada para trabalhar e acumular dinheiro, no sistema emque se encontra a presente sociedade – o capitalismo pós-moderno, se é que assim podemos definir. Assim, aburguesia valida e sustenta a prática do implante da propriedade privada – intocável por aqueles que só têm apenas aforça de trabalho e validada juridicamente e defendida pela ala militar armado da força estatal – sempre pronta adefender a propriedade privada, juntamente com decisões jurídicas27. A ideia do capitalista é explorar cada vez maiscom menos gastos para acumular mais28. E acabamos não tendo uma política que governe, mas o dinheiro é que21 Para uma maior abordagem sobre a práxis, ver: VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Filosofia da práxis. Trad. Maria E. Moya. São Paulo: Expressão Popular, 2007.22 Destaca Giovanni Semeraro que a maioria dos intelectuais da atualidade está mais para “fiéis cães de guarda” da classe dominante, do que sujeitos comcompromisso ético-político vinculados à classe popular. Ver: SEMERARO (2006).23 Para uma análise do sujeito individualizado (observe o trocadilho) no contexto da modernidade, ver: SODRÉ, Muniz. Televisão e Psicanálise. São Paulo:Ática, 1987 (Col. Série Princípio).24 Interessante destacar a clareza do conceito sobre Deus, quando Freire, em Pedagogia do Oprimido, remete com propriedade destacando da seguinte forma:“Dentro de um mundo mágico ou místico em que se encontra a consciência oprimida, sobretudo camponesa, quase imersa na natureza, encontra no sofrimento,produto da exploração em que está, a vontade de Deus, como se Ele fosse o fazedor desta ‘desordem organizada’” (pp.48-49). FREIRE, (2003).25 “O eu dialógico, pelo contrário, sabe que é exatamente o tu que o constitui. Sabe também que, constituído por um tu – um não-eu –, esse tu que o constitui seconstitui, por sua vez, com eu, ao ter no eu um tu. Desta forma, o eu e o tu passam a ser, na dialética destas relações constitutivas, dois tu que se fazem dois eu”(pp.165-166) define Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, ancorado em Martin Buber.26 Serve de base o seguinte livro: DUSSEL, Enrique. Ética da libertação: na idade da globalização e da exclusão. Trad. de Ephraim F. Alves, Jaime A. Clasen eLúcia M. E. Orth. Petrópolis: Vozes, 2000. O autor argumenta da seguinte maneira: “desejo também precisar claramente que, quando me referir nesta obra ao‘Outro’, sempre e exclusivamente me situarei no nível antropológico” (p.16). E logo em seguida define que “o Outro não será denominado metafórica eeconomicamente sob o nome de ‘pobre’. Agora, inspirado e W. Benjamin, o denominarei ‘a vítima’ – noção mais ampla e exata” (p.17). É de grande valia aindagação de Dussel para entendermos a proposta filosófica da situação de submissão dos países latino-americanos enquanto sujeitos da negação do pensarcentralizado pelos países do centro dominador – europeus e estadunidenses.27 Dom Tomás Balduíno, com propriedade, luta dentro da Comissão Pastoral da Terra, para divulgar essas forças do estado federativo que estão a serviço dapropriedade privada, constituída pela classe dominante. Um de seus gritos que quase lhe custou à vida e encontra-se relatado na entrevista concedia à RevistaCaros Amigos (ano VIII, n. 96, março de 2005; pp.30-35), onde menciona o preço que custa um defensor da classe oprimida, principalmente os sem terras, custoeste bancado pelo agronegócio e seus aliados. Ver também: POLETTO, Ivo (org.). Uma vida a serviço da humanidade: diálogo com Dom Tomás Balduíno. SãoPaulo: Loyola, 2002.28 Destaca Marx que “o capital nada mais é do que trabalho acumulado ” (p.28) em que o trabalhador “tem de vender-se a si próprio e a sua humanidade” (idem.).E complementa que “a divisão do trabalho mantém o trabalhador sempre mais dependente do capitalista” (p.29). In: MARX. Manuscritos econômicos-filosóficos.1ª ed. 3ª reimpressão. Trad. de Jesus Ranieri. São Paulo: Boitempo, 2009. 4
  5. 5. governa, principalmente quando a classe política é definida como direita ou centro direita. Entendemos que o sistemacriado pelo capitalismo é insustentável e vai se esgotando no tempo e é incontrolável porque explora ao máximo. Omesmo desenvolve técnicas para explorar mais com menos custo e elevada extinção do emprego das pessoas. Podemos fazer uma reflexão rapidamente sobre dois assuntos que intercalam o poder público. Assim, numaprimeira constatação, verifica-se que tanto os senadores quanto os deputados federais, e assim os demais políticos doalto escalão, estão ocupando cargos eletivos lá para defender a educação pública. Porém, o que se constata é que osfilhos da maioria deste estudam em escolas particulares. Cabe questionar: será que tais políticos acreditam no queestão defendendo? Por que seus filhos não estudam em escolas públicas? Outro fator relevante, que podemos nosquestionar é quanto à saúde pública, tal que o próprio governo do estado de MT institui aos funcionários da educaçãoo pagamento de um plano de saúde, claro que ainda em caráter optativo para tais funcionários. Por que um funcionáriopúblico, para ter garantia de uma saúde de qualidade, deverá pagar um plano particular? É nessa dialética do contráriodivulgada nos escritos de Hegel que não fazemos menção em relatar ou refletir. Para isso se manter, o Estado acabacontrolando as lutas de classes, com o poder bélico militar e ficamos horrorizados com tantos presídios sendoconstruídos para prender muitas vezes os trabalhadores que lutam por dias melhores (contra a fome dos filhos,especialmente). Ou seja, “as cadeias são uma consequência da falta de oportunidade”, argumenta Picoli29. Atualmente os cientistas dizem que estamos retirando da natureza 20% a mais todos os dias do que ela écapar de recuperar. Mas que ideologia está impregnada nesse discurso? De quem é a responsabilidade maior? Ou émelhor definir que individualmente somos responsáveis e a atitude sempre fica por conta do outro para melhorar? Oque este em jogo mesmo? Porém, o comando do capitalismo continua a oferecer produtos todos os dias e não descrevetarja de intoxicação contra a devastação da natureza. Se fossem apenas cinco ou seis capitalistas que manipulassem o sistema, seria bem mais fácil de substituir. Alógica que se constrói é a do acesso livre no acúmulo de dinheiro e quem tem um pouco fica pensando o dia todo emque (ou onde) vai gastar. Fica difícil de dizer que é apenas o capital que controla, mas é a lógica do acúmulo de capital– é a lógica do egoísmo universal implícita também. Então, destruir o sistema capitalista não é só extirpar com a classedominante capitalistas da sociedade. Ou como relata Picoli que “os ricos passam a viver à custa do trabalho dospobres, pois estes são as maiorias e estão disponíveis no mercado de trabalho à procura de um burguês que estejadisponível a explorá-lo e superexplorá-lo”30. E complementa dizendo que “os pobres são uma criatura consciente docapital”. Em pleno século XXI o capitalismo está entrando em um declínio porque não tem mais nada a oferecer31. Nocomeço do sec. XX e mais da metade, o capitalismo tinha como oferecer melhoria de acordo com as reivindicaçõesdos grupos organizados – melhores salários, direitos, lazer. Agora o capitalismo começa a expelir e os grupos vão seorganizando contra o sistema – MST, sem teto, sem escola, sem emprego etc. Antes o capitalismo conseguiaincorporar as lutas de classe (melhores salários, maiores direitos, garantias) e agora joga fora seus trabalhadores. Énesses últimos 20 ou 30 anos que acabou mudando esse quadro – se distanciou a massa dos ideais do socialismo e talideologia que foi sepultada com a queda da Rússia (1989). Com a queda do socialismo ocorreu uma distribuição dacompetição dos trabalhadores com os capitalistas. Nem os países ricos de dinheiro tem uma organização que dê contade sustentar a maioria da classe trabalhadora. Assim, podemos entender mais claramente o porquê das lutas dostrabalhadores na maioria dos países europeus e os constantes conflitos nas ruas, as paralizações e outras manifestaçõesmais cruéis que a mídia eletrônica acaba não veiculando porque não tem interesse. O capitalismo ao mesmo tempo em que chegou ao máximo também chegou ao seu limite. E é interessanteobservar que os movimentos sociais organizados e alguns partidos de esquerda (MST, MPA, PT, CPT) surgem quandojá não tem mais perspectiva de reavivar o socialismo constituído no leste europeu. O capitalismo se tornou exaustivo porque ocupou (e continua) quase todos os pontos do mundo. Asmultinacionais só ficam esperando onde as leis trabalhistas são fracas e o Estado coopera em troca de alguns miseresempregos32. As coisas se tornam evidentes quando as pessoas começam a perceber e isso está cada vez mais claro. O29 Alerta Fiorelo Picoli que o crime organizado permeia na trama do envolvimento de parte da própria justiça e de algumas instancias do Estado, formando aestrutura criminal e o envolvimento com os fabricantes de armas e fornecedores de drogas e dos próprios grupos econômicos. A saída da delinquência e damarginalização, ou seja, para não ser objeto do presídio enquanto carcerário, está na educação de qualidade e oportunidade de melhores empregos aostrabalhadores. Consultar o livro do autor, já citado, especificamente as pp.137-142.30 PICOLI: 2005; p.131.31 O tempo de trabalho para construir socialmente está cada vez mais diminuindo e com isso diminui a força de trabalho. Onde antes tinha 400 empregados, hojejá não passa de 100. Uma massa de gente está cada vez mais expelida do mundo do trabalho. É o “exército industrial de reserva” no dizer de Marx. Hoje trêshomens sozinhos detêm mais que 200 bilhões de dólares (estadunidense), o equivalente ao pib de 48 países mais pobres ou de 600 milhões de pessoas. Assim,entende-se que os três têm o mesmo valor que as outras seiscentas milhões de pessoas juntas, claro dentro do sistema capitalista que leva simplesmente emconsideração o valor em dinheiro que cada um possui, reforça Dantas.32 Interessante observar o porquê de alguns frigoríficos estarem fechando em alguns estados brasileiros. É só uma questão de crise financeira ou é porque estáesgotando o tempo de isenção de imposto concedido pela classe política daquele município ou estado??? O que alegam os donos dos frigoríficos na imprensa 5
  6. 6. retorno só será possível quando a sociedade e não um “grupinho” de burgueses tomarem as rédeas das decisõespolíticas do país, dos Estados e dos municípios33. Vivemos sob um único senhor – o capital – e tudo age de acordo com essa lógica (a lógica do dinheiro).Destrói o mundo – o único poder de contrapor a destruição do planeta é o poder popular com consciência críticareflexiva. O capitalismo tem pouca resposta a dar; – as pessoas estão cada vez mais nas ruas através das intervençõesde destruição do planeta. Quantas pessoas foram às ruas só com o ataque dos EUA contra o Iraque? As pessoas estãocada vez mais conscientes da mudança, mas se não tomar cuidado e atitude, acaba sendo ludibriada novamente e emnome de um emprego ou contas a pagar, coloca toda sua força do lado da classe dominante, novamente. O maior obstáculo que é encontrado nas cidades é que as pessoas não veem outro caminho para a melhoria.Tornam-se pessimistas e não veem outra saída a não ser a já existente. É o momento de nos indignarmos com arealidade apresentada. Agora a questão não é se Deus existe ou não, mas se o ser humano existe ou não – ahumanidade acaba sendo um mero suporte do capitalismo. Simplesmente estar aos cuidados da natureza é negação doque é humanidade e de que forma nós podemos romper com uma força suprema criada: o sistema econômico erepresentado pela política atual. Somos desafiados a romper com a história que negou e nega a humanidade. E há mais ou menos 150 anos éque se percebe uma sociedade de classes e passa-se a observar outra história porque a humanidade teria chegado aolimite. Somos levados a construir uma nova sociedade – a socialista34 – e no passo seguinte – o comunismo35. Aí quemsabe construiremos a verdadeira história da humanidade. Só que até as bases do socialismo já implantado em algunspaíses devem ser repensadas para uma melhor governabilidade do e com o povo. Este é o grande sonho da maioria dosmovimentos sociais de base, pensada enquanto proposta, desde a eclosão da consciência da existência de classesdistintas no interior da organização social. A filosofia da classe burguesa36 se estrutura a partir de conceitos como: nação, povo, universo, liberdade decompetir, direito adquirido; enquanto que a filosofia dos movimentos sociais brota das ações humanas, da luta dostrabalhadores, do embate contra o antagonismo das classes, como caracteriza Rodrigo Dantas. Por fim, filosofar é se indignar e pôr-se a caminho da libertação dos oprimidos que muitas vezes não sereconhecem porque alguns dominadores não permitem e os que têm condições não querem se comprometer em nomede seu bem estar social. E acentua Marx e Engels que “a existência da ideia revolucionária em um determinadotempo já supõe a existência de uma classe revolucionária”.Os movimentos sociais e a construção do conhecimento. Dentro dos movimentos sociais37 vai sendo construído valores, jeito, cultura, poesia, literatura que identificao grupo que o compõe, aonde as pessoas vão se formando e construindo um novo jeito, o sujeito da transformação38. Eaí acabamos nos perguntando: quem são os heróis? Os símbolos o que trazem? É um herói de novela, exterminador dofuturo, que passa por cima de todos e de tudo, ou não? E na vertente da semiótica (ciência da linguagem, signo),Santaella nos alerte que “no sistema social em que vivemos estamos fadados a apenas receber linguagens que nãodivulgada e o que não está sendo dito verdadeiramente? Para um maior esclarecimento, consultar a lei de isenção fiscal para firmas de deu Município e o quegarante a do Estado. 33 Para uma maior contribuição, ler: DEMO, Pedro. Pesquisa participante: saber pensar e intervir juntos. 2ª ed. Brasília: Liber Livro, 2008. DEMO, Pedro. Participar é conquista. São Paulo: Cortez, 1999.34 Paulo Freire prescreve essa possível mudança a partir da conscientização e da problematização dentro da educação oferecida para a classe excluída ou menosfavorecida. Na ideia de transformação social também contamos com a proposta de Florestan Fernandes – “feita à revolução nas escolas, acontecerá naturalmentenas ruas” (ver em: PRADO JUNIOR, Caio & FERNANDES, Florestan. Clássicos sobre a revolução brasileira. São Paulo: Expressão Popular, 2007).35 De acordo com Feracine, “O comunismo luta independente de qualquer objetivo ‘nacional’. O comunista não tem às cores da nacionalidade. O comunismonão tem pátria.” (p.32) E continua, “Concretamente a plataforma do P.C. inclui quatro pontos: erigir todo o proletariado em classe única; derrubar o domínioeconômico, social e político da burguesia; colocar no poder o proletariado e abolição da propriedade privada” (p.33). FERACINE, Luiz. A sociologia domarxismo. São Paulo: Convívio, 1966.36 Podemos distinguir dois seguintes termos: a) idealismo: conceito usado na filosofia da classe dominante, prescreve que existe uma ideia ou verdade universalindependente das nossas ideias. A burguesia faz valer seus ideais a partir do idealismo porque nega que outras classes existem – empregado, luta de classe... Oidealismo é apenas uma filosofia da classe dominante; b) materialismo: do nosso ponto de vista significa construir uma história tal qual é. Isto implica em construirum conhecimento onde a sociedade perpetua. Para a burguesia é construir requisitos que os conforte, tenha uma condição natural e usar da seguinte afirmativa: porque Deus quis assim, sustenta o palestrante Rodrigo Dantas.37 Para entender um pouco da origem da história dos movimentos sociais no contexto brasileiro, ler: STEDILE, João Pedro (org.). História e natureza das ligascamponesas. São Paulo: Expressão Popular, 2002.38 Sobre esses novos valores, ver: BOGO, Ademar. O vigor da mística. São Paulo: Anca, 2002; BOGO, Ademar. Lições de luta pela terra. Salvador: Memorialdas Letras, 1999. 6
  7. 7. ajudamos a produzir, que somos bombardeados por mensagens que servem à inculcação de valores que se prestam aojogo de interesse dos proprietários dos meios de produção de linguagem e não aos usuários”39. A afirmação dos movimentos sociais requer trazer a dimensão do mundo dos trabalhadores sem terra, semteto, sem voz, sem expectativa de emprego, sem direito à saúde pública de qualidade... Isto vai se materializando entrenós. Por tudo isso é que os movimentos sociais acabam tendo uma filosofia 40 – organizações, símbolos, valores... Éuma história sempre em construção. O conhecimento com caráter libertador e fortalecido pela problematização gera os sujeitos, as ações e umdeterminado panorama da realidade. Então, como se dá a produção do conhecimento aqui dentro e como está sendo oembate com o conhecimento já tido como sagrado? Pensar a ideologia 41 de cada um e como ela se reproduz nasociedade – burgueses: um grupo ínfimo de patrões passa a se apropriar do trabalho dos outros e acumular cada vezmais, pagando mísero salário. A liberdade de uns nesse sistema é a opressão de muitos outros. Através doconhecimento imposto se nega as potencialidades da maioria. É a reconhecida e incorporada sociedade de classe 42.Aqui se figura os que vão apenas trabalhar, os que vão organizar ou garantir a ordem, os que trabalham de formabraçal e os que trabalham intelectualmente. Os sacerdotes vão criar os sentimentos, mas não mudam de situação, salvoalguns que se solidarizam ou se comprometem com a causa dos trabalhadores. Diante de tudo isso há uma formulaçãoclara da figura do estado de classe: os que apenas trabalham e os que se apropriam desse trabalho. Diante doconhecimento, as classes trabalhadoras não são nem reconhecidas como intelectuais. O que os trabalhadores recebem até hoje de conhecimento acaba sendo o que não foi pensado por eles, masimposto por um ínfimo grupo comandado pela classe dominante – os intelectuais, sacerdotes, artistas, em sua maioria,sempre fizeram bem isso em nome da elite dominante43. E a religião acaba sendo o reconforto44 do mundo em que ostrabalhadores se encontram. Muitas religiões criadas na atualidade vêm de encontro com o conformismo da situaçãodeprimente de seus seguidores, pondo um projeto divino que consiste na maior exploração e a perpetuação da classedominante, ao passo que internaliza a divisão feita entre igreja e política, mas que os mesmos dirigentes acabemdisputando cargos políticos (deputados, senadores, vereadores...). Essa constante contradição não será alvo de reflexãono interior das mesmas estruturas sociais (política, econômica, de poder, religiosa, cultural...). Muito recentemente aparece a educação como conquista da classe trabalhadora, mas com um blá-blá-blá dedemocracia, cidadania, todos iguais45... É interessante observar que a mão-de-obra atual também precisa ser educadapara trabalhar46, então, montam-se as ideologias, e dentre elas, a ideologia da competição. Assim, temos que entenderque filosofia que liberta é filosofia da práxis e filosofia que domina é filosofia a mercê da continuidade do sistemaatual – explora, recrimina, massifica, ideologiza e oprime. Temos que entender que filosofar é a capacidade de organizar perguntas que aos poucos problematizam arealidade, tal que quando alguns oprimidos adquirirem maiores condições financeiras não ocupem o lugar dos39 SANTAELLA: 2004; p.12. E mais a frente à autora complementará com a seguinte descrição: “Eis aí, num mesmo nó, aquilo que funda a miséria e a grandezade nossa condição como seres simbólicos. Somos no mundo, estamos no mundo, mas nosso acesso sensível ao mundo é sempre como que vedado por essa crostasínica que, embora nos forneça o meio de compreender, transformar, programar o mundo, ao mesmo tempo usurpa de nós uma existência direta, imediata,palpável, corpo a corpo e sensual com o sensível” (p.52).40 O trabalhador do campo tem mais vantagens que o da cidade. No campo o que cerca é a natureza enquanto que na cidade por onde se olha é cultura dominante.A cidade tende a não reproduzir o mundo de onde viemos. Caracteriza sempre o pequeno burguês. Construir referencial para não ficar patinando. Para sair domundo que aos poucos herdamos, o domínio do capital, temos que construir novos valores e aí está o novo homem a nova mulher. Trocar a filosofia do domíniopela filosofia do povo, eis uma das grandes contribuições do professor Rodrigo Dantas. Claro que a cultura dominante tenta mostras só as vantagens do homem dacidade e convencer para quem produz o alimento que está na roça, sair dela e ir para a cidade, perdendo com isso a autonomia e ficando refém de um emprego ecom contas todos os meses para pagar – tirando a autonomia, tira-se a liberdade e com mais facilidade será manipulada essa pessoa.41 Numa perspectiva marxista da ideologia, ver: MARX & ENGELS: 2007; numa dimensão da atualidade, ver: BRANDÃO, Helena H. Nagamine, introdução àanálise do discurso. 7ª ed. Campinas: Unicamp (sem ano de publicação); também ARANHA: 2004 (cap. 5).42 FERACINE: 1966.43 Para uma discussão mais abrangente, ver: Subcomandante Marcos. Nosso próximo programa: Oxímoro! Disponível em:http://www.galizacig.com/actualidade/200103/lemonde_nosso_proximo_programa_oximoro.htm (acessado em 15/09/2010).44 ALVES, Rubem. O suspiro dos oprimidos. 4ª ed. São Paulo: Paulus, 1999.45 Vários autores com uma construção mais conscientizadora e crítica reportam a um novo modelo de democracia, liberdade, igualdade que a estrutura atual nãoconsegue inserir todos os sujeitos a partir de uma construção mais horizontal. Nessa esfera pode ser consultada a vasta bibliografia de Pedro Demo, outras obras dePaulo Freire além das já citadas, também Henrique D. Dussel, Saviani, Gadotti, entre outros – num processo contínuo de libertação.46Ver, SAVIANI, Dermeval. PDE – plano de desenvolvimento da educação: análise crítica da política do MEC. Campinas: Autores Associados, 2009. 7
  8. 8. opressores como vem acontecendo. Organizar perguntas é o que caracteriza o papel da filosofia. Filosofia édesmaterializar a lógica onde o sujeito se encontra vedado47. Temos que estar atentos para o seguinte fator: a história das classes dominantes é um filtro na história dafilosofia e da humanidade, sempre escolhendo e pondo em destaque aquilo que serve para os mesmos. Houve o filtrono mundo grego, no império romano, também no mundo árabe, o mesmo aconteceu dentro da estrutura da igreja eainda está bem presente no mundo moderno, com a internalização do conhecimento científico e a fragmentação domesmo dentro da proposta de Descartes48. Na maioria dos casos só temos acesso àquilo que interessa aofortalecimento do grupo dominante49 que, no mundo atual, controla os meios de comunicação, reforça RodrigoDantas. Na atualidade também temos que entender que os próprios partidos de esquerda deixam de ser socialista epassam a pregar o capitalismo e aí afunila cada vez mais as lutas de classes. Aqui também aconteceu um filtro para aimagem atual. A luta de classe serve para colocar certo equilíbrio. O socialismo perde forças quando imita a lógica docapitalismo em produzir cada vez mais. Então o capitalismo vence no século XX porque estava em expansão. Nosanos 1970 é articulada uma derrota nas lutas de classes e o neoliberalismo assume o comando: fim das lutas declasses, derrota do socialismo, fábricas computadorizadas, tal que desestrutura o mundo do trabalho e que elimina acapacidade de se organizar. Assim, podemos destacar a proposta de Fukuyama50, indagado pela vertente hegeliana,que descreve o fim da história, a pedido da burguesia e em nome dos intelectuais onde é determinante a proposta doneoliberalismo como modelo de mercado a ser seguido e que os governos da década de 1990 implantaram de formaescancarada nos países mais pobres – alguns asiáticos, africanos e latino-americanos. Desta forma, descreve Picoli, que “o atual sistema imposto de forma débil agoniza pelas contradições, mas ocidadão é vítima deste processo, e os que ainda estão incluídos passarão a serem possíveis excluídos. Além disso, oprocesso torna as pessoas marginalizadas e são consideradas estorvos dos ainda incluídos, pois estes passam aproduzir o medo pela capacidade de rebelar-se contra o sistema criador, e pode ser observado por meio dacriminalidade, e pelos registros dos atentados da atualidade. Ao mesmo tempo em que o sistema cria seus monstros eestorvo, também repele e condena sua própria criação, no entanto perde o controle de seu engenho através dabarbárie”51. Recentemente houve um grande rearranjo da luta de classe, feito a observação que o capitalismo começa aexcluir, lógica adotada diferente do início que ia incorporando. Hoje é mais difícil de organizar uma classe detrabalhadores. O mst e os sem-teto começaram a organizar os grupos dispersos. Antigamente era mais fácil organizarporque todos se encontravam na fábrica. Hoje tem os empregos, subempregos, terceirizados, autônomos, alguns sendoempregado e patrão ao mesmo tempo – é a lógica do moderno capitalismo. É o aprofundamento cada vez maior nochamado barbarismo, descrito por Picoli da seguinte forma: “Os atores sociais privados dos mecanismos de inclusãopassam a produzir a barbárie, e essa trajetória é difícil ou impossível de ser revertida por meio dos meandros daconcentração, e o capitalismo é incapaz de produzir a solidariedade, e dessa maneira ele não dá conta de reverter essequadro por ele produzido”52. E continua descrevendo que “o que determina a marginalização, a exclusão e adelinquência social do povo, são as formas estabelecidas no seio dos interesses da concentração da riqueza, bem comodo poder excludente e da não representação social e econômica, e formando assim, os extremos entre ter e não teracesso às oportunidades individuais e coletivas”53. Temos que entender que a classe média atual quer que a classe rica faça o que está fazendo com o “FomeZero” enquanto programa do Governo Federal, onde aparecem donos de grandes empresas dando um cheque e47 Essa é a grande proposta de Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido e também de Henrique Dussel em Ética da libertação: na idade daglobalização e da exclusão. Trad. de Ephraim F. Alves, Jaime A. Clasen e Lúcia M. E. Orth. Petrópolis: Vozes, 2000.48 O livro de Descartes que prescreve o enredo da divisão do conhecimento é Discurso do Método, editado por várias editoras e em quase todos os países domundo ocidental.49 Para a garantia do negro nos livros enquanto personagens da construção da história brasileira e não apenas como escravo, teve-se a necessidade de criar uma leifedera, a Lei no 10.639, em pleno século XXI.50 Para uma maior complementação, ver o artigo de Luiz Marcos Gomes: O "Fim da História" ou A Ideologia Imperialista da “Nova Ordem Mundial”disponível em: http://www.culturabrasil.pro.br/fukuyama.htm acessado em 13/08/2010. E dentro do conceito histórico podemos destacar a leitura do livro:ANDRSON, Perry. O fim da história: de Hegel a Fukuyama. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.51 PICOLI: 2005; p.136.52 Ibidem; pp.129-130.53 Ibidem; p.130. 8
  9. 9. sorrindo54. Tais medidas paliativas faz perpetuar a falsa generosidade, como alerta Paulo Freire e não traz asolidariedade, como destaca Fiorelo Picoli. Muitos intelectuais dizem que não tem mais luta de classe: criou-se a modalidade de que cada um seja seuempresário (o empreendedor). Isto reforça no imaginário coletivo com o seguinte slogan: lutar pelo coletivo paraque? Existe uma compreensão geral de que a sociedade não pode ficar assim por mais de 50 ou 100 anos porcausa dos seguintes fatores experimentados até então: 1- a destruição do planeta; 2- a experiência do socialismo vemde uma vivência sinalizada por um fracasso no século XX; 3- que o capitalismo chegou ao seu esgotamento; 4- amassa de exclusão construída começa a se organizar; 5- o perigo da destruição da guerra e por isso não deve serrepetido, fundamenta Dantas. Na Bolívia a luta já está em busca desse novo e a Venezuela tem dado passossignificantes por uma maior autonomia de seu território, só para sinalizar dois exemplos dentro da América Latina. E assim podemos reforçar novamente qual o papel da filosofia: a questão da filosofia não é se perguntar seDeus existe ou não, mas se a humanidade existe ou não. A pergunta filosófica é pela transformação – existir paratransformar: é o tempero da indignação com a amorosidade como retrata bem Paulo Freire. Temos que entender oquestionamento posto de forma antagônica e que ideologicamente é assumido como normal, só porque os mesmossempre permanecem no comando da sociedade. A ideologia antiga da pobreza descreve que é assim porque Deus quis. Agora é pobre porque é burro,vagabundo, não trabalha. Mudou de Deus para a própria pessoa e sempre continua para justificar a opressão e nãopara mudar. Então temos que entender que existe uma ideologia burguesa e por traz disso uma filosofia da mesmaclasse. A “esperteza” está com quem sai da pobreza, não importa como, e isto está fluente até nas novelas dos meiosde comunicação dominantes55. Nosso papel central está em desfazer essas ideologias e filosofias dominantes, reforçaDantas. Por outro lado, temos que entender que o governo brasileiro atual da esquerda política não está em disputa,mas em contradição. Da mesma forma que se comprometeu com a “reforma agrária”, também se comprometeu com aburguesia, FMI... E assim, o PT está deixando de ser um partido de luta56. Temos que entender que não existerevolução através da política57 conforme está representada até hoje. A mídia está mostrando que existe uma vontade doatual governo federal e assim vai tecendo a teia para continuar dividida a sociedade entre os que trabalham e os queficam com o lucro e pagam para manter a maquiagem ideológica. Nossa resposta está em buscar defender o acordoque o governo atual fez com a classe trabalhadora. Outro problema é que muitos intelectuais não se enquadram maisna categoria de trabalhadores e que de fato o são. Assim temos que exigir/reivindicar todos os acordos firmados com o povo. Não é um governo em disputa,mas um governo em contradição: aliança com a burguesia e compromisso com os trabalhadores. Diante desse governotemos um grande risco e uma oportunidade gigantesca. A nossa força está quando os movimentos vão à luta nas ruas ereivindicam o que foi compromissado. Por isso podemos dar um salto ou viver um retrocesso, ressalta Dantas.Então, qual o sentido da vida humana? Uma vez que o ser humano existe e tem consciência de sua existência, qual o seu verdadeiro sentido? (quemsomos, quais os valores da vida). Isso vai além de perguntarmos por algo que não tem resposta igualmente. De ondevem o ser humano? Temos que entender que o conhecimento tem limites e que é nesse limite que concretizamosnossas experiências. Se formos responder de onde vem à humanidade, se Deus existe ou não, o que é a morte, para seter uma resposta temos que investigar e quase sempre acabamos no mesmo círculo vicioso das respostas ludibriosas eque não leva a lugar nenhum. Temos que ter a capacidade de experimentar os limites do conhecimento. Temos queentender que vamos até certo ponto e de lá para frente é investigação. O conhecimento pode ser formulado erespondido dentro de nossas experiências e limites que temos. A invenção de muitas respostas é para convencer ou manipular as pessoas. Temos que entender que a vida sótem sentido a partir do momento que nós dermos a ela. A própria vida não tem sentido em si mesma. Ela pode servivida em vão ou em construção. Um exemplo de vida em construção para o bem da humanidade pode ser expressapelos seguintes exemplos: Dom Tomás Balduíno, Mahatma Gandhi, Chico Mendes, Dom Pedro Casaldáliga, Che54 Outro exemplo claro está no programa do PDE – todos pela educação – quando a maior acionista do banco Itaú, Milú Villela acaba sendo responsável para queo programa de resultados. Em, SAVIANI: 2009.55 Basta ver o programa BBB da Rede Globo de Televisão para compreender que vale tudo, até matar o irmão ou os pais para se sair melhor e ficar rico, e semprereforçando que não existem mais amigos, por isso não pode ter mais ninguém de confiança. Até onde esses meios continuarão dominando dessa maneira –ideologicamente manipulável e em nome do beneficio do mesmo grupo???56 SAVIANI (2009) destaca que “com a ascensão do PT ao poder federal, sua tendência majoritária realizou um movimento de aproximação com o empresariado,ocorrendo certo distanciamento de suas bases originárias” (p.32)57 Esse é um dos posicionamentos mais defendidos pelo palestrante Rodrigo Dantas. 9
  10. 10. Guevara, e tantos outros latinos, asiáticos e africanos. A vida não se estabelece só por um acontecimentotranscendental. Tem sentido constituído pela liberdade e o que construímos. Aqui podemos reforçar que a luta pelosocialismo não é individual. É nas condições da produção existencial que dá sentido a vida. A burguesia trata de assuntos como a Alca afirmando que não tem nenhuma ideologia, só porque mencionaapenas do ponto de vista do lucro. Sem ideologia é discutir apenas do ponto de vista do acúmulo de capital. Temos queentender que toda e qualquer pesquisa é a partir de quem tem recurso e disso a maioria fica privado. Um dos pilaressustentando no artigo A manipulação neoliberal do conhecimento58 está em acreditar na utopia e na mudança parapodermos avançar. Caso não acreditarmos não é possível lutar e é isso que bem quer a classe dominante. Oproeminente cuidado dentro da educação, ressalta o artigo, é com a demagogia voltada para teses como a sociedadedo conhecimento e a qualidade total, com promessas de progressos e do bem estar dos indivíduos, mas que na verdadegera em seu interior pessoas com caráter de maior competitividade, tal qual exige o mercado. Assim, sujeita osindivíduos em busca da qualidade total para servir como reserva de mão-de-obra qualifica e alienada, “ideal para avoracidade da elite dominante”59. O ponto de vista de nós trabalhadores é o de que onde tem vida tem ideologia: que tipo de vida humana éproduzido? Assim, os testemunhos contraditórios da humanidade na atualidade acabam sendo: gente é quem temdinheiro e quem não tem fica a mercê. Consternado pela presença constante da fome no convívio dos trabalhadoresbraçais, a maioria desses padecem de dois tipos de fome, como descreve Santaella: “Há duas espécies de fome: a damiséria do corpo, esta, mais fundamental e determinante, visto que interceptadora de quaisquer outras funções,necessidades e realizações humanas; mas há também a carência de conhecimento, este outro tipo de fome”60. Temos que entender que onde termina certas ideologias, poderá começa a filosofia – desnudar, desmascarar.Claro que existem muitas filosofias que sustente a ideologia dominante 61. Racionalizar (racionalizar a existência) aideologia dominante sempre teve o papel de tornar uma filosofia dominante. Por fim, acreditar na vivencia das etapas da vida, quando abre portas diferentes, é refletido de três maneirasdistintas. O primeiro passo é a interiorização e aceitação com facilidade. O segundo é o de fácil exclusão do caminhotraçado. E no terceiro passo vem do ouvir, refletir, questionar e se posicionar ou contra ou a favor. Quando aindaestamos imaturos, ou aceitamos ou ignoramos com maior facilidade os fatos, os grupos, os movimentos e outrascategorias, é porque não conseguimos trazer para o consciente de forma conscientizada/politizada/problematizada. E fica o desafio para cada leitor: qual sua fundamentação para discutir a filosofia se é boa ou má? De ondevem suas leituras para questionar ou ideologizar o sistema capitalista? Se for a favor dos movimentos sociais, o quelhe fortalece para ter esse posicionamento? Se for contra, o que o levou a essa decisão? Como suporte é necessário tergrande cuidado com algumas fontes de informações e investigações. Já se questionou sobre as certezas e verdadesproduzidas e veiculadas? Se nos questionarmos, politizarmos, refletirmos, problematizarmos e defendermos o que éjusto para a maioria, especialmente para os excluídos, ai quem sabe estaremos filosofando. Mão a obra por que nãopodemos perder tempo – quem tem fome ou sede não pode mais esperar.58 SILVA FILHO, Berilo da Paz Carvalho e BLANCO, Marcos Luengo. A manipulação neoliberal do conhecimento. São Paulo: Universidade São Judas Tadeu.In: Revista Integração: ensino, pesquisa e extensão, Ano IX, Novembro de 2003, nº 35 (p.293). Disponível em: < http://www.usjt.br/prppg/revista/numeros.php >(acessado em 15/09/2010).59 Ibidem; p.3.60 SANTAELLA: 2004; p.9.61 As várias formas de ideologia pode ser verificada em: ARANHA: 2004. 10

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